segunda-feira, maio 07, 2007

Tropicalismo

Tropicalismo - Movimento cultural do fim da década de 60 que, usando deboche, irreverência e improvisação, revoluciona a música popular brasileira, até então dominada pela estética da bossa nova.

Liderado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil, o tropicalismo usa as idéias do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade para aproveitar elementos estrangeiros que entram no país e, por meio de sua fusão com a cultura brasileira, criar um novo produto artístico. Também se baseia na contracultura, usando valores diferentes dos aceitos pela cultura dominante, incluindo referências consideradas cafonas, ultrapassadas ou subdesenvolvidas.

O movimento é lançado com a apresentação das músicas Alegria, alegria, de Caetano, e Domingo no parque, de Gil, no Festival de MPB da TV Record em 1967. Acompanhadas por guitarras elétricas, as canções causam polêmica em uma classe média universitária nacionalista, contrária às influências estrangeiras nas artes brasileiras.

O disco Tropicália ou Panis et Circensis (1968), manifesto do movimento, vai da estética brega do tango-dramalhão Coração materno, de Vicente Celestino (1894-1968), à influência dos Beatles e do rock em Panis et Circences, cantada por Os Mutantes. O refinamento da bossa nova está presente nos arranjos de Rogério Duprat (1932-), nos vocais de Caetano e na presença de Nara Leão (1942-1989).

O tropicalismo manifesta-se, ainda, em outras artes, como na escultura Tropicália (1965), do artista plástico Hélio Oiticica, e na encenação da peça O Rei da Vela (1967), do diretor José Celso Martinez Corrêa (1937-).

O movimento acaba com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Caetano e Gil são presos e, depois, exilam-se na Inglaterra. Em 1997, quando se comemoram os 30 anos do tropicalismo, são lançados dois livros que contam a história do movimento: Verdade Tropical, de Caetano Veloso, e Tropicália - A História de uma Revolução Musical, do jornalista Carlos Calado.

Fonte: Tropicália

Dercy Gonçalves


A imagem de Dercy Gonçalves, já uma senhora, mas ainda muito bonita em seu maiô rebordado de strass, as imensas plumas coloridas de avestruz na cabeça e na cauda, liderando — vedete absoluta, como mandava o figurino — o elenco reluzente da Companhia Dercy Gonçalves, era a da grande estrela, em seu elemento, o palco.

Meados dos anos 50, o teatro era o desaparecido Santana, na rua 24 de Maio, em São Paulo. Só ver Dercy encerrar o espetáculo cantando o samba Até amanhã de Noel Rosa, secundada por atores, atrizes, lindas mulheres, todos entregando-se ao ritmo brasileiro que, então, dominava por completo o teatro de revista, valia o ingresso.

Boa cantora, bela figura, desenvolta e com jeito brasileiro em cena, logo se tornou caricata e intérprete de sambas, desde que chamou a atenção da crítica, na revista Rumo A Berlim, de Freire Júnior e Walter Pinto, em 1942, no Teatro Recreio.

Cresceu tanto que, em 1944, já imitava ninguém menos que Araci Cortes, a rainha da revista, em Barca da Cantareira, de Luiz Peixoto e Custódio Mesquita. Cantando samba, naturalmente. Como sempre o faria, no decorrer dos 30 anos em que foi das vedetes mais aplaudidas do país.

Filha de alfaiate e neta de coveiro, Dolores Gonçalves Costa (nascida a 23 de junho de 1907), ficou sem a mãe muito cedo. A lavadeira Margarida descobriu que o marido tinha uma amante. Ofendida e humilhada arrumou as trouxas e foi para o Rio de Janeiro, largando os sete filhos para que o infiel tomasse conta. Vitória, a amante de seu Manoel, passou a freqüentar a casa. "Ficavam namorando na sala, de mãos dadas. Mas papai nunca assumiu o romance. A certa altura da noite, ela ia embora."

Dercy, bilheteira de cinema, escandalizava a cidade ao pintar o rosto como as atrizes dos filmes mudos. Dançava para alegrar os hóspedes do Hotel dos Viajantes em troca de um prato de comida. Na missa, de vestido de chita, cantava de pé num banquinho abraçada à imagem de Jesus. Aí se apaixonou por Luís Pontes, um rapaz de bons modos. "Foi a primeira pessoa que me deu carinho. Mas a família dele proibiu o namoro." Quando encontrou a companhia de teatro mambembe, Dercy tinha todas as razões do mundo para fugir de casa.

Em Conceição de Macabu (RJ), passou a ser assediada pelo cantor Eugenio Pascoal. "Não sabia que eu era moça, não tinha virado mulher." Só tomou coragem para se entregar quando a turnê chegou a Leopoldina (RJ), duas semanas depois. Gentil, Pascoal saiu do quarto para que ela colocasse a camisola feita de saco de arroz. Tinha até inscrito no peito: "Indústria Brasileira de Arroz Agulhinha, arroz de primeira." Os carinhos preliminares não a incomodaram, mas quando ele a penetrou Dercy deu um pulo. Viu que estava sangrando e imaginou-se ferida. "Sentei o pé nele e saí porta afora. Socorro! Esse homem me furou! Imaginei que tinha enfiado um facão e rasgado minhas tripas."

Nunca mais houve clima para romance, mas eles se tornaram grandes amigos, até Pascoal morrer, tuberculoso. Pior: contagiou Dercy. Foi quando ela encontrou Ademar Martins, exportador de café mineiro, casado, muito católico. Levou-a para um sanatório perto de Juiz de Fora, aparecia uma vez por semana para vê-la e pagar a conta. Depois, instalou Dercy num hotel na praça Tiradentes, no Rio. Só então transaram pela primeira vez. Nasceu Dercimar, a única filha de Dercy. "Teve aulas de boas maneiras, aprendeu francês e casou com um quatrocentão da Tijuca. É uma dama na expressão da palavra", deleita-se Dercy.

Estrela das comédias da praça Tiradentes e das revistas musicais do Cassino da Urca, fez do palavrão cavalo de batalha. "Sou um retrato do País, que é a própria escrotidão", dispara. Ao imitar os trejeitos de Carmen Miranda, coçava o corpo todo. Ironizava o caminhar manco de Orlando Silva e fazia troça do vozeirão de Vicente Celestino.

Fez 36 filmes e, a partir de 1957, entrou também na televisão. Nos anos 60, Consultório sentimental, na TV Globo, uma espécie de talk-show primitivo ela esculhambava o convidado, chegou a ter 90% da audiência dos aparelhos ligados.

"Sou uma escola de irreverência." Dercy chega aos 92 anos sozinha. Casou na década de 40 com o jornalista Danilo Bastos, dez anos mais jovem. "Não era amor, e sim troca." Teve um caso tórrido com o acrobata Vico Tadei, mas amor verdadeiro, de chorar, só o Luís Pontes, o rapaz de bons modos de Madalena. "Escrevia cartas e as lágrimas caíam no papel. Mas o tempo passou e eu esqueci Luís Pontes. Ai de nós se não houvesse o esquecimento."

Fontes: Isto É - 0 Brasileiro do Século; História do Samba - Editora Globo.

Leny Andrade


Leny Andrade (Leny de Andrade Lima), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 25/1/1943. Aos nove anos de idade apresentou-se no Clube do Guri, programa da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e mais tarde cantou nos programas Silveira Lima e César de Alencar.

Em 1961, estreou na boate Bacará e em seguida no Bottle’s Bar. Em 1962, foi crooner da orquestra de Dick Farney, em São Paulo.

Em 1966 estabeleceu-se no México, onde permaneceu durante cinco anos, e se exibiu inúmeras vezes com o cantor Pery Ribeiro. Voltou a gravar no Brasil somente depois de 1971.

Entre seus LPs de maior sucesso estão A sensação Leny Andrade e A arte maior de Leny Andrade, o primeiro lançado pela RCA Victor e o segundo pela Polydor.

CDs: Luz neon, 1989, Eldorado 584027; Cartola, 1994, Velas 11V-002; Luz negra — Nelson Cavaquinho por Leny Andrade, 1994, Velas 11-V062.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Surdo e Tamborim: como surgiram


Desde molequinho, Bide batia tamborim e pensava que era seu inventor. Mas de surdo, ele tinha certeza: de uma grande lata de manteiga, dois aros e um couro esticado, o sambista construiu a alma das escolas de samba.

Ismael Silva desenhava um retângulo e explicava ao compositor Hermínio Bello de Carvalho: “Pois bem, aqui está a escola de samba. Milhões de pessoas. Um solista. Quando o samba entra na segunda parte, entra o solista. Pois bem, como é que, naquela confusão toda, o pessoal vai saber quando deve atacar a primeira parte novamente? Aí entra o ‘surdo’, que dá aquelas duas porradas fortes e o pessoal entra maçico. certinho”.

Fica então clara a importância do surdo. Tamborins, latas de manteiga, cuícas e pandeiros compunham a bateria da Deixa Falar, em sua estréia. Faltava um instrumento de marcação que comandasse a escola e fosse ouvido por todos os componentes.

Alcebíades Barcelos, Bide, que já tocava seu tamborim desde menino e que trouxera o instrumento para a escola, observando o som das grandes latas de manteiga usadas na percussão, resolveu melhorá-las. Comprou dois aros, fixou um por dentro, outro por fora, segurando o couro com tachas ao redor e pronto.

A Deixa Falar entrou na praça Onze falando mais alto. Todos adotaram a novidade, creditando a Bide a invenção do “surdo”. Quanto ao tamborim, Bide dizia: “Esse não tenho certeza se inventei. Mas o que me lembro é que, desde molequinho, já fazia, encourava e tocava na rua, sem bloco, sem nada, as pessoas querendo saber que instrumento era aquele”.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

Arrigo Barnabé

Arrigo Barnabé nasceu em Londrina, PR, em 14 de Setembro de 1951. Em São Paulo, cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (1971 a 1973) e a Escola de Comunicações e Artes (1974 a 1979), onde fez o curso de composição, no Departamento de Musica. Ainda na década de 1970, participou do Festival Universitário da TV Cultura com a musica Diversões eletrônicas. Lançou seu primeiro LP, Clara Crocodilo, em 1980.

Excursionou pelo Brasil em 1983, ano em que compôs a Saga de Clara Crocodilo para a Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de São Paulo e grupo de rock. Ainda em 1983, recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Gramado RS pela musica do filme Janete, de Chico Botelho. No ano seguinte, obteve reconhecimento internacional com seu segundo disco, Tubarões voadores (selo Barclay), eleito pela revista francesa Jazz Hot como um dos melhores do mundo.

Em 1985 foi premiado no Riocine Festival pela música do filme Estrela nua, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins. Um ano depois, a APETESP deu-lhe o prêmio de melhor composição para teatro, pela musica de Santa Joana. No mesmo ano, lançou o LP Cidade oculta e recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Riocine Festival, pela musica do filme Cidade oculta, de Chico Botelho. Dois anos depois, no Festival de Cinema de Brasília DF, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora, pelo filme Vera, de Sérgio Toledo.

No Festival de Cinema de Curitiba PR de 1988, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora pela musica do filme Lua cheia, de Alain Fresnot. Com Itamar Assumpção, participou de shows por todo o Brasil, em 1991. No ano seguinte, lançou o CD Façanhas.

Em 1993 apresentou-se no Podenville, em Berlim, Alemanha. Sua peça Nunca conheci quem tivesse levado porrada, para a Orquestra Jazz Sinfônica, banda de rock e quarteto de cordas, teve apresentação no Memorial da América Latina, em São Paulo, em 1994.

Em 1995 participou do Primeiro Festival de Jazz e Música Latino-Americana, em Córdoba, Argentina. No Teatro Municipal, de São Paulo, apresentou sua peça Música para dois pianos, percussão, quarteto de cordas e banda de rock. Trabalhou então com um grupo heterodoxo: um quinteto de percussão (do qual fazia parte), um quarteto de cordas de São Paulo e a Patife Band, de rock pesado, liderada por Paulo Barnabé, seu irmão.

Apresentou-se em 1996 no Teatro Rival, na série Encontros Notáveis, em duo de pianos com Paulo Braga. No mesmo ano, dividiu com Tetê Espíndola um show no Centro Cultural São Paulo.

Com trabalho singular na música brasileira, tem composições de características que vão do dodecafonismo a atonalidade. Sempre na fronteira entre o erudito contemporâneo e o popular, na década de 1990 escreveu quartetos de cordas e peças para a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo.

Em 1997, depois de quatro anos sem gravar, lançou o CD Ed Mort, do selo Rob Digital, trilha sonora do filme de mesmo nome, dirigido por Alain Fresnot.

Fonte: Enciclopédia da Música Popular - Art Editora e PubliFolha.

Tola foi você

Ângela Rô-Rô

Intro: E7+ A7+ G#m C#m F#m B7 E7+ A/B

E7+            A7+
Tola foi você ao me abandonar
     G#m          C#m
Desprezando tanto amor que eu tinha a dar
 F#m              B7
Agora veja bem, o mal é vai e vem
      E7+  A/B
Só esperar
  E7+          A7+
E se eu mudei devo à você
 G#m                C#m
Todo desamor que a vida me ensinou
  F#m                B7
Coração aberto, felicidade perto
     E7+     D/E E7
Sou toda amor

  A7+                         E7+
Agradeço tanto, agradeço por você
             D/E        E7
Não ser do jeito que eu sou
 A7+                          E7+
Agradeço tanto, agradeço por você
            A/B
Não ter me dado seu amor...

Simples carinho


Ao contrário dos boleros e canções latino-americanas, seus equivalentes brasileiros, com exceções, naturalmente, são menos carregados de dramaticidade e auto-comiseração. Um exemplo disso é a composição “Simples Carinho”: “Amar ou sofrer, eu vou te dizer, mas vou duvidar / querendo ou não, o meu coração já quer se entregar / não falta lembrança, aviso, cobrança / você vai por mim / mas feito criança, lá vou na esperança, eu sou mesmo assim...”

Com uma cativante melodia de João Donato, complementada ao pé do piano por Abel Silva, em uma de suas primeiras experiências de fazer letra ao mesmo tempo em que a música é composta, “Simples Carinho” reposicionou o repertório de sua intérprete original, Ângela Rô-Rô. Como foi visto, esta ex-roqueira que fôra considerada, precipitadamente, uma sucessora de Maysa, havia se projetado quatro anos antes com uma canção, “Amor, Meu Grande Amor”.

Mas “Simples Carinho” recolocou o bolero brasileiro, que andava meio esquecido, nas paradas, a exemplo do que ocorrera em 1975 com “Dois pra Lá, Dois pra Cá”. O arranjo de Antônio Adolfo e o solo de gaita de Maurício Einhorn enriqueceram a versão de Ângela, que a regravou sem o mesmo brilho em 93. Outras boas gravações de “Simples Carinho” foram realizadas por Simone, Maria Creuza e Emílio Santiago, havendo versões da composição em inglês e espanhol (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Simples carinho (1983) - João Donato e Abel Silva

Intro: A6/E E7+ A6/E E7+ Bb7/9

         A7+               Am6
Amar e sofrer, eu vou te dizer
          G#m   C#7/13 C#5+/7
Mas vou duvidar
             F#7/13 F#5+/7
Querendo ou não
        A/B                 E7+  Bm7 Bb7/9
O meu coração já quer se entregar
             A7+                Am6
Não falta lembrança, aviso, cobrança
             G#m7 C#7/13 C#5+/7
Você vai por mim
             F#7/13 F#5+/7
Mas feito criança
               A/B B7/9-
Lá vou na esperança
               E7+
Eu sou mesmo assim
           Bm7       G#5+/7
Quem sabe até meu destino
            C#m7
Amor sem espinhos
                F#7/13          F#5+/7
Sou mel da sua boca, calor dos abraços
            A/B    Bm7 Bb7/9
E tantos beijinhos
             A7+               Am6
Se o sonho acabou, não sei meu amor
           G#m7 C#7/13 C#5+/7
Nem quero saber
                    F#7/13 F#5+/7
Só sei que ontem à noite
            A/B    B7/9-
Sorrindo acordada
            E7+
Sonhei com você
         Bm7            G#5+/7
Às vezes até na vida é melhor
            C#m7
Ficar bem sozinho
           F#7/13          F#5+/7
Pra gente sentir qual é o valor 
                A/B  Bm7 Bb7/9
De um simples carinho
            A7+             Am6
Te sinto no ar, na brisa do mar
            G#m7 C#7/13 C#5+/7
Eu quero te ver
              F#7/13 F#5+/7
Pois ontem à noite
            A/B   B7/9-
Sonhando acordada
            E7+
Dormi com você

Não há cabeça

Ângela Rô-Rô
C          B
Não há cabeça que o coração não mande
C           B                    Ab°
Não há amor que o ódio não desande
Am                   E/G#
Não há rancor que o perdão não esqueça
Am/G  F7+      B4/7           B7
Nem humor que nunca se aborreça
C         B
Não há bebida que beba a saudade
C                B           Ab°
Nem maldade que vença a bondade
Am                     E/G#
Não há princípio que resista ao fim
Am/G         F7+       B4/7     B7
Nem temor ou medo que resida em mim
F7+                Bb7+
Eu fui, eu vim, eu vou te amar vivendo
F7+                 Ab/Bb
Eu fui, eu vim do desamor morrendo
Am              E/G#
E essa tristeza que o amor me deu
Am/G              F7+  B4/7         B7 C
É a coisa mais bonita dentro do meu eu
                           B
Que bom, ai, que bom, que nunca vai haver talvez
C                       B              Ab°
Pra quem tudo na vida sentiu, disse e fez
Am                       E/G#
Prefiro ficar só com a minha ilusão
Am/G            F7+              B4/7     B7
Que matar a esperança de amar no meu coração

Me acalmo danando

Ângela Rô-Rô
Bm                                    F#7
Eu é que fico a dizer e você não diz nada
G7+                                   F#7
Eu é que fico a sorrir e a fazer palhaçada
 C                             Em
Como é triste beijar sem ser beijada
 C                  Am     B7
Como é duro amar sem ser amada
Bm                              F#7
Meu tormento não passa e você adiando
 G7+                                F#7
É o mar que me traga, é o barco afundando
  C                              Em
É a ilha deserta que eu chego atracando
 C          Am                   B7
Ilusão e quimera de alguém se salvando
 Bm                                       F#7
Eu que suporto e reclamo lhe afasto e me chamo
 G7+                               F#7
Eu a saída da entrada por baixo do pano
 C                                Em
Ser o excesso de brilho acaba ofuscando
 C              Am           B7
Mas o início da era acaba matando
 Bm                                  F#7
Sua presença destrói todos meus desenganos
 G7+                                    F#7
Minha ausência causou-lhe uma série de danos
 C                                    Em
Tento provar o contrário e adormeço errando
 C              Am                 B7
Amo somente um vazio e me acalmo danando

Gota de sangue

Ângela Rô-Rô
 G                D/F#      G7
Não tire da minha mão esse copo
                           E4/7    E7  C7+
Não pense em mim quando eu calo de dor
                   D7                   G  G7+
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
 G                   D/F#     G7
Não se perturbe nem fique à vontade
                    E4/7     E7   C7+
Tira do corpo essa roupa e maldade
                 D7                     G
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
                  D/F#     G7
Não é muito nem pouco eu diria
                       E4/7  E7  C7+
Não é pra rir mas nem sério seria
                  D7              D#
É só uma gota de sangue em forma verbal
 G        D/F#        G7       C/E
Deixa eu sentir muito além do ciúme
 Cm/Eb               D7
Deixa eu beber teu perfume
  G          D/F#         G7          C/E
Embriagar a razão, porque não volto atrás?
 Cm/Eb             D7         G
Quero você mais e mais que um dia
                   D/F#       G7
Não tire da minha boca esse beijo
                 E4/7      E7  C7+
Nunca confunda carinho e desejo
               D7             G7+
Beba comigo a gota de sangue final

Blues do arranco

Ângela Rô-Rô
A7
Arranco a roupa pra me sentir
         D7           A7
Bem a vontade pra te mentir
D7            E7     D7                E7
Sem o mínimo pudor fazer promessas de amor
 D7             E7    
Sem o mínimo respeito ao coração
     D7                  A7   F7 E7
que bate dentro do teu peito
             A7       D7   A7
Arranco os blues pra maltratar,
           D7       A7    D7
só pra te ver me cobiçar
                E7  D7                         E7    D7
Sem o mínimo escrúpulo, pois coração também é músculo
                E7
Sem a mínima vergonha
                           D7            A7   G7 D7
Eu ponho a fronha no teu rosto e vou me amar
           A7  D7        A7
Arranco a pele de bom carneiro
           D7            A7  D7
Caço meu lobo só pelo cheiro
                E7  D7                  E7  D7
Sem sequer compaixão vou te deixar sem ação
                 E7
Esse tipo de conquista vigarista
            D7     A7
É o que eu chamo vocação

Amor, meu grande amor


"Foi cantando por aí que saiu pela primeira vez meu nome no jornal”, afirma Ângela Ro Ro" (Ângela Maria Diniz Gonçalves) no release de seu disco de estréia. Realmente, a blueseira underground Ângela Ro Ro deu muita “canja” no Flag, Mikonos, 706 e outras casas noturnas do Rio, até ser convidada a gravar na PolyGram pelo produtor Paulinho Lima.

Chegou mesmo a cantar na Europa, mais precisamente na Inglaterra, onde viveu alguns anos, “andando de um lado para o outro” (as palavras são dela), levada por seu espírito hippie e teve que enfrentar vários empregos para sobreviver, a começar pelo de garçonete numa cantina de executivos.

Pois foi durante essa temporada internacional que ela começou a compor, de preferência em inglês, sendo dessa época várias canções do disco como “Amor, Meu Grande Amor”, que recebeu a seu pedido letra de Ana Terra: “Amor, meu grande amor / não chegue na hora marcada / (...) / que tudo que ofereço / é meu calor, meu endereço / a vida do teu filho desde / o fim até o começo...”

Com esse estilo fossa-romântico predominando no elepê, Ângela teve sucesso imediato (principalmente com “Amor, Meu Grande Amor”), embora se mostre ainda um tanto contida em suas interpretações. Seria até considerada “a sensação do ano” na música popular numa matéria publicada pelo Jornal do Brasil em dezembro de 79 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Amor, meu grande amor (1979) - Ângela Rô-Rô e Ana Terra

Intr.: A  E7/Ab  G  D
A          E7/Ab        G                    D
Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
A           E7/Ab               G    F        E7
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
A            E7/Ab     G                D
Me veja nos seus olhos na minha cara lavada
A             E7/Ab       G    F        E7 A  E7/Ab  G  D
Me sinta sem saber se sou fogo ou se sou água
A             E7/Ab    G                     D
Amor, meu grande amor, me chegue assim bem de repente
A            E7/Ab             G  F          E7
Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente
D                 E7            D           E7
Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
D             E7             D          E7
A vida do teu filho desde o fim até o começo
A             E7/Ab    G                     D
Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça
A            E7/Ab      G       F         E7
E quando me quiser que seja de qualquer maneira
A               E7/Ab    G                        D
Enquanto me tiver que eu seja a última e a primeira
A              E7/Ab                  G  F        E7
E quando eu te encontrar, meu grande amor, me reconheça
D                 E7            D           E7
Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
D             E7             D          E7
A vida do teu filho desde o fim até o começo 

Agito e uso

Ângela Rô-Rô
Intro: E F D G

C                   F
Sou uma moça sem recato
                   C            G
Desacato a autoridade e me dou mal
C                     F
Sou o que resta da cidade
                D          G
Respirando liberdade por igual
E                        F
Viro, reviro, quebro e tusso
 D                      G
Apronto até ficar bem russo
 C                  F
Meu medo pe minha coragem
                   C            G
De viver além da margem e não parar
C                         F
De dar bandeira a vida inteira
                  D         G
Segurando meu cabresto sem frear
 E                            F
Por dentro eu penso em quase tudo
 D                    G
Será que mudo ou não mudo
 D                  F
O mundo, bola tão pequena
                     C         G
Me dá pena mais um filho eu esperar
 C                          F
E o jeito que eu conduzo a vida
                    D      G
Não é tido como a forma popular
 E                    F
Mesmo sabendo que é abuso
 D                    G
Antes de ir, agito e uso

Ângela Rô-Rô


A cantora Ângela Rô-Rô (Ângela Maria Diniz Gonçalves) nasceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1949. Estudou piano erudito desde os cinco anos, e ainda na adolescência ganhou o apelido Ro Ro por causa da voz grave e rouca.

Começou a tocar profissionalmente em casas noturnas do bairro carioca de Ipanema, seguindo suas preferencias pessoais, que incluíam Maysa, Jacques Brel e Ella Fitzgerald.

Contratada em 1979 pela Polygram, gravou nesse ano seu primeiro disco, Ângela Ro Ro, com duas faixas que fizeram sucesso, Amor, meu grande amor e A mim e a mais ninguém.

De temperamento irreverente, como se nota em canções como Tola foi você, lançou discos esporadicamente. Seus êxitos de cantora e compositora incluem Tango da bronquite (1980), Escândalo (1981, de Caetano Veloso) e Fogueira (1983).

Em 1996, o Barão Vermelho regravou com grande sucesso Amor, meu grande amor e, no mesmo ano, a Polygram relançou em CD o LP de 1982, Simples carinho. Em 1997 saiu pela gravadora Eldorado o CD Prova de Amor, relançamento do LP de 1988.

Algumas músicas cifradas:

Agito e uso
Amor, meu grande amor
Balada da arrasada
Bárbara
Blues do arranco
Demais
Escândalo
Gota de sangue
Me acalmo danando
Não há cabeça
Simples carinho
Tola foi você


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

sábado, maio 05, 2007

Amelinha


Amelinha (Amélia Claudia Garcia Colares) nasceu em 21/7/1950. Deixou o Ceará em 1970 para estudar comunicação em São Paulo. A carreira de cantora começou de maneira amadora, participando de shows do amigo e conterrâneo Fagner.

Em 1974, decidida a seguir na música, passou a aparecer em programas de TV. No ano seguinte, fez uma temporada em Punta del Leste, acompanhando Toquinho e Vinícius de Moraes, quando o Poetinha compôs para ela Ah! Quem me Dera.

Ao lançar o disco Flor da Paisagem (1977), produzido por Fagner, começou a ser apontada como a revelação nordestina ou "a Gal Costa do Ceará". Com o segundo trabalho, Frevo mulher (1979), recebeu disco de ouro. Mas a consagração veio mesmo no ano seguinte, quando viu o Maracanãzinho acompanhá-la em Foi Deus quem fez você, durante o MPB-80, festival promovido pela Rede Globo.

A composição de Luiz Ramalho classificou-se em segundo lugar, vendeu mais de um milhão de compactos e foi a primeira música a alcançar o primeiro lugar entre as mais executadas tanto nas faixas de FM quanto de AM.

O tema de abertura da série Lampião e Maria Bonita (Rede Globo), Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor, fez Amelinha estourar novamente em 1982. O disco homônimo ficou mais de 30 semanas entre os 50 LPs mais vendidos do ano.

Em 1984, a cantora entrou em nova fase. Separada do marido Zé Ramalho, que produziu três dos seus primeiros cinco discos e compôs muitos de seus sucessos, ela entregou sua voz à produção de Mariozinho Rocha e ao acompanhamento instrumental do Roupa Nova, que imprimiu algo de pop em seu trabalho. Foi o início de uma remodelação que culminou com o show 1989, Saudades da Amélia, em que deixou os frevos e baiões de lado para um repertório com músicas de Tom Jobim, Caetano Veloso e Chico Buarque.

Após sete anos sem gravar, em 1994, aderiu ao forró, relembrando clássicos como Pisa na Fulô e A vida do viajante. Em 1999, fez uma turnê pelo país com inéditas de seu novo disco, Só com você, e sucessos como Foi Deus que fez você.

Fonte: CliqueMusic

Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes, compositor, nasceu no Rio de Janeiro, em 02 de agosto de 1946, no bairro do Estácio. Tinha 16 anos quando começou a compor e aos 17 anos aprendeu bateria, organizando um conjunto, o Rio Bossa Trio.

Com a inclusão de seu parceiro Sílvio Silva Júnior, que conhecera em Paquetá, em 1965, passou a se chamar GB-4. Nessa época atuou em diversos shows, como baterista do Teatro Azul. Em 1966 ingressou na faculdade de Medicina e Cirurgia, onde se especializou em psiquiatria.

Em 1968 sua composição A Noite, a maré e o amor (com Sílvio Silva Júnior) foi uma das classificadas no III FIC (Festival Internacional da Canção), da TV Globo. No II Festival Universitário de Música Popular Brasileira, no Rio de Janeiro, em 1969, conseguiu classificar três músicas: Nada sei de eterno (com Sílvio Silva Júnior), interpretada por Taiguara, Mirante (com César Costa Filho), interpretada por Maria Creuza, e De esquina em esquina (com César Costa Filho), interpretada por Clara Nunes.

No V FIC, em 1970, classificou Diva (com César Costa Filho) e, no mesmo ano, sua composição, em parceria com Sílvio Silva Júnior, Amigo é pra essas coisas, participou do III Festival Universitário de Música Popular Brasileira. Nessa época, com César Costa Filho e Ivan Lins, integrou o Movimento dos Artistas Universitários (MAU), que pretendia maior divulgação da música, independente da existência de festivais.

Ainda em 1970, através de um amigo, conheceu João Bosco, jovem compositor mineiro, estudante de engenharia em Ouro Preto MG, que começou a enviar-lhe fitas com suas composições para que colocasse letra.

Em 1972 lançaram sua primeira composição gravada, Agnus sei, interpretada e acompanhada ao violão por João Bosco, no primeiro Disco de Bolso, do semanário O Pasquim. Nesse mesmo ano, em LP da Phillips, Elis Regina gravou Bala com bala, primeiro sucesso da dupla.

Em 1973, a RCA Victor lançou um LP em que João Bosco interpreta composições de ambos, como Agnus sei, Bala com bala e Cabaré.

Foi um dos fundadores da SOMBRAS (Sociedade Musical Brasileira), entidade destinada a defender os compositores e os direitos autorais, e da Saci, Sociedade do Artista e Compositor Independente.

Em 1974, Elis Regina lançou outro LP pela Phillips incluindo novas composições da dupla: O mestre-sala dos mares, Dois pra lá, dois pra cá e Caça à raposa.

Em 1975, saiu pela RCA o LP Caça à raposa, de João Bosco, com De frente pro crime, Kid Cavaquinho, e outras, além daquelas lançadas por Elis Regina em 1974.

Em 1983 rompeu a parceria com Bosco. Com sua criatividade, riqueza e fluidez verbal, nem sempre é fácil encontrar um compositor que se adeqüe à poesia de Aldir. Teve vários outros parceiros, sendo os mais constantes Moacir Luz e Guinga.

Leila Pinheiro gravou em 1996 o disco Catavento e Girassol, exclusivamente com composições da dupla Guinga/Aldir Blanc. Com Moacir Luz e P.C. Pinheiro compôs Saudades da Guanabara. Maurício Tapajós é o parceiro de Querelas do Brasil. Com Guinga, além de Catavento e Girassol, escreveu Baião de Lacan, Canibaile, Chá de panela, O Coco do coco e outras. Aldir é também cronista, e escreve colunas no jornal carioca O Dia.

Em 1996 foi lançado o disco comemorativo Aldir Blanc - 50 Anos, com diversas participações especiais. Também foi encenado em 1999 o musical Aldir Blanc, Um Cara Bacana, escrito por Cláudio Tovar.

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

Não deixe o samba morrer


O sucesso de Clara Nunes, vendendo dezenas de milhares de discos em 1973, chamou a atenção das gravadoras para a possibilidade de vozes femininas serem capazes de lhes render bons lucros. Daí a oportunidade oferecida a cantoras como Alcione, que ganharia as paradas de sucesso no início de 76 com “Não Deixe o Samba Morrer”, faixa de seu primeiro elepê, A voz do samba, lançado no final de 75.

De autoria de Edson Gomes da Conceição e Aloísio Silva, dois modestos compositores baianos radicados em São Paulo, este samba e “Etelvina Minha Nega” (de João Carlos, pai de Alcione) foram as únicas músicas do disco escolhidas pela cantora, sendo as demais incluídas pelos produtores Roberto Menescal e Roberto Santana.

“Não Deixe o Samba Morrer” é um belo samba, que impressiona pela qualidade da melodia e cujo tema é anunciado no título (“Não deixe o samba morrer / não deixe o samba acabar! o morro foi feito de samba / de samba pra gente sambar”). Com o sucesso, Alcione, que é também trompetista, estaria em breve sendo convidada para apresentar o programa “Alerta Geral”, da TV Globo (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Não deixe o samba morrer (1976) - Edson Conceição e Aloísio

  Bm            B7                   Em  Em/D
Quando eu não puder pisar mais na avenida
C#m7/5b           F#7                Bm
Quando as minhas pernas não puderem aguentar
Em   A              D7+
Levar meu corpo junto com meu samba
G7+            C#m7/5b         F#7          Bm
O meu anel de bamba entrego a quem mereça usar (2x)
         Em     A                D7+      
Eu vou ficar no meio do povo espiando
F#m7/5b        B7          Em
Minha escola perdendo ou ganhando
A           D7+  F#m7/5b  B7
Mais um carnaval
: Em              A
:Antes de me despedir
: D7+                   Bm
:Deixo ao sambista mais novo
:G         F#7   Bm   B7 (F#7)
: O meu pedido final     (2x) 
Refrão
Bm          B7       Em Em/D
Não deixe o samba morrer
C#m7/5b     F#7      Bm
Não deixe o samba acabar
C#m7/5b
O morro foi feito de samba
F#7               Bm
De samba pra gente sambar (2x)

Meu Ébano

Alcione
Tom: Gm
Gm7                              Cm7
É você é um negão de tirar o chapéu
F7
Não posso dar mole se não você ... creu
Me ganha na manha e babau,
Bb7M      Am7(b5) D7(b9/b13)
Leva meu coração.
Gm7                           Cm7
É, você é um Ébano lábios de mel
F7
Um príncipe negro, feito a pincel
Bb7M 
É só melanina cheirando a paixão.
 Cm7              F7             Bb7M
É, será que eu cai na sua rede ainda não sei
Eb7M(9)              Am7(b5)                    
Sei não, mas to achando que já dancei
D7(b9/b13)         Gm7   Dm7(b5) G7(b9)
Na tentação da sua cor
 Cm7                    F7              Bb7M
Pois é, me pego toda hora querendo te ver
Eb7M(9)             Am7(b5)            
Olhando pras estrelas pensando em você
D7(b9)               G Bm C/E D/F#
Negão eu to com medo que isso seja amor.
 G                      G7M                G6
Moleque levado, sabor de pecado, menino danado
G7M               Em7         Am7
Fiquei balançada, confesso, quase perco a fala
D7               G   D/F#
Com seu jeito de me cortejar
Bm        C/E   D/F#
Que nem mestre-sala.
 G                           G7M
Meu preto retido, malandro distinto
G6
Será que é instinto.
G7M         Em7           Am7        
Mas quando te vejo enfeito meu beijo, retoco o baton
D7                    Am7
A sensualidade da raça é um dom
D7                G   D7   (b9/b13) Gm7(9)
É você, meu ébano é tudo de bom!!!

fim Eb7M(9) D7


Garoto maroto

Alcione
Tom: Em / E
Intro:  Am7 D7 G7+ Em7 Am7 B7 Em7 E7
Am7 D7                 G7+  Em7
Você faz de conta que quer o meu perdão
Am7  B7         Em7
Mas depois apronta no meu coração
Am7  D7         G7+   Em7
Desarruma tudo, fazendo arruaça
Am               B7
Me põe quase louca de tanta pirraça
Em7                 B7
Com os carinhos que dá sem favor
Am    D7         G7+   Em7
Tira meu escudo, me põe indefesa
Am7            B7                 Em7
Me deixa acesa com água na boca, carente de amor
E            E7+                F#m7  F#m7/E
Garoto maroto, travesso no jeito de amar
A                   B7                  E       B7
Faz de mim, seu pequeno brinquedo, querendo brincar, garoto
E                   E7+              F#m7   F#m7/E
Vem amor, vem mostrar o caminho da doce ilusão
A              B7                E        ( B7 )
Só você pode ser a criança do meu coração

Figa de Guiné

Alcione

Figa de Guiné - Reginaldo Bessa e Nei Lopes
Dm               Dm7                     Gm
Quem me vinga da mandinga é a figa de guiné
                 Bbdim                   Dm11  
mas o de fé do meu axé não vou dizer quem é
      Dm              Gm
Sou da fé, cabeça feita
 Bb9   A7
Axê, axé
     Bbdim        Dm
No peji do candomblé
A5+     Dm
Axê ,, axé
          Dm              Gm
quem não pode com a mandinga
D#7    A7
Axê, axé
       Gm         Dm
não batuca o opanijé
Dm                   Dm7                Gm
Quem me vinga da mandinga é a figa de guiné
                  Bbdim                 Dm11      
mas o de fé do meu axé não vou dizer quem é
      Dm             Gm
Onda forte não derruba
 Bb9  A7
axê, axé
      Bbdim          Dm
nem machuca quem tem fé
A5+     Dm
axê, axé
       Dm             Gm
Vou nas águas do meu santo
D#7    A7
axê, axé
      Gm          Dm
na enchente da maré
Dm                Dm7                   Gm
Quem me vinga da mandinga é a figa de guiné
                    Bbdim                Dm11          
mas o de fé do meu axé não vou dizer quem é
     Dm        Gm
Da Bahia me mandaram
Bb9    A7
axê, axé
      Bbdim      Dm
minha figa de guiné
D#7   A7
axê, axé
       Dm            Gm
com as bençãos  de Caymmi
D#7    A7
axê, axé
Gm               Dm
Jorge Amado e Caribé

Pandeiro é meu nome

Alcione

Pandeiro é meu nome - Chico da Silva e Venâncio

Introdução: Gm7 C7/9 F7/9 Bb7/13 Em5-/7 
                 A5+/7 Dm7/9 Bb7/13 A5+/7

Dm7/9               F7/9
Falaram que meu companheiro
Bb7/13
Meu amigo surdo parece absurdo
Em5-/7
Apanha por tudo
A5+/7
Ninguém canta samba
Dm7/9 A5+/7
Sem ele apanhar
Dm7/9                     F7/9
Não ouviram que seu companheiro 
Bb7/13 
Amigo pandeiro
Em5-/7
Também tira coco do mesmo coqueiro
A5+/7     Dm7/9 D7/9-
Apanha sorrindo pra povo cantar
Gm7
Pandeiro
G#°               Dm 
Não é absurdo mas é o meu nome
Bb7+            Em5-/7
Não me chamo surdo mas aguento fome
A5+/7               D7/9-
Pandeiro não come mas pode apanhar
Gm7                                 Dm
Ao povo que vibra na força do som brasileiro 

A7
Não é só o surdo nem só o pandeiro
D7/9-
Tem uma família tocando legal
Gm7                                  Dm
Você cantando, tocando e batendo na gente
A7
Passando por tudo tão indiferente
Dm
Não conhece a dor do instrumental
D7/9- Gm7  C7/9     F7/9
Batuqueiro ê,batuqueiro
Bb7/13     Em5-/7      A5+/7      (Am5-/7) (Dm7/9 Bb7/13 A5+/7)
Cantando samba pode bater no pandeiro (2x)

Gostoso veneno

Alcione

Gostoso veneno (1979) - Wilson Moreira e Nei Lopes
Tom: Bm
Intr.: Em A7 D G C F#  B7 Em A 7 D G C F# Bm
 
G F# Bm           A
Este amor me envenena
 G              Em            Bm
Mas todo amor sempre vale a pena
                           C#7
Desfalecer de prazer, morrer de dor
      F#                     Bm
Tanto faz, eu quero é mais amor
 A                         D 
A água da fonte bebida na palma da mão
C#m        F#               Bm       B7
Rosa se abrindo, se despetalando no chão
Em        A7    D      G
Quem não viu e nem provou
 C    F#     B7
Não viveu, nunca amou
Em           F#                  Bm
Se a vida é curta e o mundo é pequeno
       G                  C
Vou vivendo morrendo de amor
   F#     Bm
Gostoso veneno 

sexta-feira, maio 04, 2007

Alcione


Alcione (Alcione Nazaré) nasceu em São Luís, MA, em 21 de novembro de 1947. O pai, João Carlos Dias Nazareth, foi mestre de banda da Polícia Militar de São Luís do Maranhão e professor de música. Foi ele quem lhe ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o clarinete, que começou a estudar aos 13 anos. Com essa idade, tocava e cantava em festas de amigos e familiares.

Sua primeira apresentação foi aos 12 anos, na Orquestra Jazz Guarani, da qual seu pai era integrante. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco, sendo substituído pela menina, que, mais tarde, ficou conhecida como "Marrom". Na ocasião cantou com sucesso a música Palma branca e o fado Ai, Mouraria.

Formou-se como professora primária e continuou a se dedicar à música, tendo apresentando-se na TV do Maranhão, nos anos de 1965 e 1966.

Em 1968 mudou-se para o Rio de Janeiro indo trabalhar em uma loja de discos. Começou cantando na noite, levada pelo cantor Everardo, que ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana.

Destacou-se ao vencer as duas primeiras eliminatórias do programa A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti. Nessa mesma época, assinou o primeiro contrato profissional com a TV Excelsior, apresentando-se no programa Sendas do Sucesso.

Depois de seis meses nessa emissora, realizou uma turnê de quatro meses pela América Latina. Em 1970, viajou também à Europa, onde ficou por dois anos, principalmente na Itália. Nessa época, costumava apresentar-se com o cantor Emílio Santiago, na boate "Preto 22", de Flávio Cavalcanti, em Ipanema, Rio de Janeiro.

Em meados dos anos 70, foi para São Paulo apresentar-se no "Blow-up", onde conheceu o cantor Jair Rodrigues, que a levou para a gravadora PolyGram, na qual no ano de 1972 gravou o primeiro compacto simples, no qual constavam Figa de Guiné (Reginaldo Bessa e Nei Lopes) e O sonho acabou.


Algumas músicas cifradas:

Figa de Guiné
Garoto maroto
Gostoso veneno
Ilha de Maré
Meu Ébano
Morte de um poeta
Não deixe o samba morrer
O surdo
Pandeiro é meu nome
Sufoco

Veja também:

14 Bis
Agepê
Belchior
Benito Di Paula
Beth Carvalho
Caetano Veloso
Cazuza
Chico Buarque
Clara Nunes
Djavan
Elis Regina
Fagner
Gal Costa
Gilberto Gil
Gonzaguinha
Joanna
João Bosco
Legião Urbana
Mamonas Assassinas
Maria Bethânia
Maria Creuza
Martinho da Vila
Milton Nascimento
Moraes Moreira
Oswaldo Montenegro
Paulinho da Viola
Raul Seixas
Rita Lee
Roberto Carlos
Secos e Molhados
Toquinho
Zé Ramalho


Fonte: Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira

terça-feira, maio 01, 2007

Clareana

Clareana (1980) - Joyce
Tom: C
  

Intro: C G Bb F G D F F/G

C              Em
Um coração de mel, de melão
   Am
De sim e de não
   F          F/G
É feito um bichinho
    C
No sol de manhã
  Em
Novelo de lã
     Am
No ventre da mãe
     F    Bb7/9    C G  Bb F
Bate o coração de Clara, Ana
   G    D    G  F
E quem mais chegar
C G   Bb F    G D  G F
Água, terra, fogo e ar

Sérgio Reis

Sérgio Reis (Sérgio Basini), cantor e compositor, nasceu em São Paulo-SP em 23/6/1940. Desde criança gostava de cantar, mas somente em 1958 se apresentou pela primeira vez em público, no programa Enzo de Almeida Passos, transmitido pela Rádio Bandeirantes, das principais ruas da cidade. Três anos mais tarde, gravou seu primeiro disco, pela Chantecler, Lana (de Roy Orbison, versão de Carlos Alberto Lopes). 

Foi na época da Jovem Guarda, liderada por Roberto Carlos, que se firmou junto ao público. Conquistou então grande êxito, em 1967, com a gravação de Coração de papel (de sua autoria), lançada pela Odeon, mesma gravadora que lançou Anjo triste, em 1968. 

Contratado em 1969 pela RCA, ali gravou vários discos, obtendo em 1972 expressivo sucesso com O menino da gaita (versão de sua autoria sobre composição de Fernando Arbex). No ano seguinte, lançou, pela mesma gravadora, o LP Sérgio Reis, em que foi incluído O menino da porteira (Teddy Vieira e Luisinho), e gravou Eu sei que vai chegar a hora (de sua autoria), grande sucesso no México, Argentina e Peru. 

Em 1974 lançou ainda pela RCA outro LP, João-de-barro, destacando-se a música - titulo (Teddy Vieira e Muíbo Cury). A partir dai, passou a dedicar-se à pesquisa da musica sertaneja, resultando o LP, lançado pela RCA, em 1975, Saudade da minha terra, em que foram reunidos famosos clássicos do gênero, incluindo a faixa - título (Goiá e Belmonte), Coração de luto (Teixeirinha), Mágoa de boiadeiro (Nonô Basílio e Índio Vago), Pingo d'água (Raul Torres e João Pacífico) e Chalana (Mário Zan e Arlindo Pinto).
Em 1972 tornou-se o primeiro artista sertanejo a tocar em uma emissora FM. Atuou no filme O menino da porteira, de Jeremias Moreira Filho, grande sucesso de público, em 1976. Nesse mesmo ano lançou o LP Retrato do meu sertão (RCA). Em 1977 lançou a trilha sonora do filme O menino da porteira e a coletânea Disco de ouro (RCA). No ano seguinte, lançou, pela RCA, Natureza

Em 1979 estrelou Outro grande sucesso de bilheteria, Mágoa de boiadeiro, de Venceslau M. Silva, e lançou o disco Bandeira do Divino (RCA). Gravou em 1980 Lobo da estrada (RCA), e em seguida transferiu-se para a Som Livre, lançando, no ano seguinte, Boiadeiro errante e Magoa de boiadeiro, que incluía o sucesso Filho adotivo (Artur Moreira e Sebastião E. da Silva). 

Em 1982 participou da novela Paraíso, da TV Globo, interpretando o mesmo papel que interpretava no cinema, o de peão-violeiro. Ainda em 1982, lançou a coletânea O melhor de Sérgio Reis (Som Livre), e retornou para a RCA, lançando a coletânea Os grandes sucessos e o disco inédito A sanfona do menino.
Seu terceiro filme foi Filho adotivo, de Deni Cavalcanti, de 1983, ano em que lançou o disco Panela velha e a coletânea Sérgio Reis — Talento, ambos pela RCA. Por esta mesma gravadora lançou ainda Adeus Mariana (1984), É disso que o velho gosta (1985), Filho adotivo (1986), Pinga ni mim (1987) e Viajante solitário (1988). 

Em 1990 voltou a atuar em mais uma novela, Pantanal (TV Manchete), formando dupla com Almir Sater, com quem compôs em 1980 o sucesso Peão de boiadeiro. Ainda em 1990, aproveitando o sucesso da novela, lançou o disco Pantaneiro (RCA). 

Em 1991 saiu o disco Toda vez que a gente encontra um novo amor (RCA) e, no ano seguinte, transferiu-se para a Continental, lançando Casamento é uma gaiola. Dois anos depois voltou a lançar pela RCA: Vento uivante e Acervo especial (coletânea). 

Em 1995 lançou novo disco pela Continental, Marcando estrada, e participou do disco comemorativo 30 anos de Jovem Guarda (Polygram). No ano seguinte, participou de outro disco em homenagem aos 30 anos da Jovem Guarda: Os originais — Jovem Guarda 67 (Odeon). Ainda em 1996, voltou a participar de outra novela de sucesso ao lado de Almir Sater, O rei do gado, da TV Globo. Aproveitando o grande êxito da novela, lançou pela RCA Boiadeiro (Rei do gado) e, pela Som Livre, Rei do gado II — Pirilampo e Saracura

Em 1997 estreou o programa dominical Sérgio Reis do Tamanho do Brasil, na TV Manchete, no Rio de Janeiro. Até então, havia gravado mais de 40 discos e conquistado mais de 20 discos de ouro, oito de platina, um de platina dupla e um de diamante. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Coração de papel

Magoado por haver brigado com a namorada Ruth, Sérgio Reis dedilhava o violão, enquanto aguardava o almoço, preparado por dona Clara, sua mãe. Como estava demorando, resolveu escrever uma letra, mas logo desistiu da tarefa e, ao jogar fora o papel, comentou para dona Clara: “meu coração está amassado como aquela bola de papel.” De repente, percebendo que a imagem poderia funcionar como motivo para uma canção, retomou o violão e compôs em poucos minutos “Coração de Papel”, terminando-a antes mesmo do almoço ficar pronto.

Dias depois, vindo à sua casa o produtor Tony Campello, em busca de repertório para a dupla Deny e Dino, gostou tanto da composição que acabou sugerindo uma fita demo com o próprio Sérgio, o mais indicado para cantar sua pungente melodia: “Se você pensa que meu coração é de papel / não vá pensando pois não é / ele é igualzinho ao seu / e sofre como eu / por que fazer chorar assim / a quem lhe ama...”

Aprovada por Milton Miranda, diretor da Odeon, “Coração de Papel” foi gravada por Sérgio num compacto duplo, acompanhado pela orquestra de Peruzzi, com o reforço vocal dos Fevers, Golden Boys e Trio Esperança. Apesar de bem executada nas rádios, a composição recebeu um impulso definitivo do Chacrinha, que durante oito semanas ofereceu um prêmio de mil cruzeiros novos ao calouro que melhor a interpretasse.

Com isso deslanchou o sucesso de “Coração de Papel” no Rio de Janeiro, suplantando nas paradas suas maiores rivais, “O Bom Rapaz”, com Wanderley Cardoso, e “Meu Grito”, com Agnaldo Timóteo. Em tempo: teve um happy end o romance de Sérgio e Ruth, com o casamento dos dois (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).



Coração de papel (canção, 1967) - Sérgio Reis
F                     Am
se você pensa que meu coração   é de papel
D7                     Gm
não vá pensando pois não é
A#
êle é igualzinho ao seu
A#m                 F          Dm
e sofre como eu      porque fazer
A#            C
sofrer assim a quem lhe ama
F                    Am
se você pensa em fazer   chorar a quem lhe quer
D7                     Gm
a quem só pensa em você
A#
um dia sentirá
A#m                      F            Dm
que amar é bom demais     não jogue amor ao léu
A#      C7          F
meu coração que não é de papel
F7 G# A A#        C7
porque fazer chorar
A#         C7
porque fazer sofrer
A#       C7              F
um coração que só lhe quer
F7 G# A A#
o amor é lindo eu sei
BIS            A#m
e todo eu lhe dei
F           Dm
você não quis
A#
jogou ao léu
C7            F
meu coração que não é de papel
Am     A#
não é   ah ah
C7            F
meu coração que não é de papel