sexta-feira, agosto 01, 2008

Ronaldo Bastos

Ronaldo Bastos (Ronaldo Bastos Ribeiro, Niterói-RJ, 21/1/1948—), compositor e produtor, começou a atuar profissionalmente a partir de 1967, mas seu gosto pela música se manifestou já aos dez anos de idade. Nos anos seguintes, matava aulas para ir à casa do compositor Heitor dos Prazeres. Com os colegas da escola criava marchinhas carnavalescas.

Conheceu Milton Nascimento, seu primeiro parceiro profissional, no final dos anos de 1960, no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, no espetáculo Rosa de Ouro. Juntos compuseram Três Pontas, depois vieram os clássicos Fé cega, faca amolada e Nada será como antes. Foi desta parceria com Milton Nascimento que se estabeleceu o Clube da Esquina.

Na década de 1970, formou-se em jornalismo pela UFRJ. Ainda nessa década, compôs com Milton Nascimento Cravo e canela, gravada por Caetano Veloso no disco Araçá azul. Na década de 1980, compôs com Lulu Santos Um certo alguém.

Entre outros, teve parceiros como Tom Jobim, Marina, Beto Guedes, Toninho Horta, Djavan, Caetano Veloso e João Donato. Renomado por suas versões, fez os versos em português de Lately (Stevie Wonder), com o nome de Nada mais, gravada com grande sucesso por Gal Costa, e de Till There Was You (John Lennon e Paul McCartney), com o nome de Quando te vi, gravada por Beto Guedes, bem como transcreveu para o inglês Nada será como antes (com Milton Nascimento), que se tornou Nothing Will Be As It Was e foi gravada por Sarah Vaughan no disco Brazilian Romance.

Como produtor, foi diversas vezes premiado pelos discos de Milton Nascimento, Beto Guedes, Nana Caymmi, Toninho Horta e outros. Entre seus trabalhos como produtor, destacam-se também Tubarões voadores, de Arrigo Barnabé, e Felino, de Luís Melodia.

Possui o selo Dubas Música, criado em 1994, em que produziu, entre outros, Clube da Esquina 2, de Milton Nascimento, e Amor de índio, de Beto Guedes.

Em 1994 e 1997, lançou, ao lado do violonista Celso Fonseca, os CDs Sorte e Paradiso, este considerado um dos melhores de 1997.

Obras

Cais (c/Milton Nascimento), 1972; Fé cega, faca amolada (c/Milton Nascimento), 1975; Lumiar (c/Beto Guedes), 1977; Nada será como antes (c/Milton Nascimento), 1972; Trem azul (c/Lô Borges), 1982; Zanga zangada (c/Edu Lobo), 1973.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Cristóvão Bastos

O compositor, pianista e arranjador Cristóvão Bastos (Cristóvão da Silva Bastos Filho - Rio de Janeiro, 03/12/1946) é respeitado e admirado por grande parte da música brasileira. No entanto, precisou de mais de 30 anos de carreira para gravar o primeiro disco solo, Avenida Brasil, que inclui parcerias com compositores consagrados.

Estudou teoria musical e acordeom desde cedo, formando-se aos 13 anos. Sua estréia profissional foi aos 18 anos, tocando piano numa boate em Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro. Parceiro de grandes nomes como Chico Buarque — com quem compôs Todo sentimento —, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Abel Silva, Cristóvão vem criando arranjos para discos e shows de Nana Caymmi, Edu Lobo, Gal Costa, além dos nomes anteriores.

Em 1999, fez a direção musical e os arranjos do show e do disco duplo gravado ao vivo, Gal Costa Canta Tom Jobim. Em 1998, a cantora Clarisse Grova gravou Novos traços, disco de músicas inéditas de Cristóvão e Aldir Blanc. Barbra Streisand gravou Raios de luz, parceria dele com Abel Silva, em 1999, no disco A Love Like Ours. Com Blanc, Cristóvão compôs Resposta ao tempo, tema de abertura da minissérie Hilda Furacão, da Rede Globo (1998), que alcançou grande sucesso, e Suave veneno, da novela Suave Veneno, Rede Globo (1999), ambas gravadas por Nana Caymmi.

Nos quase 40 anos de carreira, Cristóvão recebeu diversos prêmios, entre ele oito Sharp, nas seguintes categorias e trabalhos: Melhor Música para Resposta ao tempo; Melhor Arranjo de Samba para os discos Paulinho da Viola e Parceria, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira; Melhor Disco Instrumental para Bons encontros, em parceria com o violonista Marco Pereira; Melhor Arranjo Instrumental para o disco Disfarça e chora, do saxofonista Zé Nogueira; Melhor Arranjo de MPB para os discos Tantos caminhos, de Carmen Costa, e Resposta ao tempo, de Nana Caymmi; e Melhor Arranjo de Canção Popular com o disco Agnaldo Rayol.

Cristóvão estreou no cinema fazendo arranjos para o filme Boca de ouro, com música de Edu Lobo, o mesmo autor da trilha do filme Guerra de Canudos, para o qual fez arranjos e orquestrações. Mauá, O Imperador e o Rei, foi a primeira trilha sonora que compôs sozinho. Participou como instrumentista de filmes como O Homem nu, entre outros.

Fontes: CliqueMusic; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

É tão triste dizer adeus

É tão triste dizer adeus (1963)- Nelson Lins e Barros, Carlos Lyra e Chico de Assis

É tão triste dizer adeus
É mais triste que morrer
Quando um morre
O outro chora
Mas se um dos dois vai embora
Os dois é que vão sofrer

Se eu ficar,
Tão triste
Sem você
Dizer adeus

Mas pra que
Que eu vou ficar
Pra comida preparar
E ter filhos pra criar
E ter roupa pra lavar
O melhor
Tão triste
É separar
Dizer adeus

Pra viver nosso cantinho
E fazer sempre juntinho
Tantas coisas
Que só dois sabem fazer

E essas coisas tão bonitas
Se você for mesmo embora
Vão se embora com você

Pras despesas aumentar
E a vida piorar
Ninguém pode suportar
O Melhor,
Tão triste
É separar
Dizer adeus

Gostar ou não gostar

Gostar ou não gostar (1963) - Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros

Gosto de cheiro de mato
Da brisa do mar
Gosto das tardes morrendo
Da luz do luar
Quero um amor de verdade
Pra me compreender
Não vê?
Que eu sonho com a felicidade
E tenho um amor
Que é você.

Mas não gosto de chuva miúda
Das noites sem fim
Não gosto de gostar de alguém
Que não goste de mim

Não quero amor sem carinho
Não quero sofrer
Pra que?
Se eu não sonho mais que sozinho
Não tenho você

Mundo à parte

Mundo à parte (1962) - Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros

Você é um mundo a parte
Não faz parte desse mundo
E no fundo não reparte
Sua parte com ninguém

Não vê que o mundo passa
E a vida passa sem você
Não sei pra que
Que fica sozinha
Não sei

Tanta gente nesse mundo
Do mundo vive afastado
Diz que só vai bem melhor
Só que vai mal acompanhado
E vai de mal a pior

O melhor é viver junto
Pra que viver separado?
Se cada um vai pro seu lado
Fica de lado, abandonado
Nisso é que dá viver só

O bem do amor

O bem do amor (samba-bossa, 1960)- Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros

A luz que vem além do mar
Faz a noite nascer manhã
O amor partiu a paz surgiu
Canção sentiu o que era amar

Amei sonhar o bem do amor
No silêncio do seu olhar
Sofri sem fim, sorri enfim
Silêncio fez-se em mim

As noites vazias de amor
Novos caminhos vão encontrar
E o amor do amor vai voltar
Trazendo carinhos fazendo sonhar

Manhã de paz nasceu em mim
E as promessas virão também
Eu sou feliz, assim feliz
O mundo é todo meu
O mundo é todo meu

Maria do Maranhão

Maria do Maranhão (canção, 1961) - Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros

Maria pobre Maria
Maria do Maranhão
Que vive por onde anda
E anda de pé no chão.

Maria desceu a estrada
Atravessou o país
Procurava muito pouco
Muito pouco ser feliz

Nem feliz queria ser
Que feliz não pode ser
Quem anda pelas estradas
Atravessando o país

Maria pobre Maria
Maria do Maranhão
Que vive por onde anda
E anda de pé no chão

Maria seguiu a estrada
A estrada de uma estrela
Maria não viu a estrela
Maria é só na estrada

Mas muita gente seguiu
A estrela que ela não viu
E vai dizer pra Maria
Que tudo tem solução

Até mesmo pra Maria
Maria do Maranhão
Que vive por onde anda
E anda de pé no chão

Nelson Lins e Barros

Nelson Lins e Barros, compositor (Recife-PE, 4/11/1920—Rio de Janeiro-RJ, 3/11/1966), fez o curso primário na Escola Manuel Borba em Recife, transferindo-se depois para o Rio de Janeiro, onde concluiu o secundário no Liceu Francês. Mais tarde estudou na Queen’s University, em Kingston, Canadá, diplomado-se pelas universidades de Berkeley e da Califórnia, EUA.

Depois de trabalhar no Consulado do Brasil na Califórnia regressou ao Rio de Janeiro, dividindo seu tempo entre a ciência, como membro do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, e a música, campo em que se destacaria, no final da década de 1950, como um dos principais teóricos do movimento da bossa nova.

Com Carlos Lyra, seu principal parceiro, compôs entre outras O bem do amor (1960), Maria do Maranhão (1961), Mundo à parte (1962), Promessas de você (1962), Depois do Carnaval (1963), Gostar ou não gostar (1963) e É tão triste dizer adeus (1963). Também compuseram a trilha sonora de Couro de gato, curta metragem de Joaquim Pedro de Andrade incluído em Cinco vezes favela (1962).

Em 1961 escreveu com Francisco de Assis a peça teatral Um americano em Brasília, musicada por Carlos Lyra. Fez também a música da peça Memórias de um sargento de milícias, de Millor Fernandes sobre texto de Manuel Antônio de Almeida (1831—1861).

Como musicólogo, foi editor da parte de música brasileira da Enciclopédia Britânica e membro do MIS, do Rio de Janeiro. Com Marco Antônio Meneses compôs Manhã de liberdade, que obteve o primeiro prêmio em concurso do Grupo Opinião para músicas sobre o tema liberdade. A música foi gravada em 1966 por Nara Leão em LP de mesmo nome, da Philips.

Na época de sua morte, causada por um enfarte, era secretário-geral do Centro Latino Americano de Pesquisas Físicas.

Obras

O bem do amor (c/Carlos Lyra), 1960; É tão triste dizer adeus (c/Carlos Lyra), 1963; Manhã de liberdade (c/Marco Antônio de Meneses), 1966; Maria do Maranhão (c/Carlos Lyra), 1961; Promessas de você (c/Carlos Lyra), 1962.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Theo de Barros

Theo de Barros (Teófilo Augusto de Barros Neto), compositor, cantor, instrumentista e arranjador, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 10/3/1943. Filho do compositor alagoano Teófilo de Barros Filho, aos 11 anos ganhou um violão e começou a aprender os primeiros acordes com Francisco Batista Barros; outros professores foram Tio Manoel, João Caldeira Filho, Leo Peracchi e Alfredo Lupi.

Em 1958 compôs sua primeira música, Saudade pequenina, mas somente quatro anos depois estreou em disco, com Natureza e Igrejinha, na interpretação de Alaíde Costa.

Em 1963 gravou seu primeiro compacto como cantor, com as músicas de sua autoria Vim de Santana e Fim. No mesmo ano integrou o Sexteto Brasileiro de Bossa, como contrabaixista. Nessa época apresentava-se, tocando e cantando, em boates paulistas (Juão Sebastião Bar, A Baiúca e Jogral, entre outras) e na televisão.

Em 1965 Elis Regina lançou seu primeiro sucesso, O menino das laranjas, música já gravada por Geraldo Vandré no ano anterior.

Em 1966 seu nome projetou-se nacionalmente, quando Disparada (com Geraldo Vandré), apresentada por Jair Rodrigues, Trio Maraiá e Trio Novo, fez enorme sucesso no II FMPB, da TV Record, de São Paulo SP, empatando em primeiro lugar com A banda, de Chico Buarque.

Ainda em 1966, o trio transformou-se no Quarteto Novo, no qual tocou violão e contrabaixo ao lado de Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Heraldo do Monte. Além de participar de outros festivais, foi diretor musical de diversas produções do Teatro de Arena, de São Paulo, entre as quais a montagem de Arena conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

Em 1967 levou sua peça Arena conta Bolívar, em parceria com Augusto Boal, ao México, Peru e EUA, com o elenco do Teatro de Arena.

Atuou como diretor musical na encenação de A capital federal, de Artur Azevedo, no Teatro Anchieta em São Paulo, em 1972, sob a direção de Flávio Rangel. Fez músicas para o filme Quelé do Pajeú, de Anselmo Duarte, e em 1975 foi o responsável pela produção e arranjos de uma coleção de quatro LPs, Música popular do Centro-Oeste, lançada pela gravadora Marcus Pereira.

Em 1979 fundou, com Aluísio Falcão, a gravadora Eldorado, e lançou o LP duplo Primeiro disco, do qual foi compositor, intérprete, arranjador, violonista, produtor e diretor musical. Ainda no selo Eldorado, participou do LP Raízes e frutos e produziu e fez arranjos para os dois premiados LPs de Edu da Gaita (1981 e 1982).

Em 1982 participou do Festival MPB Shell (TV Globo), com a música Barco sul (com Gilberto Karan). Entre 1990 e 1993, fez arranjos para vários cds da Movieplay, como The best of Antonio Carlos Jobim, The Beatles in Bossa Nova, The Best of Chico, Toquinho e Vinícius, Pery Ribeiro: Songs of Brazil e Jane Duboc.

Em 1995 tomou parte no I Encontro da MPB com a música Fruta nativa (com Paulo César Pinheiro), e em 1997 lançou o CD Violão solo, pela gravadora Paulinas.

Compôs cerca de dois mil fonogramas publicitários.

Obras

Cantador, toada, 1965; Disparada (c/Geraldo Vandré), 1966; Estória (c/Paulo César Pinheiro), 1980; Maria do Carmo, 1980; Menino das laranjas, samba, 1964; Pra não ser mais tristeza, 1980; Vim de Santana, 1980.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Heraldo do Monte

Heraldo do Monte nasceu em 1º de maio de 1935 na cidade de Recife, Pernambuco. Um dos pais da nossa música instrumental, tem a carreira marcada pela formação do lendário Quarteto Novo, com Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Theo de Barros.

Na era de ouro dos festivais (anos 60 e 70), o grupo mudou os rumos da nossa improvisação, tornando-a tão moderna quanto brasileira. Multiinstrumentista, toca guitarra, violão, baixo, banjo, bandolim e cavaquinho e, é claro, viola nordestina. Participou de centenas de discos de outros artistas como instrumentista e arranjador, e ganhou praticamente todos os prêmios importantes de música do Brasil, como o Sharp em 1994 e em 1995.

Iniciou-se na música tocando clarineta na banda da escola em Recife, onde nasceu. Mais tarde foi estudar violão, guitarra, viola caipira e cavaquinho. Sua vida profissional começou em boates e casas noturnas, nas quais acompanhava cantores.

Aos 21 anos foi para São Paulo, e tocou ao lado de Walter Wanderley, Dick Farney e Dolores Duran, além de integrar a Orquestra da TV Tupi. Seu primeiro LP, Heraldo e seu Conjunto, foi lançado em 1960, logo seguido por Dançando com o Sucesso vol. 1 e 2.

Em 1966 o artista entrou para o Trio Novo, que em seguida se tornaria o Quarteto Novo, com a adição de Hermeto Pascoal. Depois que o grupo se desfez, acompanhou nomes como Michel Legrand e o Zimbo Trio, e tocou em festivais em Montreux, Montreal e Cuba.

Participou da Orquestra da TV Tupi em 1969. Acompanhou Michel Legrand (Teatro Municipal de São Paulo), Hermeto Pascoal (Banana Progressiva), Zimbo Trio e outros artistas em shows promovidos pela Prefeitura de São Paulo.

Lançou, em 1970, o LP O violão de Heraldo do Monte. Em 1980, gravou o LP Heraldo do Monte. Em 1982, lançou, com Elomar, Arthur Moreira Lima e Paulo Moura, o LP ConSertão.

Ainda na década de 1980, gravou os LPs Cordas vivas (1983) e Cordas mágicas (1986). Em 1988, participou do Festival de Jazz de Montreal (Canadá). Recebeu por duas vezes consecutivas o Prêmio Sharp na categoria de Melhor Arranjador, pelos discos gravados por Dominguinhos em 1994 e 1995. Apresentou-se em shows, acompanhado do percussionista João Paraíba e do guitarrista Luís do Monte.

Dividiu com o Duofel um CD de uma série que reuniu grandes instrumentistas brasileiros. Ao longo de sua carreira, atuou com vários artistas como Hermeto Pascoal, Dominguinhos, Edu Lobo, Zimbo Trio, Geraldo Vandré, Johnny Alf e Michael Legrand, entre outros.

Lançou, em 2000, o CD "Viola nordestina" e, em 2003, com Teca Calazans, o CD "Teca Calazans & Heraldo do Monte".

Fontes: Kuarup Discos; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Betinho e seu Conjunto


Conjunto formado no início da década de 1950 pelo guitarrista, compositor e cantor Alberto Borges de Barros (São Paulo SP 1918—). Filho de Josué de Barros, o descobridor de Carmen Miranda, chegou, ainda adolescente, a acompanhar a cantora ao violão, ao lado do pai.

Entre 1941 e 1946 foi solista da orquestra de Carlos Machado, nos cassinos da Urca, Rio de Janeiro RJ, e Icaraí, em Niterói RJ. Um dos primeiros instrumentistas brasileiros a usar uma guitarra elétrica norte-americana da marca Fender, foi um dos precursores do rock nacional.

Seus sucessos incluem o fox Neurastênico (com Nazareno de Brito), 1954, e Enrolando o rock (com Heitor Carillo), gravado na Copacabana em 1957 e incluído na trilha do filme Absolutamente certo, de Anselmo Duarte (1957).

Gravou vários LPs na Copacabana, entre eles Betinho e seu conjunto dançante, Betinho, rock & calypso e O rei da noite. A partir de meados da década de 1960, passou a gravar discos independentes, com músicas de inspiração religiosa em ritmo de rock- balada.

Fonte: Enciclopédia da Música Popular - Art Editora e PubliFolha.

Luiz Ayrão


Luiz Ayrão (Luiz Gonzaga Kedi Ayrão), cantor, compositor e escritor, nasceu no bairro do Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro-RJ (19/1/1942). Filho do músico e compositor Darcy (1915-1955), cresceu em ambiente musical, o bisavô era músico e o avô, Artur da Silva Ayrão, estudou música no internato Escola Quinze de Novembro e na Escola Militar de Realengo na década de 1880, tornando-se maestro e professor. Na casa de um tio de seu pai, Juca de Azevedo, saxofonista, costumavam freqüentar Pixinguinha e João da Baiana, que tocavam composições do maestro e professor Ayrão.

Aos cinco anos de idade começou a compor suas primeiras músicas e a cantar Escreve-me, uma canção de sucesso da época. Aos 11 anos compôs Nunca te esquecerei. Com o falecimento do pai teve que trabalhar em várias profissões, entre elas, guia de cego, engraxate, vendedor de bebidas e de condimentos.

Aos 20 anos entrou para o Bank of London, onde trabalhou por dois anos. Por essa época, através de seu tio compositor, conheceu vários artistas de renome, entre eles, Ataulfo Alves, Humberto Teixeira, Osvaldo Santiago e Alcir Pires Vermelho. Formou-se em Direito e atuou durante alguns anos na profissão de Advogado e Procurador do BEG - Banco do Estado da Guanabara.

Pertenceu a Ala de compositores da Portela e posteriormente integrou a Diretoria da Escola. De autoria de seu pai, gravou a composição Meu anjo, composta e dedicada a sua mãe Sylvia (1919-1977), que tocava violino. No ano 2000 lançou o romance O país dos meus anjos (Editora Record/Nova Era).

Teve algumas músicas censuradas nas décadas de 1960 e 70, entre elas, a marcha Liberdade! Liberdade, o choro Meu caro amigo Chico, dedicado a Chico Buarque e ainda Treze anos, que teve de ser rebatizada por O divórcio, para burlar a censura. Assinou também com vários pseudônimos, entre eles, Joãozinho da Rocinha, Paulinho da Bioquímica, Mercier e João de Deus.

Em 1963 teve sua primeira composição gravada, Só por amor, interpretada por Roberto Carlos. Logo depois, Roberto Carlos também viria a gravar, no ano de 1966, Nossa canção, considerado o primeiro sucesso romântico do cantor. Por essa época, compôs várias músicas que foram gravadas por diversos artistas da Jovem Guarda.

Em 1968 participou do festival O Brasil canta no Rio, da TV Excelsior, com a composição Liberdade! liberdade. No ano seguinte, a convite de Rildo Hora e Romeu Nunes, a música foi lançada em compacto simples pela RCA Victor, tendo no lado B outra composição sua, Canta menina.

Pela mesma gravadora lançou mais três compactos simples com as músicas Vou e Duvido...duvido...; Igreja vazia e Às margens do rio; Hoje está fazendo um mês e Foi a noite; Sozinho na multidão e Seis e dez e por fim um compacto com o samba Puxa que luxo! , de sua autoria, tendo do outro lado do disco Picolino da Portela interpretando um samba da autoria do próprio Picolino.

Em 1970 Ciro Monteiro, no disco Alô jovens - Ilmo - Cyro Monteiro canta sambas dos sobrinhos, gravou de sua autoria Por isso eu canto assim. Neste mesmo ano Roberto Carlos interpretou Ciúme de você.

No ano de 1973 gravou um compacto simples com a música Porta aberta, considerado seu primeiro sucesso como cantor. Um mês e meio depois, devido ao grande sucesso do compacto, a gravadora Odeon lançou em 1974 seu primeiro LP, do qual se destacaram as faixas No silêncio da Madrugada e Porta aberta, composição de sua autoria em homenagem à Portela.

No ano seguinte, pela mesma gravadora, lançou o disco Missão, despontando com os sucessos nacionais Bola dividida, de sua autoria, e ainda Saudade da República, de Artúlio Reis. Por essa época, mudou-se com a família para São Paulo e passou a cantar na Catedral do Samba, uma das principais casas da noite paulista, dividindo o palco com Pery Ribeiro e Leny Andrade.

Ainda em São Paulo, como empresário, fundou três casas de shows de sucesso: Canecão Anhembi, Sinhá Moça e Modelo da Liberdade, nas quais se apresentaram Roberto Carlos, Elis Regina, Simone, Chico Anísio, Amália Rodrigues, Martinho da Vila, Clara Nunes, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Isaurinha Garcia, Jair Rodrigues, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Inezita Barroso, Adoniran Barbosa, Os Demônios da Garoa, Os Cantores de Ébano, Lana Bittencourt, entre outros.

Em 1976 regravou Nossa canção no LP Luiz Ayrão, no qual também foram incluídas de sua autoria, Conto até dez, Reencontro, A viúva, Bola pra frente, Um samba merece respeito, O lobo da madrugada e ainda No quilombo da negra cafuza e Lendas e mistérios de um coração, ambas da dupla Totonho e Paulinho Rezende. Deste LP, destacou-se também Quero que volte, permanecendo por mais de um ano nas paradas de sucesso.

Em 1977 gravou novo LP, destacando-se o choro Meu caro amigo Chico, no qual fez uma resposta musical ao também choro Meu caro amigo, de Francis Hime e Chico Buarque. Ainda deste disco a faixa O que que há Portela, de autoria de Tiãozinho Poeta, (um dos seus pseudônimos) alcançou sucesso não só na quadra da escola como também em várias emissoras.

Outras composições de sua autoria, entre elas, O Divórcio (Treze anos) e Os amantes, também alcançaram sucesso. Mas a polêmica que envolveu o lançamento do disco foi mesmo por causa da faixa Mulher à brasileira, samba-enredo com o qual havia chegado às finais na escolha de samba na Portela para o desfile do ano seguinte, sendo o samba aclamado pelo povo na quadra da escola e muito divulgado nas emissoras de rádio, inclusive, cantado pela multidão presente nas arquibancadas superlotadas na hora do desfile, o que causou um certo desconforto para a 'vencedora-oficial' no desfile de 1978.

Neste mesmo ano de 1978 gravou o LP O povo canta, no qual interpretou de sua autoria Jogo perigoso, além de Amor dividido e Violão afinado, ambas em parceria com Sidney da Conceição, além da faixa-título, também parceria de ambos. No disco incluiu ainda Meu anjo, composição que seu pai fizera em homenagem à sua mãe Sylvia.

No LP Amigos, de 1979, interpretou um de seus maiores sucesso, a composição A saudade que ficou - O lencinho, de Joãozinho da Rocinha (outro de seus pseudônimos) e Elzo Augusto. Na faixa contou com a participação especial do coral dos Canarinhos de Petrópolis. Destacou-se também neste disco a faixa Escola de samba, de sua autoria.

No ano seguinte, 1980, incluiu no novo disco as composições De amigo pra amigo (c/ Picolino da Portela), Coração solitário (c/ Lourenço), Moradia (c/ Belizário César), Súbita paixão (c/ Higino Tadeu), Eu vou te procurar (c/ Augusto César) e Casado", em parceria com Sidney da Conceição e Augusto César. O sucesso deste LP foi o samba Bonequinha de João de Deus (pseudônimo de Ayrão e Doquinha). Neste mesmo ano lançou para o mercado latino o LP Los amantes alcançando sucesso em vários países da América Latina.

No ano de 1981, no disco Coração criança, contou com a participação especial das Meninas Cantoras de Petrópolis na faixa-título, parceria com Sidney da Conceição. Destacou-se desse LP a marcha para a seleção brasileira de futebol Meu canarinho, premiada com Disco de Platina.

Dois anos depois, no disco Quem não tem esperança não tem horizonte, incluiu, entre outras, Saudade bem-vinda (c/ Élcio Costa), Boas palavras (c/ Roberto Corrêa e Sidney da Conceição) e Volta pra mim, em parceria com Augusto César. Deste LP, destacou-se o samba Águia na cabeça, composta em parceria com Sidney da Conceição em homenagem à Portela.

Nos anos de 1984 e 1985 lançou, pela gravadora Copacabana, os discos Alegria geral e Samba na crista, respectivamente. Em 1987, desta vez pela gravadora Continental, gravou o LP Luiz Ayrão de todos os cantos, destacando-se a faixa-título em parceria com Freire da Nenê, e ainda de sua autoria Amanheci, com a participação especial do grupo Pagodeiros da Barra.

No ano de 1990 Zizi Possi regravou Ciúme de você. Neste mesmo ano lançou mais um disco pela gravadora Flama. Deste LP destacou-se como a faixa Separados, de sua autoria. Em 1994 a banda Raça Negra regravou Ciúme de você. Dois anos depois a gravadora EMI/Odeon lançou uma coletânea de seus sucessos pela coleção Meus momentos.

No ano de 1999 a mesma gravadora lançou, pela coleção Raízes do samba, outra coletânea com alguns de seus sucessos, entre eles Porta aberta e No silêncio da madrugada, ambas de sua autoria e ainda Quero que volte (Palinha e Pinto) e Saudades da República, de autoria de Artúlio Reis. Neste mesmo ano a banda Raça Negra gravou pela segunda vez a música Ciúme de você.

Em 2003 lançou o CD Intérprete, no qual incluiu alguns clássicos da MPB, entre eles As rosas não falam (Cartola), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Último desejo (Noel Rosa), Risque (Ary Barroso), Caminhemos (Herivelto Martins), Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo) e Ouça, de Maysa.

Neste mesmo ano a cantora Vanessa da Mata regravou Nossa canção, incluída na trilha sonora da novela Celebridade (de Gilberto Braga), da Rede Globo. A mesma composição foi também incluída na segunda tiragem do disco de Vanessa da Mata, relançado neste ano pela gravadora Sony Music. Ainda neste ano Maria Bethânia, no CD Maricotinha ao vivo, regravou com sucesso Nossa canção.

Em 2004 a gravadora Sony Music lançou a coletânea 20 supersucessos - Luiz Ayrão. Ainda no mesmo ano gravou o primeiro disco ao vivo no Teatro Miguel Falabella, no Rio de Janeiro, no qual incluiu alguns de seus sucessos: Nossa canção, Bola dividida e Porta aberta, todas de sua autoria, e Os amantes (Sidney da Conceição, Augusto César e Lourenço), A saudade que ficou - O lencinho, além de sete músicas inéditas.

Em 2005 recebeu uma homenagem no Programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, e comemorou o show de número 5 mil de carreira, na qual ganhou discos de Platina e Ouro, por suas expressivas vendagens.

Algumas músicas

A saudade que ficou (O lencinho)
Ciúme de você
Conto até dez
No silêncio da madrugada
Nossa canção
Os amantes
Porta aberta
Quero que volte

Fonte: ARAÚJO, Paulo Cesar de. Eu não sou cachorro, não - Música popular cafona e ditadura militar. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002.