domingo, março 26, 2006

Patrão, prenda seu gado

Patrão, prenda seu gado (chula-raiada, 1931) - João da Baiana, Donga e Pixinguinha - Intérprete: Martinho da Vila (1974)



Ô patrão / Ô patrão / Ô patrão, prenda seu gado /
Na lavra tem um ditado / Quem mata gado é jurado /
Missa de padre é latim/ Rapaz solteiro é letrado /
Em vim preso da Bahia / Só porque era namorado /
Madame Diê, lalá


Samba ioiô, samba iaiá / Que o dia e vem, doná

Eu bem sei / Eu bem sei / Eu bem sei que fui culpado/
De vir preso da Bahia / Só porque fui namorado /
Vou tirar meu passaporte / Meu camarote de proa /
Eu aqui não vou ficar / Vou-me embora pra Lisboa /
Senhorita vai ver, doná


Samba ioiô, samba iaiá / Que o dia e vem, doná

Ô, Joana, ô Maria, / Saruê pra que trabalha /
No pescoço da cutia / No pavilhão, da atalaia /
Era hoje, era ontem, era donte / Era donte, era ontem, era hoje /
Sinhazinha mandou me chamá / Corri quatro cantos /
Balão de iaiá / Balão ê, balão á

Cabide de molambo

João da Baiana
Cabide de molambo (samba, 1928) - João da Baiana - Interpretação: LP Gente da Antiga 1968



Meu Deus eu ando / Com o sapato furado
Tenho a mania / De andar engravatado
A minha cama / É um pedaço de esteira
E é uma lata velha / Que me serve de cadeira
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

Minha camisa / Foi encontrada na praia
A gravata foi achada / Na Ilha da Sapucaia
Meu terno branco / Parece casca de alho
Foi a deixa de um cadáver / Do acidente no trabalho
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

O meu chapéu / Foi de um pobre surdo e mudo
As botinas foi de um velho / Da revolta de Canudos
Quando eu saio a passeio / As damas ficam falando
Trabalhei tanto na vida / Pro malandro estar gozando
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

A refeição / É que é interessante
Na tendinha do Tinoco / No pedir eu sou constante
E o português / Meu amigo sem orgulho
Me sacode o caldo grosso / Carregado no entulho

Tesourinha


Tesourinha - (samba, 1928) - Sinhô - Intérprete: Francisco Alves - Álbum: Alivia Estes Olhos, Vol. 2 (1999) - Gênero: Samba



Ai, ai, ai / Seja este ou aquele
Ó minha tesourinha / Corta já a língua dele

Há muito vens batalhando / Pra ver aborrecido
Mas desiste desta farsa / Pois que é tempo perdido

Não faças como o garoto / Que a mando do vizinho
Apedrejou-me a gaiola / E matou meu passarinho

Sou da fandanga

Sinhô
Sou da fandanga - (marcha, 1930) - Sinhô - Intérprete: Lira Carioca (É Sim, Sinhô - vol.II)



Sou da fandanga de malafuá
E é por isso mesmo
Que eu não quero me casá

E não se zangue, ó minha flor!
Eu tenho medo, meu amor!
De conhecer a dor

Não tenho jeito pra namorar
Pois na fandanga me deleito
Sem saber amar

Se meu amor me vê

Sinhô
Se meu amor me vê - (samba, 1930) - Sinhô - Disco 78 rpm - Francisco Alves (Intérprete) - Campos, Luci (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 - Nº Álbum 10564 - Gênero musical: Samba


Se meu amor / Me vê brincando assim
Não sei, não sei / O que será de mim

Dela eu não tenho medo / Porém não devo abusar
Vou pra casa hoje cedo / Pra pequena não zangar

Se a encontrasse / Na rua a farrear
Garanto que / O meu braço ia trabalhar

Dele eu não tenho medo / Porém não devo abusar
Vou pra casa hoje cedo / Pro pequeno não zangar

Sabiá

Sinhô
Música editada como choro-canção, e dedicada por Sinhô "ao meu amigo Mário Reis", cantor que ele descobriu e apresentou à Odeon. Foi feito especialmente para a revista "O presidente na Favela", de 1927, e é uma das muitas obras geniais do compositor, da qual teria saído uma segunda versão. O registro de Mário Reis foi lançado pela Odeon em outubro de 1928, disco 10257-A, matriz 1935 (Fonte: Samuel Machado - Youtube).

Sabiá (canção, 1928) - Sinhô - Intérprete: - Disco 78 rpm - Mário Reis (Intérprete) - dois violões (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 - Nº Álbum 10257 - Gênero musical: Canção


Sabiá, sabiá cantou na mata
e anunciou chiu, chiu
No melhor de minha vida
meu amor fugiu

Procurei me aproximar
do sabiá encantador
Sentindo o meu pisar
fez tal qual o meu amor


Quem roubou o meu sossego
a Deus eu fiz entregar
Ainda hei de ver um dia
alguém por mim se vingar

Papagaio, maitaca
piriquito, sabiá
quando cantam faz saudade
dos carinhos de Iaiá

Que vale a nota sem o carinho da mulher?


Que vale a nota sem o carinho da mulher? (samba, 1928) - Sinhô - Disco 78 rpm - Mário Reis (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1960 - Nº Álbum 14662 - Gênero musical: Samba


Amor! Amor!
Não é para quem quer
De que vale a nota, meu bem
Sem o puro carinho da mulher?
(Quando ela quer)

Por isso mesmo
Que às vezes numa orgia
Um terno riso eu peço emprestado
E faço o palhaço na vida, meu bem
Com o meu coração magoado

E quantas vezes
Eu imploro um só beijinho
De um coração que seja companheiro
Para ter a certeza que o carinho, meu bem
É bem puro e bem verdadeiro

Ora vejam só

Sinhô
Ora vejam só
- (samba, 1927) - Sinhô - Disco 78 rpm - Mário Reis (Intérprete) - Orquestra (Acompanhante) - Gnattali, Radamés (Acompanhante) - Imprenta[S.l.]: Continental, 1951 - Álbum 16456 - Gênero: Samba


Ora vejam só
A mulher que eu arranjei
Ela me faz carinhos até demais
Chorando
Ela me pede meu benzinho
Deixa a malandragem se és capaz

A malandragem eu não posso deixar
Juro por Deus e Nossa Senhora
É mais certo ela me abandonar
Meu Deus do Céu, que maldita hora

O bobalhão

Sinhô
O bobalhão - (charleston, 1927) - Sinhô - Disco 78 rpm - Francisco Alves (Intérprete) - Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 - Nº Álbum 10113


Os brasileiros já nasceram na folia
Dão pé nas bolas e farreiam noite e dia
No carnaval vendem tudo quanto tem
Para gozarem essa festa sem igual

Sai, sai sai bobalhão

Sai, sai sai charlatão
O carnaval jamais se acabará

Com essa boba e tola opinião

Tu procuraste foi sarna pra se coçar
E muitas pragas sem que possa se livrar
Se te apanha o povo do carnaval
Faz de ti um enterro infernal

Não sou baú

Sinhô
Não sou baú - (samba, 1929) - Sinhô - Disco 78 rpm - Francisco Alves (Intérprete) - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 - Nº Álbum 10424 - Gênero musical: Samba


Não zangues não / Meu doce bem
Não fui nem sou baú / Para guardar lindos
Segredos de ninguém / (Meu doce bem)

Têm muita graça / Os teus queixumes
Mas falar de todos / São os teus costumes

Não tens razão / Meu doce amor
Viver cismando / Que fui eu quem
Espalhou a tua dor / (Meu doce amor)

Não quero saber mais dela

Sinhô
Não quero saber mais dela (samba, 1927) - Sinhô - Disco 78 rpm - Francisco Alves (Intérprete) - Rosa Negra (Intérprete) - Orquestra Pan American do Cassino Copacabana (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927-1928 - Álbum 10100 - Gênero: Samba


Por que foi que tu deixaste / Nossa casa na favela
Não quero saber mais dela / Não quero saber mais dela

A casa que eu te dei / Tem uma porta e uma janela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela

Português, tu não me invoca / Me arrespeita, eu sou donzela
Não vou na sua potoca / Nem vou morar na favela


Eu bem sei que tu és donzela / Mas isto é uma coisa à toa
Mulata, lá na favela / Mora muita gente boa

Aquela crioulinha / Que tu dava tanto nela
Não quero saber mais dela / Não quero saber mais dela

E aquela portuguesa / Que tu te casou com ela
Também não quero saber mais dela
Também não quero saber mais dela

Minha branca

Sinhô
Minha branca (samba, 1929) - Sinhô - Interpretação: Januário de Oliveira, acompanhado por Pedroso e Sinhô - Disco 78 rpm - Selo Columbia - Gênero: Samba - Álbum 5085 - Lançamento: Setembro 1929 - Lado único


Os óio da minha branquinha têm
Meiguice de quem sabe querer bem
Teu riso me traz a recordação 
Das trovas dos tempos que lá se vão

Ai, como é bom saber querer! 

Tudo n'alma é um prazer
Mesmo dentro de um sofrer

Passa-se a vida tão sutil
Num sorrir primaveril

Igual todo o céu de anil

A boca da minha branquinha tem

O cheiro que as flores também contêm
Teu rosto me inspira a consagração

Da Virgem Maria da Conceição

Meus ciúmes

Sinhô
Meus ciúmes - (samba, 1931) - Sinhô - Intérprete: Iolanda Osório - Álbum: Alivia Estes Olhos, Volume 2 - Gênero: Samba - Ano: 1999


Dia a dia vai crescendo / O amor que em ti consagrei
Os ciúmes vão nascendo / E com jura que te jurei
No altar da Santa Cruz / Tu rezaste, eu implorei


Bem juntinho de Jesus / Nem te lembras que até chorei
Eis a razão que eu peço / Pra não fugir ao juramento
Que fizeste ao Senhor / Pois não terás perdão


Já se fizeres morrerás na solidão
Pois que a dor do amor conhece a ingratidão
Que pode muito bem ferir o coração
Daí vem o sofrer e a triste confusão
Para vingar, morrer

Maldito costume

Sinhô
Maldito costume - (samba, 1929) - Sinhô - Disco 78 rpm - Januário de Oliveira (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Columbia, 1929 - Álbum 5085 - Gênero: Samba


Eu juro acabar com esse costume
Que você tem / Falando de mim
Dizendo horrores / E me querendo bem

Ai, o amor é um capitoso vinho!
Que nos embriaga / Que nos embriaga com um só pinguinho

Você há de saber que / Este costume não te fica bem
Porque toda gente sabe a paixão / Que você me tem

Todo mal que procuras dizer / Do meu nome nenhum valor tem
A mulher quando gosta deve ser feliz / E atacar seu bem

Mal de amor

Sinhô
Mal de amor - (samba, 1931) - Sinhô - Disco 78 rpm - Araci Cortes (Intérprete) - Orquestra Brusnwick (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Brunswick, 1931 - Nº Álbum 10158 - Gênero musical: Samba


Não deves rir de me ver chorar / Meu santo bem, minha paixão
O mesmo mal podem te vibrar / ferindo bem teu coração
(teu coração)

Não há razão / pra gracejar desta adoração

A tua vez de chorar, sofrer / não tardará, ha' de chegar
Todo o meu mal pode a ti volver / mas não rirei do teu penar
(do teu penar)

Maitaca

Sinhô
Maitaca (1927) - Sinhô - Interpretação: Carlos Serra - Acompanhamento: Grupo do Sinhô - Disco Odeon 10.006/B - Matriz 1156 - Lançamento: Julho de 1927. Pelo número da matriz, esta foi a segunda gravação elétrica feita no Brasil, porém acoplada somente no sexto disco fabricado pelo novo sistema.


Era u'maitaca / Que ao ouvir a voz
Me sempre gritava / Quando chegava entre nós

Como sei / Quem espalhou
Essa coisa de dor / Que entre nós se passou

Eu não sei como foi / Assim tão veloz
Que já descobriram / Todo o segredo entre nós

Já é demais

Sinhô
Já é demais (samba, 1930) - Sinhô - Disco 78 rpm - Mário Reis (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 - Nº Álbum 10614 - Gênero musical: Samba


Já é demais!
Meu bem, já é demais!
Deves dar fim a este modo de pensar
Basta de queixumes e ciúmes
Eu já notei que tu queres me acabar

Será que a santa de minha devoção
Abandonou o meu pobre coração?
Na tristonha solidão da futura traição
Da dor de uma paixão

Gosto que me enrosco

Gosto que me enrosco (samba, 1928) - Sinhô - Intérprete: Mário Reis - Disco 78 rpm - Orquestra (Acompanhante) - Gnattali, Radamés (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Continental, 1951 - Nº Álbum 16455


---G -------------D7------------- G
Não se deve amar sem ser amado
-----------------------------Am
É melhor morrer crucificado!
---------------B7--------------------------- Em
Deus nos livre das mulheres de hoje em dia
----------------------A7
Desprezam um homem
-----------------------D7
Só por causa da or - gia!

---Am----------------- D7----------- G
Gosto que me enrosco de ouvir dizer
------G7--------------------------- C
Que a parte mais fraca é a mulher
-------------Cm------------------- G
Mas o homem com toda a fortaleza
---------E7------- Am--------- D7----- G
Desce da nobreza e faz o que ela quer!


----G-------------- D7----------- G
Dizem que a mulher é parte fraca ...
------------------------------------Am
Nisto é que eu não posso acreditar
-------------B7------------------- Em
Entre beijos, e abraços e carinhos ...
----------------------A7
O homem não tendo
------------------------D7
É bem capaz de roubar (Estrib.)

Deus nos livre dos castigos das mulheres

Sinhô
Deus nos livre dos castigos das mulheres (samba, 1928) - Sinhô - Interpretação: Mário Reis - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, Agosto/1928-Outubro/1928 - Nº Álbum: 10257 - Gênero musical: Samba



Deus criador
Fez da mulher o seu divino resplendor
Só por ser a parte fraca
Deu-lhe o poder de convencer
(Este sexo mau que deve padecer)

E sofrer
Pela razão de se julgar superior
Quando conseguem, preso o amor
Fazem do mesmo uma peteca (sem ser)
Só pra ver a mulher padecer


Mas o amor é uma prece
Que o homem desconhece
E só procura conhecer
Quando do mesmo mal
Venha a sofrer

Eis a razão que eu sempre peço
A Jesus pra me livrar
Dos castigos da mulher
Que um dia os olhos meus
Venham a gostar

Dá nele

Sinhô
Um incidente de rua em que populares gritavam "dá nela", ameaçando bater numa mulher, acabou fornecendo o mote para Ary Barroso escrever a marchinha "Dá nela", vencedora do concurso de músicas para o carnaval de 30.

Mas, como sempre acontece em competições musicais, houve quem não gostasse de sua vitória, no caso o polêmico Sinhô que, com o pseudônimo de Zé Baião, replicou com o samba "Dá Nele", que começava com o verso "Esses mineiros vem pra cá com a mania de abafar".

Dá nele - (samba, 1930) - Sinhô - Disco 78 rpm - Grupo Gente do Morro (Intérprete) - Ildefonso Norat (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Brunswick, 1930 - Nº Álbum 10049 - Gênero musical: Samba


Não tens razão / Pra falar mal da mulher
Dá nele! Dá nele! / Isto é paixão
Porque ela não te quer / Dá nele! Dá nele!

Ela não teme / Que chames "língua de trapo"
Pois que o povo conhece / As maldades do farrapo

Por isso mesmo / Muito tens que apanhar
Nas vistas de toda gente / Pra língua endireitar



A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Confissões de amor

Sinhô
Confissões de Amor - (modinha, 1930) - Sinhô - Disco 78 rpm - Gastão Formenti (Intérprete) - violões (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Brunswick, Indefinida - Nº Álbum: 10120 - Gênero musical: choro / modinha



Fiz da luz do teu olhar um poema de amor
Que traduz odor da mais pura flor
Do jardim do meu penar
E tornei-me sonhador, infeliz e sofredor
Somente por querer a luz dos olhos teus
Só para os meus, que sem os teus irão morrer

Eu vejo em ti o ideal, meu santo amor
Quando contemplo o teu olhar encantador
Nas madrugadas quando a luz se desfaz
Em esplendor, eu peço em vão ao Criador
Sempre a cantar em serenatas de amor
Nas minhas preces de poeta e de cantor
Num santo altar junto à cruz do Bom Jesus
Eu rezo só por teu amor

Como se gosta

Sinhô
Como se gosta (valsa, 1929) - Sinhô - Interpretação: Januário de Oliveira, acompanhado por Pedroso, Sinhô, piano e violão - Disco 78 rpm Columbia - Gênero: valsa - Álbum 5104 - Lançamento: Outubro de 1929 - Lado indefinido



Se passas cantando / Juntinho da choça
Meu peito que apita / Em mim se remoça
Desperta a atenção / Corro logo a escutar
Pra sentir mais perto / Teu meigo cantar

E ouvindo o dolente / Cantar docemente
Pletora silente / Que tudo se sente
E eu penso teus olhos / Fingir não saber
Pra fazer saudades / A teu bem querer

Se não mais te escuto / Porque longe vais
Eu sinto a saudade / Bater nos meus ais
Do eco saudoso / Que chama silente
Que prende por certo / A alma da gente

E volvendo os meus olhos / Pra minha viola
E abraço-me a ela / Que as mágoas consola
E após num acorde / Da fibra serena
Vou reproduzindo / O cantar da morena

Chequerê

Sinhô
Chequerê (choro, 1929) - Sinhô - Interpretação: Januário de Oliveira, acompanhado por Pedroso e Sinhô - Disco 78 rpm - Selo Columbia - Gênero: Choro - Álbum 5084 - Lançamento: Setembro 1929 - Lado indefinido


D7+------------- Em----------- A7----------- D7+
Não calculas como sofre o meu pobre coração
---------D#º----------- Em ------A7-------- D7+
Por faltar o teu carinho junto do meu violão
--------------------Em
E assim é tudo enfim
---------A7 ---------D7+
Meu doce chequerê
----D#º---------------- Em
Mas eu não me conformo
-----A7------------- D7+
Viver longe de você
-----------------Em -----------A7--------------- D7+
Vem depressa, sem demora pra eu não mais viver em vão
-------D#º--------- Em---------- A7------------- D7+
Que as saudades já são tantas dentro do meu coração
------------Em
E assim é tudo enfim
-----A7---------- D7+
Meu doce chequerê
---D#º------------- Em
Mas eu não me conformo
------A7----------- D7+
Viver longe de você

Canjiquinha quente

Sinhô
Canjiquinha quente - (samba, 1930) - Sinhô - Disco 78 rpm - Caiubi, Ita (Intérprete) - Orquestra Copacabana (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, Agosto/1930-Novembro/1930 - Álbum 10704 - Gênero: Samba



É um pratinho / Bem suculento
Que faz babar / Canjiquinha quente, Ioiô
(Tá quentinha)

E temperada / Com a simpatia
Que foi Jesus / Que ensinou Santa Bahia

(Prova Ioiô Uh... tá gostoso)
Ioiô vai provar / Um pinguinho só
Certo vai gostar / Desse meu ebó

Ai deixa louco / Só de vontade
De acabar / Canjiquinha quente, Ioiô
(Ai, tá quentinha)

Depois de provar / Ioiô vai dizer:
Viva Jesus / Que ensinou Santa Bahia

(Quer vatapá? He, he Também tem)

Burucuntum

Sinhô
Burucuntum (samba, 1930) - J.Curangi (J. B. da Silva "Sinhô") - Interpretação de Carmen Miranda, acompanhada pela Orquestra Victor em disco Victor 33259 B. Gravado em 22/01/1930 e lançado em fevereiro de 1930:


Foi, foi, foi o destino
que nos quis indicar
a Colombina para conosco brincar

Burucuntum
Isto dê no que der
Gozar a folia não é pra qualquer

Burucuntum
Venta lá, venta cá
Se há diferença desmancha-se já

Nesta chula de amor
que seduz a qualquer
e predomina o riso ideal da mulher

Fala meu Louro

Sinhô - 1928
Uma sátira à derrota de Rui Barbosa na eleição presidencial de 1919 em que obteve menos da metade dos votos do vencedor, Epitácio Pessoa -, "Fala Meu Louro" é o melhor samba da fase inicial de Sinhô. Mas a letra referindo-se à terra de Rui ( "A Bahia não dá mais coco / pra botar na tapioca..." e ao súbito mutismo do conselheiro, sempre tão falante ( "Papagaio louro / do bico dourado / tu falavas tanto / qual a razão que vives calado..."), acabou por irritar os baianos ligados ao samba, que se julgaram atingidos.

Assim, o revide foi imediato através de "Entregue o Samba aos Seus Donos", composição de Hilário Jovino Ferreira, que já havia alfinetado Sinhô no ano anterior com "Não És Tão Falado Assim". Só que agora Mestre Hilário partia para o ataque direto, acusando-o de plagiário. Naturalmente nada impede, e é até provável, que ao fazer "Fala Meu Louro"', Sinhô tenha pretendido provocar ao mesmo tempo Rui e os baianos liderados por Jovino, um pernambucano criado em Salvador.

Fala meu Louro (samba, 1919) - Sinhô - Intérprete: Mário Reis - Disco 78 rpm - Orquestra (Acompanhante) - Gnattali, Radamés (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Continental, 1951 - Álbum 16455


A Bahia não dá mais coco
para botar na tapioca
Pra fazer o bom mingau
para embrulhar o carioca

Papagaio louro do bico dourado
Tu falavas tanto
qual a razão que vives calado

Não tenhas medo
coco de respeito
Quem quer se fazer não pode
Quem é bom já nasce feito



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Amor de poeta

Sinhô
Amor de poeta – (samba,1930) - Sinhô - Disco 78 rpm -Título da música:Amor de poeta - Autoria: Sinhô (Compositor) - Sílvio Caldas (Intérprete) - Vogeler, Henrique (Acompanhante) - Piano (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Brunswick, Indefinida - Nº Álbum: 10078



Melhor será dizer /Que padecer em vão
Não deve mais sofrer / Meu rico coração

A confissão da dor / Traduz o bem-querer
De duas vidas / Numa gancha de prazer

Por Deus, ó vem / Ó vem, meu coração
Apagar o fogo desta rude / E voraz paixão

Amar a uma só mulher

Em "Amar a Uma Só Mulher" Sinhô faz a apologia da fidelidade no amor, virtude que jamais praticou. E o faz na forma de sempre, com versos pitorescos, impregnados de um lirismo simplório, bem característico de seu estilo: "Quem pintou o amor foi um ceguinho / mas não disse a cor que ele tem / penso que só Deus dizer-nos vem ensinando com carinho / a pura cor do querer bem..."

Dedicado ao poeta Álvaro Moreira, cuja casa em Copacabana era frequentada por Sinhô, este samba foi lançado na revista Língua de Sogra, em janeiro de 28, ao mesmo tempo em que era gravado por Francisco Alves. "Amar a Uma Só Mulher" assemelha-se nos compassos iniciais à canção "La vie en rose". Mas, se plágio existe no caso, é de Pierre Louiguy, autor da melodia francesa, composta dezesseis anos depois da morte de Sinhô.

Amar a uma só mulher (samba, 1927) - Sinhô - Interpretação: Francisco Alves - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 - Nº Álbum: 10119 - Gênero musical: Samba


Amar a uma só mulher
deixando as outras todas sempre em vão
Pois a uma só a gente quer
com todo fervor do coração

Quem pintou o amor foi um ceguinho
mas não disse a cor que ele tem
Penso que só Deus dizer-nos vem
ensinando com carinho
a pura cor do querer bem

Quem pintou o amor foi bem querido
Decorou também a ingratidão
e deixou rascunhos da paixão
como lema preferido
a uma só no coração



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Alivia estes olhos

Sinhô
Alivia estes olhos - (samba, 1920) - Sinhô - Intérprete: Lira Carioca



Eu queria saber por que é
Que este homem bateu na mulher
Eu queria saber por que é
Que este homem bateu na mulher

Que mulher engraçada e adorada
Que se acostumou com a pancada!
Que mulher engraçada e adorada
Que se acostumou com a pancada!


Ai, como é bão querer!
Sofrer calado
Sem ninguém saber

Alivia estes olhos pra lá
Que ainda ontem eu fui me rezar
Tenho medo desse olhar
Que procura-me a vida atrasar

Ai, como é bão querer!
Sofrer calado
Sem ninguém saber

Alegrias de caboclo

Sinhô
Alegrias de caboclo (canção, 1928) - Sinhô - Disco 78 rpm - Francisco Alves (Intérprete) - Simão Nacional Orquestra (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Parlophon, Indefinida - Álbum 12854 - Gênero: Canção



Caboclo não tem tristeza / Ai, ai, meu bem!
São traços da natureza / Ai, ai, meu bem!

Faz da manhã poesia / Do dia uma sinfonia
Da tarde rude harmonia / Da noite rica alegria

Ai, como é bom / O luar do meu sertão!
Se escurece / Nos olhos deixa o clarão

Caboclo sabe que quer / Ai, ai, meu bem!
Também por seu bem morrer / Ai, ai, meu bem

Das folhas secas que caem / Faz a fogueira do amor
E do calor que provém / Faz sua prece de dor

A medida do Senhor do Bonfim

A medida do Senhor do Bonfim (samba, 1929) - J. B. da Silva (Sinhô) - Intérprete: Mário Reis - Disco 78 rpm - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, Junho/1929-Agosto/1929 - Nº Álbum: 10459 - Gênero musical: Samba



Enquanto a verdade
No mundo existir
Será morta a falsidade a sorrir
Desses invejosos
Que não cansam de fingir
Que gostam da gente
Sem terem maldade
Eis o prisma transcendente
Da real fatalidade
Que traduz a saudade


Mas eu tenho um guia sacrossanto
Que conduz-me à luz do Ser
Para me valer
Meu anjo de guarda
Com o seu manto me ensina
Tudo quanto eu sei dizer
Tanto que ganhei lá na Bahia
Uma caixa de marfim
Vinda só pra mim
A pura medida, bela e santa
Do Sagrado Coração
Do Senhor do Bonfim

A favela vai abaixo

Contratado pelo prefeito Prado Júnior, o urbanista Alfred Agache elaborou, em 1927, um extenso plano de remodelação da cidade do Rio de Janeiro, que incluía a demolição do morro da Favela, situado próximo da zona portuária. Muito discutido pela imprensa, o projeto inspiraria o samba "A Favela Vai Abaixo", no qual Sinhô protestava contra a ameaça de desabrigo dos moradores: "Minha cabrocha, a Favela vai abaixo / quanta saudade tu terás deste torrão / (...) / vê agora a ingratidão da humanidade / (...) / impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela".

Contava o poeta Luís Peixoto que o compositor, valendo-se de sua popularidade, chegou a pedir a um ministro de estado sua intercessão junto ao prefeito para que a demolição não se realizasse. Sendo uma das melhores melodias de Sinhô, "A Favela Vai Abaixo" foi destaque numa revista teatral de nome idêntico.

Contrastando com a pesada versão original de Francisco Alves, a composição ganhou uma graça especial, bem mais fiel ao estilo do autor, na gravação realizada por Mário Reis, em 1951 (álbum de três discos sobre Sinhô, com preciosos arranjos de Radamés Gnattali). Isso leva a crer que, na dupla formada pelos dois cantores, nos idos de trinta, foi benéfica a influência de Mário sobre Chico, ajudando-o a se desfazer do ranço operístico, incompatível com a interpretação de sambas como este.

A favela vai abaixo (samba, 1927) - José Barbosa da Silva (Sinhô) - Interpretação: Mário Reis - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Continental, 1951 - Nº Álbum 16456 - Gênero musical: Samba


Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Quanta saudade tu terás deste torrão
Da casinha pequenina de madeira
que nos enche de carinho o coração

Que saudades ao nos lembrarmos das promessas
que fizemos constantemente na capela
Pra que Deus nunca deixe de olhar
por nós da malandragem e pelo morro da Favela
Vê agora a ingratidão da humanidade
O poder da flor sumítica, amarela
quem sem brilho vive pela cidade
impondo o desabrigo ao nosso povo da Favela

Minha cabocla, a Favela vai abaixo
Ajunta os troço, vamo embora pro Bangú
Buraco Quente, adeus pra sempre meu Buraco
Eu só te esqueço no buraco do Caju

Isto deve ser despeito dessa gente
porque o samba não se passa para ela
Porque lá o luar é diferente
Não é como o luar que se vê desta Favela
No Estácio, Querosene ou no Salgueiro
meu mulato não te espero na janela
Vou morar na Cidade Nova
pra voltar meu coração para o morro da Favela



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Quem são eles?

A carreira de Sinhô começa já com um sucesso, o samba "Quem São Eles", cantado no carnaval de 1918. Com seus versos pitorescos ( "A Bahia é boa terra / ela lá e eu aqui..."), o samba era dedicado a um bloco homônimo, ligado ao Clube dos Fenianos.

Como os ânimos no meio musical continuassem agitados com a polêmica do Pelo telefone, o título Quem são eles? acabou sendo tomado como uma provocação pelos adversários de Sinhô, causando nova polêmica. Proposital ou não, esta provocação apenas prenunciava outras tantas que se sucederiam na vida do irrequieto sambista, ajudando-o em sua permanente busca de promoção.

"Quem São Eles" já revela o talento rítmico de Sinhô especialmente no habilidoso uso das síncopes naturais na letra, independentemente da música, presente nos "que" dos versos "Não era assim que meu bem chorava" e "Não precisa pedir que eu vou dar". No entanto, seu estilo como compositor só iria se definir a partir de 1920.

Quem são eles? (samba, 1918) - Sinhô - Intérprete: Lira Carioca - Álbum "Lira Carioca" - Volume III (1999)



A Bahia é terra boa
Ela lá e eu aqui - Yayá
Ai, ai, ai
Não era assim que meu bem chorava

Não precisa pedir eu que eu vou dar
Dinheiro não tenho mas vou roubar

Carreiro olha a canga do boi
Carreiro olha a canga do boi
Toma cuidado que o luar já se foi
Ai que o luar já se foi
Ai que o luar já se foi

O castelo é coisa a toa
Entretanto isso não tira - Yayá
Ai, ai, ai
É lá que a brisa respira

Não precisa pedir que eu vou dar
Dinheiro não tenho mas vou roubar

Quem são eles?
Quem são eles?
Diga lá e não se avexe - Yayá
Ai, ai, ai
São peixinhos de escabeche

Não precisa pedir que eu vou dar
O resto do caso pra que cantar

O melhor do luar já se foi
O melhor do luar já se foi

Entre menina que aqui estão de horror
Ai, que aqui estão de horror
Ai, que aqui estão de horror



Fontes: Dicionário Cravo Albin; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello.

Jura


"Jura" é o maior sucesso de Sinhô. Bem representativo da última e melhor fase do compositor, mostra algumas características marcantes de seu estilo, como a repetição de palavras no início do estribilho- "Jura, jura, jura..." -, com orações que trausbordam de um verso para outro, e o decantado pernosticismo, presente, mais uma vez, na atrevida imagem do "beijo puro da catedral do amor". Tudo isso sobre um fraseado musical simples, original, ao mesmo tempo alegre e sentimental, entrecortado de síncopes, uma herança do maxixe.

Lançado por Araci Cortes na revista Microlândia, reprisado em Miss Brasil, e gravado simultâneamente por Araci e Mário Reis, em fins de 1928, "Jura" foi uma das músicas mais cantadas no Brasíl nos anos seguintes. O jornalista Jota Efegê (João Ferreira Gomes), que assistiu a estréia de "Jura" no teatro, relembrou o fato em interessante artigo publicado em O Jornal, muitos anos depois.

Conta Efegê que a platéia exigiu a repetição do número várias vezes, tendo Sinhô subido ao palco onde, abraçado a Araci, recebeu do público verdadeira consagração, Detalhe pitoresco ressaltado pelo jornalista foi a maneira como o espanhol Antônio Rada, maestro do espetáculo, "conduzia a orquestra, dançando e fazendo vibrar uma espécie de chocalho, comunicando aos músicos seu allegro molto vivo".

Jura (samba, 1928) - José Barbosa da Silva (Sinhô) - Interpretação: Mário Reis - Disco 78 rpm - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 - Nº Álbum 10278



A6 ---Bm6 --E7(9)------- A6 ----------------E/B
Jura, jura, jura pelo Senhor / Jura pela imagem
---------------B7 --------E7/B------------- E7
Da Santa Cruz do Redentor / Pra ter valor a tua...

A6---- Bm6--E7(9) -------A6--- A7
Jura, jura, jura de coração / Para que um dia
----------------D -------Dm7 A ---------------E7--------- A
Eu possa dar-te o amor / -----Sem mais pensar na ilusão

-----------E7----------- A ------------Bm7------ E7--------- A
Daí então dar-te eu irei / O beijo puro da catedral do amor
-------------------E7------------------ A
Dos sonhos meus / Bem junto aos teus
------------Bm7---------- E7------ A
Para fugirmos das aflições da dor


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Cansei

No ano de 1929, Sinhô, em São Paulo, participa da campanha eleitoral de Júlio Prestes e se apresenta no Teatro Municipal, onde mostra a nova composição Cansei:

Cansei (samba, 1929) - José Barbosa da Silva (Sinhô) - Disco 78 rpm - Mário Reis (Intérprete) - Orquestra Pan American (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 - Nº Álbum: 10459 - Gênero musical: Samba


Cansei, cansei / Cansei de te querer
Pois fui de plaga em plaga / O além do além
Numa esperança vaga / E eu pude compreender

Por que cansei / Cansei de padecer

Pois lá ouvi de Deus / A Sua voz dizer
Que eu não vim ao mundo
Somente com o fito eterno de sofrer

Quis assim a sorte evitar a dor
Deste que te quis como todo o seu calor
Numa verdadeira fonte de valor
Que jamais se inspira nesse amor

Cansei, cansei / Cansei de te querer
Pois fui de plaga em plaga / O além do além
Numa esperança vaga / E eu pude compreender