segunda-feira, abril 25, 2011

Fiz o bobão




Doris Monteiro
Fiz o bobão (samba, 1961) - Luiz Reis e Haroldo Barbosa

Roubou meu bem
Fiz o bobão
Roubou meu bem
Com seu orgulho tão fugaz
Ficou com ele
Rolou com ele
Acreditando que estava me passando para trás.

Vejam vocês
Eu tinha tudo pra morrer de humilhação
Mas esperei porque no fim
Vence quem tem mais condição.

Ele voltou
Me procurou
E chorou tudo
Que eles choram
Choram sempre ao regressar

Voltou pra mim
O que era meu
E a infeliz ainda diz
Que quem roubou fui eu.



Samba de Orfeu

Samba de Orfeu (samba, 1959) - Luiz Bonfá e Antônio Maria



Introdução: 
C7M F7 Em7 Am7 D7 G7 C7M G4/7/9 

        C7M C7M/9         C7M C7M/9 
Quero viver,    quero sambar 
       C7M               A7            Dm7+ 
Até sentir a essência da vida me falta ar 
         Dm7 Dm6     Dm7 Dm7+ 
Quero sambar quero viver  
G4/7/9      G7           
Depois do samba, ta bem 
     Dm7     G7   C7M 
Meu amor, posso morrer 
        C7M C7M/9         C7M C7M/9 
Quero viver,    quero sambar 
       C7M               A7            Dm7+ 
Até sentir a essência da vida me falta ar 
         Dm7 Dm6     Dm7 Dm7+ 
Quero sambar quero viver  
G4/7/9      G7           
Depois do samba, ta bem 
     Dm7     G7   C7M 
Meu amor, posso morrer 
        Gm7    C7     F7M 
Quem quiser gostar de mim 
      Fm7          C6/9 
Se quiser vai ser assim 
        C7M   C7M/9   C7M C7M/9 
Vamos viver vamos sambar  
          C7M 
Se a fantasia rasgar  
     A7            Dm7 
Meu amor eu compro outra  
Dm7+     Dm7  Dm6      Dm7  Dm7+ 
Vamos sambar, vamos viver  
          G7 
O samba é livre,  
                Dm7  G7    C6/9 
Eu sou livre também até morrer. 

O milagre da volta

O milagre da volta (fox, 1959) - Fernando César e Armando Cavalcanti - Interpretação de Agnaldo Rayol



Volta meu amor
E deixa novamente que eu te afague
Não vás deixar que o nosso amor se acabe
Como um domingo que chegou ao fim
Volta meu amor
A tarde está cinzenta de saudade
E toda essa tristeza é na verdade
Saudade a mais que já não cabe em mim

Volta meu amor
A minha vida nasce em teu carinho
Para morrer a soluçar baixinho
Onde começa o meu viver sem ti
Volta meu amor
E faz do meu carinho o teu caminho
Transforma como um Deus a água enfim
Devolve até que eu tive que perdi




domingo, abril 24, 2011

Intenção




Ângela Maria
Intenção (bolero-mambo, 1957) - Getúlio Macedo e Floriano Faissal

Com outra que ele encontrou...

Com outra que ele encontrou
Pretende agora esquecer
O que entre nós se passou,
Meu amor, meu viver
Não sabe o mal que deixou,
Gravado em meu coração
Quando ele foi não levou
Esta maldita paixão

Só eu sei, quanta dor
Encontrei, neste amor
Se é inútil esperar
Se ele despreza meu amor
Porque Deus não vem tirar
Do meu peito esta dor

(bis)

Blim, blem, blam




Luís Cláudio
Blim, blem, blam (canção, 1956) - Luís Cláudio e Nazareno de Brito

Tocam os sinos de Natal
Blim-Blem-Blam
Blim-Blem-Blem,
Meu amor não vem,
Vou passar o meu Natal
Blim-Blem-Blam
Blim-Blem-Blem
Longe do meu bem.

Nem ao menos uma carta
Ela escreveu.
Com certeza arranjou outro
E me esqueceu
Papai Noel tenha dó
Eu estou sem ninguém
Neste mundo tão só
Sou seu filho também
Quando o sino repicar
Blim-Blem-Blam
Blim-Blem-Blem
Você traz meu bem.

sexta-feira, abril 08, 2011

Antônio Luís de Moura

Antônio Luís de Moura, clarinetista e professor (? - Rio de Janeiro RJ 18/6/1889), estudou no Conservatório de Música, onde foi contemporâneo de Henrique Alves de Mesquita. É considerado o primeiro clarinetista "virtuoso" do Brasil.

Em 1848 apresentou-se como concertista do Cassino da Floresta. De 1850 a 1856 foi primeiro secretário da Sociedade Beneficência Musical.

Compôs a quadrilha Incêndio do Teatro São Pedro de Alcântara, descrevendo o ocorrido a 9 de agosto de 1851, dividida em cinco partes: “O Espetáculo”, “O Incêndio”, “As Lamentações”, “Projeto de reedificação”, “Inauguração”.

Em 1853 era o primeiro clarinetista do Teatro Lírico Fluminense e no ano seguinte, associando-se a Henrique Alves de Mesquita, abriu o Liceu Musical e Copistaria, estabelecimento que oferecia cursos de música, copiava partituras, fornecia orquestras para bailes e vendia instrumentos musicais.

Em fevereiro de 1855 foi nomeado professor da cadeira de clarineta no Conservatório de Música, onde lecionou até a morte. Mais tarde ensinou flauta. Entre seus alunos destacaram-se Francisco Braga e Anacleto de Medeiros.

Em 1862 foi nomeado secretário do Conservatório de Música e, de 1865 a 1867, desempenhou o cargo de vice-presidente da Sociedade de Música. Era cavaleiro da Ordem da Rosa.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

domingo, abril 03, 2011

Darius Milhaud

Darius Milhaud
Darius Milhaud, compositor, nasceu em Marselha, França, em 4/9/1892, e faleceu em Genebra, Suíça, em 23/6/1974. Um dos mais notáveis músicos deste século, encabeçou até a morte importante setor da música contemporânea.

Integrou, com Arthur Honegger (1892—1955), Germaine Tailleferre (1892—), Francis Poulenc (1899—1963), Georges Auric (1899—) e Louis Durey (1888—), o Grupo dos Seis, formado em Paris, França, em 1920. Seu catálogo de obras inclui os mais variados gêneros da criação musical.

Com 25 anos de idade, foi designado adido cultural da Legação de França no Rio de Janeiro RJ, onde chegou acompanhando o chefe da representação diplomática da França no Brasil, o escritor e poeta Paul Claudel (1868—1955). A chegada ao Rio de Janeiro foi no sábado de Carnaval de 1917.

Nas suas notas biográficas (Notes sans musique, Paris, 1945), recorda a impressão chocante que lhe produziu o ritmo primitivo dos instrumentos de percussão dos cordões carnavalescos que desfilavam pela Avenida Rio Branco. 

Conheceu, em seguida, e passou a freqüentar, os compositores brasileiros da época — Henrique Oswald, Francisco Braga, Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos, Luciano Gallet. Descobriu, por fim, a música popular brasileira, que lhe deixaria profunda e duradoura impressão, que descreve assim: 

“Os ritmos dessa música popular me intrigavam e me fascinavam. Havia, na síncopa, uma imperceptível suspensão, uma respiração molenga, uma sutil parada, que me era muito difícil captar. Comprei então uma grande quantidade de maxixes e de tangos; esforcei-me por tocá-los com suas síncopas, que passavam de mão para outra. Meus esforços foram recompensados, e pude, enfim, exprimir e analisar esse pequeno nada, tão tipicamente brasileiro. Um dos melhores compositores de música desse gênero, Nazareth tocava piano na entrada de um cinema da Avenida Rio Branco. Seu modo de tocar, fluido, inapreensível e triste, ajudou-me, igualmente, a melhor conhecer a alma brasileira”. 

Deixou o Brasil em 1919, de retorno à Europa. A partir de então, em inúmeras obras suas, repontam, como instantâneos sonoros, ritmos, motivos e temas da música popular brasileira: L’Homme et son désir (O homem e seu desejo), Deux poèmes tupis (Dois poemas tupis), La Création du monde (A criação do mundo), Trois chansons de négresse (Três canções de negra), Scaramouche, Danses de Jacaré-mirim (chorinho, tanguinho e sambinha), Salada (Salada), La Carnaval d’Aix, Globe-trotter, Saudades do Brasil (suíte que compreende doze títulos de bairros do Rio de Janeiro: Sorocaba, Botafogo, Leme, Copacabana, Ipanema, Gávea, Corcovado, Tijuca, Paineiras, Sumaré, Laranjeiras e Paiçandu), e Le Boeuf surle toit (O boi no telhado), cinema-sinfonia sobre uma farsa de Jean Cocteau, em que aparecem cerca de trinta temas e fragmentos melódicos de músicas cariocas em voga nos anos 1917-1918, cujo título foi extraído do tango O boi no telhado, de Zé Boiadeiro, pseudônimo do compositor popular José Monteiro. 

CD 

Brasil — Obras de Ernesto Nazaré e Darius Milhaud, Marcelo Bratke, 1996, Olympia 946062. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998 - São Paulo.

Hélcio Milito


Hélcio Milito (Hélcio Pascoal Milito), instrumentista, nasceu em São Paulo SP, em 9/2/1931. Começou a carreira de percussionista atuando com o Conjunto Robledo, em São Paulo, de 1950 a 1951.

Em 1952 entrou para a orquestra do maestro Peruzzi e, de 1953 a 1954, integrou o sexteto de Mário Casali. Ainda em 1954 atuou com a Grande Orquestra de Luís César e, em 1956, com o Trio de Izio Gross.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro RJ, em 1957 passou a integrar o Conjunto de Djalma Ferreira, com o qual gravou a série Drink, em 1958. Nesse mesmo ano viajou para a Venezuela com a Orquestra de Ary Barroso, estudando também com o percussionista americano Henry Miller.

Entrou para a orquestra da Rádio Nacional em 1959, ano em que gravou, na Odeon, o disco Garotos da bossa nova, com Roberto Menescal, Luís Carlos Vinhas, Luís Paulo, Bill Horn e Bebeto. Atuou em shows do início da bossa nova e em 1960, além de excursionar pelos EUA com Luiz Bonfá, apresentou-se num show de Sammy Davis Jr., no Teatro Record, de São Paulo, executando pela primeira vez a tamba, instrumento por ele criado.

Estudou teoria musical com Moacir Santos em 1962, ano em que, com Luís Eça e Otávio Bailly (mais tarde substituído por Bebeto), formou o Tamba Trio (que realizou no Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, o primeiro da série de pocket shows da época), com o qual excursionou em 1962 pelos EUA e Argentina.

Em 1963 e 1964 continuou seus estudos de teoria musical com Ester Scliar. Ao deixar o Tamba Trio em 1964, participou de shows em Nova York, EUA, ao lado de João Gilberto, Stan Getz e Astrud Gilberto.

Durante os anos de 1964 e 1965, tocou com o duo norte- americano Michell-Ruff, com Luís Bonfá, fez gravações com Don Costa, Gil Evans, Tony Benett e outros. Em 1966, no Brasil, deu concertos na Aldeia, de Arcozelo, e na sala Cecília Meireles, do Rio de Janeiro, apresentando com Clementina de Jesus e coral a Missa de São Benedito, para tamba e vozes (José Maria Neves).

Novamente em Nova York em 1966, gravou com o guitarrista Wes Montgomery. Trabalhou como produtor fonográfico na CBS e na Tapecar, de 1966 a 1971, ano em que voltou a atuar com o Tamba Trio, no Teatro Teresa Raquel, do Rio de Janeiro.

Em cinema, foi o responsável pela percussão nas trilhas sonoras de A Pedreira de São Diogo (1961), de Leon Hirszman, episódio do filme Cinco vezes favela, Os cafajestes (1962), de Rui Guerra, Garrincha, alegria do povo (1963), de Joaquim Pedro de Andrade.

Em 1973 excursionou com o Tamba Trio pela Europa e, nesse mesmo ano, realizou conferências e debates no Norte e Nordeste do Brasil, sob o patrocínio do Ministério da Educação e Cultura. Em 1974 e 1975 voltou a viajar com o Tamba Trio pelos E.U.A. e América do Sul.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira.

Marlui Miranda

Marlui Miranda
Marlui Miranda (Marlui Nóbrega Miranda), compositora, cantora e pesquisadora, nasceu em Fortaleza CE, em 12/10/1949. Criada em Brasília DF, depois de vencer um festival estudantil, em 1968, trocou o curso de arquitetura pela música.

Em 1971 mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde estudou violão clássico com Turíbio Santos , Oscar Cáceres, Jodacil Damasceno, João Pedro Borges e Paulo Bellinati. Passou a tocar com artistas como Macalé, Taiguara, Milton Nascimento e Egberto Gismonti, que produziu seu primeiro LP, Olho d’água (Continental, 1979).

Na década de 1970, começou a pesquisar as falas e os cantares indígenas e com o fotógrafo Marcos Santilli, produziu o audiovisual Nharamaã, fruto de pesquisas sobre a colonização de Rondônia. Produziu e gravou os LPs Revivência (Memória, 1984) e Rio acima (Memória, 1986); produziu o disco Patter Merewa (Música dos índios suruís de Rondônia), com 13 canções suruís reunidas por ela e pela antropóloga Betty Mindlin.

A partir de 1990, recebeu bolsas da Rockefeller Foundation e The John Simon Guggenheim Memorial Foundation (New York, EUA) e da Fundação Vitae (São Paulo SP) para seu projeto Preservação e Recriação da Música Indígena da Amazônia Brasileira.

Em 1990 participou como supervisora geral e intérprete na trilha sonora do filme Brincando nos campos do Senhor, de Hector Babenco. Em 1992 foi solista e responsável pela recriação da música indígena na Ópera dos 500, de Naum Alves de Sousa e Grupo Pau Brasil. No mesmo ano, com o Grupo Pau Brasil, criou a trilha para o documentário Arawetê, produzido pelo Centro de Documentação e Informação (CEDI).

Em 1993 produziu o CD Amazon Rainforest Music, para a gravadora alemã Sonoton. Em 1995 gravou o CD IHUTodos os sons, com músicas e canções de povos indígenas brasileiros e participações de Gilberto Gil, Uakti e Coralusp, entre outros. O espetáculo IHU Todos os sons, apresentado no mesmo ano, foi transformado em especial exibido pela TV Cultura.

Em 1996, o CD IHU foi lançado nos EUA (com concertos em New York e Miami), Áustria, Suíça e Alemanha, onde recebeu o German Phono Academy Award. Em 1997 foi lançado 2 IHU — Kewere: rezar, missa indígena criada a partir de músicas de diversas tribos, com as participações da Orquestra Jazz Sinfônica e coral de 90 vozes, e apresentada pela primeira vez em junho de 1996 na catedral da Sé, em São Paulo, nas comemorações dos 400 anos da morte do padre José de Anchieta.

Em 1998, juntamente com Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, lançou pelo selo Pau Brasil o disco O sol de Oslo, no qual foram incluídas de sua autoria Sebastiana e Eu te dei meu ané, esta última em parceria com Gilberto Gil. Ainda neste ano, realizou a palestra Trilhas para alcançar a música indígena brasileira, desta vez no Departamento de Letras da USP.

Em 1999, realizou diversas palestras, entre elas, Influência da cultura indígena na música brasileira e Hiperantropia: Desenvolvendo parcerias com os povos Indígenas Brasileiros, Visão geral da música indígena brasileira, na The University of Chicago; Aldeias sem cruz: Missionários e a transfiguração da música indígena no Brasil, em seminário em Salzburg, na Áustria. no Center of Latin American Estudies in Wiscosin-Madison University, No mesmo ano, recebeu o prêmio de melhor CD de música latina pela Native American Society. Participou também do Festival de Música Sagrada na Casa do Tibet, em Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, organizado pelo Dalai Lama.

Em 2000, foi lançado o filme Hans Staden, de Luís Alberto Pereira, com trilha sonora de sua autoria. No ano de 2002 com a Orquestra Popular de Câmara (de São Paulo), apresentou-se na 4ª Edição do Festival do Mercado Cultural da Bahia. Interpretou e adaptou cantos tradicionais de muitas nações indígenas brasileiras.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Zeca Pagodinho


Zeca Pagodinho (Jessé Gomas da Silva Filho), cantor e compositor, nasceu no subúrbio de Irajá, Rio de Janeiro, RJ, em 4/2/1959. Foi anotador de jogo do bicho antes de iniciar sua carreira musical. Desde cedo se destacou no círculo das rodas de samba que freqüentava no subúrbio do Rio de Janeiro, onde apresentou suas primeiras composições e revelou sua voz rouca e rasgada de partideiro.

Em 1981, no bloco carnavalesco Cacique de Ramos, em que se reuniam todas as quartas-feiras compositores e cantores num encontro denominado “pagode”, conheceu Beth Carvalho, que o convidou a participar de seu disco, no qual cantou o samba Camarão que dorme a onda leva, de sua autoria em parceria com Arlindo Cruz.

Em 1982 foi convidado pela RGE para participar de um disco que reunia outros quatro novos talentos do samba: Jovelina Pérola Negra, Pedrinho da Flor, Elaine Machado e Mauro Diniz. O disco, com o nome de Raça brasileira, foi grande sucesso de vendas e execução. A partir daí, iniciou sua carreira solo, gravando samba de raiz e partido-alto, ao mesmo tempo prestigiando os novos compositores e retornando aos nomes mais representativos do samba da Portela e da Império Serrano.

Seu primeiro LP solo, Zeca Pagodinho, saiu pela RGE em 1986. Ainda por essa gravadora, lançou Patota de Cosme (1987), mudando depois para a BMG, na qual gravou Jeito moleque (1988), Boêmio feliz (1989), Mania da gente (1990), Pixote (1991), Zeca Pagodinho, um dos poetas do samba (1992) e Alô mundo (1993).

Na Polygram, com a qual assinou contrato em 1995, já gravou três CDs: Samba pras moças (1995), Deixa clarear (1996) e Hoje é dia de festa (1997). Entre seus grandes sucessos destacam-se Quando eu contar (Iaiá), de Beto sem Braço e Serginho Meriti, em 1986; SPC (com Arlindo Cruz), em 1986; Samba pras moças (Roque Ferreira e Grazielle), em 1995; Verdade (Nelson Rufino e Carlinhos Santana), em 1996; e O dono da dor (Nelson Rufino), em 1997.

Seu CD Zeca Pagodinho ao vivo vendeu mais de meio milhão, em 1999. No disco Casa de samba 2, gravou com Caetano Veloso a música Com que roupa?, de Noel Rosa. Anos mais tarde, no disco Casa de samba 4, também produzido por Rildo Hora, dividiu com Sandra de Sá a faixa Judia de mim, parceria com Wilson Moreira.

Ganhou sete Discos de Ouro e dois de Platina. Suas constantes apresentações no Metropolitan, uma das maiores casas de shows da América Latina, somaram um público superior a um milhão de espectadores só no período 1999/2000.

No ano 2000, lançou o disco Água da minha sede pela gravadora Universal, que vendeu 600 mil cópias e no qual interpretou Alto lá, composta em parceria com Sombrinha e Arlindo Cruz, tema da novela O Clone, da Rede Globo. Incluiu ainda a faixa-título Água da minha sede (Dudu Nobre e Roque Ferreira), Maneco telecoteco (Marques e Roberto Lopes), Delegado Chico Palha (Tio Hélio e Nilton Capolino), A ponte (Elton Medeiros e Paulo César Pinheiro), Perfeita harmonia (Almir Guineto, Bidubi e Bandeira Brasil), Nunca vi você tão triste (Monarco e Alcino Corrêa), Preservação das raízes (Barberinho do Jacarezinho e Luiz Grande), Pagode fino trato (Carlos Roberto da Mangueira) e Jura, de autoria de Sinhô (José Barbosa da Silva), cuja música foi incluída na novela O Cravo e a Rosa, da Rede Globo.

No ano 2001, ao lado de vários artistas participou, na casa de show Tom Brasil, em São Paulo, de uma homenagem a João Nogueira. No show interpretou as composições Do jeito que o rei mandou e Sonho de bamba, sendo o disco lançado logo após pela gravadora Jam Music. Ainda em 2001, idealizou e possibilitou junto à gravadora Universal o disco Quintal do Pagodinho, produzido por Rildo Hora.

Em 2002, ao lado de outros artistas, participou do disco Os melhores do ano III, CD no qual interpretou com Dudu Nobre a música Faixa amarela (Zeca Pagodinho, Jessé Pai, Luiz Carlos e Beto Gago). Ainda em 2002, com produção de Rildo Hora, lançou o CD Deixa a vida me levar. No disco contou com a participação da Velha-Guarda da Portela em duas faixas, incluiu de sua autoria Chove, é o céu que chora, parceria com Mauro Diniz, Riquezas do Brasil (Candeia e Valdir 59), Meu modo de ser (Zé Roberto), Calangueei (Almir Guineto), Amor não me maltrate (Monarco), Nega Judite (Leandro Dimenor) e a faixa-título Deixa a vida me levar, de autoria de Serginho Meriti e Eri do Cais, que seria ainda mais veiculada depois que os jogadores brasileiros a elegeram a música preferida nos encontros informais da seleção na Copa do Mundo de futebol de 2002.


Em 2003, participou do CD Duetos, de Neguinho da Beija-Flor, disco no qual interpretou, com o anfitrião, Fé e raiz. Recebeu o prêmio de "Melhor Cantor de Disco de Samba" pelo CD Deixa a vida me levar, no Prêmio Tim de Música, no Teatro Municipal do Rio. Lançou o CD e DVD Zeca Pagodinho Acústico MTV, com arranjos de Rildo Hora e Paulão Sete Cordas e ainda a participação dos músicos Mauro Diniz, Henrique Cazes e Jorge Gomes. No CD foram incluídos alguns de seus maiores sucessos que chegou à marca de 530 mil cópias vendidas e o DVD vendeu 230 mil cópias.

Ganhou o Prêmio Tim 2004 na categoria "Melhor Cantor de Samba". Neste mesmo ano foi um dos convidados de Beth Carvalho no DVD Beth Carvalho - a madrinha do samba, no qual interpretou em dueto com a anfitriã as faixas Camarão que dorme a onda leva (c/ Arlindo Cruz e Beto Sem Braço) e Ainda é tempo de ser feliz, de autoria de Arlindo Cruz, Sombra e Sombrinha.

No ano de 2005 lançou o CD À vera, no qual interpretou de sua autoria Quem é ela (c/ Dudu Nobre), Cavaco e sapato (c/ Nei Lopes) e Zeca, cadê você? (c/ Jorge Aragão), faixa na qual contou com as participações especiais de Marcelo D2, Seu Jorge e Baixinho (caseiro de Zeca Pagodinho).

No ano de 2006 gravou o CD e DVD Acústico MTV Zeca Pagodinho II - Gafieira, no qual recriar o clima dos bailes de gafieira das noites carioca dos anos 40 e 50. Acompanhado de uma orquestra com 39 músicos, aliada à banda do cantor, sob as batutas dos maestros Rildo Hora, Leonardo Bruno, Jota Moraes, Lincoln Olivetti, Vitor Santos, Cristóvão Bastos, Julinho Teixeira e Paulão 7 Cordas.

No ano de 2007, junto a Rildo Hora e Max Pierre, fundou o selo "Zecapagodiscos", selo de samba ligado à gravadora Universal, gravando neste mesmo ano um DVD com 22 faixas nas quais contou com 44 artista em duplas inusitadas interpretando clássicos e sucessos nacionais.

Em 2008 lançou seu 19º disco Uma prova de amor produzido por Rildo Hora. No CD interpretou Eta povo pra lutar (Brasil, Badá, Magaça e Bernine), Pra ninguém mais chorar (Fred Camacho, Dudu Nobre e Almir Guineto), Não há mais jeito (Monarco e Mauro Diniz), Sincopado ensaboado (Marcos Diniz, Barbeirinho do Jacarezinho e Luiz Grande), Falsas juras (Candeia e Casquinha), Pecadora (Jair do Cavaquinho e Joãozinho da Pecadora), Manhã brasileira (Manacéa) com particpação especial da Velha-Guarda da Portela, Esta melodia (Babu da Portela e Jamelão), Sambou... Sambou (João Donato e Jorge Mello) com particpação ao piano de João Donato, Ogum com particpação especial de Jorge Ben Jor declamando Oração a São Jorge, Se eu pedir pra cantar (Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz), Sempre atrapalhado (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho), Sujeito pacato (Serginho Meriti e Claudinho Guimarães), Normas da casa (Zé Roberto), além da faixa-título de Nélson Rufino e Toninho Gerais.

Em 2010 finalizou, com produção de Rildo Hora, o disco Vida da minha vida, no qual contou com a participação especial de Nelson Sargento. O show de lançamento do disco ocorreu no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, com direção artística do pesquisador Sérgio Cabral e direção musical de Paulão 7 Cordas.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Jairo Severiano

Jairo Severiano
Jairo Severiano, pesquisador, historiador, musicólogo e produtor, nasceu em Fortaleza, CE, em 20/1/1927. Depois de viver a infância e a adolescência nas cidades de Fortaleza e Recife PE, mudou-se em 1950 para o Rio de Janeiro RJ, onde iniciou carreira de escriturário no Banco de Brasil.

Interessado desde criança em música popular, começou em 1968 o levantamento da díscografia brasileira. Em 1973, juntou seu trabalho ao dos pesquisadores Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez), Grácio Barbalho e Alcino Santos, que realizavam levantamento idêntico.

Patrocinada pelo M.E.C. a partir de 1976, a pesquisa foi concluída em 1979, sendo editada pela Funarte em 1982 com o título de Discografia brasileira 78 rpm — 1902-1964 (5 volumes). A pedido da FGV, escreveu a monografia Getúlio Vargas e a música popular, publicada em 1983. Em seguida, escreveu a biografia do compositor João de Barro (Braguinha), publicada pela Funarte em 1987 com o título de Yes, nós temos Braguinha

Na década de 1980, produziu álbuns fonográficos de sentido cultural, entre os quais se destacam a série Revolução de 30, Revolução de 32 e O Ciclo Vargas, para a Fundação Roberto Marinho, Nosso Sinhô do Samba, Araci Cortes, Orlando Silva e Yes, nós temos Braguinha, para a Funarte, Native Brazilian Music, para o Museu Villa-Lobos, e os LPs duplos com Dorival Caymmi (1985) e Antônio Carlos Jobim (1987), reeditados em CDs com os títulos de Caymmi inédito e Tom Jobim inédito

Paralelamente, dedicou-se à coordenação do projeto de catalogação e informatização do Acervo Mozart de Araújo, para o Centro Cultural Banco do Brasil (1991), e do projeto Memória Musical Carioca, para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro (1982-1985), este juntamente com o pesquisador Paulo Tapajós. 

Realizou ainda palestras em universidades do Rio de Janeiro e de outros Estados e cursos em entidades como a Fundação Casa de Rui Barbosa. 

Em dezembro de 1997, lançou o volume I (1901-1957) da obra A canção no tempo — 85 anos de música brasileira, realizada em parceria com o pesquisador Zuza Homem de Melo.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira  - Art Editora.

Picolino da Portela

Picolino da Portela (Claudemiro José Rodrigues), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 13/5/1930. Começou a compor aos 16 anos para o bloco Unidos da Tamarineira, do subúrbio de Osvaldo Cruz, onde ficou de 1945 a 1946.

Entrou para o G.R.E.S. da Portela em 1950, com Candeia e Valdir 59. Os três passaram a integrar a ala dos impossíveis, então presidida pelo compositor Wanderley, e se apresentaram em 1955-1956 no Clube High-Life com a Orquestra Tabajara e a do maestro Cipó. Fundou mais tarde a ala dos malabaristas, que liderou por cinco anos. Transferiu-se depois para a ala dos compositores, da qual foi presidente por dois anos. 

Participou ainda do conjunto Os Mensageiros do Samba, liderado por Candeia, com quem chegou a gravar um LP na Philips, em que foram incluídas duas músicas de sua autoria, Lenço branco e Se eu conseguir (com Casquinha). Formou o Trio ABC, com Noca da Portela e Colombo, que participou de vários espetáculos de samba e alguns festivais. 

Compôs dois sambas-enredo da Portela, o Samba do gigante (com Valdir 59), feito em homenagem ao IV Centenário de São Paulo SP (1954) e Legados de D. João VI (com Candeia e Valdir 59), em 1957. 

Classificou-se em primeiro lugar no Concurso de Carnaval do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, em 1969, com Chorei, sofri, penei (com Noca da Portela). 

É autor ainda de Atrás do meu caminho, gravado por Elizeth Cardoso, e Portela querida (com Noca da Portela e Colombo), gravado por Elza Soares. Com estes dois parceiros compôs também A dor que vem do Brás, lançado por Eliana Pittman, a mesma cantora que gravou Tô chegando, já cheguei (com Caipira). Entre outras músicas, lançou ainda Puxa, que luxo, gravado por Luiz Ayrão. Ritmista, apresentou-se em clubes, churrascarias e rodas de samba do Rio de Janeiro, sendo também funcionário aposentado do Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis.

Obras 

Atrás do meu caminho, s.d.; Chorei, sofri, penei (c/Noca da Portela), 1969; A dor que vem do Brás (c/Noca da Portela e Colombo), s.d.; Legados de D. João VI (c/Candeia e Valdir 59) samba-enredo, 1957; Lenço branco, s.d.; Portela querida (c/Noca da Portela e Colombo), 1968; Puxa, que luxo, s.d.; Samba do gigante (c/Valdir 59), samba-enredo, 1954; Se eu conseguir (C/Casquinha), s.d.; Tô chegando, já cheguei (c/Caipira), s.d. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Aloysio Pinto

Aloysio de Alencar Pinto
Aloysio Pinto (Aloysio de Alencar Pinto), pianista, musicólogo e compositor, nasceu em Fortaleza, CE, em 03/02/1911, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 06/10/2007. Começou a estudar piano com uma tia, aos sete anos; em seguida, foi aluno da professora Ester Salgado Studart da Fonseca, uma das fundadoras do Conservatório Musical Alberto Nepomuceno.

"Depois eu estudei harmonia aqui com um grande professor italiano, que viveu alguns anos no Ceará, e que teve o seu nome muito ligado ao Ceará. Foi o professor Luigi Maria Smiddo. Era um grande maestro italiano, regente, professor de matérias teóricas, com quem estudei harmonia aqui no Ceará. E foi o maestro Smiddo quem me deu, vamos dizer, os primeiros rudimentos da arte de compor."

Em 1927, conheceu em Fortaleza Nicolai Orloff, grande virtuose do piano,e que se tornou seu professor e mentor de toda uma vida, com quem manteve contato, no Brasil e na Europa, até a morte daquele mestre, nos anos 60.

Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi aluno de piano de Barroso Neto, no Instituto Nacional de Música. Barroso foi um dos pioneiros do canto coral no Brasil.

Como prêmio por seu desempenho no Instituto, recebeu a Medalha de Ouro. Viajando a Paris, ali se aperfeiçoou com Robert Casadesus (pianista clássico e compositor francês), Marguerite Long (eminente concertista e professora francesa), e Nadia Boulanger (também professora de Astor Piazzolla).

Em 1938 recebeu a "Mention Honneur de Virtuosité", o maior prêmio concedido pelo Conservatoire Américain au Palais de Fontainebleau a um músico. Este mesmo prêmio havia sido outorgado ao grande compositor norte-americano Aaron Copland alguns anos antes.

Outra influência importante em sua formação foi o fato de que seu pai havia sido um dos pioneiros do cinema no Ceará, não como cineasta mas como proprietário de uma sala de projeção, e amante da Sétima Arte.

Segundo Georges Frederic Mirault Pinto, seu filho, Aloysio "era um admirador do cinema western e da obra de Orson Welles, com quem conviveu nos anos 40, quando da passagem daquele cineasta por Fortaleza."

Como compositor, iniciou sua carreira ainda na terra natal, em 1926, quando fez o tango O teu cantor, com versos do poeta Pierre Luz. Além de muitas peças populares, compôs no gênero semi-erudito. Sua primeira gravação, em 1953, foi um 78 rpm da Victor com as obras Tango brasileiro, de Alexandre Levy, e Valsa lenta (ou Valsa em fá sustenido menor), de sua autoria. Em 1986, gravou, com os pianistas Antônio Adolfo e Carolina Cardoso de Meneses o álbum duplo Os pianeiros, produzido e distribuído como brinde pela Fenab. 

Obras
Música orquestral: Sarau de sinhá, bailado, s.d.;Música instrumental: Lamento, p/piano, s.d.; Romance antigo, p/piano, s.d.; Valsa capricho, p/piano, s.d.; Valsa lenta (ou Valsa em fá sustenido menor), p/piano, s.d.

Fontes: Músicos do Brasil; Enciclopédia Nordeste; Enciclopédia da Música Brasileira.

Poly

Poly (Ângelo Apolônio), instrumentista e compositor, nasceu em São Paulo, SP, e faleceu na mesma cidade, em 10/4/1985. Aos dez anos, já dominava vários instrumentos de corda e aos 11 aprendeu a tocar guitarra.

Pouco depois, passou a acompanhar (tocando violão, cavaquinho, bandolim, banjo, contrabaixo, viola e guitarra havaiana — novidade na época — cantadores e cantores como Paraguassu, Januário de Oliveira e Arnaldo Pescuma, que gravaram pela Columbia.

Iniciou em 1937 sua carreira no rádio, trabalhando na Rádio Difusora, de São Paulo, como solista de cavaquinho e, ainda, como tocador de bandolim e violão, no regional da emissora. Nessa época também, foi integrante do conjunto vocal Grupo X, tido como concorrente do Bando da Lua.

Sua primeira composição foi feita em 1939: Você, valsa que não foi gravada, com letra de José Roberto Penteado, de quem recebeu seu nome artístico, Poli.

Em 1940, a convite de Garoto, foi para o Rio de Janeiro onde gravou com o regional de Garoto e trabalhou no Cassino Copacabana, na Rádio Clube do Brasil e na Rádio Mayrink Veiga.

De 1942 a 1944, interrompeu suas atividades musicais, por ter sido convocado para a Força Expedicionária Brasileira. Em 1944, fez sua primeira gravação (na Continental), como solista de guitarra havaiana, interpretando Deep in the Heart of Texas (Don Swander e June Herchey).

Depois foi para Porto Alegre RS, para trabalhar na Rádio Farroupilha e, a convite de Tasso José Bangel, integrante do Conjunto Farroupilha, excursionou pela Europa, Japão e Estados Unidos; ao voltar ao Brasil, apresentou-se em São Paulo nas boates Clipper e Roof da Gazeta.

Quando em 1958, a firma Cássio Muniz deixou a representação dos discos RCA para fundar a gravadora Chantecler, foi contratado para a gravação dos primeiros discos, destacando-se com a música Noite cheia de estrelas (Cândido das Neves, cognominado Índio).

Formou um conjunto com Henrique Simonetti (celesta), Carlinhos Maffazzoli (acordeom) e Luisinho Schiavo (órgão elétrico), com o qual gravou pela Columbia o LP Penumbra — Poli e seu conjunto.

Em 1963, gravou, solando guitarra havaiana, o Samba caipira (Palmeira e Piraci) e, em 1970, registrou em solo de viola, no LP Sertão em festa, as músicas Tristezas do jeca (Angelino de Oliveira) e Vai chorando, coração (Amarilda e Brás Baccarin). No mesmo ano gravou um LP homenageando grandes músicos de cordas brasileiros, como Canhoto e Jacob do Bandolim, mas o disco teve pouca projeção.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Premeditando o Breque


Premeditanto o Breque - Grupo vocal-instrumental que, ao lado do Língua de Trapo, foi o mais importante do humor musical paulistano dos anos de 1980. Apelidado de Premê, o grupo se destacou pelo apuro nas composições e arranjos e virtuosismo instrumental, admitindo influência do grupo argentino Les Luthiers.

As origens do conjunto remontam a 1976, quando Mário Manga (Mário Augusto Aydar, São Paulo SP 1955—), Marcelo Galbetti (Antônio Marcelo Galbetti, São Paulo 1954—), Claus (Claus Erik Petersen, São Paulo 1955—) e, alguns meses mais tarde, Wandy (Wanderley Doratiotto, São Paulo 1950—) se conheceram no curso de música da Escola de Comunicações e Artes da USP e passaram a tocar e compor juntos.

O Premê surgiu em 1979, participando do 1 Festival Universitário da MPB, da TV Cultura, e conseguindo o segundo prêmio com Brigando na lua (de Manga, que até cerca de 1984 usou o apelido Biafra, mudando para evitar confusão com o cantor romântico homônimo).

Em 1980 participaram do festival MPB Shell da TV Globo, defendendo Empada molotov (de César Brunetti, lançada num compacto da RGE). Em 1981 lançaram o primeiro LP, Premeditando o Breque (selo independente Spalla), com algumas faixas que se tornaram sucesso entre os fãs da chamada “vanguarda paulista”, Fim de semana e Marcha da kombi (ambas de Wandy). No ano seguinte, participaram do MPB Shell com O destino assim o quis (Wandy), lançada em compacto (etiqueta Lira Paulistana), que no outro lado trazia Pinga com limão, de Alvarenga e Ranchinho.

Em 1983 foi a vez do LP Quase lindo (Lira Paulistana), no qual se destacou São Paulo, São Paulo.

Contratados pela EMI, lá gravaram dois LPs, O melhordos iguais (1985), com os sucessos Balão trágico (Manga e Dionisio Moreno) e Lua-de-mel em Cubatão, e Grande coisa, cujo destaque foi Rubens, de Manga, regravada por Cássia Eller em 1990. Seguiram-se os discos Alegria dos homens (Eldorado, 1991) e Premê vivo (Velas, 1997).

Manga participou como guitarrista em discos de vários artistas, como Arrigo Barnabé e Vânia Bastos; Wandy apresentava o programa musical Bem Brasil da TV Cultura desde 1991. Além do núcleo fixo de Manga, Wandy, Marcelo e Claus, o Premê incluiu vários bateristas e contrabaixistas, além do compositor Igor Lintz Maués que, radicado na Alemanha desde meados dos anos de 1980, contribuiu para os discos do grupo com composições de música eletrônica.

CD


Premeditando o Breque, 1995, Velas, 11 -V067; Grande coisa, 1997, EMI 8234482.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Zizi Possi


Zizi Possi (Maria Izildinha Possi), cantora, nasceu em São Paulo, SP, em 28/03/1956. Estudou piano dos cinco aos 17 anos, mudando-se então para Salvador BA, onde lecionou teoria musical para filhos de prostitutas e crianças de rua do bairro do Pelourinho, além de cursar música na UFBA, cantar em barzinhos e ainda participar de espetáculos musicais, tais como Marilyn Miranda.

Em 1978 mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde foi descoberta por Roberto Menescal e contratada pela Polygram, gravando seu primeiro disco, Flor do mal. Participou da Ópera do malandro, de Chico Buarque, e seu primeiro sucesso foi a interpretação de Pedaço de mim, desse musical, em 1979.

Seu segundo grande êxito veio em 1982, a balada pop Asa morena (Zé Caradípia), que serviu de modelo para todo seu repertório até fins da década de 1980. Outros sucessos incluem Perigo (Nico Resende e Paulinho Lima), 1986; A paz (Gilberto Gil e João Donato), 1987; É a vida que diz (Marina); e O amor vem pra cada um (Love Comes to Everyone, de George Harrison).

Voltando a São Paulo em fins dos anos de 1980, resolveu seguir uma linha menos comercial, a partir do LP Estrebucha baby (1989). Mudando para a gravadora Eldorado, gravou o LP Sobre todas as coisas (1991), acompanhada somente por piano, violoncelo e percussão, e cujo repertório inclui O menino de Braçanã, de Luís Vieira, Com que roupa?, de Noel RosaO que é, o que é?, de Gonzaguinha, Isla para dos, de Chien García, e a faixa-título, de Edu Lobo e Chico Buarque.

O disco seguinte, Valsa brasileira (Velas, 1993) seguiu a mesma linha e rendeu dois sucessos, Bom dia (Swami Júnior e Paulo Freire) e Lamento (Pixinguinha).

Voltando à Polygram em 1996, porém mantendo sua liberdade de criação e interpretação, gravou os CDs Mais simples (1996) e Per Amore (1997), este último somente de canções italianas, que atingiu a vendagem de 700.000 cópias e que valeu à cantora um Disco de Ouro, um Disco de Platina e um Disco Duplo de Platina. Recebeu, ainda, o Troféu Imprensa, na categoria Melhor Cantora do Ano.
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Em 1998, gravou o especial Zizi Possi - Per amore (TVE). Também nesse ano, lançou o CD Passione, igualmente dedicado à músicas italiana, registrando Canzone per te (Bordotti, Endrigo e Bacalov), Anema e core (Titomanlio e S. D. Esposito Mangione), faixa que contou com a participação de Chico Buarque, Io che amo solo te (Sergio Endrigo) e Torna a Surriento (Ernesto de Curtis), entre outras. Recebeu por esse trabalho mais um Disco de Ouro e mais um Disco de Platina.

Em 1999, gravou o CD Puro prazer, que atingiu a vendagem de 100.000 cópias, o que lhe valeu mais um Disco de Ouro. Nesse ano, foi indicada ao Grammy Latino de Música, na categoria Melhor Cantora.

Em 2000, estreou turnê nacional de lançamento do CD Puro prazer no ATL Hall (RJ), ao lado do pianista Jether Garotti Jr., com quem completou, nesse ano, uma década de trabalho.

Em 2001, lançou o CD Bossa, contendo releituras em clima de Bossa Nova de canções nacionais e internacionais, como Preciso dizer que te amo (Bebel Gilberto e Cazuza), Capim (Djavan), Caminhos cruzados (Tom Jobim e Newton Mendonça), Haja o que houver (Pedro Ayres Magalhães), Preciso aprender a só ser (Gilberto Gil), So many stars (Sergio Mendes, Alan Bergman e Marilyn Bergman), Yesterday (John Lennon e Paul McCartney), Sabrás que te quiero (Teddy Fregoso) e Yo tengo un pecado nuevo (Marianito Moraes e Alberto Martinez), além de duas faixas inéditas: Eu só sei amar assim (Herbert Vianna) e Qualquer hora (João Linhares). 

Em 2002, a Universal Music lançou a caixa tripla Três vezes Zizi, reunindo os CDs Per amore (1997), Passione (1998) e Puro prazer (1999), em comemoração ao total de um milhão de cópias vendidas pelos três discos em conjunto. Nesse mesmo ano, a mesma gravadora lançou em CD os discos gravados pela cantora nos anos 1970 e 1980, na coleção Tudo, produzida por Marcelo Fróes.

Em 2003, foi premiada na segunda edição do Prêmio Carosone Internazionale, na Arena Flegrea, em Nápolis (Itália), interpretando a canção Torero (Renato Carosone), faixa do CD Per amore, lançado em 1997. Em 2004, apresentou-se, ao lado do pianista Jether, no Scala (RJ).

Estreou, em 2005, no Teatro Frei Caneca (SP), o espetáculo Para inglês ver e ouvir, ao lado de Jether (piano), Marcos Paiva (baixo) e Alexandre Damasceno (bateria), cantando em inglês canções de Gerswin, Cole Porter e Bob Marley, entre outros autores. O show foi gravado ao vivo para lançamento em CD e DVD, com direção de José Possi Neto.

Uma das melhores e mais versáteis cantoras surgidas na década de 1980, é uma das raras cantoras brasileiras a não aceitar imposições de gravadoras ou seguir modismos. 

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, abril 02, 2011

Alberto Domínguez

Alberto Domínguez (Alberto Domínguez Borrás) nasceu em San Cristóbal de las Casas, Chiapas, México, em  21 de Abril de 1911. Foi filho de Don Abel Domínguez e Dona Amália Borrás Moreno. Em sua infância viveu na terra natal e, por questões familiares, posteriormente pela vontade de conhecer novos lugares, Alberto foi morar em várias cidades do México assim como em outros países.

Cursou a escola primária, secundária e preparatória. Com apenas seis anos de idade, já compunha suas primeiras obras, como Viva la Feria, inspirada em uma festa homenageando São Cristóvão, e El Tecolote de Guadaña. Indubitavelmente sua vocação era para uma das artes denominada “música”. Além da notável carreira de pianista, compositor, diretor de orquestra e adorar viajar, foi arquiteto autodidata construtor de casas e edifícios e praticou ginástica olímpica e Box.

Em 1921 e 1922, viveu na cidade do México, depois em Puebla (1922 e 1923). De 1923 a 1924 viveu em Matamoros, Tamaulipas, e voltou a Cidade do México, onde viveu de 1924 a 1930. Temporariamente morou nos Estados Unidos de 1930 a 1932. Retornou para capital de seu país, residindo até 1937, ano em que viajou novamente aos Estados Unidos, permanecendo nesse país até 1938. Conhece a Europa e vive na Alemanha até 1939. Volta ao México em fins de 1939, e, em 1940, retorna novamente aos Estados Unidos, onde permanece até 1942. Em 1944, se fixa definitivamente na capital de seu país, depois de conhecer Europa, Antilhas e Estados Unidos.

Dentro de seu vasto repertório musical, as músicas que lhe deram mais fama são Perfidia e Frenesí, que durante muitos anos foram gravadas em todo o mundo, não só no ritmo de bolero, mas também em jazz e rock. Cabe destacar que entre seus mais destacados intépretes, nestes ritmos, estão Dave Brubeck, George Shering, Errol Garner, Oscar Peterson, Gerry Mulligan, Cal Jayder, Woody Herman e Benny Goodman. 

Com um capital americano, foi realizado, no México, o filme “Perfídia”, título de seu bolero, além de musicar outros como "Al Son de la Marimba", com Fernando Soler, Joaquín Pardavé e Sara García, e "Mil Estudiantes y una Muchacha", com Emilio Tuero e Marina Tamayo. Recebeu muitos prêmios e reconhecimentos como o prêmio da Broadcast Music, por "Perfidia" e "Frenesí", em 1941. Durante sua carreira profissional, Alberto recebeu muitos prêmios por suas obras, como os diplomas da Broadcast Music, e em 1944, lhe foi outorgado o prêmio de primeiro lugar de popularidade, pela Radiolandia, por sua canção “Humanidad”.

No ano seguinte, em 1945, Radiolandia e a Loteria Nacional lhe outorgaram diplomas de primeiro lugar, por seu tema “Hilos de Plata”. Em 1946 a Editorial Mexicana de Música Internacional, lhe conferiu o Troféu de Madeira e Bronze, no sucesso “Por la Cruz”. Nesse mesmo ano, a Radiolandia lhe conferiu diploma de primeiro lugar em popularidade nessa obra.

Em 1957 e 1961, a Promotora Hispanoamericana de Música lhe entregou diplomas de primeiro lugar de popularidade, por suas canções "Hilos de Plata" e "Eternamente". Em 1966, em Salamanca, Guanajuato, recebeu a “Pipila de Plata” pela importância nacional e internacional de sua obra. Posteriormente, em 1969 foi reconhecido com diplomas e medalhas de ouro, por causa de milhares de execuções, nos Estados Unidos, de seus boleros “Perfídia” e “Frenesi”.

A princípio dos anos 70 foi eleito vice-presidente da SACM (Sociedade dos Autores e Compositores do México). Dois anos mais tarde, recebeu dessa entidade Medalha de Prata por sua relevância e qualidade de sua obra musical. Em 1973, no primeiro Festival Internacional da Música, Teatro e Dança da Cidade de Taxco, recebeu um Troféu de Prata pela sua musica agora mundialmente conhecida e tocada.

Finalmente, a dois de Setembro de 1975, se despede nosso grande Alberto Domínguez. Dois infartos consecutivos cortaram a frutífera vida do grande compositor.

Muitas músicas e histórias aqui são traduzidos de outros idiomas. A pobreza da tradução nunca há de se espelhar nas idéias, tanto do compositor, quanto no "divino e maravilhoso" de seu país. Porque aqui é Brasil e é difícil compreender certas canções da década de 50 em idioma espanhol.