quarta-feira, março 05, 2008

Um samba em Piedade

Sílvio Caldas
Um samba em Piedade (samba, 1932) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Um samba em piedade / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1931 / Nº Álbum 33506 / Gênero musical: Samba


Eu fui num samba
Pra matar minha saudade

Na Piedade
Na Piedade


Rapaziada, no batuque nunca falha
Quando a roda está formada
Bate até chapéu de palha
Gente danada


Pra sambar tá sempre boa
Samba filha da criada
E a família da patroa
(Escolhe!)


Eu fui num samba
Pra matar minha saudade
Na Piedade
Na Piedade

Não tem bandeira, pra sambar
Ninguém se avexe
Mexe até moça solteira
E as casadas, também, mexe
E a cozinheira
Pra pegar também o dela
Vai mexendo com as cadeira
Enquanto, mexe com as panela
(E agora?)

Tristezas não pagam dívidas

Francisco Alves
Tristezas não pagam dívidas (samba, 1932) - Ismael Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Tristezas não pagam dívidas / Autoria: Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Gente Boa (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10922 / Gênero musical: Samba


Tristezas não pagam dívidas
Não adianta chorar
Deve-se dar o desprezo
A toda mulher que não sabe amar.


O homem deve saber
Conhecer o seu valor
Não fazer como o Inácio
Que andou muito tempo

Bancando o Estácio.

Tristezas não pagam dívidas...

Nunca se deixa a mulher
Fazer o que ela entender
Pois ninguém deve chorar
Só por causa de amor
E nem se lastimar
Por causa disso eu não vou me derrotar.

Meu Brasil

Olegário Mariano
Meu Brasil (canção, 1932) - Pedro de Sá Pereira e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título: Meu Brasil / Autoria: Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Pereira, Pedro de Sá, 1892-1955 (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1932 / Nº Álbum 22105 / Gênero: Canção


A minha terra,
Tesouros mil, no seio encerra
E linda e pura
Como no mundo não existe igual
Tanta fartura
A natureza, o céu a reflorir
Tem a ventura
Tem o condão de seduzir
Tem o condão de seduzir


A minha terra
Tesouros mil no seio encerra
Mulher amada
Abençoada por seu povo
No Mundo Novo
Não há quem tenha tal fulgor
Tanta riqueza
Tanto encanto e tanto amor

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti em luz
Tanta beleza
Que ninguém pode admirar
Sem se ajoelhar

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti sem ver
Tanta beleza
Que ninguém pode entender
Meu Brasil de um céu de anil

Marchinha do amor

Marchinha do amor (marcha/carnaval, 1932) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Marchinha do amor / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 22/09/1931 / Nº Álbum 10871 / Gênero musical: Marcha


Com a letra A
Começa o amor que a gente tem
Com a letra A
Começa o nome do meu bem


Ai, quem dera ser um jasmim
Pra você beijar
Pra você beijar no seu jardim
Ai, quem dera ser um jasmim
Pra você beijar
Recordando-se de mim

Ai, quem me dera ser um ladrão
Pra poder roubar
Pra poder roubar seu coração

Ai, quem me dera ser um ladrão
Pra poder roubar
O seu lindo coração

Ai, quem me dera ser professor
Para ensinar
Para ensinar o verbo amar
E se eu pudesse ser professor
Eu tirava o A
Desse adeus que traz a dor

Loura ou morena

Loura ou morena (fox-canção, 1932) - Vinícius de Moraes e Haroldo Tapajós

Disco 78 rpm / Título da música: Loura ou morena / Autoria: Tapajós, Haroldo (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor) / Irmãos Tapajós (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1932 / Nº Álbum 22138 / Gênero musical: Fox


Se por acaso o amor me agarrar
Quero uma loira pra namorar
Corpo bem feito, magro e perfeito
E o azul do céu no olhar
Quero também que saiba dançar
Que seja clara como o luar

Se isso se der
Posso dizer que amo uma mulher

Mas se uma loura eu não encontrar
Uma morena é o tom
Uma pequena, linda morena
Meu Deus, que bom
Uma morena era o ideal
Mas a loirinha não era mau
Cabelo louro vale um tesouro
É um tipo fenomenal
Cabelos negros têm seu lugar
Pele morena convida a amar
Que vou fazer?

Ah, eu não sei como é que vai ser
Olho as mulheres, que desespero
Que desespero de amor
É a loirinha, é a moreninha
Meu Deus, que horror!
Se da morena vou me lembrar
Logo na loura fico a pensar
Louras, morenas
Eu quero apenas a todas glorificar
Sou bem constante no amor leal
Louras, morenas, sois o ideal
Haja o que houver
Eu amo em todas somente a mulher

Gegê

Eduardo Souto
Assim que assumiu o governo revolucionário, em 1930, Getúlio Vargas começou a receber inúmeros pedidos de empregos públicos. Para protelar e desacelerar a avalancha, passou a exigir requerimento estampilhado, com foto e selos. Uma das músicas que faz a crônica do episódio é justamente esta marcha-rancho do carnaval de 1932, gravada por Jayme Vogeler na Odeon em 24 de novembro de 31 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 10876-A, matriz 4369.

O Gegê da música, vale ressaltar, é um nome qualquer, e não ainda o apelido com o qual Getúlio ficaria conhecido, apenas coincidência. O curioso é que "Gegê" venceu um concurso do jornal carioca "Correio da Manhã" para escolher a melhor música de carnaval de 1932, por votação dos leitores através de cupons impressos no próprio periódico (18.703 votos), deixando em segundo lugar (11.461 votos) o clássico "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo e dos irmãos Valença (Fonte: Samuel Machado Filho).

Gegê (marcha/carnaval, 1932) - Eduardo Souto e Getúlio Marinho / Disco 78 rpm / Vogeler, Jaime (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 10876 / Gênero musical: Marcha rancho


Tenha calma, Gegê
Tenha calma, Gegê
Vou ver se faço
Alguma coisa por você

Não se aborreça

Nem é preciso chorar
Güenta um pouco meu amor
Que as coisas vão melhorar

O seu pedido
Já foi, meu bem, despachado
O decreto já saiu
É na enxada e não no machado

É mentira oi

Sílvio Caldas
É mentira oi (samba, 1932) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: É mentira, oi! / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1931 / Álbum 33506 / Gênero musical: Samba


É mentira, oi! É mentira, oi!
O meu amor nunca te dei
Eu sou pobre, mas já me conformei
(arranje outro)


Anda por aí falando
Tanta coisa a meu respeito
Eu juro, é despeito
Mas não estou ligando
Este mundo é uma escola
Já quebrei minha cachola
Hoje eu sei me defender
(oi, é mentira, oi lá se...)

Quem se dá comigo sabe
Que agora eu ando liso
Quem ama por amor
Sempre toma prejuízo
Perde o tempo no chamego
Passa a vida sem sossego
Este é o meu segredo
(oi, é mentira, oi lá se...)

Bandonô

Jonjoca
Bandonô (samba, 1932) - Jonjoca (João de Freitas Ferreira)

Disco 78 rpm / Título da música: Bandonô / Autoria: Ferreira, João de Freitas (Compositor) / Jonjoca, 1911- (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1932 / Nº Álbum 33522 / Gênero musical: Samba


Ooooooooô, ooooooô
Meu amor me abandonô, oi bandonô (bandonô)
Foi s'imbora e me deixô (oi me deixô)
Ooooooooô, ooooooô
Meu amor me abandonô, oi bandonô (bandonô)
Foi s'imbora e me deixô


Me deixou
Não esqueço a ingratidão
Um amor quando é sincero

Nunca sai do coração
Se ele voltasse
Ò que doce ilusão
Talvez eu chorasse triste
De tanta satisfação.

Ooooooooô, ooooooô
Meu amor me abandonô, oi bandonô (bandonô)
Foi s'imbora e me deixô (oi me deixô)
Ooooooooô, ooooooô
Meu amor me abandonô, oi bandonô (bandonô)
Foi s'imbora e me deixô

Foi s'imbora
O meu amor se acabou
Hoje vivo a recordar
O bom tempo que passou
Minha alegria de viver
Ele levou
Levou tudo, tudo, tudo
Mas a saudade deixou.

Andorinha preta

Andorinha preta (embolada, 1932) - Breno Ferreira - Interpretação: Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano - Raízes (1980)


Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola
(8 vezes)

Vai, andorinha preta,
De asa arrepiada,
Vai, vai dormir teu sono andorinha, ô
Que é de madrugada.


Ai tanta coisa não devia se fazer
Tantas vezes as gente chora
Por deixar seu bem querer
Minha cabocla foi-se embora do sertão
Fez que nem as andorinhas
Foi buscar outro verão.


Nat King Cole com o Trio Yrakitan - "Swallow Black":