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Tormento

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Tormento (canção, 1931) - Francisco Alves e Luís Iglesias
Francisco Alves

Mulher
O teu amor maltrata tanto
Que às vezes
Quando a rir doido me ponho
O riso se transforma como um sonho
Em lágrimas sem fim
De um longo pranto

Por isso
Quantas vezes nas noitadas
Escondo sob a face
O riso e a graça
Pois temo que o meu riso se desfaça
Em lágrimas febris e angustiadas

Mas este amor penoso e torturado
Com cheiro de tristezas, prantos e ais
Me faz cada vez mais apaixonado
De ter que a mulher cada vez mais

Me sinto numa orgia turbulenta
A luz do cabaré e a alma ferida
Pois tenho nos meus olhos refletida
A imagem da mulher que me atormenta

Se busco na champagne embriagado
O bálsamo sutil
Do esquecimento
Na taça vejo sempre
Que tormento
Aquele rosto em forma retratado

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Mulata fuzarqueira

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Mulata fuzarqueira (samba, 1931) - Noel Rosa
Noel Rosa e
Bando de Tangarás

Mulata fuzarqueira, artigo raro
Que samba de dar rasteira
E passa as noite inteira em claro

Não quer mais saber de preparar as gordura
Nem usar mais das costura
O bom exemplo já te dei
Mudei a minha conduta
Mas agora me aprumei

Mulata fuzarqueira da gamboa
Só anda com tipo à toa
Embarca em qualquer canoa

Mulata, vou contar as minhas mágoa
Meu amor não tem R
Mas é amor debaixo d'água
Não gosto de te ver sempre a fazer certos papel
A se passar pros coronel
Nasceste com uma boa sina
Se hoje andas bem no luxo
É passando a beiçolina

Mulata, tu tem que te preparar
Pra receber o azar
Que algum dia há de chegar
Aceita o meu braço e vem entrar nas comida
Pra começar outra vida
Comigo tu podes viver bem
Pois aonde um passa fome
Dois podem passar também


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Deusa

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Deusa (canção-modinha, 1931) - Freire Júnior

Deusa
Visão no céu que me domina
Luz de uma estrela que ilumina
Um coração pobre de amor
Teu trovador
Chorando as mágoas ao luar
Vem aos teus pés para implorar
As tuas graças divinais
Consolação e nada mais
Francisco Alves

Deusa
Anjo do céu, meu protetor
Nas alegrias e na dor
Sagrado ser a quem venero
Nada mais quero
Se não puder esquecer
Alguém que não mais quero ver
Visão fatal, que foi meu ideal

Deusa
Inspiração celestial
Sincera musa divinal
A quem confio meu segredo
Eu tenho medo
De não poder me dominar
Alguém no mundo ainda amar
Para evitar tal traição
Deixo contigo o coração

Deusa
Eu tenho em ti a minha esperança
Tu és a paz, és a bonança
A minha Santa Padroeira
Dá-me a cegueira
Não quero ver a mais ninguém
Nas trevas só me sinto bem
Na escuridão
Viver sem coração

Mas ó mulher
Pensas talvez que me enganavas
Quando a sorrir tu me beijavas
Dizendo, só me pertencer
A mim somente até morrer
Todas iguais
Tu és mulher, e nada mais
Não amarei no mundo, a mais ninguém
A ti somente eu quero bem

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Cor de prata

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Cor de prata (samba/carnaval, 1931) - Lamartine Babo

A lua vem saindo
Cor de prata
Cor de prata
Cor de prata
Que saudades da mulata
Braguinha

Minha mulata
Foi-se embora da cidade
Vejam só que crueldade
Foi com outro e me deixou
Abandonado
Pela estrada do passado
Vou perdendo a mocidade
Na saudade que ficou

Eu fui pra roça
Construir minha palhoça
Lá no alto da montanha
Perto de Nosso Senhor
E quando a lua
Lá na mata me acompanha
Sinto o cheiro da mulata
Na montanha tudo é flor

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Batucada

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Batucada (marcha/carnaval, 1931) - Eduardo Souto e João de Barro

Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)
Almirante e Bando de Tangarás

Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração

(refrão)

Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português

(refrão)

Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná

(refrão)

Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada

(refrão)

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Batente

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Batente (samba/carnaval, 1931) - Almirante

Queria te ver no batente
Sambando com a gente
Do Morro do Salgueiro
Queria te ver sem orgulho
Fazendo barulho
Batendo pandeiro (x2)
Almirante e Bando de Tangarás

Sobe lá no morro
Para ver o que é orgia
Ver a bateria
Ver o tamborim
Ver o cavaquinho
Que só faz é din-din-din
Ver o violão
Como faz bem a marcação

(refrão)

Samba só é samba
Com batuque verdadeiro
Quando tem pandeiro
Marcando a cadência
Quando o centro é feito
Por chocalho e por barrica
Veja como fica
Acompanhado pela cuíca

(refrão)

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Apanhando papel

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Apanhando papel (samba, 1931) - Getúlio Marinho e Ubiratan Silva

Nem queiras saber
Como a vida do homem é cruel
Se ele é fraco de idéia
Francisco Alves
Acaba apanhando papel
Mas eu tenho fé
No meu orixá
Que não há de deixá
A esse ponto chegá
(Nem queiras saber) (x2)

Feliz de quem
Não se passa pra carinho
Não tem o dissabor
De andar pelas ruas
Falando sozinho

Meu santo é forte
É do bom e com ele é assim
Não dará ousadia
De ver ela rir
Ou zombarem de mim

(refrão)

Por isso é que fiz
A Deus uma oração
Pra não ter por mulher
Aquilo que se diz
Amor ou paixão

Desejo gostar
E quero delas todas zombar
Sem meu sacrifício
Pra meu benefício
A vida gozar

(refrão)

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Abandonado

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Abandonado! (samba, 1931) - João de Freitas

Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Jonjoca e Castro Barbosa

Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê
(Abandonado eu vivo)(x2)

Eu por você não vou chorar
Não precisa consolar
Que eu também ia deixar
O amor
Que nos uniu por tanto tempo
E depois
Graças a Deus que acabou
Sem eu sentir que estava

Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê
(Abandonado eu vivo)(x2)

Eu de você
Já estava cheio
Digo isto sem receio
Porque nunca de mulher
Que nem mesmo
E lastimo em me lembrar
Francamente
Não ter sido isso mais cedo

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No bico da chaleira II

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Durante 20 anos, de 1895 a 1915, o general José Gomes Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador, senador pelo Rio Grande do Sul, foi o homem forte do Legislativo e a eminência parda de muitos governos. Todos pensavam que um dia ele seria presidente da República, mas nunca chegou lá. Foi assassinado em 1915, por um desequilibrado mental.

Gaúcho, Machado não passava sem seu chimarrão. E bastava a cuia de mate esvaziar para os bajuladores correrem atrás de água quente. Era a "turma do pega na chaleira". Como o senador morava no alto do Cosme Velho, a música fala em "subir esta ladeira". E menciona também “Os Democratas”, uma das mais populares sociedades carnavalescas do Rio na época, que exibia em seu estandarte uma águia de prata.

A polca fez tanto sucesso no carnaval de 1909 que deu motivo para a peça de teatro-revista, de Raul Perderneiras e Ataliba Reis, intitulada Pega na chaleira. E mais: foram compostas duas outras músicas sobre o mesmo tema. A primeira, mais picante e maliciosa, de Eustórgio Wanderley, igualmente chamava-se No bico da chaleira; a segunda, Pega na chaleira, de Eduardo das Neves, fazia crítica genérica aos aduladores (“Neste século de progresso / Nesta terra interesseira / Tem feito grande sucesso / O tal “pega na chaleira”).

No bico da chaleira (polca, 1909)- Eustórgio Wanderley

Menina eu quero só por brincadeira
Pegar no bico da sua chaleira
Ela está quente e se você segura
Fica com uma grande queimadura.

É moda agora e eu justifico
(Com que eu implico)
Pegar no bico de uma chaleira
Muita senhora nos engrossando
Leva pegando a vida inteira.

Se você vai apertar-me no bico
Não imagina como eu logo fico
Não, eu seguro assim desta maneira
Lá no biquinho da sua chaleira.

Agora é moda / Com o que eu implico
Pegar no bico / De uma chaleira
Moço da roda / É gente fina
Tem esta sina / A vida inteira.

Ai, se eu consigo pegar de bom jeito
Você vai ver como eu pego direito
Sem ser no bico / Quer pegar na asa?
Talvez consinta, passa lá em casa.

Vamos depressa tomar um chazinho
Enquanto esquenta mais que um tempinho
Ela também está como eu fico
Quando um chazinho toma-se no bico.


Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

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Eustórgio Wanderley

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Eustórgio Wanderley nasceu no dia 5 de setembro de 1882, na cidade do Recife, PE, onde estudou e morou durante quase toda sua vida. Adulto, dedicou-se ao jornalismo, atuando no Diário da Manhã e no Jornal do Recife.

Dando vazão aos seus pendores musicais, foi parceiro de Nelson Ferreira em diversas valsas e canções, sendo um dos primeiros pernambucanos a participar, pelo selo da RCA – Victor, da discografia brasileira, através de suas cançonetas que fizeram muito sucesso, como A pianista, O almofadinha e A melindrosa.

Durante o tempo que morou no Rio escreveu no Correio da Manhã, em A Noite Ilustrada, no Jornal do Brasil e em O Malho.

Em 1909 compôs a versão mais e picante e maliciosa da polca No bico da chaleira (a primeira versão foi escrita por Juca Storoni também no mesmo ano), gravada na Casa Edison pelos Os Geraldos.

Poeta, teatrólogo, foi membro da Academia Pernambucana de Letras e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco.

Quando residia no Recife, publicou em dois volumes, Tipos Populares do Recife Antigo (1953/54).

Faleceu no dia 31 de maio de 1962, no Rio de Janeiro.

Fonte: Dicionário de Folcloristas Brasileiros.

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Faz-me rir

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Edith Veiga

Faz-me rir (Me dá riza) (bolero, 1961) - F. Yoni e E. Arias

Como podes pensar que te quero?
Como podes sonhar com o meu amor?
Se uma vez eu te dei meu carinho
E a tua ilusão, encheu-me de dor
Não é dizer que eu sou vaidosa
Mas, estou orgulhosa de ser.
A mulher que outros homens pretendem
E a ti não quero voltar a querer

Faz-me rir o que andas dizendo
Que te adoro, que morro por ti
Não te enganes dizendo mentiras
Não te enganes, não te faças rir

Até parece impossível que um dia
Foste o homem sonhado por mim
Esta cínica farsa de agora
Faz-me rir, ai...faz-me rir...

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Dança chinesa

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Olivinha Carvalho

Dança Chinesa (marcha, 1953) - Haroldo Lobo e Nestor de Holanda

A dança que o china dança,
É gozada de se dançar,
Ele dá um pulinho,
Prá lá e pra cá,
E não sai do lugar.

A dança que o china dança,
É gozada de se dançar,
Ele dá um pulinho,
Prá lá e pra cá,
E não sai do lugar.

Oi, vale tudo lá em Pequim,
Dança chinesa com chinesa,
E chim com chim,
É chim prá lá, é chim pra cá,
É chim prá lá, é chim pra cá,
E fica nesse lero-lero, até o fim...

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Sarambá

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Sarambá (samba, 1930) - J. Tomás e Duque ( Antônio Lopes de Amorim Diniz)

Olha o sarambá
Ô tia
Olha o sarambá
Olha o sarambá
Ò nega
Olha o sarambá

Olha o sarambá
Ô tia
Olha o sarambá
Anjos do Inferno

Olha o sarambá
Ô nega
Olha o sarambá

Mon samba se dance toujours encadence
Petit pas par-ci, petit pas par-la
Il faute de l'aisance, beaucoup d'elegance
Le corps se balance, dançant le samba
Ô tia

Olha o sarambá
Ô tia
Olha o sarambá
Olha o sarambá
Ô nega
Olha o sarambá

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Seu Julinho vem

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A marchinha é quase uma peça de campanha de Júlio Prestes, candidato oficial a presidente da República, mas nem por isso deixa de ser saborosíssima. Fez grande sucesso no carnaval de 1929, e foi cantada numa revista teatral de abril do mesmo ano.

"Seu Toninho" é Antônio Carlos de Andrada, presidente de Minas Gerais (“terra do
Francisco Alves
leite grosso”), que se recusava a aceitar a indicação de “Seu Julinho”, de São Paulo, rompendo com a política do café-com-leite - um mandato no Palácio do Catete para a elite paulista, outro para elite mineira -, que vigorou durante quase toda a República Velha. A referência ao Rio de Janeiro explica-se: o Rio era a capital do país, a sede do poder.

Seu Julinho vem (marcha, 1930) - Freire Júnior

Ó Seu Toninho
Da terra do leite grosso
Bota cerca no caminho
Que o paulista é um colosso
Puxa a garrucha
Finca o pé firme na estrada
Se começa o puxa-puxa
Faz do seu leite coalhada

Seu Julinho vem, Seu Julinho vem
Se o mineiro lá de cima descuidar
Seu Julinho vem, Seu Julinho vem
Vem, mas custa, muita gente há de chorar

Ó Seu Julinho, tua terra é do café
Fique lá sossegadinho
Creia em Deus e tenha fé
Pois o mineiro
Não conhece a malandragem
Cá no Rio de Janeiro
Ele não leva vantagem


Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

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Samba no Rocha

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Samba no Rocha (samba, 1930) - Teobaldo Marques da Gama

Oi!
Mas que samba que tem no Rocha?
O que tem esse samba?
É
Sílvio Caldas
Samba escuro só tem cabrocha
Vou cair nesse samba (x2)

Samba de sanfona
Gaita, violão
Pandeiro de lona
Pratos de pirão (x2)

Samba de arrelia
Só dá gente bamba
Só pancadaria
Faz parte do samba (x2)

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Quebra, quebra gabiroba

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Quebra, quebra gabiroba (marcha/carnaval, 1930) - Plínio Brito

Ó quebra, quebra gabiroba
Eu quero ver quebrar
Ó quebra, quebra gabiroba
Januário de Oliveira
Eu quero ver quebrar
Ó quebra, quebra gabiroba
Eu quero só te amar
Ó quebra, quebra gabiroba
Eu quero só brincar
Ó quebra aqui e quebra lá
Eu quero ver quebrar

É no Rio de Janeiro
Que é a terra do amor
Só se vive sem dinheiro
Mas se goza com calor

É no Rio de Janeiro
Que é a terra do amor
Só se vive sem dinheiro
Mas se goza com calor

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Iaiá, Ioiô

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Iaiá, Ioiô (marcha/carnaval, 1930) - Josué de Barros

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô
Carmen Miranda

Nunca vi festa tão boa (Iaiá, Ioiô)
Carnavá é memo tudo (Iaiá, Ioiô)
São três dias de alegria (Iaiá, Ioiô)
Isso faz ficá maluco (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Você diz que vai s'imbora (Iaiá, Ioiô)
Não me importa, não faz mal (Iaiá, Ioiô)
Eu só quero que tu voltes (Iaiá, Ioiô)
Só depois do carnavá (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Você diz que me despeja (Iaiá, Ioiô)
Eu só to querendo ver (Iaiá, Ioiô)
Depois não pegue a chorá (Iaiá, Ioiô)
Quando tu te arrependê (Iaiá, Ioiô)

Ioiô, Iaiá
Me dá licença pra brincá no carnavá
Iaiá, Ioiô
Você não vai mas dexa eu ir
Eu vô

Quando nóis dois se encontrô (Iaiá, Ioiô)
Nóis pegamo a se gostá (Iaiá, Ioiô)
Tu me disse umas coisinha (Iaiá, Ioiô)
Eu nem quero me alembrá (Iaiá, Ioiô)

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Guriatã de coqueiro

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Guriatã de coqueiro (cantiga, 1930) - Ratinho

Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola
Ratinho

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

Eu não sei porque motivo
Guriatã foi-se embora
Foi-se embora e me deixou
Também a minha viola
Companheira inseparável
Que minhas mágoa consola

Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

De manhã muito cedinho
Logo que me levantava
Ia no pé de coqueiro
Falar com guriatã
E pedir pra ela cantá
A saudação da manhã

Guriatã de coqueiro
Fugiu da sua gaiola

Guriatã de coqueiro
Bateu asa e foi-se embora (x2)

Vou fazê uma premessa
Ao meu santo protetor
Pra fazê ele vortá
Esse pássaro cantadô
Pra alegria de meu rancho
Que nunca mais se alegrô

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Eu sou do amor

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Samba carnavalesco de Ary Barroso que concorreu ao concurso da revista O Cruzeiro, com o nome da noiva - Yvonne Arantes, sob o pseudônimo "Boy", obtendo o 2º lugar. Gravado na Columbia pelo cantor Januário de Oliveira, acompanhado pelo Jazz Band Columbia (Gaó, Jonas, Petit, Zezinho, Sutte, Grany e Jararaca) e lançado em março de 1930.

Eu sou do amor (samba/carnaval, 1930) - Ary Barroso

Meu amor eu vou me embora,
Agora, agora
Não, não quero ouvir mais queixa
Me deixa, me deixa

Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor
Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor

Vai contar o seu segredo,
Sem medo, sem medo
Não me passo pra feitiço,
Que é isso, que é isso

Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor
Eu sou do amor,
Não posso perder ó flor

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É sopa

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A marchinha de Eduardo Souto recorre ao futebol para descrever as forças que iriam se defrontar na campanha de 1929/1930. De um lado, o combinado A, o time do continuísmo, tendo como capitão “Seu” Julinho Júlio Prestes, presidente da província de São Paulo; do outro, o combinado B, da oposição, capitaneado por “Seu Tonico” (Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente da província de Minas Gerais).

O doutor Macaé, árbitro do jogo, era o próprio presidente da República, Washington Luís (embora paulista, nascera em Macaé, no Estado do Rio). Antônio Carlos briga com o juiz e é posto para fora do jogo. Vai se aliar com os gaúchos, liderados por Getúlio Vargas, e os paraibanos, comandados por João Pessoa, numa chapa dissidente, contra a maioria dos estados, chefiados pelo Catete.
Francisco Alves

Como os dois lados apregoavam que venceriam com facilidade, a marchinha fez do “É sopa, é sopa, é sopa” seu estribilho. Não se descobriu quem é o “seu Tomé” que aparece ao final da música, aquele que foi para o gol e levou uma bruta lavagem.

É sopa (marcha, 1930) - Eduardo Souto

“Vai começar o grande jogo para a conquista da taça oferecida pelo Catete Futebol Clube
(gritos)
Combinado B: “captain” Seu Tonico
(gritos)
Combinado A: “captain” Seu Julinho
(gritos)
Juiz: doutor Macaé, muito digno presidente do Catete Futebol Clube

Seu Tonico sem razão.
Ao juiz desatendeu,
E foi tal sua afobação,
Que a cabeça até perdeu.
O juiz, que é da barbada,
Seu Tonico pôs pra fora.
E gritou pra rapaziada:
Toca o bonde, tá na hora!

Pra vencer o combinado brasileiro.
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro.
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.

Foi pro gol o seu Tomé,
Bonde errado e sem coragem.
A torcida não fez fé.
Houve então bruta lavagem.
Pra jogar bem futebol
Só paulista e carioca.
Chova muito ou faça sol,
É no pau da tapioca.

Pra vencer o combinado brasileiro
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro,
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa.

Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

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Dolorosa saudade

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Dolorosa saudade (valsa, 1930) - Jararaca e Ratinho

Dolorosa saudade
Em meu coração
E então, pois bem sei
Que não podia estar
Tão longe de mim
Turunas da Mauricéia

É por tua maldade
Que hoje fico a sofrer
Vem um dia, meu querer
Para consolação viver

Bem sei que em mim não pensas
Mulher sem coração
Mas tem como consolo
Essa separação
Mas um dia virás
Que hás de me querer
E então compreenderás
O que é sofrer

Porque quando souberes
Que em braços de outra
Aquele que te amou
E que por ti sofreu
Procura um consolo
Uma gota de amor
Por não mais suportar a dor

Mesmo assim
Já quase tenho fé e esperança
Se compreenderes o mal que fizeste
E ainda me quiseres de mim ter lembrança
Podes vir
Indulto então deixarei
Esquecendo o passado
Meu perdão darei...

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A cocaína

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A cocaína (canção-tango, 1923) - J. B. da Silva "Sinhô"

Só o vício me traz
Cabisbaixa me faz
Reduz-me a pequenina
Quando não tenho à mão
A forte cocaína.

Quando junto de mim
Ingerida em porção
Sinto só sensação
Alivia-me as dores
Neste meu coração.

Ai, ai és a gota orvalina
Só tu és minha vida
Só tu ó cocaína.

Ai, ai mas que amor purpurina
É o vício arrogante
De tomar cocaína.

Sinto tal comoção
Que não sei explicar
A minha sensação
Louca chego a ficar
Quando a sinto faltar.

Esse sal ruidoso
Que a mim só traz gozo
Somente de olhar
E para esquecer
Eu começo a beber.

Quando estou cabisbaixa
Chorando sentida
Meio entrestecida
É que o vício da vida
Torna a alma perdida.

Louca hás de voltar
Vendo-me estrangular
Para o vício afogar
Neste toque fugaz
Que me há de findar.

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Coca

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Coca (valsa, 1930) - Francisco Mignone
Orquestra Paulistana

Quando Sinhô compôs a canção-tango A cocaína em 1923 (Só o vício me traz / cabisbaixa me faz / reduz-me a pequenina / quando não tenho à mão / a forte cocaína / quando junto de mim / ingerida em porção / sinto só sensação / alivia-me as dores / neste meu coração), e Francisco Mignone a sua valsa Coca em 1930, não estavam exaltando nada proibido, na época e aqui no Brasil. A droga era vendida em farmácias, como elixir para "os males do espírito", como nos reclames da época. Felizmente foi descoberto o grande estrago que a cocaína causa, que antes era encarada como um "divertido elixir" (fonte: Sinhô, o rei do Samba; Letras que falam de drogas - Samba & Choro).

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Canção dos infelizes

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Canção dos infelizes (canção, 1930) - Donga, Luiz Peixoto e Marques Porto

São as mulheres raízes
Com frontes muito elevadas
Umas são sempre felizes
Outras as mais desgraçadas

Há as que amam na vida
E as que só vivem amadas
Sofrem as mais esquecidas
Gozam as sempre lembradas

Eu que quis alguém que não me quis bem
Agora também não quero a ninguém
Dei meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer
Zaíra Cavalcanti

No coração das mulheres
Quando um amor se agasalha
Ou dá milhões de prazeres
Ou corta mais que navalha

Uma infeliz quando ama
Não há amor igual ao dela
Anda mais baixa que a lama
Ou sobe mais que uma estrela

Eu quis alguém
Que não me quis bem
Agora também não quero ninguém
Se meu amor, deixaram perder
Eu morro de dor, mas hei de esquecer

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Adda

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Adda (valsa, 1930) - Mário Ramos e Salvador Morais

Adda, meu doce amor
Adda, meu terno afeto
Tu tens a fragrância, o esplendor
O perfume da flor

Roberto Fioravante
Do meu sonho dileto

Adda, meu ideal
Ó minha inspiração
Tu és o meu casto fanal
Que palpita afinal
Sempre em meu coração

Quando vi teu perfil
Quando vi teu olhar
Eu te achei tão gentil
Linda, casta, infantil,
Como a luz do luar.

Desde logo eu te amei
Desde logo eu te quis
Foi o que eu adorei
desde que acho e que sei
Que quem ama, é feliz

Ó Adda, meu coração tu tens risonho
Pois só penso em ti
Desde o dia em que te vi
Resplender o teu ser
E sorrir ao meu sonho

Ó Adda, como é sereno o teu olhar
É o santo elixir
Do meu doce porvir
Meiga luz, que me pus à adorar.

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Vou à Penha

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Vou à Penha (samba, 1929), Ary Barroso

Eu vou à Penha
Se Deus quiser
Mário Reis
Pedir à Santa carinhosa
Para fazer de ti mulher
De um coração, a rainha
Mais poderosa
E orgulhosa

Eu vou pedir, com tanta fé
E todo ardor de um namorado
Eu sei que a Santa quer pureza
E meus olhos vão dizer
O que sinto com certeza

Vou à Penha
Vou pedir, vou implorar
Para a Santa me ajudar

Quando eu voltar
Virei contente
Pra te dizer, mulher formosa
Que meu amor é diferente
Desse amor de que falas
Ser o primeiro e verdadeiro

Quero provar
Que estás errada
E fui à Penha, só pra isso
A minha oração rezada
Vai de certo afastar
De meu peito um tal feitiço

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Tutu Marambá

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Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições.

Tutu Marambá (canção, 1929), Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De tanta alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!
Gastão Formenti

O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!

Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!

É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
A única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...

De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Ronda o berço
O menino está dormindo
Então a vó de maldizente
Vai cantando no finalmente:

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

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Sou da fuzarca

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Sou da fuzarca (marcha/carnaval, 1929) - Vantuil de Carvalho

Sou da fuzarca (Sou da fuzarca)
Não nego, não (Não nego, não)
Benício Barbosa
É por isso mesmo
Que eu não te dou meu coração

O teu amor não quero
Eu prefiro a nota
Esse negócio de amor
É uma lorota

Se faço assim contigo
É de coração
Porque não posso
Andar assim na prontidão

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Seu Doutor

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Seu Doutor (marcha/carnaval, 1929) - Eduardo Souto

O pobre povo brasileiro
Não tem, não tem, não tem dinheiro
O ouro veio do estrangeiro
Mas ninguém vê o tal cruzeiro
Francisco Alves

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Não zangue não, nem dê o cavaco
Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Viver assim é um buraco

Que sobe lá para o poleiro
Esquece cá do galinheiro
Só pensa num bom companheiro
A fim de ser o seu herdeiro

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Aurora

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Aurora (valsa, 1929) - Zequinha de Abreu e Salvador Morais

Quis minha doce esposa,
Que me ama com ardor,
À profundeza das águas jogar !
Roberto Fioravante
Estava louco, possesso, esse dia...
A meiga companheira,
Toda a minha alegria,
Primeiro amor de minh'alma,
Alegria primeira,
Eu tentei matar !

Uns olhos de infernal fulgor,
Duma infernal sedução,
Dementaram-me de ardor,
Despertando um novo amor,
Com infernal sedução,
No meu coração
Mas, a tempo ainda,
Minh'alma assassina,
Se encheu de luz tão pura e linda...

A luz dourada e matutina,
Do arrependimento,
E ai ! Vi num momento,
Em minha mulher,
A mais sublime e divina,
Aurora de ouro rosicler !....

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Meu amor vou te deixar

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Meu amor vou te deixar (samba, 1929) - Orlando Vieira

Eu vou me embora
Meu amor, vou te deixar
Não adianta você chorar
Não adianta você chorar (x2)
Mário Reis

O teu orgulho
Foi a tua perdição
Iludir com carinho
O meu pobre coração (X2)

Resignado
Estou cansado de sofrer
Meu benzinho, dá o fora
Que não posso mais viver (x2)

Eu vou me embora
Meu amor, vou te deixar
Não adianta você chorar
Não adianta você chorar

Eu tenho dito
Que não quero o teu amor
Já arrumei a roupa
Só falta o carregador (x2)

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Lua nova

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Os letristas do nosso cancioneiro popular, como quaisquer outros que manipulem a palavra escrita, estão sujeitos a enganos semânticos. Este artigo não tem pretensões professorais e nem de longe pretende ferir susceptibilidades. É apenas um painel divertido dos tropeços dos nossos poetas da música, cometidos por desinformação ou incultura, alguns perfeitamente releváveis, porém outros capazes de doer nos tímpanos. Friso que essas escorregadelas não depõem em nada contra os nossos compositores.

Muita gente famosa andou soltando disparates por aí. Cito vários: Eça de Queiroz falou em mudez taciturna; Aloísio de Castro em estátua escultural; Ataulfo de Paiva, referindo-se ao avião, chamou-o de viatura alígena; Luiz Delfino comparou as mãos da amada: louras como manteiga; Alberto de Oliveira encontrou águas úmidas; Alberto Faria assim descreveu o lança-perfume: etérea língua de áspide aromal.

Francisco Alves
Feita a ressalva, vamos em frente. A Lua nova tem sido uma casca de banana para os poetas populares, que sempre a confundem com a lua cheia e se derramam em louvores. A lua nova é justamente a fase em que a lua, por estar entre o sol e a terra, fica com sua face escura, não sendo vista. Luis Iglésias, na canção Lua Nova, que compôs em 1928 com Francisco Alves, mostra que a geografia não foi o seu forte (Fonte: Livro MPB História de Sua Gente - Capítulo 1 - Esses Destoaram).

Lua Nova (canção, 1929) - Francisco Alves e Luís Iglesias

Quando surgistes, que encantamento
Na minha alcova, toda taful
Pensei que a lua, nesse momento
Tinha caido do céu azul

Vinhas de branco, teu véu ao vento
Mais parecia sonho ou visão
Quando surgiste, que encantamento
Bateu cá dentro meu coração!

Pela janela transparecia,
A lua branca, a lua nova,
Muito espantada vendo a alegria
Que tranbordava da minha alcova

Foi uma noite, apenas uma
Não mais volvestes ao ninho em flor
O leito branco da cor da espuma
Chora saudoso do nosso amor

Na minha alcova imersa em bruma
Emudecida depois ficou
Foi uma noite, apenas uma
Foi uma noite que já passou

Pela janela eu vejo agora
A lua branca, a lua nova
Muito espantada fitar de fora
Toda tristeza da minha alcova.

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Hula

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Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Ao teu olhar
Meu coração incendeia
Abrindo em luz
LP Paulo Tapajós 1972
As cadeias do amor
Mas quem sabe se o tempo
Faz apagar a maldição da minha dor

Hula, Hula
Quanta saudade
Teus olhos parados invade

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa eu seguir meu caminho

Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
O beijo que nunca te dei

Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
O beijo que nunca te dei

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É sim senhor

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É sim senhor (samba/carnaval, 1929) - Eduardo Souto
Francisco Alves

Ele é paulista?
É sim senhor
Falsificado?
É sim senhor
Cabra farrista?
É sim senhor
Matriculado?
É sim senhor

Ele é estradeiro?
É sim senhor
Habilitado?
É sim senhor
Mas o cruzeiro?
É sim senhor
Ovo gorado?
É sim senhor

Vem, vem, vem
Pra ganhar vintém
Vem, seu Julinho, vem
Aproveitar também

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Me faz carinhos

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Me faz carinhos (samba, 1928) -Ismael Silva e Francisco Alves

Mulher, tu não me faz carinho
Teu prazer é de me ver aborrecido
Ora vai, mulher, se estás contrariada
Tu não és obrigada a viver comigo
Francisco Alves

Se eu fosse um homem branco
Ou por outra mulatinho
Talvez eu tivesse sorte
De gozar os teus carinhos

A maré que enche e vaza
Deixa a praia descoberta
Vai-se um amor e vem outro
Nunca vi coisa tão certa

Oh! Meu bem, o teu orgulho
Algum dia há de acabar
Tudo com o tempo passa
A sorte é Deus quem dá

Vou-me embora, vou-me embora
Sumo já disse que vou
Eu aqui não sou querido
Mas na minha terra eu sou

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Eu quero é nota

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Eu quero é nota (samba, 1928) - Artur Faria

Eu quero é nota, carinho e sossego
Para viver descansado
Cheio de alegria, meu bem
Com uma cabrocha ao meu lado
Francisco Alves

Eu queria ter dinheiro
Que fosse em grande porção
Eu comprava um automóvel
E ia morar no Leblon

Eu, como sou operário
E não posso ser barão
Vou morar lá em Mangueira
Num modesto barracão

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Eu fui no mato, crioula

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Eu fui no mato, crioula (marcha/carnaval, 1928) - J. Gomes Júnior

Eu fui no mato, crioula
Cortá cipó, crioula
Eu vi um bicho, crioula
De um olho só
Francisco Alves

Não era bicho, crioula
Não era nada, crioula
Era uma velha, crioula
Muito assanhada

Não quero teima, olé
Não vá teimá, sinhá
Quero brincá, olá
No Carnavá

Eu fui num auto, crioula
De lotação, crioula
Tinha boi dentro, crioula
De jaquetão

Fui ao teatro, crioula
Ai, não se zangue, crioula
Não pude entrar, crioula
Cai no Mangue

Não quero teima, olé
Não vá teimá, olá
Quero brincá
No Carnavá

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Caridade

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Caridade (samba/carnaval, 1928) - Sebastião Santos Neves e Anísio Mota

Já é demais
Tanta caridade
E não se pode
Transitar pela cidade
Francisco Alves

Segunda-feira é do repolho
Terça-feira é do abacate
Quarta-feira é da navita
Quinta-feira é do tomate

Sexta-feira elas preparam
Mais um golpe inteligente
E no sábado saem à rua
Raspando o bolso da gente

De todas as caridades
Que paga o povo lampeiro
O doente, o cego e o pobre
Do cobre só sente o cheiro

Amanhã, dia do chifre
Da cabeça do demônio
Mais uma colheita gorda
Em benefício do Petrônio

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Ai, eu queria

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Ai, eu queria (samba/carnaval, 1928) - Pixinguinha e Augusto Amaral

Ai, eu queria
Ir uma vez à Bahia (x2)
Francisco Alves

Conhecer aquele Estado
Porque falam muito bem
Dar um abraço nas baianas
E nos baianos também (x2)

Conhecer São Salvador
O Canela até o fim
A Baixa do Sapateiro
Cais Dourado e Bonfim (x2)

E depois de tudo isso
Despedir-me da folia
E trazer uma baiana
Para a minha companhia (x2)

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A malandragem

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A malandragem (samba/carnaval, 1928) - Alcebíades Barcelos e Francisco Alves

A malandragem eu vou deixar
Eu não quero saber da orgia
Mulher do meu bem querer
Esta vida não tem mais valia
Francisco Alves

Mulher igual
Para gente é uma beleza
Não se olha a cara dela
Porque isso é uma defesa

Arranjei uma mulher
Que me dá toda a vantagem
Vou virar almofadinha
Vou deixar a malandragem

Esses otário
Que só sabe é dar palpite
Quando chega o Carnaval
A mulher lhe dá o suíte

Você diz que é malandro
Malandro você não é
Malandro é seu Abóbora
Que manobra com as mulhé

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Os calças largas

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A primeira marchinha de Lamartine gravada, foi a divertida "Os Calças-Largas", em que o compositor debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como Lamartine Babo ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas.

Os calças largas (marcha/carnaval, 1927) - Lamartine Babo e Gonçalves de Oliveira

Acho graça dessa gente convencida
Passeando na Avenida
Passeando na Avenida

Quando passa uma linda criatura
Ficam todos na secura
Ficam todos na secura

Essa gente de jaquetas bem curtinhas
Tem a cara bonitinha
Tem a cara bonitinha

Oh! Que turma esquisita e encrencada
Calça larga bem folgada
Rastejando na calçada

Vem, meu bem
Que os calças largas
Não te podem sustentar
Sem vintém
Almoçam brisas
E à noite vão dançar

Lá na casa de um doutor na Piedade
Foi uma calamidade
Foi uma calamidade

Da tal gente estava a sala infestada
Minha capa foi furtada
Minha capa foi furtada

Do tal charleston é bom não se falar
Faz lembrar peru de água
Quando a gente o quer matar

E os bonecos artificiais são concorrentes
Lá da Praça Tiradentes
Lá da Praça Tiradentes

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Dondoca

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Dondoca (marcha/carnaval, 1927) - Freitinhas (José Francisco de Freitas)

Meu Deus! Meu Deus!
Que triste vida
Todos me chamam de comida
Porque eu ando só!
Zaíra de Oliveira e
J. Júnior Gobes

Não treme tanto a gelatina
Que o caldo entorna da terrina
Eu viro pão-de-ló

Dondoca, Dondoca
Anda depressa
Que eu belisco essa pernoca

Minha Dondoca, Dondoquinha
Tu és de fato, és da pontinha
Tem pena do tatu

Eu ando sempre envergonhada
A toda hora beliscada
Que praga de urubu

Vou dar o fora, vou pra casa
Estou nervosa, estou em brasa
Ó céus, que maldição

Eu vou a pé a Cascadura
Vou espiar na fechadura
O teu velho babão

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Braço de cera

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Braço de cera (samba/carnaval, 1927) - Nestor Brandão

Mulher, vem o carnaval
Festa de alegria que a ninguém faz mal
Mulher, tratemos de gozar
A morte é traiçoeira e pode nos carregar
Frederico Rocha

Não me fio nas mulheres
Nem quando elas estão dormindo
Os olhos estão fechados
Sobrancelhas estão bulindo

Amanhã eu vou-me embora
Pra cidade de Lisboa
Quero que Iaiá me alugue
Seu camarote de proa

Mulher, a Penha está aí
Eu lá não posso ir
Um favor vou lhe pedir
Me leva um braço de cera
À Santa Padroeira
Foi o que lhe prometi

Menina diz a teu pai
Que eu sou teu namorado
E avise teu irmão
Que me chame de cunhado

Menina, minha menina
Cabeça de melancia
Um beijo de tua boca
Me sustenta quinze dias

Queria ser o balaio
Da colheita do café
Para andar dependurado
Nas cadeiras da mulher

Queria ser o balaio
Balaio queria ser
Para andar dependurado
Nas cadeiras de você

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Luar do Sul

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Luar do Sul (canção / chula, 1926) - Zeca Ivo e J. Carneiro Ribas

Nas plagas onde eu nasci
Tem um céu que nunca vi
O mais belo é tão azul
O mais belo é tão azul
Arthur Castro (1927)

É de ficar abismado
Vendo o céu tão constelado
Do Rio Grande do Sul
Do Rio Grande do Sul

Se o luar falasse
Talvez contasse
Que me viu com o seu clarão
Beijando a boca mais mimosa
Da gaúcha mais formosa
Que morava no rincão
Que morava no rincão

E nas noites prateadas
O gaúcho na jornada
Tem a doce recordação
Tem a doce recordação

De uma gaúcha bonita
Que dançando a chimarrita
Torturou-lhe o coração
Torturou-lhe o coração

Se o luar falasse
Talvez contasse
Que me viu com o seu clarão
Beijando a boca mais mimosa
Da gaúcha mais formosa
Que morava no rincão
Que morava no rincão

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Eu vi Lili

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Eu vi Lili (fox/carnaval, 1926) -Freitinhas (José Francisco de Freitas)

Em teus olhinhos vejo
Que tu tens o desejo
Quando desinquieto ele estava
Junto a uma zinha
Toda gente assim cantava: (x2)
Pedro Celestino

Eu vi / Eu vi
Você bolinar
Lili / Lili
Quando beliscava assim
Ela nervosa, enfim
Ficou ao ver-me ali (x2)

Quando ele pisca, pisca
A zinha pega a isca
Quando no escuro escutava
Sua risadinha
A gente assim cantava: (x2)

Eu vi / Eu vi
Você bolinar
Lili / Lili
Quando beliscava assim
Ela nervosa, enfim
Ficou ao ver-me ali

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Nosso ranchinho

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Nosso ranchinho (toada, 1925) - Donga e De Chocolat

Nosso ranchinho assim
Tava bão
Gente de fora entrou
Trapaiô (refrão x2)
Fernando

Estava esperando um bonde
Contente pra í te vê
Fui falá com tua mãe
Foi um desmancha prazê (refrão)

Por isso gato sabido
Veve só pelos teiado
Faz os rancho nas altura
Pra não sê atrapaiado (refrão)

Se Deus me desse um podê
O mundo eu modificava
No meio de dois unido
Um terceiro não entrava (refrão)

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Dor de cabeça

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Dor de cabeça (maxixe/carnaval, 1925) - Sinhô

Nunca mais um carinho meu
Tu terás
Nunca mais ó nega
Nunca mais
Fernando

Tu não procures saber
A causa ou a razão
De eu deixar em paz
O teu coração

Meu carinho te dei, ó flor
E não quiseste
De meu coração zombaste
E não padece

Eu não confesso não
Isso dê no que der
Quem diz sempre o que quer
Ouve o que não quer

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Sai Cartola (Cartolinha) (samba, 1925) - Raul Silva

A mulata banca o homem
Com essa tal de cartolinha
Ai, meu bem
Vou ver se tiro uma linha
Fernando

Sai cartola
Sai cartola
Camisa de peito duro
Sapato pedindo sola

Peito novo e bengalinha
A mulata não se ajeita
Ai, meu bem
Parece até coisa feita

Para ser almofadinha
Deixou de ser melindrosa
Ai, meu bem
Mulata não seja prosa

Esta moda é tão pesada
Que a mulata se arrenega
Ai, meu bem
Não vem que esta moda pega

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Quando me lembro

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Quando me lembro (marcha, 1925) - Eduardo Souto e João da Praia

Quando eu me lembro do meu tempo antigo
Daquele tempo que eu passei contigo
Dos belos sonhos que não voltam mais
Ai, que saudade, ai, que saudade isso me faz

Viver! Viver sozinho
Sem teu carinho
Sem teu amor
Ó flor!
Alonsito e Tom Bill (junho/1930)

Viver, por bem querer
Hei de sofrer
Sofrer
Morrer!

Não posso crer que tu tenhas maldade
Seja capaz de tanta crueldade
Não posso crer na tua ingratidão
Se continua a ser só teu meu coração

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Os passarinhos da Carioca (marcha/carnaval, 1925) - Careca

Meu passarinho fugiu, fugiu
Meu passarinho voou, voou
Na Carioca ele pousou
Em frente à "Noite" cuspiu, cuspiu

Ai, como é bom
Se ouvir cantar
Os passarinhos
De lá, de lá

Das cinco às seis cantam os passarinhos
Mas que delícia se ouvir cantar
Mas o barulho é infernal
Embaixo deles não se pode estar

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Está na hora

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Está na hora (marcha/carnaval, 1925) - Caninha

Está na hora
Está na hora
Mulher danada
Bota este moço pra fora

Mulher danada
Vai procurar o que fazer
Que este moço já tem dono
Você não pode querer

Mulher danada
Tu pensas que sou arara
Quem amar sem ser amado
Não tem vergonha na cara

Mulher danada
Toma vergonha na cara
Se você não toma jeito
Dou-te uma surra de vara

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Caneca de couro

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Caneca de couro (maxixe/carnaval, 1925) - Sinhô

É moda agora
Quando ferram o namoro
Beberem água
Na tal caneca de couro (x2)

História antiga
Que está em moda
É raro aquele
Que não dá uma mão na roda (x2)
Fernando

Quem prova e gosta
Fica louco e vira lobo
Fica maluco
E faz papel até de bobo (x2)

História antiga
Que está em moda
É raro aquele
Que não dá uma mão na roda (x2)

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De cartola e bengalinha

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De cartola e bengalinha (maxixe, 1925) - Freire Júnior

Ela antigamente
Era tão sossegadinha
Hoje, ai minha gente
De cartola e bengalinha (x2)

refrão:

Isto não é sério
Isto assim não é decente
Foi-se embora, deu o fora
Sem dizer adeus à gente (x2)
Fernando

Trança é desmazelo
Moça não se impressione
Corte o seu cabelo
Pela moda à la garçonne (x2)

Boca bem fechada
Olha a mosca varejeira
Eu não sou coalhada
Pra dormir na geladeira (x2)

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Fubá

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Fubá (maxixe, 1924) - Romeu Silva (sobre motivo popular)

Peguei no fubá
O fubá caiu
Tornei a pegá
O fubá fugiu

Peguei no fubá
O fubá caiu
Tornei a pegá
O fubá fugiu
Fernando

Não sei o que diga
O que possa crer
É este fubá
Que nos faz sofrer

Não sei o que diga
O que possa crer
É este fubá
Que nos faz sofrer

Que bicho danado
Tão impertinente
Que faz remexer
O corpo da gente

Que bicho danado
Tão impertinente
Que faz remexer
O corpo da gente

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Pai Adão

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Pai Adão (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto

O Pai Adão lá na sua inocência
Comeu maçã que comer não devia
E desta sua falada imprudência
Foi que nasceu toda a nossa alegria

Você, seu Pai Adão
Com seu capricho
Foi mesmo um bicho
Com parte de inocente
Pôs toda a culpa
Na pobre serpente

Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar
Ai como é bom viver
Só a cantar
E como Adão, pecar
Pecar, pecar
Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar

Não vale a pena
A vida maldizer
Quem tem
Tão pouco tempo
De prazer, prazer

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O casaco da mulata

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O casaco da mulata (samba/carnaval, 1924) - Careca

Ó mulata feiticeira
Seu perfume de alecrim
Que perfuma a terra inteira
Eu te quero só pra mim
Bahiano e Maria Marzulo

Tu tens graça, tu encantas
A dor mal de um coração
Tu pareces quando canta
A juriti lá do sertão


"Vem cá mulata"

"Não vou lá não
Vou já vestir
O meu casaco à prestação"

A toada que inebria
Tuas formas nos faz mal
Tu és a nossa alegria
Ó mulata divinal

Ó mulata tem xodó
Tens um porte majestoso
Quero ser o teu coió
Toda vida e bem ditoso

Vem ouvir o meu cantar
Vem saber o meu amor
Ouve agora o verbo amar
Dos lábios do seu cantor

Nunca deixe de me ver
Nunca queira ser ingrata
No mundo não pode haver
Outra como tu, mulata

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Não sei dizê

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Não sei dizê (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto

Não sei dizê quem é
O meu amor
Que passarinho mau
Fugiu, voou

Ai se eu pudesse
Ser passarinho
Pra seguir
No seu caminho
Não tinha agora
Que amargurar
E nem viver a penar
Viver sempre a chorar
Sempre a sofrer
Por teu amor
É dura sorte
É grande dor
Não sei, não sei que fiz
Pra andar no mundo
Assim sozinho
Sem carinho
Infeliz

Amar sem ter ao menos a doçura
De um olhar
É dura sorte, é desventura
Nem sei como findar
O meu viver,
Como acabar
Este meu sofrer

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Miserê

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Miserê (samba, 1924) - Freitinhas

O padre diz miserê
Meserere nobis
Miserê

Fui na igreja
E rezei com muita fé
No espiritismo
Eu acredito em Pai André

Na lei da Bíblia
Eu cantei com muita fé
Fui na macumba
Mas adotei o candomblé

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Vida apertada

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Vida apertada (marcha-batuque, 1923) - Sinhô

Sei que estou preso, preso
Não posso fugir
Vida apertada eu passo
E não posso mentir

Oh... Vem, oh vem
Oh... Vem, meu coração
Apagai o fogo desta
Rude voraz paixão

Não sei qual a razão
De eu viver assim
Neste martírio atroz
Que já não tem mais fim

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Só teu amor

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Só teu amor (marcha-rancho, 1923) - Eduardo Souto

Só teu amor me traz tanta alegria
E é toda a causa do meu viver
Só nele penso de noite e de dia
Porque só ele me dá prazer

Ai quem me dera viver assim
E no teu colo dormir, sonhar
Teu coração bem juntinho a mim
Contar segredos e palpitar

Que doce harmonia
Quanta alegria
Que paraíso
Traz o teu sorriso
Tanta ventura
Que me leva à loucura
Esse amor
Bendita esta calma
Que trago n'alma
Sempre contente
Pois só quem sente
Vive a sonhar
Vive a cantar
O seu amor

Mulheres raras e de mais fulgor
Não há no mundo, não pode haver
Não tem o encanto do teu casto amor
Porque só ele me dá prazer

Eu não lastimo viver na pobreza
E nem de glórias quero eu saber
O teu amor pra mim é riqueza
Porque só ele me dá prazer

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Não olhe assim

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Não olhe assim (marcha/carnaval, 1923) - Freire Júnior

Ó menina, venha cá
Ula lá, ula lá
Creia em mim e tenha fé
Ole lé, ole lé
Meu amor é para ti
Bem te vi, bem te vi
Não sou coió
Bem te vi só...

Não olhe assim
Que me maltrata
O teu xodó
Ai meu bem, meu coração,
É que me mata

Meu amor de quem será?
Ula lá, ula, lá
Quem quiser que bata o pé
Ole lé, ole lé
Eu nasci em Catumbi
Bem te vi, bem te vi
Espia só
Não sou caicó

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Macumba Gegê

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Macumba Gegê (samba/carnaval, 1923) - Sinhô

Tás falando de mim
Eu não ligo não
É a mágoa que tens
No teu coração (x2)

Ê Gegê
Meu encanto
Eu tinha medo
Se não tivesse bom santo (x2)
Lira Carioca

A inveja é um fato
Que nunca tem fim
Podes vir de feitiço
Pra cima de mim (x2)

Ê Gegê
Meu encanto
Eu tinha medo
Se não tivesse bom santo (x2)

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Macaco olha o teu rabo

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Macaco olha o teu rabo (samba, 1923) - Francisco A. Santos

Eu sou filho de baiana
Fui criado no samba
Meu pai é o candomblé
Minha tia é a moamba
Bahiano

Fala meu louro
Emissário do diabo
Deixa a vida alheia
Macaco, olha teu rabo (x2)

Conheça, cabra, conheça
Vai encher primeiro o taco
A muito ando no samba
Olha teu rabo macaco (x2)

Quem tem telhado de vidro
Anda muito direitinho
No samba o macaco
Deixa o rabo do vizinho

O sol nasce pra todos
A sombra pra quem merece
Olha o teu rabo, macaco
Dia a dia ele cresce

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Goiabada

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Goiabada (marcha/carnaval, 1923) - Eduardo Souto

Não há mais goiabada
Que seja boa para se comer
Ficou tão estragada
Que o português já não quer vender
Seu aquele
Pra que tanto estrilo
Foi você
Quem fez tudo aquilo

Meu benzinho
Caladinho escuta
A goiaba
Nunca foi boa fruta
Bahiano

Não há como o bom queijo
Que não puderam falsificar
Então com bom café
Ai que delícia! Que paladar!

O arroz de Pendotiba
Nunca chegou aqui ao mercado
Nem mesmo lá em riba
O tal arroz nunca foi achado

O queijo finalmente
Sempre foi bom, nunca foi bichado
E isso toda a gente
Já sabe bem, pois ficou aprovado

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Cabeça inchada

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Cabeça inchada (marcha, 1923) - Sinhô

Muito te enganas
Dê no que der
Eu sou de quem eu quero
E não de quem me quer

É esta dor
Que se parece
Com a dor que a própria dor
Desconhece

A flor mais bela
É o malmequer
Eu sou de quem eu quero
E não de quem me quer

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Sete Coroas

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Sete Coroas (samba, 1922) - Sinhô

De noite escura
Iaiá acende a vela
Sete Coroas
Bam-bam-bam da Favela (x2)

O homenzinho
É perigoso
Sete Coroas
Nasceu no Barroso (x2)
Lira Carioca

De noite escura
Iaiá acende a vela
Sete Coroas
Bam-bam-bam da Favela (x2)

Não se incomode
Seu inspetor
Que eu sozinho
Prendo o malfeitor (x2)

O homenzinho
É perigoso
Sete Coroas
Nasceu no Barroso (x2)

De noite escura
Iaiá acende a vela
Sete Coroas
Bam-bam-bam da Favela (x2)

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Fala baixo

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Fala baixo (marcha/carnaval, 1922) - Sinhô

Quero te ouvir cantar
Vem cá, rolinha, vem cá
Vem para nos salvar
Vem cá, rolinha, vem cá (x2)

Não é assim
Não é assim
Não é assim
Que se maltrata uma mulher (x2)

És a minha paixão
Vem cá, rolinha, vem cá
És o meu coração
Vem cá, rolinha, vem cá (x2)

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Sai da raia

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Sai da raia (marcha/carnaval, 1922) - Sinhô

Sou feliz e bem feliz
Por não pensar em te querer
Nesta vida agoniada
Não posso mais viver

Meu bem não chora
Arruma a trouxa
Diga adeus e vá-se embora (x2)


Diga adeus e vá-se embora
Nunca mais pense em voltar
Pois estou cansado
E já não posso te aturar

Meu bem não chora
Arruma a trouxa
Diga adeus e vá-se embora (x2)

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Eu só quero é beliscá (marcha/carnaval, 1922) - Eduardo Souto

Ó Sá dona, não se zangue
Vancê pode assossegá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Ai, ai, ai
Com licença de Sinhá
Ai, ai, ai
Eu só quero é beliscá

Seu doutô, seu delegado
Dá licença pra passá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Me dissero que a puliça
Deixa a gente pandegá
Eu inté nem faço nada
Eu só quero é beliscá

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Coração divinal

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Coração divinal (marcha-rancho, 1922) - J. Rezende

Nós queremos conquistar
Da mulher o coração divinal
Nós queremos da mulher
O terno amor
E um olhar de piedade
Angelical

Nós queremos conquistar
Da mulher o coração divinal
Nós queremos esse arcanjo
Eternal
Lá de um céu divinal

Ai! Ai!
Não me maltrate
Ai! Ai!
Não faça assim
Somos meigas e formosas
Como as rosas
Lá do teu jardim
Do teu jardim

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Alvinitente

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Alvinitente (marcha-rancho, 1922) - Romeu Silva e D. Paulo

Alvinitente sempre a brilhar
De formosura alegre a primor
Esta florzinha meiga sem par
Com primazia vos vem saudar

A sua alvura é de encantar
Cândida e pura como luar
Vem arrogante ó meiga flor
Vem mostrando os predicados do amor

Assensar perfumar
Num gozo sem par
Desprendendo odor
Sempre o Lírio sorridente
Alegre contente
Muito altivo do amor

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Sá Miquelina

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Sá Miquelina (samba/carnaval, 1921) - Antônio Rodrigues de Jesus e Junquilho Lourival

Ai Miquelina meu bem
Leva essa roupa depois vem

Há muito tempo que eu ando
Com a roupa esburacada
Miquelina na folia
Não cose a roupa nem nada.

Miquelina andava triste
Andava mesmo doente
Carnaval bateu na porta
Miquelina está contente.

Miquelina fica doida
Quando está na brincadeira
E mesmo depois do samba
Sai tocando o Zé Pereira.

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Pemberê

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Pemberê (chula à moda baiana, 1921) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Menina que namora qué casá
Criança que chora qué mamá

Pemberê / Pemberá
Galinha no ninho que não botá
É logo agarrada pra ir chocá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
A noite bonita que é de luá
Foi feita pra gente mais se gostá

Pemberê
Perna de fora é o que mais se vê, meu bem
Pemberá
Guarde essa perna se qué casá, Iaiá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Muié deste tempo véve a mostrá
O que era pecado só maginá

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Ai amor

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Ai amor (marcha/carnaval, 1921) - Freire Júnior

Almofadinha
Gente pronta sem vintém
Anda chique bem na linha
Não diz donde o cobre vem
Bahiano

É arrojado
Só tem lábias
E cantigas
Sem vergonha, malcriado
Não respeita as raparigas

Ai amor
Ai ó flor
Não me faças sofrer assim
Este mal que não tem mais fim

Melindrosinha
Moça chique e vaporosa
Elegante e bonitinha
Perfumada como a rosa

Namoradeira
Com vontade de casar
Os botões de laranjeira
Nos dão muito que pensar

Moço bonito
É rapaz descolocado
Que por processo esquisito
Anda chique e perfumado

Este tratante
Dó, ré, mi sabe tocar
Intitula-se estudante
Para as moças embrulhar

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Vou me benzer

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Vou me benzer (samba, 1920) - Sinhô
Lira Carioca

Há criaturas que vivem
Porém com tal influência
Que parece ser por elas
Que a gente tem existência.

Vou me benzer
Para me livrar
Desses maus olhos
Que querem me botar.

Entreguei o meu destino
À divina providência
Ela faça o que quiser
Da minha pobre existência

Vou me benzer
Para me livrar
Desses maus olhos
Que querem me botar.

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Quem vem atrás fecha a porta (Me leve, me leve, seu Rafael) (samba/carnaval, 1920) - Caninha

Me leve, me leve / Seu Rafael
Me leve, me leve / Lá pro Pará
Almirante

Quero que Iaiá me leve / Lá na beira do caminho
Tem paciência Iaiá / Me leve devagarinho

Eu chegando na Bahia / Fiquei perdido de amor
Por ver tanta baianinha / Da terra de São Salvador

Na Bahia diz que tem / Bicho que mata rapaz
Bicho de barriga lisa / Laço de fita pra trás

Na Bahia tem mulata / De rico balangandã
A mulata da Bahia / É mesmo de bam-bam-bam

Oh! Meu Senhor do Bonfim / Nossa Senhora da Guia
Não há mulata que chegue / À mulata da Bahia

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Pois não

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Pois não (marcha/carnaval, 1920) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro

Levanta o pé / Esconde a mão
Eu quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Meu alecrim / Manjericão
Eu quero ver se tu não gostas não

Ó querubim / Ó tentação
Eu vou ver só se tu gostas de mim
Ou não

Perco o latim / Perco a razão
Porque não sei se tu não gostas não

O amor sem ser leal / Traz sedução
No carnaval / Pois não

E pode ser fatal / Ao coração
No carnaval / Pois não

É bem que nos faz mal / É tentação
Do carnaval / Pois não

Fiquei preso afinal / Por cavação
Do carnaval / Dar-te aqui vim
Um beliscão

Só quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Picou? Doeu? / Ó coração
Não é por mal, meu anjo
Não é não

Chegado o fim / Desta paixão
Não mais terei dos lábios teus o sim
Ou não?

Melindrosinha / Almofadão
Eu sou teu mas tu minha
Não és não

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Cangerê

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Cangerê (samba/carnaval, 1920) - Francisco Antônio da Rocha

Eu já não posso / Vou usar uma figa
Tu não vale nada / É pessoa antiga
Que mulher danada / Para fazer intriga
Vai-te coruja / Raio de perdida
Bahiano e Izaltina

Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Tenha dó de mim / Tu não é disso
Tu com essa cara / Parece um choriço

E tu que parece / Coelho de riço
Sai daqui azar / Sai daqui caniço

Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Não me aborreça / Isto já é castigo
Sai daqui seu trouxa / Cara de sorvete

Ora o diabo / Ora minha vida
Tem de pouco e tem fome / Sai daqui formiga

Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Vem cá benzinho / Sê meu colibri
Eu vou sozinho / Lá pra Catumbi
Ó vem querido / Comigo não zangue
É melhor cairmos / No canal do Mangue

Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

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Bê-a-bá

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Bê-a-bá (samba, 1920) - Luiz Nunes Sampaio (Careca)

Um B com A - B-A-Bá / Um B com É - B-É-BÉ
Um B com I – B-I-BI / Um B com Ó – B-Ó-BÓ
Um B com U – B-U-BU

Acubabá gelê / Vai pra escola Gegê / Pra aprendê a lê

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Deixa as cadeiras da nêga buli

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Venha entrando que eu quero saí

Castanha de caju / Vamos comer angu / Lá em Cabuçu

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu comi empada arrotei lambari

Agora é que eu ia / Direto para Bahia / Ver a folia

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu vou mas é na praça dormi

Não seja assim carmurro / Senão eu torço o burro / Olá seu burro

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu vou beber é meu Parati

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Seu Derfim tem que vortá (maxixe, 1919) - Eduardo Souto e Norberto Bittencourt

Nhô Derfim tem que vortá / Por vontade ou sem querê
Porque aqui na Capitá / Não tem mais nada a fazê
Nhô Derfim boa viage / Escreva sempre pra cá
Bem pensado é bobage / Sê mandante sem mandá

O trem apita / Chegou a hora
Cabou a fita / Pode i s'imbora
Porém na Centrá / O nosso homenzinho
Ficou pra enbarcá / Molinho, molinho...

Não brabeja Nhô Derfim / Qu'isto tudo é bem querê
E range um quarto pra mim / Passá um mêis com mecê!
Que grande celebridade / Mecê veio aqui cavá
Pois mostrô sê na verdade / Bom guardadô de lugá

Veja que cateretê / E que trovas divertida
Nós fizemos pra mecê / No momento de partida
Eu vou ainda fundá / Quando achá quem abone
Um grupo que vou chamá / Os amigo do trombone

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Confessa meu bem

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Confessa meu bem (samba/carnaval, 1919) - Sinhô

Confessa, confessa meu bem
Confessa, confessa meu bem
Lira Carioca

Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém
Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém

Língua malvada e ferina
Falar de nós é tua sina

Vou-me embora, vou-me embora
Desse meio de tolice
Estou cansado de viver
De tanto disse-me disse

Oh! Que gente danada
Não confesso nada

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A rolinha do sertão

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A rolinha do sertão (samba/carnaval, 1919) - J. Rezende e Mirandela

Eu quizera ser a rola (Pois é)
A rolinha do sertào (Pois é)
Para fazer o meu ninho (Pois é)
Na palma de sua mão (Assim que é)

Não precisa ser a rola (Pois é)
A rolinha do sertão (Pois é)
Que o teu ninho já está feito (Pois é)
Dentro do meu coração (Assim que é)

O fogo nasce da lenha (Pois é)
A lenha nasce do chão (Pois é)
Bem querer nasce dos olhos (Pois é)
O amor do coração (Assim que é)

Sexta-feira faz um ano (Pois é)
Que meu coração fechou (Pois é)
Quem morava dentro dele (Pois é)
Tirou a chave e levou (Assim que é)

Eu vi a garça voando (Pois é)
Lá pra banda do sertão (Pois é)
Levava a Maria no bico (Pois é)
E Teresa no coração (Assim que é)

Um anjo me disse agora (Pois é)
Eu amendrontado ouvi (Pois é)
Que no céu Nossa Senhora(Pois é)
Tinha ciúmes de ti (Assim que é)

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O boi no telhado

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O boi no telhado (tango, 1918) - Zé Boiadero (José Monteiro)

Vem mulata ter comigo
Vamos ver o Carnaval
Eu quero gozar contigo
Esta festa sem rival.

Vem cá, vem cá, vem cá
meu bem.
Como eu não há
ninguém.

Pula, pula, perereca
E segura esta boneca [bis]
Vem cá, vem cá, vem cá [bis]
Olá

Segura o cabrito [bis]
O boi é bem manso [bis]
Mulata cutuba [bis]
Aguenta o balanço [bis]

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O malhador

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No samba “O Malhador”, de Pixinguinha, Donga e Mauro de Almeida, gravado na Casa Edson em 1918, a expressão “siri tá no pau” era entoada por um corinho, em resposta a cada verso cantado pelo Bahiano. Essa expressão foi utilizada, mais tarde, e com sucesso, no samba-coco Bigorrilho (de Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil), grande sucesso do carnaval de 1964: “Lá em casa tinha um bigorrilho / bigorrilho fazia mingau / bigorrilho foi quem me ensinou / a tirar o cavaco do pau / trepa Antônio, siri tá no pau...”

O malhador (samba / carnaval, 1918) - Pixinguinha, Donga e Mauro de Almeida
Bahiano e coro

Maiadô, que maia dança / Quem dança maia também
Ô Maiadô, sem faia / Samba, quem samba maia por bem
Minha frô, caboca / Sacode o vestido bem

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //

Fala:
- Me explique, meu nego, você já viu peixe morrê afogado?
- Não, meu bem, já vi o aeroplano morrê de fome.

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //

Maiadô / Samba seja como fô
Samba bem com teu amô / Não sossega de maiá
Maiadô / Por onde passa
No campo bambeia, diacho / Ô maiadô
Padrão de samba / Mas faça o passo mais fácil
Minha frô, mulata / Faz tempo que o nego vem

// Sambô... gostô... / Siri tá no pau / Dança feitô... / Siri tá no pau / Mas não falhô / Sirí tá no pau / Ô maiadô / Siri tá no pau //

Fala:
- Explique, meu nego, o mundo da lua é habitado?
- É, meu bem, este ano vêm assistir o carnaval.

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //

Maiadô samba / E samba com fervô
Quem maia sabe sambá / Quem samba sabe gozá
Maiadô danado / Samba diante de mim, quero vê
Ó maiadô cansado / Tu ficará sem querê me benzê
Mulatinha diacho / Faz o teu passo bem baixo

// Samba bonito / Sirí tá no pau / Senão eu grito / Sirí tá no pau / Passa no bico / Sirí tá no pau / Samba mardito / Sirí tá no pau //


Fala:
- Explique, meu nêgo, qual é o peixe quee você mais gosta?
- É de pirarucu, meu bem

// Dança bonito / Sirí tá no pau / Senão eu grito / Sirí tá no pau / Passa no bico / Sirí tá no pau / Samba mardito / Sirí tá no pau //

Maiadô / Dá um jeito que o barco vem
E não respeita ninguém / Se maia, maia também

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Vamo Maruca vamo

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Vamo Maruca vamo (cateretê, 1918) - Juca Castro e Paixão Trindade

Canto
A carta que te mandei...
Que te mandei...
Foi papé das minha mão...
Das minha mão...

A tinta foi dos meus óio...
Dos meus óio...
A penna meu coração...
Meu coração...

Vamo Maruca, vamo...
Vamo pra Jundiay...
Co's ôtro vancê vai,
Só cumigo não qué i...
[bis]

Ella
Não vô não...
Não vô não quero i!
Longi de meus parente,
Vancê que judiá de mim.

II

As ave de mim tem pena...
De mim tem pena
Os campo de mim tem dó...
De mim tem dó
As ave pur me vê triste...
Pur me vê triste
Os campo pur me vê só...
Pur me vê só

Vamo Maruca, vamo...

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Franqueza rude

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Franqueza rude (modinha, 1917) - Belchior da Silveira (Caramuru) e João B. Fittipaldi

O teu olhar, tem tanto fogo e tanto ardor,
Que é bem capaz, de seduzir e de prender,
Mais é o efeito de um capricho e não de amor,
Porque em teu peito, amor não pode mais haver.
Mário Pinheiro

Tem conseguido, acorrentar aos olhos teus,
Os desditosos, que se deixam iludir,
Pois há mim, não prenderás, juro por deus,
Que aos teus ardís, eu hei de sempre resistir.

Eu não me iludo não,
Com teu olhar ardente,
Porque teu coração,
Pertence há muita gente.

Acostumada a seduzir e a dominar,
Julgaste fácil, dominar a mim também,
Mas nunca ao teu querer eu hei de me curvar,
Porque sou muito altivo e como eu sou ninguém,
Tiveste um dia, a vã idéia em me fitar,
Com toda a força de teus olhos de serpente,
Eu não me deixo fascinar, por teus olhares,
Eu não me prendo nos teus olhos, na corrente.

Mesmo que teu amor,
Seja um amor sincero,
Mil vezes quero a dor,
Mas teu amor, não quero !

Não quero amor,
De quem amando, todo mundo,
Não sabe amar,
Como a um só se deve amar,
Embora o meu penar,
Seja um penar profundo,
Não hei de amar-te um segundo,
E nunca, nunca te beijar,
Transformarei meu coração num baluarte,
Pra resistir, aos teus assaltos, infernais,
Hei este orgulho dominar,
Hei de mostrar-te,
Que tu só és,
Mulher, mulher e nada mais !

Não estejas a fitar,
Assim quem não te quer,
Quem nunca ás de domar,
Quem nunca ás de vencer !...

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Azulão

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Ely Camargo

Azulão (toada pernambucana) - Almirante e João de Barro

Azulão é passo preto
Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte
Faz rondar, faz sentinela
Também faço sentinela
E rondo que nem soldado
Tua janela menina
Do vestidinho encarnado
A dias não te avistei
Fiquei triste desolado
Chorei muito com saudade
Do teu vestido encarnado
Azulão é passo preto
Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte
Faz rondar, faz sentinela
Por acaso aqui passando
Vi andorinhas bando alado
Pergfuntei se tinham visto
O teu vestido encarnado
Uma delas, disse às outras
Vive penando coitado
Neste vestido encarnado
Azulão é passo preto
Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte
Faz rondar, faz sentinela
As nuven já tem inveja
de ti meu anjo adorado
Ontem à tarde vieram
Vestidinhas de encarnado
E se Deus me perguntasse
Que queres e isto seja dado
Peço pra morrer nas dobras
Do teu vestido encarnado
Azulão passo preto
Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte
Faz rondar, faz sentinela
Quem tem seu amor e fronte
Faz rondar, faz sentinela
Faz sentinela

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Sodade meu bem sodade

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Ely Camargo

Sodade meu bem sodade (toada) - Zé do Norte

Sodade meu bem sodade
Sodade do meu amor
Foi-se embora
Não disse nada
Nem uma carta deixou

E os óio da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse a mais tempo
Não amava quem amei

Quem levou o meu amor
Deve ser um meu amigo
Levou pena deixou glória
Levou trabaio consigo

E arrenego a quem diz
Que o nosso amor acabou
Ele agora tá mais firme
Do que quando começou

Sodade meu bem sodade
Sodade do meu amor

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Vida marvada

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Ely Camargo

Vida marvada (toada mineira) - Almirante e Lúcio Azevedo

Vance num sabe como é bom vive
Numa casinha branca de sapé
Como uma muié a nos fazê carinho
Uma galinha, dois ou três pintinho

Se o sór tá quente a gente arranja rede
Garra a viola presa na parede
Acende o pito gospe e passa o pé
E deixa a vida como Deus quizé

Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Pru que se esforça
Se não paga a pena trabaiá

Num sei pruque que aqui num nasce nada
É só capim, só mato, espinharada
Não nasce arroz, nem mio, nem feijão
Num sei o que que exeste neste chão

De manhã cedo eu óio pra rocinha
Mas qual o que não nasceu nada não
Prantando nasce, mas não pranto não

Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Se não paga a pena trabaiá

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O meu boi morreu

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O meu boi morreu (toada, 1916) - Autor desconhecido

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //
Eduardo das Neves
e Bahiano

Seu moço inteligente / Faz favô de mi dizê / Em riba daquele morro / Quantos capim há de tê / Se o raio não cortou / Se o gado não comeu / Em riba daquele morro /
Tem o capim que nasceu.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //


Me arresponda sem tretê / Mas me arresponda já / O que é que a gente vê / E que não pode pegá? / Aquilo que a gente vê / E que não pode pegá / É a lua e as estrela / Que no céu tão a briá.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Vou lhe fazê uma pregunta / Pra vancê me arrespondê / Vinte e cinco par de gato / Quantas unha deve te? / Intrei no raio de sol / Saí no raio de lua /
Vinte e cinco par de gato / Com certeza tem mil unha.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Em riba daquela serra / Tem um sino sem badalo / E uma arroba de capim / Pra você comê, ó cavalo / Em riba daquela serra / Tem um sino ferrugento / Se eu hei de comê capim / Coma você, ó seu jumento.


Ai, Filomena

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Em 1915, com o fim do mandato de Hermes da Fonseca, apelidado pelo povo de seu Dudu, surgem sátiras à sua fama de agourento. A que se tornou mais famosa é Ai, Filomena, de J. Carvalho Bulhões: "Dudu sai a cavalo/ o cavalo logo empaca/ e só começa a andar/ ao ouvir o corta-jaca.// Ai, Filomena, se eu fosse como tu,/ tirava a urucubaca/ da careca do Dudu".

O texto faz referência a um sarau no Catete, em 1914, quando a primeira-dama Nair de Tefé tocou ao violão o Corta-jaca, maxixe de Chiquinha Gonzaga, causando grande escândalo. O episódio levou o erudito e elitista Rui Barbosa a ocupar a tribuna do Senado para classificar esse gênero de ritmo como "a mais vulgar e grosseira de nossas manifestações musicais".

Ai, Filomena (marcha, 1915) - J. Carvalho Bulhões

Ai, minha sogra / Morreu em Caxambu / Com a tal urucubaca / Que lhe deu o seu Dudu // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu
Bahiano

Dudu quando casou / Quase que levou a breca / Por causa da urucubaca / Que ele tinha na careca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da cabeça do Dudu

Na careca do Dudu / Já trepou uma macaca / E por isso coitadinho / É que tem urucubaca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu tem uma casa / E com chave de ouro / Quem lhe deu foi o Conde / Com os cobres do Tesouro // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Se o Dudu sai a cavalo / O cavalo logo empaca / Só começa a andar / Ao ouvir o Corta-jaca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu tem uma casa / Que nada lhe custou / Porque nesse presente / Foi o povo que marchou // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Mas a rainha / Cavou o seu também / Dizendo no Senado / Tão somente "muito bem" // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Eu me arrependo / De ter ido ao Caju / E não ter vaiado / A saída do Dudu // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Bahiano: -Vocês estão falando, ele nem faz caso. Está comendo do bom e do melhor!

Fonte: Portal SESCSP - A MPB canta e conta nossa história

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Saudades de Iguape

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Saudades de Iguape (valsa, 1913)
- Melodia de João Batista do Nascimento e letra de Waldemiro Fortes

Adeus, Iguape,
Adeus, terra querida,
És por todos chamada
A princesa dourada
Do Litoral Sul do Estado,
A mais bela e gentil,
A própria natureza te ornou
De graças mil.
Antenógenes Silva

Teu solo privilegiado pela natureza
Guarda em teu seio a maior riqueza
Bem-aventurado solo sem igual
Em todo o litoral,
És bela, tens os teus encantos
Cheios de alegria,
Reina em ti a doce paz,
Reina a alegria,
Ó Iguape amado, solo abençoado.

Adeus, Iguape,
Vou partir,
Adeus, adeus,
Profundos soluços e saudades
Levo de ti, terra amada,
Meu coração soluça e chora
Ao te deixar,
As saudades que levo de ti
Para sempre na campa há de findar.

Adeus, Iguape,
Adeus, terra querida,
És também conhecida
Terra do Bom Jesus,
Berço de vida e luz raiante,
Espalhando fulgores,
O teu porvir brilhante
Há de brotar igual às flores.

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Lágrimas e risos

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Lágrimas e risos (valsa, 1913) - Eustórgio Wanderley e A. Tavares

A vida é toda feita assim
De riso e dor um mar sem fim
Alegre um dia o riso vem
E o pranto seguirá também

A criancinha assim que nasce
Conhece a dor, põe-se a chorar
No entanto o riso em sua face
Só muito após vem a aflorar

Sorrir, chorar e assim vai-se a vida a passar
Cantar, gemer, a mágoa vem junto ao prazer
É louco também quem nos diz, que se considera feliz
Que a sorte aos seus braços lhe atira, mentira, mentira
Pois breve ao invés de cantar
Chorar, chorar

Eu que cantando estou hoje aqui
Enquanto o público sorri
Quem sabe se em vez de cantar
Tenho vontade de chorar

Num circo, vê-se sobre a arena
Ri o palhaço a se perder
E em casa a filha assim pequena
Talvez deixasse-lhe a morrer

Sorrir, chorar e assim vai-se a vida a passar
Cantar, gemer, a mágoa vem junto ao prazer
Palhaço que ri sem cessar
Não deve não pode chorar
Pois quem é pago pra rir pra chalaça
Desgraça, desgraça
Se em pranto tens alma de par
Sorrir, cantar

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Dengo dengo

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Dengo dengo (polca, 1913) - Emília Duque Estrada Farias e Cardoso de Menezes

Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
Tá chegada a hora
Dos Capicurus
Ó maninha
Ganhar a vitória

Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
É de caruru
Quem matou baeta
Ó maninha
Foi carapicu

Eu bem dizia baiana
Dois metros sobrava
Saia do balão
Babadão
Metro e meio dava


Bambino

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Bambino (tango, 1913) - Ernesto Nazareth

Dedicado ao bom amigo Cezar d’Araújo. Depois de mais de uma década sem ter obras publicadas pela Casa Arthur Napoleão (a última fora a valsa Genial, em 1900), Nazareth teve editado seu vigésimo sexto tango, Bambino, dedicado a um dos então proprietários desse tradicional estabelecimento.

Quanto ao título, trata-se do nome artístico do afamado caricaturista Arthur Lucas, responsável, inclusive, pelo desenho de algumas capas de partituras do compositor. Entusiasmado com o grande êxito alcançado por Bambino, Catulo da Paixão Cearense, assim como fizera com Nenê, Bicyclette-club e Brejeiro, também resolveu dedicar-lhe versos e um novo título, Você não me dá!...:

Como tão linda está / Como tão linda está / Mas se um beijo eu pedir / Você não me dá / Você não me dá

Quem lhe implora é o amor / A inocência, o candor / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá

Não tem pena de ver / Um poeta sofrer / Quem lhe implora é o amor / É a doida aflição
do meu coração

Se me promete dar / Eis-me aqui,a chorar / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá

Sua boca é um primor / Uma abelha do amor / Sou capaz de jurar / Que o seu beijo / Há de Ter o sabor do luar

Sua boca é um altar / Onde eu quero rezar / E após confissão / Nos seus lábios rismar / Os meus lábios então

Sua boca cheirosa / é a essência da rosa / Mais bela e mais langue / É uma estrela , uma estrela de sangue / Um luar de sangrento rubor

Quem me dera um carinho / Deixar oscilando num terno cantinho / Desse mau pedacinho do inferno, do averno / Do céu mais azul

A minha alma voando do palmo da terra / Tão cheia de horrores / Nesse berço feliz dos amores / As minhas glórias pudera cantar

E se acaso duvida do que hora lhe diga / Venha, experimente / Que minh'alma ardente / Na sua boquinha deseja sonhar

Como tão linda está / Ai meu Deus, como está / Pra uma santa ficar / Devia um beijinho agora me dar

O seu beijo é o licor / Dos travores da dor / Há de ter o sabor da antera da flor / Do seu amor


Fontes: Choromusic; Agenda do Samba & Choro.

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O sairá

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O sairá (marcha-rancho, 1911) - José Rebelo da Silva e Antenor de Oliveira

Junto a um bosque copado e airoso
Tem um jardim tão rico e mimoso
Se eu pudesse gozava as delícias
Deste jardim de tantas carícias

E todas as manhãs um sairá
Vai ali colher um resedá
Para ofertar às faceiras
Filhas das jardineiras.

E assim cantava um sairá
Quando pousava no resedá
Sou o senhor destas flores mimosas
Destes vastos jardins.

Vastos jardins
Venho a colher resedás
Para ofertar aos meus querubins
Meus querubins

Eu vou depressa e mui pressuroso
Qual brisas fagueiras.
Brisas fagueiras
Para entregar este ramo odoroso
Às filhas das jardineiras
Das jardineiras

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Estela

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Estela (modinha, 1910) - Abdon Lira e Adelmar Tavares
Carlos José

De noite
O plenilúnio é como um sol
Nasce tristonho
Olhando pelo céu
Beijando o mar
As estrelas no azul
Brilham sorrindo,
Estás dormindo
E eu venho, meu amor,
Te despertar

Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo lindo
Acorda, abre a janela
Estela


Desperta
Dorme toda a natureza
Que beleza
Venho unir tua voz
A minha voz
Entre lírios, violetas, crisantemos
Cantaremos
Como dois infelizes rouxinóis

Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo lindo
Acorda, abre a janela
Estela

No teu leito de seda
Dormes quieta
E o teu poeta
Canta para o teu sono suavizar
Dorme, que eu cantarei
Como é o suave canto de ave
Que gorjeia de amor
Fitando o luar

Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo lindo
Acorda, abre a janela
Estela

Canto
Embora amanhã
Encontres morta
À tua porta
A visão de quem te amava no abandono
Dirás ao ver Estela
Que sou eu o pombo correio
O rouxinol que te embalava os sonhos

Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo bonito
Não abras a janela
Estela

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O Monteiro no sarilho

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Carramona (Albertino Pimentel) era pistonista, regente e compositor. Sua formação musical era resultado do aprendizado na Casa dos Meninos Desvalidos e na própria Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, cujo comando assumiu dez anos depois de seu ingresso em 1900. Vale também destacar o aprendizado que teve nas inúmeras rodas de choro da cidade, visto que esta é a tradicional escola de músicos melodiosos e harmônicos (figura ao lado: partitura para flautim da polca O Monteiro no sarilho).

A vivência musical na cidade o fez um apaixonado pelo Rancho Ameno Resedá, o mais conhecido rancho da História, para o qual compôs uma polca de mesmo nome. Os ranchos eram agrupamentos carnavalescos, descendentes do pastoril, que incluíam instrumentos de corda e de sopro, porta-estandarte, coro para entoar a marcha-rancho, mestre-sala etc. O bom entendedor já pôde perceber que os ranchos foram os precursores da escolas de samba.

Consciente de sua importante tarefa à frente da Banda após a morte de Anacleto de Medeiros, Carramona manteve a excelência dos músicos da corporação e a tradição de compor polcas, choros, mazurcas, valsas e outros gêneros populares. Compôs também um dobrado em homenagem ao mestre, intitulado Memórias de Anacleto.

Várias outras criações suas ficaram no repertório popular como, por exemplo, O Monteiro no Sarilho, sucesso musical no ano de 1910. A polca foi gravada provavelmente nesta época (1908-1910) pelo Grupo Lulu O Cavaquinho, selo Columbia, álbum nr. 1191612.

Fontes: Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro; Instituto Moreira Sales.

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Meu casamento (Olhos de veludo)

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Almirante: "Na memória dos mais antigos fixou um número bastante grande de músicas de seu tempo. Se pedirmos a alguém que já tenha passado dos 50 que nos lembre as músicas que mais o impressionaram em sua meninice, teremos uma enquete curiosa, revelando a predominância de certas melodias. Uma música que fatalmente há de aparecer em todas as respostas é a que se chamou inicialmente “Meu Casamento”. Seu autor foi um modesto flautista que morreu tragicamente aí por 1929 sob as rodas de um trem na estação do Engenho Novo numa tarde em que se dirigia para casa depois de sair do seu emprego de tecelão na fábrica Confiança de Vila Isabel. A música de Pedro Galdino, destinada inicialmente só à execução, recebeu, logo que ganhou popularidade, uns versos de Gutenberg Cruz. E foram esses versos, ouvintes da velha guarda, que a fizeram chegar ao máximo da fama difundindo-a por todo o Brasil. E ainda mais, versos que tiveram a influência decisiva de mudar inteiramente o seu nome. Pois de “Meu Casamento”, a schottisch passou a ser conhecida principalmente por Olhos de Veludo” (Programa O Pessoal da Velha Guarda - 22-11-1951).

Almirante: "A música que abriu este comentário aqui, aquela famosa “Flausina”, que tinha esses versos: Anda vem cá, vem ver meu pobre coração como está é o cartão de visitas do autor da peça que vai também abrir o programa de hoje. Mas se nós quiséssemos, nós poderíamos usar outro cartão de visitas para o mesmo autor, como a sua xótis que foi célebre, aquela que se cantava com os versos 'Quando na luz desses seus olhos de veludo', lembram? Pois o autor que produziu tais maravilhas nunca poderia ter sido medíocre na certa. Eis por quê vocês devem agora apreciar bem para sentir também bem toda a beleza de uma polca-choro daquele mesmo Pedro Galdino...." (Programa O Pessoal da Velha Guarda - 03/03/1948).

Vicente Celestino gravou um LP intitulado "Saudade palavra doce" (1960) e canta numa faixa "Olhos de Veludo" cuja autoria é creditada (neste disco) ao pianista e compositor Azevedo Lemos (Rio de Janeiro, 1860 - 1920). Acessando o site do Instituto Moreira Sales encontro a mesma música com o título de "Meu casamento", cujo gênero musical é "chótis", compositor Pedro Galdino, intérprete Pessoal do Bloco, gravadora Favorite record, número do álbum 1454047 (data de gravação 1910-1913). Então fico com o Almirante: Quando na luz desses seus olhos de veludo.

Meu casamento (Olhos de veludo) (chótis, 1910) - Pedro Galdino e Guttenberg Cruz
Vicente Celestino

Quando na luz destes teus olhos de veludo
Meus olhos tristes chorando ponho
Esqueço a dor que ando sofrendo
Esqueço tudo
E ao céu crescendo dentro de um sonho

Fazem sonhar estes teus olhos coloridos
Que andam perdidos
Numa saudade
Olhos magoados como os teus
São corações crucificados
Pelo amor na cruz imensa d'uma dor

Em meio desta vida para mim
Foram teus olhos dois escolhos
Eu não posso caminhar assim
Ai, meu Deus o que será de mim?

Não posso mais deixar
De adorar O teu olhar
Que me atormenta
E me prende, me seduz
Esse olhar que me acorrenta
Em criols de luz

Pensei que existe alguém
Que ama também
Os olhos teus
Não são os meus
Não são meus olhos espressados
Pelos teus magoados
Que o teu olhar aquece

Meu Deus, ouve esta prece
E me arranque esta paixão
Do coração
Que tu fizeste para o amor
Amar sem esperança
Antes morrer... Senhor!

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Favorito

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O tango "Favorito" (1895) foi gravado em 1912 na Odeon pelo seu autor, Ernesto Nazareth, que ao piano foi acompanhado por Pedro de Alcântara em solo de flautim. No entanto há registros de gravações anteriores como a do cantor Mário Pinheiro que interpretou “Favorito” em 1908 (provavelmente), com letra atribuída a Catulo da Paixão.

Em 1915, o palhaço-cantor Eduardo das Neves grava na Odeon (álbum número 121026) a canção intitulada "Amor avacalhado" com versos de letrista anônimo e música do tango de Nazareth. Em 1929, Francisco Alves viria a gravar uma versão modificada da mesma letra sob o título de “Favorito” (álbum número 10518).

Favorito (tango, 1895) - Música de Ernesto Nazareth
Amor avacalhado - Letrista desconhecido
Francisco Alves

Meu amor se tu queres saber
Qual a razão deste meu padecer
Por que motivo me ausento de ti
Vem me escutar aqui
Não é medo meu bem, qual o que!
Eu te digo qual é a razão
Eu gosto muito de você
Mas dou o fora nesta ocasião.

Tens um pai que é de tremer
E é quem me faz sofrer
Perder o tempo até
Bem sabes como ele é...
Se descobre que eu vou lá
Tenho mesmo que fugir
Pois não dou pra fubá
Na porta não posso ir.

Esse seu pai é uma fera
Se você ainda espera
Que eu caia nesse arrastão
Mas eu não vou nisso não
Nestas contas, eu vou por mim
Pois não tem graça, meu bem
Eu perder o meu latim
Nestas contas, vou por mim.

Tua mãe, ai Jesus, não tem mais!
Porque eu hei de dizer de teus pais
Tem por mãe uma víbora feroz
Que do inferno caiu entre nós!
É maldosa, cruel, é um azar
Pois não me dá uma folga sequer
Que [viro], que paixão, que contrariedade!
Isto não é mulher!

Tens um pai que é de tremer...

Teus maninhos me pedem tostões
Sujam-me a roupa, me arrancam os botões
Tu achas isso muito natural
Eu sei que não é por mal!
Mas não posso, a despesa é demais
Cair no Mangue é melhor, minha flor
Crio alma nova, me vou para embora
Saúde e fica, [Deusinho] meu amor

Tens um pai que é de tremer...

Fontes: As Crônicas Bovinas - Amor Avacalhado; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; Instituto Moreira Sales.

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Ameno Resedá

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Primeiramente publicada pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.), a vigésima sexta polca editada por Ernesto Nazareth
Grupo do Louro
recebeu o título de Ameno Resedá e foi dedicada a um rancho carnavalesco com o mesmo nome a pedido de um de seus diretores, o carteiro Napoleão de Oliveira.

O rancho "Ameno Resedá" foi o mais famoso de todos os ranchos carnavalescos da cidade do Rio de Janeiro. Criado em 1907 por um grupo de funcionários públicos cariocas, após um piquenique em Paquetá, tinha sua sede no bairro do Catete.

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Escovado

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Ernesto Nazareth "Escovado" é uma gíria comum que signifca "astuto". Ary Vasconcelos nos conta em seu livro Panorama da Música Popular Brasileira que Ernesto Nazareth era um “homem devotado à família que dava geralmente, às músicas que compunha, títulos com que homenageava ora um filho, ora a espôsa, ora um outro parente.” “Travesso” foi dedicado a seu filho Ernesto, “Marieta” e “Eulina” a suas duas filhas, “Dora” a sua esposa Teodora, “Brejeiro” a seu sobrinho Gilberto, etc.

O tango Escovado entra na categoria acima. Em seu CD-ROM Ernesto Nazareth, Rei do Choro, Luiz Antônio de Almeida oferece a seguinte informação sobre a música:
Nazareth, 1930

Tango primeiramente editado pela Casa Vieira Machado & Cia. e dedicado a Fernando, irmão caçula do compositor. Tornou-se um dos grande sucessos de Nazareth, tendo sido o seu tema principal posteriormente aproveitado pelo compositor francês Darius Milhaud em Le Boeuf sur le Toit (1919), bailado de sua autoria. Em setembro de 1930, aceitando convide feito por Eduardo Souto, então diretor artístico da Odeon-Parlophon, Nazareth gravou esta peça em disco, recebendo entusiástica acolhida da imprensa (Fonte: As Crônicas Bovinas - Escovado).

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A baratinha

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A marcha A baratinha composta pelo português Mário de São João Rabelo, foi divulgada no Brasil por companhias de teatro musicado e foi o grande sucessso no carnaval de 1918. Primeira gravação na Casa Edison em 1917 por Bahiano, e em 1918 na Odeon, pelo grupo O Passo no Choro (instrumental).

A baratinha (marcha / carnaval, 1918) - Mário de São João Rabelo
Bahiano

Chega, chega, minha gente,
Que o choro vai começá,
Repara como é gostoso,
Este samba de matá.

A baratinha,a baratinha,
A baratinha, bateu asas e voou.
A baratinha, iaiá,
A baratinha, ioiô,
A baratinha, bateu asas e voou.

Perna de porco, é presunto,
Mão de vaca, é mocotó,
Quem quiser viver feliz,
Deve sempre dormir só...

Minha menina faceira
Cinturinha de retrós
Põe a chaleira no fogo
Vai quentá café pra nós...

Menina da saia curta
Que mora lá no riacho
Atrepa neste coqueiro
Joga-me os cocos pra baixo...

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Flor de abacate

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A polca Flor do Abacate foi composta por Álvaro Sandim (1862–1919), trombonista e diretor de harmonia na Sociedade Dançante Carnavalesca Ninho do Amor que, em 1913, abandonou esse clube e se juntou ao rancho Flor do Abacate (na foto: o Rancho Flor de Abacate).

Esse rancho tinha o seu lugar no Largo do Machado no Catete, Rio de Janeiro, o mesmo bairro que acolheu seu rival, o grande Ameno Resedá. Sandim tornou-se diretor musical do rancho e desfilou à frente de sua orquestra no carnaval. Essa orquestra era repleta de músicos de primeira linha da época, incluindo o jovem saxofonista (futuramente mestre de orquestra) Romeu Silva (1893–1958), que seguiu Sandim desde o Ninho do Amor.

A mãe de Dona Ivone Lara era uma pastora no rancho. Em 1915, Sandim compôs a polca que imortalizou o nome do Rancho e seu próprio nos anais do choro.

Flor do Abacate (polca, 1915) - Álvaro Sandim e Felipe Tedesco
Jacob do Bandolim

Você veio comigo falar (porquê?)
Pra comigo você namorar (sentei)
E num lindo jardim todo em flor, depois
Nós trocamos juras de amor

Um abraço você quis me dar (não dei)
Um beijinho você quis roubar (neguei)
De mãos dadas ficamos a contemplar
A Lua, que insistia em nos provocar

Mas como a noite estava linda
E o luar, também
Nós dois sentados entre as flores
Sozinhos, e mais ninguém
Num momento em que a lua se escondeu
Meu bem, o meu coração lhe pertenceu

Fontes: Instituto Moreira Sales; Crônicas bovinas.

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Maxixe aristocrático

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O primeiro compositor a estilizar o maxixe foi o pianista Ernesto Nazareth, que se apresentava junto com Chiquinha Gonzaga. Ernesto era filho de uma família de classe baixa que morava no bairro Nova Cidade e sua primeira obra como compositor foi a polca-lundu "Você bem sabe".
Pepa Delgado e Alfredo Silva

Somente em 1905 o maxixe começou realmente a tomar conta dos salões do Rio de Janeiro e passou a ser aceito pelas famílias de classe média. Logo, o maestro de teatro José Nunes compôs o "Maxixe aristocrático", cantado pela dupla de atores Pepa Delgado e seu companheiro, na revista "Cá e Lá".

Maxixe aristocrático (maxixe, 1905) - José Nunes

Pepa Delgado:

O maxixe aristocrático / Ei-lo que desbancará
Valsas, polcas e quadrilhas / Quantas outras danças há!

Alfredo Silva:

Nas salas de um pólo ao outro / Quem em dançar bem capriche,
Dentro em pouco dengoso, / Só dançará o maxixe!

E com os versos:

Nobres, plebeus e burgueses, / Caso é verem-no dançar!
Tudo acabará em breve / Por, com fúria, maxixar!

O autor previa a aceitação da dança em todas as salas de dança da cidade. A aceitação do maxixe como dança foi facilitada, na Europa, pela euforia urbana surgida com a utilização, na indústria imperialista, das matérias-primas roubadas de países da Ásia e África. Logo, em meio às novidades importadas que invadiam os países europeus, houve um fato curioso em Paris quando em 1906, o maxixe brasileiro foi apresentado no Teatro Marigny, nos Champs- Élysées, pelas dançarinas Rieuse e Nichette. Dois anos mais tarde, em Portugal, houve a apresentação de dois brasileiros o cançonetista Geraldo Magalhães e Nina. Pouco tempo antes o maxixe havia sido lançado na Europa através da grande novidade: o disco.

Fonte: allboutarts

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Se ela perguntar

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Se ela perguntar (valsa, 1952) - Dilermando Reis e Jair Amorim
Carlos Galhardo

--------------Dm ---------------------------Gm
Se ela um dia, por acaso perguntar por mim
---------------A7-------------- Dm----- A7
Diga, por favor, que eu sou feliz ...
---------Dm -------------Dm6 -------------Am
É preciso a própria mágoa disfarçar assim,
---------------------F E7------------------- Bb7--- A7
Dissimulando a dor à sombra de um sorriso...
--------Dm------------------------------------ Gm
Coração talvez não tenha aquela por quem dei
-----------------A7---------- Eb7--- D7
Tudo o que sofri e que sonhei
---------------Gm--------- ----------- Dm
Estrela solitária que no céu do meu amor
--------------------------------E7
Eternamente, desde que brilhou,
-----A7 ---------Dm
Nunca se apagou!
-------A7----------------- Dm
Esperança de revê-la ainda
--------D7------------------ Gm
Amargura de poder somente
-------------------------------------- Dm
Suplicar por ela, assim, alucinadamente
E7
Na paixão / Que é perdição / No amor
------------------A7
Que sempre é dor
---------------------Gm
Feliz porque não diz / As lágrimas que
------A7--------------------------- Dm
Sempre, sempre, esconderei sorrindo
---------D7--------------------- Gm
Desfolhando apenas malmequeres.
--------------------------------------- Dm
Pois ferir o coração é próprio das mulheres
--------E7------------ A7----- Dm
É sofrer, mesmo assim, é VIVER!

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É preciso discutir

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É preciso discutir (samba, 1931) - Noel Rosa

Francisco Alves:
-Na introdução deste samba
Quero avisar por um modo qualquer
Que esta briga
É por causa de uma mulher...

Mário Reis:
-E eu aviso também
Que neste samba agora me meto
Para cantar com Francisco Alves
Em dueto....
Mário Reis e Francisco Alves

É preciso discutir
Mas não quero discussão
Da discussão sai a razão
Mas às vezes sai salgada
A questão é complicada
Quero ver a decisão

A mulher tem que ser minha
A mulher não traz letreiro
Foi comigo que ela vinha
Mas fui eu que viu primeiro
Ela é minha porque vi
Mas quem segurou fui eu
A conversa já me diz
A mulher não escolheu

É preciso discutir
Mas não quero discussão
Da discussão sai a razão
Mas às vezes sai salgada
A questão é complicada
Quero ver a decisão

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Não faz, amor

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A amizade entre Cartola e Noel Rosa (que também virou filme, em breve nos cinemas), pena, resultou em apenas dois sambas conhecidos: Qual foi o mal que eu te fiz e Não faz, amor. Este segundo foi comprado por Francisco Alves, de um Cartola doente, ardendo em febre. O Rei da Voz procurou Noel, pediu a ele que fizesse as segundas e gravou. Nem no disco nem na partitura aparece o nome de Noel, que abriu mão dos créditos dando a música de presente ao amigo (fonte: http://lameblogadas.blogspot.com/).

Não faz, amor (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa

Não faz, amor, deixa-me dormir
Oh, minha flor, tenha dó de mim
Sonhei, acordei assustado
Receoso que tivesses me enganado
(Eu não durmo sossegado)

Só tens ambição e vaidade
Não pensas na felicidade
E eu não descanso um momento
Por pensar que o teu amor é só fingimento
Mas eu vou entrar com meu jogo
E vou pôr à prova de fogo
A tua sincera amizade
Para ver se tu falaste verdade

Amar sem jurar é bem raro
O verbo cumprir custa caro
Amor é bem fácil de achar
O que acho mais difícil é saber amar
O mundo tem suas surpresas
Mas nós temos nossas defesas
Por isso eu estou prevenido
Pra saber se sou ou não traído

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Tudo que você diz

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Tudo que você diz (samba, 1933) - Noel Rosa

Tudo que você diz
Com a maior lealdade
É mentira
É usar de falsidade
Fale a verdade

Tudo que você diz
Com maior lealdade
É mentira
É usar de falsidade
Fale a verdade
Mário Reis e Francisco Alves

Toda a gente fingida
Paga o mal que fez nesta vida
Por encher de ilusão
O pobre coração

Pode crer que a mentira
O sossego sempre nos tira
Fale sempre a verdade
Mesmo sem ter vontade

Tudo que você diz
Com maior lealdade
É mentira
É usar de falsidade
Fale a verdade

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A razão dá-se a quem tem

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A razão dá-se a quem tem (samba, 1932) -
Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves
Francisco Alves
e Mário Reis

Se meu amor me deixar
Eu não posso me queixar
Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém
A razão dá-se a quem tem

Sei que não posso suportar
(Se meu amor me deixar)
Se de saudades eu chorar
(Eu não posso me queixar)
Abandonado sem vintém
(Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém)
Quem muito riu chora também
(A razão dá-se a quem tem)

Se meu amor me deixar
Eu não posso me queixar
Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém
A razão dá-se a quem tem

Eu vou chorar só em lembrar
(Se meu amor me deixar)
Dei sempre golpe de azar
(Eu não posso me queixar)
Pra parecer que vivo bem
(Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém)
A esconder que amo alguém
(A razão dá-se a quem tem)

Se meu amor me deixar
Eu não posso me queixar
Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém
A razão dá-se a quem tem

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Qual foi o mal que eu te fiz? (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa
Francisco Alves

Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Não creias nestas mentiras
Que roubam nossa alegria
Os invejosos se vingam
Armados de hipocrisia

A mentira infelizmente
O mais forte amor destrói
Mas se eu não tenho remorso
O meu coração não dói

Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Disseste que te enganei
Não sou tão fingido assim
Talvez queiras um pretexto
Para viver longe de mim

Disseram que eu traia
A nossa grande amizade
E tão criminosa a culpa
Que não pode ser verdade

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Pela luz divina

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Pela luz divina (samba, 1945) - Ataulfo Alves e Mário Travassos

Pela luz divina
Se é pecado me perdoa
Mas eu hei de me vingar
Não merece perdão o teu erro
Tens que ficar no desterro
O mundo há de te ensinar.

Não vá pensar
Que eu estou rogando praga
O que a gente faz aqui,
Aqui mesmo a gente paga.

Graças a Deus,
Teu nome pra mim morreu
Tu não mereces
Um amor igual ao meu !
( pela luz divina, eu juro ! )

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Desaforo eu não carrego (samba, 1962) - Ataulfo Alves

Me respeite, ouviu
Eu não sou cego
E lá pra casa
Desaforo eu não carrego

A morena
Que falou que é boa
Você sabe
Que ela é minha patroa
E na defesa
Da moral e la de casa
Fico bravo, fico louco
Fico em brasa

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Deixa essa mulher pra lá (samba,1953) - Ataulfo Alves

Rapaz, porque lastimas tanto,
Deixa essa mulher partir,
A mulher quando não quer,
Não se deve insistir.

Pela mesma dor eu já passei,
Meu amor me deixou,
Eu não chorei.

Obrigando a ela te querer,
Mas viver a vida sem prazer, ai, ai, ai,
É melhor ficar assim como está,
Deixa essa mulher pra lá.

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Cidade mulher

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Cidade mulher (marcha, 1936) - Noel Rosa
Orlando Silva

Cidade de amor e ventura
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração

Cidade notável
Inimitável
Maior e mais bela que outra qualquer
Cidade sensível
Irresistível
Cidade do amor, cidade mulher

Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Cidade padrão de beleza
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu.

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Retiro de saudade

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Retiro de saudade (marcha-rancho, 1934) - Nássara e Noel Rosa
Francisco Alves e Carmen Miranda

Quando li o seu recado
Por ti fascinado
Encontrei no seu cartão
Minha desilusão
Retirei saudosamente
Pra mostrar a essa gente
Que não tenho coração

Quando por amor suspiro
A saudade vem então
Encontrar o seu retiro
Encontrar o seu retiro
Dentro do meu coração

Dentro do teu coração
Não me diga que não
Só existe falsidade
É a pura verdade
Eu já fiz um trocadilho
Pra cantar com estribilho
No retiro da saudade

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Paciência (Vou brigar com ela)

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Paciência (Vou brigar com ela) - (samba-canção, 1961) - Lupicínio Rodrigues

Dessa vez eu vou brigar com ela
Mesmo que por isso eu tenha que morrer
Ela sabia que eu não queria
Que ela saisse sem me dizer

Mas dessa vez eu vou brigar com ela
Mesmo que por isso eu tenha que morrer
Não se deve confiar demais na vida
Além do mais tratando-se de amor
Por gostar de fazer coisas proibidas
É que nosso mundo vive assim de sofredor

Esgotei minha reserva de paciência
Mas ela teima em me desobedecer
Mas dessa vez eu vou brigar com ela
Mesmo que por isso eu tenha que morrer

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Rui Maurity

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Ruy Maurity

Rui Maurity (Rui Maurity de Paula Afonso) nasceu no dia 12 de dezembro de 1949, em Paraíba do Sul (RJ). Sua mãe foi a primeira violinista a integrar a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, e seu irmão é o pianista Antônio Adolfo. Aprendeu sozinho a tocar violão.

Em 1970 venceu o Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música Dia cinco, que compôs junto com Zé Jorge. No mesmo ano, gravou seu primeiro LP, Este é Rui Maurity.

Foi em 1971 que gravou o seu maior sucesso, Serafim e seus filhos, lançado no LP Em busca do ouro. Três anos depois lançou o disco Safra 74, que teve algumas de suas músicas incluídas nas trilhas sonoras das novelas Escalada e Fogo sobre terra, da TV Globo.

Em 76 e 77 lançou, respectivamente, os LPs Nem ouro nem prata e Ganga Brasil, que incluiu a gravação do tema principal da novela Dona Xepa, da TV Globo. Em 1978 gravou o disco Bananeira mangará.

Com o tempo foi caracterizando cada vez mais a sua carreira com os temas e músicas regionais. Na década de 80 gravou os discos Natureza e A viola no Peito.

Realizou ainda inúmeros shows em diversas cidades brasileiras. No ano de 98 lançou o CD De coração, no qual interpreta diversas parcerias com José Jorge.

Letras e cifras: Nem ouro nem prata, Serafim e seus filhos

Fonte: KUARUP DISCOS

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Hermeto Pascoal

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Hermeto_Pascoal_1985

No dia 22 de junho de 1936 nasceu Hermeto Pascoal, compositor, multi-instrumentista e grande contador de histórias, no pequeno município de Lagoa da Canoa em Alagoas. Filho de roceiros, escapou do trabalho na enxada por ser albino e não poder ficar exposto ao sol.

O próprio Hermeto conta que quando criança, na escola, os professores davam trabalhos para construir instrumentos com latas de goiabada. E de uma lata de goiabada ele fez um "violãozinho". Essa foi sua primeira criação.

Seu primeiro parceiro musical foi o irmão mais velho José Neto, tocando nos bailes de "pé-de-pau", realizados ao ar livre, sob as árvores, comuns naquela época. Além disso, os dois irmãos mostravam seu talento em batizados e casamentos, suando um bocado enquanto andavam, às vezes um dia inteiro para chegar até o local da festa. Em 1950 a família mudou-se para Recife, onde Hermeto e José Neto começaram a tocar acordeão nas rádios Tamandaré e Jornal do Commércio. Seu primeiro instrumento foi uma sanfona de 8 baixos.

Um ano mais tarde, Hermeto já se destacava como acordeonista e começava suas experimentações musicais, sempre estudando e pesquisando novos sons. Autodidata, uma caraterística que marca esse gênio da musica, valia-se dos mais diversos artefatos, como foices, enxadas, machados e garrafas, batendo em ferros e tentando repetir os sons no acordeão.

Em 58 foi para a Paraíba, tocar na Rádio Tabajara, em João Pessoa, como integrante da Orquestra do Maestro Gomes. Passou pouco tempo na Paraíba e nesse mesmo ano mudou-se para o Rio de Janeiro, levado pelo seu irmão, José Neto, para tocar na Rádio Mauá.

No Rio começou a se interessar pelo piano, na própria Rádio Mauá. Hermeto chegava com horas de antecedência para estudar e sentir as teclas. Mas foi tocando nas boates do Rio que se tornou realmente um pianista. Com isso mudou-se para São Paulo e tornou-se o pianista da Boate Chicote, em 61.

Em 1962, após deixar seu lugar no piano da Boate La Vie en Rose, Hermeto entrou para o Som Quatro. Dois anos depois formou o Sambrasa Trio (com Claiber, no baixo, e Airto Moreira, na bateria). Ainda em 64 foi tocar piano na Boate Stardust e começou seu interesse pela flauta. Para praticar o instrumento, Hermeto se trancava no banheiro da boate ou ia para a Igreja da Consolação durante o intervalo das apresentações, chegando a dominar o instrumento em apenas um mês. Logo recebeu um convite do cantor Walter Santos para participar da gravação do seu LP Caminho, lançado em 65, como flautista.

No ano seguinte, entrou para o Trio Novo (Théo de Barros, Airto Moreira e Heraldo), que se transformou em Quarteto Novo. Esse grupo foi um marco na história da música instrumental brasileira. Em 1967 o quarteto lançou seu único disco, Quarteto Novo, pela Odeon, que, segundo a crítica, foi uma valiosa experiência musical com ritmos nordestinos. Esta experiência musical consistia em aplicar as sofisticadas harmonias de jazz aos riquíssimos rimtos nacionais. Aí encontra-se a primeira música de Hermeto a ser gravada: O ovo. Em 69 o grupo se desfez e Hermeto passou a tocar com Edu Lobo. O próprio Heraldo do Monte relata que "esse Albino é muito louco!".

Já Airto Moreira foi para os Estados Unidos, integrar a banda de Miles Davis. Nada mais óbvio que ele, Hermeto, fosse para os EUA como arranjador de um disco de Airto. Nesta viagem conheceu Miles Davis e logo gravou com o músico americano, que colocou o carinhoso apelido de "Albino Crazy". Nesse LP, Miles Davis Live, o pistonista incluiu duas músicas de autoria de Hermeto: Igrejinha e Nenhum talvez. A participação do grande músico brasileiro com o mestre do trompete consagrou mais ainda o nome Hermeto Paschoal.

Em 71 Airto Moreira incluiu em um dos seus discos, Gaio de roseira, música com arranjo de Hermeto, composta por seu pai. A crítica inglesa colocou a música entre as melhores do ano, dando início ao reconhecimento da obra do músico no exterior. Ainda nesse ano gravou o disco solo Hermeto, lançado pela Buddah Records, já se utilizando de instrumentos inusitados e experimentações nas melodias.

Em 73, lançou o primeiro disco no Brasil, A Música Livre de Hermeto Pascoal, incluindo músicas de grandes artistas brasileiros como Pixinguinha (com a faixa Carinhoso) e Luiz Gonzaga (Asa branca), além de gravar também Gaio de roseira. Nesse disco também, está gravado Bebê, um baião que todo instrumentista brasileiro quer ou tem a honra de tocar.

1977 foi o ano em que Hermeto foi ao EUA gravar um dos seus discos mais famosos, o Slave Mass (Missa dos Escravos). Este disco é considerado um marco na música instrumental, também lançado no Brasil e aplaudido pela crítica.

Participou do Festival de Jazz de São Paulo no final de 78 e logo no início de 79 gravou o disco Zabumbê-Bum-á, na WEA. Uma curiosidade foi a participação dos pais de Hermeto nos vocais, em duas faixas.

Os anos 80 foram de muitas viagens e excurssões para Hermeto. Em parte devido ao seu contrato com a gravadora Som da Gente. Neste período, sua carreira se consolidou no exterior. Também se encontrava num período de grande produção e lançamento de discos.

Em 80 ele gravou Cérebro magnético e neste mesmo ano, apresentou-se no Festival de Montreux, na Suíça. Dois anos mais tarde participou do Festival Horizonte, em Berlim.

Em 1982, Hermeto lançou o disco Hermeto Pascoal & Grupo, grupo este que ficou conhecido mundialmente e permaneceu junto por mais de um década. Em 1984 o grupo lança Lagoa da Canoa Município de Arapiraca, cujo título homenageia a cidade natal de Hermeto.

Em 1985 é lançado Brasil Universo, pela gravadora Som da Gente. Em 1987 lançou Só Não Toca Quem Não Quer e em 1988 seu último disco lançado nessa década, Por Diferentes Caminhos: Piano Acústico, onde Hermeto tocou sozinho.

A década e 90 foi marcada por seu rompimento com as grandes gravadoras. Seu disco de 92, Festa dos Deuses, lançado pela PolyGram, segundo o próprio Hermeto foi mal distribuído e não repassaram os direitos autorais da obra.

Depois disso, Hermeto passou sete anos sem lançar discos. Neste tempo, ele se dedicou a compor, inclusive criou o projeto "Calendário do Som", onde Hermeto compôs um chorinho para cada dia do ano.

O disco Eu e Eles, de 99, marca a volta de Hermeto ao mercado fonográfico. Gravado pelo selo Rádio Mec, o disco foi aplaudido pela crítica, e traz o músico tocando todos os instrumentos, convencionais e os que ele mesmo inventa.

O atual projeto de Hermeto é o "Contagem Regressiva", que consiste na criação de uma música por dia até a virada do milênio, podendo se estender além desta data. O grupo de Hermeto Pachoal sempre traz grandes talentos. A grande característica é que todos, além dos ensaios, estudam juntos.

Fontes: Agenda do Samba & Choro; Programa Retrato do Artista da Radio Unesp de Bauru - 1995; Hermeto Home Page.

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Egberto Gismonti

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Egberto Gismonti

Egberto Gismonti (Egberto Amin Gismonti), compositor, instrumentista e arranjador nasceu em uma família de músicos em Carmo, pequena cidade do interior do estado do Rio (5/12/1944), filho de pai libanês e mãe italiana. É considerado um dos maiores compositores brasileiros de música instrumental. Começou a estudar piano aos cinco anos.

Ainda na infância e adolescência, seus estudos no Conservatório já incluíram flauta, clarinete, violão e piano. Interessou-se pela pesquisa da música popular e folclórica brasileira, chegando a passar uma temporada vivendo com os índios no Xingu.

Em 1968, participou de um festival da TV Globo com a canção O sonho, defendida pelos Três Morais, que atraiu a atenção do público e elogios da crítica. Partiu nesse mesmo ano para a França, onde estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise músical com Nadia Boulanger.

Em 1969, lançou seu primeiro disco, Egberto Gismonti, com forte influência da bossa nova. O álbum, hoje cult, acabaria sendo uma de suas obras mais acessíveis, dado que, nos anos 1970, Gismonti se dedicaria a pesquisas musicais e experimentações com estruturas complexas e instrumentos inusitados, voltando-se quase exclusivamente para a música instrumental.

No V Festival Internacional da Canção, em 1970, concorreu com Mercador de serpentes.

A hesitação das gravadoras brasileiras com o seu estilo o levou a procurar refúgio em selos europeus, pelos quais lançou vários álbuns pelas décadas seguintes. Gismonti explorou diversas avenidas da música, sempre imprimindo o seu interesse pessoal: o choro o levou a estudar o violão de oito cordas e a flauta, a curiosidade com a tecnologia e a influência da Europa o levaram aos sintetizadores, a curiosidade com o folclore e as raízes do Brasil o levaram a estudar a música indígena do Brasil, tendo mesmo morado por um breve período com índios yawaiapiti, do Alto Xingu.

A carreira de Gismonti prosseguiu sólida - se não comercialmente explosiva - e o artista continuou gravando seus álbuns e participando de discos alheios, além de fazer turnês de sucesso, especialmente na Europa. Entre os músicos com os quais colaborou ou colaboraram com ele, destacam-se Naná Vasconcelos (Dança das cabeças, de 1976), Marlui Miranda, Charlie Haden, Jan Garbarek, André Geraissati, Jaques Morelenbaum, Hermeto Paschoal, Airto Moreira e Flora Purim.

Gravou quinze discos entre 1977 e 1993 para o selo norueguês ECM, dez dos quais lançados no Brasil pela BMG em 1995. Através de seu selo Carmo, recomprou seu repertório inicial, e é um dos raros compositores brasileiros donos de seu próprio acervo.

Recentemente sua obra passou a ser gravada maciçamente por outros instrumentistas. Algumas peças do disco Alma, de 1987, tornaram-se hits, como Palhaço e Loro.

Fontes: Wikipédia; Clique Music.

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Juca Chaves

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O cantor, compositor e humorista Juca Chaves (Jurandir Czaczkes Chaves) nasceu no Rio de Janeiro em 22/10/1938. Começou a aprender violão aos sete anos e sempre gostou de escrever poesias. Estudou, em São Paulo, no Colégio Mackenzie, onde costumava organizar festas de que participava cantando composições suas. Nessa época, passava férias na praia e, do contato com o mar e os pescadores, surgiu sua inspiração para canções e poesias praieiras.

Estudou com Guerra-Peixe (noções de harmonia, contraponto e fuga), Alceu Maynard Araújo (curso de folclore), Osvaldo Lacerda (teoria) e Nair Medeiros (piano). Foi aluno também do maestro Eleazar de Carvalho, com quem fundou o movimento da Juventude Musical Brasileira.

Aos 16 anos, teve sua composição Nas águas de Saquarema interpretada por Leny Eversong, na Rádio Nacional, de São Paulo, onde Guerra-Peixe era regente da orquestra. Com um grupo de rapazes do Largo São Francisco, de São Paulo, fundou, nessa época, o Grupo de Seresteiros de São Paulo e, entre 16 e 19 anos, produziu diversos poemas. Com Lemos Brito e Ricardo Amaral, foi um dos fundadores em 1955 da revista Rua Augusta Chic, em que escrevia crônicas e versos.

Em 1955, apresentou-se na TV Tupi, de São Paulo. Patrocinado por jovens da alta sociedade, fez seu primeiro recital, em 1957, no Teatro Leopoldo Fróis, contando com a participação de Ricardo Bandeira e sua companhia de mímica. Também no final da década de 1950, editou Pincel da sociedade, coletânea de poemas satíricos, esboçou um início de carreira jornalística, trabalhando como foca nos jornais dos Diários Associados e no diário Última Hora.

Apresentado por Araci de Almeida a Henrique Lobo, diretor da Rádio Bandeirantes, estreou na gravadora Chantecler em 1960, com o disco Nós, os gatos e Chapéu de palha com peninha preta. No ano seguinte registrou em discos compactos, da RGE, seus primeiros sucessos, a modinha Por quem sonha Ana Maria e as sátiras Nasal sensual (referência ao próprio nariz) e Presidente bossa nova (referência ao presidente Juscelino Kubitschek), que seria proibida pela censura, assim como também sua música de 1962 O Brasil já vai à guerra (comentando a compra de um porta-aviões pelo Brasil).

Ainda em 1962, destacou-se com Caixinha.., obrigado, Seguirei teus dúbios passos e Contrabando de café, e, em 1963, gravou Dona Maria Teresa. Nesse mesmo ano foi para a Europa, passando por Portugal, onde realizou apresentações, e depois fixou-se em Roma, Itália; aí tocou órgão em uma igreja, passando depois a tocar piano em cabaré e a se apresentar na televisão.

Compôs, em 1967, Lé com lé, cré com crê, e marcou sua volta ao Brasil, em 1969, com a estréia do show Circo Sdruws, apresentado por todo o país. A seguir teve um programa na TV Record, de São Paulo: Juca, Caviar e Mulher.

Apresentou-se, em 1974, no espetáculo Vá tomar caju, que, tendo sido levado inicialmente na boate Sucata, no Rio de Janeiro, percorreu depois várias cidades do país. Em 1975 lançou Rimas sádicas, música proibida pela censura pelo uso da palavra “tesão”.

Nos anos seguintes, compôs Paixão segundo o nosso amor, Viver de humor, morrer de amor, É vero, ti amo e Sentir-se jovem. No início da década de 1990, criou a gravadora independente Sdruws Records.

Em 1994 lançou novas sátiras musicais e inaugurou, em São Paulo, o Jucabaré — Theatro Inteligente. Dois anos depois, no Teatro Municipal de São Paulo, apresentou o espetáculo Juca Chaves — O menestrel do Brasil, acompanhado pelo Coral Paulistano e pela Camerata Atheneum.

Juca Chaves, o Menestrel do Brasil

A Sátira é a caricatura dos erros de uma sociedade na qual Juca, há mais de três décadas é o seu artista maior. Com sua voz diferente, mas afinidade única, cantava aos dezoito anos, os defeitos do País, debochando, em trovas e canções ousadas demais para a época, políticos, povo e seus costumes. Assim como Gregório de Matos O boca do inferno - Este Cirano moderno, de nariz agressivo, que do violão fez sua espada, pagou e paga um alto pedágio para sua voz, segundo o imortal Jorge Amado, "a mais livre do Brasil". As portas das rádios e TVs se lhe fecharam, os jornais por medo silenciaram e em setembro de 62, com três anos de carreira, o menestrel, assim por todos chamado, exila-se em Lisboa, recebendo de um Jornal de oposição, a República, a alcunha de O Trovador Maldito.

Durante um espetáculo no Teatro Tivoli, para delírio de uma platéia de intelectuais, jovens e estudantes, muitos vindos especialmente de Coimbra só para ouvi-lo, uma piada sua ao Presidente da República, irritou as autoridades portuguesas, em especial o temível PIDE (Polícia Internacional de Defesa de Estado), órgão de repressão do Governo Salazarista, que também não concordou com sua arte liberal. Um novo exílio, desta vez para a Itália onde, por 5 anos virou personagem e fez sua fama.

De retorno à Pátria, em plena ditadura, enfrenta a censura, a imprensa e o temor dos poderosos. Independente, com filosofia própria e sem pertencer a grupos políticos ou, participar de manifestações ideológicas, um modismo dos anos 70, transporta suas músicas aos teatros. Inaugura então seu Circo SDRUWS, atuando sempre sozinho, como um mito isolado da MPB.

Satiriza a Nova República, seus novos hábitos e a velha corrupção. Desafia o poder da comunicação e ironiza a mídia, sendo naturalmente boicotado por algumas revistas, jornais e emissoras de TV e Rádio, que impõem-lhe a Lei do Silêncio. Por outro lado, cativa ainda mais seu público fiel, em programas alternativos. Propõe no Senado o Disco Numerado em defesa do autor, não recebe apoio das autoridades, tampouco da classe e é definitivamente vetado pelas gravadoras e FMs. Cria seu selo independente, a SDRUWS RECORDS - "A VEZ DO DONO" e não "A VOZ DO DONO" - ironizando o cachorrinho da RCA, "Além de burro, ele é surdo", disse Juca - o que lhe custou novo processo.

Em 1994 lança novas sátiras musicais e inaugura seu próprio Theatro Inteligente, o Jucabaré, em São Paulo, onde se apresentou por um ano e fechou as portas para se apresentar nos teatros em todo o país, para segundo ele, "Atender a inúmeros pedidos de credores". Seu lar fica em Itapoã, Bahia. "Lá não faço nada, faço curso para ministro..."

Trinta e nove anos de carreira ou "prostituição artística", como afirma Jurandyr Chaves, o satírico Juca e romântico Juquinha é, inegavelmente, o mais completo e querido one man show. Nisto leva a vantagem de ser man mesmo, ironiza. Compositor, poeta, sonetista das rimas ricas - segundo o Príncipe dos Poetas, Guilherme de Almeida - músico de formação erudita por sua vasta obra (mais de quatrocentas músicas, entre sátiras políticas e sociais e modinhas).

É um mito à parte da cultura brasileira. Recebeu da imprensa portuguesa o título de "O Menestrel da Liberdade" e da brasileira, "O Menestrel do Brasil", na luta contra os patrulhamentos políticos e sociais. Segundo para Zélia Gattai: "É um anarquista". "Graças a Deus", conclui Juca.

Eis aí nosso Juquinha, o Grande Menestrel. Maldito para uns, irreverente para outros, mas para ele mesmo, um Vendedor de Sonhos. O sonho da liberdade, exclusividade daqueles que são e pensam livremente.

Músicas do Juca neste blog

A cúmplice, Por quem sonha Ana Maria, (letras cifradas); A situação, Ah! Se o seu fusca votasse, Amor non sense, Aquarela de sonhos, Assim é o Rio, Atraso ou solução, Auto-retrato, Brasil já vai a guerra, Caixinha obrigado, Cantiga para Iara dormir e sonhar, Dona Maria Tereza, Jeová, Jeová, Legalidade, Melô da merda, Menina, Nasal sensual, Pena preta de urubu, Pequena marcha para um grande amor, Políticos de cordel, Presidente Bossa Nova, Sou sim e daí, Take Me Back To Piauí (só letras).

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha; http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/.

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Lana Bittencourt

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Lana Bittencourt

Lana Bittencourt (Irlan Figueiredo Passos) nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 05/02/1931 e desde menina causava sensação cantando nas festas familiares e em casa de vizinhos e amigos da família. Antes de escolher a carreira artística, cursava línguas anglo-germânicas na Faculdade de Filosofia.

Abandonou, em 1954, o curso para ser cantora, estreando, nesse ano, na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a Rádio Mayrink Veiga. Logo gravou um jingle que fez muito sucesso na época. No mesmo ano, já gravaria seu primeiro disco em 78 rpm, com as músicas Samba da noite, de Luís Fernando e Wilton Franco e Emoção, de Emanuel Gitahy e Wilson Pereira. Logo depois foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro.

Nessa época, excursionou pelo interior do Brasil. Sempre se destacou pela capacidade de cantar em vários idiomas, o que lhe valeu um prefixo nas rádios: Lana Bittencourt, "A internacional". Grande parte de seus discos foram gravados na Colúmbia. Em 1954, chegou a ter um programa, exclusivamente seu, na TV Paulista (canal 5 de SP), que tinha a duração de 30 minutos.

Nos anos 60, lançou vários discos: o LP Musicalscope, que trazia a música Se alguém telefonar, de Jair Amorim e Alcir Pires Vermelho e, além de outras, um de seus grandes sucessos, a música Little darling, de Williams; o LP Intimamente; o LP Sambas do Rio, com músicas de Luís Antônio (Amor... amor, Chorou, chorou) e de Tom Jobim (Corcovado); o LP O sucesso é Lana Bittencourt e o LP Exaltação ao samba, com as músicas "Exaltação à Bahia", de Vicente Paiva e Chianca de Garcia e Os quindins de Iaiá, de Ary Barroso (este LP foi reeditado em CD, com o nome de Exaltação à Bahia).

Em 1965, ainda gravou o LP Lana no 1800, com as músicas Castigo, de Dolores Duran, Ma vie e Au revoir, ambas de Alain Barrière, Vidalin e Bécaud. Em 1997, teve lançado pela Polydisc um CD com seus maiores sucessos.

Fonte: Cantoras do Brasil - Lana Bittencourt.

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Luciene Franco

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A cantora Luciene Franco (Luciene Habib Franco Freitas Câmara), nascida no Rio de Janeiro-RJ em 3/1/1939, é filha única de Alexandrino Franco e Sarah Habib Franco. Estudou no Colégio Mello e Souza, no Rio, onde sempre viveu (salvo um período de dois anos em que morou em São Paulo, entre 1965 e 1967). Foi casada duas vezes e além da atividade artística é empresária do ramo hoteleiro, sendo proprietária de um hotel em Cabo Frio-RJ.

Uma das intérpretes favoritas de Ary Barroso, iniciou a carreira de cantora em 1957 atuando no rádio carioca. No mesmo ano, lançou pela Copacabana seu primeiro disco, assinando apenas Luciene, com o bolero Tarde morena de Espanha, composição de Luiz Bonfá e o samba-canção Ave Maria, de Vicente Paiva. Por essa época, foi levada por Ary Barroso para cantar com Ernâni Filho na boate "Friend's", no Rio de Janeiro.

Em 1958, atuou na TV Rio, indicada pelo violonista Luís Bonfá. No mesmo ano, gravou pela Copacabana os sambas Paz de espírito, de Luiz Bonfá e Reinaldo Dias Leme, e Eu fui de novo à Penha, de Ary Barroso. No ano seguinte, gravou o samba-canção Conversa, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e o samba Não foi a saudade, de Severino Filho e Alberto Paz.

Ainda em 1959, gravou de Luiz Bonfá e Antônio Maria, o samba-canção Manhã de Carnaval e o Samba do Orfeu. Ainda na década de 1950, participou da festa de aniversário do presidente Juscelino Kubitschek no Palácio Laranjeiras a convite de Ary Barroso. Com o compositor de Aquarela do Brasil trabalhou em três temporadas na extinta boate Fred's, no Rio de Janeiro cantando ao lado de Ernâni Filho.

Em 1961, gravou um de seus maiores sucessos, o samba-canção Ternura antiga, de Dolores Duran e Ribamar, da qual foi a primeira intérprete, no I Festival da Canção ("Festival do Rio"), realizado no Rio de Janeiro no mesmo ano, sob o patrocínio de "O Rei da Voz". Também em 1961, lançou o samba-canção Poema do adeus, de Luís Antônio.

Em 1962, gravou Folha caída, de Hélio Justo e Berenice Ramos e Imenso amor, de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo. Em 1963, gravou o fox Gente maldosa, de Fernando e Glauco Pereira, e o schuffle Oração da esperança, de Toso Gomes, Paulo César e Correia. No mesmo ano, gravou com Moacir Franco as canções O bicho papão, de Rogério Cardoso e Luzes da ribalta, de Charles Chaplin, com versão de Antônio de Almeida e João de Barro.

Em 1964, lançou pela Copacabana o LP Luciene a notável com orquestração do maestro Severino Filho, com destaque para o samba Dois amigos, de Ary Barroso, os sambas-canção Diga adeus e vá, de Hianto de Almeida e Macedo Netto, e Chamando você, de Luiz Bonfá, e o Baião triste, de Altamiro Carrilho e Miguel Gustavo.

Gravou três elepês e cerca de dez compactos duplos, tendo tido discos lançados na Espanha, Portugal, França e Argentina. Outros sucessos foram Ma vie, de Alain Barrière, música francesa gravada no original, que ficou nove meses na parada de sucessos em todo o Brasil e Gente maldosa, de Glauco Fernando Pereira.

Fez shows em quase todos os estados brasileiros, salvo o Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá e Acre. Fez shows em vários países. Em Portugal, esteve em várias temporadas, inclusive no Cassino Estoril, onde cantou para o príncipe Vittorio Emanuele da Itália, além de apresentações na RTP. No Uruguai, apresentou-se no Cassino San Rafael, em Punta del Este. Na Espanha, fez temporada na Boate Flamingo, em Madri. Na Itália, apresentou-se na embaixada do Brasil, em Roma, a convite do embaixador Hugo Gouthier. Fez apresentações no México e no Peru.

Foi a primeira cantora a gravar uma composição de Geraldo Vandré (Rosa flor, em parceria com Baden Powell) e de Edu Lobo. Na TV, atuou em todos os principais shows como os de Flávio Cavalcanti, Chacrinha, Jota Silvestre, Jair de Taumaturgo, Sílvio Santos, Blota Jr., Aerton Perlingeiro, Airton Rodrigues e Murilo Nery.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

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Osvaldo Molles

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Osvaldo Molles (Santos, SP, 1913 - São Paulo, SP, 14/05/1967) aos 16 anos de idade iniciou sua carreira no jornalismo, trabalhando na redação do Diário Nacional e, em seguida, no São Paulo Jornal e no Correio Paulistano.

Viajou pelo interior do Brasil escrevendo reportagens sobre os nordestinos. Fixou residência em Salvador (BA), ocasião em que se juntou ao grupo fundador de O Estado da Bahia.

De volta a São Paulo, participou do lançamento da Rádio Tupi, iniciando sua carreira de grande sucesso na radiofonia nacional, que continuou crescente nas rádios Bandeirantes e Record.

Entre suas produções, podemos citar: História das Malocas, O crime não compensa e a História da literatura brasileira, levada ao ar durante dois anos consecutivos e que contou com a colaboração de Oswald de Andrade e Sérgio Milliet, dentre outros.

Como compositor fez, em parceria com Adoniran Barbosa e João B. dos Santos, o samba Conselho de mulher (1953); Tiro ao álvaro, com Adoniran; e em 1968 torna-se sucesso o samba Mulher, patrão e cachaça, feito também com Adoniran.

Inspirado em Saudosa Maloca, samba de Adoniran lançado pelos Demônios da Garoa em maio de 1955, Molles criou, na Rádio Record, o programa História das Malocas, onde Adoniran figurava como Charutinho, um negrinho malandro e boêmio, com sotaque italianizado dos paulistanos.

Gostava dos fraseados errados do companheiro, considerando-os a expressão do autêntico modo de falar do povo. E foi com a pretensão de aprofundar esse mergulho no espírito popular que Molles produziu esse programa. Sucesso absoluto, História das Malocas ficou no ar durante dez anos, de 1955 a 1965, chegando até a ser levado para a televisão.

Acompanhava de perto e incentivava todo o processo de criação de Adoniran Barbosa. Era ele quem enviava Adoniran para longos passeios pelas redondezas, para observar e extrair histórias para seus programas. Também foi Molles quem deu chance para o amigo e parceiro interpretar diversos tipos.

A parceria dos dois deu tão certo que, em 1946, a imprensa chamava Adoniran de "o milionário criador de tipos" e, Molles, "o milionário criador de programas". Nesse ano, Adoniran fazia nada menos do que dezesseis interpretações diferentes.

Na TV Record, produziu Gente que fala sozinho e outros sucessos, tendo sido agraciado, por onze anos consecutivos, com o Prêmio Roquete Pinto, além dos Prêmios Tupiniquim (4 vezes), Paulo Machado de Carvalho (melhor programador de 1959) , tendo sido condecorado com a Medalha de Ouro do Mérito Radiofônico. Com o roteiro do filme Simão, o caolho, obteve o Prêmio Governador do Estado de São Paulo e o Prêmio Saci.

Poeta, contista e romancista, conquistou o Prêmio Castro Alves e o Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, tendo suas crônicas publicadas nos jornais paulistanos O Tempo, Folha de São Paulo e Diário da Noite e na revista Manchete. Alguns críticos diziam ser ele o sucessor, na literatura paulista, de Antônio de Alcântara Machado.

Fontes: MPB Compositores - Adoniran Barbosa - Editora Globo; Piquenique Classe C - Boa Leitura Editora – São Paulo, sem data, pág. 345; http://www.releituras.com/omolles_natal.asp.

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Ernâni Alvarenga

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Ernâni Alvarenga, compositor, instrumentista e cantor, nasceu em São Paulo SP (10/06/1914) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (01/01/1992). Nascido no bairro da Barra Funda, aos quatro anos de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde fez o curso primário.

Aprendeu a tocar cavaquinho e em 1927 participava de um regional, começando a compor no ano seguinte. Durante o Carnaval, convidado pelo sambista Paulo da Portela, que desfilava pelo bloco Vai Como Pode, passou a participar, juntamente com seu Bloco da Rua D, da escola de samba que estava sendo organizada e que em 1935 se tornaria conhecida como G. R. E. S. da Portela.

Em 1931 o Vai Como Pode desfilou na Praça Onze, cantando Dinheiro não há, samba de sua autoria, que mais tarde, com uma segunda parte composta por Benedito Lacerda, foi gravado por Leonel Faria. Sambista da velha guarda da Portela, atuou na escola compondo e tocando cavaquinho de quatro e cinco cordas, instrumento no qual se aperfeiçoou com a ajuda de Luperce Miranda.

Em 1937, a convite de Paulo Leblon, diretor da Rádio América, de São Paulo, afastou-se da escola para apresentar-se como cantor no programa Big Show América. Depois de passar alguns anos em São Paulo, voltou ao Rio de Janeiro para trabalhar na Rádio Mayrink Veiga e a seguir na Rádio Guanabara. Doente das cordas vocais, deixou a vida artística por alguns anos, reaparecendo no início da década de 1970.

Morador do subúrbio carioca de Osvaldo Cruz, foi um dos últimos remanescentes do grupo de fundadores da Portela. Freqüentava esporadicamente os ensaios e rodas de samba promovidos pela escola. Dois de seus sambas, Salário mínimo e Dinheiro não há, foram regravados por Beth Carvalho.

Obras

Aumento de salário (c/Paquito), 1932; Cheques a granel (c/Paquito), 1932; Dinheiro não há (c/Benedito Lacerda), 1932; Seu Aristeu (c/Paquito), 1932.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

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Antes de Pixinguinha, o samba das orquestras tinha som de maxixe e os arranjos eram da escola italiana. Com ele, o colorido sonoro ganhou tons verde-amarelos, criando a maneira brasileira de se fazer ouvir.

Ary Barroso foi um dos primeiros a protestar contra a forma como os sambas e outros ritmos brasileiros estavam sendo gravados, nos momentos da expansão da indústria fonográfica no Brasil. Não que tivesse algo de pessoal contra os maestros e instrumentistas estrangeiros encarregados de executar nossas músicas, mas bastava simplesmente ouvi-los para sentir a falta de sotaque brasileiro.

Os arranjos obedeciam à escola italiana, os músicos tocavam como nos velhos tempos dos maxixes, não se observava a presença de ritmistas nas orquestras, faltando molho e sabor nacionais às gravações.

A solução veio com um gênio negro, nascido no Rio de Janeiro, em 1898, e que, aos 12 anos, já era considerado o maior flautista da cidade. No futuro, viria a sê-lo também do Brasil e, em termos de música popular, talvez do mundo. Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, que já tivera a grande experiência internacional liderando Os Oito Batutas em Paris, era nome conhecido e respeitado como músico e líder, quando sua carreira de arranjador, uma guinada em seu destino e no da música popular brasileira, aconteceu.

A primeira vez que formou uma orquestra, ou algo parecido, foi na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro. Como ele mesmo contava: “A Rádio Sociedade tinha um estúdio na Exposição.Tinha aqueles alto-falantes e fui irradiar da Exposição. Eu e Zaíra de Oliveira, grande cantora e que veio a ser posteriormente esposa do Donga (...) toquei em uma exposição da General Motors, da qual participou também Villa-Lobos. Eu organizei uma orquestra popular, com instrumentos de orquestra”.

Sérgio Cabral, na biografia de Pixinguinha, aclara: “O compositor e pianista Eduardo Souto, encarregado de convidar os artistas e as orquestras que iriam apresentar-se diariamente, pediu a Pixinguinha para organizar uma orquestra, tarefa cumprida com a participação de todos os batutas e mais o reforço de Bonfiglio de Oliveira e da cantora Zaíra de Oliveira. (...) Durante toda a exposição, Pixinguinha e sua orquestra tocaram diariamente no pavilhão da General Motors”.

Nascia o primeiro maestro brasileiro a tocar música com o nosso sotaque. A primeira escola de arranjos para Pixinguinha foi o teatro de revista. Foi em composições suas e alheias que o maestro burilou o estilo e iniciou o trabalho de criação de uma forma brasileira de execução orquestral. Seu jeito de levar para a pauta a parte de cada instrumento, no todo de um arranjo, foi ganhando forma na soma de trabalhar muitos ritmos e maneiras de fazer música. Ele próprio, compondo para revistas, fazia músicas japonesas, americanas, argentinas, francesas e por aí afora.

Em 1928, logo após a implantação da gravação elétrica no Brasil, Pixinguinha pôde usar a gravadora Odeon como laboratório para seus experimentos orquestrais. Gravou como nunca, músicas dele e de outros compositores. Apresentava-se como Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Em maio de 1928, em companhia de Donga, forma uma orquestra de caráter inteiramente brasileiro. Criada para tocar na II Exposição de Automobilismo, Autopropulsão e Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro, dos 40 músicos, 34 eram instrumentistas de cordas e ritmo, visto que Pixinguinha e Donga objetivavam, com essa orquestra “típica”, fazer frente às jazz bands e às típicas argentinas, febre musical da época.

A consolidação como maestro e arranjador viria em 1929, quando a gravadora Victor contratou Pixinguinha como seu orquestrador de discos e maestro da Orquestra Victor Brasileira. Em, no mínimo, seis gravações por ano, apareceria como solista de flauta, completando suas funções.

Sérgio Cabral destaca a partir daí a importância dessa orquestra para o panorama da música brasileira de então, já que finalmente se passou a tocar música brasileira de um jeito brasileiro, incluindo aí o samba provindo do Estácio. As orquestrações de Pixinguinha podiam ser reconhecidas de imediato.

As introduções que criava, compondo sobre temas alheios, deram tom definitivo ao arranjo nacional. A de O teu cabelo não nega chega a ser tão lembrada quanto a própria música. Sem nunca ter parado de estudar e trabalhar, Pixinguinha é uma referência até hoje para os maestros brasileiros, como continuará sendo amanhã.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

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Artur Azevedo

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O contista, poeta, teatrólogo e jornalista Artur Azevedo (Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo) nascido em São Luís (MA), em sete de julho de 1855, é considerado o pai do teatro musicado brasileiro. Filho de David Gonçalves de Azevedo e Emília Amália Pinto de Magalhães, aos oito anos demonstrou gosto para o teatro e fez adaptações de textos de autores como Joaquim Manuel de Macedo.

Muito cedo começou a trabalhar no comércio. Foi empregado na administração provincial e logo após foi demitido por publicar sátiras contra autoridades do governo. Ao mesmo tempo lançou as primeiras comédias nos teatros de São Luís (MA).
Antes de completar seus 20 anos foi para o Rio de Janeiro (1873) empregando-se no Ministério da Agricultura e também ensinando português no Colégio Pinheiro.

Mas foi no jornalismo que se desenvolveu em atividades que o projetaram como um dos maiores contistas e teatrólogos brasileiros. Fundou publicações literárias, como A Gazetinha, Vida Moderna e O Álbum. Colaborou em A Estação, ao lado de Machado de Assis, e no jornal Novidades, junto com Olavo Bilac, Coelho Neto, entre outros.

Nessa época escreveu as peças dramáticas como a opereta francesa La Filie de Madame Angot; fez a paródia A filha de Madame Angu (1876), que chamou as atenções gerais e criou as oportunidades para o começo de sua carreira teatral; O Liberato e A Família Salazar, que sofreu censura imperial e foi publicada mais tarde em volume, com o título de O escravocrata. Escreveu mais de quatro mil artigos sobre eventos artísticos, principalmente sobre teatro (figura ao lado: chamada para peça "O Bilontra": O Mequetrefe - Rio de Janeiro - 1885).

Suas operetas e revistas introduziram no Brasil o teatro musicado, sendo pioneira O Mandarim(1884), seguindo-se Cocota (1885) e O Bilontra (1886). Os textos críticos e bem-humorados sempre eram aplaudidos, mesmo pelos criticados. Um século depois, continuam a ser encenados, como A Capital Federal, escrita em 1897.

Em 1889, reuniu um volume de contos dedicado a Machado de Assis, seu companheiro na Secretaria da Viação. Em 1894, publicou o segundo livro de histórias curtas, Contos fora de moda, e mais dois volumes, Contos cariocas e Vida alheia. Morreu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1908.

Fontes: Artur Azevedo - Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa; História do Samba – Editora Globo; “O Bilontra” - Imagens – 1885 pelos jornais.

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A Ala das Baianas

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Nem Dante Alighieri, nas mais profundas divagações sobre o Inferno, imaginaria uma ala de baianas desfilando na sua Divina Comédia. Mas, para a grande magia do Carnaval, nada é impossível e nos primórdios das escolas de samba, a primeira delas, a Deixa Falar, desfilava com o enredo O Inferno de Dante.

Como o fundador da Escola, Ismael Silva, exigia a presença de baianas, o jeito foi incluí-las — de saias rodadas, turbantes. pulseiras e colares — entre caldeirões, tridentes e diabos na versão carioca da obra do autor italiano.

A importância da Ala das Baianas nas escolas de samba pode ser medida de imediato pelo valor da nota que lhes é atribuída nos desfiles. Com no máximo trinta componentes, tem o mesmo peso da bateria, que muitas vezes tem mais de quatrocentos integrantes. Carregada de simbologia, a ala representa o elo histórico entre o samba e as antigas baianas.

Desde o primeiro momento, no Rio de Janeiro, quando chegou pelas mãos dos migrantes baianos, o samba foi acalentado nos casarões das velhas “tias”, que preservaram os costumes culinários, musicais e visuais (no que diz respeito aos trajes) trazidos junto com suas mudanças.

O desenhista francês Debret, impressionado com as batas, as saias presas na cintura e que não passavam do meio da canela, ornadas com rendas; os colares de ouro ou coral; as pulseiras e os berloques de prata; as pequenas chinelas que mal abrigavam os dedos, deixando livres os calcanhares, fixou as baianas muitas vezes nas telas em que retratou o Brasil.

Edison Carneiro, em seus estudos folcioristas, conta que o aparecimento das baianas em trajes típicos remonta aos grupos africanos que foram traficados para o Brasil. Segundo ele, o turbante é muçulmano, os panos-da-costa e as saias rodadas, sudanesas, e os colares é figas-de-guiné, o toque final ao conjunto. Tais aspectos dão referências históricas à figura da baiana.

A ala tem a função de aludir, portanto, às origens afro-baianas do samba, elo tradicional que ainda mantém as escolas de samba unidas a seu cordão umbilical, mesmo com toda a pompa e circunstância que cercam hoje seus luxuosos desfiles.

Não foi sem motivo que Ismael Silva exigiu uma ala de baianas, logo no primeiro desfile de sua Escola de Samba Deixa Falar. A exigência foi cumprida, transformando-se em tradição e parte intocável do regulamento dos desfiles das escolas até hoje. Certamente uma homenagem às “tias” baianas, pioneiras e protetoras do samba nos seus primórdios.

A tradição viva: obrigatórias por regulamento, as baianas
mantêm em sua ala as origens culturais do samba.

Fonte: História do Samba - Editora Globo.

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Ernesto de Souza

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Ernesto de Souza (1864 - 1928 - Rio de Janeiro - RJ), compositor, teatrólogo, farmacêutico e instrumentista. Nascido no centro do Rio de Janeiro, na Rua Buenos Aires, morou depois no Andaraí numa casa que tinha um galpão onde apresentava teatro com artistas amadores do bairro, com representações de revistas, comédias e operetas. Pai do músico Gastão Penalva.

Fez fortuna como industrial farmacêutico principalmente devido ao sucesso popular do seu Trinoz e Rum Creosotado, para o qual fez conhecido reclame publicitário. Foi grande proprietário de terras no Rio de Janeiro estendendo-se suas propriedades desde a Rua Uruguai na Tijuca até o trecho que se tornou depois o bairro do Grajaú.

Publicou reclames comerciais em forma de versos e também poemas na revista O Malho depois reunidos no livro Galhardetes. Colaborou ainda com o jornal A Noite. Foi autor do primeiro hino da República que não chegou a ser aproveitado. Foi homenageado ainda em vida com uma rua do bairro do Andaraí recebendo o seu nome.

Ficou famosa a sua cançoneta Quem inventou a mulata?, da peça junina São João na roça. Sua casa era frequentada por figuras como Artur Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, Sátiro Bilhar e outros como os atores Figueiredo e Brandão.

Escreveu ainda com sucesso as músicas Mulata da Bahia, Me compra, ioiô e Angu do Barão.

Sua carreira artística começou no final do século XIX quando juntamente com Moreira Sampaio fundou o Clube Bogari, no qual criou uma orquestra de amadores com 25 componentes intitulada Estudantina Carioca grupo que apresentou diversos concertos.

É autor do famoso reclame publicitário afixado em bondes e veiculado nas rádios no século passado que dizia: "Veja ilustre passageiro/ O belo tipo faceiro/ Que o senhor tem a seu lado/ E, no entanto, acredite,/ Quase morreu de bronquite,/Salvou-o o Rum Creosotado".

Suas primeiras composições foram gravadas em 1902, as cançonetas Angu do barão e O arame pelo cantor Bahiano em disco Zon-O-Phone. Nesse ano, escreveu e dirigiu a revista A cançoneta.

Por volta de 1908, o tango A mulata da Bahia e a cançoneta O angu do Barão foram gravadas na Victor Record pelo cantor João Barros. Por essa época a cançoneta Me compra ioiô e a canção A mulata da roça foram gravadas pela cantora Iracema Bastos, e a cançoneta O arame, pelo cantor Acácio.

Foi tema do programa História das Orquestras e músicas do Rio apresentado por Almirante na Rádio Nacional. Segundo Almirante, deixou mais de 50 composições especialmente cançonetas.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

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Sonia Lemos

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Sonia Lemos

Sonia Lemos (Sonia Maria Melo Lemos), cantora e compositora, nasceu em 19/12/1943 no Rio de Janeiro, RJ. Irmã do poeta e letrista Tite de Lemos e parente do jornalista Carlos Lemos, integrante da diretoria da Escola de Samba Portela, surgiu no cenário musical em 1967, quando gravou um compacto simples com músicas de Geraldo Vandré.

No ano seguinte, lançou o primeiro LP pela gravadora Philips, Sonia Lemos e sua viola enluarada", no qual interpretou, entre outras, Viola enluarada, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.

Em 1975, gravou pela Discos Continental o LP 7 domingos. O disco foi apresentado pelo poeta e letrista Sérgio Fonseca e incluiu as composições Toda prosa e Sete domingos, ambas de Agepê e Canário, Baiana do rosário (Romildo e Toninho Nascimento), Meus outros anos (Noca da Portela e Sérgio Fonseca), Grêmio Recreativo e Escola de Samba (Leci Brandão) e Oferendas aos orixás (Dida e Everaldo Viola). O LP também contou com o acompanhamento do conjunto Nosso Samba e com a direção musical de Genaro.

No ano seguinte, lançou o LP Pérola de Agonitá, pela gravadora Discos Continental, disco no qual interpretou Pérola de Agonitá (Gérson Alves e Mhariazinha), Bambeia (Noca da Portela e Edinho Biólogo), 1° botequim (Dedé da Portela e Sérgio Fonseca), Amor inesquecível (Dona Ivone Lara), Prezado amigo (Rildo Hora e Sérgio Cabral) e uma composição de sua autoria, Contratempo na contradança, em parceria com Gérson Alves.

No ano de 1978, lançou o disco O amor seja bem-vindo, pela gravadora Polydor, LP no qual interpretou Canto nenhum (Dedé da Portela e Sérgio Fonseca), Autonomia (Cartola), Coração vadio (Edil Pacheco e Paulinho Diniz), Pode ir" (Roberto Corrêa e Jon Lemos), Momento exato (Leci Brandão) e Amor a três (Noca da Portela e Joel Menezes), entre outras.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

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Waldir Calmon

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Waldir Calmon (Valdir Calmon Gomes), pianista e compositor, nasceu em Rio Novo-MG (30/1/1919) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (11/4/1982). Aos 11 anos já tinha aprendido a tocar piano com a mãe. Entretanto, sua primeira aspiração era ser cantor. Para tanto, foi crooner num conjunto em que formou em Juiz de Fora-MG em sua época escolar.

Em 1936, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu o compositor e flautista Benedito Lacerda e graças a ele, passou a apresentar-se nas rádios Guanabara e Transmissora, inicialmente como cantor, depois como pianista, com o nome Waldir Gomes.

A partir de sua transferência para a Rádio Cruzeiro do Sul, adotou o nome artístico de Waldir Calmon, que não constou de sua primeira gravação, acompanhando Ataulfo Alves em Leva meu samba (Mensageiro), no ano de 1941.

Depois de formar o grupo Gentleman da Melodia, que durou apenas alguns anos, tocou nos Teatros Rival e Serrador, além da boate Meia-Noite, do Copacabana Palace, todos no Rio, e em cassinos, como o Atlântico (Santos, SP). Foi por essa época que começou a tocar o primeiro solovox (pequeno teclado incorporado ao piano, precursor dos sintetizadores) trazido para o Brasil, popularizando o instrumento.

Com o fechamento dos cassinos, em 1946, foi atuar na boate Marabá-SP. Um ano depois, voltou ao Rio e foi contratado pela boate Night and Day, no Centro, onde permaneceu pelos oito anos posteriores.

Em 1951, começou a gravar discos de 78 rpm no selo Star. Na década de 50 seus discos Ritmos Melódicos (na etiqueta Discos Rádio), Para Ouvir Amando, Chá Dançante e Feito para Dançar (Copacabana) venderam como água. Foi o pioneiro a gravar sucessos dançantes em faixas únicas, ininterruptas, adequados a animar festas, eternizando nos acetatos o som que produzia nas boates de então. Nesse período, atuou na Rádio Tupi e na Rádio Serviço Propaganda, gravando muitos jingles.

Em 1955, deixou a boate Night and Day e abriu sua própria casa noturna, a popular Arpège, no Leme (RJ), que funcionaria até 1967 - onde atuaram João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, além de Chico Buarque, que fez um de seus primeiros shows, em 1966, ao lado de Odete Lara e MPB-4.

Seu conjunto era formado nessa época por Paulo Nunes (guitarra), Milton Banana (bateria), Eddie Mandarino e Rubens Bassini (percussão), Gagliardi (contrabaixo) e o próprio Calmon, ao piano e solovox, que rivalizava as atenções do público com Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo na boate vizinha, o Drink. Gravou quatro LPs intitulados Uma Noite no Arpège.

Depois de arrendar sua boate, continuou atuando em bailes e excursões. Entre 70 e o começo de 77, atuou com sua orquestra de baile no Canecão (RJ), antes e depois do show principal. Nos últimos anos de carreira, passou a tocar também sintetizadores. Morreu em 1982 de infarto do miocárdio.

Fonte: Clique Music.

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Vera Lúcia

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Vera Lúcia - Confidências

Vera Lúcia (Vera Lucia Ermelinda Balula), cantora, nasceu na cidade de Vizeu, Portugal, em 07/08/1930. Em 1951, lançou pelo pequeno selo Elite Special seu primeiro disco interpretando o samba Copacabana, de Alberto Ribeiro e João de Barro e o baião Veio amô, de Humberto Teixeira. No mesmo ano, gravou um de seus maiores sucessos, a marcha Rita sapeca, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti.

Em 1952, gravou a marcha Pisca-pisca e "o samba canção Verdadeira razão, de Armando Cavalcânti e Klécius Caldas e o samba Não vou chorar, de Humberto Teixeira e Felícia Godoy e o Baião de Alagoas, de Humberto Teixeira. No mesmo ano, foi contratada pela Odeon onde estreou com a marcha Pagode chinês, de Ari Monteiro e Irani de Oliveira e o samba Vou-me embora, de Humberto Teixeira e Felícia Godoy.

Em 1953, gravou o Baião da saudade, de Fernando Jacques e o samba canção Intriga, de Altamiro Carrilho e Armando Nunes. No mesmo ano, gravou os sambas-canção Filha diferente, de Raul Sampaio e Rubens Silva e É tarde demais, de Hianto de Almeida.

Em 1954, gravou os sambas Não vivo em paz e Eu não perdôo, da dupla Paulo Menezes e Nilton Legey. No mesmo ano, lançou dois sambas canção Eu sei que você não presta, de Chocolate e Mário Lago e Sempre eu, de Alfredo Godinho e Osvaldo França.

Ainda em 1954, passou a gravar na Continental e lançou os sambas Valerá a pena, de Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima e O que os olhos não vêem, de Luiz Bandeira. No mesmo ano, gravou o xote Suspiro vai, de Graça Batista e Álvaro Carrilho e o samba canção Ter saudade, de Haroldo de Almeida.

Foi eleita Rainha do Rádio em 1955, vencendo Ângela Maria, por decisão de Manoel Barcelos, que quis homenagear Carmen Miranda, portuguesa de nacionalidade como ela e que estava no Rio, em fase de recuperação de saúde. Recebeu a coroa das mãos da Pequena Notável.

Nesse ano já fez sucesso com Amendoim torradinho (Henrique Beltrão) e O que os olhos não vêem (Luiz Badeira). Além deste título, ganhou 10 troféus ao longo da carreira, como destaque de programas de televisão, entre eles, os de Chacrinha e Aerton Perlingeiro.

Em 1956, lançou os sambas canção Molambo e Quem sabe é você, de Jaime Florence e Augusto Mesquita e Duvido, de Luiz Vieira e Dario de Souza e o samba "Cansei de ilusões", de Tito Madi.

No ano seguinte, gravou mais uma composição da dupla Jaime Florence e Augusto Mesquita: o samba Zomba de mim. No mesmo ano, lançou o clássico fado canção Nem às paredes confesso, de Artur Ribeiro, Max e F. Trindade. Gravou ainda no mesmo período em dueto com William Duba a marcha Bacana de Copacabana, de William Duba, Nahum Luiz e Elias José.

Em 1958, gravou o samba canção Por causa de você, de Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran. No mesmo ano, passou a gravar pela Sinter e lançou o samba Janela do mundo, de Billy Blanco e o samba canção Castigo, de Dolores Duran.

Em 1959, gravou duas composições de Antônio Carlos Jobim, o samba Este teu olhar e o samba canção Porque tinha de ser, este, parceria com Vinícius de Moraes. No ano seguinte, gravou a marcha Sacode a tristeza", de Miguel Gustavo. Ainda em 1960, gravou um de seus maiores sucessos, o samba Leva-me contigo, de Dolores Duran. Em 1962, lançou as músicas O bilhete e Samba sem pim-pom, da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim.

Gravou diversos discos de 78 rpm e apresentou-se em Portugal, Argentina e Uruguai. Tendo entre seus sucessos Idéias erradas (Ribamar), Rita Sapeca (Klecius Caldas - Armando Cavalcanti), Leva-me contigo (Dolores Duran) e Castigo (Dolores Duran).

Com o primeiro elepê, Confidências de Vera Lucia, ganhou dois discos de ouro. Um dos prêmios, foi entregue pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Durante quase toda a década de 1950 e ainda nos anos 1960, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a maior emissora do país, o que lhe rendeu prestígio e uma certa popularidade. Em 1997, foi homenageada pelo Museu Carmen Miranda com o Troféu Carmen Miranda.

Fonte: Cantoras do Brasil - Vera Lúcia.

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Wilson Miranda

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Wilson Miranda

Wilson Miranda (Wilson Antonio Chaves de Miranda), cantor e compositor, nasceu em Itápolis-SP em 27/3/1940. Começou sua carreira no final dos anos 50, como crooner de um conjunto de jazz, e nessa época, junto com Carlos Gonzaga, foi um dos intérpretes que introduziram gêneros como o calypso e o twist no Brasil, além das versões de baladas de rock.

Em 1958 estreou na Chantecler com o calipso Picolissima serenata, de Ferrio, Amurry e Sidney Morais e o samba canção Fui procurar distração. No ano seguinte o rock balada Twilight time, de Nevins e Dunn, com versão de Fred Jorge e o beguine Veneno, de Poly e Henrique Lobo.

Em 1960 assinou contrato com a Rádio Tupi e passou a cantar rock balada e apesar de não ter sido bem recebido pela crítica, Wilson conseguiu sucesso comercial com músicas como Alguém é bobo de alguém e Bata baby.

Em 1965 gravou Tempo Novo, disco que lhe rendeu muitos prêmios. Mesmo assim, nos anos seguintes deixou a carreira de cantor em segundo plano, atuando como produtor em discos de Nelson Gonçalves, Bendegó, Banda de Pífanos de Caruaru, Originais do Samba, Célia, Vanusa, Marília Medalha, entre outros.

Em 1978 voltou a gravar, dessa vez com um repertório mais voltado para a música popular brasileira, afastando-se definitivamente da imagem de roqueiro do início de sua carreira.

Músicas cifradas: Alguém é bobo de alguém, Não tive intenção.

Fontes: Clique Music; Dicionário Cravo Albin da MPB.

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Valzinho

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Valzinho (Norival Carlos Teixeira), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 26/12/1914 e faleceu em 1980. O pai era ferroviário e violonista, e a mãe, pianista. É irmão do cantor, compositor e violonista Newton Teixeira. Fez o primário na escola primária Nilo Peçanha, além de haver estudado desenho, escultura e gravura com Calmon Barreto. Seu primeiro emprego foi na Casa da Moeda, como gravador artístico.

Começou a carreira em 1933 na Rádio Guanabara, tocando cavaquinho no conjunto do violonista Pereira Filho, do qual participavam Luís Bittencourt (violão), Darci (pandeiro) e Dante Santoro (flauta). Já como violonista, em 1934 passou a atuar em um conjunto de Pixinguinha, ao lado de Valdemar (violão), João da Baiana (pandeiro e voz) e Joca (pandeiro).

A partir de 1936, com o regional do bandolinista Luperce Miranda, atuou durante alguns anos na Rádio Mayrink Veiga. Em 1938 fez a primeira música, Tudo foi surpresa (com Peterpan), que seria gravada em 1940, na Victor, por Araci de Almeida.

Em 1939 passou a integrar o regional de Dante Santoro, com o qual ficou durante 30 anos atuando na Rádio Nacional. A formação original do conjunto era Dante Santoro (flautista), Carlos Lentini (violão), Valdemar (cavaquinho), Joca (pandeiro), Norival Guimarães (violão) e Rubens Bergman (violão). Durante pouco tempo, participou também do conjunto Bossa Clube, dirigido por Garoto onde já usava técnica que antecipava de certa maneira a bossa nova. Em 1940 e 1950 foi premiado em gravura e escultura pelo Salão Nacional de Belas Artes.

Entre suas composições de maior sucesso estão Não sei por quê (com Luperce Miranda), de 1944, gravada por Gilberto Alves; Doce veneno (com Carlos Lentine e Espiridião Machado Goulart), de 1945, gravado por Marion e o conjunto de Djalma Ferreira — e que, mais tarde, seria relançado por Jamelão, Gaúcho e Orquestra, Britinho e Orquestra, Paulinho da Viola e Elisete Cardoso; Tormento, de 1946, gravada por Orlando Silva; Súplica (com Pernambuco), de 1947; Óculos escuros (com Orestes Barbosa), de 1955, gravado por Zezé Gonzaga e relançado, em 1971, por Paulinho da Viola.

Obras

Doce veneno (c/Carlos Lentine e Espiridião Machado Goulart), samba, 1945; Óculos escuros (c/Orestes Barbosa), samba, 1955; Tudo foi surpresa (c/Peterpan), samba, 1940.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

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Sidney Miller

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Sidney Miller (Sidney Álvaro Miller Filho), compositor, nasceu e faleceu no Rio de Janeiro- RJ ( 18 de Abril de 1945 - 16 de Julho de 1980). Natural de Santa Teresa despontou como compositor no cenário musical brasileiro durante a década de 1960, participando com algum destaque em festivais da Música Popular Brasileira.

Cursou Sociologia e Economia, porém sem concluir nenhum dos cursos. No início da carreira chegou a ser comparado com o também estreante Chico Buarque, uma vez que tinham em comum, além da timidez, a temática urbana e um especial cuidado na construção das letras.

Além disso, a cantora Nara Leão, famosa por revelar novos compositores, teve grande importância na estréia dos dois - inclusive gravando, em 1967, o disco Vento de Maio, no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou quatro canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco.

O primeiro registro importante como compositor foi em 1965 no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior (SP), obtendo o 4º lugar com a música Queixa, composta em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Ciro Monteiro.

Em 1967 pelo famoso selo Elenco de Aloysio de Oliveira lançou o primeiro disco, na qual se destaca por retrabalhar temas populares e cantigas de roda como Circo, Passa passa gavião, Marré-de-cy e Menina da agulha.

Sidney Miller compôs juntamente com Théo de Barros, Caetano Veloso e Gilberto Gil a trilha sonora para a peça Arena conta Tiradentes, dos dramaturgos Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Nesse mesmo ano, ao lado de Nara Leão interpretou a música A Estrada e o violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), conquistando o prêmio de melhor letra.

Em 1968, também pelo selo Elenco lançou o Lp Brasil, do Guarani ao Guaraná, que contou com as participações especiais de diversos artistas como Paulinho da Viola, Gal Costa, Nara Leão, MPB-4, Gracinha Leporace, Jards Macalé, entre outros. O maior destaque do disco ficou por conta toada Pois é, pra quê.

A partir de então Sidney Miller intensificou a carreira na área de produção. Juntamente com