segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Cangerê

Cangerê (samba/carnaval, 1920) - Francisco Antônio da Rocha (Chico da Bahiana) - Intérpretes: Bahiano e Izaltina - Disco 76 rpm - Bahiano (Intérprete) - Izaltina (Intérprete) - Disco 78 rpm Odeon, 1915-1921 - Álbum 121729 - Gênero: Samba carnavalesco


Eu já não posso / Vou usar uma figa
Tu não vale nada / É pessoa antiga
Que mulher danada / Para fazer intriga
Vai-te coruja / Raio de perdida


Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Tenha dó de mim / Tu não é disso
Tu com essa cara / Parece um choriço

E tu que parece / Coelho de riço
Sai daqui azar / Sai daqui caniço

Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Não me aborreça / Isto já é castigo
Sai daqui seu trouxa / Cara de sorvete

Ora o diabo / Ora minha vida
Tem de pouco e tem fome / Sai daqui formiga

Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Vem cá benzinho / Sê meu colibri
Eu vou sozinho / Lá pra Catumbi
Ó vem querido / Comigo não zangue
É melhor cairmos / No canal do Mangue

Ai, meu Deus / Vou me benzê
Ai, meu Deus / Vou me benzê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê
Eu vou já é no feiticeiro
Fazê? / Um cangerê

Bê-a-bá

Bahiano
Bê-a-bá (samba, 1920) - Luiz Nunes Sampaio (Careca) - Interpretação de Bahiano



Um B com A - B-A-Bá / Um B com É - B-É-BÉ
Um B com I – B-I-BI / Um B com Ó – B-Ó-BÓ
Um B com U – B-U-BU

Acubabá gelê / Vai pra escola Gegê / Pra aprendê a lê

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Deixa as cadeiras da nêga buli

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Venha entrando que eu quero saí

Castanha de caju / Vamos comer angu / Lá em Cabuçu

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu comi empada arrotei lambari

Agora é que eu ia / Direto para Bahia / Ver a folia

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu vou mas é na praça dormi

Não seja assim carmurro / Senão eu torço o burro / Olá seu burro

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu vou beber é meu Parati

Seu Derfim tem que vortá

Eduardo Souto
Seu Derfim tem que vortá (maxixe, 1919) - Eduardo Souto e Norberto Bittencourt

Nhô Derfim tem que vortá / Por vontade ou sem querê
Porque aqui na Capitá / Não tem mais nada a fazê
Nhô Derfim boa viage / Escreva sempre pra cá
Bem pensado é bobage / Sê mandante sem mandá

O trem apita / Chegou a hora
Cabou a fita / Pode i s'imbora
Porém na Centrá / O nosso homenzinho
Ficou pra enbarcá / Molinho, molinho...

Não brabeja Nhô Derfim / Qu'isto tudo é bem querê
E range um quarto pra mim / Passá um mêis com mecê!
Que grande celebridade / Mecê veio aqui cavá
Pois mostrô sê na verdade / Bom guardadô de lugá

Veja que cateretê / E que trovas divertida
Nós fizemos pra mecê / No momento de partida
Eu vou ainda fundá / Quando achá quem abone
Um grupo que vou chamá / Os amigo do trombone

Confessa meu bem

Sinhô
Confessa meu bem (samba/carnaval, 1919) - Sinhô - Intérprete: Eduardo das Neves, [1874]-1919 - Disco 78 rpm - Sinhô (Compositor) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1915-1921 - Nº Álbum: 121528 - Gênero: Samba



Confessa, confessa meu bem
Confessa, confessa meu bem


Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém
Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém

Língua malvada e ferina
Falar de nós é tua sina

Vou-me embora, vou-me embora
Desse meio de tolice
Estou cansado de viver
De tanto disse-me disse

Oh! Que gente danada
Não confesso nada

A rolinha do sertão

A rolinha do sertão (samba/carnaval, 1919) - J. Resende e Mirandela

Título da música: A rolinha do sertão (assim é que é) / Gênero: Samba carnavalesco / Intérprete: Bahiano / Compositores: Rezende, J - Mirandadella /  Gravadora Odeon / Álbum 121531 / Gravação 1915-1921 / Lançamento 1915-1921 / Lado indefinido / Disco 76 rpm :


Eu quizera ser a rola (Pois é)
A rolinha do sertão (Pois é)
Para fazer o meu ninho (Pois é)
Na palma de sua mão (Assim que é)

Não precisa ser a rola (Pois é)
A rolinha do sertão (Pois é)
Que o teu ninho já está feito (Pois é)
Dentro do meu coração (Assim que é)

O fogo nasce da lenha (Pois é)
A lenha nasce do chão (Pois é)
Bem querer nasce dos olhos (Pois é)
O amor do coração (Assim que é)

Sexta-feira faz um ano (Pois é)
Que meu coração fechou (Pois é)
Quem morava dentro dele (Pois é)
Tirou a chave e levou (Assim que é)

Eu vi a garça voando (Pois é)
Lá pra banda do sertão (Pois é)
Levava a Maria no bico (Pois é)
E Teresa no coração (Assim que é)

Um anjo me disse agora (Pois é)
Eu amendrontado ouvi (Pois é)
Que no céu Nossa Senhora(Pois é)
Tinha ciúmes de ti (Assim que é)

O boi no telhado

O boi no telhado (tango, 1918) - Zé Boiadero (José Monteiro) - Interpretação: Banda do Batalhão Naval



Vem mulata ter comigo
Vamos ver o Carnaval
Eu quero gozar contigo
Esta festa sem rival.

Vem cá, vem cá, vem cá
meu bem.
Como eu não há
ninguém.

Pula, pula, perereca
E segura esta boneca [bis]
Vem cá, vem cá, vem cá [bis]
Olá

Segura o cabrito [bis]
O boi é bem manso [bis]
Mulata cutuba [bis]
Aguenta o balanço [bis]

O malhador

Bahiano
No samba “O Malhador”, de Pixinguinha, Donga e Mauro de Almeida, gravado na Casa Edson em 1918, a expressão “siri tá no pau” era entoada por um corinho, em resposta a cada verso cantado pelo Bahiano.

Essa expressão foi utilizada, mais tarde, e com sucesso, no samba-coco Bigorrilho (de Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil), grande sucesso do carnaval de 1964: “Lá em casa tinha um bigorrilho / bigorrilho fazia mingau / bigorrilho foi quem me ensinou / a tirar o cavaco do pau / trepa Antônio, siri tá no pau...”

O malhador (samba / carnaval, 1918) - Pixinguinha, Donga e Mauro de Almeida - Intérpretes: Bahiano e Coro - Disco 76 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1915-1921 - Nº Álbum 121442 - Gênero: Samba carnavalesco


Maiadô, que maia dança / Quem dança maia também
Ô Maiadô, sem faia / Samba, quem samba maia por bem
Minha frô, caboca / Sacode o vestido bem

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //


Fala:
- Me explique, meu nego, você já viu peixe morrê afogado?
- Não, meu bem, já vi o aeroplano morrê de fome.

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //

Maiadô / Samba seja como fô
Samba bem com teu amô / Não sossega de maiá
Maiadô / Por onde passa
No campo bambeia, diacho / Ô maiadô
Padrão de samba / Mas faça o passo mais fácil
Minha frô, mulata / Faz tempo que o nego vem


// Sambô... gostô... / Siri tá no pau / Dança feitô... / Siri tá no pau / Mas não falhô / Sirí tá no pau / Ô maiadô / Siri tá no pau //

Fala:
- Explique, meu nego, o mundo da lua é habitado?
- É, meu bem, este ano vêm assistir o carnaval.

// Ó trepa Antonho / Siri tá no pau / Samba demonho / Siri tá no pau / Samba no sonho / Siri tá no pau / Não me envergonho / Siri tá no pau //

Maiadô samba / E samba com fervô
Quem maia sabe sambá / Quem samba sabe gozá
Maiadô danado / Samba diante de mim, quero vê
Ó maiadô cansado / Tu ficará sem querê me benzê
Mulatinha diacho / Faz o teu passo bem baixo

// Samba bonito / Sirí tá no pau / Senão eu grito / Sirí tá no pau / Passa no bico / Sirí tá no pau / Samba mardito / Sirí tá no pau //


Fala:
- Explique, meu nêgo, qual é o peixe quee você mais gosta?
- É de pirarucu, meu bem

// Dança bonito / Sirí tá no pau / Senão eu grito / Sirí tá no pau / Passa no bico / Sirí tá no pau / Samba mardito / Sirí tá no pau //

Maiadô / Dá um jeito que o barco vem
E não respeita ninguém / Se maia, maia também

Vamo Maruca vamo

Vamo Maruca vamo (cateretê, 1918) - Juca Castro e Paixão Trindade

“Vamo Maruca, Vamo” é uma música carnavalesca de Juca Castro e Paixão Trindade, taxada diversamente como samba, cateretê, baião e maxixe (as fronteiras entre gêneros eram bastante embaçadas naquela época). Segundo Manoel Aranha Corrêa do Lago, duas das quatro partes da música são inserções das músicas folclóricas “Vamo Maruca, Vamo” e “Co-Co-Có”, ambas incluídas na coleção Chants Populaires du Bresil (Paris, 1930) da cantora e pesquisadora Elsie Houston.

Um artigo no sítio virtual da Collector’s aponta que o primeiro samba carnavalesco, “Pelo Telefone”, não continha esse subtítulo no selo do disco mas simplesmente samba. Por outro lado, “Vamo Maruca, Vamo” é um de três sambas carnavalescos identificados como tais lançado pelas gravadoras Phoenix e Gaúcho no mesmo período.

Outra gravação foi feita por Francisco Alves (lançada em 1918 segundo o site da Collector’s).

“Vamo Maruca, Vamo” fez bastante sucesso no carnaval de 1918, pois ela aparece em 17° lugar entre as “top 20” canções de 1918 na página Time Machine 1918.

Aqui, uma interpretação de Francisco Alves e conjunto vocal As 3 Marias, pela Rádio Nacional em 1943:


Canto:
A carta que te mandei...
Que te mandei...
Foi papé das minha mão...
Das minha mão...

A tinta foi dos meus óio...
Dos meus óio...
A penna meu coração...
Meu coração...

Vamo Maruca, vamo...
Vamo pra Jundiay...
Co's ôtro vancê vai,
Só cumigo não qué i...
[bis]

Ella
Não vô não...
Não vô não quero i!
Longi de meus parente,
Vancê que judiá de mim.

II

As ave de mim tem pena...
De mim tem pena
Os campo de mim tem dó...
De mim tem dó
As ave pur me vê triste...
Pur me vê triste
Os campo pur me vê só...
Pur me vê só

Vamo Maruca, vamo...




Fonte: As Crônicas Bovinas - Vamo Maruca vamo)