quinta-feira, setembro 28, 2006

Pedro Flores

Pedro Flores, compositor, nasceu em Naguabo, Porto Rico, em nove de março de 1894 e faleceu em julho de 1979. Foi um dos expoentes máximos do bolero e da guaracha na história musical do continente americano.

Ao longo da vida nossas penas e dores são amenizadas com algumas de suas imortais melodias, já presas a nossa forma de amar e sentir. Quem não tem buscado conforto a seus pesares na sua romântica inspiração Bajo un palmar? Que mãe não revive a esperança inútil de ver partir o seu filho para a guerra aos primeiros acordes de Despedida? Qual homem que não teve um Amor perdido, apaixonado por uma Linda? E quem não estremece de patriotismo ao escutar o hino Sin bandera na voz do "Inquieto Anacobero" Daniel Santos?

A vida do compositor porto-riquenho Pedro Flores foi sempre uma luta campal junto à dor, "única amiga e companheira na trajetória inacreditável de minha existência", ao falar de suas próprias lembranças. Nasceu sob o signo de Peixes, em nove de março de 1894, na humilde vila pesqueira de Naguabo, ao amparo de uma família extremamente pobre. Seus pais, Julián e Eulalia Córdova, lutavam para sustentar 12 filhos durante os anos difíceis do transpasse colonial.

Aos nove anos ficou órfão de pai e começou a trabalhar em diferentes ofícios para ajudar a família, ganhando alguns reais que entregava a sua mãe. Quando menino se destacou por suas habilidades no esporte, particularmente no beisebol amador, onde representou a sua escola em Fajardo a troco de uma bolsa de estudos. Foi, também, um destacado cronista esportivo no jornal "El Tiempo", lá pelos anos 20.

Cursou estudos primários em seu povoado natal, até completar o sétimo grau. Posteriormente se mudou para Fajardo para prosseguir seus estudos orientados para o ensino da língua inglesa. Depois de se formar professor escolar da Universidade de Porto Rico, aos 16 anos, dedicou-se ao ingrato ofício do magistério nas áreas rurais de Yabucoa, Humacao e Gurabo. Cumprida sua missão escolar em 1918, por vontade própria, ocupou o cargo de administrador na Central Esperanza em Vieques, mas no ano seguinte foi convocado para servir nas forças armadas do exército norte-americano. Ali serviu como oficial no Regimento de Infantaria.

Aos 24 anos, depois de licenciar-se, começou a trabalhar em diferentes ofícios alheios à sua sensibilidade artística, como inspetor de trens, cobrador de impostos e secretário da Junta de San Juan. Dois anos mais tarde, procurando abrir seus horizontes, embarcou para Nova York, onde trabalhou como operário cavando o túnel da Oitava Avenida. Depois foi pintor de paredes, funcionário do metrô da cidade, e empregado do correio até 1928, quando conheceu um patrício que já se destacava na música com o Trio Borinquen, "El Cumbanchero" Rafael Hernández.

Assim começou a acompanhar Rafael em suas apresentações com o Trio Borinquen. Aos 34 anos e sem conhecimento musical algum, a exceção de três notas mal tocadas no violão, decidiu formar um grupo para competir com Hernández, cujos temas eram fundamentalmente românticos. Assim nasceu o Trio Galón para apresentar-se em locais onde atuava o Trio Borinquen, e que, por causa disto e de fofocas, iniciou-se certa rivalidade entre esses dois grupos, que depois foi diminuindo. Recorda Don Pedro, que a conseqüência desses boatos levou Rafael a acusá-lo de invejoso.

Pedro Flores formou seu primeiro Quarteto Flores com Pedro Marcano, Ramón Quirós, Davilita, Yayito y Pellín, e a partir de 1930 registra suas primeiras gravações, entre elas "Adelita", "Nieves", "Contigo", "Palomita", "Azucena", "En secreto" e "El retrato". De quarteto passou a sexteto e posteriormente a orquestra, sem deixar de se chamar Quarteto Flores. Além dos mencionados, passaram pelo grupo Cándido Vicenty, Plácido Acevedo, Antonio Machín, Diosa Costelo, Panchito Reset e Johnny Rodríguez, entre outros.

Devido a problemas com a casa editora, Don Pedro abandonou o ambiente musical e mudou-se para o México, onde então, tinha sucesso seu compatriota Rafael Hernández. Também viveu muitos anos em Cuba. Mas não teve a mesma sorte e permaneceu um tempo longe das atividades artísticas.

Quando regressou para Nova York voltou a organizar o Quarteto sob a direção musical do músico e compositor Moncho Usera, com Doroteo Santiago e o barítono Chencho Moraza na parte vocal. Também formaram parte a 'Gorda de Oro', Myrta Silva e Clarisa Perea. Só faltava um cantor à altura de Panchito Reset, que abandonara seu grupo para unir-se ao Cuarteto Caney, e o encontrou na inconfundível voz de Daniel Santos.

Entre seus sucessos figuram Perdón, Obsesión, Irresistible, Bajo un palmar, Despedida, Amor perdido, Margie, Esperanza inútil, Querube, e outras canções popularizadas por Daniel Santos, Don Pedro Vargas e Benny Moré, Virginia López, Marco Antonio Muñiz e a Rondalla Tapatía, Bobby Capó e a Orquestra Zarzosa, entre outros.

O Maestro morreu em 13 de julho de 1979 e seus restos descansam no antigo cemitério Santa Maria Magdalena de Pazzis no Velho San Juan.

(texto parcial de Josean Ramos, traduzido do espanhol)


Fonte: Fundación Nacional para la Cultura Popular - San Juan, Puerto Rico

Noel Estrada

Noel Estrada (Noel Estrada Suárez), compositor, nasceu em Isabela, Porto Rico, em 4 de junho de 1918 e faleceu em 1º de dezembro de 1979. Embora o compositor tenha nascido no povoado de Isabela, criou-se em San Juan, cidade que lhe deu renome através da mais conhecida de suas obras, a canção En mi viejo San Juan.

A famosa composição foi escrita por Estrada como resposta a um pedido que fizera seu irmão que se encontrava destacado no Panamá com o exército durante a Segunda Guerra Mundial. Este lhe pediu para escrever uma canção para amenizar a saudade que ele e seus companheiros sentiam pela sua pátria. Um dia olhando o mar de uma sacada em San Juan, Estrada transformou em canção os sentimentos dos porto-riquenhos ausentes.

En mi viejo San Juan foi gravada pela primeira vez em 1943 pelo Trio Vegabajeño para depois ser regravada em muitas versões e interpretações nas vozes de Libertad Lamarque, Marco Antonio Muñiz, Ginamaría Hidalgo, Felipe Pirela y Javier Solís, entre outros. É precisamente a Javier Solís, cantor mexicano, que Noel Estrada responsabiliza a internacionalização do tema, que junto à Verde luz e Preciosa, é considerada como um dos hinos de Porto Rico.

O compositor porto-riquenho teve nesta melodia sua máxima criação, mas este não foi o seu único sucesso. Na Espanha e América Latina composições como El amor del jibarito e Llévame a ver a Jesús foram difundidas pelas ondas do rádio com sucesso.

De 600 composições feitas por Estrada em todos os gêneros musicais, somente se conhecem algumas dezenas. Entre elas se encontram Pobre amor, Pedacito de Borinquen, Lo nuestro terminó, gravada por Pérez de Córdova, Amor del alma, Sería una locura, Flor de jibarita, Cuba en la lejanía, Mi romántico San Juan (primeiro lugar no Festival do Compositor Porto-Riquenho em 1964), Viva la amistad (segundo lugar no Festival Internacional da Canção e Voz de Porto Rico em 1976), Rumor de llanto e Romance del cafetal.

Em 1966 foi declarado filho adotivo de San Juan e lhe foi entregue a chave da cidade. O governo espanhol lhe condecorou com a Cruz de Cavaleiro da Ordem de Isabel A Católica em 1972. Cinco anos mais tarde lhe foi rendido uma grande homenagem para arrecadar fundos no Coliseu Roberto Clemente na qual participaram figuras como Julio Iglesias, Wilkins, Ednita Nazario e Ruth Fernández.

Mesmo gozando de amplo reconhecimento no campo musical, Noel Estrada profissionalmente se desempenhou como chefe de protocolo e etiqueta do Departamento de Estado durante 35 anos. Também contava com um bacharelato em Administração de Empresas pela Universidade de Porto Rico.

(texto parcial de Clarissa Santiago Toro, traduzido do espanhol)


Fonte: Fundación Nacional para la Cultura Popular - San Juan, Puerto Rico

Orlando De La Rosa

Orlando De La Rosa
Orlando De La Rosa, compositor e pianista, nasceu em Havana, Cuba, em 15 de abril de 1919 e faleceu em 15 de novembro de 1957. Iniciou seus estudos de piano aos nove anos de idade com sua mãe. Aprendeu lições de solfejo com um professor denominado "Pachencho". Foi neto materno do notável dançarino Raimundo Valenzuela.

Realizou estudos de bacharelato no Instituto de Havana. Acompanhou diversos cantores e participou da orquestra de Ernesto Lecuona em seus concertos com diversos pianistas. Fundou um reconhecido quarteto vocal (com várias trocas entre os integrantes em seus 15 anos de trajetória até 1955) que em 1948 fez turnês pelos EUA.

Trabalhou em muitos meios de comunicação, como rádio, TV, cabarés, gravação de vários discos, filmes (que musicou) assim como na tarefa de acompanhar cantores, no que sua saúde se ressentiu muito. Foi do grupo de pianistas-compositores que na década de 40 dotaram o cancioneiro cubano de grande quantidade de excelentes obras.

Seu primeiro bolero foi Ya sé que es mentira (1940) ao que se seguiram Vieja Luna, Cansancio, Tu llegada, No vale la pena, Mi corazón es para ti, Nuestras vidas, La canción de mis canciones, No vayas a pensar, Anoche hablé con la luna, La mazucamba (rumba desaforada), Te lo ruego, no me abandones, Esto es felicidad (com Bobby Collazo), e outras.


Fonte: SonCubano

Miguel Matamoros

Miguel Matamoros, compositor, violonista e diretor, nasceu em Santiago de Cuba, Cuba, em oito de maio de 1894 e faleceu em 15 de abril de 1971. De origem humilde, teve que trabalhar em diversas profissões para ajudar sua mãe, Nieve Matamoros.

Em Santiago, no início do século XX, foi carpinteiro, pintor de paredes e chofer. Seu pai Marcelino Verdecia, com que teve pouca relação, era marinheiro e aficionado em cantar "reginas" ou quartetos sonoros. Aprendeu violão e trabalhou em festas e serenatas por toda a cidade.

Em 1912 realizou sua primeira atuação profissional no Teatro Heredia de Santiago de Cuba. Em 1920 já era um compositor e cantor conhecido em toda a cidade. Em uma de suas festas de aniversário, em oito de maio de 1925, formou com Siro Rodríguez e Rafael Cueto, o Trío Matamoros.

Em 1928 fez suas primeiras gravações em Nova York para a etiqueta Victor, que tiveram um sucesso sem precedentes. Fez turnês por diferentes países da América e Europa, em uma intensa atividade que duraram 35 anos. Sua viagem ao México com o conjunto Matamoros em 1945 serviu de plataforma para o lançamento de Beny Moré.

Retirou-se da vida musical em 1960 e residiu por uns tempos em Regla, junto a sua única filha Seve Matamoros e sua esposa Juana María Casas, "La Mariposa" da qual se divorciou e foi residir em Santiago de Cuba com um antigo amor de juventude, Mercedes, "la santiaguera de mi amor", casado com ela até sua morte.

Em seu vasto catálogo de obras, destacam-se boleros e sons como Juramento, Lágrimas negras, Olvido, El que siembra su maíz, Reclamo místico, Mariposita de primavera, Mientes, Mamá, son de la loma, Que te están mirando, Alegre conga, El paralítico, ¿Quién tiró la bomba?, Tu boca e outros temas inesquecíveis.

Mario Alvarez

Mario Alvarez, compositor e pianista, nasceu em Güines, Cuba, em 19 de março de 1911 e faleceu em Havana em 25 de Junho de 1970. Fixou-se na capital cubana nos anos 20. Ingressou depois na universidade e formou-se em Direito.

Na década de 30 integrou a Orquestra Siboney de Julio Brito. Era muito amigo de Laureano Suárez, Suaritos, em cuja emissora colaborou com gravações de artistas mexicanos (muitos dos quais seus amigos e que haviam gravado suas obras) com exclusividade.

Em 1935 viajou para a Cidade do México como pianista em companhia de Ernesto Lecuona e resolveu estabelecer-se por ali, com freqüentes viagens para a ilha cubana, onde ficou ao final até falecer.

No México trabalhou em edições musicais e teve sua própria editora. Entre seus boleros mais conhecidos, de um catálogo de cerca de 600 obras, se encontram Rumbo perdido, Vuélveme a querer, Sabor de engaño, Tú no mereces, Ansias, Luna de plata, Temor sublime, Y eres culpable, Rumbo perdido, Aprende a olvidar, Estás mintiendo, Tarde o temprano e No esperes.

Na discografia de Diaz Ayala encontramos uma outra informação: em 1940 o maestro Ernesto Lecuona estava numa turnê com sua companhia pelo país asteca e seu pianista-acompanhante, Alvarez, resolve permanecer neste país, onde vive o resto de seus dias, compondo belíssimos boleros como Vuélveme a querer.

Segundo outra fonte, que dá seu segundo sobrenome como Jiménez, o compositor nasceu em Havana em 19 de março de 1898, chegou a dominar onze instrumentos e em meados da década de 30 se integrou a Orquestra Siboney do maestro Brito, viajando ao México com Lecuona em 1935 onde ficou. Seu primeiro trabalho foi com a orquestra de Rafael de Paz, e em 1939 se dedicou ao aspecto editorial da música chegando a ter sua própria editora. Compôs cerca de 600 canções e faleceu no México em 10 de Agosto de 1988.

Margarita Lecuona

Margarita Lecuona, cantora e compositora, nasceu em Havana, Cuba, em 18 de abril de 1910 e faleceu em Nova Jersey, EUA, em 1981. Teve uma infância de muitas viagens, por seu pai ser diplomata.

Já adolescente regressa e se estabelece em Havana e faz seus estudos regulares. Começa a estudar música, primeiro com a professora Clara Romero, que lhe ensina o manejo do violão.

Suas primeiras composições datam de 1930. Escreve Tabú, inspirado em um antigo escravo, muito velho, que conheceu desde menina, escutando seus contos. O trovador Guyún dá a conhecer essa composição, popularizando-a. Quando a gravam com a orquestra de Rosa e Antonio Machín em Nova York, em 1934, e a orquestra Lecuona Cubans Boys na Europa, em 1935, rapidamente se converte numa compositora internacional.

Igual se sucede com Babalú da mesma inspiração litúrgica afrocubana e com o mesmo sabor exótico, gravada pela orquestra Casino de la Playa, cantando Miguelito Valdés.

Morou na Argentina e fez apresentações em vários países, com atuações em um trio como cantora solista. Radicou-se nos EUA em 1960. Compôs mais de 300 obras, entre as que se destacam, os boleros Eclipse, De nada vale, Tú lo eres todo, Bienvenido, Cariño bueno, Por eso no debes En confianza, Otoño e Mi último amor, e as guarachas Contentura e Mi muñeco.

Luis Marquetti

Luis Marquetti, compositor, nasceu em Alquizar, Cuba, em 24 de agosto de 1901 e faleceu em 30 de julho de 1991. Graduou-se na Escola Normal de Maestros, onde fez alguns estudos musicais.

Foi maestro durante quase toda sua vida em seu povoado natal. Na década de 40 se destacou como compositor e conseguiu colocar suas canções nas melhores vozes da América hispânica.

Entre seus sucessos destacam-se os boleros Plazos traicioneros, Allí donde tú sabes, Amor qué malo eres, Deuda (1945), Amor de cobre, Un pedazo de pan, Entre espumas, Me robaste la vida, Llevarás la marca, Cita en el platanal e A ti madrecita (sua primeira composição em 1941).