sexta-feira, outubro 06, 2006

Gilberto Milfont


Gilberto Milfont (João Milfont Rodrigues), cantor e compositor, nasceu em Lavras da Mangabeira, CE, em 07/11/1922. Cantou em público pela primeira vez aos 14 anos, convidado pelo seu tio para o programa Hora Infantil, na PRE-9, onde trabalhou, mais tarde, como diretor artístico.

Integrou também um regional com Zé Cavaquinho (José Meneses), na época em que sua voz de adolescente se assemelhava muito à de Carmen Miranda. Na fase de mudança de voz, afastou-se da carreira por dois anos, retornando para cantar no mesmo programa em que estreara.

Naquela época, os discos lançados no Rio de Janeiro demoravam muito a chegar ao Ceará e para que seu repertório não ficasse ultrapassado, por conselho de um amigo aprendeu taquigrafia. Assim, ouvindo emissoras cariocas, taquigrafava as letras, enquanto a irmã gêmea, Maninha, prestava atenção na melodia.

Com esse método, chegou a apresentar em primeira audição no Ceará, antes mesmo de sair a gravação de Orlando Silva no Rio de Janeiro, a música Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves e Mário Lago), que só seria lançada no Carnaval de 1943.

Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1945, e estreou na Rádio Mayrink Veiga, quando compôs um samba que levou ao Cassino da Urca para Dick Farney ouvir. No ano seguinte, Dick Farney lançou Esquece, e ele gravou seu primeiro disco, com a orquestra do maestro Gaó na Victor, com duas canções de Joubert de Carvalho, Geremoabo e Maringá.

Também em 1946, lançou dois sambas de Claudionor Cruz e Pedro Caetano, Estão vendo aquela mulher e Apelo, na Victor, e, para o Carnaval do ano seguinte, O meu prazer (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), seu primeiro sucesso. Por intermédio de Luiz Gonzaga, fez um teste na Rádio Nacional em abril de 1948, sendo aprovado por unanimidade. Estreou no programa A Canção Romântica, como convidado de Francisco Alves.

Em 1949 gravou o samba carnavalesco Um falso amor (Haroldo Lobo, Milton de Oliveira e Jorge Gonçalves) e, em 1951, Pra seu governo (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), na Victor. Ainda em 1950, Lúcio Alves lançou o samba Não devemos mais brigar (com Milton de Oliveira).

Como cantor, obteve outros sucessos com o bolero Senhora (versão de Lourival Faissal), e, do mesmo gênero e autor, Que será de ti, além dos sambas As aparências enganam e Castigo (ambos de Lupicínio Rodrigues).

Entre suas composições de maior êxito estão o samba Reverso (com Marino Pinto), de 1950; Tudo acabou de 1951, e, em 1952, o samba-canção Você vai (ambos com Milton de Oliveira). Outras músicas de sua autoria que tiveram sucesso foram Fui tolo, o samba-canção Talvez (com Marino Pinto) e Desfeito (com Mary Monteiro).

Em 1954, transferindo-se para a Continental, lançou Valei-me, Nossa Senhora (Paquito e Romeu Gentil) e Amor secreto (versão de Chiaroni). Gravou ainda, a pedido da direção da Continental, o Hino a Getúlio Vargas (João de Barro). Por essa época deixou de cantar, continuando, porém, a compor. Trabalha no Projeto Minerva, da Rádio MEC, no Rio de Janeiro.

Algumas músicas

Atire a primeira pedra
Castigo
Cabrocha Maria
Covardia
Esquece
Geremoabo
Maringá
Pra seu governo

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Garotos da Lua

Garotos da Lua – Grupo vocal inspirado no estilo de grupos vocais americanos, que já teve em sua formação Jonas Silva, Acyr Bastos Mello, Milton Silva, Alvinho Sena, Toninho Botelho e João Gilberto.

Estreou em disco em 1946, gravando na Continental a rumba Caravana, versão de Ernâni Reis para a composição Caravan, do músico americano Duke Ellington e In the Mood, de J. Garland, em versão para samba de autoria de Inaldo Vilarim.

Em 1947, gravaram pela Star o samba Se ela reclamar, de Nestor de Holanda e Geraldo Medeiros, e a marcha Cê-cê, de G. Queiroz e Marrins, com versão de Carvalhinho. São de 1950 as gravações, pela Todamérica, da marcha Recruta biruta, de Antônio Almeida, Nássara e Alberto Ribeiro, e do samba Bateria, sentido, de Erasmo Silva.

Em 1951, lançaram o bolero Quando você recordar, de Valter Souza e Milton Silva, e os sambas Amar é bom, de Zé Kéti e Jorge Abdala, e Anjo cruel, de Wilson Batista e Alberto Rego. Em 1953, foram gravados na Sinter, os sambas O direito de chorar e Não interessa, de Russo do Pandeiro e Aristeu Queiroz.

Em 1954, gravaram os sambas Oh, sol, de Ari Macedo e Ari dos Santos, e Não adianta, de Raimundo Olavo e Rogério Nascimento, e ainda a valsa O homem do trapézio, de O'Kee e R. Sinatra, com versão de Haroldo Barbosa, e o samba Feitiço da Vila, de Noel Rosa e Vadico.

São de 1956 as gravações do samba Não diga não, de Tito Madi e Georges Henri, e do beguine Vou tentar esquecer, de Edgardo Luiz. Em 1957, o vocal gravou na RCA Victor o calipso Matilda, de H. Thomas, com versão de Júlio Nagib, e o samba Ginga das palmas, de Carioca.