quinta-feira, setembro 14, 2006

Irmãs Pagãs


Irmãs Pagãs - Dupla vocal formada pelas irmãs Rosina Pagã (Rosina Cozzolino), Itararé, SP - 1919 e Elvira Pagã (Elvira Cozzolino) Itararé, SP - 1920 - Rio de Janeiro, RJ - 8/5/2003.

As irmãs Cozzolino ainda na infância transferiram-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passaram a estudar no colégio Imaculada Conceição, situado em Botafogo. Organizavam e participavam de muitas festas e, por intermédio de integrantes do Bando da Lua, passaram a conhecer alguns artistas da época.

Em 1935, apresentaram-se com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, ocasião em que foram apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs. Foram levadas para a Rádio Mayrink Veiga pelo radialista César Ladeira, fazendo grande sucesso na década de 1930.

Em seu primeiro disco na Odeon, gravaram as marchas Não foi assim, de Antenógenes Silva e Osvaldo Santiago, e O carnaval é rei, também de Antenógenes em parceria com Ernâni Campos. Nesse mesmo ano, mais dois discos, dos quais se destaca a marcha Não beba tanto assim, de Geraldo Décourt, apresentada pela dupla no filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro.

Em 1936, participaram do filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva. Em 1937, gravaram sambas de Assis Valente, dentre os quais Se você me deixar, Oba oba, Tristeza e O samba acabou. Foram contratadas pela Rádio Nacional e, neste período, excursionaram por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile.

Em 1938, passaram a gravar na Columbia, destacando-se o grande sucesso carnavalesco Eu não te dou a chupeta, de Silvino Neto e Plínio Bretas. Dentre os êxitos da dupla estão os sambas Nobreza, de Assis Valente, e a marcha Água mole em pedra dura, de Sátiro de Melo e Manuel Moreira, sucesso de 1940.

Com o casamento de Elvira, a dupla chegou ao fim, deixando um total de 13 discos gravados. Rosina seguiu carreira solo, tendo gravado mais 11 discos até 1946, entre eles a versão Chiu... chiu... (N. Molinari e Oswaldo Santiago) e participado de vários filmes como atriz. Ainda nesse ano, seguiu turnê em Cuba, EUA e México, cidade onde se casou e passou a residir.

Elvira Pagã seguiu carreira como estrela do teatro de revista, tendo gravado mais de dez discos entre os anos de 1944 e 1953, tendo destque o samba Na feira do cais dourado (Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro). Alcançou grande notoriedade, sobretudo por sua atuação como vedete, sendo considerada uma das mais belas mulheres de sua época - os anos 40, 50 e até começo dos 60.

A partir dos anos 70, Elvira começou a pintar, passando logo depois a realizar temas esotéricos em seus trabalhos. Em meados dos anos 1990, demonstrando grande instabilidade de comportamento, ao alterar momentos de euforia com rasgos de ira, recusou-se terminantemente a fazer depoimento para o Museu da Inglaterra. Em 1979 Elvira Pagã foi homenageada com um rock da cantora Rita Lee.

Rosina Pagã

Rosina Pagã (Rosina Cozzolino), cantora, nasceu em Itararé/SP em 1919. Irmã da também cantora Elvira Pagã com quem formou na década de 1930 o duo vocal Irmãs Pagãs. As irmãs Cozzolino ainda na infância transferiram-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passaram a estudar no colégio Imaculada Conceição, situado em Botafogo.

Realizava com sua irmã inúmeras festas das quais participavam inúmeros artistas entre os quais os integrantes do Bando da Lua. Em 1935 cantaram com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, sendo apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs.

Atuaram na Rádio Mayrink Veiga. Em 1935, participaram do filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Em 1936, no filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva.

Em 1937, gravaram sambas de Assis Valente, dentre os quais Se você me deixar, Oba oba, Tristeza e O samba acabou. Foram contratadas pela Rádio Nacional e, neste período, excursionaram por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile.

Em 1938, passaram a gravar na Columbia, destacando-se o grande sucesso carnavalesco Eu não te dou a chupeta, de Silvino Neto e Plínio Bretas. Dentre os êxitos da dupla estão os sambas Nobreza, de Assis Valente, e a marcha Água mole em pedra dura, de Sátiro de Melo e Manuel Moreira, sucesso de 1940.

Com o casamento de Elvira, a dupla chegou ao fim, deixando 13 discos gravados. Rosina seguiu carreira solo, tendo gravado mais 11 discos até 1946, entre eles a versão Chiu... chiu... (N. Molinari e O. Santiago) e participado de vários filmes como atriz. Ainda nesse ano, seguiu turnê em Cuba, EUA e México, cidade onde se casou e passou a residir.


Discografia


1941 Volta Horácio/Abana, baiana • Victor • 78
1941 Tabuleiro da ilusão/Oh! Juca • Columbia • 78
1941 Tem queme dar, me dá logo/As aparências enganam • Columbia • 78
1941 Firin-fin, fon-fon/Vai dormir, criança • Odeon • 78
1941 La canga/Pobreza não é defeito • Odeon • 78
1942 Desculpa de ocasião/Caroá • Odeon • 78
1942 Coco dendê/Gasparino • Odeon • 78
1943 Oh quitandeira!/Encontrei um amor • Odeon • 78
1944 Chiu...chiu.../Meu coração me diz • Continental • 78
1946 A volta de Suzana/Maria • Continental • 78
  

Elvira Pagã


Elvira Pagã (Elvira Cozzolino), cantora, atriz, vedete e compositora, nasceu em Itararé/SP em 6/9/1920 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 8/5/2003. Sua família mudou para o Rio de Janeiro quando ela ainda era criança. Estudou com a irmã, Rosina Pagã, no colégio Imaculada Conceição em Botafogo.

As Irmãs Pagãs

Realizava com sua irmã inúmeras festas das quais participavam inúmeros artistas entre os quais os integrantes do Bando da Lua. Em 1935 cantaram com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, sendo apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs.

Atuaram na Rádio Mayrink Veiga. Ao todo Elvira gravou 13 discos com a irmã. Em 1935, atuaram no filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Em 1936, no filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva. Ainda com a irmã, excursionou por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile. Em 1940, casou-se e encerrou a dupla com a irmã.

A cantora e compositora

Em 1944, gravou seu primeiro disco solo, pela Continental, com acompanhamento do Conjunto Tocantins, interpretando os sambas Arrastando o pé, de Peterpan e Afonso Teixeira e Samburá, de Valfrido Silva e Gadé. No ano seguinte, gravou um disco com quatro músicas, fato raro na época, com as marchas E o mundo se distrai e Meu amor és tu, de Amado Régis, Gadé e Almanir Grego e Cabelo azul e Briga de peru, de Roberto Martins e Herivelto Martins. No mesmo ano, gravou os sambas Na feira do cais dourado, de Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro e Um ranchinho na lua, de Babi de Oliveira com acompanhamento de Claudionor Cruz e seu regional.

Em 1949, transferiu-se para o selo Star e estreou com a Marcha do ré e o samba Sangue e areia, da dupla Sebastião Gomes e Nelson Teixeira com acompanhamento de Sílvio César e sua orquestra. Em 1950, gravou o samba jongo Batuca daqui, batuca de lá, primeira composição de sua autoria, parceria com Antônio Valentim. No mesmo ano, gravou os baiões Vamos pescar, de sua parceria com Antônio Valentim e Sururu de capote, de Ramiro Guará e José Cunha com acompanhamento do Quarteto Copacabana com Abel Ferreira no clarinete.

Em 1951, gravou mais duas composições de sua autoria, o baião Saudade que vive em mim, parceria com Antônio Valentim e o samba Cassetete, não! com acompanhamento do Conjunto Star. No mesmo ano, gravou no selo Carnaval a marcha A rainha da mata, de sua parceria com Antônio Valentim e a batucada Pau rolou, de Sátiro de Melo e Manoel Moreira.

Em 1953, foi para a gravadora Todamérica e lançou os sambas Reticências, de sua autoria e Sou feliz, parceria com M. Zamorano. Gravou ainda pelo selo Marajoara o samba Vela acesa, de sua autoria, Antônio Valentim e Orlando Gazzaneo e a marcha Viva los toros, parceria com Orlando Gazzaneo. Seu último disco foi pelo pequeno selo Ritmos onde registrou a marcha Marreta o bombo e o samba Condenada, de sua autoria.

O mito sexual

Seguiu carreira como vedete em teatros de revista na década de 50, tornand0-se um dos mitos sexuais do Rio de Janeiro. Foi das primeiras brasileiras a explorar o impacto do nudismo, nos anos 50 e 60, disputando com Luz del Fuego o espaço nos noticiários da época.

Com seu corpo perfeito para os padrões da época, Elvira Pagã mexeu com a cidade, promoveu Copacabana internacionalmente e foi a primeira Rainha do Carnaval Carioca. Elvira Olivieri Cozzolino expunha o corpo e idéias bastante avançadas para os anos 50 e veio a ser a primeira mulher a usar biquíni no Brasil.

Era uma figura muito divertida, como se pode ver ainda hoje nas chanchadas de que ela participou, algumas bem conhecidas como Carnaval no fogo, e, principalmente, ousadíssima pra época. Um dia, na praia de Copacabana, ela rasgou o maiô (pelo que consta, feito de um tecido de penugem dourada) e o adaptou ao modelo de duas peças, que só se usava no teatro rebolado, chegando a ficar conhecida fora do Brasil por causa disso.

Excursionando por todo o Brasil e conhecida no exterior como The Original Bikini Girl e The Brazilian Buzz Bomb, Elvira não desistia de afrontar a moral, provocando verdadeiras enchentes nos cabarés e teatros de rebolado. Depois de operar os seios, posou nua e distribuiu a fotografia como cartão de Natal, reafirmando-se como sinônimo de escândalo, atentado ao pudor, imoralidade.

Por seus atributos físicos e audácia provocou incontáveis e devastadoras paixões, confessando numa de suas últimas entrevistas: “Foi uma orgia só”. O perigoso bandido Carne Seca forrou a sua cela com fotos dela, e numa em que a vedete encosta-se numa pele de onça, lia-se a dedicatória: “Para Carne Seca, um consolo de Elvira Pagã”. Desesperado, o marginal tentou fugir da prisão inúmeras vezes.

Nos anos 60 ela se recolheu, como faria Odete Lara na década seguinte. Saiu da vida artística e da vida social. Dizia não precisar de amantes e se intitulava sacerdotisa, ligada a discos voadores e à Atlântida, criando uma seita, Doutrina da Verdade. Elvira faleceu aos 80 anos, em 8 de maio de 2003. Rita Lee fez, com Roberto de Carvalho, uma canção chamada Elvira Pagã:

Elvira Pagã
De: Rita Lee e Roberto de Carvalho

A
Todos os homens desse nosso planeta
D
Pensam que mulher é tal e qual um capeta
F                   E    D#        D
Conta a história que Eva inventou a maçã
A
Moça bonita, só de boca fechada,
D
Menina feia, um travesseiro na cara,
F                G       G#      A
Dona de casa só é bom no café da manhã

Então eu digo:
F#m    D     G          G#      A
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)
F#m     D
É canja-canja,
B7                E            (D E)
O resto põe na sopa pra temperar!
A
Dama da noite não dá pra confiar,
D
Cinderela quer um sapatão pra calçar,
F                E          D#    D
Noiva neurótica sonha com o noivo galã (um lixo!)
A
Amiga do peito fala mal pelas costas,
D
Namorada sempre dá a mesma resposta
F                    G         G#    A
Foi-se o tempo em que nua era Elvira Pagã

Então eu digo:
F#m    D     G          G#      A
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)
F#m     D
É canja-canja,
B7                E            (D E)
O resto põe na sopa pra temperar!

Fontes: Cine TV Brasil - Elvira Pagã; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Elza Soares


Elza Soares, cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 23/6/1937. Filha de uma lavadeira e de um operário, foi criada na favela de Água Santa, subúrbio de Engenho de Dentro. Cantava, desde criança, com a voz rouca e o ritmo sincopado dos sambistas de morro.

Aos 12 anos, já era mãe e aos 18, viúva. Foi lavadeira e operária numa fábrica de sabão e, com 20 anos aproximadamente, fez seu primeiro teste como cantora, na academia do professor Joaquim Negli, sendo contratada para cantar na Orquestra de Bailes Garan e a seguir no Teatro João Caetano.

Em 1958, foi à Argentina com Mercedes Batista, para uma temporada de oito meses, cantando na peça Jou-jou frou-frou. Quando voltou, fez um teste para a Rádio Mauá, passando a se apresentar de graça no programa de Hélio Ricardo.

Por intermédio de Moreira da Silva, que a ouviu nesse programa, foi para a Rádio Tupi e depois começou a trabalhar como crooner da boate carioca Texas, no bairro de Copacabana, onde conheceu Sylvia Telles e Aloysio de Oliveira, que a convidou para gravar.

No seu primeiro disco, gravado em 1960, pela Odeon, cantou Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins), alcançando logo grande sucesso. Esse samba fez parte de seu primeiro LP, com o mesmo titulo da música. A seguir, foi para São Paulo SP, para trabalhar no show Primeiro festival nacional de bossa nova, no Teatro Record e na boate Oásis, gravando depois seu segundo LP, A bossa negra.

Em 1962. como artista representante do Brasil na Copa do Mundo, que se realizava em Santiago, Chile, cantou ao lado do representante norte-americano, Louis Armstrong. Nessa época ficou conhecendo o futebolista Garrincha, com quem casaria mais tarde.

No ano seguinte, gravou pela Odeon o LP Sambossa, tendo como destaque as músicas Rosa Morena (Dorival Caymmi) e Só danço samba (Tom Jobim e Vinícius de Moraes); e, em 1964, lançou pela Odeon Na roda do samba (Orlandivo e Helton Meneses), faixa-título do LP.

Realizando inúmeras apresentações pelo Brasil e nas emissoras de televisão, os LPs se sucederam: em 1965, foi a vez de Um show de beleza, pela Odeon, com, entre outras, Sambou, sambou (João Meio e João Donato), e Mulata assanhada (Ataulfo Alves); em 1966, saiu pela mesma gravadora o LP Com a bola branca, onde cantou Estatutos de gafieira (Billy Blanco) e Deixa a nega gingar (Luís Cláudio).

Apresentou-se, em 1967, no Teatro Santa Rosa, no show Elza de todos os sambas, e, novamente pela Odeon, gravou em 1969, o LP Elsa, Carnaval & Samba, cantando sambas-enredo, como Bahia de todos os deuses (João Nicolau Carneiro Firmo, o Bala, e Manuel Rosa) e Heróis da liberdade (Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira).

Em 1970 foi para a Itália, apresentando-se no Teatro Sistina, em Roma, e gravando Que maravilha (Jorge Ben e Toquinho) e Máscara negra (Zé Kéti). Nesse mesmo ano, gravou o LP Sambas e mais sambas, pela Odeon, interpretando músicas como Maior é Deus (Fernando Martins e Felisberto Martins) e Tributo a Martin Luther King (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli).

De volta ao Brasil, em 1972, lançou, pela mesma etiqueta, o LP Elsa pede passagem, onde interpretou Saltei de banda (Zé Rodrix e Luís Carlos Sá) e Maria-vai-com-as-outras (Toquinho e Vinícius de Moraes), e apresentou-se no teatro carioca Opinião, no show Elza em dia de graça.

Ainda nesse ano, passou uma temporada realizando um show no navio italiano Eugenio C, fez um espetáculo de duas semanas na boate carioca Number One, cantou no Brasil Export Show, realizado na cervejaria Canecão, do Rio de Janeiro, e recebeu o diploma de Embaixatriz do Samba, do conselho de música popular do Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro.

Em 1973, gravou o LP Elsa Soares, pela Odeon, cantando Aquarela brasileira (Silas de Oliveira) e Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito); e apresentou-se no show Viva Elza, que estreou no T.B.C., na capital paulista, e que depois foi levado em vários Estados.

Nos dois anos seguintes, lançou pela Tapecar mais dois LPs, Elza Soares, com Bom-dia, Portela (Davi Correia e Bebeto de São João) e Chamego da crioula (Zé Di); e Nos braços do samba, com faixa-título de Neoci Dias e Dida. Gravou ainda Pilão+Raça=Elza (1977), Somos todos iguais (1986) e Voltei (1988).

A partir de 1986, com a morte de Garrinchinha, seu filho com o jogador de futebol Garrincha (1933—1983), passou nove anos na Europa e nos EUA. De volta ao Brasil gravou em 1997 o CD Trajetória, só de sambas, com músicas de Zeca Pagodinho, Guinga e Aldir Blanc, Chico Buarque, Noca da Portela, Nei Lopes e outros.

Nesse mesmo ano, saiu o livro Cantando para não enlouquecer, biografia escrita por José Louzeiro (Editora Globo).

CDs: Salve a mocidade, vol. 1, 1997, Tapecar 74.012; Trajetória, 1997, UMD 51020.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Claudete Soares


Claudete Soares (Claudete Colbert Soares), cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 31/10/1937. Aos dez anos começou a cantar no Clube do Guri, na Rádio Tamoio, passando depois a participar do programa Papel Carbono, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro.

Apresentou-se depois em várias emissoras cariocas, chegando a receber o título de Princezinha do Baião, pelo seu desempenho no programa Salve o Baião, ao lado de Luiz Gonzaga, na Rádio Tamoio. No seu primeiro disco, um 78 rpm, gravado pela Columbia em 1954, cantou dois baiões, Você não sabe (Eny de Castro Perret) e Trabalha, Mané (João Luís da Silva e João da Silva).

Trabalhou na boate do Hotel Plaza, no Rio de Janeiro, como crooner do conjunto de Luís Eça. Em 1960, gravou duas faixas com as músicas Sambop (Durval Ferreira e Maurício Einhorn) e A fábula que educa (Silvino Júnior, Orlandivo e Eumir Deodato), no LP, da Copacabana, Nova geração em ritmo de samba, do qual participaram também Marilúcia, Silvino Júnior e Eumir Deodato.

Ainda nesse ano, participou do programa Brasil 60, de Bibi Ferreira, na TV Excelsior, de São Paulo, e começou a se apresentar numa série de casas noturnas paulistas: primeiro na Baiúca, depois no Cambridge, atingindo o sucesso como atração no Juão Sebastião Bar, para depois inaugurar a boate Ela, Cravo e Canela, com Pedrinho Mattar, no espetáculo Um show de show.

Lançou seu primeiro LP individual, pela Mocambo, em 1964, Claudete é dona da bossa, cantando, entre outras, Garota de Ipanema (Vinícius de Moraes e Tom Jobim) e Tristeza de nós dois (Durval Ferreira, Bebeto e Maurício Einhorn); no ano seguinte, pela mesma etiqueta, gravou seu segundo LP, Claudete Soares, destacando-se nesse disco sua interpretação de Primavera (Carlos Lyra e Vinícius de Morais).

Apresentou-se, em 1966, junto com Taiguara e o Jongo Trio, no espetáculo Primeiro tempo 5 X O, dirigido por Ronaldo Bôscoli e Miele, que fez sucesso no Rio de Janeiro, inicialmente na boate Rui Bar Bossa e, depois, no Teatro Princesa Isabel, dele resultando um LP gravado pela Philips, em que cantou, entre outras, Apelo (Vinícius de Morais e Baden Powell) e A volta (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli). Ainda nesse ano, participou do I FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, defendendo a música Chorar e cantar (Vera Brasil e Sivan Castelo Neto).

Em 1968 lançou novo LP, pela Philips, cantando músicas como Januária (Chico Buarque), Mancada (Gilberto Gil) e Frevo rasgado (Gilberto Gil), e no ano seguinte gravou, também pela Philips, Quem não é a maior tem que ser a melhor, no qual incluiu Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos).

Com Agildo Ribeiro e Pedrinho Mattar, atuou no show Fica combinado assim, no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, em 1971, ano em que lançou, também pela Philips, novo LP, interpretando, entre outras músicas, De tanto amor (Roberto e Erasmo Carlos) e Coisas (Taiguara).

Em 1995 gravou o LP Vida real pela etiqueta Imagem, que incluiu regravações de Baião (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), O que tinha de ser (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e Desde que o samba é samba (de Caetano Veloso).

CDs: Claudette Soares é dona da bossa, 1991, Imagem 1032; Vida real, 1995, Imagem 2010.

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Fonte: Enciclopédia Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Ellen de Lima

Ellen de Lima (Helenice Teresinha de Lima), cantora, nasceu em Salvador/BA em 24/03/1938. Seguiu para o Rio de Janeiro RJ com dois anos de idade. Começou a carreira no programa de César de Alencar, destinado à descoberta de novos cantores, aparecendo ainda no programa Alvorada dos Novos, da Rádio Mayrink Veiga.

Interpretou os sucessos de Ângela Maria no programa Aí Vem o Sucesso, e em 1954 foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga para apresentar-se no Rio de Janeiro e em São Paulo SP, onde residiu por dois anos.

Tornou-se artista da Columbia e lançou ainda em 1954 seu primeiro disco a convite do maestro Renato de Oliveira, com o samba-canção Até você (Armando Nunes) e o slow-fox Melancolia (Allain Romans, versão do Capitão Furtado).

Em 1957 trocou a Mayrink Veiga pela Nacional, do Rio de Janeiro, onde alcançou o auge de sua carreira, fazendo sucesso com o bolero Vício (Fernando César), gravado pela Columbia no seu primeiro LP, Só Ellen, que incluía também o bolero Mente, do mesmo compositor.

Fez várias aparições em programas de televisão, passando depois a atuar quase exclusivamente em boates. Em 1963, gravou o LP Ellen de Lima, selo Chantecler, com Nós (Malgoni e Pallesi, versão de Júlio Nagib) e Leva-me contigo (Dolores Duran).

Três anos depois, pela mesma gravadora, lançou Ellen... canta!, destacando-se Na paz do seu olhar (João Melo) e Você é todo mal que me faz bem (Umberto Silva e Paulo Aguiar). Seu LP Ellen de Lima, lançado pela Odeon em 1969, incluía Cante, cante (Tito Madi) e Somente porque te amo (Leci Brandão).