sexta-feira, setembro 26, 2008

Máscara da face




Máscara da face (samba/carnaval, 1953) - Klecius Caldas e Armando Cavalcanti - Intérprete: Dircinha Batista

Deixou, deixou, deixou
Deixou cair a máscara da face
Mostrou, mostrou, mostrou
Mostrou por fim
Que nunca teve classe

No começo, dei-lhe a mão
Depois, depois o coração
Para ela eu fui um pai
Um amigo e um irmão
Dei-lhe tudo que podia
Sem pensar no desenlace
Afinal, não merecia
Tirou a máscara da face

No começo, dei-lhe a mão
Depois, depois o coração
Para ela eu fui um pai
Um amigo e um irmão
Dei-lhe tudo que podia
Sem pensar no desenlace
Afinal, não merecia
Tirou a máscara da face....

quinta-feira, setembro 25, 2008

Edgar Ferreira

Edgar Ferreira (Edgar Monteiro Ferreira, 07/04/1922 - 19/12/1995, Recife, PE), compositor, foi um dos fundadores do primeiro sindicato da indústria metalúrgica de material elétrico da cidade do Recife.

Trabalhou na Fábrica Mazarazzo de onde foi demitido em 1941 por participar de uma greve. Passou a sobreviver vendendo livros de cordel com composições suas no Largo da Paz, em Recife.

Quando adolescente, fundou a Escola de Samba Turma Brasileira. Destacou-se como compositor tendo diversas músicas gravadas com sucesso por Jackson do Pandeiro, entre as quais Forró em Limoeiro, gravada em 1953, grande sucesso daquele ano, e Um a um no ano seguinte.

Suas composições foram também gravadas por inúmeros outros intérpretes, entre os quais, Carlos Galhardo, Joel de Almeida, Luiz Wanderley, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Gilberto Gil, João Bosco, Genival Lacerda, Cascabulho, Zé Ramalho e Paralamas do Sucesso.

Em 1955, Alzirinha Camargo gravou o rojão Show no Maracanã. Nesse ano, fez grande sucesso no carnaval com o samba Vou gargalhar, gravado por Jackson do Pandeiro. Em 1959, Ari Lobo gravou o rojão O criador, e em 1961, Recife sangrento. No ano seguinte, Altamiro Carrilho e sua Bandinha regravaram Forró em Limoeiro. Ainda com Jackson do Pandeiro teve gravadas o xote Cremilda. Em 1967, foi premiado pela trilha sonora da peça O Rei da vela, de Oswald de Andrade. Em 1983, a mesma peça foi levada para o cinema e ele ganhou um Kikito de ouro no festival de gramados pela trilha sonora, ambas as versões dirigidas por José Celso Martinez.

Em 1999, Carmélia Alves regravou seu coco Um a um. Em 2000, sua composição Ele disse, composta em homenagem ao ex-presidente da República Getúlio Vargas, foi regravada pelo cantor Zé Ramalho no CD duplo Nação Nordestina. No mesmo ano, o cantor pernambucano Claudionor Germano gravou A dor de uma saudade. Também na mesma época, o coco Forró em Limoeiro foi regravado pelo Trio Nordestino no CD Trio Nordestino - Xodó do Brasil que marcou o retorno do trio.

É, até hoje, considerado um dos maiores compositores de Pernambuco nos anos 1950 e 1960. Foi considerado um dos criadores do rojão, ritmo muito próximo do coco.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Poeira do chão




Dalva de Oliveira
Poeira do chão (samba-canção, 1952) - Klecius Caldas e Armando Cavalcanti - Interpretação: Dalva de Oliveira

O que te dei em carinho
Tu devolveste em traição
O que era um claro caminho
Tornaste desolação
Hoje, tu voltas chorando
Para implorar meu perdão

O meu perdão nada custa
Falando a palavra justa
Há muito eu te perdoei
E por amar de verdade
Vendo tanta falsidade
No fundo eu te lastimei
Se é baixo e vil o interesse
O amor bem cedo fenece
É flor que morre em botão

Não
Não pode alcançar os astros
Quem leva a vida de rastros
Quem é poeira do chão...

Meu rouxinol




Dalva de Oliveira
Meu rouxinol (marcha-rancho, 1952) - Pereira Matos e Mário Rossi - Intérprete: Dalva de Oliveira

Meu rouxinol emudeceu
Perdeu a voz ao por do sol
Meu rouxinol adormeceu
Dorme com Deus
Descansa em paz, meu rouxinol

Meu rouxinol está na história
Meu rouxinol é imortal
Em homenagem à sua glória
Há violões, e corações
Em funeral

Meu rouxinol emudeceu
Perdeu a voz ao por do sol
Meu rouxinol adormeceu
Dorme com Deus
Descansa em paz, meu rouxinol

sexta-feira, setembro 19, 2008

Se você se importasse



Apesar da pouca idade, Dóris Monteiro (foto). começou a cantar em 1951 na boate do Copacabana Palace Hotel e fez sua estréia em disco, gravando, pela Todamérica, em 78 rpm, de um lado, Se você se importasse, de Peterpan, um dos compositores mais gravados por Emilinha Borba (na realidade, seu cunhado) e, do outro, Fecho meus olhos, vejo você (José Maria de Abreu).

Se você se importasse, quase que imediatamente, tornou-se um grande sucesso popular em todo o país, ficando nos primeiros lugares das paradas de sucessos do final de 1951 até meados de 52. Com uma bela melodia e uma letra simples, mas bem feita, a música proporcionou a Dóris uma estréia espetacular no mundo do disco, que lhe abriu as portas.

Se você se importasse (samba-canção, 1951) - Peterpan - Intérprete: Dóris Monteiro

Se você se importasse
Com meu triste viver
Se você se importasse
Com o meu padecer
E me compreendesse
Tão feliz eu seria
Se você se importasse
Com a minha agonia.

Tudo quanto padeço
E esquecer não consigo
Eu talvez esquecesse
Se você se importasse
Um pouquinho comigo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Ministério da Economia

Geraldo Pereira
Ministério da Economia (samba, 1951) - Geraldo Pereira e Arnaldo Passos

Disco 78 rpm: Título da música: Ministério da economia / Autoria: Pereira, Geraldo (Compositor) / Passos, Arnaldo (Compositor) / Pereira, Geraldo (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta[S.l.]: Sinter, 1951 / Nº Álbum 71 / Lado B / Gênero: Samba /

Seu Presidente
Sua excelência mostrou que é de fato
Agora tudo vai ficar barato
Agora o pobre já pode comer
( Pra você ver )


Seu Presidente
Pois era isso que o povo queria
O Ministério da Economia
Parece que vai resolver


Seu Presidente
Graças a Deus não vou comer mais gato
Carne de vaca no açougue é mato
Com meu amor eu já posso viver


Eu vou buscar a minha nega
Prá morar comigo
Porque já vi que não há perigo
Ela de fome já não vai morrer

A vida tava tão difícil

Que eu mandei
A minha nega bacana
Meter os peitos na cozinha

Da madame lá em Copacabana

Agora vou buscar minha nega
Porque gosto dela prá cachorro
Os gatos é que vão dar gargalhada
De alegria lá no morro.

Cosme e Damião

Cosme e Damião (valsa, 1951) - Roberto Martins e Ari Monteiro

Disco 78 rpm / Título: Cosme e Damião / Autoria: Monteiro, Ari (Compositor) / Martins, Roberto (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 18/05/1951 / Nº Álbum 800797 / Lado A / Gênero musical: Valsa /

Eu era criança
E tinha esperança
De ser um dia feliz
Fiz uma promessa
Dei doce à bessa
Para os santinhos guris

Mamãe me fazia
Os doces pedia
Que eu lhe fizesse um favor
Pedisse aos santinhos
Que o meu papaizinho
Desse a ela o seu grande amor

Cosme e Damião, ooó
Crispim, Crispiniano
Caboclinho da mata
Doces pra vocês eu dei
E a promessa que fiz já paguei
Festas e mais festas eu fiz
Desta data feliz eu me lembro
Cosme e Damião, doum, doum
Vinte e sete de setembro!

Baião de Copacabana

Alcides Gerardi
Composição de Haroldo Barbosa com música de Lúcio Alves, esta canção foi inicialmente gravada, em 1951, pelo Trio Madrigal: Edda Cardoso, Magda Marialba e Magda Oliveira. Dois meses depois regravada pelo cantor Alcides Gerardi e popularizada por Lúcio Alves em 1954.

Baião de Copacabana (baião, 1951) - Lúcio Alves e Haroldo Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Baião de Copacabana / Autoria: Barbosa, Haroldo (Compositor) / Alves, Lúcio, 1927-1993 (Compositor) / Gerardi, Alcides, 1918-1978 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1951 / Nº Álbum 13185 / Lado A / Gênero musical: Baião /

Copacabana, Copacabana
Ai quem me dera
Que eu pudesse te deixar
A vida é cara, o sol me queima
Mas eu não posso viver bem
Noutro lugar
(bis)

Vem a conta do gás e do leite e da carne
Eu nem sei como hei de pagar
O meu lar é uma vaga de quarto
Mais caro que casa
De qualquer lugar

Ai de mim que será
Quando eu adormecer
De manhã ao despertar
Procurar e não te ver

Afinal

Ismael Neto
Afinal (bolero, 1951) - Ismael Neto e Luís Bittencourt - Interpr.: Os Cariocas (1958) -

Afinal
Tu sofres o que eu sofri
Pagas hoje o que fizeste de mal
Sentes a dor que eu senti

Quando eu quis
Só para mim teu amor
Tu zombaste
Eu me julguei infeliz
Me vendo sem teu calor

Sou feliz, bem longe de ti
E nem sequer lamento o que sofri
Aaquele meu tormento já teve fim
surgiu nova ilusão sim
Para o meu coração

Afinal
Tu sofres o que eu sofri
Pagas hoje o que fizeste de mal
Sentes a dor que eu senti

Sou feliz, bem longe de ti
E nem se quer lamento o que sofri
Aquele meu tormento já teve fim
Surgiu nova ilusão sim
Para o meu coração.

Afinal
Tu sofres o que eu sofri
Pagas hoje o que fizeste de mal
Sentes a dor que eu senti

Serpentina

Nelson Gonçalves
Serpentina (marcha/carnaval, 1950) - Haroldo Lobo e David Nasser

Disco 78 rpm / Título da música: Serpentina / Autoria: Nasser, David, 1917-1980 (Compositor) / Lobo, Haroldo (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 09/10/1949 / Nº Álbum 800630 / Lado B / Lançamento: Janeiro/1950 / Gênero musical: Marcha /

Guardo ainda bem guardada
A serpentina
Que ela jogou
Ela era uma linda colombina
E eu, um pobre pierrô

(Bis)

Guardei a serpentina
Que ela me atirou
Brinquei com a colombina
Até as sete da manhã

Chorei
Quando ela disse:
"Vou-me embora.
Até amanhã,
Pierrô, até amanhã!"

Se é pecado sambar

Marlene
Se é pecado sambar (samba, 1950) - Manoel Santana

Disco 78 rpm / Título da música: Se é pecado sambar / Autoria: Santana, Manoel (Compositor) / Marlene (Intérprete) / Orquestra Tabajara (Acompanhante) / Araújo, Severino (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, Setembro/1949-Janeiro/1950 / Nº Álbum 16148 / Lado B / Lançamento: Janeiro/1950 / Gênero musical: Samba /

Se é pecado sambar
A Deus eu peço perdão
Eu não posso evitar
A tentação
De um samba dolente
Que mexe com a gente
Fazendo endoidecer

É um tal de me pega
Me solta me deixa
Sambar até morrer
Se é pecado sambar

Só o samba é culpado
De eu abandonar meu lar
Se sambar é pecado
Deus terá me perdoado

quarta-feira, setembro 17, 2008

Rio de Janeiro

Dalva de Oliveira
Rio de Janeiro (samba, 1944) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título: Rio de Janeiro / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Borba, Osvaldo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 07/03/1951 / Álbum 13111 / Gênero: Samba /

Para cantar a beleza
A grandeza
De nossa terra
Basta ser bom brasileiro
Mostrar ao mundo inteiro
Tudo que ela encerra, Brasil.

Ô nossas praias sao tao claras
Nossas flores sao tao raras
Iso é o meu Brasil


Ô nossos rios, nossas ilhas e matas
Nossos montes, nossas lindas cascatas
Deus foi quem criou, ô ô
Ô ô minha terra brasileira
Ouve esta cançao ligeira
Que eu fiz quase louco de saudade
Brasil
Tange as cordas dos teus violoes
E canta teu canto de amor
Que vai fundo nos coraçoes.

Para sentir a grandeza
A beleza do meu país
Basta ma só condiçao
É ser brasileiro e ter coraçao
Rio de Janeiro...

Ô nossas flores sao tao raras
Nossas noites sao tao claras
Isto é o meu Brasil.
Ô esses montes, essas ilhas e matas
Essas fontes, estas lindas cascatas
Isso é o meu Brasil, ô ô
Minha terra brasileira
Ouve esta cançao ligeira
Que fiz quase louco de saudade
Brasil
Tange as cordas dos teus violoes
E canta o teu canto de amor
Que vai fundo nos coraçoes.

Errei sim

Dalva de Oliveira
Errei sim (samba-canção, 1950) - Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Errei sim / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Borba, Osvaldo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1950 / Nº Álbum 13039 / Gênero musical: Samba canção /

Errei sim
Manchei o teu nome
Mas foste tu mesmo
O culpado
Deixavas-me em casa
Me trocando pela orgia
Faltando sempre
Com a tua companhia.

Lembra-te, agora, que não é

Só casa e comida
Que prende por toda a vida
O coração de uma mulher.

As jóias que me davas
Não tinham nenhum valor
O mais caro me negavas
Que era todo o teu amor,
Mas, se existe ainda
Quem queira me condenar
Que venha logo
A primeira pedra
Me atirar.

terça-feira, setembro 16, 2008

Chofer de praça

Luiz Gonzaga
Chofer de praça (mazurca, 1950) - Fernando Lobo e Evaldo Rui

Disco 78 rpm / Título da música: Chofer de praça / Autoria: Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Lobo, Fernando, 1915-1996 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1950 / Nº Álbum 800695 / Lado A / Gênero: Mazurca /

Juntei dinheiro quase um ano inteiro,
Entrei pra escola para ser chofer,
Dessa maneira, sem fazer besteira,
Tirei a carteira, butei meu boné,
Bantendo pino sigo o meu destino
Caminhando para onde Deus quiser
A vida passa, eu vou fazendo a praça
Primeira, segunda, pisa em marcha ré

Se o freguês reclama que eu sou vagaroso

Que meu carro é velho e faz muita fumaça
Eu não me zango, não faço arruaça
Sou bem educado,
Sou chofer de praça,
Ai, ai, não nego a minha raça
Ai, ai, eu sou chofer de praça

Para casamento tenho um terno branco,
Para batizado tenho um terno azul,
Tiro o boné se vou pra zona norte,
Boto o boné se vou pra zona sul,
Se apanho um casal,
Pros lados do Neblon,
Sei que vou parar na gota da impresa,
Viro o espelho, não fale, não veja,
Vou dá meu cortejo, espero a recompensa

-Taxi...
-Tá Ocupado.
-Táxi!
-Oficina!
-Doutor,
-O senhor não leva a mal doutor, mas pra onde é que o senhor vai hein?
-Vou pra Jacarépaguá.
-Tá doido.
-O senhor vai pagar a ida e a volta.
-Pois não, doutor.
-Vamos nós!
-Doutor, trabalho a quilometro, tenho oito filho pra sustentar doutor
-Vamos nós doutor, o senhor foi madado de Deus, "vamu simbora"
-Táxi!
-Vou almoçar!

Amargura

Lúcio Alves
Amargura (samba-canção, 1950) - Radamés Gnattali e Alberto Ribeiro

Disco 78 rpm / Título da música: Amargura / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / Gnattali, Radamés (Compositor) / Lúcio Alves, 1927-1993 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1949-1950 / Nº Álbum 16293 / Lançamento: 1950 / Lado A /

Toda amargura que há no céu
Que há na terra e no mar
Nasceu, talvez
Da amargura que tem no olhar

No céu há um sol a brilhar
Que deixa a terra e o mar
Só tu continuas assim
Dia e noite a chorar


Pobre de quem vê em tudo
A saudade de alguém
E a esperar
Nem sequer vê a vida passar

Tristezas só há no amor
E o mundo começa a cantar
Apaga a amargura
Do teu olhar...

A coroa do rei

Dircinha Batista
A coroa do rei (samba/carnaval, 1950) - Haroldo Lobo e David Nasser

Disco 78 rpm / Título da música: A coroa do rei / Autoria: Nasser, David, 1917-1980 (Compositor) / Lobo, Haroldo (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Carioca (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 30/09/1949 / Nº Álbum 12962 / Lado B / Lançamento: 12/1949 / Gênero: Batucada /

A coroa do Rei,
Não é ouro nem de prata,
Eu também já usei,
E sei que ela é de lata.

A coroa do Rei,
Não é de ouro nem de prata,
Eu também já usei,
E sei que ela é de lata.

Não é ouro nem nunca foi
A coroa que o Rei usou
É de lata barata
E olhe lá... borocochô

Na cabeça do Rei andou
E na minha andou também
É por isso que eu digo
Que não vale um vintém.

Você é que pensa

Alcides Gerardi
Você é que pensa (fox, 1949) - Roberto Roberti e Dunga (Valdemar de Abreu)

Disco 78 rpm / Título da música: Você é que pensa / Autoria: Roberti, Roberto (Compositor) / Abreu, Valdemar de (Compositor) / Alcides Gerardi, 1918-1978 (Intérprete) / Guari (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1949 / Nº Álbum 12939 / Gênero musical: Fox /

Você é que pensa
Que poderá viver sem meu amor
Você é que pensa
Que poderá viver sem mim.

Você tentou
Tantas vezes deixar-me sozinho
E tantas vezes
Você veio correndo pra mim
Com mais amor e carinho.

Sei que você voltará novamente
Sorrindo e dirá
Querida, ninguém poderá
Jamais nos separar, na vida...

Velhas cartas de amor

Velhas cartas de amor (samba-canção, 1949) - Klécius Caldas e Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título: Velhas cartas de amor / Autoria: Caldas, Klecius, 1919-2002 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Patané, Eduardo (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 30/05/1949 / Álbum 12935 /

Velhas cartas de amor
Uma história infeliz
Dois que se amaram demais
E o destino não quis.

Velhas cartas de amor
Todas são sempre iguais
Desde as primeiras palavras
Às palavras finais.

Sei que a verdade é cruel
Mas quem ama não crê

Noites e noites em claro
Esperei por você.


Velhas cartas de amor
Já não tenho ilusão
Hoje o que existe é saudade
No meu coração.

Um sonho que passou

Francisco Alves
Um sonho que passou (samba, 1949) - Geraldo Pereira dos Santos e Fernando Martins

Disco 78 rpm / Título da música: Um sonho que passou / Autoria: Martins, Fernando (Compositor) / Santos, Geraldo P dos (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 13/09/1948 / Nº Álbum 12881 / Gênero musical: Samba /

Quem passar perto daquela colina
Há de ver
Uma casa branca e pequenina
Coberta de arbustos
Em completo abandono

Dirá-la, consigo:
Será que não tem dono?
Dono tem e o dono dela sou eu
Se vive fechada é por que
O meu amor morreu...

Apesar de abandonada
Não vendo, nem troco e não dou
Por que ela é a recordação
De um sonho que passou...

Sempre teu

Dick Farney
Sempre teu (samba-canção, 1949) - José Maria de Abreu e Jair Amorim

Disco LP 33 1/3 Alta Fidelidade / Título da música: Sempre teu / Autoria: Amorim, Jair (Compositor) / Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Compositor) / Dick Farney, 1921-1987 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Álbum: Atendendo A Pedidos / Nº Álbum: MOFB-3048 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Samba-canção /

Sempre teu
Eternamente teu
Este amor
É sempre o mesmo amor
Longe, buscando-te aflito

Em pensamento a te chamar
Perto querendo encontrar
Nos olhos meus, teu olhar

Tu não ves, porque não sabes ver
Tu não cres, porque não queres crer
Que ele é teu, todo teu
Para sempre teu
Um desejo que vive em mim
Na saudade que não tem fim

Tu não ves, porque não sabes ver
Tu não cres, porque não queres crer
Que ele é teu, todo teu
Para sempre teu
Um desejo que vive em mim
Na saudade que não tem fim

Que samba bom

Blecaute
Que samba bom (samba/carnaval, 1949) - Geraldo Pereira e Arnaldo Passos

Disco 78 rpm / Título: Que samba bom / Autoria: Passos, Arnaldo (Compositor) / Pereira, Geraldo (Compositor) / Blecaute (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1948 / Nº Álbum 15981 / Lado B / Lanç.: 1949 / Gênero: Samba /

Ô, que samba bom
Ô, que coisa louca
Eu também tô aí
Tô aí, que é que há
Também tô nessa boca

Ô, que samba bom
Ô, que coisa louca
Eu também tô aí
Tô aí, que é que há
Também tô nessa boca

Muita bebida
Mulher sobrando
Tem até trouxa
Nesse samba se arrumando

Eu nesse samba
Vou me acabar
Num samba desses
Vale a pena a gente entrar

Qual o valor da sanfona

Dilu Melo
Qual o valor da sanfona (xote, 1949) - Dilu Melo e J. Portela

Disco 78 rpm / Título da música: Qual o valor da sanfona / Autoria: Melo, Dilu (Compositor) / Portela, J (Compositor) / Melo, Dilu (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Rago (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 31/07/1948 / Nº Álbum 16024 / Lado B / Dt. lançamento: Março/1949-Abril/1949 / Gênero musical: Schottish /

Qual o valor da sanfona?
Eu perguntei ao mineiro
Ele foi me respondendo
Depende do sanfoneiro
Ele nasceu pra sanfona, ò dona
Vale um montão de dinheiro
Ele nasceu pra sanfona, ò dona
Vale um montão de dinheiro

Perguntei ao cearense
Dos lados do Quixadá
Depende só do valor
Que o sanfoneiro lhe dá
Quem sabe tocar sanfona, ò dona
Não precisa trabalhar
Quem sabe tocar sanfona, ò dona
Não precisa trabalhar

Também me disse um gaúcho
E vejo que tem razão
Não vale um mundo todo
Uma sanfona no galpão
Quando sopra o minuano, ò dona
Ela esquenta o coração
Quando sopra o minuano, ò dona
Ela esquenta o coração

Ponto final

Dick Farney
Ponto final (samba-canção, 1949) - José Maria de Abreu e Jair Amorim

Disco 78 rpm / Título da música: Ponto final / Autoria: Amorim, Jair (Compositor) / Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Compositor) / Dick Farney, 1921-1987 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1948 / Nº Álbum 16008 / Lado A / Lançamento: 1949 / Gênero musical: Samba canção /

Não me pergunte a razão
Não me atormente demais
Falo por meu coração
Tudo acabou... nada mais.

Sinto muito mulher, mas é tarde
Esta chama de amor, já não arde
Faça de conta que eu

Sou como alguém que morreu
Como a fumaça que passa e se esgarça no ar
No ar.

Uma história incolor foi aquela
Um capitulo a mais de novela
Nossa comédia acabouSem aplauso sequer

Quando o pano baixou
Numa cena banal
Pôs se um ponto final ...

sexta-feira, setembro 12, 2008

Jacaré

Jacaré (Antônio da Silva Torres), compositor e instrumentista (Recife PE 12/6/1929—01/04/2005), fez os primeiros estudos com seu pai, Josias, que era barbeiro, e, aos nove anos, já começava a solar no cavaquinho as primeiras composições. Trabalhando como ajudante de alfaiate, recebeu o apelido de Jacaré, dado por Arlindo Melo, também compositor de marchas carnavalescas e alfaiate.

Em 1957 passou a integrar o regional da Rádio Clube de Pernambuco, ao lado de músicos de renome na época: Felinho, China, Otacílio Feitosa, Nelson Miranda, Martins da Sanfona, Martins do Pandeiro e outros. Atuou no Rádio Clube até 1964, quando, com o fim dos programas de auditório, foi ganhar a vida tocando na noite, nos bares Canavial Drinks (dirigido por Heloísa Helena), Hotel São Domingos, Casa-Grande & Senzala e, já em 1982, no Bar do Bispo.

Participou, em outubro de 1984, do projeto Recife e Seus Artistas Populares, promovido pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, ocasião em que conheceu Hermínio Bello de Carvalho e Maurício Carrilho, que o convidaram a integrar o Projeto Pixinguinha daquele ano.

No ano seguinte, 1985, gravou seu primeiro e único disco: Jacaré — Choro frevado, sob o patrocínio da Prefeitura da Cidade do Recife. O disco só contém composições de sua autoria: Galho seco, Saudade de Limoeiro, Goianinha, Jacaré de saiote, Silvana, Vai e vem, Jacaré voador, Jacarezinho, Chorinho caiçara, Pro Hermínio, Sem rancor, Jaciara, Saudoso cavaquinho.

CD

Choro frevado, 1998, Funarte/Atração Fonográfica ATR 32058 (Série Acervo Funarte de Música Brasileira, n 35).

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Adeus querida

Floriano Faissal
Adeus querida - Floriano Faissal

Se não vais voltar,
Se tudo acabou,
Se eu vivo a esperar em vão,
Porque deixar meu coração,
Sofrer assim ?
Vem, uma vez mais,
Vem dizer adeus,
E vem reviver, o que passou,
E amenizar a cruel paixão,
Que deixaste em mim.
Vem, querida, vem,
Comigo recordar,
De novo, vem sonhar,
E amar,
E em nome do amor,
Que houve entre nós dois,
Deixemos pra depois,
O adeus !...

Floriano Faissal

Floriano Faissal (São Paulo-SP, 1907 - Rio de Janeiro-RJ, 1986), ator, radialista e compositor, era irmão dos também radialistas Roberto, William e Lourival Faissal.

Começou sua carreira como figurante de teatro e escrevendo comédias e revistas musicais, mas foi no rádio a partir de 1938 quando entra para a Rádio Nacional para escrever esquetes para o programa Luis Vassalo que sua carreira decolou.

Floriano foi um dos mais famosos radialistas das décadas de 40 e 50 na Rádio Nacional e chegou a se tornar diretor do Departamento de Rádioteatro da emissora. Na década de 60 ele virou compositor de músicas (Adeus querida, por exemplo) e temas para programas na TV Rio.

Terminou sua carreira profissional produzindo e dirigindo programas para o Projeto Minerva e o Mobral na Funtevê e depois na Rádio MEC. No cinema ele fez apenas dois filmes, sendo o mais conhecido, "Inconfidência Mineira", na década de 40.

Fonte: Wikipédia; Rádio Nacional. .

Brasinha

Brasinha (Gustavo Tomás Filho), compositor (Rio de Janeiro RJ 10/12/1925—id. 16/4/1998), compôs principalmente músicas carnavalescas. Sua primeira composição, Minha canção, é de 1938.

Teve sua primeira música gravada — o samba Quero esquecer — por Zezé Gonzaga, para o Carnaval de 1952, na etiqueta Sinter. Com Luís Antônio compôs um samba famoso, Zé Marmita, gravado por Marlene, na Continental, para o Carnaval de 1953.

Seus principais parceiros foram Haroldo Lobo, Eratóstenes Frazão, Wilson Batista, Armando Cavalcanti, Klécius Caldas, Luís Antônio, Newton Teixeira e Rutinaldo. Algumas de suas músicas foram lançadas na França e em outros países. Foi funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro.

Obras

Avenida iluminada ou Lágrimas de um coração (c/Newton Teixeira), marcha-rancho, 1969; Califa de Bagdá (c/Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), marcha, 1957; A lua é dos namorados (c/Armando Cavalcanti e Klécius Caldas), marcha, 1961; Marcha do pescador (c/Rutinaldo), 1962; Oh! que delícia de mulata (c/Milton de Oliveira e Bevilaqua), marcha, 1968; O sheik de Copacabana (c/Blecaute e Almeidinha), marcha, 1967; Zé Marmita (c/Luís Antônio), samba, 1953.

Brasinha, o poeta da folia

As provas para o vestibular de Direito estavam marcadas para depois do carnaval de 1951, mas ele estava ali, em um boteco da Lapa, com os amigos vendo a folia passar. E então, entre uma cerveja e outra, veio a surpresa que mudaria para sempre a sua trajetória: um bloco passou cantando a sua primeira composição. Ele mal pôde acreditar. A faculdade ficou no sonho e a música tornou-se a sua grande paixão.

Foi assim que começou a carreira de Brasinha (Gustavo Thomas Filho) na MPB. Nem ele podia imaginar que, carioca, 17o. filho de uma família com origem italiana e inglesa, fosse conviver com os grandes nomes da música popular brasileira. Mas o destino quis assim. E ele seguiu a vocação, que inscreveria seu nome em enciclopédias e livros sobre a nossa MPB e deixaria aos admiradores da canção popular marchinhas inesquecíveis.

Com a chamada sorte de principiante, Brasinha gravou Quero esquecer, seu primeiro samba, em 1951. Depois, inspirado no ambiente do operariado brasileiro, de que ainda era integrante, olhou em volta, captou o sentimento do povo e brotaram os versos de Zé Marmita, uma crítica social que ainda não saiu de moda, elogiada até por Chico Buarque. Na época, um sucesso na voz da intempestiva Marlene.

As músicas são muitas. Quase 200 gravadas. Os parceiros outros tantos. As noites de boemia, incontáveis. Tudo servia de inspiração. A alardeada - e até hoje inacreditável - chegada do homem à Lua acabaram nos versos de A lua é dos namorados. A mulata, histórias infantis, histórias de adultos, como a do compositor e amigo Herivelto Martins, que em uma de suas idas ao sítio que tinha em Bananal, São Paulo, ficou maluco procurando uma tal vaca malhada. Se achou não se sabe, mas ela acabou em música de carnaval.

Por conta de seu ofício de carnavalesco conheceu gente bamba como Zé Kétti, Zé da Zilda, Blecaute, Risadinha, Donga, João da Baiana, Guilherme de Britto, Braguinha, entre tantos outros. Conheceu também astros da MPB, como Pixinguinha, Orlando Silva, Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi. Sem contar as estrelas: Emilinha, Ângela Maria, Linda e Dircinha Batista, Dalva de Oliveira. Aliás, a magia e o feitiço do carnaval sempre povoaram a imaginação do compositor, que gravou um de seus grandes sucessos Avenida iluminada (com o subtítulo sugestivo "As lágrimas de um coração").

Para garantir o leite das crianças (uma delas, eu), Gustavo Thomas Filho era funcionário público. Depois do expediente, as noites de sexta-feira especialmente eram sempre uma criança. E, já na década de 70, com um gravador de rolo, dava asas à imaginação para compor novas músicas madrugada adentro.

Foi assim que ele criou A marcha do Kung Fu, com a qual sairia campeão do concurso Convocação Geral, promovido pelo Jornal O GLOBO, em 1975. Inspirado no seriado da TV Globo, a marchinha até hoje é tocada no carnaval. Depois viria Mexa-se, também na linha da crítica de costumes, enfocando a mania de saúde das pessoas nos anos 80, fazendo todo mundo praticar exercícios para viver com saúde e alegria.

Infelizmente, por conta do vício do cigarro, Brasinha viria a falecer, vítima de câncer de pulmão, no dia 16 de abril de 1998. Deixou a esposa, Maria de Lourdes, companheira de 48 anos de vida, e os filhos Gustavo e Kátia. Brasinha nasceu em 10 de dezembro de 1925. A sua vida e obra é hoje tema de um projeto, já certificado pelo Minc para ser transformado em livro, CD e show. Só falta o patrocínio (* Kátia Thomas é jornalista e filha do compositor Brasinha).

Fontes: Revivendo Músicas; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Nat King Cole

Nat King Cole, nome artístico de Nathaniel Adams Cole (Montgomery, 17 de março de 1919 — Santa Mônica, 15 de fevereiro de 1965) foi o primeiro vocalista negro a ter um programa na televisão norte-americana. Nessa época (1956), o movimento pelos direitos civis não estava suficientemente mobilizado para influenciar a opinião pública do país na luta contra a segregação. Sua presença no vídeo comandando um show artístico representava importante passo no combate ao odioso preconceito racial.

No início dos anos cinqüenta os negros ainda eram impedidos de freqüentar escolas, restaurantes, teatros e hotéis utilizados por brancos, principalmente no sul do país. Por dois anos Cole liderou um programa semanal de grande audiência na rede NBC, transmitido de Los Angeles para todo o país, tendo de investir seus próprios recursos econômicos, por absoluta falta de patrocinadores. Inúmeros artistas negros e brancos, amigos de Nat, contribuíram financeiramente, entre eles, Sammy Davis Jr., Stan Kenton, Peggy Lee, Ella Fitzgerald e Johnny Mercer, além de não cobrarem por suas participações.

A exemplo de outros vocalistas negros, Cole começou cantando no coro da igreja batista onde seu pai era pastor, em Montgomery no Alabama. Aos quatro anos de idade muda-se com a família para Chicago - Illinois; seu pai fora transferido para uma paróquia da cidade. A partir dos cinco anos orientado por sua mãe que era pianista, aprende a tocar piano e órgão. Aos doze inicia estudos formais de música clássica e se envolve com o jazz estimulado por seu irmão mais velho, Eddie.

No início dos anos trinta, ouvir jazz em Chicago não era tarefa difícil. Lá estava o pai dos pianistas modernos Earl "Fatha" Hines que exerceria grande influência em sua formação musical. No limiar de 1936, depois de participar do trio formado por seus irmãos e de trabalhar, como pianista em clubes noturnos da cidade, é contratado pela revista musical "Suffle Along", percorrendo todo o país. Durante a "tournée" conhece uma das dançarinas da revista, Nadine Robinson, apaixonando-se por ela e casando-se em seguida. Anos mais tarde Cole casar-se-ia, pela segunda fez, com a vocalista da Big Band de Duke Ellington, Maria Ellington que não era parente de Duke. A revista chega a Los Angeles, um ano depois, em estado pré-falimentar. Desempregado, Cole decide fixar-se na cidade onde ganha a vida tocando seu piano em restaurantes e clubes noturnos.

As coisas começam a mudar ao conhecer os músicos Oscar Moore e Wesley Prince, convencendo-os a formarem um trio de jazz inovador com piano, guitarra e contra-baixo, iniciando as apresentações sob contrato no clube "Swanee Inn" de Hollywood, tocando um repertório de jazz e blues. Em poucos meses recebem propostas para apresentações em locais cada vez mais sofisticados. No ano seguinte (1939) gravam com a denominação de "King Cole Swingsters", acompanhando a cantora Bonnie Lake. Mais um ano de atividade e o trio é batizado, definitivamente, como "King Cole Trio", assinando contrato com o selo DECCA (hoje MCA), onde grava sua primeira faixa "Sweet Lorraine" com vocal de Cole. Em 1942, o prestígio do trio se consolida definitivamente e muda de gravadora, passando para a Capitol, selo no qual Cole permanece pelo resto de sua carreira.

Nos sete anos seguintes, as atividades de Cole se concentraram exclusivamente no trio, até que, por volta de 1946, faz sua primeira experiência cantando acompanhado por uma secção de cordas, ao gravar a composição de Mel Tormé "Christmas Song" no lado A e "For Sentimental Reasons" no lado B. Esse disco de 78 rotações alcançou a surpreendente marca de um milhão de cópias vendidas. A partir daí, a carreira como cantor solista começa a se delinear, abandonando a faceta de pianista de jazz, assumindo a de cantor. Cole emerge como grande intérprete - uma voz suave, quente e melodiosa, apoiado por arranjadores e maestros como Nelson Riddle, Gordon Jenkins, Ralph Carmichael, Pete Rúgolo e Billy May.

A confirmação absoluta de seu talento veio em 1950, quando acompanhado pela orquestra de Les Baxter e arranjos de Nelson Riddle, grava "Mona Lisa" (oito semanas consecutivas como a mais vendida), somando-se aos temas; "Too Young", "Because" You´re Mine", "Unforgettable", "Pretend", "When I Fall In Love" e "Stardust". Seguem-se retumbantes sucessos; "Walkin´My Baby, Back Home", "Ballerina", "Hajji Baba", "Nature Boy", "Blue Gardenia" e "Again".

Cole participou de várias películas produzidas em Hollywood, entre as quais destacamos, "Saint Louis Blues" de 1958 e "Cat Ballou" de 1965, ao lado de Lee Marvin e Jane Fonda.

Em 1959. Cole veio ao Brasil, apresentando-se na Televisão Record Canal 7 de São Paulo, recebendo verdadeira consagração de seus admiradores. Durante sua permanência em São Paulo, esteve acompanhado pelo homem de rádio, televisão e disco Roberto Corte Real que serviu de intérprete e cicerone em seus deslocamentos pela cidade. Segundo depoimento que o saudoso amigo Roberto me fez, Cole ficou tão agradecido pela atenção recebida que, jamais esqueceu de enviar-lhe um afetuoso cartão de boas festas por ocasião do Natal.

Em 1991, a filha Natalie gravou o tema "Unforgettable", cantando em dueto, uma mixagem tecnicamente perfeita a partir da gravação original feita por Nat no início dos anos 50.

Nat "King" Cole, a grande voz surgida após a segunda guerra mundial, nos legou respeitável acervo de belas gravações realizadas para o selo Capitol. Destacado pianista de jazz e um vocalista inesquecível, Cole faleceu a 15 de fevereiro de 1965, aos 48 anos de idade, de câncer pulmonar.

terça-feira, setembro 02, 2008

Zuzuca

O compositor Zuzuca (Adil de Paula) nasceu em 14/08/1936 e é natural de Cachoeiro de Itapemirim-ES. Aos 15 anos, começou a tocar violão, logo após ter se mudado para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro da Tijuca.

Trabalhou como mecânico após ter servido ao Exército. Nesta época, freqüentava as rodas de samba do bairro. Fundou com amigos o Bloco Carnavalesco Independentes da Silva Teles (Rua que dá acesso ao morro do Salgueiro).

Em 1960 ingressou na Ala dos Compositores do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro. No ano de 1964, compôs o samba-enredo Chico-Rei que classificou o Salgueiro em 2º lugar do Grupo 1 no desfile daquele ano. O samba o projetou nacionalmente. Compôs no ano seguinte, em parceria com Noel Rosa de Oliveira, o samba Tudo é alegria.

Em 1966, Jair Rodrigues obteve sucesso com Vem chegando a madrugada, de sua autoria em parceria com Noel Rosa de Oliveira. Neste mesmo ano, Elizete Cardoso, no disco Muito Elizete, regravou Vem chegando a madrugada. Ainda em 1966, compôs o samba-enredo Os amores célebres do Brasil que classificou em 5º lugar no Grupo 1 a Acadêmicos do Salgueiro.

No ano seguinte, em 1967, Jair Rodrigues regravou com grande sucesso Vem chegando a madrugada e Os amores célebres do Brasil. Em 1968 com Jair do Cavaquinho, Wilson Moreira, Zito e Velha, todos com experiência anteriores no universo do samba e alguns músicas gravadas por grandes nomes da MPB. O grupo chegou a gravar um disco pela gravadora CBS no ano de 1971. Mais tarde, esses mesmos componentes formaram outro grupo, A Turma do Ganzá.

Neste mesmo ano de 1971, o Salgueiro foi campeão com outro samba-enredo de sua autoria Festa para um rei negro, samba este que trazia um forte e popular refrão: "... Pega no ganzê, pega no ganzá", obtendo sucesso comercial, sendo cantado em todo o Brasil e, logo depois, no mundo inteiro, convertendo-se num sucesso permanente no exterior.

No ano seguinte, a escola desfilou com seu samba-enredo Mangueira, minha madrinha querida, homenagem do Salgueiro à Mangueira. Com este samba-enredo, o Salgueiro classificou-se em 5º lugar do Grupo 1.

Em 1974 lançou o disco Zuzuca, pela gravadora CBS, no qual interpretou Nome sagrado (Nelson Cavaquinho, José Alcides e José Ribeiro), esta música seria regravada mais tarde por vários intérpretes, mas constando o nome de Guilherme de Brito no lugar de José Alcides. Outras composições do LP foram Vida de minha vida (Ataulfo Alves), Tião (Jair Amorim e Dunga), Só Deus (Jorginho Pessanha e Walter Rosa), Pois é (Ataulfo Alves), Última forma (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), Obrigação (Alcides Rosa e Djalma Mafra), Náufrago (Padeirinho e Ary Guarda), Sei que é covardia (Ataulfo Alves e Claudionor Cruz), Pisei num despacho (Geraldo Pereira e Elpidio Viana), Pedro Pedregulho (Geraldo Pereira e José Batista), Decadência (Baianinho e Bezerra da Silva).

Ainda neste disco, incluiu de sua autoria Sonho de menina, Meu protetor, Batuque do morro velho e Meu samba meu gongá. Por esta época, foi muito solicitado para shows em boates e casas noturnas. Gravou algumas composições de amigos, como é o caso de Ana, de Jair do Cavaquinho. Neste mesmo ano Rubens da Mangueira interpretou Morro velho no LP "Roda de samba nº 2.

Em 1975 o parceiro Velha, ao lado de Wilson Moreira, Casquinha, Hélio Nascimento, Anézio e Candeia, participou do LP Partido em 5 volume 2, no qual interpretou Gato escaldado tem medo de água fria (Velha e Zuzuca).

Em 1980, a Acadêmicos do Salgueiro desfilou com um samba-enredo O bailar dos ventos, relampejou mas não choveu (c/ Zédi, Moacir Cimento e Haideé), classificando-se em 3º lugar.

No final do ano 2000, lançou o CD Samba de raiz, no qual interpretou antigos sucessos de sua autoria: Festa para um rei negro e Vem chegando a madrugada, entre outros sucessos de sua autoria. O CD trouxe ainda algumas composições suas menos conhecidas do grande público: José brasileiro e Semente do samba.

Obras

Amores célebres do Brasil; Batuque do morro velho; Boi da cara preta; Chico-Rei; Esquinado; Festa para um rei negro; Fim de festa;Mangueira, minha madrinha querida; Meu protetor; Meu samba meu gongá; Morro velho; O bailar dos ventos, relampejou mas não choveu (c/ Zédi, Moacir Cimento e Haideé); Os amores célebres do Brasil; Sonho de menina; Tudo é alegria (c/ Noel Rosa de Oliveira); Vem chegando a madrugada (c/ Noel Rosa de Oliveira)

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha; Observatório Comunitário - Zuzuca do Salgueiro.

Célia e Celma

A dupla sertaneja Célia (Célia Mazzei - Ubá, MG - 2/11/1952) e Celma (Celma Mazzei - Ubá, MG - 2/11/1952), irmãs gêmeas, começaram a cantar ainda crianças. O pai era fotógrafo profissional e nas horas vagas tocava bombardino numa banda da cidade de Ubá.

Aos cinco anos de idade começaram a cantar no rádio e em circos da cidade. Participaram de festas típicas e religiosas, foram coroadeiras de Nossa Senhora, e pelas ruas da pequena cidade acompanhavam os irmãos mais velhos em tradicionais serenatas. Estudaram música no Rio de Janeiro e se diplomaram pelo Instituto Villa-Lobos. Paralelamente começaram a cantar,como profissionais,em orquestras de baile.

Em 1975, viajaram ao Japão e, na casa Saci Pererê, se apresentaram por seis meses cantando música brasileira. Em 1990 participaram da novela Ana Raio e Zé Trovão, da TV Manchete, na qual foram as personagens Luminada e Luminosa. Em 1995, receberam do governo de Minas Gerais o título Embaixador do Centenário, pelo trabalho em prol da cultura do estado.

Celia e Celma já dividiram o palco com grandes nomes, como Cauby Peixoto, Emílio Santiago e até mesmo com o ministro da cultura, Gilberto Gil, cantando Aquarela do Brasil no centenário de Ary Barroso, em 2003, no Palácio do Planalto.
Produzem, dirigem e apresentam o programa Celia & Celma, no Canal Rural, desde abril de 1998, espaço aberto para a música de raiz e o folclore brasileiro. São autoras dos livros A cozinha caipira de Celia & Celma, Nova Fronteira, 1994, e Por todos os cantos, Ibrasa, 2004, com prefácio do jornalista Sérgio Cabral e apresentação do vice-presidente da república, José Alencar Gomes da Silva.

Também tiveram participação, cantando em cena, em O viajante, filme de Paulo César Sarraceni, de 1998, e atuaram no documentário Carrego comigo, de Chico Teixeira, de 2002. Participaram ainda do programa Meu Cunhado, no SBT, em 2004, ao lado do comediante Ronald Golias.
Discografia

Pilantrália (c/Carlos Imperial e a Turma da Pesada), 1970, Odeon LP; O coelhinho e o ratinho. Célia e Celma para o público infantil, 1970, Odeon Cs; Portela e Dó ré mi fá (Turma da Pesada), 1971, Odeon Cs; Cabo Frio devagar, 1971, Continental Cs; Procurando tu (Turma da Pesada), 1972, CID Cs; Célia e Celma. Vem quente que eu estou fervendo, 1978, Continental Cs; Célia e Celma, 1987, 3M LP; Na cozinha caipira de Célia e Celma, 1996, CD; Ary Mineiro (Revivendo), 1998, CD; Caipirarte, 1999, CPC-Umes CD.

Fontes: Senac-SP; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Astor Silva



Astor Silva, instrumentista, arranjador, regente e compositor, nasceu em 10/5/1922 no bairro do Rio Comprido, Rio de Janeiro, RJ, e faleceu na mesma cidade em 12/2/1968. Fez seus estudos na Escola João Alfredo, situada em Vila Isabel. Por essa época já estudava música e formou um grupo com colegas do colégio que se apresentava em bailes e festas familiares.

Iniciou sua atividade artística como trombonista de dancings. Por volta de 1940, passou a atuar no Cassino da Urca, e em outros, como os situados em Copacabana e Icaraí. Em 1946, com o fechamento dos Cassinos, passou a integrar a Orquestra Tabajara, dirigida por Severino Araújo, que realizou excursões pelo Brasil, Argentina, Uruguai, França, etc.

Ainda como integrante da Orquestra Tabajara, apresentou-se na Rádio Tupi. Posteriormente, transferiu-se para a orquestra do maestro Carioca que atuava na mesma emissora. Exibiu-se ainda na boate carioca Night and Day e na TV Rio. Foi diretor musical de diversas gravadoras. Na CBS desempenhou também a função de arranjador-chefe.

No início dos anos 1950, formou seu próprio conjunto com o qual atuou na Todamérica fazendo acompanhamentos para Flora Matos, Garotos da Lua, Virgínia Lane, Zilá Fonseca, Ademilde Fonseca e Raul Moreno.

Em 1952, seu Chorinho da Nice foi gravado na Continental por Severino Araújo e Sua Orquestra Tabajara. Em 1953, gravou com seu conjunto na Todamérica o choro Pisando macio, de sua autoria, e o Baião diferente, de Marcos Valentim.

No ano seguinte, gravou também com seu conjunto o choro No melhor da festa, e o Baião lusitano, ambos de sua autoria. Por essa época, passou a dirigir sua própria orquestra e gravou o mambo Mambomengo, e o samba Sete estrelas, de sua autoria. Ainda em 1954, seu choro Alta noite, parceria com Del Loro, foi gravado na Sinter pelo cantor Jamelão. Atuou com sua orquestra na Todamérica e acompanhou, entre outras, a cantora Dóris Monteiro na gravação da Marcha do apartamento, e do samba Sacrifício não se pede.

Em 1955, gravou com seu conjunto os choros Chorinho de boite, e Sombra e água fresca, de sua autoria. Por essa época, atuou com seu conjunto e com sua orquestra na gravadora Continental acompanhando gravações de Moreira da Silva, Nora Ney, Bill Farr e Emilinha Borba.

Entre 1960 e 1963, atuou com seu conjunto e sua orquestra na Columbia. Em 1960, foi um dos responsáveis pelo sucesso do samba Beija-me, de Roberto Martins e Mário Rossi, gravado por Elza Soares com arranjos seus.

Em 1961, acompanhou com seu conjunto um das primeiras gravações do então iniciante cantor Roberto Carlos num 78 rpm com as músicas Louco por você e Não é por mim. Acompanhou também gravações de Risadinha, Wanderléia, também em começo de carreira, Ciro Monteiro, Rossini Pinto e Elis Regina, em uma de suas primeiras gravações, com as músicas A virgem de Macareña e 1, 2, 3, balançou.

Ainda em 1961, gravou com sua orquestra os frevos Jairo na folia, de Francisquinho, Ao som dos guisos, de Edgar Morais, A pisada é essa, de João Santiago, e Vai na marra, de David Vasconcelos.

Gravou ainda, pelo pequeno selo Ritmos, com seu conjunto, os sambas Vamos fazer um samba, de sua parceria com Nelson trigueiro, e Agora é cinza, de Bide e Marçal.

Foi um dos principais arranjadores da segunda metade dos anos 1950. Em 1974, seu Chorinho de gafieira foi regravado por Raul de Barros no LP Brasil, trombone, lançado pelo selo Marcus Pereira.

Obras

Alta noite (c/ Del Loro); Baião lusitano; Chorinho de boite; Mambomengo; No melhor da festa; Pisando macio; Sete estrelas; Sombra e água fresca; Vamos fazer um samba (c/ Nelson Trigueiro).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Campanha e Cuiabano

Antônio Campanha (Campanha) nasceu em Monte Alto-SP no dia 05/12/1925; Olívio Campanha (Cuiabano) nasceu também em Monte Alto-SP no dia 05/03/1928 e faleceu em São José do Rio Preto-SP no dia 16/06/1981.

Antônio iniciou sua carreira musical ainda criança, com apenas 12 anos de idade, quando formou dupla com seu irmão mais velho Augusto Campanha, que era considerado excelente cantor e violeiro, na época. Integrou com alguma regularidade a dupla Campanha e Angelim e, quando já contava com seus 20 anos, Antônio venceu um concurso de cantadores na região e integrou também a dupla Campanha e Paulista.

Junto com seu irmão Olívio, Antônio chegou tocar em alguns circos em São José do Rio Preto-SP. A dupla com Olívio foi formada nessa época, no ano de 1948, ocasião na qual começaram cantando na Rádio PRB-8 de São José do Rio Preto-SP. A nova dupla costumava se apresentar com o nome de "Irmãos Campanha" e também como "Campanha e Seu Ir mão".

No ano de 1952, Antônio e Olívio seguiram para a capital paulista onde fizeram um teste na Rádio Nacional, com o diretor Costa Lima. Foram aprovados e se apresentaram durante vários anos nessa famosa emissora paulistana. Antes disso, os dois irmãos estiveram pertinho de fechar o contrato com a extinta Rádio Tupi, mas acabaram, de última hora, perdendo a vaga para a dupla Palmeira e Luizinho. Foi por sujestão dos compositores Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr. que Antônio e Olívio acabaram adotando para a dupla o nome artístico de "Campanha e Cuiabano", apesar de Olívio não ter nascido em Cuiabá.

De acordo com Ayrton Mugnaini Jr. em seu livro Enciclopédia das Músicas Sertanejas e também no encarte do CD da dupla na Série Luar do Sertão lançada pela BMG, "...numa reunião de amigos, incluindo Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr., comentou-se que 'Irmãos Campanha' não era um bom nome, por ser pouco marcante, não destacando um ou outro integrante da dupla. Perguntou-se quem mais se destacava; era Antônio, o compositor. Então ele ficou sendo o Campanha. Faltava um nome marcante para seu irmão; e o escolhido foi Cuiabano, por ser sonoro e ainda não ter sido usado por qualquer outra dupla vocal..."

O primeiro disco 78 RPM de Campanha e Cuiabano foi gravado no ano de 1953, com o cururu Barra Bonita (Arlindo Pinto - Priminho) e a moda campeira Pião Vira-Mundo (Campanha - Benedito Seviero). No ano seguinte, Campanha e Cuiabano conheceram o acordeonista Célio Cassiano Chagas, o Celinho, de Conceição das Alagoas-MG, que se juntou à dupla e os acompanhou durante alguns anos, porém, somente em apresentações ao vivo.

A partir de 1960, Celinho passou a acompanhar a dupla Pedro Bento e Zé da Estrada, com quem se apresenta até os dias atuais. Campanha e Cuiabano também foram acompanhados em algumas gravações pelo acordeonista Pirigoso. Foi no ano de 1957, que Campanha e Cuiabano gravaram pela primeira vez Meu passarinho (Campanha - Zé Rosa) , sem dúvida, o maior sucesso da dupla.

Também merecem destaque outras belíssimas interpretações de Campanha e Cuiabano tais como Genuína cana verde (Celinho - Lázaro Franco de Godoy), Novo Castelo (Campanha - Pirigoso), Um berrante na solidão (Ramon Cariz - George AB), Desprezo de amor (Souza - Campanha), Rolinha cabocla (João Pacífico - Raul Torres), Morrendo de saudade (Jane Rossi da Rocha - Cuiabano), Lá na fazenda (Francisco Lacerda - Ricarda Jardim) e Rei da estrada (Quintino Eliseu - Luiz Alves Pereira), apenas para citar algumas.

Apesar de terem gravado na Sinter, Copacabana, RCA, Odeon e Chantecler, a discografia de Campanha e Cuiabano encontra-se quase que totalmente esquecida e praticamente inexistente no comércio, excessão apenas ao CD da série Luar do Sertão que a BMG remasterizou no ano 2000, com belíssimas interpretações bastante representativas da dupla, gravadas entre 1961 e 1963.

Cuiabano, pouco antes do seu falecimento em 1981, chegou a transferir seu nome artístico ao seu outro irmão João Jaime Campanha (nascido em Palestina-SP em 1943 e falecido em São José do Rio Preto-SP em 1999). Campanha ainda chegou a formar uma dupla com o acordeonista Pirigoso com quem gravou o LP Mourão da porteira pela K-Tel em 1981. E em 1983 Campanha chegou a gravar em carreira-solo o LP Baile das cordas pelo selo Laço.

Consta que Campanha trabalha atualmente como empreiteiro na compra e venda de imóveis e também apresenta o seu programa de rádio na Emissora Independência de Mirassol-SP.

Fontes: Boa Música Brasileira; Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista Viola Caipira.