sexta-feira, novembro 19, 2010

Agenor Bens

Agenor Bens
Agenor Bens (23/09/1870 Cordeiro, RJ - circa 1950 Rio de Janeiro, RJ), instrumentista, compositor e professor, era filho de uma ex-escrava de nome Noêmia e do relojoeiro e operador do antigo Cine Gaumont, Eduardo Bens. Começou a estudar música em sua cidade natal. A fim de se aprimorar foi para o Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Música, hoje Escola de Música da UFRJ.

Formou-se com louvor, e recebeu como prêmio a Medalha de Ouro, que era dada aos alunos que ficavam nos lugares primeiros colocados no curso de música. Por seu destaque, excursionou à França, onde se apresentou com sucesso, e em seguida recebeu convite e se tornou professor daquela mesma Escola.

Morou na Rua Visconde de Itamarati no Maracanã e era empregado como chefe de turma da Saúde Pública. Foi professor de flauta do Conservatório de Música do Distrito Federal (Rio de Janeiro) e membro da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro. Foi o músico cordeirense que mais destaque teve no cenário musical brasileiro. Ao que parece, faleceu no Rio de Janeiro na década de 1950.

Foi criado na cidade de Cordeiro o Instituto Agenor Bens, dedicado a divulgação e a preservação não só de sua obra como, também, dos diversos compositores e músicos da região. Uma parte do acervo de suas gravações e de suas composições, está disponível para audição no site do Instituto Moreira Salles , do Rio de Janeiro.

Chorão da Velha Guarda, possuía vasto repertório de choros antigos. Tocava muitas obras de Candinho Trombone além de cantar modinhas. Gravou vários discos nas duas primeiras décadas deste século (total de 18 músicas), nas etiquetas Grand Record Brazil, Favorite Record da Casa Faulhaber e Odeon Record da Casa Edison.

Gravou sempre solos de flauta, alguns acompanhados ao piano por Arthur Camillo. Escreveu choros, polcas e modinhas que faziam parte do repertório dos chorões, dentre as quais destacaram-se a polca "Faceira", o estudo Noturno e Fantasia capricho. Como grande flautista, rivalizava com Patápio Silva, de quem gravou Oriental.

A partir de 1912, começou a se apresentar como solista de diversas orquestras do RJ. Em 1913, teve uma de suas músicas, a polca Faceira, gravada pelo flautista Carlos Martins com acompanhamento do pianista Arthur Camillo. No mesmo ano, gravou, como solista, a valsa Primavera e com Arthur Camillo, gravou Noturno e a polca Cruzes! Minha prima, de Joaquim Callado. Na opinião do maestro Guerra Peixe, foi "o maior flautista brasileiro de todos os tempos".

Em 1915, apresentou-se na cidade fluminense de Nova Friburgo integrando um trio do qual faziam parte, além dele na flauta, o maestro Heitor Villa-Lobos, em sua primeira apresentação pública, ao violoncelo, e a esposa do maestro Lucila ao piano.

Em 1930, sua composição Doutor sem sorte, foi gravada pela Orquestra Victor Brasileira, liderada por Pixinguinha. Seu tango brasileiro Oiapoque foi gravado pelo grupo Os Matutos.
Fontes: Músicos do Brasil - Agenor Bens; Dicionário Cravo Albin da MPB; Prefeitura Municipal de Cordeiro.

Zum, zum, zum, meu violão

Francisco Alves
Zum, zum, zum, meu violão (marcha, 1929) - J. Menra e João Rossi

Título da música: Zum, zum, zum, meu violão / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Francisco Alves / Compositores: Pereira, J. Mendes - Rossi, João / Acompanhamento Orquestra Pan American / Gravadora Odeon / Número do Álbum 10337 / Gravação 1928-1929 / Lançamento 03/1929 / Lado A / Disco 78 rpm /

Zum, zum, zum, zum, zum, meu violão
Zum, zum, zum, zum, zum, meu rabecão
Por causa das moreninhas, olé
Rebentei o meu bordão, plum, plum

Fui num baile em Cascadura namorar
Vi uma moça, formosura de encantar
E de minha simpatia chiste fiz
Mas baixinho e com ironia ela me diz

Zum, zum, zum, zum, zum, meu violão
Zum, zum, zum, zum, zum, meu rabecão
Com as tais de melindrosas, olé
Eu já fui no arrastão, plum, plum

Mas depois por desaforo, me vinguei
Ferrô comigo outro namoro e eu nem liguei
De carão feio e comprido nuns tons horrendo
Eu baixinho em seu ouvido fui dizendo

Zum, zum, zum, zum, zum, meu violão
Zum, zum, zum, zum, zum, meu rabecão
De tanto amar as moreninhas, olé
Rebentei meu coração

J. Menra

J. Menra (Júlio Mendes Pereira), compositor, flautista e pianista. Fl. Rio de Janeiro, RJ, inícios do séc. XX. Usava o anagrama de J. (Júlio) Men (Mendes) Ra (Pereira).

Fundou em 1923 e dirigiu a Revista Musical, editada quinzenalmente, na qual publicava principalmente partituras. Essa revista circulou de de 1923 a 1928. Também desenhava capas para partituras.

Pianista, compôs o xótis Zélia, para o qual Catulo da Paixão Cearense escreveu o poema Sobre uma campa

Obra 

Seu Mané tem pé de anjo (com J. F. Fonseca Costa ou Costinha), choro carioca, 1915;  Zélia (ou Sobre uma campa, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), xótis, s.d.; Zum, zum, zum, meu violão (com João Rossi), marcha, 1928.

Seu mané tem pé de anjo (choro carioca) / Intérprete: Grupo do Moringa /Gravadora Odeon / Álbum 121956 / Gravação 1915-1921 / Lançamento 1915-1921 / Lado indefinido / Disco 76 rpm:


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha; Instituto Moreira Salles.

Raul Palmieri

Raul Palmieri (11/11/1887 - 26/4/1968, Rio de Janeiro, RJ), violonista, era filho do casal de italianos Domingos Palmieri e Idalina Falba e nasceu na Rua Carmo Neto, no bairro da Cidade Nova. Teve 10 irmãos, entre os quais o pandeirista Jacó Palmieri, que foi também integrante do conjunto Oito Batutas.

Participou da primeira formação do Grupo Caxangá, conjunto de inspiração nordestina, organizado pelo violonista João Pernambuco. A partir de 1914, o grupo passou a se apresentar em vários tríduos momescos, com cada músico adotando para si um codinome sertanejo.

Posteriormente, integrou o conjunto Oito Batutas, grupo musical organizado por Pixinguinha, em 1919, do qual faziam parte o flautista, Donga, China, Nelson Alves, José Alves, Luís de Oliveira, e o pandeirista Jacó Palmieri.

A convite de Isaac Frankel (gerente do cinema), o grupo estreou em abril no Cine Palais do Rio de Janeiro, com um repertório de maxixes, canções sertanejas, batuques, cateretês e choros.

Raul Palmieri desligou-se do conjunto em 1921, não participando, portanto, da famosa viagem que Os batutas fizeram à Paris, para uma série de apresentações no cabaré Sherazade.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Moacyr Silva


Moacir Silva (Moacir Pinto da Silva), instrumentista, compositor e regente, nasceu em Conselheiro Lafaiete (MG), em 10/05/1918. Filho do regente da banda municipal de Conselheiro Lafaiete, aos dez anos já tocava flautim na banda do Centro Operário, aprendendo logo depois sax-tenor. Aos 17 anos foi com a família para o Rio de Janeiro, onde prestou serviço militar, tocando na banda do quartel do Exército.

Por essa época, começou a receber os primeiros convites para atuar em bailes suburbanos. Saindo do Exército, passou a tocar na gafieira Elite, integrando mais tarde a orquestra do maestro Fon-Fon, onde ficou até 1947. Atuou então na orquestra Zacarias, apresentando-se no Copacabana Palace Hotel, e começou a tocar na Rádio Mayrink Veiga, na orquestra do maestro Peruzzi.

Em 1953 formou seu próprio conjunto, com Dom Um (bateria), Célio (contrabaixo) e Sacha (piano), apresentando-se na boate Vogue, onde acompanhava Dolores Duran, e na boate Au Bon Gourmet, acompanhando Francinete. No mesmo ano assinou contrato com a Copacabana, gravando seu primeiro 78 rpm, com o fox You Belong to Me (Price, King e Stewart) e o choro Crepúsculo (Júlio Barbosa), lançando depois em disco um choro de sua autoria que já era sucesso em rádio, Sugestivo.

Passou a fazer acompanhamento para gravações de Elisete Cardoso e Marisa, assumindo o cargo de produtor da gravadora Copacabana. Recebendo inúmeras solicitações para atuar em bailes, gravou com seu conjunto quatro volumes do LP Dançando com você. Adotou então o pseudônimo de Bob Fleming, aumentando imediatamente a venda de seus discos.

Na década de 1960 lançou como solista quatro volumes do LP Saxsensacional. Em 1963 gravou o LP Samba é bom assim, na Copacabana, em que estão incluídas duas composições suas, os sambas Ninguém sabe de nós e Os teus encantos (ambos com Antônio Maria).

Continuou trabalhando na Copacabana, produzindo e acompanhando gravações até sua aposentadoria.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.