quinta-feira, novembro 30, 2006

Televisão

"Televisão" foi o segundo álbum da banda Titãs, lançado em 19 de Junho de 1985 pela WEA. Tal como o álbum de estréia "Titãs", este disco ainda representava a faceta mais pop do grupo e não conseguiu trazer um verdadeiro sucesso de público. A proposta sonora ainda estava confusa e a estética do LP não agradou aos membros, como lembrado anos depois, de cada faixa simbolizar um diferente canal de TV.

Assim, passamos pela new wave ("Televisão"), reggae (na versão inicial de "Pra Dizer Adeus", ainda com Nando Reis nos vocais), misturas entre funk e new wave ("Pavimentação") e doo-wop ("Sonho com Você"). No entanto, uma faixa ao final do álbum simboliza a direção que a banda tomaria em trabalhos posteriores. Com apenas um minuto e quarenta segundos de duração, "Massacre" prepararia o caminho que levaria o grupo ao pesado disco seguinte: "Cabeça Dinossauro".

Naquele tempo, o octeto paulistano não era muito bem recebido pelo público carioca. Chamar o cantor e guitarrista Lulu Santos foi um meio que eles acharam que poderia quebrar esta barreira, mas a banda, poucos dias depois do começo dos trabalhos de produção do álbum, não conseguiu encontrar uma relação pacífica com o artista carioca. Este implicava com a presença da faixa-título no trabalho, a técnica dos músicos (declarando que Nando Reis tocava seu baixo como se estivesse tocando um cavaquinho) e não satisfez a banda com a mixagem que fez para o trabalho.

Até o final de dezembro, "Televisão" chegou apenas às 24 mil cópias vendidas, e o seu fracasso comercial não se justificou apenas pelo não entendimento do público do conceito do álbum. A WEA mostrava-se mais empenhada em fazer a promoção do disco de estréia do Ultraje a Rigor, "Nós Vamos Invadir Sua Praia", lançado poucas semanas após o segundo LP dos Titãs, emplacando nada menos do que nove de suas onze faixas nas rádios e garantindo excelente desempenho comercial, com cerca de 450 mil exemplares vendidos.

O ano de 1985 se encerraria de uma forma ainda mais infeliz para os Titãs: Arnaldo Antunes e Tony Bellotto foram detidos por posse de heroína. Bellotto foi libertado após o pagamento da fiança, entretanto, Arnaldo teve de amargar a cadeia por quase um mês. Foi algo impactante para o grupo, que teve treze shows cancelados e correu o perigo de se extinguir (Fonte: Wikipédia).

Televisão (1985) - Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto - Intérprete: Titãs
[Intro:] A F#
A                                           F#
A televisão me deixou burro, muito burro demais
A                                           F#
Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais
A                                           F#
O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
A                                           F#
E agora toda noite quando deito é boa noite, querida
E
Ô cride, fala pra mãe
F#
Que eu nunca li num livro que um espirro
E
fosse um virus sem cura
F#                                        E
Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura
A                 F#
Ô cride, fala pra mãe!
A mãe diz pra eu fazer alguma coisa mas eu nao faço nada
A luz do sol me incomoda, entao deixa a cortina fechada
É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais
Ô cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!
Ô cride, fala pra mãe!

Sua impossível chance

Titãs
Tom: E  
Introdução: ( E G A/C# )
G-----------------------------
D-----------------------------
A--------------2-5-2-4-2------
E-0-0--0-0-2-3-----------3-0--
E                        G        A/C#
Só sorriu depois que chorou na véspera
E                     G         A/C#
Com a mão na testa os olhos enxugou
E
Sabe que sorrir é bom
G         A/C#
E quem não detesta ?
E                   G           A/C#
Sofrer a espera de quem sempre amou
C               D
Há sempre a pequena chance
A
De o impossível rolar
C                     D/F#
Soterrar o mundo com uma avalanche
D
Só pra que possa sobrar
E
Apenas eu
A
E você
E/G#
Apenas eu
A
E você, iê iê
E
Apenas eu
F#m
E você
E/G#
Apenas eu
A
E você , iê iê
E
Bastaria pra que o mundo desse em qualquer lugar
Repete parte 1
Repete parte 2
Introdução C D C D C D

Sonífera ilha


Entre os grupos de rock que proliferavam no início dos anos oitenta, chamava a atenção a banda Titãs, ex-Titãs do Iê-Iê. Muitas vezes convidada a participar de programas de televisão, o conjunto apresentava um repertório anárquico, de títulos assustadores — “Bichos Escrotos”, “Lilian, a Suja”, “Querem Meu Sangue”, “Sonífera Ilha” —, na maioria constituído de músicas de seus integrantes.

Fixados como um octeto, os Titãs estreariam em disco em 1984, num elepê cuja faixa de abertura era a citada “Sonífera Ilha”. Um besteirol dançante, muito animado (“Não posso mais viver assim ao teu ladinho / por isso colo o meu ouvido num radinho / de pilha / pra te sintonizar / sozinha numa ilha...”), “Sonífera Ilha” caiu no gosto da garotada, a começar pela de São Paulo, cidade de origem da banda, tendo sua popularidade muito aumentada quando foi relançada num compacto simples.

A glória maior dos Titãs, porém, só chegaria dois anos depois com o álbum Cabeça dinossauro, considerado pelos especialistas uma obra-prima do rock brasileiro (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sonífera ilha (1984) - B. Melo, M. Fromer, Toni Bellotto, C. Pessoa e C. Bermak
Introdução: (Am) 

          Am  
Não posso mais viver assim ao ladinho  
         Dm                               Am  
Por isso colo meu ouvido no radinho de pilha  
           G        F           E  
Pra te sintonizar sozinha, numa ilha  
          Am                   Dm  
Sonífera ilha / Descansa meus olhos  
               E                 Am  
Sossega minha boca / Me enche de luz  
     Am                   Dm  
Sonífera ilha / Descansa meus olhos  
               E7                 Am  
Sossega minha boca / Me enche de luz
   
Interlúdio:  (Am) 

          Am  
Não posso mais viver assim do seu ladinho  
         Dm                               Am  
Por isso colo meu ouvido no radinho de pilha  
           G        F           E7  
Pra te sintonizar sozinha, numa ilha  
          Am                   Dm  
Sonífera ilha / Descansa meus olhos  
               E7                 Am  
Sossega minha boca / Me enche de luz  
     Am                   Dm  
Sonífera ilha / Descansa meus olhos  
               E7                 A7  
Sossega minha boca / Me enche de luz  
          Dm   G                C9  
Sonífera ilha / Descansa meus olhos  
                E                 A7  
Sossega minha boca / Me enche de luz  
Dm   G                C9  
Sonífera ilha / Descansa meus olhos  
F               E                  
Sossega minha boca  

Sete cidades

Titãs
Tom: C
Intro: C  Am  Dm  G
       C    Am         F     G
Já me acostumei com a tua voz
C       Am    F  G       C     Am
Com teu rosto e teu olhar, me partiu em dois
F      G         C  Am    F    G
E procuro agora o que é minha metade
Am          G
Quando não estás aqui
Am             G
Sinto falta de mim mesmo
Bb           Am             F  G
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
C  Am   F  G
Meu coração
C     Am          F   G
é tão tosco e tão pobre
C    Am  F G C   Am          F    G
Não sabe ainda    os caminhos do mundo
Am          G
Quando não estás aqui
Am             G
Tenho medo de mim mesmo
Bb           Am             F  G (C)
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
G                        F       C
Vem depressa pra mim que eu não sei esperar
F       Am      G
Já fizemos promessas demais
C    F          C     
Já me acostumei com a tua voz,
Am            G       F G (C)
quando estou contigo estou em paz
Am          G
Quando não estás aqui
Am          G
Meu espírito se perde
(Bb Am F G C)
Voa longe, longe, longe

Será que é isso o que eu necessito?

Titãs
Tom: E
Intr.: 4x(E A) = E B7
          E
Quem é que precisa tomar cuidado com o que diz?
Quem é que precisa tomar cuidado com o que faz?
B7
Será que é isso o que eu necessito?
Será que é isso o que eu necessito?
E
Ninguém fez nada, ninguém tem culpa.
Ninguém fez nada de mais, filha da puta!
B7
Quem aqui não tem medo de passar o ridículo?
Quem aqui, como eu tem a idade de Cristo quando morreu?
(Introdução)
         E
Quem é que se importa com o que os outros vão dizer?
Quem é que se importa com o que os outros vão pensar?
B7
Será que é isso o que eu necessito?
Será que é isso o que eu necessito?
E
Não sei o que você quer, nem do que você gosta.
Não sei qual é o problema seu bosta!
B7
Quem aqui não tem medo de se achar ridículo?
Quem aqui, como eu tem a idade de Cristo quando morreu?
(Introdução)

Ser estranho

Titãs
D
Sempre que eu acordo
D7+
Nunca me recordo
G               A
Do lugar onde eu estou
D
Hoje é um novo dia
D7+
Parece o mesmo dia
G               A
Igual ao dia que passou
D
Sempre que eu me deito
D7+
Nunca eu aproveito
G            A
Eu não sei adormecer
D
A noite é tão comprida
D7+
Eu penso em minha vida
G            A
Não consigo entender
G            Em
O que aconteceu?
G                 Em
O que será que eu sou?
G            Em
Eu sou essa coisa louca
A            Em
Eu sou esse ser estranho
G            D             A
Eu sou esse cristo redentor
G            Em
Eu sou essa santa ceia
A            Em
Eu sou esse grão de areia
G            A        D
Eu sou esse caso de amor
D
Sempre que eu acordo
D7+
Nunca me recordo
G              A
Do lugar onde eu estou
D
Hoje é um novo dia
D7+
Parece o mesmo dia
G             A
Igual ao dia que passou
G            Em
O que aconteceu?
G                 Em
O que será que eu sou?
G            Em
Eu sou essa coisa louca
A           Em
Eu sou esse ser estranho
G            D         A
Eu sou esse disco voador
G            Em
Eu sou essa noite escura
A            Em
Eu sou essa criatura
G            D           A
Eu sou esse filme de terror
G           Em
O que aconteceu?
G                 Em
O que será que eu sou?
G            Em
Eu sou essa coisa louca
A            Em
Eu sou esse ser estranho
G             A          D
Eu sou esse cristo redentor
G            Em
Eu sou essa santa ceia
A             Em
Eu sou esse grão de areia
G            D         A
Eu sou esse caso de amor

Senhora e senhor

Titãs
Intr: (G  G7+)
e-3-5-2-0------
b--------2-5---
g--------------
d--------------
a--------------
E--------------
(G  G7+)
Veja só o que restou
Do nosso caso de amor
C                      C4 C
Uma casa com varanda
G    G7+
E um jardim que não dá flor
(G  G7+)
Uma geladeira cheia de comidas sem sabor
Um programa interminável diante do televisor
C                     C4   C           ( G  C9  G/B  D )
Uma lâmpada queimada no lustre do corredor...
G         C         G/B      D         G
O pensamento distante para evitar a dor
C      G/B       D             C
O olhar tão desbotado que já não distingue cor
G/B
Velhas rugas escondidas
C/Bb                (Riff 1)
Debaixo do cobertor
Am7            D
Saudades, indiferença
G              A/G
Decadência e mau humor
G            A/G
Tratamento respeitável
C   D4       G
De senhora    e senhor
(repete desde a introdução até o fim)
Riff 1:

E-----------------
B-----------------
G-----------0-2-4-
D-------0-2-------
A-0-2-3-----------
E-----------------

Saia de mim

Titãs
Introd.: Am D  Am D  Am D
  Am                 D
Saia de mim como suor
Am                      D
Tudo que eu sei de cor
Am                 D
Saia de mim como excreto
Am                    D
Tudo que está correto
Am          D
Saia de mim
Am          D
Saia de mim
Am                  D
Saia de mim como um peido
Am                     D
Tudo que for perfeito
Am                  D
Saia de mim como um grito
Am                   D
Tudo que eu acredito
Am                      D
Tudo que eu não esqueça
Am                   D
Tudo que for certeza
     (Am  D  Am  D)  E7
  E7
Saia de mim vomitado
Expelido, exorcizado
Tudo que está estagnado
Saia de mim como escarro
Espirro pus, porra, sarro
Sangue, lágrima, catarro
     E7  G  E7  (Am  D  Am  D)

Am                 D
Saia de mim como suor
Am                      D
Tudo que eu sei de cor
Am                 D
Saia de mim como excreto
Am                    D
Tudo que está correto
Am          D
Saia de mim
Am          D
Saia de mim
Am                  D
Saia de mim como um peido
Am                     D
Tudo que for perfeito
Am                  D
Saia de mim como um grito
Am                   D
Tudo que eu acredito
Am                      D
Tudo que eu não esqueça
Am                   D
Tudo que for certeza
     (Am  D  Am  D)
  E7
Saia de mim vomitado
Expelido, exorcizado
Tudo que está estagnado
Saia de mim como escarro
Espirro pus, porra, sarro
Sangue, lágrima, catarro
  E7
Saia de mim a verdade
Saia de mim a verdade
Saia de mim a verdade
Saia de mim a verdade 

Racio símio

Titãs
Introdução: A C G
   C                                G
O anão tem um carro com rodas gigantes
A                         C
Dois elefantes incomodam muito mais
G                     A
Só os mortos não reclamam
C
Os brutos também mamam
G
Mamãe eu quero mamar
A                   C
Eu não tenho onde morar
G                           A
Eu moro aonde não mora ninguém
C                    G
Quem tem grana que dê a quem não tem
A            C           A                     C
Racio símio, racio símio, racio símio, racio símio 
  A                       C
Quem esporra sempre alcança
A            C
Com Maná adubando dá
A                C
Ninguém joga dominó sozinho
A                        C
É dos carecas que elas gostam mais
A                      C
A soma dos catetos é o quadrado da hipotenusa
A                       C
Nem tudo que se tem se usa
G          F            G             F
Racio símio, racio símio, racio símio, racio símio
A             C            A            C
Racio símio, racio símio, racio símio, racio símio 
  C                       G
Os cavalheiros sabem jogar damas
C                        G
Os prisioneiros podem jogar xadrez
C                     G
Só os chatos não disfarçam
C
Os sonhos despedaçam
G
A razão é sempre do freguês
C                   G
Eu não tenho onde morar
A                        C
Moro aonde não mora ninguém
G
Quem come prego sabe o cú que tem
G             F            G           F
Racio símio, racio símio, racio símio, racio símio
A             C            A           C
Racio símio, racio símio, racio símio, racio símio

Querem meu sangue

Titãs
[Intro:] C G F G C G F
          G
Dizem que guardam um bom
lugar pra mim no céu
F
logo que eu for pro beleléu
G
A minha vida só eu sei como guiar
F
Pois ninguém vai me ouvir se eu chorar
E
Mas enquanto o sol puder arder
Am
Não vou querer meus olhos escurecer
         G
Pois se eles querem meu sangue
F             C B C
Verão o meu sangue só no fim
G
E se eles querem meu corpo
F            C B C
Só se eu estiver morto, só assim
         G
Meus inimigos tentam sempre me ver mal
F
Mas minha força é como o fogo do Sol
G
Pois quando pensam que eu já estou vencido
F
É que meu ódio não conhece perigo
E
Mas enquanto o sol quiser brilhar
Am
Eu vou querer a minha chance de olhar
(refrão)
         G
Eu vou lutar pra ter as coisas que eu desejo
F
Não sei do medo, amor pra mim não tem preço
G
Serei mais livre quando não for mais que osso
F
Do que vivendo com a corda no pescoço
E
Enquanto o sol no céu ainda estiver
Am
Só vou fechar meus olhos quando quiser
(refrão)