terça-feira, janeiro 29, 2008

Chora cavaquinho

Orlando Silva
Orlando Silva

Chora Cavaquinho (samba, 1935) - - Dunga (Waldemar de Abreu)

Chora cavaquinho, chora
Chora violão tambem
que o nosso amor foi embora
deixando saudades em alguem

Quantas vezes ele cantava
alegrando o meu coração
O seu cantar redobrava
fazendo sentir o violão

E não tendo mais esperança
na morte vive pensando
parece inocente criança
o pobre cavaquinho, triste chorando

Canta, cigana

Orlando Silva
Canta, cigana ( valsa-canção, 1954) - Ciro Monteiro e Dias da Cruz - Orlando Silva

Canta, canta, cigana / Canta cigana, canta
Canta, canta, cigana / Canta cigana, canta

Era assim que eu pedia / Para a cigana cantar
Aquela canção dolente / Eu ficava a contemplar
Seu bailado / Seu pandeiro / Suas mãos / Seu meigo olhar
Era assim que eu pedia / Para a cigana dançar

Canta, canta, cigana / Canta cigana, canta
Canta, canta, cigana / Canta cigana, canta

A tribo foi-se um dia / Levou a minha alegria
E os sonhos que eu sonhava / As noites de luar
E hoje na saudade / Não sonho como outrora
Meu coração soluça / Com saudade daquele cantar

Canta, canta, cigana / Canta cigana, canta
Canta, canta, cigana / Canta cigana, canta

Aquela mascarada

Aquela mascarada (fox-bolero, 1953) - Ciro Monteiro e Dias da Cruz - Interpretação de Orlando Silva




Aquela mascarada no / carnaval passado
De olhos tentadores / ternos, sonhadores
Lábios de pecado

Na sensação de um beijo / encheu-me de desejo
Mente-se de mulher / amor feito quimera
Sol de primavera e dor

Aquela mascarada / deixou-me na retira
Na sombra querida / de uma saudade imensa
E na harmonia / dessa minha canção
Deixo a mascarada / da minha ilusão

Aquela mascarada / deixou-me na retira
Na sombra querida / de uma saudade imensa
E na harmonia / dessa minha canção
Deixo a mascarada / da minha ilusão

Alegria

Orlando Silva
Alegria (samba, 1937) - Assis Valente e Durval Maia

Disco 78 rpm / Título da música: Alegria / Autoria: Valente, Assis (Compositor) / Maia, Durval (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34239 / Lado A / Gênero: Samba /
  G                        Bm 
Alegria pra cantar a batucada, 
                  G   Bm7 
As morenas vão sambar, 
           A#dim  Am7 D7 
Quem samba tem alegria, 
      G    C#dim              G    F7 E7 
Minha gente era triste, amargurada, 
               A7 
Inventou a batucada, 
                  D7 
Pra deixar de padecer, 
                           G 
Salve o prazer, salve o prazer. 
Da tristeza não quero saber, 
              Bm7     Am7 
A tristeza me faz padecer, 
             A#dim       G        
Vou deixar a cruel nostalgia, 
E7            A7 
Vou fazer batucada, 
   D7          G 
De noite, e de dia vou cantar. 
G                        Bm 
Alegria pra cantar a batucada, 
                  G   Bm7 
As morenas vão sambar, 
           A#dim  Am7 D7 
Quem samba tem alegria, 
      G    C#dim              G    F7 E7 
Minha gente era triste, amargurada, 
               A7 
Inventou a batucada, 
                  D7 
Pra deixar de padecer, 
                           G 
Salve o prazer, salve o prazer. 
            A#dim G    Bm7 
Esperando a felicidade, 
               A#dim    Am7 D7 
Para ver se eu vou melhorar, 
Am7              D7       G 
Vou cantando, fingindo alegria, 
       E7    A7 
Para a humanidade, 
    D7        G 
Não me ver chorar. 

Zé Carioca

Zé Carioca (samba, 1959) - Zé da Zilda (José Gonçalves) e Zilda do Zé (Zilda Gonçalves) - Intérprete: Moreira da Silva



História de papagaio
Eu conheco bastante
Vou contar nesse instante uma bem interessante
Quando eu cheguei aqui
Fui tomar um café
Na Praça Tiradentes
No botequim do seu Vicente
Vi um pássaro verde
Em cima de um palanque
Que eu não conhecia
Eu perguntei a freguesia
Me disseram que era
O papagaio Zé Carioca
Professor de português
(Fala francês, italiano e até inglês, um bom freguês)
Ele ficou meu amigo,
E me levou consigo a uma gafieira
(Onde eu sambei a noite inteira)
De madrugada uma dama fuleira fez um tempo quente
E o papagaio pulou na frente
Deixa comigo que eu sou carne de pescoço
Quem mexer com meu amigo tem que mastigar um osso
Nao tenha medo isso á café pequeno eu resolvo so
(Pulou pra trás e arrancou o paletó, meu Deus que nó
eu vou fugir, pra Maceió, com minha vó)*
E, mas de repente a polícia chegou e o baile acabou
E todo mundo se pirou
E o papagaio saiu debaixo da mesa todo rasgado
Completamente depenado
Os dançarinos ficaram com pena de ver seu estado
(Disseram: coitado)
Ele saiu gingando se rebolando todo cheio de visagem
É dos pelados que elas gostam mais
É dos depenados que elas gostam mais.

O seqüestro de Ringo

O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia. São seis os sambas: O rei do gatilho (1962), O último dos moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira contra 007 (1968), O Sequestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

O sequestro de Ringo (samba, 1970) - Miguel Gustavo



Filme estrelado por: Moreira da Silva

Correu pela Itália o grito de guerra
O Ringo está preso, quem foi que prendeu
O Ringo famoso sofrendo torturas
Nas celas escuras, quase morreu

Mandaram uma carta pedindo resgate
Sua noiva tão linda tem que ser entregue
Exigem em troca montanhas de liras, procuram os tiras
E o filme prossegue

Ringo é aquele pão de ló
Que já esteve no Brasil
Dólar de prata que exibiu-se
Na buzina do Chacrinha
Criatura sem frescura
Meia porção de simpatia
Apaixonado pela Beth Faria.

Tá na Cecília aquela ilha
Onde a máfia predomina
Mão assassina, traição
Tem um canhão na sua boca
Comida pouca, sem bebida
A trinta dias maltratado
Pelos bandidos da Calábria
Mas não dá o recado.

Moreira da Silva embarcou pela Varig
Depois do apelo que o papa lhe fez
Prá ver se salvava o Ringo da morte
Cuidado Moreira!
Chegou tua vez.

Levou na garupa montanhas de liras
Falou com os bandidos na língua de gang
Salvou Juliano e já ia saindo
Com a cara feliz de quem está triunfante.

Mas os bandidos começaram a contar a dinheirama
E foram vendo que os pacotes estavam cheios de jornal
Foram no papo do Moreira e começou o tiroteio
Com estampido e ruído espacial
Tiro prá cá, tiro prá lá
Ringo só tinha uma bala
Mas não se cala é quando a bomba ia cruzando pelo ar
Atira certo, a bomba cai
Morremos todos na explosão
Esta é a razão porque eu não posso mais cantar.

Tá morto o Ringo
Grande herói
Com toda a Itália a soluçar.

Mas já no próximo domingo
Aguardem a volta de Ringo.