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Verão do Havaí

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Verão do Havaí (marcha/carnaval, 1944) - Benedito Lacerda e Haroldo Lobo
Francisco Alves e
Dalva de Oliveira

O verão lá do Havaí
Queima, queima, queima, como o quê
Mas as morenas cor da lua, da lua
Queimam muito mais que o sol
E é tão lindo o santo do Havaí

As mil e uma noites do Havaí

Eu vi
Tudo é perfume, sonho
Tudo é flor
A gente as vezes espera
Cinco, sete ou oito luas
Para ver o nosso amor

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Sabiá de Mangueira

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Sabiá de Mangueira (samba, 1944) - Benedito Lacerda e Eratóstenes Frazão

Desde o dia em que me despedi de Mangueira
Nunca mais eu vi o povo de lá
Nunca mais cantei, nunca mais sambei
Nunca mais escutei, o canto do meu sabiá.

Meu sabiá, cantava noite e dia
Cantava noite e dia sem parar
Constituía minha alegria
Que o luxo da cidade quer roubar
Aquele sabiá foi quem me deu inspiração
Pra fazer o meu primeiro samba-canção.

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Primeira mulher

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Primeira mulher (samba, 1944) - Kid Pepe e Téo Magalhães
Nelson Gonçalves

Você foi a primeira mulher
Que eu amei, foi você
Você foi a primeira mulher
Que eu beijei, pode crer
Mulher igual a você
Jamais encontrarei
Se você me deixar
Sou capaz de chorar
Sou capaz de morrer.

A minha felicidade
É estar sempre ao seu lado
Sem você neste mundo
Serei um condenado
Quero ve-la sorrindo
Alegre, sempre a cantar
E a noite, a Deus pedindo
Pra abençoar, nosso lar!

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Pretinho

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Pretinho (samba, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui
Isaura Garcia

Pretinho não é gente
Vergonha da raça da gente de cor
E acha que a vida é um brinquedo
E usa no dedo um anel de doutor

Seu passo tem ginga de bamba
Na roda do samba
Tem fã pra xuxu
Nasceu lá no Largo do Estácio
É fã do pedaço
Não perde um Fla x Flu

Deixa essa gente andar falando
Você tem ponto de vista
Você tem opinião
Canta Pretinho, só mesmo cantando
Você desabafa e pra seu coração

Pretinho, farrapo de gente...

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Odete

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Odete (samba/carnaval, 1944) - Herivelto Martins e Dunga
Francisco Alves

Odete!
Odete ouve o meu lamento
Lamento de um coração magoado
Atende ao teu pobre seresteiro
Vem de novo pro terreiro
Se juntar a sua gente
Não ouve o teu coração que ele mente

Não ouve o teu coração que ele mente
(Odete!)

Lá no morro da mangueira
Quando sol vai se escondendo
As cabrochas vão saindo
Procurando a batucada
Quando a noite vem chegando
E a lua vem surgindo
Há tanta gente que sobe
Só você não vem subindo, Odete...


Olha que o primeiro ensaio
É no dia 27!
Olha que o primeiro ensaio
É no dia 27!
Odete!

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Iracema

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Iracema (samba, 1944) - Raul Marques e Otolindo Lopes
Jorge Veiga

Ó Iracema,
Logo vamos ao cinema.
Por sua causa,
Hoje não fui trabalhar.
Não me dê o bolo!
Ó Iracema,
Você é o meu consolo!

Estamos combinados,
Logo mais vou lhe esperar
Naquele ponto de bonde
Lá na Praça Mauá.

Não quero perder
A primeira sessão.
Vamos ver aquele filme,
"Sempre no Meu Coração".
Ai, que bom! Ai!

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Gira, gira, gira

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Gira, gira, gira (valsa, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui
Carlos Galhardo

Foste embora, me deixaste
Nem sequer tua ausência senti
Não chorei, nem choraste
Tu não sofres e eu pouco sofri
Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar

Tantas voltas deu o mundo

Que eu cansei de tanto amar
( bis )

Nosso amor foi tão breve
Passageira, foi nossa ilusão
Não ficou, nem de leve
A saudade no meu coração

Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar

Tantas voltas deu o mundo
Que eu cansei de tanto amar
(bis)

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Eu brinco

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Eu brinco (marcha/carnaval, 1944) - Pedro Caetano e Claudionor Cruz
Francisco Alves

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh, eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro
Eh eh eh eh eu brinco

No céu a lua caminha
Tão triste sozinha
Pra não ser triste também
com pandeiro ou sem pandeiro
meu amor, eu brinco

Com pandeiro ou sem pandeiro
Eh eh eh eh eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro
Eh eh eh eh eu brinco

Tudo se acaba na vida
Morena querida
Se o meu dinheiro acabar
Com dinheiro ou sem dinheiro
Meu amor, eu brinco

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Cecília

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Cecília (marcha/carnaval, 1944) - Roberto Martins e Mário Rossi
Gilberto Alves

Pra mostrar que braço é braço
Eu conquistei Cecília
Enfrentei balas de aço
Mas conquistei Cecília

(bis)

Ai, ai, Cecília
Ai, ai, Cecília
Eu não sei amar a mais ninguém
E tu sabes que eu te quero meu bem
Ai, ai, Cecília
Ai, ai, Cecília
Vem comigo e tu serás feliz
Ai, ai, Cecília.

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Soldados brasileiros da FEB desembarcam na Itália
em 1944 (Imagem:Arquivo Histórico do Exército)

A canção do Expedicionário tem versões mais extensas, mas a gravação de Francisco Alves, que traz apenas a metade dos versos originais do poeta Guilherme de Almeida, foi a que ficou mais popular.

Canção do Expedicionário (marcha, 1944) - Spartaco Rossi e Guilherme de Almeida
Francisco Alves

Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do Engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.

Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.


Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão,
Braços mornos de Moema,
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim.
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!

Por mais terras que eu percorra..

Você sabe de onde eu venho?
E de uma Pátria que eu tenho
No bôjo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreiro,
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacaranda,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,
Onde canta o sabiá.

Por mais terras que eu percorra...

Venho do além desse monte
Que ainda azula o horizonte,
Onde o nosso amor nasceu;
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,
Do mais dourado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham deslumbradas,
Fazendo o sinal da Cruz !

Por mais terras que eu percorra...

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Cochichando

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Cochichando (choro, 1944) - Pixinguinha , João de Barro e Alberto Ribeiro
Déo

Murmurando, cochichando
Vive sempre a falar mal de mim
Sem querer perceber que afinal eu não sou

Eu não sou mal assim

Murmurando cochichando
Quem te ouvir de pensar é capaz
Que o nosso amor já não tem calor

E que não somos felizes demais

Eu sou teu e tu és só minha
Quem nos conhecer inveja sentirá de nosso amor
Porém sempre a brigar

E a duvidar de um bem querer
Transformar sempre em aflição
O que só deve ser prazer

Por que será que eis tão má assim

Se o nosso amor não pode ter fim
Eu acho bom deixar este cochicho

Pois sei que é capricho e que gostas só de mim.

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Clube dos barrigudos

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Clube dos barrigudos (marcha/carnaval, 1944) - Haroldo Lobo e Cristóvão de Alencar
Linda Batista

Você já viu barrigudo dançar?
Não?
Quá, quá, quá, quá, quá...
Quando ele dança, ui,

Sacode a pança, ui,
Quá, quá, quá, quá, quá...

No clube dos barrigudos

Só há baile uma vez por ano
Não dança samba, não

Não dança rumba, não
Só dança valsa lenta para piano.

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Bom dia Avenida

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Bom-dia Avenida (samba/carnaval, 1944) - Herivelto Martins e Grande Otelo
Trio de Ouro

Lá vem a nova avenida
Remodelando a cidade
Rompendo prédios e ruas
Os nossos patrimônios da saudade
É o progresso!
E o progresso é natural
Lá vem a nova avenida
Dizer à sua rival:
Bom dia Avenida Central!

A União das Escolas de Samba
Respeitosamente faz o seu apelo
Três e duzentos de selo
Requereu e quer saber
Se quem viu a Praça Onze acabar
Tem direito à Avenida
Em primeiro lugar
Nem que seja depois de inaugurar
Nem que seja depois de inaugurar!

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Algodão

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Algodão (samba, 1944) - Custódio Mesquita e David Nasser
Sílvio Caldas

Nego não cantava não
Canto de nego é mandinga
Nego não chorava não
Choro de nego é suor
Nego não rezava não
Reza de nego é função
Nego não amava não
Amor de nego é perdição

Que é que nego fazia?
Tirava da terra fria
Dia e noite, noite e dia
Algodão, mais algodão

Ai, sai o branco
De onde vem os agasalho
Pra frieza dos reumatismo
Pras manias da Sinhá
De onde vem os lenço branco
Pra Sinhá moça chorá
De onde vem os pano preto
Pro Sinhô véio morrê
E os pano das bandeira
Pros sordado guerreá
De onde vem as renda branca
Pra fazê os enchová

Nego véio trabaiô
Dia e noite, noite e dia
Tirando da terra fria
Algodão mais algodão
Pra Nhô branco sê dotô

"E você, Preto Velho,
O que foi que ganhou?"

Eu consegui essa cabeça branca
Branca como o algodão
Que Preto véio prantô.

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Acontece que eu sou baiano (samba, 1944) - Dorival Caymmi
Anjos do Inferno

Acontece que eu sou baiano
Acontece que ela não é
Mas tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
Meu Senhor São José
Tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
E ninguém sabe o que é

Há tanta mulher no mundo
Só não casa quem não quer
Porque é que eu vim de longe
Pra gostar dessa mulher?

Essa que tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
Meu Senhor São José
Essa que tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
E ninguém sabe o que é!

Já plantei na minha porta
Um pézinho de guiné
Já chamei um pai-de-santo
Pra benzê essa mulher!

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Trem de ferro (Trenzinho) (marcha, 1943) - Lauro Maia
Quatro Ases e um Coringa

O trem blim blão, blim blão
Vai saindo da estação
E eu deixo o meu coração
Com pouco mais,
Com pouco mais, com pouco mais
Lá na gare o meu bem
Acenando com o lenço
Bandeira da saudade
Muito além.

Acelera a marcha
O trem pelo sertão
Eu só levo saudade
No meu coração
Lá na curva o trem apita
Desce a serra
A saudade me aumenta
Uma coisa me atormenta
Vem falar do meu amor...

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Transformação

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Transformação (samba, 1943) - Herivelto Martins
Francisco Alves

Ela vive hoje em dia tão distante
Os seus olhos já não brilham como antes
Sua vida transformou-se de repente
Enfim, tudo nela é diferente.

Ela era toda feita de carinho
Ela era a inconsciência do pecado
Mas depois se transformou, que triste fim
Como foi que esta mulher mudou assim?

Sua boca era cheia de carinho
Os seus olhos duas lágrimas brilhantes
Sua vida, ela vivia só pra mim
Como foi que esta mulher mudou assim?

Ela vive hoje em dia tão descrente
Os seus olhos já não brilham como antes
Sua vida transformou-se de repente
Enfim, tudo nela é diferente.

Sua boca era cheia de carinho
Os seus olhos duas lágrimas brilhantes
Sua vida, ela vivia só pra mim
Como foi que esta mulher mudou assim?

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Se é pecado

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Se é pecado (samba, 1943) - Herivelto Martins
Francisco Alves

Se é pecado beijar
Eu a beijei
Se é pecado amar
Também amei
E ninguém sabe, talvez
O grande mal que me fez
Se é pecado esquecer
Não a esquecerei.

Não a beijei de propósito
O meu pecado não foi maldade
Foram meus lábios maldosos
Que nos seus lábios pousaram
Foram seu olhos teimosos
Que me enfeitiçaram!

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Roberta

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Roberta (marcha/carnaval, 1943) - Roberto Martins , Roberto Roberti e Mário Rossi
Anjos do Inferno

Alô, alô, Roberta
Perdi a chave, deixa a porta aberta
Alô, alô, Roberta
Perdi a chave, deixa a porta aberta

Não vá fazer como da vez passada
Telefonei, e não valeu de nada
Eu hoje vou chegar
Cansado do serão
Guarda pra mim
Uns pastéis de camarão.
(Que bom!)

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Resignação

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Resignação (samba, 1943) - Geraldo Pereira e Arno Provenzano
Odete Amaral

Quem é que lava a roupa
Pra você dançar?
Quem é que não marca hora
Para você chegar?
Quem é que sofre com resignação
Quando você traz a gola do terno
Suja de batom?

Mas ontem você faltou
Com o respeito para mim
Trazendo o lenço manchado de carmim.

Não vá dizer que a dama
Dançou em seu bolso
Pois não é possível
Nem tampouco
O meu rosto você limpou
É preciso mudar de pensar
Porque a minha paciência
Pode se esgotar...

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Que é, que é?

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Que é, que é? (samba-choro, 1943) - Bororó e Evrágio Lopes
Sílvio Caldas

O que é? O que é?
Adivinhe meu amor
Trabalha como um relógio
Não tem corda nem motor
Marca as horas de ventura
Marca as horas de amargor
Não há dinheiro que pague
Nem se bota em penhor

Muito embora não se esconda
Não se mostra à ninguém
Não se empresta, não se vende
Dá-se quando se quer bem
Vem conosco de nascença
Morre conosco também
Todo mundo tem no peito
Só você é que não tem
(o que é? o que é?)

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Noutros tempos era eu

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Noutros tempos era eu (samba, 1943) - Ataulfo Alves
Orlando Silva

Noutros tempos era eu
Seu amor constante
Seu poeta, seu cantor
Seu Romeu, tudo enfim
Era eu

Hoje em dia só me resta
Fantasia desse amor
Mas ainda guardo
Como algo de divino
Seu retrato pequenino
Junto ao meu leito de dor.

Choro sim
Choro sim, por meu amor
Pouco me interessa
Se alguém ri da minha dor
Sou sincero, em amor não sei mentir
Eu sou diferente, dessa gente
Que não cansa de fingir

Violão que acompanha o pranto meu
Sabe o que eu sinto por alguém que me esqueceu
Violão amigo, sempre a me consolar
Sei que aquela ingrata
Muito breve, há de voltar.

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Noite de lua

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Noite de lua (fox, 1943) - Antônio Almeida
Nelson Gonçalves

Quando faz noite de lua
E os casais enamorados
Vão passando em plena rua a jurar
Lindas juras de amor sem par
Eu sozinho pelas ruas
Qual louco de ansiedade
Vou lembrando nosso amor que acabou
E deixou-me esta cruel saudade
( que saudade meu amor )

Vem, vem novamente
Me fazer feliz
Vem aprender esta canção
Que eu fiz
Inspirado em teu olhar
(teu olhar, cor do mar)
Vem e saberás
Como eu te quero, ó flor
Ó vem depressa
Que eu te quero amar
Para de novo te beijar

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Ninotchka

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Ninotchka (valsa, 1943) - Georges Moran e Cristóvão de Alencar
Sílvio Caldas

Naquela tarde sombria eu te vi,
E nem sei o que senti,
Naquela tarde sem me aperceber,
Eu comecei a sofrer.

Ninotchka, Ninotchka,
A minha vida era tão calma,
Sem o teu olhar,
Ninotchka, Ninotchka,
Agora vivo alucinado a te adorar.

Abre teus braços por deus eu te peço,
Me deixa entrar no teu peito, amor,
Ninotchka, Ninotchka,
Pelos teus olhos, pelos teus beijos,
Eu morro de dor.

Abre teus braços por deus eu te peço,
Me deixa entrar no teu peito, amor,
Ninotchka, Ninotchka,
Pelos teus olhos, pelos teus beijos,
Eu morro de dor....

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Não troquemos de mal

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Não troquemos de mal (fox, 1943) - Rubens Leal Brito e Jorge Faraj
Newton Teixeira

Não devemos ocultar
Nosso grande amor chegou ao fim
Nada sou agora ao teu olhar
Nada agora és para mim.

Mas não pode o nosso amor
Terminar de um modo tão banal
Terminemos, sim, mas por favor
Não troquemos de mal.

Não sei bem se voltarás
Se voltarei não sei também
Nosso amor é bem capaz
De nos fazer trocar de bem

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Marilena

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Marilena (fox, 1943) - Geraldo Mendonça
Francisco Alves

Vem cantar comigo esta canção
Marilena
Vem sentir pulsar meu coração
Marilena
Tens um sorriso que enfeita
Teu rosto de criança
Brincas contente e feliz
E nunca te cansas.

Vem, no coração desta canção
Marilena
Vem, na mais sincera afeição
Marilena
Quando eu for velho e sentir
Que está chegando o fim
Canta a canção
Ó, Marilena
Pensando em mim

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Lá em Mangueira

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Lá em Mangueira (samba/carnaval, 1943) - Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres

Lá em Mangueira
Aprendi a sapatear
Lá em mangueira
É que o samba tem seu lugar
Foi lá no morro
Um luar e um barracão
Lá eu gostei de alguém
Que me tratou bem
Eu dei meu coração.

No morro a gente
Leva a vida que quer
No morro a gente
Gosta de uma mulher
E quando a gente
Deixa o morro e vai embora
Quase sempre chora,
Chora, chora, chora....

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Lealdade

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Lealdade (samba/carnaval, 1943) - Wilson Batista e Haroldo Lobo
Orlando Silva

Serei, serei leal contigo
Quando eu cansar dos teus beijos, te digo
E tu também liberdade terás
Pra quando quiseres bater a porta
Sem olhar pra trás

Se o teu corpo cansar dos meus braços
Se o teu ouvido cansar da minha voz
Quando os teus olhos cansarem dos meus olhos
Não é preciso haver falsidade entre nós

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Cinco horas da manhã

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Cinco horas da manhã (samba/carnaval, 1943) - Ary Barroso
Anjos do Inferno

São cinco horas da manhã
O sol já vem raiando
Maria tá em casa me esperando
Eu vou-me embora
É hora do corpo descansar
Sou boêmio,
Mas não quero me acabar


Maria, minha boa companheira
Não dorme enquanto eu não chego
Sou boêmio
E Maria reconhece
Por isso não me aborrece
É hora
Vou-me embora

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Beija-me

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Beija-me (samba, 1943) - Roberto Martins e Mário Rossi
Ciro Monteiro

Beija-me, deixa o teu rosto
Coladinho ao meu
Beija-me, eu dou a vida
Pelo beijo teu
Beija-me, quero sentir o teu perfume
Beija-me com todo o teu amor
Se não eu morro de ciúme.

Ai, ai, ai, que coisa boa
O beijinho do meu bem
Dito assim, parece atoa
O feitiço que ele tem.

Ai, ai, ai, que coisa boa
Que gostinho divinal
Quando eu ponho a minha boca
Nos teus lábios de coral.

Beija-me, beija-me, beija-me...

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Aperto de mão

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Aperto de mão (samba, 1943) - Horondino Silva, Jaime Florence e Augusto Mesquita
Isaura Garcia

Aquele aperto de mão
Não foi adeus
A nossa separação não convenceu
Sim, seja tudo pelo amor de Deus
Você quer voltar
Eu gostei porque
Já estava louca pra ver você


Sei que vão falar mal
Por eu não cumprir uma jura que fiz
Antes de partir
Nessa história de amor
Todos são iguais
Até rei, volta a sua palavra atrás
Confesso que não podia mais.

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Adolfito Mata-Mouros

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Orlando Silva
As referências a touros, toureiros e bandarilhas lembram o papel desempenhado pelas tropas e pela aviação de Hitler na luta contra a República durante a Guerra Civil Espanhola. Mas agora ele teria se metido com um inimigo bem mais indigesto: o touro de uma certa ilha (John Bull, um dos símbolos do Império Britânico). A marchinha aposta que ele será soprado pelas gaitas de foles (outro símbolo britânico) para bem longe.

Adolfito Mata-Mouros (marcha/carnaval, 1943) - João de Barro e Alberto Ribeiro

A los toros,
A los toros,
A los toros, Adolfito mata-mouros
(bis)

Adolfito bigodinho era um toureiro
Que dizia que vencia o mundo inteiro
E num touro que morava em certa ilha
Quis espetar sua bandarilha.

Mas o touro não gostou da patuscada
Pregou-lhe uma chifrada.
Tadinho do rapaz!
E agora o Adolfito, caracoles,
Soprado pelos foles,
Perdeu o seu cartaz.


Fontes: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política e Músicas sobre a FEB

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A vida em quatro tempos

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A vida em quatro tempos (samba, 1943) - Paulo Orlando e Custódio Mesquita
Sílvio Caldas

Namorados numa rua
Sozinhos pela calçada
No céu, estrelas a lua
Na terra nós dois, mais nada.

Noivos em casa, anoitece
Beijos, abraços, ninguém
Voa o tempo e a gente esquece
O tempo que o tempo tem.

Casados. Igreja, abraços
Papai, Mamãe, despedida
Enfim sós, mil embaraços
Parou de repente a vida.

Depois a realidade
O tempo a correr... bebês...
Dez anos depois, nós dois
Não somos dois, somos dez !

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A saudade é um compasso demais (valsa, 1943) - Roberto Martins e Mário Rossi
Nelson Gonçalves

Valsa da vida
Melodia de raro esplendor
Baile de sonhos
Na divina mentira do amor

O teu encanto
Sempre diz, nos acordes finais
Dança que a vida é uma valsa
E a saudade, é um compasso demais.

Vivo a chamar um coração
Para pulsar bem pertinho do meu
E consolar a solidão
Do triste sonho, que a sorte me deu

Se este amor, encantador
Não escutar os meus ais
Repetirei que a vida é uma valsa
E a saudade, um compasso demais.

E o sol que aparece
Me surpreende
Por teu amor
A suspirar.

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A dama de vermelho

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A dama de vermelho (valsa, 1943) - Alcir Pires Vermelho e Pedro Caetano
Francisco Alves

Sob a mesma solidão
Que ontem, meu coração
Viveu, sofreu, quase morreu
No inferno da recordação
No inferno de uma saudade
Da noite da felicidade
Noite que o enganou
Depois, passou
Sinto-o hoje a perguntar
Porque insisto em procurar
A dama que me fez vibrar
Pelo salão
Esta dama que eu amei
Num vestido de tão viva cor
Que no fim vestiu
A minha vida de dor

(coro)

Dança no ar
A ilusão que eu sentia
No teu beijo, mulher fantasia
Vai, sai, some de mim,
Não me torture assim, ilusão
Faz a lua dormir
Manda o sol despertar
Deixa meu coração descansar !

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Vatapá

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Vatapá (samba, 1942) - Dorival Caymmi
Anjos do Inferno

Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
Procure uma nêga baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar

Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nêga ô
Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
Que bom vatapá

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Teleco-teco

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Teleco-teco (samba, 1942) - Murilo Caldas e Marino Pinto
Isaura Garcia

Teleco-teco teco-teco teco-teco
Ele chegou de madrugada batendo tamborim
Teleco-teco teco teleco-teco
Cantando “Praça Onze”,
dizendo “foi pra mim”
Teleco-teco teco-teco teco-teco
Eu estava zangada e muito chorei
Passei a noite inteira acordada
E a minha bronquite assim comecei

“Você não se dá o respeito
Assim desse jeito, isso acaba mal
Voce é um homem casado
Não tem o direito de fazer carnaval”
Ele abaixou a cabeça, deu uma desculpa e eu protestei
Ele arranjou um jeitinho, me fez um carinho e eu perdoei

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Só vendo que beleza

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Só vendo que beleza (samba, 1942) - Henricão e Rubens Campos
Carmen Costa

Tom: E5+
Intro:Co A Bm7 E7 Em7 A7 Co
A Bm7 E7 A
  E5+       A7+         Bm7    C#m7
Eu tenho uma casinha lá na Marambaia
Em7 F#7 Bm7
fica na beira da praia só vendo que beleza
tem uma trepadeira que na primavera
E7 A7+
fica toda florescida de brincos de princesa
E5+ A7+ Bm7 C#m7
quando chega o verão eu sento na varanda
Em7 A7 D
pego o meu violão e começo a cantar
Dm7 Co A7+
e o meu moreno fica sempre bem disposto
F#7 B7 E7 A7+
senta ao meu lado e começa a cantar
C#7         F#m        C#7           F#m
Quando chega a tarde um bando de andorinhas
F#7 Bm
voa em revoada fazendo verão
C#7
e lá na mata o sabiá gorjeia
F#m C#7
linda melodia pra alegrar meu coração
F#m C#7 F#m
às seis horas o sino da capela
F#7 Bm
toca as badaladas da Ave-Maria
F#m
a lua nasce por detrás da serra
Ab7 C#7 F#m B7
anunciando que acabou o dia

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Quero dizer-te adeus

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Quero dizer-te adeus (valsa, 1942) - Ary Barroso
Orlando Silva

Quero dizer-te adeus
De forma singular
Cantando a nossa valsa
Sem chorar


Quero dizer-te adeus
Pois vou partir, amor
Sem mágoa e sem rancor
Dos falsos beijos teus


Quero deixar-te assim
Sem atribulações
Pra que longe de mim
Não tenhas ilusões


O nosso amor morreu
E o culpado não fui eu
Foi a sorte
Foi a vida, querida


Sonhei, confesso
Castelos de ouro e luz
Mansão de mil venturas
Para nós dois
Porém, no mundo os namorados
Não contam com as surpresas que vêm depois
Depois, depois, amor
A tempestade veio e tudo carregou
Até a saudade


Quero dizer-te adeus
De forma singular
Cantando a nossa valsa
Sem chorar

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Quem mente perde a razão

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Quem mente perde a razão (samba, 1942) - Zé da Zilda e Edgar Nunes
Orlando Silva

Mentirosa
Foste tu, que um dia
Perante Santa Maria
Prometeste ser fiel
Quem mente, perde a razão
E acaba de déo em déo
Não tem sossego na terra
E nem perdão, lá no céu

A tua promessa faliu
A tua jura também se quebrou
Mentiste ao meu coração
Mentiste ao Nosso Senhor
Eu sei que tu vives bem
Sem ter os carinhos meus
Mas não podes ser feliz
Sem ter a Graça de Deus
(mentirosa fingida)

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Pombo correio

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Pombo correio (samba, 1942) - Benedito Lacerda e Darci de Oliveira
Gilberto Alves

Soltei meu primeiro pombo correio
Com uma carta pra aquela mulher
Que me abandonou
Soltei o segundo e o terceiro
O meu pombal terminou
Ela não veio e nem o pombo voltou...

Depois que aquela mulher
Me abandonou
Não sei porque
Minha vida desandou
O canário morreu
A roseira murchou
O papagaio emudeceu
E o cano d'agua furou
Até o sol por pirraça
Invadiu a vidraça
E o retrato dela desbotou...

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Nós os cabeleiras

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Nós os cabeleiras (marcha/carnaval, 1942) - Roberto Martins e Benedito Lacerda
Castro Barbosa

Nós os cabeleiras
Não temos medo de ficar na mão
Porque as pequenas
Depois do evento
Vem logo correndo
Pro nosso cordão
E o cordão dos cabeludos
Não é sopa não! não, não, não...

Eles tem mágoa, tem
Por isso falam demais
E chegam até a querer
Botar a gente pra trás
O que eles dizem
É mentira, seu José
Pois sem cabelo
Não se ganha um cafuné, né, né, né...

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Meu caboclo

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Meu caboclo (canção, 1942) - Laurindo de Almeida e Junquilho Lourival
Orlando Silva

Caboclo ligeiro, valente, cismado
Tostado do sol
Que és destro na flecha
No tiro, no laço, na rede, no anzol
Caboclo que avanças nas curvas enganosas
Dos igarapés
Que as onças ferozes
Brincando intimidas
Caboclo, quem és?

Caboclo que em cima de frágil jangada
Por mares além, navegas cantando
Saudades profundas dos olhos de alguém
Caboclo que afrontas os mares bravios
O duro revés, caboclo responde
Teu nome ligeiro, caboclo, quem és?

Caboclo que em plena cochilha distante
Nos pagos ao luar, que saltas no lombo
De um potro rebelde, risonho a cantar
E danças o samba batido ao compasso
Dos teus próprios pés, caboclo responde
Teu nome ligeiro, caboclo, quem és?

E o forte caboclo, fitando o horizonte
Responde viril :
Meu nome é o mais lindo dos nomes do mundo
Meu nome é Brasil!

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Lero-lero

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Lero-lero (marcha/carnaval, 1942) - Benedito Lacerda e Eratóstenes Frazão
Orlando Silva

No Tirol, só se canta assim:
Lero-Leruuu ! Lero-Leruuu ! Lero-Leruuu !
Lero-Lero... !
O nosso "Lero-lero" é diferente,
O clima aqui é muito quente,
E a gente, pra desabafar,
Canta, canta, até o sol raiar:

Eu quero, quero, quero,
Quero, quero o teu amor,
Deixa de lero-lero,
Lero-lero, por favor !...
O riso da morena,
Nos prende, como anzol,
O sangue, da morena,
"Abafa o velho sol"
(no Tirol)

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Faixa de cetim

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Faixa de cetim (samba, 1942) - Ary Barroso
Orlando Silva

Bahia, terra de luz e amor
Foi lá onde nasceu Nosso Senhor
Bahia de Iaiá e Ioiô
Da mãe preta carinhosa
Que no colo me embalou

Quando eu nasci
Na cidade baixa
Me enrolaram numa faixa
Cor de rosa de cetim

Quando eu cresci
Dei a faixa de presente
Pra pagar uma promessa
Ao meu Senhor do Bonfim

Pedi que me abrisse um abrigo
Da felicidade
Pedi que me desse um carinho
Por minha felicidade
Sou feliz e ninguém mais feliz que eu
Senhor do Bonfim

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Essa mulher tem qualquer coisa na cabeça (samba, 1942) - Wilson Batista e Cristóvão de Alencar
Ciro Monteiro

Tudo que ela quis eu dei
Tudo que ela pediu eu fiz
Por sua causa quase me arruinei
E ela ainda acha que não é feliz
Só peço a Deus que ela desapareça
Essa mulher tem qualquer coisa na cabeça

Tudo que ela quis eu dei...

Eu não vivo satisfeito
Depois de tudo que fiz
Ela não tem o direito de me fazer infeliz
Já perdi a paciência
Ela que não me aborreça
Essa mulher tem qualquer coisa na cabeça

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E o juiz apitou

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E o juiz apitou (samba, 1942) - Wilson Batista e Antônio Almeida
Vassourinha


Eu tiro o domingo para descansar
Mas não descansei
Que louco fui eu
Regressei do futebol
Todo queimado de sol
O Flamengo perdeu
Pro Botafogo
Amanhã vou trabalhar
Meu patrão é vascaíno
E de mim vai zombar

Foram noventa minutos
Que eu torci como louco
Até ficar rouco
Nandinho passa a Zizinho
Zizinho serve a Pirilo
Que preparou pra chutar
Aí o juiz apitou
O tempo regulamentar
Que azar!

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Dolores

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Dolores (samba/carnaval, 1942) - Alberto Ribeiro , Arlindo Marques Jr. e Marino Pinto
Anjos do Inferno

Aiai... aiai..., Dolores!


Foi ela o maior dos meus amores
Aiai... aiai..., Dolores
Razão do meu prazer, de minhas dores
Aiai... aiai..., Dolores
Eu com ela tive espinhos, tive flores
Aiai... aiai..., Dolores

Dei o meu sorriso à Leonor
Dei o meu olhar à minha atriz
À nenhuma delas dei amor
Com nenhuma delas fui feliz
Porque existe alguém
Que é o maior dos meus amores
Aiai... aiai...., Dolores!

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Alma dos violinos

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Alma dos violinos (valsa, 1942) - Alcir Pires Vermelho e Lamartine Babo
Moraes Neto

Sinto n'alma um violino
Um violino que acompanha
O meu triste adeus
Que vai por trás de uma montanha
Montanha pequenina
Diante dos olhos meus
Meus olhos tão imensos
Oh! Perguntem aos lenços
Quando dizem adeus

Sinto n'alma um violino
Um violino tão sonoro
Que acompanha melodias
Quando eu canto e choro
Eu choro porque os risos
Dei ao meu amor
Meu grande amor
Nestas valsas que eu componho
Vive o meu sonho

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Algum dia te direi

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Algum dia te direi (valsa, 1942) - Cristóvão de Alencar e Felisberto Martins
Gilberto Alves

Eu tenho um segredo p'ra te revelar
Desde a primeira vez em que te vi
Mas eu não sei confessar
Tudo o que sinto por ti

Algum dia eu direi
Que te amo com fervor
E que não sei viver sem teu amor
Algum dia eu direi
Ao beijar os lábios teus
Nunca mais tu fugirás
Dos meus braços meu amor
Nesse dia me dirás
Apertando minha mão
É teu, amor, só teu, meu coração.

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A mulher do padeiro

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A mulher do padeiro (marcha/carnaval, 1942) - J. Piedade, Nicola Bruni e Germano Augusto
Joel e Gaúcho

A mulher do padeiro
Trabalhava noite e dia
Ê ê ê ê…
Ê ê ê ê ê ê ê…
E viajava só no Bonde de Alegria
Cantava e pulava
E o padeiro não sabia [2x]

O padeiro zangado
Deixou de fazer pão
Não atendeu mais a sua freguesia
Deu tanto pinote, fez tanto fricote
Pra ser fiscal lá no Bonde de Alegria

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A mulher do leiteiro

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A mulher do leiteiro (marcha/carnaval, 1942) - Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira
Araci de Almeida

Todo mundo diz que sofre
Sofre, sofre neste mundo
Mas a mulher do leiteiro sofre mais;
Ela passa, lava e cose
E controla a freguesia
E ainda lava as garrafas vazias.

E o leiteiro, coitado!
Não conhece feriado
Se encontra satisfeito
Toda noite é sereno
E a mulher dele
Que trabalha até demais
Diz que tudo que ela faz
Ainda é café pequeno.

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Você não tem palavra

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Você não tem palavra (samba, 1941) - Ataulfo Alves e Newton Teixeira
Newton Teixeira

Você não tem palavra
Você não tem palavra
Falou-me que ia ao cinema
E foi dançar
Olha que o sol já está de fora
Cinema não acaba a essa hora
Se assim continuar
Eu vou lhe abandonar

Mariazinha
Você tem que me escutar
Os filhos da Candinha
São danados pra falar
Olha pro relógio
Veja a hora em que chegou
Tenha a paciência
Mas onde foi que andou?

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Sinhá Maria

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Sinhá Maria (canção, 1941) - René Bittencourt
Orlando Silva

Nosso Senhor, me perdoa
Essa descrença magoada
Tive uma vida tão boa
Hoje, não creio em mais nada
Não canto mais ladainha
Não faço mais oração
Até a crença que eu tinha
Fugiu do meu coração.

Porque não foste justo, outro dia
Vindo buscar Sinhá Maria
A santa do meu altar
Talvez tu não pensasse em maldade
E que mais tarde, a saudade
Vinha me desesperar.

Nosso Senhor, que tristeza
Quando regresso à tardinha
Debruço e choro na mesa
Lembrando a vida que eu tinha
Minha choupana vazia
Com a porta aberta pra trás
Não sabe que Sinhá Maria
Não volta mais, nunca mais!

Perdão, volve para mim teu olhar
Só tu me podes vingar
O que a saudade me fez
Por Deus, escuta Nosso Senhor
Manda do céu por favor
Sinhá Maria, outra vez!

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Preconceito

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Preconceito (samba, 1941) - Wilson Batista e Marino Pinto
Orlando Silva

Eu nasci num clima quente
Você diz a toda gente
Que eu sou moreno demais
Não maltrate o seu pretinho
Que lhe faz tanto carinho
E no fundo é um bom rapaz

Você vem de um palacete
Eu nasci num barracão
Sapo namorando a lua
Numa noite de verão
Eu vou fazer serenata
Eu vou matar minha dor
Meu samba vai, diz a ela
Que o coração não tem cor

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Perdão amor

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Perdão amor (fox-canção, 1941) - Lamartine Babo
Orlando Silva

Se magoei teu lindo coração
Perdão amor
Se é por minha causa o teu sofrer
Foi sem querer

Vítima do ocaso e da ilusão
Beijei tua mão
Se magoei teu lindo coração
Perdão amor, perdão, perdão

Se os teus sorrisos foram embora
Minh'alma chora
Se amar é crime
Esquecerei que já te amei

Hei de devolver os seus dissertos
Cartas, rosas murchas, seus cabelos
Se é que ainda tens meu coração
Não mandes não!

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Passo do canguru

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Passo do canguru (marcha/carnaval, 1941) - Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira
Araci de Almeida

Eu nesse passo vou até Honolulu
Ô, ô, ô - Ô, ô, ô devagar
Lá no meu clube
Só se dança o canguru
Das dez às três sem parar

Parece valsa, foxtrote
Tango, rumba
Ula-ula e macumba
E até maracatu. Uei!
Pois lá no clube
Muita gente cai na dança
Leva no colo a criança
Pensa até que é canguru

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Onde o céu azul é mais azul (samba, 1941) - Alcir Pires Vermelho, Alberto Ribeiro e Braguinha
Francisco Alves

Eu já encontrei, um dia alguém
Que me perguntou assim, Iaiá
O seu Brasil, o que é que tem ?
O seu Brasil, onde é que está ?


Onde o céu é mais azul
E uma cruz de estrelas, mostra o sul
Aí, se encontra o meu país
O meu Brasil, grande..., tão feliz !

Que tem junto ao mar, palmeirais
No sertão, seringais
E, no sul, pinheirais
Um jangadeiro que namora o mar
Verde mar, a beijar,
Brancas praias, sem fim...


Quando faz luar
Um garimpeiro que, lá no sertão
Procura estrelas, raras pelo chão
E um boiadeiro que, tangendo os bois
Trabalha muito, pra sonhar depois !

E..., se é grande o céu, a terra e o mar
O seu povo bom, não é menor
Mas o que faz admirar
Eu vou dizer, guarde bem de cor
Quem vê o Brasil, que não tem fim
Não chega a saber, por que razão
Este Pais, tão grande assim
Cabe, inteirinho, em meu coração !...

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Eu trabalhei

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Eu trabalhei (samba/carnaval, 1941) - Roberto Roberti e Jorge Faraj
Orlando Silva

Eu hoje tenho
Tudo, tudo que um homem quer
Tenho dinheiro, automóvel e uma mulher
Mas pra chegar
Até o ponto em que cheguei
Eu trabalhei, trabalhei, trabalhei

Eu hoje sou feliz
E posso aconselhar
Quem faz o que eu já fiz
Só pode melhorar
E quem diz que o trabalho
Não dá camisa a ninguém
Não tem razão
Não tem, não tem

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Esmagando rosas

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Esmagando rosas (bolero, 1941) - Alcir Pires Vermelho e David Nasser
Francisco Alves

Tu tens
No sol dos teus cabelos
A luz do velho sol nascente
Vem brincar
No azul de teu olhar
O azul-verde do mar
O fascínio dos teus lábios
Lembra a cor
Do sol lá no poente

E tens, também
Em teu porte divino
Toda nobreza romana
Mas, se tu passas por mim
Cheia de orgulho e de graça
Teus pés no chão
Parecem rosas pisar.

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Chô-chô

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Chô-chô (samba, 1941) - Antônio Almeida e Ciro de Souza
Anjos do Inferno

Chô, chô, dique dim
Chô, chô, dique dim
Chô, chô, dique dim, chô, chô
Bate asas passarinho
Vai contar ao meu amor
Que você me viu tristonho
Quase a soluçar de dor

Vai dizer àquela ingrata
Que eu vivo na solidão
Que é enorme a saudade
Dentro do meu coração
Nossa casa abandonada
Já não tem o esplendor
Daqueles dias felizes
Em que viveu nosso amor...

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Brasil moreno

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Brasil moreno (samba, 1941) - Ary Barroso e Luiz Peixoto
Cândido Botelho

Samba o o... samba o o...
Samba meu Brasil moreno
Ouve
Quanta harmonia
Vai no batuque no sereno
Meu Deus
Samba o o... samba o o...
Bate o teu pandeiro
Nesta canção toda de sol e luar
Brasil, grande como o céu e o mar!

Vai, vai ouvir o teu sertão
Pontear o violão
Vai ver
Como te bate o coração
Vai ver
O coqueiral todo a gingar
Vai ouvir teus pássaros cantar
À luz das madrugadas!
Oooh! Brasil, quebrando nas quebradas
Teu samba todo o mundo há de escutar!

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Batuque no morro

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Batuque no Morro (samba, 1941) - Russo do Pandeiro e Sá Róris
Linda Batista

Gosto de ver batuque no morro
Gosto de ver batuque no morro
Ai, ai, ai
Pois o batuque é bom pra cachorro
Pois o batuque é bom pra cachorro
Ai, ai, ai
(bis)

Nego na macumba bate o bumbo
Zumba, zumba pra fazer canjerê
Ê, ê, ê
Oi, nêga quando samba requebrando com as cadeiras
Eu gosto de ver, eu gosto de ver
Eu gosto de ver, eu gosto de ver

Nego Americano dança, dança o suingue
E não sabe batucar, á, á
Á, á, á
Branco americano vai deixar a tal da conga
Ê o Francês, o "j'attendrai"
Eu tenho que ver, eu tenho que ver
Eu tenho que ver, eu tenho que ver, ê, ê....

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A mulher que eu gosto

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A mulher que eu gosto (samba, 1941) - Wilson Batista e Ciro de Souza
Ciro Monteiro

Lá vem a mulher que eu gosto
De braço com meu amigo
Ai, meu Deus
Até parece castigo
É uma dupla traição
Ao meu pobre coração
Eu gosto dessa malvada
E ele é meu camarada

Há muito tempo ela sabe
Que eu lhe tenho um grande amor
Preferiu o meu amigo
Fez de mim um sofredor
Ele também é culpado
Da nossa situação
Pois sabia que ela era
Dona do meu coração

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Tra-lá-lá

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Trá-lá-lá (valsa-canção, 1940) - Roberto Martins
Gilberto Alves

Quando alguém me diz
Me diz que foi feliz
Tra-la-la-la-lá
Tra-la-la-la-lá
A saudade vem
Vem me lembrar também
Um passado feliz e risonho
Um amor que foi todo o meu sonho

A ciranda da vida me leva
Pra lá, pra, cá, pra lá, pra cá
Minha vida é um brinquedo que roda
Nas voltas que dá, que dá
Vou rodando feliz, vou cantando
Sem saber se há alguém me escutando
Algum dia também a lembrar
Repetirá:
Tra-la-la-la-lá !

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Solteiro é melhor

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Solteiro é melhor (samba/carnaval, 1940) - Rubens Soares e Felisberto Silva
Francisco Alves

A vida de casado é boa
Mas a vida de solteiro é melhor

Solteiro vai pra onde quer
Casado tem que levar a mulher

Mas comigo a coisa é diferente
Porque eu consigo ludibriar toda a gente
Eu afirmo e até garanto
Neste assunto sou primeiro
Sou casado e no entanto
Oi! Levo a vida de solteiro
(A vida é melhor)

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Serenata

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Serenata (canção, 1940) - Vicente Celestino
Vicente Celestino

Na Guanabara um barco a vela navegava
Dentro de um raio de luar franjado de prata
Em um bandolim, lá no barquinho alguém tocava
A mais sublime e deliciosa serenata

Segui o barco em outro barco para ver
Quem manejava o bandolim com tanto ardor
E uma sereia oiço cantando assim dizer:
- Onde estará meu grande amor ?

Meu bandolim, leva tua voz
Ao coração que não me quer
Chama-o de cruel e de atroz
Que quem te pede é uma mulher

Diga que o amo e que o adoro
Tu que conheces o meu padecer
Meu bandolim, vai com tua voz
Ao meu amor, falar por mim,
Porque sem ele eu vou morrer...

Do meu barquinho respondi:
Igual a ti eu vivo em solidão
E ela de lá me respondeu:
Se teu amor é igual ao meu
Te entrego inteiro, o coração.

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Roleta da vida

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Roleta da vida (valsa, 1940) - Heriberto Muraro e Osvaldo Santiago
Carlos Galhardo

A vida é uma roleta
Gira...gira...
A sorte é uma mentira
Que logo se desfaz
Uns ganham venturas
Outros amarguras
E troca-se o prazer
Pelo sofrer

Tu foste em minha vida
O pano verde da ilusão
Em ti, como uma ficha
Eu arrisquei o coração
Tive delícias
De mil carícias
Ao começar
O olhar em fogo
Senti o jogo
Me alucinar !

Depois a sorte ingrata
Abandonou o jogador
Perdi no pano verde
O coração e o teu amor
E a roleta, indiferente
Ao meu penar
Prosseguiu, sem descanso
A girar... a girar...

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Ora, ora

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Ora, ora (samba, 1940) - Almanir Grego e Gomes Filho
Bando da Lua

Ora, ora
Lá vem você outra vez
Perguntar pela mulher
Que lhe abandonou...

Ela agora está em boa companhia
Lava roupa noite e dia
E nunca se queixou, viu!

Ela diz à todo mundo
Que é feliz
E até canta para alguém adormecer

E diziam que essa mulher
Era só chiquê
Qual o quê?
(qual o quê?)

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O amor é assim

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O amor é assim (valsa, 1940) - Sivan Castelo Neto
Sílvio Caldas

É tão grande o céu
É tão grande o mar
Mas é maior minha dor
Pois de déu em déu
Vivo a caminhar
Lembrando o meu amor

Os lábios perfumados
Eu já beijei
Castelos encantados
Já levantei
Porém a realidade
Matou minha ilusão
Deixando-me a saudade
De uma recordação

E ninguém vive agora
Pensando em mim
Mandei o amor embora
É melhor assim
Depois viria o tédio
Pior seria o fim
O mal é sem remédio
O amor é assim...

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Não

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Não (valsa, 1940) - Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar
Sílvio Caldas

Entre nós está tudo acabado
Eu não quero ve-la nunca mais
Para que recordar o passado
Que só desventura nos traz?

Acabo de rasgar
A tua última carta
Na qual você me pede
Que eu volte outra vez
Nela você me diz
Que é muito infeliz
E que está arrependida
Do mal que me fez

Sei que o arrependimento
É sincero
Mas sinto que ainda lhe quero
Com todo o meu coração
Mas, ao lembrar
A sua ingratidão
Respondo a chorar
Que, não!...

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Inimigo do batente

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Inimigo do batente (samba, 1940) - Wilson Batista e Germano Augusto
Dircinha Batista

Eu já não posso mais
A minha vida não é brincadeira, é
Estou me desmilinguindo
Igual a sabão na mão de lavadeira
Se ele ficasse em casa
Ouvia a vizinhança toda falando
Só por me ver lá no tanque, lesco, lesco
Lesco, lesco, me acabando.

Se eu lhe arranjo trabalho
Ele vai de manhã
De tarde, pede a conta
Eu já estou cansada de dar
Murro, em faca de ponta
Ele disse pra mim
Que está esperando ser Presidente
(tirar patente)
Do Sindicato dos Inimigos do Batente
(ai, ai, meu Deus)

Ele dá muita sorte
É um moreno forte
Ele é mesmo um atleta
Mas tem um grande defeito
Ele diz que é poeta
Ele tem muita bossa e compôs um samba
E quer abafar, é de amargar
Não posso mais
Não me dá forra, vou desguiar....

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Iaiá Boneca

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Iaiá Boneca (marcha/carnaval, 1940) - Ary Barroso
Mário Reis

Depois da jardineira, que chorando sumiu
Nos dias do outro carnaval
Depois da tirolesa, que cantando fugiu
Deixando todo o mundo mal
Chegou a vez de dominar
De imperar
Como rainha de encantos sem par
Iaiá Boneca
A brasileirinha emoção
Dona do meu coração.

Ai ai, como é bonita
Ai ai, como é formosa
Ai ai, Iaiá Boneca
É um botão cor de rosa
Iaiá me dá uma esmolinha
Dos beijos teus
Pelo amor de Deus...

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Eu gosto de samba

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Eu gosto de samba (samba, 1940) - Ary Barroso
Dircinha Batista

Eu gosto de samba
Até parece moamba
Feitiço, despacho ou mandiga,
Eu estremeço toda
Num samba de roda
Que ginga, que ginga
Ai, ai
Eu nasci tropical
Nesta terra ideal
Eu sou brasileira
Enfezada.

E no meu corpo moreno
Circula o veneno
Da batucada
Oi a cuíca: hum, hum, hum, hum
Oi o pandeiro: tche, tche, tche, tche
O tamborim: pa, pa, pa, pa.

Brasil
Quem fala
Fala de mágoa
Por que o samba mexe com a gente
Ou não mexe
Deliciosamente, ai!
Malevolentemente, ai!
Maliciosamente, ai!
Assustadoramente, ai!

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Encontrei minha amada

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Encontrei minha amada (samba/carnaval, 1940) - Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti
Orlando Silva

Procurei tanto, tanto
Mas encontrei minha amada
É por isso que eu canto
Dá inveja minh'alma apaixonada!

Procurei tanto, tanto
Mas encontrei minha amada
É por isso que eu canto
Dá inveja minh'alma apaixonada!

Até as estrelas que brilham no céu
Brilham lá
E pra brindar o nosso amor
Toda a natureza em flor, oi

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Diz que tem

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Diz que tem (samba, 1940) - Vicente Paiva e Hanibal Cruz
Carmen Miranda

Ela diz que tem
Diz que tem, diz que tem
Diz que tem, diz que tem
Diz que tem, diz que tem
(refrão)

Tem cheiro de mato
Tem doce de coco
Tem sangue nas veias
Tem balangandãns

(refrão)

Tem pele morena
Tem corpo febril
E dentro do peito
O amor ao Brasil

Cantei em São Paulo
Cantei no Pará
Tomei chimarrão
E comi vatapá

Eu sou brasileira
Meu it revela
E a minha bandeira
É verde-amarela

Eu digo que tenho
Que tenho muamba
Que tenho no corpo
Um cheiro de samba

Só falta pra mim
Um moreno faceiro
Que seja do samba
E bem brasileiro

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Coqueiro velho

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Coqueiro velho (samba-canção, 1940) - Fernando Martinez Filho e José Marcílio
Orlando Silva

Coqueiro velho
Abatido pelos anos
Ninguém sabe os desenganos
Dessas folhas descoradas, caídas, vencidas
Somente a palmeira coitada
Que a ventania malvada levou
Separando sem dó duas vidas

Você foi a minha palmeira
De folhas bem verdes
Um verde esperança
Foi mera visão passageira
De um doirado sonho de criança
Tal qual o coqueiro abatido
Magoado eu tenho o meu coração
Que no samba procura a bonança
Da tempestuosa desilusão

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Briga de amor

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Briga de amor (samba, 1940) - Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins
Ciro Monteiro

Depois de uma hora de briga
Com meu amor
Um beijo é tão bom
Tem tanto sabor
Que a gente brigando uma vez
Tem que acostumar
E depois não pode viver sem brigar.

Já estou bem acostumado
Não estou contrariado
Até chego a procurar
Por querer, chego atrasado
Pra meu bem ficar zangado
E me estranhar.

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Tirolesa

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Tirolesa (marcha/carnaval, 1939) - Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago
Dircinha Batista

Ò tirolesa, ò tirolesa
Sei que tu moras
No subúrbio da Central
Ò tirolesa, ò tiroleza
Eu te conheço
Desde o outro carnaval

Eu já peguei um touro à unha
Na Catalunha, na Catalunha
E venho agora farrear
Com uma peninha no chapéu
Pra atrapalhar

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Que importa para nós dois a despedida (valsa, 1939) - Silvino Neto
Orlando Silva

Tenho que me despedir
Meu amor eu vou partir
Quero que não chores por mim
Olha nos meus olhos
Dá-me outro beijo
Chega bem perto de mim

Que importa pra nós dois a despedida
Se os nossos corações numa só vida
Vivem o romance multicor
Do mesmo sonho de amor
Que importa pra nós dois a despedida
Minha perfumada flor ?
Comigo, partirás
Contigo, ficarei
E entre nós, um grande amor...

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Por quanto tempo ainda

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Por quanto tempo ainda (valsa, 1939) - Joubert de Carvalho
Orlando Silva

Não sei
Por quanto tempo ainda
Esperarei
Por ti, pelos carinhos teus
Por tudo que me vem bailando
Tecendo os sonhos meus.

Talvez
Só por viver à sombra da ilusão
Envolto no silencio frio
Direi
Por quanto tempo ainda
Esperarei, o teu amor, em vão.

Nunca animaste com a fé
Aos que sofrem do mal de amor
Há no teu corpo gelado
A perfídia, do teu encanto
Nunca terás aos teus pés
A ventura da minha dor
Os teus joelhos dobrados um dia
Em pranto, hás de implorar
o Amor...

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O homem sem mulher não vale nada

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O homem sem mulher não vale nada (samba, 1939) - Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti
Orlando Silva

Saí de casa disposto a procurar
Aquela que há de ser a minha amada
Pois o meu coração é que me faz confessar
Que o homem sem mulher, não vale nada!

Saí de casa disposto a procurar
Aquela que há de ser a minha amada
Pois o meu coração é que me faz confessar
Que o homem sem mulher, não vale nada!

Escutando a voz do meu coração
Que deseja ter uma ilusão
Farei tudo na vida para ter também
O direito de amar alguém!

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Noites de Junho

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Noites de Junho (marcha, 1939) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Dalva de Oliveira

Noite fria, tão fria de junho
Os balões para o céu, vão subindo
Entre as nuvens aos poucos, sumindo
Envoltos num tênue véu
Os balões devem ser, com certeza
As estrelas daqui deste mundo
Que as estrelas do espaço profundo
São os balões lá no céu

Balão do meu sonho dourado
Subiste enfeitado
Cheinho de luz
Depois as crianças tascaram
Rasgaram teu bojo
De listras azuis
E tu que invejando as estrelas
Sonhavas ao vê-las
Ser astro no céu
Hoje, balão apagado
Acabas rasgado
Em trapos ao léu...

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Espelho do destino

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Espelho do destino (samba-canção, 1939) - Benedito Lacerda e Aldo Cabral
Orlando Silva

Você que sabe ser presunçosa
Ó mulher pretensiosa
Que de mim já se esqueceu
Não vê que com esse orgulho todo
Quem tirou você do lodo
Quem lhe deu a mão, fui eu.

Mas na estrada desta vida
Para toda alma perdida
O sofrer é uma lição
E é sofrendo que se aprende
E, quem tarde se arrepende
Não merece mais perdão.

Porém, a você dou um conselho
Olhe bem para esse espelho
Que o destino sempre traz
Uma folha desprendida
Do galho onde foi nascida
Não se ergue nunca mais.

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Era ela

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Era ela (samba/carnaval, 1939) - Peterpan e Russo do Pandeiro
Sílvio Caldas

Toda minha inspiração
Era ela
Toda minha ilusão
Era ela
Mesmo assim me abandonou
Ela acreditou
Que eu ficasse a padecer
Deus me perdoe se é pecado
Mas amar sem ser amado
É melhor morrer...

Ela pensa
Que eu não vivo a sofrer
Ela pensa
Que eu não vivo a chorar
Entretanto
Eu chorei tanto
Que não tenho mais pranto
Para reclamar...

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Dá-me tuas mãos

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Dá-me tuas mãos (fox-canção, 1939) - Roberto Martins e Mário Lago
Orlando Silva

Porque tanta pressa
De chegar ao fim ?
Porque terminar
O nosso amor assim
Se eu não revelei
Tudo o que sonhei
E nem tu
Disseste tudo para mim.

Dá-me tuas mãos, por favor
Põe os teus olhos nos meus
Que eles dirão quanta dor
Vai me causar este adeus
Ficou tão triste o luar
Vendo acabar nosso amor
Dá-me, tuas mãos, por favor

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Chorei quando o dia clareou (samba, 1939) - Nelson Teixeira e David Nasser
Araci de Almeida

Chorei quando o dia clareou
Chorei por amor ao meu amor
E amanheceu
Não apareceu no meu chatô
O meu coração quase parou

Sofri
Sem poder me conformar
Pedi
Não quiseste voltar
Jurei
De um dia me vingar
Só pra te ver sofrer
Só pra te ver chorar
Como chorei

Chorei quando o dia clareou
Chorei por amor ao meu amor
E amanheceu
Não apareceu no meu chatô
O meu coração quase parou

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Acorda Estela

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Acorda Estela (samba, 1939) - Herivelto Martins e Benedito Lacerda
Francisco Alves e
Dalva de Oliveira

Acorda, abre a janela Estela
Vem ouvir o teu cantor
Que batendo o tamborim
Vai assim
Implorando o teu amor
(abre a janela)

Acorda, abre a janela Estela
Vem ouvir o teu cantor
Que batendo o tamborim
Vai assim
Implorando o teu amor

Eu assim cantando, se chegares a janela
Lembra de Romeu e Julieta, na favela

Ah... dessa história
O desfecho é banal
O nosso amor não tem igual

Vem ver esta noite
Que nasceu para quem ama
E também a lua
Que comigo te reclama

Ah... mais não há mais ilusões
Dentro dos nossos corações

Eu assim cantando, se chegares a janela
Lembra de Romeu e Julieta, na favela
Vem ver esta noite
Que nasceu para quem ama
E também a lua
Que comigo te reclama

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A casta Suzana

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A casta Suzana (marcha/carnaval, 1939) - Ary Barroso e Alcir Pires Vermelho
Deo

Será você a tal Suzana !
A Casta Suzana
Do posto Seis ?
Coitada !
Como está mudada !
Teve "apendicite"
E ficou sem "ite"...

Quando conheci Casta Suzana,
Nas areias de Copacabana
Era namorada de um chinês
Mas olhava assim pra um japonês

Taí !
Deu-se a confusão :
Estourou a guerra,
China com Japão !

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Uma saudade a mais, uma esperança a menos (valsa, 1938) - Silvino Neto e C. Morais
Orlando Silva

Uma saudade a mais
Uma esperança a menos
Que importa na vida de quem
No silencio das noites serenas
Procura esquecer alguém

Uma saudade a mais
Uma esperança a menos
Não dá conforto ao coração
Que vê, ao longe, os acenos
De uma felicidade
Mera ilusão.

Sentimos tanta tristeza
Ao recordarmos de alguém
E sofremos sem ter a certeza
Se distante nos lembramos também
E o destino que a tudo assiste
Vai sorrindo dos tristes acenos
Ele sabe que a vida consiste
Numa saudade a mais
Numa esperança a menos

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Tudo cabe num beijo

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Tudo cabe num beijo (fox-canção, 1938) - Carolina C. de Meneses e Osvaldo Santiago
Manoel Reis

Não, não cabe numa canção
Tudo o que eu quero dizer
Um dia ao teu coração
Oh, sim, talvez precise escrever
Longo romance sem fim
Em teu louvor, amor

Nestas palavras não posso resumir
Todas as mil expressões do meu sentir
Porém, se o que eu quero dizer
Não cabe numa canção
Num beijo há de caber

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Seu condutor

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Seu condutor (marcha/carnaval, 1938) - Alvarenga, Ranchinho e Herivelto Martins
Alvarenga e Ranchinho

Seu condutor
Dim, dim
Seu condutor
Dim, dim
Pára o bonde
Pra descer o meu amor

O bonde da Lapa
É cem réis na chapa
O bonde Uruguai
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E a Praça Tiradente
Não serve pra gente

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Professora

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Professora (samba, 1938) - Benedito Lacerda e Jorge Faraj
Sílvio Caldas

Eu a vejo todo o dia
Quando o sol mal principia
A cidade iluminar
Eu venho da boemia
E ela vai, quanta ironia
Pra escola trabalhar.

Cego de amor no seu rastro
Vagalume atrás do astro
Atrás dela eu tomo o trem
E no trem das professoras
Dentre outras, tão sedutoras
Eu não vejo mais ninguém.

Essa operária divina
Que lá no subúrbio ensina
As criancinhas a ler
Naturalmente condena
Na sua vida serena
O meu modo de viver.

Condena porque não sabe
Que toda a culpa lhe cabe
De eu viver ao deus-dará.

Menino querendo ser
Pra com ela aprender
Novamente a bê-a-bá.

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Neusa

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Neusa (valsa, 1938) - Antônio Caldas e Celso Figueiredo
Orlando Silva

Há na luz clara e tranqüila do luar
Um poema em louvor ao teu olhar
Por que a própria natureza
Se enleva em tua graça
Canta a tua beleza

És como a flor mimosa da campina
Que sutil aurora beija e ilumina
Neusa, também em teu louvor
Eu canto esta valsa de amor

Tens no teu ser a unção deste luar
A tua boca, ao sorrir
Mostra pérolas, roubadas ao mar
Na minha vida sejas tu o meu fanal
Para a gloria deste meu viver, meu amor
Hás de ser a alegria querida...

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Juro

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Juro (samba/carnaval, 1938) - Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira
J. B. de Carvalho

Juro
Nunca mais tive alegria
Depois daquele dia
Que te abandonei
Quando eu me vi sozinho
Tão distante do teu carinho
Chorei
Eu te juro que chorei

Eu não sabia
Que ia sofrer tanto assim
Ela gostava de mim
Eu sabia e não liguei
Ela não quer mais me ver
Nem quer me perdoar
Eu me contento em chorar
Pois sorrir nem sei

Juro
Nunca mais tive alegria
Depois daquele dia
Que te abandonei
Quando eu me vi sozinho
Tão distante do teu carinho
Chorei
Eu te juro que chorei

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Jardim de flores raras

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Jardim de flores raras (valsa, 1938) - Romualdo Peixoto e Francisco Matoso
Roberto Paiva

Era um jardim de flores muito raras
A espalhar fragrância de essências caras
E eram lindas elas
Tulipas amarelas
As rosas, vindas do Ceilão
Orquídeas de exposição
Ante a graça dos mais lindos Crisântemos
A felicidade um dia nós tivemos
Num cenário multicor
Nasceu um grande amor
Mas que durou a vida de uma flor.

E, quando anoitece, vagarosamente
Aumentando a dor de um coração que sente
E as rosas balançando ao luar
Eram como que fantasmas a errar
E ao amanhecer de um dia radiante
No jardim o orvalho era cintilante
Só no meu amor
Murcho, sem fulgor
Orvalho que encontrei
Foi o pranto que chorei.

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História de amor

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História de amor (samba-canção, 1938) - J. Cascata e Humberto Porto
Orlando Silva

Quanta saudade existe
Na melodia triste
De um samba-canção
Desses que nascem
Em noite de lua
No silêncio vago da rua
Como um sussurro de oração.

O samba é bem uma história de amor
De um trovador
Em serenata
Que a sua dor consola
Nas cordas de uma viola
Quando a saudade o maltrata.

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Eu sinto vontade de chorar (samba, 1938) - Valdemar de Abreu (Dunga)
Orlando Silva

Eu sinto uma vontade de chorar
Você não é a mesma mulher
Meu coração reclama
Você já não me ama
Tem um outro amor qualquer

Por mais que seja o seu novo amor
Ao meu, não poderá se comparar
Eu peço, por favor
Pra você me confessar
Que ainda não tem outro em meu lugar

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Deusa do cassino

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Deusa do Cassino (valsa, 1938) - Newton Teixeira e Torres Homem
Orlando Silva

Ninguém foge ao seu destino
E por isso num cassino
Eu vim a te conhecer
Como louca borboleta
Volúvel como a roleta
Deusa do luxo e do prazer

Sentada na minha frente
Jogavas, nervosamente
Sem acertar uma vez
Era um duelo de morte
Que sustentavas com a sorte
Com teu destino, talvez.

As tuas mãos vaporosas
Mexendo as fichas nervosas
Tinham presos os olhos meus
Nas fichas mais valiosas
Nas dez fichas cor de rosa
Das pontas dos dedos teus

A tua boca vermelha
Com as copas se assemelha
No seu feitio e na cor
Boca que vale um tesouro
Vale mais que o ás de ouro
Numa seqüência de amor.

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Ainda uma vez

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Ainda uma vez (fox-canção, 1938) - José Maria de Abreu e Francisco Matoso
Francisco Alves

Ainda uma vez
Procuro te encontrar
Só para te dizer
Que eu não posso
Que não quero e que não devo
Te olvidar...

Ainda uma vez
Quisera te beijar
Tal qual antigamente
Sob a luz suave
E meiga de um romântico luar

Ainda uma vez
Eu sei que hás de voltar
E então nós ficaremos
Para sempre
Para sempre bem juntinhos

A sonhar
Eu guardo a ilusão
Que ainda me crês
Meu coração alegre diz
Serei feliz
Ainda uma vez

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Vou deixar meu Ceará

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Vou deixar meu Ceará (toada, 1937) - José de Sá Róris
Almirante

Eu vô deixá meu Ceará
Mas eu vorto quando o tempo amiorá
Eu vô deixá meu Ceará
Mas eu vorto quando o tempo amiorá

Já nim canta a saracura
Já nim canta o sabiá
Meu açude já secô
Meus legume se acabô
Vô m'imbora pro Pará
(Vô m'imbora pro Pará)

(refrão)

Já perdi tudo que eu tinha
Cuma é que vô vevê
Meus bichinho tão morrendo
Tudo, tudo se perdendo
Já nem tenho o que comê
(Já nem tenho o que comê)

(refrão)

Vade a mim Nossa Senhora
Vem ouvir minha oração
Manda chuva com fartura
Pra sarvá as criatura
Tenha dó do meu sertão
(Tenha dó do meu sertão)

(refrão)

Lá no céu nenhuma nuvem
Nim choveu no Pioí
Só se vê gente passando
Eu inté já tô chorando
Só de vê que vô parti
(Só de vê que vô parti)

(refrão)

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Última canção

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Última canção (fox-canção, 1937) - Guilherme A. Pereira
Orlando Silva

Esta será a última canção
Que cantarei ao me despedir
Depois verás então
Em breve eu partir
Para não ver em vão
O teu sorrir.

Esta será a última canção
Que cantarei ao me despedir
Quando eu te abraçar chorando
Para seguir e te deixar cantando.

FALADO:

Com os olhos rasos d´água
Olhos que vivem cheios de mágoas
Ao partir venho triste, soluçando
Me despedir
Dar-te o último adeus.
Lamento que os olhos meus
Não tenham sido os olhos teus
Para terem chorado tanto
Tanto, tanto quanto os meus.

(Retorna a estrofe primeira e finaliza.)

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Solidão

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Solidão (samba-canção, 1937) - José Maria de Abreu e Francisco Matoso
Orlando Silva

Quando a caminho da cidade
Te vi
A dor cruel de uma saudade
Senti
E eu chorei na solidão
Sem ter a felicidade
Me alegrando o coração

Hoje vivo só
E triste
O nosso amor recordando
E depois que partiste
Nunca mais eu sonhando
Vi o romance que eu quis
Ser feliz

Quando a caminho da cidade
Te vi
A dor cruel de uma saudade
Senti
E eu chorei na solidão
Sem ter a felicidade
Me alegrando o coração

Dizem que hoje na cidade
Vives com luxo e dinheiro
Tendo a felicidade
De esquecer o Salgueiro
Deixando no meu coração
Solidão...

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Só nós dois no salão (E esta valsa) (valsa, 1937) - Lamartine Babo
Francisco Alves

Só nos dois num salão e esta valsa
E uma orquestra de anjos divinos
Uns acordes de um toque de sinos
Nos finais desta valsa de amor.

Pelo chão
Umas pétalas de flor
Luz azul percorrendo o salão
Só nós dois
Mais ninguém
Mais ninguém
Só nós dois
A saudade virá depois.

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Sabiá laranjeira

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Sabiá laranjeira (samba, 1937) - Max Bulhões e Mílton de Oliveira
Patrício Teixeira

refrão:

Sabiá laranjeira
Ouvi o teu cantar bem perto (x2)

Eu saí te procurando
Mas a noite foi chegando
Me perdi no deserto (x2)

Ao cair da tardinha

Quando vinhas me saudar
Bem baixo da laranjeira
Eu deitado numa esteira
Ouvia seu cantar

(refrão)

Só me resta uma gaiola
Que comprei pra sabiá

Sabiá é forasteira
Vive solta a vida inteira
Não quer mais voltar

(refrão)

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Misterioso amor

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Misterioso amor (valsa, 1937) - Saint-Clair Sena
Francisco Alves

Misterioso amor
Eu te senti a noite inteira
Nos lábios que beijei
No sonho lindo que sonhei
Misterioso amor
Da sombra vaporosa que beijei
E que se dissipou
No sonho que passou...

Misterioso amor
Tu me deixaste a boca em brasa
No beijo que me deste
Cheio de ânsia e de calor
Quisera repetir
Este prazer sentido
Oh, sombra vaporosa
Que me deste o teu amor.

Mas tu me deixaste
Assim extasiado
E desapareceste no espaço
Vivo a procurar-te em vão
Oh, sombra do mistério
Que soube despertar assim
O meu humilde coração.

Quando chega a noite
O meu anseio cresce
E fico acordado a te esperar
Mas a noite passa
E o sol que aparece
Me surpreende
Por teu amor, a suspirar...

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Chiribiribi quá quá

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Chiribiribi quá quá (marcha/carnaval, 1937) - Ary Barroso e Antônio Nássara
Bando da Lua

Chiribiribi quá quá
Chiribiribi quá quá
Nosso amor, há de ser campeão
Chiribiribi quá quá
Chiribiribi quá quá
O juiz o juiz é o coração

Eu procurei fazer um gol no teu amor
Fiquei nervoso e perdi a direção
O juiz apitou sem ter razão
O juiz, o juiz é um ladrão

Pra que juiz marcar o jogo entre nós dois
Si vale "foul", vale "offside" e bofetão
É melhor o juiz lamber sabão
Oh! O juiz, o juiz é um ladrão

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Boêmio

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Boêmio (samba, 1937) - Ataulfo Alves e J. Pereira
Orlando Silva

Boêmio
Nos cabarés da cidade
Buscas a felicidade
Na tua própria ilusão.

Boêmio
A boêmia resume
No vinho, o amor, e o ciúme
Perfume, desilusão.

Boêmio
Ó Sultão, porque é que queres
Amar, a tantas mulheres
Se tens um só coração?

Boêmio
Pensa na vida, um instante
E vê, que o amor inconstante
Só traz, por fim solidão.

Boêmio
Que ficas na rua
Em noite de lua
Tristonho a cantar
Na ilusão dos beijos viciosos
E dos carinhos pecaminosos.

Boêmio
Tu vives sonhando
Com a felicidade
Mas não és feliz
Vives, boêmio, sorrindo e cantando
Mas o teu sofrer
O teu riso não diz...

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Até breve

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Até breve (samba, 1937) - Ataulfo Alves e Cristóvão de Alencar
Sílvio Caldas

Até breve
Você disse ao deixar o nosso lar
Até breve
Eu respondi quase sem poder falar
E depois desse até breve
Muito tempo já passoú
Até breve....até breve
E você nunca mais voltou

E você nunca mais voltou ao nosso lar
Deixando esta saudade em seu lugar
Meu amor, nosso amor já tinha raiz
Sem você jamais serei feliz

Os meus olhos estão cansado de chorar
E perguntam se você vai voltar
Eu não sei responder
Mas meu coração
Bate forte no peito
E diz que não

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Acorda Escola de Samba

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Acorda Escola de Samba (samba/carnaval, 1937) - Benedito Lacerda e Herivelto Martins
Sílvio Caldas

Acorda, escola de samba, acorda
Acorda, que vem rompendo o dia
Acorda, escola de samba, acorada
Salve as pastoras e a bateria

No Morro
Quando vem rompendo o dia
Na escola também
Vem raiando o samba
A pastora amanhece cantando
E a turma desperta, entoando
Um hino de harmonia

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Teus ciúmes

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Teus ciúmes (valsa, 1936) - Laci Martins e Aldo Cabral
Sílvio Caldas

Condeno os teus ciúmes
Que mataram nosso amor
Razão dos meus queixumes
Causa cruel desta dor.

Condeno os teus ciúmes
Que me crucificaram
E me dilaceraram o coração
Na eterna imensidão
Da minha solidão.

Olho para o passado
E tristonho, vejo então
No livro desfolhado
Da minha desilusão
Cenas do nosso amor
Um sonho encantador
Aquele tempo lindo
Que eu julgava infindo.

Na minha vida incalma
No embaçado espelho de minh'alma
Eu vejo os teus ciúmes
Como se refletindo
Dentro de mim, assim me destruindo
Sempre os teus ciúmes
Vem me perseguindo.

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Sonhos azuis

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Sonhos azuis (valsa, 1936) - João de Barro e Alberto Ribeiro
Carlos Galhardo

Tu, nem sequer sonhando
Pensas um momento em mim
Eu penso noite e dia em ti
E sou feliz assim
Porque mil sonhos azuis, desde então
Vivem no meu coração.

Uma casa pequenina
Com janelas para o mar
Tendo ao longe, uma colina
Onde a noite, a lua vai passear
Num recanto adormecido
Entre as rosas dos rosais
Os meu olhos, nos teus olhos azuis
Eu e tu, e nada mais.

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Pelo amor que eu tenho a ela

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Pelo amor que eu tenho a ela (samba, 1936) - Ataulfo Alves e Antônio Almeida
Francisco Alves

Pelo amor que eu tenho a ela
Sofrimentos eu passei
Pelo amor que eu tenho a ela
Muitos prantos derramei

Pelo amor que eu tenho a ela
Minha vida é um rosário de agonia
Pelo amor que eu tenho a ela
É que eu vivo soluçando noite e dia

Nela eu vivo tristonho pensando
E não descanso um minuto sequer
Todos amam mas esquecem seus amores
Ai, meu Deus
Eu não esqueço essa mulher!

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Na virada da montanha

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Na virada da montanha (samba, 1936) - Ary Barroso e Lamartine Babo
Francisco Alves

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu
na virada da montanha

E quem passa na cidade
Vê no alto
A casa verde de sapé
Ainda...
A trepadeira no carramanchão
Amor-perfeito pelo chão
Em quantidade

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu
na virada da montanha

Pobre casa abandonada
Além
No alto
Sozinha sem ter lá ninguém
Caindo velhinha ao ver
os prédios da cidade
Ó velha casa,
Sombra eterna da saudade

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Longe dos olhos

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Longe dos olhos (samba, 1936) - Djalma Ferreira e Cristóvão de Alencar
Francisco Alves

Que saudade
Nesta solidão
Ela tão longe, longe dos olhos
E perto do meu coração

(repete)

Ai, meu Deus, quanta dor
Longe choro
Sem saber como vai meu amor
Coração, bate mais
Sofre, canta, para ver
Se ela escuta os meus ais.

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Lembro-me ainda

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Lembro-me ainda (valsa, 1936) - Joubert de Carvalho
Francisco Alves

O amor que desfolhei
Viveu na luz das madrugadas
As noites enluaradas
Que passam...
Levando em seu destino
Os nossos corações
Que se deixam levar à toa
Nas mais ingênuas ilusões
Que são um grande amor
Perdoa...

Lembro-me ainda
De um beijo que você me deu
Guardo na boca
Esse beijo que você esqueceu
No momento que mais desejava
Ter na boca
A boca que me atormentava
Amor...!

Lembro-me que ainda
Que foi por seus olhos bizarros
Que os meus olhos molhados
Por variaram pela noite adentro
E pelas madrugada
O amor e depois
Mais nada...

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História joanina

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História Joanina (canção, 1936) - J. Cascata e Leonel Azevedo
Orlando Silva

Foi uma noite de São João
Junto à fogueira
Que eu conheci a cabocla
Mais bela deste sertão
Seus olhos negros me olhavam
De tal maneira
Que não mais teve sossego
O meu pobre coração

Ajoelhei-me e implorei
Em doce prece
Que São João me fizesse
Feliz, junto ao meu amor
Que essa cabocla
Nunca mais me abandonasse
E que junto a mim ficasse
Me querendo com fervor

Mas, no outro dia, ela fez um juramento
Que jamais outro no mundo, o seu coração teria
Mas foi ingrata, lançou-me no esquecimento
Prendeu-se a outro caboclo
Só pra ver meu sofrimento

E agora, quando São João já vem chegando
Minh'alma fica penando
Nesta fria soledade
E São João, que a minha prece
Não ouviste
Vê, como me encontras triste
Soluçando de saudade

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Um caboclo abandonado

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Um caboclo abandonado (samba, 1936) - Benedito Lacerda e Herivelto Martins
Sílvio Caldas

Quem visse aquele ranchinho
Lá na beira do caminho
À sombra de um pinheiral
Parava cheio de espanto
Ao ouvir de dentro o canto
De um sabiá divinal

Jamais alguém pensaria
Que nesse rancho existia
Um caboclo abandonado
Quem partiu, deixou lembrança
E ele guarda uma esperança
E ele canta amargurado

A rola nunca se esquece
De onde fez seu primeiro ninho
O seu primeiro ninho de amor
Pode, rolinha triste
Andar por onde quiser andar
Mas ao seu primeiro ninho
Tem que voltar

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A.M.E.I.

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A.M.E.I. (marcha/carnaval, 1936) - Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão
Francisco Alves

A-M-E-I quer dizer amei (amei)
S-O-F-R-I quer dizer sofri (sofri)
Que pena o alfabeto não ter
Letras pra gente escrever
Tudo aquilo que eu senti por ti (por ti)

Eu que nunca tive professor
Para me ensinar o verbo amar
Aprendi o A-B-C do meu amor
Na cartilha azul do teu olhar

Quando eu te dei meu coração
Não podia nunca imaginar
Que existisse a palavra ingratidão
Na cartilha azul do teu olhar.

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Vou me casar no Uruguai

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Vou me casar no Uruguai (samba-choro, 1935) - Valfrido Silva e Gadé
Almirante

Eu fico em casa, você tá falando
Se eu vou pra rua, você quer brigar
O nosso gênio não tá combinando
Isso não é vida, eu vou me separar
Se você teima eu também sou teimoso
O nosso tempo vai em discussão
Se você acha que eu não sou bondoso
Arranje um palacete
Saia do meu barracão

Vou lhe dizer que já gastei muitos mil réis
Que estou tratando dos papéis
Para me separar
To arranjando um divórcio camarada
Porque nossa amizade
Hoje em dia não é nada

Nossa união
Vai ter o fim que eu queria
E etcetera e correria
Vai ser bem melhor
Você se vista
E vá pra casa de seu pai
Que eu vou comprar minha passagem
Vou casar lá no Uruguai

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Rasguei a minha fantasia

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Rasguei a minha fantasia (marcha/carnaval, 1935) - Lamartine Babo
Mário Reis

Rasguei a minha fantasia
O meu palhaço
Cheio de laço e balão
Rasguei a minha fantasia
Guardei os guizos no meu coração

Fiz palhaçada
O ano inteiro sem parar
Dei gargalhada
Com tristeza no olhar
A vida é assim...
A vida é assim...
O pranto é livre
Eu vou desabafar

Tentei chorar
Ninguém no choro acreditou
Tentei amar
E o amor não chegou
A vida é assim...
A vida é assim...
Comprei uma fantasia de pierrô

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Lalá

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Lalá (marcha, 1935) - João de Barro e Alberto Ribeiro

Lalá, Lelé, Lili, Loló, Lulu...
Bando da Lua

Amei Lalá
Mas foi Lelé que me deixou jururu
Lili foi mal
Agora só quero Lulu

Amei Lalá
Mas foi Lelé que me deixou jururu
Lili foi mal
Agora só quero Lulu (Lulu, Lulu)

Eu ando agora tão só
Não tenho Lalá, Lelé, Lili
E não encontro Loló
Eu ando agora tão só
Não tenho Lalá, Lelé, Lili e Loló

Teu coração ò Lulu
É uma prisão, um alçapão
Onde eu cai sem querer
Dele eu não quero fugir
Se um dia eu sair
Eu sei que vou morrer

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Estão batendo

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Estão batendo (samba, 1935) - Valfrido Silva e Gadé
Joel e Gaúcho

Estão batendo
Se for comigo diga que eu não estou
(fui pra Paris, fui pra Moscou)

É a mulata
Que a pouco tempo você abandonou
(meu Deus do céu, mas que horrô)

Está zangada
De cara feia atrás de um vassourão
Pelo que eu vejo ela vem disposta
A fazer barulho e te meter a mão.

Vou espiar
Se for verdade eu vou me esconder
Essa mulata é de meter pavor
Ela é que trate de se defender.

O meu lugar
É bem atrás daquele guarda-roupa
Você arreda e fica bem quietinho
Essa mulher é da gandaia solta.

Se o pau comer
Você me chama um guarda, por favor
E a assistência, pelo amor de Deus
Vá na farmácia e chame um doutor
(estou com dor)

No sururú
Dessa maneira eu vou levar desvantagem
Essa mulher bateu num regimento
Eu já conheço a sua malandragem...

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Tipo sete

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Tipo sete (marcha/carnaval, 1934) - Antônio Nássara e Alberto Ribeiro
Francisco Alves

O tipo louro
Vale um tesouro
Mas perto do moreno
É café pequeno

Enquanto eu tiver
Olhos pra enxergar
Boca pra gritar
Hei de ter opinião
Não é qualquer mulher
Que consegue dominar
Meu coração

O tipo escuro
Não dá futuro
É capital parado
Que não rende juro

O tipo claro
É muito raro
Mas vende muito pouco
Porque custa caro

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Quero morrer cantando

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Quero morrer cantando (samba, 1934) - Valfrido Silva
Francisco Alves

Quero morrer cantando um samba
No meio de uma roda bamba
Quero zombar da própria morte
Cercado das pequenas
Que me deram inspiração e forte

No outro mundo
Vão me rir e caçoar
E decida se matando em trabalhar
Pensando somente na riqueza
Sendo a vida mergulhada
Mergulhada na tristeza

Quero morrer cantando um samba
No meio de uma roda bamba
Quero zombar da própria morte
Cercado das pequenas
Que me deram inspiração e forte

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Primavera no Rio

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Primavera no Rio (marcha, 1934) - João de Barro
Carmen Miranda

O Rio amanheceu cantando
Toda a cidade amanheceu em flor
E os namorados vem pra rua em bando
Porque a primavera é a estação do amor (bis)

Rio
Lindo sonho de fadas
Noites sempre estreladas
E praias azuis

Rio
Dos meus sonhos dourados
Berço dos namorados
Cidade da luz

Rio

Das manhãs prateadas
Das morenas queimadas
Ao brilho do sol

Rio
És cidade desejo
Tens a ardência de um beijo
Em cada arrebol

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O correio já chegou

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O correio já chegou (samba/carnaval, 1934) - Ary Barroso
Francisco Alves

O correio já chegou, ô, ô
Nem uma cartinha de você
Todo dia a mesma cousa
E eu de longe sem saber por quê

Longe dos olhos, longe do coração
É o ditado mais certeiro
Deste mundo de ilusão
Amor, como é triste a minha sorte
Só espero agora a morte
É tudo que me resta pra consolação

A minha mágoa vem da confiança
Que em você depositava
Minha única esperança
Amor, já que tudo está perdido
Só lhe faço este pedido
Apaga-me de todo de sua lembrança

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Maria Rosa

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Maria Rosa (marcha/carnaval, 1934) - Antônio Nássara
Francisco Alves

Cadê Maria Rosa?
Tipo acabado de mulher fatal
Que tem como sinal uma cicatriz
Dois olhos muito grandes
Uma boca e um nariz
Dois olhos muito grandes
Uma boca e um nariz

Maria Rosa saiu a passeio
Dizendo que voltava pra jantar
Faz quase um mês
E Maria ainda não veio
Eu peço a todo mundo
Que me ajude a procurar

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Folhas ao vento

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Folhas ao vento (valsa, 1934) - Milton Amaral
Gastão Formenti

Tão mimosa
Graciosa e angelical
Nasceu em seu jardim uma linda flor
Naquela noite santa de Natal
No momento que juramos eterno amor
No entanto você tudo esqueceu
Trocando meu coração por outro ser
E a flor, ao ver a sua ingratidão
Murchou e em prantos se desfolhou
Até morrer.

Folhas ao vento
Já que o destino assim nos transformou
Envelheci
Na lucidez da imensa provação
Num labirinto
De tristeza e saudade
Num relicário, a cruci dor da ingratidão

Folhas ao vento
Quando a bonança veio me abraçar
Num desalento
Aquele amor fui encontrar
Numa igrejinha, tendo ao colo filho seus
Pedindo uma esmola
Pelo amor de Deus!

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Balança coração

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Balança coração (marcha, 1934) - André Filho

Meu coração balança
Entre o sonho e a ilusão
Na esperança de um dia
Suavizar a paixão
Deste amor que foi vida
Foi perfume de mel
E morreu ao luar
Bem pertinho do mar
No fim da primavera.

Balança coração, balança
Aurora Miranda

Balança entre o sonho e a ilusão
O sonho ilude
Faz a gente delirar
E a ilusão suaviza o seu penar

Balança coração, balança
Balança entre o sonho e a ilusão
O sonho ilude
Faz a gente delirar
E a ilusão suaviza o seu penar

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Infinito

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Márcio Greyck

Infinito (1973) - Giancarlo Bigazzi e Toto Savio (versão Fernando Adour)


D# A# Cm C#
Nós dois andando pelo céu, tudo é tão lindo
Ab C Fm Fm7
O mundo fica diferente fica bem distante
Bb D# D#/D
É tudo como se tivesse que morrer agora
D# Bb7 D# B
A minha vida está em tuas mãos senhora
E B C#m D
E quando vejo teus cabelos da cor do sol
A C# F#m F#m7
Eu sinto que se quisesse poderia voar
B E E/D#
Andar pelo horizonte sem mistério
E B E Ab A B
E vou olhar teus olhos porque são sinceros
A C#m Bm E
Guarda-me, proteja-me, que sou eu
Bm E A A9
quando te amo eu sou um homem que chega a Deus
F#m Bm
Na minha viagem pelas estrelas tu terás
E E7
O amor sincero, o infinito que não verás
A C#m Bm E
Pois o infinito são os teus olhos meu amor
Bm E A
Que quando te amo eu sou um homem que chega a Deus
F#m Bm
Agora pegue as minhas mãos, mas pegue com calor
E A
Você não pode recusar o meu amor que é teu
E B C#m D
Amor perdoa aquele que está amando
A C# F#m F#m7
O mundo não é mais importante que o meu amor
B E E/D#
Que importa saber o tempo que me espera
E B7 E Ab A B
A minha vida está em tuas mãos, senhora...

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Impossível acreditar que perdi você (1971) - Márcio Greyck e Cobel

Tom: E

E A/C#
não, eu não consigo acreditar no que aconteceu
B B/A
é um sonho meu
E F#m7 B7
nada se acabou
E A/C#
não, é impossível, eu não consigo viver sem você
B B/A
volte e venha ver
E F#m G#m7
tudo em mim mudou

C#m B/D# Gm
REFRÃO eu já não consigo mais viver dentro de mim
C#m7 F#m7
e, e viver assim
B E F#m7 B7
é quase morrer
C#m7 B/D# G#m
venha me dizer sorrindo que você brincou
C#m7 F# B E F#m7 B7
e que ainda é meu, só meu, o seu amor


E A/C#
hoje mais um dia de tristeza para mim passou
B B/A
nem o meu olhar
E F#
nada se alegrou
E A/C#
sinto-me perdido no vazio que você deixou
B B/A
nada quero ser
E F#m7 G#m7
já nem sei quem sou


REFRÃO

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Alvorada

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Alvorada (samba, 1934) - Synval Silva
Carmen Miranda

Vem raiando a aurora,
Vai clareando o dia,
E vem o sol raiando, lá no céu,
Para findar nossa alegria.

(refrão)

A cuíca, lá no alto, ronca a noite inteira,
Embalando aquela gente, lá do morro de Mangueira,
E o samba se prolonga, até alta madrugada,
Mas o dia vem raiando, vai cessando a batucada.


(refrão)

Pra gozar a mocidade, fiz um samba no terreiro,
E tinha gente da Favela, da Mangueira e do Salgueiro,
E até mesmo da cidade, tinha gente que é "Dotô",
E que sambavam de verdade, pra mostrar o seu valô

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Segura esta mulher

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Segura esta mulher (marcha/carnaval, 1933) - Ary Barroso
Sílvio Caldas

Segura esta mulher
Ela quer fugir
Roubou meu coração
Não pode escapulir, oi

Eu não sei o que vai ser
Meu amor
Não sejas desmancha-prazer, oi

Fui bem pesadinho, eu sei
Meu amor
De outra mulher não gostarei, oi

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Pálida morena

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Pálida morena (tango-canção, 1933) - Freire Júnior
Francisco Alves

Beijei
A tua boca e adormeci
Sonhei
Que era feliz junto de ti
Eu vi nos teus olhos
Linda criança
A cor que simboliza a esperança.

Pensei
Que fosse minha, ó ilusão
Julguei
Me pertencer teu coração
Momento de prazer e felicidade
Eu a sonhar na realidade.

Ó sonho de ilusão
Que se desfaz
Aquela de olhar meigo
Tão tristonho
Mulher, é uma mulher
Igual às mais...

Ó pálida morena
Dos meus sonhos
Adeus
Não quero ver-te nunca mais
Os teus
Olhos me ferem, são punhais
Teu beijo, é um veneno
Que tortura
E manda um mortal pra sepultura.

Porém
Triste consolo de paixão
Ninguém
Conquistará teu coração
Tu dás o teu amor
A quem quiser, e a quem quiser
O teu amor, mulher....

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Na Serra da Mantiqueira

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Na Serra da Mantiqueira (canção, 1933) - Ari Kerner Veiga de Castro
Gastão Formenti

Na Serra da Mantiqueira
Sob a fronde da mangueira
Que ela em moça viu plantar
Sentadinha no seu banco
Trançando o cabelo branco
Mãe Maria, vai sonhar...

Dos amores do passado
Só lhe resta um filho amado
Que lhe dá felicidade
Ele é todo o seu encanto
Sua vida, o fruto santo
Da longínqua mocidade.

E nas nuvens que correndo
Vão no céu aparecendo
Pra no ocaso descansar
Ela vê seus belos dias
De venturas e alegrias
Que não mais hão de voltar...

Eis porém que veio a guerra
Abalando toda a serra
Com o rugido do canhão
E a velhinha amargurada
Viu seu filho, lá na estrada
Se sumir, num batalhão...

Segurando seu rosário
No seu banco solitário
Mãe Maria reza agora
Pede a Deus ardentemente
Que lhe mande o filho ausente
Que já tanto se demora.

E numa tarde ao sol poente
Ela escuta de repente
A voz meiga do rapaz
Que lhe diz, tal como em vida:
Muito em breve, mãe querida
Lá no céu me encontrarás...

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Lola

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Lola (fox, 1933) - Lamartine Babo

Hoje eu li um anúncio no jornal
Anúncio muito interessante
Um rapaz alegre, jovial
Procura uma mulher constante
Lamartine Babo

Para evitar qualquer engano
Diz o moço que tem
Tem bangalô e um bom piano
Automóvel também
Hoje em dia provar ninguém tem

Lola, Lola
Hás de ser a minha namorada
Na próxima noite enluarada
Tenho muitos beijos pra nós dois
E depois...e depois...e depois...

Lola, Lola
Nosso casamento vai ter graça
Vamos cometer essa desgraça
Vem morrer de fome
Mal me faz
Imitar nossos pais

Teremos um, teremos dois
Teremos um batalhão
Teremos muitos filhos
Haja região
E se o primeiro for mulher
Chamar-se-á Conceição
Se for guri
Será o nosso jovem

Querida Lola, Lola
O Brasil é grande
É um colosso
Vamos à Goiás e a Mato Grosso
E seremos lá no Paraguai
Com mamãe e o papai

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Dona da minha vontade

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Dona da minha vontade (valsa, 1933) - Francisco Alves e Orestes Barbosa
Francisco Alves

Saudade
De quando em quando
Passarinhos segredando
Voam tontos, rente ao chão
Felizes na primavera
Na busca da paz sincera
Do ninho do coração.

Ela, distante, sorrindo
Talvez esteja me ouvindo
Mas me ouvindo sem saber
Que o canto que eu solto, há medo
É o nostálgico segredo
Do que eu não posso dizer.

Coração

Ninho de penas
No arminho de almas serenas
Tem perfume, tem calor
Pobre de mim, ave tonta
A lua, triste, desponta
E eu vou ficar sem amor.

Dona da minha vontade
Escravo da ansiedade
Serei o que ela quiser
Coração, porque preferes
Amar todas as mulheres
No amor de uma só mulher...

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Desacato

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Desacato (samba, 1933) - Wilson Batista, Murilo Caldas e P. Vieira

Me desacatou
Vou lhe reprovar
Guarde na memória
Hei de me vingar.
Castro Barbosa,
Francisco Alves e
Murilo Caldas

Diga porque você me deixa a casa
E vai para a orgia
Me desobedece (oi neném)
Perca esta mania (meu bem).

Um desacato assim
Ninguém pode aturar
Ela abandona a casa
E vai pro morro sambar
Não quero que ela faça
Como fez da outra vez
Encheu a cara de cachaça
E só voltou no fim do mês.

Pancada não dá jeito
Por mais que eu lhe bata
Pois ela não respeita
E sempre me desacata
Vou ver se me salvo
Enquanto está em tempo
Deixando um bilhetinho:
Adeus, adeus, mau elemento!

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Alma de Tupi

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Alma de Tupi (canção, 1933) - Jararaca (José Luiz Calazans)

Sou caboclo brasileiro,
Tenho sangue de guerreiro,
Descendente de Tupi,
Já andei por outras terras,
Tenho visto muitas serras,
Como a nossa nunca vi,
Tenho amor à minha terra,
Que belezas ela encerra,
Nesses matos do sertão !
Onde os nossos índios bravos,
Nunca se fizeram escravos,
De qualquer outra nação !
Minha terra tem cascatas,
Tem mistérios nestas matas
Que traduz belezas mil !
Minha terra tem perfume,
Que até Deus já tem ciúme,
Destas terras do Brasil !
Folhas verdes e amarelas,
Céu azul cheio de estrelas,
Como não existe igual,
A imagem da bandeira,
Desta terra brasileira,
Neste mundo é sem rival.

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Um samba em Piedade

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Um samba em Piedade (samba, 1932) - Ary Barroso

Eu fui num samba
Pra matar minha saudade
Sílvio Caldas
Na Piedade
Na Piedade


Rapaziada, no batuque nunca falha
Quando a roda está formada
Bate até chapéu de palha
Gente danada
Pra sambar tá sempre boa
Samba filha da criada
E a família da patroa
(Escolhe!)


Eu fui num samba
Pra matar minha saudade
Na Piedade
Na Piedade

Não tem bandeira, pra sambar
Ninguém se avexe
Mexe até moça solteira
E as casadas, também, mexe
E a cozinheira
Pra pegar também o dela
Vai mexendo com as cadeira
Enquanto, mexe com as panela
(E agora?)

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Tristezas não pagam dívidas (samba, 1932) - Ismael Silva

Tristezas não pagam dívidas
Não adianta chorar
Deve-se dar o desprezo
A toda mulher que não sabe amar.
Francisco Alves

O homem deve saber
Conhecer o seu valor
Não fazer como o Inácio
Que andou muito tempo
Bancando o Estácio.

Tristezas não pagam dívidas...

Nunca se deixa a mulher
Fazer o que ela entender
Pois ninguém deve chorar
Só por causa de amor
E nem se lastimar
Por causa disso eu não vou me derrotar.

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Meu Brasil

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Meu Brasil (canção, 1932) - Pedro de Sá Pereira e Olegário Mariano
Vicente Celestino

A minha terra,
Tesouros mil, no seio encerra
E linda e pura
Como no mundo não existe igual
Tanta fartura
A natureza, o céu a reflorir
Tem a ventura
Tem o condão de seduzir
Tem o condão de seduzir

A minha terra
Tesouros mil no seio encerra
Mulher amada
Abençoada por seu povo
No Mundo Novo
Não há quem tenha tal fulgor
Tanta riqueza
Tanto encanto e tanto amor

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti em luz
Tanta beleza
Que ninguém pode admirar
Sem se ajoelhar

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti sem ver
Tanta beleza
Que ninguém pode entender
Meu Brasil de um céu de anil

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Marchinha do amor

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Marchinha do amor (marcha/carnaval, 1932) - Lamartine Babo

Com a letra A
Começa o amor que a gente tem
Com a letra A
Começa o nome do meu bem

Mário Reis e
Francisco Alves

Ai, quem dera ser um jasmim
Pra você beijar
Pra você beijar no seu jardim
Ai, quem dera ser um jasmim
Pra você beijar
Recordando-se de mim

Ai, quem me dera ser um ladrão
Pra poder roubar
Pra poder roubar seu coração
Ai, quem me dera ser um ladrão
Pra poder roubar
O seu lindo coração

Ai, quem me dera ser professor
Para ensinar
Para ensinar o verbo amar
E se eu pudesse ser professor
Eu tirava o A
Desse adeus que traz a dor

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Loura ou morena

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Loura ou morena (fox-canção, 1932) - Vinícius de Moraes e Haroldo Tapajós

Se por acaso o amor me agarrar
Quero uma loira pra namorar
Irmãos Tapajós
Corpo bem feito, magro e perfeito
E o azul do céu no olhar
Quero também que saiba dançar
Que seja clara como o luar
Se isso se der
Posso dizer que amo uma mulher

Mas se uma loura eu não encontrar
Uma morena é o tom
Uma pequena, linda morena
Meu Deus, que bom
Uma morena era o ideal
Mas a loirinha não era mau
Cabelo louro vale um tesouro
É um tipo fenomenal
Cabelos negros têm seu lugar
Pele morena convida a amar
Que vou fazer?

Ah, eu não sei como é que vai ser
Olho as mulheres, que desespero
Que desespero de amor
É a loirinha, é a moreninha
Meu Deus, que horror!
Se da morena vou me lembrar
Logo na loura fico a pensar
Louras, morenas
Eu quero apenas a todas glorificar
Sou bem constante no amor leal
Louras, morenas, sois o ideal
Haja o que houver
Eu amo em todas somente a mulher

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Gegê

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Gegê (marcha/carnaval, 1932) - Eduardo Souto e Getúlio Marinho
Jaime Vogeler

Tenha calma, Gegê
Tenha calma, Gegê
Vou ver se faço
Alguma coisa por você

Não se aborreça
Nem é preciso chorar
Güenta um pouco meu amor
Que as coisas vão melhorar

O seu pedido
Já foi, meu bem, despachado
O decreto já saiu
É na enxada e não no machado

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É mentira oi

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É mentira oi (samba, 1932) - Ary Barroso

É mentira, oi! É mentira, oi!
O meu amor nunca te dei
Eu sou pobre, mas já me conformei
(arranje outro)
Sílvio Caldas

Anda por aí falando
Tanta coisa a meu respeito
Eu juro, é despeito
Mas não estou ligando
Este mundo é uma escola
Já quebrei minha cachola
Hoje eu sei me defender
(oi, é mentira, oi lá se...)

Quem se dá comigo sabe
Que agora eu ando liso
Quem ama por amor
Sempre toma prejuízo
Perde o tempo no chamego
Passa a vida sem sossego
Este é o meu segredo
(oi, é mentira, oi lá se...)

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