terça-feira, fevereiro 19, 2008

Quando me lembro

Eduardo Souto
Quando me lembro (marcha, 1925) - Eduardo Souto e João da Praia

A letra é de um certo João da Praia, não creditado no selo - o que às vezes podia acontecer, pois o letrista naquele tempo não era considerado compositor musical. Gravação original de 1925, com Zaíra de Oliveira em dueto com Bahiano, disco Odeon 78 rpm 122.800. Relançado, como canção, pela Parlophon em junho de 1930, disco 13162-A, matriz 3485 (Fontes: Samuel Machado Filho - Cantoras do Brasil).

Disco 78 rpm / Título da música: Quando me lembro / Autoria: Souto, Eduardo (Compositor) / Alonsito (Intérprete) / Bill, Tom (Intérprete) / Acompanhamento (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, indefinida / Nº Álbum 13162 / Gênero musical: Canção.



Quando eu me lembro do meu tempo antigo
Daquele tempo que eu passei contigo
Dos belos sonhos que não voltam mais
Ai, que saudade, ai, que saudade isso me faz

Viver! Viver sozinho
Sem teu carinho
Sem teu amor
Ó flor!

Viver, por bem querer
Hei de sofrer
Sofrer
Morrer!

Não posso crer que tu tenhas maldade
Seja capaz de tanta crueldade
Não posso crer na tua ingratidão
Se continua a ser só teu meu coração

Os passarinhos da Carioca

Largo da Carioca - Rio de Janeiro - Anos 1920

Os passarinhos da Carioca (marcha/carnaval, 1925) - Careca

Disco 76 rpm / Título da música: Os passarinho (da carioca) / Autoria: Careca (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Jazz Band Sul û Americano Romeu Silva (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 / Nº Álbum 122842 / Gênero musical: Marcha



Meu passarinho fugiu, fugiu
Meu passarinho voou, voou
Na Carioca ele pousou
Em frente à "Noite" cuspiu, cuspiu

Ai, como é bom
Se ouvir cantar
Os passarinhos
De lá, de lá

Das cinco às seis cantam os passarinhos
Mas que delícia se ouvir cantar
Mas o barulho é infernal
Embaixo deles não se pode estar

Está na hora

Caninha 1928
Está na hora (marcha/carnaval, 1925) - Caninha (José Luiz de Moraes)

Título da música: Está na hora / Gênero musical: Samba / Intérprete(s) Silva, Americano Romeu / Jazz Band Sul / Compositor: Moraes, J. Luiz de / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122855 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado único / Acervo Humberto Franceschi / Disco 78 rpm



Está na hora
Está na hora
Mulher danada
Bota este moço pra fora

Mulher danada
Vai procurar o que fazer
Que este moço já tem dono
Você não pode querer

Mulher danada
Tu pensas que sou arara
Quem amar sem ser amado
Não tem vergonha na cara

Mulher danada
Toma vergonha na cara
Se você não toma jeito
Dou-te uma surra de vara

Caneca de couro

Sinhô
Caneca de couro (maxixe/carnaval, 1925) - Sinhô - Disco 78 rpm - Fernando (Intérprete) - Coro (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 - Nº Álbum 122783 - Gênero musical: Maxixe


É moda agora
Quando ferram o namoro
Beberem água
Na tal caneca de couro (x2)

História antiga
Que está em moda
É raro aquele
Que não dá uma mão na roda (x2)

Quem prova e gosta
Fica louco e vira lobo
Fica maluco
E faz papel até de bobo (x2)

História antiga
Que está em moda
É raro aquele
Que não dá uma mão na roda (x2)

De cartola e bengalinha

Freire Júnior
De cartola e bengalinha (maxixe, 1925) - Freire Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: De cartola e bengalinha / Autoria: Freire Júnior (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 / Álbum 122732



Ela antigamente
Era tão sossegadinha
Hoje, ai minha gente
De cartola e bengalinha (x2)

refrão:

Isto não é sério
Isto assim não é decente
Foi-se embora, deu o fora
Sem dizer adeus à gente (x2)

Trança é desmazelo
Moça não se impressione
Corte o seu cabelo
Pela moda à la garçonne (x2)

Boca bem fechada
Olha a mosca varejeira
Eu não sou coalhada
Pra dormir na geladeira (x2)

Fubá

Romeu Silva
Fubá (maxixe, 1924) - Romeu Silva (sobre motivo popular) / Disco 76 rpm / Fernando (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Jazz Band Sul Americano (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 - Álbum 122761


Peguei no fubá
O fubá caiu
Tornei a pegá
O fubá fugiu

Peguei no fubá
O fubá caiu
Tornei a pegá
O fubá fugiu

Não sei o que diga
O que possa crer
É este fubá
Que nos faz sofrer

Não sei o que diga
O que possa crer
É este fubá
Que nos faz sofrer

Que bicho danado
Tão impertinente
Que faz remexer
O corpo da gente

Que bicho danado
Tão impertinente
Que faz remexer
O corpo da gente

Pai Adão

Eduardo Souto
Pai Adão (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto

O Pai Adão lá na sua inocência
Comeu maçã que comer não devia
E desta sua falada imprudência
Foi que nasceu toda a nossa alegria

Você, seu Pai Adão
Com seu capricho
Foi mesmo um bicho
Com parte de inocente
Pôs toda a culpa
Na pobre serpente

Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar
Ai como é bom viver
Só a cantar
E como Adão, pecar
Pecar, pecar
Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar

Não vale a pena
A vida maldizer
Quem tem
Tão pouco tempo
De prazer, prazer

O casaco da mulata

Bahiano
O casaco da mulata (samba/carnaval, 1924) - Careca - Intérpretes: Bahiano e Maria Marzullo - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 - Nº Álbum 122639 - Gênero musical: Samba


Ó mulata feiticeira
Seu perfume de alecrim
Que perfuma a terra inteira
Eu te quero só pra mim


Tu tens graça, tu encantas
A dor mal de um coração
Tu pareces quando canta
A juriti lá do sertão


"Vem cá mulata"

"Não vou lá não
Vou já vestir
O meu casaco à prestação"

A toada que inebria
Tuas formas nos faz mal
Tu és a nossa alegria
Ó mulata divinal

Ó mulata tem xodó
Tens um porte majestoso
Quero ser o teu coió
Toda vida e bem ditoso

Vem ouvir o meu cantar
Vem saber o meu amor
Ouve agora o verbo amar
Dos lábios do seu cantor

Nunca deixe de me ver
Nunca queira ser ingrata
No mundo não pode haver
Outra como tu, mulata

Não sei dizê

Eduardo Souto
Não sei dizê (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto / Bahiano (Intérprete) / Januário de Oliveira (Intérprete) / Disco 78 rpm Odeon, s/d / Gravação: 1924 / Álbum 122658 / Gênero: Marcha rancho



Não sei dizê quem é
O meu amor
Que passarinho mau
Fugiu, voou

Ai se eu pudesse
Ser passarinho
Pra seguir
No seu caminho
Não tinha agora
Que amargurar
E nem viver a penar
Viver sempre a chorar
Sempre a sofrer
Por teu amor
É dura sorte
É grande dor
Não sei, não sei que fiz
Pra andar no mundo
Assim sozinho
Sem carinho
Infeliz

Amar sem ter ao menos a doçura
De um olhar
É dura sorte, é desventura
Nem sei como findar
O meu viver,
Como acabar
Este meu sofrer

Miserê

Em Miserê, Freitinhas fez um jogo com a palavra miséria e a frase "Miserere nobis" (tende piedade de nós), entoada pelo padre na missa. Dá a entender que, ao pobre, resta crer em Deus e esperar Dele a piedade. Além disso, a canção faz menção a religiosidade plural do brasileiro que crê nas entidades de religiões diversas.

O sincretismo pode ser interpretado como uma consequência da miséria – embora, como é sabido, tenha origem muito antes, na mistura das culturas jesuíticas, indígenas e africanas. O carioca, ao se ver miserável, apela para todas as religiões (fonte: Crônicas musicadas de uma cidade - representações do Rio de Janeiro).  

Miserê (samba, 1924) - Freitinhas

O padre diz miserê
Meserere nobis
Miserê

Fui na igreja
E rezei com muita fé
No espiritismo
Eu acredito em Pai André

Na lei da Bíblia
Eu cantei com muita fé
Fui na macumba
Mas adotei o candomblé

Vida apertada

Vida apertada (marcha-batuque, 1923) - Sinhô

Sei que estou preso, preso
Não posso fugir
Vida apertada eu passo
E não posso mentir

Oh... Vem, oh vem
Oh... Vem, meu coração
Apagai o fogo desta
Rude voraz paixão

Não sei qual a razão
De eu viver assim
Neste martírio atroz
Que já não tem mais fim

Só teu amor

Eduardo Souto
Só teu amor (marcha-rancho, 1923) - Eduardo Souto - Interpretação: Bahiano - Disco Odeon, número 122334


Só teu amor me traz tanta alegria
E é toda a causa do meu viver
Só nele penso de noite e de dia
Porque só ele me dá prazer

Ai quem me dera viver assim
E no teu colo dormir, sonhar
Teu coração bem juntinho a mim
Contar segredos e palpitar

Que doce harmonia
Quanta alegria
Que paraíso
Traz o teu sorriso
Tanta ventura
Que me leva à loucura
Esse amor
Bendita esta calma
Que trago n'alma
Sempre contente
Pois só quem sente
Vive a sonhar
Vive a cantar
O seu amor

Mulheres raras e de mais fulgor
Não há no mundo, não pode haver
Não tem o encanto do teu casto amor
Porque só ele me dá prazer

Eu não lastimo viver na pobreza
E nem de glórias quero eu saber
O teu amor pra mim é riqueza
Porque só ele me dá prazer

Não olhe assim

Não olhe assim (marcha/carnaval, 1923) - Freire Júnior

Ó menina, venha cá
Ula lá, ula lá
Creia em mim e tenha fé
Ole lé, ole lé
Meu amor é para ti
Bem te vi, bem te vi
Não sou coió
Bem te vi só...

Não olhe assim
Que me maltrata
O teu xodó
Ai meu bem, meu coração,
É que me mata

Meu amor de quem será?
Ula lá, ula, lá
Quem quiser que bata o pé
Ole lé, ole lé
Eu nasci em Catumbi
Bem te vi, bem te vi
Espia só
Não sou caicó

Macumba Gegê

Sinhô
Macumba Gegê (samba/carnaval, 1923) - Sinhô - Intérprete: É Sim, Sinhô (Lira Carioca ) 1999



Tás falando de mim
Eu não ligo não
É a mágoa que tens
No teu coração (x2)

Ê Gegê
Meu encanto
Eu tinha medo
Se não tivesse bom santo (x2)

A inveja é um fato
Que nunca tem fim
Podes vir de feitiço
Pra cima de mim (x2)

Ê Gegê
Meu encanto
Eu tinha medo
Se não tivesse bom santo (x2)

Macaco olha o teu rabo

Bahiano
Macaco olha o teu rabo (samba, 1923) - Francisco A. Santos - Interpretação: Bahiano - Disco 76 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 - Nº Álbum 122347 - Gênero musical: Samba carnavalesco



Eu sou filho de baiana
Fui criado no samba
Meu pai é o candomblé
Minha tia é a moamba

Fala meu louro
Emissário do diabo
Deixa a vida alheia
Macaco, olha teu rabo (x2)


Conheça, cabra, conheça
Vai encher primeiro o taco
A muito ando no samba
Olha teu rabo macaco (x2)

Quem tem telhado de vidro
Anda muito direitinho
No samba o macaco
Deixa o rabo do vizinho

O sol nasce pra todos
A sombra pra quem merece
Olha o teu rabo, macaco
Dia a dia ele cresce

Goiabada

Eduardo Souto
Goiabada (marcha/carnaval, 1923) - Eduardo Souto / Intérprete: Bahiano / Disco 76 rpm / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 / Nº Álbum 122332 / Gênero musical: Marcha carnavalesca


Não há mais goiabada
Que seja boa para se comer
Ficou tão estragada
Que o português já não quer vender
Seu aquele
Pra que tanto estrilo
Foi você
Quem fez tudo aquilo

Meu benzinho
Caladinho escuta
A goiaba
Nunca foi boa fruta


Não há como o bom queijo
Que não puderam falsificar
Então com bom café
Ai que delícia! Que paladar!

O arroz de Pendotiba
Nunca chegou aqui ao mercado
Nem mesmo lá em riba
O tal arroz nunca foi achado

O queijo finalmente
Sempre foi bom, nunca foi bichado
E isso toda a gente
Já sabe bem, pois ficou aprovado

Cabeça inchada

Sinhô
Cabeça inchada (marcha, 1923) - Sinhô - Interpretação: Bahiano


Muito te enganas
Dê no que der
Eu sou de quem eu quero
E não de quem me quer

É esta dor
Que se parece
Com a dor que a própria dor
Desconhece

A flor mais bela
É o malmequer
Eu sou de quem eu quero
E não de quem me quer

Sete Coroas

Sinhô
Sete Coroas (samba, 1922) - Sinhô - Intérprete: Lira Carioca (É Sim, Sinhô - vol.II)



De noite escura
Iaiá acende a vela
Sete Coroas
Bam-bam-bam da Favela (x2)

O homenzinho
É perigoso
Sete Coroas
Nasceu no Barroso (x2)

De noite escura
Iaiá acende a vela
Sete Coroas
Bam-bam-bam da Favela (x2)

Não se incomode
Seu inspetor
Que eu sozinho
Prendo o malfeitor (x2)

O homenzinho
É perigoso
Sete Coroas
Nasceu no Barroso (x2)

De noite escura
Iaiá acende a vela
Sete Coroas
Bam-bam-bam da Favela (x2)

Fala baixo

A rivalidade entre Sinhô e Caninha, durante as festas da Penha, ganhou popularidade em 1921, quando o dono de laboratório farmacêutico, Dr. Eduardo França, fabricante do produto "Lugolina", instituiu um concurso de músicas para carnaval de 1922.

Já essa época, tanto Caninha quanto Sinhô haviam adotado expediente de "trabalhar" suas músicas (como hoje se diz) através de grupos de músicos, que só tocavam as suas produções. Nesse ano de 1921, José Barbosa da Silva apareceu na Penha liderando um conjunto intitulado "Fala Baixo", nome da marcha em que satirizava o meio terrorismo do governo Artur Bernardes, transcorrido quase todo em regime de estado de sítio. Caninha, que só dispunha de cavaquinhos e violões para acompanhá-lo, com evidente desvantagem face ao conjunto de trombone, pistom, contrabaixo, flauta, violões cavaquinhos patrocinado por Sinhô, rasgou algumas folhas de jornais, fez um chapéu de papel para cada um de seus músicos, apresentou-se com sua marcha ragtime "Me sinto mal", que começava:

"Ai, ai
Me sinto mal
Depois do carnaval.

Quando chega o carnaval
Ninguém lembra da carestia
Vamos todos para Avenida
caímos na Folia.

"Tem gente que cai na farra
Na véspera do carnaval
Na quarta-feira de cinza
Sempre diz: me sinto mal"

O júri do concurso, movido talvez pela sugestão da letra da marcha de Caninha — posto que o patrocinador do concurso era fabricante de remédios — daria vitória a José Luiz de Moraes, para profundo despeito do outro José, o José Barbosa da Silva. Segundo o testemunho de contemporâneos, Caninha ganhou como prêmio uma taça de prata, enquanto Sinhô recebeu uma cesta de flores, a título evidente de consolação. Na hora da entrega dos prêmios Sinhô não se deu por achado, mas quando chegou à estação para tomar o trem de volta à cidade, amassou furiosamente a cesta de flores com os pés, chutando-a para longe. E o mais curioso foi que, quando chegou o carnaval de 1922 o derrotado Sinhô acabaria abafando Caninha não apenas com o sucesso da marcha "Fala Baixo", também conhecida por "Não é Assim", mas com a vitória de mais três outras músicas: "Sete Coroas", "Pé de Pilão" e a famosa marcha "Sai da Raia".

Da polêmica com Caninha, na festa da Penha de outubro de 1921, restaria para Sinhô a ameaça de represália policial pela ironia do "Fala Baixo" (o compositor teve que refugiar-se uns tempos na casa de sua mãe, no Engenho de Dentro), e o crescimento da sua popularidade desde logo expressa na quadrinha do cronista Carlos Bittencourt, o "Assombro", publicaria em 1922 no jornal O Paiz, ligando definitivamente seu nome ao de seu grande rival:

"São dois cabras perigosos,
Dois diabos internais,
José Barbosa da Silva
José Luís de Moraes".

Fala baixo (marcha/carnaval, 1922) - Sinhô / Intérprete: Banda da Fábrica Popular / Compositor: Sinhô / Gravadora Popular / Número do Álbum 1022 / Data de Gravação 1919-1921 / Data de Lançamento 1919-1921 / Lado único / Acervo Humberto Franceschi / Disco 78 rpm:


Quero te ouvir cantar
Vem cá, rolinha, vem cá
Vem para nos salvar
Vem cá, rolinha, vem cá (x2)

Não é assim
Não é assim
Não é assim
Que se maltrata uma mulher (x2)

És a minha paixão
Vem cá, rolinha, vem cá
És o meu coração
Vem cá, rolinha, vem cá (x2)



Fonte: Compositores/cantores — Correio da Manhã, de 23/10/1966.

Sai da raia

Sinhô
Sai da raia (marcha/carnaval, 1922) - Sinhô

Título da música: Sai da raia / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Bahiano / Compositor: Sinhô / Acompanhamento: Coro / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122492 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado indefinido / Acervo José Ramos Tinhorão / Rotações Disco 76 rpm


Sou feliz e bem feliz
Por não pensar em te querer
Nesta vida agoniada
Não posso mais viver

Meu bem não chora
Arruma a trouxa
Diga adeus e vá-se embora
(x2)

Diga adeus e vá-se embora
Nunca mais pense em voltar
Pois estou cansado
E já não posso te aturar

Meu bem não chora
Arruma a trouxa
Diga adeus e vá-se embora
(x2)

Eu só quero é beliscá

Eduardo Souto
Eu só quero é beliscá (marcha/carnaval, 1922) - Eduardo Souto / Disco 76 rpm / Título da música: Eu só quero é beliscar / Gênero musical: Cateretê carnavalesco / Intérprete: Bahiano / Compositor: Souto, Eduardo / Acompanhamento: Coro / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122127 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado indefinido


Ó Sá dona, não se zangue
Vancê pode assossegá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Ai, ai, ai
Com licença de Sinhá
Ai, ai, ai
Eu só quero é beliscá

Seu doutô, seu delegado
Dá licença pra passá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Me dissero que a puliça
Deixa a gente pandegá
Eu inté nem faço nada
Eu só quero é beliscá

Coração divinal

Coração divinal (marcha-rancho, 1922) - J. Resende

Nós queremos conquistar
Da mulher o coração divinal
Nós queremos da mulher
O terno amor
E um olhar de piedade
Angelical

Nós queremos conquistar
Da mulher o coração divinal
Nós queremos esse arcanjo
Eternal
Lá de um céu divinal

Ai! Ai!
Não me maltrate
Ai! Ai!
Não faça assim
Somos meigas e formosas
Como as rosas
Lá do teu jardim
Do teu jardim

Alvinitente

Romeu Silva
Alvinitente (marcha-rancho, 1922) - Romeu Silva e D. Paulo

Alvinitente sempre a brilhar
De formosura alegre a primor
Esta florzinha meiga sem par
Com primazia vos vem saudar

A sua alvura é de encantar
Cândida e pura como luar
Vem arrogante ó meiga flor
Vem mostrando os predicados do amor

Assensar perfumar
Num gozo sem par
Desprendendo odor
Sempre o Lírio sorridente
Alegre contente
Muito altivo do amor

Sá Miquelina

Sá Miquelina (samba/carnaval, 1921) - Antônio Rodrigues de Jesus e Junquilho Lourival

Título da música: Sá Miquelina / Gênero: Choro / Intérpretes: Grupo do Louro / Compositor: Jesus, A. R. de / Gravadora Odeon / Álbum 4018 / Gravação 1911-1921 / Lançamento 1911-1921 / Lado indefinido / Disco 76 rpm


Ai Miquelina meu bem
Leva essa roupa depois vem

Há muito tempo que eu ando
Com a roupa esburacada
Miquelina na folia
Não cose a roupa nem nada.

Miquelina andava triste
Andava mesmo doente
Carnaval bateu na porta
Miquelina está contente.

Miquelina fica doida
Quando está na brincadeira
E mesmo depois do samba
Sai tocando o Zé Pereira.

Pemberê

Eduardo Souto
Pemberê (chula à moda baiana, 1921) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro

Título da música: Pemberê / Gênero musical: Chula baiana / Intérpretes: Grupo do Moringa / Compositor: Souto, Eduardo / Gravadora Odeon / Número do Álbum 121989 / Data de Gravação 1915-1921 / Data de Lançamento 1915-1921 / Lado indefinido / Acervo José Ramos Tinhorão / Rotações Disco 76 rpm:



Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Menina que namora qué casá
Criança que chora qué mamá

Pemberê / Pemberá
Galinha no ninho que não botá
É logo agarrada pra ir chocá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
A noite bonita que é de luá
Foi feita pra gente mais se gostá

Pemberê
Perna de fora é o que mais se vê, meu bem
Pemberá
Guarde essa perna se qué casá, Iaiá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Muié deste tempo véve a mostrá
O que era pecado só maginá

Ai amor

Bahiano
Ai amor (marcha/carnaval, 1921) - Freire Júnior - Intérprete: Bahiano



Almofadinha
Gente pronta sem vintém
Anda chique bem na linha
Não diz donde o cobre vem

É arrojado
Só tem lábias
E cantigas
Sem vergonha, malcriado
Não respeita as raparigas

Ai amor
Ai ó flor
Não me faças sofrer assim
Este mal que não tem mais fim

Melindrosinha
Moça chique e vaporosa
Elegante e bonitinha
Perfumada como a rosa

Namoradeira
Com vontade de casar
Os botões de laranjeira
Nos dão muito que pensar

Moço bonito
É rapaz descolocado
Que por processo esquisito
Anda chique e perfumado

Este tratante
Dó, ré, mi sabe tocar
Intitula-se estudante
Para as moças embrulhar

Vou me benzer

Sinhô
Vou me benzer (samba, 1920) - Sinhô - Intérprete: Lira Carioca (É Sim, Sinhô - vol.II)



Há criaturas que vivem
Porém com tal influência
Que parece ser por elas
Que a gente tem existência.

Vou me benzer
Para me livrar
Desses maus olhos
Que querem me botar.


Entreguei o meu destino
À divina providência
Ela faça o que quiser
Da minha pobre existência

Vou me benzer
Para me livrar
Desses maus olhos
Que querem me botar.

Quem vem atrás fecha a porta

Caninha
Quem vem atrás fecha a porta (Me leve, me leve, seu Rafael) (samba/carnaval, 1920) - Caninha - Intérprete: Bahiano



Me leve, me leve / Seu Rafael
Me leve, me leve / Lá pro Pará


Quero que Iaiá me leve / Lá na beira do caminho
Tem paciência Iaiá / Me leve devagarinho


Eu chegando na Bahia / Fiquei perdido de amor
Por ver tanta baianinha / Da terra de São Salvador

Na Bahia diz que tem / Bicho que mata rapaz
Bicho de barriga lisa / Laço de fita pra trás


Na Bahia tem mulata / De rico balangandã
A mulata da Bahia / É mesmo de bam-bam-bam

Oh! Meu Senhor do Bonfim / Nossa Senhora da Guia
Não há mulata que chegue / À mulata da Bahia

Pois não

Eduardo Souto
Pois não (marcha/carnaval, 1920) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro

Título da música: Pois não / Gênero musical: Samba carnavalesco / Intérprete: Grupo do Moringa / Compositor: Souto, Eduardo / Gravadora Odeon / Número do Álbum 121991 / Data de Gravação 1915-1921 / Data de Lançamento 1915-1921 / Lado indefinido / Acervo José Ramos Tinhorão / Rotações Disco 76 rpm:


Levanta o pé / Esconde a mão
Eu quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Meu alecrim / Manjericão
Eu quero ver se tu não gostas não

Ó querubim / Ó tentação
Eu vou ver só se tu gostas de mim
Ou não

Perco o latim / Perco a razão
Porque não sei se tu não gostas não

O amor sem ser leal / Traz sedução
No carnaval / Pois não

E pode ser fatal / Ao coração
No carnaval / Pois não

É bem que nos faz mal / É tentação
Do carnaval / Pois não

Fiquei preso afinal / Por cavação
Do carnaval / Dar-te aqui vim
Um beliscão

Só quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Picou? Doeu? / Ó coração
Não é por mal, meu anjo
Não é não

Chegado o fim / Desta paixão
Não mais terei dos lábios teus o sim
Ou não?

Melindrosinha / Almofadão
Eu sou teu mas tu minha
Não és não