quarta-feira, novembro 08, 2006

História triste de uma praieira

Stefana de Macedo
História triste de uma praieira (canção-praieira, 1929) - Motivo popular

Disco 78 rpm / Título da música: História triste de uma praieira / Autoria: motivo popular (Compositor) / Stefana de Macedo (Intérprete) / violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1929 / Nº Álbum: 5093 / Gênero musical: Canção /

Era o meu lindo jangadeiro
De olhos da cor verde do mar
Também como ele traiçoeiro
Mentiu-me tanto o seu olhar

Ele passava o dia inteiro
Longe nas águas a pescar
E eu intranquila, o seu veleiro
Lá no horizonte a procurar
Mas quando a tarde escurecia
Um sino ouvia a repicar
A badalar a Ave Maria

Vi uma vela sobre o mar
Era o meu lindo jangadeiro
Em seu veleiro a regressar
E à praia o seu olhar primeiro
Buscava ansioso o meu olhar
Quando ditosa eu me sentia
Passava os dias a cantar
A ver se em breve escurecia
A hora feliz do seu voltar

Mas há na vida sempre um dia
Dia de sonho se acabar
Este me veio em que não via
O seu veleiro regressar
Não mais voltou o seu veleiro
Não mais o vi por sobre o mar
O seu olhar lindo e traiçoeiro
Não buscou mais o meu olhar
Por uma tarde alvissareira
O sino ouvi a repicar
Era o meu lindo jangadeiro
Que ia com outra se casar

Stefana de Macedo

Stefana de Macedo (Stefana de Moura Macedo) - 29/1/1903, Recife, PE - 1/9/1975, Rio de Janeiro, RJ - foi uma das principais cantoras-pesquisadoras brasileiras, a quem nossa memória folclórica muito deve.

Incluiu 43 músicas de características regionais nos seus 22 discos gravados. São cocos, toadas pernambucanas, cateretês, maracatus, corta-jacas, baiões, canções do Amazonas, tanto de domínio público (muitas vezes com adaptações suas) quanto de autores conhecidos, numa época em que só os homens atuavam nesse setor, abrindo caminho para artistas que vieram depois, como Dilu Melo, Inezita Barroso e Ely Camargo.

Quando tinha nove anos de idade, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio R. William e teve aulas de violão com Patrício Teixeira e Rogério Guimarães, logo começando a cantar e tocar em festas familiares.

Em 1926 apresentou-se ao violão no Cassino do Copacabana Palace, quando esse instrumento ainda estava restrito à então chamada malandragem. No ano seguinte, apresentou-se no I.N.M., no Rio de Janeiro, e no Teatro Municipal, de São Paulo.
Em 1928 estreou em disco interpretando pela Odeon as canções Tenho uma raiva de vancê e Sussuarana, ambas de Luiz Peixoto e Hekel Tavares. Sussuarana obteve grande sucesso, embora tivesse sido gravada pouco antes por Gastão Formenti. No mesmo ano, gravou de Catulo da Paixão Cearense o samba Leonor e de Hekel Tavares e Joraci Camargo, a canção Lua cheia.

Em 1929 apresentou-se no Teatro Municipal, de São Paulo e gravou pela Columbia o samba-choro Bambalelê, a canção Stela, os corta-jaca A mulher e o trem e O homem e o relógio, o cateretê Bicho caxinguelê, a toada Saia do sereno, o batuque Dança do Quilombo dos Palmares, talvez a música brasileira mais antiga conhecida, com a primeira gravação de um batuque com batida na caixa do violão, executada por ela, e a canção História triste de uma praieira seu maior sucesso, todos de motivo popular, com arranjos de sua autoria. No mesmo ano, gravou de João Pernambuco os cocos Tiá de Junqueira e Biro biro iaiá e as toadas Siricóia e Vancê, esta última em parceria com E. Tourinho.

Em 1930 gravou pela Colúmbia o batuque Mãe Maria Camundá de sua autoria e o baião Estrela D'Alva de João Pernambuco. No mesmo ano gravou a toada Como se dobra o sino, de motivo popular com arranjos de sua autoria. Também fez arranjos de outros motivos populares, entre os quais o coco O-le-lê Tamandaré e a canção Rede do Ceará. Gravou diversas composições de João Pernambuco, entre as quais Manacá dos gerais, de parceria de João e E. Tourinho. Gravou diversas composições de Amélia Brandão Nery, entre as quais a cantiga Casa de farinha e a canção Nos cafundó do coração. Ainda em 1930 gravou do compositor pernambucano Raul Moraes o coco Lenhadô.

Em 1931 cantou no filme Coisas nossas, de Alberto Byington. Em 1933 gravou de sua autoria, o maracatu Dois de oro e a canção Sodade véia. Em 1935 deu dois recitais no Teatro Colón, de Buenos Aires, Argentina; no primeiro, com a presença do mundo oficial da Argentina e do Brasil, executou na primeira parte suas canções ao violão e, na segunda, com Heitor Villa-Lobos ao piano, músicas do compositor.

Em 1939 regravou a canção História triste de uma praieira, com arranjos de sua autoria e versos de Adelmar Tavares. Em 1942 gravou a canção Rede do Ceará, de motivo popular e arranjos de sua autoria.

Em fins dos anos 1950, a cantora Ely Camargo gravou de sua autoria e Aldemar Tavares, História triste de uma Praieira. A partir dos anos 1950 só se apresentava em raros recitais, consolidando, contudo, uma aura de elegância e sofisticação, sempre saudada por intelectuais, críticos e até músicos eruditos.

Em 1968 gravou histórico depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som. Passou seus últimos anos de vida na cidade de Volta Redonda, sempre esquecida pela chamada grande "mídia".

Fonte: Cantoras do Brasil - Stefana de Macedo

Sônia Carvalho

Sônia Carvalho (Maria de Nazaré Reis), cantora, nasceu em São Paulo/SP em 27/02/1914 e faleceu em Taubaté/SP em 11/05/1988. Iniciou a carreira em 1929, na Rádio Educadora Paulista.

Em 1934 gravou na Odeon seu primeiro disco, com a marcha Beijos e o samba Vejo o céu todo estrelado (ambos de André Filho).

Logo depois, foi para a Victor, que procurava uma substituta para Carmen Miranda, então na Odeon.

Em seu primeiro disco na Victor lançou os sambas A infelicidade me persegue e O dia morreu, ambos de Assis Valente, o segundo em dueto com o compositor.

Seus gêneros prediletos eram as canções românticas e regionais e as versões de melodias famosas, mas gravou também sambas e marchas por interesse das gravadoras. Seu repertório incluiu músicas de Ary Barroso, André Filho, Floriano Pinho e outros, e duas composições de sua autoria: a marcha Te logo e o samba A vida é um samba, este último em parceria com Ivani Ribeiro.

Em 1936 foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que estava sendo inaugurada, tornando-se uma das cantoras mais bem pagas da emissora. Em 1937 gravou na Columbia seus dois últimos discos; no mesmo ano casou-se e abandonou a carreira.

Deixou uma discografia que vai de 1934 a 1937, totalizando dez discos com 20 músicas. Em 1939 lançou Nelson Gonçalves, recomendando o ao então diretor da Rádio São Paulo, o maestro Gabriel Migliori.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora.

Sílvio Salema

O cantor e musicólogo Sílvio Salema (Sílvio Salema Garção Ribeiro), nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 30/10/1901 faleceu na mesma cidade em 29/10/1976.

Iniciou carreira como cantor em 1928, gravando na Parlophon a canção Benzinho do coração (Ari Kerner), e o tango Quando me beijas (Pedro Cabral), além do fado-tango Guitarrada (Eduardo Souto).

No ano seguinte gravou na Parlophon o tango Por um beijo do tempo (Pedro Cabral), a valsa Olhar de fogo (Plínio Brito), Modinha brasileira (De Chocolat) e, na Victor, o samba Virou boba (Sinhô), a valsa-canção Voz solitária (João Martins), o samba Rosa, meu amor (Rogério Guimarães e Dudu Filho) e a toada Quando as frô pega nascê (Josué de Barros e Rogério Guimarães).

Em 1930 gravou, na Victor, a marcha Eu sou é ulio (Freitinhas) e a valsa Inconstante (Edmundo Henriques). Gravou, em 1932, Onde está o meu amor (Capiba e J. Coelho Filho) e Valsa verde (Capiba e Ferreira dos Santos).

Dedicado à música brasileira nos aspectos popular, coral e sobretudo folclórico, tornou-se estudioso e pesquisador, chegando a escrever uma tese sobre a origem do samba, arquivada na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

Destacou-se também como professor, ensaiador e regente de canto orfeônico, tendo ao lado de Heitor Villa-Lobos incentivado o canto orfeônico escolar. Foi também autor de canções escolares como Carneirinho de algodão (com Villa-Lobos) e Soldadinhos (com Narbal Fontes).