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Os múltiplos talentos de Mano Heitor

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Paulo da Portela fez o samba Coleção de Passarinhos (“Quiseram me comprar, eu não vendi / Uma linda coleção de passarinhos / Bernardo é o gaturano / Aurélio é o rouxinol / Lino é o canário / Mano Rubens, o curió”...), homenageando seus companheiros, sambistas do primeiro time da época, e identificou como canário um certo Lino do Estácio, chamado também Mano Heitor e que perpetuaria na história da cultura popular brasileira como Heitor dos Prazeres (na foto acima dançando animadamente, usa camisa com estampa apropriada: personagens de suas pinturas).

De talento diverso tal quais os nomes que lhe atribuíram, Heitor cedo circulou sua genialidade por vários escalões em todos se destacando, superdotado que era. Nasceu predestinado a influenciar a cultura popular do país. Ao contrário dos meninos de sua geração, que optavam pelos instrumentos de percussão, escolheu o cavaquinho e tornou-se instrumentista respeitado, desenvolvendo o líder que seria.

Pelas mãos de Tia Ciata — sempre ela, a matriarca do samba — teve acesso aos festejos de santo e de samba, aulas com os melhores mestres possíveis. Crescido em tamanho e em saber, percebeu que seu destino estava traçado. Como Lino do Estácio, aprendeu e ensinou samba nas rodas do bairro.

Compositor, desde sempre foi cobiçado pelos cantores da época, distribuindo-se entre seus pares do Estácio, e os sambistas de Madureira, da Mangueira. Na fundação da Deixa Falar, a primeira escola de samba, cita-se obrigatoriamente a presença de Mano Heitor entre os pioneiros. O mesmo acontece quando Cartola inventou a Estação Primeira de Mangueira. E quando Paulo da Portela criou a sua escola azul e branca. Ou ainda, quando o próprio Heitor fundou a De Mim Ninguém Se Lembra.

A radiofonia teve seu quinhão, depois que Heitor trocou as escolas de samba pelos microfones e auditórios. Passou a interpretar composições que antes entregava aos cantores, e criou um grupo vocal, ao qual deu o nome de Heitor e Sua Gente.

Apontou então seu talento para as artes plásticas e se transformou em um dos mais expressivos pintores primitivistas brasileiros. Era mais uma das facetas da cultura popular que a influência de Mano Lino do Estácio atingia. Instrumentista, compositora cantor líder comunitário, pintor premiado, Heitor dos Prazeres transbordou sua importância na história do samba.
Fonte: História do Samba - Editora Globo.

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César Camargo Mariano

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César Camargo Mariano (Antônio César Camargo Mariano), arranjador / instrumentista, nasceu em São Paulo SP em 19/9/1943. Autodidata, começou a tocar piano aos 13 anos e aos 17 iniciou carreira na orquestra de William Fourneau. A partir dessa época, passou a estudar, por conta própria, instrumentação, orquestração e arranjos.
Em 1961 tocou no conjunto Três Américas. Por essa época participou da gravação de um LP de Alaíde Costa, na RGE, como pianista e arranjador do grupo, que se transformaria, anos depois, no Som-3.
Integrou o conjunto São Paulo Dixieland Band, em 1962, e, no mesmo ano, formou em São Paulo o Sambalanço Trio, do qual era pianista e líder, ao lado do contrabaixista Humberto Claiber e do baterista Airto Moreira. O grupo gravou três LPs e acompanhou o cantor-bailarino Lennie Dale em sua temporada no Teatro de Arena, em São Paulo, e depois na boate Zum-Zum, no Rio de Janeiro RJ, em 1963.
Liderou o trio Som-3 (1965- 1971), que reunia o baterista Toninho Pinheiro e o contrabaixista Sabá, com o qual gravou diversos LPs. Ainda em 1965, foi arranjador e pianista dos LPs de Lennie Dale e Elisete Cardoso e do LP de seu octeto. Nesse mesmo ano aceitou o convite de Wilson Simonal para fazer os arranjos de seu repertório, tarefa para a qual teve inicialmente orientação de Eumir Deodato.
A partir de 1965 e até 1971, foi o responsável pelos arranjos de todos os discos de Wilson Simonal, cantor que acompanhou em excursões ao México, Argentina, Peru, Venezuela, Itália, França, Portugal e Inglaterra.
Participou do júri de todos os festivais da TV Record, de São Paulo, a partir de 1966, ano em que também se apresentou, com o Som-3, no Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal. Como pianista, em 1967 esteve presente nas gravações dos LPs de os Três Morais, Os Farroupilhas e O Quarteto.
Em 1971 passou a ser arranjador e pianista da Philips, participando de todos os discos de Elis Regina gravados a partir dessa data, também como teciadista. Nessa época, realizou com Elis Regina tournées pela América Latina, EUA e Europa. Foi ainda pianista e arranjador de discos de Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Claudete Soares, Erasmo Carlos, Wanderléia, Beth Carvalho, Jorge Ben Jor, Elisete Cardoso e Cristina.
Apresentou em 1977 o show São Paulo/Brasil/Crônica, que a RCA lançou como LP no mesmo ano. Na década de 1980 foram lançados os LPs César Camargo Mariano e Cia (1980) e Samambaia (1981, com destaque para sua composição Maria Rita), ambos pela Odeon; e A todas as amizades (1983, Som Livre), com repertório que incluiu as composições Blue Moon (Rodgers e Hart), Novo tempo (Ivan Lins e Vítor Martins) e Avenida Paulista (com Regina Werneck) e a participação de cantores como Milton Nascimento, Nana Caymmi, Fafá de Belém e Quarteto em Cy, entre outros.
Compôs músicas e fez arranjos para os filmes Eu te amo, de Arnaldo Jabor (1980) e Além da paixão, de Bruno Barreto (1984). Em 1994 mudou-se para New Jersey, EUA, e aí tem se apresentado em casas noturnas e trabalhado como produtor e arranjador. No Brasil em 1997, apresentou-se no Palace, em São Paulo, no festival Heineken Concerts.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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Teatro de Revista - Parte 2

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Parte Final: O Luxo e a Decadência

"Depois de largo período de entrosamento com o samba, o Teatro de Revista se volta para o luxo e abandona a faceta de lançador de sucessos, até que a censura e a televisão o levam à decadência."

Manuel Pinto foi um dos empresários mais bem sucedidos do teatro de revista, no início do século. Coube a Walter Pinto herdar o gosto do pai pelo negócio, fazê-lo crescer e tornar-se um dos mais ricos produtores do setor. Para isso, contribuíram alguns fatores que acabaram por influir na própria cultura popular carioca e, mais remotamente, brasileira.

A fim de ganhar mais dinheiro que o pai, Walter Pinto ousou mais. Investiu, procurou caminhos diferentes, modificou esquemas e teve êxito. Quem se deu mal nesse contexto foi o samba, a médio prazo.

Ao assumir, o novo empresário decidiu que ninguém teria mais destaque que ele em seus espetáculos. Assim, durante anos, uma enorme fotografia sua aparecia no cartaz do teatro e nos anúncios dos jornais, garantindo: Walter Pinto apresenta. E seguiam-se os nomes (sem fotografia de ninguém) dos mais famosos artistas do teatro de revista, em ordem de importância, as vedetes, os comediantes, as modelos, as atrações. Com isso, criou sua marca registrada.

As pessoas não iam ao teatro ver esse ou aquele artista; iam ver um espetáculo de Walter Pinto, o que era sinônimo de qualidade. Ao menos da qualidade que seu gosto passou a impor, modificando inteiramente o conceito de se fazer revista, vigente até os anos 40. Da mesma forma que a Ba-Ta-Clan e outras companhias de revista européias mudaram o formato revisteiro no princípio do século, Walter Pinto voltaria a fazê-lo, nesse momento de transformação.

A diferença foi que, na primeira reviravolta, o samba ganhou espaço para se apresentar. O talento das estrelas estava centrado nas vozes e interpretações, embora a beleza das pernas e demais atributos físicos fossem também da maior importância. Mas, quem não cantasse bem, não se escorasse em um bom samba inédito a cada estréia, teria carreira curta e dificilmente chegaria ao estrelato.

Luxuosa montagem de Walter Pinto, anos 40
Uma das primeiras luxuosas montagens de Walter Pinto, no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, nos anos 40.

Com o advento da era Pinto, tudo mudou, O eixo do talento foi transferido, o essencial era a beleza física e, principalmente, o desembaraço no trato com o público. Para ser vedete, era fundamental o jogo de cintura, que permitia enfrentar o chamado “número de platéia”. Nele, a atriz, em trajes mínimos, depois da breve introdução de um assunto malicioso, dialogava com a platéia e tinha que ter a necessária rapidez de raciocínio para responder, quase sempre com duplo sentido, a quaisquer perguntas, sem se deixar embaraçar, expondo o espectador ao riso dos demais. Se cantasse um pouquinho, já estava bom. Samba, nem pensar!

Em termos cenográficos, as inspirações eram importadas dos grandes shows da Broadway e dos cassinos de Las Vegas, nos Estados Unidos. O Follies Bergère e o Lido, parisienses, também eram fontes de informações para espetáculos estruturados em monumental aparato, procurando imitar os musicais que Hollywood produzia e distribuía para o mundo.

Com o êxito financeiro, Walter Pinto viajava com freqüência para o exterior, onde, além de comprar luxuosas fantasias para seu guarda-roupa cênico, contratava coristas e vedetes de rara beleza e tipos físicos bastante diferentes das brasileiras, criando forte aura de curiosidade e desejo ao redor delas.

Francesas, inglesas, americanas e, mais modestamente, argentinas eram vistas em geral nas leiterias da praça Tiradentes, antes e depois dos espetáculos, como se estivessem com tranqüilidade em Picadilly Circus, na Broadway, em Pigalle, ou na Avenida Corrientes. Duas brasileiras, porém, conseguiram atravessar a cortina de seda das estrangeiras e marcar seus nomes como as mais importantes vedetes dos meados do século.

Em 1944, Walter Pinto estreou no Teatro Recreio, a revista Momo Na Fila, de Geysa Bôscoli e Luiz Peixoto. A estrela era Dercy Gonçalves, mas, lá atrás, nas últimas fileiras das coristas, alinhava-se uma paraense loira e linda, recém-chegada ao Rio de Janeiro, desquitada e com filhos, cujo primeiro emprego foi-lhe dado pelo empresário Pinto. Na carteira de trabalho, o nome Osmarina Colares Cintra. Em muito pouco tempo, transformou-se em Mara Rúbia (foto logo acima neste artigo), nome que passou a ser escrito em destaque, com luzes, na marquise do mais famoso teatro de revista do Brasil. Mara Rúbia, durante anos, foi apontada pela metade do país como a maior vedete brasileira.

A outra metade tinha favorita diferente. Uma que contava com as preferências de ninguém menos que Getúlio Vargas, presidente da República, que assistia a todas as revistas do Recreio e tinha pendor especial por Virgínia Lane (foto ao lado), a quem deu o apelido que ela adotou para sempre: a Vedete do Brasil. Procedente dos cassinos, tarimbadíssima no “número de platéia”, a pequenina Virgínia tinha tal presença em cena que parecia crescer a quase um metro e oitenta e ombrear-se com as espigadas coristas que Walter Pinto importava do outro lado do mundo, mas que acabavam por servir apenas de moldura à baixinha, dentucinha, mas talentosíssima estrela do Recreio, de mais ou menos 20 anos.

Já não havia definitivamente espaço para o samba, no teatro de revista. Quando um ou outro aparecia, era simples repetição de sucesso já ditado pelo rádio ou alguma paródia política que usava a música de um deles em voga, para criticar alguma coisa ou alguém. Nunca mais um samba inédito foi lançado em um palco do teatro de revista, que agora se refestelava na grandeza e no luxo das bem-cuidadas cenografias, dos guarda-roupas deslumbrantes e na sensualidade de mulheres belíssimas, das quais a arte de cantar era o que menos se exigia.

Enquanto a concorrência à revista se limitou aos shows das luxuosas boates cariocas, da ainda capital da República, confinando-se aos pequenos palcos do Golden Room do Copacabana Palace Hotel, das boates Casablanca, Night and Day, Montecarlo, Fred’s e congêneres, Walter Pinto reinou absoluto na praça Tiradentes, de onde saía para incursões por São Paulo, Belo Horizonte ou Porto Alegre, deixando espaço, por pouco tempo, para companhias menores.

Mas, quando a censura política amordaçou os comediantes do teatro de revista, abrindo as portas para a pornografia explícita, e a televisão roubou-lhe os elencos, pagando melhor, ele, praticamente, encerrou as atividades e com elas um período marcante, que, a partir daí, foi só decadência.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

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Ademar Casé

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Ademar Casé (1902-1993), radialista brasileiro, pai do diretor de teatro e TV Geraldo Casé e avô da atriz Regina Casé. Criador da primeira grande atração do rádio no Brasil, o Programa Casé, começou sua carreira vendendo aparelhos radiofônicos de porta em porta.

Sua técnica de vendas era inusitada: deixava o rádio na casa do freguês em potencial e quando voltava, dias depois, a venda estava garantida. Por seu grande sucesso como vendedor, teve acesso à direção do fabricante dos aparelhos, a Philips, com a qual conseguiu o aluguel de duas horas semanais em sua emissora.

Em 1932, colocou no ar o Programa Casé, que lançaria nomes como Almirante, Nássara, Sadi Cabral e Haroldo Barbosa, entre outros.

Neste programa, famosíssimo nos anos 1930 e 1940, Nássara criou o primeiro jingle brasileiro, Noel Rosa foi contra-regra e Carlos Lacerda, locutor.

Mais vendedor do que artista, Casé foi um pioneiro do rádio, combinando tino comercial e bom humor.

Fonte: Rádio Comunitária Areia FM - Nomes que fizeram a história do Rádio.

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Neco

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Neco (Manuel Antenor de Souza), compositor e cantor, nasceu em Petrópolis (RJ), em 25/05/1893 e faleceu em 24/05/1968. Aprendeu a tocar violão com irmão, Paulino, na época em que trabalhava como tecelão na fábrica Santa Helena, em Petrópolis. Aos 17 anos foi para o Rio de Janeiro e, um ano depois, já compunha e cantava suas modinhas.

Em 1912 compôs sua primeira música, Amor ingrato, que ele mesmo gravaria em disco da Casa Faulhaber, um dos maiores sucessos de sua carreira. Compôs nas duas primeiras décadas do século as modinhas Meu anjo, escuta, Sou teu escravo, Por que desprezas?, Simples desejos, Por teu sorriso, e o lundu A mulata carioca.

Retornando à Petrópolis em 1913, voltou a trabalhar como tecelão, depois como chofer de táxi e funcionário dos Correios e Telégrafos. Sem deixar a música de lado, tocava em conjuntos de jazz nos clubes locais e continuou a compor.

Na década de 1950, sua música Amor ingrato foi regravada por Silvinho, com êxito. Em 1950, já aposentado dos Correios e Telégrafos, compôs, com Fernando Martins o samba Nunca mais digo adeus, obtendo grande destaque.

Entre seus maiores sucessos estão a valsa Meu maior pecado (com Mário Rossi), 1949; Uma saudade a mais, valsa (1951); Alice, baião (1955); o bolero O pranto dos meus olhos (com D. Carvalho) e As águas correm para os rios, gravado por Marco Antônio.

Em 1964 encerrou sua carreira de compositor com o samba de carnaval Foi ela (com Darci de Souza), e a marcha Oito garrinhas (com Darci de Souza e Marcílio Lopes).

Obras:

Amor ingrato, modinha, 1912; Foi ela (c/Darci de Sousa), samba, 1964; Meu anjo, escuta, modinha, s.d.; Meu maior pecado (c/Mário Rossi), valsa, 1949; A mulata carioca, lundu, s.d.; Nunca mais digo adeus (c/Fernando Martins), samba, 1950; Uma saudade a mais, valsa, 1951.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

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Manduca do Catumbi

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Manduca do Catumbi, violonista, nascido (circa 1842) e falecido (circa 1920), provavelmente na cidade do Rio de Janeiro-RJ. Era padrinho de batismo do compositor e violonista Heitor Catumbi. Morava no Catumbi, bairro carioca do qual herdou o apelido.

Trabalhou em uma litografia na Rua da Assembléia. Faleceu em uma festa de núpcias, enquanto executava uma valsa. Acompanhador e solista muito famoso entre os chorões da velha guarda. Gostava de cantar lundus ao violão.

Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, em seu livro O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), tocava com a cabeça caída sobre o instrumento e usava anéis de latão cravejados de pedras falsas:

"Manduca de Catumby era um chorão celebre de gloriosa tradição, typo idoso, de cor parda, de alta estatura e usava a cabelleira partida ao meio e a tradicional sobre-casaca, trabalhava numa litographia na rua da Assembléa, trazia nos dedos uns aneis de latão com pedras de vidro, e quando dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a attenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focalizadas pelo reflexo da luz do lampeão."

"... era um chorão solista e bom acompanhador que pouco se utilizava dos bordões, porém, fazia proezas nas cordas de tripas, sendo por esta razão respeitado e admirado por outros chorões, em bora não tendo elegancia, pois tocava com a cabeça cahida sobre o instrumento, sabia tirar partido nos chôros que executava, ainda possuía uma outra especialidade: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos que lhe eram solicitados, era calmo, concentrado, modesto, e de expressões delicadas e muito considerado pelo modo, porque se sabia conduzir entre outros chorões, de seu tempo, eis porque digo que Manduca de Catumby, fez a sua época no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje se acham. Aqui, nestas linhas, fica descripto o perfil pouco mais ou menos de um chorão da velha guarda."

Fontes: O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), 1936- Alexandre Gonçalves Pinto; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

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Jota Efegê

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Jota Efegê (João Ferreira Gomes), jornalista, pesquisador, cronista, musicólogo e escritor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 27/1/1902, e faleceu na mesma cidade em 25/5/1987.
Entre 1919 e 1920, escreveu para o Jornal das Moças. Por essa mesma época, colaborou com o jornal Idéia Nacional que, entre seus redatores, contava com Carlos Maul. Em 1928, ingressou no jornal carioca Diário da Noite, passando a auxiliar Eustórgio Wanderley, fazendo crônicas carnavalescas.
A partir de 1930, trabalhou no Diário Carioca, aí permanecendo até 1960, quando se aposentou. Paralelamente, colaborou nas revistas Carioca, Noite Ilustrada e no terceiro caderno de O Jornal. Em 1931 publicou O Cabrocha, livro de crônicas e reportagens sobre as gafieiras cariocas.
Depois de alguns anos de aposentadoria, voltou a atuar na imprensa carioca, como colaborador do Jornal do Brasil (1964-1967) e depois em O Globo.
A partir da década de 1960, tornou-se historiador de nossa música popular, publicando os livros Ameno Resedá, o rancho que foi escola, Rio de Janeiro, 1965; Maxixe — a dança excomungada, Rio de Janeiro, 1974; Figuras e coisas da música popular brasileira — vol. 1, Rio de Janeiro, 1978, e vol. 2, Rio de Janeiro, 1980; Figuras e coisas do Carnaval carioca, Rio de Janeiro, 1982; e Meninos, eu vi, Rio de Janeiro, 1985, sendo os quatro últimos coletâneas de trabalhos publicados em jornais.
Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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Felisberto Marques

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Felisberto Marques (circa 1860 – circa 1920, Rio de Janeiro, RJ) era flautista, compositor e professor. Contemporâneo e amigo do maestro Anacleto de Medeiros, muito pouco se sabe a seu respeito. Participou da serenata que Eduardo das Neves, o palhaço Dudu, realizou em homenagem a Santos Dumont, em 1903.

Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, "era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava as suas admiráveis composições, pois Felisberto, além de um bom executor, era um exímio professor de flauta".

Ainda em "O choro", Alexandre conta que "Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto, pela sua inteligência musical e seu fino trato":

“Vou aqui descrever outro chorão da velha e nova guarda, já fallecido, Felisberto Marques, mais conhecido por Maçarico. Era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava suas admiráveis composições, pois Felisberto além de um bom executor, era um exímio professor de flauta. Ultimamente, já nos fins de sua gloriosa vida foi accommmettido de um súbito mal que com espanto de todos os seus admiradores, perdeu a embocadura, e nada mais pôde tocar. Eis as suas composições: "Suspiros d'Alma", "Tutú", "Os Deuses de Maricota" e muitas outras que não tenho no meu archivo musical. Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto, pela sua inteligência musical e seu fino trato” (Alexandre Gonçalves Pinto).

Obras: Manoelita; Odalisca; Os deuses de Maricota; Paquetaense; Suspiros d'alma; Tutu.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora; O Choro – Reminiscências dos chorões antigos, 1936 – Alexandre Gonçalves Pinto.

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Abigail Maia

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Abigail Maia, atriz, cantora e bailarina, nasceu em Porto Alegre, RS,em 17/10/1887 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 20/12/1981. Estreou no teatro aos 15 anos de idade, na peça Fada
Coral
.

Trabalhou em inúmeras companhias de comédias e revistas antes de criar sua própria empresa, em parceria com Oduvaldo Vianna.

Em 1921, agregando-se à companhia Viriato Correa e Nicola Viggiani, deu-se a temporada conhecida historicamente como "Movimento Trianon".

Com seu trabalho ligado a um dos mais conceituados comediógrafos do período, valorizou a dramaturgia brasileira e ensejou algumas experimentações renovadoras. Nos anos 40 ingressou no elenco de rádio-atores da Radio Nacional.

Fontes:

Abigail Maia - Atriz - Adoro Cinema Brasileiro; Revista Eletrônica Teatral antaprofana.

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Luís Moreira

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Luís Moreira, revistógrafo, compositor e regente, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 13/5/1872 e faleceu em 31/5/1920. Fez os primeiros estudos no Instituto de Menores Desvalidos, do Rio de Janeiro, ingressando na banda do colégio e logo tornando-se seu regente. Deixou a escola para reger os coros da Companhia Infantil, onde iniciou carreira teatral.

Escreveu sua primeira partitura aos 15 anos, a opereta Amores de Psiquê, encenada pela Companhia Ismênia dos Santos. A seguir, compôs as operetas Mimi-bilontra e O Rio nu, e em 1898 musicou, com Paulino Sacramento, libreto de Artur Azevedo baseado em episódios da rebelião dos Canudos e publicado pela Imprensa Americana. Essa revista, que estreou com o nome de O jagunço, no Teatro Recreio, alcançou grande sucesso na época.

Ainda com Paulino Sacramento e Costa Júnior, compôs a música da revista O maxixe (libreto de Bastos Tigre), e com Nicolino Milano e Assis Pacheco, A capital federal, ambas de grande destaque.

Em 1905 regeu a protofonia de II Guarany (Carlos Gomes), sendo homenageado pelo público do Palace Teatro com uma corrente de ouro. Em 1906 musicou a revista Vem cá mulata, de José do Patrocínio Filho, Chicot e Thoreau, estreada em setembro no Palace Teatro.

Casado com a cantora Abigail Maia, fez com ela e João Foca várias tournées pelo país, encenando suas revistas. A 14 de fevereiro de 1916 estreou no Trianon a revista Carnaval no Trianon, de Fábio Aarão Reis, musicada em parceria com Raul Martins.

Algumas de suas composições foram impressas com relativo sucesso, como Olhos verdes, Súplica e Desiludida. Escreveu ainda arranjos para temas populares, entre os quais Inderê, Chico Manuel, Nicolau, Nhô Juca e Meu boi morreu.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

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Bezerra da Silva

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Bezerra da Silva

Bezerra da Silva (José Bezerra da Silva), cantor e compositor, nasceu em Recife, Pernambuco, em 09/03/1927 e faleceu no Rio de Janeiro em 17/01/2005. Desde os nove anos já tocava zabumba e cantava coco em sua cidade natal.

De origem humilde, aos 15 anos veio para o Rio de Janeiro como clandestino num navio e trabalhou na construção civil como pintor durante vários anos. Tocando tamborim no Bloco Unidos do Cantagalo, conheceu Alcides Fernandes, o Doca, um dos autores da música General da banda, que o convidou a participar de programa na Rádio Clube do Brasil, em 1950.

Começou então carreira como músico profissional, que se estendeu por 35 anos, acompanhando os mais famosos artistas brasileiros e integrando a Orquestra da Copacabana Discos em São Paulo, na década de 1960, e a Orquestra da TV Globo, de 1977 a 1985.

Sua primeira música gravada foi Nunca mais (com Norival Reis), por Marlene, na Continental, em 1965. Gravou o primeiro disco, um compacto simples, na Copacabana, em 1969, com as músicas Mana, cadê meu boi e Viola testemunha.

Em 1975, pela Tapecar, gravou seu primeiro LP, Bezerra da Silva — o rei do coco vol. 1, fazendo sucesso com a música Rei do coco; no segundo volume destacou-se com a faixa Cara de boi.

Em 1977 gravou seu primeiro LP de samba, pela CID, Partido-alto nota dez, vol. 1, seguido pelo segundo volume em 1978, que lhe rendeu o sucesso nacional Pega eu que eu sou ladrão (Crioulo Doido).

Em 1979 foi contratado pela RCA Victor, na qual permaneceu por 14 anos, lançando 14 discos, sendo seu primeiro CD Presidente caô, caô, em 1992. Transferiu-se para a RGE em 1995, lançando o CD Bezerra da Silva contra o verdadeiro canalha.

Em 1997 mudou-se para a gravadora Rhythm and Blues, produzindo mais um disco de sua carreira: Bezerra da Silva comprovando sua versatilidade.

Seus principais sucessos são Bicho feroz (Tonho e Cláudio Inspiração); Malandragem, dá um tempo (Adelsonilton, Popular P e Moacir Bombeiro), gravada com sucesso em 1996 pelo Barão Vermelho; Overdose de cocada (Dinho e Ivan Mendonça); além de Pega eu que eu sou ladrão e Rei do coco.

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Marília Medalha

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Marília Medalha

Marília Medalha, cantora e compositora, nasceu em Niterói RJ em 25/7/1944. Aos cinco anos cantava para os amigos da família e, adolescente, freqüentava reuniões musicais em Niterói, das quais participavam Sérgio Mendes e Tião Neto, que a acompanhavam em algumas apresentações públicas na cidade. Nesse período, realizou espetáculos no Clube de Regatas de Icaraí e no Clube Central.

Em 1965, Sérgio Mendes, já radicado nos EUA e famoso, convidou-a para integrar seu conjunto; recusou, preferindo participar, a convite de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, da peça Arena conta Zumbi, no Teatro de Arena, de São Paulo, recebendo, por sua atuação, o prêmio de Atriz-revelação de 1965, conferido pela Associação Paulista de Críticos Teatrais.

Dois anos depois, apresentou-se com Edu Lobo num show da boate carioca Zum-Zum e começou a tomar parte no programa da TV Excelsior, de São Paulo, Ensaio Geral, ao lado de Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Sérgio Ricardo.

Interpretou no III FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1967, a música Ponteio (Edu Lobo e Capinam), vencedora do concurso. No festival seguinte da mesma emissora, cantou a música (que se classificou em segundo lugar) Memórias de Marta Saré (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri). Ainda em 1968, defendeu na I Bienal do Samba, também na TV Record, a composição colocada em terceiro lugar, de autoria de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, Pressentimento, gravada no seu primeiro LP — Marília Medalha — lançado pela Philips nesse mesmo ano.

Em 1970 apresentou-se ao lado de Toquinho e Vinícius de Moraes, no Teatro Castro Alves, em Salvador, e também em Buenos Aires, Argentina, na boate La Fusa. No LP Como dizia o poeta, gravado em 1971, junto com Vinícius de Moraes e Toquinho, interpretou duas composições suas, feitas em parceria com Vinícius, Valsa para o ausente e O grande apelo.

Até 1972, excursionou pelo exterior (Argentina, Uruguai, França), com Vinícius de Moraes e Toquinho. Lançou, em 1973, um LP com composições suas e letras de Vinícius, como Encontro e desencontro, e se apresentou no show Caminhada, no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro, com direção geral de Silnei Siqueira e direção musical de Paulo Moura.

Participou, dois anos depois, da remontagem do show Opinião (Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa), ao lado de Zé Kéti e João do Vale, sob a direção de Bibi Ferreira, no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro.

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Ovídio Chaves

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Ovídio Chaves (Ovídio Moojen Chaves), compositor, escritor e instrumentista, nasceu em Lagoa Vermelha RS em 29/7/1910 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 2/8/1978. O pai, comerciante, tocava bandônio e o incentivou no gosto pela música, que começou a estudar aos sete anos.
Em 1932 foi aluno de José Lucchesi no Conservatório de Música de Porto Alegre RS, mas desde 1925 já trabalhava como violinista de orquestra, acompanhando projeções de cinema mudo em Lagoa Vermelha.
Na capital gaúcha foi redator do jornal Correio do Povo. Além do violino, tocava violão; em 1939 estreou como compositor com Fiz a cama na varanda (com Dilu Melo), gravada pela parceira em 1941, na Continental. A música transformou-se no grande sucesso de sua carreira, sendo mais tarde gravada, entre outros, por Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Nara Leão, Cantores de Ébano, a Orquestra de Radamés Gnattali, conjuntos de rock e, ainda, na França, em versão.
Em 1942 compôs Alecrim da beira d’água, seguida em 1943 por Menino dos olhos tristes. Dois anos depois compôs o xote Rede de Maria. Em parceria novamente com Dilu Melo, lançou em 1951 a polca Meia-canha. Entre suas músicas posteriores mais importantes, destaca-se a Toada do jangadeiro (com Enoque Figueiredo), de 1962. Em 1967 recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, no gênero poesia.
Tem cerca de vinte composições gravadas. Publicou os livros de poesias O cancioneiro, Porto Alegre, 1933; O anel de vidro, Porto Alegre, 1934; Uma janela aberta (foto acima), Porto Alegre, 1938; ABC de Paquetá, Rio de Janeiro, 1965; e o romance Capricornius, Porto Alegre, 1945.
Obras: Alecrim da beira d’água, 1942; Fiz a cama na varanda (c/Dilu Melo), 1939; Meia-canha (c/Dilu Melo), polca, 1951.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

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Francisco Egídio

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Francisco Egídio (Francisco Egídio dos Santos), cantor e compositor, nasceu em São Paulo SP em 17/1/1927 e faleceu em 17/10/2007 na mesma cidade. Dos 14 aos 24 anos participou de programas de calouros em várias emissoras de rádio, entre os quais o Peneira Rodhine, da Rádio Cultura, de São Paulo, onde cantava sucessos da época, principalmente de Nelson Gonçalves, Francisco Alves e Orlando Silva.

De 1946 a 1950 serviu na polícia militar da Aeronáutica, de onde saiu como cabo. Em 1951 participou do concurso O Cantor dos Bairros, da Rádio Excelsior, de São Paulo, obtendo o primeiro lugar e contrato de experiência por três meses na própria emissora. Nessa época, a Rádio Excelsior passou para as Organizações Vítor Costa e assim ele foi incluído no seu quadro artístico.

Gravou pela primeira vez como cantor em 1953, na Copacabana, com as músicas Rascunho brasileiro (Polera) e uma versão do tango Sin palabras. Fez grande sucesso com a interpretação de Creio em ti, versão que lhe deu o troféu Roquete Pinto em 1960, ano em que deixou a Organização Vítor Costa.

Em 1966 viajou por Portugal e África, fazendo várias apresentações durante dois anos. De volta ao Brasil, excursionou pela Argentina, Uruguai e Paraguai. Em 1970 gravou sua própria composição Bamboleando, na Odeon. Também participou de filmes, como ator, entre os quais A marcha, de Osvaldo Sampaio, em 1972.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha

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Cassiano

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Cassiano (Genival Cassiano dos Santos), cantor, compositor e guitarrista, nasceu em Campina Grande PB em 16/9/1943. Aos seis anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde aprendeu as primeiras noções de violão e bandolim com o pai.
Iniciou a carreira em 1964, tocando violão no Bossa Trio, que daria origem ao grupo vocal Os Diagonais, com o qual gravou alguns compactos e o LP Cada um na sua (1971, RCA). Influenciado tanto pela soul-music norte-americana de Otis Redding e Stevie Wonder como pelo samba-canção de Lupicínio Rodrigues, foi um dos precursores do gênero soul no Brasil (?).
Tornou-se conhecido em 1970, quando Tim Maia gravou suas composições Primavera (Vai chuva) e Eu amo você (ambas com Sílvio Rochael) em seu primeiro LP, que teve participação de Cassiano na guitarra.
Seus maiores sucessos como autor e intérprete incluem duas parcerias com Paulo Zdanowski: A lua e eu (1976), tema da novela O grito, e Coleção (1977), incluída na novela Locomotivas, ambas da TV Globo. Seus discos como intérprete em carreira solo são Cassiano, imagem e som (1971, RCA), Apresentamos nosso Cassiano (1973, Odeon) e Cuban soul — 18 quilates (1976, Polydor), além de um LP gravado na CBS, que ficou inédito.
Em 1978 interrompeu a carreira de intérprete por motivos de saúde, mas continuou compondo sucessos como Mister Samba, gravado por Alcione, e Morena, por Gilberto Gil. Voltou a gravar em 1991, quando participou do songbook da editora Lumiar dedicado a Noel Rosa e lançou o LP Cedo ou tarde (Columbia), com participação de Ed Mota, Sandra de Sá, Mansa Monte, Djavan e outros, incluindo antigos sucessos e novas composições como Know-how.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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Abel e Caim

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Abel e Caim é uma dupla sertaneja formada pelos primos José Vieira (Itajobi SP 1929—) e Sebastião Silva (Monte Azul Paulista SP 1944—). Sebastião, o Caim, iniciou carreira na infância, integrando o Trio Mirim, que em 1955 tinha um programa próprio, de muito sucesso, na Rádio Clube de Marília SP.

Em 1956 José (Abel) formou dupla com Xupim, atuando na Rádio A Voz de Catanduva. Mais tarde, os dois primos se encontraram e resolveram apresentarem-se juntos em São Paulo SP, atuando na TV Cultura, canal 2, no programa Cidade Sertaneja.

Em 1966, foram premiados num torneio de violeiros, ocasião em que Gilberto Meireles sugeriu que adotassem o nome artístico de Abel e Caim. No ano seguinte, a dupla gravou o primeiro LP na Chantecler, incluindo, entre outros, os sucessos Desilusão (Dadá), Santa Luzia (Iolando Mondim e Dorival Teixeira) e Mãe amorosa (Tanabi e Aleixinho), sendo este um dos maiores destaques de sua carreira. No ano seguinte lançou outro LP pela Chantecler, com os sucessos A bandinha (Leo Canhoto), Menino boiadeiro (Tanabi) e A natureza (Dino Franco), entre outros.

Em 1968 a dupla gravou duas músicas pela Continental, Derradeiro adeus (Dino Franco) e Milagre do retrato (Sulino e Paulo Calandro), e dois anos depois, pela etiqueta Tropicana da CBS lançou outro LP, em que se destacaram as faixas Arca de Noé (Martins Neto) e Pretinho aleijado (Teddy Vieira e Luisinho).

Em 1972, na RCA, a dupla gravou um LP, incluindo os sucessos Chuva, sangue da terra (Lourival dos Santos e Tião Carreiro) e Triste ocorrência (Jack e Abel), lançando em 1975 mais um LP, pela Continental, com os sucessos O barco (Jack e Abel), O menino e o cachorro (Dino Franco e Caim), Adeus, boiada (Nestor e Zeca) e Ingratidão de filho (Jack e Caim), entre outros.

Trinta anos depois do primeiro disco gravado, a dupla continua se apresentando com sucesso em feiras, rodeios e circos, principalmente em cidades do interior.

CDs

Abel e Caim, 1991, Continental 997280-2; Som da Terra: Abel e Caim, 1994, Warner 997780-2.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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Carramona

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Albertino Ignácio Pimentel, instrumentista, regente e compositor (Rio de Janeiro RJ 12/4/1874 – id. 6/8/1929), foi o primeiro mestre militar da Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, substituiu o maestro Agostinho Luiz de Gouvêa. Amigo particular de Anacleto de Medeiros e de Agostinho Pereira, fazia parte de orquestras e bandas civis do Rio de Janeiro.

Naquele tempo o chamavam de Carramona, alguns pesquisadores dizem que era apelido, hoje, esclarecemos que seu nome verdadeiro era Albertino Pimentel Carramona, e quando já estava no Corpo de Bombeiros, no boletim de 20 de novembro de 1903, pela ordem do dia Nº 116, foi mandando retificar em seus assentamentos, o nome de Albertino Pimentel Carramona, para Albertino Ignácio Pimentel.

Segundo o livro de Ary Vasconcelos, Albertino foi aprendiz dos Meninos Desvalidos de Vila Isabel, onde naturalmente aprendeu a tocar seu instrumento, que o faria mais tarde um dos maiores trompetistas e compositores do Rio de Janeiro.

Foi protegido pela Princesa Isabel, pois estando a Banda dos Meninos Desvalidos tocando um dia no Palácio Guanabara, a princesa ficou encantada pelo solo de trompete, mandado vir a sua presença, notou que ele tinha uma das vistas vazadas, que muito sentiu, e ordenou que fosse apresentado a um oculista que colocou uma prótese tão perfeita, que não se notava o defeito.

Na Banda do Corpo de Bombeiros, como dito anteriormente, realizou sua grande obra. No meio civil, em sua época, foi um grande compositor, com várias músicas gravadas, muitas destas composições com letras de Catulo da Paixão Cearense.

Faleceu no posto de segundo-tenente reformado da Banda do Corpo de Bombeiros. Deixou produção volumosa, especialmente polcas, que depois foram incorporadas ao repertório dos choros.

Alexandre Gonçalves Pinto fala ainda em seu livro O Choro: "Carramona mostrou competência e saber de um verdadeiro artista, seguindo com capacidade e respeito o querido amigo Anacleto. Tornando-se um exímio professor, compositor, e continuador do seu inesquecível mestre, tendo-lhe substituído no nível de igualdade. As músicas de Carramona, são disputadas pelo valor de elevada inspiração".

Obras

Albertina, polca, s.d.; Ameno Resedá, polca, s.d.; Amorosa, xótis, s.d.; Araci, valsa, s.d.; Arisca, xótis, s.d.; Arrufos, polca, s.d.; Botão de rosa, xótis, s.d.; Carnavalesca, polca, s.d.; Catita, valsa, s.d.; Cavação, polca, s.d.; Chininha, polca, s.d.; Choques e cheques, polca, s.d.; Chora, Jesus, polca, s.d.; Colúmbia, dobrado, s.d.; Coralina, polca, s.d.; Deixe-me viver, polca, s.d.; Dengos de moça, xótis, s.d.; Dezenove de abril, xótis, s.d.; Diva, polca, s.d.; Diva, valsa, s.d.; Emilia, gavota, s.d.; Encantadora, mazurca, s.d.; Espumas, valsa, s.d.; Esquecida polca, s.d.; Fagulhas, polca, s.d.; Fantasia ao luar (ou Templo ideal, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, s.d.; Felicidade, polca, s.d.; Os filhos da noite, polca, s.d.; Fio de ouro, polca, s.d.; Fogo vivo, polca, s.d.; Garbo e civismo, dobrado, s.d.; Gaúcho (ou Ondas, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), tango, s.d.; Gueixas, xótis, s.d.; Helena, polca, s.d.; Iracema, polca, s.d.; Joaninha, polca, s.d.; Jorge, dobrado, s.d.; Juçara, polca, s.d.; Jurandi, polca, s.d.; Jurema, polca, s.d.; Lágrimas sinceras, valsa, s.d.; Marfisa, valsa, s.d.; Marília, polca, s.d.; Marília, xótis, s.d.; As mariposas, polca, s.d.; Mas que pagode, polca, s.d.; Meiga, polca, s.d.; Monteiro no sarilho, polca, s.d.; Morrer contente, polca, s.d.; Nanazinha, valsa, s.d.; Não perca a cabeça, polca, s.d.; Noêmia, tango, s.d.; Nonô, polca, s.d.; Olhos furtivos, polca, s.d.; Ouve as minhas súplicas, xótis, s.d.; Pairando no azul, valsa, s.d.; Patuscada, polca, s.d.; A pequena Maria, polca, s.d.; Pérola, polca, s.d.; Raios de luar, valsa, s.d.; Recordações de Lili, valsa, s.d.; Recordações de Paquetá, polca, s.d.; Recorda-te, valsa, s.d.; Sacuda-se, tango, s.d.; Saudades de Luísa, valsa, s.d.; Saudades do Anacleto, dobrado, s.d.; Sempre chegou, xótis, s.d.; A sombra da floresta, polca, s.d.; Sonhando, valsa, s.d.; O Sousa brincando, polca, s.d.; Suavidade, valsa, s.d.; Sugestiva, valsa, s.d.; Tapir, xótis, s.d.; Tinguagiva, polca, s.d.; Tiririca, polca, s.d.; Vaga-lume, paso-doble, s.d.; Yvette (suíte), valsa, s.d.

Fontes: Banda Maravilhosa de Luiz Viana; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora.

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Fátima

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Capital Inicial
       
De: Flávio Lemos / Renato Russo
Intro: Cm Ab Bb

Cm
Vocês esperam uma intervenção divina
Ab
Mas não sabem que o tempo agora
Bb
está contra vocês
Cm
Vocês se perdem no meio de tanto medo
Ab
De não conseguir dinheiro pra
Bb
comprar sem se vender
Cm
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Ab
Continuam só fingindo que o mundo
Bb
ninguém fez
Cm
Mas acontece que tudo tem começo
Ab
Se começa um dia acaba, eu tenho pena
Bb
de vocês

(Cm Bb Cm Eb) 2X

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Psicopata

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Capital Inicial
       
Tom: B
Intro: ( B E )

SOLO:
B---5---6-5---------5-5--------5---6-5-------------
G-----7-----7-5-7-7-----7-5------7-----7-5-7-7-7-7-2x
D-7-------------------------7----------------------

B E
Papai morreu
B E
Mamãe também
B E
Estou sozinho
B E
Eu não tenho ninguém
B D B D
Esta vida me maltrata
B D E ( B E )
Estou virando um psicopata

( B E ) junto com o solo

B E
Quebrei as janelas
B E
Da minha casa
B E
Rasguei a roupa
B E
Da empregada
B D B D
Esta vida me maltrata
B D
Estou virando um
E
Psicopata

( B E )junto com o solo

( E G E Bm7)

E G
Quero soltar bombas no Congresso
E Bm7
Fumo Hollywood para o meu
sucesso
E G
Sempre assisto à rede Globo
E Bm7
Com uma arma na mão
E G
Se aparece o Francisco Cuoco
E Bm7
Adeus televisão
( B E )

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Leve desespero

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Capital Inicial
       
Tom: Em
Intr..: (Em Bm7 C7+ Am7)2X

Bm7 C7+ Am7
Não consigo mais me concentrar
Bm7 C7+ Am7
Vou tentar alguma coisa para melhorar
Bm7 C7+ Am7
É importante, todos me dizem
Bm7 C7+ Am7
Mas nada me acontece como eu queria

Bm7 C7+ Am7
Estou perdido, sei que estou
Bm7 C7+ Am7
Cego para assuntos banais
Bm7 C7+ Am7
Problemas do cotidiano
Bm7 C7+ Am7
Já não sei como resol...ver

Em D
Sob um leve desespero
Am7 C
Que me leva, que me leva daqui
(Em D Am7 C) (Em D Am7 C)

Bm7 C7+ Am7
Então é outra noite num bar
Bm7 C7+ Am7
Um copo atrás do outro
Bm7 C7+ Am7
Procuro trocados no meu bolso
Bm7 C7+ Am7
Dá pra me arrumar um cigarro?

Bm7 C7+ Am7
Não consigo mais me concentrar
Bm7 C7+ Am7
Vou tentar alguma coisa para melhorar
Bm7 C7+ Am7 Bm C7+ Am7
Já estou vendo TV como companhia


Refrão


Bm7 C7+ Am7 Bm7 C7+ Am7
Tal...vez se você entende....sse..
Bm7 C7+
O que está acontecendo
Am7 Bm7 C7+ Am7
Poderia me explicar
Bm7 C7+
Eu não saio do meu canto
Am7
As paredes me impedem
Bm7 C7+ Am7
Eu só queria me divertir
Bm7 C7+ Am7
As paredes me impedem
Bm7 C7+ Am7
Já estou vendo TV
Bm7 C7+ Am7
como companhi..a

Refrão 2x
Termina com Em

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Descendo o rio Nilo

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Capital Inicial
      
De: Fê / Flávio / Dinho / Loro
Tom: Dm
Intro: Dm7 C Dm7 C


Dm7
A Europa está um tédio
C
Vamos transar com estilo
Dm7
Nós só temos um remédio
C
Descendo o Rio Nilo
Dm7
Descendo o Rio Nilo
C Dm7
Eu fico pensando no que você faria
C
Se tivesse visto aquilo
G F Em Dm G F Em Dm
O que? O que?

G F Em Dm
Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo
G F Em Dm
Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

(Dm7 C Dm7 C)

Dm7
A Europa está um tédio
C
Vamos transar com estilo
Dm7
Nós só temos um remédio
C
Descendo o Rio Nilo
Dm7
Descendo o Rio Nilo
C Dm7
Eu fico pensando no que você faria
C
Se tivesse visto aquilo
G F Em Dm G F Em Dm
O que? O que?

G F Em Dm
Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo
G F Em Dm
Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

(Dm7 C Dm7 C)

Dm7 C
Estou ouvindo tambores, tremores
Dm7 C
Vindos da África
Dm7
Canibais passando fome
C Dm7
Cadê o Dr. Livingstone?

Dm7 C
Estou ouvindo tambores, tremores
Dm7 C
Vindos da África
Dm7
Canibais passando fome
C Dm7
Cadê o Dr. Livingstone?

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Veraneio vascaína

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Capital Inicial

B C A B
Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
B C A B
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
E F D E
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
B C A B
Assassinos armados, uniformizados

G A B D
Veraneio vascaína vem dobrando esquina

(B A C B) 4x - solo 02

B C A B
Porque pobre quando nasce com instinto assassino
B C A B
Sabe o que vai ser quando crescer desde menino
E F D E
Ladrão pra roubar, marginal pra matar
G A
Papai eu quero ser policial quando eu crescer

(B A C B) 4x - solo 03

B C A B
Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
B C A B
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
E F D E
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
B C A B
Assassinos armados, uniformizados

G A B D
Veraneio vascaína vem dobrando esquina

(B A C B) 4x - solo 04

B C A B
Se eles vem com fogo em cima, é melhor sair da frente
B C A B
Tanto faz, ninguém se importa se você é inocente
E F D E
Com uma arma na mão eu boto fogo no país
G A
E não vai ter problema eu sei estou do lado da lei

(B A C B) 4x - solo 05

B C A B
Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
B C A B
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
E F D E
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
B C A B
Assassinos armados, uniformizados

G A B D
Veraneio vascaína vem dobrando esquina
G A B D
Veraneio vascaína vem dobrando esquina
G A B D D
Veraneio vascaína vem dobrando esquina

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Carlinhos Vergueiro

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Carlinhos Vergueiro (Carlos de Campos Vergueiro), compositor e cantor, nasceu em São Paulo-SP em 27/3/1952. Até os 12 anos estudou piano com o avô, o pianista Guilherme Fontainha; foi também aluno de Osvaldo Lacerda (composição musical) e Tumiko Kavanani (teoria musical). Começou a compor pelos 16 anos, quando já tocava violão.
Em 1972, foi finalista do Festival Universitário, da TV Tupi, com a música Só o tempo dirá, samba gravado em disco compacto no ano seguinte, pela Chantecler. Gravou outro compacto para a Chantecler, ainda em 1973, com as composições Poeta sem versos e Garra (com João Garcia).
Seu primeiro LP, produzido por Fernando Falcón para a Continental, só com músicas suas, foi lançado em 1974, com o título de Brecha, com destaque para Vendaval, Lucidez e a faixa-título. Em fevereiro do ano seguinte venceu o Festival Abertura, promovido pela Rede Globo de Televisão, com sua composição Como um ladrão, gravada em seu segundo LP, pela Continental, em 1975, do qual também faziam parte Se cuide e Como dói.
Fez parcerias também com Artur Gebara, Toquinho e Flavinho Pacheco. Lançou os LPs Carlinhos Vergueiro (1976), pela Odeon, Na ponta da língua (1980), pela Ariola, Felicidade (1983), pela Som Livre, e Carlinhos Vergueiro e convidados (1988), pela Idéia Livre, entre outros.
Foi também produtor de discos nos anos 80. Participou do show do SESC Raros e inéditos (1995) junto com Zizi Possi, Ney Matogrosso etc., depois transformado em CD.

Obras: Brecha, 1974; Camisa molhada (c/Toquinho), 1977; Como um ladrão, 1975; Garra (c/João Garcia), samba, 1973; Lucidez, 1974; Poeta sem versos (c/João Garcia), samba, 1973; Por que será? (c/Vinicius de Moraes e Toquinho), 1980; Torresmo à milanesa (c/Adoniran Barbosa), 1980; Vendaval, 1974.

CD: Carlinhos Vergueiro e convidados, 1995, Saci 8020.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora / PubliFolha.

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Capital Inicial

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Capital  Inicial

Capital Inicial - Grupo brasiliense formado em 1982 por Dinho (Fernando Ouro Preto, Curitiba PR 1964—), no vocal; Loro Jones (Antônio Marcos Lopes de Sousa, Rio de Janeiro 1961—), na guitarra; Flávio Lemos (Rio de Janeiro 1963—), no contrabaixo; e seu irmão Felipe Lemos (Rio de Janeiro 1962—), na bateria. Os dois últimos vieram do Aborto Elétrico, o primeiro grupo punk de Brasília DF, formado em 1978 e desfeito em 1982.

O grupo adotou o estilo new-wave e fez sucesso já a partir do primeiro disco, um compacto (Epic/CBS, 1984) com as faixas Descendo o rio Nilo e Leve desespero, ambas de autoria do grupo (a segunda incluída na trilha do filme Areias escaldantes, de Francisco de Paula).

Radicados em São Paulo desde 1985 e contratados pela Polydor, gravaram o primeiro LP em 1986, Capital Inicial, incluindo sucessos como Psicopata (Loro, Pedro Pimenta e os irmãos Lemos), Música urbana (Renato Russo, André Pretorius e os irmãos Lemos), Fátima e Veraneio vascaína (ambas de Flávio Lemos e Renato Russo), esta última um protesto contra a violência policial.

Outros sucessos do grupo incluem Mickey Mouse em Moscou (1990). Gravaram ainda três LPs na Polygram, Independência (1987), Você não precisa entender (1988), Todos os lados (1990) e mais Eletricidade (1992, BMG), Rua 47 (1994, QC) e Ao vivo (1996, Rede Brasil).

Em 1992, Dinho foi substituído por Murilo Lima (Murilo Ferreira Lima, Santos SP 1968—), que permaneceu no grupo até o início de 1998.

CD:

O melhor de Capital Inicial, 1994, Polygram 521787-2.

Letras do Capital Inicial:

Descendo o rio Nilo, Fátima, Leve desespero, Psicopata, Veraneio vascaína.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

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Capinam

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Capinam (José Carlos Capinam) nasceu em Esplanada, Bahia, e é considerado um dos grandes letristas de sua geração, tendo participado ativamente do movimento tropicalista no fim da década de 60. Poeta desde a adolescência, mudou-se para Salvador aos 19 anos, onde iniciou o curso de Direito, na Universidade Federal da Bahia.

Militante fervoroso do CPC da UNE, fez logo amizade com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na época cursando, respectivamente, as faculdades de Filosofia e de Administração de Empresas.

Com o golpe militar, em 1964, é forçado a deixar Salvador e vai morar em São Paulo, onde inicia os primeiros poemas de seu livro de estréia, Inquisitorial. Alguns anos depois, volta à capital baiana, desta vez para fazer Medicina, profissão que chega a exercer por algum tempo.

Paralelamente, intensifica o seu trabalho como poeta e participa do primeiro disco de Gilberto Gil, em 1966, dividindo a parceria na faixa Viramundo. No mesmo ano, sua música Canção para Maria, defendida e composta em parceria com Paulinho da Viola, é um dos destaques do II Festival de Música da Record, obtendo a terceira colocação.

Torna-se um dos mais assediados letristas da época e vence com Edu Lobo o Festival da Record de 1967, com a canção Ponteio. Volta a se aproximar de seus conterrâneos – compõe com Gil o clássico Soy loco por ti, América, e integra o histórico disco Tropicália (68), ao lado de Caetano, Gil, Mutantes, Gal Costa, Tom Zé, Rogério Duprat e Torquato Neto.

Não diminui o seu ritmo como letrista e segue dividindo parcerias com grandes nomes da música, como Jards Macalé (em Gotham City, vaiadíssima no IV Festival Internacional da Canção de 1969), Fagner (em Como se Fosse) e Geraldo Azevedo (em For All Para Todos).

Em 2000, compôs a ópera Rei Brasil 500 Anos ao lado de Fernando Cerqueira e Paulo Dourado, uma crítica as comemoração dos 500 anos de Descobrimento do Brasil, e dividiu parceria nos novos discos de Tom Zé (em Perisséia) e de Sueli Costa (em Jardim).

Fonte: CliqueMusic.

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Alfredo Português

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Alfredo Português (Alfredo Lourenço), compositor, nasceu em Portugal no ano de 1885 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 10/9/1957. Marinheiro mercante, quando vivia em Portugal era fadista no bairro da Alfama, em Lisboa.

Veio para o Brasil como contratado da Marinha Mercante Brasileira, indo morar em Santo Antônio, bairro do Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, onde logo começou a freqüentar rodas de sambistas.Por volta de 1936, adotou Nelson Matos (que mais tarde seria conhecido como Nelson Sargento) como afilhado, que na época tinha 12 anos. Com ele começou a freqüentar a extinta escola Unidos da Mangueira, para a qual passou a comporem parceria com Moçoró. Nessa época já era conhecido como Alfredo Português.

Em 1941 atuava no programa A Voz do Morro, de Paulo Roberto, na Rádio Cruzeiro do Sul, do qual participavam também Cartola e Paulo da Portela, que conhecera na escola de samba Lira do Amor, do subúrbio carioca de Bento Ribeiro.

Por volta de 1947, convidado por Carlos Cachaça, foi para o G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, tornando-se seu compositor. Em 1948 compôs Rio São Francisco, em parceria com seu afilhado, Nelson Sargento, e em 1950, com o mesmo parceiro, fez Apologia dos mestres.

O samba-enredo, homenagem de Mangueira a Miguel Couto, Osvaldo Cruz, Rui Barbosa e Ana Néri, não chegou a ser cantado na avenida. Uma semana antes do Carnaval, a direção da escola resolveu alterar o enredo, que passou a ser Saúde, Lavoura, Transporte e Educação, para o qual foi composto outro samba que acompanhou o desfile da Mangueira.

Em 1954, compôs o samba-enredo Aspectos do Rio e, em 1955, ainda com Nelson Sargento, fez Cântico à natureza, grande sucesso da escola, gravado por Jamelão, na Continental. Essa música seria regravada, mais tarde, ainda por Jamelão e, mais recentemente, por Renata Lu, sendo aclamada, em 1975, como um dos dez melhores sambas da escola.

Autor de muitos sambas, a maioria inédita em disco e só conhecida nos morros, era pintor de profissão. Obras: Apologia dos mestres (c/Nelson Sargento), samba-enredo, 1950; Aspectos do Rio, samba-enredo, 1954; Cântico à natureza (c/Nelson Sargento), samba-enredo, 1955; Rio São Francisco (c/Nelson Sargento), samba-enredo, 1948.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

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Um milhão de melodias

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Um dos mais famosos programas musicais do rádio brasileiro. Um Milhão de Melodias estreou no dia 6 de janeiro de 1943 e foi um marco importante no processo de alienação cultural dos brasileiros através da música.
Antes de Um milhão de melodias a influência da música norte-americana era restrita ao cinema e mesmo assim para uns poucos iniciados. Os filmes eram legendados e com o elevado número de analfabetos tornava-se difícil a penetração maciça do fox. É verdade que havia o disco mas o consumo era pequeno e havia poucas vitrolas entre os menos afortunados. Com o rádio a coisa era outra.
Através de programas como Um milhão de melodias, Aquarelas das Américas e Aquarelas do Mundo, Nas asas de um Clipper, A hora da Broadway, Your Hit Parade, Big Broadcasting Matinal da Exposição e outros que tais, a música norte-americana foi invadindo os lares brasileiros e induzindo a nossa juventude à adoção dos seus ritmos.
O programa esteve no ar, inicialmente, durante 7 anos ininterruptos. Depois ficou de fora por dois anos voltando em 1952/53 para uma nova temporada. Nele desfilaram os maiores artistas do rádio brasileiro e a Orquestra Brasileira comandada por Radamés Gnattali dividia seus números entre os sucessos brasileiros e os sucessos norte-americanos.
Os primeiros produtores do programa foram Haroldo Barbosa e José Mauro e posteriormente, na sua segunda fase, Paulo Tapajós e Lourival Marques.
Fonte: http://www.collectors.com.br/CS05/cs05_03aq.shtml

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Moacir Santos

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Moacir Santos Opus3_No1

Moacir Santos (Moacir José dos Santos), regente, arranjador, instrumentista, professor e compositor, nasceu em Vila Bela, Pernambuco, em 8/4/1924. Criado em Flores do Pajeú (PE), recebeu as primeiras noções de teoria musical do Mestre Paixão, iniciando carreira como instrumentista da banda local.

Em 1940 deixou a cidade e passou a acompanhar um circo pela região. Em seguida, passou pelas cidades de Recife (PE), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB), onde ingressou na Força Pública da Paraíba. Pouco depois, abandonou a carreira militar e passou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco.

Em 1948 foi para o Rio de Janeiro, onde começou a tocar no clube Brasil Danças. Logo entrou para a orquestra da Rádio Nacional, na qual permaneceu por 18 anos, primeiro como saxofonista e depois como maestro e arranjador. Nesse período, estudou teoria musical com o maestro Guerra-Peixe e com o professor Hans Joachim Koellreutter de quem se tornou assistente.

Na década de 1950, firmou-se como um dos principais arranjadores do Brasil. Foi professor de Paulo Moura, Baden Powell, Nara Leão, Eumir Deodato, Dom Um, Airto Moreira, entre outros.

Em 1963 realizou os arranjos do disco Vinícius de Moraes e Odete Lara. Em 1965 lançou seu primeiro disco no Brasil: Coisas.

No final dos anos de 1960, pela trilha do filme Amor no Pacífico, recebeu do Itamaraty uma passagem para os EUA Fixou residência em Pasadena, onde deu aulas e tocou até ser descoberto pelo pianista Horace Silver, quando então passou a gravar para o mercado norte-americano: The Maestro (1971), Saudade (1973) e Carnaval dos espíritos (1975), todos pela etiqueta Blue Note, além de Opus 12 nr.1, pela Discovery.

Em 1985 esteve no Brasil e, com Radamés Gnattali, foi homenageado no Free Jazz Festival. Em 1992 esteve novamente no Brasil, participando do projeto Memória Brasileira, Série Arranjadores, lançado em CD.

Entre suas principais composições destacam-se Nanã (com Mário Teles), Coisas (nr.1 a 12), e, em parceria com Vinícius de Moraes, Menino travesso, Triste de quem, Lembre-se e Se você disser que sim.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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Tamba Trio

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Tamba Trio 1962

Um dos grupos mais importantes da bossa nova, caracterizou-se sempre pela sofisticação na concepção musical e nos arranjos. No início acompanhavam principalmente cantoras, como Maysa e Leny Andrade, e ainda contavam com o pianista Luís Carlos Vinhas e o violonista Roberto Menescal.

A formação definitiva (Luís Eça, piano, Hélcio Milito, bateria, Bebeto Castilho, baixo e sopros) estreou em março de 1962 no Bottle's Bar, no Beco das Garrafas. Lá realizaram os primeiros pocket-shows. Foi referência definitiva para uma série de trios instrumentais-vocais que surgiram na época.

Com microfones presos às lapelas, destacavam as realizações vocais que acrescentavam aos ricos arranjos instrumentais. O trio também realizou trabalhos com um enfoque erudito, tendo como resultado os discos Tamba Trio e Cordas e Tamba Trio e Quinteto Villa-Lobos, que representam o encontro clássico-popular.

Depois de várias paralisações e a morte do pianista Luiz Eça em 1992, o trio voltou à atividade, com Weber Iago em seu lugar. Entre inéditos e coletâneas, o grupo já tem 15 discos lançados.

Fonte: CliqueMusic

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Ministro do samba

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Ministro do samba - Batatinha

Eu que não tenho um violão
Faço samba na mão
Juro por Deus que não minto
Quero na minha mensagem prestar homenagem
E dizer tudo que sinto
Salve o Paulinho da Viola
Salver a tiuma da sua escola
Salvo o samba em tempo de minha insparação

O samba bem merecia
Ter ministério algum dia
Aí então seria ministro Paulo César Batista Farias (bis)

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Inventor do trabalho

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Inventor do trabalho - Batatinha

O tal que inventou o trabalho
Só pode ter uma cabeça oca
Pra conceber tal idéia
Que coisa louca
O trabalho dá trabalho demais
E sem ele não se pode viver

Mas há tanta gente no mundo
Que trabalha sem nada obter
Somente pra comer

Contradigo o meu protesto
Com referência ao inventor
A ele cabe menos culpa
Por seu invento causar pavor
Dona Necessidade é senhora absoluta da minha situação
Trabalhar e batalhar por uma nota curta

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Toalha da saudade

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Batatinha

Tenho ainda guardada
como lembrança do carnaval que passou
Uma toalha bordada que na escola
um lindo rosto enxugou (Eu tenho)
Tenho ainda guardada
como lembrança do carnaval que passou
Uma toalha bordada que na escola
um lindo rosto enxugou

É a toalha da saudade
da minha infelicidade
Não me vai ornamentar
E pra não sofrer desilusão
nem passar decepção
Eu vou sambar

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Diplomacia

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Batatinha

Diplomacia - Batatinha e J. Luna

Luto por um pouco de conforto
Tenho o corpo quase morto
Não acerto nem pensar
Mesmo com tanta agonia
Ainda posso cantar
Meu desespero ninguém vê
Sou diplomado em matéria de sofrer
Falsa alegria, sorriso de fingimento
Alguém tem culpa desse meu padecimento

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Batatinha

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O samba baiano teve em Batatinha o seu maior poeta e compositor de mais de 100 canções. O gráfico aposentado Oscar da Penha, ou melhor "Batatinha", faleceu em Salvador, em 3/01//97, aos 72 anos, sem nunca ter conseguido em vida o sucesso relativo à qualidade da sua obra. Apenas teve registrado dois álbuns em toda sua trajetória artística.

Reconhecido pela crítica especializada e por nomes da MPB teve diversas composições gravadas por Maria Bethânia, Caetano Veloso, Nara Leão, Jair Rodrigues, Jamelão, Moraes Moreira, dentre outras.

Ele foi o primeiro compositor a inventar o samba-receita, notabilizado na canção O Vatapá, e o pioneiro a introduzir elementos da capoeira na canção popular nos anos 50. Seu estilo melancólico do seu samba, fez a crítica o comparar em certa parte com a ambiência lírica das composições de Noel Rosa, Cartola e Paulinho da Viola.

Batatinha fez samba de alto nível fundamentado na tradição do samba de raiz baiana. Nascido em Salvador, no dia 5/08/24, desde os 15 anos de idade, trabalhou como gráfico dos jornais Diário de Notícias e Estado da Bahia e foi funcionário público da Imprensa Oficial (hoje, Empresa Gráfica da Bahia). Casado com Marta dos Santos Penha, teve nove filhos.

Desde os 15 anos já compunha e estava envolvido com o ambiente musical da capital baiana. Começou a carreira como cantor descoberto pelo radialista da Rádio Excelsior, o pernambucano Antônio Maria de Moraes, em 44, que o colocou o apelido de Batatinha. O radialista ficou impressionado com a qualidade de sambas dele, como Olha aí, O que é que há, Iaiá no Samba, Receita de Feijoada e Doutor Cobrador. O artista foi presença constante interpretando músicas do compositor paulista Vassourinha no programa de auditório chamado Campeonato do Samba que se realizava no Cine Guarany. Antes escapou de servir a Força Expedicionário Brasileira na Segunda Guerra Mundial, graças a intervenção do amigo Odorico Tavares.

Na época, Batatinha vivia na boêmia com amigos gráficos, como Dufi Cruz que, também, era sambista. Este antes de morrer na década de 50, compôs com Batatinha o samba O Grande Rei. As maiores influências no início da carreira de Batatinha eram de Wilson Batista, Noel Rosa, Araci de Almeida e Ciro Monteiro.

Ele participou durante toda década de 50 do concurso de composição para o carnaval de Salvador promovido pela Rádio Sociedade pelo locutor Renato Mendonça. Apesar do sucesso de seus sambas para o carnaval, ele numca conseguiu ganhar nenhum conscurso. Seu primeiro samba composto foi o samba Inventor de Trabalho concebido em 1943 e só seria registrada no seu primeiro LP que dividiu com os colegas sambistas baianos Riachão e Panela. O seu primeiro samba gravado foi Jajá está com uma coroa que é um barato interpretado pelo sambista carioca Jamelão. A letra relata com um raro humor as histórias de um malandro chamado Jajá da Gamboa que se relacionou com uma coroa rica da sociedade soteropolitana e arrancou toda sua grana e até sua dendadura de ouro.

Samba com pionerismo

Seu pionerismo remonta até a primeira incursão da capoeira na música brasileira que ele fez com o grupo de Cancioneiros do Norte através da Rádio Cultura de Salvador. Em 1951, ele compôs Samba e Capoeira e que foi executada em 1954. A proposta estética de misturar as melodias das músicas da dança afro-baiana num formato de cancioneiro popular ganhou força com outros nomes da música brasileira, como Clodoaldo Brito e Baden Powell e Vinícius de Moraes. Por conta dessa iniciativa teve seu nome incluído no trabalho sobre a capoeira etnógrafo Valderloir Rego.

Em 1960, ele perdeu com uma das suas mais refinadas composições chamada Diplomacia, cantado por Humberto Reis. O samba entrou na trilha sonora do primeiro filme de Gláuber Rocha, Barravento. A letra confessional do samba na época intitulada de Tormento refletia o estado de espírito de Batatinha na busca pelo reconhecimento: "...Luto por um pouco de conforto/Tenho o corpo quase morto/Não acerto nem pensar/ Mesmo com tanta agonia/ ainda posso cantar// Meu desespero ninguém vê/ sou diplomado em matéria de sofrer/ Falsa alegria, sorriso de fingimento/ Alguém tem culpa desse meu padecimento".

Pautado por uma melancolia atípica para um baiano pode ser ilustrada no samba Direito de Sambar. A letra revela a nuance de um compositor a expor sua face sensível em plena avenida de carnaval: "É proibido sonhar/ Então me deixe o direito de sambar/ ... Já faz dois anos/ que não saio na escola/ e saudade me devora/ quando vejo a turma passar".

Nesse mesmo ano, Batatinha vira sucesso nacional como compositor depois da gravação de Jamelão que gravou Javá da Gamboa. Esse fato chama a atenção dso intérpretes para o talentoso compositor negro baiano. Maria Bethânia seria o primeiro grande nome da MPB a lhe dar vez, gravando, em 64, os sambas Diplomacia, Toada da Saudade, Imitação e a Hora da Razão nos shows do Teatro Opinião e no show do álbum Rosa dos Ventos. Depois, ela gravaria ainda a marcha A História do Circo.

Em 66, o sambista baiano Ederaldo Gentil o convida para musicar a peça teatral Pedro Mico de Antônio Callado. Ele compõe o samba Espera que foi gravado pela cantora maranhense Alcione. Ainda participa, em 67, de uma produção de um vídeo-documentário da tv italiana estatal RAI sobre o samba brasileiro.

Em 1973, aos 49 anos, finalmente, por iniciativa de Paulo Lima e da gravadora Philips Fontana Special lança o disco Samba da Bahia com direção de Edil Pacheco e com a participação de músicos de Salvador, como José Menezes (cavaquinho), Vivaldo (clarineta e sax), Edson (violão de 7 cordas), Armandinho (bandolim), Edil Pacheco (violão), Everaldo Júnior (baixo), Chorinho (trombone), Pedro Torres e Valdomiro (piston), Cacu, Sambador, Tamborim, Miguel e Edmundo (percussãso) . No LP, Batatinha comparece com os sambas-canção Diplomacia, Ministro do samba, Inventor do Trabalho e o Direito de Sambar. Batatinha gostava de se comparar com outro grande do samba, Cartola, pois chegaram ao registro fonográfico com idades semelhantes. As gravações foram realizadas em quatro madrugadas no Teatro Vilha Velha, sem apresença de público.

Em 76, grava o primeiro e único álbum-solo, Toalha de Saudade, que traz a regravação do samba Espera, sucesso na voz de Alcione. A letra do samba é um exemplo nítido da faceta de uma melancolia herdada do lamento dos escravos misturada com a alma portuguesa. Antes de mais nada, o lamento de um sambista negro baiano de rara sensibilidade poética: "É doloroso esperar/ e sem nunca chegar/ quem a gente quer/ e com a alma em desespero/ se preocupa no espelho/ uma solução qualquer". Pela qualidade rítmica e lírica, o álbum sendo escolhido pela crítica especializada da imprensa como melhor álbum de samba daquele ano.

Batatinha tinha mágoas naturais de quem havia vivido na pobreza e não conseguia se encaixar no mercado da música popular brasileira. Chegou a reclamar de terem tentado enquadrá-lo como cantor de samba de roda, mas ele relutava em ser cerceado a algo mais limitado. Fazia questão de se fazer samba de origem africana, do semba angolano, mas com influência do samba-canção urbano brasileiro. Pertencente à Irmandade do Rosário dos Pretos, foi devoto dos sambas concisos, despretensiosos, mas nunca destituídos de ambição estética.

Nunca desistiu de promover o samba como expressão artística genuína do povo brasileiro. Incentivou e promoveu diversos eventos ligados ao gênero, como a "Segunda do Samba" e o "Dia do Samba", no Largo do santo Antônio. Essas festas sempre contaram com o prestígio e presença de nomes da MPB, como Chico Buarque e Luís Melodia, graças à admiração que eles nutriam pelo organizador do evento.

Continou fazendo shows esporádicos em circuitos mais fechados e culturais, como o circuito universitário do Projeto Pixiguinha que ele fez, em 83, ao lado da cantora carioca Elza Soares. Chega a fazer shows, em 87, com o músico baiano Saul Barbosa e mais outros cada vez mais esporádicos. No ano seguinte, comemora os 44 anos de carreia artística num show no Teatro Vilha Velha reunindo Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Margareth Menezes, Gerônimo, Edil Pacheco, Ederaldo Gentil, Carlos Pita e outros.

A morte e as homenagens póstumas

Entra na década de 90 realizando shows esporádicos e sem conseguir lançar o segundo álbum-solo. Não conseguiu realizar seu último intento artístico, pois, em janeiro de 97, morre vítima de câncer na próstata. Foi enterrado no dia 04/01/97 no cemitério Jardim da Saudade. Apenas conseguiu participar de um projeto de homenagem que não teve tempo de ver concluído.

Deixou 10 filhos e foi casado por duas vezes. Sua herança cultural é inestimável. Os produtores Paquito e Jota Veloso recuperaram um rico acervo de Batatinha e estão abertos a disponibilizar essas canções para quem quiser gravá-los. A vida do mestre do samba melancólico que, também, tinha seu lado alegre continua na perpertuação da sua obra de raiz baiana, mas de valor universal.

A morte do artista não impediu que um projeto de um álbum em sua homenagem fosse lançado. Os produtores Paquito e Jota Veloso já tinham recolhido em um gravador doméstico mais de 70 músicas de Batatinha e escolheram 17 que seriam gravadas por nomes da MPB. Com o patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia, o álbum Diplomacia é lançado em maio de 98 pela gravadora EMI.

Algumas letras do compositor Batatinha

Diplomacia, Inventor do trabalho, Ministro do samba, Toalha da saudade.

Fonte: Batatinha - Biografia

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Carlos José

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Carlos José (Carlos José Ramos dos Santos), cantor e compositor, nasceu em São Paulo SP em 22/9/1 934. Filho de um funcionário público e irmão do violonista Luís Cláudio Ramos, em 1939 transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro RJ, indo morar no bairro de Santa Teresa.
Interessado por música desde criança, aos 11 anos aprendeu a tocar violão com a mãe. Estudou nos colégios Menino Jesus, Santo Inácio e Andrews, ingressando, mais tarde, na Faculdade de Direito, no Catete. Durante todo esse tempo sempre esteve ligado a grupos musicais amadores. Aos 13 anos participou do programa de calouros Papel Carbono, na Rádio Clube, classificando-se em primeiro lugar.
Sua carreira profissional começou em 1957, quando ainda cursava direito: numa das festas da faculdade, apresentou-se com um conjunto e foi ouvido por Flávio Cavalcanti, que o convidou para participar de seu programa Um Instante Maestro, na TV-Rio. Na televisão, conheceu o compositor Alcir Pires Vermelho, por meio de quem gravou um 78 rpm, na Polydor, que incluía Ouça (Maysa) e Foi a noite (Tom Jobim e Newton Mendonça). Essa gravação deu-lhe o título de cantor-revelação do ano, concedido pelos cronistas do Rio de Janeiro. O sucesso levou-o a abandonar a advocacia para dedicar-se somente à música.
Em 1958, lançou Oferta, sua primeira composição gravada, na Polydor. Em seguida, começou a viajar, apresentando-se em todo o Brasil, na Argentina e no Uruguai. Entre seus maiores sucessos, destacam-se Esmeralda (Fernando Barreto e Filadelfo Nunes), de 1960; Lembrança (versão de Serafim Costa Almeida), de 1962; Queria (Carlos Paraná), de 1964; Guarânia da saudade (Luís Vieira), de 1966; e Oração da Mãe Menininha (Dorival Caymmi), de 1973.
Com cerca de 25 LPs gravados, em diversas etiquetas, em 1975 lançou Meu canto de paz, álbum da RCA Victor que, além de músicas de compositores novos, incluiu composições antigas, como Arrependimento (Sílvio Caldas e Cristóvão de Alencar) e Cabelos brancos (Marino Pinto e Herivelto Martins).
Em 1993 gravou o CD Serestas brasileiras, do projeto Academia Brasileira de Música, da Sony. Entre outras faixas, o disco contém Esses moços (Pobres moços) e Nervos de aço (ambas de Lupicínio Rodrigues), Eu sonhei que tu estavas tão linda (Lamartine Babo e Francisco Matoso), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Assim como os rios bravios e Modinha.
Em 1997 regravou seus principais sucessos, entre eles Lembrança, Esmeralda e Guarânia da saudade, para a Polygram, que lançou o CD 20 Super Sucessos de Carlos José, no qual foram incluídas também versões para Olhos nos olhos (Chico Buarque), Naquela mesa (Sérgio Bittencourt) e Cabecinha no ombro (Paulo Borges), e duas músicas inéditas: Você é uma mentira (Joelma) e Menino de rua (J. Júnior).
Fonte: Enciclopédia da Música Popular Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

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Carequinha

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Carequinha

Carequinha (George Savalla Gomes), palhaço, compositor e cantor, nasceu em Rio Bonito-RJ (18/7/1915) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (5/4/2006). Em 1920 começou a trabalhar no Circo Peruano, de seu avô, chamado Savalla, em Carangola, e em 1938 estreou como cantor no programa Picolino, de Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro.

Com a inauguração da TV Tupi, em 1950, formou com Fred (Fred Vilar) notável dupla de palhaços, em seu programa Circo do Carequinha, pioneiro na televisão. Em 1958 realizou sua primeira gravação com a música Fanzoca de rádio (Miguel Gustavo), e no ano seguinte estreou como compositor, gravando Alma de palhaço (com Fred).

Algumas letras de músicas: A carrocinha pegou, Alma de Palhaço, Canção da Primeira Comunhão, Circo alegre do Carequinha, Escolinha do Carequinha, O bom menino, Rock do ratinho.

O Palhaço Carequinha

Numa noite de 18 de julho de 1915, na cidade de Rio Bonito, Estado do Rio de Janeiro, a aramista e trapezista Elisa Savalla, durante uma apresentação noturna no Circo Peruano, sente as primeiras dores do parto. O seu marido, Lázaro Gomes, em pleno picadeiro, pede para ela descer do arame. Assim, num barraco de circo, nasce George Savalla Gomes, mais conhecido como Carequinha. Logo após o parto, seguindo uma bela tradição circense, ele recebe dos artistas os primeiros dos muitos aplausos, que se tornariam uma constante em sua vida.

O pai, que largou a batina pela atriz circense, morreu quando Carequinha tinha dois anos. Sua mãe casou-se novamente, com Ozório Portilho. Aos cinco anos, na cidade de Carangola, Minas Gerais, sua família trabalhava no Circo Peruano de seu avô, José Rosa Savalla, quando o padrasto Ozório, após alguns ensaios, colocou uma careca no pequeno menino e disse: “Hoje você vai entrar ( no picadeiro ) carequinha" e profético determinou que “de agora em diante você será o Carequinha”. Naquela ocasião tinha um palhaço que se chamava Careca e não podiam existir dois palhaços com nomes iguais. Então, dos cinco anos em diante, ele nunca mais deixou de ser o Carequinha.

Devidamente batizado, o contato com o público foi imediato e pouco a pouco transformou seu caminho em sinônimo de alegria. Foram muitas viagens pelo Brasil, com o Circo Peruano, da família Savalla, depois o Circo Ocidental (comprado pelo padrasto ), sendo palhaço oficial do circo aos 12 anos, o Atlântico e o Olimecha, até chegar no Rio de Janeiro o Circo Alemão Sarrazani.

Isso foi em 1951. Eles queriam uns palhaços brasileiros e Carequinha e o companheiro Fred tornaram-se então uns dos raros palhaços do Brasil contratados por um circo estrangeiro. O circo era uma bola de alumínio, uma coisa extraordinária, para o veterano palhaço que nunca tinha aquilo. O circo ficou três meses defronte da Central do Brasil e depois, com Carequinha e Fred, foi para São Paulo. Os dois palhaços ficaram 4 meses e meio nesse espetáculo.

Naquela época o circo também era teatro, como relembra o palhaço: “Eu era o galã, rapaz novo, fazia o palhaço na primeira parte e depois o galã das peças. O circo tinha palco, a primeira parte era no picadeiro e a segunda no palco, levava aqueles dramalhões". Foi na segunda parte que Carequinha conheceu o grande companheiro Fred, um alfaiate que nas horas vagas trabalhava em teatros dos subúrbios carioca.

Depois, radicado na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro, Carequinha optou por apresentar-se fora do circo, na qual as apresentações eram diárias. Carequinha gostava de fazer três, quatro, cinco apresentações por semana. Então, ele se limitou a fazer shows de aniversários, clubes e viagens para o interior do país.

Ele representou o nosso país quatro vezes no Exterior, ganhando uma medalha de ouro na Itália como o Palhaço Moderno do Mundo. O recebimento da medalha ocorreu na Cidade de Campione D’itália, credenciado ao concurso pela Superintendência do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, para representar o Brasil no I Festival Internacional de Clow, que foi realizado nos dias 13 e 14 do mês de dezembro de 1964, disputando com palhaços de 20 países. Também esteve em Portugal, na América do Norte duas vezes, na Argentina e no Reino Unido.

Em certa ocasião, enquanto viajava de avião para Florianópolis, o diretor de um show passou um rádio para o avião em que se encontrava Carequinha pedindo que ele descesse maquiado porque tinha umas três mil pessoas no aeroporto esperando para vê-lo. Neste dia, ele recebeu a chave da cidade num carro do Corpo de Bombeiro e foi até o centro da cidade para o primeiro show numa praça que estava lotada.

A mesma receptividade ocorreu em Porto Alegre e Portugal. A partir do convite de Getúlio Vargas para apresentar o seu circo para seus filhos no Palácio do Catete, Carequinha passou a ser considerado o Palhaço dos Presidentes. Os seus shows eram quase que obrigatórios para todos os presidentes da República, desde de Getúlio Vargas passando por JK incluindo os Generais do governo militar. Ele tomou parte da inauguração da Praça dos Três Poderes, na então recém criada Brasília (1960), convidado pelo amigo Juscelino Kubitschek.

Durante suas viagens de trabalho, Carequinha encontrou tempo para namorar e casar-se. “O Circo Ocidental foi a Poços de Caldas, Minas Gerais ( 1940 ). Lá, eu me casei e depois voltamos para São Gonçalo. Minha esposa, Elpídia, era professora e gostou do Carequinha. Eu bem que lhe contei como era a minha vida. Mesmo assim ela decidiu se casar comigo”.

Carequinha também tinha tempo para os estudos, tendo estudado até o 3o ano da faculdade de Direito. Desde criança, sua mãe o matriculava na escola de cada cidade por onde o circo passava. Assim foi sua vida escolar.

O rádio estava em sua Época de Ouro. Carequinha integrou o elenco do Programa Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga ( RJ ), e do show de variedades de César de Alencar, na Rádio Nacional ( RJ ). Trabalhou ao lado de cantores como Francisco Alves, Emilinha Borba e Ângela Maria. As músicas interpretadas por Carequinha, Fanzóca do Rádio ( brincadeira com as fãs de Emilinha Borba ) e A Burrinha foram as mais tocadas nos carnavais de 1958 e 1960, respectivamente.

Além das marchinhas carnavalescas, Ele gravou várias músicas infantis, muitas acompanhado pelo flautista Altamiro Carrilho e sua bandinha. Em 1962, com Carrilho, Carequinha gravou O Bom Menino ( “O Bom Menino não Faz Pipi Na Cama/ O Bom Menino não Faz Mal-criação/ O Bom Menino Vai Sempre a Escola....” ) que vendeu 2 milhões e 500 mil cópias.

Ele foi o primeira a gravar a música de roda Atirei o Pau no Gato, além de outras velhas cantigas infantis. O jornal Folha de São Paulo publicou certa vez que Carequinha foi o primeiro a gravar um rock infantil no Brasil: O Rock do Ratinho. No início da década de 80, Carequinha, juntamente com Pelé, participou do primeiro disco de Xuxa Meneghel: O Clube da Criança. Ao todo ele gravou 27 LP’s e 184 compactos, mas poucos sabem que ele foi um seresteiro.

Fonte: O Palhaço Carequinha

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Rock do ratinho

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Carequinha

Rock do ratinho - Cyro de Souza

Era uma vez um ratinho pequenino
que namorava uma ratinha pequenina
e os dois se encontravam todo dia
num buraquinho na esquina

rock rock rock rock rock
é o rato e a ratina namorando
rock rock rock rock rock
é o rato e a ratinha se beijando

o ratinho lhe trazia todo dia
um pedaço de toucinho fumeiro
um tiquinho de manteiga, um queijinho
e um pouquinho de manteiga no focinho

rock rock rock rock rock
é o sino da igreja badalando
rock rock rock rock rock
é o ratinho e a ratinha se casando...

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O bom menino

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O bom menino - Carequinha

O bom menino não faz xixi na cama
O bom menino não faz malcriação
O bom menino vai sempre à escola
E na escola aprende sempre a lição

O bom menino respeita os mais velhos
O bom menino não bate na irmãzinha
Papai do céu protege o bom menino
Que obedece sempre, sempre a mamãezinha

Por isso eu peço a todas as crianças
Preste atenção para o conselho que eu vou dar

(falado)
Olha aqui.
Carequinha não é amigo de criança que passa
de noite da sua cama pra cama da mamãe
E também não é amigo de criança que rói unha,
e chupa chupeta.
Tá certo ou não tá?
Táaaaaaa

Eu obedeço sempre a mamãezinha
Então aceite os parabéns do carequinha.

O bom menino...

(falado)
Olha aqui.
Carequinha só gosta de criança
que respeita mamãe, papai, titia e vovó
E seja amigo dos seus amiguinhos
E também que coma na hora certa,
e durma na hora que a mamãe mandar.
Tá certo ou não tá?
Táaaaaaa

Eu obedeço sempre a mamãezinha
Então aceite os parabéns do carequinha.

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Escolinha do Carequinha

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Carequinha

Escolinha do Carequinha - Irany de Oliveira

Na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar com atenção
O Carequinha é nosso amigo
É camarada e tem bom coração
na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar pra ter valor
A nossa escola é bem querida
Vamos pra sala que lá vem o professor.

Na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar com atenção
O Carequinha é nosso amigo
É camarada e tem bom coração
na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar pra ter valor.

Muito obrigado, meus amiguinhos,
tudo farei para sem um bom professor.

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Circo alegre do Carequinha - Carequinha, Patrícia & Luciano

Viva garotada
Viva o circo alegre
Tá certo ou não tá

Ra ra o Carequinha
Virando mil cambalhotas
Deixou cair a sua calça
E foi a maior gargalhada

Circo é alegria
E animação
Tudo é fantasia
Vem se divertir
Vamos brincar
E cantar

Lá lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá
A alegria do palhaço
É ver você feliz cantar

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Carequinha
Canção da Primeira Comunhão - Alonso Galvão

hoje é dia de grande alegria
parabéns nós queremos te dar
O Menino Jesus na Eucaristia
Em teu peito foi morar.

Parabéns...
Parabéns...
Deus conserve
Teu bom coração
E receba as graças divinas
Da Primeira Comunhão.

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A carrocinha pegou

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Carequinha

A carrocinha pegou
Três cachorros de uma vez
Tralalalá, que gente é essa?
Tralalalá, que gente má!

A carrocinha pegou
Três cachorros de uma vez
Tralalalá, que gente é essa?
Tralalalá, que gente má!

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Alma de Palhaço

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Alma de palhaço - Carequinha e Fred Vilar

De um circo eu sou palhaço
No rosto levo este traço
para alegrar a multidão
Mas é tudo fantasia
É falsa a minha alegria
É tudo,tudo, ilusão

Ninguém sabe que no meu rosto
A tinta encobre um desgosto
Que vive a me atormentar
E como a luz da ribalta
Meu coração sente a falta
De quem não me soube amar

Enquanto a platéia acha graça
Dentro do peito a desgraça
Vem logo me torturar
O riso sempre constante
Faz-me esquecer um instante
Mas volto logo a chorar

Se todos pudessem ver
A razão do meu sofrer
Não pensavam em gargalhar
E ao terminar a cena
dariam lenços por pena
para o meu pranto enxugar.

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Rosa de Ouro

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Rosa de Ouro
Paulinho da Viola e Araci Cortes no espetáculo "Rosa de Ouro".

Quando as luzes se apagavam, entravam em cena Os Cinco Crioulos: Nelson Sargento, Anescarzinho, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros e Paulinho da Viola. Era o início do show Rosa de Ouro, dirigido por Hermínio Bello de Carvalho.

Paulinho abria o espetáculo com Recado. Depois, cada músico cantava uma composição de sua autoria. Quando todos estavam aquecidos, era hora da entrada triunfal de Araci Cortes. Tão majestosa quanto na época em que era a grande estrela do teatro musicado do país.

Na segunda parte do espetáculo, ao som dos atabaques de Paulinho e Elton, brilhava, a então estreante, Clementina de Jesus. No palco do samba, já não cabia tanta emoção. Era o ano de 1965 e, no Teatro Jovem do Rio, Rosa de Ouro tornava-se um divisor de águas, uma espécie de ritual de passagem de uma época em que o samba estava esquecido para um retorno triunfal aos meios de comunicação e às gravadoras.

Momento de reafirmação do ritmo, num período em que a bossa nova e a música estrangeira dominavam quase totalmente o cenário da música popular brasileira. Um grande início de carreira para o jovem Paulinho. Um marco na carreira de Elton Medeiros e de Clementina de Jesus, a despedida para Araci Cortes.

Programado para apenas algumas semanas, o espetáculo ficaria em cartaz no Rio por quase dois anos. O sucesso se repetiria em outras cidades do Brasil. Em São Paulo, Rosa de Ouro teria espaço no palco do Teatro Oficina.

Fonte: MPB Compositores - Editora Globo.

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