<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener("load", function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <iframe src="http://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID=21639580&amp;blogName=MPB+CIFRANTIGA+2&amp;publishMode=PUBLISH_MODE_BLOGSPOT&amp;navbarType=BLACK&amp;layoutType=CLASSIC&amp;searchRoot=http%3A%2F%2Fcifrantiga2.blogspot.com%2Fsearch&amp;blogLocale=pt_BR&amp;homepageUrl=http%3A%2F%2Fcifrantiga2.blogspot.com%2F" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" frameborder="0" height="30px" width="100%" id="navbar-iframe" allowtransparency="true" title="Blogger Navigation and Search"></iframe> <div></div>

Home Publicações recentes Artistas Músicas e cifras Sucessos: 1859-1985 Mapa site Blog de Itajaí Contos Assombrosos English

Barra de Navegação



1º Festival Nacional da MPB

0 comments

Elis Regina defendendo Arrastão1º Festival Nacional da MPB - TV Excelsior - 1965

"...Depois do sucesso das Noites de Bossa, das primeiras incursões na TV com o pessoal da Bossa Paulista e, na seqüência, juntando cantores e conjuntos de São Paulo e do Rio no memorável “Primavera Eduardo é Festival de Bossa Nova”, patrocinado pelas lojas de sapatos Eduardo, percebi que aquele novo elenco já estava preparado para vôos mais altos.

A música brasileira da época era dominada pelos bolerões de Anísio Silva, Altemar Dutra, sendo Nélson Gonçalves o representante do samba-canção. Começava a ser marcante a receptividade que tinham João Gilberto e a turma da bossa nova, com Vinícius e Baden lotando teatros e bares, emocionando uma nova geração de ouvintes. Estava na hora de uma incursão mais ousada, em que a televisão iria representar um papel fundamental.

As tentativas de Manoel Carlos, hoje autor de novelas de grande sucesso, de colocar um elenco de melhor qualidade no programa “Brasil 60” da TV Excelsior, apresentado por Bibi Ferreira nas noites de domingo, do qual Maneco era o produtor, havia me impressionado pela entusiástica resposta de um público classe A. Os Cariocas, Carlinhos Lyra, Dorival Caymmi, Nara Leão, Baden Powell, Elizete Cardoso, Tamba Trio, Sérgio Mendes e tantos novos artistas eram apresentados regularmente no “Brasil 60”. Um sopro de bom gosto e talento na nossa desde então pouco ousada programação.

Nessa mesma época, o mercado do disco era invadido anualmente pelos sucessos lançados no Festival de San Remo, em geral uma baboseira melosa, quase sempre com uma mesma proposta musical, que, com as honrosas exceções de um raro Sérgio Endrigo, ficava testando por meses e meses a nossa paciência. Achei que era o momento de criar um festival no Brasil. Pedi o regulamento de San Remo ao Enrique Lebendeguer, dono da editora musical Fermata, e o adaptei às nossas condições. O Festival de San Remo era, e ainda é totalmente controlado pelas editoras e gravadoras, sendo que a participação de qualquer música ou artista já vem com um vínculo determinado. Impossível para qualquer compositor independente penetrar naquele universo.

No Brasil, as gravadoras eram em geral ligadas às suas matrizes internacionais, que por sua vez direcionavam a política e a filosofia do que deveria ser gravado e tocado nas rádios. Na minha avaliação, eu não conseguiria fazer um trabalho isento se dependesse da indústria do disco, embora soubesse que, no caso de sucesso do festival, ela seria sua maior beneficiada, e afinal esse sucesso, mais para frente, dependeria do interesse dessa mesma indústria pelos artistas e músicas que eu iria lançar.

Resolvi que, para a minha independência e lisura do festival, não permitiria a participação de qualquer editora ou gravadora. Para que isso não parecesse demagógico, jamais admiti qualquer vínculo com alguma delas, a não ser para facilitar sua aproximação quando o artista que participava do festival manifestava ser do seu interesse. Minha estratégia era colocar no mercado uma porção de músicas, cantores, cantoras e conjuntos musicais, e as gravadoras que se servissem, de acordo com a sua agilidade e competência.

A Philips foi que primeiro e melhor soube capitalizar os sucessos dos festivais. André Midani, que já havia tido a importância de convencer a gravadora Odeon a lançar Chega de Saudade, o primeiro LP de João Gilberto, percebendo ser um ótimo caminho para a formação de seu elenco e o potencial promocional que aquele evento oferecia, escalou um jovem produtor paulista, Manoel Barembeim, para produzir os discos dos festivais.

A preparação do festival da Excelsior transcorria cheia de tensões. Ainda não haviamos conseguido patrocínio. As músicas inscritas eram ouvidas com atenção por um júri que não permitia interferências. Na casa do compositor Caetano Zama se revezava o maestro Damiano Cozzella, o poeta concretista Augustô de Carpos, o professor de semiótica e também concretista Décio Pignatri e Amilton Godoy, do Zimbo Trio, que tinha por missão executar as partituras ao piano.

Naquele ano ainda não eram aceitas inscrições com as músicas gravadas em fita. Eu não dava palpites na escolha. Uma verdadeira indústria da partitura foi acionada e pela caligrafia sabíamos a origem. A exigência da partitura serviu para limitar o número de inscrições, mas ainda assim era um trabalho que necessitava de toda a concentração dos jurados. Escolhi o Guarujá, a então cidade “chique” do litoral paulista para sede do primeiro festival. Imaginava que, durante a sua realização, a convivência dos concorrentes com a imprensa e a vida por alguns dias em uma localidade pequena, onde o assunto predominante fatalmente seria a música popular, serviriam de motivo para várias matérias nos jornais e revistas de todo o país e dariam ao festival uma dimensão que a distância e as dificuldades de acesso ao Guarujá somente iriam mitificar. Como acontecia com San Remo, ou mesmo Cannes, com seu festival de cinema.

Depois de muitos meses de angústia, finalmente um patrocinador: a Rhodia. Naqueles anos, na FENIT, a grande feira de produtos têxteis, as entradas para os shows apresentados no estande da Rodhia eram motivo de verdadeiras batalhas. Seu diretor de propaganda, Lívio Rangan, a cada ano preparava uma superprodução. Na seqüência, o espetáculo, que na verdade nada mais era do que um desfile de modas, percorria as principais cidades do Brasil, partindo em seguida para o exterior, cujas fotos e documentários com as top models da época serviriam para rechear a propaganda da empresa nas revistas brasileiras, além dos comerciais para a TV.

Lívio geralmente completava o elenco com o que era “moda” na música brasileira. Além de publicitário, era excelente produtor e exigente diretor, e podia sempre contar com somas vultosas para contratar os artistas que quisesse para promover seus produtos. Porém, seu gosto na produção dos trajes de seus espetáculos era discutível. Causavam-me até um certo mal-estar. Lívio viria a ser a minha salvação e o meu pesadelo.

Assumiu o patrocínio do festival com a condição de que as apresentações, além do Guarujá, fossem realizadas em São Paulo, Petrópolis e Rio, ocasiões em que aproveitaria para apresentar ao público local o “Show da Rhodia”, preparado para a próxima FENIT, que, exigiu, deveria anteceder as transmissões das músicas pela TV Excelsior. Embora contrariasse a minha idéia original e fora algumas previsíveis pequenas trombadas entre as equipes de produção, achei que sua exigência não iria atrapalhar, a não ser pelo cenário, concebido pelo Cyro Del Nero, para um desfile de modas, e não para um festival de música popular.

Ainda na preparação do festival, o primeiro problema surgiu na divulgação dos compositores classificados. Era evidente e inevitável que um grande número de medalhões tivesse ficado de fora. No Rio de Janeiro, contratado para fazer a divulgação do festival, trabalhava um velho jornalista, Nestor de Holanda. Foi justamente ele o porta-voz dos “desclassificados”. Lívio, preocupado com possíveis repercussões negativas, e diante de várias ameaças de jornalistas do Rio, fez veemente apelo à direção da Excelsior para que reconsiderássemos alguns casos. A pressão foi enorme. Exposto o problema aos jurados, algumas músicas foram ouvidas novamente e, com muita boa vontade, duas ou três, classificadas.

Mas o rolo compressor ainda estava por vir. A primeira eliminatória, com 12 músicas, seria no antigo cassino do Guarujá. A prefeitura, responsável pela cessão do local para a apresentação, distribuiu convites à vontade. A TV Excelsior colocou os seus à venda e a Rhodia foi generosa na distribuição da sua cota, e — surpresa — quase todos os convidados apareceram. Para fazer economia, elenco, orquestra e maestro chegaram para o ensaio geral no dia da apresentação. A equipe técnica já havia feito a sua parte. A cenografia, concebida para o desfile de modas, servia muito pouco para a televisão.

Depois de um tumultuado ensaio, em que os desfiles e o show da Rhodia que antecederiam festival tiveram prioridade, conseguimos passar as músicas. Em seguida reuni todo o elenco no Delfin Hotel para as últimas recomendações sobre maquiagem e guarda-roupa. A apresentação estava a cargo de Bibi Ferreira e Kalil Filho. Os jurados começavam a chegar. A transmissão seria ao vivo, ou seja, nada de atrasos. Hora de ir para o cassino. Quando fui me aproximando, pude ver que uma multidão circundava o antigo prédio estilo art deco. O maestro Sílvio Mazzuca, diretor musical do festival, veio ao meu encontro para meu espanto, confidenciou: “Não vai dar”. “Como não vai dar?”, perguntei. “O cassino já está completamente lotado e a polícia não deixa entrar mais ninguém.”

Pelas calçadas, no meio do público que tentava entrar, músicos, júri, cantores, jornalistas e convidados, ou seja, o festival estava do lado de fora. Tentamos nos aproximar da porta principal. Ninguém conseguia chegar. Aos berros, por uma janela lateral, falei com o administrador do Cassino. “Não posso fazer nada”, disse ele. “O engenheiro garante que a segurança do prédio já está comprometida e ele poderá desabar a qualquer momento.” Faltava pouco mais de uma hora para o início das transmissões. Sentei na calçada em frente ao cassino com os scripts. Ao lado, Bentinho, meu assistente, trazia todas as partituras em uma enorme pasta. Só nos restava ficar esperando o prédio cair.

Depois de alguns minutos e sem saber o que fazer, fui chamado às pressas: “Estamos conseguindo entrar por uma porta do outro lado do cassino”. Lá, a confusão também era enorme. Terminado o desfile, as modelos saíam, enquanto cantores, músicos, autoridades e jurados se espremiam na tentativa de entrar por uma minúscula porta guardada por alguns policiais comandados pelo diretor de atendimento da conta da Rhodia na Standard Propaganda, um baixinho que gritava histérico: “Ninguém mais entra! Ninguém mais entra!”. Alguém no seu ouvido indicava aqueles que faziam parte do espetáculo e cuja entrada deveria ser permitida.

Iam entrando um a um, e a porta era fechada para que verificassem quem era de fato importante o bastante para passar. As credenciais já não tinham nenhum valor. Quando tentava furar o bloqueio, alguém com um sotaque carregado me segredou: “Eu sou o presidente da Rhodia e gostaria que o senhor me ajudasse a entrar”. “Fique ao meu lado”, respondi, e coloquei-o entre mim e o Bentinho para protegê-lo. E fomos tentando nos aproximar da porta.

“Ele pode entrar. É o diretor”, salvou-me o cara que cochichava ao policial. O Bentinho também pôde passar. Quando o senhor presidente tentou se aproximar, o baixinho, cada vez mais intransigente e histérico, berrou: “Não pode entrar! Não pode!”, o que fez com que um dos policiais agarrasse o pobre senhor para enxotá-lo dali. “Este é o presidente da Rhodia”, cochichei ao baixinho. Ele parou, mudo, pálido. Tinha acabado de berrar com o seu todo-poderoso cliente sem se dar conta, e na seqüência, ao perceber a bobagem cometida e com a mesma histeria, correu atrás do policial que levava o obediente senhor pelo braço: “Ele tem que entrar! Ele tem que entrar. Pelo amor de Deus volte. Deixem esse homem passar, é o cliente. e o cliente”, suplicava quase chorando ao espantado policial, que não devia saber bem o significado e a importância da palavra cliente para um publicitário.

No salão o clima era de total confusão. Gente sentada pelo cenário. Alguns artistas conseguiram entrar pelas janelas e estavam espalhados no meio da multidão, que, inquieta, ensaiava as primeiras palmas de impaciência. Aos poucos todos foram chegando e com jeitinho, organizamos a transmissão, que ficou pronta trinta segundos antes da hora programada para entrar no ar. “Ao vivo” e.. em preto e branco.

As apresentações de São Paulo e Petrópolis, onde escolhemos - Hotel Quitandinha, transcorreram sem incidentes. A próxima etapa seria a final no Rio de Janeiro. Ao longo das eliminatórias, Livio foi tecendo sua teia ao redor do júri. Almoços aqui, presentinhos ali, e já contava com mais da metade dos jurados. Seu interesse estava em tornar vencedora a música que estava em seu show, e uma vitória no festival, sem dúvida, iria acrescentar mais um poderoso elemento promocional. O então diretor comercial da TV Excelsior, Clóvis Azzar, apoiava qualquer ação do representante do seu faturamento.

Elis não falava comigo. Estava ofendida pelo rompimento do nosso “noivado” e desconfiada que eu queria prejudicar uma das músicas que ela defendia, Por um amor maior, de Francis Hime e Ruy Guerra, sua preferida. A força de Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, era gritante, e eu tinha de tentar neutralizar o “lobby” montado pelo Lívio Rangan.

Não podendo contar com Elis, tentei uma jogada arriscada. Depois de passar horas esperando uma ligação telefônica para São Paulo, consegui localizar Walter Silva, que na época apresentava um programa de rádio de grande audiência, “O Picape do Pica-Pau”, e relatei o que estava acontecendo. Walter não economizou palavras e desancou o festival em seu programa, denunciando inclusive as pressões do Lívio sobre os compositores da velha guarda, classificadas como uma manobra no mínimo pouco ética.

Minutos antes do início da finalíssima, no teatro da TV Excelsior do Rio de Janeiro, o antigo Cine Astória, quando os jurados já estavam nos seus lugares e depois de me certificar da repercussão das denúncias do Walter Silva, me aproximei do Lívio e contei o que estava acontecendo em São Paulo.

Preocupado em ser envolvido publicamente em uma trama que fatalmente resultaria em escândalo, juntou o seu grupo de jurados e os liberou para que votassem de acordo com a sua preferência. Resultado: Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, primeiro lugar; Elis Regina, melhor intérprete..."

Fonte: Prepare seu Coração (A História dos Grandes Festivais) – Solano Ribeiro – Geração Editorial, 2002

Marcadores: ,


Festivais da MPB - Finalistas

0 comments

elis reg2
Elis Regina interpretando "Arrastão" de Edu Lobo e Vinícius.

1º FESTIVAL NACIONAL DA MPB
TV Excelsior (abril, 1965).

1º - Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, com Elis Regina.
2º - Valsa do Amor que Não Vem, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, com Elisete Cardoso.
3º - Eu só Queria Ser, de Vera Brasil e Miriam Ribeiro, com Claudete Soares.
4º - Queixa, de Sidney Miller, Zé Kéti e Paulo Tiago, com Ciro Monteiro.
5º - Rio do meu amor, de Billy Blanco, com Wilson Simonal.

2º FESTIVAL NACIONAL DA MPB
TV Excelsior (junho, 1966).

1º - Porta-estandarte, de Geraldo Vandré e Fernando Lona, com Tuca e Aírto Moreira.
2º - Inaê, de Vera Brasil e Maricene Costa, com Nilson.
3º - Chora Céu, de Adilson Godoy e Luiz Roberto, com Cláudia.
4º - Cidade Vazia, de Baden Powell e Lula Freire, com Milton Nascimento.
5º - Boa Palavra, de Caetano Veloso, com Maria Odete.

1° FESTIVAL DA MPB
TV Record (novembro-dezembro, 1960)

1º - O Pescador, de Newton Mendonça.

2º FESTIVAL DA MPB
TV Record (setembro-outubro, 1966)

1º - A banda, de Chico Buarque, com Chico Buarque e Nara Leão; Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, com Jair Rodrigues e Quarteto Novo.
2º - De amor ou paz, de Adauto Santos e Luiz Carlos Paraná, com Elza Soares.
3º - Canção para Maria, de Paulinho da Viola e Capinan, com Jair Rodrigues.
4º - Canção de Não Cantar, de Sérgio Bittencourt, com MPB-4.
5° - Ensaio Geral, de Gilberto Gil, com Elis Regina.

3º FESTIVAL DA MPB
TV Record (outubro, 1967)

1º - Ponteio, de Edu Lobo e Capinan, com Edu Lobo e Marília Medalha, Quarteto Novo e Momento Quatro.
2º - Domingo no parque, de Gilberto Gil, com Gilberto Gil e Os Mutantes.
3º - Roda viva, de Chico Buarque, com Chico Buarque e MPB-4.
4º - Alegria, alegria, de Caetano Veloso, com Caetano Veloso e Beat Boys.
5º - Maria, carnaval e cinzas, de Luiz Carlos Paraná, com Roberto Carlos.

4° FESTIVAL DA MPB
TV Record (novembro-dezembro, 1968)

1º - São São Paulo, Meu Amor, de Tom Zé, com Tom Zé.
2° - Memórias de Marta Sare, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, com Edu Lobo e Marília Medalha.
3º - Divino maravilhoso, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, com Gal Costa.
4° - Dois Mil e Um, de Rita Lee e Tom Zé.
5º - Dia da Graça, de Sérgio Ricardo, com Sérgio Ricardo e Modern Tropical Quintet.

5° FESTIVAL DA MPB
TV Record (novembro, 1969)

1º - Sinal fechado, de Paulinho da Viola, com Paulinho da Viola.
2º - Clarisse, de Eneida e João Magalhães, com Agnaldo Rayol.
3º - Comunicação, de Hélio Matheus e Edson Alencar, com Vanusa.
4º - Gostei de Ver, de Eduardo Gudin e Marco Antônio da Silva Ramos, com Márcia e Os Originais do Samba.
5º - Monjolo, de Dina Galvão Bueno e Eric Nepomuceno, com Maria Odete.

BIENAL DO SAMBA
TV Record (maio, 1968)

1º - Lapinha, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, com Elis Regina.
2º - Bom tempo, de Chico Buarque, com Chico Buarque e MPB-4.
3º - Pressentimento, de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, com Elza Soares.

I FIC - FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
(outubro, 1966)

1º - Saveiros, de Dori Caymmi e Nelson Mota, com Nana Caymmi.
2º - O Cavaleiro, de Tuca e Geraldo Vandré, com Tuca.
3º - Dia das Rosas, de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo, com Maysa.

II FIC - FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
(setembro, 1967)

1º - Apareceu a Margarida, de Gutemberg Guarabira, com Gutemberg Guarabira e Grupo Manifesto.
2º - Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant, com Milton Nascimento.
3º - Carolina, de Chico Buarque, com Cynara e Cybele.
4º - Fuga e Antifuga, de Edino Krieger e Vinícius de Moraes, com Conjunto 004 e As Meninas.
5º - São os do Norte que Vêm, de Capiba e Ariano Suassuna com Claudionor e Germano.

III FIC - FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
(setembro, 1968)

1º - Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, com Quarteto em Cy.
2º - Prá não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, com Geraldo Vandré.
3º - Andança, de Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós, com Beth Carvalho e Golden Boys.
4º - Passacalha, de Edino Krieger, com Grupo 004.
5º - Dia da Vitória, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, com Marcos Valle.


IV FIC - FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
(setembro, 1969)

1º - Cantiga por Luciana, de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, com Evinha.
2º - Juliana, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, com A Brazuca.
3º - Visão Geral, de César Costa Filho, Ruy Maurity e Ronald Monteiro, com César Costa Filho e Grupo 004.
4º - Razão de Paz para não Cantar, de R. Laje e Aléssio Barros com Cláudia.
5º - Minha Marisa, de Fred Falcão Medeiros, com Golden Boys.

V FIC - FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
(1970)

1º - BR-3, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, com Tony Tornado.
2º - O amor é o meu país, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro com Ivan Lins.
3º - Encouraçado, de Sueli Costa e Tite Lemos.
4º - Um abraço terno em você, viu mãe, de Gonzaguinha, com Luiz Gonzaga Júnior.
5° - Abolição 1860/1960, de Dom Salvador e Arnaldo Medeiros com Luiz Antônio e Maria.

VI FIC - FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
(1971)

1º - Kyrie, de Paulinho Soares e Marcelo Silva, com Evinha.
2º - Karany Karanauê, de José de Assis e Diana Camargo, com Trio Ternura.
3º - Desacato, de Antônio Carlos e Jocafi, com Antônio Carlos e Jocafi.
4º - Canção pra Senhora, de Sérgio Bittencourt, com O Grupo.
5º - João Amém, de W. Oliveira e Sérgio Mateus, com Sérgio Mateus.

VII FIC - FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO
(1972)

1º - Fio Maravilha, de Jorge Ben, com Maria Alcina.
2º - Diálogo, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, com Cláudia Regina e Tobias.

FESTIVAL 79
TV Tupi (1979)

1º - Quem me levará sou eu, de Fagner e Dominguinhos, com Fagner.
2º - Canalha, de Walter Franco, com Walter Franco.
3º - Bandolins, de Oswaldo Montenegro, com Oswaldo Montenegro e José Alexandre.

FESTIVAL DOS FESTIVAIS
TV Globo (1985)

1º - Escrito nas estrelas, de Carlos Rennó e Arnaldo Black, com Tetê Espíndola.
2º- Mira Ira, de Lula Barbosa e Vanderley de Castro, com Lula Barbosa, Mina Myrá, Grupo Tarancón e Placa Luminosa.
3°- Verde, de Eduardo Codin e José Carlos Costa Nesto; com Leila Pinheiro.

FESTIVAL DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA
TV Globo (2000)

1º - Tudo bem, Meu bem, de Ricardo Soares, com Ricardo Soares.
2º - Morte no Escadão, de José Carlos Guerreiro, com Tianastácia.
3º - Tempo das Águas, de Valmir Ribeiro, com Bilora.
Melhor intérprete — Ná Ozzetti, que interpretou Show, de Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri.

Marcadores: ,


Se for pra medir saudade

0 comments

Se for pra medir saudade - Luiz Carlos Paraná

Se for pra medir saudade, eu ganho
Pois nunca se viu saudade
Deste tamanho

Não ponha sua saudade perto da minha
Pois ela não é nenhuma saudadezinha
Nem venha você querendo
Livrar-me dela
Pois eu já não saberia
Viver sem ela
Saudade é um privilégio de quem conhece
Aquela felicidade que não se esquece
Embora já muitas vezes tenha chorado
Não sou dos que se arrependem de ter amado

Marcadores: ,


De amor ou paz

0 comments

De amor ou paz - Luiz Carlos Paraná e Adauto Santos

Cm G7 Cm
Já que se tem que sofrer
C7 Fm Am
Seja dor só de amor
D7
Já que se tem de morrer
Dm5-/7 G7
Seja mais por amor
Cm D7
Quem anda atrás de amor e paz
Fm
Não anda bem
Bb7
Porque na vida o que tem paz
D#
Amor não tem
Cm Cm/Bb
Seja o que for, sou mais do amor
Dm5-/7 Fm
Com paz ou sem
Dm5-/7 G7
Sei que é demais querer-se paz
Cm
E amor também

Vou sempre amar
C7 Fm
Não vou levar a vida em vão
Bb7 D#
Não hei de ver envelhecer meu coração
G# Dm5-/7
Vou sempre ter em vez de paz inquietação
G7
Houvesse paz
Cm
Não haveria esta canção

Marcadores: , ,


Canoa vazia

0 comments

Canoa vazia - Luiz Carlos Paraná

Rio acima, canoa subiu
Rio abaixo, canoa desceu
Rio acima subiu com seu dono
Desceu no abandono e desapareceu

Zé do Fole tocava sanfona
Seu moço, s'a dona que nem ele só
Té que um dia gamou por Maria
Chorou noite e dia que inté dava dó
Ele que era no fole um colosso
Seu moço, s'a dona, nunca mais tocou
Deu um dia um adeus à Maria
A canoa vazia, rodando voltou

Rio acima, canoa subiu
Rio abaixo, canoa desceu
Rio acima subiu com seu dono
Desceu no abandono e desapareceu

Eu também pelo rio da vida
Fui duro na lida, fui bom pescador
Mais um peixe eu tentei, foi à toa
Botar na canoa, chamava-se amor
Toda vez que eu pensei ter fisgado
Meu peixe danado, o marvado fugiu
Vivo então água abaixo hoje em dia
A canoa vazia, à vontade do rio

Rio acima, canoa subiu
Rio abaixo, canoa desceu
Rio acima subiu com seu dono
Desceu no abandono e desapareceu

Marcadores: ,



Maria, carnaval e cinzas (1967) - Luiz Carlos Paraná
Tom: Am

E7/9- Am
Nasceu Maria, quando a folia
E7
Perdia a noite, ganhava o dia
Dm E7
Foi fantasia seu enxoval
Am
Nasceu Maria no carnaval
Dm G7 C
E não lhe chamaram assim como tantas
Bm5-/7
Marias de santas
E7 Em5-/7
Marias de flor
A7 Dm G7 C
Seria Maria, Maria somente
Bm5-/7 E7 Am
Maria semente de samba de amor
Dm G7 C
Não era noite não era dia
Dm G7 C
Só madrugada só fantasia
Bm5-/7 E7 Am
Só morro samba viva Maria
F#m5-/7 B7 Bm5-/7
Quem sabe a sorte lhe sorriria
E7 Dm G7 C
E um dia viria de porta-estandarte
Bm5-/7 E7 Em5-/7
Sambando com arte puxando cordões
A7 Dm G7 C
E em plena folia decerto estaria
E7 Am
Nos olhos e sonhos de mil foliões
Am
Morreu Maria, quando a folia
E7/9- E7
Na quarta-feira também morria
Bm5-/7 E7
E foi de cinzas seu enxoval
Am
Viveu apenas um carnaval
Dm G7 C
Que fosse chamada então como tantas
Bm5-/7
Marias de santas
E7 Em5-/7
Marias de flor
A7 Dm G7 C
E em vez de Maria, Maria somente
Bm5-/7 E7 Am
Maria semente de samba e de dor
Dm G7 C
Não era noite não era dia
Dm G7 C
Somente restos de fantasia
Bm5-/7 E7 Am
Somente cinzas pobre Maria
F#m5-/7 B7 Bm5-/7
Jamais a vida lhe sorriria
E7 Dm G7 C
E nunca viria de porta-estandarte
Bm5-/7 E7 Em5-/7
Sambando com arte puxando o cordão
A7 Dm G7 C
E não estaria em plena folia
E7 Am
Nos olhos e sonhos de seus foliões
Dm
E não estaria
G7 C
Em plena folia
F7 E7
Nos olhos e sonhos
Am
De seus foliões
Am7 D7/9 Am7 D7/9
Maria, Maria...

Marcadores: , ,


Luiz Carlos Paraná

0 comments

Luiz Carlos Paraná, compositor e cantor, nasceu em Ribeirão Claro PR (15/3/1932) e faleceu em São Paulo SP (3/1211970). Lavrador até os 19 anos e depois comerciário, aprendeu sozinho a tocar violão. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde morou em pensão em que João Gilberto era seu companheiro de quarto.

Durante a década de 1950 tocava de mesa em mesa nas boates cariocas, recolhendo a féria. Transferindo-se para São Paulo, com a ajuda de amigos, abriu a boate Jogral, a princípio apenas um barzinho de encontro de amigos, onde ele mesmo cantava modas-de-viola e desafios com Paulo Vanzolini.

Como compositor tornou-se mais conhecido ao participar do II FMPB da TV Record, de São Paulo, em 1966, com a música De amor e paz (com Adauto Santos), que, interpretada por Elza Soares, obteve o segundo lugar. No ano seguinte, como cantor, gravou um compacto simples na Fermata, com duas músicas de Paulo Vanzolini, Capoeira do Arnaldo e Napoleão.

No mesmo ano, inscreveu Maria, carnaval e cinzas no III FMPB, que foi defendida por Roberto Carlos e gravada pelo cantor na CBS e por ele próprio na Philips, no LP III Festival de MPB. Na Continental, gravou o Samba do suicídio (Paulo Vanzolini), incluído no LP I Bienal do Samba.

Em 1968 a boate Jogral, até então na Galeria Metrópole, foi transferida para a Rua Avanhandava, onde continuou fazendo carreira na noite, iniciando em São Paulo a moda das casas de samba. Entre outras gravações suas estão, na Mocambo, Canoa vazia e Se for pra medir saudade (de sua autoria).

Realizou ainda a montagem do show musical Jogral 69 ou Os Homens verdes da noite, na sala de arte do T.B.C., de São Paulo. Sua última atividade artística de destaque foi a produção do LP Jogral 70, da RGE.

Algumas cifras e letras:

Cafezal em flor, Canoa vazia, Capoeira do Arnaldo, De amor ou paz, Maria, carnaval e cinzas, Se for pra medir saudade.

Marcadores: , ,


Eu não sou cachorro não

0 comments

Eu não sou cachorro não (bolero, 1972) - Waldick Soriano
A
Eu não sou cachorro não
E7
Pra viver tão humilhado
Eu não sou cachorro não
A
Para ser tão desprezado
Tu não sabes compreender
A7 D
Quem te ama, quem te adora
A
Tu só sabes maltratar-me
E7 A
E por isso eu vou embora
E7
A pior coisa do mundo
A
É amar sendo enganado
E7
Quem despreza um grande amor
D
Não merece ser feliz
A
Nem tão pouco ser amado
Tu devias compreender
A7 D
Que por ti tenho paixão
A
Pelo nosso amor
E7
Pelo amor de Deus
Eu não sou
A 50 52 54 D
Cachorro não
A
Pelo nosso amor
E7
Pelo amor de Deus
A
Eu não sou cachorro não

Solo: A A7 D A E7 A

A E7
A pior coisa do mundo
A
É amar sendo enganado
E7
Quem despreza um grande amor
D
Não merece ser feliz
A
Nem tão pouco ser amado
Tu devias compreender
A7 D
Que por ti tenho paixão
A
Pelo nosso amor
E7
Pelo amor de Deus
Eu não sou
A 50 52 54 D
Cachorro não
A
Pelo nosso amor
E7
Pelo amor de Deus
A
Eu não sou cachorro não.

Marcadores: , ,


Tortura de amor

0 comments

Tortura de amor - Waldick Soriano

G Em
Hoje que a noite está calma
Am D
E que minh’alma esperava por ti
G Em
Apareceste afinal
Am D
Torturando este ser que te adora
Bm Em Am
Volta fica comigo
D
Só mais uma noite
G Em
Quero viver junto a ti
C D
Volta meu amor
G Em
Fica comigo não me desprezes
Am
A noite é nossa
D Bm E7
E o meu amor pertence a ti
Am D
Hoje eu quero paz
G Em
Quero ternura em nossas vidas
Am D
Quero viver por toda vida
G
Pensando em ti

Marcadores: , ,


Waldick Soriano

0 comments

waldick2

Waldick Soriano (Eurípides Waldick Soriano), cantor / compositor, nasceu em Caetité BA em 13/5/1933. Até os 25 anos trabalhava na roça, foi peão, motorista de caminhão e garimpeiro. Em 1959 tentou a carreira artística em São Paulo SP, procurando sem êxito um lugar nas rádios Record e Piratini.

Na Rádio Nacional foi apresentado pelo diretor artístico Hélio Araújo ao diretor da Chantecler, sendo contratado para gravar Quem és tu? (de sua autoria). Começou a aparecer, marcando o estilo com uma mistura de Bienvenido Granda, Anísio Silva, Nelson Gonçalves e Vicente Celestino, vestindo-se de preto com óculos escuros, numa cópia de seu ídolo cinematográfico, Durango Kid.

Com um repertório de músicas do estilo denominado dor-de-cotovelo, gravou em 1960 pela Chantecier o LP Quem és tu?, seguindo-se em 1961 Waldick Soriano, destacando-se neste uma de suas composições preferidas: Tortura de amor.

Em 1962 gravou o LP Cantor apaixonado, destacando-se Se eu morresse amanhã (de sua autoria). No LP seguinte, O elegante Waldick Soriano, de 1964, destacavam-se A carta (Júlio Louzada e Jorge Gonçalves) e Eu vou ao casamento dela (com Chacrinha). No ano seguinte, o LP Como você mudou pra mim incluía Mundo cruel (com Teddy Vieira).

Em 1967, gravou pela Copacabana Waldick sempre Waldick, destacando-se Minha última noite (com Roberto Stanganefli), e o LP Boleros para ouvir, amar e sonhar, incluindo Meu coração está de luto (com Antoninho dos Santos). O LP Waldick, de 1968, na Continental, trazia Me deixa em paz (de sua autoria), gravando em 1970, na mesma fábrica, No coração do povo, que incluía a sua Carta de amor. Dois anos depois, saem pela RCA seus LPs Eu também sou gente e Ele também precisa de carinho, incluindo seu grande sucesso Eu não sou cachorro não.

Em 1974 gravou na RCA o LP Segue o teu caminho. Suas músicas de maior sucesso são os boleros Paixão de um homem e Eu não sou cachorro não, que o tornaram conhecido no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sucesso constante no Norte e Nordeste do país, onde se apresenta em shows, atuou também nos filmes Paixão de um homem, dirigido por Egídio Eccio, 1972, e O poderoso garanhão, dirigido por Antônio B. Thomé, 1973.

Tem 83 discos gravados, com destaque para Waldick Soriano interpreta Bienvenido Granda, Rosas perfumadas para alguém e Waldick Soriano e seus amigos (1998, Indie Records).

CD:

Waldick Soriano, 1997, Inde Records 71332.

O pensamento de Waldick Soriano:

“A elite está carente. Ela sente a falta das músicas do tempo em que se dançava bem, da música romântica, que é imortal. Hoje, não existe mais um Altemar Dutra, um Nelson Gonçalves”.

“Meus shows sempre acabam em baile, porque o povo se lembra de quando namorado dançava com namorada, e amante com amante”.

“Não entendo por que rotulam a música romântica de brega. Essa nova geração nem sabe o que é isso! Brega é cabaré, é aquele lugar popular onde o homem vai procurar uma mulher”.

“O compositor é como o escritor: tem que ter motivo para sentar e escrever. Faço músicas, não musiquetas”.

“Tenho muitos imitadores. Todo mundo canta à la Waldick Soriano”.

“Muita gente pergunta se não vou envelhecer. O fato é que não tenho tempo para envelhecer”.

Pérolas musicais:

“Quem despreza um grande amor / Não merece ser feliz” (de Eu não sou Cachorro não).

“Tu não sabes compreender / Quem te ama, quem te adora / Tu só sabes maltratar-me / E é por isso que eu vou embora” (de Eu não sou Cachorro não).

“Apareceste afinal / Torturando este ser que te adora” (de Tortura de Amor).

“Fujo de ti porque o ciúme / É o meu fracasso / Tu me deixaste por um alguém / Que não te ama” (de Fujo de Ti).

Marcadores: , ,


Violão

0 comments

Violão - Sueli Costa e Paulo César Pinheiro

Um dia eu vi numa estrada
um arvoredo caído
Não era um tronco qualquer.
Era madeira de pinho
e um artesão esculpia
o corpo de uma mulher
Depois eu vi
pela noite
o artesão nos caminhos
colhendo raios de Lua
Fazia cordas de prata
que, se esticadas, vibravam
o corpo da mulher nua
E o artesão, finalmente,
nesta mulher de madeira,
botou o seu coração
e lhe apertou contra o peito
e deu-lhe nome bonito
e assim nasceu o violão.

Marcadores: ,


Veneno

0 comments

Veneno - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

A6
Mas o que me faz chorar
Bm7 E7 A6
É esse fel que você vive a destilar
Bm7 E7 A6 A7
É essa a paga cruel que você me dá
D E7 A6
Só o melhor meu coração te ofereceu
C#7 F#m
Você cuspiu no prato que comeu
A6
E o mal que isso me faz
Bm7 E7 A6
Não esperava isso de você jamais
Bm7 E7 A6 A7
Eu não sabia que você podia ser capaz
D E7 A6
De alguém pedir a mão e receber
C#7 F#m F#m/E
Depois vingar em vez de devolver
D#m5-/7 G#7 C#m7
Dei o manto pra quem vai me desnudar
C#m5-/7 F#7 Bm7
E em meu canto abriguei quem vai me expulsar
Dm7 E7 A6 F#m7
Eu te dei de beber
B7/9 E7 A6
No mesmo copo você vai me envenenar

Marcadores: , ,


Velho casarão

0 comments

Velho casarão - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Velho casarão meu quarto antigo
Meu porão meu velho abrigo
Mora a solidão comigo
E lá no jardim na cama verde
Do capim a nossa sede
De meninos descobrindo o amor
Os doze anos dos dois pelo chão
E os nossos planos casarmos depois
Era bonito...
Mas um dia ele não voltou
Esperei um mês ou mais
Pela primeira vez fui poeta
E hoje o casarão é onde eu moro
E o porão é onde eu choro
Minhas mágoas mais sentidas
E lá no jardim na mesma cama
Do capim o mesmo drama de menino
Que não passa nunca mais
Nunca mais...

Marcadores: ,



Velhice da porta-bandeira - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Ela renunciou
A Mangueira saiu, ela ficou
Era porta-bandeira
Desde a primeira vez
Por que terá sido isso que ela fez?

Não, ninguém saberá
Ela se demitiu, outra virá
Ninguém a viu chorando
Coisa tão singular
Quando a bandeira tremeu no ar

Ô... quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ela se emocionou
Perto dela ela ouviu, alguém gritou:
"Viva a porta-bandeira",
"Sou eu", ela pensou
Mas foi a outra quem se curvou
Ô... quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ô... quando a porta-bandeira passou
Quem viu
Ela se levantou e aplaudiu

Marcadores: ,


Um ser de luz

0 comments

Um ser de luz - João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então
Ao se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
A gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de Vê-la, sabiá

Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá
Adeus, meu sabiá, até um dia

Marcadores: ,


Submerso

0 comments

Submerso - Mario Gil e Paulo César Pinheiro

Casa assobradada
Na rua da praia
Pé de samambaia
No portão de entrada

Tinha uma menina
Que em noite de lua
Se banhava nua
N'água cristalina

Ela pulava das pedras
Secava no vento
Deitava ao luar
Sabia que eu vinha olhar

Um dia ouvi seu chamado
Quando ela saía
Das ondas do mar
Fez-me na areia deitar
Fui me deixando levar

Mas a maré do seu ventre
Eu senti me puxar
Nadava contra a corrente
Pra não me afogar
Mas vi meu corpo afundar

Hoje submerso encantado
Não quero voltar
Não quero ser resgatado
Do fundo do mar

Marcadores: ,


Solidão

0 comments

Solidão - Paulo César Pinheiro

Eu sozinho sou mais forte
Minh'alma mais atrevida
Não fujo nunca da vida
Nem tenho medo da morte

Eu sozinho de verdade
Encontro em mim minha essência
Não faço caso de ausência
E nem me incomoda a saudade

Eu sozinho em estado bruto
Sou força que principia
Sou gerador de energia
De mim mesmo absoluto

Eu sozinho sou imenso
Não meço nunca o meu passo
Não penso nunca o que faço
E faço tudo o que penso

Eu sozinho sou a Esfinge
Pousado no meio do deserto
Que finge que sabe o que é certo
E sabe que é certo que finge

Eu sozinho sou sereno
E diante da imensidão
De toda essa solidão
O mundo fica pequeno

Eu sozinho em meu caminho
Sou eu, sou todos, sou tudo
E isso sem ter contudo
Jamais ficado sozinho

Marcadores: ,


Sincretismo

0 comments

Sincretismo - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro
O negro religioso
Dentro de casa tem seu gongá
Porém desde o cativeiro
Mudou de nome seu Orixá
E assim Dona Janaína
É Nossa Senhora da Conceição,
Oxum é a das Candeias,
Oxossi é São Sebastião

Saravá
Meu santo,
Amém.

São Roque é Obaluaiê
Como Santa Bárbara é Iansã,
São Lázaro é Omolu,
São Jorge é Ogum, Santana é Nana
E assim São Bartolomeu é Oxumaré,
São Pedro é Xangô,
Obá é Joana D’Arc
E Pai Oxalá é Nosso Senhor

Saravá
Meu santo,
Amém.

Marcadores: ,


Saudades da Guanabara

0 comments

Saudades da Guanabara - Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro

Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei...)
Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (...e então)
Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade
Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar
Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração
Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (...e então)
Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade
Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro

Pois é pra gente respirar (Brasil)
Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

Marcadores: ,


Saruê

0 comments

Saruê - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

‘Nhô tem gana no gongolô da Ialê,
E na mucufa quer capiangar atrás do bangüê.
‘Nhora tem fogo de adô no Alabê
e rola com nêgo-Angola no solo de massapé.
‘Nhora faz tudo que ‘Nhô não quer fazer,
Que nem a sacuê,
Que nem faz com a Ialê, ‘Nhô.
‘Nhora partiu pra N’gô,
‘Nhô no mesmo caminho.
A Gêge ficou com ‘Nhô
Com ‘Nhora seu Angolinho
‘Nhô quis tanto que embarrigou a Ialê
E na senzala um muana pulou no chão de sapê.
‘Nhora quis tanto que embuchou do Alabê,
Na cama da Casa-Grande pulou mais um benguelê.
‘Nhora pôs no colo de ‘Nhô seu saruê,
Que nem com seu erê
Também fez a Ialê com ‘Nhô.
Nasceu filho de ‘Nhô,
‘Nhora pariu juntinho.
De ‘Nhora quase alourou,
De ‘Nhô veio carapinho

Marcadores: ,


Santo dia

0 comments

Santo dia - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

A vida é só magia
Quem foi feliz sabia
Viver é preparar
A paz de todo santo dia
Uma canção me guia
Minha emoção vigia
É a minha direção
É o instinto do meu coração...
Ninguém nasceu
Pra lamentar
Na sua meta
Deus fez o poeta
Pra gente poder sonhar
Um verso é bom pra consolar
E um samba triste
Também só existe
Meu bem, pra ninguém chorar

Marcadores: ,



Samba de roda na beira do mar - Mário Gil e Paulo César Pinheiro

Dora-iê-iê-ô
Ogunhê
Okê-arô
Eh! Alodê
Kabiecilê
Arrobobô

De dia não tem maré-cheia
Na praia tem barco na areia
A roda do sol vai girar
De noite é que a espuma prateia
Que o aro da lua encandeia
Que a lua também quer rodar

Gira a folha da samambaia
Trançando por cima da saia
Que a moça botou pra dançar
Tem palma na beira da praia
Do povo que vem rodear

Festa de rua na areia do chão
Roda de verso que vem pelo ar
Toque de samba na palma do mar
Samba de roda na beira do mar
Janaína, Inaê, Odoyá

Marcadores: ,


Sagarana

0 comments

Sagarana - João de Aquino e Paulo César Pinheiro

(C Bb C Bb)
A ver, no em-sido

Pelos campos-claro: estórias

Se deu passado esse caso

Vivência é memória

Nos Gerais

A honra é-que-é-que se apraz

Cada quão

Sabia sua distinção

Vai que foi sobre

Esse era-uma-vez, 'sas passagens

Em beira-riacho

Morava o casal: personagens

Personagens, personagens

A mulher

Tinha o morenês que se quer

Verdeolhar

Dos verdes do verde invejar
F
Dentro lá deles
G C Bb
Diz-que existia outro gerais
(C Bb C Bb)
Quem o qual, dono seu

Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Am Dm Am
Ao que a vida, no bem e no mal dividida
F7 G4 G#7 G7
Um dia ela dá o que faltou... ô, ô, ô...
(C Bb C Bb)
É buriti, buritizais

É o batuque corrido dos gerais

O que aprendi, o que aprenderás

Que nas veredas por em-redor sagarana

Uma coisa e o alto bom-buriti

Outra coisa é o buritirana...
(C Bb C Bb)
A pois que houve

No tempo das luas bonitas

Um moço êveio:

- Viola enfeitada de fitas

Vinha atrás

De uns dias para descanso e paz

Galardão:

- Mississo-redó: Falanfão

No-que: "-se abanque..."

Que ele deu nos óio o verdêjo

Foi se afogando

Pensou que foi mar, foi desejo...

Era ardor

Doidava de verde o verdor

E o rapaz quis logo querer os gerais
F
E a dona deles:
G C Bb
"-Que sim", que ela disse verdeal
(C Bb C Bb)
Quem o qual, dono seu

Vendo as olhâncias, no avôo virou bicho-animal:
Am
- Cresceu nas facas:
Dm Am
- O moço ficou sem ser macho
F7 G6 G#7 G7
E a moça ser verde ficou... ô, ô, ô...
(C Bb C Bb)
É buriti, buritizais

É o batuque corrido dos gerais

O que aprendi, o que aprenderás

Que nas veredas por em-redor sagarana

Uma coisa e o alto bom-buriti

Outra coisa é o buritirana...
Bb C
Quem quiser que cante outra
Bb C
Mas à-moda dos gerais
Bb C
Buriti: rei das veredas
D C
Guimarães: buritizais!

Marcadores: ,



Rio, samba, amor e tradição - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Rio de Janeiro
Salve São Sebastião
Santo padroeiro
Samba, amor e tradição

Esquece a tristeza que é hora do Rio cantar
Com tanta beleza
A gente não pode chorar
É na passarela
E na Cinelândia
A Tribuna Popular
Quer da Vista Chinesa
Ver a natureza te descortinar
Quero outra vez meu time
Fazendo esse meu Maracanã vibrar

Copacabana é prisioneira a vida inteira
A capital do samba ainda é Madureira
Em Paquetá tem flores
Ilha dos meus amores
Que lembra o amor do Imperador pela Marquesa
Ai, como é linda a criança
Entrando na dança desse carnaval
Rio do mar de Ipanema
A Lapa boêmia
Malandro tem que respeitar
Rio, vem cantar de novo
Sorria meu povo
Que o Cristo Redentor quer te abraçar
Hoje a minha escola
Veio desfilar
Pra mostrar que o samba
Não pode parar

Oh!linda morena
Quero ver passar
Num doce balanço
Caminho do mar
Ê Ê, o mar
Ê Ê, o mar
Ê Ê, o mar
Ê Ê, o mar

Marcadores: ,


Rendas de prata

0 comments

Rendas de prata - Mário Gil e Paulo César Pinheiro

Deu meia-noite e meia
Tem lua cheia pra alumiar
Do céu a estrela branca
Que cai, destranca
O portão do mar

Deixa a camisa fina
Da lamparina
Se encandiar
Que a luz do candeeiro
Faz o coqueiro
Se enfeitiçar

A onda é de ensurdecer
A brisa é de amenizar
Tem qualquer coisa de arrepiar

A lua é de endoidecer
O azul é de admirar
O céu é o espelho de Iemanjá

Em noite assim
As sereias costumam bordar
Rendas de prata
De estrelas caídas no mar
No manto de Janaína

Marcadores: ,


Recado ao poeta

0 comments

Recado ao poeta - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Vai, por que a tua missão é de paz
Ser poeta é difícil demais
Pra que querer quer um coração norma
Um dia vá te compreender
Olha só como a lua parece chamar
E essa rua, esse amigo, esse bar
E eu peço à Deus que nada mude mais
Não faz dos teus os teus rivais
E se couber explicação real
É que o poeta é o coração geral
Por isso fique aqui
Onde teu samba está
Que toda a cidade quer cantar

Marcadores: ,


Rainha do mar

0 comments

Rainha do mar - Mario Gil e Paulo César Pinheiro

João foi quem contou
Quando afundou no mar
Diz-que ele endoideceu
Com o que ele viu por lá
Um reino sob o mar
Palácio de coral
De conchas era o chão
O trono era de sal

No inclinado convés
De um antigo galeão
Viu sereias em coro
Entoando uma canção
Tinham peixes de luz
Imitando castiçais
E cardumes de cor
Se mexiam nos vitrais

Quando um cortejo ali chegou
De cavalo-marinho a puxar
Da carruagem-mãe surgiu
O vulto da rainha do mar
João se extasiou
Não quis acreditar
O olho esbugalhou
Na luz daquele olhar
A moça então ergueu
O pescador do chão
O sal do mar brotou
Dos olhos de João

Ele aí se curvou
E beijou a sua mão
A mãe d'água o afagou
Junto do seu coração
O cortejo formou
Pra rainha então passar
Ela e seu pescador
Rumo ao claro do luar

João só se lembra que acordou
Sentindo o corpo se arrepiar
De longe o vulto lhe acenou
Sumindo dentro d'água do mar

Marcadores: ,


Quitanda das Iaôs

0 comments

Quitanda das Iaôs - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Na Quitanda das Iaôs
O que é que tem pra comer?
Diz que eu quero ver,
Tem moqueca, pirão, xinxim,
Feijão de amendoim,
Côco, mel, dendê.
Tem farova, feijão fradim,
Camarão seco, aipim.

Desde manhã
Na canjerê,
É Iyá-Bassê
Que tudo faz
Pras abians,
Erês e Ogãs,
E os Orixás.

Tem cocada, cuscus, quindim,
Passoca, broa e manjar,
Bolo e mungunzá.
Tem pudim, manauê, beiju,
Pé-de-moleque, acaçá
Bala-de-puxar
Tapioca, axoxô, conquém,
Tem abará e aberém

Desde manhã
No canjerê,
É Iyá-Bassê
Que tudo faz
Pras abians,
Erês e Ogãs,
E os Orixás.

Tem pipoca e omolucum,
Acarajé, vatapá,
Caruru, cará.
Tem pernil, mocotó, tutu,
Sarapatel e fubá,
Tem arroz-de-hauçá.
Tem buxada, rabada, angu,
Pitu, siri, sururu,
Guaiamum, goiá.
Tem pitomba, araçá e umbu,
Banana, figo e caju,
Sapoti, cajá.
Tem vermute, conhaque, aniz,
Cana de pau-de-raiz,
Vinho e aluá.
Na Quitanda das Iaôs,
O que é que tem pra comer?

Marcadores: ,


Quilombola

0 comments

Quilombola - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Ô, moringa destampou,
Fogareiro que chiou,
Pau no pilão que retumbou.
Foi o galo que cocorocô,
D’Angola que cacarejô,
Candeia que apagou,
Monjolo que rodamunhô,
Foi o dia que raiou!

Ô, Quilombo despertou,
Carapinha que pulou,
Foi batedor que começou.
Foi o milho que descaroçou,
Mucama que caçarolou
O arado que arou,
O gado que nêgo ordenhou,
Foi preto que forriô!

Pega a faca,
Decepa a cana,
Revira a moenda,
Garapa já rolou.
Pega a foice,
Tora a banana,
Derruba a pindoba
Que o teto já furou.
Que dá tempo,
Dá, pro batuque,
Porque Quilombola
Já não tem mais sinhô!

Marcadores: ,


Primeira mão

0 comments

Primeira mão - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Meu samba sempre foi tirado do peito
Quando sai já sai com meu jeito
Com malícia e opinião

Meu samba sempre foi mostrado direito
Por favor exijo respeito
Com a cor do meu pavilhão

Samba de primeira
É pião-de-ponteira
Rodando na cera do chão
Puro pau-pereira
É Portela, é Mangueira
Quintal, gafieira e salão
Falo de cadeira
Sou nó-na-madeira
Samba de primeira-mão
Já tô na fogueira
E levanto a bandeira
Do meu coração

Brasil verde-e-amarelo
Azul-e-branco é o meu brasão
Coincidentemente a cor da Tradição

Marcadores: ,


Pesadelo

0 comments

Pesadelo - Maurício Tapajós, Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte

D7/9
Quando o muro separa uma ponte une

Se a vingança encara o remorso pune

Você vem me agarra, alguém vem me solta

Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua ela um dia é nossa

Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando

Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro

Você me prende vivo, eu escapo morto

De repente olha eu de novo

Perturbando a paz, exigindo troco

Vamos por aí eu e meu cachorro

Olha um verso, olha o outro

Olha o velho, olha o moço chegando

Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte

Da liberdade guardiã
C7/9
O braço do Cristo, horizonte
Bb7/9 D7/9
Abraça o dia de amanhã, olha aí

Marcadores: ,


Perdão

0 comments

Perdão - Paulo César Pinheiro, Mauro Duarte e Maurício Tapajós
 Am  Am/G  Dm Bm5-/7
Ai, perdão
E7 Am D E7
Venha ao encontro de mim
Am Am/G F7
Já ando necessitado
Bm5-/7
De também ser perdoado
E7 Am Bm5-/7 E7
Para dar o perdão no fim, ai perdão (2x)
G7 C A7
Nesse mundo todo mundo erra
Dm B7
Jesus Cristo quando andou na terra
E7
Não errou mas foi sacrificado
Bm5-/7 E7 Am Am/G
E clamou por todos nós
Dm Bm5-/7
Perdão
E7 Am Bm5-/7 E7 Am
E eu vou tentar se assim
Am/G F7
Pois perdoando o pecado
Bm5-/7
Eu posso ser perdoado
E7 Am
Se sobrar perdão pra mim

Marcadores: , ,


Passarinhadeira

0 comments

Passarinhadeira - Guinga e Paulo César Pinheiro

Todo meio-dia
No batente da cancela
Pousa um tico-tico
E eu por ela fico à espera
Ela traz a flor da mocidade dentro dela
Feito o tico-tico
Traz no bico a primavera
Ô, o passarinho cantador
Avoou anunciando o meu amor
Toda meia-noite
Num cantinho da janela
Dorme um passarinho
No seu ninho de quimera
Quem me dera a sua rosa branca de donzela
Por detrás da tranca da janela
Ai, quem me dera
Ô, o passarinho sonhador
Despertou denunciando a minha dor
E acorda toda a passarada
Revoando na roseira
Da moça passarinhadeira

Salve o bem-te-vi
Salve o sanhaço, o coleirinho, o colibri
O curió
Rolinha e chororó

Sabiá
Vai, diz pra ela todo o meu penar
E diz pra ela que eu vivo a esperar

Marcadores: ,


Pano pra manga

0 comments

Pano pra manga - Rosa Passos e Paulo César Pinheiro

Ele fez tanto agrado
Fiz por ele mil planos
E no pano sagrado
Nós juntamos os panos

Entre quatro paredes
Foi mudando o contrato
Ele no pano verde
E eu no pano de prato

Todo dia os parentes
A falar do fulano
E eu apor panos quentes
Por debaixo do pano

Como eu 'tava de touca
Ele ganhava o mundo
Fui o pano-de-boca
Pro seu pano-de-fundo

Se é assim que ele gosta
Vou mostrar pro fulano
Mais que um pano-de-amostra
Velas a todo pano

Não vai ser mais com zanga
Vai ser no mano-a-mano
Vai dar pano pra manga
Quando cair o pano

Marcadores: ,


Pajé

0 comments

Pajé - Mario Gil e Paulo César Pinheiro

Foi num ritual de fé
Que um caboclo me levou
Na cabana de um pajé
Feiticeiro da Nação Kraô

Na beira da fogueira pajé sentou
Bebeu meu de Jurema, desencarnou
Deixou seu corpo preso no mundaréu
Foi visitar seu povo, no céu do céu

Seu olho faiscava quando voltou
Na mão trazia o toque de curador
Pegava brasa viva no fogaréu
E ao pôr numa ferida
Purgava mel

Ele andava com um bastão
De raiz de pau
Que virava em sua mão
A cobra-coral

Ele amançava onça com seu licor
Ele beijava bico de beija-flor
Tocava o seu chocalho de cascavel
E o rio recuava seu macaréu

Ele entortava o rumo de caçador
E achava curuminho que não voltou
Quando pescava peixe, não tinha arpéu
Peixe pulava dentro do seu batel

Diz-que em noite de luar
Jura o povo ali
Que já viu ele virar
Uma sucuri

Marcadores: ,


Outro quilombo

0 comments

Outro quilombo - Mário Gil e Paulo César Pinheiro

Ponta de pedra, costeira, perau, quebra-mar
Mangue, colônia pesqueira, Pontal do Pilar
Barro, sapé e aroeira, é a casa de lá
Bule de flandres, esteira, moringa e alguidar
Beira de mar

Praia de areia de ouro de alumiar
Luz de vagalume, estrela, candeia e luar
A lua cheia se mira nas águas de lá
Lá que a sereia costuma surgir pra cantar
Beira de mar

Cana negro olhar
Sangue de África
Centro de aldeia, bandeira, nação Zanzibar
Da mesma veia guerreira do povo Palmar
Tudo palmeira de beira de mar
Tudo palmeira de beira de mar
Tudo palmeira de beira de mar

Marcadores: ,


Oluô

0 comments

Oluô - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Do rosário dos ifás
Nem zumbi é sabedor
Os segredos do seu povo
Só quem sabe é Oluô

Êh! Diz quem que tá com guia
Que pouco, pouco durou.
Êh! Diz quem que tá com cria
Que pouco, pouco gorou.

Diz quem que tá com gira
De traidor.
Diz quem que tá com ira,
Quem tá com dor

Diz quem que tá com arrêgo
Diz quem que tá com quê,
Diz quem que tá com o nêgo
Diz quem que tá com ‘Nhô.

Diz quem que tá com canga,
Diz quem que tá, cadê?
Diz quem que tá com Ganga,
Diz quem que tá com feitor.

Diz quem que tá zambeta,
Diz quem que tá zere,
Diz quem que tá com a preta,
Diz quem que tá com pretor.

Diz quem que tá com o dono,
Quem que tá com a bota,
Diz quem que tá com o trono,
Quem que tá Macota,
Se disser, cambono,
Ganga perde o Oluô

Marcadores: ,


Olorum

0 comments

Olorum - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Por que padece tanto
O povo de Olorum?
Quando eu pergunto a Zâmbi
Não tem eco algum.
Por que tanto amargor?
Por que, me diz, Xangô?
Ô justiceiro,
Por que ele é sofredor?

Por que a paz não chega
Ao coração Nagô?
Quando eu pergunto,
Escuto o seu bata-cotô.
Por que que o baticum,
Me diga agora, Ogum,
Santo guerreiro,
Tem que ser de lutador?

Por que se diz que o preto
Que é de cor?
Por que que o Kêtu
Tem que ter sinhô?
Olorum, Oxalá, Zâmbi, ô!
Por que que o Bantu
Quer cantar o amor
E o canto é de dor?

Marcadores: ,


O poder da criação

0 comments

O poder da criação - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração

Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
E acende a mente e o coração
É, faz pensar
Que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Vem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar!

Marcadores: ,


O cristal e o marfim

0 comments

O cristal e o marfim - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Eu te amei
Fui ao céu
Mas ceguei
Ao descortinar o véu
Pois era um olhar de cristal
Prisma de luzes sem fim
Que nunca olhou por igual
Para mim
Face da cor da ilusão
Entre a sombra e o carmim
Que tinha o meu coração
Como o seu camarim
Eu chorei
Foi cruel
Pois nem sei
Até hoje o meu papel
E a gota de dor que rolou
Não foi pintada a nanquim
Como você ensaiou para mim
Fora de cena esse amor
Se tornou frio assim
E em suas mãos sem calor
Eu virei manequim
Mas saí de cartaz
Personagens não quero mais
Contra o amor meu peito fez motim
Que o coração quebrou nesse seu folhetim
Me isolei em torre de marfim
Pra colar o que sobrou de mim

Marcadores: ,


O cavalo de São Jorge

0 comments

O cavalo de São Jorge - Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro

O cavalo de São Jorge foi passear na areia
Vamos fazer samba que o santo guerreiro hoje está na aldeia
Tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia
Oi, tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar sereia

É que diz o povo
Que hoje a poliça não contrareia
Tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia

Quando o cavalo de São Jorge corcoveia
O que é que cai de seu alforje, lua cheia
Luz que alumeia quem samba na beira do mar, sereia
Luz que clareia no samba só me faz lembrar Candeia

Vem sambar, que tem samba no mar
Vem sambar que tem samba no mar
Não vadeia quelé Clementina, não vadeia

Eu queria poder pegar na cintura dela
Eu queria poder pegar na cintura dela
Mas seu namorado está de olho nela
Mas seu namorado está de olho nela

O cavalo de São Jorge foi passear na areia
Vamos fazer samba enquanto o cavalo de Ogum passeia
Tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia
Oi, tem samba no mar, sereia
Tem samba no mar, sereia...

Marcadores: ,


Novo novelo

0 comments

Novo novelo - Sueli Costa e Paulo César Pinheiro

Não me culpe por coisas passadas
não reabra essas velhas feridas
porque nas cicatrizes fechadas
existem guardadas dezenas de vidas

Não condene essas fases erradas
e não lembre as antigas fraquezas
que das recordações apagadas
as mais atiçadas são de novo acesas

Não me queira mudar as passadas
não procure afastar-me das ruas
porque na confusão das calçadas
existem ciladas maiores que as tuas

Não receie por causas deixadas
não se iluda com o seu pesadelo
porque a vida no fim das estradas
começa as meadas de um novo novelo

Marcadores: ,


Nove luas

0 comments

Nove luas - Mario Gil e Paulo César Pinheiro

Eu parti na lua cheia
Pra correr o mar
Só parei aqui para mercar

Mas vi o mar no olhar de uma mulher
Puxando como a força da maré
Morena Mariana, eu sou marinheiro
Fiquei pra te navegar

Cada morena que faz
Meu navio ancorar
Merece ser o meu cais
Derradeiro de amar

Mas eu tenho que embarcar
Eu quero o mar alto, o mirante
A miragem, o mar

Eu cheguei na lua nova
Pronto pra zarpar
Se passaram nove luas já

A maresia chama igual mulher
Pra me levar pra cama da maré
Morena Mariana, eu sou marinheiro
Eu sempre morei no mar

Cada morena que faz
Maré-cheia no olhar
Faz o meu olho marujo
Também marejar

Mas eu tenho que embarcar
Eu quero o mar alto, mirante
A miragem, o mar

Marcadores: ,


Não vim pra ficar

0 comments

Não vim pra ficar - Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro

Não vim pra ficar
Não reserve um espaço no armário pra me acostumar
Não espere no horário arrumada na sala de estar
Não pretendo trazer minha vida pro seu bangalô

Não vim pra ficar
Não separe um cantinho pra eu ler o jornal no sofá
Não pergunte o que eu gosto, que vai me fazer pro jantar
Me desculpe o mau jeito que é o jeito que eu sou

Não vim pra ficar
Não me guarde uma escova de dentes, não vou pernoitar
Não faz cópia da chave, não quero invadir o seu lar
Quero vir como sempre, feito um beija-flor

Não vim pra ficar
Não me põe monograma na fronha da gente deitar
Não pendure no tanque gaiola pro meu sabiá
Não faz do nosso encontro uma obrigação, por favor

Não vim pra ficar
Eu não quero assumir compromisso da gente juntar
Por enquanto é melhor não mexer, deixe assim como está
Vamos ver que destino vai ter nosso amor

Marcadores: ,


Não demore

0 comments

Não demore - Eduardo Gudin, Roberto Riberti e Paulo César Pinheiro

Mas não demore pra voltar, oh não!
Há muito tempo que eu não sou feliz
Tire este peso do meu coração
Corte este mal pra não criar raiz
Eu tenho o peito cheio de perdão
Mas não demore pra voltar, oh não!

Acho que tudo que eu tinha que fazer, eu fiz
Volta que eu estou precisando de consolação
Do jeito que eu tenho andado demais infeliz
Eu posso até relevar a sua ingratidão
Mas oh! não demore pra voltar oh não!
Mas oh!não demore pra voltar oh não!

Marcadores: ,


Nagô

0 comments

Nagô - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Terreiro,
Quando o nêgo toca o tambor,
Nêgo não quer dinheiro,
Quê que quer? Quer Agô.

Trabalho,
Quando o nêgo tem batedor,
Nêgo não quer só calo,
Quê que quer? Quer um jimbô.

Carrêgo,
Quando o nêgo se quebrantou,
Nêgo não quer ebó, não quer,
Quê que quer? Babalaô.

Kizomba,
Quando o nêgo já bambelô,
Nêgo não quer maromba,
Quê que quer? Quer N’gô

Capenga,
Quando o nêgo já marafou,
Nêgo não quer arenga,
Quê que quer? Quer quem zoiô.

Zoado,
Quando o nêgo a nêga argolou,
Nêgo não quer parar, não quer,
Quê que quer? Quer gongolô.

Ô Ialê,
Ê, Iaô,
Ô, nêgo quer,
Quê que quer?
Quer um muana,
Nêgo quer
Quer um cafunje,
Nêgo quer
Mais um Nagô

Marcadores: ,



Na volta que o mundo dá - Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro

Um dia eu senti um desejo profundo
De me aventurar nesse mundo
Pra ver onde o mundo vai dar

Saí do meu canto na beira do rio
E fui prum convés de navio
Seguindo pros rumos do mar

Pisei muito porto de língua estrangeira
Amei muita moça solteira
Fiz muita cantiga por lá

Varei cordilheira, geleira e deserto
O mundo pra mim ficou perto
E a terra parou de rodar

Com o tempo
Foi dando uma coisa em meu peito
Um paerto difícil da gente explicar

Saudade, não sei bem de quê
Tristeza, não sei bem por que
Vontade até sem querer de chorar

Angústia de não se entender
Um tédio que a gente nem crê
Anseio de tudo esquecer e voltar

Juntei os meus troços num saco de pano
Telegrafei pro meu mano
Dizendo que ia chegar

Agora aprendi por que o mundo dá volta
Quanto mais a gente se solta
Mais fica no mesmo lugar

Marcadores: ,


Mordaça

0 comments

Mordaça - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Tudo o que mais nos uniu separou
Tudo que tudo exigiu renegou
Da mesma forma que quis recusou
O que torna essa luta impossível e passiva
O mesmo alento que nos conduziu debandou
Tudo que tudo assumiu desandou
Tudo que se construiu desabou
O que faz invencível a ação negativa

É provável que o tempo faça a ilusão recuar
Pois tudo é instável e irregular
E de repente o furor volta
O interior todo se revolta
E faz nossa força se agigantar

Mas só se a vida fluir sem se opor
Mas só se o tempo seguir sem se impor
Mas só se for seja lá como for
O importante é que a nossa emoção sobreviva
E a felicidade amordace essa dor secular
Pois tudo no fundo é tão singular
É resistir ao inexorável
O coração fica insuperável
E pode em vida imortalizar

Marcadores: ,


Minha missão

0 comments

Minha missão - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Quando eu canto
É para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já
Tanto sofreu
Quando eu canto
Estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando
Aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz!

Do poder da criação
Sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida minha súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão
Tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar
E canto pra viver

Quando eu canto, a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre, canta!

Marcadores: ,


Mar corrente

0 comments

Mar corrente - Theo de Barros e Paulo César Pinheiro

Chegaste estrela, foste a mais cadente
No mar corrente dessa vida errante
E em meu semblante há muito descontente
Se fez presente esta emoção gigante

Chegaste estrela, foste a mais brilhante
No mesmo instante em que fiquei contente
Foste inocente como a flor fragrante
E foste amante por amor somente

Chegaste estrela, foste a mais ardente
E de repente foste a mais distante
Na variante desse amor poente
Partiste estrela na maré vazante

E eu de amante me tornei descrente
Tragicamente, amor, tragicamente

Marcadores: ,


Mãos vazias

0 comments

Mãos vazias - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Mal se acende a luz
Nasce o grão das ilusões
Nas mãos do sonhador
A natureza pões
Maravilhosos dons
E faz da vida
Dia de graça
E faz do tempo
A cura da desgraça
Faz da paixão
Essa magia
Depois envolve o dia
Na escuridão

E a noite reduz
A carvão as ilusões
Que o dia alimentou
Nos corações cruéis
Nos sentimentos bons
E faz da vida
A lenha escassa
E faz do tempo
Apenas fumaça
Faz da paixão
Cinzas sombrias
Depois inventa o dia por solução

Marcadores: ,


Maior é Deus

0 comments

Maior é Deus - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

É, maior é Deus
Pequeno sou eu
O que eu tenho foi Deus quem me deu
O que eu dou é o que eu tenho
Foi Deus quem me deu

Eu nada sou
Mas também não sou nenhum fariseu
Vim aqui pra falar, falou
Porque o cala boca já morreu
Maior é Deus

Mas é o que eu vou
Lhe mostrar o que de melhor for meu
Quem quiser me escutar, escutou
Não quero glória, fama ou apogeu

Lito e Bolão
Miltinho e Pinheiro, xará meu
O Romeu e o Cebion
Gudin, Márcia, Luciana e eu
Maior só Deus

Marcadores: ,


Lenda praieira

0 comments

Lenda praieira - Mário Gil e Paulo César Pinheiro

Nasceu num barco pesqueiro
Pescava desde menino
Mestre das águas proeiro
Do litoral nordestino

Em roda de jangadeiro
Deixou seu nome Quirino
Quem vive em chão de saveiro
É o chão do mar seu destino

Foi isso que deu-se um dia
Cação virou seu veleiro
Foi luta de valentia
Do peixe contra o barqueiro
Sangue, suor, maresia
O ar ficou com esse cheiro
Subia água e batia
Tudo sumiu no aguaceiro

Houve arrastão na baía
Do quebra-mar à costeira
Do fundo nada surgia
Só da jangada a madeira

As moças em romaria
Puxava reza praieira
No fim do sétimo dia
Fez-se a oração derradeira

A sua história foi bela
Virou cordel seu destino
Tem nome em pano de vela
Verso em chegança e divino
Mas uma moça donzela
Teve depois um menino
A cara do filho dela
Era de novo Quirino

Marcadores: ,


Leão do norte

0 comments

Leão do norte - Lenine e Paulo César Pinheiro

Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um alto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra nova Jerusalém
Sou Luis Gonzaga
E eu sou mangue também
Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pifo no meio do Carnaval
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão
Eu sou mameluco...

Marcadores: ,


0 comments

- Mário Gil e Paulo César Pinheiro

Lá onde eu nasci / Beira-de-mar
Brejal de flor / Cheiro de sal
Colônia de pescador

Lá passava um trem / Cortando o chão
Dos capinzais / pros Armazéns
Da Estação / Do Velho Cais
Onde eu cresci / Vendo as marés
Marujos mil / Com seus bonés
E um dia eu fui / Com roupa azul
Pra um convés

Fui nesse mundão / Vi tanto mar
De toda cor / Ouvi demais
Cantigas de pescador / Vi vagões de trem
Noutros sertões / Vidas iguais
E comecei a recordar / Meu velho cais
Onde eu cresci / Rei das marés
Quero largar / Chão do convés
Voltar e não tirar jamais / De lá meus pés

Marcadores: ,


Kêkêrêkê

0 comments

Kêkêrêkê - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Kêkêrêkê
Quê que ele quer?
Quem diz é Vovó
Quer seu catimbó.
Quer seu padê,
Quer seu despacho,
Quer seu ebó
Pra abrir gira e canjerê

Kêkêrêkê
Quer pó de pemba,
Arruda e guiné,
Quê mais que ele quer?
Mel de bangüê

Quer seu marafo,
Quer, na coité,
Farofa, sal e dendê

Põe miúdo de boi, quimbombô,
Põe fita e vela de cor,
Põe fumo de rolo pro Kêkêrêkê.

Põe fundanga no risco do chão,
Bota conta no cordão,
E espalha a moeda pro Kêkêrêkê.

Com padê na tronqueira, dotô,
Saúda o seu zelador,
E pede licença pro Kêkêrêkê.

Marcadores: ,


Jongo de João-Congo

0 comments

Jongo de João-Congo - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

O jongo tem que ser
Tem candogueiro pra bater, tem
Tem que ter, ter calo na mão, tem que ter
Toca o tambu,
Gazunga vai tremer,
Angóia vai mexer,
E é o gonguê que vai responder: teteretê...
Vai gemer bem longe a puíta
Tem que ter,
Ter sola de pé no balance,
Tem que ter, ter palma de mão,
Tem que ter que se bambear, tem que ter
Saravá pro seu Alabê!

O jongo tem que ter,
Ter dançadeiro pra valer, tem
Tem que ter, que ter que rodar, tem que ter
No baticum
A roda vai crescer
E o povo vai fazer fuzuê
Que nem seu Exu-kêkêrêkê.
Tem que ter Sá-moça catita
Tem que ter a voz de vovó de Vassuncê
Tem que ter um canto nagô,
Tem que ter um de Ioruba, tem que ter
Saravá pro seu Benguelê.

Vem pro jongo,
Ô vem jongueiro ver,
João-Congo,
O jongo tem que ter
Mais um herdeiro
Nesse terreiro
Pro jongo não morrer.

Marcadores: ,


Justiça

0 comments

Justiça - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Não
Vou mais te socorrer
Pois o que foi feito por Deus
Eu não vou desfazer

Já me botei contra deus
Quis julgar o que achei
Que eu mesmo podia
Pra mim você não merecia sofrer
Me enganei porque Deus
Nunca traça nossos caminhos
Diretos
Mas sempre dá tudo certo no fim
E quantas vezes eu não sei
Eu te perdoei
Mas era eu te perdoar
E Deus castigar

Marcadores: ,


Juparanã

0 comments

Juparanã - Joyce e Paulo César Pinheiro

Juparanã, aldeia, brejal
Juparanã, paul, pantanal
Juparanã
Nação de igarapé
Chão de curimatã
Jazida do pajé
Da muiraquitã
Juparanã, Juparanã, Juparanã

Juparanã, o boto é de lá
Tem sucuri, pacu, tracajá
Tem tucumã
Imbira, mussambê
Ingá, pariatã
Sagüi, juruetê
Arara, mussuã
Juparanã, Juparanã, Juparanã

Tem jacumã, ubá
Bom de atravessar
Os igapós, eu vou pescar
Ê Juparanã

Tem peixe, boitatá
Iara mora lá
Nos aguapés, vem me ajudar
Ê Juparanã

Marcadores: ,


Gongá

0 comments

Gongá - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Vim de longe, de um Reino de além do mar.
Vim marcado que nem o gado de lá,
Num porão de navio,
Sei de dor, fome, frio,
Sem poder nunca mais voltar.
Remo nas mãos,
Ferro nos pés,
Sangue riscando o olhar.
Vim nos grilhões,
Vim nas galés,
Eu vim da África.

Fui escravo, falar de açoites nem dá.
Meu lamento ainda ecoa no ar,
Mas quebrei a corrente,
Ninguém manda na gente,
Nunca mais ninguém vai mandar.
Sou meu senhor,
Meu dono e rei,
Na força de Oxalá.
Da minha cor
Me orgulharei,
Sempre, oh Mãe-África!

Negro, negro,
Mas não sou mais de lá.
Brasil já é meu gongá!
Negro, negro,
Mas não sou mais de lá.
Brasil já é meu gongá!

Marcadores: ,


Ganga-Zumbi

0 comments

Ganga-Zumbi - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Rei Ganga-Zumba foi, foi ver Rei-Congo
Depois da Calunga, além do mar.
Foi, foi pro canjerê de Zambiapongo
No terreiro grande de Oxalá.

Rei Ganga-Zumba foi, foi pra Aruanda,
Mas foi Zâmbi quem mandou chamar.
Quem olha a lua branca de Luanda
Vê Ganga-Zumbi no seu gongá.

Cadê Zumbi?
Meu Ogum-de-Lê
Cadê Zumbi?
Meu Mutalambô
Cadê Zumbi?
Olorum-Didê
Meu Sindorerê,
Que ele Aruandô

Marcadores: ,


Galanga Chico-Rei

0 comments

Galanga Chico-Rei - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Ganga
Galanga era Ganga
De jaga e Catanga,
Quebrava com anga
Cafife e cafanga,
Galanga era Ganga...

O Rei do Reino do Congo foi Aluquene
Muene-Congo
O seu fundador, seu rei imortal.
Senhor dos Jibas, dos Dembos e dos Engombes
E dos Mulumbos
Do Congo era Ganga, era o Rei Geral.
Senhor de Angola, Benguela, Canga, Cabinda
Tanga, Calinda, Malembo, Matamba, Dunga-tará,
Soba dos Matambulas,
Dos reinos de aquém e de além-mar

Galanga vinha do sangue de Aluquene
Ganga-Muene
Macota-Babá da Casa Real.

O Capitão-Comandante da Guerra Preta
De Maramara
O grã-lutador, o Rei maioral.
Muzungo veio e Galanga foi no tumbeiro
Pro cativeiro,
Deixando o sagrado Congo para trás,
Mas rei de Zâmbi-Apongo
É rei onde chega, Obá dos Obás

Foi assim, hoje eu sei
Que nasceu Chico-Rei
Rei da África e Rei das Minas Gerais!

Marcadores: ,


História antiga

0 comments

História antiga - Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro

Na varanda da sacada
Clareando a noite nua
O olhar da minha amada
Refletia a luz da lua
E na noite enluarada
Não se ouvia quase nada
Só meu violão na rua

Pela sombra da ramada
No portão da moradia
O olhar da minha amada
Docemente reluzia
E com voz apaixonada
Eu cantava ao pé da escada
Uma triste melodia

Quando vinha a madrugada
No soprar de um vento frio
O olhar da minha amada
Retornava ao casario
E eu seguia a caminhada
Mas deixava pela estrada
O meu resto de assovio

Hoje a lua na calçada
É só uma velha amiga
O olhar da minha amada
Já virou história antiga
Muita vida foi passada
Mas em noite enluarada
Inda lembro da cantiga

Marcadores: ,


Flor da Bahia

0 comments

Flor da Bahia - Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro

Dor da Bahia
Chega a machucar meu peito
Na garganta dá nó
Conviver com preconceito
Dá revolta e dá dó
Quem no coração
Não faz distinção
Compreende a minha dor

Cor da Bahia
É a paixão da minha vida
Quando olho em redor
A cidade construída
Misturando suor
Quanta história então
De sangue e paixão
Sobre o chão de Salvador

Na Bahia
Grão de amor é forte medra
E eu sou flor da Bahia
Semeada em chão de pedra
Flor da Bahia
Que oferece a primavera
Desse grão
Dessa flor
Desse chão
Desse amor

Flor da Bahia
É flor que ninguém arranca
Quando o amor é maior
Pele escura, pele branca
Flor da pele é uma só
Corpos que se dão
Mais sementes são
Sobre o chão de Salvador

Marcadores: ,


Flor ardente

0 comments

Flor ardente - Mario Gil e Paulo César Pinheiro

Foi minha procura
Pela noite escura
Que selou a jura de depois
E a minha espera
Trouxe a primavera aos dois

Uma flor como nenhuma
Dissolveu a bruma
Num clarão de espuma
E um sândalo perfuma
O corpo que se inflama
O peito de quem ama
E essa flor em chama
Despetala luz na minha cama

Foi tua chegada
Flor iluminada
Que floriu a estrada de depois
E a claridade
Trouxe a eternidade aos dois

Foi procura e confiança
Espera e esperança
Estrela, fé, vontade
Foi assim, que assim somente
Brota a flor ardente
Da felicidade

Marcadores: ,


Eu, hein, Rosa!

0 comments

Eu, hein, Rosa! - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Eu, hein, Rosa!
Se manca
Segura essa banca
De escrupulosa
Eu, hein, Rosa!
O meu jogo é na retranca
Área muito perigosa

Você parecem que nem lembra mais
De tempos atrás
A tua figura era vergonhosa
Eu me reparti
Querendo reconstituir
A quem hoje me
Vira o rosto assim
Mas eu nem me abalo
Você vai cair do cavalo
Quando precisar de mim

Eu, hein, Rosa!
Vem mansa
Porque a contradança
É mais audaciosa
Eu, hein, Rosa!
Apelar pra ignorância
É uma coisa indecorosa

Acho que estou é forçando demais
As cordas vocais
Você não merece um dedo de prosa
E pra resumir
Faço questão de conferir
Se se quebra ou não
Um vaso ruim
Saia no pinote
Senão vai ser de camarote
Que eu vou assistir seu fim

Marcadores: ,


Estrela da terra

0 comments

Estrela da terra - Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro

Por mais que haja dor e agonia
Por mais que haja treva sombria
Existe uma luz que é meu guia
Fincada no azul da amplidão
É o claro da estrela do dia
Sobre a terra da promissão.

Por mais que a canção faça alarde
Por mais que o cristão se acovarde
Existe uma chama que arde
E que não se apaga mais não
É o brilho da estrela da tarde
Na boina do meu capitão.

E a gente
Rebenta do peito a corrente
Com a ponta da lâmina ardente
Da estrela na palma da mão.

Por mais que a paixão não se afoite
Por mais que minh'alma se amoite
Existe um clarão que é um açoite
Mais forte e maior que a paixão
É o raio da estrela do noite
Cravada no meu coração.

E a gente
Já prepara o chão pra semente
Pra vinda da estrela cadente
Que vai florescer no sertão.

Igual toda lenda se encerra
Virá um cavaleiro de guerra
Cantndo no alto da serra
Montado no seu alazão
Trazendo a estrela da terra
Sinal de uma nova estação

Marcadores: ,


Essa moça

0 comments

Essa moça - Mario Gil e Paulo César Pinheiro

Ah ! como é bonita
Essa moça que me fita
É pra mim visão bendita
Quem lhe fez teve a visita
De Orfeu, de Deus, de artista
De artesão

Ah ! essa senhora
A mulher que me namora
Como é bela à luz da aurora
Mão se Deus ! chega, apavora
Que parece em certas horas
Sombração

Agradeço tanto
Ter em mim esse dom santo
De fazer teu corpo um manto
Me vestindo desse encanto
De paixão, de amor, de espanto
De ilusão

Vou nesse momento
Pela luz do firmamento
Te fazer um juramento
Te entregar meu sentimento
Até quanto eu tenha dentro
Coração

Marcadores: ,


E lá vou eu

0 comments

E lá vou eu - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

E lá vou eu
Melhor que mereço
Pagando a bom preço
A evolução
Ai, se não fosse o violão
E o jeito de fazer samba
Do tempo que quem fazia
Corria do camburão
Hoje não corre não
Hoje o samba é decente
E ninguém agüenta, oh, gente
A força de um samba não

Pois que faz samba fala
E quem fala, atenção!
Força nenhuma cala
A voz da multidão
E cantar inda vai ser bom
Quando o samba primeiro
Não for prisioneiro
Desse desespero
E resignação
E lá vai minha voz
Espalhando então
O meu samba guerreiro
Fiel correio
Da população

Marcadores: ,



E lá se vão meus anéis - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Lá se vão meus anéis diz o refrão
Mas meus dedos são dez, duas mãos
E a mulher que tu és: oh, não!
Isso não são papéis não são
Não merece meus réis de pão
Mete os pés pelas mãos

Todos sabem que o meu coração
É uma casa aberta não sei porque
Portas e janelas dão pra você
Dão, deram e darão
É por que a chave do meu coração
Somente o teu coração pode abrir
E lá vai meu coração por aí
Mas não perdoa não
E lá se vão meus anéis

Lá se vão meus anéis, outros virão
Nas primeiras marés encho as mãos
Mas me por a teus pés, oh, não!
Nem que fosse o que resta então
Nem que virem cruéis os bons

Marcadores: ,


Desperdício

0 comments

Desperdício - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Foi um desperdício da paixão
Que fez do sacrifício solidão
Meu coração cicatrizou
Mas nunca ficou perfeito
Se enclausurou dentro do peito
Renunciando a todo amor
A vida é a justiça que vem do céu
Não faz distinção entre o bem e o mal
Por isso é às vezes cruel
E o amor é a pena fatal
Você só cumpriu o seu papel
Eu tive o papel principal
Ah! Eu fui aquele que chorou
Ah! Como você me machucou
Meu coração se conformou
Mas nunca mais amou direito
Porque ele aí fica sem jeito
Denunciando a minha dor

Marcadores: ,


Desenredo

0 comments

Desenredo - Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro
 A                                           Bm/A
Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo
E/G# A
A morte tece seu fio de vida feita ao avesso
A7 D
O olhar que prende anda solto
E7 A
O olhar que solta anda preso
A7 Bm/A
Mas quando eu chego eu me enredo
B7 E7 A
Nas tranças do teu desejo
Bm/A
O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo
E/G# A
A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo
A7 D
O olhar que assusta anda morto
E7 A
O olhar que avisa anda aceso
A7 Bm/A
Mas quando eu chego eu me perco
B7 E7 A Bm/A C#m/A
Nas tramas do teu segredo
Bm/A
Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
A
Vou-me embora pra bem longe
Bm/A
A cera da vela queimando, o homem fazendo seu preço
E/G#
A morte que a vida anda armando,
A
a vida que a morte anda tendo
A7 D
O olhar mais fraco anda afoito
E7 A
O olhar mais forte, indefeso
A7 Bm/A
Mas quando eu chego eu me enrosco
B7 A Bm/A C#m/A
Nas cordas do seu cabelo
Bm/A
Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
A (Bm/A C#m/A A)
Vou-me embora pra bem longe...

Marcadores: ,


Deixa teu mal

0 comments

Deixa teu mal - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Deixa esse teu mal passar
Deixa que ninguém tem dó
Deixa esse teu mal passar
Sempre existe um mal maior

É como na felicidade
Não vá pensar que o mar
É a solução
Não pense não
Porque muito amor
Também faz mal
Ao coração

Marcadores: ,


Consideração

0 comments

Consideração - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Toda cidade vai cantar
E finalmente vai voltar
O tempo da paz os tempos atrás
O tempo da consideração
Quando era menos ambição
E o coração valia muito mais
Toda a cidade vai cantar
O cancioneiro popular de tempos atrás
Que já não se faz
E chega a me dar uma emoção
De contemplar a multidão
Cantando pelas ruas principais
Joga todo mal pra fora
Abre o peito e chora em paz
Que é bonito demais
Toda cidade cantando
Como nos antigos carnavais

Marcadores: ,


Choro livre

0 comments

Choro livre - Flávio Henrique e Paulo César Pinheiro

Quando pra mim o amor acaba em ilusão
Choro de paixão
Mas cada gota d’água
Dessa mágoa que eu chorar
Lava o meu olhar
E cai, cai, cai...

Cai entre as primas e os bordões do meu violão
Vira inspiração
E aos poucos se transforma em mais um choro pra cantar
Choro popular que vai, vai, vai...

Vai pelo vento o coração
No sentimento da canção
Vai como um lamento o meu penar
Como um alento pra quem quer se consolar
Vai pelo ar...

Quando vou ver
Não tenho mais tristeza não
Nem lamentação
Só música bonita
Mas que em vez de me ocultar
Esse mal de amar
Me trai, trai, trai...

Trai como os versos
Que são só desilusão
Tudo escrito a mão
Num bloco que guardei
E pra mim mesmo eu quis jurar
Que ele de lá
Não sai, sai, sai...

Mas nem poesia, nem canção
Se tranca em cofre ou coração
Emoção, ninguém deve guardar
Lá vai meu choro
E chore quem quiser chorar
Vai pelo ar de bar em bar...

Marcadores: ,


Caso

0 comments

Caso - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Mas se me encontrar
Não vale lembrar
O que ficou pra trás
O que se acabou
Se acabou em paz
Mas se me encontrar...
Pois é,
Foi bom mas enquanto durou
Mas é poeira que o vento levou já
Lembra do que a princípio se combinou
Não havendo mais amor, separar
Que um dia a gente pode se encontrar
Não é pra me tratar bem de favor
E nem a beijos e abraços que não dá
Vamos ser naturais se possível for
E a cada um novo amor declarar
Que um dia a gente pode se encontrar

Marcadores: ,


Chico Preto

0 comments

Chico preto - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Nasceu moleque preto, é mane
Na zona do pecado, é negão
Cresceu dentro dos gueto, é mais um
Vivendo de armação, cafetão
Crioulo analfabeto, é ninguém
Foi marginalizado, é ladrão
Mas tem curso completo, é FEBEM
Pela contravenção, bandidão

Chico Preto, camarada
Os home tão querendo te mandar pro céu
Andaram te entregando, armaram uma cilada
Com as dica dos pé-sjuo, os cara de aluguel
Subiram o Cantagalo, entraram na Cruzada
Cercaram a Caixa-D'Água, invadiram o Borel
Passaram na Rocinha, fecharam a bocada
Já estão na Catacumba que é o teu quartel

É cheio de processo, ele é o tal
Tem retrato falado, ele é o bão
Pra todo lado impresso em jornal
Mas não pegou prisão, ele é o cão
Malandro de cadeira, é dotô
Jamais foi grampeado na mão
Na eterna brincadeira que entrou
De polícia e ladrão, tresoitão

Chico Preto, amizade
A tua vida é mesmo de tirar o chapéu
Pulando que nem sapo pra fugir das grade
Andando pelo mato que nem cascavel
Morando que nem rato só por liberdade
Vivendo que nem bicho num mundo cruel
Ganga Zumba do morro, Zumbi da cidade
A tua história um dia vai virar cordel

Marcadores: , ,


Chorando pela natureza

0 comments

Chorando pela natureza - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

A natureza está clamando
De tanto lutar não resistiu
E a poesia está chorando
Sobre o corpo do Brasil!

As matas sumindo da nossa bandeira
O ouro cruzando as fronteiras do mar
O azul é só poeira
O branco em guerra está
E o nosso índio tombou
Pouca gente lutou
Pela sua defesa
E o canto dos pássaros se calou
E o leito dos rios secou
O país todo é uma tristeza
E poeta que sou
Num canto de dor
Eu choro pela natureza

Marcadores: , ,


Chorei

0 comments

Chorei - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Chorei
Como nunca chorei na vida
Porque precisava desabafar
Chorei
Tanta mágoa naquela hora
Que a tristeza foi indo embora
Antes da derradeira lágrima rolar
Chorei
Porque vinha trazendo minh'alma sentida
Eu chorei pela última vez nessa vida
Para nunca mais chorar
Doravante eu vou cantar
Se a tristeza voltar
Dessa vez não demora
Mas não me envergonho pelo pranto que chorei
Porque
Pelo que eu chorei
Qualquer um também chora

Marcadores: ,


Cargueiro

0 comments

Cargueiro - Mário Gil e Paulo César Pinheiro

Lua amarela, veleiro, flutua no ar
Pano de vela de estrelas, lanternas do mar
Lança do bico da proa um cordão de luar
E amarra a minha canoa que eu quero embarcar

Casco de veleiro
Vento vai riscar
O meu nome inteiro
Sou mais marinheiro
Do céu que do mar

Barco de São Jorge
Quero navegar
E que Ogum me forje
Com a prata do alforje
O meu patuá

Lua que traz na maré que Deus dá
Os versos do meu cantar
Lua que leva a dor do meu olhar
Cargueiro do meu penar

Marcadores: ,


Canto brasileiro

0 comments

Canto brasileiro - Paulo César Pinheiro

Meu coração é o violão de Espanha
Meu sangue quente é o banjo americano
A minha voz é o cello da Alemanha
Meu sentimento é o bandolim cigano

A minha mágoa é o som francês do acordeon
Meu crânio é a gaita de fole escocesa
Meus nervos são como bandoneon
Minha calma é igual guitarra portuguesa

Meu olho envolve como flauta indiana
Minha loucura é como harpa romana
Meu grito é o corne inglês de desespero

Maldito ou bíblico, demônio ou santo
Cada país foi me emprestando um canto
E assim nasceu meu Canto Brasileiro

Marcadores: ,


Cabrochinha

0 comments

Cabrochinha - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Ô, cabrochinha
Venha ver quem chegou
Chegou no bico do sapato,
O seu mulato flozô
Bota um vestido justo
Aquele curto lilás
Que tem um corte do lado
E um decote atrás

Dei sorte na loteca
E uma merreca pintou
Repara só na beca
Que o teu nego comprou
Vou te levar pra jantar,
Cabrochinha, dessa vez
Num restaurante francês

Mas “sivuplé”, ô, “messiê” garçon
Leva o menu que eu não entendo lhufas
Eu vou pedir esse Don Perignon
Um escargot e um filet com trufas
Depois daquela sobremesa que flamba
A gente volta pro samba
A gente encerra o glamour
No fim da noite um bangalô,
Penhoar e um abajur
Pra gente fazer l’amour L’amour toujour

Marcadores: , ,


Bares da cidade

0 comments

Bares da cidade - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Anoiteceu
Outra vez vou sair
Sem nada a esperar
Sem ter pra onde ir
Vou caminhar por aí a cantar
Tentando acalmar as tristezas por onde eu passar

A minha vida boêmia de bar em bar
É o meu amor sem paz
Por um amor vulgar
Que me abandonou
Chorando os meus ais
Me deixando também por maldade
Saudades demais
E eu vou levando minha alma aflita
À noite a cidade é tão bonita
Do Lamas ao Capela, e da Mem de Sá
Passo no Bar Luís
E no Amarelinho é que eu vou terminar

Marcadores: , ,


Banho de manjericão

0 comments

Banho de manjericão - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Eu vou me banhar de manjericão
Vou sacudir a poeira do corpo batendo com a mão
E vou voltar lá pro meu congado
Pra pedir pro santo
Pra rezar quebranto
Cortar mau-olhado

Eu vou bater na madeira três vezes com dedo cruzado
Vou pendurar uma figa de aço no meu cordão
Em casa um galho de arruda é que corta
Um copo d'água no canto da porta
Vela acesa e uma pimenteira no portão

É com vovó Maria que tem simpatia pra corpo fechado
É com pai Benedito que benze os aflitos com um toque de mão
E pai Antônio cura desengano
E tem a reza de São Cipriano
E tem as ervas que abrem os caminhos do cristão

Marcadores: , ,


Bafo de boca

0 comments

Bafo de boca - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Para de beber, compadre
Meu compadre deixa disso
Larga essa mulher de lado
Lembra do teu compromisso

Mas veja só que malandro que tu és
Entrou num artigo dez
Por causa de dois mil réis, compadre
Minha comadre já tá ficando louca
Com esse teu bafo de boca
Boa coisa não vai dar

E a tal mulher que anda nos cabarés
Mas essa não paga dez
Só vive trocando os pés, compadre
Minha comadre diz que a desgraça é pouca
Você tá marcando touca
E o bicho inda vai pegar

Marcadores: , ,


Arrebentação

0 comments

Arrebentação - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Que mistérios que são
As águas do mar
Onde os barcos se vão
Temendo ficar
Que mistérios que são
Os brilhos do olhar
São faróis de ilusão
Pra quem quer amar
Verde, negro, azulão
São cores do mar
De onde uma embarcação
Jamais sairá
Verde, negro, azulão
São cores do olhar
Onde a nossa paixão
Costuma afundar
Noites de assombração
Nas ondas do mar
São como um coração
Com medo de amar
Dor de amor é um arpão
Lançado no peito
Feito arrebentação
Na beira do mar
Quando a separação se dá
Fica a recordação
No fundo de cada olhar
Como os barcos que estão
No fundo do mar

Marcadores: ,


Anabela

0 comments

Anabela - Mário Gil e Paulo César Pinheiro

No porto de Vila Velha
vi Anabela chegar
olho de chama de vela
cabelo de velejar
pele de fruta cabocla
com a boca de cambucá
seios de agulha de bússola
na trilha do meu olhar

Fui ancorando nela
naquela ponta de mar

No pano do meu veleiro
veio Anabela deitar
vento eriçava o meu pelo
queimava em mim seu olhar
seu corpo de tempestade
rodou meu corpo no ar
com mãos de rodamoinho
fez o meu barco afundar

Eu que pensei que fazia
daquele ventre meu cais
só percebi meu naufrágio
quando era tarde demais

Vi Anabela partindo
pra não voltar nunca mais

Marcadores: ,


Além do espelho

0 comments

Além do espelho - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

A vida é sempre uma missão
A morte uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu

Quando eu olho o meu olho além do espelho
Tem alguém que me olha e não sou eu
Vive dentro do meu olho vermelho
É o olhar de meu pai que já morreu
O meu olho parece um aparelho
De quem sempre me olhou e protegeu
Como agora meu olho dá conselho
Quando eu olho no olhar de um filho meu

...

Sempre que um filho meu me dá um beijo
Sei que o amor de meu pai não se perdeu
Só de ver seu olhar sei seu desejo
Assim como meu pai sabia o meu
Mas meu pai foi-se embora no cortejo
E eu no espelho chorei porque doeu
Só que olhando meu filho agora eu vejo
Ele é o espelho do espelho que sou eu

...

Toda imagem no espelho refletida
Tem mil faces que o tempo ali prendeu
Todos têm qualquer coisa repetida
Um pedaço de quem nos concebeu
A missão de meu pai já foi cumprida
Vou cumprir a missão que Deus me deu
Se meu pai foi o espelho em minha vida
Quero ser pro meu filho espelho seu

...

Marcadores: ,


Áfrico

0 comments

Áfrico - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Quem foi que fez brasileiro bater
Tambor de jongo?
De onde é que sai quem batuca com o pé
Terno-de-Congo?
Quem é, me ensina quem foi
Que fez o povo dançar
Tambor-de-Mina, Bumba-meu-boi,
Boi-bumbá,
O bambaquerê,
O samba, o ijexá,
Quando o Brasil resolveu cantar?

Quem foi que pôs o lamento na voz
Da lavadeira?
Quem fez aqui baticum, candomblé
E a capoeira?
Quem trouxe o maracatu?
Quem fez o maculelê,
Mineiro-pau, côco, caxambu,
Bangulê,
A xiba, o lundu,
O cateretê,
Quando o Brasil resolveu cantar?

Me diz quem foi que fez
A dor se transformar
Em som de carnaval,
Em batucada,
Em melodia?
Que força fez mudar
Toda tristeza
Em alegria,
Quando o Brasil resolveu cantar?

Marcadores: ,


Anuário

0 comments

Anuário - Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

Entra janeiro
No meu calendário
Com as mesmas máscaras
De fevereiro
Sinto que março vai passar ligeiro
Que a morte espera
Em cada aniversário
Maio eu não sei
Mas é em geral contrário
Junho é o mês mais triste
Do ano inteiro
Que ainda leva julho ao desespero
E faz agosto todo funerário
Setembro sempre
Me encontrou solteiro
Depois outubro amor involuntário
E o tédio triste
De um novembro ordeiro
Mas vem dezembro
E eu fecho o meu diário
E quando eu penso
Que acabou o roteiro
Entra janeiro no meu calendário
Com as mesmas máscaras
De fevereiro

Marcadores: ,


Senhorinha

0 comments

Senhorinha - Guinga e Paulo César Pinheiro
C9              G/B   A#m13-/5-
Senhorinha
A7 Dm G7 C9
Moça de fazenda antiga, prenda mi nha
G/B A#m13-/5- Dm
Gosta de passear
Dm7M G/B A#m13-/5-
de chapéu, sombrinha
A7 A#m13-/5- A#m6 A
Como quem fugiu de uma modinha

C9 G/B A#m13-/5-
Sinhazinha
A7 Dm G7 C9
No balanço da cadeira de palhi nha
G/B A#m13-/5- Dm
Gosta de trançar
Dm7M G/B A#m13-/5-
seu retrós de linha
A7 A#m13-/5- A#m6 Dm7M A D A
Como quem parece que adivinha, a mor

D A#
Será que ela quer casar
F
Será que eu vou casar com e la
G7 C
Será que vai ser numa capela
D7 G
De casa de andori nha

C9 G/B A#m13-/5-
Princesinha
A7 Dm G7 C9
Moça dos contos de amor da carochi nha
G/B A#m13-/5- Dm
Gosta de brincar
Dm7M G/B A#m13-/5-
de fada-ma drinha
A7 A#m13-/5- A#m6 A
Como quem quer ser minha rainha

C9 G/B A#m13-/5-
Sinhá mocinha
A7 Dm
Com seu brinco e seu colar
G7 C9
de água-mari nha
G/B A#m13-/5- Dm
Gosta de me olhar
Dm7M G/B A#m13-/5-
da casa vizinha
A7 A#m13-/5- A#m6 Dm7M A D A
Como quem me quer na camarinha, a mor

D A#
Será que eu vou subir no altar
F
Será que irei nos braços dela
G7 C
Será que vai ser essa donzela
D7 G
A musa desse trova dor (solo)

Cm C9
Ó prenda minha, Ó meu amor
G/B C9
Se torne a minha senhorinha

Marcadores: , ,


Saci

0 comments

Saci - Guinga e Paulo César Pinheiro
C#m7/9          F#m7/9
Quem vem vindo ali
Am6 E7M
É um preto retinto e anda nu
G#m7 Gº F#m7
Boné cobrindo o pixaim
Bm7/9 Em7M
E pitando um cachimbo de bambu

Am9
Vem me acudir
Dm G
Acho que ouvi seu assovio
Gm7
(mi) Fiquei até com cabelo em pé
Eb7M
Me deu arrepio, frio

C#m7/9 F#m7/9
Quem vem vindo ali
Am6 E7M
Tá capengando numa perna só
G#m7 Gº F#m7
Só pode ser coisa ruim
Bm7/9 Em7M
Como bem já dizia minha vó

Am7
Diz que ele vem
Dm G
Montado num roda-moinho
Gm6
Já sei quem é, já vi seu boné
Eb7M
Surgir no caminho

E/G# C#m7 F#m7/9
Quando ele vê que eu me benzi
C#m7 F#m7/9 B7/13 B7
E que eu me arre.......do, cruz cre.....do
E/G# A7M/9
Solta uma gargalhada
E/G#
Some na estrada
A7M/9
É o Saci

(repete de)
C#m7/9 F#m7/9
Quem vem vindo ali...(até) ... É o Saci

Marcadores: , ,



Na volta que o mundo dá - Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro

D G6 D
Um dia eu senti um desejo profundo
G6 D
De me aventurar nesse mundo
G6 D G6 D
Pra ver onde o mundo vai dar

Bm Bm7M Bm7
Saí do meu canto na beira do rio
Bm6 Bm
E fui prum convés de navio
G6 D G6 D G6
Seguindo pros rumos do mar

D G6 D
Pisei muito porto de língua estrangeira
G6 D
Amei muita moça solteira
G6 D G6 D
Fiz muita cantiga por lá

Bm Bm7M Bm7
Varei cordilheira, geleira e deserto
Bm6 Bm
O mundo pra mim ficou perto
G6 D G6 F#
E a terra parou de rodar

G/A
Com o tempo
A7 Bm G6 D
Foi dando uma coisa em meu peito
Em A7 D
Um aperto difícil da gente explicar

Bm Bm7M Bm7
Saudade, não sei bem de quê
G6 D
Tristeza, não sei bem por que
Em A/G D G6 D
Vontade até sem querer de chorar

Em D
Angústia de não se entender
Em Bm
Um tédio que a gente nem crê
Em A7 Bm D G6 D G6
Anseio de tudo esquecer e voltar ô........

D G6 D
Juntei os meus troços num saco de pano
G6 D
Telegrafei pra o meu mano
G D G6 D G6
Dizendo que ia chegar

Bm Bm7M Bm7
Agora aprendi por que o mundo dá volta
G6 D
Quanto mais a gente se solta
A/G D G6 D G6
Mais fica no mesmo lugar

D G6 D
A um á a ã a
G6 D
A um á a ã
G6 D
A um á a ã.....ã
G6 D G6
Um.....
D G6 D G6
A um á a ã
D G6 D
à ã ã.....

Marcadores: , ,


Paulo César Pinheiro

0 comments

Paulo César Pinheiro

Paulo César Pinheiro (Paulo César Francisco Pinheiro), letrista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 28 de abril de 1949. Morava em Angra dos Reis RJ quando fez seus primeiros versos, e foi nessa cidade que conheceu João de Aquino, seu parceiro nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964. Um ano depois, Baden Powell, primo de João de Aquino, convidou-o para escrever letras para suas músicas.

Em 1968 compôs com Baden Powell o samba Lapinha, que venceu a I Bienal do Samba, da TV Record, de São Paulo SP, no mesmo ano, e foi gravado por Elis Regina em disco Phonogram. Ainda em 1968, fez, com Francis Hime, A grande ausente, defendida por Taiguara no III FMPB, da TV Record, e classificada em sexto lugar, e participou do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, com duas músicas – Sagarana (com João de Aquino), apresentada por Maria Odete, e Anunciação (com Francis Hime), interpretada pelo MPB-4.

Concorreu ao IV FIC, em 1969, com Sermão (com Baden Powell) e, no ano seguinte, fez uma temporada de 15 dias em Paris, França, ao lado de Baden Powell. Em 1970 destacou-se com vários sucessos: Elis Regina gravou três musicas suas e de Baden Powell – Samba do perdão, Quaquaraquaquá e Aviso aos navegantes; e Elizeth Cardoso gravou Refém da solidão (com Baden Powell).

Ainda em 1970, compôs 12 músicas para a trilha sonora da novela O semideus, da TV Globo, fez a trilha sonora para o filme A vingança dos doze, de Marcos Farias, e foi o responsável por roteiros de shows de Baden Powell. Em 1971, E lá se vão meus anéis (com Eduardo Gudin), defendida por Os Originais do Samba, venceu o IV Festival Universitário da Música Popular, da TV Tupi, do Rio de Janeiro.

Participou, em 1972, do VII FIC, com Diálogo (com Baden Powell), música que ganhou festival na Espanha. Compôs musicas com Dori Caymmi para diversos filmes, entre eles Tati, a garota, de Bruno Barreto, em 1973. Compôs a musica da peça A teoria na prática é outra, de Antônio Pedro, apresentada no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, em 1973.

Em 1974, o MPB-4 gravou Agora é Portela 74 (com Maurício Tapajós). Fez ainda, nesse ano, a versão do musical Pippin, montado no Teatro Manchete, no Rio de Janeiro, e gravou seu primeiro LP, pela Odeon, apresentando-se como cantor.

Em 1975-1976 participou com Márcia e Eduardo Gudin do show O importante é que nossa emoção sobreviva, levado no Teatro Oficina, que resultou num LP gravado ao vivo. Casou com a cantora mineira Clara Nunes em 1975. Compôs para a trilha sonora do filme A Batalha dos Guararapes, de Paulo Thiago (1978). Com Dori Caymmi, compôs Pedrinho e Jabuticaba, para a trilha do programa Sítio do Pica-pau Amarelo, da TV Globo. Fez a trilha sonora do programa Ra-tim-bum, da TV Cultura, compondo cinco músicas em parceria com Edu Lobo. Tem dois livros de poemas editados: Canto brasileiro (1976) e Viola morena (1982).

Alguns dos últimos CDs que foram lançados com letras do compositor são: Parceria, 1994, Velas, gravado ao vivo do show com João Nogueira, com 12 das parcerias dos dois; Aboio, 1995, Saci, CD do violonista e compositor Sérgio Santos, com 13 toadas, choros e sambas em parceria com este; Tudo o que mais nos uniu, 1996, Velas, CD gravado ao vivo do show com Eduardo Gudin e Márcia, no Sesc Pompéia de São Paulo, em comemoração aos 20 anos do outro show da trinca; O som sagrado de Wilson das Neves, 1997, CID, estréia como intérprete do baterista Wilson, com 14 músicas inéditas, das quais 13 são parcerias de ambos. Escreveu mais de 1.300 letras, tendo mais de 700 sido gravadas ate 1997.

Algumas letras e músicas cifradas:

À flor da pele, Acalanto, Áfrico, Além do espelho, Anabela, Anuário, Arrebentação, As forças da natureza, Auto de São Jorge Guerreiro, Bafo de boca, Banho de manjericão, Bares da cidade, Brasil precisa balançar, Cabrochinha, Canto brasileiro, Canto das três raças, Cão sem dono, Cargueiro, Caso, Chico Preto, Chorando pela natureza, Chorei, Choro livre, Consideração,

Deixa teu mal, Desenredo, Desperdício, Dos navegantes, E lá se vão meus anéis, E lá vou eu, Espelho, Essa moça, Estrela da terra, Eu, hein, Rosa!, Flor ardente, Flor da Bahia, Galanga Chico-Rei, Ganga-Zumbi, Gongá, Homenagem à Velha Guarda, História antiga, Jongo de João-Congo, Juparanã, Justiça, Lapinha, Kêkêrêkê, , Leão do norte, Lenda praieira,

Maior é Deus, Mãos vazias, Mar corrente, Minha missão, Mordaça, Na volta que o mundo dá, Nagô, Não demore, Não vim pra ficar, Nove luas, Novo novelo, O cavalo de São Jorge, O cristal e o marfim, O poder da criação, Olorum, Oluô, Outro quilombo, Pajé, Pano pra manga, Passarinhadeira, Perdão, Pesadelo, Portela na avenida, Primeira mão,

Quilombola, Quitanda das Iaôs, Rainha do mar, Recado ao poeta, Refém da solidão, Rendas de prata, Rio, samba, amor e tradição, Saci, Sagarana, Samba de roda na beira do mar, Santo dia, Saruê, Saudades da Guanabara, Senhorinha, Sincretismo, Solidão, Submerso, Súplica, Última forma, Um ser de luz, Velhice da porta-bandeira, Velho casarão, Veneno, Vento bravo, Viagem, Violão.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha

Marcadores: , , ,


Súplica

0 comments

Súplica - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Tom: C

C A7 Dm
O corpo a morte leva
G7 C
A voz some na brisa
A7 Dm
A dor sobe pra'as trevas
G7 C G7
O nome a obra imortaliza
C A7 Dm
A morte benze o espírito
G7 C A7
A brisa traz a música
Dm G7
Que na vida é sempre a luz mais forte
C G7
Ilumina a gente além da morte
C A7 Dm
Venha a mim, óh, música
G7 C G7
Vem no ar
C A7 Dm G7
Ouve de onde estás a minha súplica
C G7
Que eu bem sei talvez não seja a única
C A7 Dm
Venha a mim, oh, música
E7 A7
Vem secar do povo as lágrimas
Dm Fm C7 B7 Bb7 A7
Que todos já so.....frem de......mais
D7 G7 C
E ajuda o mundo a viver em paz

Marcadores: , , ,


Wilson, Geraldo e Noel

0 comments

Wilson, Geraldo e Noel - João Nogueira
G                         D7                    C
Eu bem que sabia, que o samba que eu tinha na mente
G7 E7 C
Era diferente com jeito de Wilson, Geraldo e Noel
Cm
Puxei a cadeira, não bati mais papo
Bm E7
Peguei a caneta e o guardanapo
C D7 G E7
Passei o samba pro papel
C D7 G
Nos versos botei a malícia lá da malandragem
E7 C
Correr da polícia tem que ter coragem
D7 G G7
Malandro que dorme vai cedo pro céu
C Cm Bm
Peguei o meu samba e fui logo mostrando a meiga Elizete
E7 C
Ela disse sorrindo o "nêgo" tem topete
D7 E7 D6
Já pode sambar lá em Vila Isabel
C Cm
Daí em diante, eu já fui consagrado
Bm E7
Oh meiga Elizete, meu muito obrigado
C
E por outro lado
D7 G
Obrigado a Wilson, Geraldo e Noel

Marcadores: , ,


Nó na madeira

0 comments

Nó na madeira - João Nogueira

Introdução: Dm7/9 G7/13 C7+ A7/9- Dm7/9
D7/9 Eb7/9 Em7 A7/9-

Dm7/9
Eu sou é madeira
G7/13 C7+
Em samba de roda já dei muito nó
Em7 Ebº Dm7
Em roda de samba sou considerado
G7/13 C7+ A7/9-
De chinelo novo brinquei carnaval, carnaval
Dm7/9
Sou é madeira
G7/13 C7+ Em7
Meu peito é do povo, do samba e da gente
A7/9- Dm7/9
E dou meu recado de coração quente
G7/13 C7+ A7/9-
Não ligo à tristeza, não furo, eu sou gente
Dm7/9
Sou é madeira
G7/13 C7+
Trabalho é besteira, o negócio é sambar
Em7 Ebº Dm7
Que samba é ciência e com consciência
G7/13 Gm7 C7/9
Só ter paciência que eu chego até lá
F/A
Sou nó na madeira
Bb7/9 C7+
Lenha na fogueira que já vai pegar
A7/9- D7/9
Se é fogo que fica ninguém mais apaga
G7/13 C7+ Gm7
É a paga da praga que eu vou te rogar (devagar)
C7/9 F/A
Sou nó na madeira
Bb7/9 C7+
Lenha na fogueira que já vai pegar
A7/9- D7/9
Se é fogo que fica ninguém mais apaga
G7/13 C7+
É a paga da praga que eu vou te rogar

Marcadores: , , ,


Mineira

0 comments


Mineira - João Nogueira e Paulo César Pinheiro
Gm               F         Gm
Lará ... abre o pano do passado, tira a preta do cerrado
Cm
Tem recongo no congá
Am5-/7 D7
Anda canta um samba verdadeiro, faz o que mandou o mineiro
Gm
A mineira
Samba que samba no bole que bole
Oi morena do balaio mole se embala do som dos tantãs
Quebra no balacochê do cavaco e rebola no balacubaco
Se embola dos balagandãs
Mexe no meio que eu sambo do lado vem naquele bamboleado
E totalmente som bam, bam, bam
Cm D7 Gm Am5-/7 D7 Gm G7
Vai cai no samba cai e o samba vai até de manhã
Cm D7 Gm Am5-/7 D7 Gm
Vai cai no samba cai e o samba vai até de manhã
Gm D7 Gm D7 Gm D7
O saravá menina mineira que é filha de Ogum com Iansã
Gm Cm Gm
Samba que samba no bole que bole
Cm Gm G7 Cm G7
Oi morena do balaio mole se embala do som dos tantãs
Cm Am5-/7
Quebra no balacochê do cavaco e rebola no balacubaco
D7 Gm D7
Se embola dos balagandãs
Gm Cm Gm D7 Gm
Mexe no meio que eu sambo do lado vem naquele bamboleado
G7 Cm
E totalmente som bam, bam, bam

REFRÃO
Cm Gm Am5-/7 D7 Gm
Lalá, lalá, lalá, lalá, lalá, lalalalalalalá

Marcadores: , , ,


Espelho

0 comments

Espelho - João Nogueira e Paulo César Pinheiro
Tom: D

D Gm
Nascido no subúrbio nos melhores dias
D Gm
Com votos da família de vida feliz
D D7 G
Andar e pilotar um pássaro de aço
C7 Am7
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
D7 G7+ C7 D
Com as fardas mais bonitas desse meu país
Gm7
O pai de anel no dedo, o dedo na viola
D D7
Sorria e parecia mesmo ser feliz
Gm C7 D Gm6 C7 Am7 D7
Eh! Vida boa quanto tempo faz
Gm6 C7 D D7 G7+
Que felicidade E que vontade de tocar viola de verdade
Gm6 D
E de fazer canções como as que fez meu pai
D
E de fazer canções como as que fez meu pai
Gm6 D Gm6
E de fazer canções como as que fez meu pai
D Gm
Um dia de tristeza me faltou o velho
D Gm
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
D D7 G
E me abracei na bola e pensei ser um dia
C7 D
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Gm6
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
C7 D
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Gm6 D
Foi mais uma vontade que ficou pra trás
Gm C7 D Gm6 C7 Am7 D7
Eh! Vida boa, vai no tempo vai
Gm6 C7 D
E eu sem ter maldade
D7 G
Na inocência de criança de tão pouca idade
Gm6 D
Troquei de mal com deus por me levar meu pai
D Gm6
Troquei de mal com deus por me levar meu pai
G#m5-/7 Gm6 D Gm6
Troquei de mal com deus por me levar meu pai
D Gm
E assim crescendo eu fui me criando sozinho
D Gm
Aprendendo na rua, na escola e no lar
D D7 G
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
C7 D
Em toda brincadeira, em briga e namorar
Gm6
Até que um dia eu tive que largar o estudo
C7 D
E trabalhar na rua sustentando tudo
C7 D D7
Assim sem perceber eu era adulto já
Gm C7 D Gm6 C7 Am7 D7
Eh! Vida boa vai no tempo vai
Gm C7 D
Ai mas que saudade
D7 G
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
Gm6 D
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
D7 Gm6
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
C7 Gm6
Mas tão habituado com o adverso
D
Eu temo se um dia me machuca o verso
Gm6 D
E o meu medo maior é o espelho se quebrar
Gm6
E o meu medo maior é o espelho se quebrar
D
E o meu medo maior é o espelho se quebrar

Marcadores: , , ,


João Nogueira

0 comments

O cantor e compositor João Nogueira (João Batista Nogueira Júnior) nasceu em 12/11/1941 e faleceu em 5/6/2000. Carioca, aprendeu a tocar violão com o pai, o advogado e músico João Batista Nogueira, que chegou a participar, como violonista, do regional de Rogério Guimarães. Aos 15 anos, começou a compor junto com a irmã, a compositora Gisa Nogueira.

Morador do bairro do Meyer, aos 17 anos passou a freqüentar o bloco carnavalesco Labareda do Meyer, do qual chegou a ser diretor. Por essa época, seus sambas eram conhecidos apenas pelo pessoal do bloco. Por meio de um deles, Airton Silva, filho do saxofonista Moacir Silva (então diretor da gravadora Copacabana), conseguiu, em 1968, gravar sua composição Espera, ó nega, acompanhado por um conjunto de samba que, depois, passaria a ser chamado de Nosso Samba.

Em 1970 gravou Corrente de aço. Paulo Valdez, compositor e filho da cantora Elisete Cardoso, também freqüentador do bloco, mostrou a ela suas músicas; logo depois, Elisete regravou Corrente de aço. Nessa época, procurou Adelson Alves, que fazia um programa na Rádio Globo, para ser seu produtor.

Em 1971, Adelson produziu a gravação de duas composições suas, quando atuou também como cantor: Mulher valente é minha mãe e O homem de um braço só (homenagem a Natal, presidente da Portela), incluídas no LP Quem samba fica.

Ainda em 1971, Clara Nunes lançou Meu lema (com Gisa Nogueira) e Morrendo de verso em verso, e Eliana Pittman gravou Das duzentas pra lá. Nesse mesmo ano, com Sonho de bamba, venceu um concurso na Portela, passando a integrar a ala dos compositores da escola de samba. Sonho de bamba foi gravado por ele em 1972, ano em que lançou um LP com músicas suas e de outros compositores, e um compacto com Espelho (com Paulo César Pinheiro) e Valsa feliz.

Em 1974 lançou o LP E lá vou eu e, no ano seguinte, o LP Vem quem tem, em que se destacam as faixas Mineira (com Paulo César Pinheiro) e Chorando pelos dedos (com Cláudio Jorge). Fez apresentações em shows do Teatro Opinião, Teatro Santa Rosa e outros. Apresentou-se em 1977 nas principais capitais do Brasil, ao lado de Cartola, no Projeto Pixinguinha. Lançou o LP Espelho (Odeon), com destaque para a música-título e O passado da Portela (Monarco).

Em 1978 lançou o LP Vida boêmia (Odeon), ao lado de Sérgio Cabral. No ano seguinte, montou o show Carioca, suburbano, mulato e malandro. Lançou o LP Clube do samba (Polygram), com destaque para Súplica (com Paulo César Pinheiro) e Enganadora (Monarco e Alcides Dias Lopes).

Em 1980 lançou o LP Na boca do povo, com várias parcerias suas com Paulo César Pinheiro. No ano seguinte, saiu o LP Wilson, Geraldo e Noel, homenageando Wilson Batista, Geraldo Pereira e Noel Rosa com a interpretação de suas obras.

Em 1982 gravou o LP O homem dos quarenta, com Pimpolho moderno (Nelson Cavaquinho e Gerson Filho). Em 1983 mudou da gravadora Polygram para a RCA e lançou o LP Bem transado, com destaque para Se segura, segurança (com Edil Pacheco e Dalmo Castelo) e Um ser de luz (com Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte).

Gravou em 1984 o LP Pelas terras do pau-brasil, com destaque para Dois de dezembro — dia do samba (com Nonato Buzar e Paulo César Feital). Em 1985 lançou o LP De amor é bom, com a faixa-título (com Edil Pacheco) e É disso que o povo gosta (Carlinhos Vergueiro). Veio em 1986 o LP João Nogueira, com produção de Cristóvão Bastos, e em 1987 o LP João (selo Idéia Livre), com Cachaça da rolha (com Paulo César Pinheiro) e Maria do Socorro (com Carlinhos Vergueiro).

Em 1992 lançou o LP Além do espelho (Som Livre), só de parcerias com Paulo César Pinheiro. Em 1994 saiu o CD Parceria (Velas), em que canta suas composições com Paulo César Pinheiro ao longo de 22 anos, gravado ao vivo num show com a participação do parceiro.

Lançou em 1995, pela gravadora Lumiar, o CD Chico Buarque — Letra & Música (acompanhado pelo pianista Marinho Boffa), da Série Letra & Música, produzida por Almir Chediak, que conta com a participação de Leny Andrade no dueto de Sem fantasia.

Presidente do Clube do Samba, fundado, em 1979, por ele e outros sambistas famosos, como Alcione, Martinho da Vila e Beth Carvalho, faleceu aos 58 anos de idade de enfarte em sua casa. Portelense e flamenguista, o sambista apresentava debilitado estado de saúde nos últimos tempos: havia sofrido cinco derrames, uma isquemia cerebral e um acidente vascular cerebral. O enterro aconteceu às 17h, no cemitério São João Batista, no Rio.

Obras:

Batucajé (c/Wilson Moreira), 1977; Clube do samba, 1979; De amor é bom (c/Edil Pacheco), 1985; É disso que o povo gosta (Carlinhos Vergueiro), 1985; Espelho (c/Paulo César Pinheiro), 1977; Jornal cantado (c/Paulo César Feital), 1985; Maria do Socorro (c/Carlinhos Vergueiro). 1987; Minha missão (c/Paulo César Pinheiro), 1982; O poder da criação (c/Paulo César Pinheiro), 1980; Um ser de luz (c/Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte), 1983; Súplica (c/Paulo César Pinheiro), 1979; Xingu (c/Paulo César Pinheiro), 1984.

CDs:

Parceria: João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1994, Velas 11V046; Chico Buarque — Letra & Música (c/Marinho Boffa), 1995, Lumiar L107739-2.

Algumas músicas cifradas:

Além do espelho, As forças da natureza, Bafo de boca, Banho de manjericão, Chico Preto, Chorando pela natureza, E lá vou eu, Espelho, Eu, hein, Rosa!, Mineira, Minha missão, Nó na madeira, O poder da criação, Primeira mão, Rio, samba, amor e tradição, Súplica, Um ser de luz, Wilson, Geraldo e Noel.

Marcadores: , , ,


Jards Macalé

0 comments

Jards Macalé (Jards Anet da Silva) nasceu em 03 de Março de 1943 no Rio de Janeiro RJ. Aprendeu a tocar violão por volta dos 14 anos, e em 1958 começou a estudar orquestração, arranjo, composição e violão. Na Escola Pró-Arte foi aluno de Guerra-Peixe (orquestração), Peter Daulsberg (violoncelo) e Turíbio Santos (violão). Em 1964, compôs Meu mundo é seu (com Roberto Nascimento), gravada por Elizeth Cardoso.

Sua carreira profissional começou realmente em 1965, quando tocou violão na montagem paulista do show Opinião, no Teatro Ruth Escobar, de São Paulo. Nesse mesmo ano, junto com Gilberto Gil, Caetano Veloso e Carlos Castilho, participou da direção musical da peça Tempo de guerra, apresentada no Teatro de Arena, e dirigiu a parte musical do show Arena canta Bahia.

Em 1967 recomeçou seus estudos, então com Ester Scliar e com o maestro Guerra-Peixe. Em 1968, estreou no cinema: compôs musicas sobre textos de Mário de Andrade para o filme Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, participou da trilha sonora de O Dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha.

No ano seguinte, lançou seus primeiros sucessos: com Capinam, compôs Pulsars e quasars, Pula-pula e Movimento dos barcos; com Duda, escreveu Hotel das Estrelas e Archaic Lonely Star Blues. Gravou ainda, com Gilberto Gil, Aquele abraço e Cultura e civilização; foi o responsável pela direção musical e pelos arranjos, participando também como vocalista, do LP Cultura e civilização, de Gal Costa. Causou polemica, nesse ano, ao apresentar, no IV FIC da TV Globo, do Rio de Janeiro, uma música sua, escrita de parceria com Capinam: Gotham City.

Em 1970 compôs novos sucessos, desta vez com Waly Sailormoon, Vapor barato, e Mal secreto (também gravadas por Gal Costa) e fez a direção musical do show Deixa sangrar, ainda com Gal Costa.

Em 1972, trabalhou nos arranjos e direção do LP Transa, de Caetano Veloso, e em espetáculos no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife PE e Salvador BA. Nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, pela Philips. No ano seguinte, lançou, pela mesma gravadora, seu segundo LP – Aprender a nadar – e fez a trilha sonora para filme dirigido por Nelson Pereira dos Santos, Amuleto de Ogum, em que também trabalhou como ator.

Em 1977 gravou o LP Contrastes, pela Som Livre. Em 1979 lançou o álbum duplo Banquete dos Mendigos, gravado ao vivo no MAM do Rio de Janeiro em 10 de novembro de 1973 e proibido pelo regime militar durante seis anos. Gravou em 1987 o disco Quatro batutas e um curinga, pela Continental.

Em 1991, atuou na novela Amazônia, da TV Manchete e, em 1994, lançou o CD inédito Let’s play that, gravado dez anos antes em parceria com o percussionista Naná Vasconcelos e recusado na época pelas gravadoras. O disco inclui Let’s play that (com Torquato Neto), Puntos cardenales (com Jorge Mautner) e música para fragmentos dos Cantos de Ezra Pound.

Desde 1994 a maioria de seus LPs foi relançada em CD, entre eles Aprender a nadar, Direitos humanos no banquete dos mendigos e Contrastes, todos pela Rock Company, em 1995. Também participou de outros discos, como os songbooks de Noel Rosa (1991), Vinícius de Moraes (1993), Dorival Caymmi (1994) e Ary Barroso (1995), todos da Lumiar.

Em 1997 musicou os dois últimos poemas que recebeu de Torquato Neto, Destino de poeta e Sim, não, além de poema inédito do cineasta Glauber Rocha.

Há mais de 30 anos no cenário musical, também transita por outras artes: no teatro, trabalhou ao lado de José Celso Martinez Correia na peça Brecht Hindemith, no cinema, atuou como ator com diretores como Nelson Pereira dos Santos e Leon Hirszman; nas artes plásticas, trabalhou com Hélio Oiticica, Lygia Clark e Rubens Gerschman.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Marcadores: , , ,


Inezita Barroso

0 comments

Inezita Barroso

A cantora, instrumentista, arranjadora, folclorista e atriz Inezita Barroso (Inês Madalena Aranha de Lima), nasceu em São Paulo/SP em 04.03.1925. Inezita começou a cantar e estudar violão aos sete anos, e aos 11 iniciou seu aprendizado de piano. Depois de casada, voltou ao canto e ao violão, estreando, em 1950, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo, a convite de Evaldo Rui.

Participou em seguida da transmissão inaugural da TV Tupi, canal 3, e trabalhou como cantora exclusiva da Rádio Nacional, de São Paulo, transferindo-se mais tarde para a Record. Ainda em 1950 participou do filme Ângela, dirigido por Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida e realizou recitais no Teatro Brasileiro de Comédia, no teatro de Cultura Artística e no Teatro Colombo.

Voltou a atuar em cinema em 1953, nos filmes Destino em apuros (direção de Ernesto Remani) e Mulher de verdade (direção de Alberto Cavalcanti). No ano seguinte, apareceu em É proibido beijar, de Ugo Lombardi, e O Craque, de José Carlos Burle, recebendo ainda o prêmio Roquete Pinto, como a melhor cantora de rádio da música popular brasileira, e o prêmio Guarani, como a melhor cantora do disco.

Ainda em 1953 gravou na Victor Canto do mar (Guerra Peixe), Marvada pinga (Laureano), Benedito pretinho e Dança do caboclo (ambas de Hekel Tavares), e os sambas Estatutos de gafieira (Billy Blanco) e Isso é papel, João? (Davi Raw e Cícero Galindo Machado).

A partir de 1954 passou a apresentar-se semanalmente em programas folclóricos na TV Record, de São Paulo. Em 1955 atuou no filme Carnaval em lá maior (direção de Ademar Gonzaga) e como atriz e cantora representou o Brasil no festival de Cinema de Punta del Este, Uruguai, viajando em seguida ao Paraguai. Foi novamente premiada com o Roquete Pinto e ainda com o Saci, como melhor atriz do cinema. Realizou gravações de divulgação do folclore brasileiro, ilustrando uma série de conferências de professores na universidade de São Paulo.

Seu primeiro LP, Inezita Barroso, foi lançado pela Copacabana, também em 1955, com repertório folclórico que incluía, entre outras, Banzo (Hekel Tavares e Murilo Araújo), Funeral dum rei nagô (Hekel Tavares e Murilo Araújo), Viola quebrada (Mário de Andrade) e Mineiro tá me chamano (Zé do Norte).

Em seguida lançou os LPs Canta Inezita, Coisas do meu Brasil e Lá vem o Brasil. Nessa época, Jean Louis Barrault, Marian Anderson, Vittorio Gassmann e Roberto Inglez, em visita ao Brasil, levaram seus discos para a Europa, onde foram divulgados nas principais emissoras. Seus dois LPs seguintes foram Vamos falar de Brasil e Inesita apresenta, ainda pela Copacabana, reunindo neste último composições de Babi de Oliveira, Juraci Silveira, Zica Bergami, Leyde Olivé e Edvina de Andrade, do folclore baiano, mineiro e paulista.

Em 1956 publicou seu livro Roteiro de um violão. Em 1960, lançou o LP Eu me agarro na viola (Copacabana), faixa de abertura do disco, além de Leilão (Hekel Tavares e Joraci Camargo), A moda da mula preta (Raul Torres e João Pacífico), Bonde do Camarão (Cornélio Pires e Mariano Silva) e Canção da guitarra (Marcelo Tupinambá e Aplecina do Carmo).

Em 1961 lançou o Lp Inezita Barroso, com Casa de caboclo (Hekel Tavares e Luiz Peixoto), Viola quebrada, regravação do seu primeiro LP, Tambá-Tajá (Waldemar Henrique), Roda carreta (Paulo Ruschel) e Carreteiro (Barbosa Lessa).

Em 1968, lançou o LP O Melhor de Inezita, com Banzo e Funeral dum rei nagô, regravações do seu primeiro LP, O Hino dos fuzileiros navais, ou Cisne Branco (Antônio Manuel do Espírito Santo e Benedito X. de Macedo), Lampião de gás (Zica Bergami) e Moda da pinga (Laureano), os dois números mais populares.

Em 1969, lançou o LP Clássicos da música caipira, volume 1, cujas composições de destaque são: Chico Mineiro (Francisco Ribeiro e Tonico), Do lado que o vento vai (Raul Torres), Baldrana macia (Anacleto Rosas Júnior e Arlindo Pinto), Sertão do Laranjinha (adaptação de Tonico e Tinoco e Capitão Furtado) e Pingo d'água (Raul Torres e João Pacífico). Nesse mesmo ano ganhou troféu do I Festival de Folclore Sul-Americano, em Salinas, Uruguai.

Em 1970 lançou o LP Modinhas, onde se destacam as composições Canção da felicidade (Barroso Neto e Nosor Sanches) e Conselhos (Carlos Gomes). Ainda neste ano produziu um documentário que representou o Brasil na Expo-70, no Japão. Em 1972 lançou o volume dois dos Clássicos da música caipira, com Rio de lágrimas (Piraci, Lourival dos Santos e Tião Carreiro), Divino Espírito Santo (Canhotinho e Torrinha), Destinos iguais (Capitão Furtado e Laureano) e Rei do Café (Carreirinho e Teddy Vieira).

Em 1975, lançou o LP Inezita em todos os cantos, com Negrinho do pastoreio (Barbosa Lessa), Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e números folclóricos recolhidos na Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Fez programas especiais para o Uruguai, Paraguai, EUA, Israel, antiga U.R.S.S., França e Itália.

Tem mais de 70 discos gravados, entre 78 rpm, LPs e CDs; recentemente gravou CDs com o violeiro Roberto Côrrea e a Orquestra de Violas de São José dos Campos. Desde os anos 70 comanda o programa `Viola, Minha Viola", exibido até hoje pela TV Cultura.

Marcadores: , , , , ,


Linha do horizonte

0 comments

Azymuth

Linha do Horizonte - Paraná e Paulo Sérgio Valle


( G Am7 G/B D7sus4 )

É... Eu vou pro ar... No azul mais lindo... Eu vou morar!
Eu... quero um lugar...Que não tenha dono... Qualquer lugar!


Eu... Quero encontrar... A rosa dos ventos... E me guiar!
Eu quero virar... Pássaro de Prata... E só voar!


É...Aqui onde estou...Esta é minha estrada...Por onde eu vou!
E...quando eu chegar...Na linha do horizonte... Eu vou ficar!


Nã... Nã Nã Nã Nã...Nã Nã Nã Nã Nã Nã... Nã Nã Nã Nã... (2x)

Marcadores: , , ,


Azymuth

0 comments

Azymuth - Grupo instrumental-vocal surgido no início dos anos 70 formado por José Roberto Bertrami, teclados; Ivan Conti "Mamão", bateria e Alexandre Malheiros, baixo; com o nome Grupo Seleção, tocando basicamente covers.

Em 1973 mudaram o nome para Azymuth (inspirados em uma música com esse nome, de Marcos e Paulo Sérgio Valle) e dois anos depois lançaram o primeiro disco, "Azymuth", que inclui a música Linha do horizonte, incluída na trilha sonora de uma novela.

Em 1976 gravam Melô da cuíca, um compacto que estourou nacionalmente. Outro grande sucesso dos anos 70 foi Jazz Carnival, do disco Light As A Feather, de 1978.

Mudaram-se para os Estados Unidos no princípio dos anos 80 e lançaram vários discos que não saíram no Brasil, apostando num estilo batizado de MPB-jazz, que mistura samba, funk e jazz. Uma das exceções lançadas no Brasil é 21 Anos, de 1996.

Marcadores: , , ,


Canta coração

0 comments

Canta coração - Geraldo Azevedo e Carlos Fernando

Int.: C E Am D7 G G4 A

C
Canta, canta, passarinho
E Am
Canta, canta, miudinho
D7 G G4 G
Na palma da minha mão
C E Am
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
D7 G G4 G
Quero paz no coração
C E Am
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
D7 G G4 G
Na palma da minha mão
C C7 F
Na palma da minha mão tem os dedos, tem as linhas
Am Dm A#
Que olhar cigano caminha procurando alcançar
F G G7 C
A nau perdida, o trem que chega, nova dança
D7 G
Mata verde, esperança
D7 G
Em suas tranças vou voar
C E Am D7 G G4 G
Passarinho, vou voar


...


C C7 F
Meu alegre coração é triste como um camelo
Am Dm A#
É frágil que nem brinquedo, é forte como um leão
G G7 C
É todo zelo, é todo amor, é desmantelo
D7 G D7 G
É querubim, é cão de fogo, é Jesus Cristo, é Lampião
C E Am D7 G G4 G
Passarinho, eu vou voar

Marcadores: , ,



Barcarola de São Francisco - Carlos Fernando e Geraldo Azevedo

Tom: Em7
(Em Am7 Em E4 Em)
A luz do sol que encandeia sereia de além mar
clara como o clarão do dia marejou meu olhar
(G/B G/E Em Em7 Em )
olho d'água beira de rio vento vela bailar
(Em Am7 Em E4 Em) (Am7 Em)
Barcarola do São Francisco me leva para amar
(Em Am7 Em E4 Em)
Era um domingo de lua quando deixei Jatobá
era quem sabe esperança indo a outro lugar
(G/B G/E Em Em7 Em)
Barcarola do São Francisco veleja agora no mar
(Em Am7 Em E4 Em) (Am7 Em)
sem leme mapa ou tesouro de prata ou luar.


G Bm A Bm ( 2x )

Marcadores: , ,


Caravana

0 comments

Caravana - Alceu Valença e Geraldo Azevedo

Bm E Bm A
Corra, não pare, não pense demais
Bm A G
Repare essas velas no cais
F# G F# G F#
Que a vida é ciga.......na
F# F#7 F#7 Bm
É ca ra vana
E Bm A
É pedra de gelo ao sol
Bm A G
Degelou teus olhos tão sós
F# G F# G F# G
Num mar de água cla...ra
Bm E Bm A Bm
La lalala lala la uê
E Bm A Bm
La lalala lala la uê
E Bm A Bm G F# Bm
La lalala lala la uê lalauê lalauê lalauê la


G Bm A Bm ( 2x )

Marcadores: , ,


Geraldo Azevedo

0 comments

Geraldo Azevedo (Geraldo Azevedo de Amorim), compositor, cantor e violonista, nasceu em Petrolina PE em 11/1/1945. Músico autodidata, aos 12 anos já tocava violão, aos 17 entrou para o grupo Sambossa e aos 18 mudou- se para o Recife PE, onde fez shows com o Grupo Construção, do qual faziam parte Naná Vasconcelos, Teca Calazans, Paulo Guimarães e também Marcelo Melo e Toinho Alves, do Quinteto Violado.

Em 1967 transferiu-se para o Rio de Janeiro e, depois de trabalhar com Eliana Pittman, juntou-se a Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Franklin, formando o Quarteto Livre, grupo que acompanhou Geraldo Vandré em seus shows até dissolver-se em razão de problemas políticos com o governo militar. Sua primeira composição gravada foi Aquela rosa, lançada em 1968 por Eliana Pittman.

Em 1970 formou com Alceu Valença uma dupla que participou do Festival Universitário da TV Tupi com as canções 78 Rotações e Planetário, e gravou o LP Alceu Valença & Geraldo Azevedo (Copacabana, 1972), depois relançado em CD (Movieplay, 1993).

Misturando harmonias sofisticadas da bossa nova com ritmos da música negra, alcançou seus maiores sucessos com Papagaio do futuro (com Alceu Valença), Caravana (da novela Gabriela), Juritis e borboletas (da novela Saramandaia), Arraial dos tucanos (da série Sítio do Pica pau Amarelo, todas da TV Globo), além de Barcarola de São Francisco (com Carlos Fernando) e Canta coração, gravada por Elba Ramalho.

Em 1994, a Polygram lançou a coletânea Minha história. Até 1996 gravou 13 discos-solo e participou de projetos coletivos como Asas da América 1(1979) e 11(1980), da gravadora Ariola, Cantoria I(1984) e II(1988), da Kuarup, O grande encontro (1996) e O grande encontro II(1997), da BMG.

CDs:

Bossa tropical, 1997, BMG 7472151585-2; De outra maneira, 1997, BMG 7422150109-2; O grande encontro II (c/Zé Ramalho e Elba Ramalho), 1997, BMG 74321 5 2840-2.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Marcadores: , , ,


Fafá de Belém

0 comments

Fafá de Belém

Fafá de Belém (Maria de Fátima Palha de Figueiredo), cantora, nasceu em Belém do Pará em 10/8/1956. Desde os nove anos gostava de cantar. Morou no Rio de Janeiro de 1970 a 1973, quando voltou a Belém, onde conheceu Roberto Santana, então empresário do conjunto Quinteto Violado, que a incentivou a se apresentar em público.

Ainda em 1973, fez sua estréia, cantando num show no Iate Clube de Belém. No ano seguinte, de volta ao Rio de Janeiro, participou de um espetáculo com Zé Rodrix, na boate Pujol e, depois, no Teatro da Lagoa e no Teatro Casa Grande. No final do ano, apresentou-se de novo em Belém, com Sérgio Ricardo, espetáculo que foi repetido, em janeiro de 1975, no Teatro Vila Velha, de Salvador BA.

Atingiu as paradas de sucesso, nesse mesmo ano, com sua interpretação de Filho da Bahia (Walter Queirós), especialmente gravado para a trilha sonora da novela Gabriela, da TV Globo. Ainda em 1975, saiu seu primeiro compacto pela Polydor (Phonogram), com as músicas Naturalmente (João Donato e Caetano Veloso) e Emoriô (Gilberto Gil e João Donato).

Em 1976 lançou pela Polygram seu primeiro LP Tamba Tajá, com o sucesso Este rio é minha rua. No ano seguinte, lançou também pela Polygram o álbum Águia. Gravou os mais diversos gêneros musicais, do rock ao bolero, do forró à guarânia.

Na década de 1980, destacou-se como uma das principais cantoras românticas brasileiras, com sucessos como Bilhete (Ivan Lins e Vítor Martins) e Memórias, do compositor pernambucano Leonardo, responsável pela venda de meio milhão de cópias do álbum Atrevida, pela Polygram.

Em 1984, época do Movimento Diretas Já, consagrou- se ao interpretar Menestrel das Alagoas (Milton Nascimento e Fernando Brant) em homenagem ao então senador Teotônio Vilela, para mais de um milhão de pessoas no comício da Candelária, no Rio de Janeiro.

Em 1993 gravou o CD Meu fado, premiado em Portugal com disco de platina logo na segunda semana após seu lançamento. Em 1994 assinou contrato com a Sony e lançou Cantiga pra ninar meu namorado, seu 16º disco. No ano seguinte, lançou o CD Fafá ao vivo (Sony), comemorando 20 anos de carreira.

No final de 1996, saiu o CD Pássaro sonhador (Sony), que marca um retorno às suas origens nortistas, com toadas e carimbós da região amazônica. Nos primeiros 21 anos de carreira, lançou 18 álbuns.

Algumas músicas cifradas:

Ave Maria, Bilhete, Crença, Leilão, Maria Solidária, Menestrel das Alagoas, Tambá-Tajá.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Marcadores: ,


Elba Ramalho

0 comments

elba ramalho2

Elba Ramalho (Elba Maria Nunes Ramalho), cantora, nasceu em Conceição de Piancó PB em 17/8/1951. Filha de João Nunes, agricultor e instrumentista de orquestra, de quem herdou o gosto pela música, passou a infância em sua cidade natal, no alto sertão nordestino. Em 1962, sua família mudou-se para Campina Grande PB, onde seu pai tornou-se proprietário do cinema da cidade e Elba fez o antigo curso ginasial.

Quatro anos depois, pisava no palco pela primeira vez, em uma apresentação do Coral da Fundação Artística e Cultural Manuel Bandeira, do qual fazia parte. Durante o curso universitário de sociologia e economia na Universidade Federal da Paraíba, formou o conjunto feminino As Brasas, o qual lhe valeu o convite de Roberto Santana, produtor de Chico Buarque e Caetano Veloso, para integrar o Quinteto Violado como crooner por uma temporada no Rio de Janeiro. Abandonou o curso universitário no último ano para mudar-se para o Rio de Janeiro, passando a freqüentar o Baixo Leblon, onde conheceu Alceu Valença e Carlos Vereza.

Em 1974 participou como bailarina da peça Viva o cordão encarnado, com o grupo de teatro Chegança, de Luís Mendonça, chamando a atenção da crítica por sua hiperatividade no palco, o que se tornaria sua principal característica.

Em 1979, após cinco anos no Rio de Janeiro, foi selecionada para participar da peça Ópera do malandro, de Chico Buarque e Rui Guerra. Sua interpretação da canção Meu amor (Chico Buarque), ao lado de Marieta Severo, fez enorme sucesso. Nesse mesmo ano, gravou um disco pela CBS, Ave de prata, sem maior repercussão.

Em 1980 gravou seu segundo LP, Capim do vale, e fez sua primeira apresentação internacional, na África. No ano seguinte, participou do Festival de Jazz de Montreux, Suíça, e lançou o disco Elba.

Em 1982 lançou o disco Alegria, vendendo mais de 300 mil cópias só no Brasil, e apresentou-se na Europa e em Israel. A música Eu quero um banho de cheiro, de Luís Gonzaga, estourou nas paradas. No ano seguinte, apresentou-se com grande êxito no show Coração brasileiro, exibido nas principais cidades do país. No final de 1982, apresentou um especial de fim de ano na TV Globo.

Em 1984 lançou o LP Do jeito que a gente gosta e voltou a apresentar-se no exterior (Japão e Cuba). Em 1987 ficou grávida de seu primeiro filho, mas, mesmo assim, não deixou de se apresentar nas principais capitais do Brasil com o show Elba, do LP homônimo.

Em 1988 lançou o disco Fruto e retomou as apresentações internacionais, excursionando desta vez pela Argentina e por Portugal. No ano seguinte, faria sua primeira apresentação nos EUA, após o lançamento do disco Popular brasileira.

Em 1990 lançou o disco Elba — Ao vivo e retornou aos EUA. No ano seguinte, lançou o disco Felicidade urgente, com nova tournée pelos EUA. Em 1992 lançou o disco Encanto e realizou sua maior excursão pela Europa. Com Margareth Meneses, fez uma tournée pelos EUA em 1993.

Em 1995 saiu o disco Paisagem e, no ano seguinte, dois CDs Leão do Norte e O grande encontro, sempre com tournées pelos mais diversos países. Em 1997 lançou pela BMG o CD Baioque, que além da música-título, de Chico Buarque, traz regravações de sucessos como Pavão misterioso, de Ednardo, e Paralelas, de Belchior.

Ainda em 1997, lançou em parceria com Zé Ramalho e Geraldo Azevedo o CD O grande encontro 2, com destaque para as faixas Pedras e maçãs e Miragens, ambas de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo. Também em 1997 lançou pela BMG-Vídeo Elba inédito, com sua videobiografia.

Com cerca de 20 discos lançados no Brasil e no exterior, já havia conquistado até 1997 cinco Discos de Platina, concedido a artistas que ultrapassam a marca das 250 mil cópias vendidas, e oito Discos de Ouro, equivalente a 100 mil cópias vendidas.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Marcadores: ,


Ednardo

0 comments

Ednardo (José Ednardo Soares Costa Sousa), compositor e cantor, nasceu em Fortaleza-CE em 17/4/1945. Dos dez aos 15 anos estudou piano com professores particulares e aos 23 começou a prender violão como autodidata. No ano seguinte, 1969, juntou-se a grupo de jovens músicos conhecidos como Pessoal do Ceará.

Formou-se em química pela Universidade Federal do Ceará e viajou para o Sul do país, onde lançou, em 1972, seu primeiro disco compacto como compositor, com a música Beira-mar, em gravação de Eliana Pittman, na Odeon.

Seus principais parceiros são Augusto Pontes, Brandão, Fausto Nilo, Tânia Cabral e Climério. Em 1973 gravou, com Rodger e Téti, sob o nome de Pessoal do Ceará, na Continental, o LP Meu corpo minha embalagem todo gastona viagem, seguido de O romance do pavão misterioso, em 1974. Em janeiro de 1975 participou do festival Abertura com a música Valia (com Brandão).

Seu maior sucesso foi Pavão misterioso, música baseada na literatura de cordel, incluída em 1976 na trilha da novela "Saramandaia", da TV Globo.

Obras:

Água grande (c/Augusto Pontes), 1974; Carneiro (c/Augusto Pontes), baião, 1974; Ingazeiras, 1972; Pavão misterioso, 1974; Terral, 1972; Valia (dBrandão), valsa, 1975.

Marcadores: , ,


Paulo Barbosa

0 comments

Paulo Barbosa, compositor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 29/04/1900 e faleceu na mesma cidade em 04/12/1955. Irmão do sambista Luís Barbosa e do comediante Barbosa Júnior compôs valsas como Cortina de veludo, com Osvaldo Santiago e Italiana com José Maria de Abreu e Osvaldo Santiago.

Em 1936, Carlos Galhardo gravou na Columbia a valsa Cortina de veludo e a canção Cantiga de ninar. No ano seguinte, o mesmo Carlos Galhardo gravou a valsa Italiana, Moacir Bueno da Rocha as valsas Tapete persa e Um beijo em cada dedo, parcerias com Osvaldo Santiago e o Bando da Lua a Marchinha do grande galo, parceria com Lamartine Babo, grande sucesso carnavalesco.

Em 1938, Castro Barbosa gravou a marcha Branco não tem coração, outra parceria com Osvaldo Santiago. No ano segunte, compôs com Silvino Neto a marcha Senhorita Pimpinela, gravada pelo próprio Silvino Neto na Victor.

Em 1940 compôs o samba Samba lelê e com Silvino Neto a marcha Laranja seleta, ambas gravadas por Carlos Galhardo na Victor. Em 1944, Dircinha Batista gravou a marcha Voltemos à Viena, parceria com Osvaldo Santiago e o samba Alarga a rua, parceria com Roberto Martins e Osvaldo Santiago.

Um de seus principais intérpretes foi o cantor Carlos Galhardo que gravou entre outras, as valsa Mulher, parceria com Rosa Floresta e Torre de marfim,parceria com José Maria de Abreu e Osvado Santiago.

Marcadores: , ,


Tetê Espíndola

0 comments

Tetê Espíndola (Teresinha Maria Miranda Espíndola), cantora, compositora e instrumentista, nasceu em Campo Grande MS, em 11/3/1954. Originária de família de artista teve sua primeira craviola (instrumento de 12 cordas inventado por Paulinho Nogueira) em 1974. Iniciou-se musicalmente tocando esse instrumento no conjunto Luz Azul, em Campo Grande.

Lançou seu primeiro disco, Tetê e o lírio selvagem, em 1978 pela Polygram trazendo composições próprias e de seus irmãos Alzira, Geraldo e Celito. No disco seguinte, Piraretã (Polygram, 1980), trabalhou com Arrigo Barnabé.

Em 1981 defendeu a valsa Londrina (Arrigo Barnabé) no Festival MPB Shell, música que recebeu o prêmio de melhor arranjo, feito por Cláudio Leal. Fascinado com o timbre de voz da cantora, o poeta Augusto de Campos batizou o terceiro álbum, Pássaros na garganta (Som da Gente, 1982).

Em 1985 venceu o Festival dos Festivais, da TV Globo, com a canção Escrito nas estrelas, que se tornou um grande sucesso de execução e vendagem. Seguiu- se o LP Gaiola (Polygram, 1986), cuja música de maior sucesso foi Na Chapada (com Carlos Rennó), em dueto com Ney Matogrosso.

Como representante brasileira, participou em 1988 do festival The Concert Voice, em Roma, Itália. Em 1989 cantou no festival New Morning (Paris, França) e no Festival de Jazz da Bélgica. Posteriormente, recebeu uma bolsa da Fundação Vitae, para desenvolver projeto sobre a instrumentalidade da voz humana e a musicalidade dos pássaros da Amazônia e do Pantanal, que resultou no disco Ouvir (independente, 1991).

Em 1993 lançou o CD interpretativo Só Tetê (Camerati), que traz músicas de compositores como Djavan e Tom Jobim, e viajou por todo o país fazendo shows. Em 1995 foi lançado o CD Canção do amor (Luz Azul/JHO/Movieplay), totalmente acústico, no qual toca craviola em todas as faixas, trazendo convidados especiais, como seus irmãos Humberto, Geraldo e Alzira, o grupo instrumental Duofel, o trombonista Bocato e Chico César, que toca violão e assina com parcerias três faixas do CD. Neste CD, regravou alguns de seus sucessos que se encontravam fora de catálogo, como Na Chapada, Escrito nas estrelas e Vida cigana.

Com voz de timbre e extensão incomuns, é uma artista que tem orientado seu trabalho através de incursões pela vanguarda, praticando experimentalismos com sons de pássaros, regionalismos e fusões do acústico com o eletrônico.

Obras:

É demais (c/Chico César), 1995; Na Chapada (c/Carlos Rennó), 1984; Pássaros na garganta (c/Carlos Rennó), 1982; Sertão (c/Arrigo Barnabé), 1982.

CDs:

Só Tetê, 1993, Camerati TCD 1010-2; Canção do amor, 1997, Movieplay BS 276.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Marcadores: , , , ,


Escrito nas estrelas

0 comments

Os irmãos Espíndola — Tetê, Alzira, Geraldo e Celito — cantam e compõem, tendo estreado em disco em 1977, com o álbum Tetê e o lírio selvagem. Matogrossenses-do-sul, eles formam Juntamente com o violeiro/cantor/compositor Almir Sater o contingente mais expressivo de seu Estado na música brasileira.

A grande oportunidade de Tetê Espíndola chegaria com a sua vitória, em 26.10.85, no Festival dos Festivais, ocasião em que defendeu a composição “Escrito nas Estrelas”. Curiosamente, esta seria a primeira vez que interpretava uma canção de amor. Até então, já com três discos gravados, sua voz peculiarmente aguda a levaria a cantar um repertório influenciado pelos ritmos paraguaios, concentrado em temas da natureza e que refletia a exuberância da região do Pantanal.

A melodia de “Escrito nas Estrelas”, de autoria de Arnaldo Black, tem uma primeira parte muito simples, em contraste com a segunda que se desenvolve sobre uma escala pentatônica, oferecendo alguma dificuldade a cantores medianos. A letra de Carlos Rennó, feita sobre a melodia pronta, é uma declaração de amor total: “Você para mim foi o sol / de uma noite sem fim / que acendeu o que sou / e renasceu tudo em mim...”

Ao inscrevê-la no festival, os autores chegaram a temer uma rejeição da censura, pois, na repetição da primeira parte, há um verso que diz, “pois sem você, meu tesão, não sei o que eu vou ser”. Embora já usado por Caetano Veloso (em “O Quereres”) e Chico Buarque (em “Bye Bye, Brasil”), a palavra “tesão” não chamava a atenção nas duas canções, em razão de serem suas letras enormes, o que não era o caso de “Escrito nas Estrelas”.

Mas a censura não se manifestou e a composição pôde ser cantada por Tetê, numa sensual apresentação, trajando um provocante macacão de rede branca, vazada. No final, ela conquistou o público com uma interpretação não-convencional, vencendo brilhantemente. O título “Escrito nas Estrelas” foi inspirado a Rennó por “It Was Written in the Stars”, canção escrita em 1939 por Cole Porter para o musical “Du Barry Was a Lady” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Escrito nas estrelas (1985) - Arnaldo Black e Carlos Rennó

Intro.: E F# A E B7

E
Você pra mim foi um Sol
A F#m
De uma noite sem fim
B7/4 B7
Que acendeu o que sou
E B7
E renasceu tudo em pra mim
E
Agora eu sei muito bem
A F#m
Que eu nasci só pra ser
B7/4 B7
Sua parceira seu bem
E B7
E só morrer de prazer

E F#
Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô
A
Meu amor esse amor de cartas claras
E B7
Sobre a mesa é assim
E F#
Signo destino que surpresa ele nos preparou
A E
Meu amor nosso amor estava escrito nas estrelas
B7
Tava sim

E
Você me deu atenção
A F#
E tomou conta de mim
B7/4 B7
Por isso minha intenção
E B7
É prosseguir sempre assim
E
Pois sem você meu tesão
A F#
Não sei o que eu vou ser
B7/4 B7
Agora preste atenção
E B7
Quero casar com você

E F#
Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô
A
Meu amor esse amor de cartas claras
E B7
Sobre a mesa é assim
E F#
Signo destino que surpresa ele nos preparou
A E
Meu amor nosso amor estava escrito nas estrelas
B7
Tava sim...

E F# A

F#m B7/4 B7





Marcadores: , ,


Me chama

0 comments

Recebido com incomum repercussão, o segundo elepê de Lobão (Ronaldo foi pra guerra) teve duas faixas que despertaram a atenção da crítica e se projetaram nas rádios: “Me Chama” (só de Lobão) e “Corações Psicodélicos” (Lobão, Júlio Barroso e Bernardo Vilhena), que procuravam apresentar uma proposta mais radical do que as dos outros grupos.

“Me Chama” possui uma linha melódica acima da média, superior, inclusive, à de “Corações Psicodélicos”, a preferida pela gravadora para divulgar o disco. Sua letra focaliza a aflição de quem espera um telefonema (que nunca vem) da pessoa amada. É a angústia de músicas dos anos cinqüenta em tempo de rock, daí, talvez, a citação no primeiro verso de uma canção de fossa da época: “Chove lá fora / e aqui... / tá tanto frio / me dá vontade de saber / aonde está você / me telefona / me chama / me chama / me chama...”

Bom músico, ex-baterista do Vímana, da Blitz (da qual foi fundador), da Gang 90 & As Absurdettes e de vários cantores — Luiz Melodia, Lulu Santos, Ritchie e Marina, que também gravaria “Me Chama” —, bem articulado, Lobão (João Luís Woenderbarg) é considerado um dos principais responsáveis pelo boom do rock nacional nos anos oitenta (ao lado dos grupos Paralamas do Sucesso, Titãs e Legião Urbana).

“Me Chama” receberia uma inesperada gravação de João Gilberto, incluída na trilha sonora da telenovela “Hipertensão”, em 1986 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Me chama(1984) - Lobão

Introd.: (Bm A) G

D D7+ D7 G7+
Chove lá fora e aqui faz tanto frio
Bm A G7+
Me dá vontade de saber
D D7+ D7 G7+
Aonde está você me telefona
Bm A G7+
Me chama me chama me chama
Bm A B
Nem sempre se vê mágica no absurdo
A Bm A
Mágica no absurdo, mágica
G7+
Cadê você
D D7+ D7 G7+
Tá tudo cinza sem você tá tão vazio
Bm A G7+
E a noite fica sem porque
D D7+ D7 G7+
Aonde está você me telefona
Bm A G7+
Me chama me chama me chama
Bm A Bm
Nem sempre se vê lágrimas no escuro
A Bm A
Lágrimas no escuro, lágrimas
G7+
Cadê você




Marcadores: , ,



    cifrantiga multply