terça-feira, novembro 04, 2008

Levanta Mangueira

Luís Antonio






Levanta Mangueira (samba/carnaval, 1959) - Luís Antônio

Levanta Mangueira
A poeira do chão
Samba do coração

(bis)

Mostra a sandália de prata da mulata
A voz da cuíca do tamborim
Mostra que o samba nasceu em Mangueira
Sim




Idéias erradas




Dolores Duran
Ideias erradas (samba, 1959) - Ribamar e Dolores Duran - Interpretação da Marisa Gata Mansa

Não faça ideias erradas de mim
Só porque eu quero você tanto assim
Eu gosto de você mas não esqueço
De tudo quanto valho e mereço

Não pense que se você me deixar
A dor será capaz de me matar
De um verdadeiro amor não se aproveita
E não se faz senão aquilo que merece
Depois ele se vai, a gente aceita
A gente bebe, a gente chora, mas esquece.




Ho-ba-la-lá




Ho-ba-la-lá (bolero, 1959) - João Gilberto
Intro: Ebm9 G#7 Ebm9 G#7 Ebm9 G#7 Ebm9 G#7

Ebm9   G#7 Aº   Bbm7        Gº   Eº
E amor,   O    hó-bá-lá-lá,        
Ebm7        G#7/9 Ebm6   C#6  Eº   Ebm7 Fº
hó-bá-lá-lá      uma canção,
Ebm9       G#7 Aº   Bbm7        Gº   Eº 
Quem ouvir    o    hó-bá-lá-lá,        
Ebm7        G#7/9 Ebm6  C#7/4 C#7
Terra feliz      o coração
F#m7      B7/9 F#m6     Emaj7       Gº  
O amor encontrara      ouvindo esta cançao    
F#m7          B7/9 F#m6     Fm7 E7
alguem compreendera      seu coração
Ebm9      G#7 Aº   Bbm7        Gº 
Vem ouvir,   O    hó-bá-lá-lá,        
Eº   Ebm7        G#7/9 Ebm6   C#6
hó-bá-lá-lá      uma cançao
Ebm9   G#7 Aº   Bbm7        Gº   Eº
E amor,   O    hó-bá-lá-lá,        
Ebm7        G#7/9 Ebm6   C#6  Eº   Ebm7 Fº
hó-bá-lá-lá      uma canção,
Ebm9       G#7 Aº   Bbm7        Gº 
Quem ouvir    o    hó-bá-lá-lá,        
Eº   Ebm7        G#7/9 Ebm6  C#7/4 C#7
Terra feliz      o coração
F#m7      B7/9 F#m6     Emaj7       Gº 
O amor encontrara      ouvindo esta canção    
F#m7          B7/9 F#m6     Fm7 E7
alguem compreendera      seu coração
Ebm9      G#7 Aº   Bbm7        Gº   Eº 
Vem ouvir,   O    hó-bá-lá-lá,        
Ebm7        G#7/9 Ebm6    Eb7
hó-bá-lá-lá      esta cançao bá-lá-lá hó-bá-lá-lá
Dmaj7                    Eb7         G#7/9 Ebm6
hó-bá-lá-lá hó-bá-lá-lá, hó-bá-lá-lá,      
C#6
hó-bá-lá-lá, hó-bá-lá-lá, hó-bá-lá-lá



E daí?



E daí? (bossa nova, 1959) - Miguel Gustavo - Intérprete: Isaura Garcia

Proibiram que eu te amasse
Proibiram que eu te visse
Proibiram que eu saísse
Ou perguntasse a alguém por ti

Proíbam muito mais
Preguem avisos
Fechem portas
Ponham guizos
Nosso amor perguntará:
E daí, e daí?

Daí, por mais cruel desilusão
Eu continuo a te adorar
Ninguém pode parar meu coração

Proibiram que eu te amasse
Proibiram que eu te visse
Proibiram que eu saísse
Ou perguntasse a alguém por ti

Proíbam muito mais
Preguem avisos
Fechem portas
Ponham guizos
Nosso amor perguntará:
E daí, e daí?

Daí, por mais cruel desilusão
Eu continuo a te adorar
Ninguém pode parar meu coração

Que é teu, todinho teu
Somente teu, todinho teu
Somente teu

Chora Doutor

Blecaute
Chora Doutor (samba/carnaval, 1959) - J. Piedade, Orlando Gazzaneo e J. Campos - Interpretação: Blecaute


Chora doutor
Chora
Eu sei que o medo
De ficar pobre
Lhe apavora.

O senhor tem palacete
Pra morar
Mais eu tenho
Um barracão e um amor
Ai, ai, ai, doutor
Eu só não quero
Ter a vida do senhor.
( chora doutor )

Baiano burro nasce morto



Baiano burro nasce morto (baião, 1959) - Gordurinha - Intérprete: Gordurinha

O pau que nasce torto
Não tem jeito morre torto
Baiano burro garanto que nasce morto

Sou da Bahia comigo não tem horário
Não sou otário e você pode zombar
Sou cabra macho, sou baiano toda hora

Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá

Salve a Bahia, ioio
Salve a Bahia, iaia
Sou cabra macho, sou baiano toda hora
Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá

O pau que nasce torto
Não tem jeito morre torto
Baiano burro garanto que nasce morto

Salve a Bahia, ioio
Salve a Bahia, iaia
Sou cabra macho, sou baiano toda hora
Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá

O Castro Alves poeta colosso
Sujeito moço, mas soube o que fez
A Marta Rocha violão baiano
Foi mostrar pro americano que a Bahia

Vendedor de caranguejo



Vendedor de caranguejo (coco, 1958) - Gordurinha

Caranguejo uçá
Olha o gordo guaiamum
Quem quiser comprar a mim
Cada corda de dez
Eu dou mais um

Eu dou mais um
Eu dou mais um
Cada corda de dez
Eu dou mais um

Caranguejo uçá
Caranguejo uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá (2x)

Eu perdi a mocidade
Com os pé sujo de lama
Eu fiquei anarfabeto
Mas meus fio criô fama

Pelo gosto dos menino
Pelo gosto da mulé
Eu já ia descansá
Não sujava mais os pé

Os bichinho tão criado
Sastisfiz o meu desejo
Eu podia descansá
Mas continuo vendendo caranguejo

Caranguejo uçá
Caranguejo uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

Tem caranguejo
Tem gordo guaiamum
Cada corda de dez
Eu dou mais um

Caranguejo uçá
Caranguejo uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

Os rouxinóis

Lamartine Babo
Os rouxinóis (marcha-rancho/carnaval, 1958) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Os rouxinóis / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Rouxinóis de Paquetá (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Todamérica, 1957 / Nº Álbum 5723 / Gênero musical: Marcha rancho /

Os rouxinóis entre as flores procuram seus amores
É lindo o cântico das aves
As melodias se renovam tão suaves
Salve os rouxinóis!

Surgem orquestras nos arrebóis
Sustenidos são feridos e se ouvem à meia voz os bemóis
Porque os rouxinóis foram buscar Amor-perfeito
E no canteiro já desfeito da Amizade
Só encontraram Saudade


Sem sonhos os rouxinóis se vêem a sós tristonhos
E se consolam com as sutis cigarras
Cigarras sutis cada qual mais feliz
Pois cantam, cantam, cantam, depois se desencantam
Cantar até morrer é o seu infinito prazer

Estão nos arrebóis os rouxinóis silentes
Descrentes de seus amores pelas lindas flores
Nesta canção, pensando bem
O amor dos rouxinóis é o nosso amor também

Sem sonhos os rouxinóis se vêem a sós tristonhos
E se consolam com as sutis cigarras
Cigarras sutis cada qual mais feliz
Estão nos arrebóis os rouxinóis silentes
Descrentes de seus amores pelas lindas flores

Nesta canção, pensando bem
O amor dos rouxinóis é o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também.

Olhe-me, diga-me



Luely Figueiró
Olhe-me, diga-me (valsa, 1958) - Tito Madi - Interpretação: Luely Figueiró

Olhe-me, diga-me, por favor
Se ainda em seu pensamento
Vive o nosso amor
Embora muito tarde
Só queria saber
Se hoje como ontem
É só meu, seu bem querer
Querer

Olhe-me, diga-me, por favor
Mesmo que morto
O sonho meu
Viverei para esse amor
Diga uma palavra apenas
Pra fazer meu coração feliz
Olhe-me, diga-me
Mas você não diz.

O apito no samba




Luiz Bandeira
O apito no samba (samba, 1958) - Luiz Bandeira e Luís Antônio - Intérprete: Orquestra de Radamés Gnattali

Se você
No samba de "gente bem"
Não vai encontrar ninguém
Apitando um apito no samba
É porque
O samba que vai nascer
Só vai mesmo acontecer
Quando houver um apito no samba
Venha ver, squindô, squindô

No terreiro
Que é para ver
O que é o squindô verdadeiro
E, então
Você me dará razão
Chegando a esta conclusão
Que é preciso um apito no samba

Que bonito é um tamborim a batucar
Que bonito é um corpo de mulher sambar
Suas saias vão correndo pelo chão
Seus pés que são o ritmo que nasce
Cresce, vibra (Ah!)

Viva o apito no samba
E então você me dará razão
Chegando a esta conclusão
Que é preciso um apito no samba...

Madureira chorou

Zaquia Jorge teve morte trágica, na praia da Barra da Tijuca, quando tomava banho de mar em companhia de várias outras artistas. Era comum as vedetes se bronzearem 'al natural' na Barra, por ser uma praia deserta na época. A edição do jornal O Globo de 23 de abril de 1957 assim noticiou a morte de Zaquia Jorge:

"Rapidamente, a notícia foi propagada, e grande número de atores da Companhia da Revista Zaquia Jorge e de outras empresas chegou ao local. Em poucos instantes as brancas areias da praia foram pisadas por centenas de pés, já que também foi grande o número de curiosos que acorreu.

Quando um guarda-vidas retirou, do perau em que caíra, o corpo da vedete, Celeste Aída, uma das que a acompanhavam, abraçou-se ao cadáver, chorando copiosamente. Celeste Aída vira a amiga desaparecer e tudo fizera para salvá-la, não o conseguindo porque era muito fundo o perau. Enquanto ela se esforçava, os dois homens que integravam o grupo e que estavam longe aproximaram-se. Na areia, muito assustadas, cinco girls assistiam à luta de Celeste Aída, sem poder ajudá-la.

Afinal, cansada e desanimada, Celeste Aída voltou às areias, Zaquia Jorge desaparecera e, quando foi encontrada, já estava quase sem vida. Morreu pouco depois..."

"Foi sepultada no Cemitério de São Francisco Xavier, pranteada por artistas e populares, que a reverenciaram como a pioneira do teatro suburbano carioca. Das 6h às 16h30m de ontem, mais de 4.000 pessoas afluíram ao Teatro de Madureira, em cujo palco ficou exposto o corpo da artista. Com a platéia e os balcões apinhados, o ambiente fazia lembrar um grande dia de récita. Contudo, a emoção do público era intensa, guardando os presentes muito respeito.

No palco, no alto, por cima do caixão de Zaquia Jorge, havia um grande quadro de São Jorge. A artista morrera na véspera do dia consagrado ao santo. Ontem fazia cinco anos que inaugurara seu teatro, com a peça Trem de luxo, de Válter Pinto e Freire Júnior. 

Sobre uma fileira de dez cadeiras havia dezenas de coroas entre elas, do Teatro Santana (São Paulo), do Corpo de Bombeiros, das escolas de samba Sampaio e Império Serrano, de inúmeras entidades e figuras da arte e de outros setores. O povo humilde do subúrbio formou filas, subindo ao palco para dar seu último adeus a Zaquia Jorge..."

Em sua homenagem foi composta a música "Madureira chorou", um samba de sucesso no carnaval de 1958.

Madureira chorou (samba, 1958) - Carvalhinho e Julio Monteiro (marido de Záquia) - Intérprete: Joel de Almeida



Madureira chorou,
Madureira, chorou de dor,
Quando a voz do destino,
Obedecendo ao divino,
A sua estrela chamou.

Gente modesta,
Gente boa do subúrbio,
Que só comete distúrbio,
Se alguém os menosprezar,
Aquela gente,
Que mora na Zona Norte,
Até hoje, chora a morte,
Da estrela do lugar.

Fonte: Matéria publicada no jornal O Globo - 23 de abril de 1957

Fanzoca de rádio




Fanzoca de Rádio (marcha/carnaval, 1958) - Miguel Gustavo - Intérprete: Carequinha

Ela é fan da Emilinha
Não sai do César de Alencar
Grita o nome do Cauby
E depois de desmaiar
Pega a Revista do Rádio
E começa a se abanar.
(bis)

É uma faixa aqui, outra faixa ali
O dia inteirinho ela não quer nada
Enquanto isso na minha casa
Ninguém arranja uma empregada!

Eu chorarei amanhã



Orlando Silva
Eu chorarei amanhã (samba/carnaval, 1958) - Raul Sampaio e Ivo Santos - Intérprete: Orlando Silva

Eu chorarei amanhã
Hoje eu não posso chorar
Eu chorarei amanhã
Hoje eu não posso chorar

Um dia é pra gente sofrer
O outro é pra desabafar
Eu chorarei amanhã
Hoje o que eu quero é sambar.

Engole ele paletó

Samba de J. Audi e David Nasser de grande sucesso no carnaval de 1958, lançado em janeiro desse ano nas gravações do Trio de Ouro (RCA Victor) e João Dias (Copacabana), esta última aqui ouvida, em disco de 78 rpm 5854-A, matriz M-2073, que gerou polêmica e briga na justiça entre alguns grandes compositores de nossa MPB (ao lado o Vasco vai enfrentar um time da cidade de Bicas - Jornal Última Hora, 1958).

O compositor Antônio Almeida, com o apoio da UBC, ingressou na justiça contra o que considerou este samba um "plágio deslavado" de O que é que dou?, de sua autoria e do baiano Dorival Caymmi, gravado por Jorge Veiga em 1947. No final de janeiro de 1958, Caymmi, ausente do Rio, cumprindo sua agenda profissional na Bahia, recebeu um telegrama pedindo uma procuração sua, para dar início à busca e apreensão do disco. No entanto, Edigar de Alencar, em seu livro O carnaval carioca através da música, quando menciona Engole ele, paletó e seu autor assinala o samba como sendo de autoria discutida.

Na coluna de Stanislaw Ponte Preta e Lan, (charge ao lado) do Jornal Última Hora de 14/02/1958, relata o caso com bastante humor: "Em virtude do fundamentado despacho do Juiz Alcino Pinto Falcão, procedeu-se ontem à tarde, a busca e apreensão da música de carnaval "Engole ele, paletó", havida como cópia servil de outra, isto é, do samba de Dorival Caymmi e Antônio Almeida - "O que é que eu dou". 

E quem é o autor do plágio? Pois é Herivelto Martins (um dos dez mais apitos de 57), que já deu entrevista dizendo que "Engole ele" é plágio de um plágio, pois a música plagiada era plágio, não do plágio que se quer, mas de uma outra música plagiada pelos que lhe acusam de plagiador. 

É, companheiros... nem só de teleco-teco vive o samba!."

Se os autores do suposto plágio são J. Audi e David Nasser, o que tem a haver Herivelto Martins, que apenas interpretava no Trio de Ouro, citado na coluna acima? As primeiras gravações, os discos, esgotaram-se rapidamente, tamanho o sucesso. Engole eu, confusão!

Engole ele paletó (samba/carnaval, 1958) - J. Audi e David Nasser - Interpretação de João Dias




Engole ele / Engole ele, paletó
Engole ele, paletó / Que o dono dele era maior.

Paletó de gente pobre / Não tem tamanho nem cor
No verão é guarda-chuva / No inverno é cobertor.

Gente rica quando morre / Papai do céu quem levou
Gente pobre quando morre / Foi bebida quem matou.

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Fontes: Jornal Última Hora, de 14/02/1958; Dorival Caymmi – O Mar e o Tempo – Editora 34, de Stella Caymmi; Samuel Machado Filho (Youtube).