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Rildo Hora

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Rildo Hora (Rildo Alexandre Barreto da Hora), instrumentista, compositor e cantor, nasceu em Caruaru PE em 20/4/1 939. Começou a tocar gaita-de-boca aos seis anos, quando foi morar no subúrbio carioca de Madureira.
Autodidata, desenvolveu sua técnica tocando chorinhos, frevos e outras músicas populares que ouvia no rádio. Aos 12 anos venceu concurso das Gaitas Hering, na Rádio Mauá, do Rio de Janeiro, e foi convidado pelo apresentador do programa, Fred Williams (também gaitista), a integrar a equipe da emissora.
Convidado por Moleque Saci (Caué Filho), participou de shows circenses, acompanhando cantores ao cavaquinho — que também tocava desde os 14 anos — e, como solista, tocando gaita. Tomou parte também do programa Festival de Gaitas, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro.
Em 1958 formou com Sérgio Leite e Luís Guimarães o trio Malabaristas da Gaita, aproveitando a grande aceitação do instrumento nos programas radiofônicos. No ano seguinte, fez sua primeira composição, com Gracindo Júnior, Brigamos com o amor, gravada por Carminha Mascarenhas. Na época da bossa nova, passou também a tocar violão e a cantar.
Em 1961 — época em que trabalhava na boate carioca Cangaceiro —, compôs com Clóvis Melo Canção que nasceu do amor, lançada por Cauby Peixoto, regravada mais tarde por Elisete Cardoso. No ano seguinte, Alaíde Costa gravou, dele e Gracindo Júnior, Como eu gosto de você, arranjo de César Camargo Mariano.
Acompanhou Elisete Cardoso como violonista em shows por todo o Brasil, de 1965 a 1967. No ano seguinte, quando era cantor e professor de violão, iniciou carreira de produtor de discos, aceitando o convite de Geraldo Santos para trabalhar na RCA; sua primeira produção foi o LP Música nossa, seguida dos discos de Antônio Carlos e Jocafi, João Bosco, Martinho da Vila e Maria Creuza.
Estudou então harmonia, contraponto e composição na Pró-Arte, com o maestro Guerra-Peixe. Compôs com Sérgio Cabral Janelas azuis, gravada em 1973 por Maria Creuza. Em 1987 executou na Sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro, o Concerto para harmônica e orquestra, de Villa-Lobos, sob regência do maestro Davi Machado.
Em 1988 interpretou Suíte quatro cordas, de Guerra-Peixe, obra escrita e orquestrada especialmente para ele. Em 1992 lançou o CD Espraiado, pela gravadora Caju, que, distribuído nos EUA pela etiqueta Milestone, em 1994, foi considerado um dos dez melhores discos de jazz latino do ano.
Além de ter mais de 200 composições gravadas, é arranjador e produtor de discos de artistas como Martinho da Vila (de quem é produtor desde 1970), Beth Carvalho, Leni Andrade e Elis Regina, tendo recebido vários prêmios. Também participou como instrumentista de discos de inúmeros artistas. Já se apresentou nos E.U.A., Argentina, Angola, Moçambique e países europeus.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha

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Roberto Ribeiro

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"As escolas de samba vivem um paradoxo: são um celeiro de cantores, popularmente chamados de "puxadores", mas raros fazem sucesso fora das quadras. Uma das exceções é José Bispo Clementino dos Santos, Jamelão, da Mangueira, cantor, intérprete de samba-enredo – jamais um "puxador", como se recusa a ser chamado.

Outro dos raros exemplos é Roberto Ribeiro – assim mesmo com o verbo no presente, pois Roberto continua vivo nas gravações (poderiam ser em maior número), vídeos (raros). E principalmente na lembrança de quem ouviu aquela voz de timbre muito especial.

Nascido Demerval Miranda Maciel, Roberto é sinônimo de Império Serrano, ao lado do maior compositor de sambas-enredos da história, Silas de Oliveira (Heróis da Liberdade, Tiradentes), de Mano Décio da Viola (parceiro de Silas), Dona Ivone Lara, Mestre Fuleiro, e por aí vai. Além de puxador, Roberto era da ala de compositores da escola – chegou a fazer dois sambas para a avenida.

A voz translúcida de Roberto Ribeiro deixou para sempre o registro de algumas obras-primas de Silas, além de jongos – uma das marcas registradas do morro da Serrinha – e uma fieira de belíssimos sambas de terreiro. Uma das duas melhores gravações de Senhora Tentação (Meu Drama), de Silas, é dele. A outra é de Cartola.

Roberto teve ainda a sensibilidade de deixar registrado um samba-enredo que, apesar de não ter sido o escolhido na quadra para ir à avenida, no carnaval de 1975, durante anos foi cantado nas rodas. A divulgação do samba era feita espontaneamente nos bares e biroscas do Rio. Vedete de Madureira ("Brilhando / num imenso cenário...") sobreviveu durante muito tempo sem estar gravado. Com Roberto Ribeiro, garantiu a perpetuidade.

Puxador de samba na avenida, aos poucos Roberto conquistou palcos e estúdios. Mas nunca se desligou da Serrinha. Nos dias de desfile do Império podia ser visto no asfalto com terno de linho branco, camisa verde e óculos escuros, para proteger a vista, atacada por uma doença irreversível.

Fluminense de Campos, morreu em 1996, vítima de um atropelamento. Foi-se muito cedo, aos 55 anos de idade. Seguiu o destino de Silas, que, em 1972, aos 56, sofreu enfarte fulminante depois de cantar sambas seus em uma roda em Botafogo. Roberto Ribeiro estava presente. Continua presente."

Aluizio Maranhão
ENSAIO - 29/1/1991

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Zimbo Trio

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Zimbo Trio

Formado pelo paulista de Bauru, Amílton Godoi (nascido em 1941), ao piano, o paraense de Belém, Luís Chaves (1931), no contrabaixo, e o paulistano Rubinho, Rubens Barsotti (1932), o Zimbo Trio surgiu em São Paulo em plena efervescência da bossa nova, em 1964.

Na epidemia de trios instrumentais do período, ele logo se destacou numa ninhada de cobras que trazia entre muitos os depurados Tamba Trio (Luís Eça, Bebeto, Hélcio Milito), Bossa 3 (Luís Carlos Vinhas, Tião Netto, Edison Machado) e Sambalanço Trio (César Camargo Mariano, Humberto Cleiber e Airto Moreira).

Lançado num show na boate Oásis, em São Paulo, ao lado da cantora e atriz Norma Benguel, o Zimbo alcançaria sucesso nos grandes shows de origem universitária que tomavam a cidade, incluindo o clássico O Fino da Bossa, do qual sairia o programa homônimo da TV Record comandado por Elis Regina.

A pegada vigorosa de arquitetura clássica do piano de Amílton (de formação erudita, estudou na escola de Magda Tagliaferro), o baixo conciso de Luís Chaves e a bateria sutil de Rubinho (que também solava sem as baquetas, utilizando as caixas como tumbadoras) transformaram-se em uma grife de qualidade instrumental capaz de erguer uma ponte entre as dissensões da MPB na época.

O arranjo do ZT para Garota de Ipanema (que eles foram um dos primeiros a gravar) era número imprescindível em suas apresentações. Por isso, eles tanto eram convocados ao programa O Fino, de Elis (com quem gravariam o memorável disco O Fino do Fino, de 1965) quanto ao tradicionalista Bossaudade, de Elizeth Cardoso, com quem excursionariam pelo Japão, além de gravar dois discos ao vivo na boate carioca Sucata, em 1969 e 1970.

Ao lado de Elizeth e seu descobridor, Jacob do Bandolim, o Zimbo ainda participaria de um dos shows mais importantes já realizados no país, no teatro João Caetano no Rio, em fevereiro de 1968, sob a direção de Hermínio Bello de Carvalho. O encontro da bossa modernizadora do trio com o choro nada conservador do exímio Jacob, unidos pela eternidade vocal de Elizeth, virou marco histórico, editado em nada menos de três LPs.

Ao longo de uma carreira de inúmeras excursões ao exterior, o grupo ainda difundiu seu saber fundando em 1973 o CLAM (Centro Livre de Aprendizado Musical), por onde passaram feras como a pianista paulista Eliane Elias, hoje uma renomada jazzista nos EUA, onde está radicada desde os 80.

Em 1974, ao lado da Orquestra Sinfônica de Buenos Aires eles provaram sua ressonância erudita atuando no Pequeno Concerto para o Zimbo Trio, escrito especialmente para eles pelo maestro Ciro Pereira. Com vários discos gravados ao lado de solistas instrumentais (Canhoto da Paraíba, Hector Costita, Heraldo do Monte e até o saxofonista de jazz americano Sonny Stitt) e centrados em repertórios de grandes autores (Milton Nascimento, Tom Jobim) à alta qualidade o Zimbo Trio aliou a façanha de ter resistido a todas os movimentos em um trajeto de longevidade à prova de modismos."

Tárik de Souza
ENSAIO - 28/4/1994

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Canhoto da Paraíba

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Não são poucos os violonistas canhotos no Brasil. Alguns deles, com status de estrelas de primeiríssima grandeza (como o paulista Américo Giacomino, o Canhoto, o maior nome do instrumento no início do século), deram importantes contribuições para a fixação do violão como o mais brasileiro dos nossos instrumentos populares. Mas todos eles necessitavam inverter as cordas para aprender; primas para cima, bordões para baixo, de maneira que somente canhotos pudessem dedilhar o instrumento. Todos, menos um.

No alto sertão paraibano, na lendária cidade de Princesa Isabel (onde "pau-pereira já roncou", como cantava Luiz Gonzaga), entre nove irmãos, nasceu Francisco Soares de Araújo, em 19 de maio de 1928. O avô era clarinetista da banda, o pai tocava violão, os irmãos distribuíam-se entre vários instrumentos e logo o Chico começou a tocar todos eles, por conta própria. Tanto assim que, já adolescente, tomou puxão de orelha de "seu" vigário, que tolerava a maneira suingada como seu pequeno sacristão tocava os sinos, mas não perdoou quando o flagrou rasgando o frevo Vassourinhas, no... órgão da igreja.

Mas Chico gostava mesmo era de violão. O problema é que para ensiná-lo "só mesmo na frente do espelho", como dizia seu pai, quando desanimou da tarefa. Canhoto irreversível, tratou de aprender sozinho. Como o instrumento era usado pela família toda, não podia inverter as cordas, o negócio era simplesmente virá-lo ao contrario, de cabeça para baixo e...tocar.

Tocar magistralmente, a ponto de em pouco tempo a confraria dos gênios musicais brasileiros saber dele. Pixinguinha, Luperce Miranda, Tia Amélia, Severino Araújo, Dilermando Reis já sabiam que pelo Nordeste - agora já adulto, tocando no Regional da Rádio Jornal do Comercio do Recife, depois de estágio nas mesmas funções na Rádio Tabajara, de João Pessoa - existia um violonista fora de série, à altura dos melhores do país.

Em 1959, visita o Rio de Janeiro e em um sarau na famosa casa de Jacob do Bandolim, em Jacarepaguá, torna-se amigo de todos os seus ídolos, principalmente do jovem Paulinho da Viola, que o homenageia com o choro Abraçando o Chico Soares. Nunca quis fazer carreira no Sul, mesmo tendo gravado um LP (produzido por Paulinho), preferindo continuar sua vida de "chorão" ao lado dos amigos no Recife.

Tão bom compositor quanto intérprete, Canhoto da Paraíba - nome com que se inscreveu definitivamente na história do violão brasileiro - realizou algumas incursões por São Paulo e Rio de Janeiro, exibindo um talento que sempre deixou um gosto de "quero mais" nos que tiveram contato com ele.

Arley Pereira
ENSAIO - 12/4/1994

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A história da Bossa Nova - Parte Final

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Carnegie Hall

O flautista americano Herbie Mann foi realmente o primeiro músico estrangeiro a adotar a bossa nova como fonte musical. Em Nova York convenceu o dono da gravadora Atlantic, Nesuhi Ertegun, a vir com ele ao Brasil para ouvir a nova música que, segundo Herbie, iria “incendiar o mundo”. Ertegun já conhecia Vinícius de Moraes do tempo em que este servira no Consulado do Brasil em Los Angeles. Ao saber que o poeta era um dos participantes do movimento, e depois de ouvir Herbie Mann contar o que ouvira no Brasil, não teve dúvidas, desceu no Rio e logo na segunda noite Lula Freire promoveu, a pedido de Herbie Mann, de quem já era amigo, um jantar em sua casa com a presença da nata da Bossa Nova.

Chico Feitosa, Durval Ferreira, Menescal, Vinícius, Luizinho Eça, Baden Powell, Tom e Sérgio Mendes tocaram para Nesuhi e Herbie, que sacou da flauta e entrou direto no ritmo e no som da Bossa Nova. Lá mesmo combinaram que antes de retornar para Nova York deveriam gravar um disco do flautista com os músicos brasileiros.

O resultado foi a gravação do disco Do the Bossa Nova com o americano e os músicos brasileiros Baden Powell, Gabriel, Papão, Juquinha, Paulo Moura, Pedro Paulo, Sérgio Mendes, Durval Ferreira, Otávio Bailly, Dom Um Romão e Luiz Carlos Vinhas.

No estúdio, Nesuhi Ertegun comandava a parte técnica e Tom Jobim coordenava e dava sugestões sobre os arranjos. Não demorou muito e começou uma migração de músicos americanos para o Brasil em busca das composições de Bossa Nova. Paul Winter, Bud Shank e Cannonball Adderley colocaram o Rio em seu roteiro.

Nos Estados Unidos o novo som do Brasil era o novo filão para as gravadoras e editores de música. Tudo era Bossa Nova. Até o que não era. O violonista brasileiro Laurindo de Almeida, que residia há anos na América e que não tinha rigorosamente nada a ver com a Bossa Nova, gravou um disco chamado Laurindo Almeida and the Bossa Nova all Stars. Os músicos eram excelentes jazzistas como Howard Roberts, Al Viola, Shelly Mane, Milt Holland, Chico Guerrero, Jimmy Rowles, Max Bennett, Bob Cooper, Don Fagerquist e Justin Gordon, mas quanto à Bossa Nova eram mais inocentes do que o próprio Laurindo de Almeida.

O músico David Pike, mais esperto, gravou com os músicos Clark Terry e Kenny Burrell um disco com as músicas do pianista e grande compositor João Donato, que também morava na América. Donato voltou para o Brasil e foi imediatamente agregado ao movimento, até porque havia sido um dos primeiros a mudar o toque e as harmonias da música brasileira ainda no começo dos anos 50.

A música de Tom Jobim rapidamente estourava na América: Charlie Byrd e Dizzy Gillespie gravaram composições suas e Stan Getz fez a famosa gravação de Desafinado, da qual vendeu mais de um milhão de exemplares. Mas Tom Jobim só foi conhecer os Estados Unidos quando embarcou junto com outros brasileiros para o famoso concerto no Carnegie Hall, onde a Bossa Nova foi oficialmente apresentada ao mundo.

Em setembro de 1962, a Bossa Nova conquistou definitivamente seu lugar no mundo da música, no histórico espetáculo apresentado no tradicional Carnegie Hall de Nova York. Tudo começou quando Sidney Frey, presidente da gravadora americana Audio Fidelity, resolveu convidar Tom Jobim e João Gilberto para um show em Nova York Frey, que já havia estado no Brasil algumas vezes, passou um telegrama para a Divisão de Difusão Cultural do Itamaraty — cujo chefe era o conselheiro Mário Dias Costa — demonstrando seu interesse e pedindo o apoio do governo brasileiro.

Na época a política cultural do Itamaraty estava mais ligada à promoção de músicos, como Nelson Freire e Jacques Klein, e acontecimentos como a Bienal de Veneza. Apesar disso, Mário Dias da Costa, amante da música brasileira e cultura nacional achou que deveria conhecer a bossa nova mais de perto. Arnaldo Carrilho, então terceiro-secretário da Divisão de Difusão Cultural, encarregou-se de fazer o contato entre ele e Chico Feitosa, que por sua vez levou o diplomata a uma reunião na casa de Nara Leão.

Dias Costa, encantado com o que viu e ouviu naquela noite, resolveu que o grupo deveria participar do espetáculo em Nova York, com eventual ajuda do governo brasileiro através do Ministério das Relações Exteriores. Com a autorização de seu chefe, o ministro das Relações Exteriores, Hermes Lima, e de seu superior imediato, ministro Lauro Escorel, Mário Dias Costa resolveu usar a verba disponível para eventos de difusão cultural e financiar as passagens do grupo para Nova York. A hospedagem ficaria por conta do Consulado do Brasil em Nova York, o que foi providenciado pela consulesa-geral do Brasil Dora Vasconcellos, uma das mais encantadoras e eficientes personalidades da diplomacia brasileira.

Chico Feitosa encarregou-se de elaborar a lista dos músicos que iriam participar. A lista inicial, com dezessete nomes, incluía Ronaldo Bôscoli como apresentador do espetáculo No entanto, Tom Jobim sugeriu que, no lugar de Bôscoli, embarcasse Aloysio de Oliveira, que já tinha morado nos Estados Unidos e tinha bons contatos e ótimas relações por lá. Bôscoli acabou ficando no Rio.

A esta altura, Sidney Frey já havia convocada a imprensa para uma entrevista coletiva, em que anunciou que alugara o Carnegie Hall para um show de Bossa Nova, e que o Itamaraty financiaria as passagens. Isto bastou para que dezenas de pessoas batessem à porta de Dias Costa, garantindo serem integrantes genuínos do movimento. Em São Paulo, um grupo se reuniu e resolveu participar também, conseguindo suas passagens através da gravadora RGE. Entre eles, os cantores Agostinho dos Santos, Caetano Zama e Ana Lúcia.

Aloysio de Oliveira ficou preocupadíssimo com a quantidade de músicos inexperientes (alguns sem terem mesmo nada a ver com a Bossa Nova) que estavam prestes a embarcar para a apresentação. Ele acreditava que a proposta inicial de Frey era melhor: um show apenas com João Gilberto e Tom Jobim seria mais do que suficiente para mostrar todo valor da música brasileira, sem correr o risco de um eventual fracasso na principal casa de espetáculos que poderia comprometer a intenção de apresentar a Bossa Nova como o que de melhor se fazia em música fora dos Estados Unidos.

Com esta preocupação martelando sua cabeça, A1oysio tentou suspender a ida do grupo: convocou uma reunião na casa de Tom Jobim, à qual compareceram Carlos Lyra, João Gilberto e Vinicius de Moraes e sugeriu que seria melhor que todos desistissem do espetáculo uma vez que o show poderia transformar-se em uma grande bagunça.

Aloysio foi tão convincente em seus argumentos que todos saíram dali acreditando que seria mesmo melhor desistir da empreitada. Mas Vinícius chamou Lyra num canto e disse: “Parceirinho, não deixa de ir não, porque Tonzinho e João vão". "Na verdade o Aloysio preferia que todo mundo desistisse para só irem ele, o Tom e o João Gilberto”, conta Carlos Lyra, que imediatamente avisou Menescal e os outros que resolveram enfrentar o desafio.

Dias depois, embarcaram para Nova York, onde já estava o violonista Luiz Bonfá, que já desfrutava de grande prestígio junto ao público e aos músicos americanos. No dia do embarque, criou-se um certo constrangimento quando Aloysio entrou no avião: todos fizeram um silêncio mortal. O produtor acabou sentando-se sozinho num canto, onde passou toda o viagem. Na última hora, Tom Jobim, que detestava avião, não quis embarcar naquele vôo, alegando que o motor do avião estava sujo, e deixou para viajar no dia seguinte. Mas ele não perdeu muita coisa: Caetano Zama não esquece o tormento que foi ouvir o cantor Charles Aznavour, que também estava no avião, tocar cavaquinho durante toda a viagem. A chegada aos Estados Unidos foi uma espécie de sonho. Era outono em Nova York, com dias belíssimos e vários tons de amarelo colorindo a cidade, coberta de folhas secas.

Tom Jobim deu um susto em Mário Dias Costa: desapareceu no dia seguinte ao de sua chegada em Nova York. Todos ficaram preocupadíssimos, até que alguém se lembrou de que ele tinha dito alguma coisa sobre ir à casa do saxofonista Gerry Mulligan em Nova Jersey. Foram atrás dele e encontraram “Tom e Gerry”, ao lado de uma pilha de latas de cerveja. Tinham passado a tarde toda bebericando e tocando juntos.

Finalmente a grande noite chegou: no dia 21 de novembro de 1962, a Bossa Nova subiu ao palco do Carnegie HalI. Compareceram ao histórico espetáculo Luiz Bonfá, o conjunto de Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Chico Feitosa, Normando Santos, Caetano Zama, Ana Lúcia, Cláudio Miranda, Milton Banana, Sérgio Ricardo, Antonio Carlos Jobim e João Gilberto, além do violonista Bola Sete, a cantora Carmen Costa, o ritmista José Paulo e o pianista argentino Lalo Schiffrin.

Ninguém, nem mesmo o próprio Itamaraty, imaginaria que aquele concerto pudesse superar o sucesso do samba de Carmen Miranda, que chegara as telas de Hollywood nos anos 40. Cerca de três mil pessoas lotaram o Carnegie Hall e outras mil ficaram do lado de fora. Na platéia estavam nomes como Tony Bennett, Peggy Lee, Dizzy Gillespie (este na primeira fila), Miles Davis, Gerry Mulligan, Erroll Garner e Herbie Mann, entre muitos outros ilustres representantes da música americana.

O master of ceremonies, o famoso crítico de jazz Leonard Feather, fez uma introdução explicando o que era a Bossa Nova. O sexteto de Sérgio Mendes, por sugestão de Lula Freire batizado como Bossa Rio (o nome original do grupo era Samba Rio), abriu o espetáculo e sua interpretação foi aplaudidíssima. Anos depois, Mário Dias Costa confessou que chegou a chorar quando o grupo tocou Samba de Uma Nota Só, com arranjo de Paulo Moura.

Alguns jornais publicaram a notícia de que o concerto havia sido um fracasso. Realmente, o sistema de amplificação não era dos melhores, chegando a pifar quando Normando cantava sua música. Boa parte do público que estava nos balcões e galerias não ouviu direito o concerto, o que prejudicou a qualidade de audição do espetáculo, mas sem dúvida foi a partir dali que João Gilberto, Tom Jobim e Carlos Lyra entre outros, deslancharam suas carreiras internacionais, e foi também a partir dali que a Bossa Nova conquistou definitivamente o mundo.

Carlinhos Lyra quase apanhou de um guarda americano porque estava fumando bem embaixo de um aviso de No Smoking, quando foi alertado por Tom Jobim, que o fez apagar o cigarro alegando que nos Estados Unidos Lyra poderia ir parar na cadeira elétrica por infringir a lei. No meio do espetáculo, que durou quase três horas, o Sindicato dos Trabalhadores em Teatro de Nova York ameaçou apagar todas as luzes, pois já tinham estourado sua carga horária de trabalho. A consulesa Dora Vasconcellos teve de usar de toda a sua diplomacia para conseguir que eles continuassem a trabalhar.

Apesar de todos estes contratempos, quem estava pôde presenciar momentos inesquecíveis. Tom Jobim foi muito aplaudido em Samba de Uma Nota Só, mesmo tendo errado a letra. Apesar do nervosismo, ele teve grande presença de espírito ao parar de tocar para recomeçar. “Just a second”, disse Tom para então recomeçar com brilhantismo. Depois cantou Corcovado, Sob aplausos, Tom Jobim saiu do palco e logo depois voltou paro dizer: “It’s my first time in New York and I’m ver very, very glad to be here.I’m loving the people, the town everything. I’m very happy to be with you”.

Já o Gilberto, na última hora, implicou com o vinco de sua calça. Chamou o conselheiro Mário Dias Costa e explicou-lhe que o vinco não estava paralelo à costura, o que prejudicaria sua apresentação e conseqüentemente poderia comprometer a imagem da música brasileira no Exterior. Apavorado, Mário Dias Costa pediu socorro à consulesa Dora Vasconcellos, que localizou a costureira do teatro para conseguir um ferro de passar. Até hoje algumas pessoas garantem que a própria Dora passou a calça de João, enquanto ele esperava tranqüilamente, de meias e cueca.

João entrou no palco com um violão emprestado por Billy Blanco. Ele aguardou o silêncio e cantou Samba da Minha Terra com Milton Banana na bateria e emendou com Corcovado e Desafinado, com Tom Jobim ao piano. Levou o Carnegie Hall ao delírio. Os aplausos não eram à toa: somente naquele ano, Desafinado tivera onze gravações nos Estados Unidos, uma delas a de um milhão de discos vendidos, com Stan Getz e Charlie Byrd.

Outro ponto alto do espetáculo foi a apresentação de Luiz Bonfá ao violão e Agostinho dos Santos cantando Manhã de Carnaval. Bonfá lembra que Agostinho, muito nervoso, abordou-o pouco antes do show começar: “Bonfá, você vai tocar Manhã de Carnaval”? Bonfá confirmou. “Posso cantar com você?”, pediu Agostinho. Bonfá, muito sem jeito, disse que não, já que o que estava combinado era que ele faria apenas um solo com o violão, e não queria se indispor com Sidney Frey. Agostinho não desistiu: “Não tem importância, você modula que depois eu entro...”. Depois de muita insistência, Bonfá cedeu: combinaram que ele faria primeiro uma introdução instrumental e depois anunciaria Agostinho. Mas quando o violonista começou a tocar, os aplausos abafaram o som. Agostinho, achando que já era sua hora, entrou. E acabou cantando desde o início, exatamente como queria. O Carnegie Hall aplaudiu de pé, e cravos vermelhos foram atirados ao palco.

Nos dias seguintes, alguns inimigos da Bossa Nova na imprensa brasileira noticiaram com fartura o “fracasso histórico” do show, A mentira e o exagero causaram uma repercussão tão negativa que Mário Dias Costa foi chamado pelo ministro das Relações Exteriores para explicar o que havia se passado. No entanto, o show havia sido filmado por uma equipe de TV americana. Dora Vasconcellos comprou o filme por 450 dólares e mandou-o para o Brasil na bagagem do radialista Walter Silva, o famoso Pica-pau. As TVs Continental e Tupi encarregaram-se de exibi-lo e a verdade veio à tona: o que se via era algo bem diferente do que a imprensa noticiara. Mostrava, por exemplo, a platéia aplaudindo entusiasticamente Tom, João, Bonfá, Agostinho dos Santos e os demais participantes do show.

Logo Depois do concerto no Carnegie Hall, vários brasileiros fecharam contratos para continuar por lá. João Gilberto assinou um contrato de três semanas com a Blue Angel e outro com a gravadora Verve para gravar um disco. Tom Jobim foi contratado como arranjador pela Leeds Corporation. O conjunto de Oscar Castro Neves foi para o Empire Room do Waldorf Astoria. Chico Feitosa foi convidado por Mel Tormé para assistir ao seu espetáculo em Nova Jersey.

Após a apresentação, no camarim, Chico ficou tocando suas músicas durante uma hora para Mel Tormé enquanto ele tirava a maquiagem. Tormé resolveu: “Quero gravar todas. Vamos nos encontrar na casa de Nesuhi Ertegun em Nova York depois de amanhã para acertar tudo”. Chico voltou para Nova York, caiu no redemoinho das festas para a Bossa Nova, esqueceu de Mel Tormé e voltou para o Brasil sem voltar a ligar para o grande cantor.

Duas semanas depois do Carnegie Hall, aconteceu um novo show de Bossa Nova nos Estados Unidos — que muita gente, como o próprio Carlos Lyra, garante ter sido o “verdadeiro” — no George Washington Auditorium, em Washington. Dele participaram Tom Jobim, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, o Sexteto Sérgio Mendes, Sérgio Ricardo, o quarteto de Oscar Castro Neves, Luiz Bonfá, Agostinho dos Santos e Milton Banana. O grupo fechou sua apresentação em Washington, sendo recebido na Casa Branca.

Tom Jobim ficou em Nova York por nove meses, período em que foi considerado o melhor arranjador musical . pela National Academy of Recording Arts and Sciences, da qual recebeu seu primeiro troféu internacional. O prêmio foi concedido por causa dos arranjos do disco de João Gilberto que a Odeon havia enviado para os Estados Unidos. Em maio de 1963 Tom gravou Antonio Carlos Jobim — The Composer of Desafinado Plays, com doze músicas suas, entre elas Garota de Ipanema, que em breve seria o maior sucesso da Bossa Nova e da música brasileira no Exterior.

No final daquele ano também chegaria às lojas o disco Getz/Gilberto – Featuring Antonio Carlos Jobim, que em menos de um ano vendeu mais de dois milhões de exemplares. O principal êxito do disco foi The Girl from Ipanema, interpretada por Astrud Gilberto. Getz e Gilberto conheceram-se poucos dias depois do concerto no Carnegie Hall, num encontro do qual também participaram Tom Jobim e o produtor Creed Taylor, dono da Verve. A gravação do disco foi uma novela: João e Getz brigavam feitos cão e gato, o primeiro criticando a altura do sax do segundo, que por sua vez brigava com a voz sussurrada de João. Mesmo assim as oito faixas foram gravadas em apenas dois dias e o LP estourou nas paradas, conquistando vários prêmios Grammy.

Carlos Lyra também ficou algum tempo nos Estados Unidos, acompanhando o grupo de Stan Getz.“Ajudou muito o fato do Getz ser um músico ligado à Bossa Nova. Ele queria um elemento brasileiro que cantasse acompanhado pelo conjunto dele”, conta. Lyra cantava somente suas canções e era acompanhado por músicos da melhor qualidade: Getz no sax, Gary Burton no vibrafone e Chick Corea no piano. Juntos, apresentaram-se nos Estados Unidos, Japão, Europa, México, Canadá e até no Brasil. Quando se separou do grupo, Lyra continuou sua carreira no Exterior por conta própria.

O Carnegie Hall havia enfim provado que o evento tinha sido um sucesso na vida dos compositores e na vida da própria Bossa Nova. Apesar das críticas negativas ao show no Carnegie Hall, a Bossa Nova no Brasil estava mais forte do que nunca no início dos anos 60.

Incansáveis, os músicos não paravam de compor e novas parcerias surgiam da noite para o dia. Foi assim com Baden Powell e Vinícius de Moraes. Apresentado a Baden pelo empresário Nilo Queiroz, aluno do violonista, os dois acabaram passando três meses trancados na casa de Vinicius, onde beberam dezenas de garrafas de uísque e criaram 25 canções, entre elas Berimbau e Canto de Ossanha.

Em 1962, mesmo ano do Carnegie Hall, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto finalmente se reuniram para um espetáculo juntos. O antológico O encontro teve lugar na boate Au Bon Gourmet, em Copacabana. A temporada, prevista para um mês, acabou sendo prorrogada por mais duas semanas, tal foi o sucesso. Aquela foi a primeira vez que “o poetinha” cantou em público, e também foi a primeira vez que Garota de Ipanema foi apresentada num espetáculo. A música, que se tornaria um dos hinos da Bossa Nova em todo o mundo, foi composta por Tom alguns meses antes do espetáculo no Carnegie Hall, e Vinicius colocou a letra mais tarde, inspirado pela famosa garota que eles viram passar da varanda do Veloso, em Ipanema. Helô Pinheiro tinha apenas quinze anos na época. e costumava passar pela Rua Montenegro, atual Rua Vinícius de Moraes, a caminho do mar.

Na mesma época, João Gilberto lançou seu terceiro disco, que levava apenas seu nome, viajando em seguida para os Estados Unidos, onde passaria alguns anos sem gravar e até mesmo sem voltar ao Brasil. Entre 1963 e 1969, João Gilberto apresentou-se em várias cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa, conquistando para sempre suas platéias. Em 1965, já separado de Astrud, conheceria em Paris sua segunda mulher, Miúcha Buarque de Holanda.

Aloysio de Oliveira resolveu sair da Odeon e, em 1963, criou sua própria gravadora, a Elenco, que se tornou reduto da Bossa Nova. As capas dos discos, sempre brancas e com fotos de Chico Pereira, tornaram-se uma marca registrada da gravadora.

Um personagem que marcou época na Bossa Nova foi o bailarino Lennie Dale, Ele chegou ao Brasil trazido por Carlos Machado para coreografar o show Elas Atacam pelo Telefone. Encantado com o Rio, Lennie foi ficando e se enturmou com os músicos do Beco das Garrafas, conseguindo convencê-los da importância dos ensaios para uma melhor performance profissional. Antes disso a improvisação costumava comandar os espetáculos. Lennie chegou inclusive a estrelar um espetáculo antológico, em que cantava O Pato com seu forte sotaque, segurando uma fruteira com um pato de verdade dentro. E foi Lennie também que resolveu inventar passos de dança para a Bossa Nova, já que na época qualquer novo ritmo musical sempre era associado a uma dança específica.

Neste início dos anos 60, já começava a se formar a segunda geração dos compositores da Bossa Nova, da qual fizeram parte, entre outros, Marcos Valle, Edu Lobo, Francis Hime, Pingarilho, e Antonio Adolfo. Mais tarde, ainda sob a influência do primeiro grupo, apareceram Milton Nascimento, Chico Buarque e Toquinho.

A cantora Elis Regina chegou ao Rio, vinda de Porto Alegre, em março de 1964. Ela já havia gravado três LPs na capital gaúcha: Viva a Brotolândia (1961), Poema (1962) e O Bem do Amor (1963), nos quais demonstrava a influência de sua maior admiração, Ângela Maria. Miéle e Bôscoli criaram para ela um pocket show no Little Club, do qual também participavam o conjunto Copa Trio, do baterista Dom Um, a bailarina Marly Tavares e o pandeirista Gaguinho. Lennie Dale encarregou-se de ensaiar a “baixinha”: foi dele a idéia de rodopiar os braços feito moinhos de vento, o que valeu a Elis o bem-humorado apelido de “Hélice” Regina.

Marcos Valle conta que a música sempre esteve presente em sua vida. “Estudei música clássica durante treze anos e meu interesse por música brasileira começou muito cedo, ainda criança”. Lembra ele, que, em 1958, quando surgiu Chega de Saudade, ainda era um adolescente de quinze anos e só tocava nas festinhas dos amigos. Através da cantora Tita, Marcos foi apresentado a Johnny Alf, “Ele achou que eu tinha talento e começou a freqüentar a minha casa e me estimulava muito”, lembra Marcos.

Mas sua atividade musical começou a crescer quando reencontrou Edu Lobo, amigo de infância do Colégio Santo Inácio, dentro de um ônibus. Edu comentou que estava tocando violão e que sempre se reunia com Dori Caymmi, filho de Dorival. Entusiasmado, Marcos resolveu se juntar aos dois e em breve eles formariam um trio vocal, com Edu e Dori nos violões e Marcos no piano. Edu Lobo frisa que, nesta época, nenhum deles pensava em música como uma profissão. “Eu já estava programado para estudar Direito e seguir carreira diplomática”, conta Edu, filho do jornalista e compositor Fernando Lobo. Mesmo assim, começaram a freqüentar as reuniões da Bossa Nova.

Marcos Valle da primeira vez em que esteve na casa de Ary Barroso: “Estava todo mundo lá, Vinicius, Carlos Lyra, Baden Powell. Eles eram meus ídolos e de repente eu estava ali, no meio deles”. Numa outra reunião, esta na casa de Vinicius, Marcos reencontrou Lula Freire, amigo de infância de seu irmão Paulo Sérgio. Quando, já no fim da noite, Marcos pegou o violão, Lula imediatamente o convidou para ir no dia seguinte á sua casa para apresentá-lo aos músicos do Tamba Trio de Luizinho Eça. Marcos foi, mostrou algumas de suas primeiras composições, Sonho de Maria, Razão do Amor e Vem o Sol, e Luizinho, que já estava com disco praticamente pronto, resolveu voltar ao estúdio para gravar uma das canções de Marcos que mais o havia encantado: Sonho de Maria.

Nesse mesmo dia Marcos foi apresentado a Carlos Lyra, Roberto Menescal, Luís Carlos Vinhas e Chico Feitosa. Menescal acabou levando-o aos Cariocas, que gravaram Vamos Amar, parceria com Edu Lobo, e Amor de Nada. No ano seguinte Marcos foi chamado para um teste na Odeon, gravadora na qual acabou ficando por doze anos. Seu primeiro disco, Marcos Valle Samba Demais, foi lançado em 1964.

Edu Lobo lembra que aquela época foi muito especial, e que talvez nunca mais se repita em nenhum lugar do mundo. “Bastava você trabalhar muito para que as coisas acontecessem”, conta Edu. A história de sua parceria com Vinicius é um exemplo. Edu Lobo conheceu Vinicius de Moraes numa festa na casa de Olívia Hime, em Petrópolis. “Ela me ligou no final da tarde e disse para eu ir ate lá, porque o Vinicius também estava indo. Eu nunca tinha visto o Vinicius antes, a não ser em shows, e fui correndo”, lembra. Na festa, Edu pegou o violão e começou a tocar algumas músicas. Vinicius, interessado, perguntou se ele não teria uma música nova, ainda sem letra. Edu tinha. Mostrou a música e Vinicius perguntou se poderia fazer a letra. “Dormi aquela noite sem acreditar e no dia seguinte, quando eu acordei, era parceiro do Vinicius de Moraes! Esse tipo de coisa não acontece em lugar nenhum do mundo. Se um grande letrista americano, por exemplo, encontrar um jovem compositor, antes de começar a parceria ele no mínimo vai ligar para o advogado”, garante Edu.

A música em questão era Só me fez bem. “Isso foi mais que um prêmio, mais que qualquer empurrão”, lembra Edu, que ainda nessa época não pretendia seguir carreira musical. “Eu fazia música como quem pega onda, era uma coisa da geração. Inclusive muita gente, que tocava bem na época, hoje em dia faz outra coisa”, diz.

Edu atualmente acha inacreditável a facilidade que se tinha de entrar nas casas de pessoas públicas como Vinicius e Tom Jobim. “A gente ficava só olhando enquanto eles trabalhavam. Na casa do Tom, eu tocava a campainha e entrava, a Teresa trazia um cafezinho e eu ficava ali, feliz da vida, só ouvindo. E eles deixavam. Era como se fosse uma escola”, garante.

Musicalmente, no entanto, tanto Edu Lobo quanto Marcos Valle já começavam a trilhar seus próprios caminhos. Apesar da influência explícita da Bossa Nova, a inovação chegava através da versatilidade em termos de ritmo e principalmente nas letras, que começaram a apresentar mais temas políticos, deixando de lado a máxima “amor, sorriso e flor” da primeira geração da Bossa Nova. Marcos Valle, um dos primeiros surfistas cariocas, chegou a compor várias canções ligadas ao mar. O clima para músicas de fundo social começou a crescer no meio artístico como uma forma de protesto contra o sistema político vigente. Várias canções foram censuradas e outras tiveram frases mutiladas, o que só serviu para aumentar mais ainda a curiosidade e o prestígio das mesmas.

Ainda em 1963, após muito hesitar, Nara Leão aceita o convite de Carlos Lyra e Vinicius para estrelar a Pobre Menina Rica, no Au Bon Gourmet. Entre as canções do espetáculo, todas compostas pela dupla, estavam Samba do Carioca, Sabe Você?, Pau de Arara, Maria Moita e Primavera. A temporada, de apenas três semanas, foi um sucesso. Nara havia começado um namoro com o cineasta Ruy Guerra, também letrista e parceiro de Edu Lobo.

Carlos Lyra, na época, estava mergulhado em pesquisas sobre a música dos velhos sambistas do morro, como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti, tentando inclusive compor com alguns deles. O disco Nara, lançado pela Elenco em 1963, reunia composições como Diz Que Vou Por Aí de Zé Keti, O Sol Nascerá, de Cartola e Elton Medeiros, e Luz Negra. de Nelson Cavaquinho, além de Feio não é Bonito e Maria Moita, de Lyra, Berimbau e Consolação, de Baden e Vinicius, Nanã, de Moacyr Santos, e Canção da Terra e Réquiem para um Amor, de Edu Lobo e Ruv Guerra. Quando o disco saiu, Nara foi ferozmente atacada por alguns críticos, mas seu novo estilo acabou agradando.

Em janeiro de 1964 ela fez uma temporada no Bottle’s, e poucos meses depois partiu para o Japão com o trio de Sérgio Neto e Edison Machado. Quando voltou ao Brasil assinou com a Philips para gravar o Opinião. No repertório, Derradeira Primavera de Tom e Vinicius, Em tempo de Adeus, de Edu Lobo e Ruy Guerra, Opinião e Acender as Velas, de Zé Keti, entre outras composições que iam de capoeiras do folclore baiano. Nara estava fugindo de Ipanema, e o disco causou enorme polêmica, tendo sido considerado na época totalmente anti-Bossa Nova. Logo ela estrearia o show Opinião, de Oduvaldo Viana Filho, Armando Costa e Paulo Pontes, dirigido por Augusto Boal, e acompanhada por Zé Keti e João do Vale, no Teatro de Arena da Rua Siqueira Campos em Copacabana. O espetáculo, em toda a sua temporada, teve grande sucesso. E Nara passaria a ser a musa de outro movimento: o protesto da nova geração universitária.

Nesta época começaram a surgir os festivais da canção, que permitiam uma maior liberdade de composição. A partir de 1965, vários festivais começaram a acontecer nas emissoras Excelsior, Tupi e Record. Em 1966, Tom Jobim, já de volta ao Brasil após todo sucesso no Exterior, estava tomando tranqüilamente seu chopp no bar Veloso, em Ipanema. O telefone do bar tocou. Tom foi chamado e do outro lado da linha estava ninguém menos que Frank Sinatra, diretamente dos Estados Unidos, convidando-o para gravarem juntos um disco. Foi um encontro de gênios: O LP chamado Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, foi escolhido por unanimidade pela crítica especializada dos Estados Unidos como o álbum vocal do ano. Em 1967, o disco só perdeu em vendagem para os Beatles, que haviam acabado de lançar Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Mais tarde, já em 1968, Marcos Valle estourou em todas as paradas com a Viola Enluarada. E é ele quem conta como compôs a música: “Eu estava nos Estados Unidos, em 1967, participando de espetáculos e programas de televisão. E aquela saudade batendo. Fui gravar um disco em Nova York com arranjos do Eumir Deodato. Saudoso demais do Brasil, um dia entrei no banho e me veio, embaixo d’água, a melodia completa de Viola Enluarada na cabeça. Foi um ato de saudade, por isso ela é tão brasileira e tão triste também. Quando voltei ao Brasil, conheci o Milton Nascimento. Promoveram um encontro na casa do Tom para a gente se conhecer. Ele era meu fã, e eu dele. Neste encontro, toquei Viola Enluarada ainda sem letra. Todos adoraram a música e inclusive me disseram que deveria ser gravada sem letra. Mas eu preferi pedir ao Paulo Sérgio para fazer a letra. Quando ele me mostrou, fiquei um pouco na dúvida se a letra deveria ser aquela mesma, mas acabei concordando, e realmente o conjunto de letra e música deu supercerto.”

Marcos lembra que, antes de ser sucesso de público e disco Viola Enluarada já era sucesso no meio artístico e era item obrigatório nas rodas de violão e nos shows. No espetáculo do Quarteto em Cy, por exemplo, Juscelino Kubitschek em pessoa levantou-se e cantou a plenos pulmões o refrão “Liberdade”. Logo Marcos Valle convidou Milton Nascimento para gravar música, que rapidamente estouraria nas paradas.

Mais ou menos na mesma época, Marcos Valle foi convidado para participar do programa Almoço com as Estrelas, comandado por Aerton Perlingeiro na TV Tupi. Marcos seria agraciado com o prêmio Velho Capitão uma estatueta com a imagem de Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados e da TV Tupi. “Eu resolvi convidar o meu irmão Paulo Sérgio, já que ele era meu parceiro. O Paulo Sérgio se sentou num canto da mesa. meio escondido, e ficou observando tudo. Quando o Aerton anunciou o prêmio, eu comecei a agradecer e disse que também queria oferecer o prêmio ao meu irmão. Quando eu falei isso, o Paulo Sérgio já se levantou. Mas antes que ele chegasse perto, o Perlingeiro disse: ‘De jeito nenhum!’ Ficou aquele clima, o Paulo Sérgio já voltou pro lugar dele, e o Perlingeiro continuou: ‘Não senhor, o prêmio é seu. Quando o seu irmão merecer um, ele vai ganhar!’ Depois a gente chorava de rir e até hoje eu não sei se o Aerton viu que o Paulo Sérgio estava ali”, lembra Marcos.

Poucos anos depois, o Brasil veria o surgimento de outro movimento importante: o Tropicalismo dos baianos Caetano, Gil e cia. Mas a verdade é que nunca um movimento musical influenciou tantos músicos em tantas partes do mundo como a Bossa Nova.

Era incontestável que a música brasileira havia mudado, e para muito melhor. O respeito com que os compositores e músicos brasileiros começaram a ser tratados no Exterior era a prova do sucesso absoluto da Bossa Nova. O mercado internacional abria-se para o grupo de jovens amadores e seus seguidores, que haviam conquistado pela primeira um lugar de destaque para a música brasileira, livre de sotaques, batucadas e cachos de bananas.

Em curto espaço de tempo, Antonio Carlos Jobim já era conhecido e consagrado como um dos maiores compositores do mundo. A gravação do seu disco com Frank Sinatra cantando suas músicas e músicas americanas no embalo da Bossa Nova era o reconhecimento da definitiva influência da moderna música brasileira.

O violonista Baden Powell foi morar em Paris, e tanto na França como na Alemanha gravou inúmeros discos. O violonista pernambucano Cussy de Almeida morava em Genebra, Suíça, e chegou a ser o primeiro violino da orquestra Suisse Romande. Voltando ao Brasil encantou-se pela Bossa Nova. Viajava freqüentemente ao Rio de Janeiro, onde conheceu diversos personagens da Bossa Nova, terminando por gravar um belíssimo disco (O Mergulhador) de violino e violão com Candinho.

Também para Paris mudou-se o violonista e cantor Normando. Carlinhos Lyra foi para os Estados Unidos e México onde viveu e trabalhou com grande prestígio. O pianista e compositor Eumir Deodato radicou-se em Nova York, onde ganhou diversos prêmios e discos de ouro, sendo considerado um dos maiores arranjadores pelos músicos americanos. Sérgio Mendes, há anos com o seu espetacular som característico, já é uma instituição no cenário da música nternacional.

João Gilberto transformou-se em símbolo e padrão de qualidade de interpretação. Astrud mora na Filadélfia e será sempre a suave “Garota de Ipanema”.

Edu Lobo, Dori Caymmi e Marcos Valle deixaram a marca de sua presença em todos os locais em que a Bossa Nova é ouvida. Vinícius de Moraes, o poeta dos poetas, correu mundo contando e cantando sua poesia, e por algum tempo chegou a morar na Itália, onde fez enorme sucesso.

Oscar Castro Neves fixou residência em Los Angeles como notável arranjador e instrumentista. Roberto Menescal, dono de uma obra que é parte fundamental do acervo da Bossa Nova, fez diversos shows pelo mundo, e além da música tornou-se um dos maiores experts em bromélias no Brasil.

Moacyr Santos e Don Salvador fizeram da América sua opção de vida e trabalho. A batida do violão e dos ritmistas Juquinha, Hélcio Milito, João Palma, Milton Banana, Paulinho Magalhães, Chico Batera, Edson Machado, Toninho Pinheiro, Ronnie Mesquita, Paulinho Braga, Ruben Bassini e Dom Um Romão, abriu no Exterior o caminho para que os percussionistas de vários países acompanhassem a Bossa Nova, que saiu das noites de Copacabana e Ipanema para as luzes internacionais.

De um cantinho e um violão para as grandes platéias e orquestras do mundo. E 40 anos depois do seu nascimento, a riqueza, a suavidade e o encanto da Bossa Nova não se encontrou nada que a superasse.

Fonte: Revista Caras - Edição Especial de Julho de 1996.

Capítulos anteriores desta saga: A história da Bossa Nova - Parte 1; A história da Bossa Nova - Parte 2; A história da Bossa Nova - Parte 3. Veja também em Bossa Nova: Agostinho dos Santos / Alaíde Costa / Aloysio de Oliveira / Baden Powell / Billy Blanco / Bossa Nova, Dicionário da / Bossa Nova, mais letras / Cariocas, Os / Carlos Lyra / Chico Feitosa / Edu Lobo / Elizeth Cardoso / João Gilberto / Johnny Alf / Leila Pinheiro / Luiz Bonfá / Lula Freire / Maysa / Nara Leão / Newton Mendonça / Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli / Sylvia Telles / Tom Jobim / Vinícius de Moraes.

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Barão Vermelho

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Barão Vermelho

Grupo carioca de rock fundado em 1981 por Roberto Frejat (Rio de Janeiro-RJ 1961-)guitarra; Dé (André Palmeira Cunha, Rio de Janeiro 1965-), contabaixo; Maurício Carvalho de Barros (Rio de Janeiro 1964-), teclados; e Guto Goffi (Flávio Augusto Goffi Marques, Rio de Janeiro, 1962-), bateria.

Só no ano seguinte, por intermédio de Leo Jaime, encontrariam o vocalista Cazuza e gravariam o primeiro LP, Barão Vermelho, pela Som Livre, fazendo alguns shows apenas no Rio e em São Paulo.

Depois do lançamento do disco 2, que inclui a faixa Pro dia nascer feliz, vem o sucesso nacional, em 1984, com Bete Balanço, da trilha sonora do filme de mesmo nome e presente no terceiro disco do grupo, Maior abandonado.

Em janeiro de 1985 participam do festival Rock In Rio e em junho é anunciada a saída do vocalista Cazuza, que parte para carreira solo, e a entrada de Fernando Magalhães e Peninha. Frejat passa a ser vocalista e o Barão assina contrato com a Warner.

Em 1990 participam do Hollywood Rock, e no mesmo ano o baixista Dé é substituído por Dadi, ex-integrante dos Novos Baianos e do A Cor do Som. No ano seguinte ganham o prêmio Sharp de melhor grupo de rock e o baixista Dadi é substituído por Rodrigo Santos.

Outros sucessos do Barão são Declare guerra, Por que a gente é assim?, Quem me olha só, Pense e dance, Torre de Babel, O poeta está vivo, Supermercados da vida, Malandragem, Dá um tempo" e Puro êxtase.

Em 2001, depois de mais uma apresentação surpreendente no Rock in Rio 3 – Por um Mundo Melhor, o Barão Vermelho faz uma pausa para seus integrantes desenvolverem projetos paralelos. Em 2004 eles lançaram Barão Vermelho, que mostra sucessos do início de carreira.

Em agosto de 2005, o Barão Vermelho grava no palco do Circo o seu primeiro DVD, dentro do projeto MTV ao Vivo. O elemento surpresa do Barão MTV ao Vivo fica por conta da dobradinha virtual, entre Cazuza e Frejat – este interpretando pela primeira vez - na canção Codinome Beija-Flor, de Cazuza e Ezequiel Neves.

O álbum duplo faz uma retrospectiva de 23 anos de carreira da banda com repertório dos 12 discos de estúdio lançados desde 1982 e do ao vivo Balada MTV.

Fontes: CliqueMusic; Encicl. da Música Brasileira - Art Editora.

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Monarco

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Monarco (Hildemar Diniz), compositor e cantor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 17/8/1933. Criado no subúrbio de Osvaldo Cruz, onde o pai trabalhava como marceneiro, estudou apenas até o terceiro ano primário. Quando criança conheceu Paulo da Portela e, desde cedo, freqüentou rodas de sambistas, compondo aos 11 anos seus primeiros sambas para os blocos do subúrbio.
Sua primeira música gravada foi Vida de rainha (com Alvaiade), por Risadinha. A segunda música foi O lenço (com Chico Santana), na gravadora Sinter. Integrante da ala dos compositores do G.R.E.S. da Portela desde 1950, tem composições gravadas por Paulinho da Viola (O lenço e Passado de glória), Clara Nunes (Vai amor, com Walter Rosa), Martinho da Vila (Tudo menos amor, com Walter Rosa), Roberto Ribeiro (Proposta amorosa) e Beth Carvalho (Fim de sofrimento), entre outros.
Toca cavaquinho e instrumentos de percussão. Como integrante da Velha Guarda da Portela, apresentou-se em shows no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro, e no teatro da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo SP.
Mesmo sendo o mais jovem integrante da Velha Guarda da Portela, depois da morte de Manacéia foi escolhido para ser o chefe do grupo. Desempenha as funções de diretor de harmonia da escola de samba da Portela. Após a morte de seus parceiros da Velha Guarda (Alcides, Chico Santana, Manacéia), seus parceiros mais constantes são Ratinho (Alcino Correia) e seu filho, Mauro Diniz.
Gravou seu primeiro LP como cantor em 1974, na Continental. O segundo LP, em 1980, foi gravado na Eldorado: Monarco com participação da Velha Guarda da Portela, reeditado em CD pela mesma gravadora. Em 1991 seu primeiro CD — Monarco, a voz do samba, produzido por Henrique Cazes — foi lançado no Japão.
Em 1994-1995 foi lançado no Brasil, pela Kuarup, o CD A voz do samba, no qual saudava portelenses históricos, destacando- se o samba-enredo que compôs para a escola Unidos do Jacarezinho, em homenagem a Geraldo Pereira. Esse disco lhe rendeu um prêmio Sharp de melhor cantor na categoria samba. No mesmo ano, apresentou-se em São Paulo, no bar Vou Vivendo.
Outras composições de destaque são Amor de malandro (com Alcides Lopes), Coração em desalinho (com Zeca Pagodinho), Falsa alegria (com Ratinho), 1995, Vou procurar esquecer (com Ratinho), 1996, Presença incerta (com Ratinho), 1997.
Obras: Falsa alegria (c/Ratinho), 1995; O lenço (c/Chico Santana), 1970; Passado de glória, samba, 1970; Presença incerta (c/Ratinho), 1997; Tudo menos amor (c/Walter Rosa), 1974; Vai amor (c/Walter Rosa), 1975; Vou procurar esquecer (c/Ratinho), 1996.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.

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Aquiles Medeiros

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Aquiles Medeiros, compositor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 30/7/1925 e faleceu em 12/9/1971. Nascido no bairro da Glória, ainda menino mudou-se para o subúrbio de Brás de Pina, onde completou seus primeiros estudos. Desde garoto compunha músicas e liderava pequenos blocos carnavalescos.

Com seu irmão, Elton Medeiros , e outros jovens, integrou o bloco Unidos de Sintra, depois União do Amor, que saía da parada do ônibus Penha Circular. Ali conheceu Joacir Santana, que mais tarde o convidou para fundar o Bloco Carnavalesco Tupi de Brás de Pina, depois transformado em escola de samba. Também a convite de Joacir, transferiu-se para a escola de samba Aprendizes de Lucas, que mais tarde se associou à Unidos da Capela, para formarem o G.R.E.S. Unidos de Lucas, onde fez parte da ala de compositores.

Formou-se técnico em contabilidade e trabalhou como bancário, tendo sido funcionário da Caixa Econômica Federal. Teve gravados seus sambas Pedra no meu caminho (com Raul Marques e Estanislau Silva) e Boêmio sofredor (com Aguinaldo da Cuíca), pela etiqueta Rádio, com a Aprendizes de Lucas. Foi também passista e tocava vários instrumentos de percussão.

Obras: Boêmio sofredor (c/Aguinaldo da Cuíca), samba, s.d.; Pedra no meu caminho (c/Raul Marques e Estanislau Silva), samba, 1952.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.

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Arnaldo Batista

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Arnaldo Batista (Arnaldo Dias Baptista), cantor e compositor, nasceu em São Paulo-SP no dia 6 de julho de 1948. É mais conhecido por seu trabalho com Os Mutantes. Sua carreira musical tem início em 1962, quando ele forma com seu irmão Cláudio César o grupo The Thunders.

Em 1966, convida seu outro irmão, Sérgio Dias, a se juntar ao grupo Six Sided Rockers, que já contava com a presença de Rita Lee. O grupo daria origem aos Mutantes.

Ali ele desenvolve seus talentos de compositor e arranjador, mas depois de vários problemas e brigas internas, causadas principalmente por seu vício em drogas, ele sai da banda em 1973. Segue, então, carreira de produtor musical, mas o insucesso o motiva a tentar carreira solo.

Lança Lóki? em 1974, considerado seu melhor trabalho. Em 1977 recusa o convite de seu irmão Sérgio para retornar ao Mutantes, formando o grupo Patrulha do Espaço. O novo projeto não vai muito longe, apesar da gravação de um disco de estúdio que só seria lançado parcialmente dez anos depois com o nome de Elo Perdido, assim como uma gravação ao vivo de um show da banda (Faremos Uma Noitada Excelente).

Deixa a Patrulha em 1978, que continua no underground rockeiro. Em 1982 lança outro marco em sua carreira, Singin' Alone, altamente lisérgico, desesperado, decepcionado, obra que cria um rock profundamente experimental, geradora de novos padrões estéticos. No mesmo ano é internado na ala psiquiátrica do Hospital do Servidor Público de São Paulo devido a seu comportamento agressivo, causado pelo uso excessivo de drogas. Durante a internação Arnaldo sofre um acidente, caindo da janela do terceiro andar. Passou quatro meses e onze dias em coma, mas sobreviveu, com uma séria fratura no crânio que deixaria seqüelas permanentes. Continuou gravando.

Em 1987 lança sua mais radical experiência. Pelo selo independente Baratos e Afins sai a gravação caseira Disco Voador. A gravação é feita em dois canais e surge como um disco quase "terapêutico" para Arnaldo. Há de se considerar ainda, que em 1989, o produtor Carlos Eduardo Miranda produz o álbum tributo Sanguinho Novo - Arnaldo Baptista Revisitado com bandas ascendentes no rock nacional como Sepultura, Ratos de Porão entre outros nomes.

Em 1996 foi contratado pela gravadora Virgin para o relançamento de Singin' Alone. Aproveitou para regravar o clássico dos Mutantes Balada do louco, que foi lançado como faixa-bônus. Em 2004 lançou seu último trabalho solo de inéditas, Let It Bed, produzido por John Ulhoa, do Pato Fu.

Em 2006 ocorre o retorno do grupo Mutantes e Arnaldo volta a tocar ao lado do irmão Sérgio Dias e do baterista Dinho Leme após 33 anos de sua saída da banda e 30 do fim do grupo. Rita Lee, vocal feminino na formação original, e que fora casada com Arnaldo (especula-se que desentendimentos conjugais teriam levado a saída desta do grupo) não retorna à banda. Zélia Duncan aceita integrar o conjunto.

Esta formação recente durou até Setembro de 2007, quando Zélia comunicou sua saída do grupo para retomar sua carreira solo. Poucos dias depois do anúncio, Arnaldo comunicou que também deixaria a banda para cuidar de projetos pessoais.

Há quinze anos morando em um pacato sítio em Juiz de Fora, Minas Gerais com sua esposa Lucinha Barbosa, Arnaldo passa seu tempo pintando quadros, escrevendo, tocando e compondo.

Fonte: dados retirados da Wikipédia.

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Aymoré

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Aymoré (José Alves da Silva), instrumentista e compositor, nasceu em Redenção da Serra-SP (24/6/1908) e faleceu em São Caetano-SP (5/6/1979). Começou tocando machete (cavaquinho) e depois aprendeu a tocar viola, com o pai, e violão prático, pelo método Paraguaçu.

Em 1925 estudou música com Tango (Sebastião Patrício), pistonista da banda de Poços de Caldas MG e Franca SP, e dois anos depois estreou no Teatro São Paulo, de São Paulo, com o nome de Zezinho, ao lado de Jararaca e Ratinho, Canhoto e Paraguassu.

Em 1928 passou a integrar o conjunto Chorões Sertanejos, de Raul Torres, e no ano seguinte gravou pela primeira vez, na Parlophon, um 78 rpm, com Jacaré está no caminho (Raul Torres) e Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth).

Em 1930 conheceu Aníbal Augusto Sardinha, o Moleque do Banjo (mais tarde Garoto), com quem formou uma dupla que se apresentava em rádios e festas em casas de família. Em 1933 passou a integrar o Regional de Armandinho, na Rádio Record, de São Paulo, onde tocavam Vicente de Lima (flauta), Armandinho (violão), Pinheirinho (cavaquinho) e Pingo (pandeiro). Nessa época, adotou o pseudônimo de Aymoré.

Em 1934 foi contratado pela Rádio Cosmos (hoje América), de São Paulo, participando de seu conjunto regional, sob direção de Petit (Hudson Gaia). Ainda nesse ano compôs com Garoto a música Quinze de Julho. No ano seguinte organizou com Petit e Garoto um trio, que se apresentou no salão nobre do Edifício Martinelli.

Ainda em 1935 participou do filme Fazendo fita, de Vittorio Capellaro, com o conjunto regional da Rádio Cosmos. Com o fechamento da emissora, a dupla Aimoré e Garoto foi para a Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro RJ, por indicação de Sílvio Caldas. No Hora do Brasil, realizou programas em dupla com Laurindo de Almeida, pois Garoto adoecera.

Em 1942 formou o regional da Rádio Difusora, de São Paulo, com Miranda (cavaquinho), Antoninho (clarineta), Ernesto (violão) e Petit (violão). Em fins do mesmo ano, atuou na Rádio Cruzeiro do Sul (depois Piratininga), de São Paulo, onde organizou outro conjunto. Apresentou-se também em programa seu, solando ao violão, tendo mais tarde dirigido o regional da Rádio América.

A partir de 1950, durante 11 anos, trabalhou como arquivista da orquestra do Teatro Municipal, de São Paulo, e participou de seus programas de ópera. Acompanhou Vanja Orico na trilha sonora do filme O cangaceiro, de Vítor Lima Barreto, sob a direção do maestro Gabriel Migliori, em 1953. Cinco anos depois, trabalhou com Camargo Guarnieri na trilha do filme Rebelião em Vila Rica, direção de Geraldo e Renato dos Santos Pereira.

Participou em 1974 da gravação do LP de Poli Músicos maravilhosos, pela Chantecler, em que foi homenageado juntamente com Garoto, acompanhando o choro Quinze de Julho, primeira gravação sua com Garoto (1936).

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Armandinho

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Armandinho (Armando Neves), instrumentista e compositor, nasceu em Campinas-SP (28/11/1902) e faleceu em São Paulo-SP (12/10/1976). Freqüentava na infância a casa do professor de violino Antônio Paula de Sousa, e já tocava violão, de ouvido, pois nunca aprendeu a ler e escrever uma nota musical. Quem transcrevia suas composições para o papel era o seu professor.
Foi jogador de futebol até 1919, depois boiadeiro pelo interior de São Paulo. Aos 21 anos transferiu-se para São Paulo, estudando violão com os irmãos José e Joaquim Matoso e em 1926 com Larosa Sobrinho, com quem ingressou na Rádio educadora Paulista (hoje Gazeta), organizando o primeiro Conjunto Regional de São Paulo. No final do ano seguinte, entrou para o conjunto Os Turunas Paulistas, de Canhoto, considerado o melhor violonista da época.
Com a morte de Canhoto, em 1928, ingressou na então inaugurada Rádio Record, organizando o primeiro regional dessa emissora, do qual seria chefe durante 30 anos. Em 1930 tocou para o violonista paraguaio Agustín Barrios e, nesse mesmo ano, gravou dois discos para a Parlophon, com Larosa Sobrinho.
Especializado em acompanhamento ao violão, fez somente uma gravação de solo, num disco 78 rpm, de propriedade particular, com o selo Decelith, em 1938. Funcionário público da Secretaria de Estado e Saúde Pública aposentou-se em 1955.
Suas composições foram gravadas por Garoto, José Menezes, Aimoré, Antônio Rago e Geraldo Ribeiro, entre outros. Seu choro Mafuá foi gravado por José Meneses na Sinter, em 1957. Essa mesma música foi gravada por Aimoré em janeiro de 1966. Em abril de 1966, Antônio Rago gravou Maxixe. Em 1970, Geraldo Ribeiro incluiu algumas músicas suas no LP Geraldo Ribeiro, na Fermata.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

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Antônio Rago

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Antonio Rago e Regional

Antônio Rago, instrumentista e compositor, nasceu em São Paulo SP em 2/7/1916. Filho de imigrantes italianos, desde criança interessava-se por música e costumava ouvir o sapateiro Rafael Fezza, famoso violonista do bairro do Bexiga. Aos 14 anos já acompanhava ao violão as canções populares da época. Aos 17 anos, iniciou estudos de música clássica com o professor Melo.

Em 1936, como integrante do conjunto Regional do Armandinho, começou a atuar na Rádio Record. Com Armandinho e Zezinho (mais tarde chamado Zé Carioca) formava o trio de violões desse conjunto, que fez sucesso durante algum tempo. Depois, foi convidado a se apresentar na Rádio Belgrano, em Buenos Aires, Argentina, com o cantor Arnaldo Pescuma. A excursão estendeu-se até o Uruguai, com sucesso.

Em 1937, de volta ao Brasil, passou a trabalhar na Rádio Tupi, de São Paulo, com Zezinho e seu Conjunto. Nesse ano, tornou-se acompanhador de Francisco Alves, com quem se apresentou até 1940. Em 1938, compôs a primeira música, a valsa Velhos tempos, gravada por ele em 1940, na Columbia, em solo de violão. No ano seguinte, algumas de suas composições foram incluídas na peça Nós temos balangandãs, de Costa Lima.

Em 1942, tornou- se diretor do regional da Rádio Tupi. Em 1946, o desenho animado Cozinhando um samba, de Jaime Moniz, teve música sua e participação de seu regional e do cantor Caco Velho. Em 1947 Rego e seu Regional gravaram na Continental o bolero Jamais te esquecerei (com Juraci Rago), que foi incluído em 1949 no filme Quase no céu, dirigido por Oduvaldo Viana.

Em 1950 o Regional do Rago recebeu o troféu Roquete Pinto, como o melhor conjunto regional do ano. Nessa época, o grupo era formado por ele (violão solo), Orlando Silveira (acordeom), Siles (clarineta), Petit e Carlinhos (violões), Esmeraldino (cavaquinho), Correia (contrabaixo) e Zequinha (pandeiro).

Participou da televisão brasileira desde a sua inauguração, na TV Tupi, com programa próprio, e também como acompanhante de cantores como Isaura Garcia, Linda Batista, Sílvio Caldas, além de atuar em vários programas de rádio, como A Brigadada Alegria, na Rádio Tupi, de São Paulo.

Em 1952 acompanhou Francisco Alves em sua última apresentação, num programa da Rádio Nacional, de São Paulo, cuja gravação fez parte do LP A voz do rei, lançado em 1975, pela Odeon. Ainda nesse ano, passou a atuar na TV Paulista e na Rádio Nacional, no programa Ronda dos Bairros, além de ter gravado, com seu conjunto, o primeiro LP, na Continental, Jamais te esquecerei, com músicas de sua autoria, como o baião-toada Folhinha, os choros Mentiroso e Mambo na Glória, os boleros Jamais te esquecerei e Em tuas mãos (com Ribeiro Filho), a batucada-choro O Barão na dança (com Mário Vieira) e o baião-fado Festa portuguesa (com Mário Vieira). Gravou mais três LPs na Continental, um na Odeon e dois na Chantecler.

Entre seus parceiros mais constantes além de Ribeiro Filho, destacam-se Teixeira Filho com quem fez Sozinha, e João Pacífico, com quem compôs Não foi adeus, Não convém e Custá pra arranjá, entre outras.

Em 1962, como solista, gravou na Continental o LP Recital de violão, que incluía algumas de suas obras eruditas, como Flor triana e Sonatina em lá menor. Por volta de 1964, o regional se desfez, e ele passou a produzir programas de rádio em Santos, Campinas e outras cidades do Estado de São Paulo, a ensinar violão e a gravar discos solos, como os LPs Especialmente para você (Chantecler, 1974), Rago (Continental, 1978) e Solos de violão (3M, 1986).

CD: Violões, 1992, Projeto Memória Brasileira 110039.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

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Tibério Gaspar

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Tibério Gaspar Rodrigues Pereira, compositor, produtor musical e violonista, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 11/9/1943. Ingressou na Faculdade de Engenharia, mas abandonou o curso para dedicar-se à música.
Iniciou sua carreira profissional em 1967, trabalhando em parceria com Antônio Adolfo. As primeiras composições da dupla foram Caminhada, finalista do II Festival Internacional da Canção (FIC), Tema triste e Rosa branca. Ainda nesse ano, teve registrado pela primeira vez seu trabalho de compositor, com a gravação da canção Caminhada, por Agostinho dos Santos.
Em 1968, sua canção Sá Marina (com Antonio Adolfo) foi gravada, com enorme sucesso, por Wilson Simonal. Também nesse ano, trabalhou na produção e direção musical do evento Música Nossa (Teatro Santa Rosa, RJ), ao lado de Roberto Menescal, Mário Telles, Ugo Marotta e Paulo Sérgio Valle. No ano seguinte, participou do IV Festival Internacional da Canção com Juliana (com Antonio Adolfo), defendida pelo conjunto A Brasuca e classificada em 2º lugar no evento.
Em 1970, representou o Brasil na Olimpíada da Canção de Atenas (Grécia), com Teletema (com Antonio Adolfo), defendida por Evinha e classificada em 2º lugar. Nesse mesmo ano, venceu o V Festival Internacional da Canção com BR-3 (com Antonio Adolfo), defendida por Toni Tornado e Trio Ternura.
Participou, como compositor, de trilhas sonoras para o cinema, com destaque para os filmes O matador profissional, Balada dos infiéis, Ascenção e queda de um paquera, Memórias de um gigolô, O enterro da cafetina, Romualdo e Juliana e Beth Balanço. Ainda como compositor, teve músicas incluídas em trilhas sonoras de novelas da TV Globo, como O cafona, Véu de noiva, Assim na terra como no céu, Verão vermelho e Irmãos Coragem.
Classificou canções em vários festivais, como II Canta Rio-Sul, Festival de Alegre, Festival de São Silvério, Festival de São Simão, Festival de Pinheiros, Festival de Boa Esperança, XV Festival Antense da Canção, Festival de Ilha Solteira, Festival de Piraí, Festival de Juiz de Fora, Festival de Diamantina, Festival de Itumbiara e Festival de Montanha, além dos já citados.
Participou da produção de discos de artistas como Antonio Adolfo & A Brazuca, Ruy Maurity, Toni Tornado, Cristina Conrado e Eudes, entre outros, além de ter assinado, para a Prefeitura de Sapucaia, a produção do CD do XV Festival Antense da Canção.
Trabalhou também na área publicitária, tendo ocupado, em 1977 e 1978, o cargo de diretor geral da Aquarius Produções, responsável pela produção de inúmeras peças publicitárias para todo o Brasil. Compôs jingles para clientes como Leite Gogó, Sérgio Dourado, Caixa Econômica Federal, Adidas, Caderneta de Poupança Letra, Caderneta de Poupança Delfim, Carrocerias Randon, Sudantex, Lanjal e Coca-Cola, entre outros.
Criou e produziu, em 1986, o jingle institucional de fim de ano da Rede Manchete de Televisão. Como produtor de televisão, atuou, com Lúcio Alves, no III Festival Universitário (TV Tupi) e no programa Som Livre Exportação (TV Globo), no qual participou também como apresentador, ao lado de Elis Regina, Rita Lee, Susana de Moraes e Ivan Lins.
Trabalhou na produção e direção de shows de artistas como Ruy Maurity e Belchior (Teatro Carioca), Antonio Adolfo & A Brazuca (Teatro Casa Grande), Johnny Alf (Teatro de Bolso), Tony Tornado (Teatro Copacabana Palace), Maria Alcina (Teatro Copacabana Palace), Nonato Buzar (Hotel Intercontinental), Leonardo Ribeiro (Vinicius Piano Bar), Cristina Conrado (People e Mistura Fina), além de ter dirigido a cantora Elza Soares no show Passaporte (Teatro Rival).
Como intérprete de suas canções, lançou, em 2002, o CD Tibério canta Gaspar. Em 2005, representou o Brasil no Festival Internacional de Viña del Mar com sua canção Matilde (com Guto Araújo), interpretada pela cantora Cristina Conrado.
Fonte: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira.

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Antônio Adolfo

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Antônio Adolfo Maurity Sabóia, compositor, instrumentista e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 10/2/1947. Aos sete anos começou a estudar violino e teoria musical no Conservatório de Música Lorenzo Fernandez. Entre os 11 e os 14 anos estudou em colégio interno, retomando, após esse período, o aprendizado musical com Ayrton Vallim.

Quando estudava no Colégio São Fernando, integrou como pianista, um conjunto que se apresentava em festinhas; nessa época passou a dedicar-se inteiramente ao piano e, em 1963, integrando o conjunto Samba Cinco, começou a freqüentar o Beco das Garrafas e a participar de sessões de jazz e bossa nova.

Em janeiro de 1964, convidado por Carlos Lyra para fazer parte do elenco musical da peça Pobre menina rica (Vinícius de Moraes e Carlos Lyra), para a encenação do Teatro de Bolso, formou o Trio 3-D, que se manteve até 1968, chegando a gravar quatro LPs. É desse ano sua primeira composição, o Tema 3-D.

Em 1967 conheceu Tibério Gaspar, seu parceiro mais constante. As primeiras composições da dupla foram Caminhada (finalista do II FIC, da TV Globo, Rio de Janeiro, em 1967), Tema triste e Rosa branca. Em 1968 obtiveram sucesso com Sá Marina, interpretada por Wilson Simonal. No mesmo ano, no III FIC, concorreu com Visão, também em parceria com Tibério Gaspar.

Em 1969 foi à Europa, como pianista da cantora Elis Regina, e, de volta ao Brasil, no mesmo ano fez ainda músicas para novelas da TV Globo e participou do IV FIC (1969) com a música Juliana (com Tibério Gaspar), que obteve o segundo lugar, música interpretada pelo conjunto A Brazuca, organizado por ele, com o qual, além de muitas apresentações na televisão, excursionou ao Peru e gravou dois LPs na Odeon.

Em 1970, inscreveu Teletema (com Tibério Gaspar) no festival de Atenas, Grécia, que, interpretada por Evinha, obteve a segunda colocação. Ainda em 1970 venceram a fase nacional do V FIC com BR-3, cantada por Toni Tornado.

Quando A Brazuca se desfez em 1971, foi para os EUA, contratado pela Jerry Shayne Music lnc. Em março de 1972 retornou ao Brasil, passando a compor sozinho e a interpretar as suas músicas, lançando pela Philips o LP Antônio Adolfo. Em setembro desse ano viajou para os EUA, para fazer um curso com David Baker, na Indiana University of Music.

De volta ao Brasil, passou a trabalhar como músico, arranjador e professor do Centro Musical Antônio Adolfo, no Rio de Janeiro. Também organiza cursos e oficinas em universidades dos E.U.A. e Europa. Publicou no Brasil diversos livros de iniciação musical e lançou, internacionalmente, o vídeo didático Secrets of Brazilian Music e o livro e CD Brazilian Music Workshop. Gravou discos no Brasil e no mercado internacional.

Em 1996 recebeu o Prêmio Sharp pela composição instrumental Cristalina. Tem trabalhado na releitura de pioneiros da música popular brasileira, como João Pernambuco, Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, trabalho exemplificado no CD Chiquinha com jazz, de 1997.

Obras: BR-3 (c/Tibério Gaspar), 1970; Caminhada (c/Tibério Gaspar), 1967; Emaú, 1995; Glória, Glorinha (c/Tibério Gaspar), 1970; Juliana (c/Tibério Gaspar), 1969; Meia-volta (c/Tibério Gaspar), 1969; Quem viu Helô (c/Tibério Gaspar), 1970; Rosa branca (c/Tibério Gaspar), 1967; Sá Marina (c/Tibério Gaspar), 1968; Teletema (c/Tibério Gaspar), 1970; Visão (c/Tibério Gaspar), 1968; Zabumbaia, 1995.

CD: Chiquinha com jazz, 1997, Artesanal.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

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Domingo feliz

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Ângelo Máximo

Domingo feliz (Beautiful Sandy)
- D. Boone / Rod Macquen / versão: Rossini Pinto

A F#m
Meu domingo alegre vai ser
A F#m
Pois pretendo sair com você
D E7 A
Yê, yê, yê que dia feliz
A F#m
De mãos dadas vamos andar
A F#m
Muitos beijos iremos trocar
D E7 A
Yê, yê, yê que dia feliz
D A
Ah! Ah! Ah! Hoje é meu dia
E7 A
Eu vou ter, ter, ter o seu amor
D A
Para ser, ser, ser feliz ao seu lado
B7 E7
Oh! Oh! Oh! Ah! Ah! Ah!
A
Que dia feliz
A F#m
Tudo aquilo que eu quero vou ter
A F#m
Só você vai me compreender
D E7 A
Yê, yê, yê que dia feliz
A F#m
Nosso sonho de amor vai durar
A F#m
Pois pra sempre eu vou lhe adorar
D E7 A
Yê, yê, yê que dia feliz
D A
Ah! Ah! Ah! Hoje é meu dia...


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Ângelo Máximo

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Ângelo Máximo (Ângelo Ismael Máximo), cantor, nasceu em Goiânia-GO em 6/5/1948. Tem como seu grande sucesso Domingo feliz, da década de 1970. Vendeu milhares de discos e participou de uma série de fotonovelas.

Começou como calouro no programa do Sílvio Santos, onde teve seu lugar reconhecido na música. E assim em diante emplacou uma série de sucessos vendendo centenas de milhares de cópias e conquistando discos de ouro.

Músicas de maior sucesso como Domingo Feliz, A Primeira Namorada, Vem Me Fazer Feliz, dentre outras tocaram sem parar nos primeiros lugares da audiência das rádios.

Chegou a gravar versões das músicas de seu ídolo absoluto Elvis Presley, o qual também era uma fonte em seu estilo de vestimenta e as famosas costeletas dos anos 70 que Ângelo Máximo usou junto as roupas.

Além de se apresentar por praticamente todo o Brasil, Ângelo Máximo chegou a fazer também shows no exterior, nos Estados Unidos e Canadá.

Em 1999, teve a música Domingo feliz relançada no CD A discoteca doi Chacrinha volume 2 da Universal Music. Em 2000, lançou o CD Ângelo Máximo visita o sertão interpretando entre outras, Tô diferente, Ainda dói demais, Meu destino, Perdoa por te amar assim, De bem com a vida e Feitiço.

Continua se apresentando em programas de televisão e fazendo shows pelo país e além de cantor é hoje empresário, proprietário, junto à sua esposa Ana Clara, de dois restaurantes na Vila São Francisco (ao lado do Morumbi Shopping).

Fontes: Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da MPB.

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O acidente

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Amado Batista

O acidente (1981) - Roberto Ney e Deny Wilson


G D
Eu me lembro que era tarde de Domingo
C D
Eu passeava no meu carro com meu bem
C G
Fazendo planos tão bonitos pra nós dois
C G
Eu não sabia que era a nossa despedida
D G
Alí naquela avenida, aconteceu logo depois

C G
Num cruzamento tão normal de uma cidade
D G
Em alta velocidade alguém veio sobre mim
C G
Tentei fugir saindo pra todo o lado
D G
Mas fiquei desesperado quando vi que era o fim
C
O acidente
G
Tão de repente
D G
Acaba toda a alegria de alguém
C G
E é nessa hora que a gente vê
D G
Não vale nada o dinheiro que se tem
G D
Meio confuso acordei num hospital
C D
A dor maior eu sentí no coração
C G
Entre soluços arrisquei a perguntar
C G
Mas já sabia pela cara das pessoas
D G
Que não eram nada boas as notícias pra me dar
C G
Num cruzamento tão normal de uma cidade
D G
Em alta velocidade a morte veio e a levou
C G
Tentei fugir da minha realidade
D G
Pensei na felicidade que pouco tempo durou

(repetir refrão)

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Serenata

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Serenata (1978) - José Fernandes dos Santos e Amado Batista
 D           A                    D
Há como eu queria, voltar, ao passado.
A D
Cantar com meus amigos, pra você fazer serenata.
A D
Nas madrugadas vazias, de sereno meu violão molhado.
A G A D
Eu cantava em sua janela, eu era, o seu namorado.

A D
A lua descia do céu, eu cantando você acordava,
A D
Com os olhos cheios de amor, abria a janela e me beijava.
G A D
Depois de te dar uma flor, quase chorando eu ia embora.
G A D
A se voltasse este tempo, de poesia sem dor de outrora.

D A D
O tempo passou como as nuvens, sopradas pela tempestade.
A D
Onde está a minha alegria, já não tenho mais felicidade.
A
Vou cantar outra vez pra você,
D
Jogar fora essa dor que me mata.
A G A D
Vou chamar meu melhor amigo, e pra você fazer serenata

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O fruto do nosso amor

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Amado Batista

O fruto do nosso amor (1978) - Vicente Dias e Praião II
        D                      G                      
Amor perfeito existia entre nós dois,
A D
sem esperar que depois fosse tudo se acabar
D G
Mas neste mundo em que o perfeito não tem vida,
A D
não merecemos querida viver juntos e amar
D G
Nosso senhor para sempre te levou
A D
nem ao menos me deixou o fruto do nosso amor
D G
Aquele filho seria a nossa alegria,
A D
eu senti naquele dia ser um pai, ser um senhor

D G
No hospital, na sala de cirurgia,
A D
pela vidraça eu via você sofrendo a sorrir
D G
E seu sorriso aos poucos se desfazendo,
A D
então eu te vi morrendo sem poder me despedir

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Desisto

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Desisto (1976) - Amado Batista e Reginaldo Sodré
Tom-A

Intodução:A E D A

A
Rosto que beijei

Corpo que abracei
E B E
Olhos de fazer sonhar
E7
São coisas que eu
D
Não posso esquecer
E A
Mas pretendo abandonar

Juras que ouvi

Frases que escrevi
A7 D
Pra enfeitar nossa ilusão

Não importam mais
A
Ficam para trás
E A A7 (Intro:)
Talvez em seu coração
{Bis}

A
Tudo que cantei

Que já lhe mostrei
E B E
Faz parte de uma canção
E7
Que eu quis compor
D
Porém me faltou
E7 A
Certa imaginação

O que eu consegui

Ou não consegui
A7 D
Vivendo junto a você

Já se acabou
A
O vento levou
E A A7 (Introdução)
Você sabe bem por que
{Bis}

A
A vida é assim

Tudo tem um fim
E B E
Não precisa se guardar
E7
Pois se eu sofrer
D
Não culparei você
E A
Isso o tempo fará

Vou dizer adeus

Para os sonhos meus
A7 D
E a tudo que construí

Adeus meu amor
A
Sabes bem que sou
E A A7
Obrigado a desistir
{Bis}

E A
Obrigado a desistir...

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Amado Batista

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Amado Batista (Amado Rodrigues Batista), cantor / compositor, nasceu em 17/2/1951 na cidade de Catalão (GO ), onde seus pais trabalhavam na lavoura. Aos 14 anos, foi para a capital e lá trabalhou em diversos ofícios, de faxineiro a balconista, chegando a subgerente de uma livraria.

Em 70, aplicou suas economias comprando uma pequena loja de discos, conseguindo nos anos seguintes abrir mais três lojas na capital goiana. Nessa época já compunha e cantava, influenciado principalmente por Roberto Carlos, e foi representante de um pequeno selo de música regional, o Chororó. Suas composições caracterizam-se por melodias simples e letras sentimentais, numa variação do rock-balada.

O primeiro sucesso foi Desisto (com Reginaldo Sodré), em 1976. No ano seguinte, lançou seu primeiro LP, Amado Batista canta o amor, ainda pela Anhembi Chororó. Em 1978 foi contratado pela Continental, gravadora da qual se tornaria o campeão de vendagem, e no ano seguinte obteve sucesso nacional com O fruto do nosso amor (Vicente Dias e Praião II).

Sempre fiel ao rock-balada, em 1987 passou a gravar na RCA/BMG. Seus outros êxitos incluem Serenata (com José Fernandes dos Santos), 1978, O julgamento (Walter José e Sebastião Ferreira da Silva), 1979, O acidente (Roberto Ney e Deny Wilson), 1981, Ah! se eu pudesse (Vicente Dias), 1982, e Hospício (com Reginaldo Sodré), 1987.

Um dos campeões de vendagem da música brasileira, em 22 anos de carreira totalizou mais de 12 milhões de cópias vendidas.

CD: O melhor de Amado Batista, 1997, RCA/BMG 7432-52025-2.

Algumas músicas cifradas: Desisto, O fruto do nosso amor, O acidente, Serenata.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; CliqueMusic.

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Alzira Espíndola

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Nascida no Mato Grosso do Sul, em uma família de músicos, iniciou-se profissionalmente no grupo Lírio Selvagem, onde tocava com seus irmãos — inclusive a cantora Tetê Espíndola.

Com o fim do grupo, começa uma carreira solo como cantora, compositora e instrumentista. Tocou com o violeiro Almir Sater antes de lançar seu primeiro disco solo, "Alzira Espíndola", pelo selo 3M.

Em 1990 excursionou por diversos países com Itamar Assumpção e a banda Isca de Polícia, gravando em seguida seu segundo disco, "AMME" pelo selo Baratos Afins. Com esse disco foi indicada ao prêmio Sharp de 1992, categoria Melhor Cantora Pop.

Pela mesma gravadora lança em 1996 "Peçamme", que tem no repertório parcerias com Itamar, Luli e Lucina. Em 1999 grava com a irmã Tetê um CD de clássicos da música regional, "Anahí" (Dabliú).

2000 foi o ano de "Ninguém Pode Calar" (Dabliú), disco baseado no repertório da cantora Maysa.

Fonte: Alzira Espíndola - CliqueMusic

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Nelson Sargento

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Nelson Sargento (Nelson Mattos), compositor e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 25/7/1924. Aos dez anos já saía na antiga escola de samba Azul e Branco, do morro do Salgueiro, e aos 12 foi com a mãe para a Mangueira, indo depois morar na casa do padrinho, Alfredo Português.

Ali entrou em contato com sambistas como Cartola e Nelson Cavaquinho, com os quais aprendeu violão. Apelidado de Nelson Sargento quando deu baixa no Exército, começou a freqüentar com Alfredo Português a escola de samba Unidos da Mangueira, hoje extinta.

Em 1947 já tinha alguns sambas de sua autoria; levado por Carlos Cachaça para a ala dos compositores da Mangueira, compôs com Alfredo Português, no ano seguinte, seu primeiro samba-enredo para a escola, o Rio São Francisco.

Em 1950, com o mesmo parceiro, fez Apologia aos mestres, samba-enredo em que a escola homenageava Miguel Couto, Osvaldo Cruz, Rui Barbosa e Ana Néri, mas que não chegou a ser cantado na avenida, sendo substituído por outro. No mesmo ano, levou para a ala alguns compositores como Darci, Cícero, Pelado e Batista.

Por quatro anos seguidos perdeu a competição; mas, em 1955, seu samba-enredo Cântico à natureza (com Jamelão e Alfredo Português) foi popularmente consagrado e gravado com grande sucesso por Jamelão, na Continental. Dois anos mais tarde, com a morte de Alfredo Português, passou a compor com Carlos Marreta, lançando Vai dizer a ela, e, em 1958, foi eleito presidente da ala dos compositores da Mangueira, afastando-se da escola quatro anos depois.

Em 1963, freqüentando o Zicartola em sua fase áurea, conheceu Hermínio Bello de Carvalho e foi convidado a integrar o conjunto que atuava nesse restaurante dos também mangueirenses Cartola e sua mulher Zica. Dois anos mais tarde, participou do musical Rosa de ouro, produzido por Hermínio Bello de Carvalho, no Teatro Jovem, do Rio de Janeiro, com Araci Cortes, Clementina de Jesus e o conjunto Rosa de Ouro, integrado por Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Jair do Cavaquinho e Nescarzinho do salgueiro.

Ao terminar a temporada foi convidado a participar do conjunto A Voz do Morro, com Zé Keti e o pessoal do Rosa de Ouro, além de Oscar Bigode e José Cruz. Com esse conjunto, participou da gravação do LP Roda de samba, volume II, pela Musidisc, em 1965 e, no ano seguinte, do LP A voz do morro, pela RGE.

Em 1967, como integrante do conjunto Os Cinco Crioulos, gravou três LPs na Odeon, entre eles Samba... no duro. Mais tarde recebeu convite para gravar na Marcus Pereira, além de cantar em algumas faixas de uma coleção de discos sobre a história das escolas de samba, lançada pela Rio Gráfica Editora.

Em 1972, Paulinho da Viola gravou sua composição Falso moralista, em seu LP A dança da solidão. Sua música Cântico à natureza, regravada por Jamelão e também pela cantora Renata Lu, foi, em 1975, considerada pela Mangueira como um dos dez melhores sambas da escola em todos os tempos.

Um de seus maiores sucessos foi o samba Agoniza mas não morre, lançado em 1978 por Beth Carvalho. Compôs ainda o samba Triângulo amoroso, dedicado à Mangueira, gravado em 1979 no seu LP Sonho de um sambista, lançado pela Eldorado.

Profissionalmente, é pintor de paredes, dedicando-se também à pintura primitivista. Desde 1973, como artista plástico, realizou diversas exposições individuais, entre elas no Arquivo da Cidade (1983), Museu da Imagem e do Som (1993), Câmara Municipal do Rio de Janeiro (1994). Em 1984, com Alice Campos, Francisco Duarte e Dulcinéia Duarte, escreveu a monografia Um certo Geraldo Pereira, premiada pela Funarte no Projeto Lúcio Rangel. Lançou em 1986 o LP Encanto da paisagem, Kuarup (reeditado em CD pela Rio Arte). O Clube de Criação de São Paulo lançou o LP Inéditas — Nelson Sargento, em 1990.

Na década de 1990 iniciou carreira internacional, viajando para o Japão a convite de um empresário japonês e incentivado por Henrique Cazes. Em 1996, foi condecorado com a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por serviços prestados à arte e à cultura.

Lançou o CD Inéditas do Mestre Cartola, gravado no Japão (selo Tartaruga), com músicas ainda não registradas em disco, como Velho Estácio, de 1930, à qual acrescentou uma segunda parte à letra. Comemorou 73 anos de idade e 60 de samba, em 1997, com festa na quadra da Escola de Samba Unidos do Porto da Pedra, em São Gonçalo RJ.

Ainda em 1997 apresentou-se no Projeto Pixinguinha, em várias capitais brasileiras. O documentário Nelson Sargento, de Estêvão Ciavatta Pantoja, foi premiado no VIII Festival de Curtas-Metragens de São Paulo. O filme mostra o morro da Mangueira pelos olhos poéticos de um dos últimos sambistas da velha guarda em atividade.

Pai de 11 filhos (sete naturais e quatro de criação), desde 1990 viaja quase todo ano para o Japão, onde faz shows e grava discos.

Obras: Agoniza mas não morre, 1978, Apologia aos mestres (c/Alfredo Português), samba-enredo, 1950; Berço de bamba, 1990; Cântico à natureza (ou As quatro estações do ano) (c/Jamelão e Alfredo Português), samba-enredo, 1955; Falso amor sincero, 1979; Idioma esquisito, 1996; Nas asas da canção, (c/Dona Ivone Lara), 1990; Rio São Francisco (c/Alfredo Português), samba-enredo, 1948; Sonho de um sambista, 1979; Triângulo amoroso, samba, s.d.; Vai dizer a ela (c/Carlos Marreta), 1957.

CDs: Sonho de um sambista, 1995, Eldorado 584090; O encanto da paisagem, 1996, Rio Arte KCDRDO 13/96-1.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editoa / PubliFolha.

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Candeia

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Candeia (Antônio Candeia Filho), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 17/8/1935 e faleceu em 16/11/1978. O pai era tipógrafo e sambista, tocava flauta, gostava muito de chorinho e foi o criador das “comissões de frente” (grupo de representantes da diretoria da escola de samba) que saíam nos desfiles carnavalescos.
Começou a freqüentar as rodas de samba aos seis anos, participando também, mais tarde, das reuniões na casa de dona Ester, ponto de encontro de sambistas, no subúrbio de Osvaldo Cruz, onde conheceu Zé da Zilda, Luperce Miranda e Claudionor Cruz. Tocava violão e cavaquinho, jogava capoeira e costumava freqüentar terreiros de candomblé. Como membro da escola de samba Vai Como Pode, participou do núcleo original de sambistas que fundou a G.R.E.S. da Portela.
Em 1953 compôs seu primeiro samba-enredo para a nova escola, Seis datas magnas (com Altair Marinho), que conseguiu a nota máxima do júri do desfile, caso até então inédito. Na década de 1950, foi ainda o compositor de dois sambas-enredo que deram à Portela um terceiro e um primeiro lugares, respectivamente: Festas juninas em fevereiro, em 1955, e Legados de Dom João VI, em 1957 (ambos com Valdir 59).
Dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba, no início da década de 1960, realizando as primeiras apresentações do grupo, fora do morro, no restaurante Zicartola, e gravando também um LP na Philips. Em 1961 ingressou na polícia, mas foi obrigado a se afastar logo por causa de um tiro na espinha que o deixou paralítico. Passando a andar em cadeira de rodas, compôs com Paulinho da Viola Minhas madrugadas, música gravada por este cantor em 1966.
Estreou como intérprete gravando um LP pela Equipe, em 1970, ano em que o conjunto Nosso Samba lançou em disco o seu Dia de graça. Ainda em 1970, Clementina de Jesus incluiu no seu LP três composições suas, feitas em parceria com Davi do Pandeiro: Vai de saudade, Os partideiros e A paz no coração. Um ano depois, Paulinho da Viola gravou Filosofia do samba e Clara Nunes, Anjo moreno e Seriorerê. Lançou ainda dois LPs Seguinte.., raiz, com as composições: A hora e a vez do samba e Vai pro lado de lá (com Euclenes) e Roda de samba nr. 2, pela CID, com a música Acalentava.
Muito respeitado por sua firme posição em favor do negro, em 1975 deixou a Portela e criou o Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, do qual foi o primeiro presidente. Publicou com Isnard Escola de samba, a árvore que esqueceu a raiz, Ed. Lidador/SEEC, Rio de Janeiro, 1978.
Morreu no dia em que iria acertar os últimos detalhes do lançamento do LP Axé, pela gravadora WEA, o segundo nessa gravadora e o sétimo de sua carreira. Em 1987 foi publicado o livro Candeia: luz da inspiração, de João Batista M. Vargens, Martins Fontes/Funarte, col. MPB, vol. 20, Rio de Janeiro, 1987.

Obras: Filosofia do samba, 1971; A flor e o samba, samba, 1969; Meu dinheiro não dá (c/Catoni), 1971; Minhas madrugadas (c/Paulinho da Viola), 1966; Seis datas magnas (c/Altair Marinho), samba-enredo, 1953.

CDs: Candeia, Aniceto do Império, Mestre Marçal e Velha Guarda da Portela, 1997, Funarte/Atração Fonográfica ATR 32025 (Série Acervo Funarte de Música Brasileira, n 21); Filosofia do samba, 1997, ABW 99812; Samba da antiga, 1997, Copacabana 99814.
Fonte: Dicionário da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

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Alcides Dias Lopes

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Alcides Dias Lopes, também chamado de ‘Malandro Histórico da Portela’, foi um dos mais lendários nomes da Portela, responsável pela resposta de improviso na segunda parte das composições (mestre de canto) durante os desfiles e as rodas de samba.

Excelente partideiro, fez fama sua prodigiosa memória, capaz de impressionar até mesmo os mais experientes versadores. Foi ainda o grande responsável pelo registro oral das obras de Paulo da Portela e de seus companheiros mais antigos, fundadores da Escola. Era capaz de contar com detalhes toda a história da Portela.

Nasceu (17-12-1909) e morreu (09-11-1987) no Rio de Janeiro, cidade que amava. Na juventude, levou vida de malandro, vagando sem destino e sem ocupação fixa pelas ruas do Rio. Seu primeiro emprego só veio depois do casamento com Guiomar, com quem teve quatro filhos.

Foi manobrista e sinalizador de trens da Rede Ferroviária Federal, trabalhando perto do subúrbio de Benfica. Tornou-se então um ‘chefe de família’, aposentando-se em 1947. Porém, mesmo trabalhando, Alcides nunca faltava aos ensaios da Escola. Estava sempre presente, com sua fisionomia fechada, seu tronco avantajado e seu modo simples de se vestir.

Em 1947, compôs seu samba mais conhecido, a autobiográfica ‘Vivo Isolado do Mundo’ (‘Eu vivia/ isolado do mundo/ quando eu era vagabundo/ sem ter um amor/ hoje em dia/ eu me regenerei/ sou um chefe de família/ da mulher que amei’).

A primeira gravação desta música foi feita por Candeia e Manacéia, que incorporaram alguns versos, cantados até hoje nas rodas de samba. Monarco parece ter feito a gravação definitiva e Zeca Pagodinho regravou o samba, dando-lhe nova roupagem. Seu primeiro samba gravado foi ‘Olinda’ – também chamado de ‘Vem, Ó Linda’ –, parceria com Jair do Cavaquinho. A gravação se deu em 1965, com o próprio Jair e o conjunto ‘A Voz do Morro’.

Participou do primeiro disco da Velha Guarda da Portela, em 1970, com o belíssimo samba ‘Ando Penando’. Um de seus parceiros mais constantes foi Monarco. Da dupla se destacam: ‘Amor de Malandro’, ‘Enganadora’ (gravadas por João Nogueira), ‘Você pensa que eu me Apaixonei’ (gravada por Beth Carvalho), ‘Se eu soubesse vem Depois’ (gravada por Roberto Ribeiro), ‘Abra as Vistas, Rapaz’ (gravada por Zeca Pagodinho) e ‘Deixa meu nome em Paz’ (gravada por Monarco e Velha Guarda da Portela).

Outro parceiro importante foi Chico Santana, com quem compôs ‘Eu vou Embora’, ‘Minha Orelha’ e ‘Quanto mais eu Rezo’ (todas gravadas por Jorge Aragão). Um dos maiores divulgadores póstumos da obra de Alcides foi Zeca Pagodinho, que gravou ‘Dona do meu Coração’ (com participação de Argemiro), ‘Já sei de tudo, Mulher’, ‘Meu Tamborim’ e ‘Vivo Muito Bem’, entre outros.

Alcides compôs ainda com sambistas como Nelson Cavaquinho – parceria que permanece inédita até hoje. Apesar de ter sido excelente intérprete e compositor, Alcides Lopes jamais gravou um disco individual. Os únicos registros disponíveis são duas participações ao lado de Dona Ivone Lara nas músicas ‘Quando a Maré’ (de Antônio Caetano) e ‘Já Chegou quem Faltava’ (de Nilson Gonçalves), presentes no disco ‘Samba – Minha Verdade, Minha Raiz’ (Odeon, 1978). Como reconhecimento por sua contribuição à Portela, seu retrato foi incluído na galeria do Pavilhão de canto do Portelão.

Fontes: Agencia do Samba e Choro - Alcides Malandro Histórico (biografia); Site Oficial da G. R. E. S. Portela - Alcides Lopes (foto).

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Os brutos também amam

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Agnaldo Timóteo

G
Você jamais vai entender
Am
O amor que eu lhe dei
D7
Talvez estranho pra você
G
Mas só eu sei o quanto amei
No mundo triste de onde eu vim
G7 C
Nada disso tem valor
Cm G
Nele tudo se embrutece
Em Am
Mas o coração esquece
D7 G C G
Quando tem um grande amor
Dm G7
Você não devia esperar
C
Que eu fosse diferente do que sou
A7
Com amor seria fácil entender
D7
O meu jeito meio rude de querer
G
Que pena tudo terminar
Am
Da maneira que acabou
D7
O seu amor não foi bastante
G
Pra querer-me como eu sou
Você um dia vai saber
G7 C
Que eu te amei como ninguém
Cm G
Minhas lágrimas reclamam
Em Am
Elas dizem no meu pranto
D7 G C G
Que os brutos também amam
Dm G7
Você não devia esperar...

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Agnaldo Timóteo

E
Se algum dia
A E
À minha terra eu voltar

Quero encontrar
B
As mesmas coisas que deixei
E E7 A
Quando o trem parar na estação
Am E
Eu sentirei no coração
B7 E
A alegria de chegar
E7 A
De rever a terra em que nasci
Am E
E correr como em criança
B7 E B7
Nos verdes campos do lugar
E
Quero encontrar
A E
A sorrir para mim
B
O meu amor na estação a me esperar
E E7 A
Pegarei novamente a sua mão
Am E
E seguiremos com emoção
B7 E
Pros verdes campos do lugar
E7 A
E revivo os momentos de alegria
Am E
Com meu amor a passear
B7 E
Nos verdes campos do meu lar.

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Meu grito

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Agnaldo Timóteo

Meu grito (1967) -Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Se eu demoro
E7
Mas aqui eu vou morrer
D
Isso é bom
A
Mas eu não vivo sem você
A7
Eu não penso mais em nada
D Dm
A não ser, só em voltar
A E7
Vou depressa e levo o meu amor nas mãos

Para lhe dar
A
Já não durmo
E7
Morro até só em pensar
D
E se canto
A
Só o seu nome quero gritar
A7
Mas seu grito todo mundo
D Dm
De repente vai saber
A E7
Que eu morro de saudade
A D A
E de amor por você
E7
Aí, que vontade de gritar
A
Seu nome bem alto e no infinito
E7
Dizer que o meu amor é grande
A
Bem maior do que meu próprio grito
A7
Mas só falo bem baixinho
D Dm
E não conto pra ninguém
A E7
Pra ninguém saber seu nome
A D A
Eu grito só meu bem.

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Agnaldo Timóteo

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Agnaldo Timóteo, cantor, nasceu em Caratinga (MG) em 16/10/1936. Era torneiro-mecânico na cidade natal quando se apresentou pela primeira vez num programa de calouros; gongado, continuou exibindo-se em circos, onde ganhava brindes de alimentos.

Em 1960 foi para o Rio de Janeiro, à procura de oportunidade. Foi garoto de recados, motorista, mandatário burocrático. Jair de Taumaturgo deu-lhe ocasião de se apresentar no programa Hoje é Dia de Rock. Em 1965 gravou seu primeiro LP, na Odeon, Surge um astro, destacando- se a música A casa do sol nascente (Alan Price, versão de Fred Jorge).

Com grande sucesso popular desde então, lançou um LP por ano, sempre na Odeon: O astro do sucesso, com Último telefonema (Donaggio e Pallavicini, versão de Bourget), em 1966; O sucesso é o astro, com Cartas de amor (Victor Young, versão de Osvaldo Santiago), 1967; Obrigado, querida, com Meu grito (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), seu maior sucesso, com mais de 600 mil cópias vendidas, 1968; Comanda o sucesso, com Eu vou sair para buscar você (Nelson Ned e Cláudio Fontana), 1969; O intérprete, com Que bom seria (Antonio Marcos e Mário Marcos), 1970; Sempre sucesso, com O último romântico (Donaggio e Pallavicini, versão de Marilena Amaral), 1971; Agnaldo Timóteo, com Adoração (Evaldo Gouveia e Jair Amorim), 1972; Frustrações, com a faixa-título (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), 1973; Encontro de gerações, com Amor proibido (Dora Lopes e Clayton), 1974.

Fez temporada no Norte e Nordeste, acompanhado por um conjunto de Juiz de Fora MG, organizado por Fernando Simões. Gravou discos no México, o LP Song by Brazilian International Famous Agnaldo Timoteo e o disco The Good Voice of Brazil, editado nos EUA e Inglaterra. Em 1982 lançou o disco Sonhar contigo.

Cd: Ao Nelson com carinho, 1997, Globo/Columbia 419097-2.

Algumas músicas cifradas e letras: A casa do sol nascente, A noiva, A volta do boêmio, Aline, Creio em ti, Foi Deus, Meu grito, Os brutos também amam, Os verdes campos da minha terra, Quem é?, Quem sabe?, Tudo passará.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

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Agnaldo Rayol

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Agnaldo Rayol (Agnaldo Coniglio Rayol), cantor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 03/05/1938. Aos oito anos apresentou-se cantando no programa Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. Transferiu-se com a família para Natal (RN), atuando na Emissora Natalense, mudando-se em seguida para a Rádio Araripe, de Crato (CE), e depois para a Rádio Poti, de Natal, em que também foi radioator.

Retornou ao Rio de Janeiro em 1951 para participar do filme Maior que o ódio (direção de José Carlos Burle), ao lado de Anselmo Duarte e Ilca Soares. Cinco anos depois, viajou para Natal numa excursão artística ao lado de Leny Eversong, e de volta foi ouvido pelos diretores da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, tendo sido contratado.

Gravou vários discos pela Copacabana, obtendo em 1964 o maior êxito, com a música Acorrentados (Encadenados) de Carlos Briz, versão de Miranda e Genival Melo. No ano seguinte, outro sucesso, com O princípio e o fim (Alain Barrière, versão de Nazareno de Brito).

Em 1966 foi contratado pela TV Record, de São Paulo SP, para fazer o Corte-Rayol Show, ao lado do humorista Renato Corte Real, programa que teve boa receptividade por dois anos. Participou também do programa Jovem Guarda, época em que foi o ator principal no filme Agnaldo, perigo à vista, de Reinaldo Pais de Barros (1969).

Entre seus outros sucessos, estão A praia (Jovan Wetter, versão de Bruno Silva) e Mente-me (Armando Domínguez, versão de F. da Silva). Em 1971 gravou pela Copacabana o LP O que eu canto, em que se destacava a música O velho e o novo (Taiguara); no ano seguinte, na mesma gravadora lançou o LP Imagem, com Irmão, só tem amor quem sabe amar (Luís Chaves).

Em 1981 venceu o Festival Internacional da Canção, no Uruguai. Durante oito anos apresentou na TV Cultura, de São Paulo, o programa Festa Baile; participou também de programas humorísticos, na TV Record, de São Paulo, e atuou em telenovelas, como As pupilas do senhor reitor, da TV SBT.

Continua fazendo shows em todo o Brasil e participando de programas de televisão. Recentemente fez sucesso cantando em italiano o tema de abertura da novela Terra Nostra, da TV Globo (Tormento d'amore).

CDs: Seleção de ouro, 1995, Movieplay ABW 84022; Todo o sentimento, 1997, BMG 7432147350-2.

Fontes: CliqueMusic; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

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Pelos ares

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Adriana Calcanhotto

Dm
Não lhe peço nada
Gm Dm Dm7+ Dm Dm7+
Mas se acaso você perguntar
Dm Gm Dm Dm7+ Dm Dm7+
Por você não há o que eu não faça

Gm
Guardo inteira em mim
A casa que mandei
Um dia
Dm Dm7+ Dm Dm7+
Pelos ares
Gm
E a reconstruo em todos os detalhes
Dm Dm7+ Dm Dm7+
Intactos e implacáveis

Gm
Eis aqui
Dm Dm7+ Dm Dm7+
Bicicleta, planta, céu,
Gm
Estante cama e eu
Logo estará
Dm Gm Dm
Tudo no seu lugar

Eis aqui
Chocolate, gato, chão,
Espelho, luz, calção
No seu lugar
Pra ver você chegar

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Parangolé Pamplona

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Adriana Calcanhotto

(Dm7 G7)
O parangolé pamplona você mesmo faz
O parangolé pamplona a gente mesmo faz
Com um retângulo de pano de uma cor só
E é só dançar
E é só deixar a cor tomar conta do ar
Verde
Rosa
Branco no branco no peito nu
Branco no branco no peito nu
O parangolé pamplona
Faça você mesmo
E quando o couro come
É só pegar carona
Laranja
Vermelho
Para o espaço estandarte
"Para o êxtase asa-delta"
Para o delírio porta aberta
Pleno ar
Puro Hélio
Mas
O parangolé pamplona você mesmo faz

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Orgulho de um sambista

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Adriana Calcanhotto

Dm E7
Você falou que junto comigo não mais desfilava
Gm A7 Dm BIS
E se a minha escola perdesse você nem ligava
Gm
Ensaiei, fiz meu samba enredo pra minha escola ganhar
C7 F A7
E na ala de porta bandeira você não quis desfilar
Dm D7 Gm
O meu povo inteiro chorou e você sorria
C7
Pois trocou nossa escola de tempos
F A7
Por um simples amor de três dias
Dm D7 Gm
Sufoquei minha dor em sorrisos para não chorar
A7 Dm
Tudo isso ajudou minha escola a ganhar
E7
Mas esse orgulho eu vou levar comigo pro resto da vida
Gm A7 Dm A7 BIS
Me contaram que você chorou quando eu passei na avenida
Gm
Eu vi outra de porta bandeira desfilando em seu lugar
C7 F A7
Comissão julgadora presente falou que meu samba ia ganhar
D A7 F#m B7
Meu bem o azar foi seu
E7 A7 D A7
Ganhei o carnaval e você me perdeu
D A7 F#m B7
Meu bem o azar foi seu
E7 A7 Dm
Ganhei o carnaval e você me perdeu

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Oito anos

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Adriana Calcanhotto

D
Por que você é Flamengo
E meu pai Botafogo?
G
O que significa
"Impávido Colosso"?
D
Por que os ossos doem
Enquanto a gente dorme?
A
Por que os dentes caem?
G D G
Por onde os filhos saem?

D
Por que os dedos murcham
Quando estou no banho?
G
Por que as ruas enchem
Quando está chovendo?
D
Quanto é mil trilhões
Vezes infinito?
A
Quem é Jesus Cristo?
G D G
Onde estão meus primos?

D G
Well, well, well... Gabriel
D
Well, well, well...
A G
Well

D
Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
G
Por que a Terra roda?
Por que deitar agora?
D
Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
A
Por que você se pinta?
G D G
Por que o tempo passa?



D
Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
G
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?
D
Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
A
Como é que se escreve
Bb A G
Reveillon?

D G
Well, well, well... Gabriel (4x)

FINAL: D A/C# Bm A G F#m Em A
D A/C# Bm A G Em D

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O outro

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Adriana Calcanhotto

Am
Eu não sou eu
Em
Nem sou outro
Am
Sou qualquer coisa
Em
De intermédio
Am
Pilar
Em
Da ponte de tédio
Am Em
Que vai de mim para o outro

Vocalização: Am Em

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Metade

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Adriana Calcanhotto

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está agora?

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Mentiras

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Adriana Calcanhotto

A
Nada ficou no lugar
D D7+
Eu quero quebrar essas xícaras
A A7+
Eu vou enganar o diabo
D D7+
Eu quero acordar sua família
A A5+
Eu vou escrever no seu muro
D Dm
E violentar o seu gosto
A A7+
Eu quero roubar no seu jogo
Dm E7 A
Eu já arranhei os seus discos
D7+ Dm
Que é pra ver se você volta
A A7+
Que é pra ver se você vem
D Dm
Que é pra ver se você olha
A
pra mim
A A7+
Nada ficou no lugar
D D7+
Eu quero entregar suas mentiras
A A7+
Eu vou invadir sua aula
D D7+
Queria falar sua língua
A A5+
Eu vou publicar seus segredos
D Dm
Eu vou mergulhar sua guia
A A7+
Eu vou derramar nos seus planos
Dm E7 A
O resto da minha alegria
D7+ Dm
Que é pra ver se você volta
A A7+
Que é pra ver se você vem
D Dm
Que é pra ver se você olha
A A7+
pra mim

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Medo de amar nº 3

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Adriana Calcanhotto

Intro: B B7+ B B7+

B
Você diz que eu te assusto
B7+
Você diz que eu te desvio
A
Também diz que eu sou um bruto
E E4 E
E me chama de vadio

Você diz que eu te desprezo
Que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo
Ainda me chama de animal

B
Você não tem medo de mim
C#
Você não tem medo de mim
A
Você tem medo é do amor
E E4 E
Que você guarda para mim

Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo de você
Você tem medo de querer

B
Você diz que eu sou demente
D#m
Que eu não tenho salvação
A
Você diz que simplesmente
E E4 E
Sou carente de razão

Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel

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Marítimo

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Adriana Calcanhotto

C7+
Pela orla, pela beira,
pela areia afora a tarde inteira
D7/9
Pela borda, pedra portuguesa
F7+ B7(b9)
Pelo pepê, pelo copa, pela costeira
F7+ B7(b9)
Pelo recorte do mapa, pela restinga
F7+ B7(b9)
Pela praia até Marambaia até onde vai a vista
F7+ B7(b9) C9
No posto nove a onda revolta devolve o surfista
F7+ B7(b9)
Pelo posto nove, nove e meia
F7+ B7(b9)
A onda branca, preta, branca, preta, a praia vermelha
F7+ B7(b9) F7+ B7(b9)
Cobalto, no alto, o azul marinho
F7+ B7(b9) C7+/9
A nuvem prata, a espuma pérola, a areia marfim.

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Maresia

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Adriana Calcanhotto

Intro: D#7 D#7/4 D#7 D7 C7 B7

E
O meu amor me deixou
Bbm7/b5
Levou minha identidade
A7/b5 G#7+ G#m6
Não sei mais bem onde estou
F#7+
Nem onde a realidade
Bb7/9 D#7
Ah, se eu fosse marinheiro
D#7/4 D#7 G#7+
Era eu quem tinha partido
G#m6 F7/4 F7
Mas meu coração ligeiro
F7/4 F7 Bb B7
Não se teria partido

Ou se partisse colava
Com cola de maresia
Eu amava e desamava
Sem peso e com poesia
Ah, se eu fosse marinheiro
Seria doce meu lar
Não só o Rio de Janeiro
A imensidão e o mar

E
Leste oeste norte e sul
Bbm7/b5
Onde um homem se situa
A7/b5 G#7+ G#m6
Quando o sol sobre o azul
F#7+ Bb7/9
Ou quando no mar a lua
D#7 D#7/4 D#7 G#7+
Não buscaria conforto nem juntaria dinheiro
G#m6 Eb7+/9
Um amor em cada porto
Bb7/9 D#7
Ah, se eu fosse marinheiro
D#7/4 D#7 G#7+
Nem pensaria em dinheiro
G#m6 Eb7+/9
Um amor em cada porto
Bb7/9 D#7+
Ah...



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Lição de baião

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Adriana Calcanhotto

Intro: G7

G7
Un, Deux

S'il vous Plait
2x G7
Montrez ma chérie

Que vous savez danser

G7
Jogue o corpo pra lá

Jogue o corpo pra cá
2x D7/#9
O corpo e...
G7
Tudo legal pra começar

G7
O seu Renato, o professor
C7/9
Já vai chegar pra lhe esplicar
2x G7
E os defeitos seu Renato
C7/9
Logo os corrigirá


G7
Apprenez la leçon

2x Dancez le baion

Allons-y dansons
D7/#9
Ah! Que c'est bon!

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Justo agora

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Adriana Calcanhotto

Cm7/9
Eu ouvi dizer
G#7+
Que você assim
Fm6
Como quem não quer nada
Cm7/9
Perguntou por mim

G#7+ G#m6
Agora
Cm7/9
Logo agora
G#7+ G#m6
Justo agora

Eu ouvi você
me dizer que sim
Mas era silêncio que se ouvia
Quando dei por mim

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Graffitis

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Adriana Calcanhotto

{Intro:} F Em Dm Em F Em Dm C
Dm7 G/D

Gm7
Por meus passos velozes
A7(b13) Dm7 G7 Dm7 Gm7
Vapores, suores, sotaques
A7(b13) Dm7 G7 Dm7
Antenas, antunes, stones
Gm7
Por meus passos ligeiros,
A7(b13) Dm7 G7 Dm7
Graffitis, mau cheiro
Gm7 A7(b13) Dm7 G7 Dm7
Não fosse por você eu não notava essa cidade

Gm7 A7(b13)
O meu amor pelas misérias, me leva
Bb7 A7(b13) Gm7
Me trouxe, roça o que interessa
A7(b13) Dm7 G7 Dm7
E fez de mim alguém que eu sou hoje

Em meus passos, sapatos,
Poeiras, postes, postos, poetas
Profetas, projetos, notícias, negócios
Por meus passos rápidos,
Meus alvos, meu norte
Por minha lente, meu olhar, meu foco, meus olhos

A vida não é filme, você não entendeu...

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Fico assim sem você

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Adriana Calcanhotto

Bb7+ Dm7
Avião sem asa, fogueira sem brasa
Cm7 F4 F7
Sou eu assim sem você
Bb Dm7
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Cm7 F7
Sou eu assim sem você
Eb F7
Por que é que tem que ser assim?
Gbº Gm7
Se o meu desejo não tem fim
Cm7
Eu te quero a todo instante
C7/9
Nem mil alto-falantes
F4 F7
Vão poder falar por mim
Bb7+
Amor sem beijinho,
Dm7
Buchecha sem Claudinho
Cm7 F7
Sou eu assim sem você
Bb7+ Dm7
Circo sem palhaço, namoro sem amasso
Cm7 F7
Sou eu assim sem você
Eb F7
To louco pra te ver chegar
Gbº Gm7
To louco pra te ter nas mãos
Cm7 C7/9
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
F4 F7
Que falta no meu coração
Gm7 Dm7
Eu não existo longe de você
Eb7+ Bb7+ Gbº
E a solidão é o meu pior castigo
Gm7 Dm7
Eu conto as horas pra poder te ver

Eb7+ F7 Bb7+ Dm7 Eb7 F7
Mas o relógio tá de mal comigo, por que?
Bb7+ Dm7
Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Cm7 F4 F7
Sou eu assim sem você
Bb7+ Dm7
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Cm7 F4 F7
Sou eu assim sem você
Eb F7
Por que é que tem que ser assim?
Gbº Gm7
Se o meu desejo não tem fim
Cm7
Eu te quero a todo instante
C7/9
Nem mil alto-falantes
F4 F7
Vão poder falar por mim
Gm7 Dm7
Eu não existo longe de você
Eb7+ Bb7+ Gbº
E a solidão é o meu pior castigo
Gm7 Dm7
Eu conto as horas pra poder te ver
Eb7+ F7
Mas o relógio tá de mal comigo
Gm7 Dm7
Eu não existo longe de você
Eb7+ Bb7+ Gbº
E a solidão é o meu pior castigo
Gm7 Dm7
Eu conto as horas pra poder te ver
Eb7+ F4 F7 Bb7+ Dm7 Eb7+ F7
Mas o relógio tá de mal comigo, por que?

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Eu espero

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Adriana Calcanhotto

Intro: Para pa pa.....
(Dm7 – G7 – Dm7 – G7 – F – G7 – Dm7 – G7) 2x

Dm7

Dm7 F
Entre nós
Dm7 G7
O desejo
Dm7 F
Entre nós
G7
Nosso tempo
Dm7 F
Não vá me deixar
G7
Sem seu beijo
Dm7 F
Se tudo o que há
G
Não é muito mais do que um momento
Dm7
Quanto mais
F
Eu te quero
G7
Mais sei esperar

E eu espero

(intro)


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Inverno

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Adriana Calcanhotto

D7+ Bm7
No dia em que fui mais feliz
G7+
eu vi um avião
Em A7 Bm7/9
se espelhar no seu olhar até sumir
D7+ Bm7
De lá pra cá não sei
G7+
caminho ao longo do canal
Em
faço longas cartas pra ninguém
A7 Bm7/9
e o inverno no Leblon é quase glacial
D7+ Bm7 G7+
Há algo que jamais esclareceu
Em A7
onde foi exatamente que larguei
Bm7/9
naquele dia mesmo
o leão que sempre cavalguei
D7+ Bm7
Lá mesmo esqueci que o destino
G7+
sempre me quis só
Em A7 Bm7/9
no deserto sem saudade, sem remorso só
sem amarras, barco embriagado ao mar
D7+ Bm7
Não sei o que em mim
G7+
só quer me lembrar
Em A7
que um dia o céu
Bm7/9
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar

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Mais feliz

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Adriana Calcanhotto

Mais feliz - Dé, Bebel Gilberto e Cazuza

Intr.: Am7/9 E7/G# (4 vezes)


Am7/9 F7+/9
O nosso amor não vai parar de rolar
Bb7/9 E7
De fugir e seguir com um rio
Am7/9 F7+/9
Como uma pedra que divide o rio
Bb7/9 E7
Me diga coisas bonitas
Am7/9 F7+/9
O nosso amor não vai olhar para trás
Bb7/9 E7
Desencantar nem ser tema de livro
Am7/9 F7+/9
A vida inteira eu quis um verso simples
Bb7/9 E7
Pra transformar o que eu digo
Dm7/9
Rimas fáceis, calafrios
E7
Furo o dedo, faz um pacto comigo
Dm7/9
Num segundo teu no meu
E7 Am7/9
Por um segundo mais feliz
Am7/9 F7+/9
O nosso amor não vai parar de rolar
Bb7/9 E7
De fugir e seguir com um rio
Am7/9 F7+/9
Como uma pedra que divide o rio
Bb7/9 E7
Me diga coisas bonitas
Am7/9 F7+/9
O nosso amor não vai olhar para trás
Bb7/9 E7
Desencantar nem ser tema de livro
Am7/9 F7+/9
A vida inteira eu quis um verso simples
Bb7/9 E7
Pra transformar o que eu digo
Dm7/9
Rimas fáceis, calafrios
E7
Furo o dedo, faz um pacto comigo
Dm7/9
Num segundo teu no meu
E7 Am7/9
Por um segundo mais feliz
Dm7/9
Rimas fáceis, calafrios
E7
Furo o dedo, faz um pacto comigo
Dm7/9
Num segundo teu no meu
E7 Am7/9
Por um segundo mais feliz

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Esquadros

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Adriana Calcanhotto

A
Eu ando pelo mundo prestando atenção

Em cores que eu não sei o nome
F#m
Cores de Almodóvar
Bm E7
Cores de Frida Kahlo, cores
A
Passeio pelo escuro
F#m
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
Bm E7
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
A
Uma cápsula protetora
F#m
Eu quero chegar antes
Bm E7
Pra sinalizar o estar de cada coisa

Filtrar seus graus
A F#m
Eu ando pelo mundo divertindo gente

Chorando ao telefone
Bm E7
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Am
Pela janela do quarto
Dm
Pela janela do carro

Pela tela, pela janela
Am
(Quem é ela? Quem é ela?)

Eu vejo tudo enquadrado
F7+ E7
Remoto controle
A
Eu ando pelo mundo
F#m
E os automóveis correm para quê?
Bm E7
As crianças correm para onde
A
Transito entre dois lados, de um lado
F#m
Eu gosto de opostos
Bm
Expondo meu modo, me mostro
E7
Eu canto para quem?
A F#m Bm
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
E7
Minha alegria meu cansaço?
A F#m
Meu amor, cadê você?
Bm
Eu acordei
E7
Não tem ninguém ao lado

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Ciranda da bailarina

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Adriana Calcanhotto

Intro: Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9

Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
Procurando bem todo mundo tem pereba
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 F7/9
Marca de bexiga ou vaci.......na
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Bb6/9 F7/9 Gm7
Só a bailarina que não tem
Cm7 Bº Cm7 Bº
E não tem coceira, berruga nem frieira,
Cm7 Bº F7/9
Nem falta de maneira ela não tem
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
Futucando bem todo mundo tem piolho
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 F7/9
Ou tem cheiro de creoli......na
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Bb6/9 F7/9 Gm7
Só a bailarina que não tem
Cm7 Bº Cm7 Bº
Nem unha encardida, nem dente com comida
Cm7 Bº F7/9
Nem casca de ferida ela não tem
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
Não livra ninguém, todo mundo tem remela
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 F7/9
Quando acorda às seis da mati....na
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
Teve escarlatina ou tem febre amarela
Bb6/9 F7/9 Gm7
Só a bailarina que não tem
Cm7 Bº
Medo de subir, gente
Cm7 Bº
Medo de cair, gente
Cm7 Bº F7/9
Medo de vertigem quem não tem
Cm7 Bº Cm7 Bº
Sujo atrás da orelha, bigode de groselha
Cm7 Bº F7/9
Calcinha um pouco velha ela não tem
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
O padre também pode até ficar vermelho
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 F7/9
Se o vento levanta a bati......na
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Bb6/9 F7/9 Gm7
Só a bailarina que não tem
Cm7 Bº Cm Bº
Sala sem mobília, goteira na vasilha
Cm7 Bº F7/9
Problema na família quem não tem
Bb6/9 Eb6/9 Bb6/9 Eb6/9
Procurando bem Todo mundo tem...

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Cariocas

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Adriana Calcanhotto

Cariocas são bonitos
Cariocas são bacanas
Cariocas são sacanas
Cariocas são dourados
Cariocas são modernos
Cariocas são espertos
Cariocas são diretos
Cariocas não gostam de dias nublados
Cariocas nascem bambas
Cariocas nascem craques
Cariocas têm sotaque
Cariocas são alegres
Cariocas são atentos
Cariocas são tão sexys
Cariocas são tão claros
Cariocas não gostam de sinal fechado ...

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Adriana Calcanhotto

C7+
Depois de ter você
Am7/9 Dm7/9
Pra quê querer saber
G7
Que horas são?
C7+
Se é noite ou faz calor
Am7/9
Se estamos no verão
Dm7/9
Se o sol virá ou não
G7 Am6/9
Ou pra que é que serve uma canção
G7
Como essa?
C7+
Depois de ter você
Am7/9
Poetas para quê? G7
Dm7/9
Os deuses, as dúvidas?
C7+ Am7/9
Pra quê amendoeiras pelas ruas?
Dm7/9 G7
Para que servem as ruas
C7+
Depois de ter você?

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Adriana Calcanhotto

C9 C5+/9
Que bela sopa
C6/9 C7/9
De osso ou aveia
F Bb7/9
A ferver na panela cheia

C9 C5+/9
Que bela sopa
C6/9 C7/9
De osso ou aveia
F Fm C
A ferver na panela cheia

Refrão: (2x)
C Bb7/9
Quem não diz: - Ave!
Am D7/9
Quem não diz: - Eia!
F Bb7/9
Quem não diz: - Opa!
C
Que bela sopa!

C9
Sopa das sopas
C5+/9
Que bela sopa
C6/9
Sopa das sopas
C7/9
Que bela sopa
F Bb7/9
Que bela so...
C9
Opa!
C5+/9
So-pá!
C6/9
Só! Ó!
C7/9
So-opa!
F C
Que bela sopa!

{Refrão} 2x

C9 C5+/9
Que bela sopa
C6/9 C7/9
Quem não se baba?
F
Quem não a papa?
Bb7/9
Quem não a gaba?

C9 C5+/9
Que bela sopa
C6/9 C7/9
Quem não se baba?
F
Quem não a papa?
Fm C
Quem não a gaba?

C Bb7/9
Quem não daria
Am D7/9
Tudo só para
F Bb7/9
Beliscar essa
C
Bela sopa?

C Bb7/9
Quem não daria
Am D7/9
Tudo só para
F Bb7/9
Beliscar essa
C
Bela sopa?

C9
Beliscar essa bela sopa
C5+/9
Beliscar essa bela sopa
C6/9
Beliscar essa bela sopa
C7/9
Beliscar essa bela sopa
F Bb7/9
Que bela so...
C9
Opa!
C5+/9
Que bela so...
C6/9
Opa!
C7/9
Sopa. Só ó. So-opa!
F Fm C
Que bela so-sopa!

{Refrão} 4x

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Água Perrier

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Adriana Calcanhotto

F#m
Não quero mudar você
Nem mostrar novos mundos
Bm
Porque eu meu amor
F#m
Acho graça ate mesmo em clichês
F#m
Adoro esse olhar blasé
Que não só já viu quase tudo
Bm A
Mas acha tudo tão deja vu
C#7/9 C#7
Mesmo antes de ver
Bm F#m
Só proponho alimentar seu tédio
Bm A C#7/4 C#7
Para tanto exponho a minha admiração
Bm
Você em troca sério
F
E seu olhar sem sonhos
Em E7
A minha contemplação
C#7/4 C#7
Aí eu componho uma nova canção
F#m
Adoro sei lá porque
Esse olhar meio escudo
Bm
Em vez de álcool forte
F#m
Pede água perrier
F#m
Adoro sei lá porque
Esse olhar meio escudo
Bm
Que não quer meu álcool forte
F#m
E sim água perrier
Bm
Em vez de álcool forte
F#m
Pede água perrier
Bm
Que não quer meu álcool forte
F#m
E sim água perrier

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Aconteceu

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Adriana Calcanhotto

C A#
Aconteceu quando a gente não esperava
Dm G
Aconteceu sem um sino pra tocar
Am
Aconteceu diferente das histórias
D7 G
Os romances e a memória têm costume de contar
C A#
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Dm G
Aconteceu sem um raio de luar
Am
O nosso amor foi chegando de mansinho
D
Se espalhou devagarinho,
G
Foi ficando até ficar
F Em
Aconteceu sem o que o mundo agradecesse
Dm
Sem que as rosas florescessem,
G C
Sem um canto de louvor
F Em
Aconteceu sem que houvesse nem um drama
Dm
Só o tempo fez a cama
G C
Como em todo grande amor

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Adriana Calcanhotto

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Adriana Calcanhotto

Desde seu nascimento, em 03 de outubro de 1965, Adriana Calcanhotto ouve música de qualidade. Seu pai era baterista de uma banda de jazz e bossa nova, e sua mãe, bailarina. O repertório de músicas ouvidas em sua infância era banhado de Astor Piazzola a Milles Davis e João Gilberto.

Ao iniciar seus estudos de música em 1977, teve como influência de seu professor os músicos Tom Jobim e João Donato. Além da música, Adriana é uma assídua leitora de publicações sobre Modernismo no Brasil e em algumas fases da sua vida chegou a largar a música para atuar como ‘performer’ em peças teatrais e se dedicar à composição.

Foi em Porto Alegre, no ano de 1984, que Adriana Calcanhotto iniciou sua carreira profissional de cantora, tocando e cantando em casas noturnas e bares da cidade. Seu show de estréia teve o nome de “Crepom”, com direção de Luciano Alabarse. Sempre eclética, a cantora estreou em 1987 o show “Nunca Fui Santa”, com composições próprias e músicas de carnaval.

Participou, em Porto Alegre e em São Paulo, de espetáculos em homenagem à Elis Regina e em 1988 estreou o show “Batom”, que na época teve recorde de público. A partir daí, Adriana ganhou projeção nacional, após fazer sucesso com o espetáculo dos melhores momentos de todos os shows já apresentados. Depois do sucesso, a cantora assinou com a CBS e gravou o seu primeiro disco, chamado “Enguiço”, que renderia o prêmio de “Revelação Feminina”, no 4º Prêmio Sharp de Música, além de controvérsias entre os críticos da época, que dividiram suas opiniões sobre seu verdadeiro talento.

Em 1992, Adriana Calcanhotto lançou o 2º disco, intitulado “Senhas”. A música “Mentiras” entrou na trilha sonora da novela “Renascer”, da TV Globo, e estourou em todas as rádios do país. Esse CD abriu as portas para que Adriana fizesse shows em grandes casas de espetáculos, como o Canecão, no Rio de Janeiro, e rendeu ainda o primeiro disco de ouro da intérprete.

Com 10 anos de carreira, a cantora lançou o terceiro disco, o eclético “A Fábrica do Poema”, que em 1994 foi considerado o “disco do ano” pelos críticos de música do Rio de Janeiro e que contava com parceiros como Waly Salomão e Arnaldo Antunes, além dos indispensáveis ‘hits’, como a música “Metade”. Quatro anos mais tarde, surgiu “Marítimo”, CD com as participações especialíssimas de Hermeto Pascoal, Dori Caymmi, Pedro Luis e a Parede e Waly Salomão.

Em 2000, o CD “Público”, desta vez pela gravadora BMG, foi gravado ao vivo, com quatro músicas trabalhadas em estúdio. O DVD veio para coroar e mostrar o encontro de Adriana com seu público.

A cantora participou da produção de “Cantada” em 2002, disco que também teve participações especiais como Los Hermanos e Moreno Veloso, entre outros. Um álbum com intenção de ser simples e que termina em ousadia, como sua criadora.

O ano 2004 marcou a carreira de Adriana Calcanhotto com inovação. Foi o ano de lançamento do CD “Adriana Partimpim”, em que a cantora usou um pseudônimo, utilizado também para o título do disco, feito para crianças, ou como Adriana prefere chamar, “disco de classificação livre”. Esse é o sétimo álbum da carreira e um projeto audacioso iniciado em 1999, que lhe rendeu os prêmios “Faz Diferença” do jornal O Globo, e na categoria “Melhor disco infantil”, o Prêmio Tim.

Com muitas apresentações pelo mundo, Adriana ainda tem projetos paralelos, como a interpretação de “Eu Sei Que Vou te Amar” no filme “Vinícius”, lançado em 2005. Fonte: Canal Pop - Biografia: Adriana Calcanhotto

Algumas músicas cifradas e letras da talentosa Calcanhotto:

Aconteceu, Água Perrier, Canção da falsa tartaruga, Cantada (Depois de ter você), Cariocas, Ciranda da bailarina, Disseram que voltei americanizada, E o mundo não se acabou, Esquadros, Eu espero, Fico assim sem você, Graffitis, Inverno, Justo agora, Lição de baião, Mais feliz, Maresia, Marítimo, Medo de amar nº 3, Mentiras, Metade, O outro, Oito anos, Orgulho de um sambista, Parangolé Pamplona, Pelos ares, Se você pensa, Sonífera ilha.

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Adelaide Chiozzo

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Adelaide Chiozzo, instrumentista, cantora e atriz, nasceu em São Paulo/SP, em 08/5/1931. Aos oito anos começou a aprender acordeom e aos 15, por sugestão de Irani de Oliveira, participou do programa Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial), imitando o sanfoneiro e cantor Pedro Raimundo.

Estreou no cinema em 1946, atuando em dupla com o pai, Afonso Chiozzo, na comédia Segura esta mulher, de Watson Macedo. Nesse filme apareciam acompanhando o cantor Bob Nelson na canção Boi Barnabé (Afonso Simão e Bob Nelson).

Ainda em dupla com o pai, trabalhou nas comédias carnavalescas Este mundo é um pandeiro (1947), de Watson Macedo, e É com este que eu vou (1948), de José Carlos Burle. Contratada pela Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, e artista exclusiva do selo Copacabana, teve seu apogeu no rádio, disco e cinema no início da década de 1950, fazendo sucesso como intérprete de músicas juninas e canções brejeiras.

Estreou no disco em 1950, na etiqueta Star (depois Copacabana), interpretando a rancheira Tempo de criança (João de Sousa e Eli Turquine) e a polca Pedalando (Anselmo Duarte e Benê Nunes). No rádio e em disco, cantou em dupla com Eliana Macedo, ao lado de quem apareceu em diversos filmes.

Entre seus maiores sucessos estão Beijinho doce (Nhô Pai), Cabeça inchada (Hervé Cordovil), em dueto com Eliana Macedo, Sabiá lá na gaiola (Hervé Cordovil e Mário Vieira), Orgulhoso (Nhô Pai e Mário Zan), e Lá vem seu Tenório (Manuel Pinto e Aldari de Almeida Airão).

De 1948 a 1957 atuou em nove filmes, entre os quais Carnaval no fogo (1949), Aviso aos navegantes (1950), É fogo na roupa (1952), O petróleo é nosso (1954), todos de Watson Macedo, Barnabé, tu és meu (1952), de José Carlos Burle, e Sai de baixo (1956), de J. B. Tanko.

Em 1975, com o violonista Carlos Mattos, seu marido desde 1951, apresentou no Rio de Janeiro e Niterói o show Cada um tem o acordeom que merece, com repertório de vários compositores da música brasileira.

Redescoberta pelos autores Bráulio Pedroso e Sílvio de Abreu, participou das novelas Feijão maravilha (1978) e Deus nos acuda (1992), da TV Globo. Em 1994 continuava fazendo shows por todo o Brasil junto com o marido, ocasionalmente com três dos netos. Em julho de 1996 participou, com Francisco Carlos, do Projeto Seis e Meia, no Teatro Dulcina, do Rio de Janeiro, com o show Ídolos da Atlântida.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha

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5° Festival da MPB

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sinal fechado

5° Festival da MPB - TV Record (novembro, 1969): 1º - Sinal fechado, de Paulinho da Viola, com Paulinho da Viola. 2º - Clarisse, de Eneida e João Magalhães, com Agnaldo Rayol. 3º - Comunicação, de Hélio Matheus e Edson Alencar, com Vanusa. 4º - Gostei de Ver, de Eduardo Gudin e Marco Antônio da Silva Ramos, com Márcia e Os Originais do Samba. 5º - Monjolo, de Dina Galvão Bueno e Eric Nepomuceno, com Maria Odete.

"...A Record, coitadinha, já sem poder de fogo, para estar de acordo com os padrões e não ser afastada de algumas verbas oficiais, resolveu fazer o festival seguinte proibindo a utilização de guitarras elétricas.

Como eu não tinha mais espaço, pois as marcas tropicalistas deixadas pelo festival de 68 haviam me incompatibilizado com a postura política que o Paulinho de Carvalho foi obrigado a adotar, senti que minha temporada na Record estava chegando ao fim. Além do mais, todos os compositores e cantores com quem eventualmente poderia contar para algum evento musical de importância estavam no exílio ou sem condições de atuar. Eu não via sentido em trabalhar com a música brasileira naquele momento.

A direção do festival de 1969 passou para o meu ex-assistente, Marcos Antônio Rizzo, assistido pelo meu também ex-assistente “Fifuca”, apelido de Flávio Porto, irmão do genial Sérgio do mesmo Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, que tanto material teria hoje para o seu FEBEAPÁ, “Festival de Besteira que continua a Assolar o País”.

Apesar de significativamente a música vencedora ter o título de Sinal fechado, de Paulinho da Viola , tenho de reconhecer que o Festival da Record de 1969 foi o festival do Rizzo. Com sua sempre inexplicável incoerência, Paulinho de Carvalho ainda conseguiu realizar a segunda Bienal do Samba, três anos depois da primeira..."

Fonte: Prepare seu Coração (A História dos Grandes Festivais) – Solano Ribeiro – Geração Editorial, 2002

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Os Mutantes

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Mutantes

Os Mutantes. Conjunto vocal e instrumental formado em 1966, em São Paulo SP, por Arnaldo (Arnaldo Dias Batista, São Paulo 1948—), piano, contrabaixo e composição; Sérgio (Sérgio Dias Batista, São Paulo 1951—), guitarra, violão e composição; e Rita Lee, flauta, harpa e composição.

O grupo começou com o nome de Wooden Faces, passando mais tarde a chamar-se Six Sided Rockers, com seis integrantes. Apresentaram-se em programas de televisão, como Astros do Disco e Jovem Guarda, ambos na TV Record, de São Paulo. Com a saída de três integrantes, o grupo mudou o nome para O Conjunto, e gravou um compacto pela Continental com o rock O suicida (de sua autoria). Trocando novamente o nome para Os Mutantes, estrearam na programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, na TV Record, em 1966.

Ainda nesse ano, fizeram o coro para a gravação de Nana Caymmi de Bom-dia (Gilberto Gil). Depois dessa experiência, foram convidados para acompanhar Gilberto Gil na música Domingo no parque, no III FMPB, da TV Record, em 1967. Nesse mesmo ano, lançaram pela Polydor o primeiro disco como Os Mutantes: um compacto com O relógio (de sua autoria).

Com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé e Nara Leão, gravaram em 1968 o LP Tropicália ou Panis et circensis, pela Philips, e sozinhos, pela mesma gravadora, o seu primeiro LP Mutantes, com O relógio, Batmacumba (Gilberto Gil e Caetano Veloso) e Trem fantasma (com Caetano Veloso). No mesmo ano, acompanharam Caetano Veloso na música É proibido proibir, na eliminatória paulista do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro. Na parte final desse festival, defenderam, de autoria dos três, Caminhante noturno, que obteve o sétimo lugar.

Apresentaram também no IV FMPB, em 1968, as músicas Dom Quixote (de sua autoria) e 2001 (Rita Lee e Tom Zé). Em 1969, com o grupo baiano, fizeram um show na boate Sucata, no Rio de Janeiro, e lançaram o segundo LP Mutantes, onde interpretaram suas músicas Dom Quixote, Caminhante noturno e Algo mais. Nesse ano, foram à Europa e apresentaram-se no MIDEM, em Cannes, França, e em Lisboa, Portugal. De volta ao Brasil, fizeram o show O planeta dos Mutantes, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Voltaram à França para um espetáculo no Olympia, de Paris. O conjunto aumentou com a entrada do baterista Dinho e do baixista Liminha.

Em 1970 concorreram ao V FIC com a música Ando meio desligado (Arnaldo e Sérgio) e lançaram o LP A divina comédia com Ando meio desligado e Desculpe, baby (Arnaldo e Rita Lee).

Em 1971 lançaram pela Polydor o LP Jardim elétrico com a faixa-título, Technicolor e It’s very nice pra chuchu (todas de sua autoria). Em 1972, depois de apresentar Mande um abraço pra velha (de sua autoria) e lançar o LP No país dos Bauretz, o grupo se desfez com a saída de Rita Lee, que passou a atuar sozinha.

Em 1973 o conjunto reapareceu com Sérgio (guitarra), Liminha (baixo), Dinho (bateria) e Manito (teclados). Arnaldo lançou em 1974, pela Philips, um LP individual, Loki, com Será que eu vou virar bolor? e Cê tá pensando que eu sou loki? (ambas de sua autoria). Com a saída de Manito e Dinho do conjunto, em 1974, entraram Túlio (teclados) e Rui Mota (baixo). Em 1975, Liminha foi substituído por Antônio Pedro Medeiros e, com essa formação, lançaram os LPs Tudo foi feito pelo Sol, 1975, e Mutantes ao vivo, 1977; e um compacto, Cavaleiros negros, 1976, todos pela Som Livre.. Em 1982, Arnaldo Batista lançou seu segundo disco solo, Singin’ alone, pela gravadora independente Baratos Afins.

Pianista exímio, de formação erudita, Arnaldo é considerado o elo entre o pop tropicalista dos anos de 1960 e 1970 e o rock brasileiro renascido a partir da década de 1980. Por volta de 1988, o grupo norte-americano Toter Totz gravou um LP independente que incluiu vários samplers dos Mutantes e uma regravação de Batmacumba.

Em sua fase progressiva, sem Rita Lee, os Mutantes gravaram em 1973 o LP A e o Z, lançado somente em 1992. Em 1996 foi lançado o disco-tributo aos Mutantes, Triângulo sem bermudas, pela gravadora Natasha, com vários artistas, incluindo Kid Abelha, Pato Eu, Lulu Santos, Arnaldo Antunes e Planet Hemp, interpretando clássicos do grupo.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha

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Abel Ferreira

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Abel Ferreira - Chorando Baixinho

Abel Ferreira, instrumentista / compositor, nasceu em Coromandel MG em 15/2/1915 e faleceu no Rio de Janeiro em 13/4/1980. Com cerca de 12 anos começou a aprender música e clarineta com José Ferreira de Resende e Hipácio Gomes, em sua cidade. Aos 17 mudou-se para Belo Horizonte MG e passou a tocar sax alto e tenor, apresentando-se na Rádio Guarani.

Em 1935 foi para São Paulo, ingressando na orquestra de Maurício Cascapera. Em seguida mudou-se para Uberaba MG, onde se tornou diretor artístico da emissora de rádio local. Nessa época participou de um show em Poços de Caldas MG, em que acompanhou as irmãs Carmen e Aurora Miranda.

De volta a Belo Horizonte, tocou em 1937 com J. França e sua Banda. Com o mesmo grupo apresentou-se em São Paulo, em 1940, e mais tarde com Pinheirinho e seu Regional, na Rádio Tupi paulistana. Gravou suas primeiras composições, o choro Chorando baixinho, em solo de clarineta, e a valsa Vânia, em solo de saxofone, em 1942, na Columbia de São Paulo, com o acompanhamento do regional de Pinheirinho.

No ano seguinte mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde passou a tocar com Ferreira Filho e sua Orquestra, no Cassino da Urca, lançando em 1944 uma nova gravação de suas primeiras composições, dessa vez com Claudionor Cruz e seu Regional. Em 1945 e 1946 tocou, respectivamente, nas orquestras de Vicente Paiva e Benê Nunes, apresentando-se em cassinos e na Rádio Globo.

Com esses conjuntos musicais, e com o seu grupo, formado em 1947, acompanhou vários cantores importantes da época, como Sílvio Caldas, Francisco Alves, Augusto Calheiros, Orlando Silva, Marlene, Emilinha Borba e outros.

Em 1949 ingressou na Rádio Nacional, onde passou a se apresentar como líder da Turma do Sereno; tocou no mesmo ano com Rui Rei e sua Orquestra, gravando na Todamérica seu choro Acariciando (com Lourival Faisal). Com Paulo Tapajós, seu companheiro na Rádio Nacional, formou em 1952 a Escola de Ritmos, que viajou por todo o Brasil. Dois anos depois lançou na Copacabana o LP Jantar dançante e, em 1955, No tempo do cabaré.

Viajou em 1957 com seu conjunto em tournée por Portugal e em 1958 integrou o grupo Os Brasileiros, do qual também participavam Shuca, Trio Yrakitan, Dimas, Pernambuco e o maestro Guio de Morais, em excursão de divulgação de música brasileira em vários países europeus, gravando ainda o LP Os brasileiros na Europa. Viajou pelos EUA e Havaí, com o pianista Benê Nunes, em 1960, e pela Argentina com Waldir Azevedo, em 1961.

Voltou à Europa em 1964-1965, gravando nesse último ano o disco Abel Ferreira e sua turma. Visitou a URSS e outros países europeus em 1968. Na década de 1970, principalmente a partir do lançamento do LP Pra seu governo, de Beth Carvalho, na etiqueta Tapecar, tornou-se um dos músicos mais requisitados em gravações e shows, como acompanhante, no sax e na clarineta.

Legítimo herdeiro da categoria do clarinetista Luís Americano, aposentou-se no rádio em 1971, tendo durante esses anos composto vários choros que se incorporaram aos clássicos instrumentais: Doce melodia é um exemplo.

Com a redescoberta do choro e a criação do Clube do Choro, no Rio de Janeiro, em meados de 1975, voltou à atividade, passando a apresentar-se, ao lado de Raul de Barros e Copinha, em vários shows de teatro.

Fonte: Enciclopédia da Múcia Brasileira - Art Editora e PubliFolha

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A Cor do Som

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a cor do som

A Cor do Som. Formado no final dos anos 70 no núcleo dos Novos Baianos (Dadi, baixo e guitarra; Armandinho, substituído por Victor Biglione e depois por Pedro Santana, guitarra e bandolim; Mu, teclados; Gustavo, substituído por Jorge Gomes, bateria; Ary Dias, percussão e Pepeu Didi, baixo), o grupo seguiu a linha da fusão entre ritmos nordestinos e rock.

O primeiro disco, A Cor do Som, de 1977, foi logo seguido por uma apresentação no festival de Montreux, na Suíça, em 1978, que se transformou em um disco ao vivo. Inicialmente voltada para a música instrumental, a banda estourou em 1979 com músicas cantadas, notadamente Beleza pura, de Caetano Veloso.

Nos anos 80 seus discos passaram por vários estilos, resultando em fusões de jazz, rock, reggae, choro e samba. Em 1985 a banda se dissolveu com alguns componentes seguindo carreira solo e outros voltando a ser músicos contratados de artistas consagrados. Entretanto, em 1996, o grupo juntou-se novamente para gravar o disco A Cor do Som Ao Vivo no Circo, pelo qual recebeu, no ano seguinte, o Prêmio Sharp de Melhor Grupo Instrumental.

No dia 24 de agosto de 2005, o grupo A Cor do Som volta à ativa com um registro acústico, gravado ao vivo na casa de shows Canecão (RJ). A apresentação foi marcada por diversas participações especiais, dentre elas de Moraes Moreira, em Davilicença, Caetano Veloso em Menino Deus e Daniela Mercury em Beleza pura, só para citar algumas. O show no Canecão gerou a gravação do CD e DVD A Cor do Som Acústico, com sua formação original: Armadinho, Dadi, Mú Carvalho, Gustavo Schroeter e Ary Dias.

O lançamento do trabalho registra a relevância histórica do grupo A Cor do Som no cenário musical brasileiro, com destaque para a habilidade de seus integrantes, instrumentistas com sólidas carreiras individuais.

Fonte: CliqueMusic - A Cor do Som

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Baiano e os Novos Caetanos

Urubu tá com raiva do boi - Baiano e os Novos Caetanos

Intro:
(F Eb)
Um-de-a-dá

F
Urubu tá com raiva do boi,
Bb
E eu já sei que ele tem razão
F
É que o urubu tá querendo comer
Gm
Mais o boi não quer morrer
Eb
Não tem alimentação
Urubu tá com raiva do boi,
E eu já sei que ele tem razão
É que o urubu tá querendo comer
Mais o boi não quer morrer
C F
Não tem alimentação

F
O mosquito é engolido pelo sapo,
Bb
O sapo a cobra lhe devora.
F
Mas o urubu não pode devorar o boi:
C7 F
Todo dia chora, todo dia chora.
(bis)

(F Eb)
Um-de-a-dá

(sobe 1/2 tom daqui pra frente)

(refrão)

Gavião quer engolir a socó,
Socó pega o peixe e dá o fora.
Mas o urubu não pode devorar o boi,
Todo dia chora, todo dia chora.
(bis)

(F# E)
Um-de-a-dá

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Folia de Rei

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Baiano e os Novos Caetanos

Folia de Rei - Baiano e os Novos Caetanos

Intro: G D A7 Bbº D
G D A7 Bbº
D A D D7
Ai...andar, andei
G A
Ai...como eu andei
D D7
E aprendi
G
A nova lei
G D
Alegria em nome da rainha (2x)
F#m Bm
E folia em nome de rei

G D A7 Bbº (1x)

Ai no mar, marujei
Ai eu naveguei
E aprendi
A nova lei

Se é de terra que fique na areia
O mar bravo só respeita rei (2x)

Ai voar, voei
Ai como eu voei
E aprendi
A nova lei

Alegria em nome das estrelas
E folia em nome de rei (2x)

Ai eu partilhei
Ai eu voltarei
Vou confirmar
A nova lei

Alegria em nome de Cristo
Porque Cristo foi o rei dos reis (4x)

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Selva de feras

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Baiano e os Novos Caetanos

Selva de feras - Baiano e os Novos Caetanos

Intro: (E A)

1:
E
Sou Pedro Silva de Vera
Odeio selva de fera
C#m
A natureza me espera
F#m
Verde mãe minha cor

F#m
O meu cavalo é de osso
Eu lhe beijando o pescoço
B7
Ele me leva no dorso
E
Aonde o sol vai se por

2:
Eu só preciso de um prato
E pouco mais que um trapo
E o nosso amor será um trato
Que jamais terá fim

Arruma tudo vambora
Ora vambora se embora
E a sanfona de fora
Vai tocando pra mim

Solo: (F#m E/G# F#m E) 2x

3:
É tombo é chuva caindo
É lombo é burro subindo
O vento venta zunindo
E a carroça quebrou

O vento roda moinho
A casa de um passarinho
Um kitnet de ninho
Nosso filho salvou

4:
Afia o fio da faca
E faz um feixe de estaca
E finca pé na barraca
A chuva passa passou

E vem a noite estiada
E vem a lua molhada
E a sanfona danada
E nós vivendo de amor

Solo.

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Vou batê pa tu

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Baiano e os Novos Caetanos

Vou batê pa tu - Arnaud Rodrigues e Orlandivo

Intro.: (E7/9+)

E7/9+
Vou Bate pra tu bate pra tu
Pra tu bate (4x)
A7
Pra manha rapa não me dize
B7
Queu não bati pra tu
E7/9+
Pra tu pode bate

A7
O caso é esse
E7/9+
Dizem que falam que não sei o que
A7
Ta pra pintar ou t a pra acontecer
B7
É papo de altas transações
A7
Deduração
E7/9+
Um cara louco que dançou com tudo
A7
Entregação do dedo de veludo
B7 E7/9+
Com quem não tenho grandes ligações

(Repete toda a música)
Solo: E7/9+
(Repete toda a música)

E7/9+
Vou Bate pra tu bate pra tu
Pra tu bate (repete e fade out)

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Baiano e os Novos Caetanos

Chico Anísio e Arnaud Rodrigues criaram uma paródia com Caetano Veloso e os Novos Baianos. No final da década de 60, quando Caetano e Gilberto Gil foram exilados do país, a trupe de Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Baby Consuelo e Paulinho Boca de Cantor ficou conhecida como Novos Baianos, como eles mesmos se intitularam.

Na televisão, Chico Anísio fazia sucesso com Chico City, onde junto com Arnaud Rodrigues interpretavam diversos personagens. Num desses quadros surgiram Baiano e os Novos Caetanos. O grande sucesso da dupla foi “Vô batê pra tu”. O primeiro disco foi lançado em 1974.

No ano seguinte, 1975, a dupla lançou outro disco do “Baiano e os Novos Caetanos 2”, mas também lançaram outros discos como “Azambuja & Cia” e “Chico Anísio ao Vivo”, onde o humorista fazia um show com textos de Arnaud Rodrigues.

Em 1982 foi lançado o disco “A volta”, creditado a Baiano e os Novos Caetanos. Em 1985 foi lançado o “Sudamérica”, também creditado a Baiano e os Novos Caetanos. Arnaud Rodrigues ainda lançou vários discos solo, como Sound & Pyla”, “Murituri”, e “O som do Paulinho”, Paulinho é o personagem que ele fazia na dupla Baiano e os Novos Caetanos.

No final dos anos 80, Chico Anísio ainda lançou mais um disco com o personagem Baiano. Foi o disco “Baiano e Amaralina”, onde a parte feminina imita a ninguém menos que Elba Ramalho.

Chico Anísio, após o final de Chico Anísio Show, lançou a Escolinha do Professor Raimundo e ficou anos somente com este personagem. Hoje em dia ele se dedica mais a carreira de ator, fazendo participações em cinema, programas infantis e novelas televisivas.

Arnaud Rodrigues continuou com o humorismo na Praça é nossa, onde criou a dupla sertaneja Chitãozinho e Chororó, junto com Marcelo Nóbrega, neto de Manuel da Nóbrega, criador da Praça é nossa e do Carnê do baú.

Algumas músicas cifradas:

Folia de Rei, Selva de feras, Urubu tá com raiva do boi, Vou batê pa tu.

Fonte: Eu Ovo: Baiano e os Novos Caetanos

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4° Festival da MPB

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Divino Maravilhoso
Gal Costa defendendo "Divino Maravilhoso". Festival de 1968.

4° Festival da MPB - TV Record (novembro-dezembro, 1968): 1º - São São Paulo, Meu Amor, de Tom Zé, com Tom Zé; 2° - Memórias de Marta Sare, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, com Edu Lobo e Marília Medalha; 3º - Divino maravilhoso, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, com Gal Costa; 4° - Dois Mil e Um, de Rita Lee e Tom Zé; 5º - Dia da Graça, de Sérgio Ricardo, com Sérgio Ricardo e Modern Tropical Quintet.

“...O festival de 68 foi um pouco de tudo. O sucesso dos baianos no ano ano anterior fez com que a maioria dos compositores fantasiasse suas apresentações. Teve até guitarrista vestido de padre. Caetano e Gil, pela primeira vez em um festival, formaram uma parceria, e com a mudança de nome da “Gracinha”, a Maria da Graça, para Gal Costa, diziam que tudo era perigoso no seu Divino Maravilhoso.

Tom Zé venceu com São São Paulo Meu Amor, música muito abaixo da média de seu trabalho, que, quase como um castigo, não recebeu da Prefeitura um prêmio especial a que fez jus, tal burocracia vigente na cidade. Mas o ano de 68 ainda reservava outras surpresas.

Fui convidado pelo Renato Correa de Castro, meu ex-assistente no festival da Record de 66, e que havia sido contratado pela TV Globo para coordenar a parte paulista do III FIC (Festival Internacional da Canção), para ajudá-lo na seleção das músicas que iriam concorrer em São Paulo, classificando algumas para a final no Rio de Janeiro. Gil e Caetano inscreveram músicas que trilhavam um caminho experimental: Questão de Ordem e É Proibido Proibir, respectivamente. Das que Geraldo Vandré inscreveu escolhemos Para não dizer que não falei de flores.

Na primeira eliminatória no Tuca (Teatro da Universidade Catóica), templo da juventude politizada da época, a música do Gilberto Gil foi arrasadoramente vaiada, talvez por fugir dos chavões festivalescos, e desclassificada pelo júri. A rejeição foi gerada por uma estranheza estética, e não pelo rompimento do conservadorismo formal que o Gil propunha, fortemente influenciado por Jimi Hendrix. Não era realmente uma música de fácil digestão para quem então já estava mais habituado a aplaudir convenções e desdobradas de ritmo com queixada de burro do que a quebra de padrões musicais.

Caetano, que ousou propor para aquela platéia que era proibido proibir, juntando versos de Fernando Pessoa, emoldurados pelos corajosas desarmonias dos Mutantes, apesar de hostilizado pela platéia, foi classificado para a eliminatória que iria indicar as músicas de São Paulo que passariam para as apresentações no Maracanãzinho.

Naquela noite, a intolerância daquela gente atingiu o paroxismo. Objetos eram atirados no palco com uma agressividade que eu jamais poderia imaginar, vinda de uma platéia que deveria representar a elite política e intelectual daqueles tempos. Grande engano. Era um típico exemplo de como, às vezes, as paixões chegam a confundir as mentes, que, sem se deter para uma reflexão, ainda que superficial, assumem posições absolutamente contrárias ao que sua cartilha ideológica reza.

A palavra de ordem dos estudantes europeus naquele momento deveria coincidir com a dos nossos, que já haviam provocado grandes manifestações em gigantescas passeatas contra a ditadura, que apertava cada vez mais o cerco às liberdades individuais. “É proibido proibir” era frase definitivamente revolucionária para o momento.

Mas Caetano, enfrentando a reação absurda daquela platéia que o agredia com palavrões, ao mesmo tempo que atirava sobre o grupo no palco o que conseguisse apanhar, com a moral de quem está convicto de suas posições, colocou, aos gritos, enfurecido: “Vocês não estão entendendo nada. Se forem em política [tão reacionários e intolerantes como] o que são em estética, pobre do nosso país. Vocês querem matar hoje o velhote que já morreu ontem”.

Aquela platéia, com sua reação, mostrava ser a esquerda na direita sem se dar conta. A explosão de Caetano, na minha leitura, foi mais importante do que a música. Foi um manifesto passional, lúcido, poético, determinado, corajoso e, acima de tudo, coerente.

Naquela mesma noite, liguei para o André Midani, então diretor da Phillips, de quem o Caetano era contratado, e implorei que transformasse aquele momento raro em disco. O som, com a participação especial do Renatão, foi tirado às escondidas do teipe da Rede Globo. O disco saiu com o esdrúxulo título “Ambiente de Festival”...”

Fonte: Prepare seu Coração (A História dos Grandes Festivais) – Solano Ribeiro – Geração Editorial, 2002

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3° Festival da MPB

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Ponteio
Edu Lobo e Marília Medalha, vencedores do Festival com Ponteio

3° Festival da MPB - TV Record (outubro, 1967)

1º - Ponteio, de Edu Lobo e Capinan, com Edu Lobo e Marília Medalha, Quarteto Novo e Momento Quatro; 2º - Domingo no parque, de Gilberto Gil, com Gilberto Gil e Os Mutantes; 3º - Roda viva, de Chico Buarque, com Chico Buarque e MPB-4; 4º - Alegria, alegria, de Caetano Veloso, com Caetano Veloso e Beat Boys; 5º - Maria, carnaval e cinzas, de Luiz Carlos Paraná, com Roberto Carlos.

"...O festival de 1967 foi, talvez, o mais rico musicalmente. Mais uma vez recorde de audiência, não somente para musicais, mas atingiu um número de espectadores jamais igualado até hoje por qualquer programa da TV brasileira. Era o ponto culminante do trabalho de todo aquele elenco, que tinha a platéia ideal para exercitar suas ousadias.

O júri prévio teve grande trabalho. Reunido mais uma vez nos fundos da casa dos Medaglia, teve dificuldade em definir as 36 eleitas. Sérgio Cabral defendeu com unhas e dentes a classificação de um samba estranho do Sérgio Ricardo, Beto Bom de Bola, que mais tarde iria dar o que falar. Gil, para fugir do regulamento, inscreveu como de autoria da Nana Caymmi Bom Dia, mais um tema urbano que chamou a atenção do júri prévio. Johnny Alf classificou Eu e a Brisa; Edu Lobo, Ponteio; Chico Buarque veio com Roda Viva.

Convocando Elis para defender sua música, Dori Caymmi e Nelson Motta classificaram O Cantador; Luiz Carlos Paraná convenceu Roberto Carlos a cantar Maria, Carnaval e Cinzas; O Combatente era uma triste tentativa de Walter Santos e Tereza Souza de entrar no clima festivalesco, contrariando todo o seu trabalho anterior, que o júri prévio deixou passar muito provavelmente por respeito aos autores. O Vandré, buscando um tema que não ferisse suas posições e representasse a classe que presumia ser seu eleitorado, classificou uma coisa estranha, movida a buzinas iluminadas, em uma tentativa de repetir o efeito causado pela queixada de burro, que falava do chofer de caminhão, De como um Homem Perdeu seu Cavalo e Continuou Andando, ou Ventania.

As gravadoras, percebendo o grande veículo em que o festival havia se transformado para seus artistas, passaram a incentivar a formação das torcidas, o que viria a perturbar o desenvolvimento normal da competição, desviando-a do caminho político,que havia ocupado até então, para o do marketing de artistas e gravadoras.

Em 1967, logo na primeira eliminatória, uma imensa torcida foi organizada para “apoiar” O Combatente, cantada pelo Jair Rodrigues. Sua desclassificação foi merecida no meu entender, pois era um trabalho que nada tinha a ver com o que o Walter Santos e a Tereza Souza haviam feito até então, que buscava nitidamente a reação da platéia através de recursos festivalescos. Foi a primeira. grande vaia dos festivais, o que deu início a uma seqüência de acontecimentos desagradáveis.

Mais grave foi a rejeição, pela platéia, ao samba de Sérgio Ricardo, Beto Bom de Bola, que mais uma vez, ajudado pelo jurado Sérgio Cabral, conseguiu ser uma das classificadas para a finalíssima. Era um samba mal-ajambrado que, a não ser pelo lado social, com argumento de Sérgio Cabral, nada tinha a ver com o talento de Sérgio Ricardo, que por sinal cantou muito mal.

Quando a música foi apresentada na final, Sérgio, que já tinha sido mal recebido, pediu a atenção para o “novo” arranjo, o que desagradou ainda mais a platéia, além de contrariar o regulamento, que não permitia que a música sofresse qualquer modificação entre uma apresentação e outra. Sérgio tentou cantar, mas a manifestação foi tão ruidosa que ele nem sequer conseguia ouvir o acompanhamento. Interrompeu a música e tentou argumentar. Como a vaia era ininterrupta, passou a ameaçar a platéia. Era ele contra uns três mil, mais ou menos. Em determinado momento, perdendo totalmente o controle, gritou: “Está bem, vocês venceram”, quebrou o violão no banquinho e o atirou na platéia. Foi desclassificado. Nem precisava.

Nesse festival o júri deixou passar em brancas nuvens Eu e a Brisa, do Johnny Alf, lindamente defendida pela Márcia, felizmente descoberta pelo público, que a transformou num dos maiores sucessos de 67. Fico pensando no que teria acontecido se a linda melodia de Johnny Alf tivesse sido cantada pela Elis. O júri prévio também andou dando suas mancadas, não percebendo Máscara Negra, do Zé Keti, que arrasou no carnaval seguinte.

Aos que protestaram contra o júri prévio, alegando que suas músicas não tinham sido ouvidas com a atenção merecida, abrimos o Teatro Record e permitimos que fosse feita uma apresentação das músicas dos compositores que se julgavam injustiçados. Demos aos insatisfeitos todas as condições técnicas e tempo para que ensaiassem. Depois de alguma divulgação, na noite dos revoltados, o Teatro Paramount estava lotado. O clima era de hostilidade, afinal cada compositor inscrito achava ser a sua a melhor música jamais composta. Era só apresentá-la e esperar pela entrega do cheque. Foi uma noite cheia de manifestações de novas torcidas a defender parentes e amigos. Por momentos chegou até a lembrar um festival de verdade.

A manchete do Jornal da Tarde, no dia seguinte, foi a melhor resposta que poderíamos ter tido: “O Júri Tinha Razão”. Edu Lobo, com um trabalho impecável, venceu o festival de 1967 com Ponteio, que tinha a parceria de Capinan. Era de uma competência impressionante e de uma força irresistível, sem apelar para os chavões que levantavam as platéias. Edu, Marília Medalha, o vocal do Momento Quatro e o Quarteto Novo fizeram uma apresentação que dificilmente outra música poderia superar, mas foi também exemplo de que, em geral, um júri, por mais que apregoe modernidade, tem sempre uma tendência conservadora.

Era um período de mudanças. O mundo jovem se agitava. Na Europa, o som dos rapazes de Liverpool, de Jimi Hendrix e Janis Joplin quebrava tabus e as novas gerações questionavam o que lhes era servido como moral. A primeira vez que ouvi o disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, foi na cabine do Teatro Record.

Zuza Homem de Mello, então principal engenheiro de som da emissora, havia recebido um exemplar e, tendo aparecido na minha sala com a novidade, onde eu fazia uma reunião com Caetano Veloso, não conseguiu mais se livrar de nós, até que, vencido pelos vários apelos e algumas ameaças, nos levou para que finalmente pudéssemos conhecer o que viria a ser um dos marcos dos anos 60. Após A Day In The Life, a última faixa do LP, saí da cabine como se tivesse sido dopado, tal a impressão que o disco causou. Caetano e eu descemos em silêncio até a minha sala e assim ficamos por muitos minutos, pois nada havia para ser dito naquele momento de espanto.

She’s Living Home, um marco contra a hipocrisia e a intolerância dos pais ante a nova postura dos jovens. George Martill, o produtor musical e arranjador do disco, utilizando as experiências contemporâneas de Stockhausen em A Day In The Life, rompia os limites da música pop. Lucy In The Sky With Diamonds abria mentes e permitia que, sem lenço e sem documento, Alegria Alegria sugerisse esse tipo de sutileza quase subliminar. Embora Caetano negue que tenha sido intencional, e ele deve falar a verdade, a associação é inevitável.

Domingo no Parque, com sua cinematográflca abordagem do drama do João, que amava Juliana, que amava José, tão bem arranjada pelo Rogério Duprat, que se lembrou do talento dos The Six Sided Rockers, significativamente rebatizados de Mutantes, derrubou a barreira do preconceito que os tradicionalistas erguiam contra uma linguagem universal para a música brasileira. A reação da platéia diante de Gilberto Gil foi de delírio total, transformando em sussurro as eventuais vaias que tentavam impedir que guitarras elétricas acompanhassem uma das manifestações mais significativas da cultura brasileira da época. Já na tarde de sua primeira apresentação, o ensaio foi arrasador.

Era o assunto de todos os que acompanhavam os trabalhos no Teatro Record, mas principalmente assunto do próprio Gil, que falava tanto e tão alto que atrapalhava os ensaios das outras músicas que seriam apresentadas. Fui obrigado a chamar sua atenção, o que o fez sair meio ressabiado. Algumas horas depois, recebo um telefonema do Paulinho de Carvalho. apavorado, dizendo que o Gil se recusava a apresentar a música naquela noite, por ter sido destratado por mim na frente de todo mundo. O Paulinho foi ao hotel Danúbio, onde Gil estava hospedado com Nana Caymmi, então sua mulher, tentar convencê-lo a desistir da desistência. Paulinho encontrou o Gil deitado, com rosto coberto por uma grande toalha enrolada na cabeça e outra nos pés, dizendo que já estava feliz pelo resultado da gravação do Domingo no Parque, que tinha acabado de registrar, e que não set sentia com condições psicológicas para cantar naquela noite.

É evidente que Gil estava pressionado por uma tremenda insegurança afinal, estava quebrando tabus e limites sem saber qual seria a reação da ala conservadora da MPB à sua ousadia. Lá fui eu me desculpar com o tagarela, que estava quase perdendo a oportunidade de dar um salto fantástico em sua carreira, além de transformar aquela noite em história para a MPB.

Em outra eliminatória encontro o Guilherme Araújo, muito apreensivo antes da apresentação de Alegria Alegria. Caetano havia escolhido para acompanhá-lo um grupo de músicos chamado Beat Boys, que tocavam absolutamente imóveis e, em suas apresentações no Beco, uma casa noturna de grande sucesso na época, então dirigida com grande competência e classe por Abelardo Figueiredo, emocionavam os que já amavam os Beatles e os Rolling Stones. Grandes cabeleiras, armados de guitarras e baixos elétricos, mais poderiam parecer os inimigos do Fino do que defensores da MPB tão amada.

Caetano estava longe do tímido baiano que arrasava ao ouvir do Blota: “...e a palavra é...”. Naquela noite, sua boa palavra seria julgada naquele teatro lotado de gente emocional e emocionada. Sua entrada no palco, cabelos encaracolados, o mesmo terno quadriculado e o sorriso irônico que mais parecia o do Coringa, saído das histórias em quadrinhos do Batman, acompanhado daqueles estranhos seres, que carregavam instrumentos até então proibidos, chocou a platéia, que, parecia, iria rechaçá-lo ao primeiro acorde. A vaia foi monumental.

Caetano entrou no palco enfurecido, caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento. Mas os sons e o ritmo alegre e descontraído da marchinha Alegria Alegria acabaram por fazer aquela gente ouvir a pergunta crucial que a letra sugeria para aquele momento maravilhoso: “Por que não?” e repetia “por que não?”, e mais uma vez ainda: “por que não?” Aquela gente então deve ter se perguntado: “Ora, e por que não?”, e aplaudiu em delírio o assustado Caetano, que, de tão surpreso com a ovação inesperada, caiu de bunda no palco, sorrindo, consagrado, maravilhado. Ele, o filho abusado de dona Canô, o exibido de Santo Amaro da Purificação, o irmão da Berré, que, se dependesse de seu empresário, nem deveria cantar.

Guilherme Araújo, com lágrimas nos olhos, invadiu os bastidores. Ao passar por mim, agarrou os meus braços e, parecendo não acreditar no que tinha acontecido, perguntava sem parar: — Meu querido, você viu? Você viu? — Viu o que, Guilherme? — Viu o que aconteceu com o Caetano? — Claro que vi, Guilherme. E o Brasil inteiro também viu".

Fonte: Prepare seu Coração (A História dos Grandes Festivais) – Solano Ribeiro – Geração Editorial, 2002

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Bienal do Samba

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I Bienal do Samba - TV Record (maio, 1968):

1º - Lapinha, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, com Elis Regina; 2º - Bom tempo, de Chico Buarque, com Chico Buarque e MPB-4; 3º - Pressentimento, de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, com Elza Soares.

“O protesto dos sambistas, endossado pelos jornalistas, críticos de música, principalmente os do Rio de Janeiro, reclamando que o samba não tinha tido uma presença marcante no festival, fez com que criássemos a Bienal do Samba.

O sucesso do programa “Bossaudade”, apresentado por Ciro Monteiro e Elizete Cardoso, com um elenco basicamente “velha guarda”, justificava mais esta experiência. Um evento competitivo, cujos participantes foram escolhidos por uma comissão especial. Cada compositor indicado inscrevia a música que quisesse, sem julgamento prévio, desde que foss inédita, cláusula do regulamento que, para meu desespero, causou a desclassificação da belíssima Wave de Tom Jobim, porque já tinha sido gravada nos Estados Unidos por Sérgio Mendes.

Chico Buarque inscreveu um maxixe, Bom Tempo; Ataulfo Alves veio com Laranja Madura; Paulinho da Viola trouxe Coisas do Mundo, minha Nega; Baden Powell inscreveu Lapinha, em parceria com Vinícius de Moraes, que seria cantada por Elis Regina.

Enquanto eram concluídos os preparativos para a Bienal, em uma tarde de ensaios, pelos corredores do Teatro Record, ouvia-se o eco de uma batucada irresistível. Um bando de sambistas irradiando uma alegria contagiante ensaiava um número no qual faziam a base rítmica para algum samba a ser apresentado no “Bossaudade”. Eram Os Originais do Samba.

Imediatamente os convoquei para participarem da Bienal, e qual não foi a minha surpresa quando a maioria dos compositores inscritos, à medida que iam ouvindo o grupo, fazia questão de tê-los participando de seus números. Foi difícil deixar de atender. O resultado final foi de uma lógica cristalina: Lapinha, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, cantada pela Elis e com o apoio dos Originais do Samba, dominou a Bienal desde a sua primeira apresentação e se tornou um número imbatível. Além de levar Lapinha ao primeiro lugar, Elis foi a melhor intérprete.

Em segundo lugar ficou Bom Tempo, de Chico Buarque, em terceiro Pressentimento, de Élton Medeiros e Hermínio Belo de Carvalho, em quarto Canto Chorado, de Billy Blanco, em quinto Tive Sim, do Cartola, em sexto Coisas do Mundo, minha Nega, de Paulinho da Viola, e em sétimo Marina, de Sinval Silva.

Na preparação da Bienal do Samba a necessária convivência com o elenco do programa “Bossaudade”, além de uma experiência humana maravilhosa, às vezes nos levava a momentos engraçados. Era comum a turma liderada pelo Ciro Monteiro, e sempre na companhia de Araci de Almeida, sair para jantar depois do programa. Antes e durante a gravação era regra que ninguém bebesse, mas depois...

Após um ruidoso jantar, aquele grupo alegre e descontraído de sambistas perdidos na noite da paulicéia desvairada saía a pé pelas ruas do centro, caminhando e sambando, em uma verdadeira crucis pelos bares onde ainda existia música ao vivo rolando. De canja em canja, e de gole em gole, a noite ia passando e o time aumentando. Era comum aquele bando acabar no café da manhã do Hotel Normandie, na avenida Ipiranga, onde a Record tinha permuta para hospedar seus artistas.

Certa madrugada, com os primeiros lampejos do dia nos ameaçando, ao passarmos pela esquina da avenida Ipiranga com a São João, Araci de Almeida, com seu jeito autoritário, disparou com solenidade: “Agora, em homenagem ao Paulinho Vanzolini, que fez a fama desta avenida, eu convido todo mundo para uma última rodada”. Assumiu então a frente do grupo, que, obediente, não . tinha outra alternativa senão segui-la. Uma dose a mais ou a menos já não faria muita diferença. Para surpresa geral, a Araca levou a turma para uma farmácia e foi logo ordenando a um espantado atendente: “Manda uma vitamina B12 na veia dessa moçada, senão ninguém vai chegar em casa com o figado inteiro”, e acrescentou: “Essa quem paga sou eu!”.

Na verdade, tanto nos festivais da Excelsior como no da Record, o samba mostrou que não tinha como competir, pelo menos naquele momento, com os novos ritmos que dominavam a música popular brasileira, principalmente com as novas formas dinâmicas dos arranjos feitos especialmente para obter reações emocionais das platéias, já condicionadas a eleger sua favorita e torcer por ela.

A competição trouxe muitas deformações, mas era o que atraía a atenção para o espetáculo do festival, sempre construído de forma a ser, desde as eliminatórias, um simples mas atraente programa musical de televisão. Minha intenção sempre foi utilizar o festival como um painel do que estava sendo feito na música popular em todo o país. Isso resultou em uma diversidade muito grande de ritmos e estilos, do regional ao experimental, que eu fazia questão de manter sempre presente.

A possibilidade de apresentar um novato ao lado de um nome consagrado em igualdade de condições fazia do festival a única porta de entrada para um novo compositor e também para o lançamento de novos cantores e grupos, pois o seu extraordinário sucesso atraía todas as atenções, não só do público, dos críticos e da imprensa em geral, mas também dos responsáveis pelo mercado do disco, em geral incompetentes para lançar qualquer coisa que não preencha as expectativas do que costumam rotular de comercial ou, como se usa hoje, de mercado.

Confundem popular com vulgar e esquecem que a platéia brasileira responde de imediato e com entusiasmo toda vez que é colocada diante de uma música de boa qualidade. Hoje o peso da televisão é muito grande, mas infelizmente a maioria dos seus dirigentes está mais preocupada com os índices de audiência e não com qualquer compromisso coerente com a cultura do país, considerando a música brasileira mero subproduto.

Raras foram as vezes em que a MPB foi utilizada como um trabalho especialmente composto para o seu principal instrumento de faturamento que são as novelas. É impressionante constatar que o veículo que poderia ser importantíssimo para a divulgação do trabalho de compositores brasileiros e da nossa música em geral, popular ou erudita, é utilizado para o lançamento de coletâneas desconexas, aproveitando ou até fazendo o sucesso do que já foi testado como comercial.

A tal trilha internacional então é aberração definitiva. Assistimos, em um contexto brasileiro, a um personagem brasileiro ser brindado com um tema completamente dissociado de seu caráter, a serviço do lançamento de algum novo fonograma que tenha aparecido com algum destaque na parada de sucesso internacional.

A esperança é que a TV a cabo consiga valorizar a segmentação e que a força do mercado convença as Emitivis a aumentar ainda mais a participação da música brasileira nas suas programações e não tenhamos mais de assistir aos DJs falando nomes absolutamente desconhecidos do nosso público, com tal naturalidade e intimidade, como se tivessem acabado de encontrá-los na esquina. Quem sabe ainda teremos alguma EmePeBeTV. E não pensem que eu não gosto da música americana. Mas isso fica para depois.”

Fonte: Prepare seu Coração - A História dos Grandes Festivais - Solano Ribeiro - Geração Editorial.

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Aquele Abraço - Campanha publicitária da Petrobrás em 1969Com a imposição do Ato Institucional n° 5, seus efeitos fizeram-se sentir na sociedade como um todo. As expressões culturais em geral, e a música em particular, já eram vistas como espaços possíveis de resistência e subversão. O IV Festival de MPB da TV Record mal havia terminado, quase coincidindo com a edição do AI5 e, a 27 de dezembro de 1968, Gilberto Gil e Caetano Veloso foram detidos em São Paulo, em princípio para prestar depoimentos. Numa perua Veraneio, veículo de transporte da polícia, os dois compositores terminaram no Rio de Janeiro no Regimento de Pára-quedistas, de onde só cinco meses depois seriam soltos para, a “conselho” das autoridades, deixarem o país. Do exílio, em Londres, só voltariam quase três anos depois. Para justificar a prisão desses artistas, o DOPS buscou outros indícios para reforçar a medida:

Declarações datadas de 27.11.1969 de Antonio Carlos Martins, argentino, traficante de tóxicos — cocaína. Com referência a Caetano Veloso, consta que é ‘seu cliente’ (Documento 50-Z-9-1 1915. Arquivo do DOPS. Arquivo Público do Estado de São Paulo).

Para além da acusação de subversão, somava-se um depoimento talvez forjado — que permitia enquadrar Caetano Veloso corno um drogado. No arquivo do DOPS, Caetano Veloso freqüentemente é citado como “marginado” (sic), “sem qualificação” e, agora, como viciado em drogas. Se olhássemos friamente essas fichas, sem o conhecimento da obra de Caetano, imaginaríamos outra pessoa, incapaz de criar versos que até hoje, há 30 anos, nos vêm facilmente à memória e remetem ao entendimento de uma época. Mesmo presos, Gil e Caetano tinham livre sua obra, que mesmo em outras vozes ousavam desafiar:

Informe n. 42 datado de 17.2.1969 da 4a. Zona Aérea, constando que no programa de televisão “Vida Paixão e Banana do Tropicalismo”, havia alguns pontos discutidos e recusados pelos patrocinadores pelo seu conteúdo agressivo, fora de lugar, num programa que deveria ter sido um musical. Entre os tópicos cortados, consta a parte musical de números como “Tropicália’, de Caetano Veloso, onde inclusive constam no arranjo, algumas notas do hino internacional comunista etc. (Documento 50-D-26-787. Arquivo do DOPS. Arquivo Público do Estado de São Paulo).

A música Sabiá, referia-se ao exílio de intelectuais e políticos de oposição e que logo atingiria os compositores da MPB. Geraldo Vandré, que fora para o Chile, Chico Buarque, para a Itália e Edu Lobo para os EUA, comporiam o time de artistas “convidados” ao retiro. Ainda que o exílio significasse, para quem o impôs, urna forma de afastar alguma voz incômoda, a ausência desses compositores era lamentada por parte do público, como na carta de uma leitora do semanário Pasquim:

Tendo acabado de ler o número 12 desse precioso informativo, tomo da máquina de escrever para rogar-lhes responder-me, com urgência urgentíssima, uma questão de suma e vital importância: Cadê o Chico Buarque? Sem ele, o PASQUIM não é PASQUIM, e sim pasquim. Assim como, sem ele, onde está a música? Só tem dado música por aí. Talvez possam os senhores (podem acrescentar um ‘digno’ antes dos senhores, não vou cobrar) também informar se e quando Chico está por estas bandas (juro que não foi intencional) ou, pelo menos, quando é que vou ficar de novo grudada na vitrola, sentindo todas as poesias que ele se dá ao luxo de musicar. Quando é que vamos ter mais Chico? Chico é poesia e sem poesia a vida é muito chata (Carta enviada pela leitora Adélia Cruz, de São Paulo, capital, para o Pasquim, n. 13, setembro de 1969, p. 16).

Se a presença desses autores incomodava pelo movimento de reflexão que proporcionavam, a ausência deles não cessava esse movimento. Os compositores e intérpretes que aqui ficaram não gozaram de melhor sorte, pois o cerco da censura sobre suas composições crescia e era quase impossível o trabalho autônomo, sem a interferência da censura. Os festivais organizados a partir de 1969, sem a presença daqueles compositores consagrados, sentiram os efeitos daquela “diáspora” e da repressão. A ausência daqueles abre espaço para novos compositores, mas o contexto político-ideológico contribuiu para o aparecimento de canções que destoavam das que, até então, marcaram indelevelmente os festivais. A exceção, talvez um último suspiro da MPB nos festivais, tenha sido a música Sinal Fechado, de Paulinho da Viola, vencedora do V Festival de MPB da Record:

Olá, como vai / Eu vou indo e você tudo bem / Tudo bem eu vou indo / Correndo pegar meu lugar / No futuro e você / Tudo bem eu vou indo / Em busca de um sono tranqüilo / Quem sabe / Quanto tempo, pois é quanto tempo / Me perdoe a pressa / E a alma dos nossos negócios / Pois não tem de que / Eu também só ando a cem / Quando é que você telefona / Precisamos nos ver por aí / Pra semana prometo talvez nos vejamos / Quem sabe / Quanto tempo, pois é quanto tempo / Tanta coisa que eu tinha a dizer / Mas eu sumi na poeira das ruas / Eu também tenho algo a dizer / Mas me foge à lembrança / Por favor telefone eu preciso saber / Alguma coisa rapidamente / Pra semana — o sinal / Eu procuro você — vai abrir / Prometo não esqueço / Por favor não esqueça / Não esqueça Adeus — adeus

VIOLA, P. da. Sinal Fechado (LP). Paulinho da Viola. São Paulo: EMI-Odeon (31C 052422023), s/d.

As outras músicas classificadas no mesmo festival já não traziam qualquer denúncia mais explícita sobre a realidade da época. Vejamos a letra de outra vencedora, Cantiga por Luciana, de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, interpretada pela estreante Evinha, que venceu o IV Festival Internacional da Canção, da TV Globo, em 1969:

Manhã / No peito de um cantor / Cansado de esperar só / Foi tanto tempo que nem sei / Das tardes tão vazias / Onde andei / Luciana, Luciana / Sorriso de menina / Dos olhos de mar / Luciana, Luciana / Abrace essa cantiga / Por onde passar / Nasceu / Na paz de um beija-flor / Um verso em voz de amor / Já desponta os olhos da manhã / Pedaços de uma vida / Que abriu-se em flor / Luciana, Luciana (...)

(*) SOUTO, E. e TAPAJÓS, P. As canções que lembram você (LP). Evinha. São Paulo: EMI-Odeon (60560088), s/d.

Músicas como esta, certamente não se destacariam naquele ano se não fosse o cerco imposto à MPB. Havia música popular brasileira, mas a MPB, sigla que designava uma música propiciadora de reflexão e portadora de uma postura crítica, migraria para espaços menos privilegiados, nos interstícios do sistema, naquilo que Gilberto Vasconcelos designou de “frestas”.

Em Sinal Fechado, o autor já colocava em dúvida o possível reencontro com os compositores que se foram: “Quando é que você telefona / Precisamos nos ver por aí / Pra semana prometo talvez nos vejamos / Quem sabe ...“. O futuro era incerto e, por enquanto, havia obstáculos para se dizer, a afasia imperava na música: “Tanta coisa que eu tinha a dizer (...)“.

Enquanto a MPB se mantinha na intenção, esse espaço outrora repleto de protestos e denúncias, alguns mais explícitos, ou mesmo poéticos, era preenchido por canções afásicas, destituídas da incipiente tradição constituída nos festivais. Uma tradição que fora construída nas composições, em versos bem trabalhados, no palco, onde a disputa se dava a partir da mensagem crítica e, para além de tudo isso, no público, que se posicionava aplaudindo, vaiando e utilizando o espaço dos festivais para interferir na realidade.

Levamos ao conhecimento dessa Chefia que segundo comentário no meio estudantil de São Paulo, Chico Buarque de Holanda, Wilson Simonal e outros artistas vinculados ao setor radiofônico estariam articulando a realização de uma passeata, que aparentemente se relacionaria com o ‘Festival da Música Popular Brasileira’. Essa passeata, no entanto, propiciaria a infiltração de universitários que, ao seu final, apresentariam faixas e cartazes anunciando o encerramento do XXIX Congresso da UNE, burlando, dessa forma, a repressão policial. Segundo consta, ainda, o único que por enquanto manifestou-se contrário à idéia, foi o cantor Roberto Carlos, que colocou-se à margem dos entendimentos que nesse sentido estariam entabulados.

Nota: É de se notar que o referido festival foi inaugurado, há cerca de quinze dias, com uma concentração e posterior passeata, que se iniciou no Largo São Francisco com destino ao Teatro Record-Centro (Teatro Paramount). ‘SEP’, em 7-Ago-1967.( Documento 50-C-22-1647. Arquivo do DOPS. Arquivo Público do Estado de São Paulo).

O festival mencionado foi o III Festival de MPB da TV Record que, além de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sérgio Ricardo, Geraldo Vandré, contou com a presença de Roberto Carlos. Com o endurecimento do regime político e o A.I.5, os festivais foram sendo conquistados, pois, se a cultura é um campo de lutas, os festivais, em todos os seus espaços de atuação, também o eram.

Em 1970, Caetano e Gil ainda em Londres, Chico Buarque retorna ao Brasil, e o compacto com a música Apesar de Você é vetado pela censura. (Enquanto isso, o hino Pra Frente Brasil, de Miguel Gustavo, feito para a seleção brasileira de futebol que buscava a conquista do tri-campeonato mundial no México, alcançava enorme êxito popular).

Amanhã vai ser outro dia / Hoje você é quem manda / Falou, tá falado, não tem discussão, / A minha gente hoje anda falando de lado / E olhando pro chão, viu / Você que inventou esse estado / E inventou de inventar toda a escuridão / Você que inventou o pecado / Esqueceu-se de inventar o perdão / Apesar de você, amanhã há de ser outro dia / E eu pergunto a você onde vai se esconder / Da enorme euforia / Como vai proibir / Quando o galo insistir em cantar / Água nova brotando, e a gente se amando sem parar / Quando chegar o momento / Esse meu sofrimento vou cobrar com juros, juro! / Todo esse amor reprimido, esse grito contido / Esse samba no escuro / Você que inventou a tristeza / Ora, tenha a fineza de desinventar / Você vai pagar e é dobrado / Cada lágrima rolada nesse meu penar / Apesar de você, amanhã há de ser outro dia / Ainda pago pra ver o jardim florescer / Qual você não queria / Você vai se amargar / Vendo o dia raiar / Sem lhe pedir licença / E eu vou morrer de ‘rir / E esse dia há de vir / Antes do que você pensa / Apesar de você, amanhã há de ser outro dia / Você vai ter que ver / A manhã renascer e esbanjar poesia / Como vai explicar / Vendo o céu clarear de repente, impunemente / Como vai abafar / Nosso povo a cantar na sua frente / Apesar de você, amanhã há de ser outro dia /
Você vai se dar mal, etc e tal ... (Apesar de Você)

(HOLANDA, C. B. de. Chico Buarque (LP). Chico Buarque. Rio de Janeiro: Philips (6349398), 1978).

A gravação dessa música seria permitida somente em 1978, momento em que é revogado o A.I.5 e tem andamento o processo de anistia, permitindo o retorno de exilados. Nessa composição, Chico Buarque lança mão outra vez da metáfora do dia que virá. O autor começa com o diagnóstico sobre como é o dia de hoje. O sujeito da letra é indeterminado, mas tem endereço certo: “Hoje você é quem manda / Falou, tá falado, não tem discussão, não (...)“. Enquanto Apesar de Você era proibida, o V Festival Internacional da Canção da TV Globo premiava em primeiro lugar BR-3, de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, na interpretação de Tony Tornado.

A gente corre / E a gente corre na BR-3 / E a gente morre / E a gente morre na BR-3 / Há um foguete / Rasgando o céu, cruzando o espaço / E um Jesus Cristo feito em aço / Crucificado outra vez / Há um sonho / Viagem multicolorida / Às vezes ponto de partida / As vezes ponto de um talvez / Há um crime no longo asfalto dessa estrada / E uma notícia fabricada / Pro novo herói de cada mês / Na BR-3 Por isso eu morro na BR-3 / Por isso eu corro, corro / E tiro do vento na BR-3 / E novo vento na BR-3 / E o mundo se move na BR-3 / I love you baby, baby / Eu morro / Por isso tudo eu corro / Corro na BR-3... (ADOLFO, A. e GASPAR, T. / Sem referência de gravação).

A despolitização dos festivais, devido à repressão expressa na censura às canções e no exílio dos compositores, também contou com a participação da indústria cultural. Se os militares foram responsáveis pelos investimentos que garantiram um suporte tecnológico para o funcionamento de uma indústria cultural, no intuito de promover uma integração nacional — idéia central na ideologia da Segurança Nacional — e unificar politicamente as consciências, os empresários interessavam-se pela integração do mercado consumidor (ORTIZ, R. A Moderna Tradição Brasileira. Op. cit., p. 118).

Como a ideologia da Segurança Nacional é ‘moralista’ e a dos empresários, mercadológica, o ato repressor vai incidir sobre a especificidade do produto. Devemos, é claro, entender moralista no sentido amplo, de costumes, mas também político. Mas se tivermos em conta que a indústria cultural opera segundo um padrão de despolitização dos conteúdos, temos nesse nível, senão uma coincidência de perspectiva, pelo menos uma concordância. (Ibid., p. 119).

A censura é um artifício imanente às ditaduras e, no Brasil, foi o preço a ser pago até pelos empresários, já que o Estado controlado pelos militares era o principal incentivador do desenvolvimento capitalista. A busca de uma identidade nacional pelo Estado pelo viés da indústria cultural é reinterpretada em termos mercadológicos: a “nação integrada” é, antes, a interligação dos consumidores espalhados pelo país. Nesse sentido, o nacional identifica-se ao mercado.

Os festivais de MPB eram locais de resistência para público, compositores e intérpretes e também espaço para início da carreira destes; para os patrocinadores eram vitrinas em que exibiriam seus produtos. As músicas que se destacavam pelo conteúdo de denúncia sócio-política, conectando seus compositores à realidade, na lógica das gravadoras, eram vendidas como produtos no mercado.

Aproveitando-se do sucesso dos festivais, outros produtos eram ligados às músicas, às imagens contidas nas letras, aos instrumentos e aos próprios compositores e intérpretes. Para se ter uma idéia do alcance dos festivais — um dos principais produtos oferecidos pela televisão de então —, em 1959 o número de aparelhos em uso no Brasil era de 434 mil; em 1969 saltou para 4,36 milhões. Levando-se em conta que era comum a reunião de familiares, amigos e vizinhos em tomo de cada aparelho, o público receptor se multiplica.

Os festivais de MPB e suas músicas são apropriados como produtos retrabalhados e re-significados para vender outros produtos. É o caso da Petrobrás que, em 1969, lança uma campanha publicitária cujo mote é Aquele Abraço, aproveitando o título, a letra e as figuras da música de Gilberto Gil, feita às vésperas da partida do compositor para Londres.

Num momento em que o Estado e as multinacionais são os maiores investidores em publicidade, ironicamente o mesmo Estado que prende e depois expulsa do país, utiliza o trabalho de uma persona non grata para promover sua principal empresa. A lógica do mercado esvaziava, assim, qualquer intenção de politização na música.

O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo / O Rio de Janeiro, fevereiro e março / Alô, alô realengo / Aquele abraço / Alô torcida do Flamengo / Aquele abraço / Alô moça da favela / Aquele abraço / Todo mundo da Portela / Aquele abraço / Todo mês de fevereiro / Aquele passo / Alô banda de Ipanema / Aquele abraço / Meu caminho pelo mundo / Eu mesmo traço / A Bahia já me deu / Régua e compasso / Quem gosta de mim sou eu / Aquele abraço / Pra você que me esqueceu / Aquele abraço (...) Todo povo brasileiro / Aquele abraço (GIL, G. Á Arte de Gilberto Gil (LP Álbum). Gilberto Gil. São Paulo: Fontana (6470537), 1975).

Com o A.I.5, a atuação dos compositores fica restrita, pois o exílio e a censura prévia banem a possibilidade de apresentações e a participação em festivais. As agências de publicidade, vinculando refrões e imagens ligadas às composições, conseguem, pela ótica do mercado de consumo, a obediência que a ditadura não conseguiu com prisões e expurgos. Ao retrabalharem a canção numa linguagem, sobretudo visual, as agências descaracterizam-na, contribuindo para a despolitização das pessoas — tornados consurnidores —, anulando qualquer denúncia e colocando-a a seu serviço, estimulando vendas e, no caso das estatais, revertendo maiores lucros ao governo e fortalecendo-o.

(..) A produção de imagens fornece também uma ideologia dominante. A transformação social é substituída por uma transformação das imagens. A liberdade de consumir uma pluralidade de imagens e bens equivale à própria liberdade. A conota ção da liberdade de opção política em liberdade de consumo econômico exige a produção ilimitada e o consumo de imagens (SONTAG, S. “O Mundo-Imagem”. In Ensaios sobre a Fotografia. Rio de Janeiro: Arbor, 1981, p. 171).

Mesmo antes do A.I.5, essa relação entre festivais e patrocinadores já existia. Juca Chaves, tido como compositor talentoso, associou sua imagem a Abbey, o “whisky dos ‘experts’. Wilson Simonal, participante de vários festivais, até 1969 era garoto-propaganda da Esso; a partir daquele ano trocou o tigre da Esso pelo elefante da concorrente Shell (Revista Veja. São Paulo: Abril, ano II, n. 55, 24 de setembro de 1969, p. 58 e 59.)

Essa apropriação da música pela indústria de consumo, porém, não ficou restrita à MPB. As expressões e as figuras características da Jovem Guarda foram associadas a marcas de cigarros e à própria TV Record, responsável pelo programa dominical. Outra forma de associar um produto aos festivais era tê-lo utilizado pelos compositores e intérpretes. É o caso do violão, carregado de significados, pois representava a brasileira MPB em oposição às guitarras elétricas e instrumentos eletrônicos que abundavam no rock e no ié-ié-ié.

Com o sucesso dos festivais, as vendas de violão crescem consideravelmente, num primeiro momento devido à Bossa Nova e, depois, pelas interpretações marcantes de composições de Geraldo Vandré, Chico Buarque, Sérgio Ricardo e, no pré-tropicalismo, de Gilberto Gil e Caetano Veloso. É revelador o depoimento do presidente da empresa Di Giorgio, à época um estudante que engrossava o público dos festivais:

(...) A empresa... tinha uma linha diversificada de instrumentos, da qual a gente pode destacar cavaquinho, bandolins, viola, chegamos a fabricar até violinos, basicamente instrumentos de cordas acústicos. E após o advento da Bossa Nova e a era dos festivais, nós concentramos e passamos a fabricar somente violão ... Nós conseguimos criar uma imagem forte com o violão em função dessa estrada que nós trilhamos, a partir dos anos 60... Construímos este edifício onde você está agora com o resultado dessa grande venda que teve na época... E nós passamos de uma produção, pra você ter uma idéia, de 50 violões/dia que nós fabricávamos pra 150 violões/dia... A somatória do advento dos festivais com a Bossa Nova foi um divisor de águas para a empresa... foi uma coisa muito importante na época.(...) (Depoimento de Reinaldo Di Giorgio Jr, em 31 de julho de 1997, em São Paulo).

No caso do violão, se a MPB e a Bossa Nova contribuíram para acelerar sua popularização e consumo, a indústria reforçou uma tradição musical: um instrumento vendido como produto de consumo, nas mãos do consumidor torna-se veículo de memória, constituindo-se numa outra fresta por onde a MPB poderia penetrar e manter-se em movimento — sendo cantada e participando das experiências do público.

Fonte: MPB em Movimento - música, festivais e censura - Ramon Casas Vilarino - Editora Olho D'Água.

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2º Festival da MPB

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Chico Buarque e Jair Rodrigues - empate e consagração

2º Festival Nacional da MPB - TV Excelsior (junho, 1966): 1º - Porta-estandarte, de Geraldo Vandré e Fernando Lona, com Tuca e Aírto Moreira; 2º - Inaê, de Vera Brasil e Maricene Costa, com Nilson; 3º - Chora Céu, de Adilson Godoy e Luiz Roberto, com Cláudia; 4º - Cidade Vazia, de Baden Powell e Lula Freire, com Milton Nascimento; 5º - Boa Palavra, de Caetano Veloso, com Maria Odete.

2º Festival da MPB - TV Record (setembro-outubro, 1966): 1º - A banda, de Chico Buarque, com Chico Buarque e Nara Leão; Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, com Jair Rodrigues e Quarteto Novo; 2º - De amor ou paz, de Adauto Santos e Luiz Carlos Paraná, com Elza Soares; 3º - Canção para Maria, de Paulinho da Viola e Capinan, com Jair Rodrigues; 4º - Canção de Não Cantar, de Sérgio Bittencourt, com MPB-4; 5° - Ensaio Geral, de Gilberto Gil, com Elis Regina.

"...1966. Era o meu segundo festival. A Record também já havia feito um festival de música, do qual tomei conhecimento quando já estava contratado, que havia sido organizado por Theófilo de Barros, o pai do Théo Barros. Em vista disso, achei que podia chamá-lo de “Segundo Festival da Música Popular Brasileira”, que acabou ficando conhecido como o Festival da Record.

Ocupei uma das salas de um anexo ao Teatro Record, na rua da Consolação, um prédio antigo de quatro andares, ao lado de um cinema que havia sido adaptado como teatro, para apresentar as atrações que o Paulinho Carvalho contratava. Para minha secretária trouxe Marilu Martinelli, um assistente, Renato Corrêa de Castro, o Renatão, e na assessoria de imprensa o jornalista Alberto Helena Júnior.

Vale registrar que nessa época a revista Intervalo, da Editora Abril, com um enfoque moderno, uma estética fotográfica que valorizava e dava status aos artistas principalmente com uma nova filosofia na apresentação de suas matérias, com abordagem objetiva e charmosa dava destaque à programação produzida em São Paulo. Por ser uma revista de grande vendagem - era um “guia de programação” — teve um peso expressivo na ascensão da TV Record, pela valorização da imagem de seu elenco.

A Record, com o sucesso do “Fino da Bossa”, abriu uma linha de programas musicais e contratou, talvez, o maior elenco de cantores, compositores e músicos jamais reunido por uma emissora de televisão. Semanalmente desfilavam por sua programação os maiores nomes da nova e da velha geração de astros da música brasileira, além de um bando de cabeludos comandados por Roberto Carlos que, nas tardes de domingo, faziam a “Jovem Guarda”. Era fácil trabalhar com música na Record. Quem não estava passava por lá para participar de algum programa.

A fim de facilitar a triagem das músicas do festival, dessa vez permitimos que fossem inscritas em fitas, além de continuar exigindo a partitura, em uma tentativa de limitar o seu número. E esse número seria imenso. Ainda na fase de inscrições, uma nuvem negra no horizonte, mais precisamente nas proximidades do aeroporto, onde era a sede da Record. Os estúdios foram completamente destruídos por um incêndio. A atuação de todos os profissionais foi impressionante. Ainda havia fogo no estúdio quando, sob o comando de Paulinho de Carvalho e improvisando condições que contrariavam todos os manuais técnicos, as imagens foram novamente para o ar. Toda a programação ficou concentrada no pequeno Teatro Record da rua da Consolação.

“Foi-se o festival”, pensei. Mas o Paulinho, com uma determinação contagiante, decidiu manter todos os programas no ar e ainda prosseguir com os projetos em andamento. Para que o trabalho do júri prévio, na seleção das músicas que comporiam o festival, transcorresse sem interferências, resolvi escondê-lo. O pai do maestro Júlio Medaglia, o velho Júlio, nos ofereceu os fundos de sua casa, no Alto da Lapa, onde reunimos time de primeira linha: o professor e poeta Décio Pignatari, o jornalista Sérgio Cabral, os maestros Rogério Duprat e Damiano Cozzella, o pianista César Camargo Mariano, o roteirista e diretor da Record Raul Duarte, o psicanalista e escritor Roberto Freire, além do próprio Júlio.

Se alguém passasse por perto iria achar que lá estava reunido um bando de loucos. Sino, buzinas, chocalhos, bonequinhos de borracha com apitos interrompiam as músicas e serviam para descarregar as tensões de uma forma bem-humorada, a cada vez que algum trabalho que merecesse a classificação de bestialógico era ouvido, o que era rotineiro. A intensidade da manifestação era proporcional à estupidez apresentada. Um estranho bonequinho de borracha com um apito estridente, levado pelo César, que o batizou de “Sdruff’, criou o termo sdrufar que identificava o destino das músicas que mereciam o lixo. Sdrufávamos sem levar em conta a importância de quem assinasse o trabalho.

Os nomes não eram conhecidos durante a triagem, mas eram inevitáveis algumas identificações. Quanto mais conhecido o compositor, maior o rigor com a qualidade. Era um trabalho estafante, recompensado de vez em quando, com deliciosos sanduíches, preparados com carinho por dona Miquellina, regados pelos refrescantes sucos do velho Medaglia, que ao final das sessões nos brindava com uma estimulante batida de limão. Porém, quando aparecia uma música bem trabalhada, em que o talento falava mais alto, a alegria era imensa. Enfim, mais um compositor popular.

Assim, nesse ano descobrimos Martinho da Vila. Em uma fita vinda de Salvador, cantando a música de um tal Antônio Carlos Marques Pinto, que mais tarde faria dupla com o Jocafi, uma excelente cantora, Maria Creuza, imediatamente contratada pela TV Record, e tantos outros. Um novo trabalho de Caetano Veloso, que já havia estado entre os classificados na Excelsior com Boa Palavra, levaria dessa vez o prêmio de melhor letra com Um Dia. Gilberto Gil classificou Ensaio Geral, que daria o prêmio de melhor intérprete para Elis Regina. Mas o que marcou de fato o festival de 1966 foi a disputa entre duas músicas de características bastante diferentes: A Banda e Disparada.

Eu havia aconselhado o Vandré a olhar com carinho para a música sertaneja, e creio que devo tê-lo influenciado para que compusesse Disparada. Difícil foi convencê-lo a não cantá-la. O Vandré, embora tivesse uma boa presença no palco, não era muito conhecido e ainda não tinha cancha suficiente para encarar, em um espetáculo sempre cheio de tensões, uma música que exigia grande força interpretativa. Quando sugeri o Jair Rodrigues, que já era um sucesso no “Fino da Bossa”, a reação foi de incredulidade. Afinal, o Jair era sambista, mas nas horas vagas brincava de cantar canções sertanejas, talvez influenciado pelo seu empresário, o Corumbá, que formava com Venâncio uma dupla caipira famosa.

O Vandré foi conferir. Fez alguns ensaios e ficou convencido. Com o Trio Marayá e o Trio Novo, formado por Heraldo do Monte na viola caipira, Théo de Barros ao vilão e Aírto Moreira na percussão, montaram um número muito forte. Uma queixada de burro, habilmente manipulada na primeira eliminatória por Aírto e na final por Manini, deu o toque final. O Chico se apoiou na tímida, porém cheia de joelhos e charme, Nara Leão. Os dois se completavam e a inclusão de uma bandinha de verdade resultou em outro número fortíssimo, apesar da timidez evidente que ambos demonstravam no palco.

As duas foram classificadas para a final. Estava na cara que uma delas seria a vencedora do festival. Os discos não paravam de tocar em todas as rádios, e a disputa entre o Chico e o Vandré virou o assunto do país. Primeiras páginas de todos os jornais. A brincadeira era: Você é dos “bandidos” ou dos “disparatados”?

Era incrível que um evento que acontecia em um pequeno auditório, com pouco mais de quinhentos lugares, tivesse adquirido aquela dimensão. Na noite da finalíssima, os teatros da cidade de São Paulo suspenderam seus espetáculos por falta de público, os cinemas ficaram às moscas e as ruas, vazias. Cheguei a receber uma comissão de produtores teatrais pedindo que mudasse o dia das apresentações do festival.

A apresentação das músicas foi inesquecível. A platéia dividiu-se. De um lado, a turma universitária que torcia apaixonadamente pelo seu representante, com o ingênuo e poético desfile dos personagens de uma cidade que parava para ver a banda passar tocando coisas de amor. Uma marchinha singela e de poucos atrativos musicais. Do outro, os que respondiam ao apelo engajado do cavaleiro de laço firme e braço forte de um reino que não tinha rei. Foi uma apresentação emocionante e consagradora, tanto para o Chico e sua companheira Nara, como para o Vandré, via Jair Rodrigues.

O júri estava reunido e os boatos, rolando. Ganhou o Chico! Não, ganhou o Vandré! Era de fato uma decisão difícil. Em uma reunião prévia dos jurados naquela tarde, para criar critérios na tentativa de evitar que a disputa entre as duas terminasse beneficiando uma terceira, o que seria desastroso, a tendência parecia dar a vitória ao Chico. Ficou acertado que a decisão definitiva só aconteceria depois da apresentação das músicas, para que fosse levada em consideração a reação do público.

O Paulinho de Carvalho temia que destruíssem o teatro caso o resultado não fosse do agrado daquela gente que, emocionada, cantava as duas favoritas. Era impossível saber qual era a preferida. Outro papo rolou pelos bastidores: o Chico não aceitaria a vitória. Eram boatos desencontrados e o júri, embalado por um dos mais emocionantes espetáculos musicais até então apresentados pela televisão brasileira, recorde de audiência para programas musicais, votou pelo empate, recebido pela platéia do Teatro Record com aplausos delirantes. E com evidente alívio pelo Paulinho de Carvalho...".

Fonte: Prepare seu Coração (A História dos Grandes Festivais) – Solano Ribeiro – Geração Editorial, 2002

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