sexta-feira, novembro 02, 2007

Carlos José


Carlos José (Carlos José Ramos dos Santos), cantor e compositor, nasceu em São Paulo SP em 22/9/1934. Filho de um funcionário público e irmão do violonista Luís Cláudio Ramos, em 1939 transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro RJ, indo morar no bairro de Santa Teresa. 

Interessado por música desde criança, aos 11 anos aprendeu a tocar violão com a mãe. Estudou nos colégios Menino Jesus, Santo Inácio e Andrews, ingressando, mais tarde, na Faculdade de Direito, no Catete. Durante todo esse tempo sempre esteve ligado a grupos musicais amadores. 

Aos 13 anos participou do programa de calouros Papel Carbono, na Rádio Clube, classificando-se em primeiro lugar. 

Sua carreira profissional começou em 1957, quando ainda cursava direito: numa das festas da faculdade, apresentou-se com um conjunto e foi ouvido por Flávio Cavalcanti, que o convidou para participar de seu programa Um Instante Maestro, na TV-Rio. Na televisão, conheceu o compositor Alcir Pires Vermelho, por meio de quem gravou um 78 rpm, na Polydor, que incluía Ouça (Maysa) e Foi a noite (Tom Jobim e Newton Mendonça). Essa gravação deu-lhe o título de cantor-revelação do ano, concedido pelos cronistas do Rio de Janeiro. O sucesso levou-o a abandonar a advocacia para dedicar-se somente à música. 

Em 1958, lançou Oferta, sua primeira composição gravada, na Polydor. Em seguida, começou a viajar, apresentando-se em todo o Brasil, na Argentina e no Uruguai. Entre seus maiores sucessos, destacam-se Esmeralda (Fernando Barreto e Filadelfo Nunes), de 1960; Lembrança (versão de Serafim Costa Almeida), de 1962; Queria (Carlos Paraná), de 1964; Guarânia da saudade (Luís Vieira), de 1966; e Oração da Mãe Menininha (Dorival Caymmi), de 1973. 

Com cerca de 25 LPs gravados, em diversas etiquetas, em 1975 lançou Meu canto de paz, álbum da RCA Victor que, além de músicas de compositores novos, incluiu composições antigas, como Arrependimento (Sílvio Caldas e Cristóvão de Alencar) e Cabelos brancos (Marino Pinto e Herivelto Martins). 

Em 1993 gravou o CD Serestas brasileiras, do projeto Academia Brasileira de Música, da Sony. Entre outras faixas, o disco contém Esses moços (Pobres moços) e Nervos de aço (ambas de Lupicínio Rodrigues), Eu sonhei que tu estavas tão linda (Lamartine Babo e Francisco Matoso), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Assim como os rios bravios e Modinha

Em 1997 regravou seus principais sucessos, entre eles Lembrança, Esmeralda e Guarânia da saudade, para a Polygram, que lançou o CD 20 Super Sucessos de Carlos José, no qual foram incluídas também versões para Olhos nos olhos (Chico Buarque), Naquela mesa (Sérgio Bittencourt) e Cabecinha no ombro (Paulo Borges), e duas músicas inéditas: Você é uma mentira (Joelma) e Menino de rua (J. Júnior). 

Fonte: Enciclopédia da Música Popular Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

Carequinha


Carequinha (George Savalla Gomes), palhaço, compositor e cantor, nasceu em Rio Bonito-RJ (18/7/1915) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (5/4/2006). Em 1920 começou a trabalhar no Circo Peruano, de seu avô, chamado Savalla, em Carangola, e em 1938 estreou como cantor no programa Picolino, de Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro.

Com a inauguração da TV Tupi, em 1950, formou com Fred (Fred Vilar) notável dupla de palhaços, em seu programa Circo do Carequinha, pioneiro na televisão. Em 1958 realizou sua primeira gravação com a música Fanzoca de rádio (Miguel Gustavo), e no ano seguinte estreou como compositor, gravando Alma de palhaço (com Fred).

Algumas letras de músicas

A carrocinha pegou
Alma de palhaço
Canção da Primeira Comunhão
Chicotinho queimado
Circo alegre do Carequinha
Escolinha do Carequinha
Foi mamãe
Furaram meu balão
História do gago
O bom menino
O velhinho de barba branca
Quadrilha enquadrilhada
Rock do ratinho

O Palhaço Carequinha

Numa noite de 18 de julho de 1915, na cidade de Rio Bonito, Estado do Rio de Janeiro, a aramista e trapezista Elisa Savalla, durante uma apresentação noturna no Circo Peruano, sente as primeiras dores do parto. O seu marido, Lázaro Gomes, em pleno picadeiro, pede para ela descer do arame. Assim, num barraco de circo, nasce George Savalla Gomes, mais conhecido como Carequinha. Logo após o parto, seguindo uma bela tradição circense, ele recebe dos artistas os primeiros dos muitos aplausos, que se tornariam uma constante em sua vida.

O pai, que largou a batina pela atriz circense, morreu quando Carequinha tinha dois anos. Sua mãe casou-se novamente, com Ozório Portilho. Aos cinco anos, na cidade de Carangola, Minas Gerais, sua família trabalhava no Circo Peruano de seu avô, José Rosa Savalla, quando o padrasto Ozório, após alguns ensaios, colocou uma careca no pequeno menino e disse: “Hoje você vai entrar ( no picadeiro ) carequinha" e profético determinou que “de agora em diante você será o Carequinha”. Naquela ocasião tinha um palhaço que se chamava Careca e não podiam existir dois palhaços com nomes iguais. Então, dos cinco anos em diante, ele nunca mais deixou de ser o Carequinha.

Devidamente batizado, o contato com o público foi imediato e pouco a pouco transformou seu caminho em sinônimo de alegria. Foram muitas viagens pelo Brasil, com o Circo Peruano, da família Savalla, depois o Circo Ocidental (comprado pelo padrasto ), sendo palhaço oficial do circo aos 12 anos, o Atlântico e o Olimecha, até chegar no Rio de Janeiro o Circo Alemão Sarrazani.

Isso foi em 1951. Eles queriam uns palhaços brasileiros e Carequinha e o companheiro Fred tornaram-se então uns dos raros palhaços do Brasil contratados por um circo estrangeiro. O circo era uma bola de alumínio, uma coisa extraordinária, para o veterano palhaço que nunca tinha aquilo. O circo ficou três meses defronte da Central do Brasil e depois, com Carequinha e Fred, foi para São Paulo. Os dois palhaços ficaram 4 meses e meio nesse espetáculo.

Naquela época o circo também era teatro, como relembra o palhaço: “Eu era o galã, rapaz novo, fazia o palhaço na primeira parte e depois o galã das peças. O circo tinha palco, a primeira parte era no picadeiro e a segunda no palco, levava aqueles dramalhões". Foi na segunda parte que Carequinha conheceu o grande companheiro Fred, um alfaiate que nas horas vagas trabalhava em teatros dos subúrbios carioca.

Depois, radicado na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro, Carequinha optou por apresentar-se fora do circo, na qual as apresentações eram diárias. Carequinha gostava de fazer três, quatro, cinco apresentações por semana. Então, ele se limitou a fazer shows de aniversários, clubes e viagens para o interior do país.

Ele representou o nosso país quatro vezes no Exterior, ganhando uma medalha de ouro na Itália como o Palhaço Moderno do Mundo. O recebimento da medalha ocorreu na Cidade de Campione D’itália, credenciado ao concurso pela Superintendência do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, para representar o Brasil no I Festival Internacional de Clow, que foi realizado nos dias 13 e 14 do mês de dezembro de 1964, disputando com palhaços de 20 países. Também esteve em Portugal, na América do Norte duas vezes, na Argentina e no Reino Unido.

Em certa ocasião, enquanto viajava de avião para Florianópolis, o diretor de um show passou um rádio para o avião em que se encontrava Carequinha pedindo que ele descesse maquiado porque tinha umas três mil pessoas no aeroporto esperando para vê-lo. Neste dia, ele recebeu a chave da cidade num carro do Corpo de Bombeiro e foi até o centro da cidade para o primeiro show numa praça que estava lotada.

A mesma receptividade ocorreu em Porto Alegre e Portugal. A partir do convite de Getúlio Vargas para apresentar o seu circo para seus filhos no Palácio do Catete, Carequinha passou a ser considerado o Palhaço dos Presidentes. Os seus shows eram quase que obrigatórios para todos os presidentes da República, desde de Getúlio Vargas passando por JK incluindo os Generais do governo militar. Ele tomou parte da inauguração da Praça dos Três Poderes, na então recém criada Brasília (1960), convidado pelo amigo Juscelino Kubitschek.

Durante suas viagens de trabalho, Carequinha encontrou tempo para namorar e casar-se. “O Circo Ocidental foi a Poços de Caldas, Minas Gerais ( 1940 ). Lá, eu me casei e depois voltamos para São Gonçalo. Minha esposa, Elpídia, era professora e gostou do Carequinha. Eu bem que lhe contei como era a minha vida. Mesmo assim ela decidiu se casar comigo”.

Carequinha também tinha tempo para os estudos, tendo estudado até o 3o ano da faculdade de Direito. Desde criança, sua mãe o matriculava na escola de cada cidade por onde o circo passava. Assim foi sua vida escolar.

O rádio estava em sua Época de Ouro. Carequinha integrou o elenco do Programa Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga ( RJ ), e do show de variedades de César de Alencar, na Rádio Nacional ( RJ ). Trabalhou ao lado de cantores como Francisco Alves, Emilinha Borba e Ângela Maria. As músicas interpretadas por Carequinha, Fanzóca do Rádio ( brincadeira com as fãs de Emilinha Borba ) e A Burrinha foram as mais tocadas nos carnavais de 1958 e 1960, respectivamente.

Além das marchinhas carnavalescas, Ele gravou várias músicas infantis, muitas acompanhado pelo flautista Altamiro Carrilho e sua bandinha. Em 1962, com Carrilho, Carequinha gravou O Bom Menino ( “O Bom Menino não Faz Pipi Na Cama/ O Bom Menino não Faz Mal-criação/ O Bom Menino Vai Sempre a Escola....” ) que vendeu 2 milhões e 500 mil cópias.

Ele foi o primeira a gravar a música de roda Atirei o Pau no Gato, além de outras velhas cantigas infantis. O jornal Folha de São Paulo publicou certa vez que Carequinha foi o primeiro a gravar um rock infantil no Brasil: O Rock do Ratinho. No início da década de 80, Carequinha, juntamente com Pelé, participou do primeiro disco de Xuxa Meneghel: O Clube da Criança. Ao todo ele gravou 27 LP’s e 184 compactos, mas poucos sabem que ele foi um seresteiro.

Rock do ratinho

Carequinha

Rock do ratinho - Ciro de Souza

Era uma vez um ratinho pequenino
que namorava uma ratinha pequenina
e os dois se encontravam todo dia
num buraquinho na esquina

rock rock rock rock rock
é o rato e a ratinha namorando
rock rock rock rock rock
é o rato e a ratinha se beijando

o ratinho lhe trazia todo dia
um pedaço de toucinho fumeiro
um tiquinho de manteiga, um queijinho
e um pouquinho de manteiga no focinho

rock rock rock rock rock
é o sino da igreja badalando
rock rock rock rock rock
é o ratinho e a ratinha se casando...

O bom menino

O bom menino (canção, 1960) - Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho - Interpretação de:  Carequinha

O bom menino não faz xixi na cama
O bom menino não faz malcriação
O bom menino vai sempre à escola
E na escola aprende sempre a lição

O bom menino respeita os mais velhos
O bom menino não bate na irmãzinha
Papai do céu protege o bom menino
Que obedece sempre, sempre a mamãezinha

Por isso eu peço a todas as crianças
Preste atenção para o conselho que eu vou dar

(falado)
Olha aqui.
Carequinha não é amigo de criança que passa
de noite da sua cama pra cama da mamãe
E também não é amigo de criança que rói unha,
e chupa chupeta.
Tá certo ou não tá?
Táaaaaaa

Eu obedeço sempre a mamãezinha
Então aceite os parabéns do carequinha.

O bom menino...

(falado)
Olha aqui.
Carequinha só gosta de criança
que respeita mamãe, papai, titia e vovó
E seja amigo dos seus amiguinhos
E também que coma na hora certa,
e durma na hora que a mamãe mandar.
Tá certo ou não tá?
Táaaaaaa

Eu obedeço sempre a mamãezinha
Então aceite os parabéns do carequinha.

Escolinha do Carequinha

Escolinha do Carequinha (canção, 1960) - Irani de Oliveira - Interpretação de: Carequinha

Na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar com atenção
O Carequinha é nosso amigo
É camarada e tem bom coração
na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar pra ter valor
A nossa escola é bem querida
Vamos pra sala que lá vem o professor.

Na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar com atenção
O Carequinha é nosso amigo
É camarada e tem bom coração
na escolinha do Carequinha
Vamos todos estudar pra ter valor.

Muito obrigado, meus amiguinhos,
tudo farei para sem um bom professor
.

Circo alegre do Carequinha

Circo alegre do Carequinha - Carequinha, Patrícia & Luciano

Viva garotada
Viva o circo alegre
Tá certo ou não tá

Ra ra o Carequinha
Virando mil cambalhotas
Deixou cair a sua calça
E foi a maior gargalhada

Circo é alegria
E animação
Tudo é fantasia
Vem se divertir
Vamos brincar
E cantar

Lá lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá
A alegria do palhaço
É ver você feliz cantar

Canção da Primeira Comunhão

Carequinha

Canção da Primeira Comunhão - Alonso Galvão

hoje é dia de grande alegria
parabéns nós queremos te dar
O Menino Jesus na Eucaristia
Em teu peito foi morar.

Parabéns...
Parabéns...
Deus conserve
Teu bom coração
E receba as graças divinas
Da Primeira Comunhão.

A carrocinha pegou

Carequinha

A carrocinha pegou
Três cachorros de uma vez
Tralalalá, que gente é essa?
Tralalalá, que gente má!

A carrocinha pegou
Três cachorros de uma vez
Tralalalá, que gente é essa?
Tralalalá, que gente má!

Alma de Palhaço

Alma de palhaço - Carequinha e Fred Vilar

De um circo eu sou palhaço
No rosto levo este traço
para alegrar a multidão
Mas é tudo fantasia
É falsa a minha alegria
É tudo,tudo, ilusão

Ninguém sabe que no meu rosto
A tinta encobre um desgosto
Que vive a me atormentar
E como a luz da ribalta
Meu coração sente a falta
De quem não me soube amar

Enquanto a platéia acha graça
Dentro do peito a desgraça
Vem logo me torturar
O riso sempre constante
Faz-me esquecer um instante
Mas volto logo a chorar

Se todos pudessem ver
A razão do meu sofrer
Não pensavam em gargalhar
E ao terminar a cena
dariam lenços por pena
para o meu pranto enxugar.