quinta-feira, dezembro 27, 2007

Pena verde

Pena verde (1969) - Abílio Manoel

Pus um cravo, na lapela
Sou escravo, eu sou dos olhos dela
Pena verde, no chapéu
Me deu sorte ela caiu do céu (2x)

Tenho agora a quem me quer
Dou o meu cravo pra quem quiser
Mas pena verde, não abro mão
Pois estou vivo em seu coração

Pena, verde, Pena verde (2x)

Pus um cravo, na lapela
Sou escravo, eu sou dos olhos dela
Pena verde, no chapéu
Me deu sorte ela caiu do céu (2x)

Não adianta fugir do feitiço
Porque você, é toda sorriso
Agora sim não há mais problema
Eu tenho você, sei que vale a pena.

Levante os olhos

Levante os olhos (1975) - Sílvio César
Introd.: Am  Am7+  Am7  A5+/7  Dm  Dm  Dm/C
G4/7  G7  C7+  Bm7/5-  E7

Am
Levante os olhos
Dm
Olhe de frente pra ela
G7                   C7+         (BIS)
Olhe bem dentro dos olhos
F7+         Bm7/5-   E7  A5+/7
E veja tudo o que dizem

Dm                  G7
A verdade as vezes dói
Em7                 A5+/7
Mas e por que você constrói
Dm            Dm/C
O mundo só de sonhos
Bm7/5- E7
E de medo
Dm                 G7
Meu irmão se você quer
Em                    A5+/7
Ganhar o amor de uma mulher
Dm               Dm/C    Bm7/5- E7
Procure nos seus olhos os segredos

Am
Levante os olhos
Dm
Olhe de frente pra ela
G7                C7+
Olhe nos olhos da vida
F7+      E7          Am
E veja apenas o que dizem

Vamos dar as mãos

Vamos dar as mãos - Sílvio César

Antes do pano cair
Antes que as luzes se apaguem
Todas as portas se fechem
Todas as vozes se calem
Antes que o dia anoiteça
Antes que a vida na Terra desapareça

Vamos dar as mãos,
vamos dar as mãos
Vamos lá
E vamos juntos cantar

Antes do grande final
Antes dos rios secarem
Todas as mães se perderem
Todos os olhos chorarem
Antes que o medo da vida
Faça de mim um covarde
Antes que tudo se perca
E seja tarde

O que eu gosto de você



Ed Lincoln
O que eu gosto de você (samba, 1963) - Sílvio César e Ed Lincoln

O que eu gosto de você
é esse seu jeitinho de sorrir
esse sorriso lindo como que!

O que eu não gosto de você
é esse seu olhar indiferente
que machuca tanto a gente
quando a gente fala com você.

Eu não sei bem porque
fui gostar mesmo assim
sem saber se você
vai gostar de mim.

Mas o que eu sinto por você
já é definitivo, não tem jeito
já não vivo satisfeito
esperando sempre por você.

Adoro esse seu jeito
de pensar e de ser
será que não há jeito
de você compreender
que no meu dicionário
só existe uma palavra: VOCÊ!


Tamanco no samba



Orlandivo
Tamanco no samba (samba, 1962) - Helton Meneses e Orlandivo

Samba blem blim blau
Tamanco batucando no quintal
Samba blem blim blão
Tamanco levanta a poeira do chão (2x)

O tamanco levanta a poeira do chão
Mulata faz samba de coração



Bolinha de sabão



Orlandivo
Bolinha de sabão (samba, 1963) - Adilson Azevedo e Orlandivo

Sentado na calçada de canudo e canequinha
Tum plec tum bem
Eu vi um garotinho
Tum plec tum bem
Fazendo uma bolinha
Tum plec tum bem
Bolinha de sabão (2x)

Eu fiquei a olhar eu pedi para ver
Quando ele me chamou
E pediu pra com ele ficar
Foi então que eu vi como era bom
Brincar com bolinha de sabão
Ser criança é bom agora vou passar
A fazer bolinha de ilusão!


sexta-feira, dezembro 21, 2007

Bola Sete


Bola Sete (Djalma de Andrade), instrumentista. (Rio de Janeiro RJ 16/7/1923—Califórnia, EUA 13/2/1987). Com 17 anos freqüentava as rodas de músicos da Praça Tiradentes. Por essa época, com um conjunto do qual participava o compositor Henricão, foi para Marília SP, onde ficou oito meses. Aos 18 anos tocou violão em parques de diversão em Campinas SP e Niterói RJ.

Em 1945 venceu um concurso de violonista na Rádio Transmissora (hoje Globo). Durante algum tempo viajou por Minas Gerais e Rio de Janeiro, apresentando-se como violonista. Em seguida voltou à Rádio Transmissora e, por três anos, apresentou-se no programa Trem da Alegria, no Teatro João Caetano, junto com Lamartine Babo, Iara Sales e Kleber de Boscoli.

No final da década de 1940 organizou o Bola Sete e seu Conjunto e, para cantar, convidou Dolores Duran, que era croonerda boate Béguin. Atuaram nas boates Drink e Vogue. Com uma orquestra que formou para o Baile dos Artistas, no Hotel Glória, em 1954 excursionou pela Argentina, Uruguai e Espanha.

Em 1955 fez temporadas em Lima, Peru, e em Santiago do Chile. Em 1959 mudou-se para os E.U.A. e, até 1962, apresentou-se, quase diariamente, nos hotéis da cadeia Sheraton. Por volta de 1960 foram lançados dois discos seus: o LP Bola Sete, pela Sinter, com Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda) e Império do samba (Zé da Zilda e Zilda do Zé), entre outras, e o LP Bola Sete e quatro trombones, pela Odeon, destacando-se Mambeando (de sua autoria), The Man I Love (Ira Gershwin e George Gershwin), entre outras.

Em 1962 participou do Festival de Monterey, na Califórnia, E.U.A., como integrante do conjunto de Dizzie Giliespie, com o qual gravou um disco. Também em 1962 saiu no Brasil seu LP O extraordinário Bola Sete, pela Odeon, com Menino desce daí (Paulinho Nogueira) e Fico triste sem twist (de sua autoria), entre outras. Em novembro apresentou-se New York, E.U.A., no Festival da Bossa Nova, do Carnegie Hall, no Village Gate e no Vanguard. Nesse mesmo ano, organizou seu próprio trio, com Tião Neto (baixo) e Chico Batera (percussão).

Em 1969 participou do Festival de Música Brasileira e Americana, no México, ao lado de Airto Moreira, Eumir Deodato e Milton Nascimento. Em 1971 gravou o LP Workin’ on a Groovy Thing, na Paramount/ RGE, contendo Little Green Apples (Bobby Russell), With a Little Help from my Friends (John Lennon e Paul McCartney), entre outras.

Gravou cerca de dez LPs nos E.U.A., inclusive um com Vince Guaraldi. Seus últimos discos, Ocean 1, Ocean II e Jungle Suite, foram considerados por ele como seus melhores trabalhos.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Luís Cláudio


Luís Cláudio (Luís Cláudio de Castro), cantor / compositor, nasceu em Curvelo MG em 22/3/1935. Aos sete anos de idade aprendeu a tocar um cavaquinho que ganhara do pai. Durante um ano estudou música com o maestro Moacir Santos; aos 12 anos formou com alguns amigos o trio amador Trovadores do Luar, que se apresentava em festas e serestas locais.

Em 1949 viajou com o trio para Belo Horizonte MG, apresentando-se para um teste na Rádio Inconfidência, foram contratados. Na mesma época e na mesma rádio, foi aprovado como cantor num programa de calouros, passando a cantar músicas norte-americanas. A rua onde ela mora, com letra do irmão Antônio Maurício de Castro, foi sua primeira composição gravada, em 1952, em um 78 rpm da antiga Sinter.

Em 1955 deixou a Inconfidência, seguindo para o Rio de Janeiro com os jovens cantores que Osmar Campos Filho fora buscar em Minas Gerais para a Rádio Mayrink Veiga, e foi contratado graças à intervenção de Ciro Monteiro. É desse mesmo ano a gravação de Blim, blem, blam (com Nazareno de Brito), para a Columbia, destaque no Natal de 1955, que lhe valeu o Disco de Ouro do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, como revelação masculina do ano.

Em 1956 gravou na Columbia o samba-canção Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito), entre outras. No ano seguinte, na mesma gravadora, lançou a valsa Quero-te assim(Tito Madi) e o paso doble Anda, jerico (Osvaldo Santiago e Alcir Pires Vermelho).

Transferindo-se para a RCA Victor, gravou em 1960 o samba-canção Só Deus (Evaldo Gouveia e Jair Amorim) e o samba Menina feia (Oscar Castro-Neves e Luverci Fiorini), além de guarânias, baladas e marchas. No ano seguinte gravou Rancho das flores, letra de Vinícius de Moraes para a cantata Jesus alegria dos homens, de Johann Sebastian Bach (1685—1750); o rasqueado Amor desfeito (Getúlio Macedo) e Deixa a nega gingar (de sua autoria).

Em 1968 participou do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, interpretando Amada, canta (Luiz Bonfá e Maria Toledo), lançando no mesmo ano um LP juntamente com uma exposição de desenhos de sua autoria.

É formado pela Escola Nacional de Arquitetura, mas não exerce a profissão. Suas composições foram gravadas por Elisete Cardoso, Tito Madi, Nara Leão, Mansa e Dick Farney, entre outros. Teve como principais parceiros Nazareno de Brito, Fernando César e William Prado.

Em 1973 esteve na Europa, participando de programas com a orquestra da O.R.T.F., e gravou novo LP na Odeon, com Estrada branca (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e Amo-te muito(João Chaves). Dois anos depois, pela mesma gravadora, lançou o LP Reportagem, com Rugas (Nelson Cavaquinho, Ari Monteiro e Augusto Garcez) e Onde eu nasci passa um rio (Caetano Veloso).

Em 1980, a convite do Brazilian American Cultural lnstitute, viajou para os EUA, percorrendo cerca de 15 universidades, em programa de divulgação da MPB. Lançou em 1983, pela Leo Christiano Editorial, um álbum duplo com músicas do folclore de Minas Gerais, Minas sempre- viva!, acompanhado de livro de arte com apresentação de Carlos Drummond de Andrade.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Lennie Dale

Bailarino e coreógrafo americano radicado no Brasil, criador dos Dzi Croquettes em 1973, um grupo de grande sucesso com seus shows escandalosos apresentando uma androgenia debochada. Elogiado por Liza Minelli, com quem trabalhou e disse jamais ter visto coisa igual, fez também um filme underground de uma equipe alemã, retratando a alucinante passagem dos Dzi Croquettes por Paris.

Nascido no bairro do Brooklyn, em Nova York, Lennie se apaixonou pelo Brasil em 1960, ao ser convidado por Carlos Machado para fazer a coreografia da peça Elas Atacam Pelo Telefone, na boate Fred´s no Rio. Em seguida, foi para o Bottle's Bar no Beco das Garrafas, onde, ao ouvir João Gilberto, dirigiu vários shows de bossa nova e criou uma dança especial para o ritmo que surgia. Sob sua orientação, Sergio Mendes começou a usar dançarinas em seus shows. Em 1961, o restaurante Night and Day vibrava com o bailarino vestindo uma saia e estalando chicote, uma coreografia revolucionária para a época.

Lennie foi o introdutor da noção de ensaio em espetáculos de MPB. Até então, o artista chegava na hora da apresentação e cantava, sem nenhuma preocupação com a produção ou expressão corporal. Foi ele quem mandou Elis Regina cortar os cabelos e balançar os braços como hélices na música Arrastão.

O pai de Lennie, um barbeiro fracassado que imigrara da Sicília e vivia amaldiçoando o dia em que decidira buscar a prosperidade na América, lamentava como mais um castigo da vida ter um filho bailarino. Logo, porém, tornou-se seu próprio empresário, e ele fez muito sucesso no programa infantil Star Lime Kids, co-estrelado por Connie Francis.

Dos 14 aos 21 anos, Lennie dedicava-se as aulas de balês em tempo integral. Na Broadway, fez parte do grupo dos jets em West Side Story, mas foi barrado pelo diretor Jerome Robbins para a versão cinematográfica. Mudou-se então para Londres, alugou uma sala e deixava a porta aberta para que todos vissem como dançava bem. Um empresário de Shirley Bassey passava pelo local quando ficou admirado com sua performance e contratou-o.

Apresentou-se em toda a Europa, participou de um programa com Gene Kelly na televisão italiana e da coreografia para 500 bailarinos em Cleópatra. Na ocasião, ficou conhecendo a grande estrela do filme de forma sui-generis: um dia abriu a porta errada no corredor dos camarins e defrontou-se com uma animada Elizabeth Taylor praticando sexo oral com Richard Burton. Nenhuma surpresa, eles acharam engraçado e acabaram tornando-se amigos.

Lennie chegou a voltar para os Estados Unidos, mas em 1971 retornava novamente ao Brasil, preso em seguida, por porte de maconha na galeria Alaska. Passou um ano na penitenciária Helio Gomes onde, numa noite, sonhou que galopava sobre um cavalo branco, seguido por uma multidão de admiradores. O sonho repetiu-se exatamente um ano depois, na mesma data, e ele foi tomado por uma grande fé umbandista, pois identificou-se com a imagem de São Jorge Guerreiro. Embora calvo na vida real, no sonho via-se com uma longa cabeleira longa.

Lennie possuía uma sapatilha roubada em Paris do russo Rudolf Nureyev e um exemplar da biografia de Madame Satã, seu ídolo máximo, um homossexual famoso por surrar policiais e travestir-se de Carmen Miranda. Foi responsável pela coreografia da novela Baila Comigo e pelo musical 1.707.839 / Leonardo Laponzina.

Lennie Dale morreu aos 57 anos, em 9 de agosto de 1994.

Jota Silvestre

Jota Silvestre, jornalista, radialista, escritor, um dos grandes nomes do vídeo nos anos 60 e um dos pioneiros dos programas de auditório no Brasil. Na Tupi, fez O Céu É o Limite. Foi o primeiro programa de perguntas e respostas do país e ficou quase 30 anos no ar em diversas emissoras.

Nascido em Salto, interior de São Paulo, em 1922, em uma família de imigrantes italianos, João Silvestre chegou a sobreviver do trabalho em uma fábrica de tecidos antes de ser descoberto pela Rádio Bandeirantes de São Paulo, em 1941, em um concurso de locutores no qual enfrentou 350 candidatos.

Com a experiência atrás dos microfones, acabou tornando-se um dos pioneiros da implantação da televisão brasileira, ao apresentar, em 1950, o programa inaugural da TV Tupi. Outro programa que J. Silvestre comandou foi o Almoço Com as Estrelas, depois transferido para Airton e Lolita Rodrigues. Ele era reservado, mas muito gentil e culto, lembra Lolita.

Também escreveu e atuou em telenovelas como Meu Trágico Destino, de 1953, transmitida ao vivo. No mesmo ano, a TV Tupi apresentou a novela A Dama de Negro, de sua autoria, que na época produzia para o rádio e a televisão. Já com o programa Esta É Sua Vida, na década de 60, J. Silvestre fazia homenagens lacrimosas a celebridades das quais relatava trechos dramáticos da vida e apresentava parentes em pleno palco, ao vivo, para extrair flagrantes de emoção.

Em 1964, contratado da TV Excelsior de São Paulo, Silvestre tornou-se mestre de cerimônias do programa A Pergunta dos Dez Milhões, onde os candidatos respondiam a perguntas sobre determinados personagens.

Em 1979, foi nomeado presidente da Radiobrás pelo então presidente João Baptista Figueiredo, mas divergências com a equipe o levaram a deixar o cargo poucos meses depois. Um dos poucos profissionais desse tempo que manteve sua imagem intacta e sem desgastes, dando-se a grandes períodos de ausência do vídeo, até o público exigir sua volta ou dele se recordar com saudade. J. Silvestre se apresentou como sendo um dos primeiros homens de comunicação adeptos do transplante de cabelos, técnica à época ainda considerada incerta.

Permaneceu nos Estados Unidos durante 23 anos, uma fase da qual aproveitou para pesquisar e observar a televisão americana, que considerava a melhor do mundo. Esse estudo, servia de subsídio para novos programas lançados no Brasil e base para a publicação de um romance, O Presidente Está Morrendo.

Voltou à televisão em 1982, no SBT, para apresentar o Show Sem Limite e A Mulher É um Show. De 1983 a 1986, apresentou na Rede Bandeirantes os programas J. Silvestre, Essas Mulheres Maravilhosas e Porque Hoje É Sábado.

Voltou a viver na Flórida em 1986, ocupando os dez anos seguintes com seus quadros e livros. Apesar de preferir viver na Flórida com a família, esteve no Brasil mais uma temporada para apresentar Domingo Milionário, na extinta Rede Manchete, em 1997, um retumbante fracasso que durou apenas seis meses. Foi seu último trabalho na televisão. Com a derrocada da emissora, voltou à Flórida.

Conforme seu desejo, seu corpo foi cremado e as cinzas, jogadas ao mar. Jota Silvestre foi casado com Nívea, com quem teve quatro filhos, Alexandre, Pedro, Paulo e João, e seis netos. Faleceu aos 77 anos, em 7 de janeiro de 2000.

domingo, dezembro 16, 2007

Fafá Lemos

Fafá Lemos ( Rafael Lemos Júnior), instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de de fevereiro de 1921. Aos sete anos de idade começou a estudar violino com Orlando Frederico e solfejo e teoria com Guiomar Beltrão Frederico. Com apenas nove anos, interpretou como solista um concerto de Antonio Vivaldi (1678—1741), acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob a regência do maestro Burle Marx.

No ano seguinte, acompanhado pelo pianista Sousa Lima, apresentou-se num concerto no Salão Leopoldo Miguez, do I.N.M., do Rio de Janeiro. Nessa época, deixou a música para concluir os estudos no Colégio Andrews. Ficou quatro anos sem tocar violino, período em que morou no Paraná.

Em 1940 regressou ao Rio de Janeiro, onde, durante seis anos, participou da Orquestra de Carlos Machado, que atuava no Cassino da Urca. Ainda em 1940, por quatro meses, foi instrumentista da OSB.

Em 1946, com Carlos Machado, passou a tocar na boate Casablanca e, logo depois, foi contratado para integrar o Trio Rio, que se apresentava na Bally-Hi. Em 1950 a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, contratou-o como solista. De 1952 em diante, viajou várias vezes aos Estados Unidos, e acompanhado por Laurindo de Almeida gravou a trilha sonora do filme da Metro, Meu amor brasileiro, de Mervyn Le Roy.

Ao lado de Carmen Miranda, realizou tournée por diversas cidades norteamericanas. Paralelamente, fez três programas na TV CBS, de New York, e atuou como solista na KTV, de Hollywood.

Em 1952, convidado pela RCA Victor norte-americana, gravou um álbum, nos quais incluiu, entre outras, Aquarela do Brasil, Na Baixa do Sapateiro e Risque (todas de Ary Barroso), Nem eu (Dorival Caymmi) e Paraíba (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga). Ainda em 1952 fez parte do Trio Surdina, ao lado de Chiquinho (acordeom) e Garoto (violão), conjunto que surgiu no programa Música em Surdina, de Paulo Tapajós, na Rádio Nacional, e, no ano seguinte, gravou com o trio na Musidisc dois LPs de dez polegadas: Trio Surdina, com O relógio da vovó (de autoria do trio), Duas contas (Garoto) e Na madrugada (Nilo Sérgio); e Trio Surdina toca Ary Barroso e Dorival Caymmi.

Ainda em 1953 lançou Se alguém disser (Reinaldo Lopes e Ismael Neto), a valsa cigana Canarinho feliz (Noel Coward), o choro Tempo antigo (Pedro Camargo) e Luar de Areal (Garoto). Voltou novamente aos EUA para cumprir contrato com Carmen Miranda, acompanhando-a até a morte, em 1955.

Organizou depois um trio, com o qual se apresentou, por 13 meses, no restaurante Marquis, e, por cinco meses, no Frascati. Voltou ao Brasil em 1956 e tornou- se diretor artístico da Victor, gravadora pela qual lançou em 78 rpm todos os sucessos que havia gravado nos EUA. Ficou no Brasil até 1961. Apresentou-se no Rio de Janeiro, em boates e televisão, até 1961, quando foi para Los Angeles, EUA., onde ficou até 1965.

Entre outros, lançou pela RCA Victor os LPs: Fafá, seu violino e seu ritmo, Trio do Fafá e Violino travesso, e, pela Eldorado, Fafá & Carolina (1989), ao lado de Carolina Cardoso de Meneses.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Evandro Mesquita

Evandro Mesquita (Rio de Janeiro-RJ, 19 de fevereiro de 1952) depois de ter participado do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone nos anos 70, fez grande sucesso no início da década de 80 como líder e vocalista da Blitz, uma das bandas de rock mais populares da época.

Cantor e compositor, seguiu carreira solo depois do fim do grupo, por volta de 1986, trabalhando como músico e ator. Lançou os discos Evandro, Planos aéreos, Procedimento normal e Almanaque Sexual dos Eletrodomésticos e Outros Animais. Um sucesso de sua carreira solo foi Babilônia maravilhosa.

Participou de novelas (Top Model, como Saldanha, Bang Bang, como Billy the Kid e Vamp, como Simão) e filmes como Brasília 18% (2006), Coisa de Mulher (2005), Um Lobisomem na Amazônia (2005), O Diabo a Quatro (2004), Os Normais - O Filme (2003), Gêmeas (1999), Xuxa Requebra (1999), Como Ser Solteiro (1998), Dente Por Dente (1994), Não Quero Falar Sobre Isso Agora (1991), O Segredo da Múmia (1982), Menino do Rio (1982), Rio Babilônia (1982), em geral fazendo o papel do típico carioca, surfista e malandro. Além disso, atua como produtor, diretor e roteirista de filmes, peças e discos.

Fontes: ClicMusic; Wikipédia.

Dino Sete Cordas

Dino Sete Cordas (Horondino José da Silva), instrumentista, violonista e compositor (Rio de Janeiro, 5/5/1918). Nascido no bairro de Santo Cristo, começou brincando com o violão do pai, que trabalhava como operário fundidor e tocava nas horas vagas.

Aos 14 anos já participava de serestas com os boêmios do bairro, e em 1935 começou a carreira profissional, acompanhando o cantor Augusto Calheiros em circos de Niterói, RJ. Tocava de ouvido, fazendo bordão nas variações que aprendia com o pai e os irmãos músicos: Lino, que tocava cavaquinho no Regional de Dante Santoro, e Jorginho, mais tarde ritmista do Conjunto Época de Ouro.

Em 1937 foi convidado para integrar o Regional de Benedito Lacerda, substituindo o violonista Ney Orestes, que adoecera. Trabalhava então como operário numa fábrica de sapatos, mas com a morte de Ney Orestes tornou-se efetivo no grupo e deixou a fábrica. Logo em seguida, Carlos Lentine, outro violonista do regional, foi substituído por Jaime Florence, o Meira, surgindo então a dupla de violonistas Dino-Meira, uma das mais famosas e duradouras da música popular brasileira. Como integrante do regional, gravou muitos discos, acompanhando os intérpretes famosos da época, Francisco Alves, Carmen Miranda, Luís Barbosa, Sílvio Caldas e Orlando Silva , entre outros.

Na década de 1940 iniciou estudos de teoria musical e, em 1950, quando o Regional de Benedito Lacerda se transformou no Regional do Canhoto, continuou a fazer parte do grupo. Foi nessa época (1950) que começou a tocar violão de sete cordas, até então utilizado somente pelo violonista Tute, no Grupo da Velha Guarda e no conjunto Diabos do Céu. Encomendou um violão especial, com a sétima corda grave afinada em dó, desenvolvendo e dinamizando o seu uso.

Como integrante do Regional do Canhoto, prosseguiu acompanhando inúmeros cantores e outros solistas, em gravações, shows e rádios. Em fins da década de 1950, com o surgimento da bossa nova, seguida do iê-iê-iê, o estilo da execução dos violonistas de regional ficou fora de moda. Passou então a usar uma guitarra elétrica e entrou para o conjunto de danças liderado por Paulo Barcelos.

Na segunda metade da década de 1960, com as gravações de discos de escolas de sambas, o violão bordão, chamado “de baixaria”, volta a ser requisitado. Em 1965 e 1967, participou da gravação dos dois LPs do show Rosa de Ouro, de Hermínio Bello de Carvalho, acompanhando as cantoras Clementina de Jesus e Araci Cortes, e o Conjunto Rosa de Ouro. Nessa fase, deu aulas de violão e atuou no Conjunto Época de Ouro, de Jacob do Bandolim.

A partir de 1970, com o ressurgimento do samba e do choro, em gravações, passou a tocar com grande número de cantores, como Beth Carvalho, Raul Seixas, Gilberto Gil, Carlinhos Vergueiro, Macalé, Vinícius de Morais, Toquinho e Cristina.

Em 1974 foi responsável pelos arranjos e pela regência de dois discos importantes, lançados pela etiqueta Marcus Pereira: A música de Donga, com Elisete Cardoso, Paulo Tapajós e outros, e o primeiro LP de Cartola. Dois anos depois, atuou novamente com Cartola, orquestrando o seu segundo LP, que lançou o sucesso As rosas não falam.

Em 1988 completou 63 anos ininterruptos de atuação como músico profissional, ostentando número invejável de participações em discos e shows de artistas de várias gerações. Considerado como o grande mestre do violão de sete cordas, lançou em 1991 um disco histórico em que tocou com outro virtuoso do instrumento, Raphael Rabello.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

sábado, dezembro 15, 2007

Chico Anísio

Chico Anísio (Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho), humorista, ator, compositor, escritor e pintor, nasceu em Maranguape, CE, em 12/4/1931, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 23/3/2012. Mudou-se para o Rio quando tinha oito anos.

Iniciou na Rádio Guanabara, onde exercia várias funções: radioator, comentarista de futebol, etc. Participou do programa Papel carbono de Renato Murce. Trabalhou, nos anos cinquenta, nas rádios Mayrink Veiga, Clube de Pernambuco, Clube do Brasil. Nas chanchadas da década de 50, Chico passou a escrever diálogos e eventualmente ator em filmes da Atlântida Cinematográfica.

Na TV Rio estreou em 1957 o Noite de Gala. Em 1959 estreou o programa Só tem tantã, lançado por Castro Barbosa, mais tarde chamado de Chico Anísio Show. Além de escrever e interpretar seus próprios textos no rádio, televisão e cinema, sempre com humor fino e inteligente, Chico se aventurou com relativo destaque pelo jornalismo esportivo, teatro, literatura e pintura, além de ter composto e gravado algumas canções:

Hino ao Músico, (Nanci Wanderley, Chico Anísio e Chocolate), foi prefixo do seu programa Chico Anísio Show, nas TV Excelsior, TV Rio e TV Globo e nos espetáculos teatrais, como o do Ginástico Português, no Rio em 1974, acompanhado sempre do violonista brasileiro Manuel da Conceição - O mão de vaca;

Rancho da Praça XI, Chico Anísio e João Roberto Kelly gravado pela cantora Dalva de Oliveira. A música fez grande sucesso no carnaval do IV Centenário do Rio de Janeiro, isto é, fevereiro de 1965;

Vários sucessos com seu parceiro Arnaud Rodrigues, gravados em discos e usados no quadro de Chico City e Baiano e os Novos Caetanos.

Desde 1968 se encontrou ligado a Rede Globo, onde conseguiu o status de estrela num "cast" que contava com os artistas mais famosos do Brasil; e graças também a relação de mútua admiração e respeito que estabeleceu com o executivo Boni. Após a saída de Boni da Globo nos anos 90, Chico perdeu paulatinamente espaço na programação, situação agravada em 1996 por um acidente em que fraturou a mandíbula.

Em 2005 fez uma participação no Sítio do Picapau Amarelo, onde interpretava o Doutor Saraiva, recentemente participou da novela Sinhá Moça, na Rede Globo.

Foi pai dos atores Lug de Paula, do casamento com a atriz Nanci Wanderley, Nizo Neto e Ricardo, da união como Rose Rondelli, André Lucas, que é filho adotivo, Cícero, da união com ex-frenética Regina Chaves e Bruno Mazzeo, do casamento com a atriz Alcione Mazzeo. Também teve mais dois filhos com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, Rodrigo e Vitória. Foi irmão da também atriz Lupe Gigliotti com quem já contracenou em vários trabalhos na TV.

Possuiu uma galeria de tipos cômicos com cerca de 208 personagens, entre elas:

* Alberto Roberto, o canastrão ("Não garavo") e apresentador de tralk show (talk show).
* Apolo, que era casado com uma ninfomaníaca ("Eu ainda morro disso")
* Azambuja, o malandro carioca ("Tou contigo e não abro...)
* Baiano, sátira de Caetano Veloso
* Bandeira, um taxista ("Gente finíssima!")
* Beto Carneiro, o vampiro brasileiro ("Vampiro brasileiro - cospe no chão - Não crê neu, papudo, se finou-se. Minha vingança será malígrina")
* Bozó, o funcionário da Rede Globo ("Eu trabalho na Globo, tá legal?!")
* Brazuca, um patriota
* Bruce Kane, ator de cinema
* Cascata & Cascatinha, dupla de palhaços interpretada por Chico e Castrinho. Este humorista fez tanto sucesso com o personagem Cascatinha e o seu bordão ("Meu pai-pai"), que apresentou o programa Balão Mágico e quadros próprios em outros programas humorísticos, nesse papel.
* Celso Garcia
* Chiquitín, boneco de ventríloquo
* Coalhada, jogador de futebol ("Coalhada é isso, Coalhada é aquilo...")
* Coronel Limoeiro, homem poderoso que está sempre "de olho" na mulher, a bela Maria Teresa * Divino ("Divino sabe, Divino diz")
* Gastão Franco, um pão-duro
* Haroldo Hétero, o homossexual de passado "alegre" que hoje tenta "se converter" ("Eu sou hétero")
* Jovem, revoltado com a vida ("Vai ficar com cara de bundão, ó, ó...")
* Justo Veríssimo, o político corrupto que odiava pobres ("Eu quero que pobre se exploda")
* Lingüinha, personagem principal de um quadro curto, exibido diariamente pela TV Globo. Da sua família surgiriam Lingueta, Lingote (que reapareceu em Chico City) etc.
* Lingote, o hippie velhote que vivia drogado (seu bordão era "Bateu pra tu?").
* Lobo Filho, o apresentador de telejornal
* Lord Black, funkeiro que sempre se dava mal com a namorada
* Mariano, que tem uma relação ótima com o filho Reginaldo, homossexual como ele ("Pode?)
* Marmo Carrara, o policial com o bordão "São esses meus olhos cor de mel. Mas por que eu? Logo eu com esta cara de macho"
* Meinha, que usa uma meia-calça na cabeça e despreza as possibilidades de ascensão
* Nazareno, o machista que oprime a mulher muito feia e se encantava com a empregada ("Calada", dizia para a mulher)
* Neyde Taubaté, apresentadora de televisão
* Nicanor, o homem do calo.
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Fontes: Baseada na Wikipédia. Vide Baiano e os Novos Caetanos.

Carlos Poyares

Carlos Poyares (Carlos Câncio Poyares), instrumentista, nasceu em Colatina ES, em 5/12/1928. Neto de maestro e sobrinho de violonista, aprendeu com a mãe, concertista, as primeiras noções de flauta e, aos cinco anos, ganhou uma flautinha de lata. Mais tarde, estudou teoria com Orlando Silveira e aprendeu a tocar com o maestro Cícero Ferreira. Aos oito anos mudou-se com a família para Vitória ES. Depois fugiu de casa para trabalhar num circo, onde foi, entre outras coisas, trapezista, motociclista e come-fogo, sem nunca deixar a flauta de lata. Afastando-se do circo, integrou como flautista um regional na Rádio Espírito Santo, da capital capixaba.

Em 1953 transferiu-se para o Rio de Janeiro, atuando na Rádio Clube do Brasil e depois em diversas emissoras, até que, em 1957, foi para a Rádio Mayrink Veiga, na qual substituiu o flautista Altamiro Carrilho, no Regional do Canhoto. Atuou no regional durante vários anos, ficando na Mayrink Veiga até seu fechamento, em 1964.

Nas décadas de 1950 e 1960 trabalhou como ator e flautista em nove filmes. Em 1965 trabalhou com o grupo Opinião, no show O samba pede passagem, atuando depois em outros espetáculos, além de apresentar-se em boates cariocas e paulistas. No mesmo ano, lançou pela Philips o LP Som de prata, flauta de lata, elogiado pelo crítico Sérgio Porto e premiado como o melhor do ano com a Medalha Estácio de Sá, oferecida pelo jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Na gravação, que teve acompanhamento do Regional do Canhoto, executava em sua flauta de lata peças difíceis e requintadas, que exigiam malabarismos do instrumentista. Fez ainda acompanhamento em vários LPs, embora seu nome não figure em nenhum deles.

No início da década de 1970, passou a atuar em shows da boate paulista Jogral, acompanhado pelo Regional do Evandro. Paralelamente, começou a dar aulas em cidades do interior de São Paulo.

Em 1975 gravou com destaque três LPs: Brasil seresta, com o Regional do Evandro, lançado em abril pela Marcus Pereira; Pixinguinha de novo, ao lado do flautista Altamiro Carrilho, interpretando inéditos de Pixinguinha, também pela Marcus Pereira, em maio; e, pela mesma gravadora, novo LP com o nome Som de prata, flauta de lata, em que era acompanhado pelo Regional do Evandro, com destaque para as faixas Malandrinho (Altamiro Carrilho), Matuto (Ernesto Nazareth), André de sapato novo (André Vítor Correia), Margarida (Patápio Silva), Urubu malandro (Lourival Carvalho e João de Barro) e Doce de coco (Jacob do Bandolim).

Em 1979 gravou o LP duplo A real história do choro, para a Continental, baseado em pesquisas que realizara nos últimos anos. Em 1981, a Warner lançou o LP A música dos Beatles no choro brasileiro.

Manteve constante atividade fonográfica durante toda a carreira, gravando muitos discos, além dos citados, em várias gravadoras. Em 1994 excursionou pela Europa juntamente com um conjunto de choro, apresentando-se na França, Espanha, Holanda e Portugal.

CDs: Píxinguinha de novo (c/Altamiro Carrilho), s.d., Discos Marcus Pereira 0031; Uma chorada na casa do Six, 1997, Kuarup K086.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Sergio Endrigo


Sergio Endrigo, cantor e compositor italiano responsável por hits de grande sucesso como Io che amo solo te, tendo sido gravado por intépretes do mundo inteiro. O músico ganhou popularidade nos anos 60 na América Latina por ter suas composições gravadas por Roberto Carlos, como Canzone per te, que venceu o Festival de San Remo, em 1968.

Endrigo nasceu no dia 15 de junho de 1933 na cidade de Pola, uma vila croata que fazia parte da Itália. Filho de um cantor de ópera de algum destaque, ele perdeu o pai muito cedo, sua mãe trabalhava numa fábrica de cadeados. Sua cidade, em 1947, passou a ser considerada território iugoslavo e Endrigo refugiou-se com a família em Brindisi. Expulso da escola por mau comportamento, tornou-se um errante: foi lanterninha de cinema, office-boy, agente do censo, mascate, carregador de malas em hotel.

Em 1954, participou de um concurso de calouros no Teatro Malibran e foi contratado como cantor lírico no Lido, em Veneza. A partir daí, consolidou seu estilo romântico. Participou do Festival de San Remo em 1966 com a canção Adesso sí e em 1967 com Dove credi di andare. Mas, somente em 1968 venceu o Festival de San Remo com Canzone per te, uma composição sua e de Sergio Bardotti que teve Roberto Carlos como intérprete.

Foi uma espécie de pioneiro ao aproximar a música italiana da brasileira. Nos anos 70, ele fez parcerias com nomes da MPB. Era verdadeiramente apaixonado pelo Rio de Janeiro onde, além de se maravilhar com as belezas naturais, conheceu a alma da cidade, tendo como companheiros Vinícius de Moraes, Toquinho e Chico Buarque. O amor de Endrigo pelo Rio era tão transparente que Toquinho e Vinícius fizeram para ele o Samba pra Endrigo. Além de Roberto Carlos, Endrigo gravou com Chico Buarque A Rosa.

Na década de 70, compôs, em parceria com Vinícius de Moraes, canções para crianças, como La Casa e El Pappagallo” e em 1979, lançou um disco em português com músicas de Chico Buarque, Toquinho e Vinícius. Faleceu aos 72 anos, em 8 de setembro de 2005.

Caçulinha


Caçulinha (Rubens Antônio da Silva), multiinstrumentista e compositor, nasceu em São Paulo, em 15 de março de 1940. Filho do violeiro Mariano e sobrinho do também violeiro Caçula com quem o pai formou uma das primeiras duplas caipiras a gravar discos. Ganhou o apelido de Caçulinha como homenagem do pai ao irmão Caçula. Iniciou a carreira artística em 1948, com apenas oito anos de idade apresentando-se no programa "Clube do Papai Noel", na Rádio Tupi de São Paulo tocando, segundo suas palavras, "uma sanfoninha".

Na década de 1950 formou com o pai a dupla Mariano e Caçulinha. Como acordeonista, tocou e gravou com inúmeras duplas como Tonico e Tinoco , Pedro Bento e Zé da Estrada, e Moreno e Moreninho, entre outros. Tocou em uma série de músicas consideradas clássicas da música sertaneja.

Estreou em disco solo em 1959, pela Todamérica quando gravou ao acordeom a polca Corochere, de sua autoria e Francisco dos Santos, e a guarânia Triste juriti, de Mário Vieira e Armando Castro. No mesmo ano, gravou o choro Pelé, parceria sua com Amasílio Pasquin, e a valsa Noiva do sargento, de autor desconhecido com arranjos seus.

Em 1960, gravou pelo selo Califórnia o tango Noite cheia de estrelas, clássico de Cândido das Neves, e o fox Se um dia o mundo parasse, de Mário Albanese e Ricardo Macedo. Em 1961, pelo selo Caboclo, lançou o arrasta-pé Arrasta-pé na Tuia, de sua autoria e Lourival dos Santos, e o Chorinho do Biluca, de sua autoria.

Em 1962, gravou com seu conjunto pela Chantecler a valsa Primeiro amor, de Patápio Silva, e o choro Sabido, de Luiz Gonzaga. No ano seguinte, gravou com sua bandinha pela Sertanejo o rasqueado Sentimento paraguaio, de Santana, e o maxixe Chora negrinha, com adaptação sua.

Participou como contratado exclusivo do programa "O fino da bossa" comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record a partir de 1965. Ainda na década de 1960, acompanhou com seu regional as gravações de discos de inúmeros artistas, entre os quais, Ciro Monteiro, Miltinho, Dóris Monteiro, Elizeth Cardoso, Roberto Silva, e Roberto Carlos, entre outros.

Na mesma época, acompanhou Elizeth Cardoso, Caetano Veloso e Elis Regina, entre outros artistas em especiais musicais da TV Record. Ainda na televisão, atuou nos programas "Esta noite se improvisa" e "Bossaudade", da TV Record. Tocou piano e teclado em boates paulistas.

Na década de 1970, contratado pela gravadora Copacabana, lançou vários LPs, entre os quais, Caçulinha aponta o sucesso, de 1970 e Caçulinha na onda do sucesso, de 1972. Na década de 1980, passou a se apresentar esporadicamente à frente de seu regional e a fazer shows com o apresentador Fausto Silva nos quais tocava acordeom e o apresentador contava piadas. Ainda na década de 1980, atuou com Fausto Silva no programa "Perdidos na noite" apresentado na TV Bandeirantes.

Em 1989, particpou de show de Nelson Gonçalves e Raphael Rabello tocando acordeom na música Três lágrimas, de Ary Barroso. Nesse ano, passou a atuar no "Programa do Faustão", na TV Globo. Em 2002, foi lançado o disco Nelson Gonçalves e Raphael Rabello no qual teve participação especial na faixa Três lágrimas, de Ary Barroso.

Em 2004, participou ao lado de nomes como Dominguinhos, Renato Borghetti, Dino Rocha, e Toninho Ferragutti no SESC Pompéia, em São Paulo do o show de lançamento dos dois CDs do projeto "O Brasil da Sanfona", gravados ao vivo no mês de março do mesmo ano.

Em 2005, por sugestão de João Gilberto, que lhe perguntou por que não lançar um disco com músicas da bossa nova ao acordeom, gravou o CD Caçulinha na bossa nova, com produção de Ricardo Leão. O disco contou com as participações especiais de Roberto Menescal, João Donato, Rildo Hora, Paulinho Braga, Paulinho Trompete, Lula Galvão, João Lyra, Marcelo Martins, Bocato, Zé Canuto, Marcos Valle e Ricardo Leão. Desse disco fazem parte clássicos da bossa nova como O barquinho, e Garota de Ipanema, além de composições menos celebradas do universo da bossa nova.

Após a gravação desse disco, gravou um outro, em parceria com o humorista Pedro Bismarque, conhecido pelo personagem Nerso da Capitinga, dedicado ao repertório junino intitulado Caçulinha no Arraiá, no qual toca sanfona enquanto o ator Pedro Bismarque faz a narração da quadrilha.

Ao longo de sua vasta carreira já gravou um total de 31discos, sendo cerca de 25 LPs, numa trajetória única na música popular que passa do sertanejo à bossa nova.

Fontes: Caçulinha - Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Dalva de Andrade


Dalva de Andrade (Dalva de Andrade Serra), cantora, nascida em 2/4/1935 no Rio de Janeiro, RJ, foi revelada no programa Pescador de estrelas, do radialista e cantor Arnaldo Amaral, em 1953 atuou na Rádio Globo.

Seguidora do estilo de Dalva de Oliveira, em 1955, gravou seu primeiro disco cantando o samba-canção Tudo nos falta, de Claudionor Cruz e Pedro Caetano e o bolero Preço do silêncio, de Othon Russo e Nazareno de Brito.

É de 1956 a gravação da toada Chuva, de Fernando César. Em 1957, gravou o bolero Que murmuren, de Rubén Fuentes e Rafael Cárdenas, com versão de Goiá Jr. e o samba Sempre ele, de Armando Nunes e J. Portela. Data do mesmo ano a gravação de Marcelino pão e vinho, do filme homônimo, canção de Sorozobal e Sanches, com versão de Ribeiro Filho.

Em 1958, gravou de Ary Barroso e Luiz Peixoto o samba É luxo só; no ano seguinte, o samba Brigas nunca mais, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, e o samba canção Eu sei que vou te amar.

Em 1960, passou a gravar na Odeon, onde estreou cantando Chorei sozinha, de Paulo Tito e Um pouco de ti, de Tito César e Fernando César. No mesmo ano, gravou Vou fazer um samba, de Evaldo Gouveia e Almeida Rego e o grande sucesso de sua carreira, Serenata suburbana, guarânia do compositor pernambucano Capiba e que nomeou o LP que também lançou naquele ano e no qual cantou o samba Bebeco e Doca, de Luiz Peixoto e Ary Barroso.

Em 1961, seriam gravados o samba canção Minha solidão, de Adelino Moreira e o choro Quero saber; em 1962, Tormento, de Lindolfo Gaia e Romeu Nunes e Amor e ciúme, de Arsênio de Carvalho e Lourival Faissal. No mesmo ano, gravou de Luís Vieira o Prelúdio para ninar gente grande.

Em 1963, de Getúlio Macedo, gravou a canção Cigana. Lançou ainda pela Odeon o LP Prece, interpretando composições de Marino Pinto. Em 1965 foi contratada pela gravadora Philips. Pouco tempo depois deixou a vida artístico por causa de problema de surdez.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Leny Eversong


Leny Eversong (Hilda Campos Soares da Silva) nasceu em 1/9/1920, em Santos/SP, e faleceu em 29/4/1984, em São Paulo/SP. Começou sua carreira aos 12 anos, quando se apresentou no programa Hora Infantil, da Rádio Clube de Santos. Logo foi chamada para um teste, que lhe valeu um contrato e o espaço para atuar no programa noturno daquela emissora. Seu forte, desde então, eram as interpretações para os foxes estrangeiros. Recebeu então o pseudônimo de "Hildinha, a Princesa do Fox".

Transferiu-se em 1935 para a Rádio Atlântica, também em Santos. Nessa ocasião, adotou seu famoso nome artístico, sugerido pelo produtor Carlos Baccarat e passou a cantar apenas em inglês. Decorava as letras com sua pronúncia perfeita, mesmo não falando o idioma.

Em 1936, foi para o Rio de Janeiro, onde fez uma temporada de três meses na Rádio Tupi. Atuou em shows no Copacabana Palace Hotel e no Cassino da Urca. Em 1937, assinou contrato com a boate Night and Day, casa noturna inaugurada no último andar do Edifício Martinelli, em São Paulo. Fez também temporadas no Cassino Guarujá, SP. Participou de inúmeros programas de rádio em São Paulo, principalmente nas Rádios Bandeirantes e Cultura.

Em 1940, atuou na Rádio Educadora Paulista. Gravou seu primeiro disco em 1942, interpretando os estribilhos do fox Tropical magic, The nango e When I love, I love! e a rumba Week-end in Havana, com a Orquestra Colúmbia dirigida pelo maestro Totó, da qual era crooner.

Um ano depois, gravou o fox Tangerine e o samba Carioquinha,entre outras músicas com a mesma orquestra. No mesmo ano, gravou seu primeiro disco solo, interpretando o fox-canção Besame mucho, de Velasquez e o bolero Por mi culpa, de Cesar Siqueira. Em 1944 gravou seu segundo disco solo, interpretando o fox-trot Stormy weather e o fox I can't give you anything but love.

Em 1945, transferindo-se da Rádio Tupi, passou por duas rádios paulistas: a Excelsior e depois a Nacional. Em 1948, fez temporada na Argentina, apresentando-se como uma cantora americana. Nas décadas de 1940 e 1950, a peruana Yma Sumac fazia enorme sucesso, por causa de seu registro vocal extraordinariamente agudo. Segundo Jairo Severiano, "em matéria de extravagância o Brasil tinha uma representante mais interessante que a Yma, pois ela não cantava com tanta expressão ou em tantas línguas quanto a Leny, que cantou em todas que se possa imaginar".

Na década de 1950, a cantora voltou a interpretar músicas brasileiras. Em 1951 gravou na Continental, o samba canção Estranho, de Osvaldo Nunes e Cabeção, o bolero Inultimente, de Sílvio Donato e Heitor Carrilho e os sambas Vidas iguais", de Osvaldo Nunes e Ciro de Souza e Vem amor, de Nei Campos e João Basile.

Em 1952 gravou a marcha Pode ir em paz, de Adoniran Barbosa e Hervé Cordovil e o samba Volta por Deus!, de Mário Vieira e Conde. No mesmo ano, gravou um de seus grandes sucessos, o fox-trot Jezebel, de Shanklin. No mesmo disco, que contou com o acompanhamento de Poly e Seu Conjunto, gravou com Cauby Peixoto o fox-trot Blue guitar, de Leyghton e C. Red Sorther.

Em 1953 gravou o samba Confissão, de Mário Vieira e o choro baião Solidão, de Aldo Cabral e Ataulfo Alves. No mesmo ano, assinou contrato com a gravadora Copacabana, onde estreou gravando o samba canção E ele não vem", de Hervé Cordovil, e a valsa Roda, roda, roda, de Jair Gonçalves. Nessa época, gravou o LP Leny Eversong em foco, que trazia vários sucessos: Granada, de Agustín Lara, e Nunca, de Lupicínio Rodrigues.

Em 1955, gravou a marcha Coração de palhaço, de Osvaldo França e Nilo Silva, o samba Enxuga as lágrimas, de Avaré e Nei Campos e o samba canção Portão antigo, de Antônio Maria. No mesmo ano, gravou do maestro Guerra Peixe, com acompanhamento do mesmo, a toada Nego bola-sete e o ponto de macumba Mamãe-Iemanjá. Em 1956 registrou os sambas Oxalá, de Pernambuco e Marino Pinto e Ritmo do coração, de Aires Viana e Edel Nei.

Em 1958, fez apresentação no Olympia de Paris, França. Lá, recebeu de um comentarista francês o slogan "A Voz do Amazonas". No mesmo ano, gravou com Roberto Audi, na Copacabana a toada Geada, de David Nasser e Armando Cavalcanti e o fox No azul pintado de azul, uma versão de David Nasser. Em seguida, ainda no mesmo ano, foi contratada pela RGE, estreando com o rock balada Sereno, de Aloísio Teixeira de Carvalho e a canção Esmagando rosas, de Alcir Pires Vermelho e David Nasser.

Em 1960, apresentou-se em Las Vegas, EUA, permanecendo em cartaz por dois anos. Nos Estados Unidos, chegou a gravar o LP Leny Eversong na América do Norte, acompanhada pela Orquestra de Neal Hefti. O disco foi distribuído no Brasil pela Copacabana. Por essa época, foi uma das pioneiras do rock no Brasil, gravando em 1960, os rocks Carina, de Paes e Testa, com versão de Bruno Marnet e Sabor a mí, de Alvaro Carrilho.

Em 1963, gravou pela Copacabana o LP Ritmo fascinante nº 1", trazendo Fascination, de Marchetti e Morley, e Franqueza", de Denis Brean e Osvaldo Guilherme. Participou, em 1964, do filme Santo Módico, de Robert Mazoyer. No mesmo ano, lançou pela RGE o LP A internacional Leny Eversong, que trazia as músicas Esmagando rosas, de Alcir Pires Vermelho e David Nasser, e Stormy Weather, de Arlen e Koehler. Ainda em 1964, participou da montagem da Ópera dos três vinténs, de Berthold Brecht, em São Paulo. Participou também de alguns festivais da canção. Ainda na década de 1960, registrou em LP um show ao vivo, na extinta Boate Drink, ao lado de Cauby Peixoto.

Em 1970, fez show no Canecão, Rio de Janeiro. Passou por sérios problemas pessoais e de saúde a partir do início dos anos de 1970, ocasião em que seu marido saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. A cantora, a partir de então, ficou deprimida e foi aos poucos perdendo a saúde. Em 1983, ainda fez uma participação no programa televisivo "Show Sem Limite", de J. Silvestre. Vítima de diabetes, antes de falecer aos 64 anos, chegou a ter as duas pernas amputadas.

Sylvinha Mello


Sylvinha Mello (Sylvia Mello), cantora e atriz, nasceu em Vitória, ES, em 23/02/1914, e faleceu em Paris, França, em 1978. Filha de pernambucanos, chegou ao Rio de Janeiro aos 9 anos de idade. Estreou na carreira artística cantando peças folclóricas em teatros e cassinos do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais, ao lado de Hekel Tavares.

Aos 18 anos apresentou-se no Programa César Ladeira, passando a atuar ao lado de Francisco Alves, Carmen Miranda e Sílvio Caldas.

Entre 1930 e 1936, realizou gravações para a RCA Victor, destacando-se entre seus primeiros sucessos O pequeno vendedor de amendoim e Banzo, ambas composições de Hekel Tavares. Interpretou também canções de Marcelo Tupinambá e Waldemar Henrique.

Seus maiores sucessos em disco foram alcançados com canções e valsas de Joubert de Carvalho, em estilo marcadamente romântico.

Posteriormente, mudou-se para a cidade de Nova York onde viveu dois anos como estudante, pouco depois, obteve emprego no consulado brasileiro.

Foi uma das primeiras brasileiras a fazer sucesso nos Estados Unidos, onde interpretou músicas de grande aceitação de Ary Barroso, no Blue Angel, de Nova York e em emissoras de rádio e boates norte-americanas.

Após separar-se de um primeiro casamento, casou-se novamente com um diplomata francês, passando, então, a residir em Paris. Participou de três filmes: Estudantes, Grito da mocidade e Estrela da eterna esperança.

Fontes: Cantoras do Brasil - Sylvinha Mello - Fotos: Revista Fon Fon, de 1937.

Zaíra de Oliveira

Zaíra de Oliveira (1891, Rio de Janeiro - 15/8/1952), soprano, teve formação clássica, tendo cursado canto lírico no Instituto Nacional de Música, atual Escola Nacional de Música, mas também cantou música popular.

Em dezembro de 1921 participou de um concurso realizado na escola de música, onde recebeu o primeiro lugar, porém não lhe foi concedido o prêmio, que consistia numa viagem à Europa, na afirmativa de muitos pelo fato de ser negra. Numa época em que ainda não existia a lei Afonso Arinos, a cantora não se abalou, pois somente a alta distinção conquistada no mais importante órgão oficial de ensino artístico da capital do Brasil lhe daria motivo justo de orgulho.

Em 1924 gravou seu primeiro disco, dois foxtrotes: Tudo à la garçonne, de Pedro Sá Pereira e La monteria, de J. Guerrero.

Em 1925 participou de festivais artísticos, dos quais o do Teatro Municipal de Niterói, onde cantou Tosca, de Puccini, Berceuse, de Alberto Nepomuceno e Schiavo, de Carlos Gomes, além de A despedida e Cantiga praiana de Eduardo Souto, com letras de Bastos Tigre e Vicente Carvalho, respectivamente.

Apresentou-se também no Cassino Copacabana Palace ao lado de Catulo da Paixão Cearense e Gastão Formenti. Nesse ano gravou a marcha Quando me lembro (Eduardo Souto e João da Praia), em dueto com o cantor Bahiano, que fez sucesso. No entanto seu maior êxito foi a marcha carnavalesca Dondoca (Freitinhas), em 1927, ao lado de J. Gomes Filho.

No início da década de 30, passou a se apresentar na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, acompanhada pelo regional de Canhoto. Em 1932 casou-se com o violonista e compositor Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos) e tiveram uma filha, Lígia.

Zaíra cantou ainda em vários coros de igrejas. Em seu livro Não acuso nem me perdôo, o embaixador Paschoal Carlos Magno considerava-a uma das maiores cantores negras do mundo.

domingo, dezembro 09, 2007

Greenfields

Greenfields - Terry Gilkyson, Richard Deher, Romeo Nunes e Frank Miller - Intérpretes: Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano
Introd.
Am  Dm  E7  Am
Ô   Ô   Ô   Ô
Am         Dm   Am
Lá tão distante,
E7
por trás do sol
Am         Dm
Lá bem distante,
Am             E7
onde o pôr-do-sol
F            G
Põe tons vermelhos
C            E7
na noite como um véu,
F              G
Onde aos meus olhos
C                E7
A terra encontra o céu.
Am       Dm      Am  E7
Vivia outrora, o meu bem
         Am
Em Greenfields.

Am              Dm      Am
Greenfields é o meu lar
E7
Meu mundo enfim
Am        Dm
Lá eu guardava
Am           E
Alguém só para mim
F          G       C
Lá me esperava, à noite,
E
O meu bem
F          G
Lá onde o sonho
C            E7
Morava enfim também
Am       Dm      Am   E7
Vivia outrora, o meu bem
        Am
Em Greenfields.

    F
Eu não sabia
G           C
Que um dia ao regressar
F
Já não mais teria
G            C   E7
Alguém a me esperar
Am       F        Dm
E que o encanto, a paz e o calor
Am             Dm     F          E7
Se tornassem pranto, frio e amargor.
Am       Dm   Am               E7
E hoje de volta     para o meu lar
Am        Dm       Am            E7
Já não encontro alguém a me esperar
F           G
Tudo é tão triste!
C         Am  F           G
É fria solidão, em tudo existe
C            E7
Envolve a mim também
Am          Dm
Como é tão triste,
Am     E7           Am
Meu Greenfields, sem meu bem.

Am  Dm  E7   Am
Ô    Ô   Ô   Ô

Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano


Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano - Grupo formado por Nilo Amaro (Moisés Cardoso Neves) e um coro de vozes negras femininas e masculinas (um soprano, um mezzo soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos), com destaque para o baixo Noriel Vilela.

O conjunto fez muito sucesso na década de 1960. Seu repertório era composto de clássicos da música popular brasileira (sambas e sambas-canções) e do folclore, e de versões para o idioma português de spirituals dos negros americanos, sendo considerado o precursor da música gospel no Brasil. Um de seus maiores sucessos foi a gravação de Leva eu (Sodade)" ("Oh! Leva eu/ Minha saudade/ Que eu também quero ir...").

Lançaram dois LPs pela Odeon (1961 e 1963), reeditados, em 2000, na coletânea Seleção de Ouro - 20 Sucessos - Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano, contendo as faixas Uirapuru (Murillo Latini e Jacobina), Leva eu sodade (Alventino Cavalcanti e Tito Neto), Suas mãos (Pernambuco e Antônio Maria), A lenda do Abaeté (Dorival Caymmi), Azulão (Jayme Ovalle e Manuel Bandeira), Minha graúna (Avarese e Tito Neto), Dorinha (Ary Monteiro e Tito Neto), Tammy (Jay Livingston e Ray Evans), Fiz a cama na varanda (Ovídio Chaves e Dilu Melo), "Down by the riverside", Greenfields (Terry Gilkyson, Richard Deher, Romeo Nunes e Frank Miller), Vaqueiro prevenido (Jacobina e Manoel Macedo), Ellie Lou (You left me there in Charleston) (Sigmam, Loose, Olias e Romeo Nunes), Canção de ninar meu bem (Gracindo Junior e Bidu Reis), A lenda do Rio Amazonas (Jairo Aguiar), Urutau (Murillo Latini e Jacobina), Eu e você (Roberto Muniz e Jairo Aguiar), Devaneio (Djalma Ferreira e Luiz Antônio), Boa noite (Francisco J. Silva e Isa M. da Silva), Nobody knows the trouble I've seen (Nat King Cole e Gordon Jenkins).

Nilo Amaro faleceu em Goiânia, aos 76 anos, no dia 18 de abril de 2004.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Guinga


Guinga (Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar), violonista, compositor e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 10/6/1950. Dentista de profissão, iniciou a carreira no II FIC, em 1967. Foi lançado como compositor pelo conjunto MPB-4, em 1973, com duas gravações: Conversa com o coração e Maldição de Ravel, ambas em parceria com Paulo César Pinheiro.

Como violonista, participou de numerosas gravações nas décadas de 1970 e 1980, tendo acompanhado Cartola na primeira gravação de As rosas não falam. Em 1989 estreou seu primeiro show ao lado de Paulo César Pinheiro e Ithamara Koorax, no bar Vou Vivendo, em São Paulo SP.

Em 1991 gravou seu primeiro disco, Simples e absurdo (Velas), com participações de Chico Buarque, Leny Andrade e Leila Pinheiro, entre outros. Seu segundo disco, Delírio carioca (1993, Velas), contou com interpretações de Djavan, Fátima Guedes e Leila Pinheiro, além do próprio compositor.

Suas músicas têm sido gravadas por grandes nomes: Bolero de Satã (com Paulo César Pinheiro), por Elis Regina e Cauby Peixoto; Catavento e girassol (com Aldir Blanc), por Leila Pinheiro; Esconjuros (com Aldir Blanc), por Sérgio Mendes; e cinco instrumentais pelo violonista Turíbio Santos no disco Fantasias brasileiras.

Em 1996 lançou o CD Cheio de dedos, que recebeu três prêmios Sharp. Nesse trabalho, principalmente instrumental, destacam-se os choros Cheio de dedos, Picotado e Nó na garganta, o baião Dá o pé, louro, a salsa Me gusta a lagosta, além de três faixas cantadas: Blanchiana, com vocalise do próprio compositor, Impressionados (com Aldir Blanc), interpretada por Chico Buarque, e Ária de opereta (com Aldir Blanc), por Ed Mota.

CDs: Simples e absurdo, 1991, Velas 1 1-VOOl; Cheio de dedos, 1996, Velas 11-V199.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Geraldo Vespar


Geraldo Vespar (Manuel Geraldo Vespar), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em Quixadá CE em 9/11/1937. Estudou teoria e solfejo com Geraldo Amaral (em Goiás), composição e orquestração com Paulo Silva, harmonia e contraponto com Moacir Santos, composição e regência na E.M.U.F.R.J. e fez o curso de harmonia e instrumentação da Berklee School of Music, de Boston, E.U.A.

Começou a carreira em 1952, acompanhando calouros da Rádio Anhangüera, de Goiânia GO, e em 1958 transferiu-se para o Rio de Janeiro, atuando, de 1959 a 1963, como guitarrista em boate; e em 1963 e 1964, com Astor e sua orquestra e com Moacir Silva e seu conjunto.

Realizou sua primeira gravação com Radamés Gnattali, num disco de historietas infantis da Continental; com o pseudônimo de Delano, participou de um disco de guitarra e orquestra (Copacabana) e, com Gerald, da gravação do LP I Love Paris (Continental).

Em 1964, já com o nome de Geraldo Vespar, gravou Take Five, e, em 1965, com a gravação de Samba nova geração, recebeu o prêmio-revelação O Guarani. Em 1966, além de gravar Só vou nas quentes, atuou no conjunto de Peter Thomas e, em 1967, com Chiquinho do Acordeom. Neste ano, fez com Sílvio César a trilha sonora do filme Mineirinho vivo ou morto, dirigido por Aurélio Teixeira.

De 1964 a 1967 integrou também a orquestra da TV Excelsior, regida pelo maestro Zacarias; em 1968 foi para a TV Tupi, como solista e arranjador da orquestra do maestro Cipó, onde ficou até 1973 e com o qual trabalhou ainda como solista num sexteto dejazz. Durante o período em que participou da orquestra de Paul Mauriat (1973 a 1975) como solista e arranjador, gravou o LP Brasil romântico (1974), lançado inicialmente no Japão.

Excursionou com Elza Soares pelo México e E.U.A., e com a Grand Orchestre, de Paul Mauriat, pela França, Países Baixos, Coréia, Grã-Bretanha e Japão. Na década de 1980 continuou tocando com a orquestra de Paul Mauriat.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.