segunda-feira, maio 07, 2007

Tropicalismo

Tropicalismo - Movimento cultural do fim da década de 60 que, usando deboche, irreverência e improvisação, revoluciona a música popular brasileira, até então dominada pela estética da bossa nova.

Liderado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil, o tropicalismo usa as idéias do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade para aproveitar elementos estrangeiros que entram no país e, por meio de sua fusão com a cultura brasileira, criar um novo produto artístico. Também se baseia na contracultura, usando valores diferentes dos aceitos pela cultura dominante, incluindo referências consideradas cafonas, ultrapassadas ou subdesenvolvidas.

O movimento é lançado com a apresentação das músicas Alegria, alegria, de Caetano, e Domingo no parque, de Gil, no Festival de MPB da TV Record em 1967. Acompanhadas por guitarras elétricas, as canções causam polêmica em uma classe média universitária nacionalista, contrária às influências estrangeiras nas artes brasileiras.

O disco Tropicália ou Panis et Circensis (1968), manifesto do movimento, vai da estética brega do tango-dramalhão Coração materno, de Vicente Celestino (1894-1968), à influência dos Beatles e do rock em Panis et Circences, cantada por Os Mutantes. O refinamento da bossa nova está presente nos arranjos de Rogério Duprat (1932-), nos vocais de Caetano e na presença de Nara Leão (1942-1989).

O tropicalismo manifesta-se, ainda, em outras artes, como na escultura Tropicália (1965), do artista plástico Hélio Oiticica, e na encenação da peça O Rei da Vela (1967), do diretor José Celso Martinez Corrêa (1937-).

O movimento acaba com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Caetano e Gil são presos e, depois, exilam-se na Inglaterra. Em 1997, quando se comemoram os 30 anos do tropicalismo, são lançados dois livros que contam a história do movimento: Verdade Tropical, de Caetano Veloso, e Tropicália - A História de uma Revolução Musical, do jornalista Carlos Calado.

Fonte: Tropicália

Dercy Gonçalves


A imagem de Dercy Gonçalves, já uma senhora, mas ainda muito bonita em seu maiô rebordado de strass, as imensas plumas coloridas de avestruz na cabeça e na cauda, liderando — vedete absoluta, como mandava o figurino — o elenco reluzente da Companhia Dercy Gonçalves, era a da grande estrela, em seu elemento, o palco.

Meados dos anos 50, o teatro era o desaparecido Santana, na rua 24 de Maio, em São Paulo. Só ver Dercy encerrar o espetáculo cantando o samba Até amanhã de Noel Rosa, secundada por atores, atrizes, lindas mulheres, todos entregando-se ao ritmo brasileiro que, então, dominava por completo o teatro de revista, valia o ingresso.

Boa cantora, bela figura, desenvolta e com jeito brasileiro em cena, logo se tornou caricata e intérprete de sambas, desde que chamou a atenção da crítica, na revista Rumo A Berlim, de Freire Júnior e Walter Pinto, em 1942, no Teatro Recreio.

Cresceu tanto que, em 1944, já imitava ninguém menos que Araci Cortes, a rainha da revista, em Barca da Cantareira, de Luiz Peixoto e Custódio Mesquita. Cantando samba, naturalmente. Como sempre o faria, no decorrer dos 30 anos em que foi das vedetes mais aplaudidas do país.

Filha de alfaiate e neta de coveiro, Dolores Gonçalves Costa (nascida a 23 de junho de 1907), ficou sem a mãe muito cedo. A lavadeira Margarida descobriu que o marido tinha uma amante. Ofendida e humilhada arrumou as trouxas e foi para o Rio de Janeiro, largando os sete filhos para que o infiel tomasse conta. Vitória, a amante de seu Manoel, passou a freqüentar a casa. "Ficavam namorando na sala, de mãos dadas. Mas papai nunca assumiu o romance. A certa altura da noite, ela ia embora."

Dercy, bilheteira de cinema, escandalizava a cidade ao pintar o rosto como as atrizes dos filmes mudos. Dançava para alegrar os hóspedes do Hotel dos Viajantes em troca de um prato de comida. Na missa, de vestido de chita, cantava de pé num banquinho abraçada à imagem de Jesus. Aí se apaixonou por Luís Pontes, um rapaz de bons modos. "Foi a primeira pessoa que me deu carinho. Mas a família dele proibiu o namoro." Quando encontrou a companhia de teatro mambembe, Dercy tinha todas as razões do mundo para fugir de casa.

Em Conceição de Macabu (RJ), passou a ser assediada pelo cantor Eugenio Pascoal. "Não sabia que eu era moça, não tinha virado mulher." Só tomou coragem para se entregar quando a turnê chegou a Leopoldina (RJ), duas semanas depois. Gentil, Pascoal saiu do quarto para que ela colocasse a camisola feita de saco de arroz. Tinha até inscrito no peito: "Indústria Brasileira de Arroz Agulhinha, arroz de primeira." Os carinhos preliminares não a incomodaram, mas quando ele a penetrou Dercy deu um pulo. Viu que estava sangrando e imaginou-se ferida. "Sentei o pé nele e saí porta afora. Socorro! Esse homem me furou! Imaginei que tinha enfiado um facão e rasgado minhas tripas."

Nunca mais houve clima para romance, mas eles se tornaram grandes amigos, até Pascoal morrer, tuberculoso. Pior: contagiou Dercy. Foi quando ela encontrou Ademar Martins, exportador de café mineiro, casado, muito católico. Levou-a para um sanatório perto de Juiz de Fora, aparecia uma vez por semana para vê-la e pagar a conta. Depois, instalou Dercy num hotel na praça Tiradentes, no Rio. Só então transaram pela primeira vez. Nasceu Dercimar, a única filha de Dercy. "Teve aulas de boas maneiras, aprendeu francês e casou com um quatrocentão da Tijuca. É uma dama na expressão da palavra", deleita-se Dercy.

Estrela das comédias da praça Tiradentes e das revistas musicais do Cassino da Urca, fez do palavrão cavalo de batalha. "Sou um retrato do País, que é a própria escrotidão", dispara. Ao imitar os trejeitos de Carmen Miranda, coçava o corpo todo. Ironizava o caminhar manco de Orlando Silva e fazia troça do vozeirão de Vicente Celestino.

Fez 36 filmes e, a partir de 1957, entrou também na televisão. Nos anos 60, Consultório sentimental, na TV Globo, uma espécie de talk-show primitivo ela esculhambava o convidado, chegou a ter 90% da audiência dos aparelhos ligados.

"Sou uma escola de irreverência." Dercy chega aos 92 anos sozinha. Casou na década de 40 com o jornalista Danilo Bastos, dez anos mais jovem. "Não era amor, e sim troca." Teve um caso tórrido com o acrobata Vico Tadei, mas amor verdadeiro, de chorar, só o Luís Pontes, o rapaz de bons modos de Madalena. "Escrevia cartas e as lágrimas caíam no papel. Mas o tempo passou e eu esqueci Luís Pontes. Ai de nós se não houvesse o esquecimento."

Fontes: Isto É - 0 Brasileiro do Século; História do Samba - Editora Globo.

Leny Andrade


Leny Andrade (Leny de Andrade Lima), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 25/1/1943. Aos nove anos de idade apresentou-se no Clube do Guri, programa da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e mais tarde cantou nos programas Silveira Lima e César de Alencar.

Em 1961, estreou na boate Bacará e em seguida no Bottle’s Bar. Em 1962, foi crooner da orquestra de Dick Farney, em São Paulo.

Em 1966 estabeleceu-se no México, onde permaneceu durante cinco anos, e se exibiu inúmeras vezes com o cantor Pery Ribeiro. Voltou a gravar no Brasil somente depois de 1971.

Entre seus LPs de maior sucesso estão A sensação Leny Andrade e A arte maior de Leny Andrade, o primeiro lançado pela RCA Victor e o segundo pela Polydor.

CDs: Luz neon, 1989, Eldorado 584027; Cartola, 1994, Velas 11V-002; Luz negra — Nelson Cavaquinho por Leny Andrade, 1994, Velas 11-V062.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Surdo e Tamborim: como surgiram


Desde molequinho, Bide batia tamborim e pensava que era seu inventor. Mas de surdo, ele tinha certeza: de uma grande lata de manteiga, dois aros e um couro esticado, o sambista construiu a alma das escolas de samba.

Ismael Silva desenhava um retângulo e explicava ao compositor Hermínio Bello de Carvalho: “Pois bem, aqui está a escola de samba. Milhões de pessoas. Um solista. Quando o samba entra na segunda parte, entra o solista. Pois bem, como é que, naquela confusão toda, o pessoal vai saber quando deve atacar a primeira parte novamente? Aí entra o ‘surdo’, que dá aquelas duas porradas fortes e o pessoal entra maçico. certinho”.

Fica então clara a importância do surdo. Tamborins, latas de manteiga, cuícas e pandeiros compunham a bateria da Deixa Falar, em sua estréia. Faltava um instrumento de marcação que comandasse a escola e fosse ouvido por todos os componentes.

Alcebíades Barcelos, Bide, que já tocava seu tamborim desde menino e que trouxera o instrumento para a escola, observando o som das grandes latas de manteiga usadas na percussão, resolveu melhorá-las. Comprou dois aros, fixou um por dentro, outro por fora, segurando o couro com tachas ao redor e pronto.

A Deixa Falar entrou na praça Onze falando mais alto. Todos adotaram a novidade, creditando a Bide a invenção do “surdo”. Quanto ao tamborim, Bide dizia: “Esse não tenho certeza se inventei. Mas o que me lembro é que, desde molequinho, já fazia, encourava e tocava na rua, sem bloco, sem nada, as pessoas querendo saber que instrumento era aquele”.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

Arrigo Barnabé

Arrigo Barnabé nasceu em Londrina, PR, em 14 de Setembro de 1951. Em São Paulo, cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (1971 a 1973) e a Escola de Comunicações e Artes (1974 a 1979), onde fez o curso de composição, no Departamento de Musica. Ainda na década de 1970, participou do Festival Universitário da TV Cultura com a musica Diversões eletrônicas. Lançou seu primeiro LP, Clara Crocodilo, em 1980.

Excursionou pelo Brasil em 1983, ano em que compôs a Saga de Clara Crocodilo para a Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de São Paulo e grupo de rock. Ainda em 1983, recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Gramado RS pela musica do filme Janete, de Chico Botelho. No ano seguinte, obteve reconhecimento internacional com seu segundo disco, Tubarões voadores (selo Barclay), eleito pela revista francesa Jazz Hot como um dos melhores do mundo.

Em 1985 foi premiado no Riocine Festival pela música do filme Estrela nua, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins. Um ano depois, a APETESP deu-lhe o prêmio de melhor composição para teatro, pela musica de Santa Joana. No mesmo ano, lançou o LP Cidade oculta e recebeu prêmio de melhor trilha sonora no Riocine Festival, pela musica do filme Cidade oculta, de Chico Botelho. Dois anos depois, no Festival de Cinema de Brasília DF, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora, pelo filme Vera, de Sérgio Toledo.

No Festival de Cinema de Curitiba PR de 1988, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora pela musica do filme Lua cheia, de Alain Fresnot. Com Itamar Assumpção, participou de shows por todo o Brasil, em 1991. No ano seguinte, lançou o CD Façanhas.

Em 1993 apresentou-se no Podenville, em Berlim, Alemanha. Sua peça Nunca conheci quem tivesse levado porrada, para a Orquestra Jazz Sinfônica, banda de rock e quarteto de cordas, teve apresentação no Memorial da América Latina, em São Paulo, em 1994.

Em 1995 participou do Primeiro Festival de Jazz e Música Latino-Americana, em Córdoba, Argentina. No Teatro Municipal, de São Paulo, apresentou sua peça Música para dois pianos, percussão, quarteto de cordas e banda de rock. Trabalhou então com um grupo heterodoxo: um quinteto de percussão (do qual fazia parte), um quarteto de cordas de São Paulo e a Patife Band, de rock pesado, liderada por Paulo Barnabé, seu irmão.

Apresentou-se em 1996 no Teatro Rival, na série Encontros Notáveis, em duo de pianos com Paulo Braga. No mesmo ano, dividiu com Tetê Espíndola um show no Centro Cultural São Paulo.

Com trabalho singular na música brasileira, tem composições de características que vão do dodecafonismo a atonalidade. Sempre na fronteira entre o erudito contemporâneo e o popular, na década de 1990 escreveu quartetos de cordas e peças para a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo.

Em 1997, depois de quatro anos sem gravar, lançou o CD Ed Mort, do selo Rob Digital, trilha sonora do filme de mesmo nome, dirigido por Alain Fresnot.

Fonte: Enciclopédia da Música Popular - Art Editora e PubliFolha.

Tola foi você

Ângela Rô-Rô

Intro: E7+ A7+ G#m C#m F#m B7 E7+ A/B

E7+            A7+
Tola foi você ao me abandonar
     G#m          C#m
Desprezando tanto amor que eu tinha a dar
 F#m              B7
Agora veja bem, o mal é vai e vem
      E7+  A/B
Só esperar
  E7+          A7+
E se eu mudei devo à você
 G#m                C#m
Todo desamor que a vida me ensinou
  F#m                B7
Coração aberto, felicidade perto
     E7+     D/E E7
Sou toda amor

  A7+                         E7+
Agradeço tanto, agradeço por você
             D/E        E7
Não ser do jeito que eu sou
 A7+                          E7+
Agradeço tanto, agradeço por você
            A/B
Não ter me dado seu amor...

Simples carinho


Ao contrário dos boleros e canções latino-americanas, seus equivalentes brasileiros, com exceções, naturalmente, são menos carregados de dramaticidade e auto-comiseração. Um exemplo disso é a composição “Simples Carinho”: “Amar ou sofrer, eu vou te dizer, mas vou duvidar / querendo ou não, o meu coração já quer se entregar / não falta lembrança, aviso, cobrança / você vai por mim / mas feito criança, lá vou na esperança, eu sou mesmo assim...”

Com uma cativante melodia de João Donato, complementada ao pé do piano por Abel Silva, em uma de suas primeiras experiências de fazer letra ao mesmo tempo em que a música é composta, “Simples Carinho” reposicionou o repertório de sua intérprete original, Ângela Rô-Rô. Como foi visto, esta ex-roqueira que fôra considerada, precipitadamente, uma sucessora de Maysa, havia se projetado quatro anos antes com uma canção, “Amor, Meu Grande Amor”.

Mas “Simples Carinho” recolocou o bolero brasileiro, que andava meio esquecido, nas paradas, a exemplo do que ocorrera em 1975 com “Dois pra Lá, Dois pra Cá”. O arranjo de Antônio Adolfo e o solo de gaita de Maurício Einhorn enriqueceram a versão de Ângela, que a regravou sem o mesmo brilho em 93. Outras boas gravações de “Simples Carinho” foram realizadas por Simone, Maria Creuza e Emílio Santiago, havendo versões da composição em inglês e espanhol (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Simples carinho (1983) - João Donato e Abel Silva

Intro: A6/E E7+ A6/E E7+ Bb7/9

         A7+               Am6
Amar e sofrer, eu vou te dizer
          G#m   C#7/13 C#5+/7
Mas vou duvidar
             F#7/13 F#5+/7
Querendo ou não
        A/B                 E7+  Bm7 Bb7/9
O meu coração já quer se entregar
             A7+                Am6
Não falta lembrança, aviso, cobrança
             G#m7 C#7/13 C#5+/7
Você vai por mim
             F#7/13 F#5+/7
Mas feito criança
               A/B B7/9-
Lá vou na esperança
               E7+
Eu sou mesmo assim
           Bm7       G#5+/7
Quem sabe até meu destino
            C#m7
Amor sem espinhos
                F#7/13          F#5+/7
Sou mel da sua boca, calor dos abraços
            A/B    Bm7 Bb7/9
E tantos beijinhos
             A7+               Am6
Se o sonho acabou, não sei meu amor
           G#m7 C#7/13 C#5+/7
Nem quero saber
                    F#7/13 F#5+/7
Só sei que ontem à noite
            A/B    B7/9-
Sorrindo acordada
            E7+
Sonhei com você
         Bm7            G#5+/7
Às vezes até na vida é melhor
            C#m7
Ficar bem sozinho
           F#7/13          F#5+/7
Pra gente sentir qual é o valor 
                A/B  Bm7 Bb7/9
De um simples carinho
            A7+             Am6
Te sinto no ar, na brisa do mar
            G#m7 C#7/13 C#5+/7
Eu quero te ver
              F#7/13 F#5+/7
Pois ontem à noite
            A/B   B7/9-
Sonhando acordada
            E7+
Dormi com você

Não há cabeça

Ângela Rô-Rô
C          B
Não há cabeça que o coração não mande
C           B                    Ab°
Não há amor que o ódio não desande
Am                   E/G#
Não há rancor que o perdão não esqueça
Am/G  F7+      B4/7           B7
Nem humor que nunca se aborreça
C         B
Não há bebida que beba a saudade
C                B           Ab°
Nem maldade que vença a bondade
Am                     E/G#
Não há princípio que resista ao fim
Am/G         F7+       B4/7     B7
Nem temor ou medo que resida em mim
F7+                Bb7+
Eu fui, eu vim, eu vou te amar vivendo
F7+                 Ab/Bb
Eu fui, eu vim do desamor morrendo
Am              E/G#
E essa tristeza que o amor me deu
Am/G              F7+  B4/7         B7 C
É a coisa mais bonita dentro do meu eu
                           B
Que bom, ai, que bom, que nunca vai haver talvez
C                       B              Ab°
Pra quem tudo na vida sentiu, disse e fez
Am                       E/G#
Prefiro ficar só com a minha ilusão
Am/G            F7+              B4/7     B7
Que matar a esperança de amar no meu coração

Me acalmo danando

Ângela Rô-Rô
Bm                                    F#7
Eu é que fico a dizer e você não diz nada
G7+                                   F#7
Eu é que fico a sorrir e a fazer palhaçada
 C                             Em
Como é triste beijar sem ser beijada
 C                  Am     B7
Como é duro amar sem ser amada
Bm                              F#7
Meu tormento não passa e você adiando
 G7+                                F#7
É o mar que me traga, é o barco afundando
  C                              Em
É a ilha deserta que eu chego atracando
 C          Am                   B7
Ilusão e quimera de alguém se salvando
 Bm                                       F#7
Eu que suporto e reclamo lhe afasto e me chamo
 G7+                               F#7
Eu a saída da entrada por baixo do pano
 C                                Em
Ser o excesso de brilho acaba ofuscando
 C              Am           B7
Mas o início da era acaba matando
 Bm                                  F#7
Sua presença destrói todos meus desenganos
 G7+                                    F#7
Minha ausência causou-lhe uma série de danos
 C                                    Em
Tento provar o contrário e adormeço errando
 C              Am                 B7
Amo somente um vazio e me acalmo danando

Gota de sangue

Ângela Rô-Rô
 G                D/F#      G7
Não tire da minha mão esse copo
                           E4/7    E7  C7+
Não pense em mim quando eu calo de dor
                   D7                   G  G7+
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
 G                   D/F#     G7
Não se perturbe nem fique à vontade
                    E4/7     E7   C7+
Tira do corpo essa roupa e maldade
                 D7                     G
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
                  D/F#     G7
Não é muito nem pouco eu diria
                       E4/7  E7  C7+
Não é pra rir mas nem sério seria
                  D7              D#
É só uma gota de sangue em forma verbal
 G        D/F#        G7       C/E
Deixa eu sentir muito além do ciúme
 Cm/Eb               D7
Deixa eu beber teu perfume
  G          D/F#         G7          C/E
Embriagar a razão, porque não volto atrás?
 Cm/Eb             D7         G
Quero você mais e mais que um dia
                   D/F#       G7
Não tire da minha boca esse beijo
                 E4/7      E7  C7+
Nunca confunda carinho e desejo
               D7             G7+
Beba comigo a gota de sangue final

Blues do arranco

Ângela Rô-Rô
A7
Arranco a roupa pra me sentir
         D7           A7
Bem a vontade pra te mentir
D7            E7     D7                E7
Sem o mínimo pudor fazer promessas de amor
 D7             E7    
Sem o mínimo respeito ao coração
     D7                  A7   F7 E7
que bate dentro do teu peito
             A7       D7   A7
Arranco os blues pra maltratar,
           D7       A7    D7
só pra te ver me cobiçar
                E7  D7                         E7    D7
Sem o mínimo escrúpulo, pois coração também é músculo
                E7
Sem a mínima vergonha
                           D7            A7   G7 D7
Eu ponho a fronha no teu rosto e vou me amar
           A7  D7        A7
Arranco a pele de bom carneiro
           D7            A7  D7
Caço meu lobo só pelo cheiro
                E7  D7                  E7  D7
Sem sequer compaixão vou te deixar sem ação
                 E7
Esse tipo de conquista vigarista
            D7     A7
É o que eu chamo vocação

Amor, meu grande amor


"Foi cantando por aí que saiu pela primeira vez meu nome no jornal”, afirma Ângela Ro Ro" (Ângela Maria Diniz Gonçalves) no release de seu disco de estréia. Realmente, a blueseira underground Ângela Ro Ro deu muita “canja” no Flag, Mikonos, 706 e outras casas noturnas do Rio, até ser convidada a gravar na PolyGram pelo produtor Paulinho Lima.

Chegou mesmo a cantar na Europa, mais precisamente na Inglaterra, onde viveu alguns anos, “andando de um lado para o outro” (as palavras são dela), levada por seu espírito hippie e teve que enfrentar vários empregos para sobreviver, a começar pelo de garçonete numa cantina de executivos.

Pois foi durante essa temporada internacional que ela começou a compor, de preferência em inglês, sendo dessa época várias canções do disco como “Amor, Meu Grande Amor”, que recebeu a seu pedido letra de Ana Terra: “Amor, meu grande amor / não chegue na hora marcada / (...) / que tudo que ofereço / é meu calor, meu endereço / a vida do teu filho desde / o fim até o começo...”

Com esse estilo fossa-romântico predominando no elepê, Ângela teve sucesso imediato (principalmente com “Amor, Meu Grande Amor”), embora se mostre ainda um tanto contida em suas interpretações. Seria até considerada “a sensação do ano” na música popular numa matéria publicada pelo Jornal do Brasil em dezembro de 79 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Amor, meu grande amor (1979) - Ângela Rô-Rô e Ana Terra

Intr.: A  E7/Ab  G  D
A          E7/Ab        G                    D
Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
A           E7/Ab               G    F        E7
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
A            E7/Ab     G                D
Me veja nos seus olhos na minha cara lavada
A             E7/Ab       G    F        E7 A  E7/Ab  G  D
Me sinta sem saber se sou fogo ou se sou água
A             E7/Ab    G                     D
Amor, meu grande amor, me chegue assim bem de repente
A            E7/Ab             G  F          E7
Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente
D                 E7            D           E7
Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
D             E7             D          E7
A vida do teu filho desde o fim até o começo
A             E7/Ab    G                     D
Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça
A            E7/Ab      G       F         E7
E quando me quiser que seja de qualquer maneira
A               E7/Ab    G                        D
Enquanto me tiver que eu seja a última e a primeira
A              E7/Ab                  G  F        E7
E quando eu te encontrar, meu grande amor, me reconheça
D                 E7            D           E7
Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
D             E7             D          E7
A vida do teu filho desde o fim até o começo 

Agito e uso

Ângela Rô-Rô
Intro: E F D G

C                   F
Sou uma moça sem recato
                   C            G
Desacato a autoridade e me dou mal
C                     F
Sou o que resta da cidade
                D          G
Respirando liberdade por igual
E                        F
Viro, reviro, quebro e tusso
 D                      G
Apronto até ficar bem russo
 C                  F
Meu medo pe minha coragem
                   C            G
De viver além da margem e não parar
C                         F
De dar bandeira a vida inteira
                  D         G
Segurando meu cabresto sem frear
 E                            F
Por dentro eu penso em quase tudo
 D                    G
Será que mudo ou não mudo
 D                  F
O mundo, bola tão pequena
                     C         G
Me dá pena mais um filho eu esperar
 C                          F
E o jeito que eu conduzo a vida
                    D      G
Não é tido como a forma popular
 E                    F
Mesmo sabendo que é abuso
 D                    G
Antes de ir, agito e uso

Ângela Rô-Rô


A cantora Ângela Rô-Rô (Ângela Maria Diniz Gonçalves) nasceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1949. Estudou piano erudito desde os cinco anos, e ainda na adolescência ganhou o apelido Ro Ro por causa da voz grave e rouca.

Começou a tocar profissionalmente em casas noturnas do bairro carioca de Ipanema, seguindo suas preferencias pessoais, que incluíam Maysa, Jacques Brel e Ella Fitzgerald.

Contratada em 1979 pela Polygram, gravou nesse ano seu primeiro disco, Ângela Ro Ro, com duas faixas que fizeram sucesso, Amor, meu grande amor e A mim e a mais ninguém.

De temperamento irreverente, como se nota em canções como Tola foi você, lançou discos esporadicamente. Seus êxitos de cantora e compositora incluem Tango da bronquite (1980), Escândalo (1981, de Caetano Veloso) e Fogueira (1983).

Em 1996, o Barão Vermelho regravou com grande sucesso Amor, meu grande amor e, no mesmo ano, a Polygram relançou em CD o LP de 1982, Simples carinho. Em 1997 saiu pela gravadora Eldorado o CD Prova de Amor, relançamento do LP de 1988.

Algumas músicas cifradas:

Agito e uso
Amor, meu grande amor
Balada da arrasada
Bárbara
Blues do arranco
Demais
Escândalo
Gota de sangue
Me acalmo danando
Não há cabeça
Simples carinho
Tola foi você


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.