sábado, julho 02, 2011

María Luisa Escobar

María Luisa Escobar
María Luisa Escobar, pianista e compositora, nasceu em Caracas, Venezuela, em 5/12/1903, e faleceu na mesma cidade, em 14/5/1985. Criança ainda, iniciou seus estudos de piano e composição no Colégio Lourdes da capital venezuelana, continuando, em seguida, no Instituto Welgelegen Habay da ilha Curaçao. Aos 14 anos de idade, viajou para Paris, onde aperfeiçoou seus estudos de piano, canto e composição sob a direção musical do professor Roger Ducasse.

O ateneu de Caracas foi fundado em 1931 por sua iniciativa, criando também a Associação Venezuelana de Autores e Compositores, bem como lutou incansavelmente, pelos direitos autorais dos artistas de seu país. O ateneu congregava pintores, escultores, novelistas, poetas, historiadores, músicos, o mundo do teatro e do balé, impulsionando a cultura internacionalmente.

María Luisa González Gragirena, que adotou o sobrenome Escobar depois de seu segundo casamento com o violinista José Antonio Escobar Saluzzo, reunia em sua casa um grupo de mulheres com a intenção de formar uma junta que haveria de fundar, mais tarde, um centro dedicado a Cultura, a Arte e a Ciência. O nome de Ateneu de Caracas foi proposto por Eva Mondolfi.

Sobre a SACVEN, a Sociedade Venezuelana de Autores e Compositores, os primeiros direitos autorais eram pagos pela própria María Luisa, que lutou muito pelo reconhecimento dos direitos dos artistas, músicos, compositores e escritores na Venezuela.

Escreveu numerosas canções, baladas, operetas e dramas musicais. Seu famoso bolero Desesperanza (referente a seu filho que morreu num acidente) e cujas conhecidas palavras letras são: "Nunca me iré de tu vida, Ni tú de mi corazón...", foi gravada pelo tenor venezuelano Alfredo Sadel e em 1950 foi selecionada como "canção do ano".

Fontes: Pinceladamusical.blogspot.com; María Luisa Escobar, compositora y mujer de vanguardia - Por: Carmen Cristina Wolf - in critica literaria hispanoamericana.blogspot.com.

Genival Lacerda

Genival Lacerda, cantor e compositor do gênero forró, nasceu em Campina Grande, PB, em 5 de abril de 1931. Seus principais sucessos foram Severina Xique Xique, De quem é esse jegue? e Radinho de pilha.

Sua carreira começou na Região Nordeste e ao longo dela gravou 70 discos. Morando em Campina Grande, Paraíba, ainda cumpre sua agenda de shows e recentemente fez uma participação no filme Foliar Brasil, sem data para estrear nos cinemas.

Na década de 50 foi morar em Pernambuco e em 1955 decide gravar seu primeiro disco de 78 rotações, obtendo sucesso com a faixa Coco de 56. Em 1964, incentivado por Jackson do Pandeiro, seu concunhado, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou em casas de forró e chegou a gravar um LP. 

Contudo, o sucesso só chegou mesmo em 1975, com a música Severina Xique-Xique, cujo verso "ele tá de olho é na butique dela" se tornou o mais popular do compositor. Graças a essa composição de sua autoria e João Gonçalves ele vendeu cerca de 800 mil cópias. 

Em 1976, lança o disco Vamos Mariquinha, que contém as faixas É aí que você se engana, Forró da gente, Sanfoneiro alagoano, Eu preciso namorar e A mulher da cocada.

Em abril de 2010, a cantora Ivete Sangalo (que se preparava para um show no Madison Square Garden, de Nova York, no fim do mesmo ano), gravou em dueto com o cantor campinense a música O Chevette da menina. A música, cuja personagem central se chama Ivete, narra, num tom jocoso e de duplo sentido, a história de uma moça que supostamente empresta seu Chevette a um conhecido e o recebe todo machucado. O refrão diz:

"Coitadinha da Ivete
Facilitou, estragaram seu Chevette
Mas coitadinha da Ivete
Em menos de uma semana estragaram seu Chevette..."

Ainda no decorrer de 2010, outro que também prestou homenagem ao cantor paraibano (desta vez de forma lúdica) foi o apresentador Rodrigo Faro, no seu programa Melhor do Brasil, na Record.

Fonte;: Wikipedia - A Enciclopédia Livre.

Neguinho da Beija-Flor

Neguinho da Beija-Flor (Luís Antônio Feliciano Marcondes), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 29/6/1949. Aprendeu música com seu pai, Benedito Marcondes, pistonista da Orquestra Tabajara, em Vila Isabel.

A família mudou-se para Nova Iguaçu RJ e, depois, para Nilópolis RJ. Aos dez anos, ganhou duas latas de goiabada em um concurso musical, cantando um samba de Jamelão.

Em 1975 tornou-se puxador oficial dos sambas-enredo da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis. No ano seguinte, ganhou seu primeiro título no Carnaval carioca, com o samba-enredo Sonhar com rei dá leão.

Lançou seu primeiro disco em 1980: Vida no peito (CBS). Em seguida, lançou os LPs Meu sorriso (CBS) e Quem te ama sou eu (Polygram), entre outros. Ganhou o Prêmio Sharp como melhor cantor de samba em 1991, e em 1994 a Polygram lançou seu CD Neguinho da Beija-Flor, da Vila e da viola.

Em 1997, pela PolyGram, gravou o CD Reencontro, no qual incluiu de sua autoria Meu Rio de Janeiro e Meu mundo novo

Em 1998, abriu um show de Tina Turner no Maracanã e desfilou em Paris, França, por ocasião da Copa do Mundo, com um grupo de sambistas organizado por Joãosinho Trinta. No ano posterior, pela gravadora Indie Records, lançou o disco Essência pura, no qual interpretou Paixão de um velho cais (Franco e Serginho Procópio), Sol de primavera (Acyr Marques e Arlindo Cruz), Quero te dar força pra lutar (Netinho, Serginho Procópio e Luiz Cláudio Picolé) e Feliz sambista, de autoria de Délcio Luiz e Carlito Cavalcanti.

No ano 2000, ainda pela Indie Records, lançou o CD Neguinho da Beija-Flor ao vivo - 25 anos de fé e raiz, no qual fez um retrospecto de carreira e interpretou Bem melhor que você, Malandro também chora, 1000 anos de vida, Malandro chorão e Meu sorriso, todas de sua autoria.

Em 2002, ao lado de outros artistas, participou do CD Os melhores do ano III, disco no qual interpretou juntamente com Thobias da Vai-Vai e Eliane de Lima Não deixe o samba morrer (Edson e Aluísio) e ainda a faixa Talismã em dueto com o grupo Raça Negra. 

Em janeiro de 2003, foi uma das atrações, em Brasília, na festa de posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva. No carnaval deste mesmo ano a Beija-Flor desfilou com o samba-enredo O povo conta a sua história: "Saco vazio não pára em pé. A mão que faz a guerra faz a paz, de autoria de Betinho, J.C, Coelho, Ribeirinho, Glyvaldo, Luís Otávio, Manoel do Cavaco, Serginho Sumaré e Vinícius, sendo a campeã do Grupo Especial. 

Lançou o 23º disco de sua carreira Duetos, disco no qual participaram Alcione na faixa Recomeço, João Bosco em O campeão, Zeca Pagodinho em Fé e raiz, grupo Raça Negra na faixa Talismã, Roberto Ribeiro na composição Recomeçar, Simone em A deusa da passarela, grupo Pique Novo na música Desabafo, e outros mais.

Em 2004, como puxador de samba da Beija-Flor conseguiu o bi-campeonato após um desfile embaixo de uma forte chuva. A Escola levou para o sambódromo o samba-enredo Manôa - Manaus - Amazônia - Terra Santa... que alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz de autoria de Cláudio Russo, Zé Luiz, Marquinhos, Jessi e Leleco.

No ano de 2005 a Beija-Flor foi tri-campeã. A escola desfilou com sete sambas-enredo de sua autoria. Neste mesmo ano lançou por seu próprio selo musical NB Show, o CD Nos braços da comunidade

Em 2010 participou do show especial de Natal do cantor e compositor Roberto Carlos, realizado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Neste show comandou a bateria da Escola de Samba Beija-Flor como puxador oficial do samba enredo de 2011 "A simplicidade de um rei", composto em homenagem a Roberto Carlos.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Big Walter Horton

Walter Horton, instrumentista norte-americano, mais conhecido como Big Walter Horton ou Walter "Shakey" Horton, nasceu em 6/4/1917 e faleceu em 8/12/1981. Um homem quieto, modesto e essencialmente tímido, Horton é lembrado como um dos mais influentes gaitistas da história do Blues. Willie Dixon já o identificou como "o melhor gaitista que eu já ouvi".

Nascido como Walter Horton em Horn Lake, Mississipi, EUA, começou a tocar harmônica com cinco anos de idade. Na sua juventude, viveu em Memphis, Tennessee; ele afirmou que suas primeiras gravações foram feitas lá, no inicio dos anos 1920, juntamente da Memphis Jug Band, embora não haja documentos que provem isso.

Alguns pesquisadores do Blues dizem que isso não passa de uma história inventada por Horton. Ele afirmou ainda que "ensinou algumas práticas de harmônica para Little Walter e para o primeiro Sonny Boy Williamson". Embora não haja evidências para essas afirmações, no caso do Sonny Boy Williamson mais velho, há suspeitas.

Assim como muitos dos músicos de Blues, gastou muito de sua carreira sobrevivendo com um salário ínfimo e com a constante discriminação de um Estados Unidos segregado. Nos anos de 1930, tocou com uma variedade de músicos de Blues, pela região do delta do Mississipi.

É geralmente aceito que suas primeiras gravações foram feitas em Memphis, como um ajudante para o guitarrista Little Buddy Doyle, nas gravações de Doyle para as gravadoras Okeh Records e Vocalion Records, em 1939. Essas gravações foram no formato de dueto acústico, popularizado por Sleepy John Estes e seu gaitista Hammie Nixon, entre outros. Nessas gravações, seu estilo de tocar ainda não está totalmente desenvolvido, mas há claras evidências do que estaria por vir.

Ele teve de parar de tocar eventualmente por conta de sua saúde fraca, e trabalhou fora da indústria fonográfica no início dos anos 1940.

Nos anos 1950, ele voltou a fazer música, e estava entre um dos primeiros a gravar para Sam Phillips, na Sun Records em Memphis, que gravaria posteriormente nomes como Elvis Presley, Carl Perkins, e Johnny Cash. As gravações de Big Walter para a Sun incluem participações do jovem Phineas Newborn, Jr. no piano, que mais tarde ganharia fama como pianista da Jazz. Sua música instrumental gravada nessa época, "Easy", foi baseada na música de Ivory Joe Hunter, I Almost Lost My Mind.

Ainda durante os anos 1950, apareceu na cena do Chicago Blues, onde ele tocou freqüentemente com colegas músicos de Memphis e do Delta, que também haviam se mudado para o norte, incluindo os guitarristas Eddie Taylor e Johnny Shines. Quando Junior Wells deixou a banda de Muddy Water no final de 1952, Horton o substituiu por tempo suficiente para fazer uma sessão com Waters em Janeiro de 1953.

A essa altura, o estilo de Horton estava devidamente desenvolvido, e estava tocando no estilo altamente amplificado que virou uma das marcas do som do Chicago Blues.

Ele também fez grande uso de técnicas como o "tongue-blocking". Fez uma gravação notória para a States Recordings em 1954. O solo de Horton na gravação de 1956 de Jimmy Rogers para a Chess Records, Walking By Myself é considerado por muitos como um dos pontos altos de sua carreira, e do Chicago Blues dos anos 1950.

Também conhecido como "Mumbles" ("aquele que tem comunicação falha", em uma tradução livre), e "Shakey" (algo como "balançador", em outra tradução livre) por conta do movimento de sua cabeça enquanto tocava a harmônica, Horton foi ativo na cena do Chicago Blues durante os anos 1960 enquanto o Blues ganhava popularidade com 'audiências brancas'.

Do início dos anos 1960 em frente, ele fez gravações e apareceu freqüentemente como acompanhante de músicos como Eddie Taylor, Johnny Shines, Johnny Young, Sunnyland Slim, Willie Dixon e muitos outros. Fez várias turnês, geralmente como músico acompanhante, e nos anos 1970 tocou em festivais de Blues e música Folk nos Estados Unidos e Europa, freqüentemente com a Willie Dixon's Chicago Blues All-Stars. Ele fez também participações nas gravações de músicos de Blues e Rock como Fleetwood Mac e Johnny Winter.

Em Outubro de 1968, durante uma turnê no Reino Unido, ele gravou o álbum Southern Comfort com o antigo membro do Savoy Brown e futuro Mighty Baby, o guitarrista Martin Stone. No final dos anos 1970 fez uma turnê pelos Estados Unidos com Homesick James Williamson, Richard Molina, Bradley Pierce Smith e Paul Nebenzahl, e apareceu nas transmissões da National Public Radio.

A qualidade de sua produção musical durante a sua carreira, muitas vezes afetada pelo seu consumo pesado de bebidas alcoólicas, oscilou previsivelmente entre o brilhante e o corriqueiro. De certo modo, muitos dos seus melhores trabalhos foram feitos como músico acompanhante. Duas de suas melhores compilações são Mouth-Harp Maestro e Fine Cuts. É também notável o álbum Big Walter Horton and Carey Bell, lançado pela Alligator Records em 1972.

Ele se tornou o carro chefe nos circuitos de festivais, e, algumas vezes, tocou no mercado a céu aberto na Maxwell Street de Chicago. Em 1977, ele se juntou com Johnny Winter e Muddy Waters no álbum de Winter, I'm Ready, durante o mesmo período gravou alguns materiais para a Blind Pig Records. Horton apareceu na cena da Maxwell Street, no filme dos anos 1980, The Blues Brothers, acompanhando John Lee Hooker. Suas gravações finais foram feitas em 1980.

Horton morreu de parada cardíaca em Chicago, no ano de 1981, com 64 anos e foi enterrado no cemitério Restvale em Alsip, Illinois. Ele foi adicionado postumamente ao Blues Hall of Fame em 1982.



Fonte: Baseado na Wikipedia, a Enciclopédia Livre; Youtube.

Totonho

Totonho (Antonio de Oliveira), compositor e cantor, nasceu em Além Paraíba, MG, em 25/2/1946. Em 1975, no LP A voz do samba, pela gravadora Philips, Alcione interpretou O surdo (c/ Paulinho Rezende), que logo se transformou em um dos maiores sucessos da cantora.

Neste mesmo ano, Jorginho do Império interpretou Deixa o carnaval passar (c/ Paulinho Rezende) no LP Viagem encantada. No ano seguinte, a cantora incluiu três composições de sua autoria em seu novo disco: Canto do mar (c/ Paulinho Rezende), Lá vem você (c/ Paulinho Rezende e Zayrinha) e A morte do poeta (c/ Paulinho Rezende), música que deu título ao LP.

Alcione ainda gravaria várias de suas composições: em 1977, no disco Pra que chorar, interpretou Solo de piston e Correntes de barbante, ambas em parceria com Paulinho Rezende; no ano seguinte, no LP Alerta geral, interpretou Lundu da rapariga (c/ Joel Menezes) e Seu rio, meu mar (c/ Paulinho Rezende).

Em 1978, devido ao sucesso alcançado por suas composições nas vozes de outros intérpretes, gravou pela Top Tape o primeiro disco Dia a dia. No LP, com apresentação do crítico Sérgio Cabral, incluiu várias composições suas: Tempestade de amor (c/ Paulinho Rezende e Mestre Alfredo), Trilaza (c/ Cabral e Alex), Armadilha (c/ Joel Menezes) e Cruz credo mangalô três vezes (c/ Cabral e Paulinho Rezende), dentre outras.

No ano de 1979, lançou o segundo disco Minha gente canta assim, pela gravadora Atlantic, cujo repertório incluiu Lembrete, Quizomba, Você é minha paz, Paixão afiada, Canto do sino e Anistia, todas em parceria com Alex e Cabral. Ainda nesse LP, interpretou outras composições suas: Antes só do que mal acompanhado, Correntes de barbante e Bloco do apreço, as três em parceria com Paulinho Rezende.

Por essa época, Zé Carlos gravou no LP de estréia, Vamos nessa, duas composições de sua autoria: Pode ser que amanhã amanheça chovendo (c/ Paulinho Rezende) e Sombra e água fresca (c/ Alex e Cabral). Ainda nesse ano, Renata Lú interpretou Sou mais você (c/ Alex e Cabral) no LP Tô voltando, pelo Selo América.

Em 1985, Agepê, no disco pela gravadora Som Livre, incluiu Musa de Ardonho (c/ Canário e Agepê), Alegria no ar (c/ Agepê e Canário) e Proezas do coração, em parceria com Agepê e Canário.

Obras

A morte do poeta (c/ Paulinho Rezende), A noite é grande (c/ Paulinho Rezende), Alegria no ar (c/ Agepê e Canário), Anistia (c/ Cabral e Alex), Antes só do que mal acompanhado (c/ Paulinho Rezende), Armadilha (c/ Joel Menezes), Bloco do apreço (c/ Paulinho Rezende), Canto do mar (c/ Paulinho Rezende), Canto do sino (c/ Alex e Cabral), Correntes de barbante (c/ Paulinho Rezende), Cruz credo mangalô três vezes (c/ Cabral e Paulinho Rezende), Deixa o carnaval passar (c/ Paulinho Rezende), Dia a dia (c/ Paulinho Rezende), Lá vem você (c/ Zayrinha e Paulinho Rezende), Laranjas e dedos (c/ Alex e Paulinho Rezende), Lembrete (c/ Alex e Cabral), Lundu da rapariga (c/ Joel Menezes), Mas que marejou (c/ Paulinho Rezende e Mestre Alfredo), Minha gente canta assim (c/ Paulinho Rezende), Musa de Ardonho (c/ Agepê e Canário), No quilombo da nega cafuza (c/ Paulinho Rezende), O surdo (c/ Paulinho Rezende), Paixão afiada (c/ Alex e Cabral), Pode ser que amanhã amanheça chovendo (c/ Paulinho Rezende), Que ingratidão (c/ Paulinho Rezende), Quizomba (c/ Cabral e Alex), Renascer (c/ Luiz Ayrão), Sejas mar ou beija-flor (c/ Paulinho Rezende), Seu rio, meu mar (c/ Paulinho Rezende), Solo de piston (c/ Paulinho Rezende), Sombra e água fresca (c/ Alex e Cabral), Sou mais você (c/ Alex e Cabral), Tempestade de amor (c/ Mestre Alfredo e Paulinho Rezende), Trilaza (c/ Alex e Cabral), Você é minha paz (c/ Cabral e Alex).

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008; 2ª ed. Esteio Editora, 2010.

Paulinho Rezende

Paulinho Rezende (Paulo Roberto dos Santos Rezende), compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 25/11/1949. Em 1975, no LP A voz do samba, Alcione interpretou de sua autoria O surdo (c/ Totonho). Neste mesmo ano no LP Viagem encantada Jorginho do Império interpretou Deixa o carnaval passar (Paulinho e Totonho).

Alcione gravou outras composições suas: em 1976, Retalhos (c/ Paulo Debétio), Canto do mar (c/ Totonho), Lá vem você" (c/ Zayrinha e Totonho) e A morte de um poeta (c/ Totonho), que deu nome ao disco da cantora; em 1977, Recusa (c/ Paulo Debétio), Corrente de barbante e Solo de pistom, ambas em parceria com Totonho; em 1978, Seu rio, meu mar (c/ Totonho), em seu disco Alerta geral.

Neste mesmo ano, o parceiro Totonho lançou pela gravadora Top Tape o LP Dia a dia, no qual incluiu diversas parcerias da dupla, como Dia a dia, Sejas mar ou beija-flor e Que ingratidão, entre outras. Ainda neste ano, Leci Brandão interpretou Metades (c/ Paulo Debétio), música que deu título ao disco da compositora.

Em 1979, Alcione gravou com grande sucesso a música Menino sem juízo, em parceria com Chico Roque. Neste mesmo ano, Totonho lançou o segundo disco Minha gente canta assim, no qual incluiu várias composições da dupla, como Minha gente canta assim, Bloco do apreço e Antes só do que mal acompanhado, entre outras. Por essa época, Zé Carlos gravou Pode ser que amanhã amanheça chovendo (c/ Totonho) no disco Vamos Nessa, lançado pela gravadora CID.

No ano de 1980, em seu disco E vamos à luta, Alcione interpretou Não me fale de flores (c/ Chico Roque).

Emílio Santiago em 1982 interpretou com grande sucesso Pelo amor de Deus (c/ Paulo Debétio). No ano seguinte, Beth Carvalho, no LP "Suor no rosto, gravou Chave do perdão (c/ Everaldo Cruz).

Agepê cantou, em 1985, Batuque de semba, música de Paulinho Rezende em parceria com Alex e Romildo. No ano seguinte, Wando gravou de sua autoria Estrela veja em parceria com Paulo Debétio.

Marquinhos Satã, em 1987, incluiu Um samba sem dó (Paulinho Rezende e Romildo) no LP lançado pela gravadora Ariola. No ano posterior, no LP Obsceno, Wando interpretou Bailarina (c/ Paulo Debétio). No ano seguinte, em 1989, Elba Ramalho incluiu no disco Popular brasileira, a música Cheiro moreno, em parceria com Chico Roque.

Em 1990, Zeca Pagodinho no CD Zeca Pagodinho ao vivo, interpretou Seu balancê (c/ Toninho Gerais). Ainda em 1990, Selma Reis incluiu Estrelas de outubro (c/ Paulo Debétio), em seu novo disco.

No ano 2002 o grupo Art Popular no CD Planeta pagode, pela gravadora Abril Music, interpretou Tá doendo demais essa saudade, de sua autoria em parceria com Chico Roque.

Obras

A morte de um poeta (c/ Totonho), A noite é grande (c/ Totonho), Antes só do que mal acompanhado (c/ Totonho), Bailarina (c/ Paulo Debétio), Batuque de semba (c/ Alex e Romildo), Bloco do apreço (c/ Totonho), Canto do mar (c/ Totonho), Chave do perdão (c/ Everaldo Cruz), Cheiro moreno (c/ Paulo Debétio), Correntes de barbante (c/ Totonho), Cruz credo mangalô três vezes (c/ Cabral e Totonho), Deixa o carnaval passar (c/ Totonho), Dia a dia (c/ Totonho), Estrela veja (c/ Paulo Debétio), Lá vem você (c/ Zayrinha e Totonho), Laranjas e dedos (c/ Alex e Totonho), Mas que marejou (c/ Totonho e Mestre Alfredo), Menino sem juízo (c/ Chico Roque), Metades (c/ Paulo Debétio), Minha gente canta assim (c/ Totonho), Não me fale de flores (c/ Chico Roque), No quilombo da nega cafuza (c/ Totonho), O surdo (c/ Totonho), Pelo amor de Deus (c/ Paulo Debétio), Pode ser que amanhã amanheça chovendo (c/ Totonho), Que ingratidão (c/ Totonho), Recusa (c/ Paulo Debétio), Retalhos (c/ Paulo Debétio), Sejas mar ou beija-flor (c/ Totonho), Seu balancê (c/ Toninho Gerais), Seu rio, meu mar (c/ Totonho), Solo de pistom (c/ Totonho), Tempestade de amor (c/ Totonho e Mestre Alfredo), Um samba sem dó (c/ Romildo).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira; AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008; 2ª ed. Esteio Editora, 2010.

Edson Conceição

Edson Conceição (Edson Gomes da Conceição), compositor, letrista e cantor, nasceu em 18 de março de 1937 em Salvador, Bahia. Compôs em 1975, com Aloísio, um samba de grande sucesso denominado Não deixe o samba morrer, interpretado pela cantora Alcione.

A música foi um dos primeiros sucessos da cantora, lançando-a definitivamente para o mercado nacional. Dois anos depois, gravou pela CBS o LP Quem tem fé, não sai!, no qual incluiu várias composições em parceria com Aloísio, como Quem tem fé, não sai, Virgem morena da Conceição, De chita e Júnior, entre outras. Ainda neste mesmo LP, gravou Desculpe (c/ Willy) e Temporal, em parceria com Nazareno.

No ano de 1978, lançou pela CBS o disco Aí é que você se engana, no qual incluiu Samba, é povo cantando poesia, Tiririca, Promessas e Auto das Pombas, todas em parceria com Aloísio. 

Neste mesmo disco, foram incluídas Copo-de-leite (c/ Willy) e Aí é que você se engana, em parceria com Osmário Berimbau e Aloísio, além de músicas de outros autores como Paulinho Diniz e Edil Pacheco (Opinião geral) e de autoria de Guinga de Ogum, interpretou Tudo sou.

Em 1988, Tom da Bahia gravou Contas de Xangô, parceria de ambos.

Alcione e Cássia Éller regravaram Não deixe o samba morrer no disco Celebração, de Alcione.

Em 2002, pela gravadora Índie Records, Neguinho da Beija-Flor, Thobias da Vai-Vai e Eliane de Lima regravaram Não deixe o samba morrer no disco Os melhores do ano III.

No ano de 2003, Alcione incluiu Não deixe o samba morrer (c/ Aloísio) no disco Alcione ao vivo 2. Neste mesmo ano, Tom da Bahia regravou Contas de Xangô, parceria de ambos que deu título ao CD de Tom da Bahia.

Obra

Aí é que você se engana (c/ Aloísio e Osmário Berimbau) • Ao filho de um músico (c/ Aloísio) • Auto das pombas (c/ Aloísio) • Batata-doce, colar-de-contas e patuá (c/ Aloísio) • Café na cama (c/ Nazareno) • Chorar, chorei (c/ Aloísio) • Contas de Xangô (c/ Tom da Bahia) • Copo-de-leite (c/ Willy) • De chita (c/ Aloísio) • Desculpe (c/ Willy) • Fertilidades (c/ Aloísio) • Filhos de Ghandi (c/ Aloísio) • Imenso prazer (c/ Nazareno) • Joana da Misericórdia (c/ Aloísio) • Júnior (c/ Aloísio) • Meia-vida (c/ Aloísio) • Meia-vida parte 2 (c/ Aloísio) • Não deixe o samba morrer (c/ Aloísio) • O rei • Promessas (c/ Aloísio) • Quem tem fé não sai (c/ Aloísio) • Quero ver todo mundo sambar (c/ Aloísio) • Rapaz do interior (c/ Sílvio Brito) • Rosto marcado (c/ Wando) • Samba, é povo cantando poesia (c/ Aloísio) • Temporal (c/ Nazareno) • Teu, somente teu (c/ Aloísio) • Tiririca (c/ Aloísio) • Um deus angolano • Vapor de cachoeira (c/ Aloísio) • Vermelho, azul e branco (c/ Nazareno) • Virgem morena da Conceição(c/ Aloísio)

Discografia

Quem tem fé, Não Sai! (1977) CBS LP - Aí é que você se engana (1978) CBS LP.

Fontes: Portal Clube do Samba; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Fred Figner

Fred Figner (Frederico Figner), comerciante e empresário, nasceu em Milesko u Tabor, na Boêmia, República Tcheca, em 02/12/1866, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19/01/1947. Foi o empresário pioneiro, responsável pelo início da história da música popular brasileira gravada.

Em 1882, mudou-se para os Estados Unidos e, ao adquirir cidadania americana, tornou-se comerciante. Conheceu o primeiro fonógrafo em San Antonio, Texas, em 1889. Segundo suas palavras, "Era um aparelho com uns canudos que as pessoas punham nos ouvidos e riam".

Embora não tenha ouvido o som da engenhoca, aceitou a proposta de seu cunhado de serem sócios na compra da máquina. Ainda em suas palavras, "sem querer ter a curiosidade de ver primeiro o que era o tal fonógrafo, aceitei a proposta. Era a base de uma máquina de costura que tinha de ser tocada com os pés, para fazer funcionar o fonógrafo. Compramos uma porção de cilindros em branco para preparar o repertório para expor nos países latinos".

Excursionou pela América Latina por um período de 15 meses, até que decidiu vir ao Brasil: "Eu aparafusei o Brasil na minha cachola". Em outubro de 1891, aos 26 anos de idade, chegou ao Brasil, mais precisamente a Belém do Pará, surpreendendo os participantes da Festa do Círio de Nazaré. Na máquina falante, tocou operetas, valsas, regtime e até mesmo a voz de políticos importantes. Ainda em Belém, gravou cilindros com árias cantadas por Concetta Bondalba, que estava à frente da companhia de ópera em cartaz no Pará. Logo depois seguiu viagem, passando por Fortaleza, Natal, Recife, João Pessoa e Salvador.

Na Bahia reencontrou Bondalba e gravou mais algumas árias. No percurso, registrou também modinhas e lundus locais, quando percebeu que este repertório era o que realmente chamava a atenção das pessoas.

Em abril de 1892, desembarcou no Rio de Janeiro, onde continuou a mostrar a máquina falante. Pouco depois, com medo da febre amarela, deixou o país, retornando em 1896. Ao chegar, alugou uma loja na rua do Ouvidor, onde inicialmente exibiu "Inana", peça de revista com truques de espelhos que davam a impressão de que a personagem principal flutuava no ar sem qualquer ponto de apoio. O sucesso foi tanto, que lhe possibilitou montar uma loja de equipamentos sonoros em 1897.

Em 1900, fundou a Casa Edison (nome em homenagem a Edison, o inventor do fonógrafo), estabelecimento destinado a vender equipamentos de som, máquinas de escrever, geladeiras etc.

Seguia vendendo cilindros com lundus e modinhas, trazendo em seguida a novidade dos gramofones que, diferentemente dos fonógrafos, tocavam chapas de maior durabilidade e definição sonora. Neste mesmo ano, escreveu para a companhia Gramophone de Londres, solicitando que a firma enviasse ao Brasil técnicos para gravar música brasileira. Com a vinda do técnico alemão Hagen, Fred Figner instalou uma sala de gravação ao lado da Casa Edison, situada na Rua do Ouvidor, 105. Foram então gravados os primeiros discos brasileiros, em seguida enviados à Europa para serem prensados.

Até 1903, a Casa Edison produziu 3 mil gravações, conferindo ao Brasil o terceiro lugar no ranking mundial (estavam à frente os Estados Unidos e a Alemanha). Fred Figner enriqueceu, tornando-se proprietário de tudo o que se produzia em música brasileira. Como próximo passo, montou a primeira loja de varejo do Brasil, com um sistema de distribuição em todo o país, com filiais, vendedores pracistas e produção de anúncios e catálogos.

Em 1912, a International Talking Machine - Odeon instalou uma fábrica de prensagem de discos no Rio de Janeiro e Fred Figner passou a ser vendedor exclusivo da Odeon, recebendo o encargo de fornecer o terreno e construir a primeira fábrica de discos instalada no Brasil e a maior da América Latina.

Um ano mais tarde, a fábrica Odeon começou a produzir um total de 1,5 milhão de discos por ano, o quarto maior mercado de discos do mundo. A vendagem durante a Primeira Guerra se mantém, tendo a Casa Edison comercializado quatro mil gravações de música brasileira.

Em 1925, a empresa holandesa Transoceanic foi encampada pela Columbia Gramophone de Londres, que desenvolveu o sistema de gravação elétrica inventado pela Western Electric. No ano seguinte, a empresa afasta Fred Figner, passando a dominar a distribuição de discos no Brasil.

Em 1927, entregou o selo Odeon e passou a gravar pelo selo Parlophon. Em 1932, novamente é afastado do negócio pela Transoceanic. A partir deste ano, a casa Edison restringiu sua linha de mercadorias a máquinas de escrever, geladeiras e mimeógrafos.

Em 1960, encerrou as atividades como oficina de máquinas de escrever e calcular. Foi muito ligado ao espiritismo de Alan Kardec, apesar de suas origens judaicas. Morreu vitimado por problemas cardíacos aos 80 anos de idade, deixando uma imagem de pioneirismo, tendo sido o primeiro "diretor artístico" de gravadora no Brasil e o responsável pela fundação das bases profissionais do mercado musical brasileiro.

Em 2002 foi lançada uma coleção de discos da Casa Édison, coordenada por Humberto Franceschi e editada pelo Instituto Moreira Salles em parceria com o selo Biscoito Fino.

Fontes: ALBIN, Ricardo Cravo; Wikipedia - A Enciclopédia Livre; Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin; AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008.

José Ramos Tinhorão

José Ramos Tinhorão, jornalista, crítico musical e historiador, nasceu em Santos, São Paulo, em 07/02/1928, e criou-se no bairro de Botafogo no Rio de Janeiro. Em 1968, mudou-se para a cidade de São Paulo, onde reside até hoje.

É autor de uma extensa e diversificada obra sobre temas relacionados à música brasileira, especialidade em que se consagrou, tendo publicado até o momento 26 livros, além de artigos e ensaios em coletâneas, jornais e revistas do Brasil e do exterior.

Estudante da primeira turma de Jornalismo do país, colaborava desde o primeiro ano, 1951, como repórter free-lance da revista A Semana (Rio de Janeiro) e da Guaíra (Curitiba).

Em 1953, ingressou como jornalista profissional no extinto Diário Carioca. Cinco anos depois, passou para o Jornal do Brasil, onde acumulou as funções de redator e colaborador dos suplementos “Estudos Brasileiros” e “Caderno B”. Trabalhou também para os jornais Correio da Manhã, Jornal dos Sports, Última Hora e O Jornal; revistas Singra, o Cruzeiro, Veja e Nova; e televisões Excelsior, Globo, TVE (RJ) e Cultura (SP). Colaborou ainda com O Pasquim e as revistas Senhor, Visão e Seleções, entre outras.

Seus dois primeiros livros – A província e o naturalismo (Rio de Janeiro, 1966) e Música popular (São Paulo, 1966) – reuniram ensaios produzidos para o Jornal do Brasil. A partir da década de 1980 se distanciou gradualmente da imprensa onde ganhara notoriedade e recebeu o epíteto de “temido crítico musical”.

Passa a dedicar-se em profundidade à pesquisa histórica, desenvolvendo assim uma extensa obra. Publicou estudos sobre os sons dos negros no Brasil e em Portugal, romances em folhetins, imprensa carnavalesca, festas no Brasil colonial, além de muitas obras sobre a música popular. Continua sua produção até os dias de hoje – sua obra Festa de negro em devoção de branco: do carnaval na procissão ao teatro no círio está no prelo em Portugal.

O acervo Tinhorão nasceu da necessidade do estudioso de compreender melhor a música popular produzida no Brasil. O material que o compõe compreende, de fato, a soma de uma variedade de coleções envolvendo concentração de informações de interesse para o estudo da cultura urbana brasileira, em geral, e da história do fenômeno da música popular, em particular. Além dos discos, há fotos, filmes, scripts de rádio, programas de cinema e teatro, cartazes, jornais, revistas, rolos de pianola, folhetos de cordel, press releases de gravadoras e uma biblioteca especializada em obras sobre música.

Tinhorão colecionou também obras de ficção, crônicas e memórias, que o ajudaram a entender a cultura popular urbana, além de 11 coleções de suplementos literários de jornais do Rio de Janeiro e São Paulo, publicados a partir da década de 1940. Registrou, ainda, fitas com depoimentos de personalidades, gravações de palestras e programas de televisão de que participou.

A discoteca do acervo Tinhorão, que foi incorporado pelo Instituto Moreira Salles em meados de 2001, é formada por cerca de 6,5 mil discos de 76 e 78 rpm (gravados e lançados no mercado fonográfico entre 1902 e 1964) e 6 mil discos de 33 rpm (vendidos entre 1955 e meados da década de 1990), conhecidos como long-plays.

Dos mais antigos sambas (anteriores ao célebre Pelo Telefone, de 1917) à chamada “era dos festivais”, na década de 1960, em que pontificavam talentos como Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimento, passando pela grande música instrumental produzida no Brasil a partir da década de 1970, todos os ciclos e movimentos da música popular brasileira podem ser encontrados nesse conjunto.

O amado e odiado pesquisador

Tinhorão poderia ser chamado de "o boca maldita" do século XX. Amado e odiado na mesma intensidade, o crítico musical ganhou fama, principalmente, por atacar figuras do cenário brasileiro, como Tom Jobim e Chico Buarque e ser implacável com a bossa nova. Chegou mesmo a escrever que Águas de Março, de Jobim, não passaria de mero plágio. Mesmo despertando sentimentos apaixonados, Tinhorão, certamente, é um dos grandes nomes da crítica musical brasileira.

Começou no Jornalismo em 1951, vendendo reportagens para a Revista da Semana (RJ) e para a Revista Guaíra de Curitiba (PR). No ano de 1959, entrou no Jornal do Brasil, onde atuou como redator e colaborador dos 'Cadernos de Estudos Brasileiros' e 'Caderno B'. Ao assumir uma coluna controversa no jornal, entre os anos de 1975 a 1980, comprou briga com grandes nomes da MPB, chamando, por exemplo, de "boi com abóbora" um samba de Chico Buarque ou batendo boca com Paulinho da Viola.

Seu primeiro livro sobre a história da música popular brasileira foi escrito em 1966, 'Música Popular: um tema em debate'. Ao todo, sua obra já chega a mais de 20 publicações.

Acervo histórico

Tinhorão sempre foi um pesquisador das raízes da música brasileira. Aventureiro de sebos, bibliotecas e arquivos empoeirados do Brasil e de Portugal, tornou-se dono de 7 mil discos, 6 mil livros e mais uma grande quantidade de revistas, fotos e fitas.

O jornalista viveu muitos anos disputando espaço com todo seu material em apenas 31 metros quadrados de um apartamento no centro de São Paulo. Disposto a vender sua obra, não conseguia encontrar compradores que se interessassem e chegou a pensar em vender as relíquias na rua.

A salvação para todo esse material histórico, importante no retrato da música brasileira, foi o interesse do Instituto Moreira Salles. Com um projeto de digitalizar e disponibilizar a todos os interessados músicas, livros e fotografias da história brasileira, o instituto comprou o acervo de Tinhorão. Agora, quem quiser conferir pode acessar o site do IMS e navegar nos raros acervos disponíveis pelos instituto. São cerca de 13 mil músicas brasileiras gravadas originalmente em discos de vinil de 78 rotações por minuto.

Parabéns ao historiador Tinhorão. Muitas informações sobre música aqui, é o trabalho valioso dele e do Senhor Jairo Severiano, outro grande escritor.  

Fontes: Wikipédia; Revista época; Instituto Moreira Salles.

Disco fonográfico no Brasil

A Banda da Casa Edison.

O primeiro suplemento de discos brasileiros foi lançado em agosto de 1902 pela Casa Edison, empresa pertencente ao importador Fred Figner, estabelecida à rua do Ouvidor n 107, no Rio de Janeiro RJ.

Os discos, originalmente chamados de chapas, eram gravados no Rio de Janeiro e fabricados na Alemanha, pela International Zonophone Co., subsidiária da Universal Talking Machine Co. Nesse suplemento eram apresentadas duas séries: a 10000 e a X-1000, respectivamente de sete e dez polegadas de diâmetro.

Assim, pode-se considerar o Zon-O-Phone n 10001, com o lundu Isto é bom, gravado pelo cantor Bahiano, como o primeiro disco brasileiro. Essas chapas, gravadas pelo sistema mecânico, o único na época, traziam fonogramas impressos nas duas faces. 

No final de 1904, a Casa Edison adotou a marca Odeon, então recém-fundada em Berlim, Alemanha, pela International Talking Machine Co. A partir de 21 de dezembro de 1912, os discos da Casa Edison passaram a ser prensados pela Fábrica Odeon, instalada pela International no Rio de Janeiro, e que seria a primeira de grande porte a funcionar na América do Sul. 

Durante o período em que vigorou no Brasil o sistema de gravação mecânica (1902-1927), foram lançados cerca de sete mil discos, a maioria pela Casa Edison e os demais por gravadoras de vida curta como a Faulhaber, a Phoenix e os discos Gaúcho. 

Em julho de 1927, já então pertencendo à Transoceanic Trading Co., a Odeon lançou o primeiro suplemento da era da gravação eletro-magnética no Brasil. Seu disco inicial, novamente de número 10001, trazia a marcha Albertina e o samba Passarinho do má, ambos de autoria do dançarino Duque e gravados pelo cantor Francisco Alves

Daí, até 1964, quando o padrão de 78 rpm foi abandonado no Brasil, seriam gravados nesse sistema cerca de 28 mil discos, num total de 56 mil fonogramas. A principio sozinha, a Odeon logo passaria na fase elétrica a compartilhar o mercado com a Victor (depois RCA-Victor) e a Columbia (depois Continental), até o final da década de 1940. 

Nas décadas seguintes, somaram-se a essas empresas a CBS, a Philips, a Copacabana, a RGE, a Polydor e mais algumas dezenas de marcas de efêmera duração. 

Criado em 1948, o long-playing (LP), micro-sulco de 33 1/3 rpm, fabricado em vinil, foi lançado comercialmente no Brasil em janeiro de 1951 pela empresa Sinter (utilizando o selo Capitol), trazendo o disco inicial músicas para o Carnaval desse ano. Outra novidade, o sistema de 45 rpm, que não vingou no mercado brasileiro, seria lançada em 1953. 

Mas o LP levaria alguns anos para ser implantado, só começando a suplantar o antigo sistema (juntamente com os formatos compacto simples e compacto duplo) a partir de 1958. Por essa época, as principais inovações tecnológicas que aperfeiçoaram no pós-guerra o processo de gravação — como o emprego da fita magnética e da máquina de múltiplos canais — já estavam incorporadas à rotina de produção de nossa indústria fonográfica, embora o uso da estereofonia só viesse a se popularizar na década seguinte, com a confecção dos chamados discos compatíveis, que funcionavam também em aparelhos monaural. 

Finalmente, com o mercado em expansão, a fonografia brasileira entrou em novembro de 1984 na era da gravação digital, com o lançamento pela Polygram do primeiro CD interpretado por artistas nacionais. 

Três anos depois, a empresa paulista Microservice inaugurava a primeira fábrica brasileira de CDs. Atuando em um país marcadamente musical, a indústria fonográfica brasileira alcançaria, em 1996, o sexto lugar no ranking mundial, com 94 milhões de discos vendidos, dos quais 90 por cento foram CDs.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha - 1998 - 2a. Edição - São Paulo

Mauro Celso


Mauro Celso, cantor e compositor, nasceu em 10/11/1951 na cidade de São José do Rio Pardo, SP, e faleceu em 15/4/1989, em Iguape, SP. Ficou famoso em 1975 após participar da segunda eliminatória do festival Abertura, da TV Globo, com a canção Farofa-fá.

Os jurados não gostaram da letra de Mauro, preferiram Carlinhos Vergueiro, com Como um ladrão e a música Muito tudo, de Walter Franco. O público que naquela noite de janeiro de 75, lotou o Teatro Municipal de São Paulo, não sentiu nas músicas dos outros participantes, a mesma empolgação clara e vibrante de Farofa-fá.

Mauro Celso foi lançado pela RCA no mercado fonográfico cantando duas músicas de sua autoria em compacto simples. De um lado do disco a famosa Farofa-fá, acompanhada por Coceira do lado B, ambas com arranjos do maestro Daniel Salinas.

Com a música Farofa-fá, o cantor conquistou posição privilegiada dentre as dez músicas mais tocadas do Brasil, público de todas as idades e principalmente o público infantil. Ganhou as paradas do rádio e tornou-se famoso nacionalmente da noite para o dia, com uma letra que ele mesmo considerava simples e portanto popular.

Bilu tetéia foi lançada no segundo compacto (duplo) de Mauro Celso, contendo além dessa música, Coisa com coisa (Mauro Celso e João Barata), Fumaçá e Coceira, que tentava pela segunda vez entrar no gosto do povo, mas foi rejeitada por se parecer tanto com a original Farofa-fá.

O LP Mauro Celso Para Crianças Até 80 Anos, veio envolto em alegria com 12 letras criativas e músicas contagiantes. Com direção artística de Osmar Zan e regências de Daniel Salinas, o LP trouxe ainda outros compositores além de Mauro, que assinou a maioria.

Além de Bilu tetéia, a música Coró-cocó, narrando a história do galo carijó, caiu no gosto da criançada e conquistou as rádios do país. Pelo sucesso que fazia com suas músicas, recebia convites de todos os estados do Brasil para fazer apresentações.

O autor de músicas alegres e que conquistou todos os públicos, em especial o público infantil da década de 70, morreu em abril de 1989 dentro dos destroços do carro que lhe conduzia ao encontro da mulher e do filho René.

Fontes: musicapopulardobrasil.blogspot.com; Memória da MPB; Wikipedia - A Enciclopédia Livre.