quinta-feira, setembro 30, 2010

Quero-te cada vez mais

Augusto Calheiros
Zeca Ivo (José Ivo da Costa) compõe em 1936, com João de Freitas, a valsa Quero-te cada vez mais, gravada pelo cantor Augusto Calheiros, grande sucesso do ano de 1937.

Quero-te cada vez mais (valsa, 1937) - João de Freitas e Zeca Ivo

Disco 78 rpm / Título da música: Quero-te cada vez mais / Autoria: Freitas, José Benedito de (Compositor) / Zeca Ivo (Compositor) / Calheiros, Augusto, 1891-1956 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11456 / Lado A / Lançamento 1937 / Gênero musical: Valsa


Quero-te cada vez mais
(Ò meu amor)
A minha vida consiste só
Em te adorar, em te beijar
És o meu rimar, meu prazer
A razão de todo o meu viver
(Meu bem querer)........

Reflorir da minha vida

Saint-Clair Sena
Reflorir da minha vida (canção, 1936) - Saint-Clair Sena

Título da música: Reflorir da minha vida / Gênero musical: Seresta / Intérprete: Francisco Alves / Compositor(es) Sena, Saint Clair / Gravadora Victor / Número do Álbum 34069 / Data de Gravação 00/1936 / Data de Lançamento 00/1936 / Lado A / Disco 78 rpm


Adeus mágoa de dores
Já desprezei o meu passado de tristezas
Em ti vejo o meu sonho
O sonho novo de amor e sutilezas

Ò vem para o amor
Deixo o passado num sorriso que findou
Reguei um dia os lábios da flor
No sonho que passou

És o reflorir da minha vida
És o mater de toda a minha inspiração
És a esperança que me embala o coração
Num lindo berço
Feito de arminho da ilusão

E num só beijo teu guardar eu quero
Todo prazer que tive então ao te beijar
Pra na saudade sentir o íntimo desejo
E provar sempre dos lábios teus
O outro beijo

quarta-feira, setembro 29, 2010

Valsa verde

Capiba
Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba (Surubim PE 28/10/1904 - Recife PE 31/12/1997), filho de um mestre de banda, viveu e respirou música desde a infância. Começou a trabalhar como pianista, ainda garoto em Campina Grande-PB. Depois de uns poucos anos em João Pessoa, onde completou o curso médio, e também trabalhou como músico.

Foi morar no Recife em 1930, quando passou num concurso para o Banco do Brasil, emprego que lhe daria segurança econômica para dar vazão ao seu enorme talento como compositor.

Em 1931 teve seu nome reconhecido como compositor, e músico da Jazz Band Acadêmica, na capital pernambucana, com Valsa verde (feita em parceria com Ferreira dos Santos).

Valsa verde (valsa, 1932) - Capiba (música) e Ferreira dos Santos (letra) - Interpretação de Paulinho da Viola e acompanhamento de Raphael Rabello


Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és e te recordo
E te desejo tanto
Pra ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...

E a minha vida desde então
Se transformou pela ilusão
Do teu olhar
Foste a quimera que fugiu
Deixando em mim como perfume
De um amor cruel
Que no meu tristonho coração
Fez palpitar a canção verde
Dessa ilusão que eu quis compor
Pensando em ti, pensando em ti
No meu amor, sim
No nosso amor...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és
E te recordo
E te desejo tanto
Para a ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...

terça-feira, setembro 28, 2010

Saxofone por que choras?

Saxofone por que choras? (choro, 1930) - Ratinho (Severino Rangel de Carvalho)

Em 1930, depois de uma excursão pelo interior com o poeta e folclorista Cornélio Pires, Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho da dupla Jararaca e Ratinho, gravou ao saxofone alguns choros e valsas de sua autoria, entre os quais Saxofone, por que choras?, Guriatã de coqueiro, Cenira, Eu e eles.

Disco 78 rpm / Título da música: Saxofone por que choras? / Autoria: Carvalho, Severino Rangel de (Compositor) / Carvalho, Severino Rangel de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1930 / Nº Álbum 10656 / Lado B / Gênero musical: Choro

Dona Antonha


Dona Antonha (marcha/carnaval, 1930) - João de Barro

Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, compositor, cineasta, dublador e cantor (Rio de Janeiro, RJ 29/3/1907 - 24/12/2006), cantava desde criança, acompanhado ao piano pela avó. Fez seus primeiros estudos em escola pública, de onde foi para o Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, e depois para o Colégio Batista, ali formando com os colegas um conjunto musical, o Flor do Tempo, onde adotou o pseudônimo de "João de Barro".

Ao se profissionalizar, o grupo alterou sua formação e nome, surgindo o Bando de Tangarás, ao qual aderiu outro morador de Vila Isabel, o jovem Noel Rosa.

Após realizar várias gravações com o grupo, Braguinha estreou em disco como solista em 1931, interpretando duas composições de Lamartine Babo, Cor de prata e Minha cabrocha. Logo depois, desistiu da carreira de cantor, já tendo estreado como compositor, com Dona Antonha, marcha gravada por Almirante para o Carnaval de 1930, pela Parlophon: "Ó dona Antonha...! / Ó dona Antonha...! / Tu tá ficando / Mas é mesmo sem-vergonha!..."..

Título da música: Dona antonha / Autoria: João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / João de Barro, 1907-2006 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Nº Álbum 13108 / Gênero musical: Marcha




Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora, 1998 SP; Dicionário Cravo Albin.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Zomba

Araci Cortes
Zomba (samba, 1929) - Francisco Alves e Luís Iglesias

Título da música: Zomba / Gênero musical: Samba / Intérprete: Araci Cortes / Compositor: Alves, Francisco / Gravadora Odeon / Álbum 10446 / Gravação 00/1929 / Lançamento 00/1929 / Lado B / Disco 78 rpm


Zomba... zomba...
Quando vem chorar alguém
Mas um dia Deus castiga
Faz a gente amar também
O amor custa, mas vem...

Fui à Bahia
Ver o Senhor do Bomfim
Feitiço das baianas,
Mal cheguei, pegou em mim.

Gente danada
Pra fazer sofrer de amor
Com certeza foi castigo
Que me deu Nosso Senhor!

Vadiagem

Mário Reis
Vadiagem (samba/carnaval, 1929) - Francisco Alves

Título da música: Vadiagem / Gênero musical: Samba / Intérprete: Mário Reis / Compositor: Alves, Francisco / Gravadora Odeon / Álbum 10307 / Gravação e lançamento: 00/1929 / Lado A / Disco 78 rpm


A vadiagem eu deixei
Não quero mais saber
Arranjei outra vida
Porque deste modo não se pode viver

Eu deixei a vadiagem
Para ser trabalhador
Os malandros de hoje em dia
Não se pode dar valor

Ora, meu bem
Diga tudo que quiser
Eu deixo de ser vadio
Por causa de uma mulher

Quando eu saio do trabalho
Pensativo no caminho
Que saudade do meu tempo
Que saudade do meu pinho

Mas chego em casa
É carinho sem ter fim
Vale a pena ser honesto
Pra poder viver assim

Tu qué tomá meu home

Araci Cortes
Tu qué tomá meu home (samba, 1929) - Ary Barroso e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Tu qué tomá meu home / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Araci Cortes (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10446 / Lado A


Por Deus, me deixa sossegar
Tu que tomou meu home
Mas meu home eu não te dou
Eu gosto é de levar pancada
E até de passar fome
Por amor do meu amor

Pra esse home eu esquecer
Estou dando pra beber
Estou dando pra roubar
Se a polícia me prender
Já sei que foi você
Que foi me denunciar

Não faz isso assim, não
Tenha compaixão, sim
Não queira me encrencar
Mulher malvada e má
Você me deixa a vida desgraçada

Não faz isso assim, não
Tenha compaixão, sim
Não queira me encrencar
Nem me prender, porque
Assim meu destino é só sofrer

O destino Deus é quem dá

Nílton Bastos
Nílton Bastos, filho de comerciante português e de uma costureira, cresceu no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Não chegou a concluir o curso primário e nem estudou música, tendo aprendido a tocar piano de ouvido. Trabalhou como torneiro mecânico no Arsenal de Guerra.

Desde cedo, freqüentava as rodas de samba e os ranchos carnavalescos, tais como o Ameno Resedá e o Flor de Abacate. Já na década de 20, era presença costumeira os redutos de samba do bairro do Estácio.

Em 1929, teve sua primeira composição gravada, o samba "O destino Deus é quem dá", por Mário Reis em disco Odeon, um dos dez maiores sucessos do ano. Nílton faleceu naquele mesmo ano, aos 33 anos, vitimado pela tuberculose.

O destino Deus é quem dá (samba, 1929) - Nílton Bastos

Disco 78 rpm / Título da música: O destino deus é quem dá / Autoria: Bastos, Nilton (Compositor) / Reis, Mário (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 27/02/1929 / Nº Álbum 10357 / Gênero musical: Samba


Sei que tu andas sofrendo
Estás arrependida do que já me fez
É teu destino, mulher
Eu não te perdôo porque
Tu vais me enganar outra vez.

Eu já gostei de você
Para de novo gostar
É preferível morrer
Não poderei esquecer
A tua falsidade sem eu merecer.

Tu foste ingrata, mulher
Eu não quero te enganar
Meu coração já não te quer
Digo o desprezo é pecado
Serei um pecador
Recordando o passado.



Fontes: História do Samba - Editora Globo; A Canção no Tempo - Editora 34.

Novo amor

Ismael
Novo amor (samba, 1929) - Ismael Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Novo amor / Autoria: Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Nº Álbum 10357 / Gênero musical: Samba


Arranjaste um novo amor, meu bem
Eu fui um infeliz bem sei
Mas ainda tenho fé
Que hei de te ver chorar
Quando souberes amar
Como eu te amei

(Tu não deves
De ter tanta pretensão
Olha que o tempo muda
E a vida é uma ilusão
Tu fazes pouco de mim
Mas isto que bem me importa
Fica sabendo meu bem
Que o mundo dá muita volta.)

Arranjei outra
Que não troco por ninguém
Já que tu me abandonaste
Há males que vêm pra bem
Hoje em dia sou feliz
Sem a tua ingratidão
Encontrei outro benzinho
A quem dei meu coração

domingo, setembro 26, 2010

Sussuarana

Hekel Tavares
Hekel Tavares (1896/1969) nasceu num berço musical: além da mãe pianista e pai flautista, cresceu em Alagoas ouvindo repentes, reisados, maracatus e congadas, e isto marcou sua vida para sempre. Quando veio para o Rio de Janeiro, em 1921, já tocava piano, harmônica e cavaquinho.

Estudou harmonia e composição com os maestros Francisco Braga e J. Otaviano, entre outros. Da mesma geração que Heitor Villa-Lobos e Francisco Mignone, Hekel aliou a sólida formação musical ao amor pela profusão de ritmos e formas que a música popular lhe oferecia.

E foi no teatro de revista que começou a compor de forma profissional. Durante a década de 20 compôs várias canções, com diversos letristas. Um dos mais constantes, o bamba Luiz Peixoto, o levou ao sucesso radiofônico com Sussuarana, pela voz de Gastão Formenti.

Sussuarana (toada, 1928) - Hekel Tavares e Luiz Peixoto

Disco 78 rpm / Título da música: Sussuarana / Autoria: Tavares, Hekel, 1896-1969 (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Formenti, Gastão (Intérprete) / Guimarães, Rogério (Acompanhante) / Violão (Acompanhante) / violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 / Nº Álbum 10171 / Gênero musical: Canção


Faz três sumana / Que na festa de Sant'Ana
O Zezé Sussuarana / Me chamou pra conversar
Dessa bocada / Nóis saímo pela estrada
Ninguém não dizia nada / Fomo andando devagar

A noite veio / O caminho estava em meio
Eu tive aquele arreceio / Que alguém nos pudesse ver
Eu quis dizer / Sussuarana, vamo imbora
Mas Virgem Nossa Senhora / Cadê boca pra dizer

Mais adiante / Do mundo, já bem distante
Nóis paremo um instante / Predemo a suspiração
Envergonhado / Ele partiu para o meu lado
Ó Virgem dos meus pecados / Me dê a absorvição

Foi coisa feita / Foi mandinga, foi maleita
Que nunca mais indireita / Que nos botaram, é capaz
Sussuarana / Meu coração não me engana
Vai fazer cinco sumana / Tu não volta nunca mais


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Olhos japoneses

Francisco Alves
Olhos japoneses (valsa, 1928) - Freire Júnior

Título da música: Olhos japoneses / Gênero: Valsa / Francisco Alves (Intérprete) / Freire Júnior (Compositor) / Hotel Itabuja Orquestra (Acompanhante) / Gravadora Parlophon / Álbum 12812 / Gravação e lançamento: 00/1928 / Lado B / Disco 78 rpm


Olhos pequeninos / Olhos japoneses
Olhos que ferinos / Matam muitas vezes
De paixão a gente / Olhos que seduzem
Que me põem doente / Olhos que traduzem
Um amor ardente

Olhos buliçosos / Olhos tentadores
Olhos que maldosos / Ligam dois amores
Num só coração / Olhos delicados
Cheios de emoção / Só são encontrados
Mesmo no Japão

Caprichos da moda / Nossa alta roda
Faz imitação / São olhos pintados
De negro tarjeados / Causa sensação
A sua sedução / A influência do amor
O olhar da gueisha / Louco a gente deixa

Na raça amarela / A mulher que é bela
Esses olhos tem / Olhos desviados
Meigos, delicados / Os olhos pequenos
Em rostos morenos / Se encontram somente
Lá no Oriente

As manhãs do Galeão

Vicente Celestino
As manhãs do Galeão (tango, 1928) - Freire Júnior

Disco 78 rpm / Título: As manhãs no galeão / Autoria: Freire Junior (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Rádio Central (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Junho/1928-Outubro/1928 / Álbum 10272 / Lado A / Gênero: Tango canção


Surge ao sol, raios brilhantes / nas montanhas verdejantes
que contornam a Guanabara / Sua luz rompendo ao dia
mostra o fundo da baía / uma praia em pérola rara

Esta ponta de uma ilha / verdadeira maravilhosa
bem juntinho ao continente! / Deu-lhe encanto a natureza
Se anoitece com tristeza / amanhece alegremente

Os amantes deixam os ninhos / ao romper da alvorada
Trinam alegres os passarinhos  / a canção da madrugada
Num sentimento profundo / diz a gente com emoção:
Nada mais belo no mundo / que as manhãs do Galeão

Sobre areias cor de prata / lindas jovens à frescata
buscam o banho matinal  / Pescadores gente boa
tiram a pesca da canoa  /  no labor habitual

Ondas vêm e ondas vão / entoando uma canção
que em soluços canta o mar / É a canção triste do amor
Faz prazer e causa dor  / Nos faz rir e faz chorar

Samba de caná

Turunas da Mauricéia
Samba de Caná (samba, 1927) - Tradicional

Disco 78 rpm / Título: Samba do caná / Autoria: não identificado (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Turunas da Mauricéia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Indefinida / Álbum número 10073 / Lado B.



Versão cantada de Augusto Calheiros, em disco Odeon de 1953, álbum 13624, gênero musical intitulado como "embolada":

Salve Jaú

Aclamações de milhares de pessoas aos bravos aviadores do Jahú (Revista Careta - 09/07/1927)

João Ribeiro de Barros (Jaú-SP, 4/4/1900 — 20/7/1947), foi o primeiro aviador das Américas a realizar um voo transatlântico no dia 28 de abril de 1927, a bordo do hidroavião Jahú. Os demais tripulantes foram Arthur Cunha (na primeira fase da travessia) e depois João Negrão (co-pilotos), Newton Braga (navegador), e Vasco Cinquini (mecânico). Os quatro aeronautas partiram de Gênova, em Itália, até Santo Amaro (São Paulo), fazendo escalas em Espanha, Gibraltar, Cabo Verde, e Fernando de Noronha, já em território brasileiro. Ainda era uma época que tínhamos heróis "de verdade", como Santos Dumont e tantos outros.

Salve Jaú (marcha, 1927) - Salvador Correia

Título da música: Salve Jaú / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Francisco Alves / Compositor: Correia, Salvador / Gravadora Odeon / Álbum 10025 / Gravação 00/1927 / Lançamento 00/1927 / Lado A / Disco 78 rpm.


Salve Jaú! / Ave altaneira / As tuas asas representam / A bandeira brasileira...

Uma outra composição (antes do evento) sobre o feito de nosso herói brasileiro, publicada em 26/11/1926, no jornal Correio da Manhã, composta por Antonio Peixoto Velho, com versos de Castro e Souza, editada pela casa Vieira Machado:

I

Triumphal, feliz / é o audaz "Jahú" / a bandeira do seu paiz. / Num gesto lindo, de brasileiro, / ninguém o vence no seu cruzeiro. / Pelo céo d'anil, / alma do Brasil, / rasga nuvens e vae a Deus. / E traz, em ancias, / de colossaes distancias, / a palma da victoria aos filhos seus!

II

É bandeira / que sobranceira, / à terra inteira / conseguiu se impor. / É estandarte / qu'em toda a parte / representará o poder d'um povo que tem valor!

______________________________________________________________________
Fontes: acervo.ims.uol.com.br/; Wikipédia; Correio da Manhã, de 21/11/1926; Revista Careta, de 9/7/1927.

O pequeno Tururu

Augusto Calheiros
O pequeno Tururu (samba, 1927) - Augusto Calheiros e Luperce Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: O pequeno tururu / Autoria: Calheiros, Augusto, 1891-1956 (Compositor) / Miranda, Luperce (Compositor) / Calheiros, Augusto, 1891-1956 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum 10074 / Gênero musical: Samba.


Ôi balança o pequeno tururu
Ôi balança o pequeno de iaiá
Ôi balança o pequeno tururu
Ôi balança Benedito no ganzá
.................

Minha cumadi ainda ontem deu a luz
Se pegou-se com Jesus
Na porta da camarinha
Chamou-me na cozinha
Jeca me dá um tostão
Deixe de ser tão vilão
Vai comprar uma quarta de jabá
Que tu não come galinha
E balança o pequeno tururu ...

Indurinha de coqueiro

Augusto Calheiros
Indurinha de coqueiro (samba, 1927) - Tradicional

Disco 78 rpm / Título da música: Indurinha de coqueiro / Autoria: não identificado (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Turunas da Mauricéia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum 10066 / Data de Lançamento 11/1927 / Lado B / Gênero musical: Samba.

Helena

Augusto Calheiros
Helena (Samba, 1927) - Componentes do Turunas da Mauricéia

Título da música: Helena / Gênero musical: Samba / Intérpretes: Augusto Calheiros e Turunas da Mauricéia / Gravadora Odeon / Número do Álbum 10068 / Data de Gravação 00/1927 / Data de Lançamento 00/1927 / Lado A / Disco 78 rpm.

sábado, setembro 25, 2010

Rosa, meu bem

J. Thomaz
Rosa, meu bem (samba, 1926) - J. Tomás

Disco 76 rpm / Título: Rosa, meu bem / Autoria: Thomaz, J (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Jazz Band Romeu Silva (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Dezembro/1925-Julho/1927 / Álbum 123019 / Gênero: Samba.


Rosa, meu bem
Tu choras, meu amor
Não sei porque
Ó Rosa se chorares
Vou chorar
Por tua causa
Vou morrer,
Vou me acabar

Lá vem a Rosa
Requebrando devagar
Entrou no samba
Agora a vejam requebrar

Ó meiga Rosa
Meu amor, minha afeição
Por ti, formosa
Ando louco de paixão

Guimarães Passos

Guimarães Passos
Guimarães Passos (Sebastião Cícero dos Guimarães Passos), poeta e compositor, nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 22 de março de 1867, e faleceu em Paris, no dia 9 de setembro de 1909. Trans­ferindo-se para o Rio de Janeiro com menos de vinte anos de idade, ali fez parte da famosa roda boêmia de Olavo Bilac.

Exerceu o jornalismo, escrevendo versos, contos e crônicas em diversos periódicos, às vezes com pseudônimo. Foi nomeado arquivista da Secretaria da Mordomia da Casa Imperial, cargo que perderia com a proclamação da República. Foi exilado ao tempo de Floriano Peixoto.

Já muito prestigiado nos meios parnasianos do Rio de Janeiro, fez a letra da modinha Na casa branca da serra, musicada por Miguel Emídio Pestana, e gravada na Casa Edison por  Eduardo das Neves.

Obra poética: Versos de um simples (1891), Horas mortas (1901) e os versos humorísticos de Pimentões (1897), em parceria com Bilac, com quem assinou também um compêndio de metrificação. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. 

Fontes: Parnasianismo - seleção e prefácio de Sânzio de Azevedo. São Paulo: Global, 2006. 153 p. (Col. Roteiro da Poesia brasileira); Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Revendo o passado

Augusto Calheiros
Revendo o passado (valsa, 1926) - Freire Júnior

Título da música: Revendo o passado / Gênero musical: Valsa / Intérprete: Augusto Calheiros / Compositor: Freire Júnior / Gravadora Odeon / Número do Álbum 11021 / Data de Gravação 00/1933 / Data de Lançamento 00/1933 / Lado A / Disco 78 rpm.


Recordar é viver / Diz o velho ditado
Recordar é sofrer / Saudades do passado
Um sonho que viveu / Em nosso coração
Um amor que morreu / Deixando uma cruel paixão

Crer num sonho de ilusão / Ver na imaginação
A imagem do primeiro amor / Que tal qual uma flor
Murchou ao relento / No chão... secou...

Quem na estrada do viver / Não encontrou alguém
Alguém que o fez sofrer / A quem se dedicou
Talvez, quem saber amor...

Quem não teve uma paixão / A mesma ainda tem
E vive na ilusão / De ainda de ser feliz
Só o destino não quis...

Quem não tem no seu passado / A vida do seu bem
No túmulo guardado / O seu amor primeiro
Talvez o derradeiro...

Sim...
Somos todos iguais / A vida é mesmo assim
Desilusões e nada mais...

Rosa Negra

Rosa Negra
Rosa Negra, cantora e atriz, foi descoberta pelo revistógrafo Marques Porto no Bar Cosmopolita, um bar que existia no Passeio Público da cidade do Rio de Janeiro, onde apresentava-se cantando e dançando. Trabalhou também em parques de diversão, no Méier.

Em março de 1926, estreou na revista Pirão de areia, no Teatro São José, liderando um grupo de black-girls e cantando com uma "charleston jazz band". Apresentou com as Black Girls um número chamado Bahiana, n'aime tu?, que era bisado e trisado diariamente. Embora contracenasse com atrizes de renome, como Otília Amorim, foi a atriz mais aplaudida na revista do São José.

Em agosto do mesmo ano estreou na Companhia Negra de Revista, primeira tentativa de criar no Brasil uma companhia teatral apenas com atores e atrizes negros. A revista de estreia da Companhia Negra foi Tudo preto, de autoria de De Chocolat, com música do maestro Sebastião Cirino e com Pixinguinha regendo a orquestra. Apresentada no Teatro Rialto, a revista fez muito sucesso.

Foi uma das atrizes que mais se destacou, tendo interpretado Ludovina cançonette, um número charlestônico, Pérolas negras, outro número de sucesso, Jaboticaba afrancesada e Banhistas, onde contracena com a vedete Dalva Espíndola. Foi chamada por alguns críticos de "Mistinguette brasileira", numa referência à famosa vedete francesa que atuou na Companhia Bataclan.

Estreou logo depois na revista Preto e branco. A Companhia Negra partiu em seguida para em excursão pelos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Em 1927, retornou ao Rio de Janeiro e estreou no Teatro República com a Companhia Negra a revista Carvão Nacional. Na nova revista, interpretou Tentação, O mundo da lua, Tudo preto, Flor de amor, A procura de uma estrela, Beijar, Broxura e Tudo o que é nosso.

No mesmo ano, gravou com Francisco Alves o samba Não quero saber mais dela, de Sinhô, que foi um grande sucesso, regravado em 1980 pelo grupo paulista Rumo.



Em 1928, ainda com Francisco Alves, gravou o foxtrote Moleque namorador, de Hekel Tavares e o fox Que pequena levada, de J. Francisco de Freitas. Gravou ainda Rosa preta e Quem quer casar comigo?.

Em 1930, atuou no Teatro Cassino Antarctica, em São Paulo, na revista Chora menino, de Marques Porto e Luiz Peixoto, com a Companhia Brasileira de Revistas. Em 1931, estrelou no Teatro República com a Companhia Mulata Índia do Brasil a revista Com que roupa?, de Luís Peixoto com músicas de Ary Barroso, Freire Jr e Vadico.

Em 1932, atuou no Teatro Margarida Marx, na Piedade, e fez parte da troupe de variedades do Moinho Vermelho que se exibiu no Teatro República. Fez bastante sucesso nesse período da nossa música, mas apesar disso, há poucos registros biográficos, inclusive qual foi o desenrolar de sua carreira, quando e onde nasceu e como e onde morreu.

Em 2003, o selo Revivendo no CD Sinhô - O pé de anjo relançou sua interpretação do samba Não quero saber mais dela, de Sinhô gravado em dueto com Francisco Alves.

Discografia

Não quero saber mais dela (J. B. da Silva "Sinhô") - com Francisco Alves (1928); Moleque namorador (Hekel Tavares) - com Francisco Alves (1928); Que pequena levada (José Francisco de Freitas / Lamartine Babo) - com Francisco Alves; Rosa Preta (Brasilphone - 78 rpm); Quem quer casar comigo (Brasilphone 1.018 - 78 rpm).


Fontes: Cantoras do Brasil; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Pedro de Sá Pereira

Comidas, Meu Santo!,  1925
Pedro de Sá Pereira, compositor e maestro, (25/1/1892, Porto Alegre, RS - 1955), teve suas primeiras composições gravadas em 1915, com as valsas Nas asas do amor e Sorrir dormindo, registradas na Odeon pelo grupo O Passos no Choro. Em 1922, fez as músicas para a revista Nós pelas costas, de J. Praxedes, apresentada no Teatro Recreio e que marcou a estréia da cantora e atriz Araci Cortes.

Em 1925, as canções Caiuby (Canção da cabocla bonita) e Meu Brasil, terra natal foram gravadas na Odeon por Vicente Celestino. No mesmo ano, fez os arranjos para o fox-trot Cabeleira a la garçone gravado por Zaíra de Oliveira. Ainda em 1925, o cantor Artur Castro Budd gravou na Odeon a modinha Luar do Brasil e a canção Arte e bom gosto, e Sílvio Vieira a canção Ai xixi.

Em 1926, fez com o maestro Júlio Cristóbal as músicas para a revista Prestes a chegar, de Luiz Peixoto e Marques Porto, que alcançou grande sucesso. Segundo um anuário publicado nesse mesmo ano, tinha "grande habilidade para compor e compilar músicas para revistas, as quais ficam facilmente gravadas no ouvido do público".

No mesmo ano, o cantor Roberto Vilmar gravou na Odeon a canção Leão da noite, e o cantor Fernando lançou com sucesso o samba Entra no cordão. Ainda em 1926, Fernando gravou o maxixe Sandália de couro, com Marques Porto e Ari Pavão, e a canção Ruínas de um sonho, além da modinha Chuá, chuá, que se tornaria o maior sucesso do maestro e um clássico do cancioneiro popular brasileiro.

Em 1927, teve a marcha Os canoeiros do norte gravada na Odeon por Francisco Alves. No mesmo ano, Patrício Teixeira gravou a canção Luar do Brasil, também na Odeon. Ainda nesse ano, a canção Chuá, chuá recebeu letra de Zeca Ivo e foi regravada na Odeon por Francisco Alves.

Em 1928, Francisco Alves gravou a canção Cangote cheiroso, o maxixe Cuscus, a valsa Quanto sofri, a toada-canção Canção da noite e a a modinha Leão da noite (Flor de sangue). Teve no mesmo ano o fox-canção A flor de ingá, e o fox-trot Sempre a rir gravados por Dimas Alonso, também na Odeon. No mesmo ano, fez com Luiz Peixoto a canção Casinha da colina, seu outro grande sucesso, gravada na Odeon por Vicente Celestino. Também em 1928 teve mais quatro composições gravadas na Parlophon: a canção Oração da viola, por Euristenes Pires, a canção Coração gaúcho e a melodia Voz da floresta, por João Celestino, e a canção Pobre viola, por Paulo Rodrigues.

Em março de 1929, a Odeon lançou disco que tinha Francisco Alves interpretando o samba Água de coco, que fez sucesso na época de seu lançamento. No mesmo ano, o cantor Oscar Gonçalves gravou a valsa-canção O amor assim começa, e a cantora Aracy Cortes lançou o samba Quindins de iaiá, parceria com C. M. Bittencourt, além de Produto nacional e a canção Vamos juntar os trapinhos?. Teve ainda o samba-canção Por que foi?, com Luiz Iglésias, lançado pela atriz Margarida Max que também o apresentou em teatro de revistas. Também em 1929, o cantor João Celestino gravou na Parlophon as canções Amor de tropeiro e Feitiços de morena, e Sílvio Salema a canção Tristezas de rolinha, ainda na Parlophon. Fez com Ary Barroso e Júlio Cristóbal as músicas para a revista Laranja da China, de Olegário Mariano, estrelada por Araci Cortes no Teatro Recreio.

Em 1930, fez com Marques Porto e Luiz Peixoto o samba Meu Senhor do Bonfim gravado pela cantora Araci Cortes. Ainda no mesmo ano, as canções Minha Santa Terezinha e Cabocla cheirosa (Irassucê), parcerias com Alfredo Breda, foram lançadas por Araci Cortes, e os sambas Cuscus e Cangote cheiroso, foram regravadas na Brunswick pela cantora Luiza Fonseca. Também em 1930, o samba Falsa jura foi gravado por Januário de Oliveira, e o samba-canção Vou pra Bahia, com Correia da Silva, foi lançado pela cantora Helsie Houston, os dois na Columbia, além da canção Saudades do meu sertão, lançada por Julinha Dias na Parlophon.

Em 1931, teve nova música gravada por Araci Cortes na Odeon, o samba Abana! Baiana!, com A. Carvalho. No mesmo ano, Sílvio Vieira gravou na Victor a canção Minha favela, parceria com Marques Porto. Em 1932, a canção Meu Brasil, parceria com o poeta Olegário Mariano foi gravada na Columbia por Vicente Celestino. Em 1933, a marcha O beicinho da crioula, com João Rossi, foi gravada por Luiz Barbosa. 

Em 1950, a canção Casinha da colina foi regravada na Odeon por Carioca e Sua Orquestra em ritmo de choro com vocal de Jamelão. No ano seguinte, Chuá, chuá e Casinha da colina foram regravadas em ritmo de baião por Mário Gennari Filho em interpretação solo de acordeom. 

Em 1952, o baião Nega suspira foi gravado em solo de flauta por Dante Santoro. No ano seguinte, Augusto Calheiros regravou Chuá, chuá. Em 1954, a canção Meu Brasil, com Olegário Mariano foi gravada por Vicente Celestino na RCA Victor. Em 1957, suas canções Chuá-chuá, com Ari Pavão, e Casinha da colina, com Luiz Peixoto, foram regravadas no LP Paulo Tapajós recorda gravado por Paulo Tapajós na Continental. Em 1962, Chuá, chuá foi regravada no LP Os velhinhos transviados, de Zé Menezes.

Em 1969, Chuá, chuá foi regravada pela dupla Tonico e Tinoco, e em 1976, por Rosinha de Valença no LP Cheiro de mato. Em 1981, Nalva Aguiar regravou Casinha da colina em LP lançado pela CBS. Em 1990, a dupla Pena Branca e Xavantino regravou Chuá, chuá. Em 2000, teve as composições Chuá, chuá, com Ari Pavão, Paulista de Macaé, Polícia já deu lá em casa e Meu Senhor do Bonfim, com Luiz Peixoto, interpretadas em show pelo conjunto Lira Carioca, especializado em música popular das primeiras décadas do século XX. Dois anos depois, essas músicas foram relançadas no CD "Notáveis desconhecidos" gravado pelo conjunto Lira Carioca.

Foi um dos principais nomes do teatro de revistas na década de 1920 e seu nome ficou eternizado na música popular brasileira com a canção "Chuá, chuá".

Obra

A flor de ingá, Abana! baiana! (c/ A. Carvalho), Água de coco, Ai xixi, Amor de tropeiro, Arte e bom gosto, Cabocla cheirosa (Irassucê) (c/ Alfredo Breda), Caiuby (Canção da cabocla bonita), Canção da noite, Cangote cheiroso, Casinha na colina (c/ Luiz Peixoto), Chuá, chuá (c/ Ary Pavão), Coração gaúcho, Cuscus, Entra no cordão, Esquecer-te nunca, Falsa jura, Feitiços de morena, Folgazão depois de velho (c/ Nagib Hankach), Leão da noite (Flor de sangue), Luar do Brasil, Meu Brasil (c/ Olegário Mariano), Meu Brasil, terra natal, Meu Senhor do Bonfim (c/ Marques Porto e Luiz Peixoto), Minha favela (c/ Marques Porto), Minha Santa Terezinha (c/ Alfredo Breda), Nas asas do amor, Nega suspira, O amor assim começa, O beicinho da crioula (c/ João Rossi), Oração da viola, Os canoeiros do norte, Pobre viola, Por que foi? (c/ Luiz Iglésias), Produto nacional, Quanto sofri, Quindins de iaiá (c/ C. M. Bittencourt), Rodolfo Valentino, Ruínas de um sonho, Sandália de couro (c/ Marques Porto e Ary Pavão), Saudades do meu sertão, Sempre a rir, Sorrir dormindo, Tristezas de rolinha, Vamos juntar os trapinhos?, Vou pra Bahia (c/ Correia da Silva), Voz da floresta.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Wikipédia.

domingo, setembro 19, 2010

Discos - A gravação elétrica

Em 1925 ocorre a evolução mais significativa e de maior impacto tecnológico que foi o sistema elétrico de gravação. Isto não significa apenas um diferencial na manufatura da indústria do disco, mas a codificação da onda sonora em corrente elétrica. 

Ao contrário do que ocorria no sistema mecânico o som gerado é transformado em sinal de corrente eletromagnética e depois amplificado no momento da gravação e da reprodução, surgem equipamentos de captação e amplificação como o microfone e os alto-falantes e como não podia deixar de ser o toca disco elétrico.

Em meados da década de vinte, a indústria fonográfica ganharia um novo impulso com uma descoberta revolucionária: a gravação elétrica! Seu desenvolvimento foi devido, em grande parte, ao surgimento do rádio. As primitivas transmissões radiofônicas criaram um considerável degrau de qualidade sonora entre o disco e o programa de rádio. A questão era bem simples: a música levada ao ar na década de 20 era tocada ao vivo. O som que chegava aos receptores era bem mais fiel que a deficiente gravação mecânica de então.
Resultado: o ouvinte sempre se decepcionava ao adquirir a gravação da música que ouviu pelo rádio.

Essa situação, todavia, durou pouco. A Western Electric Co. desenvolveu em 1924 a solução para o problema. Utilizando-se de circuitos eletrônicos com amplificadores e microfones, com base nos princípios do rádio, passou a ser possível registrar a mais ampla gama de freqüências sonoras, elevando a qualidade do disco a um nível infinitamente superior. Em verdade, os estudos que levaram à gravação elétrica começaram em 1915, mas foram interrompidos durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1925 a inovação era lançada comercialmente. A Victor Talking Machine e a Columbia obtiveram as licenças para a industrialização dos novos discos. Para que tenhamos uma idéia do que foi o impacto da inovação, há menos diferença entre um LP e um CD que entre um disco mecânico e um elétrico. Basta comparar. O salto foi verdadeiramente assustador, verdadeira bruxaria moderna para os padrões da época! O disco elétrico acabou por revolucionar o gosto musical e a própria maneira de interpretar. 

Já era possível registrar o som com suavidade, abrindo caminho para os cantores de voz aveludada e orquestras melodiosas. Há uma grande diferença, por exemplo, em ouvir Carlos Gardel antes e depois da gravação elétrica. No Brasil a gravação elétrica somente se iniciou em 1927, inaugurada por Francisco Alves com oo disco Odeon cujos lados eram "Albertina" e "Passarinho do Má".

O novo sistema possibilitou o surgimento do cinema falado. Em 1927 foi lançado pela Warner Brothers o primeiro filme comercial sonoro: "O cantor de Jazz" (The Jazz Singer), estrelado por Al Jolson. O filme foi inteiramente sonorizado por discos de 16 polegadas, cuja velocidade de reprodução era de 33-1/3 RPM (embrião do LP?).

Embora o sistema de gravação tivesse experimentado tanta evolução, os aparelhos reprodutores continuaram quase os mesmos, tendo um desenvolvimento mais vagaroso mas não menos fascinante.

Sandália de couro

Ari Pavão
Sandália de couro (maxixe, 1925) - Pedro de Sá Pereira, Ari Pavão e Marques Porto

"Sandália de couro" é outro maxixe que integra a revista "Comidas, meu Santo!", de autoria dos compositores Pedro de Sá Pereira, Ari Pavão e Marques Porto, também interpretado pelo cantor Fernando.

Título da música: Sandália da couro / Gênero musical: Maxixe / Intérprete: Fernando / Compositores: Pavão, Ari - Porto, Marques - Pereira, Pedro de Sá / Acompanhamento Coro / Gravadora Odeon / Álbum 122940 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado único / Rotações Disco 78 rpm.



A sorte quem dá é Deus
Pois não sejas linguarudo
A sorte quem dá é Deus
Pois não sejas linguarudo

Tua vida é muito triste
Por ver defeitinho em tudo
Tua vida é muito triste
Por ver defeitinho em tudo

Na Bahia tem ... (o quê, meu bem?)
Sandálias de couro ...

Suspira, nega, suspira

Comidas, Meu Santo! de Marques Porto e Pavão, encenada no Teatro Recreio, Rio de Janeiro - 1925.
Suspira, nega suspira (canção-maxixe, 1925) - Pedro de Sá Pereira

O maxixe Suspira, nega suspira, cantado por Fernando, foi composto por Pedro de Sá Pereira para a revista Comidas, meu Santo! de Marques Porto e Ari Pavão. O sucesso no palco o projetou para as ruas, onde ganhou o gosto dos foliões.

Título da música: Suspira nega suspira / Gênero musical: Maxixe / Intérprete: Fernando / Compositor: Pereira, Pedro de Sá / Acompanhamento: Coro / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122919 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado único / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm.


A sua letra aludia às maravilhas da vida moderna:

A última descoberta / Que fez sucesso, que fez furor
Que põe todo mundo alerta / Para solver os casos de amor
Já tem qualquer marmanjo / Sem que tal caso lhe impressione
Cuidando do seu arranjo / Diz à pequena no autofone:


Suspira, nega, suspira / Vai por meu conselho
Suspira, nega, suspira / Ai, suspira
Bem na boca do aparelho

Não tenha palpitações / Quem tem marido moço e brejeiro
E ponha as instalações / Mesmo debaixo do travesseiro
E destarte a qualquer hora / Caso o malandro custe a chegar
Botando o fone pra fora / Forçosamente tem que escutar:

Suspira, nega, suspira / Vai por meu conselho
Suspira, nega, suspira / Ai, suspira
Bem na boca do aparelho

Cigana de Catumbi

Cigana de Catumbi (maxixe, 1925) - José Resende de Almeida

O maxixe surgiu a partir da mistura de diferentes ritmos e ganhou sua configuração definitiva enquanto dança nas festas da Cidade Nova e nos cabarés da Lapa.

A designação de "maxixe" à música e à dança surgidas na região da Cidade Nova atesta o seu caráter popular ligado às classes mais baixas da sociedade carioca da época, uma vez que a palavra era usada para designar coisas de pouco valor.

A primeira composição gravada foi "Sempre contigo", lançada pela Banda da Casa Edson por volta de 1902. Em 1904, fez sucesso o "Maxixe aristocrático", do maestro José Nunes. Por volta de 1909, o baiano Duque embarcou para a Europa e se tornou por vários anos o principal divulgador do maxixe na Europa.

Em 1914, fez sucesso o maxixe "São Paulo futuro", de Marcelo Tupinambá, gravado por Bahiano na Odeon. Em 1924, Romeu Silva fez sucesso com o maxixe "Fubá", de sua autoria, composto a partir de motivo popular.

Em 1925, foi grande o sucesso, no Rio de Janeiro, do maxixe "Cigana de Catumbi", de J. Resende, gravado pela Orquestra Cícero:



Fonte: Dicionário Cravo Albin.

Quem quiser ver

Aracy Cortes
Quem quiser ver (samba, 1924) - Eduardo Souto

Título da música: Quem quiser ver / Intérprete: Araci Cortes / Compositor: Souto, Eduardo / Acompanhamento Orquestra Pan American / Gravadora Odeon / Álbum 10426 / Gravação 1929-1929 / Lançamento 07/1929 / Lado B / Disco 78 rpm


Quem quiser ver, quem quiser ver
Tem que pagar
Tem que mexer, tem que mexer
Não pode entrar (x2)

Eu sou mulata sabida
Sei mexer, sei dançar
Na perfeição
O meu prazer nesta vida
É machucar um bacanão...

Quem quiser ter, quem quiser ter...

A vida é um jardim onde as mulheres são as flores

Vicente Celestino
A vida é um jardim onde as mulheres são as flores (fado-tango, 1924) - Zeca Ivo e Freitinhas (José Francisco de Freitas)

Título da música: A vida é um jardim onde as mulheres são as flores / Gênero musical: Tango / Intérprete: Vicente Celestino / Compositores: Freitas, José Francisco de - Zeca Ivo / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122793 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado único / Disco 78 rpm

Vênus

Zezé Leone
Vênus (fox-trot, 1923) - Freitinhas (José Francisco de Freitas)

Por volta de 1920, Freitinhas (1897 - 13/2/1956 Rio de Janeiro, RJ) teve suas primeiras composições gravadas: os tangos "A vida é um sonho" e "Suspiram que sangram", pelo cantor Brandão na Odeon.

Em 1923, conheceu seu primeiro grande sucesso, o fox-trot "Vênus", gravado por Carlos Lima na Odeon. Desse fox-trot a casa Wehrs editou um número recorde de 50 mil partituras em todo o Brasil e foi dedicada pelo autor a santista Zezé Leone, vencedora do primeiro concurso de beleza no Brasil.

Título da música: Vênus / Gênero musical: Fox trot / Intérprete: Lima, Carlos / Compositor: Freitas, José Francisco de / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122474 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado indefinido / Disco 76 rpm

Caiuby (Canção da cabocla bonita)

Vicente Celestino
Caiuby (Canção da cabocla bonita) (canção, 1923) - Pedro de Sá Pereira

Título da música: Caiuby (canção da cabocla bonita) / Gênero musical: Canção / Intérprete: Vicente Celestino / Compositor: Pereira, Pedro de Sá / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122749 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado único / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm:

Triste Carnaval

Canhoto
Triste carnaval (valsa, 1922) - Canhoto (Américo Jacomino) e Arlindo Leal / Disco 76 rpm / Vicente Celestino (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 / Nº Álbum 122214 / Gênero musical: Valsa



Por tua causa Colombina
Tive um triste Carnaval
E o ciúme que me alucina
Roubou-me a calma afinal

E, em sonho, meu amor
Tu não soubeste guardar
E um ousado sedutor
Pode teus lábios beijar

Por capricho, por loucura
Num delírio de ternura
Tu cedeste ao meu rival
O teu amor ideal
O teu amor ideal!

No meu delirar, Colombina
Que a outro sorrias
E que sem corar, ò libertina
Teus beijos vendias

Depois, com horror
Vi meu rival teus carinhos gozar
E esse infame traidor
Sorridente alcançar teu amor!

Sururu na cidade

Zequinha de Abreu
Sururu na cidade (choro, 1922) - Zequinha de Abreu

Zequinha de Abreu lança o choro "Sururu na cidade", que faz grande sucesso devido à forma bem-humorada na qual retratava os dias agitados da Revolução Paulista daquela época.

Título da música: Sururu na cidade / Gênero musical: Choro / Intérprete: Orquestra Típica Victor / Compositor: Abreu, Zequinha de / Gravadora Victor / Número do Álbum 33854 / Data de Gravação 00/1934 / Data de Lançamento 00/1934 / Lado lado A / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm

Papagaio come milho

Papagaio come milho (samba, 1922) - Francisco A. Rocha

Título da música: Papagaio come milho / Gênero musical: Samba / Intérprete: Bahiano / Compositor(es) Rocha, Francisco A. da / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122205 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado lado A / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm


Faço carinhos para quem não merece
Quem apanha, meu bem, não esquece (x2)

Ai! não fui eu que desmanchei a tua cama  (x2)
Papagaio come milho, periquito leva a fama  (x2)

Deves falar o que foi que te fiz
Não vou pagar o mal que não fiz

Ai! não fui eu que desmanchei a tua cama  (x2)
Papagaio come milho, periquito leva a fama  (x2)

Mulher que chora não fala a verdade
Mulher que jura é só falsidade (x2)

Ai! não fui eu que desmanchei a tua cama (x2)
Papagaio come milho, periquito leva a fama (x2)

A minha sogra parece uma matraca
Tem uma língua que é só jararaca (x2)

Ai! não fui eu que desmanchei a tua cama (x2)
Papagaio come milho, periquito leva a fama (x2)

A espingarda (Pa-pa-pá)

Jararaca
José Luís Rodrigues Calazans, o Jararaca (Maceió AL 1896-Rio de Janeiro RJ 1977) começou a tocar no conjunto Turunas Pernambucanos onde todos os integrantes adotaram apelidos de bichos.

Em 1921 os Turunas exibiram-se por 15 dias no Cine-Teatro Moderno, com o conjunto Oito Batutas, que visitava Recife. Foi o estímulo decisivo para o grupo, convidado então para os festejos do centenário da Independência, no Rio de Janeiro, em 1922, fazendo grande sucesso com suas emboladas, cocos, baiões, e com seus trajes típicos: alpercatas e chapéu de couro.

O vespertino A Noite deu-lhe ampla cobertura, chefiada pessoalmente por seu proprietário, Irineu Marinho. O conjunto foi convidado a gravar dois discos na Odeon, obtendo grande êxito com Espingarda-pá-pá-pá-pá - arranjo de Jararaca sobre tema folclórico.

Título da música: A espingarda / Gênero musical: Embolada / Intérprete: Bahiano / Compositor: Jararaca / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122102 / Data de Gravação 1921-1926 / Data de Lançamento 1921-1926 / Lado único / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm

A espingarda (Pa-pa-pa-pá) (embolada, 1922) - José Luís Calazans - Disco Odeon 10383 B, lançado em maio de 1929:



Espingarda / Pa, pa, pa, pa
Faca de ponta / Ta, ta, ta, ta,
Espingarda / Pa, pa, pa, pa
Faca de ponta / Ta, ta, ta, ta,

Jacarecica, Ponta Verde e Morro Grosso,
Levada, cambona e Poço
Bebedoro, Jaraguá - ôi.
Coquero Seco d'outro lado da Lagoa
Se atravessa na canoa
Camarão é no Pilá - ôi.

Minha espingarda
Tem a boca envenenada
De matá onça pintada
Caititú, tamanduá - ôi.
Eu dei um tiro
Na cabeça da guariba
Que a bala passo pra riba
Matou dois Maracajá ...

Espingarda ...

Faca de ponta
Espingarda e carabina
Minha faca já tá fina
Só de tanto eu amolá;
Minha espingarda
Quando tá azuretada
Vai sozinha prá caçada
Da mata do Calumbi - ôi.

Pegue pra qui
E arrepare o companhero
Vou lhe dá um granadero
Sem coronha, sem fuzi,
Dou-lhe mais uma espingarda
E lhe puxo pra caçada
Da mata do Calumbi - ôi.

sábado, setembro 18, 2010

Paixão de artista

Vicente Celestino
Paixão de artista (canção, 1921) - Eduardo Souto

Título da música: Paixão de artista / Intérprete: Vicente Celestino / Compositor: Souto, Eduardo / Disco 76 rpm / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1921-1926 / Nº Álbum 122029 / Gênero musical: Canção / Gravação 1921-1926 / Lançamento 1921-1926 / Lado único

Mimosa

Leopoldo Fróes
Mimosa (canção, 1921) - Leopoldo Fróes

Título da música: Mimosa / Gênero musical: Canção / Intérprete: Fróes, Leopoldo / Compositor: Fróes, Leopoldo / Gravadora Odeon / Número do Álbum 122028 / Data de Gravação 1915-1921 / Data de Lançamento 1915-1921 / Lado único / Disco 78 rpm


Mimosa !
Tão delicada e melindrosa...
Mimosa !...Mimosa!
Mimosa!
Deus que te fez assim formosa
Tens o perfume de uma rosa
Mimosa! ... Mimosa!

Quando tu passas pela estrada
Ou pela fresca madrugada
Ou pela noite enluarada
minha alma fica magoada
E o meu amor te apoteosa
Maldosa!... Mimosa!

Leopoldo Fróes

Leopoldo Fróes (Leopoldo Constantino Fróes da Cruz), ator, compositor e teatrólogo, nasceu em Niterói-RJ, em 30/09/1882, e faleceu em Davos, Suíça, em 02/03/1932. Formado em Direito, nunca exerceu a profissão, estreando como ator, em Portugal, na peça O rei maldito, de Marcelino Mesquita. 

Retornando ao Brasil em 1908, deu início a uma longa atividade teatral como ator (em que obteve grande êxito), produtor e líder de classe.

Escreveu duas peças para o teatro musicado, Outro amor e A mimosa, de onde saiu sua famosa canção de mesmo nome, que ele próprio gravou em disco Odeon (da Casa Edison), em 1921- acesse aqui a canção Mimosa -, sua única atuação como cantor. Além disso, compôs o lundu Samba fidalgo, o one-step Aime l'amour, o choro Samba choroso (com J. F. Machado) entre outros.

Atuou também como ator cinematográfico no filme Perdida, em 1916, sob a direção de Luís de Barros, e Minha noite de núpcias, filme português produzido pela Paramount em Paris, França, em 1931, com Beatriz Costa e Estevan Amarante.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.