domingo, fevereiro 17, 2008

Franqueza rude

Mário Pinheiro
Franqueza rude (modinha, 1917) - Belchior da Silveira (Caramuru) e João B. Fittipaldi - Intérprete: Mário Pinheiro - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1915-1921 - Nº Álbum 121328



O teu olhar, tem tanto fogo e tanto ardor,
Que é bem capaz, de seduzir e de prender,
Mais é o efeito de um capricho e não de amor,
Porque em teu peito, amor não pode mais haver.


Tem conseguido, acorrentar aos olhos teus,
Os desditosos, que se deixam iludir,
Pois há mim, não prenderás, juro por deus,
Que aos teus ardís, eu hei de sempre resistir.


Eu não me iludo não,
Com teu olhar ardente,
Porque teu coração,
Pertence há muita gente.

Acostumada a seduzir e a dominar,
Julgaste fácil, dominar a mim também,
Mas nunca ao teu querer eu hei de me curvar,
Porque sou muito altivo e como eu sou ninguém,
Tiveste um dia, a vã idéia em me fitar,
Com toda a força de teus olhos de serpente,
Eu não me deixo fascinar, por teus olhares,
Eu não me prendo nos teus olhos, na corrente.

Mesmo que teu amor,
Seja um amor sincero,
Mil vezes quero a dor,
Mas teu amor, não quero !

Não quero amor,
De quem amando, todo mundo,
Não sabe amar,
Como a um só se deve amar,
Embora o meu penar,
Seja um penar profundo,
Não hei de amar-te um segundo,
E nunca, nunca te beijar,
Transformarei meu coração num baluarte,
Pra resistir, aos teus assaltos, infernais,
Hei este orgulho dominar,
Hei de mostrar-te,
Que tu só és,
Mulher, mulher e nada mais !

Não estejas a fitar,
Assim quem não te quer,
Quem nunca ás de domar,
Quem nunca ás de vencer !...

Azulão

Azulão (toada pernambucana) - motivo popular / Almirante e João de Barro

Título da música: Azulão / Gênero musical: Toada pernambucana / Intérprete: Gastão Formenti / Compositores: Almirante - João de Barro - motivo popular / Acompanhamento: Bando de Tangarás / Gravadora Victor / Número do Álbum 33628 / Data de Gravação: 29/12/1932 / Data de Lançamento: 03/1933 / Lado A / Disco 78 rpm:

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

Também faço sentinela / E rondo que nem soldado
Tua janela menina / Do vestidinho encarnado
A dias não te avistei / Fiquei triste desolado
Chorei muito com saudade / Do teu vestido encarnado

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

Por acaso aqui passando / Vi andorinhas bando alado
Perguntei se tinham visto / O teu vestido encarnado
Uma delas, disse às outras / Vive penando coitado
Neste vestido encarnado

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

As nuven já tem inveja / de ti meu anjo adorado
Ontem à tarde vieram / Vestidinhas de encarnado
E se Deus me perguntasse / Que queres e isto seja dado
Peço pra morrer nas dobras / Do teu vestido encarnado

Azulão passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela
Quem tem seu amor e fronte / Faz rondar, faz sentinela
Faz sentinela

Sodade meu bem sodade

Sodade meu bem sodade (toada) - Zé do Norte - Interpretação: Ely Camargo



Am   G7              Am   
    Sodade meu bem sodade 
      F        G7  Am  
    sodade do meu amor 
     G7              Am 
    Sodade meu bem sodade 
      F          G7    Am   
    Sodade do do meu amor 
           Am   E5+/G#    C/G   D7/F# 
    foi embora e não disse nada 
        F7m    E7     Am 
    Nem uma carta deixou 
        G              Am    
    Os óios da cobra verde 
     G                  Am  
    Hoje foi que arreparei 
         G                 Am 
    Se arreparasse a mais tempo 
          F       G    Am G7 C E7 Am G7 C E7 Am 
    Não amava a quem amei 
            Am E5+/G#  C/G  D7/F# 
    quem levou o meu    amor 
         F7m  E7      Am 
    Deve ser  o meu amigo 
           Am   E5+/G#    C/G  D7/F#      
    Levou pena deixou   glória 
       F7m   E7       Am 
    levou sodade consigo 
        G            Am 
    Arrenego de quem diz 
      G                   Am 
    Que o nosso amor se acabou 
     G                    Am 
    Ele agora esta mais firme 
             F  G      Am G7 C E7 Am G7 C E7 Am  
    do que quando começou 
      G              Am 
    Sodade meu bem sodade 
       F       G     Am E5+/G# D/F# F E7 Am 
    sodade do meu amor 

Vida marvada

Vida marvada (toada mineira, 1937) - Almirante e Lúcio Azevedo -

Vance num sabe como é bom vive
Numa casinha branca de sapé
Como uma muié a nos fazê carinho
Uma galinha, dois ou três pintinho

Se o sór tá quente a gente arranja rede
Garra a viola presa na parede
Acende o pito gospe e passa o pé
E deixa a vida como Deus quizé

Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Pru que se esforça
Se não paga a pena trabaiá

Num sei pruque que aqui num nasce nada
É só capim, só mato, espinharada
Não nasce arroz, nem mio, nem feijão
Num sei o que que exeste neste chão

De manhã cedo eu óio pra rocinha
Pra vê se a vez nasceu quarqué coisinha
Mas qual o que não nasceu nada não
Prantando nasce, mas não pranto não

Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Se não paga a pena trabaiá

O meu boi morreu

O meu boi morreu (toada, 1916) - Autor desconhecido - Intérpretes: Eduardo das Neves e Bahiano - Disco 76 rpm - Coro (Acompanhante) - Moreira, Luiz (Compositor) ? - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1915-1921 - Nº Álbum: 121054 - Gênero: Cantiga nortista


// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Seu moço inteligente / Faz favô de mi dizê / Em riba daquele morro / Quantos capim há de tê / Se o raio não cortou / Se o gado não comeu / Em riba daquele morro /Tem o capim que nasceu.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Me arresponda sem tretê / Mas me arresponda já / O que é que a gente vê / E que não pode pegá? / Aquilo que a gente vê / E que não pode pegá / É a lua e as estrela / Que no céu tão a briá.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Vou lhe fazê uma pregunta / Pra vancê me arrespondê / Vinte e cinco par de gato / Quantas unha deve te? / Intrei no raio de sol / Saí no raio de lua /  Vinte e cinco par de gato / Com certeza tem mil unha.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Em riba daquela serra / Tem um sino sem badalo / E uma arroba de capim / Pra você comê, ó cavalo / Em riba daquela serra / Tem um sino ferrugento / Se eu hei de comê capim / Coma você, ó seu jumento.

Ai, Filomena

Hermes da Fonseca
Em 1915, com o fim do mandato de Hermes da Fonseca, apelidado pelo povo de seu Dudu, surgem sátiras à sua fama de agourento. A que se tornou mais famosa é Ai, Filomena, de José Carvalho de Bulhões: "Dudu sai a cavalo/ o cavalo logo empaca/ e só começa a andar/ ao ouvir o corta-jaca.// Ai, Filomena, se eu fosse como tu,/ tirava a urucubaca/ da careca do Dudu".

O texto faz referência a um sarau no Catete, em 1914, quando a primeira-dama Nair de Tefé tocou ao violão o Corta-jaca, maxixe de Chiquinha Gonzaga, causando grande escândalo. O episódio levou Rui Barbosa a ocupar a tribuna do Senado para classificar esse gênero de ritmo como "a mais vulgar e grosseira de nossas manifestações musicais".

Ai, Filomena (marcha, 1915) - J. Carvalho Bulhões - Interpretação: Bahiano - Disco 76 rpm - Título da música: Ai!... filomena - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912-1915 - Nº Álbum 120988



Ai, minha sogra / Morreu em Caxambu / Com a tal urucubaca / Que lhe deu o seu Dudu // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu quando casou / Quase que levou a breca / Por causa da urucubaca / Que ele tinha na careca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da cabeça do Dudu

Na careca do Dudu / Já trepou uma macaca / E por isso coitadinho / É que tem urucubaca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu tem uma casa / E com chave de ouro / Quem lhe deu foi o Conde / Com os cobres do Tesouro // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Se o Dudu sai a cavalo / O cavalo logo empaca / Só começa a andar / Ao ouvir o Corta-jaca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu tem uma casa / Que nada lhe custou / Porque nesse presente / Foi o povo que marchou // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Mas a rainha / Cavou o seu também / Dizendo no Senado / Tão somente "muito bem" // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Eu me arrependo / De ter ido ao Caju / E não ter vaiado / A saída do Dudu // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Bahiano: -Vocês estão falando, ele nem faz caso. Está comendo do bom e do melhor!



Fonte: Portal SESCSP - A MPB canta e conta nossa história

Saudades de Iguape

Saudades de Iguape (valsa, 1913) - Música: João Batista do Nascimento - Letra: Waldemiro Fortes - Interpretação: Antenógenes Silva - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1938 - Álbum 11633



Adeus, Iguape, / Adeus, terra querida,
És por todos chamada / A princesa dourada
Do Litoral Sul do Estado,
A mais bela e gentil,
A própria natureza te ornou / De graças mil.


Teu solo privilegiado pela natureza
Guarda em teu seio a maior riqueza
Bem-aventurado solo sem igual
Em todo o litoral, / És bela, tens os teus encantos
Cheios de alegria, / Reina em ti a doce paz,
Reina a alegria, / Ó Iguape amado, solo abençoado.

Adeus, Iguape, / Vou partir,
Adeus, adeus, / Profundos soluços e saudades
Levo de ti, terra amada, / Meu coração soluça e chora
Ao te deixar, / As saudades que levo de ti
Para sempre na campa há de findar.

Adeus, Iguape, / Adeus, terra querida,
És também conhecida / Terra do Bom Jesus,
Berço de vida e luz raiante, / Espalhando fulgores,
O teu porvir brilhante / Há de brotar igual às flores.



Lágrimas e risos

Bahiano
Lágrimas e risos (valsa, 1913) - Eustórgio Wanderley e Adelmar Tavares

A vida é toda feita assim
De riso e dor um mar sem fim
Alegre um dia o riso vem
E o pranto seguirá também

A criancinha assim que nasce
Conhece a dor, põe-se a chorar
No entanto o riso em sua face
Só muito após vem a aflorar

Sorrir, chorar e assim vai-se a vida a passar
Cantar, gemer, a mágoa vem junto ao prazer
É louco também quem nos diz, que se considera feliz
Que a sorte aos seus braços lhe atira, mentira, mentira
Pois breve ao invés de cantar
Chorar, chorar

Eu que cantando estou hoje aqui
Enquanto o público sorri
Quem sabe se em vez de cantar
Tenho vontade de chorar

Num circo, vê-se sobre a arena
Ri o palhaço a se perder
E em casa a filha assim pequena
Talvez deixasse-lhe a morrer

Sorrir, chorar e assim vai-se a vida a passar
Cantar, gemer, a mágoa vem junto ao prazer
Palhaço que ri sem cessar
Não deve não pode chorar
Pois quem é pago pra rir pra chalaça
Desgraça, desgraça
Se em pranto tens alma de par
Sorrir, cantar


Título da música: Lágrimas e risos / Gênero musical: Valsa / Intérprete: Bahiano / Compositores: Adelmar Tavares e Eustórgio Vanderley / Gravadora Odeon / Número do Álbum 120271 / Gravação: 1912-1913 / Lançamento 1912/1913 / Lado único / Disco 78 rpm:



Dengo dengo

Cardoso de Menezes
Dengo dengo (polca, 1913) - Emília Duque Estrada Farias e Cardoso de Menezes

Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
Tá chegada a hora
Dos Capicurus
Ó maninha
Ganhar a vitória

Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
É de caruru
Quem matou baeta
Ó maninha
Foi carapicu

Eu bem dizia baiana
Dois metros sobrava
Saia do balão
Babadão
Metro e meio dava