quinta-feira, maio 26, 2011

Sonhar com rei dá leão

Neguinho da Beija-Flor
Sonhar com rei dá leão (samba-enredo/carnaval, 1976) - Neguinho da Beija-Flor

Sonhar com anjo é borboleta
Sem contemplação
Sonhar com rei dá leão
Mas nesta festa de real valor, não erre não
O palpite certo é Beija-flor (Beija-flor)
Cantando e lembrando em cores
Meu Rio querido, dos jogos de flores
Quando o Barão de Drummond criou
Um jardim repleto de animais

Então lançou...
Um sorteio popular
E para ganhar
Vinte mil réis com dez tostões
O povo começou a imaginar...
Buscando... no belo reino dos sonhos
Inspiração para um dia acertar

Sonhar com filharada... é o coelhinho
Com gente teimosa, na cabeça dá burrinho
E com rapaz todo enfeitado
O resultado pessoal... É pavão ou é veado

Desta brincadeira
Quem tomou conta em Madureira
Foi Natal, o bom Natal
Consagrando sua Escola
Na tradição do Carnaval
Sua alma hoje é águia branca
Envolta no azul de um véu

Saudado pela majestade, o samba
E sua brejeira corte
Que lhe vê no céu


Promessa ao Gantois

Patrícia Costa
Promessa ao Gantois (1976) - Mateus e Dadinho

Eu fui ao Gantois pagar promessa só
Levei de Oru maior um adê pra aiê-iê-ô
Eu fui ao Gantois pagar promessa só
Levei de Oru maior um adê pra aiê-iê-ô

Dona Leoá, minha prece é verdadeira,
desce e vem me abençoar
Dona Leoá, minha prece é verdadeira,
desce e vem me abençoar

Oh!, meu Deus como é lindo
O céu se abre e mãe Oxum vem surgindo
Oh!, meu Deus como é lindo
O céu se abre e mãe Oxum vem surgindo


Os seus botões

Os seus botões (1976) - Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Tom: A# 
  
Gm7     Cm7     F7     Bb7M
Os  botões da blusa que voce usava 
         Am7(b5)    D7            Gm7
E meio confusa              desabotoava
        Cm7    F7            Bb7M
Iam pouco a pouco me deixando ver
          Am7(b5)      D7
No meio de tudo
             Gm
Um pouco de voce
               Cm7     F7
Nos lençois macios 
           Bb7M
Amantes se dão
                Am7(b5)     D7 
Travesseiros soltos
               Gm
Roupas pelo chão
                   Cm7       F7
Braços que se abraçam
              Bb7M
Bocas que murmuram 
             Eb7M
Palavras de amor 
               D7
Enquanto se procuram
             Cm7 
Chovia lá fora
   F7       Bb7M   Gm7                  Am7(b5)  D7
E a capa pendurada           assistia a tudo 
             Gm
E não dizia nada
      Cm7     F7         Bb7M   Gm7 
E aquela blusa que voce usava
             Am7(b5)
Num canto qualquer
   D7         Gm7
Tranquila esperava

O surdo

Alcione
O surdo (samba, 1976) - Totonho e Paulinho Resende

Tom: G 
  
B7                     Em            
 Amigo, que ironia desta vida 
                  Am
 Você chora na avenida 
        B7                Em
 Pro meu povo se alegrar 
 Em        D7                  
 Eu bato forte em você 
           B7            Em
 E aqui dentro do peito uma dor 

 Me destrói                             
                Am
 Mas você me entende 
             B7                 Em  B7
 E diz que pancada de amor não dói 
    
 Em              Am
 Meu surdo parece absurdo 
               D7
 Mas você me escuta
                  B7            Em  B7
 Bem mais que os amigos lá do bar
     Em
 Não deixa que a dor 
              Am
 Mais lhe machuque 
                  D7
 Pois pelo seu batuque 
                  B7                     Em  B7
 Eu dou fim ao meu pranto e começo a cantar 
      Em                      Am
 Meu surdo bato forte no seu couro 
                     D7
 Só escuto este teu choro 
                B7              Em                 
 Que os aplausos vêm pra consolar 

REFRÃO:
 B7                     Em            
 Amigo, que ironia desta vida 
                 Am
 Você chora na avenida 
        B7                Em
 Pro meu povo se alegrar 
 Em        D7        
 Eu bato forte em você 
          B7              Em
 E aqui dentro do peito uma dor 

 Me destrói                             
                Am
 Mas você me entende 
             B7                 Em  B7
 E diz que pancada de amor não dói 
    
     Em                          Am
 Meu surdo, velho amigo e companheiro 
                    D7
 Da avenida e de terreiro, 
       B7                     Em   B7
 De rodas de samba e de solidão 
     Em                         Am
 Não deixe que eu vencido de cansaço 
                     D7
 Me descuide desse abraço 
                 B7                       Em                                   
 E desfaça o compasso do passo do meu coração 

O progresso

O progresso (1976) - Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Tom: D  

D                 A7              D       D7 
  Eu queria poder afagar uma fera terrível 
         G                 A7  
  Eu queria poder transformar 
                         D     D7 
      tanta coisa impossível 
         G               A7 
Eu queria dizer tanta coisa 
     F#m                Bm 
que pudesse fazer eu ficar bem comigo 
         G             E7               A7  A7/5+ 
  Eu queria poder abraçar meu maior inimigo 
  
  D                         A7                D    D7 
  Eu queria não ver tantas nuvens escuras nos ares 
        G                   A7                   D     D7 
  Navegar sem achar tantas manchas de óleo nos mares 
          G             A7                  F#m            Bm 
  E as baleias desaparecendo por falta de escrúpulos comerciais 
        G            E7               A7  A7/5+ 
  Eu queria ser civilizado como os animais 

                 G               A7 
          lá lá lá ...lá lá   lá lá lá 
  Refrão:        F#m             Bm 
          lá lá lá   lá lá   lá lá lá 
                 G             A7              D 
          eu queria ser civilizado como os animais

                          A7                D    D7 
  Eu queria não ver todo o verde da terra morrendo 
        G                  A7             D    D7 
  E das águas dos rios os peixes desaparecendo 
      G                   A7              
  Eu queria gritar que esse tal de ouro negro 

         F#m                 Bm    

não passa de um negro veneno 
       G                 E7                A7   A7/5+ 
  E sabemos que por tudo isso vivemos bem menos 
  
          D                    A7                  D    D7 
  Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo 
       G                   A7                D     D7 
  O comércio das armas de guerra da morte vivendo 
         G                A7 

Eu queria falar de alegria 

              F#m                 Bm 

ao invés de tristeza mas não sou capaz 
       G                E7               A7  A7/5+ 
  Eu queria ser civilizado como os animais
 
                 G               A7 
          Lá lá lá ...lá lá   lá lá lá 
  Refrão:       F#m             Bm 
          Lá lá lá   lá lá   lá lá lá 
                 G             A7              D    D7 
          Eu queria ser civilizado como os animais
 
           G           A7 
  Não sou contra o progresso 
       F#m           Bm 
  Mas apelo pro bom senso 
     G                   A7                     D   
  Um erro não conserta o outro isso é o que eu penso

Moça bonita

Evaldo Gouveia
Moça bonita (1976) - Evaldo Gouveia e Jair Amorim

Uma rosa cor de sangue
Senti-la em sua mão
Um sorriso que nas sombras
Não diz nem sim, nem não
Põe na boca uma cigarrilha
E mais se acende o olhar
Que conhece o bem e o mal
De quem quiser amar

De vermelho e negro
O vestido a noite
O mistério traz
De colar de cor de brinco dourado
A promessa faz
Se é preciso ir
Você pode ir
Peça o que quiser
Mais cuidado amigo
Ela é bonita
Ela é mulher

E no canto da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é moça bonita
Girando, girando, girando lá

Oi girando lároie
Oi girando lároie
Oi girando lároie
Oi girando lároie

Mineira

Oh! Mineira linda!
Mineira (samba, 1976) - João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Clara,
Abre o pano do passado,
Tira a preta do cerrado,
Pôe rei congo no congá.
Anda, canta um samba verdadeiro,
Faz o que mandou o mineiro,
Oh! mineira.

Samba que samba no bole que bole,
Oi, morena do balaio mole,
Se embala do som dos tantãs.
Quebra no balacochê do cavaco
E rebola no balacubaco;
Se embola dos balagandãs.
Mexe no meio que eu sambo do lado.
Vem naquele bamboleado
Que eu também sou bam, bam, bam.

Vai, cai no samba cai
E o samba vai até de manhã.
Vai cai no samba cai
E o samba vai até de manhã.
Ô saravá mineira guerreira
Que é filha de Ogum com Iansã.


quarta-feira, maio 25, 2011

A paz que nasceu pra mim

Wando
A paz que nasceu pra mim (1976) - Jorge Veloso e Andó (Antônio Scarpellini)

Não me pergunte o que faço da vida
Porque não sei
Não me pergunte a razão porque vivo
Também não sei
Não me pergunte se chove lá fora
Porque não sei
Não me pergunte se o vento está forte
Porque não sei.
Eu só sei gosto dela
Ela é a paz que nasceu pra mim.
Não sei se o sol está quente
Pra secar seu corpo agora
Não sei se me tranco por dentro
Ou se vou me esconder lá fora
Não sei do certo por isso
Não posso errar agora
Não fiz o mundo mas tenho
O direito de amar, é hora.

terça-feira, maio 17, 2011

Camisa dez

Luiz Américo
Camisa 10 (samba, 1974) - Luiz Airão

C7+   A7        Dm                G7
Desculpe seu Zagalo/     Mexe nesse time 
  C7+     Em             Eb0       Dm
Que tá muito fraco/ Levaram uma flecha, 
esqueceram o arco
               G7             C7+
Botaram muito fogo e sopraram o furacão
          A7 
Que nem saiu do chão
        Dm         G7
Desculpe seu Zagalo/   Puseram uma palhinha 
    C7+       Em          Eb0       Dm
Na sua fogueira/ E se não fosse a força desse tal Pereira
     G7                  C7+
Comiam um frango assado lá na jaula do Leão
   
Mas não tem nada não !
  E7
Cuidado seu Zagalo/O garoto do parque 
       Am            D7
Está muito nervoso/ E nesse meio-campo fica perigoso
            G7
Parece que desliza nesse vai não vai
     A7
Quando não cai

Dm   G7         C 
É camisa dez da seleção, laiá laiá laiá -  BIS
Dm                               C
Dez é a camisa dele/ Quem é que vai no lugar dele - BIS

       E7      Am
Desculpe seu Zagalo/A crítica que faço é pura brincadeira
                 D7
Espírito de humor , torcida brasileira !
           G7                  A7
A turma está sorrindo para não chorar ... /   Tá devagar


Desafio

Luiz Américo
Desafio (Cuca cheia de cachaça) (samba) - Luiz Américo

E7          Am 
Quando eu tiver,   
                              Em 
Com a minha cuca cheia de cachaça 
                                  F#7 
Te arranco dessa roda, te ganho na raça 
      B7                         Em 
Te levo pra ser dona do meu barracão 

Em 
Bateu, o leiteiro na porta  
              Am 
E gritou bom-dia 
    B7 
As luzes já se apagaram 
              Em 
Só não vejo Maria
E7 
Vive ligada no samba 
                  Am 
Sem dar bola pra vida 
  D7 
Ganhou o diploma da Escola 
                  G      E7    
Foi rainha na Avenida 

Em                                  Am 
Os meus amigos me falam, esquece a Maria 
B7                                Em 
Ela nasceu com o samba, ela é da folia 
E7                                 Am 
Ás vezes eu chego a pensar que é pura verdade 
D7 
Mas se ela demora a voltar 
                G      E7 
Esqueço a realidade


Turbilhão

Toquinho
Turbilhão (1975) - Toquinho e Mutinho

D       Bbm7  Am7 D7(13) G7M
Venha se per...der
      Gm6  F#7(13) F#7(b13) F#m7
Nesse turbilhão
           B7       E7(9)
Não se esqueça de fazer
        Em        A7(b13)   D A7
Tudo o que pedir esse seu co...ração

 D       Bbm7  Am7 D7(13) G7M
Venha se per...der
      Gm6  F#7(13) F#7(b13) F#m7
Nesse turbilhão
           B7       E7(9)
Não se esqueça de fazer
        Em        A7(b13)   D B7
Tudo o que pedir esse seu co...ração

           Em         A7(13)        D6 B7
Tem muita gente que só vive pra pensar
    Em      A7(13)       Am7 D7(13)
Existe aquele que não pensa pra viver
       G#m7(b5)        Gm6       D/F#          
Eu, por exemplo, na paixão, mesmo que tenha que sofrer,
   E7(9)         Em         A7(b13)
Eu abro o jogo e o coração e deixo o meu barco correr

Tem muita gente que não quer se complicar
Existe aquele que não perde a sua fé
Eu, por exemplo, meu amigo, pelo amor de uma mulher,
Eu viro a cara pro perigo e seja lá o que Deus quiser

Severina Xique Xique

Genival Lacerda
Severina Xique Xique (1975) - Genival Lacerda e João Gonçalves

Tom: C
  
Intro: Am  Dm  E7  (2x)
       E7  Am  (4x)

Verso 1:
           Am                   Dm
Quem não conhece Severina Xique-Xique,
                 E7                   Am
que montou uma butique para vida melhorar.
                              Dm
Pedro Caroço, filho de Zefa Gamela,
                 E7                       Am
passa o dia na esquina fazendo aceno para ela.

Refrão 2x:
                             Dm
Ele tá de olho é na butique dela!
           E7                Am
Ele tá de olho é na butique dela!

Verso 2:
      Am
Antigamente Severina,
     Dm                    E7
coitadinha, era muito pobrezinha,
                    Am
ninguém quis lhe namorar.
                                    Dm
Mas hoje em dia só porque tem uma butique,
                        E7
pensando em lhe dar trambique,
                    Am
Pedro quer lhe paquerar, viu?

(Refrão)

Verso 3:
      Am                     Dm
A Severina não dá confiança, Pedro,
                   E7                        Am
eu acho que'la tem medo de perder o que arranjou.
                                 Dm
Pedro Caroço é insistente, não desiste,
                  E7                        Am
na vontade ele persiste, finge que se apaixonou, haih.

(Refrão)

Verso 4:
Severina, minha filha, não vai na onda de Pedro.
Olha! Ele só tem interesse em você, sabe porquê?
Porque você tem uma botique, minha filha!
Agora você querendo um sócio, olha aqui seu Babá.
Hahahahai... passa lá Severina! Lá tá tão bonzinho agora!
Oh meu Deus, xau!.

(Verso 1) - (Refrão) - (Verso 2) - (Refrão)

(Verso 3) - (Refrão)

Verso 5:
Ô Severina, como é? Resolve minha filha!
Se quiser, psiu, passa lá! Hahai...
Ai, Jesus, olha se tu não vier, já tem uma loira!
Dona Graça tá lá! hiheiiehee ai, xau!.

Salve a Mocidade

Salve a Mocidade (samba/carnaval,  1975) - Luiz Reis

Lá vem a bateria da Mocidade Independente
Não existe mais quente
Não existe mais quete
É o festival do povo
É a alegria da cidade

Salve a Mocidade!
Salve a Mocidade!

Mestre André sempre dizia
"Ninguém segura a nossa bateria"
Padre Miguel é a capital
Da escola de samba
que bate melhor no carnaval!


Filho da véia

Filho da véia (samba, 1975) - Luiz Américo e Braguinha

Tom: F
Dm
Sou filho da véia ô
             Am
Eu não pego nada
             Dm
A véia tem força ô
E7            Am
Na encruzilhada

                   Dm
Não bati mais meu carro
                E7                  Am
Tem sempre uma grana e mulher de montão
             Dm
Tô sempre coberto dos pés a cabeça
           E7                 Am
Nêgo me encosta cai duro no chão

          Dm
Com sete pitadas
          E7                Am
Da sua cacimba, marafa e dendê
                               Dm
Um banho de arruda todinho cruzado
          E7                  Am
Na minha horta só tem que chover

(repete 1ª estrofe duas vezes)

Quem quiser acredite
ou então deixe de acreditar
A força que ela me deu
Só ela é quem pode tirar

Venço e não sou vencido
Aqui nesse reino ou em qualquer lugar
Os zóio de ionveja de boi mandingueiro
A véia levo profundo do mar

Na beira do mar

Teresa Cristina
Na beira do mar (samba, 1975) - Gracia do Salgueiro

Na beira do mar todo mundo brinca,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar todo mundo fica,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego joga bola,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego deita e rola,
Na beira do mar êêê.

Na beira do mar todo mundo fica,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar todo mundo brinca,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego joga bola,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego deita e rola,
Na beira do mar êêê.

Eu quero ver você chegar,
Na beira do mar êêê,
Se benzer e se jogar,
Na beira do mar êêê,
E depois trazer notícias,
Na beira do mar êêê,
Aonde mora iemanja,
Na beira do mar êêê.

Mas é por isso que eu não vou,
Na beira do mar êêê,
Eu tenho medo de me afogar,
Na beira do mar êêê,
Eu vou lá pra ver mariazinha,
Na beira do mar êêê,
Que está junto de zequinha,
Na beira do mar êêê.

Na beira do mar todo mundo brinca,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar todo mundo fica,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego joga bola,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego deita e rola,
Na beira do mar êêê.

Eu quero ver você chegar,
Na beira do mar êêê,
Se benzer e se jogar,
Na beira do mar êêê,
E depois trazer notícias,
Na beira do mar êêê,
Aonde mora iemanja,
Na beira do mar êêê.

Eu quero ver você chegar,
Na beira do mar êêê,
Se benzer e se jogar,
Na beira do mar êêê,
E depois trazer notícias,
Na beira do mar êêê,
Aonde mora iemanja,
Na beira do mar êêê.

Mas é por isso que eu não vou,
Na beira do mar êêê,
Eu tenho medo de me afogar,
Na beira do mar êêê,
Eu vou lá pra ver mariazinha,
Na beira do mar êêê,
Que está junto de zequinha,
Na beira do mar êêê.

Na beira do mar todo mundo brinca,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar todo mundo fica,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego joga bola,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego deita e rola,
Na beira do mar êêê.

Na beira do mar todo mundo brinca,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar todo mundo fica,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego joga bola,
Na beira do mar êêê,
Na beira do mar nego deita e rola,
Na beira do mar êêê.


Macunaíma

Macunaíma (samba-enredo/carnaval, 1975), Norival Reis e David Correia

Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação

Portela apresenta
Portela apresenta do folclore tradições
Milagres do sertão à mata virgem
Assombrada com mil tentações
Cy, a rainha mãe do mato
Macunaíma fascinou
E ao luar se fez poema
Mas ao filho encarnado
Toda maldição legou

Macunaíma indio, branco, catimbeiro
Negro, sonso, feiticeiro
Mata a cobra e dá um nó

Cy em forma de estrela
A Macunaíma dá
Um talismã que ele perde e sai a vagar
Canta o uirapuru e encanta
Liberta a magoa do seu triste coração
Negrinho do pastoreiro foi a sua salvação
E derrotando o gigante
Era o marques Piaimã
Macunaíma volta com a muiraquitã
Marupiara na luta e no amor
Quando sua pedra para sempre o monstro levou
O nosso herói assim cantou

Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação


Foi tudo culpa do amor

Odair José e Diana
Foi tudo culpa do amor (1975) - Diana e Odair José

Peço perdão mais uma vez
Se compliquei sua vida
Não tenho culpa se você chorou
Se não deu certo
Foi tudo culpa do amor

Não sei porque
Esse amor existiu entre nós
Agora só resta esquecer
O tempo é quem vai dizer
Só sei que está tudo acabado
Entre eu e você


Estrela da Madureira

Roberto Ribeiro
Estrela de Madureira (samba-enredo, 1975) - Alcyr Pimentel e Cardoso

Brilhando
Num imenso cenário
Num turbilhão de luz, de luz
Surge a imagem daquela
Que o meu samba traduz
Ah...
Estrela vai brilhando
Mil paetês salpicando
O chão de poesia
A vedete principal
Do subúrbio da central foi a pioneira

E...
Um trem de luxo parte
Para exaltar a sua arte
Que encantou Madureira
Mesmo com o palco apagado
Apoteóse é o infinito
Continua estrela
Brilhando no céu


Deixe meu marido em paz

Deixe meu marido em paz (1975) - Cláudia Barroso

Amiga não perca mais seu tempo
Amiga não torne a insistir
Antes que você sofra demais
Procure outro deixe o meu marido em paz

Olha quem avisa amigo é
Ele tem outras, mas sou eu sua mulher
Antes que você sofra demais
Procure outro deixe o meu marido em paz

Beleza que é você mulher

Benito Di Paula
Beleza que é você mulher (samba, 1975) - Benito Di Paula

Am7 F   D#°    E7  Am7 
La  laia  laia  la  laia          (BIS) 
Am7                  D7       G 
Vem mulher,pra ser a namorada 
         C7                 F7+ 
No meu samba e no compasso 
 E7      Am7   E7 
Vem sambar 
Am7      D7                  G 
Vou agradecendo em cada verso 
 C7                   F7+ 
Seu sorriso e seu gingado 
 E7      Am7  E7 
Vem sambar 
 A        C#7           F#m7  A7 
Vem com toda a sua calma 
  D7+           F   E7 
Aumentando a ilusao 
------- 
Am7 
Eu esqueco a tristeza 
       F 
Me perco nessa beleza      (BIS) 
     D#°    E7  Am7  E7 
Que e voce mulher 
 
-------- 
 A       C#7              F#m  A7 
Voce mulher de corpo e alma 
   D7+                F    E7 
Estremece a minha calma

segunda-feira, maio 16, 2011

As dores do mundo

Hyldon
As dores do mundo (1975) - Hyldon

D           D7+                D7
O teu olhar,     caiu no meu 
                    G
A tua boca na minha se perdeu
Gm               D    A/C#    Bm
Foi tão bonito, tão   lindo   foi
E7                       Em      A7   A7/5+
E eu nem me lembro o que veio depois

D         D7+              D7
A tua voz     dizendo amor
                     G
Foi tão bonito que o tempo até parou
Gm      C7/9   D   A/C#   Bm
De duas vidas  u .. ma se fez
     E7          Em7         A7
E eu me senti nascendo outra vez

     D               Em7
E eu vou esquecer de tudo 
             F#m
Das dores do mundo 
            G        D/F#     Em7       A7
Não quero saber quem fui, mas sim o que sou

   D              Em7
E vou esquecer de tudo
             F#m
Das dores do mundo
           G      D/F#           G   A7
Só quero saber do seu, do nosso amor

Amor com amor se paga

Amor com amor se paga (guarânia, 1975) - Luiz Wanderley e Katia

Meu Deus, porque neste mundo
Eu nunca tive, um amor sincero
Aquela que me faz sofrer
É o amor que tanto quero.

Lhe dei todo o meu carinho
E recebi, só ingratidão
É isso que a gente ganha
Quando entrega o coração
É isso que a gente ganha
Quando entrega o coração.

Amor, com amor se paga
Eu não mereço, sofrer tanto assim
Eu peço a Deus que ela me entenda
E traga de volta, todo o amor pra mim
Eu peço a Deus que ela me entenda
E traga de volta, todo o amor pra mim.

Amor, com amor se paga
Eu não mereço, sofrer tanto assim
Eu peço a Deus que ela me entenda
E traga de volta, todo o amor pra mim
Eu peço a Deus que ela me entenda
E traga de volta, todo o amor pra mim...


Bilu tetéia

Bilu tetéia (1975) - Mauro Celso

Quando eu era criança / Mamãe dizia
Bilu bilu bilu bilu-tetéia

Pegava eu no colo / Mostrava pra vizinha
Bilu bilu bilu o biluzinho-tetéia

Que me segurava / Dizia que gracinha
Bilu bilu bilu bilu-tetéia

O tempo foi passando / Eu fui crescendo
Bilu bilu bilu bilu-tetéia

E de fazer bilu / Mamãe foi se esquecendo
Bilu bilu bilu bilu-tetéia

Agora eu tô moço / Tô barbadinho
Não encontro mais ninguém / Pra me fazer um biluzinho

Bilu bilu bilu bilu-tetéia / Bilu bilu bilu bilu-tetéia
Bilu bilu bilu bilu-tetéia / Bilu bilu bilu bilu-tetéia

Brincava de casinha / Ninguém dizia nada
Bilu bilu bilu bilu-tetéia

E a filha da vizinha / Era minha namorada
Bilu bilu bilu o biluzinho-tetéia

Agora eu to moço / Não tenho liberdade
Bilu bilu bilu bilu-tetéia

Pra falar com a vizinha / É uma calamidade
Se quiser um biluzinho / Tenho que fazer sozinho

Bilu bilu bilu bilu-tetéia / Bilu bilu bilu bilu-tetéia
Bilu bilu bilu bilu-tetéia / Bilu bilu bilu bilu-tetéia

Brincava de casinha...


sábado, maio 07, 2011

Boi da cara preta

Zuzuca
Boi da cara preta (samba/carnaval, 1974) - Zuzuca

Eu não chorei
Porque não sei chorar
Nem reclamei
Porque não sou de reclamar

Só exaltei
Eneida, amor e fantasia
Cantei entrudo
Zé Pereira e o Rei da Folia

Boi boi boi
Boi da cara preta
Pega essa criança
Que tem medo de careta

Limoeiro é limoeiro
E uma flor é uma flor
Batuqueiro é batuqueiro
Cantador é cantador

Vela inteira
Não me ilumina
Cotoco de vela
Que me iluminar

Chuva grossa
Não me molha
Sereno quer me molhar
Meu sinhô

Alvorecer



Alvorecer (samba, 1974) - Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara

Olha como a flor se acende
Quando o dia amanhece
Minha mágoa se esconde
A esperança aparece
O que me restou da noite
O cansaço, e a incerteza
La se vão na Beleza deste lindo alvorecer

E este mar em revolta que canta na areia
Tal a tristeza que trago e minhalma canteia
Quero solução sim.. pois quero cantar
Desfrutar desta alegria
Que só me faz despertar do meu penar
E este canto bonito que vem da alvorada
Não é meu grito aflito pela madrugada
Tudo tão suave.. liberdade em cor
O refúgio da alma vencida pelo desamor


Festa do Divino



A festa do Divino (samba-enredo/carnaval, 1974) - Tatu, Nozinho e Campo

Delira meu povo
Nesse festejo colossal
Vindo de terra distante
Tornou-se importante, tradicional

Bate tambor, toca viola
A bandeira do Divino vem pedir a sua esmola

Um badalar do sino anuncia
A coroação do menino
Batuqueiro, violeiro e cantador
Alegram o cortejo do pequeno imperador
Leiloeiro faz graça com a prenda na mão
A banda toca com animação
Oh, que beleza
"A Festa do Divino"
Cores, músicas e danças
E fogos explodindo

Roda gira, gira roda
Roda grande vai queimar
Para a glória do Divino
Vamos todos festejar.


terça-feira, maio 03, 2011

Quem tudo quer nada tem

Anísio Silva
Quem tudo quer nada tem (bolero, 1963) - Evaldo Gouveia e Jair Amorim



Quem tudo quer do amor
Nada terá
Quem muitos sonhos vive
Nada tem
Em cada um de nós
só há
So deve haver lugar
Para um só bem

Quem muito andou na vida
Se perdeu
Atrás de mim o destino
Se cansou
Quem muito se entregou
Atrás do amor viveu
Viveu, mas nunca amou

Felicidade é
Um pouco que se tem
Felicidade é
Saber gostar de alguém

Quem tudo quer do amor
Nada terá
Quem muitos sonhos vive
Nada tem
Em nosso coração
Apenas caberá
Um outro coração

Zé da Conceição

Miltinho
Zé da Conceição (samba, 1963) - João Roberto Kelly

Peguei o Zé de copo na mão,
Tentando afogar a Conceição!
No bar quem é triste vira herói,
Engana a cabeça, coração não dói...

Horas depois peguei o moço
Chorando um colosso, a solidão
Amor que se afoga num boteco é xaveco
O Zé não esquece a Conceição...

segunda-feira, maio 02, 2011

Gonzalo Curiel

Gonzalo Curiel
Gonzalo Curiel (Gonzalo Curiel Barba) nasceu em 10 de janeiro de 1904 em Guadalajara, Jalisco, México. Seus pais eram Juan Nepomuceno Curiel Guerrero e María de Jesus Barbosa Riestra, e tinha dois irmãos, María Elisa e Juan Luis. Desde pequeno mostrou grande apreço pela música. Aos seis anos aprendeu a tocar piano e depois guitarra e violino.

Em sua cidade natal estudou até o quarto ano de medicina, pois seu pai exigia uma habilitação profissional. Mas o seu grande dom para a música prevaleceu e, em 1927 deixou a Universidade e se mudou para a Cidade do México. Já instalado na capital trabalhou como pianista em uma loja de música, para gravação de rolos de piano.

E assim como pianista ou "pianeiro" começou sua carreira profissional na música na empresa XEW . Ele já estava tocando há dois meses nessa rádio, quando o médico e cantor Alfonso Ortiz Tirado, que estava partindo para uma turnê internacional,  lhe convidou para substituir seu pianista, que estava doente.

Este passeio deu a Curiel a oportunidade de apresentar seu trabalho e talento, e serviu como plataforma para depois, criar bandas e se tornar um dos primeiros artistas que trabalharam na frente de sua própria orquestra.

Foi assim que surgiu o "Grupo Ritarmelo" (ritmo, harmonia e melodia), integrado por Emilio Tuero, Pablo e Carlos Martínez Gil e Ciro Calderón e dirigido por Gonzalo. Depois, sempre buscando inovações, formou "Los Diablos Azules" e "Los Caballeros de la Armonía".

Então, finalmente deu luz para o que seria o seu famoso "Escuadrón del Ritmo", que chegou a ter grande renome e marcou toda uma época entre as orquestras e eventos sociais, assim como variedade principal em teatros de revista.

Com esta orquestra, excursionou por todo o México e os Estados Unidos, assim como Brasil, Argentina e Chile. Deste grupo surgiu músicos e compositores, cuja fama perdura até hoje.

Durante sua carreira, Gonzalo Curiel aventurou-se em três grandes áreas de música: o popular, o cenário para filmes e da sinfonia.

Na música popular seu trabalho foi muito extenso, mas é certamente em Vereda tropical, o seu bolero mais conhecido e cantado em todo o mundo.

Entre outras criações de Gonzalo Curiel que vieram para o gosto público mundial estão: Temor, Un gran gmor, Caminos de ayer, Son tus ojos verde mar, Amargura, Incertidumbre, Calla tristeza, Dime, morena linda, Noche de luna, Desesperanza, Dolor de ya no verte, Esperanza, Me acuerdo de ti, e Llévame.

Participou em mais de 180 filmes da era dourada do cinema, além de produzir músicas para o cinema americano e francês. Em 1954 ganhou o prêmio Ariel, por causa de sua música de fundo no filme Eugenia Grandet, que estrelou Marga Lopez. Em 1958 ele foi premiado no filme Vainilla, bronce y morir em que atuaram os artistas Ignacio López Tarso e Elza Aguirre.

Curiel, compartilhando ideais com Afonso Esparza Oteo, Nacho Tata Fernandez Ignacio Esperon e Talavera Mario, entre outros, para melhorar a situação econômica dos compositores do México, fundou o Sindicato Mexicano de Compositores, Autores e Editores de Música (SMACEM) e, em seguida, Sociedade de Autores e Compositores, instituição em que foi, em dois períodos, Presidente do Conselho Diretivo.

Em sua vida recebeu muitos prêmios, mas depois de sua morte as homenagens foram grandiosas: algumas ruas e avenidas no México levam o seu nome e bustos em bronze imortalizam a sua memória.

O grande compositor Gonzalo Curiel morreu de um ataque cardíaco em sua casa, em 4 de julho de 1958. Seus restos descansam no Jardim Panteão de San Angel na Cidade do México.

Em 2009, Gonzalo Curiel Barba foi premiado pela Sociedade de Autores e Compositores, com reconhecimento póstumo Juventino Rosas, uma medalha de "post mortem", instituído para homenagear os compositores mexicanos, cujo trabalho transcendeu as barreiras linguísticas e a glória cultural do México no mundo.

Fonte: traduzido do espanhol em 12/4/2011 do site: http://www.sacm.org.mx/archivos/biografias.asp?txtSocio=08006.

Cego Aderaldo

Cego Aderaldo (Aderaldo Ferreira de Araújo), cantor itinerente e repentista, nasceu em 24 de junho de 1878 na cidade do Crato — CE, e faleceu em 29 de junho de 1967, em Fortaleza - CE. Logo após seu nascimento mudou-se para Quixadá, no mesmo estado.

Aos cinco anos começou a trabalhar, pois seu pai adoeceu e não conseguia sustentar a família. Tomou conta dos pais sozinho: quinze dias depois que seu pai morreu (25 de março de 1896).

Quando tinha 18 anos e trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité, sua visão se foi depois de uma forte dor nos olhos. Pobre, cego e com poucos a quem recorrer, teve um sonho em verso certa vez, ocasião em que descobriu seu dom para cantar e improvisar. Ganhou uma viola a qual aprendeu a tocar. Mais tarde começou a tocar rabeca.

Algum tempo depois, quando tudo parecia estar voltando à estabilidade, sua mãe morre. Sozinho começou a andar pelo sertão cantando e recebendo por isso. Percorreu todo o Ceará, partes do Piauí e Pernambuco. Com o tempo sua fama foi aumentando.

Em 1914 se deu a famosa peleja com Zé Pretinho (maior cantador do Piauí). Depois disso voltou para Quixadá mas, com a seca de 1915, resolveu tentar a vida no Pará. Voltou para Quixadá por volta de 1920 e só saiu dali em 1923, quando resolveu conhecer o Padre Cícero.

Rumou para Juazeiro onde o próprio Padre Cícero veio receber o trovador que já tinha fama. Algum tempo depois foi a vez de cantar para Lampião, que satisfez seu pedido — feito em versos — de ter um revólver do cangaceiro.

Tentando mudar o estilo de vida de cantador, em 1931, comprou um gramofone e alguns discos que usava para divertir o povo do sertão apresentando aquilo que ainda era novidade mesmo na capital. Conseguiu o que queria, mas o povo ainda o queria escutar.

Logo depois, em 1933, teve a idéia de apresentar vídeos. Que também deu certo, mas não o realizava tanto. Resolveu se estabelecer em Fortaleza em 1942, onde veio a abrir uma bodega na Rua da Bomba, No. 2. Infelizmente o seu traquejo de trovador não servia para o comércio e depois de algum tempo fechou a bodega com um prejuízo considerável.

Desde 1945, então com 67 anos, Cego Aderaldo parou de aceitar desafios. Mas também, já tinha rodado o sertão inúmeras vezes, conseguira ser reconhecido em todo lugar, cantara pra muitas pessoas, inclusive muitas importantes, tivera pelejas com os maiores cantadores.

E, na medida em que a serenidade, que só o tempo trás ao homem, começou a dificultar as disputas de peleja, ele resolveu passar a cantar apenas para entreter a alma.

Cego Aderaldo nunca se casou e diz nunca ter tido vontade, mas costumava ter uma vida de chefe de família pois criou 24 meninos.

Relata o Cego Aderaldo:

"Em Belém do Pará eu conheci muitos cantadores. Mas o mais afamado, que emendou a camisa comigo, foi o índio Azuplim. Nossa batida foi a que se segue..."

Eu saí do Ceará
Deixei meu triste mocambo,
Com medo do dezenove,
Este pesadelo bambo.
Vinha o coronel Monturo
Junto com doutor Molambo...
A dona fome na frente,
Na cadeira do trapiche,
Dizendo: No Ceará
Tudo é fofo e nada é fixe.
Juro que aqui nesta terra
Não vinga mais nem maxixe...
A dona Fome me olhou
E disse a mim: — Eu pego!
Eu disse: — Não senhora!
Eu sei por onde navego,
Quem tem vista corre logo,
Quanto mais eu sendo cego...
Segui para Fortaleza,
Dei uma viagem além.
O barco era o "Maranhão",
E até corria bem,
Com três dias e três noites
Chegando nós em Belém...
Quando eu cheguei em Belém,
Me encostei naquele cais.
— Aonde vai esta linha?
Eu perguntei a um rapaz
Ele disse: — Nesta linha
Passa um trem para São Brás...
Eu parti para São Bras,
Para casa de Gaudêncio
Que já conhecia bem,
Ele, Salina e Merêncio;
Junto estes amigos
Não pude guardar silêncio...
Fui para Madre de Deus,
Terra de um povo fiel,
Ali ganhei qualquer cousa
Tomei açaí com mel,
De manhã peguei o trem,
Fui para Santa Isabel...
Depois fui para Americana,
Cantei lá no Apéu,
Do sitio de São Luís
Eu fui pra Jambuaçu;
Eu cantei no Castanhal,
E no Igarapeaçu...
No primeiro Caripi
Eu cantei, lá fui feliz,
No segundo Caripi
Cantei tudo quanto quis,
E ali tomei o trem,
Fui cantar em São Luís....
Ali chegou um convite,
Eu para Muricizeira,
Depois, cantei no Burrinho
Cantei no Açaí Teuã...
Fui cantar no Timboteuã...
Segui para Capanema
Com coragem e esperança.
Passei uns dois ou três dias
E segui para Bragança,
Dizendo sempre comigo:
— Quem espera em Deus não cansa...
Quando eu cheguei em Bragança,
Não quis ir no Benjamim,
Não encontrando hospedagem,
Me hospedei num botequim,
Que era coberto e cavaco
E circulado a capim...
O dono do botequim
Veio a mim e perguntou:
— Cego de onde tu és?
Me diga se é cantador.
Me diga se não tem medo
De azuplim trovador...
Me perguntei: — Não senhor!
Será algum rio-grandense
Ou mesmo um paraibano,
Ou um cantador cearense?
Ele disse: — Não senhor,
É um cantor paraense...
Quando findei a palavra
Vi o paraense chegar,
Ele trazia consigo
Uma viola e um ganzá,
E trazia um tamborim,
Que é instrumento de lá...
Ele afinou a viola,
Quando bateu no ganzá,
Deu um tom no tamborim
Para o baião entoar,
Eu tirei a rabequinha
E fiz a prima chorá...
Cego — Eu lhe disse: — Oh! Paraense,
És uma ninfa de fada,
Teu cântico me parece
A deusa da madrugada.
Eu lhe peço, amicíssimo,
Que cante a sua toada...


Azuplim — Cego, minha toada é,
Um trabalhador garantido.
Você pra cantar mais eu
Precisa ser aprendido,
Queira Deus tu me acompanhe, ai ai!
Pra cantar nesse gemido...
C — Meu amigo, o teu gemido,
Tem destacado valor,
Canta bem perfeitamente,
Já vi que é bom cantador,
Mas amigo, esse gemido,
Me desculpe , que eu não dou...
A — Se num dás um só gemido
Também não és cantador,
Vá cobrar logo o dinheiro.
Do mestre que lhe ensinou, ai, ai!
O cego já apanhou...
C — Se gemer foi cantoria,
Você é bom cantador,
Pois gemes perfeitamente,
No gemido tem valor,
Mas geme com grande dor...
A — Ou que gema ou que não gema,
A boa palavra encerra,
Cego, cante aqui mais eu,
Que eu vim lhe fazer guerra,
Quero que você me diga, ai, ai!
A linguagem da minha terra...
C — A linguagem da tua terra,
Não é linguagem mesquinha,
É toda no guarani
Estudada, é bonitinha!
Para que não perguntaste
A linguagem da terra minha?...
A — Eu quero é que diga da minha
Por que muda de figura:
Cego, diga para mim
O que nós chama mucura,
Quero que você me diga, ai, ai!
O que é saracura...
C — É verdade, essa linguagem
Muda mesmo de figura,
O que nós chama casaco
Vocês só chamam mucura
E o que nós chama sericóia
Vocês chamam saracura...
A — Cego, diga para mim:
O que é jamaru?
Queira Deus você me diga
O que é jacuraru,
O que é macuracar ai, ai!
O que nós chama jambu...
C — É o que nós chama cabeça,
Vocês chama jamaru,
O que nós chama tejo,
Vocês chama jacuraru,
Tipi é mucuracar,
E agrião chamam jambu...
A — Cego, diga para mim
O que nós chama jibóia,
Quero que você me diga
O que é tiranabóia,
Diga aí pra eu saber, ai, ai!
O que é "pegando a bóia"...
C — No Piauí tem um besouro
De nome tiranabóia,
Nossa cobra-de-veado
Cresce aqui, chamam jibóia,
Em minha terra almoço e janto,
... tanto aqui só "pego a bóia"...
A — Cego, diga para mim
O que é a sacupema,
Veja se você me diz
O que é piracema,
Diga aí rapidamente, ai, ai!
O que nós chama panema...
C — O que nós chama raiz
Vocês chama sacupema,
O que nós chama peixe muito
Vocês chamam piracema;
A um sujeito preguiçoso
Chega aqui chamam panema...
A — Cego, diga para mim
A língua dos Tupinambá,
A língua dos Aimoré,
Ou dos índios Caetá,
Ou sobre os índios Tamoios
Ou índios Tamaracá...
C — Sobre as gírias dos índios,
Desde o Norte até o Sul,
Pixueira é coisa fria,
Um beijo chama meiru,
Tacioca é uma é uma casa,
Morada de caititu...
A — Agora o cego Aderaldo
Me respondeu muito bem,
Vi que gírias dos índios,
Ele segue mais além,
Pelo jeito que estou vendo
Você é índio também...
C — Meu amigo eu não sou índio,
Nasci num pobre lugar:
Que é tão propenso a seca
Que obriga agente emigra
Sol danado de Iracema,
Terra de Zé de Alencar...
A — Cego, deixa de mentira,
Tua terra não tem nome,
Tua terra é uma miséria,
É lugar que não se come,
De lá veio cinco mil,
Tudo pra morrer de fome...
C — Dos cinco mil que vieram
Algum era meu parente,
Uma era tio, outro primo,
Conterrâneo e aderente,
Mais esse povo só come
Massa de figo de gente...
A — Saí daí, cego canalha,
Com a sua poesia,
Nesta minha carretilha
Você hoje se esbandalha,
Teu cântico tem grande falha,
Quer cantar mais não convém...
Você somente o que tem
É entrar no bacalhau;
Apanhar de peia e pau
Cearense aqui não vai bem...
C — De onde tu vens contrafeito,
Cabeça de onça mancho,
Bote o matulão abaixo
E conte a história direito,
Me diga o que aqui tem feito
Por estes mundos além,
Se você matou alguém
Ou então se fez barulho,
Vai muito mau seu embrulho,
Paraense aqui não vai bem...


A — Quando eu pego um cantador
Dou três tacada danada,
Lhe deixo a cara inchada
De relho e chiquerador,
É o café que lhe dou,
É isto que lhe dou,
E não diz nada a ninguém,
Apanha e fica calado,
Triste e desmoralizado
Cearense aqui não vai bem...


C — Disse uma velha na rua
Que em outros tempos atrás
Você e um seu rapaz
Lhe roubaram uma perua;
Veja que moda esta sua
Roubando quem vai, quem vem,
Como tu não tem ninguém
Mais ladrão do que você.
Tome lá meu parecer:
Paraense aqui não vai bem...
A — O cantador que eu pegar
Pelo meio da travessa
Nem Padre lhe confessa
Enquanto eu não lhe soltar,
Dou-lhe arrocho de lhe quebra,
Osso e costela também,
Quebro tudo que ele tem,
Deixo-lhe o corpo em bagaço,
Tudo quanto eu digo eu faço,
Cearense aqui não vai bem...
C — Até as moças donzelas
Pediram aos cabras da feira
Para meter-lhe a madeira
E arrebentar-lhe as costelas.
Você abra o olho com elas,
Boa surra você tem,
Boa surra você tem,
Neste dia também vem
A velhinha da perua
Quebrar-lhe a cara na rua,
Paraense aqui não vai bem...
A — Também não quero brigar,
Não sou homem de intriga,
Eu não nasci para briga
E não vivo de pelejar;
Também não quero teimar
Porque isso não convém,
Lhe venero e quero bem,
Digo isso pode crer;
Não quero lhe aborrecer,
Cearense aqui vai bem...
C — Amigo, como mudou,
Que coisa misteriosa!
Tens o perfume da rosa
Que a pouco desabrochou.
Por isso tem o maior verdor
Do que lá no bosque tem.
O anjo lá de Belém
Ouviu nossa cantoria,
Entrarmos em harmonia,
Paraense aqui vai bem...
Havia quatro cervejas
Que um coronel apostou
Dizendo que todas quatro
Pertencem ao vendedor
Nós dois bebemos as cervejas
Nem um nem outro apanhou...

(Estado do Pará, junho de 1919)

Fontes: Texto extraído do livro "Eu sou o Cego Aderaldo"; Rachel de Queiroz, Maltese Editora — São Paulo, 1994; Wikipedia - A Enciclopédia Livre.

Murici Andrade

Murici Andrade (José Cândido de Andrade Murici), musicólogo, jornalista e professor, nasceu em Curitiba PR, em 4/2/1895, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 9/6/1984. Iniciou estudos de piano com Marieta Beltrão, em 1911, escrevendo também seus primeiros trabalhos literários para a revista O Fanal.

Em 1913 publicou sua primeira obra, o conto Sonata pagã. Em 1914 e 1915 participou das manifestações literomusicais Horas de Arte, época em que estudou piano com Hugo Antônio de Barros e piano e harmonia com Leo Kessler.

Em 1916 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se dedicou ao jornalismo e à crítica literária. Em 1919 formou-se em direito pela Faculdade de Ciências Juridicas e Sociais do Rio de Janeiro.

De 1923 a 1925 morou na Suíça. Retornando ao Brasil, retomou seus estudos de piano com Luciano Gallet e depois com Tomás Terán e Arnaldo Estrela, no Rio de Janeiro. Em 1926 publicou o romance Festa inquieta e foi nomeado para a secretaria da Corte de Apelação, do Rio de Janeiro. Em 1927 fundou, com outros, a revista Festa, que também dirigiu. 

Em 1935 deu cursos de extensão universitária no I.N.M. e na Associação dos Artistas Brasileiros. Em 1942 foi transferido para o Ministério da Educação e Saúde, atuai Ministério da Educação e Cultura, como professor de estética musical e história da música, no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Música e seu secretário-geral em 1945. 

Publicou Caminho da música (1a. série, Curitiba, 1946; 2a. série, Curitiba, 1951). Membro da comissão artística e cultural do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, foi eleito seu diretor em 1952. Nesse ano publicou Panorama do movimento simbolista brasileiro, 3 volumes, Rio de Janeiro (2a. ed., 2 volumes, Rio de Janeiro, 1973). Escreveu ainda Villa-Lobos — uma interpretação, Rio de Janeiro, 1961. 

Em 1965 recebeu a medalha de mérito Carlos Gomes, do governo do antigo Estado da Guanabara. Em 1973 recebeu a medalha cultural Silvio Fróis, do Instituto de Música da Universidade Católica de Salvador BA, lançando no mesmo ano o estudo biobibliográfico Cruz e Sousa. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art EditorA.

Muraro

Muraro (Heriberto Leandro Muraro), pianista e compositor, nasceu em La Plata, Argentina, em 25/5/1903, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 8/3/1968. Começou estudando piano com Alfredo Bevilacqua, sendo matriculado depois no Conservatório Fracassi D’Andrea.

Estreou como concertista no Salão Argentina, excursionando por Santiago do Chile e Montevidéu, Uruguai. Atuou nas rádios Cultura e Belgrano, ainda em Buenos Aires, Argentina.

Chegou ao Brasil em 1932, apresentando-se na Rádio Record, de São Paulo SP. No ano seguinte mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi contratado para atuar na Rádio Mayrink Veiga como pianista de Lely Morel.

Compôs a valsa Roleta da vida, gravada por Carlos Galhardo. Tocou nos filmes Alô, alô Brasil (1935, de Alberto Ribeiro, João de Barro e Waliace Downey) e Alô, alô Carnaval (1936, de Ademar Gonzaga), e seus malabarismos e brincadeiras com o teclado valeram-lhe o apelido de “O incrível Muraro”. 

Trabalhou na Rádio Mayrink Veiga até 1942, quando voltou a São Paulo, onde permaneceu por um ano. Regressando ao Rio de Janeiro, foi novamente contratado pela Rádio Mayrink Veiga, passando a atuar em programas populares, como Rádio Novidades, Quatro Notinhas Mágicas, Três Malucos em Ritmo e outros. 

Até 1952 gravou mais de 60 músicas em 78 rpm, entre elas algumas de sua autoria, como os choros Moto perpétuo, Zangado, Flanando e Saudade de Santa Cruz (com Pixinguinha), a polca Baumbá e o samba Chopin no samba

Destacado intérprete de choros, gravou na RGE os LPs O incrível Muraro, em 1958, com peças de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, e Casinha pequenina, em 1959, com músicas tradicionais e várias de Chiquinha Gonzaga

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Rosil Cavalcanti

Rosil Cavalcanti, compositor, ator e animador de programas de rádio e televisão, nasceu em Macaparana-PE, em 20/12/1915, e faleceu em Campina Grande-PB, em 10/07/1968. Nasceu no Engenho Zebelê, na localidade de Macaparana. Fez os cursos primário e ginasial no Recife.

Em 1936 entrou para o 22º Batalhão de Caçadores da 7º Região Militar na cidade de Aracaju, em Sergipe. Em 1937, licenciou-se do Batalhão de Caçadores e passou a trabalhar no Fomento Agrícola de Sergipe. Nesse período sagrou-se como jogador tri- campeão de futebol sergipano pelo Cotinguiba Sport Clube.

Em 1941 foi trabalhar na Secretaria de Agricultura da Paraíba, na cidade de João Pessoa. Em 1943 mudou-se para Campina Grande, onde permaneceu até 1947, quando retornou a João Pessoa. No mesmo ano, passou a trabalhar na firma Brasil Oiticica S. A na cidade de Pombal.

Em 1942 iniciou a carreira artística fazendo com Jackson do Pandeiro a dupla "Café com leite", que atuou na Rádio Jornal do Comércio, em Recife.

Em 1951, passou a trabalhar como redator na Rádio Caturité de Campina Grande, onde lançou o programa Rádio Atrações. Em 1953, Jackson do Pandeiro gravou um dos maiores sucessos de sua carreira e o maior da carreira de Rosil, o coco Sebastiana, que seria regravada, em 1969, por Gal Costa e Gilberto Gil, em LP da cantora baiana. 

No mesmo ano, passou a trabalhar na Rádio Borborema, também de Campina Grande, e a cantora Ademilde Fonseca gravou na Todamérica o baião Meu cariri, de sua autoria. Outros grandes sucessos de Rosil gravados por Jackson do Pandeiro foram Cabo Tenório e Moxotó. Com Jackson do Pandeiro compôs, entre outras, Quadro-negro, Cumpadre João e Os cabelos de Maria

Em 1955, o Trio Orixá gravou o baião Meu Cariri, em parceria com Dilu Melo. Em 1956 Jackson do Pandeiro gravou na Copacaba o xote Moxotó. Em 1958, Marinês e sua Gente gravaram os baiões Aquarela nordestina e Saudade de Campina Grande

Em 1962 teve a marchinha Faz força, Zé e o xote Ô véio macho, gravados na RCA Victor por Luiz Gonzaga e o baião Forró de Zé Lagoa gravado por Genival Lacerda na Mocambo. 

Em 1989, o cantor e compositor paraibano Biliu de Campina gravou o disco Tributo a Jackson e Rosil, em que interpretou, entre outras, Forró na gafieira, Chapéu de couro e Coco do Norte. Entre outros, também gravaram músicas de sua autoria o Trio Nordestino, Pedro Sertanejo, Trio Orixá, Jacinto Silva, Gilvan Chaves e Zito Borborema.

Em 2003, teve a sua música, A festa do milho, gravada no álbum Canções joaninas, do cantor e sanfoneiro Targino Gondim. Em 2007, teve a música de sua autoria Sebastiana gravada pelo cantor e compositor Kojak do forró, no álbum ao vivo O afilhado do rei do ritmo Jackson do Pandeiro. O CD/DVD, de lançamento independente, produzido por Kleber Matos, foi uma homenagem ao cantor e compositor Jackson do Pandeiro.

Como animador, usava o nome de "Zé Lagoa", um tipo engraçado que criou e que fez muito sucesso na televisão e, sobretudo, no rádio. Nunca gravou uma de suas canções porque reconhecia que tinha "pouca voz".

Morreu em Campina Grande, Paraíba, em 10/07/1968, vítima de infarte do miocárdio.

Fonte: Pernambuco de A-Z; Wikipedia; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Os Mulheres Negras

Os Mulheres Negras - Dupla formada por André Abujamra (André Cibelli Abujamra, São Paulo SP 1965—), guitarra, e Maurício Pereira (Maurício Gallocci Pereira, São Paulo 1959—), saxofone, ambos também tocando diversos instrumentos eletrônicos.

O trabalho musical, muito bem-humorado, constituía uma paródia do tecnopop — estilo de pop-rock caracterizado pelo uso preponderante ou mesmo total de instrumentos eletrônicos —, além de sofrer influências de vários estilos e ritmos, entre eles a bossa nova e a música africana, seguindo também a world music (rótulo usado desde meados dos anos de 1980 para música pop com influências de fora dos EUA e Inglaterra).

Gravaram dois LPs/CDs Música e ciência (WEA, 1988) e Música serve pra isso (1990), que incluem sucessos como John, Monstros japoneses e Sub, versão de Yellow Submarine, dos Beatles.

Com o fim da dupla e (independente, 1995), e André Abujamra formou o grupo Karnak, dedicado a satirizar a world music e que já lançou dois CDs, Karnak (Tinitus, 1996) e Universo, um big o (Velas, 1997).

No ano de 2002, a gravadora WEA realançou em CD os dois LPs da dupla: Música e ciência" e Música serve para isso.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Paulo Moura

Paulo Moura, instrumentista, regente, arranjador e compositor, nasceu em São José do Rio Preto SP, em 15/7/1932, e faleceu no Rio de Janeiro, em 12/7/2010. Filho do mestre-de-banda, clarinetista e carpinteiro Pedro Moura, tem três irmãos músicos, José e Alberico, trompetistas, e Valdemar, trombonista.

Começou a aprender piano aos nove anos e com 13 já tocava em festas e bailes que o conjunto do pai animava. Foi aprendiz de alfaiate e mudou-se para o Rio de Janeiro com a família, fazendo o curso científico, enquanto os irmãos mais velhos viviam de música, tocando em orquestras, no Cassino da Urca e nos shows de Carlos Machado.

Iniciou-se como músico profissional em gafieiras dos subúrbios cariocas e nos cafés da Praça Tiradentes, entrando em 1951 para a orquestra de Osvaldo Borba, atuando depois com Zacarias e sua Orquestra. Nessa época, participou de uma gravação, pela primeira vez, tocando na orquestra que acompanhou Dalva de Oliveira no samba Palhaço (Nelson Cavaquinho ).

Aos 18 anos entrou, por concurso, no quinto ano da E.N.M.U.B., fazendo o curso de clarinetista e obtendo diploma dois anos depois. Aprendeu teoria, contraponto e música com Paulo Silva e Lincoln Pádua, estudou harmonia, contraponto e fuga com Guerra Peixe e José Siqueira, aiém de aprender orquestração com Moacir Santos e arranjos populares com o maestro Cipó.

Em 1953 foi ao México com a orquestra Ary Barroso, integrou o Conjunto Maciel e trabalhou com a Orquestra Cipó da Rádio Tupi. De 1954 a 1956 participou do Conjunto Guio de Morais, atuando na boate Régine, gravando nesse último ano o Moto perpetuo, de Niccolò Paganini (1 782—1 840), em 78 rpm, na Columbia, seu primeiro disco como solista. No ano seguinte formou sua orquestra para baile, atuando no Brasil Danças, e gravou para a Sinter Paulo Moura e sua orquestra para bailes.

De 1958 a outubro de 1959, tornou-se orquestrador e arranjador da Rádio Nacional, viajando, ainda em 1958, para a antiga União Soviética e outros países socialistas, na direção musical do grupo formado por Dolores Duran, Nora Ney, Jorge Goulart, Maria Helena Raposo e o Conjunto Farroupilha.

No ano seguinte, entrou como clarinetista para a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, gravando no mesmo ano, para a Continental, com o quarteto de Radamés Gnattali, o LP Paulo Moura Interpreta Radamés Gnattali, que incluia composições inéditas como Monotonia.

Em 1960 obteve o primeiro lugar como solista de clarineta na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, e viajou para a Argentina, com a Orquestra de Severino Araújo, gravando na Chantecler outro LP, Tangos e boleros. Dois anos depois, integrou o Conjunto Bossa-Rio, de Sérgio Mendes, tocando sax-alto, e apresentou-se no Festival de Bossa Nova, no Carnegie HaIl em New York, EUA.

Em 1964 gravou na CBS o LP Edson Machado é samba novo, atuando como saxofonista do conjunto. Em 1968 gravou Paulo Moura hepteto e no ano seguinte Paulo Moura quarteto, seguindo-se o LP Fibra, novamente com o hepteto, em 1971, todos na gravadora Equipe.

Teve vários conjuntos, três orquestras e dois quartetos; com um deles esteve na Grécia em 1971.
Em janeiro de 1975 esteve novamente nos EUA gravando um disco com o guitarrista Tiago de Melo.
Regeu a Orquestra Sinfônica de Brasília, em 1988, executando peça de sua autoria em homenagem ao centenário da libertação dos escravos.

Em 1992 recebeu o prêmio Sharp como Melhor instrumentista Popular. No mesmo ano compôs Suíte carioca, peça para orquestra sinfônica, coral infantil e grupo instrumental de jazz. Cinco anos depois foi lançado pelo selo Velas o CD Pixinguinha, gravado em 1996, ao vivo, no teatro Carlos Gomes do Rio de Janeiro, em show do grupo Os Batutas, do qual participa como clarinetista ao lado de Zé da Velha (trombone), Joel do Bandolim, Jorge Simas (violão), Márcio (cavaquinho) e os percussionistas Jorginho do Pandeiro, Marçalzinho e Jovi.

Lançou, em 1998, com Os Batutas, o CD Pixinguinha, pelo qual recebeu o Prêmio Sharp, nas categorias Melhor CD Instrumental e Melhor Grupo Instrumental, e, em 1999, com Cliff Korman, o CD Mood ingenuo.

Em 2000, sua Fantasia Urbana para Saxofone e Orquestra Sinfônica foi apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, recebeu o Grammy Latino, na categoria Melhor Disco de Música Regional (ou de Raízes Brasileiras), pelo disco Pixinguinha, gravado com o grupo Os Batutas. 

Em 2001, participou do projeto Rio Sesc Instrumental, dividindo o palco com Yamandu Costa. Nesse mesmo ano, lançou, pela Pau Brasil, o CD "Paulo Moura visita Gershwin & Jobim", gravação ao vivo de um show realizado em 1998 na inauguração do Teatro Sesc Vila Mariana, em São Paulo, com um septeto instrumental formado por Jerzy Milewsky (violino), Jota Moraes (piano), Cliff Korman (teclados), Nelson Faria (violão e guitarra), Rodolfo Stroeter (baixo) e Pascoal Meirelles (bateria).

Em 2003, lançou o CD Estação Leopoldina. No ano seguinte, lançou, com o violonista Yamandú Costa, o CD El negro del blanco.

Participou do documentário Brasileirinho, do finlandês Mika Kaurismaki, uma das atrações da mostra Forum do Festival de Berlim, em 2005. Neste mesmo ano, estreou turnê nacional e internacional do espetáculo "Homenagem a Tom Jobim", ao lado de Armandinho, Yamandú Costa e Marcos Suzano.

Em 2006, lançou, com João Donato, o CD Dois Panos para Manga, concebido em uma reunião na casa do diretor de TV Mario Manga. Nesta oportunidade, foi sugerida aos dois artistas a gravação de um disco que registrasse alguns dos temas degustados pelos freqüentadores do Sinatra-Farney Fã Club na década de 1950. No repertório, Minha saudade (João Donato e João Gilberto), On a Slow Boat to China (Frank Loesser), Swanee (George e Ira Gershwin), That Old Black Magic (Harold Arlen e Johnny Mercer), Tenderly (Walter Gross e Jack Lawrence), Saudade mata a gente (Antonio Almeida e João de Barro), Copacabana (Alberto Ribeiro e João de Barro) e ainda Pixinguinha no Arpoador e Sopapo, duas composições inéditas assinadas pelos dois artistas. 

Lançou, nos anos seguintes, os CDs Samba de latada” (2007), em parceria com Josildo Sá, Pra cá e pra lá – Paulo Moura trlha Jobim e Gerschwin (2008), e AfroBossaNova (2009), em parceria com Armandinho.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; Dicionário Cravo Albin da MPB.