sexta-feira, março 31, 2006

Joubert de Carvalho


Um dos treze filhos do fazendeiro Tobias de Carvalho e de Dona Francisca Gontijo de Carvalho, Joubert de Carvalho nasceu em Uberaba, Minas Gerais, no dia 06 de março de 1900. Tinha nove anos quando o pai comprou um piano, onde Joubert passou a tocar, de ouvido, os dobrados que ouvia na banda local.

Aos doze anos, tendo terminado o curso primário em Uberaba, Joubert mudou-se com a família para São Paulo, motivados pela preocupação do pai com a educação e formação dos filhos, que foram estudar no Ginásio São Bento. A primeira composição de Joubert, a valsa Cruz Vermelha, foi inspirada no hospital infantil do mesmo nome, que havia em São Paulo, e cujas primeiras notas haviam sido tiradas no piano da infância.

O pai permitiu a Joubert que vendesse as partituras, desde que o dinheiro revertesse em benefício do Hospital Cruz Vermelha. O relativo sucesso alcançado pela música animou Joubert a compor outras peças, que entregava à casa editora Compassi & Camin, com autorização de seu pai, desde que o pagamento se resumisse a alguns exemplares para Joubert distribuir aos amigos. Durante o curso ginasial Joubert foi se familiarizando com os clássicos, na casa de uma tia pianista.

Em 1919 Joubert foi para o Rio de Janeiro, onde o ensino era de melhor nível e, em 1920, entrou para a Faculdade de Medicina. Com uma mesada de 500 mil réis, Joubert continuava a compor e, durante uma de suas visitas a São Paulo, o editor fez novos pedidos, com a oferta de 600 mil réis mensais. Como o filho havia obtido êxito nos exames, o velho Tobias não só se rendeu, como manteve a mesada, propiciando ao jovem Joubert uma vida de estudante rico, que podia até mesmo morar em hotel.

Nessa época, influenciado por ritmos estrangeiros, Joubert compôs diversos tangos, como Cinco de Janeiro, dedicado ao sanitarista Osvaldo Cruz. Sua primeira composição gravada foi a canção Noivos, lançada em 1921. Mas seu primeiro grande sucesso viria em 1922 com O príncipe, composta por inspiração da chuva e que seria sua primeira composição gravada no exterior, em 1931. No ano seguinte, 1923, compôs o tango 'argentino' Lindos olhos.

Em 1924 Joubert compôs os sambas O jacaré e Não sou pamonha, os foxes Lira quebrada e Vieni a me, as marchas A nova Itália, Revelação e Vira a casaca, os tangos Pressentimento e Sonhos mortos e o maxixe Viva o coronel e, ainda, em parceria com Zirlá, compôs Aventureiro, Encanto de mulher e Tango venenoso e, em parceria com Zael, compôs O galo preto.

Em 1925 Joubert se formou em Medicina, com a tese intitulada "Sopros musicais do coração", tendo sido aprovado com distinção, embora o título da tese beirasse à pilhéria. Sabendo equacionar perfeitamente as atividades de médico e de músico, Joubert continuava a compor. Desse ano são suas composições Luxo asiático e Vem meu benzinho.

Em 1926, em parceria com Sadi Fonseca, Joubert compôs o maxixe Arrepiado e o tango Canção dos mares e, com Zael, compôs o maxixe Jaquetão. Ainda desse ano são as composições Manequinho, Mãos de neve, Pobrezinho, Prisioneiro do amor e Agonia, esta gravada por Pedro Celestino, irmão de Vicente Celestino.

Em 1927 Joubert casou-se com Elza Faria, que lhe daria o filho Fernando Antonio. Desse mesmo ano são suas composições Bigodinho, Boca pintada, Canarinho, Eu gosto de você, Juriti, Mal aventurado, Nhá Maria, Rio de Janeiro, Rolinha, Sabiá mimoso, Os teus olhos, Traição, As Valentinas e Viva Jaú.

Em 1928 Joubert musicou dois poemas de Olegário Mariano, Cai, cai balão e Tutu Marambá, dando início a uma parceria de mais de vinte músicas. Também de 1928 são as composições de Joubert de Carvalho Aquele cantinho, Caboquinha, O carinho de meu bem, A casinha do meu bem, Castelo de luar, Os dois caminhos, Os filhos da Candinha, O pardal, Saci-Pererê, Sombrinha azul e Um sorriso e um olhar, a maioria delas gravadas por Gastão Formenti.

Embora as composições de Joubert de Carvalho já viessem sendo gravadas por cantores de destaque na época, como Gastão Formenti e Francisco Alves, a novata Carmen Miranda é que foi a responsável pelo grande sucesso de Ta-hi, lançado em 1930 com o título "Prá você gostar de mim", que alcançou uma vendagem de 35.000 discos, numa época em que os grandes cantores vendiam, no máximo, até 1.000 discos.

Ainda em 1930 Joubert compôs Dá-se um jeitinho, É com você que eu queria, Escrita errada, Esta vida é muito engraçada, Gostinho diferente, Kalatan, Neguinho, Pelo teu pecado, Saudade danada, Vai recolher, Vestidinho novo e Vou recolher e, ainda, em parceria com M. Fonseca, compôs Cadeirinha; com Ana Amélia Carneiro de Mendonça, com os Canção do estudante e Tarde dourada; com Olegário Mariano, Loiras e morenas e com Gastão Penalva, Para o amor.

Em 1931, em parceria com Pascoal Carlos Magno, Joubert compôs Pierrô, um de seus maiores êxitos e que foi interpretado por Jorge Fernandes, na peça teatral de mesmo nome, de autoria de Pascoal Carlos Magno. Ainda, neste ano, compôs Amor, amor, Eu sou do barulho, Não me perguntes, Napoleão, Quero ficar mais um pouquinho, Quero ver você chorar, Se não me tens amor, Tem gente aí, Venenoso, História de uma flor, Monte Carlo; com Paulo Roberto, compôs a marcha Foi ... foi ela; com Criso Fontes, o samba-canção Gostar de alguém; com Luiz de Góngora, a canção Por que choro; com Célia Benatti, a marcha Que m'importa; com Osvaldo Orico, a canção Se ela te oferecer um grande amor; com Luiz Gonzaga, o baião Trovas de amor; e, com Olegário Mariano, compôs Absolutamente, A carícia de um beijo, De papo pro á (em algumas fontes 'De papo pro ar')" e Zíngara. De papo pro á foi lançado, com sucesso, por Formenti, em 1931, e revivido por Inezita Barroso, em seu LP 'Canto da saudade'.

Em 1932 Joubert compôs Cabecinha de vento, Coisas de amor, É de trampolim, O gatinho, A glória de São Paulo, Lenita e Lição de Cristo; e, ainda, em parceria com Osvaldo Orico, compôs Horas de amor; com Luiz Martins, O índio do Corcovado; com J. Távora, Teus olhos... o outono; com Olegário Mariano, compôs Beduíno, Caboclinho, Galanteria e Se você quer e com Cleómenes Campos, compôs Dor.

Mas o grande êxito de Joubert em 1932 foi a canção Maringá que, gravada por Gastão Formenti, fez sucesso também no exterior, rendendo direitos autorais a Joubert durante muito tempo. Como Joubert queria um lugar de médico dos Marítimos e, sendo amigo do ministro da Viação, José Américo de Almeida, fez, para agradá-lo, já que este era nordestino, a música "Maringá", que surgiu de 'Maria do Ingá'; Ingá era um município do nordeste, onde a seca havia sido mais rigorosa. "Maringá" era cantada por operários que construíam uma nova cidade no norte do Paraná e que, ao ser fundada oficialmente em 1947, recebeu o nome de Maringá. A canção "Maringá" é considerada uma das mais expressivas

Joubert de Carvalho - 1933
Em 1933 Joubert foi nomeado médico do Instituto dos Marítimos, onde fez carreira, chegando a ser diretor do hospital. Mas não deixou de compor e, nesse mesmo ano, surgiram as músicas Coisinha boa, melhor que há no mundo, Devolve os meus beijos, Estilizada, Ficou um beijo em minha boca, Flor que ninguém colheu, Foi você mesmo, Há nos teus olhos... um luar, Lágrimas de Pierrô, Marilena, Melhor amor, Meu amor chegou, Olá, Que bom que estava, Redenção e Sossega o teu corpo, sossega e, ainda, Arlequim, em parceria com Fortes Malta; Boca bonita, com Narbal Fontes; De madrugada, com Catulo da Paixão Cearense; A doce palidez de Maria, com A. Freitas; Bom dia, meu amor, Canção do abandono, Felicidade e Moreninha brasileira, com Olegário Mariano; C'est toi, l'amour e N'aimez que moi, com Maria Eugênia Celso; Eta caboclo mau e Garota errada, com Luiz Martins; Felicidade... é quase nada e Se um dia pudesse, com Gilberto de Andrade; A lenda das rosas vermelhas e Moleque sarará, com Murilo Fontes; e Tabuada, com Adelmar Tavares.

De 1934 são as composições de Joubert de Carvalho Deixa-me beber, Eu quero te dar um beijo, Um pouquinho de amor, Sapatinho da vida, Uma vezinha só e, também, Pela primeira vez. Em 1940 Joubert compôs as valsas Ainda hei de te beijar, Maria, Maria, Por quanto tempo ainda e Rosi e o fox-canção Em pleno luar. Maria, Maria e Em pleno luar foram gravadas por Orlando Silva, com grande sucesso. No ano de 1941 traz a marcha de Joubert de Carvalho, Avante, companheiros.

De 1943 são suas valsas Ninguém esquece..., A vida é um sonho e Visão de outro amor. O ano de 1946 foi o de maior sucesso para Joubert: Gilberto Milfont lançou a canção Geremoabo e Sílvio Caldas gravou a canção Minha casa e a valsa Nunca soubeste amar. Minha casa foi um dos últimos grandes sucessos de Joubert de Carvalho. O romântico seresteiro ainda lançaria outras composições, mas nenhum de seus trabalhos posteriores alcançou a projeção popular de Minha casa. Em 1948 Joubert compôs a valsa Noite de estrelas; em 1949, em parceria com R. C. Lisboa, compôs a canção Reminiscência; em 1950, compôs Flor de esperança, Gostoso e Picadinho; em 1951, Baía da Guanabara, É carinho que falta, Felicidade... e nada mais, Um grande amor, Paris, Paris, Sabe lá o que é isso e Quando se vai o amor, esta última em parceria com T. Malta.

Em 1952 Joubert compôs Festa de formatura, Flamboyant, Fogueira, Mamãe Dolores, No tempo da valsa e Perto da lareira e, ainda, em parceria com David Nasser, compôs o bolero Silêncio do cantor, que era uma homenagem ao cantor Francisco Alves, morto nesse ano, em acidente automobilístico. Em 1953, com Adelmar Tavares, Joubert compôs Olha-me bem nos olhos. Ainda nesse ano compôs Mande um beijo, Quando eu partir, Tes yeux, A vida por um beijo e Feliz aniversário, com a qual venceu um concurso, sendo gravada por Neide Fraga.

De 1954 são as composições Apresse o passo, Dia feliz, Marcha das bandeiras, Viva São Paulo e Voltei, voltei. No período de 1955 a 1960, Joubert de Carvalho passou a dedicar-se a estudos filosóficos, não publicando nada e produzindo apenas para uso interno. Em 1959, foi homenageado pelo povo de Maringá, que deu seu nome a uma das ruas da cidade. Em 1961 Joubert compôs Hino ao Presidente e Marcha da vitória. Em 1962 o cantor Carlos Galhardo lançou novas composições de Joubert de Carvalho: O amor e o sol, Florista, Mundos afora, O tempo que ficou e Desde sempre, esta em parceria com Mário Rossi. De 1969 são suas composições Além da vida e Esta noite não e, ainda, Fragrância, em parceria com Mário Rossi e Sol na estrada, com I. Maria.

Em 1970, participou do V Festival Internacional da Canção da TV Globo, com a valsa A flor e a vida, composta em parceria com Ieda Fonseca, não conseguindo classificação. Pouco depois, venceu, com a mesma composição, interpretada por Antonio João, o Festival Brasileiro de Seresta. Em 1971 Joubert compôs O Rio é Carnaval; em 1972, A cidade que nasceu de uma canção e Hora de despedida; e, em 1973, A voz e o violão.

Joubert de Carvalho nunca bebeu, nunca foi boêmio; bares e botequins jamais o atraíram. Homem culto e refinado, chegou também a escrever um romance: Espírito e sexo, que se aproxima do ensaio social. Como médico, também foi muito talentoso e um dos pioneiros no Brasil em Medicina Psicossomática. Autor de mais de setecentas composições editadas, no final da vida Joubert se afastou do mundo musical, pois os novos estilos surgidos deixaram pouco espaço ao romantismo do seresteiro que, de certa forma, ele foi. Joubert de Carvalho morreu no dia 20 de setembro de 1977, vítima de pneumonia, deixando importante legado para a Música Popular Brasileira.

Algumas letras e cifras

A flor e a vida - De papo pro á - Dor - Em pleno luar - Geremoabo - Hula - Juriti - Lembro-me ainda - Maria, Maria - Maringá - Minha casa - Não me abandones nunca - Nunca soubeste amar - Pierrot - Por quanto tempo ainda - Silêncio do cantor - Ta-hi - Tutu Marambá - Zíngara


Fonte: memórias da mpb - Samira Prioli Jayme.

Henrique Vogeler

Henrique Vogeler, compositor, instrumentista e regente, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 11/6/1888 e faleceu em 9/5/1944. Nascido no bairro do Catumbi, de pai alemão e mãe brasileira, iniciou-se no piano com pouco mais de cinco anos, assistindo às aulas de música do irmão Jorge, pai de Jaime Vogeler, cantor da década de 1930.

Estudou no Colégio São Bento e em seguida no Colégio Universitário, mas foi obrigado a abandoná-lo por problemas financeiros. Empregado na Estrada de Ferro Central do Brasil, começou a compor para um teatro de amadores organizado por um colega de trabalho.

Ocasionalmente, tocou piano na sala de espera do Cinema Odeon, substituindo Ernesto Nazareth, pianista da casa. Cursou o Conservatório Nacional de Música. Concluídos os estudos musicais, a partir de 1919 lançou-se profissionalmente, compondo para os teatros de revista da Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro.

De suas contribuições ao teatro musicado (1919-1942), destacou-se a partitura para a revista-opereta A canção brasileira, estreada em março de 1933 no Teatro Recreio, que alcançaria 300 representações consecutivas. O seu samba-canção Linda flor, também conhecido em versões com os títulos de Meiga flor e Iaiá ou Ai, Ioiô (com Luiz Peixoto), transformou-se em sucesso após sua gravação por Araci Cortes, em 1929, na Parlophon. A partir do ano seguinte, atuou como diretor artístico das gravadoras Brunswick e Odeon.

Em 1930, como pianista da Odeon, acompanhou várias gravações do cantor Gastão Formenti. Além de compor partituras para revistas, produziu algumas peças de caráter musical mais cuidado, destacando-se seis músicas destinadas a um LP para distribuição no exterior; o disco incluía ainda seis composições de Ernesto Nazareth, interpretadas por ele, exímio pianista.

No inicio da década de 1940, quando organizava programas musicais para a Hora do Brasil, foi contratado por Villa-Lobos, como seu auxiliar direto no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, onde permaneceu até a morte.

Homero Dornellas

Homero Dornellas, compositor, instrumento e professor nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 14/12/1901 e faleceu em 28/12/1990. Filho do maestro Sofonias Dornellas, estudou piano e teoria musical com o pai e uma tia, dos sete aos 14 anos.

Em 1916 ingressou no I.N.M., do Rio de Janeiro, na classe de Frederico Nascimento, cursando teoria, solfejo e física acústica. Cinco anos depois, abandonou o piano para dedicar-se exclusivamente ao violoncelo, estudando com Eurico Costa. Foi também aluno de harmonia de Nevvton Pádua e Paulo Silva, e de composição de Lorenzo Fernandez.

Em 1923 passou a atuar como violoncelista em diversos conjuntos sinfônicos e camerísticos, como o da Sociedade de Concertos Sinfônicos, Orquestra Arcângelo Corelli e Orquestra do I.N.M. Paralelamente, tocava em cinemas, acompanhando filmes mudos, em teatros de revista, restaurantes, serviços religiosos e em circos, o que deu origem à sua ligação com a música popular.

Data de 1923 sua primeira composição, Parisete, feita em parceria com o pai, que usava o pseudônimo de Sallendor. Em 1926 passou a se dedicar a composições populares, escrevendo sambas, marchas carnavalescas e foxes, sendo, inclusive, convidado, dois anos depois, para supervisionar e revisar os trabalhos de orquestração, arranjo e harmonização de músicas para o Carnaval na Casa Vieira Machado.

Como compositor popular adotou o pseudônimo de Candoca da Anunciação, consagrando-se definitivamente em 1929 com o samba Na Pavuna (com Almirante), que foi grande sucesso no Carnaval de 1930. Lançado pela Parlophon com Almirante e o Bando de Tangarás, Na Pavuna foi o primeiro disco a reproduzir uma batucada, em estúdio, com instrumental de percussão semelhante ao usado nas ruas durante o Carnaval.

Três anos depois, a convite de Villa-Lobos, passou a trabalhar no SEMA, e em 1939 ingressou, por concurso, na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Dois anos depois, licenciou-se dessa orquestra, transferindo-se para a Sinfônica Brasileira, a chamado de Eugen Szenkar, e em 1941 foi contratado como músico instrumentista da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. No ano seguinte foi nomeado professor de canto orfeônico e matérias teóricas do Colégio Pedro II.

Deixou o SEMA em 1959 e a Rádio Nacional cinco anos depois, parando de lecionar no Pedro II em 1972. Publicou Orquestras em desfile, Rio de Janeiro, 1974 (que dá relação nominal dos músicos que integraram os diversos conjuntos atuantes no Rio de Janeiro de 1894 a 1974). Em sua carreira, usou ainda dos pseudônimos Romeoh Sallendor, Sallendor Filho e My Self.

Joraci Camargo

Joraci Schafflär Camargo, teatrólogo e letrista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 18/10/1898 e faleceu em 11/3/1973. Começou no teatro amador em 1912, no Clube Vinte e Quatro de Maio, e mais tarde passou a escrever revistas, estreando com Me leva, meu bem, em colaboração com Pacheco Fialho.

Encerrou em 1927 sua carreira de ator, já profissional, no Teatro de Brinquedo, do Rio de Janeiro, que fundara nesse mesmo ano com Álvaro Moreira e outros. Ainda nesse ano formou-se em ciências jurídicas e comerciais e passou a escrever comédias de costumes, alcançando sucesso nacional em 1932 com Deus lhe pague.

Em seguida, escreveu letras para composições de Hekel Tavares, com quem já trabalhara no teatro de revistas, entre as quais Favela, Guacyra e Leilão.

Com Custódio Mesquita escreveu o choro Quem é?, gravado por Carmen Miranda, em 1937, na Odeon. Sua obra teatral é extensa.

Obras:

Favela (c/Hekel Tavares), 1933; Guacira (c/Hekel Tavares), 1933; Leilão (c/Hekel Tavares), 1933; Mamãe baiana (c/Xerém), toada-canção, 1964; Mulata brasileira (c/Hekel Tavares), 1944; Quem é? (c/Custódio Mesquita), choro, 1937.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Hekel Tavares


Hekel Tavares, compositor, regente e arranjador nasceu em Satuba AL (16/9/1896) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (8/8/1969). Estudou piano com uma tia e, ainda criança, aprendeu harmônica e cavaquinho, já demonstrando grande interesse pelas manifestações populares.

Foi para o Rio de Janeiro em 1921 e iniciou-se em orquestração com J. Otaviano. Ao lado de Valdemar Henrique, Marcelo Tupinambá e Henrique Vogeler, sob a influência nacionalista da Semana de Arte Moderna (1922), criou um tipo de música situado na fronteira do erudito e do popular.

Iniciou-se profissionalmente como compositor de teatro de revista, fazendo em 1926 a música para a peça carnavalesca Está na Hora, de Goulart de Andrade, levada no Teatro Glória. Ainda em 1926 apareceu regendo uma orquestra na revista Plus-ultra, no mesmo teatro. Sua primeira composição de sucesso foi Suçuarana (parceria com Luiz Peixoto), lançada em 1927.

Autor de mais de 100 canções, alcançou seu maior êxito com Casa de caboclo (com Luiz Peixoto), gravada em 1928 por Gastão Formenti na Parlophon, e no mesmo ano Eu ri da lagartixa foi lançada por Patrício Teixeira, naquela gravadora. 

Em 1927, para o Teatro de Brinquedo (idealizado por Álvaro Moreira e outros), que funcionava no subsolo do Teatro Cassino Beira-Mar, musicou a peça de estréia, sendo também o pianista desse espetáculo e de outros que se seguiram. Essa experiência de teatro ligeiro e elegante teve pouca duração, pois era ainda muito reduzido o público de alta classe média, para o qual eram dirigidos os espetáculos. Assim, ainda em 1927, o compositor se viu na contingência de voltar às revistas mais populares dos teatros da Praça Tiradentes. 

Em 1933 Jorge Fernandes gravou, na Odeon, O que eu queria dizer ao teu ouvido (com Mendonça Júnior). Nesse início da década de 1930, fez ainda Favela (com Joraci Camargo), Chove!... chuva!... (com Ascenso Ferreira), Bahia (com Álvaro Moreira), Banzo (com Murilo Araújo), Na minha terra tem (com Luís Peixoto), Felicidade (com Luís Peixoto), Guacyra (com Joraci Camargo), Leilão (com Joraci Camargo), lançada em 1933 por Jorge Fernandes, na Odeon, e Caboclo bom (com Raul Pederneiras), gravada na Columbia em 1942, por Jorge Fernandes etc. 

Em 1935 fez sua primeira composição erudita, André de Leão e o demônio de cabelo encarnado, poema sinfônico baseado no poema de Cassiano Ricardo (1895-1974) e lançado em álbum, com libreto ilustrado pelo gravador Osvaldo Goeldi. Inspirando-se sempre na música regional, continuou a produzir no gênero erudito, editando suas obras por conta própria.

De 1949 a 1953 percorreu quase todo o Brasil, em missão especial do então Ministério da Educação e Saúde Pública, pesquisando motivos folclóricos que utilizaria em diversas obras, como no poema sinfônico O Anhangüera, para orquestra, coro misto, solistas e coros infantis (com argumento de sua esposa, Marta Dutra Tavares, e poemas de Murilo Araújo), composição em que utilizou instrumentos de percussão dos índios Tucuna, do alto Solimões, e o conhecido motivo indígena Canide ioune

Ainda com o material obtido na viagem, em 1955 fez Oração do guerreiro, para baixo profundo. Compôs ainda Concerto, para piano e orquestra; Concerto em formas brasileiras, p/violino e orquestra; O sapo domado e A lenda do gaúcho, fantasias infantis. Deixou inacabados: Rapsódia nordestina e Fantasia brasileira, ambas para piano e orquestra, e o drama folclórico Palmares

Em 1996 Fernando de Bortoli escreveu Hekel Tavares - O mais lindo concerto para piano e orquestra, São Paulo, Edição do autor, onde incluiu listagem das obras, discografia e bibliografia sobre o compositor.

Obra

Azulão (c/Luís Peixoto), canção, 1929; Bahia (c/Álvaro Moreira), s.d.; Banzo (c/Murilo Araújo), canção, 1933; Biá-tá-tá (c/Jaime d'Altavitta), coco, 1934; Caboclo bom (c/Raul Pederneiras), canção, 1942; Casa de caboclo (c/Luís Peixoto), canção, 1928; Chove!... chuva!... (c/Ascenso Ferreira), canção, 1931; Engenho novo, folclore, 1929; Eu ri da lagartixa, cateretê, 1928; Favela (c/Joraci Camargo), canção, 1933; Felicidade (c/Luís Peixoto), s.d.; Funeral de um rei nagô, s.d.; Guacyra (c/Joraci Camargo), canção, 1933; Humaitá, coco, 1934; Leilão (c/Joraci Camargo), 1933; Moleque namorador, fox-trot, 1927; Na minha terra tem (c/Luís Peixoto), canção, 1929; O que eu queria dizer ao teu ouvido (c/Mendonça Júnior), s.d.; Sabiá, canção, 1927; Suçuarana (c/Luís Peixoto), toada sertaneja, 1927.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Heitor dos Prazeres

Pioneiro em todas as atividades as quais se dedicou, Heitor dos Prazeres nasceu no Rio de Janeiro em 23 de setembro de 1898 e morreu na mesma cidade em 4 de outubro de 1966. Seu pai era marceneiro e tocava na banda da Policia Militar, atividades seguidas por Heitor que se iniciou como polidor de móveis e encontrou sucesso na área musical. Estudou até a quarta série do primário e mesmo trabalhando desde os sete anos foi preso, por dois meses, aos treze, por vadiagem. Sua adolescência transcorreu entre a praça Onze e o Mangue, em contato com os "chorões" e os bambas do samba.

Começou a compor em 1912, aprendendo as lições da cultura popular com mestre Hilário Jovino, que o iniciou nas rodas de samba, em que era respeitado por ser um dos bons de pernada. Não perdia Festa da Penha, onde mostrava suas composições, carregando o cavaquinho, que aprendeu a tocar antes de completar dez anos.

Já conhecido no ambiente do sambas participou da criação de algumas escolas, tendo sido um dos fundadores da De mim ninguém se lembra, além de contribuir para o surgimento de outras como a Deixa Falar, a Mangueira e a Portela, nos anos 20.

Em 1929, venceu um concurso de samba, patrocinado pelo jornal A Vanguarda e realizado na casa do mangueirense Zé Espinguela. O samba A tristeza me persegue seria gravado nos anos 70 pela Velha Guarda da Portela, com grande êxito. Começa então sua maior disputa com Sinhô, envolvendo a autoria de diversos sambas e que acabou rendendo, de parte a parte, algumas jóias da música brasileira.

Francisco Alves gravou Ora vejam só e Cassino Maxixe, sendo suas autorias atribuídas exclusivamente a Sinhô, que com a reclamação de Heitor fez o samba-conselho Segura o boi. Heitor replica com Olha ele, cuidado! e a briga ficaria por ai se Cassino Maxixe não fosse gravada por Mário Reis no ano seguinte (1928), com o título definitivo de Gosto que me enrosco. Heitor dos Prazeres volta ao ataque com Rei dos meus sambas, alusivo ao título de Rei do Samba de Sinhô, que tenta inutilmente impedir a gravação do protesto. Mais tarde Heitor recebeu trinta e oito mil-réis por sua parte na parceria de Cassino Maxixe, acordo que lhe valeu também o reconhecimento da autoria.

Deixaste o meu lar é um samba só de Heitor, mas gravado em 1930 trazendo apenas o nome de Francisco Alves como autor, comprovando o comércio, a venda de sambas pelos compositores pobres aos ricos cantores do rádio.

Em 1931, casou com Glória dos Prazeres e, em 1932, apareceu como parceiro de Francisco Alves em Mulher de malandro, época em que abandonou as escolas de samba para se tornar profissional de rádio. Cria um grupo para acompanhá-lo, batizado como Heitor e Sua Gente. Com Noel Rosa compõe o maior êxito do Carnaval de 1936, Pierrô apaixonado. No ano seguinte, descobriu a pintura (Abaixo: um dos quadros de Heitor dos Prazeres, o pintor dos morros cariocas).

Heitor dos Prazeres

Sem abandonar o samba, iniciou-se como pintor primitivista, o que o levou a participar da Primeira Bienal de São Paulo em 1951, voltando a ela em 1953 e 1961. Esteve também em mostras coletivas em quase todas as capitais sul-americanas, em 1957; na exposição Oito Pintores Ingênuos Brasileiros, em Paris, em 1965; Pintores Primitivos Brasileiros em Moscou e outras capitais européias, em 1966. No mesmo ano em que morreu, representara o Brasil no Festival de Arte Negra, em Dacar; no Senegal.

Algumas músicas


Obra completa

Abandono, samba, 1928; Afine o cavaquinho, samba, 1944; Africana (c/J.Cascata), marcha, 1940; Ai que dor, samba, 1932; Alegria do morro Brasil, hino do Carnaval, 1939; Amar, meu bem, samba, 1930; Amargurado, samba, 1932; Até que enfim, favela (c/Nelson Gonçalves), samba, 1946; A cachopa e a mulata, marcha, 1951; Cadenciado, choro, 1950; Canção do jornaleiro, canção, 1933; Cansado, samba, 1932; Cantar pra não chorar (c/Paulo da Portela), samba, 1938; Carioca boêmio, samba-choro, 1945; Carnaval na bienal, marcha, 1952; Carnaval na primavera, marcha, 1961; Chora, samba, 1933; Chora, cuica!, samba, 1947; Coisa gozada, rancheira, 1932; A coisa melhorou, samba, 1943; Com saudade de você, samba, 1930; Comigo ninguém pode, samba, 1939; Cosme e Damião, samba 1954; Criança loura, samba, 1930; Crioulinho frajola, marcha, s.d.; Deixa a cuíca chorar, samba, 1949; Deixa eu chorar, samba, 1959; Deixa o palhaço na roda, marcha, 1940; Deixaste meu lar, samba, 1930; Depois do cinema falado, 1941; Desperte, dodô (c/Herivelto Martins), samba, 1946; É só trocar o pé, marcha-frevo, 1947; É tempo, samba, 1933; Ela foi embora, samba, 1964; Entreguei a Deus, samba, 1964; És falsa, samba, 1930; És feliz, samba, 1929; Estou mal (c/André Filho), samba, 1931; Eta, seu mano, baião, 1957; Eu choro, samba, 1932; Eu gosto de Carnaval, samba, 1928; Eu não fiz nada, samba, 1932; Eu não sei se é castigo (c/Bel Luis), samba, 1960; Eu quero uma mulher, marcha, 1951; Eu sei..., samba, 1963; Eu vou comprar, samba, 1933; Fon-fon, marcha, 1933; Fulana granfina, marcha s.d.; Gosto que me enrosco (c/Sinhô), samba, 1928; Hoje eu vivo triste, samba, 1959; Iemanjá (c/Kaumer Teixeira), ponto de macumba, 1954; Já é demais esta tristeza, samba, 1965; Já é hora, já é hora, rancheira, 1932; Lá em Mangueira (c/Herivelto Martins), samba, 1943; Uma linda roseira, marcha, 1963; Liquita, marcha, 1939; Madureira (c/Kaumer Teixeira), samba, 1957; Margarida, marcha, 1928; Maria seu xodó (c/A. Monteiro), samba, 1959; Meus pecados, samba, 1930; Miss crioula, samba, 1930; Mulata cor de jambo, samba, 1937; Mulher de malandro, samba, 1932; Na casa do seu Zé, marcha, 1951; Na sua casa tem... (c/André Filho), samba, 1938; Nada de rock rock, samba, 1957; Não adianta chorar, samba, s.d.; Não há, samba, 1944; Não sei o que vou fazer, samba, 1933; Não sei por que, samba, s.d.; Não sei que mal eu fiz, samba, 1934; Nega, samba, 1939; Nega, meu bem, samba, 1932; Nossa Senhora de Copacabana (c/Kaumer Teixeira), samba, 1956; Nossa separação (c/Herivelto Martins), samba, 1943; Olha a rola, 1933; Olha ele, cuidado, samba, 1928; Olhar e gostar (c/Sílvio Galicho), cena cômica, 1941; Olinda (c/Herivelto Martins), samba, 1946; Pai bendito (c/KaumerTeixeira), ponto de macumba, 1955; Para quem servir, samba, 1930; Pierrô apaixonado (c/NoeI Rosa), marcha, 1936; Primeira linha, samba, 1930; Primeiro nós, samba, 1948; Progresso, samba, 1932; Quanto dói uma saudade, samba, só.; Que será de mim?, samba, 1930; Quebra, morena, samba, 1942; Quem bate na minha porta (c/Henrique Barbosa e João Barbosa), samba, 1939; Quem tem um amor e gosta, samba-choro, 1959; Rei dos meus sambas, samba, 1929; Riso fingido, samba, 1931; Rosa, não chores, samba, 1930; Samba de nego (c/Kaumer Teixeira), samba, 1955, Santa Bárbara, ponto de macumba, 1955; São Cosme e São Damião (c/Kaumer Teixeira), baião, 1955; São Paulo, parabéns (c/Kaumer Teixeira), marcha, 1954; Saudosa favela, samba, 1958; Saudoso trovador, samba-canção 1959; Se eu pudesse formar, samba, 1948; Sem reclamar (c/D. Carvalho), samba, 1961; Sinhá, marcha, 1932; Só acredito em você, samba-canção, 1961; Só eu sei, samba, 1947; Sou eu que dou as ordens, samba, 1946; Tá rezando, baião, 1956; Tia Chimba, embolada, 1930; Todos gostam de você (c/Kaumer Teixeira), baião, 1955; Trapaiada, samba, 1930; Tristeza (c/João da Gente), samba-canção, 1936; A tristeza (c/Herivelto Martins), samba, 1944; A tristeza me persegue, samba, 1927; Tu hás de sentir, samba-canção, 1931; Tu já foste boa, samba, 1930; Tudo acabado, samba, 1945; Tudo azul (c/H. Ricardo), samba, 1960; Um, dois, três..., marcha, 1932; Vai mesmo, samba, 1928; Vai, saudade, samba, 1964; Vai, vai, samba, s. d.; Vem pro samba, mulata, samba, 1957; Vida de casado (c/Sílvio Galicho), cena cômica, 1941; Você pra mim morreu, samba, 1941; Você tem casa e comida, samba, 1946; Volta ao seu lar (c/Kaumer Teixeira), samba 1956; Voltaste ao teu lar, samba, 1935; Vou da um grito, samba, 1932; Vou fazer tua vontade, samba, 1933; Vou te abandonar, samba, 1930; Vou ver se passo, 1934.

______________________________________________________________________
Fontes: História do Samba - Ed. Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - Ed. Arte e Publifolha.

Gastão Formenti

Gastão Formenti, cantor e pintor, nasceu em Guaratinguetá SP (24/6/1894) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (28/5/1974). Filho de um italiano, pintor, decorador e cantor lírico amador tinha um ano, quando a família se mudou para São Paulo SP.

Fez o primário na Escola Filorette Fondacari em São Paulo e o secundário no Ginásio São Bento, no Rio de Janeiro. Aos nove anos começou a estudar pintura com o pai e com Pedro Strina. Em 1910, transferindo-se com a família para o Rio de Janeiro, passou a trabalhar com o pai em pintura e, a 25 de fevereiro de 1920, casou com Odília de Oliveira.

Levado pelo escritor Gastão Penalva, em 1927 apresentou-se na Rádio Sociedade, cantando Ontem ao luar (Choro e poesia) (de Pedro de Alcântara, com letra de Catulo da Paixão Cearense). Ainda nesse ano, foi contratado pela Odeon, que havia pouco inaugurara no Brasil o sistema elétrico de gravação. Seu primeiro disco incluía a canção sertaneja Anoitecer (de autor anônimo) e o tango sertanejo Cabocla apaixonada (Marcelo Tupinambá e Gastão Barroso). Em seguida, gravou composições de Joubert de Carvalho, entre as quais Canarinho, Rolinha, Boca pintada e Sabiá mimoso.

De 1927 a 1930, lançou músicas tanto pela Odeon, como pela sua subsidiária, a Parlophon. Em 1928 obteve êxito extraordinário com a gravação, na Parlophon, da canção Casa de caboclo, música de Hekel Tavares sobre motivos de Chiquinha Gonzaga e versos de Luiz Peixoto. Ao lado de Carmen Miranda, foi o primeiro cantor brasileiro a assinar contrato de rádio (com a Mayrink Veiga) em 1930, ao mesmo tempo em que passou a gravar na Brunswick. Ainda nesse ano transferiu-se para a Rádio Transmissora.

Em fevereiro de 1931 gravou um disco na Columbia e, logo depois, foi contratado pela Victor através da qual lançou várias músicas da dupla Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, como o cateretê De papo pro á, a canção Zíngara e o fox Beduíno.

Em junho de 1932 gravou a canção Maringá (Joubert de Carvalho), que alcançou grande sucesso e que, mais tarde, daria nome à cidade paranaense. Em novembro do mesmo ano, gravou e fez sucesso com Na Serra da Mantiqueira (Ari Kerner). No ano seguinte, depois de gravar Folhas ao vento (Milton Amaral), passou a atuar na Rádio Clube.

Em 1934 e 1935, lançou várias composições de Valdemar Henrique. Cantor essencialmente romântico, fez sucesso no Carnaval de 1935 com Samba da saudade (Ronaldo Lupo e Saint-Clair Sena). Em 1937, depois de mais um grande êxito com a canção Coração, por que soluças (José Maria de Abreu e Saint-Clair Sena), voltou para a Odeon. Em 1939, na Columbia, gravou com sucesso a valsa Não sei para que viver (Saint-Clair Sena).

De volta à Odeon em 1941, no ano seguinte passou a cantar esporadicamente, dedicando-se à pintura, na qual também se destacou, tendo inclusive quadros expostos em museus brasileiros e do exterior. Em 1947, ainda na Odeon, lançou a valsa Não vale recordar (José Conde e Mário Rossi) e a toada-rumba Lua malvada (Saint-Clair Sena).

Em 1952, agora na Victor regravou Nhá Maria e Trovas de amor (ambas de Joubert de Carvalho) e, em 1956, na Sinter, relançou De papo pro ar e Maringá. Em 1959 a RCA Victor regravou seus grandes sucessos no LP Quadros musicais. Após esse lançamento, retirou-se definitivamente da vida artística. Deixou cerca de 314 gravações em 78 rpm, podendo ser considerado um dos grandes cantores brasileiros de todos os tempos, pela voz, interpretação, técnica e repertório.

Algumas músicas



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin.

Freitinhas

Freitinhas
José Francisco de Freitas, o Freitinhas, foi compositor e instrumentista. Nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1897 e faleceu em 13 de fevereiro de 1956. Estudou piano e teve aulas iniciais de composição com Francisco Braga, compondo sua primeira música aos oito anos, a valsa Treze de Setembro. Em 1912 publicou a valsa Tarde e, dois anos depois, Amor que engana, despertando atenção como autor.

A partir de 1918 começou a escrever partituras para revistas e burletas do teatro musicado, compondo para a revista Zé dos Pacotes, de Miguel Santos, que marcou sua estréia no gênero. Aos 21 anos começou a atuar também como pianista, na Casa Carlos Wehrs.

Em 1923 já havia editado nessa casa 64 composições. No mesmo ano obteve seu primeiro grande sucesso, com o fox-trot Vênus, dedicado a Zezé Leone, vencedora de concurso nacional de beleza. Três anos depois, lançou-se como compositor de músicas para o Carnaval, com a marcha Zizinha (com Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses), lançada na burleta de Freire Júnior Ai, Zizinha. Obteve sucesso também com outras músicas, grandemente influenciadas pelo charleston, entre as quais Eu vi Lili. Por essa época, animava bailes, regendo uma pequena orquestra, no estilo jazz band, com um repertório que incluía suas composições carnavalescas. Para divulgá-las, mandava imprimir folhetos com a letra e a partitura, que distribuía gratuitamente.

Em 1927, sua marcha Dondoca obteve sucesso tão grande que seus editores, a Casa Carlos Wehrs, lhe deram uma medalha de ouro. A marcha foi lançada pela atriz Margarida Max na revista Sol nascente, de Carlos Bittencourt, Cardoso de Meneses e Alfredo Pujol. Dois anos depois, apesar do sucesso de Dorinha, meu amor, sua popularidade começou a declinar pelo surgimento de nova geração de compositores carnavalescos.

No Carnaval de 1933 ainda obteve prêmio da prefeitura carioca com Não faço questão de cor, desaparecendo do cenário carnavalesco e limitando-se a novas apresentações em revistas de teatro.

Principais obras

Dorinha, meu amor, marcha, 1929; Eu vi Lili, marcha, 1926; Miserê, samba, 1924; Vênus, fox-trot, 1923; Zizinha (com Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses), marcha, 1926.

Letras de músicas no site


Algumas obras

01 Canção da mocidade (marcha) - Intérprete: Banda do Corpo de Bombeiros - Gravadora Odeon - Álbum 112619 - Gravação 1915-1921 - Lançamento 1915-1921 - Lado único - Disco 78 rpm; 02 O sabiá (canção sertaneja) - Intérprete: Bahiano - Gravadora Odeon - Álbum 121532 - Gravação 1915-1921 - Lançamento 1915-1921 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 03 Baú enferrujado (samba) - Intérprete: Fernando - Acompanhamento Coro - Gravadora Odeon - Álbum 122852 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado único - Disco 78 rpm; 04 Pra que você tem (samba) - Intérprete: Fernando - Composição com Orlando Vieira - Acompanhamento Coro e Jazz Band Sul Americano Romeu Silva - Gravadora Odeon - Álbum 122850 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 05 Suspiros que sangram (tango) - Intérprete: Herócles Brandão - Gravadora Odeon - Álbum 122454 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 06 A bola preta (marcha carnavalesca) - Intérprete: Grupo do Moringa - Gravadora Odeon - Álbum 122003 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 07 Não chora neném (maxixe) - Intérpretes: American Jazz Band - Sílvio de Souza - Gravadora Odeon - Álbum 123045 - Gravação 1925-1927 - Lançamento 1925-1927 - Lado único - Disco 78 rpm; 08 Salomé, meu bem (maxixe) - Intérprete: American Jazz Band de Sílvio de Souza - Gravadora Odeon - Álbum 123038 - Gravação 12/1925 - Lançamento 07/1927 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 09 És a minha assombração (samba) - Intérprete: Frederico Rocha - Gravadora Odeon - Álbum 123256 - Gravação 1925-1927 - Lançamento: 1925-1927 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 10 Salve a rainha (valsa lenta) - Intérprete:Pedro Celestino - Acompanhamento Orquestra Pan American do Cassino Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 123308 - Gravação 1925-1927 - Lançamento 1925-1927 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 11 Mexe baiana (maxixe) - Intérprete: Orquestra Pan American - Gravadora Odeon - Álbum 10034 - Gravação 00/1927 - Lançamento 00/1927 - Lado B - Disco 78 rpm; 12 Sempre a chorar (modinha) - Intérprete: Augusto Calheiros - Gravadora Odeon - Álbum 10075 - Gravação 00/1927 - Lançamento 00/1927 - Lado B - Disco 78 rpm; 13 Revivendo o passado (valsa) - Intérprete: Pedro Celestino - Gravadora Odeon - Álbum 123309 - Gravação 00/1927 - Lançamento 00/1927 - Lado único - Disco 78 rpm; 14 Lulu... acende a luz (canção) - Intérprete: Francisco Alves - Composição com Luiz Iglesias - Gravadora Odeon - Álbum 10251 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 15 Que pequena levada (charleston) - Intérprete: Francisco Alves e Rosa Negra - Gravadora Odeon - Álbum 10154 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado B - Disco 78 rpm; 16 Meu suquinho (marcha) - Intérprete: Francisco Alves - Composição com Lamartine Babo - Gravadora Odeon - Álbum 10154 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 17 Loló (marcha) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Odeon - Álbum 10179 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 18 O gaúcho (canção) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Parlophon - Álbum 12816 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 19 Uma noite de serenata (seresta) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Parlophon - Álbum 12816 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado B - Disco 78 rpm; 20 Não dou palpite (marcha) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Odeon - Álbum 10353 - Gravação 00/1929 - Lançamento 00/1929 - Lado A - Disco 78 rpm; 21 No grajaú, Iaiá (samba de elite) - Intérprete: Mário Reis - Composta com Dan Malio Carneiro - Gravadora Odeon - Álbum 10576 - Gravação 1929-1930 - Lançamento 03/1930 - Lado A - Disco 78 rpm; 22 Capricho de mulher (samba) - Intérprete: Mário Reis - Gravadora Odeon - Álbum 10539 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1930 - Lado A - Disco 78 rpm; 23 Gueishinha (samba) - Intérprete: Sebastião Rufino - Gravadora Brunswick - Álbum 10130 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 24 Eu não posso perder pra você (marcha) - Intérprete: Gastão Formenti - Gravadora Brunswick - Álbum 10136 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 25 O retrato da mulher que a gente gosta (samba) - Intérprete: Januário de Oliveira - Gravadora Columbia - Álbum 5185 - Gravação 00/1930 - Lançamento 1930-1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 26 Eu sou é ulio (marcha) - Intérprete: Sílvio Salema / Gravadora Victor - Álbum 33257 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1930 - Lado A - Disco 78 rpm; 27 Beijo azul (tango) - Intérprete: Sônia Barreto - Composta com Osvaldo Santiago - Gravadora Victor - Álbum 33474 - Gravação 00/1931 - Lançamento 00/1931 - Lado A - Disco 78 rpm; 28 Alma perversa (tango) - Intérprete: Francisco Alves - Composto com João Rossi - Acompanhamento Orquestra Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 10815 - Gravação 10/06/1931 - Lançamento 1931/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 29 Sapeca (marcha carnavalesca) Intérprete: Celeste Leal Borges - Acompanhamento Orquestra Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 10741 - Lançamento 01/1931 - Lado A - Disco 78 rpm; 30 Mulata macumbeira (samba) - Intérprete: Celeste Leal Borges - Composta com Domingos Magarinos - Acompanhamento Orquestra Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 10741 - Lançamento 01/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 31 Não faço questão de cor (marcha) - Intérprete: Castro Barbosa - Gravadora Odeon - Álbum 10954 - Gravação 00/1932 - Lançamento 00/1933 - Lado A - Disco 78 rpm; 32 Flor do mato (canção) - Intérprete: Augusto Calheiros - Composição com Zeca Ivo - Gravadora Odeon - Álbum 11021 - Gravação 00/1933 - Lançamento 00/1933 - Lado B - Disco 78 rpm; 33 Mal de amor (marcha) - Intérprete: Leonel Faria - Álbum 11103 - Gravação 00/1934 - Lançamento 00/1934 - Lado B - Disco 78 rpm; 34 Questão de raça (marcha) - Intérprete: Arnaldo Amaral - Composta com Zeca Ivo - Gravadora Columbia - Álbum 22260 - Lançamento 01/1934 - Lado indefinido - Disco 78 rpm; 35 Teu passarinho (marcha) - Intérprete: Almirante - Composta com José B. de Abreu - Gravadora Odeon - Álbum 11304 - Gravação 00/1935 - Lançamento 00/1936 - Lado A - Disco 78 rpm; 36 Boquinha de carmin (marcha) -Intérprete: Carlos Galhardo - Composta com Marco Antonio - Gravadora Odeon - Álbum 11451 - Gravação 00/1936 - Lançamento 00/1937 - Lado B - Disco 78 rpm; 37 Um minuto de felicidade (valsa) - Intérprete: Gastão Formenti - Composta com Valfrido Silva - Gravadora Odeon - Álbum 11590 - Gravação 00/1938 - Lançamento 00/1938 - Lado A - Disco 78 rpm; 38 Confissão (canção) - Intérprete: Pedro Celestino - Composta com Adollar e Pedro Celestino - Gravadora Odeon - Álbum 12791 - Gravação 00/1947 - Lançamento 00/1947 - Lado A - Disco 78 rpm.




Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - São Paulo, 1998.

Freire Júnior

Francisco José Freire Júnior, revistógrafo, pianista, compositor, nasceu em Santa Maria Madalena, RJ, no dia 4 de agosto de 1881 e morreu no Rio de Janeiro em 6 de outubro de 1956.

Aos oito anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Aos 14 anos, morando no bairro de Santa Teresa, começou a compor (tocando piano de ouvido) para um grupo de teatro amador.

Sua primeira composição foi para a peça O primo da Califórnia, de França Júnior. Em uma das apresentações, tocando ao piano, conhece Chiquinha Gonzaga, que o incentiva a estudar o instrumento. Assim o fez com o maestro Agnelo França, no Instituto Nacional de Música. Morou e estudou odontologia na ilha de Paquetá. Exerceu a profissão em escolas e consultórios particulares.

Ali também, durante anos, dirigiu o Paquetá Jornal. Sua primeira composição para o teatro profissional foi em 1917 para a revista Tudo dança, de Alvarenga Fonseca e J. Miranda, encenado no Teatro Carlos Gomes. Estreou como autor teatral em 1919 com a burleta Flor do Mal.

No período de 1919 até 1956, escreveu e encenou 172 peças teatrais. Tornou-se um dos maiores autores de revistas musicais do Brasil. Em 1934, tornando-se empresário do Teatro Recreio, ainda assume a direção do Teatro Cômico da Empresa Pascoal Segreto. Mais tarde dirige outras companhias teatrais. Em 1952 ganha medalha pela produção de Eu quero sassaricá, campeã de bilheteria de 1951.

Seus principais sucessos foram: Ai amor (1921), Ai, seu mé (1922), Luar de Paquetá (1923), Não olhe assim (1923), De cartola e bengalinha (1925), Malandrinha (1927), Amor de malandro e Seu Julinho vem (1929), Deusa (1931), Pálida morena e Revendo o Passado (1933), Hei de ver-te um dia (1935).

Seus últimos anos foram de declínio. Aplicou tudo que tinha para empresariar suas novas peças, mas não obteve sucesso algum. Morreu com problemas do desequilíbrio nervoso.

Algumas músicas


Fonte: História do Samba - Fascículos - Editora Globo.