<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener("load", function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <iframe src="http://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID=21639580&amp;blogName=MPB+CIFRANTIGA+2&amp;publishMode=PUBLISH_MODE_BLOGSPOT&amp;navbarType=BLACK&amp;layoutType=CLASSIC&amp;searchRoot=http%3A%2F%2Fcifrantiga2.blogspot.com%2Fsearch&amp;blogLocale=pt_BR&amp;homepageUrl=http%3A%2F%2Fcifrantiga2.blogspot.com%2F" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" frameborder="0" height="30px" width="100%" id="navbar-iframe" allowtransparency="true" title="Blogger Navigation and Search"></iframe> <div></div>

Home Publicações recentes Artistas Músicas e cifras Sucessos: 1859-1985 Mapa site Blog de Itajaí Contos Assombrosos English

Barra de Navegação



Pepa Delgado

0 comments

Pepa Delgado (Maria Pepa Delgado), cantora e atriz de teatro de revistas nasceu em 21/7/1887 em Piracicaba, SP e faleceu em 11/3/1945, no Rio de Janeiro, RJ. Era filha Ana Alves e do toureiro espanhol Lourenço Delgado, que se tornou fotógrafo ao chegar ao Brasil.
Em 1902 veio com o pai para o Rio de Janeiro e, aos 15 anos de idade, se tornou atriz e cantora. Entre 1902 e 1920, atuou em várias revistas encenadas no Teatro São José, no Rio de Janeiro. Em 1905, gravou para a Casa Edison a cançoneta O abacate e o maxixe Café ideal, ambos da revista Cá e lá, com música da maestrina Chiquinha Gonzaga. No mesmo ano, gravou Um samba na Penha, da revista Avança e A recomendação, de Assis Pacheco.
Em 1912, a Columbia lançou discos seus, nos quais se lia em uma das faces: "Atriz brasileira que tem feito sucesso e arrancado (sic) de nosssas platéias as mais ruidosas manifestacoes (sic)". Em algumas dessas gravações, se apresentou cantando em duetos com Mário Pinheiro, registrando, entre outras, o tango Vatapá, de Paulino Sacramento.
Entre suas gravações, destacam-se ainda a canção Iara (Rasga o coração), de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense e, principalmente, Corta-jaca (Gaúcho), de Chiquinha Gonzaga, sua gravação de maior sucesso, ao lado do cantor Mário Pinheiro.
Em 1920, casou-se com o oficial do Exército Almerindo Álvaro de Moraes, que era tesoureiro do Clube dos Democráticos, onde se tornara mais conhecido pelo apelido de Lambada.
Pepa muitas vezes saiu integrando a comissão de frente no desfile dos Préstitos da terça-feira gorda. Nesse mesmo ano seguiu com o marido para a cidade de Campos-RJ, onde se apresentou em teatros.
Encerrou sua carreira artística em 1924, aos 37 anos de idade. Foi ela quem solicitou a Fred Figner, proprietário da Casa Edison e diretor-geral da Odeon Brasileira, que doasse um terreno em Jacarepaguá para construir o Retiro dos Artistas, situado na Rua dos Artistas, ainda hoje em funcionamento.
Fonte: Cantoras do Brasil - Pepa Delgado

Marcadores: , , , ,


Otília Amorim

0 comments

A atriz e cantora Otília Amorim nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 13/11/1894 e faleceu em São Paulo/SP, circa 1970. Estudou num colégio de freiras, até que dificuldades financeiras da família levaram à interrupção de seus estudos.
Estreou como artista em 1910 atuando como atriz no filme Vida do Barão do Rio Branco, de Alberto Botelho. No ano seguinte estreou como corista no Teatro de revistas com Peço a palavra, no Teatro Carlos Gomes do Rio de Janeiro.
Era uma completa atriz de revista. Dançava, era caricata, representava, era bonita e desembaraçada, com total domínio da platéia, foi, segundo o poeta Orestes Barbosa, "a precursora do samba no palco". Grande dançarina de maxixes, seu primeiro papel importante foi de Olga na opereta Ela encenada no antigo Teatro Chantecler.
Trabalhou em muitas companhias teatrais, dentre as quais a de Carlos Leal e Procópio Ferreira. Trabalhou com Leopoldo Fróes, com quem excursionou pela Bahia e Pernambuco, até ingressar no Teatro São José, onde estreou em 1918, na burleta Flor do Catumbi, de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt, com música de Júlio Cristóbal e Henrique Sánchez.
Em 1919, voltou ao cinema, atuando nos filmes Alma sertaneja e Ubirajara, ambos de Luís de Barros. No ano seguinte, apresentou-se no Teatro São José cantando com grande sucesso, ao lado de Álvaro Fonseca a marcha Pois não, de Eduardo Souto e Philomeno Ribeiro, no quadro Gato, Baêta e Carapicu, na revista Gato, baeta e carapicu, de Cardoso de Meneses, Bento Moçurunga e Bernardo Vivas.
Em 1922 , exibiu-se com sua própria companhia no Teatro Recreio, excursionando em seguida por São Paulo e Rio Grande do Sul. Na revista Se a moda pega, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses com música de Henrique Vogeler, encenada em 1925 no Teatro João Caetano, interpretou a marcha Zizinha, de Freitinhas.
Sua discografia é pequena, e se iniciou somente em 1931, com cinco discos para a Victor, de onde se destacam o samba Eu sou feliz e o samba batuque Nego bamba, ambos de J. Aimberê. Neste mesmo ano, participou do filme Campeão de futebol, de Genésio Arruda. Ainda na mesma época, gravou do maestro pernambucano Nelson Ferreira, o samba Tu não nega sê home.
Em 1932 estreou no Teatro recrio a revista Calma, Gegê!, onde interpretou o grande sucesso da temporada, a marcha Gegê, de Getúlio Marinho. No mesmo ano gravou na Columbia a marcha Napoleão, de Joubert de Carvalho.
O escritor e musicólogo Mário de Andrade, no Compêndio de História da Música, relacionou entre seus sambas preferidos, quatro gravados por ela: Nego bamba, Vou te levar, Eu sou feliz e Desgraça pouca é bobagem.
Após casamento com empresário paulista, retirou-se da vida artística. Em 1963, recebeu a medalha Homenagem ao Mérito, da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, por sua dedicação ao teatro brasileiro. Em 1989, o selo Revivendo lançou o LP Sempre sonhando com interpretações suas e de Gastão Formenti, Alda Verona, Raul Roulien.
Fonte: Cantoras do Brasil - Otília Amorim

Marcadores: , , , , ,


Olga Praguer Coelho

0 comments

Olga Praguer Coelho, soprano e violonista, nasceu em Manaus, AM em 12/8/1909. Sua iniciação musical foi feita pela mãe. Em 1920, a família transferiu-se para Salvador. Em 1923 estabeleceram-se no Rio de Janeiro, num casarão situado na Rua das Laranjeiras. Posteriormente, em 1927, teve aulas de violão com o cantor e violonista Patrício Teixeira.
Em 1928 Patrício Teixeira a levou para a Rádio Clube do Brasil. No ano seguinte, realizou sua primeira gravação para a Odeon, registrando a embolada A mosca na moça, de motivo popular e o samba do norte Sá querida, de Celeste Leal Borges. Nessas gravações foi acompanhada pelos violões de Patrício Teixeira e Rogério Guimarães.
Ainda em 1929, passou a estudar sob a orientação do compositor Lorenzo Fernandez, com quem teve aulas de teoria, harmonia e composição. Em 1932, ingressou no Instituto Nacional de Música, estudando sob a orientação de Lorenzo Fernandez. Concluiu o curso rapidamente, diplomando-se no ano seguinte. Passou então a tomar aulas de canto com Riva Pasternak e Gabriella Bezansoni. Casou-se com o poeta Gaspar Coelho.
Em 1930, lançou mais três discos pela Odeon dos quais se destacam os motivos populares Puntinho branco, com versos de Olegário Mariano, Morena, com versos de Guerra Junqueiro e a canção Vestidinho novo, de Joubert de Carvalho.
Em 1935, assinou contrato de exclusividade com a Rádio Tupi do Rio de Janeiro e São Paulo. No mesmo ano, apresentou-se em Buenos Aires na Argentina, quando da visita do Presidente Vargas aquele país. No ano seguinte, gravou 7 discos na Victor (14 músicas), entre as quais adaptações de canções tradicionais - tipo de trabalho que caracterizaria sua carreira artística, como a modinha Róseas flores e o lundu Virgem do rosário além da canção Luar do sertão, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense e a modinha Gondoleiro do amor, de motivo popular com versos de Castro Alves.
Gravou ainda com Pedro Vargas o lamento Canto de expatriação, de Humberto Porto e o acalanto Boi, boi, boi, de motivo popular com adaptação de Georgina Erisman. Ainda no mesmo ano, foi indicada pelo governo Vargas como Embaixatriz do Brasil no Congresso Internacional de Folclore realizado em Berlim na Alemanha.
Em 1937, seguiu para Europa, onde teve aulas de canto com Rosner. Em 1938, lançou mais um disco na Victor com o registro da modinha Mulata tema popular com versos de Gonçalves Crespo e a macumba Estrela do céu, uma adaptação sua de um motivo popular.
Em 1939, apresentou-se em Lisboa, empreendendo em seguida uma turnê pela Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Em 1942 gravou na Victor o coco Meu limão, meu limoeiro, do folclore brasileiro e a modinha Quando meu peito..., de domínio público.
Em 1944, conheceu o violonista espanhol Andres Segovia (1893-1987) com quem passou a viver. Segovia lhe dedicou várias transcrições e arranjos para canto e violão. Passou desde então a residir em Nova York e empreendeu uma vitoriosa carreira artística internacional. Freqüentou a elite musical européia tendo sido apresentada na França pelo compositor Darius Milhaud, na Itália por Mario Castelnuovo-Tedesco, em Estocolmo por Segóvia e em Nova York por Sergey Koussevitzky e Aaron Copland.
Vários compositores lhe dedicaram obras e transcrições para voz e violão, destacando-se no conjunto dessas a da famosa "Bachianas nº 5" de Villa Lobos (original para oito violoncelos), feita especialmente para ela, que contava com o apoio da esposa de Villa Lobos, Dª Mindinha, para convencê-lo a tal empreendimento. A obra foi estreada com enorme sucesso em concerto no Town Hall em Nova York, contando com a presença de Segóvia e Villa-Lobos na platéia.
Em 1956, jornais de várias nacionalidades destacaram a beleza de sua arte. Para o "Le Figaro", ela possuía "uma bela voz, uma extraordinária musicalidade a serviço de um repertório único". No "New York Times" recebeu crítica do famoso musicólogo americano Olin Downes, dizendo que "cantando Villa-Lobos, o legendário pássaro uirapuru brasileiro, Olga também toca seus acompanhamentos de guitarra com a maestria que aprendeu de Segovia. Um alcance extraordinário de voz e de repertório. A maior folclorista que este crítico já encontrou".
Na velhice, passou a viver em um apartamento na Rua das Laranjeiras, num prédio construído no lugar do casarão onde morou com sua família na sua juventude.
Fonte: Cantoras do Brasil - Olga Praguer Coelho

Marcadores: , , ,


Norival Reis

0 comments

Norival Reis (Norival Torquato Reis), compositor e instrumentista, nasceu em Angra dos Reis/RJ em 24/3/1924. Criado em Dona Clara, bairro situado entre os subúrbios cariocas de Madureira e Osvaldo Cruz, freqüentou desde pequeno o G.R.E.S. da Portela e o G.R.E.S. Império Serrano.
Começou a trabalhar na gravadora Continental, e, influenciado pelo convívio com vários compositores, decidiu-se a compor. Em 1945, fez sua primeira marchinha, Até vestida, realizando logo depois O barão. De sua autoria foram gravados com sucesso Hoje ou amanhã (com Rutinaldo de Morais), pela dupla Joel e Gaúcho; A lua se escondeu (com Alcibíades Nogueira), por Rui Rei; e A saudade não foi leal (com Jorge Duarte), por Ângela Maria.
Em 1969 entrou para a ala dos compositores da Portela, levado por Cabana, com quem compôs Ilu ayê, samba-enredo dessa escola para o Carnaval de 1972, e em 1975, em parceria com Davi Antônio Correia, compôs Macunaíma, também samba-enredo vencedor.
Composições suas foram escolhidas como sambas-enredo ainda nos anos de 1983 (Hoje tem marmelada, com Jorge Macedo e Davi Antônio Correa) e 1984 (ABC dos orixás, com Dedé da Portela).
Estuda cavaquinho, toca um pouco de violão e é conhecido como um dos maiores especialistas em técnica de acústica e gravação de som, tendo ficado nacionalmente conhecido por ser o responsável pelo som personalizado do cavaquinho de Waldir Azevedo, para o qual criou um sistema especial de câmaras de eco improvisadas, antes de existir o aparelho no Brasil.
Obras: Amigo do rei (c/Alberto Rego), marcha, 1953; Barra da Tijuca (c/Irani Oliveira), samba, 1955; Hoje ou amanhã (c/Rutinaldo Silva), samba, 1952; Iaiá da Bahia (c/José Batista), batucada, 1957, Ilu ayê (Terra da vida) (c/Cabana), samba-enredo, 1972; A lua se escondeu (c/Alcíbiades Nogueira), marcha, 1952; Macunaíma (c/Davi Antonio Correia), samba-enredo, 1975; O morro canta assim (c/José Batista), samba, 1956; O samba é bom assim (c/Hélio Nascimento), samba, 1958; A saudade não foi leal (c/Jorge Duarte), samba, 1961.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

Marcadores: , , , ,


Nelson Ferreira

0 comments

Nelson Ferreira (Nelson Heráclito Alves Ferreira), o Moreno Bom, nasceu em 9.12.1902 na cidade de Bonito, PE, filho de vendedor de jóias e violonista amador e de professora primária. Aprendeu violão, piano e violino e já aos 14 anos compôs sua primeira música, a valsa Vitória, a pedido da Companhia de Seguros Vitalícia Pernambucana. Daí em diante mais valsas, foxes, tangos, canções, vindo a especializar-se no frevo.
Ainda jovem tocou em pensões alegres, cafés, saraus e nos famosos cinemas Royal e Moderno do Recife. Foi o pianista mais ouvido na época do cinema mudo. Nos primeiros anos do rádio foi convidado pelo pioneiro Oscar Moreira Pinto para ser o diretor-artístico da Rádio Clube de Pernambuco, onde, além de compor, fundou vários grupos e orquestras e apresentou os mais variados programas, atingindo, com o seu talento e versatilidade, todas as camadas sociais.
Formou a partir dos anos 40 uma Orquestra de Frevos, cuja fama extrapolou as fronteiras pernambucanas, conseguindo sucesso nacional. Também foi homem do disco, na função de diretor-artístico da Fábrica Rosenblit, selo Mocambo, instalada nos anos 50 no Recife, então a única gravadora fora do eixo São Paulo-Rio.
Seu sorriso aberto e franco, sua bondade, seu espírito nativo e criativo, valeram-lhe muitos amigos em todos os segmentos. Alguns até se tornariam seus parceiros musicais: Sebastião Lopes (o bom Sebastião), Ziul Matos, Aldemar Paiva e tantos outros famosos na radiofonia pernambucana. Compôs sete Evocações, apreciadas em todo o Brasil nas quais homenageou carnavalescos, velhos companheiros, jornalistas e imortais da poesia como Manuel Bandeira, e artistas da dimensão de Ataulfo Alves, Lamartine Babo, Francisco Alves, entre outros.
Nelson é um dos nordestinos que possui maior número de músicas gravadas dentro da discografia nacional, embora grande parte seja desconhecida do resto do Brasil. Sua produção, ao lado da de outros pernambucanos, como Raul e Edgar Morais, Zumba, Levino Ferreira, Irmãos Valença, Luiz Gonzaga e Capiba, e outros mais, é de importância enorme no estudo das manifestações músico-sócio-culturais da região.
Teve sua primeira música gravada, em ritmo de samba, Borboleta não é ave, no Odeon 122.381, pelo Grupo do Pimentel, concomitantemente pelo cantor Bahiano, no Odeon 122.384, como marcha, ambos os registros para o Carnaval de 1923.
No final dos anos 20 suas músicas são constantemente gravadas no Sul pelos artistas mais famosos: Francisco Alves, Almirante, Carlos Galhardo, Araci de Almeida, Joel e Gaúcho, Augusto Calheiros, Minona Carneiro, e, nos anos seguintes, por Dircinha Batista, Nelson Gonçalves, várias orquestras, além de intérpretes pernambucanos do maior valor, no Recife, como Claudionor Germano e Expedito Baracho.
Sua importância como autor vai além dos frevos, já que compôs valsas tão aplaudidas na região quanto as vienenses, que lhe valeram do escritor Nilo Pereira estas palavras: “Feiticeiro do piano, fixador dum tempo que as suas valsas revivem como se estivessem falando. Se meia-hora antes de sair o meu enterro tocarem as valsas de Nelson, velhas valsas tão íntimas do meu mundo, irei em paz, sonhando.”
Sua projeção nacional evidenciou-se de forma efetiva em 1957 através de sua Evocação nr. 1, frevo de bloco sucesso no Carnaval de todo o país, no qual resgata com saudade momentos inesquecíveis do Carnaval do Recife: “Felinto, Pedro Salgado/Guilherme Fenelon/Cadê seus blocos famosos?...”
A Mocambo, em 1973, resgatou em 4 LPs uma produção de 50 anos do querido maestro, abrangendo valsas e frevos de rua, de bloco e canção, coletânea documental que é um retrato da própria história sócio-cultural de Pernambuco. Em sua extraordinária obra, Nelson fez adivinhações, brincou de Boca de Forno, de Coelho Sai, fez evocações, cantou a sua Veneza Americana e seus tipos populares, registrou a Revolução de 30 e a Segunda Guerra Mundial, os momentos românticos, alegres e tristes, disse da natureza humana, da tradição e dos costumes de sua gente.
Antes de falecer fez questão de demonstrar a enorme gratidão que sentia pela cidade que o fez seu cidadão. “Olhar meu Recife/Amar a sua gente/Que a graça da bondade sempre me concedeu/Vivendo um mundo assim/De ternura e de beleza/Quanto é bom envelhecer/Assim como eu”. Ainda em vida foi homenageado por governadores, prefeitos, clubes e entidades, tendo recebido a condecoração presidencial de Oficial da Ordem do Rio Branco.
Casado desde 1926 com D. Aurora, sua musa inspiradora durante toda a vida, confessava que os maiores orgulhos de sua vida eram ser pernambucano e poder despertar para Aurora. Foram anos e anos de doce felicidade com o filho e depois os netos no antigo casarão da avenida Mário Melo, onde se encontra a praça Nelson Ferreira com seu busto.
Veio falecer em 21.12.1976, com 74 anos. Foi velado na Câmara Municipal e fez o itinerário em direção á última morada nos braços do povo e ao som dos seus frevos e evocações. O maestro Vicenti Fittipaldi declarou de certa feita: “Ele era como Mário Melo, Ascenso Ferreira, Valdemar de Oliveira, uma das instituições da cidade. Era, com sua música, aquilo que Garrincha foi com o seu futebol, a alegria do povo. Tenho plena convicção de que daqui a duzentos anos Gostosão e a Evocação serão tocados e cantados pela gente do Recife. Não serão mais de Nelson Ferreira, serão folclore, serão como Casinha Pequenina, Prenda Minha e o Meu Limão, Meu Limoeiro, que, sem dúvida, também tiveram um autor”.
Quando seus olhos se cerraram pela última vez, escreveu Gilberto Freyre no Diário de Pernambuco: “O vazio que deixa é o que nos faz ver como era grande pela sua música, pelo seu sorriso, pela sua fidalguia de pernambucano.”
Renato Phaelante da Câmara

Marcadores: , , , , ,


Pena Branca e Xavantinho

0 comments

Pena Branca e Xavantinho
A dupla formada pelos irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca), nascido em Uberlândia (MG), em 1939, e Ranulfo Ramiro da Silva (Xavantinho, Uberlândia, 1942-1999) é um raro caso de fidelidade às raizes caipiras no universo sertanejo atual.
Criado na roça com cinco irmãos, José Ramiro aprendeu "de orelha" no cavaquinho do pai antes de passar para a viola. A dupla com o irmão começou em mutirões, feiras, folias de reis e teve outros nomes como José e Ranulfo, Peroba e Jatobá, Zé Mirante e Miramar e até Xavante e Xavantinho.
Num festival organizado pelo sertanejo Zé Bétio, eles conquistaram o primeiro lugar e o direito de gravar uma música, Saudade, de Xavantinho, num compacto duplo em 1971. Em 1980, outra música de Xavantinho, Que Terreiro é Esse?, foi classificada para a final do festival MPB-Shell da TV Globo e a dupla finalmente estreou em LP, Velha Morada - Rodeio, já se distinguindo pela escolha do repertório: incluía entre as faixas a dissonante O cio da terra de Chico Buarque e Milton Nascimento.
A audácia de afrontar o comercialismo do mercado gravando material selecionado, das folclóricas Cuitelinho (recolhida por Paulo Vanzolini) e Calix Bento (recolhida e adaptada por Tavinho Moura) a Vaca Estrela e Boi Fubá (do cearense Patativa do Assaré), deu certo. Logo a dupla seria um dos esteios do programa de TV Som Brasil, apresentado pelo ator e intérprete Rolando Boldrin, que a incluiria em seus shows Brasil adentro.
Boldrin produziu o segundo disco dos dois, Uma Dupla Brasileira. Milton Nascimento cantou (e gravou) com eles o Cio da Terra, além de levá-los ao Teatro Municipal para o espetáculo em que recebia o Prêmio Shell, de 1986.
Além de Tavinho Moura, com quem Xavantinho faria Encontro de Bandeiras, a dupla foi ampliando sua participação na MPB em encontros (e gravações) com Fagner, Almir Sater, Tião Carreiro, Marcus Viana, entre outros.
Em 1990, eles ganharam o Prêmio Sharp de melhor música com Casa de barro, de Xavantinho e Moniz, e de melhor disco, Cantadô do mundo afora. Dois anos depois, ao vivo em Tatuí levaram outro Sharp de melhor disco e também foram escolhidos pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
Sempre mesclando repertório matuto, clássicos da MPB e obras de lavra própria, PB & X gravaram de Mário de Andrade, Viola quebrada, a Ivan Lins e Vitor Martins, Ituverava, Caetano Veloso, O ciúme, e o Uirapuru (Murilo Latini/Jacobina), sucesso do grupo Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano em Violas e Canções, de 1993, ano em que os dois excursionaram também aos EUA.
Em Pingo d'água (1996), o rei do baião Luiz Gonzaga, A vida do viajante, convive com os caipiras históricos João Pacífico e Raul Torres da faixa título. E no Coração matuto (1998), entram Djavan, Lambada de serpente, Milton Nascimento, Morro Velho, com participação do próprio, e até Guilherme Arantes, Planeta Água.
Já sem o irmão, falecido no ano anterior, Pena Branca prosseguiria solo em Semente caipira (2000). Congregando de Tom Jobim e Luiz Bonfá, Correnteza, a Renato Teixeira, Quando o amor se vai, Joubert de Carvalho, Maringá, e composições próprias, Casa amarela, Rio abaixo vou viver, o disco de Pena Branca mantém acesa a chama de integridade que marcou a trajetória da dupla e continua lhe servindo de farol.
Tárik de Souza / ENSAIO / 21/2/1991

Marcadores: , , ,



Hermínio Bello de Carvalho nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1935. Neto de violeiro e filho de ator, morava no bairro da Glória quando começou a freqüentar reuniões na casa do músico Burle Marx, onde conheceu Claudete Soares e Helena de Lima.
Adolescente, gostava muito de música clássica, tendo sido presidente do Centro Cívico Carlos Gomes, de sua escola. Aos 14 anos, cantava em coro de igreja e, em 1958, começou sua carreira na Rádio MEC, do Rio de Janeiro, tendo escrito, entre outros, os programas Violão de Ontem e de Hoje, Reminiscências do Rio de Janeiro, Retratos Musicais e Concertos para a Juventude.
Agitador cultural, poeta, produtor musical, compositor e descobridor de talentos, desde cedo Hermínio conviveu de perto com a música e com os músicos brasileiros. Em 1962, publicou seu primeiro livro de uma série de cerca de 20 que viriam depois, entre eles poesias e crônicas dos personagens da MPB.
Em 1964, com a inauguração do bar Zicartola, no Rio de Janeiro, aproximou-se de Cartola e de alguns de seus futuros parceiros como Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Mauricio Tapajós, com quem fez sua primeira música, Mudando de conversa.
No ano seguinte, dirigiu um musical que marcou época, Rosa de ouro, apresentado no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, que contou com a participação de Clementina de Jesus e Araci Cortes, acompanhadas pelo conjunto Rosa de Ouro, liderado por Paulinho da Viola e Elton Medeiros, que se consagrariam a partir desse show. O musical foi transformado em disco gravado ao vivo – Rosa de Ouro, volume I –, considerado por unanimidade o melhor do ano.
Ainda em 1965 promoveu, com Edu Lobo, no Teatro Jovem, a Feira de Música Popular, reunindo nomes como Nara Leão, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Torquato Neto, realizou palestras sobre Villa-Lobos, em Lisboa, Portugal, Madrid, Espanha, e Paris, França, e compôs com Zé Keti o samba Cicatriz. Produziu mais de cem discos, como os de Radamés Gnattali, Dalva de Oliveira, Pixinguinha e Eliseth Cardoso. Foi o primeiro a fazer discos de Cartola, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça.
Na primeira metade da década de 1960, dedicou-se a poesia, lançando vários livros: Chove azul em teus cabelos, Rio de Janeiro, 1961; Ária e percussão, Rio de Janeiro, 1962; Novíssima poesia brasileira, Rio de Janeiro, 1963; e Poemas do amor maldito, Rio de Janeiro, 1964.
A partir de 1964, iniciou movimento de integração da música popular e erudita, produzindo concertos mistos, num dos quais apresentou pela primeira vez em público Clementina de Jesus, acompanhada pelo violonista clássico Turíbio Santos.
Deixou a Funarte em 1989 após 13 anos no cargo de diretor adjunto da Divisão de Música Popular Brasileira. Neste período, esteve à frente dos seguintes projetos: Almirante, de recuperação de arquivos e gravação de discos pouco comerciais; Lúcio Rangel, de biografias de MPB; e, o mais conhecido, o Pixinguinha, de shows, uma reedição nacional do Projeto Seis e Meia, que reuniu duplas inesquecíveis para cantar pelo país. Foi membro fundador do Conselho de Música Popular do Museu da Imagem e do Som (MIS).
Em 1978 recebeu o Troféu Estácio de Sá, do MIS, por ter sido a personalidade que mais prestou serviços à musica naquele ano. Apresentou na TVE o musical "Água Viva", de 1976 a 1977 e de 1981 a 1983. Na comemoração dos seus 60 anos, em 1995, foi homenageado com shows e a exposição Isso é que é viverHomenagem aos 60 anos de Hermínio Bello de Carvalho, do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, quando autografou seu livro Umas e Outros.
Ainda em 1995 foram lançados o livro Sessão Passatempo pela Relume-Dumara, RJ, em que conta histórias sobre personalidades da música popular e dois CDs Alaíde Costa canta Hermínio Bello de Carvalho, com canções remasterizados do LP de 1982 e composições novas como a inédita O sabiá e o vento (com Vicente Barreto), e a coletânea de sua obra na série Mestres da MPB, da Warner, em que participam intérpretes como Dalva de Oliveira, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso e Gal Costa.
Em 1997 idealizou o Centro de Memória da Mangueira, para a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro.
Fonte: Educarede

Marcadores: , , ,


Paulo Soledade

0 comments

Paulo Soledade (Paulo Gurgel Valente do Amaral) nasceu em 1919 Paranaguá, PR, e morreu em 1999 no Rio de Janeiro, RJ. Compositor, produtor de shows, empresário. Interessou-se por música desde a infância, mas sua primeira atividade artística foi como ator.
Em fins da década de 1930, trabalhou em um pequeno grupo onde atuavam Gustavo Dória, Luísa Barreto Leite, Ziembinski, entre outros. Na década de 1940, viajou para os Estados Unidos para realizar curso de piloto de caça. Regressou como tenente da Força Aérea Norte-Americana, ingressando posteriormente em uma companhia aérea comercial como comandante. Manteve-se nessa função por um período de sete anos, abandonando-a por problemas de saúde.
Fundou no Rio de Janeiro o "Clube dos Cafajestes", grupo de boêmios que ficou famoso com o "Hino dos cafajestes" que ele compôs para grupo. Nessa época atuou também como produtor de shows.
Em 1950, teve sua primeira composição gravada, a marcha Zum zum, com Fernando Lobo lançada por Dalva de Oliveira. Foi um grande sucesso do Carnaval. Nos anos seguintes, teve muito êxito com as composições feitas em parceria com Marino Pinto, Fernando Lobo e outros. Suas músicas foram gravadas por cantoras como Araci de Almeida, Eliseth Cardoso, Linda Batista, Emilinha Borba.
Em 1961, abriu a Boate "Zum-Zum", onde apresentava produções de Aloysio de Oliveira, quase sempre ligadas ao novo movimento musical carioca – a Bossa Nova –, do qual participavam artistas como Sylvia Telles, Lenie Dale e Vinícius de Moraes. Data dessa época a marcha-rancho Estão voltando as flores, que logo se tornaria um hino nas noites cariocas.
Em 1980, teve as músicas O pato e O relógio, parcerias com Vinícius de Moraes, lançadas no LP "A Arca de Noé". No ano seguinte, as músicas O peru, O pinguim e A formiga, em parceria com Vinícius de Moraes, foram gravadas no disco "A arca de Noé volume 2".
Em 1990, no projeto "O Som do Meio-Dia" foi apresentado espetáculo em sua homenagem, no qual suas obras foram executadas. Em 1996, Miltinho regravou Estão voltando as flores e Emílio Santiago fez o mesmo no ano seguinte.
Em julho de 2001, o crítico R. C. Albin homenageou-o no espetáculo "Estão voltando as flores", com as Cantoras do Rádio. O show virou disco de igual título, lançado em 2002 pela Som Livre. Dentre seus sucessos, destacam-se ainda Estrela do mar, com Marino Pinto, Insensato coração, com Antônio Maria, Já é noite, com Fernando Lobo e Sonho desfeito, com Tom Jobim, e as músicas infantis como O pato.
Fonte: Educarede - Paulo Soledade

Marcadores: , ,


MPB-4

0 comments

MPB-4
Rui Alexandre Faria, nascido em Cambuci, em1938, Milton Lima dos Santos Filho, de Campos, 1944, Antônio José Waghabi Filho, de Itaocara, 1945, e Aquiles Rique Reis, de Niterói, 1949, todas cidades do Estado do Rio de Janeiro, formam o mais antigo conjunto de que se tenha notícia, no mundo, a manter, desde a criação, os mesmos integrantes.
Rui, Miltinho e Aquiles criaram o grupo em 1962, em Niterói, e a eles juntou-se, em seguida, Waghabi - que, pelo tipo físico, tinha o apelido de Magro, que mantém ainda hoje. No início, eram o Quarteto do CPC, pois apresentavam-se nos espetáculos promovidos pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes.
Foi Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que os batizou de MPB-4 - e nascia, aí, a sigla MPB, para designar aquele tipo de música popular brasileira voltada para a história urbana da constituição da música popular.
O primeiro disco, um compacto - aqueles disquinhos com uma música de cada lado - saiu em 1964. No ano seguinte eles juntaram as quatro vozes com as das meninas baianas, descobertas por Aloísio de Oliveira, do Quarteto em Cy, num espetáculo montado em São Paulo por Chico de Assis.
Chico de Assis foi um dos incentivadores do jovem Chico Buarque de Hollanda e entra nessa história não só por haver aproximado o xará Buarque do MPB-4 quanto por haver dado o ultimato aos meninos fluminenses: ou vocês largam a faculdade e resolvem fazer música profissionalmente, em tempo integral, ou é melhor desistir. Eles largaram a faculdade, depois de uma reunião - que varou a noite - realizada ali no então célebre bar Redondo, na Av. Ipiranga, em São Paulo.
Começava uma das histórias mais bonitas e íntegras da canção brasileira. Com uma formação de extrema simplicidade - o violão de Miltinho, a tumbadora do Magro, um eventual chocalho de Aquiles e a voz de Rui (inicialmente era só isso), o grupo alcançou um grau de sofisticação que poucas vezes um quarteto vocal conseguiu.
O uníssono é perfeito, as vocalizações (quase sempre escritas por Magro) mudaram o conceito de arranjo vocal e ainda hoje constituem a fórmula em que se baseiam os arranjos vocais. Trabalharam - em shows, peças de teatro, comícios, ou que manifestação tenha sido importante para nossa história recente - com os maiores artistas de seu tempo (houve época em que Chico Buarque não entrava em palco sem eles) e o conjunto de seus discos memoráveis forma uma antologia do que melhor se produziu na MPB - afinal, eles são homônimos da sigla e de certa forma responsáveis por ela - nos últimos 40 anos.
Mauro Dias / MPB ESPECIAL / 4/6/1973

Marcadores: , , , ,


Época de Ouro

0 comments

Em 1964, quando Jacob do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt) resolveu reunir em torno de si os melhores executantes dos conjuntos regionais das rádios e estúdios de gravação do Rio de Janeiro, não poderia ter sido mais feliz na escolha do nome do grupo.
Época de Ouro retrata não só o momento raro da música popular brasileira ao qual se refere o nome, como o faz da maneira mais brilhante, mais virtuosa que se poderia encontrar no gênero.
Eram famosos os ensaios no casarão de Jacarepaguá, o castelo de Jacob. O menino Paulinho da Viola acompanhava o pai, o senhorial violonista César Farias, carregando o violão para ter o privilégio de sentar-se silenciosamente a um canto e ouvir os deuses.
Sentados em semicírculo ("chorão" tem de ver as caras dos companheiros, tocar "namorando"), liderados pelo bandolim, lá estavam, além do seis cordas de César, o solene sete-cordas de Horondino Silva, o Dino, o outro "seis" de Carlinhos, o estupendo cavaquinho de Jonas e o pandeiro cantabile de Gilberto.
Passava-se uma vez a melodia, luzes acesas. A segunda era no escuro. Terminada, o vozeirão de Jacob corrigia cada raro erro, que não escapava nenhum a seu ouvido. O mestre só se contentava com a perfeição. Os crescendos e diminuendos maravilhosos em Noites cariocas, por exemplo, são frutos de muito ensaio e burilamento.
Damásio entrou no lugar de Carlinhos. Jorge assumiu o pandeiro de Gilberto. Jacob morreu e seu aluno Deo Rian empunhou o bandolim, e o Época de Ouro continuou a cintilar belezas sonoras.
Qualquer apresentação do grupo sempre foi garantia de música brasileira de primeiríssima qualidade. Mantida por sua formação atual, de que fazem parte os originais Dino e César, mais o também antigo Jorge no pandeiro, Ronaldo no bandolim, Jorge Filho, cavaquinho, e Toni no segundo violão de seis cordas.
Arley Pereira /ENSAIO / 23/5/1997

Marcadores: , , ,


Zé Keti

0 comments

"O Zé ficou quietinho?" - A pergunta da mãe, quando voltava do trabalho, era infalível. E como o moleque Zé sempre ficava quietinho, virou Zé Quieto, logo em seguida, Zé Keti.
Neste século que se finda, na raiz da maioria das coisas boas que aconteceram no ramo samba da árvore da música popular brasileira, tem o dedo de Zé Keti, o compositor que se tornou um dos símbolos de sua escola de samba, a Portela, guardiã da cultura popular e menestrel maior de Madureira, a capital dos subúrbios da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Nascido em 1921, José Flores de Jesus fez do bairro carioca de Bento Ribeiro e contornos o seu reinado. Ninguém cantou a Portela como ele, ninguém soube compreender a beleza e a importância do mar em azul e branco que cobre a passarela a cada carnaval, vencendo ou não a competição com as co-irmãs. Zé era portelense e deixou isso bem claro em suas rimas e harmonias.
Criador perfeito em A voz do morro, crítico social em Acender as velas, lírico em Máscara negra, boêmio em Diz que eu fui por aí, cronista em Malvadeza durão, historiador em Jaqueira da Portela, ator de teatro no show divisor de águas Opinião e de cinema em Rio, 40 Graus e A Grande Cidade, Zé Keti tinha a generosidade entre outras de suas qualidades.
Foi ele, quando diretor musical do restaurante Zicartola - outro marco cultural carioca e brasileiro -, que lançou dois novos compositores: Elton Medeiros e o menino (também portelense) Paulo César Batista de Faria, a quem Zé batizou como Paulinho da Viola e para o qual profetizou a carreira que ajudou a consolidar, até mesmo dando a ele para gravar jóias como As moças do meu tempo.
Aos 78 anos, vitimado por uma parada cardíaca, Zé Keti morreu no hospital da Venerável Ordem Terceira Penitência, no bairro suburbano da Tijuca, no seu Rio de Janeiro, na manhã de 14 de novembro de 1999.
Arley Pereira /MPB ESPECIAL / 4/7/1973

Marcadores: , ,


Eliana Pittman

0 comments

Eliana Pittman

Eliana Pittman (Eliana Leite da Silva), cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 14/8/1945. Nascida no bairro de Botafogo, mas criada em São Paulo, sempre quis ser artista, tendo recebido apoio e grande influência musical do saxofonista Booker Pittman, de quem se tornou enteada aos 11 anos (ele foi o segundo marido de sua mãe, Ofélia).
A afinidade do músico pela filha adotiva era muito forte, e foi ele quem começou a lhe transmitir ensinamentos musicais. Logo, passou também a estudar canto, e aos 13 anos ja estreava como crooner, ao lado de Booker Pittman, na boate carioca Little Club, no Beco das Garrafas, cantando musicas norte-americanas e bossa nova, embora não tivesse participado desse movimento.
Em 1963, fez sua primeira viagem ao exterior, realizando temporada no Casino Philips, na Argentina. Logo depois, gravou no Brasil, com Booker Pittman, o LP New Sound Brazil Bossa Nova. Convidada por Jack Parr para participar de seu programa de televisão, em Nova York, foi para os EUA, com Booker Pittman e Ofélia, fazendo estudos de empostação de voz com Fred Steai, professor de cantores como Sammy Davis Jr.
A apresentação no programa de Jack Parr deu-lhe oportunidade de assinar contrato com a agência artística William Morris. Contratada pelo Play Boy Club, realizou uma tournée por 14 Estados norte-americanos, apresentando-se em shows individuais. De volta ao Brasil, em 1965, percorreu o país durante quatro anos, firmando-se assim como cantora.
Gravou, em 1966, Tristeza (Niltinho), samba que foi o seu primeiro sucesso, mas no ano seguinte, quando Booker Pittman adoeceu gravemente, chegou a pensar em abandonar a carreira. Por insistência dele próprio, resolveu continuar, gravando o LP É preciso cantar e apresentando-se no show com o mesmo titulo, no Teatro de Bolso, no Rio de Janeiro.
Durante três anos, a partir de 1968, participou de vários programas especiais em televisões da Argentina, Venezuela, Portugal, República Federal da Alemanha, Suécia, Espanha, Itália e França, onde foi convidada, em 1970, para ser, ao lado de Sacha Distel, a apresentadora oficial do MIDEM, realizado em Cannes.
No mesmo ano, fez um show no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, e, em 1972, gravou Esse mar é meu (João Nogueira), conseguindo grande destaque. Lançou, em 1974, o LP Tô chegando, já cheguei, onde incluiu Mistura de carimbo (Pinduca), ritmo do Pará, ao qual passou a se dedicar.

Marcadores: , ,


Cláudia Barroso

0 comments

Cláudia Barroso, cantora e compositora, iniciou carreira no disco nos anos 60, gravou Nenhum de vocês e Dio como ti amo, sem muito sucesso. No início dos anos 70 ficou nacionalmente conhecida como jurada do programa Sílvio Santos.
Nessa época teve um romance com o cantor Waldick Soriano. Quando voltou a gravar fez incrível sucesso, com seu temperamento forte e sem meias palavras; seus grandes sucessos são Ah se eu fosse você, Quem mandou você errar, Por Deus eu juro, A vida é mesmo assim, Mentiroso , O gavião, entre outros.
Dona de um carisma sem igual e de uma voz límpida de timbre sereno e encorpado, Cláudia Barroso é uma das principais intérpretes da música romântica que o país conhece... ou deveria conhecer. Com uma carreira pontuada por longos hiatos fonográficos, Cláudia obteve destaque a partir do álbum Dose Dupla que gravou ao lado do ídolo Waldick Soriano, lançado em Julho de 95.
Mas foi com Cláudia Barroso Ao Vivo que ela consagrou seu canto. Nesse registro, Cláudia interpreta músicas de sua própria autoria, assim como canções de Fernando Dias, Anastácia e Mário Lago.

Marcadores: ,


Toró de lágrimas

0 comments

Antônio Carlos e Jocafi
 A7+ E7/5+       A7+
Toró . . . . de lágrimas
Abm7 Db7 Gbm7
Foi o retrato doído que você deixou
B7 Bm7
Foi um momento de sede que a fonte secou
E7
Ai de mim

A7+ E7/5+ A7+
Toró . . . . de lágrimas
Abm7 Db7 Gbm7
Foi o amor programado por computador
B7 Bm7
Tanta lembrança bonita e você não guardou
E7
Ai de mim

A7+ Dbm7 G6 Gb7
O seu amor fabricado que fez por fazer
Bm Gb7 Bm7
Angústia e desprezo, desmancha prazer
E7 A7+ E7/5+
No fundo, no fundo você não prestou
A7+ Dbm7 G6 Gb7
Um sentimento emprestado perdeu seu valor
Bm Gb7 Bm7
Eu compro esta briga e não faço favor
E7 A
No fundo, no fundo, você não prestou

Marcadores: , ,


Dona de casa

0 comments

Antônio Carlos e Jocafi
C      C7       F
dona da casa, ando adoentado
G7 C
ressabiado, sem o seu amor
E7 Am Dm
ah, agora é tarde, a inês é morta
G7 C G7
abre essa porta, vem se apaixonar
C C7 F
dona da casa, destino malvado
G7 C
tá do meu lado, não tente escapar
E7 Am Dm
ah,agora é tarde, a inês é morta
G7 C
abre essa porta, vem se apaixonar
G7 C Dm
ó...dona da casa, por nossa senhora
G7
dai-me o que beber
C
senão eu vou-me embora

Marcadores: , ,


Shazam

0 comments

Antônio Carlos e Jocafi
       G               C           G
Ei, Shazam, herói de revista em quadrinhos
C D7
Ei, Shazam, valete de espadas do amor
G C D7
Ei, Shazam, aprendi a sorrir com você


G C D7
Nada sei, o que sei foi você que ensinou
Em C G
Escapei por milagre, você me ajudou
C G
Do perigo você me salvou
C D7
Ei, Shazam, meu herói é você



G C D7
Ei, Shazam, é que a vida lhe fez professor
G C D7
Com você é que o mundo precisa aprender
Em C G
As matérias que todos deviam saber
C G
Pois você tem diploma de amor
C D7
Ei, Shazam, meu herói é você

Marcadores: , ,


Ossos do ofício

0 comments

Antônio Carlos e Jocafi
F                                 Gm  C   F
Para viver um grande amor faria
Dm Gm C F
Todo e qualquer sacrifício faria
Dm Gm C F C7
São os ossos do ofício sabia


F Em A7 Dm Em Dm
Saiu sexta-feira da paixão pediu ao amigo um gole de café
Gm C F Gm C F Em A7 Dm Em
Perguntou pelo jornal sorriu um sorriso que não convenceu
A7 Dm Gm C F Gm C F C7
Deu-lhe um beijo e desapareceu pela porta principal segura

F
Para viver...

F Em A7 Dm Em A7 Dm
Saiu sexta-feira da paixão fugiu na bagagem levou sua fé
Gm C F Gm C
um vestido e um colar
F Em A7 Dm Em A7 Dm
Deixou um recado como explicação um retrato como recordação
Gm C F Gm C F C7
não deu bola pro azar
F
Para viver...

Marcadores: , ,


Fraqueza

0 comments

Antônio Carlos e Jocafi
F#7  Bm7          E7              A6
Errei, quero uma chance pra recomeçar
C#m F#7 Bm
Dizem que pau que nasce torto morre torto
Bm7 E7 A6 E7/9+
Ah! Eu não sou pau posso me regenerar

A Em3b F#7 Bm Bm6b C#7
Aceitei tudo que você falou
F#m Bm6b C#7 F#m
Ouvi pelo menos dessa vez
B7 E7
Perdoa um malandro ciente dos erros que teve na vida

A Em3b F#7 Bm Bm6b C#7
Judiei, mas como eu sofri demais
F#m Bm6b C#7 F#m
Paguei pelo menos dessa vez
B7 E7
Perdoa um malandro ciente dos erros que teve na vida

Marcadores: , ,


Encabulada

0 comments

Antônio Carlos e Jocafi
G
Adeus, namorada
Em Am D7 G D7
Que, encabulada, pediu licença e saiu
G
Adeus, madrugada
Em Am D7 G
Que, encabulada, pediu licença e partiu
B7 Em
Ah! Você tem manias de segredo
A7
Se empolgou e fez brinquedo
D7
Se enturmou no desamor
G Am G
Ah! Você, com esse amor mal assombrado,
Am
Já não vale os meus trocados
D7 G
Nem merece a minha dor.

Marcadores: , ,


Desacato

0 comments

Desacato (1971) - Antônio Carlos e Jocafi
                  A7M
Inofensivo aquele amor
Que nem sequer se acomodou
Bbº Bm7
Já morreu
Quem destratou a ilusão
E7
Quem freqüentou meu coração
A7M
Não fui eu
Não adianta me envolver
Nas artimanhas que você
Bbº Bm7
Preparou
E vá tratando de esquecer
E7
Leve os breguetes com você
A7M
Me zangou

E7 F#m C#m7
Por isso agora deixa estar
Bbº Bm7 E7 A7+
Deixa estar que eu vou entregar você.

Marcadores: , ,


Antônio Carlos e Jocafi

0 comments

Antonio Carlos & Jocafi
Antônio Carlos e Jocafi - Dupla vocal formada pelos compositores Antônio Carlos Marques Pinto (Salvador/BA 1945-) e José Carlos Figueiredo (Salvador 1944—). Atuaram isoladamente até 1968, tendo Antônio Carlos composto Festa no terreiro de Alaketu, que foi apresentada por Maria Creusa, em 1967, no III FMPB da TV Record, de São Paulo SP.
Em 1969, já como parceiros, inscreveram no V FMPB a música Catendê, interpretada por Maria Creuza, que a gravou em 1971. Com a mesma música, participaram em 1970 de um festival do Nordeste.
No Rio de Janeiro, a dupla foi logo contratada pela RCA, gravando, ainda em 1971, Você abusou (várias vezes regravada), Mudei de idéia e Desacato, que obtiveram grande sucesso. Desde então a dupla participou de vários festivais e apresentou-se com êxito no Brasil e no exterior.
Em 1974, além da repercussão de suas músicas Toró de lágrimas (com Calazans) e Dona Flor e seus dois maridos, classificou-se em segundo lugar no primeiro World Popular Song Festival, de Tóquio, Japão, com a música Diacho de dor.
A dupla continua realizando shows e gravando. Entre seus discos mais recentes destaca-se Samba, prazer e mistério (selo RCA, 1994), relançado pela etiqueta Sky Blue, em 1997, e que reúne regravações de sucessos antigos e músicas novas como Vá brincando e Negócio de cumadre.
Algumas músicas cifradas: Desacato, Dona de casa, Encabulada, Fraqueza, Ossos do ofício, Toró de lágrimas, Shazam.
Obras: Desacato, 1971; Desmazelo (c/Tavares e Ildázio), 1972; Dona Flor e seus dois maridos, samba, 1974; Mas que doidice, 1971; Mudei de idéia, 1971; Negócio de cumadre, 1994; Perambulando, 1972; Super-Manoela (c/Heitor Valente), samba, 1974; Toró de lágrimas (c/Calazans), 1974; Vá brincando, 1994; Você abusou, 1971.

Marcadores: , , , ,


Normélia

0 comments

Roberto Silva

Normélia - Norberto Martins/Raymundo Olavo

Eu ando quase louco de saudade
É grande a minha amizade
É bem triste o meu viver

Normélia, vem matar minha saudade
Peço-te por caridade
Que amenizes o meu sofrer

Eu ando quase louco de saudade
É grande a minha amizade
É bem triste o meu viver

Normélia, vem matar minha saudade
Peço-te por caridade
Que amenizes o meu sofrer

Eu não condenei o teu ciúmes
Gosto do teu perfume
Quero sempre te adorar

Volta
Lembra-te daquele dia
Perante Santa Maria
Prometeste não me deixar.

Marcadores: ,


Roberto Silva

0 comments

Sua voz desliza numa implausível freqüência entre a síncope maliciosa de Ciro Monteiro e o romântico veludo de Orlando Silva. Na síntese, está no timbre de nobreza desse que, num dia perdido dos anos 40, foi ungido pelo locutor oficial da Rádio Tupi do Rio, Carlos José, como "O Príncipe do Samba" e que entre os plebeus Roberto e Silva esconde o imperial Napoleão de batismo.
Carioquíssimo, Roberto Silva nasceu no dia 9 de abril de 1920 e já aos 18 anos tentava a sorte no programa Canta Moçada, da Rádio Guanabara. Mas, só dois anos depois, teve sua chance na Mauá, de onde foi levado para a Nacional, o equivalente, hoje, à Rede Globo, pelas mãos dos compositores Evaldo Rui e Haroldo Barbosa.
Foi quando gravou seu primeiro disco, um 78 rpm, com os sambas O Errado Sou Eu (E. Andrade e Djalma Mafra), de um lado; de outro, Ele É Esquisito, de L. Guilherme, Walter Teixeira e R. Lucas. O grande sucesso, porém, viria um pouco mais tarde, quando já integrava o elenco da Tupi, a convite de Paulo Gracindo: Mandei Fazer um Patuá, de Raimundo Olavo e Norberto Martins, dupla que o abasteceria com outros êxitos, como Normélia, no qual Roberto brinca com as modulações no estilo que seria sua marca inconfundível.
Discreto, um tanto sisudo, Roberto Silva sempre se manteve à margem dos modismos, preferindo eternizar seus poucos sucessos e fazer uma releitura precisa dos clássicos, impressas na série antológica Descendo o Morro (dez elepês irrepreensíveis) que se iniciou em 1958 e varou as décadas de 60 e 70.
Ouvi-lo é o mesmo que abrir um baú de relíquias e surpreender-se com o frescor e a riqueza tão variada que dele exalam.
Alberto Helena Junior - ENSAIO - 27/12/1990

Marcadores: , ,


Mágoas

0 comments

"Essa canção, quando gravei, fez um sucesso de arromba, vendeu milhares e milhares de discos. Acontece que o sucesso foi tão grande que até ao suicídio chegou. Ouvindo essa música, suicidaram-se cinco apaixonados. Escrito por jornais e dito por cartas que esses apaixonados tocaram esse disco e depois liquidaram com a vida.
O nome dessa gente eu não sei, não, mas tem um que chama-se Ramiro e a pequena (tratamento dado às mocinhas, na primeira metade do século) chamava-se Lídia, mais ou menos isso, eu não me lembro bem, o nome certo não me lembro. Um foi em Campinas, outro foi em Limeira, outro foi em Curitiba, outro foi em Rio Bonito.
O ano foi de 1929, 1930, os suicídios foram em diversas épocas diferentes de um e de outro. Tanto é que a Carioca (revista que já não existe), do Rio, dá essa nota que está no meu álbum. E de Limeira estão até os dois, tem a fotografia, uma reportagem da Gazeta, os dois mortos na cama, ele com o revólver no peito".
(Paraguassu entrevistado pela TV Cultura, de São Paulo, para o programa MPB Especial, em 1974).
Mágoas - Paraguassu

Nunca mais um verso meu terás.
Nunca mais, oh, nunca mais.
Jurei matar esta cruel paixão fatal
Que tem feito tanto mal.
Eu não quero mais o teu amor,
Que tornou-me um sofredor,
Ensinou-me por maldade
A sofrer tanta saudade,
Tanta mágoa e tanta dor.
E por tudo quanto eu já sofri,
Pelos versos que eu te dei,
Adorar-te para sempre eu quis,
Mas fizeste-me infeliz.
Por que não tem dó de mim?

Marcadores: ,


Paraguassu

0 comments

Paraguassu (Roque Ricciardi) nasceu em 25/5/1894 na cidade de São Paulo/SP e faleceu em 5/1/1976 na mesma cidade. Seus pais, italianos tinham seis filhos. Ele seria o terceiro da escadinha e o primeiro a nascer no Brasil.
O falecimento de seu pai, dono de armazém e ferraria, abalaria a tranqüila vida familiar e eis o menino Roque encaminhado ao trabalho, como tipógrafo, por pouco tempo, e como seleiro, por muitos anos, chegando a mestre no ofício. Desde criança empolgava-se ele com a música e, ainda imberbe, após o trabalho, já se apresentava em cafés-cantantes, em serestas e nas rodas boêmias, de violão em punho.
Na virada do século, São Paulo era "uma cidade italiana", mas ele, mesmo falando perfeitamente o italiano e conhecendo as canções da terra de seus pais, só cantava modinhas brasileiras. Em 1908, o grande Eduardo das Neves, em temporada paulistana, teve a oportunidade de ouvi-lo no Café Donato e o convidou para participar do espetáculo que daria. Foi uma data inesquecível para o menino de 14 anos.
Contava Paraguassu que, em 1912, fez suas primeiras gravações, para o selo Phoenix, em São Paulo, mas esses discos, entretanto não têm sido localizados por nenhum colecionador. Comprovadamente, gravou na Casa Edison, em 1926/27, um total de sete discos com 14 músicas, ainda no sistema acústico ou mecânico.
Em 1923, inaugurada a Radio Educadora Paulista, foi o primeiro artista contratado da emissora. Três anos mais tarde, acusado de plagiar a valsa A pequenina cruz do teu rosário, de Fetinga e Fernando Weyne, submeteu-se a uma ação judicial que repercutiu por todo o país, comprovando-se o plágio que havia sido por ele gravado como Cruz do rosário, na Odeon.
Tinha por companheiros Alberto Marino e Canhoto, o qual conhecera "em plena rua, numa seresta". Em 1927, grava dois discos com duas músicas na Odeon, no início do processo elétrico de gravações. Em 1929, é convidado para formar no elenco da novel Colúmbia, São Paulo, sob a direção artística do maestro Gaó, um rapaz de 20 anos.
Paraguassu, embora na casa dos 34 anos, já representava a "velha guarda". Até esse momento, tinha aparecido nos seus discos como Roque Ricciardi. Cansado de ser chamado de Italianinho do Brás, escolhe ser "o Paraguassu", fazendo questão sempre dos dois "ss": "Aos poucos notei que aquele Italianinho do Brás ganhara um sentido pejorativo e resolvi adotar um nome brasileiro. Recordando nossos episódios históricos, lembrei-me dos índios Caramuru e Paraguassu e escolhi este último, que aliás não era índio, era índia".
Paraguassu, após os citados discos na Odeon, permaneceria na Colúmbia de 1929 a 1937, tendo nesse período gravado 77 discos com 146 músicas. Foi a sua fase áurea. Suas gravações, em seguida, iriam se espaçar cada vez mais: na R.C.A. Victor (1938), Odeon (1938), Colúmbia (1939 e 1942), Continental (1945 a 1949). Todamérica (1953) e Chantecler (1960), numa soma geral, de 101 discos com 192 músicas, em 78 rpm. Gravaria ainda Lps. comemorativos, em 1958 e 1969.
Algumas obras: Mágoas.
Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

Marcadores: , ,


Roberto Paiva

0 comments

Através de sua voz encorpada, os sambistas Geraldo Pereira e Nelson Cavaquinho estrearam em disco. Ele foi o primeiro a gravar a trilha da peça Orfeu do Carnaval de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além de interpretar um dos grandes sucessos do carnaval de todos os tempos, o samba de protesto O trem atrasou (Paquito/Estanislau Silva/Villarinho), depois regravado por Nara Leão.
Pelo nome da identidade - Helim Silveira Neves, carioca da Vila Isabel, nascido em 1921 - ninguém o conhece. Mas Roberto Paiva, o cantor, entrou para a história da MPB por todas essas e várias outras façanhas.
Começou como calouro na era do rádio (Club Fluminense, em Niterói). Depois, Ciro Monteiro o levou para a Mayrink Veiga. Aí conheceu o pianista Nonô e o violonista Laurindo de Almeida, que o apresentaram na gravadora Odeon, onde ele estreou em disco, aos 17 anos, em 1938. Elogiado pelo rei da voz Francisco Alves, no primeiro disco cantou composições dos padrinhos, Jardim de flores raras (Nonô/Francisco Mattoso) e Último Samba (Laurindo).
O início de carreira foi difícil, com o pseudônimo usado para burlar a resistência familiar (o pai queria que ele terminasse os estudos) e a conciliação do tiro-de-guerra (o serviço militar da época) com o contrato de cinco discos (78 rotações) por ano. Gravou Se Você Sair Chorando, a primeira de Geraldo Pereira, em cuja pauta Pixinguinha anotou elogios, e estourou no carnaval de 41 com O Trem Atrasou.
Também emplacou uma versão (de Paulo Roberto) que virou hino estadual, Vienne sul mare ("Ó Minas Gerais"). "Foi a maior praga da minha vida. Nunca fui a uma cidade, por menor que fosse, que não me pedissem para cantá-la", confessou numa entrevista em 1979, ao Jornal do Brasil.
Guiando-se sempre pela intuição na escolha das músicas dos mais variados estilos, ele também lançou Nelson Cavaquinho ("o nome não aparece nos discos porque ele vendia os sambas") e Luís Vieira (Alguém que Não Vem, um samba-canção, e depois o estouro, O menino de Braçanã). Emplacou ainda sucessos como Tagarela (1946), do xará Roberto Martins, o compositor que mais gravou (16 músicas), ao lado de Paquito (o do Trem e de outro sucesso, A Marcha do Conselho, de 1957), com 10, e Geraldo Pereira (8).
Em 1957, na era de transição do 78 para o LP, ele gravou um 10 polegadas com as músicas (de Tom Jobim) da peça (de Vinícius) Orfeu da Conceição, incluindo a estréia do samba-canção sinfônico Se todos fossem iguais a você.
Em mais um lance de pioneirismo, participou (com Francisco Egídio), em 1953, da primeira gravação em disco da polêmica entre Noel Rosa e Wilson Batista, refeita 11 anos depois em outra gravadora, com o caricaturista do samba, Jorge Veiga.
Com sua onipresença de sensibilidade interpretativa e bom gosto na escolha do repertório, o cantor Roberto Paiva marcou a história da MPB.
Tarik de Souza - ENSAIO - 5/6/1974

Marcadores: ,


João do Vale

0 comments

João do Vale dizia que no Maranhão, de onde veio, "o cara é Batista ou Ribamar". Ele era Batista, João Batista do Vale, nascido em Pedreiras no dia 11 de outubro de 1934, quinto numa família de oito irmãos. Até os 12 anos, vendia na rua os bolos que a mãe fazia. Aos 13, foi vender laranjas na feira de Praia Grande, em São Luís.
Chegou ao Rio como ajudante de caminhão, em 1950. Compunha desde menino, para o bumba-meu-boi de sua terra. Conseguiu gravar com o sanfoneiro Zé Gonzaga (Cesário Pinto) e com a cantora Marlene (Estrela Miúda). A convite do compositor Zé Keti, cantou no Zicartola, o restaurante musical que Cartola manteve no Centro do Rio, de 1963 a 1965.
O teatrólogo Oduvaldo Vianna Filho convidou-o a participar, ao lado de Zé Keti e da cantora Nara Leão, do show Opinião. Nara Leão adoeceu e foi substituída por Maria Bethânia, trazida da Bahia. A interpretação vigorosa que a jovem e desconhecida cantora deu a Carcará, de João do Vale, consagrou imediatamente a intérprete e o autor.
João do Vale, apresentou-se na Europa, nos EUA, em Cuba e Angola. Mas jamais pôde mudar-se de Rosa dos Ventos, bairro pobre de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em 1986, sofreu um derrame. Numa cadeira de rodas, voltou para Pedreiras. No dia 6 de dezembro de 1996, morreu num hospital de São Luís, após sofrer novo derrame (Moacyr Andrade - MPB ESPECIAL - 11/12/1974).
Algumas obras: Carcará, Coroné Antônio Bento, O canto da ema, Peba na pimenta e Pisa na fulô.

Marcadores: , ,


Nuno Roland

0 comments

Reinold Correia de Oliveira, o Nuno Roland (1/03/1913 – 20/12/1975) foi um dos grandes cantores da época de ouro do rádio brasileiro. Natural de Joinville, SC, começou a cantar profissionalmente em 1931 num cassino de Passo Fundo, RS e depois em Porto Alegre. Durante sua passagem pelo Rio Grande do Sul conheceu Lupicínio Rodrigues, de quem se tornou amigo.
Em 1934, seguiu para São Paulo onde fez grande sucesso se apresentado inicialmente na Rádio Record e depois na Rádio Educadora Paulista. Foi em São Paulo que adotou o nome artístico de Nuno Roland.

Em 24 de agosto de 1934, gravou na Odeon seu primeiro disco com as canções Pensemos num lindo futuro e Cantigas de quem te vê, de Ulisses Lelot Filho. Atuando principalmente como crooner de orquestras, passou a cantar vários gêneros musicais, inclusive estrangeiros.

Em 1936 mudou-se para o Rio de Janeiro onde assinou contrato com a Rádio Nacional, estreando na inauguração dessa emissora em 12 de setembro daquele ano.

Apesar de sua presença constante no rádio e no disco, só alcançou o sucesso em 1947, com a marcha carnavalesca Pirata da perna de pau, de João de Barro, gravada na Continental. Nessa gravadora, viveu a melhor fase de sua carreira, em que lançou os sucessos Fim de semana em Paquetá, Tem gato na tuba (ambas de João de Barro e Alberto Ribeiro), Tem marujo no samba (João de Barro), em dueto com Emilinha Borba, Lancha nova (João de Barro e Antônio Almeida) e os hinos dos clubes cariocas Botafogo e Olaria, da série composta por Lamartine Babo.

A partir dos anos de 1960, declinou sua atividade profissional, gravando esporadicamente.

Marcadores: , ,


Copinha

0 comments

Aquela antológica abertura, em solo de flauta, de Chega de saudade, que, ao lado do violão de João Gilberto, lançou a bossa nova em 1957, foi feita pelo engenheiro paulista Nicolino Cópia, mestre do instrumento (e de todos os de sopro) desde os tempos em que tocava acompanhando filmes no cinema mudo.

Genial, eclético, atualizado, Copinha foi acima de tudo um músico. Seu som está em centenas - milhares, sem exageros - de gravações de cantores e cantoras brasileiros, de todos os gêneros e estilos, ao longo de seus mais de cinqüenta anos de carreira (nasceu em 3/3/1910 e morreu em 4/3/1984, um dia depois de completar 74 anos).

"Engenheirou" poucos meses em São Paulo e foi ser músico na vida. Trabalhando com outros maestros ou liderando suas próprias orquestras, apresentou-se nos mais variados cenários e cidades. Teve como companheiros gênios a sua altura, como Garoto, Aimoré, Armandinho, Spartaco Rossi, Gaó, Tom Jobim, Dom Salvador, Chico Batera e, no apagar das luzes de tão exuberante carreira, um trabalho majestoso ao lado de Paulinho da Viola.

Desde o início dos anos 30, Copinha teve lugar de destaque em São Paulo, no Rio de Janeiro e no mundo. Na música feita nas rádios, nos cassinos, nos shows, nas gravações de discos, foi figura obrigatória. Em 1931, tocava na Alemanha, em 32, na Companhia de Revistas de Margarida Max, no Rio.

Nos anos seguintes, na Orquestra Columbia e ao lado de Pixinguinha na noite carioca. Tocou no Copacabana Palace com Simon Boutman e Carlos Machado, até formar a própria orquestra. Passou pela TV Rio, Rádio Nacional, TV Globo. Apresentou-se com sua orquestra no cassino de Monte Carlo, em Dallas, Miami, Minneapolis. Gravou três discos solo e acompanhou três gerações de cantores brasileiros.

Morreu no Carnaval. Em seu velório, Paulinho da Viola e mais quatro ou cinco pessoas. Nas ruas, o Rio de Janeiro brincava.Concedeu esta entrevista ao programa MPB Especial, da TV Cultura de São Paulo, em 1974, aos 64 anos.

Arley Pereira - MPB ESPECIAL- 2/10/1974

"Essa música (Abismo de Rosas) é de um senhor, para mim um senhor exímio violonista, chamado Giacomino, apelido de Canhoto. Eu conheci o Canhoto em 1918, 1919, que foi a época em que ele fez essa valsa, e eu adorava esse homem tocando violão. Aliás, fazíamos serenatas, eu, um garotinho, só "sapeava", eu tocava uma coisinha ou outra. Meus irmãos mais velhos é que tocavam com ele, João, Vicente, Joaquim e Alexandre.

Eu nasci na rua Santa Efigênia, antigamente bairro Santa Efigênia. Hoje é Centro. Atravessava a ponte (1), era o bairro Santa Efigênia. Hoje atravessa a ponte e é cidade mesmo. São Paulo cresceu de uma maneira... São Paulo nesse tempo era um Estado formidável de se viver. Poluição não existia. Eram aqueles bondinhos, eram bondes. Eu não alcancei bonde de burro, não, eu não alcancei isso, porque também não sou tão velho. Mas eram aqueles bondes caradura. Tinha o bonde condutor na frente, todo fechado, pintado de verde, da esperança, que levava o reboque atrás, feito uma jardineira, tudo aberto, chovia dentro. Esse caradura era um tostão. Tomei muito bonde caradura.

No bairro de Santa Efigênia a coisa mais importante era a igreja. Sem contar a ponte. A ponte foi um acontecimento, os dois viadutos: Santa Efigênia e viaduto do Chá. Tinha casas baixinhas. Naquele tempo, São Paulo todo devia ter um milhão e duzentos mil habitantes. O Rio de Janeiro era mais habitado do que São Paulo, tinha mais população. São Paulo era um lugar formidável. Nasci aqui, gostava muito, né? Hoje não, hoje São Paulo está difícil, está fogo. O Rio de Janeiro está mais devagar, está mais calmo.

Eu comecei a estudar com 7 anos de idade, em 1917. Mas estudava direito, estudava música primeiro. Hoje a gurizada pega um instrumento e vai tocar de ouvido. Estudei música, solfejo, depois mais tarde harmonias, essa coisa toda. Com 9 anos é que eu peguei a flauta. Com nove anos eu já fazia serenata com o Canhoto. Toquei muitas vezes. Ele gostava e dizia: "Esse garoto é bom". Fiz muitas serenatas e valsas. Aliás, muita gente está enganada com serenata, dizem que serenata é só música dolente. Não é não. Eu tinha uma "pequena" que gostava de tango e fiz serenata com tango. Tinha uma garota que gostava de um choro (não me lembro o nome).

Eu tocava choro para ela na serenata. E daí todo muito pensa que serenata é só valsa, dolente. Não é nada disso, não. Tudo que você gostava, eu ia tocar para você, e acabou-se, gostasse do que gostasse".(1) Refere-se ao Viaduto Santa Efigênia.

Fonte: Autores e Intérpretes - SESC-SP

Marcadores: , , ,


Cornélio Pires

0 comments

Cornélio Pires nasceu no dia 13 de julho de 1884, na cidade paulista de Tietê, e morreu de câncer na laringe no dia 17 de novembro de 1958, na capital de São Paulo. Muito cedo, com 14, 15 anos, Cornélio deixou a tranqüilidade do lar e partiu para ganhar a vida, primeiro como biscateiro e aprendiz de tipógrafo, depois como jornalista, poeta, contista e folclorista.
Publicou 23 livros, o primeiro em 1910. Fora isso, criou uma companhia de teatro e realizou quatro filmes sobre o dia-a-dia da gente caipira, que tão bem entendia. Em 1929, através do selo Columbia, representado no Brasil de então por Byington & Company – depois Continental e agora Warner Continental – conseguiu realizar o seu grande sonho, que era gravar em disco as diversas manifestações culturais e artísticas do povo.
Cornélio Pires foi o primeiro artista a gravar de forma independente no país, já que teve de bancar, ele próprio, a sua famosa série de discos.
(Assis Angelo, texto no encarte do CD Cornélio Pires - Som da Terra)
Nascido de um escorregão em hora imprópria da mãe dona Nicota e batizado por engano do padre surdo com o nome de Cornélio, ao invés de Rogério, esse paulista de Tietê tem em sua própria história muito da vida rústica da "civilização cabocla". Civilização que, ao retratar em inúmeras outras comunidades pelo Brasil a fora, tornou-o conhecido e reverenciado nas décadas de 1920 e 1930.
Mistura de poeta, escritor, contador de casos, conferencista e humorista, Cornélio Pires foi uma espécie de showman da cultura caipira. Para o pesquisador e escritor Macedo Dantas, que lhe dedica uma obra a vasculhar minuciosa e bibliograficamente a existência, "ele é o pai do folclore paulista, notável observador da linguagem, dos costumes, da paisagem humana e física do mato".
Tendo convivido na infância com os escritos e as apresentações de Cornélio, no sul de Minas Gerais, onde morou, o historiador Antônio Cândido, ao prefaciar o livro de Dantas, sintetiza: "Meio escritor, meio ator, meio animador; generoso, combativo, empreendedor, simpático – a sua maior obra foi a ação nos palcos nas palestras na literatura falada que perde bastante quando é lida. Como os oradores, como certo tipo de poetas, como os repentistas e os velhos glosadores de mote, a dele foi uma literatura de ação e comunhão direta, eletrizante, com o público".
Os caipiras deste mato
Não anda de quatro pé
Não são, Montêro Lobato
Como tu, feição de gato,
Qis pintá nos Urupé.
A característica mais importante a se recuperar no universo caipira, como enfatiza o professor e editorialista do jornal O Estado de São Paulo, Hélio Damante, é a forma de fala que tem o poder de captar o espírito do caboclo. Transformar em representação gráfica esses fonemas, possibilitando fidelidade aquela realidade, era algo que não havia sido explorado até Cornélio Pires".
Essa dificuldade técnica era ainda agravada no caso de Cornélio por seus primeiros escritos terem surgido quando a moda literária era a erudição gramatical.
Desprovido de preparação intelectual, pois nunca se dedicara aos estudos embora dispusesse de condições financeiras para tal. Cornélio vivia, na capital, no meio jornalístico e buscava aceitação de sua roda social, dividindo entre cultivar as suas raízes caipiras ou bancar o intelectual que jamais seria.
Essa contradição se refletirá em toda a sua obra, repleta de altos e baixos no que diz respeito à aceitação crítica já que como conta Dantas: "Há um Cornélio dialetal, folclórico, costumista, desenhista notável de coisas sertanejas psicológico sutil da alma cabocla, cheio de ternura, pitoresco e simpático para com a gente do mato. Há o Cornélio metido a literato de tom acadêmico ignorante da literatura universal e de língua culta, da música dos movimentos nacionais e mundiais, das leis e da ficção e da estilística. O primeiro merece respeito, o segundo já estaria fora da literatura se não fosse o outro".
O momento certo para impulsionar Cornélio a publicar seus primeiros escritos se dará em 1910, quando se revaloriza a vida sertaneja principalmente em decorrência do sucesso de Euclides da Cunha com o livro Os Sertões. Nessa época ele lança sua primeira coletânea de poesias, a mais conhecida até hoje Musa Caipira, que consagra o soneto Ideal caboclo:
Ai, seu moço, eu só quiria
P’ra minha filicidade
Um bão fandango por dia,
E um pala de qualidade.
Porva espingarda e cutia
Um facão fala verdade,
E u’a viola de harmonia
P’ra chorá minha sodade.
Um rancho na bêra d’água
Vara de anzó, pôca mángua,
Pinga boa e bão café...
Fumo forte de sobejo,
P’ra compretá meu desejo,
Cavalo bão – e muié...
O sucesso conquistado serviu de estímulo, fazendo com que passasse a dedicar maior empenho à divulgação desse universo que conhecia tão bem, já que vivera boa parte de sua juventude entre os matutos. Mas isso não fez com que ele abandonasse de vez suas pretensões literárias, tanto que anos mais tarde em 1921, persiste nesse caminho e, ao lançar uma coletânea de versos, é devidamente bombardeado pelo escritor e crítico Tristão de Athayde:
"Procure despojar-se o senhor Cornélio de toda essa escória de falsa literatice, cultive cada vez mais esse delicioso impressionismo regionalista em que já é mestre, acentue o sentimento interior de sua poesia um pouco descritiva demais e será como Catulo (Catulo da Paixão Cearense) ainda que sem sua prodigiosa riqueza de inspiração e emoção, um poeta à parte, o nosso poeta caipira."
A falta de método, entretanto, será uma tônica inseparável de Cornélio em todas as sua ações, a começar por seu curriculum que se estende do poeta e contista a conferencista e humorista; de jornalista e editor, a professor de educação física e empresário; de cineasta a realizador de gravações em disco de músicas sertanejas.
Quanto a esse seu perfil, Macedo Dantas pondera que "é preferível ele ter sido como foi, com todos os defeitos apontados, com sua indiferença pelo estudo, mas com essa criatividade notável, com esse poder de observação raro. Preferível ter sido um ignorante criativo, a um medalhão impotente."
Graças a esses traços de sua personalidade, Cornélio se transformou num contador de "causos" que lotava as salas de espetáculos por onde se apresentava.
Sempre entrando em cena de fraque ou casaca, ele divulgou intensamente a figura do caipira, incentivando a fixação da imagem do matuto irônico e debochado, contrastando com a figura frágil do caboclo ingênuo.
Uma de suas anedotas, registrada em livro, conta que "um granfino, a passeio pelo interior, alugou um cavalo e saiu percorrendo os arredores da cidade, indo parar na casa do caipira. Bem acolhido, entrou e começou a examinar a sala. Ao notar que na parede havia numerosas fotografias, perguntou ao dono da casa:
-De quem é esse retrato?
-É retrato de mea mãe...
-E aquele outro?
-Aquele é de meu pai...
Finalmente, vendo a fotografia de um burro bem escanelado com sete palmos de altura, arreio prateado, rédea bambeada, peitoral enfeitado, perguntou:
- Esse também é da família?
- Nhor, não. Mercê tá enganado. Esse num é retrato.
- Quem é então?
- É espêio...
Com toda essa flexibilidade e dinâmica Cornélio merece no mínimo ser lembrado como um grande ativista cultural de seu tempo. E é em defesa dessa memória que alguns estudiosos e folcloristas que se definem cornelianos, estão procurando através de delicados trabalhos de recuperação bibliográfica preservar a sua imagem.
No caso da sua discografia , apesar de se especular em torno de 108 discos gravados, até hoje só se consegui recuperar 48 gravações. Num país onde inexiste o hábito de se arquivarem informações para o futuro, muitos dos discos gravados por ele deve ter virado brinquedo na mão de crianças.
Em relação aos filmes realizados, há notícias de quatro, (Brasil pitoresco, Vamos passear, Sertão em festa), teve grande êxito, como registram informações veiculadas na época, porém localizar qualquer um deles é tarefa para super-herói, pois ninguém dispõe de cópias.
A obra escrita, por sua vez, além de ser uma das responsáveis pelo desaparecimento do autor do conhecimento público é literalmente um caso jurídico. Boêmio incorrigível, Cornélio sofreu a vida toda de grandes e graves problemas financeiros.
Numa de suas eternas crises de falta de fundos vendeu os direitos autorais de seus livros.
"No tempo de dante, aqui prás berada do riu era tudo mataria virge. Anta aqui era cardume. Era ciso (...) Pegô o burro véio em vez da besta? Nhor não. Muito pó. Peguei u’a anta... tava amuntada numa anta mantiúda..."
Macedo Dantas relata que "nenhum dos proprietários das obras de Cornélio se interessou em editá-las ou ceder os respectivos direitos". E, mais adiante Dantas considera ainda que "não é fácil, por vários motivos, lançar com êxito, qualquer obra de Cornélio, hoje esquecido do grande público e das novas gerações". Com essa perspectiva a reedição de Cornélio é tarefa para orgãos públicos pois sem verba oficial dificilmente seus trabalhos voltarão às prateleiras das livrarias. Atualmente qualquer exposição sobre Cornélio é realizada graças à concessão de colecionadores já que o que restou de Cornélio são os estudos sobre seus trabalhos feitos por folcloristas e amigos.
Dentre os que mereciam ser reeditados na opinião dos conhecedores da obra do poeta caipira estão as famosas Aventuras de Joaquim Bentinho (O queima-campo). Quando foi lançado em 1924, Joaquim Bentinho tornou-se personagem famoso tendo até um rival, o Jeca Tatu, de Monteiro Lobato.
(Quando o caipira piava à vontade...)
- Ói a cartola dele
- Suba ! Senta ...senta
- Ói o pala!
- Ói o andá de corvo!
- Ô purguento! Guardanapo de tropêro!
- Sapicuá de lazarento!
- Baú de sordada!
- Barba de bugiu!
- Tição!
- Treze de maio!
Em certa ocasião, referindo-se a Cornélio Pires Monteiro Lobato disse que "o caboclo do Cornélio é uma bonita estilização sentimental, poética ultra-romântica fulgurante de piadas e rendosa. O Cornélio vive e passa bem, ganha dinheiro gordo com sua exibições que faz do seu caboclo. Dá caboclo em conferência a cinco mil réis a cadeira e ao público mija de tanto rir".
Essa declaração pouco amistosa de Lobato é atribuida pelos biógrafos de Lobato a um momento de ciumeira entre dois concorrentes, já que os personagens que ambos criaram disputavam o mesmo público. Mas aí, então é inevitável a pergunta – porque Lobato ficou e Cornélio não?
Hélio Damante arrisca uma opinião ao salientar que "Lobato teve um editor e soube investir na sua própria obra, no seu futuro. Já Cornélio, além de não ter se organizado enquanto autor, tem suas obras fora do alcance do leitor desde 1950".
Damante acredita que mesmo Lobato está com seu espaço se restringindo apesar de muito conhecido e cultuado no meio educacional. "A criança - diz ele - aprecia mais o superman do que o visconde de Sabugosa já que o primeiro está mais próximo do mundo em que ele vive. Isso é inevitável em relação às crianças referentes ao universo caboclo embora alguns traços dessa cultura tenham se tornado definitivos já que foram incorporados ao cotidiano . Um exemplo? É muito comum ouvir repórteres de conceituados canais de televisão carregarem da expressão às direitas, muito familiar ao matuto do interior de São Paulo".
Para Damante, é inegável o impacto da cultura de massa que, na sua opinião já atingiu em cheio a música sertaneja, "hoje descaracterizada em relação a sua raiz. A urbanização é um dado contra o qual nada se pode fazer. Além do mais novas realidades surgem realimentado velhos costumes e atribuindo-lhes outra dinâmica".
A miscigenação nordestina, tão presente no interior paulista mistura seus hábitos e costumes aos da terra, promovendo uma nova mobilidade naquele universo produzindo outros traços culturais. Partindo dessa análise, Damante lembra ainda que: "se Cornélio Pires fosse vivo, na certa transportaria essas mudanças para seus relatos, como fez na sua época com as vivências dos italianos, habitantes do interior e muitas vezes personagens de seus livros".
(DEFESA DA CULTURA NACIONAL, nº 3, 1984)

Marcadores: , , , , , ,


Nora Ney

0 comments

Nora Ney
Bastaram menos de dois anos, quase vinte meses, para que a carreira de contadora fosse esquecida e a carioca (de 23 de março de 1922) Iracema de Souza Ferreira fosse coroada Rainha do Rádio, com direito a faixa, trono, fã-clube e toda a liturgia que criava o mito radiofônico no início da década de 50.
Em fins de 1951, Iracema ainda freqüentadora do Sinatra-Farney Fã-Clube, onde cantava nas tardes de domingo acompanhada pelo acordeom de João Donato e o piano de Johnny Alf, dois garotinhos imberbes, foi levada para a Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Aí já sob o nome de Nora May (o Ney viria depois), estreou cantando em inglês com seu grave vozeirão.
Em 1953 já era ídolo nacional, cantando samba-canção, naturalmente em português. Contratada pela Rádio Nacional, era ouvida pelo Brasil inteiro todas as noites no famoso programa Ritmos da Panair, transmitido diretamente da boate Midnight, do Copacabana Palace Hotel. Foi aí que conheceu o cantor Jorge Goulart, seu companheiro na vida e carreira a partir de então.
Gravou Ninguém me ama (de Antônio Maria e Fernando Lobo), Menino grande (só do Maria), De cigarro em cigarro (Luiz Bonfá), com imenso sucesso e, nesse mesmo ano, foi eleita Rainha do Rádio.
Cada gravação de Nora Ney era sucesso garantido e ela foi em seqüência: Preconceito (Antônio Maria e Fernando Lobo); É tão gostoso, seu moço (Mário Lago e Chocolate); Aves daninhas (Lupicínio Rodrigues); Se eu morresse amanhã (Antônio Maria); Só louco (Dorival Caymmi); Vai Mesmo (Ataulfo Alves).
Em companhia de Jorge Goulart e outros artistas brasileiros, excursiona longamente pela Europa, Américas, África, Oriente Médio e Ásia, com amplo sucesso, transformando-se na maior divulgadora da música popular brasileira em países até então jamais visitados por artistas nacionais.
Passa por período de preconceito profissional em virtude de posições políticas, mas acaba por retomar sua carreira, cantando com o brilhantismo e calor habituais. Em 1989, faz parte do simpaticíssimo grupo As Eternas Cantoras do Rádio, dividindo o palco e emoções com as companheiras de microfones da fase áurea da radiofonia, Carmélia Alves, Violeta Cavalcanti, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales e Ellen de Lima.
Em 1992, depois de 39 anos de vida em comum, casou com Jorge Goulart. Concedeu esta entrevista ao programa MPB Especial, da TV Cultura de São Paulo, em 1973, aos 50 anos.
Arley Pereira - MPB ESPECIAL - 5/2/1973
"Antônio Maria começou comigo, começamos juntos, ele como compositor e eu como cantora. A primeira música que eu gravei de Antônio Maria foi Menino Grande. Ele fez para ele mesmo e queria que alguém cantasse para ele essa música, Menino Grande. Ele era muito gordo, muito simpático, uma figura engraçada.
Uma vez, eu estava trabalhando no Copacabana Palace e ele foi lá me levar uma música, Onde Anda Você?, e foi de pijama mesmo. Uma delícia, ele foi de pijama, entrou no Copacabana Palace pela entrada dos artistas. Os músicos tinham uma entrada separada. Eu era crooner. E ele foi de pijama mesmo e levou Onde Anda Você?.
O que mais posso falar de Antônio Maria? Amou muito, viveu muito, sofreu muito. Era um sátiro também, maravilhoso e era um grande amigo, o bom Maria, como o chamavam. Vou cantar um outro número do Maria, de parceria com Fernando Lobo. Aliás, Ninguém Me Ama também é parceria com Fernando Lobo".
Nora Ney faleceu em 27/10/2003. Aos 81 anos de idade, a carioca Iracema de Souza Ferreira morreu de falência múltipla dos órgãos (em decorrência de um enfisema pulmonar), no Hospital Samaritano, no mesmo Rio de Janeiro onde nasceu em 1922.
Algumas cifras e letras:
Aves daninhas, Castigo, De cigarro em cigarro, É tão gostoso, seu moço, Eu e a brisa, Menino grande, Mensagem, Neste mesmo lugar, Ninguém me ama, Onde anda você?, Preconceito, Se eu morresse amanhã de manhã, Só louco, Último desejo.
Fontes: Autores e Intérpretes - SESC-SP, Clique Music - Acontecendo.

Marcadores: , , ,


Flávio Cavalcanti

0 comments

Flávio Cavalcanti (Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti), nasceu no Rio de Janeiro a 15 de janeiro de 1923. Começou, aos 22 anos, a trabalhar no Banco do Brasil. Mas ao mesmo tempo, estreou como repórter no jornal carioca A Manhã.
Posteriormente foi funcionário da Alfândega do Rio de Janeiro, onde ficou até 1964. Seu pendor maior era pelo jornalismo e fez entrevistas memoráveis com o político fluminense Tenório Cavalcanti, o “Homem da Capa Preta”. Esteve ainda nos Estados Unidos e entrevistou o presidente Kennedy, na casa Branca.
Entrou para a televisão e tinha estilo tão marcante que registrou época, pois entre outras coisas criou o primeiro júri da televisão brasileira. Começou também a compor e influenciou muito nas tendências musicais. Artistas, que se tornaram consagrados, começaram com Flávio Cavalcanti. Seu estilo era contundente. Letras medíocres, músicas iam para o lixo. Literalmente. Ele quebrava discos e jogava fora. Criou gestos marcantes, como a mão direita estendida para o alto, ao pedir o intervalo. O “tira bota” dos óculos também foi marcante.
Seu primeiro programa foi Discos Impossíveis. Em 1951 compôs Mancha de Baton, que foi gravada pelo conjunto Os Cariocas. Em 1952, na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, seu programa fazia sucesso. Dolores Duran gravou sua música Manias. Essa música, além de outras, Flávio fez em parceria com o irmão Celso.
Em 1955, com Jacinto de Thormes, estreou o programa: Nós os Gatos. Em 1957, na TV Tupi, estreou seu programa definitivo: Um Instante Maestro. Em 1965 lançou na TV Tupi Excelsior o Júri, que muito marcou.
Em 1966 reeditou o mesmo programa e lançou mais dois: A Grande Chance e Sua Majestade é a Lei. Em 1968 realizou o programa: A Grande Chance em Portugal. Em 1970 lançou: Programa Flávio Cavalcanti na TV Tupi do Rio. Seu programa foi suspenso pela censura militar.
Em 1976 reeditou Um Instante, Maestro, na TVS do Rio. Em 1977 esteve na Rádio Mulher em São Paulo, com um programa diário. Em 1978 novamente fez : Programa Flávio Cavalcanti na TV Tupi carioca. Em 1982 foi para a TV Bandeirantes de São Paulo, fazendo o programa Boa Noite, Brasil. Em 1983, no SBT de São Paulo fez o Programa Flávio Cavalcanti.
Por seus programas passaram nomes consagrados, como: Oswaldo Sargentelli, Marisa Urban, Erlon Chaves, Márcia de Windsor, entre outros. Inteligente, brilhante, inquieto, como bem mostra sua biografia, o carioca Flávio Cavalcanti, porém, teve uma vida familiar tranqüila. Casou se com dona Belinha e teve três filhos, sendo o filho que levava seu nome, um executivo de telecomunicações.
Flávio Cavalcanti faleceu de enfarte, aos 16 de maio de 1986, após apresentar o programa Flávio Cavalcanti, em São Paulo. Nome inesquecível na memória de todo o Brasil ele é.

Marcadores: , , ,


Nhá Zefa

0 comments

Nhá Zefa (Maria Di Léo), cantora, era filha de italianos. Era considerada a caipira preferida de Cornélio Pires, embora não fosse exatamente uma caipira, pois nasceu na capital paulista. Fez bastante sucesso nos anos 1930.
No início dos anos 1930, atuou no programa de rádio "Cascatinha do Genaro", apresentado por Ariovaldo Pires, o Capitão Furtado, primeiramente na Rádio Cruzeiro e, posteriormente, na Rádio São Paulo. Em 1935, gravou com Laureano a moda de viola Itália e Abissínia, que falava de modo satírico da invasão italiana na Abissínia, e que seria posteriormente gravada por Alvarenga e Ranchinho.
Apresentou o programa "Saudades do sertão", primeiramente na Rádio Bandeirantes e, posteriormente, na Rádio Bandeirantes. Em 1937, gravou com Raul Torres o desafio Desafio nº 1. No mesmo ano, gravou em dueto com o cantor Paraguaçu as batucadas Baiana dengosa, de motivo popular com arranjo de Paraguaçu, e Olá, seu Barnabé, de Paraguaçu.
Nos anos 1940, fez sucesso com a mazurca Me leva contigo. Em 1940, gravou com Capitão Furtado e Juca Matia a moda de viola Casá? Só anssim, de sua autoria e Capitão Barduíno. No mesmo ano, lançou a toada Nunca mais a gente esquece, de Tirso Pires e Laureano, e a moda de viola Num tenho medo de home, dela e Ariovaldo Pires, ambas em dueto com Nhô Pai. Ainda em 1940, gravou em dueto com Serrinha a moda de viola A coisa mió do mundo e a toada Coração dos meus penares, ambas de Serrinha.
Em 1941, gravou com Nhô Pai e Ariovaldo Pires o cateretê Agricultura hoje tem seu lugar. Durante a década de 1940 realizou diversas gravações em parceria com Nhô Pai, entre as quais as modas de viola Moda da fila, Viaje a Parmitá, dela e Sereno, o rasqueado Coisas do Paraguai, de Nhô Pai, a contradança Um pé de laranja doce, de Nhá Zefa e Irmãos Cachoeira, e o cateretê Caboclo lindo, de Nhá Zefa.
Em 1943, gravou o quadro musicado A voz da saudade, de Ariovaldo Pires e José Nicolini, com a participação da Embaixada de Nhá Zefa e Morais Neto no canto. Um de seus principais parceiros foi Ariovaldo Pires, com quem compôs as modas de viola Pobre cego, Outro drama da vida e Tenho visto, e a mazurca Me leva contigo, gravada em 1978 pela dupla Cambuí e Cambuzinho, e, posteriormente, pelo Duo Ciriema.

Marcadores: , , ,


Capitão Barduíno

0 comments

Capitão Barduíno (Pedro Astenori Marigliani), compositor e radialista, nasceu em Socorro/SP em 13/11/1904 e faleceu em São Paulo em 1/8/1967. Filho de italianos, desde criança pretendeu trabalhar em rádio.
Em 1937, levado pelo Capitão Furtado à gravadora Odeon, estreou como compositor, quando Nhá Zefa e Juca Matias lançaram a moda-de-viola Casá!? só ansim, com musica de Nhá Zefa (Maria de Leo). Dedicou-se esporadicamente à composição, destacando-se A enxada e a caneta (com Teddy Vieira), lançado por Zico e Zeca, na Columbia.
Em 1939, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo, foi contratado por Otávio Gabus Mendes, então diretor artístico da emissora e responsável pelo nome por que ficou conhecido. Como redator e apresentador de programas de rádio, destacou-se com A Câmara dos Despeitados, sátira política que marcou época.

Marcadores: , , , ,


Teddy Vieira

0 comments

Teddy Vieira (Teddy Vieira de Azevedo), compositor, nasceu em Itapetininga/SP em 23/12/1922 e faleceu em 16/12/1965. Fez o curso primário em Itapetininga e em seguida transferiu-se para São Paulo, onde concluiu o secundário.
Aos 18 anos já escrevia versos de inspiração sertaneja. Serviu o Exército em 1946 e, dois anos depois, teve suas primeiras músicas gravadas, pela dupla Mineiro e Manduzinho, que lançou, em etiqueta particular, Preto de alma branca (com Lauripe Pedroso) e João de barro (com Muibo Cury), esta com várias regravações de sucesso, entre as quais a de Sérgio Reis, em 1974, na RCA.
Entre 1948 e 1949 Palmeira e Biá lançaram, pela Victor, Couro de boi (com Palmeira), número incluído no repertório de diversas duplas de violeiros. O cururu O menino da porteira (com Luisinho), lançado em 1955 por Luisinho, Limeira e Zezinha, na Victor, consagrou-o como compositor e é considerado um clássico da música regional brasileira. Essa composição conta com inúmeras regravações, entre as quais a de Tião Carreiro na Chantecler, em 1968, e a de Sérgio Reis, em 1973, na RCA.
Em 1956, passou a ser diretor sertanejo da Columbia, criando a dupla Tião Carreiro e Pardinho, que obteve sucesso com Cavaleiros do Bom Jesus (com João Alves e Nhô Silva). Nesse mesmo ano foi gravado na Columbia, por Moreno e Moreninho, o cururu Treze de Maio (com Riachão e Riachinho), regravado em 1968 por Moreninho e Minuano, na Chantecler.
Ainda na Columbia, por 1956-1957, lançou em disco a dupla Zico e Zeca, com composições que marcaram época, como a Enxada e a caneta (com o Capitão Barduino), que também foi seu parceiro, junto com Serrinha, na moda-de-viola Besta bailarina e Força do destino. Essa mesma dupla gravou, tambem na Columbia, na mesma época, Namoro no portão, que teve grande sucesso.
Tião Carreiro e Pardinho lançaram em 1957, ainda na Columbia, Boiadeiro punho de aço (com Pereira), regravada com sucesso por Pedro Bento e Zé da Estrada, em 1963, na Chantecler. Em 1958, foi para a Chantecler, onde ficou como assessor do Palmeira, diretor artístico da gravadora. Nesse mesmo ano, Liu e Léu gravaram Rei do café. Essa composição conta inúmeras regravações, entre as quais a de Tião Carreiro, em 1961, na Chantecler, e a de Inesita Barroso, em 1972, na Copacabana.
Em 1960 compôs, em parceria com Lourival dos Santos, Pagode em Brasília, e com Nelson Gomes O mineiro e o italiano, gravadas por Tião Carreiro e Pardinho na Chantecler, sucesso até hoje. Nesse mesmo ano, Vieira e Vieirinha lançaram, pela Chantecler, a composição em parceria com Alceu Maynard Araújo, Rio Preto.
A dupla Sulino e Marrueiro, em 1961, lançou pela Chantecler Morena de olhos pretos (com Ado Benatti), além de outras composições suas. Em 1962, após a saída de Palmeira da Chantecler, continuou como assistente artístico da direção.
Bandeireiro do Divino (com Alves Lima), gravado por Tonico e Tinoco, em 1964, foi um dos maiores sucessos da Chantecler nesse ano. Em 1965, Alberto Calçada gravou a valsa Mariazinha (com Palmeira).
Em 1965 Nísio e Nestor fizeram sucesso com Cigana (com Salvador dos Santos Dias). Pedro Bento e Zé da Estrada, no mesmo ano e nessa gravadora, lançaram com sucesso Meu Amigo (com Nísio). Até hoje tem mais de 200 composições gravadas.

Marcadores: , , ,


Neide Fraga

0 comments

Neide Fraga (Neide Hor-meyll Fraga), cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 17/12/1924 e faleceu em São Paulo/SP em 14/12/1987. Iniciou carreira em 1942 no programa de calouros Hora da Peneira, da Rádio Cultura, de São Paulo, trabalhando também nos programas matinais da Rádio Cruzeiro do Sul.
Dois anos mais tarde, foi para a Bandeirantes e depois para a Record. Em 1949 gravou seu primeiro disco na etiqueta Elite Especial, a toada Triste adeus (Rômulo Pais) e o baião Eh! Boi!... ( Hervé Cordovil).
Em 1950, recebeu o prêmio Roquete Pinto pela primeira vez, repetindo o feito quatro anos depois, logo após uma viagem pela Argentina. Lançou pela Odeon seus maiores sucessos: Quando alguém vai embora (Ciro Monteiro e Dias da Cruz), Bangalô de chocolate (Macedo Guedes e Miranda Alves) e Minha infância (Hervé Cordovil e Marisa Pinto Coelho).

Marcadores: , ,


Neusa Maria

0 comments

Neusa Maria (Vasilíki Purchio), cantora, 1/12/circa 1928, São Paulo/SP. Filha de uma família italiana radicada em São Paulo, começou a cantar em apresentações para a vizinhança, ainda menina, aos 12 anos.
Mais tarde ganhou o "slogan" de "Rainha do Jingle" e "Voz doçura do Brasil". Adotou o nome artístico de Neusa Maria, por sugestão de Abílio Caldas, pois seu nome de batismo, Vasilíki, era de difícil pronúncia.
Destacou-se nas décadas de 1940 e 1950 como cantora de sambas, boleros e de "jingles", estes últimos gravados por ela com regularidade nas décadas subseqüentes. Começou cantando em programas de calouros de rádio, incentivada pelos amigos. Estreou em meados de 1942, no programa de Gabus Mendes da Rádio Record paulista, recebendo na ocasião o primeiro lugar.
Ainda no início da década de 1940, conheceu Abílio Caldas, um representante comercial da loja em que ela trabalhava, que também era radialista e levou-a, por insistência das colegas da loja, para cantar na Rádio Cruzeiro do Sul. Foi um grande êxito, e Neusa Maria acabou sendo contratada pela Rádio Tupi paulista para um programa.
Em 1943 recebeu o título de "A Estrela do Ano" num concurso que reuniu vários artistas do cenário musical de São Paulo. Em 1945 foi ao Rio de Janeiro para fazer sua primeira gravação na Continental. Nessa ocasião conheceu César de Alencar que a levou a Renato Murce para um teste, o que lhe garantiu um contrato com a Rádio Clube do Rio de Janeiro. Quando César transferiu-se para a Rádio Nacional, Neusa o acompanhou, permanecendo nos quadros da emissora por longos anos.
Seu primeiro sucesso foi Eu sei que ele chora, baião de Nestor de Holanda e Ismael Neto. Depois gravou Arrivederci Roma, Nunca jamais, Siga, Molambo, Murmúrios, Gondoleiro e Picolísima serenata. Foi eleita "A melhor cantora do rádio de 1956", em pesquisa feita pelo Clube do Disco e "A melhor cantora do rádio de 1957", em pesquisa realizada pela célebre "Revista do Rádio", quando seus discos entravam com freqüência em todas as paradas de sucesso da época.
Recebeu o troféu Disco de Ouro de "O Globo" em 1956. Gravou dois discos pela Continental, 23 pela Sinter entre 1950 e 1957, 10 pela RCA Victor entre 1958 e 1960. Gravou ainda pela CBS e pela Star.
Fonte: Cantoras do Brasil - Neusa Maria

Marcadores: , ,


Namorados da Lua

0 comments

namorados da lua
Namorados da Lua. Conjunto vocal organizado no Rio de Janeiro/RJ em 1941 e desfeito em 1947. Teve quatro formações diferentes, sempre liderado por Lúcio Alves, crooner, arranjador e violonista do grupo. Composto por Nei Costa, Agostinho, Geraldo, Joãozinho e Madalena, apresentou-se em público pela primeira vez em 1941, tirando o primeiro lugar no programa de calouros de Ary Barroso, na Rádio Tupi.
Em 1942 gravou seu primeiro disco 78 rpm pela Victor, cantando Vestidinho de Iaiá e Te logo, sinhá (ambas de Assis Valente). Com a saída de Agostinho e Geraldo e a entrada de Russinho — José Ferreira Soares —, o grupo gravou em 1944 na Continental seu segundo disco, Agora sim e Caráter de mulher (ambas de Francisco Santos e João Dinis).
No ano seguinte, gravaram com sucesso na mesma marca os sambas Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida) e Morena faceira (Janet de Almeida). A partir dessa gravação, o grupo passou a ser destaque nas programações da Rádio Tupi e gravou dois discos. Novamente com outra formaçao — Lúcio, Nei Costa, Russinho, Joãozinho, Chiquinho (Francisco Storino), Rui Peres e Horaci Medela —, o grupo apresentou-se em temporada no Cassino Atlântico.
Em dezembro de 1945, o grupo se desfez e, em 1946, Lúcio formou novo conjunto, para atender a um compromisso de Carnaval, do qual faziam parte Chiquinho, Miltinho, Nanai (Arnaldo Humberto de Medeiros), Silveirinha (Otaciliano Silveira) e Chicão (Francisco Guimarães Coimbra). Com essa formação, o grupo fez uma temporada no Cassino Copacabana, durante o Carnaval daquele ano, voltou a gravar pela Continental e foi contratado pela Rádio Nacional, até ser desfeito, definitivamente, em 1947.
Dessa última formação, as músicas de mais sucesso foram Dança do ban zan-zan (Janet de Almeida e Francisco Storino) e Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), em abril de 1946; Não bobeie, Calamazu (Caco Velho e Nilo Silva) em maio de 1946;
Em 1947 alcançam sucesso com a gravação do samba De conversa em conversa (Lúcio Alves e Haroldo Barbosa), com a cantora Isaura Garcia na Victor; e Guerra ao pardal (Alberto Ribeiro e Peterpan), marcha lançada no Carnaval de 1948, último disco do grupo.

Marcadores: , ,


Paulo da Portela

0 comments

Paulo da Portela (Paulo Benjamim de Oliveira), compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/6/1901 e faleceu em 30/1/1949. Lustrador de profissão pertenceu a ranchos carnavalescos que reuniam funcionários públicos e operários têxteis, antes de aderir ao samba, levado por Heitor dos Prazeres.
Bem falante e destacando-se sempre por sua elegância, no início da década de 1920 já freqüentava, no subúrbio de Osvaldo Cruz, a casa da baiana Ester Maria da Cruz, onde se realizavam festas de candomblé e rodas de samba.
Nos Carnavais dessa época, desfilava na Praça Onze, durante o dia no bloco Quem Fala de Nós Come Mosca, organizado por dona Ester, e, de noite no Baianinhas de Osvaldo Cruz, do qual era líder. Em 1923, da fusão desses dois blocos, surgiu o Vai Como Pode, cujo ponto de reunião era uma jaqueira que havia na Estrada da Portela.
Seu samba Quem espera sempre alcança foi lançado em disco Odeon, em 1932, por Mário Reis. Em 1934, já com muitos sambas divulgados na escola, participou como primeiro tesoureiro da União Geral das Escolas de Samba, a primeira associação criada para defender os interesses das escolas.
No ano seguinte, introduziu alegorias em sua escola, que tirou o primeiro lugar no desfile na Praça Onze, cantando o seu samba Guanabara, que, com o título modificado para Cidade-mulher, foi gravado 40 anos depois por Alcides Lopes, no LP Portela, da serie Histórias das escolas de samba, da gravadora Marcus Pereira.
A partir de 1935, a Vai Como Pode passou a ser chamada G.R.E.S. da Portela, nome mais “respeitável”, sugerido por um delegado de polícia. No ano seguinte, foi eleito Cidadão Momo. Em 1937, teve seu samba Cantar para não chorar (com Heitor dos Prazeres), gravado por Carlos Galhardo, em disco Víctor.
Recebeu, ainda em 1937, o título de Cidadão Samba, dado pela União Geral das Escolas de Samba. Dois anos depois, a Portela venceu novamente o desfile das escolas com seu enredo Teste de samba. Juntamente com Cartola, trabalhou, em 1941, na Rádio Cruzeiro do Sul, fazendo o programa A Voz do Morro, no qual os dois compositores apresentavam sambas inéditos para os quais os ouvintes deveriam sugerir títulos.
Ainda em 1941, a Portela foi a vencedora do desfile de escolas de samba, com o seu samba Dez anos de glória (com Antônio Caetano), iniciando assim o período de ouro da escola, que seria campeã durante os sete anos seguintes. Ironicamente, esse foi o último ano em que desfilou pela Portela: desentendendo-se com a diretoria, transferiu-se para a escola de samba Lira do Amor, do subúrbio de Bento Ribeiro, onde passou a atuar como mestre de canto.
Em 1942, formou, com Cartola e Heitor dos Prazeres, o Grupo Carioca, trio que realizou apresentações em São Paulo SP, num programa da Rádio Cosmos. Nessa temporada na capital paulista, os três sambistas exibiram-se também individualmente, cantando em lugares públicos de diferentes bairros da cidade.
Depois de sua morte, os sambistas que conviveram com ele se encarregaram de transmitir seus sambas para as novas gerações e, assim, em 1965, o seu Pam-pam-pam-pam foi incluído no show Rosa de ouro, levado no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, gravado no LP Rosa de ouro, da Odeon; seu partido-alto Cocoró foi interpretado pela Velha Guarda da Portela no LP Portela, passado de glória, lançado pela RGE em 1970; seu samba até então inédito, Quitandeiro, foi lançado em 1974 por Alvaiade, no LP Portela, da Marcus Pereira.
Além dessas gravações, foi também homenageado por outros compositores, em sambas como De Paulo da Portela a Paulinho da Viola (Francisco Santana e Monarco) e Passado de glória (de Monarco).
Obras
Cantar para não chorar (c/Heitor dos Prazeres), samba, 1937; Dez anos de glória (c/Antônio Caetano), samba, 1941; Guanabara (Cidade-mulher), samba, 1974; Quem espera sempre alcança, samba, 1932; Quitandeiro, samba, 1934.

Marcadores: , ,


Murilo Caldas

0 comments

Murilo Caldas, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 27/6/1905. Do bairro de São Cristóvão assim como seu irmão Sílvio Caldas. Compôs o samba Alô melancia, e foi mostrá-lo a Eduardo Souto, diretor-artístico da Odeon. Depois de cantá-lo várias vezes, esperava um cantor indicado para gravar e, para sua surpresa, foi ele o indicado, tendo saido no disco Parlophon 13345, em 1931, gravando no lado B Desilusão (Ary Barroso).
No Carnaval de 1932, gravou na Victor sua marcha Isola, isola, em dueto com Carmen Miranda, e na Columbia as marchas Sobe no bonde (Arlindo Marques Jr.) e A turma lá de casa (Canuto), com sucesso. Nesse ano gravou com Sílvio Caldas o samba Pobre e esfarrapada.
Em 1933 gravou de sua autoria o samba Desacato (com Wilson Batista e Paulo Vieira), fazendo trio com Francisco Alves e Castro Barbosa, e o samba Mossoró, minha nega (Ary Barroso).
A partir de 1938, passou a gravar com sua mulher, Lolita França, músicas bem-humoradas e bem-aceitas, tendo viajado pelo Brasil, Uruguai e Argentina. Em 1939 gravou de sua autoria os sambas Lourinha audaciosa e Linha cruzada, e, em 1940, o samba Mulher exigente e a marcha O papai e a filhinha (com Miguel Lima).
Bom sambista, compôs Teleco-teco (com Marino Pinto), interpretado por Isaura Garcia em 1942, com grande sucesso. No Carnaval de 1946, lançou a marcha Marmiteiro (Valdomiro Lobo), muito cantada. De 1931 a 1956, gravou cerca de 37 discos em 78 rpm com 65 músicas, os últimos com sua segunda mulher, a cantora Linda Marival.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Marcadores: , ,


Miltinho

1 comments

Miltinho
Miltinho (Milton Santos de Almeida), cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 31/1/1928. Começou a carreira artística na década de 1940, integrando o conjunto vocal Cancioneiros do Luar. O conjunto, de início amador e formado por estudantes, participou do programa de calouros de Ary Barroso, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro.
Depois, já profissional, atuou no programa Escada de Jacó, na mesma emissora. Em 1946, com outros integrantes do Cancioneiros do Luar, Nanai (Arnaldo Humberto de Medeiros) e Chicão (Francisco Guimarães Coimbra), integrou a segunda formação do conjunto Namorados da Lua, como cantor e pandeirista.
No ano seguinte gravou com o conjunto o samba De conversa em conversa (Haroldo Barbosa e Lúcio Alves), na Victor, acompanhando a cantora Isaura Garcia. Com a saída de Lúcio Alves, o grupo passou a se chamar Os Namorados, desfazendo-se pouco tempo depois.
Em 1948, com Nanai e Chicão, integrou o conjunto Anjos do Inferno, que viajou pelos EUA, apresentando-se ao lado de Carmen Miranda; atuou também por dois anos no México, no programa radiofônico Coisas e Aspectos do Brasil.
Em 1952 integrou, como cantor e pandeirista, o conjunto Quatro Ases e um Curinga, substituindo André Vieira. Foi também crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo e por 1953 passou a crooner do conjunto Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira, com o qual se apresentou nas boates Monte Carlo, do Hotel Plaza, no Rio de Janeiro, e depois na Drink, de Djalma Ferreira, época em que alcançou grande sucesso.
Gravou com o conjunto, na etiqueta Drink, Recado (Djalma Ferreira e Luís Antônio), Mulher de trinta (Luís Antônio), Zé Marmita (Luís Antônio e Brasinha) e Devaneio (Djalma Ferreira e Luís Antônio). Fez também, com os Milionários do Ritmo, temporada na TV Continental, do Rio de Janeiro. Recebeu então convite para gravar como cantor solista na gravadora Sideral, lançando em 1960 o LP Um novo astro, com Mulher de trinta, Eu e o Rio (Luis Antônio), Murmúrio (Djalma Ferreira e Luís Antônio) e Ri (Luís Antônio).
Com a falência da gravadora, foi contratado pela RGE, gravando em 1961 o LP Miltinho e samba, com Só vou de mulher (Haroldo Barbosa e Luís Reis). No ano seguinte lançou o LP Poema do olhar com a faixa-título de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e Meu nome é ninguém (Haroldo Barbosa e Luís Reis).
Em 1963 lançou os LPs Poema do adeus, com a faixa-título de Luis Antônio e Palhaçada (Haroldo Barbosa e Luis Reis), e Eu... Miltinho, com o Samba do crioulo (Miguel Gustavo); em 1964 Os grandes sucessos de Miltinho, com Mulata assanhada (Ataulfo Alves) e regravações, e também o LP Miltinho, bossa e balanço. No ano seguinte gravou o LP Poema do fim, faixa-título de Eduardo Damas e Manuel Paixão, e Miltinho ao vivo, com diversos pot-pourris.
Em 1966 transferiu se para a Odeon, onde gravou, em dupla com Elza Soares, quatro volumes da série Elza, Miltinho e samba, e outros quatro em dupla com Dóris Monteiro, da série Dóris, Miltinho e charme, além dos LPs Samba + samba = Miltinho, 1966; As mulheres de Miltinho, 1968; Samba & Cia., 1969; Miltinho e a seresta, 1970; Novo recado, com o grande sucesso Samba do Leblon (Luís Reis), 1971; Miltinho, com Esperanças pendidas (Eduardo Souto Neto e Geraldo Carneiro), 1973; e Miltinho, com Retalhos de cetim (Benito Di Paula), 1974.
Em 1997 a gravadora Globo/Columbia lançou o CD Miltinho sempre sucessos, em que canta em dueto com outros artistas: Mulher de trinta, com João Nogueira; Menina-moça, com Luís Melodia; Lembranças, com João Bosco; Notícia de jornal, com Chico Buarque; Palhaçada, com Elza Soares etc.
Algumas letras e cifras:
De conversa em conversa, Devaneio, Lembranças, Menina-moça, Meu nome é ninguém, Mulata assanhada, Mulher de trinta, Palhaçada, Poema do olhar, Retalhos de cetim e Zé Marmita.

Marcadores: , ,


Marilu

0 comments

Marilu, cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 8/10/1918. Embora bastante reconhecida nos anos iniciais da década de 1940, ficaria esquecida nos tempos posteriores, até pelo fato de morar fora do Brasil. Nascida no bairro carioca de Vila Isabel, lá conheceu o compositor Noel Rosa.
Estreou como cantora em 1937, na Rádio Educadora em um programa de música música portuguesa apresentado por Manoel Monteiro. Atuou como crooner da orquestra do Cassino de Petrópolis. Estreou em disco em 1940 gravando pela Victor o samba-choro Meu mulato e meu canário, de Jardel Noronha.
Foi uma das estrelas da Rádio Nacional e da gravadora RCA Victor. Não se dedicou no entanto a uma carreira radiofônica preferindo realizar excursões pelo país cantando em diferentes cassinos. Morou um tempo na Argentina, onde se apresentou na Boate Sagaró, na Rádio Splendid e no teatro Smart.
Foi posteriormente contratada pela Rádio El Mundo, de Buenos Aires.Em 1942, gravou na RCA Victor a marcha Primavera, de Darci de Oliveira, e o samba-batucada O que é que ele tem?, de Ari Monteiro e Juraci Araújo.
Para o carnaval de 1943, gravou a marcha Galinha verde, apelido dado aos integralistas, versão brasileira dos nazistas, de José Gonçalves e André Gargalhada, e o samba Procurando alguém, de Ari Monteiro e Ari Follain. No mesmo ano, gravou o samba Por que é, de Roberto Martins e Mário Rossi, a valsa Saudades de sinhazinha, de Constantino Silva, e os choros Júlia sapeca, com o qual fez sucesso, e Fiz um chorinho, ambos de José Gonçalves.
Também em 1943, lançou os sambas Desta vez vou ser feliz, de Amaro Silva e Djalma Mafra, Anda nego, de Vicente Paiva e Sá Róris, e Reu primário, de Amaro Silva e Djalma Mafra, além da marcha Índia Paraguaçu, de Max Bulhões e João Bastos Filho.
Para o carnaval de 1944, gravou os sambas Tu bem sabes, de Ciro Monteiro e Kid Pepe e Ele já não te ama, de Valfrido Silva e Sá Róris. Em 1945, era considerada uma das campeãs de vendagem de discos. Entre seus sucessos estão Por favor não vá, de Vicente Paiva e Darcy de Oliveira e Maria perigosa, de Ari Monteiro e José Maria de Souza e Silva.
Em 1946, retornou ao Brasil e realizou uma temporada na Rádio Globo. Nesse ano, gravou um disco pela Continental com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto regional interpretando os choros Filas e mais filas, de José Maria de Souza e Raul Marques, e Viúva de quatro maridos, de José Maria de Souza.
Em 1947, realizou diversas apresentações em diferentes cidades do continente americano. Por essa época, passou a residir definitivamente em Buenos Aires. Sua opção de morar fora do Brasil acabou por a afastar da gravação de discos. Mesmo assim, em 1951, fez uma última gravação pelo selo Carnaval com as marchas Aqui tá bom, de Moacir Pontes, Jairo de Almeida e Marcos Alberto, e Society, de Caetano Mascarenhas.
Gravou um total de nove discos com dezoito músicas pelas gravadoras Victor, Continental e Carnaval. O forte de sua carreira no entanto, eram a sapresentações ao vivo em clubes, cassinos e teatros.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

Marcadores: , ,


Cuma é o nome dele?

0 comments

Cuma é o nome dele? (embolada) - Manezinho Araújo

Oi, Cuma é o nome dele?
É Mané Fuloriano

Antigamente
Quando a gente se beijava
Num instante separava
Pois o beijo não me ilude
Mas hoje o moço
Quando beija a namorada
Fica de boca grudada
Parece que leva grude
Cuma é o nome dele?
É Mané Fuloriano

E uma moça
Uma perna beliscando?
Fiquei foi suspirando
Disso nunca a gente acha
Mas de momento
Essa moça com bondade
Foi dizendo
E à vontade; minha perna é de borracha
Cuma é o nome dele?
É Mané Fuloriano

Vi um sujeito discutindo com a mulé
Pensem lá o que quiser
Mas direito é que eu não acho
E que por cima
Pouca roupa ela usava
Além disso não gostava de usar roupa por baixo
Cuma é o nome dele?
É Mané Fuloriano.

Marcadores: ,



Pra onde tu vai, valente? (embolada, 1934) - Manezinho Araújo

Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente,

Tava na feira
C'a pistola e um cravinote
0 muleque deu um pinote
Me chamou mode brigá.

Pego no meu punhá
Enfio a faca, o sangue pula
Moleque você não bula
Com Mané do Arraiá.

Veio um sordado
C'um boné arrevirado
Com dois oio abuticado
Que só cachorro do má.

Botou-me a mão
Home, me disse, você tá preso
E eu fiquei c'um braço teso
Na cara lhe quis passá.

Pra vadiá
Eu sou caboco bom na briga
Mas só gosto da intriga
Quando encontro especiá.

Dedo do Cão
Moleque bom no gatilho
Se coçou, eu vi o brilho
Atirou pra me pegá.

Ele me atira
Eu me abaixo e a bala passa
E fico achando graça
Do baque que a bala dá.

Pra onde vai, valente?
Vou pra linha de frente.

Marcadores: ,


Manezinho Araújo

0 comments

Cantor e compositor, Manuel Pereira de Araújo, o Manezinho Araújo, nasceu no município do Cabo/PE, a 27-09-1910. Tornou-se embolador no Recife, bairro de Casa Amarela, ouvindo Severino de Figueiredo Carneiro (conhecido como Mestre Minona) que foi o primeiro brasileiro a gravar uma embolada.
Durante a Revolução de 1930, era sargento e viajou, com um contingente do Exército, para combater os revoltosos no Rio de Janeiro. Pouco antes do navio chegar ao Rio, a revolução foi controlada e os militares tiveram que retornar ao Recife.
No mesmo navio, viajavam vários artistas famosos (entre os quais Almirante e Carmen Miranda) que resolveram fazer um show a bordo, para matar o tempo. Alguém, então, lembrou de um sargento "que fazia emboladas como ninguém"; Manezinho interpretou algumas de suas canções e, sob os aplausos de todos, recebeu o seguinte conselho de Carmem Miranda: "Volte ao Rio de Janeiro, cante assim vestido de soldado, que você vai fazer o maior sucesso".
Em 1933, com dois mil réis no bolso, Manezinho deixou o Recife seguiu para o Rio, onde logo participou de programas na Rádio Mayrink Veiga e, depois, gravaria o seu primeiro disco, com duas emboladas de sua autoria: "Minha Prantaforma" e "Se eu Fosse Interventô". Já fazendo sucesso no rádio e em shows, gravou o segundo disco em 1933, um 78 rotações, com duas emboladas: "Cuidado com o Coco" e "Festa no Arraiá".
De 1933 a meados da década de 1950, chegou a gravar 46 discos, com 92 músicas, quase todas de sua autoria. Apesar do sucesso, ganhou pouco dinheiro com a música e decidiu abandonar a carreira.
Em julho de 1956, realizou um show de despedida, no Tijuca Tênis Clube que ficou lotado por 15 mil pessoas. Com o dinheiro arrecadado no último show, realizou um desejo antigo: montou, no Rio de Janeiro, um restaurante especializado em comida baiana.
Além da música, atuou, também, no cinema, participando de filmes como "Maria Bonita" (1936) e "Laranja da China" (1940). Foi, ainda, pintor e o primeiro artista a gravar um jingle no Brasil, para o sabonete Lifeboy.
Morreu em São Paulo, a 23-05-1993. Principais obras: "Pra onde tu vai, valente?; "Cuma é o nome dele?"; "Caminhão do Coroné", etc. Era considerado o "rei da embolada".
Fonte: Pernambuco de A/Z

Marcadores: , , ,


Max Nunes

1 comments

Max Nunes (Max Newton Figueiredo Pereira Nunes), humorista e compositor brasileiro, nascido em 1922 no bairro de Vila Isabel, na cidade do Rio de Janeiro. Começou a carreira na Rádio Guanabara ainda menino, como cantor e violonista.
Formou-se em Medicina, mas, embora tenha exercido essa profissão, destacou-se mesmo como redator de programas humorísticos na Rádio Nacional, onde era chamado pelos amigos de “o gargantinha de veludo”.
Foi criador do programa Balança mas não cai, que se tornou um paradigma do humor tanto do rádio como da televisão. Entre os seus quadros mais famosos está o dos personagens Primo Rico e Primo Pobre, interpretados por Paulo Gracindo e Brandão Filho, respectivamente. Foi no mesmo Balança mas não cai que criou e popularizou a expressão Mengo, aférese de Flamengo, que fazia parte do bordão do personagem Peladinho.
Foi também autor de algumas obras-primas da música popular brasileira, como Bandeira branca, que fez em parceria com Laércio Alves. Entrou para a televisão em 1962, criando os programas Grande revista e My Fair Show e escrevendo para o Times Square, na TV Excelsior.
Em 1964 foi para a Rede Globo, onde seus principais trabalhos foram como redator dos programas de Jô Soares, com quem se transferiu para o SBT. Em 1996, publicou o seu primeiro livro, Uma pulga na camisola (mesmo título de um programa humorístico que criou para a Rádio Tupi na década de 1950), coletânea de contos, crônicas, poemas, esquetes e muitas frases típicas do seu mordaz humor.
Fonte: Rádio Comunitária Areia FM.

Marcadores: , , ,


Arlindo Pinto

0 comments

Arlindo Pinto, compositor, nasceu em São Paulo/SP em 19/9/1906 e faleceu em 29/4/1968. Como gráfico, tomou gosto pela leitura e se inclinou a escrever versos e paródias. Participava de festinhas, teatro de amadores, circos, chegando a ser artista de teatro de comédia, interpretando seus monólogos.
Em 1928, ingressou na Guarda Civil de São Paulo, onde permaneceu até 1953. Em 1934, teve sua primeira composição gravada, Desafio n°2, por Nhá Zefa (Maria Di Leo) e Abdula (Lino Locoselli), na Columbia. Seu maior sucesso foi Segue teu caminho (com Mário Zan), gravado por Sólon Sales, na Continental, e que de 1948 a 1949 foi o carro-chefe do cantor.
Outras composições em parceria com Márioo Zan que ainda são sucessos e foram gravadas por vários intérpretes são Chalana (rasqueado), Cidades de Mato Grosso, Não vou brincar (valsa), Cantando (valsa), Rola, mensageiro etc.
De parceria com Anacleto Rosas Júnior, tem sucessos em novas gravações, como Baldrana macia, Cruz do caminho, Coroa do rei (congada), Adeus, Rio Grande etc. De parceria com Palmeira, dentre outras, são as gravações Nossa Senhora das Graças (valsa) e Peão de classe.
Com Zé Cupido compôs Escamoso (xaxado), Cuidado, moço!, Tamo lá etc. Inúmeras são as composições de sua autoria gravadas por Zé Cupido: Capiau (arrasta-pé), Fumo forte (arrasta-pé), Zé largado (valseado), Tatajuba (maxixe) etc.
Em parceria com Hélio Sindô compôs varias músicas, entre as quais se destacaram Diga a ela, Olinda não fracassou. Com L. M. Alves, compôs Nossa Senhora de Fátima e a canção Cigana, sucesso com mais de dez gravações.
Os artistas que mais se destacaram interpretando músicas do autor foram Inesita Barroso, Irmãs Castro, Duo Brasil Moreno, Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, Luisinho e Limeira, Raul Torres e Florêncio, Palmeira e Biá, Duo Glacial, Pingoso, Palmeira e Luisinho, Duo Guarujá.

Marcadores: , , ,


Mário Zan

0 comments

Mário Zan (Mário João Zandomenighi), compositor e instrumentista, nasceu em Roncade (Veneto), Itália, em 9/10/1920. Tinha quatro anos de idade quando sua família veio para o Brasil, fixando-se em Santa Adélia/SP. Fascinado pela música apresentada nos bailes sertanejos desde criança, estudou acordeom com Ângelo Reale e teoria musical com o maestro Tripicchioni.
Em 1939 começou a apresentar-se nas rádios Bandeirantes, Cultura, Record e Tupi, de São Paulo/SP, como acordeonista, mas só se destacou quando Piraci, da dupla Palmeira e Piraci, o aproximou do Capitão Furtado, que estava à procura de um acordeonista para excursionar pelo interior de São Paulo e Mato Grosso.
Ao lado de Nhô Pai, Nhá Fia e o Capitão Furtado, viajou de Porto Feliz/SP até Porto Esperança/MT, onde os dois primeiros decidiram voltar para São Paulo, enquanto os outros prosseguiram até o Paraguai.
Em fins da década de 1930 e na de 1940, compôs o choro Trem de ferro (1938), a valsa Namorados (1939), a rancheira Brincando com o teclado (1941), o chamego Elétrico (1941), o rasqueado Três Lagoas (1943), o xótis Eu sou gaúcho (com Arlindo Pinto) (1943), a rancheira Sanfoneiro folgado (com Motinha) (1946), a polca Serelepe, O balanceio (1947), o rasqueado Chalana e Cidades do Mato Grosso, estas duas últimas em parceria com Arlindo Pinto.
Sua primeira gravação, a valsa Namorados, só aconteceu em 1945, na Continental. Nove anos depois, conheceu o sucesso ao gravar na Victor o dobrado Quarto Centenário (em homenagem à cidade de São Paulo), composto em parceria com J. M. Alves.
O rasqueado Nova flor (também conhecida como Dizem que um homem não deve chorar), parceria com Palmeira, foi gravado pela primeira vez em 1958, por Palmeira e Biá, em disco Chantecler, e obteve grande sucesso. A composição foi vertida para o inglês por Arthur Hamilton como Love me Like a Stranger e para o castelhano por Pepe Ávila como Los hombres no deben llorar, tendo inúmeras gravações no Brasil e no exterior.
Participou dos filmes Da terra nasce o ódio, de Antoninho Hossri (1954), Tristeza do Jeca, de Milton Amaral (1960) e Casinha pequenina, de Glauco Mirko Laurelli (1963). Pela RCA, lançou ainda várias músicas suas nos LPs Zanzando e Sapecando.
Na década de 1990 sua composição Chalana foi tema principal da novela Pantanal, da TV Manchete. Em 1998 comanda o programa Mário Zan e seus Convidados, na TV Rede Vida. Ao longo de sua carreira já gravou mais de 300 discos 78 rpm e mais de 60 LPs.
Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977.

Marcadores: , ,


Mário Gennari Filho

0 comments

Mário Gennari Filho, multiinstrumentista (acordeom, violão, piano, solovox, guitarra havaiana), professor e compositor, nasceu em São Paulo/SP em 07/07/1930 e faleceu em junho de 1989. Estreou com apenas oito anos, descoberto pelo Capitão Barduíno, que o lançou em seu programa na Rádio Bandeirantes, de São Paulo.
Dois anos depois, gravou seu primeiro disco, a convite da Columbia, Viajando pela Itália. Dessa fábrica passou para a Odeon, onde gravou grandes sucessos: Casinha pequenina (domínio público); Maringá (Joubert de Carvalho), Chuá, chuá (Sá Pereira e Ari Pavão).
Durante quatro anos trabalhou na Rádio Bandeirantes, deixando-a pela Tupi, onde ficou 12 anos, e depois, com o aparecimento da televisão, começou a apresentar-se em várias emissoras paulistas.
Junto com a também acordeonista Rosani M. de Barros, teve um conservatório para o ensino do acordeom em São Paulo, que formou vários instrumentistas. Excursionou por muitos Estados e obteve várias vezes o prêmio Roquete Pinto como melhor solista instrumental.

Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Marcadores: , , , , ,


Paz do meu amor

0 comments

Paz do meu amor (1963) - Luís Vieira
Tom: C7+

C7+ E7 Am Am/G
Você é isso, uma beleza imensa
F G7 C7+ C7
Toda a recompensa de um amor sem fim
F A7 Dm7 Dm/C
Você é isso, uma nuvem calma
Bm7/5- D7/9
No céu de minh'alma
F/G G7/9-
É ternura em mim
Dm7 G7
Você é isso, estrela matutina
Em7 Bb7/13 A7/5+
Luz que descortina um mundo encantador
Dm7 G7 C7+
Você é isso, parto de ternura
A7/5+ Dm7
Lágrima que é pura
G7 C7+
Paz do meu amor!

Marcadores: , ,


Menino passarinho

0 comments

Um dos maiores sucessos de Luís Vieira é “Prelúdio para Ninar Gente Grande”, mais conhecido como “Menino Passarinho” em razão do verso “sou menino passarinho com vontade de voar”. Tal como “o Menino de Braçanã” outro êxito de Vieira, “Menino Passarinho” é uma canção sentimental, de letra meio pitoresca (“Quando estou nos braços teus / sinto o mundo bocejar”), mas que também sugere um clima místico-romântico acentuado pela interpretação contrita do autor, a melhor entre as várias versões gravadas (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Prelúdio para ninar gente grande (balada, 1962) - Luís Vieira

C      E7    Am                   Dm
Quando es...tou nos braços teus
G7 C B7
Sinto o mundo bocejar...ar
Em Em7+ Em7 F#m
Quan...do es...tás nos braços meus
B7 Em
Sinto a vida descansar

F A7 Dm Gm
No ca...lor do teu carinho
A F
Sou menino passarinho...
G7 C C7
Com vontade de voar...
F Mbo C Am7
Sou me...nino passarinho
Dm G7 C
Com vontade ... de voar

Marcadores: , , ,


Luís Vieira

0 comments

Luís Vieira (Luís Rattes Vieira Filho), compositor e cantor, nasceu em Caruaru/PE em 12/10/1928. Deixou Caruaru antes dos dez anos de idade, indo para o Rio de Janeiro, onde exerceu profissões como chofer de caminhão, engraxate, lapidário e guia de cego.
Em 1943 já cantava em programas de calouros e era crooner de um cabaré da Lapa, da Leiteria Boil e do Capela. Em 1946 deixou seu emprego numa oficina mecânica e começou a se apresentar na Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial), no programa Manhãs na Roça, de Zé do Norte, cantando música nordestina.
Tornou-se secretário e diretor musical do programa, para o qual redigia textos, anunciando casamentos, batizados, óbitos e nascimentos. Mais tarde foi para o programa Salve o Baião, da Rádio Tamoio, tornando-se o “príncipe do baião”, ao lado de Luiz Gonzaga, o “rei”, Carmélia Alves, a “rainha” e Claudete Soares, a “princesinha”.
Convidado por Almirante, passou a atuar também na Rádio Tupi. Com a inauguração da TV Tupi, do Rio de Janeiro, em 1951, participou do primeiro musical de televisão, Espetáculos Tonelux, uma realização de Mário Provezano, estrelado por Virginia Lane.
Foi para a Rádio Nacional em 1953, ano em que compôs um dos seus maiores sucessos, a toada Menino de Braçanã (com Arnaldo Passos). No fim da década de 1950 foi para a Rádio e TV Record, de São Paulo, para fazer o programa semanal Encontro com Luís Vieira, com o qual se transferiu para a TV Excelsior, de São Paulo, onde continuou divulgando musicas e cantadores do Nordeste.
Em 1962, a bordo de um avião, compôs o seu maior sucesso, o Prelúdio para ninar gente grande, que se tornou mais conhecida como Menino passarinho. Em 1975 fez o show Luís Vieira, de rapadura e cuscus até menino passarinho, no Teatro da Lagoa, no Rio de Janeiro, acompanhado pelo grupo Gente. Nesse mesmo ano apresentou se no show Tarde nordestina, na boate Igrejinha, em São Paulo.
Entre baiões, guarânias, toadas, sambas e prelúdios, é autor de mais de 300 canções gravadas, além de ser profundo conhecedor de literatura de cordel e folclore. Tem três Lps lançados pela Copacabana: Retalhos do Nordeste e Encontro com Luís Vieira, volumes 1 e 2.
Entre seus maiores sucessos estão o baião Paroliado, de 1954, a toada Os olhinhos do menino, de 1955, o corridinho Maria Filó (com João do Vale), de 1956, o prelúdio Paz do meu amor, de 1963, e a canção Sinfonia do amor divino, de 1964. Empresário e publicitário, fundou a Luís Vieira Produções.
Obras: Cafundó (c/Luis Bandeira), baião, 1954; Encalacrado (c/Adoniran Barbosa), samba, 1989; Forró do Frutuoso (c/João do Vale), baião, 1955; Lelê belezinha, baião, 1955; Malaquias (c/João do Vale), baião, 1976; Maria Filó (c/João do Vale), corridinho, 1956; Menino de Braçanã (c/Arnaldo Passos), toada, 1953; Os olhinhos do menino, toada, 1955; Pai, acende o lampião (c/Ubirajara Santos), baião, 1951; Paroliado, baião, 1954; Paz do meu amor, prelúdio, 1963; Prelúdio para ninar gente grande (Menino passarinho), 1962; Rolinha, minha saudade, toada, 1953; Sinfonia do amor divino, canção, 1964; Soleiras, canção, 1990; Tronco velho, toada, 1982.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Marcadores: , ,


Luís Barbosa

0 comments

Luís Barbosa (Luís dos Santos Barbosa), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 7/7/1910 e faleceu em 8/1 0/1938. Irmão do compositor Paulo Barbosa, do humorista e cantor Barbosa Júnior e do radialista Henrique Barbosa, começou sua carreira na Radio Mayrink Veiga, no Esplêndido Programa, de Valdo Abreu, em 1931, logo se destacando por sua personalidade na interpretação de sambas, reforçada pela novidade da utilização de “breques”.
Foi também o introdutor do chapéu de palha como acompanhamento rítmico, nos programas de rádio e em gravações. Seus primeiros sucessos foram as interpretações de Caixa Econômica (Nássara e Orestes Barbosa) e Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro).
Em 1931 gravou na Odeon seus primeiros discos: os sambas Meu santo (Pedro Brito), Silêncio (Vadico), Não gostei de seus modos (Amor) e Sou jogador (de sua autoria), e as marchas Vem, meu amor (Pedro Brito e Milton Amaral) e Pega, esta também de sua autoria.
Na Victor, em 1933, gravou o primeiro samba de Wilson Batista, Na estrada da vida, e em seguida o samba Adeus, vida de solteiro, além do samba-canção Jamais em tua vida, ambos do compositor e pianista Mano Travassos de Araújo, que o acompanhou ao piano. No mesmo ano, a convite de Jardel Jércolis, passou a se apresentar todas as noites no Teatro Carlos Gomes, cantando juntamente com Deo Maia o samba No tabuleiro da baiana (Ary Barroso), que seria gravado por ele em dupla com Carmen Miranda, na Odeon, em 1937.
Em seguida gravou, na Victor, a marcha Quem nunca comeu melado (com Jorge Murad), o samba Bebida, mulher e orgia (Luis Pimentel, Anis Murad e Manuel Rabaça), o samba Cadê o toucinho e a marcha Eu peço e você nao dá (ambos de Nássara e Antônio Almeida), e os sambas Lalá e Lelé (Jaime Brito e Manezinho Araújo), Risoleta (Raul Marques e Moacir Bernardino), Perdi a confiança (Rubens Soares e Ataulfo Alves) e Já paguei meus pecados (Leonel Azevedo e Germano Augusto).
Entre 1935 e 1937 gravou uma série de sambas de breque de Antônio Almeida e Ciro de Sousa, com acompanhamento ao piano de Mário Travassos de Araújo. No Carnaval de 1936, fez sucesso com a gravação da marchinha de Antônio Almeida e A. Godinho Ó! ó! não, que inicialmente era um anúncio da Drogaria Sul-Americana, do Rio de Janeiro.
A vida de boêmio interrompeu o sucesso de sua curta mas extraordinariamente marcante carreira, tendo morrido tuberculoso em casa de sua família, na Tijuca, em 1938.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasilewira - Art Editora.

Marcadores: , , , , ,


Na cadência do samba (Que bonito é)

0 comments

O compositor pernambucano Luiz Bandeira lançou alguns sucessos nos anos 50, entre os quais sua composição mais conhecida, "Na Cadência do Samba", utilizada como tema do cinejornal Canal 100, sobre futebol. Também conhecida como "Que Bonito É", um dos versos, a música tornou-se sinônimo de futebol, apesar de não ter sido composta com essa intenção (Figura: o jogador Garrincha em mais um cinejornal do Canal 100).

Na cadência do samba (Que bonito é)
Luis Bandeira

Que bonito é
Ver um samba no terreiro
Assistir a um batuqueiro
Numa roda improvisar

Que bonito é
A mulata requebrando
Os tambores repicando
Uma escola desfilar

Que bonito é
Pela noite enluarada
Numa trova apaixonada
Um cantor desabafar

Que bonito é
Gafieira salão nobre
Seja rico, seja pobre
Todo mundo a sambar

O samba é romance
O samba é fantasia
O samba é sentimento
O samba é alegria

Bate que vá batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também

Marcadores: ,


Luiz Bandeira

0 comments

Luiz Bandeira, cantor, músico e compositor, nasceu a 25 de dezembro de 1923, no Recife/PE, onde iniciou a carreira artística em 1939, em um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco, que o contratou em seguida.
Foi também violonista, radio-ator e cantor de orquestra. Ainda no Recife, em 1948 participou da inauguração da Rádio Jornal do Commercio.
Considerado um dos maiores compositores de frevo, autor, entre outros, dos frevos-canções Voltei, Recife e É de Fazer Chorar (mais conhecida como Quarta-Feira Ingrata).
Além de músicas carnavalescas, também é autor de sucessos gravados por Luiz Gonzaga (Onde Tu Tá, Nenem), Clara Nunes (Viola de penedo) e outros grandes nomes da música popular brasileira. Sua música Na cadência do samba (também conhecida como Que Bonito É) por muitos anos foi tema dos jogos de futebol exibidos pelo jornal do cinema.
Em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como crooner no Copacabana Palace e na Rádio Nacional. Nessa década sua atuação como compositor se destaca como no baião Maria Joana (1952).
Em 1977, participou, no Japão, do Festival Internacional da Canção, com a música Bia. Em 1984, retornou ao Recife, onde morreria, a 22 de fevereiro de 1998, um domingo de carnaval.

Marcadores: , ,


Lolita França

0 comments

Lolita França, cantora, estreou em disco em 1939 na Victor, gravando o samba Olha lá um balão, de Murilo Caldas e a marcha O que é da chave?, de Murilo Caldas e Luiz Bittencourt.
No mesmo ano, gravou com Murilo Caldas o samba Nega, de Heitor dos Prazeres e ainda a marcha Praia de Copacabana, de Antônio Caldas, o samba Darei um prêmio, de Raul Marques e César Brasil e a marcha Vale mais, de Wilson Batista e Marino Pinto.
São de 1940 as gravações das marchas Casinha pequenina, de Wilson Batista e Murilo Caldas e Namoro no portão, de André Filho e dos sambas Nego bamba, de Raul Marques, V. Silva e S. Rodrigues e Mulher exigente, de Murilo Caldas, em dueto com o próprio autor.
Ainda em 1940, gravou com Murilo Caldas as marchas Torcidas renitentes, de Murilo Caldas e O papai e a filhinha, de Caldas e Miguel Lima.
Em 1942, gravou pela Colúmbia a marcha Passarinho piupiu, de Murilo Caldas. Suas gravações obtiveram algum sucesso na Argentina.

Marcadores: , , ,


Lírio Panicali

0 comments

Lírio Panicali, regente, arranjador compositor e instrumentista, nasceu em Queluz/SP em 26/6/1906 e faleceu em Niterói/RJ em 29/11/1984. Filho de imigrantes italianos, aos 12 anos transferiu-se para São Paulo SP, ingressando no Liceu Coração de Jesus e depois no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.
Em 1922, já no Rio de Janeiro/RJ, estudou no I.N.M. e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista. Nessa cidade, conheceu Lamartine Babo, com quem escreveu o fox Saias curtas. Por razões familiares, precisou voltar à cidade natal, lá tendo desenvolvido intensa atividade musical, organizando bandas e coros.
De volta a São Paulo, começou a trabalhar na Rádio São Paulo, passando, em 1938, para a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde participou do programa Canção Antiga, de Almirante. Nesse ano organizou a Orquestra Melódica Lírio Panicali e, desde então, começou a escrever temas para novelas da Rádio Nacional, destacando-se nesse gênero suas valsas Encantamento, Magia (com Raimundo Lopes) e Ternura (com Amaral Gurgel).
Em 1939 estreou no cinema, compondo para o filme Aves sem ninhos, dirigido por Raul Roulien seguindo-se as trilhas sonoras para os filmes: em 1943, Moleque Tião, de José Carlos Burle; em 1947, Este mundo é um pandeiro, de Watson Macedo; em 1953, Dupla do baralho, e em 1954 Nem Sansão nem Dalila, ambos de Carlos Manga.
Foi um dos fundadores da gravadora Sinter (1950), onde permaneceu como diretor do setor artístico e gravou, em 1950, seu primeiro LP, Orquestra melódica de Lírio Panicali. Nessa fábrica, gravou inúmeros sucessos carnavalescos. Idealizou com Paulo Roberto o famoso programa Lira de Xopotó, na Rádio Nacional, sobre bandas do interior, de que resultou o LP do mesmo nome com músicas regionais.
Foi maestro contratado da Rádio M.E.C. e fez arranjos para quase todas as gravadoras do país, tendo-se destacado na Columbia, orquestrando discos de artistas como Cauby Peixoto, Tito Madi e Sérgio Murilo. Fez também arranjos para diversas orquestras, entre as quais a de Zacarias. Com o aparecimento das telenovelas, na década de 1960, foi convidado a escrever algumas trilhas sonoras e, mais tarde, em 1972, resumiu esse seu trabalho no LP Odeon Panicali e as novelas.

Marcadores: , , , , ,


Linda Rodrigues

0 comments

Linda Rodrigues, compositora e intérprete, foi uma das cantoras que mais celebraram a dor-de-cotovelo. Gravou pela primeira vez em 1945, pela Continental, os sambas Enxugue as lágrimas (Elpídeo Viana e Correia da Silva) e Abaixo do nível (Osvaldo dos Santos e Odaurico Mota).
Em 1946 gravou a marcha Atchim (J. Piedade e Príncipe Pretinho) e o samba Claudionor (Cândido Moura e Miguel Bauso). Em 1948 gravou a rumba Jack! Jack! Jack! (Haroldo Barbosa e Armando Castro) e o samba Mais um amor, mais uma desilusão (José Maria de Abreu).
Em 1951 gravou pela Star o samba canção Os dias que lhe dei (Newton Teixeira e Airton Moreira) e o samba Raça negra (Ailce Chaves e Paulo Gesta). Em 1952 gravou o samba Lama (Paulo Marques e Alice Chaves), que veio a ser não apenas seu maior sucesso como um dos sambas-canções mais celebrados no repertório de fossa, e o bolero Nossos caminhos (Aírton Amorim e Nogueira Xavier).
linda_batista_1953
Foto: Getúlio Vargas e Linda Rodrigues. Rio de Janeiro (DF), 1953.
Em 1953 gravou pela Sinter o samba Sombra e água fresca (Geraldo Mendonça e Russo do Pandeiro) e a marcha Bambeio mas não caio (Elvira Pagã, Ailce Chaves e Paulo Marques). Em 1954 gravou o samba Sereno cai (Raul Sampaio e Ricardo Galeno) e a marcha Tá tão bom (Três Amigos).
Em 1955 gravou pela Continental o samba Ninguém me compreende" de Peterpan e o samba-canção Vício de sua autoria e José Braga, com acompanhamento de Guaraná e sua Orquestra, que também se tornou um grande sucesso de sua carreira. No mesmo ano gravou pela Todamérica a marcha Rico é gente bem (Rebelo, Rupp e Ari Monteiro) e o samba Folha de papel (Paulo Marques, Sílvio Barcelos e Ari Monteiro).
Em 1956 gravou os sambas-canções Farrapo humano de sua autoria e Ailce Chaves e Queimei teu retrato (Noel Rosa e Henrique Brito). Em 1957 gravou os sambas Violeta (Mirabeau e Dom Madrir) e Recompensa (Tito Mendes, Nilo Silva e Osvaldo França). No mesmo ano gravou os sambas-canções Pianista, (Irani de Oliveira e Ari Monteiro) e Comentário barato (Jaime Florence e J. Santos).
Em 1958, gravou os sambas Chorar pra que (Aldacir Louro e Silva Jr.) e Quando o sol raiar (Mirabeau, Sebastião Mota e Urgel de Castro). No mesmo ano registrou ainda o samba Sereno no samba (Aldacir Louro e Dora Lopes) e o bolero Nada me falta de sua autoria e Aldacir Louro.
Em 1959 gravou pela RCA Victor o samba Tem areia de sua autoria e José Batista e a marcha Marcha da folia de sua autoria, Aldacir Louro e Silva Jr. Em 1960 gravou os sambas-canções Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos) e Tenho moral de sua autoria e Castelo. No mesmo ano gravou Companheiras da noite samba-canção de sua autoria, Ailce Chaves e William Duba.
Fonte: Cantoras do Brasil - Linda Rodrigues

Marcadores: , , ,


Leonel Faria

0 comments

Leonel Faria (Leonel Neves de Faria), cantor, nasceu em 15/1/1908 no Rio de Janeiro e faleceu em 27/12/1935 nesta mesma cidade. Estreou, em 1930, como "crooner" no Brasil Danças e, logo em seguida, passou a cantar na Rádio Clube do Brasil e no Cassino da Urca com a orquestra de Simon Bountman.
Em 1931 gravou na Columbia seu primeiro disco, interpretando os sambas Maria e Cavanhaque, de Ary Barroso com acompanhamento da Orquestra Columbia de Simon Bountman. No mesmo ano, gravou um série de mais onze discos na Columbia num total de 20 músicas a maioria com acompamento da orquestra de Simon Bountman com destaque para os sambas Eu sou gozado assim e O meu conselho, ambos de Pixinguinha.
Em 1932 gravou os sambas Sonho de amor, de Simon Bountman e Que se dane, de Noel Rosa e J. Machado. Em 1934, gravou com acompanhemento da Orquestra da Rádio Clube do Brasil as marchas Acabou-se o que era doce, de Sain-Clair Sena e Mal de amor, de Freitinhas.
Suas últimas gravações em 1935 foram o samba Deve ser azar e a marcha É hora..., ambas de Saint Clair Sena, pela gravadora Odeon.
Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

Marcadores: ,


Leo Peracchi

0 comments

Leo Peracchi nasceu em 30/9/1911 na cidade de São Paulo-SP e faleceu em 16/1/1993 no Rio de Janeiro-RJ. Foi regente, arranjador, pianista, professor, compositor, mestre da instrumentação moderna brasileira e destacado orquestrador da Música Popular Brasileira. Durante sua vida profissional teve enorme importância também como formador de músicos e incentivador de jovens artistas como Toquinho, Tom Jobim e do pianista Arthur Moreira Lima.
Primeiro filho de Memore e Ada Peracchi, seu pai foi professor de música e diretor do Conservatório Benedetto Marcello, depois Conservatório Carlos Gomes. Teve quatro irmãos, três dos quais também musicistas: Henriqueta Elda, pianista, Eldo, violoncelista e Gemma Rina, pianista e professora do conservatório Carlos Gomes, e Tina, secretária e estenógrafa.
Formou-se em piano e composição no conservatório do pai, onde, ainda de calças curtas, passou a dar aula de teoria e solfejo (1927). Começou sua carreira dirigindo pequenas orquestras (1928), acompanhando filmes nos cinemas da cidade, e tornou-se concertista clássico de piano.
Casou-se (1932) com sua primeira mulher, Sofia Giordani, com quem viveu durante 18 anos e teve dois filhos, Márcia e Adriano Lúcio, e passou a trabalhar como pianista e maestro da Rádio Kosmos, de São Paulo (1936). Passado pela Rádio Bandeirantes e pela Rádio Educadora Paulista, seguiu para o Rio de Janeiro (1941), a convite da Rádio Nacional, à época a maior emissora do país, onde participou de vários programas como orquestrador, regente e compositor.
Foi o criador, juntamente com Haroldo Barbosa e José Mauro, do programa Dona Música, que apresentava músicas de todas as partes do mundo. Entre muitas outras atividades, dirigiu a orquestra da Rádio Nacional no programa A história das orquestras do Brasil (1944), também lançado por Almirante.
Passou a viver (1950) com sua segunda mulher, a cantora lírica Lenita Bruno (1929-1987), com quem teve uma filha, a cantora Míriam. Escreveu partituras musicais para diversos filmes da Atlântida e Flama, como a chanchada Tu és Meu (1952), de José Carlos Burle e incontáveis arranjos para discos e regeu várias orquestras.
Foi nomeado (1965) diretor musical da Orquestra Sinfônica de Altoona, na Pensilvânia, cargo no qual permaneceu por dois anos. Lá também dirigiu conjuntos corais e lecionou nas escolas Nossa Senhora de Lourdes e Montessori, além da Universidade da Pensilvânia.
Com a terceira mulher, Nina Campos, mudou-se para Belgrado, antiga Iugoslávia (1968), onde trabalhou com a Orquestra Filarmônica da cidade e escreveu o ballet Stâmena. Voltou para o Brasil (1970), estabelecendo-se em São Paulo, trabalhando nas gravadoras Copacabana e Arlequim, da qual foi diretor musical, e na Editora Vitale e dava aulas particulares de música para jovens interessados, além de aulas de Composição e Conjunto de Câmara no Conservatório Carlos Gomes.
Nessa mesma época, faz trabalhos de regência para o Estúdio Gazeta e para a Orquestra da Rede Globo e adaptou arranjos para teatros e orquestras. Vítima de um princípio de derrame que o impediu de continuar escrevendo partituras, foi morar no Rio de Janeiro (1989) viver sob os cuidados dos filhos, onde faleceu três anos depois, a 16 de janeiro.

Marcadores: , , , , , ,


Leo Albano

0 comments

Leo Albano (Albano Piccinini), cantor, nasceu em São Paulo/SP em 27/9/1913. Iniciou a carreira em 1935, na Rádio Cultura, de São Paulo, passou pela Educadora Paulista, onde trabalhou nos dois anos seguintes, indo depois para a Bandeirantes.
Em 1938 tornou-se crooner e apresentador da orquestra Gaó, na Rádio Cruzeiro do Sul, mudando-se para o Rio de Janeiro/RJ um ano mais tarde, para cantar nas rádios Ipanema, Transmissora e Nacional.
Gravou seu primeiro disco em 1939, na Columbia, com as músicas Boa noite, Colombina, de Ari Machado, e Três coisas que eu deixei, de Manuel Dias, apresentando-se no mesmo ano no Cassino da Urca. Além de cantor, foi diretor artístico do cassino no período 1940-1946, saindo para assumir as mesmas funções no Cassino Atlântico, onde ficou seis meses.
Trabalhou em teatro de revista e figurou como galã-cantor na opereta da Companhia Iglésias-Freire Júnior, O cantor da cidade, nome pelo qual passou a ser conhecido no Rio de Janeiro. Cantou ao lado de Alda Garrido, Eva Tudor e Oscarito, em produções de Walter Pinto, e participou dos filmes Samba em Berlim (1942) e Berlim na batucada (1944), dirigidos por Luís de Barros. Em 1945 foi o galã-cantor, ao lado de Marlene, do filme Pif-paf, direção de Ademar Gonzaga e Luís de Barros.
De volta a São Paulo, passou a trabalhar como cantor e diretor artístico da Rádio Excelsior, e esteve, mais tarde, na TV Paulista. Gravou, na Columbia, a valsa Renúncia e o samba-canção Destinos (Edgar Cardoso); na Continental, a valsa Ao cair de uma estrela e o samba Cabrochinha (ambos de Laurindo de Almeida e Edgar de Almeida); o samba Dona Dora (Sílvio Mazzuca e Teófilo de Barros Filho) e o samba-canção Foi você (Sílvio Mazzuca); na RCA, a marcha Tarantela (Clóvis Mamede e Pedro Molina), o samba Nunca mais direi adeus (Valdemar Costa e Clóvis Mamede), o fox Tudo é Brasil (Vicente Paiva e Sá Róris) e o samba Minha jangada (com Chiquinho Sales).
Deixou a carreira artística em 1959.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977.

Marcadores: , ,


Careca

0 comments

Careca (Luis Nunes Sampaio), pianista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/2/1886 e faleceu na mesma cidade em 21/5/1953. Morador do bairro do Catumbi foi um grande animador do carnaval carioca na década de 1920.
Esteve ligado ao Clube dos Fenianos e ao Clube dos Zuavos, dos quais participava das festas tocando ao piano choros "convidativos" e "desengonçados" maxixes, conforme palavras de Jota Efegê. Participou também da criação de alguns blocos carnavalescos.
Em 1919, organizou o Bloco dos Almofadinhas e que fez sucesso nos desfiles carnavalescos. Em 1920, teve o samba-carnavalesco Bá bé bi e o tango Sapequinhas gravados na Odeon pelo Grupo do Além. No mesmo ano o samba carnavalesco Bê-a-bá foi regravado por Bahiano, constituindo-se o primeiro sucesso do compositor, música também conhecida como Deixa as cadeiras da nega buli ou então como Babá do Careca.
Ainda nesse ano, fundou com o jornalista e cronista carnavalesco da revista A Vanguarda, Jaime Correia, também conhecido como Bicanca, o Bloco carnavalesco "Foi ela ela que me deixou", para o qual compôs samba com o mesmo título.
O Bloco desfilou em 1921 com homens travestidos de mulheres e cantando o samba composto especialmente para o grupo carnavalesco que saiu do Catumbi e estendeu seu desfile até as Ruas Salvador de Sá e Machado Coelho. Esse Bloco, ao que parece, desfilou regularmente até meados da década de 1920.
Destacou-se em 1922 com o samba-carnavalesco Ai, seu Mé, parceria com Freire Júnior, que satirizava o candidato à presidência da República Artur Bernardes apelidado popularmente de "Carneiro", "Rolinha" e "Seu Mé", gravada na Odeon pelo Bahiano. Artur Bernardes venceu as eleiões e os autores da marcha, grande sucesso no carnaval daquele ano, embora sob o pseudônimo de "Canalhas da rua", acabaram perseguidos. Freire Júnior acabou preso e o parceiro teve que se esconder fora do Rio de Janeiro.
No mesmo ano, seu samba As meninas de hoje foi gravado na Odeon pela Orquestra Augusto Lima e a marcha Com esta figa e a canção Foi ela quem me deixou foram lançadas pelo cantor Bahiano.
Em 1923, teve o samba-carnavalesco Um, dois, três e os sambas Ceroula não é cueca e Iaiá me leva pra cadeirinha gravados por Bahiano, que firmou-se como seu principal intérprete. Em 1924, teve gravado seu maior sucesso o samba O casaco da mulata, também conhecido como O casaco da mulata é de prestação, grande êxito carnavalesco gravado quase simultâneamente pelo Orquestra Brasil-América e pelo cantor Bahiano em dueto com Maria Marzulo.
Obteve novo êxito carnavalesco em 1925 com a marcha Os passarinhos da Carioca gravado pelo Grupo do Pimentel e logo em seguida pelo cantor Fernando. No final desse ano, o cantor Fernando gravou a marcha Oh! Serafina e os sambas Ela disse uma vez pra mim e Mulata, sai do portão, com vistas ao carnaval do ano seguinte. Em 1927, teve duas obras gravadas por Francisco Alves na Odeon, a marcha Ai Lelé lé lé e o samba Foi você quem me deixou.
Grande folião, destacou-se nas batalhas de confete famosas na época que eram as das ruas Santa Luísa, no Centro da cidade e Dona Zulmira, bairro de Vila Isabel, chegando a receber diversos prêmios como taças e estátuas que chegaram a ser expostas por ele em vitrine da Rua Gonçalves Dias, no Centro da então Capital Federal, o Rio de Janeiro.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

Marcadores: , ,


Covarde

0 comments

Covarde (bolero, 1958) - Getúlio Macedo e Lourival Faissal

Covarde, eu sei que sou covarde
em não fazer alarde do amor que sinto por ti
Covarde, é triste a realidade
E o medo que me invade
Quando chego perto de ti

Covarde, talvez já seja tarde
Mas a arma de um covarde é renunciar
Como o calor que se afasta pro vento passar
Igual a sombra que morre se a luz não brilhar
Um covarde, assim como eu,
Não deve amar.

Covarde talvez já seja tarde
Mas a arma de um covarde é renunciar
Como o calor que se afasta pro vento passar
Igual a sombra que morre se a luz não brilhar
Um covarde, assim como eu,
Não deve amar.

Um covarde,
Não deve amar.

Marcadores: , , , ,


A canção do Jerônimo

0 comments

A canção do Jerônimo (toada, 1954) - Getúlio Macedo e Lourival Faissal

Quem passar pelo sertão
Vai ouvir alguém falar
No herói desta canção,
Que eu venho aqui cantar.

Se é pro bem vai encontrar
Um Jerônimo protetor
Se é pro mal vai enfrentar
Um Jerônimo lutador.

Filho de Maria Homem, nasceu
Serro Bravo foi seu berço natal
Entre tiros e tocaias cresceu
Hoje luta pelo bem contra o mal.

Galopando está em todo lugar
Pelos pobres a lutar sem temer
Com o moleque Saci pra ajudar
Ele faz qualquer valente tremer.

Quem passar pelo sertão
Vai ouvir alguém falar
No herói desta canção,
Que eu venho aqui cantar.

Se é pro bem vai encontrar
Um Jerônimo protetor
Se é pro mal vai enfrentar
Um Jerônimo lutador.

Marcadores: , ,


Aliança

0 comments

Aliança (bolero-mambo, 1961) - Getúlio Macedo

A aliança,
Que tú devolveste
Trazendo um bilhete
Dando fim ao nosso amor
Aliança
Pois faltava um dia
O casamento sería
Nosso sonho de amor.

A aliança
Porque recusaste
Se num gesto jogaste
Meu orgulho no chão.
Nada representava
Nosso namoro e o noivado
Porque mais tarde deixavas
Tua aliança de lado
Entrego à Deus pra te julgar
Se mereces castigo
Peço a Deus pra te perdoar.

Marcadores: ,


Getúlio Macedo

0 comments

Getúlio Macedo (Getúlio Benício), compositor e produtor, nasceu em 13/11/1922 na cidade de Sabino Pessoa - ES. Em 1938 mudou-se para o Rio de Janeiro e em 1942, ingressou na UBC, da qual ocupou entre outros, o cargo de conselheiro.
Com um repertório predominantemente romântico, compôs boleros, samba-canção, fox, mambo, samba e rumba. Um de seus principais parceiros foi Lourival Faissal, com quem compôs mais de vinte músicas. Entre outras, o bolero Covarde, o mambo A louca, o bolero Intenção, o ragtime Ano novo, ano bom e a marcha Nosso Natal.
Entre seus intérpretes estão Emilinha Borba, Marlene, Gilda de Barros, Alzirinha Camargo, Ângela Maria, Carlos Galhardo, Adelaide Chiozzo e Ellen de Lima, entre outros. Em 1952, Carlos Galhardo gravou na RCA Victor a valsa Mãezinha querida, pioneira nas homenagens às mães e que se tornou um clássico do cancioneiro popular e que vendeu cerca de 6 milhões de cópias ao longo dos anos com diferentes intérpretes.
No mesmo ano, Linda Batista gravou também na RCA o samba-canção Divórcio, parceria com Lourival Faissal. Em 1953, Fafá Lemos gravou pela RCA o baião ABC do amor, parceria com Augusto Alexandre, Gilberto Milfont gravou o samba-canção Confissão e Francisco Carlos o samba-canção Primeiro amor e o samba A saudade eu vou levar, os três da parceria com Lourival Faissal. No mesmo ano, Carlos Galhardo gravou a valsa Tanta mentira parceria com Mário Lago e Emilinha Borba e Trio Madrigal gravaram o mambo É o maior, parceria com Bené Alexandre.
Em 1954, Orlando Melo gravou pela Odeon, de sua parceria com Lourival Faissal, a toada A canção do Jerônimo, abertura da famosa novela de rádio "Jerônimo, o herói do sertão" e o baião Apanha flor, sá Nanci. No mesmo ano Nelson Gonçalves gravou na RCA Victor o samba-canção Como eu previa, parceria com Lourival Faissal.
Em 1955, Jorge Veiga gravou de sua parceria com Lourival Faissal o Hino da torcida do Flamengo e Chiquinho do Acordeom o bolero Horas íntimas, parceria com Oscar Maneck. Em 1956, o Trio Itapoan gravou o beguine Praia Vermelha, com Lourival Faissal, Hélio Chaves gravou na Mocambo o samba Este é o samba, parceria com Almeida Batista e Gilberto Milfont na Continental o fox trot Até a lua se escondeu.
Em 1957, Cauby Peixoto gravou o samba-canção Onde ela mora, com Lourival Faissal, e o bolero O louco. No mesmo ano, Adelaide Chiozzo gravou a marcha Tua companhia e os Vocalistas Modernos o bolero Covarde, ambos com Lourival Faissal.
Em 1958, Emilinha Borba gravou na Continental Botões de laranjeira, parceria com Lourival Faissal. Ângela Maria pela Copacabana gravou o samba-canção Voltei, parceria com Irani de Oliveira e Gilda de Barros pela Sinter o fox Trágica mentira, parceria com Ilza Silveira.
Em 1959, Os Cariocas gravaram pela Columbia o Cha cha cha baiano e Agnaldo Rayol regravou na Copacabana o bolero Trágica mentira. Em 1960, Carlos Galhardo gravou pela RCA Victor o samba-canção Presença viva do amor, com Lourival Faissal, e o Trio Nagô gravou também na RCA o samba Meu apelo, parceria com Irani de Oliveira.
No mesmo ano, o palhaço de circo Carequinha gravou na Copacabana o fox É mamãe, parceria com Irani de Oliveira. Em 1961, Leo romano gravou na Odeon o bolero Aliança. No mesmo ano produziu e compôs com Hamilton Sbarra as músicas para o disco Carequinha no Parque Xangai, que foi um grande sucesso.
Em 1962, Ellen de Lima gravou na RCA Victor o samba-canção Meu amor lhe acompanhará e Carlos Galhardo o bolero Tu e eu, parceria com Irani de Oliveira. Em 1963, Dalva de Andrade gravou na odeon o bolero Cigana.
Teve mais de 50 composições gravadas. Atuou durante trinta anos como produtor e diretor de televisão, tendo trabalhado nas TVs Tupi, Excelsior e Globo. Compôs vinhetas e jingles. Compôs cerca de 400 músicas.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Marcadores: , ,


Lourival Faissal

0 comments

Lourival Faissal, compositor, radialista, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 17/11/1922. Como radialista atuou durante longos anos na Rádio Nacional e foi chefe do Departamento de sonoplastia nessa emissora.
Como compositor, ficou conhecido como o "Rei das versões", especializando-se em fazer versões de músicas estrangeiras. Teve composições gravadas por diferentes intérpretes, entre os quais, Blecaute, Ângela Maria, Anísio Silva, Trio Nagô, Luiz Gonzaga, Irmãs Galvão, Linda Batista, Elisete Cardoso e Emilinha Borba.
Um de seus principais parceiros foi Getúlio Macedo, com quem compôs entre outras, o mambo Covarde, o samba-canção Há de existir meu amor, o ragtime Ano novo, ano bom, a marcha Nosso Natal e as valsas Meu papai e Mãezinha querida.
Em 1946, Emilinha Borba gravou pela Continental o samba Acapulco, versão de música de Gordon e Warren. Em 1950, Carlos Galhardo lançou na RCA a valsa Solidão, parceria com Olga Nobre. Em 1951, Emilinha Borba interpretou o bolero Dez anos, composição de Rafael Hernández e Adelaide Chiozzo gravou na Star a marcha Noite de lua, com Chocolate.
Em 1952, as seguintes músicas foram gravadas: o baião Vaqueiro romântico, com Chocolate na RCA Victor por Bob Nelson; o samba-canção Divórcio, parceria com Getúlio Macedo, por Linda Batista e o tango A media luz, versão de composição de E. Donato, por Nelson Gonçalves.
São de 1953 as gravações do samba Você sabe muito bem, com Benê Alexandre e Getúlio Macedo, ainda na Continental por Emilinha Borba e do bolero Linda cigana, versão de música de Livingstone e Evans, pelo Trio Madrigal.
Em 1954, Nelson Gonçalves gravou na RCA o samba-canção Como se previa, com Getúlio Macedo; Risadinha gravou na Odeon a marcha-rancho Meu jardim, com Jarbas Albuquerque; Osvaldo Borba e sua Orquestra gravou o Mambo das normalistas com Clínio Cavalcânti e Bel Luz também na Odeon; Dircinha Batista gravou na RCA o bolero Botões de laranjeira com Getúlio Macedo e o Trio de Ouro gravou também na RCA a Balado do ouro negro, versão de uma composição de Webster e Tiom Kim. Também no mesmo ano, a cantora Zaíra Cruz gravou na RCA Victor a valsa Noite santa, e a canção Vi mamãe beijar Papai Noel, esta última uma versão para música de T. Connor.
Em 1955, o Trio Yrakitan lançou na Odeon a canção Feliz Natal...Boas Festas com Irani de Oliveira, Zaíra Cruz gravou na RCA a rumba Baratinha; Nelson Gonçalves, também na RCA gravou o tango Esta noite me embriago (Esta noche me emborracho) com Discépolo e Jorge Veiga gravou o Hino da torcida do Flamengo, parceria com Getúlio Macedo.
Em 1956 foram gravados a valsa Dia dos nossos avós com Arsênio de Carvalho por Zaíra Cruz na RCA, o tango Mentindo (com Eduardo Patané) e o beguine Praia Vermelha com Getúlio Macedo, também na RCA pelo Trio Itapoan.
Em 1957, Pedroca do Trompete e seu Conjunto gravou na Sinter o bolero Intenção, parceria com Getúlio Macedo; Adelaide Chiozzo gravou a marcha Tua companheira, com Getúlio Macedo e o Trio Nagô gravou o bolero Dúvida, parceria com C. Navarro.
Em 1958 suas músicas foram gravadas por Ângela Maria (o samba Apaixonada) na Copacabana, Carolina Cardoso de Menezes (o mambo Covarde, parceria com Getúlio Macedo) na Odeon, os Vocalistas Modernos (regravação do bolero Covarde) e Chiquinho e sua orquestra (o bolero Arranca minha vida, parceria com Getúlio Macedo) os dois últimos pela Sinter.
Em 1959, Anísio Silva gravou na Odeon a guarânia Quero beijar-te as mãos, parceria com Arsênio de Carvalho, regravada no ano seguinte pela dupla Cascatinha e Inhana.
Em 1960, Carlos Galhardo gravou na RCA Victor o samba-canção Presença viva do nosso amor, parceria com Getúlio Macedo e Hebe Camargo gravou também na Odeon o bolero Eu tenho um pecado novo, versão de composição de Moraes e Martinez.
Em 1961, compôs com Luiz Gonzaga a marcha Alvorada da paz gravada no mesmo ano pelo Rei do Baião na RCA. Ainda no mesmo ano, Orlando Silva gravou a Canção do amor que lhe dou.
Sua intérprete mais constante foi Emilinha Borba, que gravou de sua autoria, entre outras, o bolero Em nome de Deus com Alvarado, o fox-samba Istambul uma versão da composição de Simon e Kennedy, o tango Desengano, com o maestro Patané e o bolero Chuvas de abril com D. Sylvia e Silvers, todas pela Continental.
Teve, ao logo da carreira, mais de 100 composições gravadas. Seu maior sucesso foi a guarânia Quero beijar-te as mãos, com Arsênio de Carvalho.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Marcadores: , ,


Lina Pesce

0 comments

Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale), compositora, instrumentista, nasceu em São Paulo/SP em 26/1/1913 e faleceu em 30/6/1995. Filha do maestro italiano Giacomo Pesce, que lhe deu as primeiras orientações musicais e muito a influenciou. Teve aulas de piano com Marcelo Buogo.
Em 1922 fez sua primeira composição, o tango-canção Quantas vezes, com letra em português escrita por seu pai, que assumiu o pseudônimo de Orfeu. São dessa mesma época seus tangos A vingança de Cupido, Compadrito, Esqueça-me, Fatalidad e Miente.
Em 1933 casou-se com Vicente Vitale, um dos fundadores da editora Irmãos Vitale, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu seus estudos de música, teoria, solfejo e harmonia com Lorenzo Fernandez e piano com Tomás Terán.
Em dezembro de 1937, ganhou o primeiro lugar no Concurso Oficial de Músicas Carnavalescas para 1938, promovido pela Divisão de Turismo e Divertimentos Públicos da Prefeitura de São Paulo, com a marcha Você gosta de brincar, gravada por Laís Marival em disco Columbia.
Em 1942 editou pela Irmãos Vitale seu choro Bem-te-vi atrevido, gravado pela organista norte-americana Ethel Smith e apresentada pela mesma no filme Dupla ilusão (Twice Blessed). A partir dessa aparição, a música ganhou novos registros nos EUA, e recebeu gravações na Argentina, Inglaterra, França, Itália, antiga U.R.S.S. e vários outros países.
No Brasil recebeu algumas dezenas de registros conhecidos, dos quais se destacam os de Irani Pinto, Carolina Cardoso de Meneses, Altamiro Carrilho, Sivuca e Heriberto Muraro. O sucesso inspirou-a a compor outros choros com nomes de pássaros: Pintassilgo apaixonado, Corruíra saltitante, Tangará na dança, Canarinho gracioso e Sabiá feiticeiro, todos editados nas décadas de 1940 e 1950 pela Irmãos Vitale e gravados por numerosos intérpretes, destacando-se Simonetti, Copinha, Carioca e Luís Americano.
Na década de 1950, compôs sambas-canções de grande aceitação, como Onde estará meu amor (gravado por Morgana,Dolores Duran, Elisete Cardoso e Agnaldo Rayol), Era uma vez (gravado por Carminha Mascarenhas e Morgana), Eu sou assim (gravado por Jairo Aguiar e Marion Duarte) e Este amor (gravado por Morgana e Paulo Queirós).
Em 1958, a Copacabana lançou um LP contendo exclusivamente composições suas executadas por Irani Pinto, intitulado Inspiração. No mesmo ano, ingressou na Academia Brasileira de Música Popular, possuindo até esse momento mais de 200 gravações divulgadas em diferentes países.
Em 1961 assinou contrato com a CBS, gravando como solista de piano três LPs: Valsas bem brasileiras (1961), com repertório de valsas de sua composição, Concerto em ritmo (1963), com clássicos da música erudita vertidos em ritmo dançante (os dois LPs com arranjos e regência de Lírio Panicalli), e Chorinhos bem brasileiros (1963), com arranjos e regência de Radamés Gnattali. A partir daí, afastou-se do meio artístico.
Em meados da década de 1970, voltou a residir em São Paulo, no bairro de Vila Mariana, restringindo suas aparições públicas a programas radiofônicos e reuniões musicais particulares, além de compor. Com a morte de Vicente Vitale, em 19 de setembro de 1980, abandonou definitivamente a carreira.
Obras: Baião concertante, baião, 1958; Bem-te-vi atrevido, choro, 1942; Canarinho gracioso, choro, 1958; Compadrito, tango, 1929; Corruíra saltitante, choro, 1948; Era uma vez, samba-canção, s.d.; Esqueça-me (c/Giacomo Pesce), tango, s.d.; Este amor, samba-canção, s.d.; Eu sou assim, samba-canção, s.d.; Miente, tango, 1929; Onde estará meu amor, samba-canção, 1958; Pintassilgo apaixonado, choro, 1947; Quantas vezes, tango-canção, 1927; Sabiá feiticeiro, choro, 1950; Tangará na dança, choro, 1942; Você gosta de brincar, marcha, 1939.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Marcadores: , ,


Lauro Maia

0 comments

Lauro Maia (Lauro Maia Teles), compositor, instrumentista e arranjador, nasceu em Fortaleza/CE em 06/11/1912 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 05/01/1950. A mãe era professora de teoria musical e lhe ensinou as primeiras noções de música. Ainda ginasiano, freqüentemente apresentava-se tocando piano no Cine-Teatro Majestic, sendo depois convidado a substituir pianista que adoecera.
Em 1938, formou o Quinteto Lupar, com Paulo Pamplona, Ubiraci de Carvalho, Roberto e Antônio Fiuza, estreando no ano seguinte na Ceará Rádio Clube. Na época, era diretor artístico da emissora, alem de ocasionalmente integrar a orquestra da casa como pianista ou acordeonista. Além disso, liderava a Escola de Samba Lauro Maia, fazia pesquisas sobre o folclore cearense e arranjos de musicas para gravações. Casado com Djanira Teixeira, irmã do compositor Humberto Teixeira, transferiu-se para o Rio de Janeiro, sendo contratado pelos editores Irmãos Vitale.
Passou também a trabalhar em cassinos, e em 1942 sua composição Eu vi um leão foi gravada na Odeon pelos Quatro Ases e Um Curinga, mesmo conjunto que lançou em 1944 a marcha de sua autoria Trem de ferro (Trenzinho), um de seus maiores sucessos. Em parceria com Humberto Teixeira compôs outros grandes êxitos, como Só uma louca não vê, gravado por Orlando Silva na Odeon em 1945, e, no ano seguinte, Deus me perdoe, lançada em disco por Ciro Monteiro na Victor, obtendo muito sucesso no Carnaval.
Criou um novo ritmo, o balanceio, que fazia prever o baião urbanizado, como nas músicas Marcha do balanceio, gravada por Joel e Gaúcho, e Tão fácil, tão bom, interpretada pelos Vocalistas Tropicais, ambas na Odeon, também em 1946.
Adoecendo, regressou a Fortaleza no ano seguinte, retornando ao Rio de Janeiro em 1948, onde faleceu dois anos depois. Duas músicas de sua autoria foram lançadas postumamente: Trem ô lá lá (com Humberto Teixeira), em 1950, por Carmélia Alves, e o choro Faísca, gravado por Raul de Barros, na Odeon, um ano depois, obtendo êxito. Sua música Trem de ferro foi regravada por João Gilberto em 1961, com sucesso, constando do terceiro LP desse cantor na Odeon.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha.

Marcadores: , , ,


José Menezes

0 comments

José Menezes (José Menezes França), instrumentista, compositor, nasceu em Jardim/CE em 6/9/1921. Criança comprou de um amigo um cavaquinho de uma corda e começou a tirar de ouvido as músicas em voga. Aos oito anos foi convidado pelo maestro Arlindo Cruz para tocar como profissional no cinema de Juazeiro do Norte/CE, sendo logo apelidado de Zé Cavaquinho.
Compôs então sua primeira música Meus Oito anos. Apresentou-se depois com a orquestra do maestro Arlindo Cruz no teatro da cidade do Crato/CE, e já em 1932, com 11 anos, tocava na Banda Municipal de Juazeiro. Seguiu então com o primo Luís Rosi para Fortaleza-CE, onde trabalhou um ano no serviço de alto-falantes de João Dumman. De volta a Juazeiro, retomou as atividades de músico de cinema e bailes.
Em 1938 reencontrou o primo, de passagem pela cidade e liderando uma jazz-band; entusiasmado, acompanhou-o novamente à capital do Estado e durante dois anos dedicou-se ao aprendizado de alfaiate. Foi então contratado pela Ceará Rádio Club como segundo violonista, e rapidamente formou seu próprio regional, que trabalhou na emissora durante quatro anos.
Em 1943 o radialista carioca César Ladeira visitou Fortaleza para inaugurar as ondas curtas da Ceara Rádio Club e ofereceu-lhe um contrato para a Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, onde manteve dois programas semanais, adquirindo grande prestígio como solista. Atuou na boate do Hotel Quitandinha, em Petrópolis-RJ, ao lado de Djalma Ferreira (piano), Oscar Belandi (percussão) e Chuca Chuca (vibrafone), passando, em 1945, a integrar o Conjunto Milionários do Ritmo, com essa mesma formação.
Atuou em 1946 na boate Casablanca e na Rádio Globo, do Rio de Janeiro, ingressando em 1947 na Rádio Nacional, onde se apresentou inclusive em dupla com Garoto, no programa Nada Além de Dois Minutos. Permaneceu nessa emissora até a década de 1960.
Compondo sempre em parceria com Luis Bittencourt, sua primeira música gravada foi Nova ilusão, lançada por Os Cariocas em 1948, que acabou tornando-se prefixo desse conjunto. No ano seguinte, gravou como solista o choro Sereno, na Todamérica, enquanto a Musidisc lançava Mais uma ilusão, na voz de Nuno Roland; de 1950 é Comigo é assim, lançado por Os Cariocas na Continental bem como a gravação do grande sucesso de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, De papo pro ar, feita por ele na Sinter.
No ano seguinte, seu baião Não interessa não (com Luis Bittencourt) foi registrado em disco Sinter por César Ladeira e Heleninha Costa, enquanto gravava em solo de cavaquinho os choros Vitorioso e Encabulado na mesma fábrica; também de 1951 são os seguintes lançamentos: Tudo azul, choro gravado nor Zezé Gonzaga e As moreninhas, selo Sinter; Viola do Zé, polca interpretada por ele na Sinter e por Carmélia Alves em disco Continental, e Castigo, samba cantado por Gilberto Milfont em gravação da Victor.
Em 1952 novas composições suas em parceria com Luis Bittencourt tornaram-se conhecidas: Cinzas, com o cantor Ernani Pilho, na Sinter; Caititu, choro gravado em solo de flauta por Ari Ferreira, na Sinter; Pau-de-arara, baião interpretado por Carmélia Alves, na Continental, Polquinha do pica-pau, por Luís Bittencourt e seus solistas, na Sinter.
No mesmo ano, utilizando o play-back gravou Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro) e Um domingo no Jardim de Alá (Lirio Panicalli). Sua composição Caixinha de música saiu em disco Continental em 1954, interpretada pelo autor, que deixou ainda na Sinter dois LPs de 10 polegadas: Dançando com José Menezes e seu Quarteto e A voz do violão, com solos desse instrumento.
Seguiu com o Sexteto de Radamés Gnatalli para a Europa em 1959, apresentando-se em Paris, França, Londres e Oxford, Grã-Bretanha, Roma, Itália, Lisboa e Porto, Portugal, ao lado de Nelsinho do Trombone, Chiquinho do Acordeom, Gilberto do Pandeiro e Pereirinha, contrabaixo.
No mesmo ano formou o conjunto Velhinhos Transviados, que gravou 13 LPs na RCA até 1971, entre os quais Velhinhos transviados, Velhinhos transviados embalados, Velhinhos transviados na paquera, Velhinhos transviados tropicalissimos, Velhinhos transviados pra frente, sempre com sucessos do momento.
Participou tocando guitarra em algumas das primeiras gravações de Roberto Carlos, The Fevers e outros. Em 1995 lançou o disco Chorinho in Concert, pela CID, incluindo um choro inédito de sua autoria, Tô querendo.

Marcadores: , ,


Jorge Goulart

0 comments

Jorge Goulart, nome artístico de Jorge Neves Bastos, nasceu em vila Isabel, na Rua Araripe Junior, cidade do Rio de Janeiro, em 16.1.1926, filho do conhecido jornalista Iberê Bastos e de Arlete Neves Bastos, cantora, que ao casar-se deixou de cantar.
É neto do Visconde de Niterói e fez o curso ginasial no Colégio Pedro II, onde começou sua participação política. Decidiu-se nessa época pela carreira artística. Desde garotinho vinha cantando. Nessa fase, no programa Escada de Jacó, do Prof. Zé Bacurau, ganhou o 1º prêmio. Começou antes dos 18 anos, aumentando por isso a idade, em circos e dancings.
Através do pai, que escrevia sobre o mundo dos espetáculos, teve contato com os nomes em evidência. Conheceu, em 1943, o compositor Custódio Mesquita e passou a divulgar com exclusividade suas músicas. Conheceria também o cantor João Petra de Barros e por ele seria levado à Rádio Tupi. É quando passa a adotar o Goulart, por sugestão da atriz Heloísa Helena, tirado de um fortificante, o Elixir de Inhame Goulart, bem de acordo com sua voz possante.
Entre as músicas de Custódio que divulgava, estava o samba Saia do caminho, em parceria com Evaldo Rui, que gravaria, em 1945, na RCA-Victor, mas não chegou a ser lançada. Custódio faleceu e Evaldo preferiu destiná-la a Araci de Almeida, com alterações pequenas na letra para que pudesse ser cantado por mulher.
Devido a compromisso com a gravadora, lançaria, nesse ano, dois discos, que foram fracasso de vendas, não devido à qualidade das músicas ou deficiência do acompanhamento: A Volta / Paciência / Coração e Nem Tudo É Possível / Feliz Ilusão. É que, sem nenhuma necessidade, fez um decalque absoluto de Nelson Gonçalves, que também era da RCA-Victor.
Durante quatro anos ficou longe do disco. Se a atuação nas rádios (Tupi, Globo, Tamoio) não rendia muito, no espetáculo Um Milhão de Mulheres, no Teatro Carlos Gomes, durante dois anos, foi figura destacada e com rendimentos muitas vezes superiores. Findo o mesmo, voltaria às casas noturnas, até ser levado pelo compositor Wilson Batista a gravar duas músicas dele na Continental, para o carnaval de 1950: Miss Mangueira (com Antônio Almeida) e Balzaquiana (Com Nássara), esta uma marcha que o Brasil inteiro cantou e foi 2º lugar, na categoria, no concurso oficial de músicas carnavalescas.
Daí em diante, torna-se rapidamente um grande astro. Realiza um de seus sonhos, atuar no cinema, quando participa do filme Também Somos Irmãos, da Atlântica, dirigido por José Carlos Burle. É contratado pela Rádio Nacional e atua em grande número de filmes musicais: Carnaval no Fogo (1949), Não É Nada Disso (1950), Aviso Aos Navegantes (1951), Tudo Azul (1952) e muitos outros.
No disco marca êxitos memoráveis: Mundo de zinco, Cais do porto, Samba fantástico, Laura, Cabeleira do Zezé, A voz do morro, e inclusive versões, Dominó, Jezebel, Smile. É eleito o Rei do Rádio de 1952.
Em 1958, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de Nora Ney e outros artistas, organizou uma caravana artística com a finalidade de preparar a reaproximação com a U.R.S.S. e a China Popular. Os resultados são excelentes, tanto que nos dez anos seguintes retornariam seguidamente aos países socialistas, aí gravam vários LPs., bem como estenderiam suas excursões à Bélgica, Áustria, França, Portugal e África.
Foi um longo e importante trabalho de divulgação da música brasileira, com a preocupação em muitas ocasiões, de levar outros cantores, instrumentistas, dançarinas e passistas. Colaborou por seis anos com o Império Serrano. Puxava seus sambas só com o megafone, dispensando quaisquer pagamentos em favor da mesma e contribuindo para a divulgação dos compositores do morro. Fez o mesmo na Imperatriz Leopoldinense e na Unidos de Vila Isabel.
Por causa de sua participação no Sindicato dos Radialistas, foi impedido, pelo movimento de 1964, de continuar na Rádio Nacional, tendo a única saída de atuar no exterior: Portugal, Israel e outros países da Europa.
Em 1983 teve de extrair a laringe. Ficou curado, mas sem "seu instrumento de trabalho". Chegava ao fim sua notável carreira. Ficaram, porém, os discos para perenizar sua arte. Casou-se muito jovem, com 18 anos, e teve uma filha, Maria Célia. Já estava desquitado, quando conheceu Nora Ney no camarim do Copacabana Palace Hotel, numa data que não esquece: 1º. 5.1952.
Nora Ney, já estrela ascendente, vivia tumultuada separação de seu marido, que repercutia na imprensa, por causa do inconformismo e das concretas ameaças do mesmo. Nora tinha dois filhos, Hélio e Vera Lúcia, mais tarde eleita Miss Brasil, em 1963.
Um casamento perfeito, que viriam a formalizar, no civil e no religioso, em 1992, na Igreja Presbiteriana Unida, conforme o convite, "consagrando 39 anos de longa e feliz união". Jorge Goulart conta que um dos segredos está em dormir em camas e quartos separados. Assim de manhã os dois "estão sempre bonitos".
(Abel Cardoso Junior)
Fonte: Revivendo Músicas - Biografias

Marcadores: , ,


Jorge Fernandes

0 comments

Jorge Fernandes (Jorge de Oliveira Fernandes), cantor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 5/6/1907 e faleceu em 19/3/1989. De família tradicional, cresceu em ambiente artístico e desde pequeno cantava musicas francesas, aprendendo piano e violão com os pais.

Quando começou a cantar músicas brasileiras, caracterizou seu estilo pela dicção cuidadosa, especializando-se em canções de inspiração folclórica. Apresentou-se pela primeira vez em público em 1929, cantando e acompanhando-se ao violão, no salão do Hotel Silva, em Cambuquira/MG, interpretando canções de Eduardo Souto, Denza e Tosti.

Em fevereiro do ano seguinte, começou a atuar na Rádio Sociedade, do Rio de Janeiro, onde também se apresentavam Inácio Guimarães, Ana de Albuquerque Melo, Gastão Formenti, Sílvio Salema e Paulo Rodrigues.

Em fins de 1929 gravou seu primeiro disco, na Odeon, A cabocla do arraiá (Pachequinho) e Amô de caboclo (Edite Lacerda e Celeste Gomes Filho), acompanhado ao violão por Tute e Luperce Miranda.

Formado em arquitetura em 1930, trabalhou como funcionário público até montar escritório com um amigo. Sem abandonar a carreira, em janeiro do ano seguinte deu seu primeiro recital, com Sônia Barreto e Homero Dornellas, acompanhado ao piano por Arnaldo Estrela.

Em 1932 lançou com sucesso e gravou na Columbia a canção Pierrot (Joubert de Carvalho e Pascoal Carlos Magno). A música foi apresentada como prólogo da peça de mesmo nome, de Pascoal Carlos Magno, estreada no Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro. Nesse ano gravou várias músicas na Columbia, entre as quais os foxes-canção O dia em que te conheci (Aluísio da Silva Araújo) e Querer bem (Silvan Castelo Neto), as canções Dor (Joubert de Carvalho) e Pestinha (Silvan Castelo Neto), a valsa-canção Eu tinha um beijo para sua boca (Joubert de Carvalho e Cleomenes Campos).

Ainda nesse ano transferiu-se para a Victor, onde gravou, entre outras, a canção Caboclinho (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano). No mesmo ano foi convidado a participar, como destaque, do Broadway Cocktail, no Cine Broadway, ao lado de Ary Barroso e Marília Batista. Apresentava-se também nas rádios Philips e Clube do Brasil.

Em 1933 casou e foi para São Paulo, gravando novamente na Odeon, onde ficou cinco anos, O que eu queria dizer ao teu ouvido (Hekel Tavares e Mendonça Júnior) e Minha terra (Valdemar Henrique).

Fez varias apresentações no Norte do país e em 1935 viajou para a Argentina, atuando na Rádio Stentor e em recitais em Buenos Aires. Retornou ao Rio de Janeiro para estrear na Rádio Tupi, gravando no ano seguinte, ainda na Odeon, as canções Querer bem não é pecado e Pingo d’água (ambas de Osvaldo de Sousa) e Pregões cariocas (João de Barro).

Em 1938 deixou a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, para trabalhar na emissora do mesmo nome, de São Paulo, transferindo-se depois para a Rádio Cultura. Por essa época resolveu mudar seu nome artístico para George Fernandes e no ano seguinte, 1939, gravou na Columbia um de seus maiores êxitos, Meu limão, meu limoeiro (do folclore), em arranjo de Gaó.

Em 1942 gravou para a Columbia outro êxito, a canção Rolete de cana (Osvaldo Santiago e Dilu Melo). Deixou a Rádio Cultura dois anos depois e foi para a Rádio Globo, do Rio de Janeiro, transferindo-se mais tarde para a Rádio Nacional.

Em 1954 excursionou, a convite do Itamarati, por alguns países da América Latina, ao lado de Valdemar Henrique. No mesmo ano gravou para a Sinter o LP Essa nega fulô (sobre texto de Jorge de Lima e em parceria com Valdemar Henrique).

Quatro anos mais tarde lançou na Columbia outro LP Momentos românticos, no qual interpretava composições de seu irmão Armando Fernandes. Em 1959 percorreu vários paises da Europa, apresentando-se na televisão em Portugal e U.R.S.S., gravando canções brasileiras.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Marcadores: ,


Jonjoca

0 comments

Jonjoca ( João de Freitas Ferreira ), cantor e compositor, nasceu na cidade de Rio de Janeiro (RJ), no bairro de Botafogo no dia de 16 de Setembro de 1911, sendo o único dos nove filhos de um português comandante do Lóide a manifestar inclinação musical.
No curso ginasial, formou uma espécie de regional, que tinha apenas dois violonistas, um deles irmão do cantor Jorge Fernandes. Com 18 anos foi à Odeon, na Casa Edison, e perguntou a seu diretor-artístico Eduardo Souto como se fazia para gravar um disco. Souto mandou que cantasse, acompanhando-o ao piano, e disse que dentro de alguns dias podia gravar.
Esse disco, lançado em fevereiro de 1930, saiu com os sambas Não te dou perdão (Ismael Silva) e Não fui eu (Caninha). Gravou nesse ano mais dois discos pela Parlophon, antes de se encontrar com o cantor novato Castro Barbosa numa festa na casa de Jorge Fernandes, onde, por sugestão do cantor e compositor Paulo Neto de Freitas, cantaram em dupla.
Tendo dado certo a experiência, gravaram na Victor um disco, que saiu em Julho de 1931 com os sambas Sinto falta de você e A cana está dura, ambos de Jonjoca. Era a resposta que a Victor dava à Odeon, que desde setembro do ano anterior fazia enorme sucesso com o duo Francisco Alves e Mário Reis.
Até novembro de 1933, da nova dupla foram lançados 11 discos com 22 músicas, dentre elas os sambas Abandonado (Jonjoca), 1931, Adeus (Francisco Alves, Ismael Silva e Noel Rosa), 1932, Dona do Lugar (Francisco Alves e Ismael Silva), 1932, Cinco partes principais do mundo (Benedito Lacerda e Gastão Viana), 1933.
Paralelamente ambos desenvolveram suas carreiras solos como cantores. Sozinho, gravou o samba Rosalina (J. Tomás e Orestes Barbosa), 1931, e Azul e branco (Benedito Lacerda e Osvaldo Silva), 1932, numa discografia de 1930 a 1934, com cerca de 23 discos e 43 músicas, 13 das quais de sua autoria.
Em 1931, Carmen Miranda, sua amiga, gravou seus sambas Não tens razão e E depois. Interrompeu a carreira em 1934. Em 1937 voltou como locutor da Rádio Mayrink Veiga. Em 1938 ingressou na Rádio Nacional e, no ano seguinte na Rádio Clube do Brasil, na qual ficou até 1953, como locutor, apresentador e produtor de programas.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Marcadores: , ,


Joel e Gaúcho

0 comments

Joel e Gaúcho
Joel e Gaúcho - Dupla vocal formada em 1930, no Rio de Janeiro, que teve sua fase principal até 1947, composta pelo cantor Joel de Almeida, nascido no Rio de Janeiro em 1913 e falecido em São Paulo em 1993 e o violonista e cantor Francisco de Paula Brandão Rangel, o Gaúcho nascido na cidade de Cruz Alta no Rio Grande do Sul em 1911 e falecido no Rio de Janeiro em 1971.
Em 1932 Joel trabalhava na Casa Edison, de Fred Figner, e da janela costumava ver compositores subirem a escada de um prédio próximo, a fim de que o pianista Freitinhas fizesse a escrita de suas músicas. Um dia resolveu apresentar suas composições a ele. Para sua surpresa Freitas marcou uma gravação na Odeon. Seu parceiro na ocasião foi Breno Bonifácio e nesse disco gravaram em dueto dois sambas, Eu quero é viver e Meu prazer, de autoria de ambos.
Ao chegar do Rio Grande do Sul Gaúcho conheceu Joel em 1933, nas rodas boêmias do bairro carioca da Tijuca, e logo começaram a se apresentar em festas e serenatas. No ano seguinte Renato Murce levou-os para seu programa Horas do Outro Mundo, na Rádio Phillips. Contratados pela emissora passaram a cantar no Programa Casé, com Gaúcho acompanhando ao violão e Joel batucando no chapéu de palha. Foram chamados de os irmãos Gêmeos da Voz por Alziro Zarzur, embora Cesar Ladeira tenha sido creditado com a invenção do apelido.
Em 1935 a dupla obteve seu primeiro destaque em disco com Estão batendo (Gadé e Valfrido Silva) gravado na Columbia. Em 1936, pela Victor, lançaram Pierrô apaixonado (Heitor dos Prazeres e Noel Rosa) marcha de grande sucesso no Carnaval, que marcou o início de uma série de êxitos carnavalescos. No mesmo ano a dupla participou do filme Alô, alô Carnaval passando também a se apresentar nos cassinos da Urca e Atlântico além do Copacabana Palace Hotel.
No Carnaval de 1940 a dupla obteve outro grande sucesso com “ Cai, cai (Roberto Martins) lançando no mesmo ano a marcha Maria Caxuxa (Antônio Almeida e Saint-Clair Sena) e, no carnaval de 1941, Aurora (Roberto Roberti e Mário Lago) com enorme êxito. No ano seguinte a dupla gravou o sucesso A mulher do padeiro (J. Piedade, Germano Augusto e Bruni) e em 1943 a marcha O Danúbio...azulou (Nássara e Eratóstenes Frazão).
Outro grande êxito da dupla foi o Boogie-woogie do rato (Denis Brean) lançado em 1947, ano em que também excursionou por Buenos Aires, Argentina, apresentando-se na boate Embassy e na Rádio El Mundo. Na capital argentina a dupla se desfez, tendo Joel lá permanecido como cantor e Gaúcho retornado ao Brasil.
De volta ao país em 1952, Joel tornou a formar dupla com Gaúcho, mas somente por breve período, pois no mesmo ano, após algumas apresentações, Gaúcho abandonou o rádio e foi morar em Itacuruça, Rio de Janeiro. Joel prosseguiu carreira sozinho, como cantor e compositor, principalmente carnavalesco, tendo obtido grande sucesso em 1956, com sua gravação de Quem sabe, sabe (com Carvalhinho).
Dois anos depois, outro destaque, com Madureira chorou (Carvalhinho e Júlio Monteiro) época em que também trabalhou como diretor artístico da gravadora Polydor durante um ano e meio. Nessa função resolveu lançar um cantor jovem para concorrer com João Gilberto: assim, 1959, produziu o primeiro disco de Roberto Carlos.
Em 1962 Joel e Gaúcho se encontraram novamente para gravar o LP Joel e Gaúcho, na RCA Victor, relançando antigos sucessos como Aurora, Cai, cai e Pierrô apaixonado, entre outras, com orquestração de José Meneses. Depois da morte de Gaúcho, Joel , conhecido como o Magrinho Elétrico, continuou sua carreira sozinho, como cantor compositor e radialista, apresentando programas noturnos na Rádio Tupi, de São Paulo.

Marcadores: , , ,


Joel de Almeida

0 comments

Joel de Almeida, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 05 de novembro de 1913 e faleceu em São Paulo/SP em 01 de abril de 1993. Fez com o cantor Gaúcho uma dupla de sucesso principalmente nos anos 1940.
Em 1946 fazendo dupla com Gaúcho, gravou em disco solo, os sambas Promessa (de Jaime de Carvalho) e Trabalhar, eu não (de Aníbal de Almeida). Nessa época, em excursão à Argentina, a dupla com Gaúcho se desfez e Joel permaneceu como cantor em Buenos Aires.
Em 1951 gravou de sua autoria o samba Hoje a coisa é diferente, e de sua autoria e Dom Roy o baião Ai! Que bom. Depois de um breve retorno, a dupla com Gaúcho desfez-se definitivamente e Joel prosseguiu sua carreira solo.
Em 1955 já com a dupla desfeita, gravou pout-pourri intitulado Reminiscências de Joel e Gaúcho, pela Odeon. No mesmo ano gravou outro pout-pourri Sucessos da velha-guarda, com músicas de Noel Rosa, Ismael Silva e outros compositores. Gravou ainda o fox Canção para inglês ver, de Lamartine Babo.
Em 1956 gravou a marcha Quem sabe, sabe, de sua autoria e que veio a ser uma das mais executadas em todo o Brasil naquele ano, e o fox Loura ou morena (Vinícius de Moraes e Haroldo Tapajós) composta em 1932.
Em 1957 gravou de sua autoria o samba Não quero mais amor, a marcha Isso não se faz. No mesmo ano regravou o grande sucesso do carnaval de 1927, o maxixe Cristo nasceu na Bahia (de Sebastião Cirino e Duque).
Em 1958 gravou a marcha Campeão do mundo e o samba Leonor. No mesmo ano gravou com a cantora Araci de Almeida as marchas Vai ver que é, de Carvalhinho, e A mulata é que é mulher. Ainda em 1958 obteve grande sucesso com o samba Madureira chorou, que homenageava a vedete do teatro de revista Zaquia Jorge, moradora de Madureira e mulher de Júlio Monteiro, o Júlio Leiloeiro.
Nesse período, começou a trabalhar como diretor artístico da gravadora Polydor, função na qual atuou por cerca de um ano e meio, tempo no qual lançou o jovem cantor Roberto Carlos, a princípio para concorrer com João Gilberto.
Em 1959 gravou a marcha Linda brincadeira (Jair Amorim e Nássara), e o samba Fita os olhos meus (de Antônio Almeida). Em 1961 gravou a marcha Pé de cana e o samba Eu gostava tanto dela. Em 1963 gravou as marchas Elza e Pau no burro. Atuou ainda como radialista, apresentando programas noturnos na Rádio Tupi de São Paulo.

Marcadores: , , ,


João Dias

0 comments

João Dias (João Dias Rodrigues Filho), cantor, nasceu em Campinas/SP em 12/10/1927 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 27/11/1996. Iniciou carreira em 1948 na Rádio São Paulo, para onde foi levado por Cardoso Silva.
No ano seguinte, estava na Rádio Bandeirantes e, em 1950, foi descoberto por Francisco Alves, quando se apresentava na boate Cairo, em São Paulo SP, sendo levado para o Rio de Janeiro, onde gravou seu primeiro disco na Odeon, com Guacyra (Hekel Tavares e Joraci Camargo) e Canta, Maria (Ary Barroso).
No ano seguinte alcançou grande sucesso com a gravação de Sinos de Belém (Jingle Bells, versão de Evaldo Rui) e Fim de ano (Francisco Alves e David Nasser), que a partir desse ano são regravados pela Odeon na época do Natal.
Em 1952 gravou na Odeon seu primeiro grande sucesso carnavalesco, Grande Caruso (Denis Brean e Osvaldo Guilherme), e em novembro do mesmo ano estreou na Rádio e TV Tupi, do Rio de Janeiro, com o programa semanal Audição João Dias, que ficou no ar por um ano.
Transferiu-se em 1953 para a Rádio Nacional, com um programa aos domingos, passando em seguida a apresentar-se em várias emissoras de televisão por todo o país. Conquistando grande popularidade, em 1955 seu programa da Rádio Nacional passou a ser apresentado no horário antes ocupado pelo de Francisco Alves, que ficara no ar por vários anos.
Mudou para a gravadora Copacabana, gravando em 1956, com Ângela Maria, o sucesso Mamãe (Herivelto Martins e Davi Nasser). Três anos depois estava na CBS, lançando Milagre da volta (Fernando César e Diva Correia), com muito êxito.
Em 1961 voltou para a Odeon, onde gravou um LP de tangos, de grande sucesso e vendagem, tendo ainda lançado em disco versões de músicas já consagradas. Viajou com Dalva de Oliveira por todo o país, depois de regravar o sucesso Brasil (Benedito Lacerda e Aldo Cabral).
Foi o idealizador e responsável pela Lei de Direito Conexo, que, tendo sido aprovada e regulamentada em 1968, garante ao intérprete receber direitos pela execução posterior de suas gravações, o que anteriormente era restrito aos autores.
Em 1975, lançou pela Odeon o LP comemorativo de seus 25 anos de carreira, com músicas de compositores atuais. Ao todo, lançou pela Odeon seis LPs e um pela Copacabana, além de lançar em média dois a três discos por ano. Considerado o “herdeiro de Francisco Alves”, de quem foi grande amigo, ficou conhecido também com o slogan de Príncipe da Voz.
Entre seus maiores sucessos, destacam-se, além dos já citados, a marcha do Carnaval de 1966 É o pau, e o pau (Jujuba e Rodrigues Pinto), Quando eu era pequenino (Davi Nasser, Francisco Alves e Felisberto Martins), Canção dos velhinhos (René Bittencourt) e Silêncio do cantor (Joubert de Carvalho e David Nasser).
Em 1975 lançou um LP comemorativo de seus 25 anos de carreira. No ano em que faleceu 1996, dirigia a Socimpro, Sociedade Brasileira de Intérpretes e Produtores Fonográficos. Com 45 anos de carreira, gravou cerca de 320 músicas em 78 rpm, LPs e CDs.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha

Marcadores: ,


Jesy Barbosa

0 comments

Jesy Barbosa (Jesy de Oliveira Barbosa), cantora, violonista, jornalista e poetisa, nasceu em Campos/RJ em 15/11/1902, e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 30/12/1987. Filha de um jornalista e mãe musicista, tocava violão e teve aulas de canto.
Iniciou carreira profissional em 1928, na Rádio Sociedade, no Rio de Janeiro a convite de Roquete Pinto. Pioneira da gravadora Victor, em 1928 lançou seu primeiro disco, com as canções Olhos pálidos, de Josué de Barros, e Medroso de amor, de Zizinha Bessa, nas quais colocou os versos.
De 1929 a 1933 lançou 26 discos, quase todos na Victor, interpretando composições de Marcelo Tupinambá, Joubert de Carvalho, Cândido das Neves, Gastão Lamounier, Henrique Vogeler, entre outros.
Seus maiores sucessos foram as canções Minha viola e Sabiá cantador (ambas de Randoval Montenegro), a canção-toada Volta (1930, de M. Lopes de Castro), o tango Queixas (1932, de Zelita Vilar e Rhea Cibele), e o fox-canção Saudades do arranha-céu (1933, de J. Tomás e Orestes Barbosa), pela Columbia.
Foi eleita Rainha da Canção Brasileira em 1930, em concurso promovido pelo Diário Carioca. No ano seguinte, foi elogiada pelo príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VIII da Inglaterra, que visitava o Rio de Janeiro; em sua homenagem, gravou o tango Príncipe de Gales (Gastão Lamounier e M. Lopes de Castro).
Além da carreira de cantora, desenvolveu intensa e variada atividade intelectual: foi contista, teatróloga, conferencista e poetisa, tendo publicado Cantigas de quem perdoa, Livraria Freitas Bastos, São Paulo, 1963.
Trabalhou em várias revistas e jornais, e na Rádio Globo foi redatora durante nove anos, além de radioatriz, novelista e apresentadora. Segundo Orestes Barbosa no livro "Samba", de 1933, sua especialidade eram "as canções de emoção e pensamento".

Marcadores: , , , , ,


Jaime Vogeler

0 comments

Jaime Vogeler (Jaime da Rocha Vogeler) nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 11 de maio de 1906 e herdou de sua família o gosto pela música. Muitos dos Vogeler foram talentosos artistas, como o famoso compositor Henrique Vogeler, seu tio-avô, e o grande desenhista, Jorge Vogeler, seu pai, além do produtor e autor Dalton Vogeler, seu sobrinho.
Em 1929, gravou seu primeiro disco, pela Parlophon com a valsa O pagão (Canção de amor), de N. H. Brown e o fox canção Minha Tônia, de Brown, De Sylva e Henderson.
Em 1930, transferiu-se para a Victor e lançou o samba Loiras e morenas, de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano. No mesmo ano, gravou as canções Canção dos namorados, de J. B. Cavalcânti e Devaneios, de C. Rodrigues e Lamartine Babo.
Em 1931, gravou mais dois discos pela Parlophon com a canção Abismo de amor e o tango Infeliz amor, de Cândido das Neves e a valsa Teu nome, de Glauco Viana e o samba Tu foste má, de Mário Lopes de Castro. No mesmo ano, transferiu-se para a Odeon e lançou dois discos. No primeiro, gravou a marcha Bonde errado, de Lamartine Babo e o samba Olha a crioula, de Almirante e João de Barro e no segundo, a marcha Não dou, de Djalma Guimarães e o samba Encurta a saia, de Júlio Casado, Almirante e João de Barro. Estas composições foram premiadas respectivamente do primeiro ao quarto lugar no concurso para escolher as melhores músicas para o carnaval daquele ano.
Ainda no mesmo ano, gravou com acompanhamento da Orquestra Copacabana a canção Meu amorzinho foi-se embora, de André Filho, o fox trot Como é gostoso amar, de Glauco Viana e Lamartine Babo e a marcha rancho Gegê, de Eduardo Souto e Getúlio Marinho.
Em 1932, gravou, também com acompanhamento da Orquestra Copacabana, o cateretê Lá no sertão, de Eduardo Souto e Eustórgio Vanderley e a reza de malandro Samba nosso, de Eduardo Souto e Benoit Certain. No mesmo ano, gravou a primeira composição de sua autoria, o samba De você tenho saudade, parceria com Américo de Carvalho.
Em 1933, gravou duas composições de Assis Valente: a marcha Felismina e o samba Acabei a paciência com acompanhamento da Orquestra Copacabana. Gravou também as marchas A verdade é essa, de Freitinhas e Vai haver o diabo, de Benedito Lacerda e Gastão Viana e os sambas Não sei o que vou fazer, de Heitor dos Prazeres e Até dormindo sorriste, de Getúlio Marinho e Valdemar da Silva.
Em 1934, lançou mais três composições de sua autoria, os sambas Triste despertar, parceria com Kid Pepe e Não sei porque e a valsa Suprema agonia. No mesmo ano, gravou o samba Promessa, parceria com Max Bulhões e a marcha Olha pro céu, de Ciro de Souza.
No ano seguinte, gravou a marcha Tão boa, de Nonô e Francisco Matoso e os sambas Quero evitar, de Max Bulhões e Wilson Batista e Vem rompendo a madrugada, de Cristóvão de Alencar e Sílvio Pinto. Ainda no mesmo ano, gravou a valsa Lela, de Benedito Lacerda e Jorge Faraj e o samba Cãozinho sem dono, de Benedito Lacerda com acompanhamento da Orquestra Copacabana.
Ainda em 1935, gravou um único disco pela Columbia com a marcha Deixa essa gente falá e o samba Meu amor nunca foi da cidade, da dupla Saint Clair Sena e Ronaldo Lupo. Em 1936, gravou a marcha Onde você mora?, de Valfrido Silva e Bonfiglio de Oliveira e o samba Escola do amor, de Valfrido Silva e Osvaldo Santiago. Ainda no mesmo ano, gravou com acompanhamento de Antenógenes Silva ao acordeom a valsa A minha alucinação o tango Léa e a marcha Mulata sem sê-lo, todas de Antenógenes Silva e Ernâni Campos.
Em 1937, lançou para o carnaval a marcha Cuidado com essa morena, de Nássara e Cristóvão de Alencar e o samba Amar é muito bom, de Zé Pretinho e Manoel Ferreira. No mesmo ano, gravou os sambas Não fiz nada, de Zé Pretinho e Roberto Martins, Você precisa amar, de Zé Pretinho e Valdemar Silva e Eu fui fiel, de Zé Pretinho e Manoel Ferreira.
Em 1938, gravou seu último disco com a marcha Você faz tudo, de Antônio Almeida e o samba Bem feito, de Antônio Almeida e Léo Cardoso. Por essa época, começou a se afastar da carreira artística devido a problemas na garganta. Gravou 40 discos, sendo algumas composições suas, com 82 músicas ao todo, muitas das quais foram incluídas em seleções comemorativas do selo Revivendo, em LPs e CDs, a partir dos anos 1990. Jaime Vogeler faleceu em 7 de agosto de 1966, no Rio de Janeiro.

Marcadores: ,


Jamelão

1 comments

Jamelão
José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, nasceu na Rua Fonseca Teles, no bairro carioca de São Cristóvão, no dia 12 de maio de 1913. Conhecido por sua bela voz e sua enorme versatilidade, nosso "Gogó de Ouro" atravessa a passarela da música popular brasileira de um extremo ao outro; como cantor de samba e também como intérprete de belas canções de dor-de-cotovelo, principalmente Lupicínio Rodrigues.
Puxador de samba, jamais! Ele sempre diz: “Puxador é ladrão de carro. Eu não puxo samba coisa nenhuma, eu interpreto”. E como interpreta! Em sua longa estrada no carnaval verde e rosa da Mangueira, quando sua voz poderosa ecoa na avenida dizendo os primeiros versos de um samba enredo, é puro júbilo popular. Até quem não é mangueirense se emociona com sua voz e vitalidade. Para chegar até aí, percorreu um longo e tortuoso caminho.
Tudo começou quando, aos dez anos, cismou em aprender a tocar bandolim e cavaquinho, presente do pai, um pintor de paredes. José Bispo tinha quatro irmãos e aos quinze anos, quando o pai foi embora com outra mulher, precisou ir trabalhar na fábrica de tecidos Confiança, em Vila Isabel, para ajudar a mãe nas despesas de casa. Trabalhou também como jornaleiro e costuma dizer que sua voz foi treinada nos pregões que gritava para vender jornal.
Ao mesmo tempo, sem nenhuma pretensão, freqüentava as gafieiras da cidade e se tornou íntimos dos músicos e, um dia, foi convidado para cantar na Gafieira Jardim do Meyer. O sucesso foi tanto que logo surgiram outros convites e ele passou a ser "crooner" de diversos "dancings" da cidade.
Foi no Jardim do Méier que ganhou o apelido de Jamelão. Seu Euclides, o gerente, na hora de anunciá-lo não sabia bem o seu nome e, numa alusão à sua cor, idêntica a da fruta, chamou-o pelo nome de Jamelão e o apelido ficou para sempre.
No final da década de 40 ele resolveu tentar o rádio. Primeiro passou pela Rádio Clube do Brasil, depois Rádio Guanabara e, por fim, a Rádio Tupi. No período de 1957 a 1965 Jamelão participou do "cast" da Rádio Nacional. Fez também filmes com Oscarito e Grande Otelo nos tempos da Atlântida.
Na década de 50 gravou seu primeiro LP, com o samba Maior é Deus, de Felisberto Martins. Foi neste tempo também que o samba-enredo ganhou dimensão e, desde essa época, passou a "interpretar" os sambas da Estação Primeira de Mangueira sendo sempre campeão em suas interpretações na avenida.
Na década de 60 aproximou-se de Lupicínio Rodrigues, tendo gravado, de início, duas de suas músicas num LP: Ela disse-me assim e Exemplo. Depois, gravou outras tantas e, até hoje, é considerado seu melhor intérprete. Além de outras interpretações de dores-de-cotovelo como Castigo, de Dolores Duran; Matriz ou filial de Lúcio Cardim e Um dia hás de pagar, dele próprio.
Passado o tempo, e com um público fiel à sua bela voz, em 1977, num show do Seis e Meia, no Teatro João Caetano foi recorde de público na época (duas mil pessoas por dia). Em 1987 conseguiu realizar um grande sonho: gravar um disco só com músicas de Lupicínio Rodrigues, considerado pela crítica um dos melhores discos daquele ano. Casado há mais de 50 anos com D. Delice, tem uma única filha.

Jamelão - Aqui mora o Rio
Fonte: Obi Music

Marcadores: , , ,


Jaime Redondo

0 comments

Jaime Redondo (Jaime Fomm Garcia Redondo), cantor, compositor, ator, nasceu em São Paulo/SP em 29/10/1890 e faleceu em 5/12/1952. Era filho do engenheiro e escritor Manoel Ferreira Garcia Redondo (1854—1916), fundador e primeiro ocupante da cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras.
Desde pequeno tocava violão, piano e compunha. Cantou na Rádio Educadora Paulista, a primeira de São Paulo, fundada em 1923, da qual foi diretor de música popular. Foi pioneiro da gravadora Columbia de São Paulo. Não gravou em outra etiqueta e de 1929 a 1931 totalizou 27 discos com 50 músicas.
Seu maior sucesso foi a canção de sua autoria Saudade, lançada em seu segundo disco. Também foram sucessos Ao cair do pano, valsa (Sherman e Lewis, versão sua de 1929) e sua canção de 1930, História de Jaci.
Cantou no filme de Wallace Downey, Coisas nossas, de 1931. No cinema foi produtor, diretor, argumentista e ator. No filme Lei do inquilinato, de William Schoucair (1926), além de ator foi argumentista e fotógrafo e em 1927 produziu, dirigiu e atuou no filme Flor do sertão.
Depois de deixar de ser cantor, foi diretor artístico do Cassino da Urca, no Rio de Janeiro. Em 1950 compôs com Vicente Paiva o famoso samba-canção Ave Maria, gravado por Dalva de Oliveira no mesmo ano.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Marcadores: , , ,


J. B. de Carvalho

1 comments

J. B. de Carvalho (João Paulo Batista de Carvalho), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 24/12/1901 e faleceu em 24/8/1979. Iniciou carreira artística em 1931, na extinta Rádio Cajuti, liderando o Conjunto Tupi, que interpretava corimás, músicas cantadas durante os rituais de macumba.
No repertório do grupo estava incluído o seu batuque Cadê Viramundo, depois gravado com sucesso pelo próprio conjunto e mais tarde por Xavier Cugat. O Conjunto Tupi foi um dos primeiros a ter programa de umbanda em rádio, durante muitos anos, além de realizar inúmeras gravações na Odeon.
O grupo se apresentou na maior parte das emissoras cariocas, sendo freqüentemente interrompido pela polícia, que invadia os auditórios de seus programas, quando as pessoas entravam em transe ao ouvir os pontos de macumba e orações. Foi preso inúmeras vezes, sempre dizendo que saia livre graças a sua amizade com Getúlio Vargas.
Em 1937 obteve grande êxito no Carnaval com o samba Falso amor (com Osvaldo Silva), gravando com sucesso, na Odeon, a batucada Poeira (J. Santos e Abigail Moura), em 1940, e a marcha Pó de mico (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), em 1941.
Ainda na Odeon, gravou com Eladir Porto o batuque africano Ponto do caboclo Rompe-Mato (com Nelson Trigueiro), em 1941, além das macumbas Pai Xangô (com E. Silva e H. Almeida) e São Jorge Guerreiro (Amado Régis), lançados em 1943, com acompanhamento de Garoto e seu conjunto.
Afastado do rádio em fins da década de 1960, reapareceu em 1971, na Rádio Carioca, com A Carioca dos Terreiros, programa de grande audiência e popularidade, realizado por ele com a colaboração do locutor Moreira e de seu filho, J. B. Júnior, pandeirista e compositor da Portela.
Conhecido também como O Batuqueiro Famoso, gravou alguns dos maiores sambas cariocas, como Juro (Milton de Oliveira e Haroldo Lobo), em 1937, Só um novo amor (Max Bulhões) e Foste embora (Djalma Esteves, Raul Resende e Carlos de Almeida), ambas em 1938.
A partir de fins da década de 1960 passou a gravar uma série de LPs de pontos de macumba e outras musicas de terreiro, muito vendidos em casas de artigos de umbanda de todo o Brasil.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

Marcadores: , ,


Jacob do Bandolim

0 comments

Jacob do Bandolim
Filho único do farmacêutico Francisco Gomes Bittencourt e de Raquel Pick, uma polonesa foragida da Primeira Grande Guerra, Jacob Pick Bittencourt nasceu (em 14.02.1918) e foi criado no bairro carioca da Lapa. Percebendo a sua atração pela música, a mãe deu-lhe aos doze anos um violino, logo substituído por um bandolim, instrumento que ele desejava sem saber bem por que.
Aplicado, persistente e dotado de vocação para o autodidatismo, Jacob, ainda adolescente, já podia ser considerado um bom bandolista, com razoável domínio do cavaquinho e do violão. Isso o animou a formar um pequeno conjunto para acompanhá-lo em participações em programas radiofônicos, o que o levaria à profissionalização.
Como o que ganhava com a música era pouco, exerceu paralelamente as atividades de vendedor-pracista, prático de farmácia e corretor de seguros até 1940, quando, a conselho do compositor Donga, prestou concurso e foi nomeado escrevente juramentado da Justiça do Rio de Janeiro. Na ocasião, casado com Adília, já era pai de Sérgio e Helena.
Depois de muitos anos de rádio e participações em gravações alheias, Jacob gravou em 1947 o seu primeiro disco solo, um 78 rpm da Continental que apresentava o choro Treme-Treme, de sua autoria, e a valsa Glória, de Bonfiglio de Oliveira. Ainda na Continental, gravaria nos anos seguintes mais seis fonogramas, cinco dos quais: Flamengo, de Bonfiglio, Flor amorosa, de Joaquim Antônio da Silva Callado, Cabuloso, Remelexo e Salões Imperiais, de sua autoria.
Em 1949 transferiu-se para a RCA, onde gravaria até o final da vida um total de 47 discos 78 rpm, vários compactos e mais de dez LPs. Gravaria ainda, na CBS, a suíte Retratos, composta especialmente para ele por Radamés Gnattali.
Além do músico virtuoso, que revolucionou a técnica do bandolim criando uma nova maneira de tocá-lo e elevando-o à categoria de principal instrumento solista do choro, ao lado da flauta, Jacob entra para a história da MPB como um excelente compositor, responsável por obras-primas como Doce de Coco, Noites cariocas, Salões Imperiais e Vibrações, entre outras.
O mais surpreendente é que ainda arranjou tempo para dedicar-se à pesquisa musical, sempre com a seriedade e o espírito de organização que o caracterizavam. Fiel ao preceito de que o êxito do solista muito dependente da competência dos músicos que o acompanham, Jacob jamais abriu mão de sua total liderança sobre os conjuntos com os quais atuou. Segundo Sérgio Cabral, seus companheiros sabiam bem que diante de um erro, "bastava um simples olhar seu, mais violento do que qualquer espinafração".
O mais importante conjunto ligado a Jacob, que sobreviveu ao seu desaparecimento, é o Época de Ouro. Formado em 1959, quando o mestre lança o LP homônimo, o grupo tem como núcleo básico os violonistas Horondino Silva (Dino 7 Cordas), César Faria e Carlos Carvalho Leite (Carlinhos) e o pandeirista Jorge da Silva (Jorginho do Pandeiro).
Jacob Bittencourt morreu aos 51 anos de enfarte do miocárdio, na sexta-feira, 13 de agosto de 1969. Na ocasião, regressava de uma visita a Pixinguinha, seu ídolo maior.
(Jairo Severiano)
Fonte: Encarte da Enciclopédia Musical Brasileira distribuído pela Warner Music Brasil Ltda.

Marcadores: , ,


Paulo Tapajós

0 comments

Paulo Tapajós, cantor, compositor e radialista, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 20/10/1913 e faleceu em 29/12/1990. Estudou desenho na Escola Nacional de Belas Artes e música com o maestro Lorenzo Fernandez, além de aprender piano com Maria Siqueira e canto com Cecília Rudge e Riva Pasternak. Estudando violão sozinho, chegou a lecionar o instrumento por vários anos, abandonando mais tarde o desenho para se dedicar exclusivamente à música.
Em 1927, formou com os irmãos Haroldo e Osvaldo o trio vocal Irmãos Tapajós, que se apresentava em festas de amigos e que, no ano seguinte, estreou na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Ainda em 1928 escreveu sua primeira composição, editando-a pela Casa Vieira Machado.
Com a saída de Osvaldo em 1932, formou uma dupla com o irmão Haroldo, gravando Loura ou morena (Haroldo Tapajós e Vinícius de Moraes), de 1928. A dupla gravou, também na Odeon, a marcha Decadência de pierrô (Lamartine Babo e Alcir Pires Vermelho) e o samba Eu chorei (Alvaiade e Alcides Lopes), além de Noite azul (Carlos Armando Pascoalini e Rogério Cardoso).
Em 1933, compôs com Vinícius de Morais o fox-canção Canção da noite. Em 1942, Haroldo abandonou a dupla e as atividades artísticas; prosseguiu então, individualmente, como cantor, diretor e produtor de programas, contratado pela Rádio Nacional. Transferindo-se para a Rádio Tupi, em 1946, como diretor artístico, voltou à Rádio Nacional dois anos depois, sendo produtor da emissora durante a sua fase de ouro. Com Nuno Roland e Albertinho Fortuna, formou o Trio Melodia e criou o conjunto de serenatas Turma do Sereno.
Em 1951 compôs o samba Morreu o Anacleto (com Dunga). Em 1956 gravou na Sinter o LP Luar do Sertão, interpretando músicas de Catulo da Paixão Cearense. Participou das primeiras dublagens de desenhos de Walt Disney, planejando ainda emissoras de rádio em diversas cidades, além de pesquisar e estudar a música popular brasileira.
Em 1966, fez parte da comissão executiva do I FIC, da TV-Rio, Rio de Janeiro, permanecendo como diretor artístico até maio de 1970. Participou, em 1971, do LP lançado pela RCA, Os saraus de Jacó - Jacó do Bandolim recebe o modinheiro Paulo Tapajós, que aproveitou fitas do famoso bandolinista, com seu conjunto Época de Ouro.
Em 1972 escreveu o capítulo sobre a música popular brasileira no livro Brasil, uma história dinâmica, obra didática muito elogiada pela UNESCO. Durante a década de 1980 participou de vários encontros e festivais de música como a X e a XII Califórnia da Canção Gaúcha (Carazinho RS), o I Acorde, Seminário de Defesa da Música Brasileira (Tramandaí RS), o I Seminário dos Festivais de Música Gaúcha (Guaíba RS), o Festival Comunicasom de Goiânia GO, o Sercapo - Festival da Canção Popular de Cascavel PR, e os III e IV Encontros de Pesquisadores de Música Popular Brasileira, no Rio de Janeiro.
Em 1990 participou do I Ciclo de Debates sobre Rádio e Televisão, promovido pela Futevê-M.E.C., no Rio de Janeiro. Pai dos compositores e cantores Paulinho e Maurício Tapajós e da cantora Dorinha Tapajós (os dois últimos já falecidos), Paulo Tapajós produziu, dirigiu e apresentou, ao longo de vários anos e até o dia de sua morte, o programa radiofônico Domingo Musical, do Projeto Minerva.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Marcadores: , , ,


Ildefonso Norat

0 comments

Ildefonso Norat, cantor, compositor e ator, nasceu em Belém/PA. Atuou em fins da década de 1920 e meados da década de 1930 como cantor e ator de teatro de revistas. Gravou o seu primeiro disco pela Victor em 1929 cantando a cançoneta Feijoada, de Rogério Guimarães e Ornellas. Por essa época, formou um conjunto para acompanhá-lo em apresentações.
Em fevereiro de 1930, gravou com seu conjunto pela Columbia os sambas É assim, de Rubem Bergmann e A casinha que eu fiz caiu, de sua autoria. No mesmo ano, lançou três discos que tinham numa das faces o cantor Januário de Oliveira. Nesses discos cantou a marcha Seu Julinho trouxe ouro, de Juvenal de Abreu, referência ao então candidato oficial à presidência da República Júlio Prestes; a regravação do samba-canção Reminiscências do passado, de Sinhô e o samba O que tu qué...não dou!, de Oscar Cardona. Gravou também Ioiô! Você quer?, de Cícero de Almeida e a marchinha Eu só digo a você, de Raul Morais.
Também em 1930, gravou na Parlophon o samba Vem ouvir meu cantar, de Edmundo Henriques. Ainda nesse ano, gravou como crooner da Orquestra Brunswick os sambas Amostra a mão, de Sinhô e Eu vou à feira, de Átila Soares.
Ainda na gravadora Brunswick registrou como cantor do grupo Gente do Morro os sambas Dá nele, de Sinhô; No Salgueiro, de sua autoria e Benedito Lacerda; Chora meu bem, de Benedito Lacerda e Isto não se faz, de Júlio dos Santos.
Gravou solo, com acompanhamento da Orquestra Brunswick sob direção de Henrique Vogeler, os sambas Samba Maria, de sua autoria, e No palácio das necessidades, parceria com Benedito Lacerda.
Em 1931, gravou em dueto com Murilo Caldas os sambas Já fui rei e Deixo saudades, de autores desconhecidos. Em 1932, fez uma série de gravações pela Columbia cantando os sambas Sai fumaça, de J. Aimberê, com acompanhamento da Orquestra Columbia; Você me conhece, de Plínio Brito, com o grupo Sete Diabos e Sou carioca, de Henrique Vogeler e Milton Amaral e a marcha Tenentes...do diabo, de Noel Rosa, Visconde de Bicoíba e Henrique Vogeler, com a Fanfarra dos Tenentes, da Sociedade Carnavalesca Tenentes do Diabo.
Em 1935, teve a marcha No duro gravada por Jaime Vogeler na Odeon. Gravou ainda as canções Martírio, de sua autoria e Ranchinho do sertão, de Luiz Iglesias e Sofonias Dornelas com acompanhamento de Josué de Barros ao violão. Também nesse ano, fez três gravações em dueto. Com Dina Marques gravou o Samba da meia-noite, de sua autoria e Luiz Tangerini; com Leonel Farias registrou a marcha Aurora, de Leonel Farias e Henrique Vogeler e com Iolanda Osório registrou a marcha Paquita meu bem!..., de Alfredo Gama.
Gravou 25 músicas em 18 discos pelas gravadoras Victor, Columbia, Parlophon e Brunswick. Em 2003, teve duas de suas gravações de obras de Sinhô relançadas pelo selo Revivendo.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Marcadores: , , ,


Heloísa Helena

0 comments

Heloísa Helena (Heloísa Helena de Almeida Lima), cantora, compositora e atriz, nasceu em 28/10/1917 no Rio de Janeiro/RJ e faleceu em 19/06/1999. Filha e neta única, Heloísa desde criança demonstrou vocação artística. Seu pai, Otávio, era advogado e um alto funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro. Na infância, além das disciplinas normais, estudava com uma governanta o idioma inglês. Logo, começou a cantar e tocar violão.
Iniciou sua carreira na Rádio Mayrink Veiga. No começo cantava em inglês, já que dominava a língua como se fosse nativa dos Estados Unidos da América. Participou do filme Samba da Vida, primeiro musical de Jaime Costa, que passou a ser seu ídolo. Heloísa escrevia também.
Foi a primeira cantora a interpretar Carinhoso, de Pixinguinha, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Cantou também nos cassinos da Urca, Copacabana e Atlântico. A embaixada dos Estados Unidos fez na época um intercâmbio cultural com o Brasil e Heloísa Helena acabou indo para New Orleans, permanecendo algum tempo.

Voltando ao Brasil, é convidada por Chianca de Garcia a ingressar na televisão, em 1951, na então recém-inaugurada TV Tupi do Rio. Participou de vários teleteatros, entre os quais Um Bonde Chamado Desejo e A Rosa Tatuada. Começou também a ser apresentadora de programas de televisão.
Trabalhou depois por um tempo em Recife, mas quando voltou ao Rio, já para a Rede Globo, integrou o elenco de várias telenovelas de sucesso, entre as quais Verão Vermelho, Assim na Terra Como no Céu, Selva de Pedra (como Fanny, a divertida dona da pensão) , Pecado Capital, O Astro, Eu Prometo e várias outras. Heloísa Helena também se dedicou à direção de programas, como a versão brasileira do programa What's My Line?.

No cinema, participou de Mãos Sangrentas, Leonora dos Sete Mares, O Homem do Sputinik. Mas o que mais a enche de emoção é Independência ou Morte, filme nacional rodado em 1972 no qual interpretou Carlota Joaquina, mãe do príncipe D. Pedro I, vivido por Tarcísio Meira.
Fonte: Depoimento de Heloísa Helena ao Museu da Televisão Brasileira, em 16/12/1998.

Marcadores: , , ,


Heleninha Costa

0 comments

Heleninha Costa (Helena Costa), cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/1/1924 e faleceu em 11/04/2005. Ainda menina, transferiu-se com a família para Santos/SP, iniciando carreira na Rádio Clube local em 1938. Pouco tempo depois, foi para São Paulo SP, atuando nas rádios São Paulo, Record e Bandeirantes.
Gravou seu primeiro disco em 1940, um 78 rpm da Columbia, com a marcha Sortes de São João (Osvaldo Santiago e Alcir Pires Vermelho) e o samba Apesar da goteira do quarto (Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho).
Transferindo-se para o Rio de Janeiro, em 1943, passou a cantar na Rádio Clube do Brasil, hoje Mundial. Foi crooner e bailarina do Cassino da Urca por volta de 1943, ano em que gravou na Columbia o samba de grande sucesso Exaltação à Bahia (Chianca de Garcia e Vicente Paiva).
Em 1945 César Ladeira a convidou para cantar na Radio Mayrink Veiga. Em 1947 o mesmo César Ladeira levou-a para a Nacional, onde atuou no programa Música do Coração. Em 1953 casou com o compositor Ismael Neto, líder do conjunto Os Cariocas.
Entre seus principais sucessos estão o bolero Afinal (Luis Bittencourt e Ismael Neto), o baião Não interessa, não! (Luis Bittencourt e José Meneses), o tango Cartas de amor (José Maria de Abreu e Luis Roldán) e o samba Ginga (Sá Róris ).
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

Marcadores: , ,


Hebe Camargo

0 comments

Hebe Camargo nasceu no dia 08 de março de 1929, em Taubaté, São Paulo. Filha de Ester e Fego Camargo, que era violinista do Cinema Politeama em Taubaté na época dos filmes mudos, Hebe teve uma infância humilde, principalmente depois da chegada do cinema falado, quando seu pai perdeu o emprego.
Em 1943, a família Camargo se mudou para São Paulo e Fego passou a integrar a orquestra da Rádio Difusora. No ano seguinte, Hebe começou a se apresentar em programas de calouros das rádios paulistanas, fazendo imitação de Carmen Miranda.
Depois de ganhar vários prêmios como caloura, Hebe formou o Quarteto Dó-Ré-Mi-Fá, junto com a irmã Stela e as primas Helena e Maria. Cantando músicas do grupo feminino americano Andrews Sisters, o quarteto foi contratado pela Rádio Tupi. Encerraram atividades três anos depois, quando uma das primas se casou.
Logo em seguida, Hebe e a irmã Stela formaram a dupla sertaneja Rosalinda e Florisbela, que teve vida curta. Hebe, então, decidiu iniciar carreira solo, interpretando as seguintes músicas: Moreno Lindo e Dora Dora.
Seu primeiro disco, em 78 rotações, foi gravado pela Odeon. Nele havia as músicas Oh! José e Quem foi que disse?. A artista lançou outros discos, passou a ser conhecida como Estrelinha do Samba e posteriormente como A Estrela de São Paulo.
Já consagrada, prestou homenagem a Carmen Miranda, gravando um pout-pourri com os maiores sucessos da pequena notável. Ainda como cantora, Hebe atuou em alguns filmes do comediante Mazzaropi e até contracenou com Agnaldo Rayol num deles. Como atriz, participou do filme Quase no Céu, de Oduvaldo Vianna, lançado em maio de 1949. Hebe participou ainda da última edição do Festival de Música Popular, defendendo a música Volta Amanhã.
Com o passar do tempo, a carreira de cantora deu lugar à de apresentadora. Hebe, inicialmente substituiu Ary Barroso num famoso programa de calouros. Mas o programa que a destacou como apresentadora foi "O Mundo é das Mulheres", exibido no então canal 5 e que contava com a produção de Walter Forster.
Em 14 de julho de 1964, Hebe se casou com o empresário Décio Capuano e interrompeu a carreira artística. No dia 20 de setembro de 1965, nasceu o primeiro e único filho da artista, Marcello Camargo. Logo ela retomou a carreira, com um programa na rádio Excelsior.
No dia 6 de abril de 1966, Hebe estreou na TV Record (Canal 7) o Programa Hebe, que teve como convidado Roberto Carlos. A atração bateu recordes de audiência, chegando a obter 70% dos telespectadores. A fase só não era melhor porque Hebe não conseguia aliar a carreira com o casamento. Em 1971, terminou sua união com o empresário Décio Capuano. Em 1973, conheceu Lélio Ravagnani, com quem viveu até 2000, ano em que Lélio faleceu.
Após uma pausa de quase 10 anos, Hebe retornou à televisão em 1981. Seu programa era exibido nas noites de domingo e posteriormente às sextas-feiras, na TV Bandeirantes. Depois de quatro anos de sucesso, a direção da emissora resolveu inexplicavelmente acabar com a atração.
Em 1985, quando ainda estava na Bandeirantes, recebeu convite do SBT e em novembro do mesmo ano assinou contrato. Sua estréia aconteceu dia 4 de março de 1986. Desde a estréia no SBT, Hebe apresentou: o Programa Hebe, no estilo show, no ar nas noites de segunda-feira, e o "Hebe Por Elas", programa de entrevistas só com mulheres apresentado às terças-feiras. Ela chegou a ter, por curto período, um programa nas tardes de domingo.
Hoje o Programa Hebe vai ao ar às segundas-feiras, a partir das 22h20, no qual a apresentadora conversa com artistas e personalidades sempre de forma descontraída, mostrando toda sua irreverência e experiência, num estilo inconfundível. Aurora Prado dirigiu o programa até abril de 2002, mês em que a diretora Simone Lopes assumiu a atração.
No rádio, Hebe apresenta atualmente o programa "Hebe & Você", pela Nativa FM, de segunda à sexta, das 11h às 12h. Ela recebe convidados especiais, responde perguntas dos ouvintes, fala sobre sua vida, emite opinião sobre fatos relevantes que marcaram a semana e dá dicas de beleza e saúde, entre outros temas.
A carreira de cantora foi retomada em 1999. Hebe gravou o CD Pra Você, pela Universal-Polygram, com produção de Zé Milton. O show de lançamento, realizado no Palace, alcançou enorme repercussão e originou uma turnê pelas principais capitais do país.
Em agosto de 2001, Hebe lançou Como é grande o meu amor por você - Hebe e convidados. O CD tem participações especiais de Chico Buarque, Caetano Veloso, Zezé di Camargo e Luciano, Simone, Nana Caymmi, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo e Fábio Júnior.
Entre os vários prêmios que a apresentadora recebeu ao longo da carreira, o que mais a deixou emocionada foi ter sido escolhida pelos paulistanos, numa pesquisa realizada 1990, A cara de São Paulo. Em 1994, Hebe recebeu da Câmara Municipal o título de Cidadã Paulistana.
Fonte: Hebe/SBT - http://www.sbt.com.br/

Marcadores: , , , ,


Helena de Lima

0 comments

Helena de Lima

Helena de Lima, cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 17/05/1926. Começou a vida profissional na década de 1940 quando César Ladeira recrutava talentos novos para a Rádio Nacional. Em 1948 estreou como crooner da boate Pigalle, do Rio de Janeiro, e a partir daí, continuaria a cantar em casas noturnas do Rio de Janeiro e de São Paulo por mais de 25 anos.
Depois de temporada na boate Oásis, de São Paulo, em 1951, voltou ao Rio de Janeiro e participou como crooner do conjunto de Djalma Ferreira, no bar do Hotel Plaza Copacabana. Entre os compromissos seguintes incluíram-se apresentações na boate Jirau, do Rio de Janeiro.
Em 1958 fez grande sucesso, apresentando-se em contracanto com Dolores Duran, na boate Bacará, também do Rio de Janeiro. Seu primeiro disco, da Todamérica, tinha duas composições da dupla Marino Pinto e Vadico: Prece e Coração, atenção. Após o fechamento da Bacará, alternou temporadas em casas noturnas com gravações, sempre acompanhada pelo maestro Lauro Miranda, a quem se manteria ligada ao longo da carreira. É dessa época o LP Vale a pena ouvir Helena.
Na década de 1960, durante a fase de apresentações na boate Cangaceiro, gravou ao vivo os LPs O céu que vem de você e Um noite no Cangaceiro, produções da RGE. Concessa Lacerda, que a ouvira num show do Cangaceiro, deu-lhe para gravar Verdade da vida (com letra de Raul Mascarenhas), uma das faixas do LP Uma noite no Cangaceiro e seu maior sucesso profissional.
Na sucessão de temporadas em outras boates e clubes que se seguiu a fase do Cangaceiro, apresentou-se com Elisete Cardoso e outros artistas, e gravou um LP com músicas de Noel Rosa.
Em 1971, com Adeilton Alves, gravou um LP com 36 composições de Ataulfo Alves. Em 1974, após uma série de excursões e shows, participou de temporada em que a boate Porta do Carmo, de São Paulo, reuniu Cauby Peixoto, o Trio Mocotó e outros. Em 1975 fez curta temporada na Pujol, do Rio de Janeiro.
Em sua longa carreira, sempre preferiu o ambiente íntimo e de público pequeno, das casas noturnas de grandes cidades. Entre seus êxitos, destaca-se a marcha-rancho Estão voltando as flores (Paulo Soledade).
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha.

Marcadores: ,



Primeiro time da Bossa Nova
O primeiro time da Bossa Nova: Tom, Vinícius, Bôscoli, Menescal e Lyra. O uísque também fazia parte do grupo.

“Quando a Bossa Nova surgiu houve uma grande mudança, uma sofisticação que atingiu a letra, a harmonia e a melodia. Antes, havia melodias bonitas, produzidas por Ary Barroso, Custódio Mesquita, Dorival Caymmi, este, uma espécie de precursor da Bossa Nova.
Havia muita gente importante, como Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Dircinha e Linda Batista. Isso era a grande música popular brasileira. Era a música popular mesmo, porque a Bossa Nova, para mim, é música popular de câmera, não é música popular.
A Bossa Nova foi um tipo de música feita pela classe média para atender a própria classe média. Quando se fala de influências houve a do impressionismo europeu e do jazz norte-americano.
O que diferenciava a harmonia da Bossa Nova da harmonia tradicional? Era alguma coisa elaborada, com elementos do jazz e do impressionismo na parte técnica. A melodia também ganhou uma sofisticação, algo blue note, com muita nota alterada, coisa que o povo não cantava. As melodias do povo são mais simples. Por incrível que pareça, as harmonizações passaram também a dar uma nova cara harmônica às músicas antigas, as populares.
Na letra, Vinícius de Moraes e os demais letristas - entre os quais, eu me incluo - tiraram aquele clima de tango e de bolero, um gosto bem latino-americano, para fazer algo mais leve, mais relacionado com certos textos das comédias norte-americanas e européias...”
Fonte: Depoimento de Carlos Lyra a Almir Chediak, no Songbook Bossa Nova

Marcadores: ,



Nara Leão, Sílvio Caldas e Carlos Lyra
Nara Leão, Sílvio Caldas e Carlos Lyra no programa Renner Brasil, TV Excelsior, São Paulo, maio de 1963.

“A Bossa Nova foi importante para mim e para a humanidade, pois mudou a música do mundo inteiro. Pimeiro, é preciso destacar o João Gilberto, porque ele mudou tudo. Chegou até a ser chamado de desafinado, coisa que ele não é.
Na verdade é afinaderrímo, a coisa mais afinada do mundo, mas as pessoas achavam que um cantor que não gritasse era desafinado. Sua maneira de cantar é fantástica, não precisa de orquestra nenhuma. O violão, sozinho, parece uma orquestra. Com a boca, faz uma bateria, milhares de coisas.
A Bossa Nova também mudou as letras. Havia uma parte substancial de nossa música em que as letras eram dramáticas, sentimentais, derramadas. A Bossa Nova veio com aquele negócio de amor, sorriso, flor, céu. Era uma coisa leve. Para mim, ela continua viva e muito nova. A música quando é boa a gente ouve sempre, com prazer. E a Bossa Nova contribuiu muito com a nossa música tradicional.
Antes o samba não tinha uma harmonia rica. Quando o Carlinhos Lyra me apresentou aos sambas, tocados de maneira bossa-novista, achei muito interessante. Mas, na época, eu pensava que não podia cantar uma coisa que João Gilberto já tivesse cantado, porque ele canta maneira extraordinária.
Só tive coragem de fazer Bossa Nova quando fui para Paris e gravei um álbum duplo. O João me inibia de cantar Bossa Nova. O que se guardou do movimento foi a maneira de cantar e a harmonia. Os arranjos e a harmonia”.

Fonte: Depoimento a Almir Chediak no Songbook Bossa Nova.

Marcadores: ,



Vinícius de Moraes e Os Cariocas
Na casa de Vinícius de Moraes, os Cariocas: Severino, Badeco, Luiz Roberto e Quartera cantam para o poeta.

"O movimento da Bossa Nova está ligado ao processo de desenvolvimento do país. A partir de 1922, o movimento modernista rompeu formalmente com a cultura européia. Houve uma grande busca - criações nacionais na poesia, na pintura, em tudo.
O grande Villa-Lobos é prova disso. Um tremendo músico, um erudito que tinha raízes populares, que tocava violão e fazia serestas nos bairros boêmios do Rio. Na música popular, o desenvolvimento foi diferente. O samba tradicional começou com os carnavais do princípio do século. Houve um grande êxodo de escravos, que se estabeleceram no Rio e começaram a trabalhar ritmos e danças.
Nisso, a música brasileira se parece muito com o jazz. A contribuição da cultura africana é importantíssima. Devemos a eles toda a parte de ritmo. Nós tivemos a influência católica. Os primeiros cantos de jazz tiveram a influência protestante. Era obrigação acompanhar a missa, escutar esse tipo de música. Não obstante, se preservou a pureza do ritmo africano.
O que há realmente de importante no Brasil é uma unidade de sentimentos que vem da mistura do português com o negro e o índio. Criou-se, com isso, uma espécie de tristeza do povo, de melancolia, que explode nas festas tribais, como o carnaval. O português é muito romântico. O negro também, mas com ritmo e uma vitalidade enorme".
Fonte: Depoimento de Vinícius de Moraes ao Jornal Opinião – Novembro de 1970.

Marcadores: ,



Em Nova York,Tom Jobim e companheiros
Em Nova York, gravação do álbum "Stan Getz e João Gilberto". Da esquerda para a direita: Tião Neto, Tom Jobim, Stan Getz, João e Milton Banana.
“A música brasileira vinha tomando um caminho em direção do modernismo, ao moderno. Embora essa palavra ‘moderno’ não signifique muita coisa... O fato é que a música brasileira ia em direção a algo novo, na direção do progresso, daquilo que Juscelino fazia, quando o Brasil começou a fabricar automóveis, construir estradas, tinha a Petrobrás com “o petróleo é nosso”, aquela coisa toda.
A gente era jovem e tinha vontade de fazer as coisas. E, sobretudo, apareceu um baiano chamado João Gilberto, nascido em Juazeiro, na beira do rio São Francisco - ali, você sabe, cruzando o rio, você está em Pernambuco -, com aquela fantástica batida no violão.
A gente tinha o Johnny Alf, eu e outros fazendo samba moderno, mas com a chegada do João, o negócio balançou. Ele bagunçou o coreto. Porque a coisa do João era genial.
Depois, a Bossa Nova tornou-se um padrão, uma coisa chata - tché-tché, tché-tché - ficou todo mundo tocando igual no Brasil, na América, na Europa etc. Houve uma certa padronização dessa batida.
As pessoas cantavam qualquer coisa nessa batida. O que nunca foi o caso do João. A batida dele tem a ver com o que ele canta. Aquilo forma um contraponto, um jogo, não é isso? - que suinga e que balança. Esse é um dos muitos aspectos da Bossa Nova. Há várias maneiras de você olhar a Bossa Nova..."
Fonte: Depoimento de Tom Jobim a Almir Chediak no Songbook Bossa Nova.

Marcadores: ,


A história da Bossa Nova - Parte 2

0 comments

Bossa Nova - Parte 2
Foto: Ensaiando o vocal. Da esquerda para a direita, Alaíde Costa, Ayres de Carvalho, André Spitzman Jordan, Oscar Castro Neves, Luizinho Eça, Roberto Menescal, Climene e Dulce Nunes.

Vinícius explicou detalhadamente o projeto e justificou a importância cultural do mesmo, para mais impressionar e logo convencer o jovem maestro a dele participar. Tom ouviu a explicação toda e ao fim da fala do poeta perguntou: “Tudo bem, mas tem um dinheirinho nisso aí?”. No dia seguinte já estavam trabalhando na casa de Vinícius.

Em depoimento a Almir Chediak, Tom Jobim lembrou que “no início havia uma certa timidez e as primeiras músicas ficaram umas porcarias. Fizemos três sambas horríveis. Mas Vinícius, pacientemente, queria que fôssemos trabalhando até sair alguma coisa direita”. A primeira “coisa direita” que saiu foi Se Todos Fossem Iguais a Você. Depois vieram Mulher Sempre Mulher, Um Nome de Mulher, Lamento no Morro e Valsa de Orfeu.

Orfeu da Conceição estreou no Teatro Municipal em setembro de 1956, com cenários de Oscar Niemeyer, figurinos de Lila Bôscoli, direção de Léo Jusi, Luiz Bonfá no violão, regência de Léo Peracchi e com um belo elenco negro encabeçado por Haroldo Costa (Orfeu), Léa Garcia (Mira) e Dayse Paiva (Eurídice). O espetáculo foi um acontecimento na vida cultural do Rio. Após uma semana em cartaz no Municipal, a peça foi transferida para o Teatro República, onde cumpriu temporada com casa lotada por mais um mês.

Naquela época a casa de Vinícius, na Avenida Henrique Dumont, em Ipanema, era a própria open house. Chico Feitosa, que trabalhava com o poeta, lembra que entrava e saía gente de manhã até a noite. Eram artistas e intelectuais como Elizeth Cardoso, Ciro Monteiro, Lúcio Alves, Doris Monteiro, Emilinha Borba, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Rubem Braga, Augusto Frederico Schmidt.

Terminada a temporada da peça, Tom e Vinicius começaram a trabalhar nas músicas da versão cinematográfica de Orfeu Negro. Roberto Menescal lembra-se do dia em que foi procurado por Tom. Estava em sua academia de violão, ensinando alguns acordes para uma menina, quando tocaram a campainha. Menescal deixou a garota esperando e foi atender. Na porta, ninguém menos do que Tom Jobim. Menescal, fã incondicional do maestro achou que estava sonhando. “Todas as vezes que tentava ver um show dele, ficava tão nervoso que acabava enchendo a cara e sempre saía carregado. Eu simplesmente não conseguia chegar perto do Jobim”, conta Roberto. E, de repente. lá estava ele frente a frente com o mito. “Você é o Menescal?”, perguntou Tom. “Sou”, respondeu o incrédulo compositor. “É que eu vou gravar um negócio pro filme Orfeu Negro, e queria ver se você fazia o violão, porque o João não pode e disse que você faz um violão mais ou menos parecido com o dele”. Menescal nem voltou para avisar à aluna: dali mesmo acompanhou Tom ao estúdio.

“Naquele mesmo dia já fizemos uma gravação”, lembra, No mesmo dia, Tom convidou o novo amigo para tomar um chope. No bar, perguntou a Menescal o que ele fazia, além de tocar violão. Menescal disse que tinha resolvido estudar Arquitetura. “Vai ser músico que é melhor”, foi o conselho de Tom. Não era um conselho de se jogar fora. Na mesma hora, Menescal resolveu se dedicar à música.

Orfeu Negro, dirigido pelo francês Marcel Camus, foi o grande vencedor do Festival de Cannes de 1959. Entre as novas canções compostas e utilizadas no filme estavam A Felicidade e O Nosso Amor, de Tom e Vinícius, e Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antonio Maria, sendo esta música um grande sucesso internacional e decididamente um outro marco na história e na divulgação da música brasileira no mundo. A repercussão causada por Orfeu foi mais um elemento a contribuir fortemente para o clima de euforia que reinava no Brasil.

Como não poderia deixar de ser, paralelamente à efervescência musical que acontecia na zona sul a zona norte do Rio não ficaria imune às novidades musicais que encantavam o outro lado da cidade. Também em Vila Isabel o jazz era o ingrediente principal das reuniões musicais e lá já se tinha o hábito, mais tarde popularizado por João Gilberto, de se tocar violão no banheiro, devido à excelente acústica criada pelos ladrilhos.

Quando chegou ao Rio, em 1950, João Gilberto cantava como Orlando Silva, seu grande ídolo. Nascido em Juazeiro, no interior da Bahia, João chegou à capital aos 19 anos para ser crooner do grupo Garotos da Lua. Durante algum tempo morou na Tijuca com Alvinho Senna, violonista do grupo, formado ainda por Acyr Bastos Mello, Milton Silva (arranjador) e Toninho Botelho (bateria). Com Alvinho, João freqüentava a noite de Vila Isabel, ao lado de músicos como João Donato, Johnny Alf e Bebeto, do futuro Tamba Trio. O guitarrista Durval Ferreira, que morava por lá, lembra que não era difícil encontrar João Gilberto tocando seu violão em plena Praça Noel Rosa, talvez rendendo homenagem a um dos maiores compositores da música popular brasileira de todos os tempos.

Um ano e meio depois de chegar ao Rio, João Gilberto deixou os Garotos da Lua: já era então uma pessoa absolutamente imprevisível que, apesar do inegável talento, faltava demais aos ensaios e apresentações da banda. Nesta época, João namorava a jovem Sylvia Telles, que tinha 18 anos e em breve se transformaria numa das grandes cantoras dos anos 50 e uma das maiores incentivadoras e mais importantes personalidades da Bossa Nova.

Em 1955, convidado pelo amigo Luís Telles para passar uma temporada em Porto Alegre, resolveu ir conhecer a capital gaúcha. Passou ao todo sete meses no Sul, onde conquistou grande parte dos boêmios da cidade com seu violão. Após esta temporada, João foi para Diamantina, onde morava sua irmã Dadainha. Lá ficou oito meses, até maio de 1956. Passava todo o tempo trancado no quarto ou no banheiro estudando violão sem parar. Dadainha resolveu devolvê-lo para a casa de seu pai, em Juazeiro. Incompreendido em sua própria terra, João resolveu voltar ao Rio para mostrar o que tinha descoberto. Uma nova “batida” de violão, que iria mudar os destinos dos músicos brasileiros e influenciar a música do mundo inteiro.

Quando terminou o namoro com João Gilberto, Sylvinha Telles ainda não cantava profissionalmente, mas resolveu se apresentar, sem o conhecimento de seu pai, no programa Calouros em Desfile, apresentado por Ary Barroso. Fez sucesso e acabou convencendo a família a aceitar sua opção profissional Sylvia foi, ao lado de Dolores Duran e Maysa, uma das três grandes cantoras dos anos 50.

Em 1956, o 78 rpm Foi a Noite, em que interpretava a bela canção de Tom Jobim e Newton Mendonça, era item obrigatório nas discotecas modernas. A suavidade das interpretações de Sylvinha era um retrato da própria cantora no trato com seus inúmeros amigos. Grande amiga de Roberto Menescal e de todos os músicos da Bossa Nova deixou um enorme vazio no coração do grupo ao desaparecer tragicamente num desastre de automóvel junto com seu namorado, Horacinho de Carvalho, pessoa muita querida na sociedade carioca.

Do seu primeiro casamento com o violonista Candinho, Sylvinha Telles deixou uma filha, a cantora Cláudia Telles. Seu irmão, o compositor Mário Telles, foi parceiro do maestro Moacyr Santos, outro nome admirável entre os arranjadores brasileiros.

Dolores Duran, que também compunha (é autora do clássico A Noite do Meu Bem) em parceria com Ribamar, contagiava a todos com suas canções, interpretadas com tal emoção que lembrava as grandes divas dos blues americanos.

Já Maysa vinha do extremo oposto: paulista, casou-se aos 18 anos com André Matarazzo, sobrinho do conde Francisco Matarazzo e 20 anos mais velho do que ela. Cantava divinamente nos saraus da aristocracia paulistana. Mas, se no Rio de Janeiro as famílias de classe média desprezavam a profissão de músico ou cantora, numa família quatrocentona paulista a coisa era bem pior. O casamento durou menos de um ano, pois, ajudada por seu pai, Maysa conseguiu gravar um disco e acabou se desligando da família Matarazzo.

O novo jeito de tocar e cantar de João Gilberto rapidamente contagiou toda a turma, que finalmente encontrou seu caminho musical. Tocar violão virara uma febre. Naquela época, Carlinhos Lyra e Roberto Menescal já haviam aberto uma academia de violão em Copacabana, onde ensinavam as técnicas do instrumento para um sem-número de jovens alunos interessados na nova batida.

Há controvérsias quanto à origem da expressão Bossa Nova. Uns defendem que Noel Rosa já a utilizava bem antes do aparecimento de João Gilberto. Outros a atribuem ao cronista Sérgio Porto, que por sua vez a teria ouvido de um engraxate. Mas a versão mais aceita é a de que o jornalista Moysés Fuks, do jornal Última Hora, seria o responsável por sua criação.

Fuks, cuja irmã estudava na academia de Lyra e Menescal, era diretor artístico do Grupo Universitário Hebraico do Brasil, uma associação estudantil no Flamengo. O jornalista resolveu convidar a turma para fazer um show no Grupo, no primeiro semestre de 1958. Ele, ou alguém cuja identidade é um enigma, escreveu no cartaz: “Sylvinha Telles e um grupo Bossa Nova”. O show, cuja divulgação foi feita apenas no boca-a-boca, foi um enorme sucesso. Faziam parte do “grupo Bossa Nova” Carlos Lyra, Roberto Menescal, Chico Feitosa, Ronaldo Bôscoli, Nara Leão e outros.

A partir dali, o termo começou a ser usado pelo próprio grupo para definir a música que faziam. Poucos meses depois, Tom Jobim e Newton Mendonça compuseram Desafinado, cujos antológicos versos "Isso é Bossa Nova / isso é muito natural” ajudaram a consolidar a expressão. João Gilberto, ao ouvir Desafinado na casa de Tom, pediu para gravá-la e o fez em novembro de 1958, em seu segundo disco. Este tinha, de um lado, a música de Tom e Newton Mendonça, que viria a se tornar um dos hinos da Bossa Nova, e do outro uma composição sua, Ô-ba-la-lá.

No início de 1959, Tom Jobim convenceu Aloysio de Oliveira, então diretor da Odeon, a gravar um LP com João. Neste entraram Chega de Saudade (que deu nome ao LP), Bim-bom, Ô-ba-la-lá (de João), Desafinado, Brigas Nunca Mais ( de Tom e Vinícius), Lobo Bobo e Saudade Fez Um Samba (de Lyra e Bôscoli). Maria Ninguém, de Lyra, Rosa Morena, de Caymmi, É Luxo Só, de Ary Barroso e Luís Peixoto, e Aos Pés da Santa Cruz, de Marino Pinto e Zé da Zilda. Tom Jobim assinou o texto da contracapa no qual previa a importância de João, que segundo ele, já havia, em pouquíssimo tempo, influenciado “toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores”.

Além da música, a grande paixão de Menescal, Bôscoli e sua turma eram as pescarias submarinas que promoviam no litoral de Cabo Frio e Arraial do Cabo, praias que nos anos 50 eram um verdadeiro paraíso praticamente intocado pelo homem.

Numa dessas ocasiões foi criado O Barquinho, outro clássico da Bossa Nova. É Menescal quem conta: “Nesse dia a gente estava num barco alugado, fora da Ilha do Cabo, num lugar em que eu nem devia ter levado a turma, porque era bastante perigoso. Estávamos Ronaldo, Nara, Bebeto, Luizinho, eu e mais algumas pessoas, talvez umas oito, no total. O barco enguiçou e o pessoal ficou muito apavorado, porque ali a profundidade era grande e a âncora não alcançava o fundo.

O barco foi indo para fora e o barqueiro, acostumado com aquilo, foi deixando. Eu comecei a brincar, dizendo que a gente podia pegar uns peixes e comer crus, que fome a gente não ia passar. Aí eu comecei, de brincadeira, a cantarolar uma melodia que me veio à cabeça na hora. O barquinho fazia toc-toc-toc, não pegava, e eu cantarolando, brincando. Alguém começou a brincar também, dizendo ‘O barquinho vai, a tardinha cai, o barquinho vai...’. Até que vimos um barco que estava vindo de Abrolhos e rebocou a gente. Aí ficou todo mundo alegre de novo. No dia seguinte, já na casa da Nora, no Rio, o Ronaldo me perguntou: ‘Como é aquele negócio que você estava cantarolando mesmo?’ Então eu me lembrei mais ou menos da melodia e a gente fez O Barquinho.”

Mergulhar, na época, era um esporte novo, e Menescal foi um dos primeiros a dominar o mar, chegando a virar notícia de jornal quando capturou um enorme mero nas águas de Cabo Frio. Além de Menescal também eram freqüentadores assíduos das pescarias Ronaldo Bôscoli, Chico Feitosa, Chico Pereira, Toninho Botelha e Normando Santos. Eventualmente, também Luiz Carlos Vinhas e Luizinho Eça. E Nara Leão, enquanto namorava Bôscoli. Menescal mantinha alugada em Cabo Frio, com o fotógrafo Chico Pereira, uma pequena casa de sala e quarto, onde às vezes dormiam mais de dez pessoas.

Na única vez que conseguiram arrastar João Gilberto para Cabo Frio, ele se recusou a entrar no barco e ficou esperando na praia, com o violão, No fim da tarde, quando voltaram, ele estava na mesma posição, muito vermelho e reclamando muito: “Por que vocês fazem isso comigo?”. Desta época de pescarias, além de O Barquinho, Menescal e Bôscoli compuseram, entre outras, Rio, Nós e o Mar, Ah, se Eu Pudesse, A Morte de Um Deus de Sal.

Entre 1958 e 1959, Tom Jobim lançou diversas canções que se tornaram clássicos da Bossa Nova: Meditação, Discussão, Samba de Uma Nota Só (com Newton Mendonça), Dindi, Demais e Eu Preciso de Você (com Aloysio de Oliveira), Este Seu Olhar, Fotografia (só dele), A Felicidade, O Nosso Amor, Eu Sei Que Vou Te Amar (com Vinícius). Sylvinha Telles cantou a maioria delas nos dois LPs que gravou em 1959: das 24 canções, 18 eram de Jobim.

Em agosto de 1959, os estudantes de Direito da PUC resolveram organizar um show com os artistas da Bossa Nova. As principais atrações seriam as já consagradas Sylvia Telles e Alaíde Costa, além da vedete Norma Bengell, que mostraria além de seus dotes físicos os seus dotes de cantora. Os músicos convidados seriam Roberto Menescal, Luiz Carlos Vinhas, Carlos Lyra, Nara Leão, Normando Santos, Chico Feitosa e os irmãos Castro Neves, entre outros. Ronaldo Bôscoli, que seria o apresentador, prometera levar também Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Billy Blanco e Dolores Duran.

Os padres da PUC autorizaram a realização do show, mas com uma condição: a saída de Norma Bengell, cuja presença na universidade católica havia sido vetada. Como os organizadores não queriam abrir mão da presença dela (“turma era turma...”) o show acabou sendo transferido para a Faculdade de Arquitetura, na Praia Vermelha.

O episódio do veto a Norma ganhou as páginas dos jornais, que o noticiaram com fartura. O resultado é que, no dia do espetáculo, 22 de setembro, centenas de pessoas se aglomeravam na porta da Arquitetura para assistir ao “show proibido”. Apesar do amadorismo gritante do espetáculo, a noite foi um sucesso. Norma Bengell apresentou-se toda de negro e foi aplaudida de pé, mostrando cinco canções do disco Ooooooh Norma! que ela gravara pela Odeon.

Alaíde Costa interpretou brilhantemente Chora Tua Tristeza, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini. Até Luiz Carlos Vinhas e Ronaldo Bôscoli cantaram. O primeiro entoou Desafinado e Chega de Saudade, enquanto o segundo mostrou Mamadeira Atonal, composição sua que nunca chegou a ser gravada.

Os prometidos Vinícius, Tom, Billy Blanco e Dolores compareceram para prestigiar, mas não subiram ao palco. Os jornalistas Ronaldo Bôscoli e Moysés Fuks encarregaram-se da repercussão do evento na imprensa, respectivamente na revista Manchete e no jornal Última Hor