quinta-feira, dezembro 20, 2007

Luís Cláudio


Luís Cláudio (Luís Cláudio de Castro), cantor / compositor, nasceu em Curvelo MG em 22/3/1935. Aos sete anos de idade aprendeu a tocar um cavaquinho que ganhara do pai. Durante um ano estudou música com o maestro Moacir Santos; aos 12 anos formou com alguns amigos o trio amador Trovadores do Luar, que se apresentava em festas e serestas locais.

Em 1949 viajou com o trio para Belo Horizonte MG, apresentando-se para um teste na Rádio Inconfidência, foram contratados. Na mesma época e na mesma rádio, foi aprovado como cantor num programa de calouros, passando a cantar músicas norte-americanas. A rua onde ela mora, com letra do irmão Antônio Maurício de Castro, foi sua primeira composição gravada, em 1952, em um 78 rpm da antiga Sinter.

Em 1955 deixou a Inconfidência, seguindo para o Rio de Janeiro com os jovens cantores que Osmar Campos Filho fora buscar em Minas Gerais para a Rádio Mayrink Veiga, e foi contratado graças à intervenção de Ciro Monteiro. É desse mesmo ano a gravação de Blim, blem, blam (com Nazareno de Brito), para a Columbia, destaque no Natal de 1955, que lhe valeu o Disco de Ouro do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, como revelação masculina do ano.

Em 1956 gravou na Columbia o samba-canção Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito), entre outras. No ano seguinte, na mesma gravadora, lançou a valsa Quero-te assim(Tito Madi) e o paso doble Anda, jerico (Osvaldo Santiago e Alcir Pires Vermelho).

Transferindo-se para a RCA Victor, gravou em 1960 o samba-canção Só Deus (Evaldo Gouveia e Jair Amorim) e o samba Menina feia (Oscar Castro-Neves e Luverci Fiorini), além de guarânias, baladas e marchas. No ano seguinte gravou Rancho das flores, letra de Vinícius de Moraes para a cantata Jesus alegria dos homens, de Johann Sebastian Bach (1685—1750); o rasqueado Amor desfeito (Getúlio Macedo) e Deixa a nega gingar (de sua autoria).

Em 1968 participou do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, interpretando Amada, canta (Luiz Bonfá e Maria Toledo), lançando no mesmo ano um LP juntamente com uma exposição de desenhos de sua autoria.

É formado pela Escola Nacional de Arquitetura, mas não exerce a profissão. Suas composições foram gravadas por Elisete Cardoso, Tito Madi, Nara Leão, Mansa e Dick Farney, entre outros. Teve como principais parceiros Nazareno de Brito, Fernando César e William Prado.

Em 1973 esteve na Europa, participando de programas com a orquestra da O.R.T.F., e gravou novo LP na Odeon, com Estrada branca (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e Amo-te muito(João Chaves). Dois anos depois, pela mesma gravadora, lançou o LP Reportagem, com Rugas (Nelson Cavaquinho, Ari Monteiro e Augusto Garcez) e Onde eu nasci passa um rio (Caetano Veloso).

Em 1980, a convite do Brazilian American Cultural lnstitute, viajou para os EUA, percorrendo cerca de 15 universidades, em programa de divulgação da MPB. Lançou em 1983, pela Leo Christiano Editorial, um álbum duplo com músicas do folclore de Minas Gerais, Minas sempre- viva!, acompanhado de livro de arte com apresentação de Carlos Drummond de Andrade.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Lennie Dale

Bailarino e coreógrafo americano radicado no Brasil, criador dos Dzi Croquettes em 1973, um grupo de grande sucesso com seus shows escandalosos apresentando uma androgenia debochada. Elogiado por Liza Minelli, com quem trabalhou e disse jamais ter visto coisa igual, fez também um filme underground de uma equipe alemã, retratando a alucinante passagem dos Dzi Croquettes por Paris.

Nascido no bairro do Brooklyn, em Nova York, Lennie se apaixonou pelo Brasil em 1960, ao ser convidado por Carlos Machado para fazer a coreografia da peça Elas Atacam Pelo Telefone, na boate Fred´s no Rio. Em seguida, foi para o Bottle's Bar no Beco das Garrafas, onde, ao ouvir João Gilberto, dirigiu vários shows de bossa nova e criou uma dança especial para o ritmo que surgia. Sob sua orientação, Sergio Mendes começou a usar dançarinas em seus shows. Em 1961, o restaurante Night and Day vibrava com o bailarino vestindo uma saia e estalando chicote, uma coreografia revolucionária para a época.

Lennie foi o introdutor da noção de ensaio em espetáculos de MPB. Até então, o artista chegava na hora da apresentação e cantava, sem nenhuma preocupação com a produção ou expressão corporal. Foi ele quem mandou Elis Regina cortar os cabelos e balançar os braços como hélices na música Arrastão.

O pai de Lennie, um barbeiro fracassado que imigrara da Sicília e vivia amaldiçoando o dia em que decidira buscar a prosperidade na América, lamentava como mais um castigo da vida ter um filho bailarino. Logo, porém, tornou-se seu próprio empresário, e ele fez muito sucesso no programa infantil Star Lime Kids, co-estrelado por Connie Francis.

Dos 14 aos 21 anos, Lennie dedicava-se as aulas de balês em tempo integral. Na Broadway, fez parte do grupo dos jets em West Side Story, mas foi barrado pelo diretor Jerome Robbins para a versão cinematográfica. Mudou-se então para Londres, alugou uma sala e deixava a porta aberta para que todos vissem como dançava bem. Um empresário de Shirley Bassey passava pelo local quando ficou admirado com sua performance e contratou-o.

Apresentou-se em toda a Europa, participou de um programa com Gene Kelly na televisão italiana e da coreografia para 500 bailarinos em Cleópatra. Na ocasião, ficou conhecendo a grande estrela do filme de forma sui-generis: um dia abriu a porta errada no corredor dos camarins e defrontou-se com uma animada Elizabeth Taylor praticando sexo oral com Richard Burton. Nenhuma surpresa, eles acharam engraçado e acabaram tornando-se amigos.

Lennie chegou a voltar para os Estados Unidos, mas em 1971 retornava novamente ao Brasil, preso em seguida, por porte de maconha na galeria Alaska. Passou um ano na penitenciária Helio Gomes onde, numa noite, sonhou que galopava sobre um cavalo branco, seguido por uma multidão de admiradores. O sonho repetiu-se exatamente um ano depois, na mesma data, e ele foi tomado por uma grande fé umbandista, pois identificou-se com a imagem de São Jorge Guerreiro. Embora calvo na vida real, no sonho via-se com uma longa cabeleira longa.

Lennie possuía uma sapatilha roubada em Paris do russo Rudolf Nureyev e um exemplar da biografia de Madame Satã, seu ídolo máximo, um homossexual famoso por surrar policiais e travestir-se de Carmen Miranda. Foi responsável pela coreografia da novela Baila Comigo e pelo musical 1.707.839 / Leonardo Laponzina.

Lennie Dale morreu aos 57 anos, em 9 de agosto de 1994.

Jota Silvestre

Jota Silvestre, jornalista, radialista, escritor, um dos grandes nomes do vídeo nos anos 60 e um dos pioneiros dos programas de auditório no Brasil. Na Tupi, fez O Céu É o Limite. Foi o primeiro programa de perguntas e respostas do país e ficou quase 30 anos no ar em diversas emissoras.

Nascido em Salto, interior de São Paulo, em 1922, em uma família de imigrantes italianos, João Silvestre chegou a sobreviver do trabalho em uma fábrica de tecidos antes de ser descoberto pela Rádio Bandeirantes de São Paulo, em 1941, em um concurso de locutores no qual enfrentou 350 candidatos.

Com a experiência atrás dos microfones, acabou tornando-se um dos pioneiros da implantação da televisão brasileira, ao apresentar, em 1950, o programa inaugural da TV Tupi. Outro programa que J. Silvestre comandou foi o Almoço Com as Estrelas, depois transferido para Airton e Lolita Rodrigues. Ele era reservado, mas muito gentil e culto, lembra Lolita.

Também escreveu e atuou em telenovelas como Meu Trágico Destino, de 1953, transmitida ao vivo. No mesmo ano, a TV Tupi apresentou a novela A Dama de Negro, de sua autoria, que na época produzia para o rádio e a televisão. Já com o programa Esta É Sua Vida, na década de 60, J. Silvestre fazia homenagens lacrimosas a celebridades das quais relatava trechos dramáticos da vida e apresentava parentes em pleno palco, ao vivo, para extrair flagrantes de emoção.

Em 1964, contratado da TV Excelsior de São Paulo, Silvestre tornou-se mestre de cerimônias do programa A Pergunta dos Dez Milhões, onde os candidatos respondiam a perguntas sobre determinados personagens.

Em 1979, foi nomeado presidente da Radiobrás pelo então presidente João Baptista Figueiredo, mas divergências com a equipe o levaram a deixar o cargo poucos meses depois. Um dos poucos profissionais desse tempo que manteve sua imagem intacta e sem desgastes, dando-se a grandes períodos de ausência do vídeo, até o público exigir sua volta ou dele se recordar com saudade. J. Silvestre se apresentou como sendo um dos primeiros homens de comunicação adeptos do transplante de cabelos, técnica à época ainda considerada incerta.

Permaneceu nos Estados Unidos durante 23 anos, uma fase da qual aproveitou para pesquisar e observar a televisão americana, que considerava a melhor do mundo. Esse estudo, servia de subsídio para novos programas lançados no Brasil e base para a publicação de um romance, O Presidente Está Morrendo.

Voltou à televisão em 1982, no SBT, para apresentar o Show Sem Limite e A Mulher É um Show. De 1983 a 1986, apresentou na Rede Bandeirantes os programas J. Silvestre, Essas Mulheres Maravilhosas e Porque Hoje É Sábado.

Voltou a viver na Flórida em 1986, ocupando os dez anos seguintes com seus quadros e livros. Apesar de preferir viver na Flórida com a família, esteve no Brasil mais uma temporada para apresentar Domingo Milionário, na extinta Rede Manchete, em 1997, um retumbante fracasso que durou apenas seis meses. Foi seu último trabalho na televisão. Com a derrocada da emissora, voltou à Flórida.

Conforme seu desejo, seu corpo foi cremado e as cinzas, jogadas ao mar. Jota Silvestre foi casado com Nívea, com quem teve quatro filhos, Alexandre, Pedro, Paulo e João, e seis netos. Faleceu aos 77 anos, em 7 de janeiro de 2000.