segunda-feira, março 20, 2006

Carinhoso

O Carinhoso tem uma história que começa de forma inusitada, com o autor mantendo-o inédito por mais de dez anos. Esse ineditismo é justificado por Pixinguinha, no depoimento que concedeu ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro em 1968: "Eu fiz o Carinhoso em 1917. Naquele tempo o pessoal nosso da música não admitia choro assim de duas partes (choro tinha que ter três partes). Então, eu fiz o Carinhoso e encostei. Tocar o Carinhoso naquele meio! Eu não tocava... ninguém ia aceitar".

Portanto, o Carinhoso foi "encostado" porque só tinha (e tem) duas partes. O jovem Pixinguinha, então com 20 anos, não se atrevia a contrariar o esquema adotado nos choros da época, a forma rondó (A-B-A-C-A), herdada da polca. Ele mesmo esclarece, no depoimento, que "o Carinhoso era uma polca, polca lenta. O andamento era o mesmo de hoje e eu classifiquei de polca lenta ou polca vagarosa. Mais tarde mudei para chorinho".

Assim, composto na mesma época de Sofres Porque Queres (um choro em três partes) e a valsa Rosa - gravados na Casa Edison em 1917 -, Carinhoso só chegaria ao disco em dezembro de 1928, interpretado pela orquestra Típica Pixinguinha-Donga, na Parlophon. Sobre essa gravação, um crítico pouco versado em jazz publicou o seguinte comentário na revista Phonoarte (n° 11, de 15.01.29): "Parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias do jazz. É o que temos notado, desde algum tempo e mais uma vez neste seu choro, cuja introdução é um verdadeiro fox-trot e que, no seu decorrer, apresenta combinações de música popular yankee. Não nos agradou".

Ainda sem letra, Carinhoso teria mais duas gravações, a primeira (em 1929) pela Orquestra Victor-Brasileira, dirigida por Pixinguinha, e a segunda (em 1934) pelo bandolinista Luperce Miranda, figurando em ambos os discos, por erro de grafia, com o título de Carinhos. Apesar das três gravações e das execuções em programas de rádio e rodas de choro, Carinhoso continuava em meados dos anos trinta ignorado pelo grande público.

Em outubro de 1936, porém, um acontecimento iria contribuir de forma acidental para uma completa mudança no curso de sua história. Encenava-se naquele mês no Teatro Municipal do Rio de Janeiro o espetáculo "Parada das Maravilhas", promovido pela primeira dama, D. Darcy Vargas, em benefício da obra assistencial Pequena Cruzada. Convidada a participar do evento, a atriz e cantora Heloísa Helena pediu a Braguinha uma canção nova que marcasse sua presença no palco. Não possuindo nenhuma na ocasião, o compositor aceitou então a sugestão da amiga para que pusesse versos no choro Carinhoso. "Procurei imediatamente o Pixinguinha", relembra Braguinha, "que me mostrou a melodia num dancing (o Eldorado) onde estava atuando: No dia seguinte entreguei a letra a Heloísa que, muito satisfeita, me presenteou com uma bela gravata italiana." Surgia assim, escrita às pressas e sem maiores pretensões, a letra de Carinhoso, uma letra simples (não chega a alcançar o melhor nível de João de Barro), mas que se constituiu em fator primordial para a popularização da composição.

Pode-se mesmo dizer que o Carinhoso só se tornaria um dos maiores clássicos da MPB a partir do momento em que pôde ser cantado. Comprova a afirmação o número de gravações - mais de 200 - que recebeu desde o dia (28.05.37) em que Orlando Silva o registrou em disco. É ainda Pixinguinha, em depoimento ao MIS, quem conta a história dessa gravação: "A maioria não estava interessada em gravar o 'Carinhoso'. Todos queriam gravar a valsa 'Rosa'. Primeiro foi chamado Francisco Alves, que não se interessou. O Galhardo também falhou (deixando de comparecer na data marcada). Então Mr. Evans (diretor da Victor) disse: 'Ah, não! Não grava mais. Não veio no dia, não grava mais'. Aí chamou o Orlando, que gravou o 'Carinhoso' e a valsa 'Rosa"'. Parece entretanto que, antes de gravá-los, o cantor não fazia fé nos versos de Braguinha. Pelo menos, isso foi o que deu a entender seu irmão Edmundo, encomendando ao compositor Pedro Caetano outra letra para o choro.

Comentando essa letra inédita ("Na mansidão do teu olhar / meu coração viu passear / uma feliz e meiga bonança" etc.) em seu livro de memórias, publicado em 1984, Pedro a considerou "piegas, sem graça e com várias palavras caídas em desuso". Editados no mesmo disco (Victor n° 34181), "Carinhoso" e "Rosa" tiveram sucesso imediato, que somado ao de "Lábios que beijei" iria acelerar mais ainda o ritmo da carreira do futuro "Cantor das Multidões", já na época em franca ascensão. "Carinhoso", inclusive, seria adotado por Orlando como prefixo musical de suas audições.

Ostentando o mérito de ser uma das composições mais gravadas de nossa música popular, "Carinhoso" detém ainda o recorde de gravações nos repertórios de Pixinguinha e João de Barro. Além, naturalmente, dos autores e de Orlando Silva, incluem-se em sua relação de intérpretes em discos figuras como Sílvio Caldas, Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Dalva de Oliveira, Maria Bethânia, Radamés Gnattali, Antônio Carlos Jobim, Arthur Moreira Lima, Garoto, Baden Powell, Jacó do Bandolim, Hermeto Pascoal e muitos outros.

"Carinhoso" foi também vencedor de enquete promovida pela Cigarra-Magazine, em 1949, intitulada "Os Dez Maiores Sambas Brasileiros". Quatro décadas depois, seria a música mais indicada pelos participantes da série de programas "As Dez Mais de Sua Vida", produzida e apresentada por Luís Carlos Saroldi nas rádios MEC e JB. Orlando Silva declarou em várias entrevistas ser ele o responsável pela iniciativa de pedir a Braguinha uma letra para o "Carinhoso". A versão de Orlando, porém, foi desmentida por Pixinguinha e Braguinha, encerrando o assunto.

Carinhoso (samba-choro, 1937) - João de Barro e Pixinguinha

Disco 78 rpm - Título: Carinhoso - Autoria: João de Barro, 1907-2006 (Compositor) - Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) - Silva, Orlando (Intérprete) - Regional (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Rca victor, 28/05/1937 - Álbum 34181 - Gênero: Samba


---------C----- E7--- Am ----G7-------- C --- E7--- Am
Meu coração . . . . . . . . . .não sei porque
C7 ------Em-- B7--- Em---- C7 ------Em--- B7 ---Em
Bate feliz . . . . . . . . . . quando te vê
E7----------- Am -----D7----- G
E os meus olhos ficam sorrindo
C7-------- F---- A7------- Dm
E pelas ruas vão te seguindo
F---------------- D7 -Fm ----G7 -------C---- Fm --C
Mas mesmo assim . . . . . . foges de mim
B7------------- Em-------- E7------------ Am
Ah, se tu soubesses como eu sou tão carinhoso
--------------B7--------- Em --B7-- Em
E muito muito que te quero
C------------ G------------ Em
E como é sincero o meu amor
-------------A7------- D7------------ G
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Ab7---- Dm ----G7-- C ---Am
Vem, vem, vem, vem . . . . . . . . . .
-----------------B7------------- Dm--- G7
Vem sentir o calor dos lábios meus
------------------C ------E7
A procura dos teus
---------Am-- E7---- Am
Vem matar esta paixão
C7 ----------F-- A7---- Dm
Que me devora o coração
----------Fm ---C
E só assim então
---------G7------- C--- Fm --C
Serei feliz, bem feliz


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Já te digo

Considerando-se atingidos pelo "Quem São Eles", os irmãos Pixinguinha e China (Otávio da Rocha Viana) revidaram com o "Já Te Digo", em que achincalham o rival Sinhô. Terceira resposta ao "Quem São Eles" esta foi também a de maior sucesso e a mais cruel ( "Ele é alto, magro e feio / e desdentado / ele fala do mundo inteiro / e já está avacalhado..."), sendo as outras o "Fica Calmo que Aparece", de Donga, e "Não És Tão Falado Assim", de Hilário Jovino.

O curioso é que, a rigor, a polêmica foi gratuita, pois não havia no samba de Sinhô qualquer alusão ofensiva aos adversários.

Pela repercussão alcançada no carnaval de 1919, "Já Te Digo" projetou Pixinguinha como compositor. Com uma forma musical mais definida do que a maioria criada por seus contemporâneos, ele extravasava em suas composições um conhecimento teórico de música superior. "Já Te Digo" tem a forma A-B-A-C-A-D-A, sendo que cada grupo de quatro compassos é repetido sempre ao longo de cada segmento. A composição é ainda o primeiro exemplo da extraordinária capacidade de Pixinguinha de prender ouvinte já na introdução, um primor neste caso. Mais tarde, como arranjador de música alheia, isso se repetiria constantemente. Por coincidência, "Já Te Digo" e "Quem São Eles" foram lançados por um mesmo cantor, o Bahiano da Casa Edison.

Já te digo (samba / carnaval, 1919) - Pixinguinha e China

Disco 33 1/3 rpm - Título: Já te digo - Autoria: Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) - J. Cascata, 1912-1961 (Intérprete) - Velha Guarda, 1954-1956 (Intérprete) - Coro (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Sinter, Novembro 1955 - Nº Álbum 1054


Um sou eu, e o outro não sei quem é
Um sou eu, e o outro não sei quem é
Ele sofreu pra usar colarinho em pé
Ele sofreu pra usar colarinho em pé

Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo

Um sou eu, e o outro não sei quem é
Um sou eu, e o outro não sei quem é
Ele sofreu pra usar colarinho em pé
Ele sofreu pra usar colarinho em pé

Ele é alto, magro e feio / É desdentado
Ele é alto, magro e feio / É desdentado
Ele fala do mundo inteiro / E já está avacalhado no Rio de Janeiro
Ele fala do mundo inteiro / E já está avacalhado no Rio de Janeiro

Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo


Fonte: A Canção no Tempo. 85 anos de músicas brasileiras. vol. 1: 1901-1957 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

Iara (Rasga o coração)

"Melodia espontânea e escorreita; harmonização singela com alguns acordes arpejados, principalmente no tempo fraco dos compassos." Assim o maestro Batista Siqueira analisa o xote "Iara", por ele considerado "uma obra prima de beleza e simplicidade".

Composto por volta de 1896, em homenagem a um barco homônimo, campeão de regatas, "Iara" só seria gravada em 1907, ano da morte de seu autor Anacleto de Medeiros. Tempos depois, quando já era peça obrigatória no repertório de bandas, recebeu letra de Catulo da Paixão Cearense que a rebatizou de "Rasga o Coração".

Essencialmente instrumental, o xote perdeu em graça e leveza ao ser transformado em canção, embora os versos de Catulo tenham-lhe aumentado a popularidade. Esses versos, aliás, são tão numerosos que mereceram de Guimarães Martins (no livro Modinhas) a curiosa e acaciana recomendação: "O cantor que não desejar interpretar todas estas estrofes escolherá as que mais lhe agradarem". Admirador de Anacleto de Medeiros, Villa-Lobos aproveitou o tema de "Iara" em seu Choros n° 20.

Iara (Rasga o Coração) (chótis, 1896) - Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense


Se tu queres ver a imensidão do céu e mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coração, vem te debruçar
Sobre a vastidão do meu penar

Rasga-o, que hás de ver
Lá dentro a dor a soluçar
Sob o peso de uma cruz
De lágrimas chorar
Anjos a cantar preces divinais
Deus a ritmar seus pobres ais

Sorve todo o olor que anda a recender
Pelas espinhosas florações do meu sofrer
Vê se podes ler nas suas pulsações
As brancas ilusões e o que ele diz no seu gemer
E que não pode a tia dizer nas palpitações
Ouve-o brandamente, docemente a palpitar
Casto e purpural num treno vesperal
Mais puro que uma cândida vestal

Hás de ouvir um hino
Só de flores a cantar
Sobre um mar de pétalas
De dores ondular
Doido a te chamar, anjo tutelar
Na ânsia de te ver ou de morrer

Anjo do perdão! Flor vem me abrir
Este coração na primavera desta dor
Ao reflorir mago sorrir nos rubros lábios teus
Verás minha paixão sorrindo a Deus

Palma lá do Empíreo
Que alentou Jesus na cruz
Lírio do martírio
Coração, hóstia de luz
Ai crepuscular, túmulo estelar
Rubra via-sacra do penar



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Pé de anjo

Sinhô apreciava tanto a valsa francesa "Geny (C'est pas dificile)" que acabou plagiando-a na marchinha "O Pé de Anjo". E deu certo, pois "O Pé de Anjo" caiu nas graças do povo, tornando-se o maior sucesso do carnaval de 1920 e até originando uma revista musical que adotou o seu título.

Foi, ainda, a primeira música gravada por Francisco Alves, sendo lançada juntamente com "Fala meu Louro" no suplemento inaugural do selo Popular, de efêmera duração:

Disco 76 rpm - Título da música: O pé de anjo - Autoria: Sinhô (Compositor) - Alves, Francisco (Intérprete) - Grupo dos Africanos (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Popular, 1911-1921 - Nº Álbum 1008 - Gênero musical: Marcha carnavalesca



Quanto ao título, tratava-se de uma zombaria aos pés enormes do China, dando assim continuidade à interminável rixa entre Sinhô e seus desafetos preferidos: os irmãos China e Pixinguinha.

O pé de anjo (samba, 1920) - Sinhô

C----------------- Dm- --------------------- C/E
Eu tenho uma tesourinha / Que corta ouro e marfim
C--------------------- G------D7------------------ G7
Serve também para cortar / Línguas que falam de mim

C------------ Dm---------------- G7----- C
Ó pé de anjo, ó pé de anjo / És rezador, és rezador
A7------------------- Dm------------------------ D7
Tens um pé tão grande / Que és capaz de pisar
G7------------- C
Nosso Senhor, Nosso Senhor

C------- C#º-------Dm------------------------ C/E
A mulher e a galinha / São dois bichos interesseiros
C----- ----------- G------- D7-------------- G7
A galinha pelo milho / E a mulher pelo dinheiro.



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

China

China (Otávio Liplecpon da Rocha Viana), cantor, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 16/05/1888 e faleceu na mesma cidade em 27/08/1927. Irmão de Pixinguinha. Por volta de 1917 gravou, como cantor, vários discos na Phoenix, inclusive suas modinhas Amei-te tanto e A lua nova.

Foi para satirizar seus pés enormes que Sinhô, na discussão com a turma de Pixinguinha,. compôs a marcha Pé de anjo (1919). China tinha escrito nesse ano, contra Sinhô, os versos do samba Já te digo, com música de Pixinguinha.

Como cantor, pianista e violonista integrou o grupo Oito Batutas, que se apresentava na sala de espera do Cinema Palais, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Excursionou com o grupo à França, em 1922, e à Argentina, em 1923.

Obra

Ai, madama, samba carnavalesco, s.d.; Broadway (com Pixinguinha), fox-trot, s.d.; O cachorro da mulata (com Duque), samba, s.d.; Cadê ele (com Donga), embolada, s.d.; Caxuxa, samba, s.d.; Herança de caboclo (com Pixinguinha), samba, s.d.; Já te digo (com Pixinguinha), samba, 1919; Meu passarinho, samba, s.d.; Pulo de gato, samba, s.d.; Que nega é essa (com Lezute), samba, s.d.; Sai, Exu (com Donga), jongo, s.d.; Trancinha, marcha, s.d.; Você me acaba (com Mirandela e Donga), samba, s.d.; Viva a reação, samba, s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Editora Art

Flor do mal

O poeta Domingos Correia suicidou-se no dia 6 de maio de 1912, bebendo um copo do desinfetante Lisol, numa casa de chope no Rio de Janeiro. Antes, porém, perpetuou nos versos da canção "Flor do Mal" o motivo do suicídio: sua paixão não correspondida por Arminda Santos, uma jovem pernambucana que então iniciava carreira artística nos palcos da cidade.

"Oh! Eu me recordo ainda / desse fatal dia / em que tu me disseste, Arminda, / indiferente e fria / eis do meu romance o fim...".

Como não era compositor, fez esses versos tristíssimos em cima da melodia, mais triste ainda, de "Saudade Eterna", uma valsa do violonista Santos Coelho, autor de um método de guitarra portuguesa, muito usado na época.

Tendo recebido em 1909 a letra de Catulo da Paixão Cearense (sob o título de "Ó como a saudade dorme num luar de calma"), "Saudade Eterna" era apenas razoavelmente conhecida, tornando-se grande sucesso ao transformar-se em "Flor do Mal", talvez até pelo impacto da tragédia.

Segundo o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque), Domingos Correia "era branco, baixo e tinha uma cabeça enorme", o que lhe valeu o apelido de Boneco nos meios boêmios onde bebia e cantava com voz possante". Com tal figura, era mesmo tarefa impossível ao Boneco conquistar a bela Arminda:

Disco 78 rpm - Título: Flor do mal - Coelho, Santos (Compositor) - Terra, Alencar (Intérprete) - Regional (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Copacabana, Indefinida - Nº Álbum 5385 - Gênero musical Valsa:



Flor do mal (Saudade eterna) (valsa, 1912) - Domingos Correia e Santos Coelho - Interpretação: Vicente Celestino - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Rca victor, 1943 - Nº Álbum 800078:



Oh ! Eu me recordo ainda, / Deste fatal dia...
Em que tu me disseste, Arminda, / Indiferente e fria.
- Eis do meu romance o fim! / - Senhor! / - Basta!
- Esquece-te de mim, / Amor.

Por que? / Não procures indagar, / A causa ou a razão?
Por que? / Eu não te posso amar? / Oh ! Nunca quis não,
Será fácil te esquecer. / Prometo,
Oh! minha flor, / Não mais ouvir falar de amor.

Eu! / Hipócrita! / Fingido coração! / De granito...
Ou de gelo... / Maldição...
Ah! / Espírito satânico! / Perverso! / Titânico chacal...
Do mal... / Num lodaçal imerso...

Sofrer! / Quanto tenho sofrido! / Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído! / Por que? / Não posso ser então...
Oh, Não !

Que importa, / O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural! / Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente, / A Flor do Mal.

Sofrer! / Quanto tenho sofrido! / Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído! / Por que? / Não posso ser então...
Oh, Não!

Que importa, / O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural! / Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente, / A Flor do Mal....



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34