sábado, outubro 22, 2011

Manoel Reis

Manoel Reis (1909 - 16/6/1979), foi um cantor de discreta presença na cena artística gravando fonogramas importantes nos anos 1930 e 1940, sendo também crooner de Antenógenes Silva.

Estreou em discos em 1937, pela gravadora Odeon, quando registrou com Antenógenes Silva ao acordeom, e com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto regional, as valsas Viver é beijar e O que sempre senti por ti, ambas de Antenógenes Silva e Ernâni Campos.

No mesmo ano, gravou com acompanhamento da Orquestra Odeon o samba Ô... Ô..., de Sátiro de Melo, e a marcha Morena linda, de Sátiro de Melo e Silva Júnior.

Ainda em 1937, gravou na Victor, gravadora para a qual se transferiu, com acompanhamento do conjunto regional Dante Santoro, as valsas Horas tristes e Murmúrios d'alma, ambas de Dante Santoro e Corinto Álvares.

Em 1938, gravou a valsa Fiandeira do destino, de  Osvaldo Santiago e Paulo Barbosa, o fox-canção Tudo cabe num beijo, de Carolina Cardoso de Meneses e Osvaldo Santiago, além das valsas Olhando o céu e vendo o mar, de Alberto Ribeiro e Sátiro de Melo, e Terceira valsa de amor, de Roberto Martins e Jorge Faraj, com acompanhamento da Orquestra Diabos do Céu, dirigida por Pixinguinha. No mesmo ano, gravou com Arnaldo Meireles ao acordeom as valsas Não me sais do pensamento, de Arnaldo Meireles e Moacir Braga, e Se meu olhar pudesse, de Moacir Braga.

Lançou em 1939, os sambas Destino cruel, de Newton Teixeira e Luís Bittencourt, e Abre a janela, de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti, e as valsas Divino olhar, de  Saint-Clair Sena e Alcir Pires Vermelho , e Anjo inspirador, de J. Cascata  e Sá Róris.

Em 1942, lançou pela Columbia um disco com a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais, em que cantava as marchas Cisne Branco, de Antônio do Espírito Santo, hino oficial da Marinha brasileira, e Heróis do Brasil, de Milton Amaral.

Em 1943, gravou a marcha Meu pavilhão, de João de Freitas e Ernâni Correia. No mesmo ano, foi contratado pela Continental quando relançou a gravação feita com a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais cantando as marchas Cisne Branco, de Antônio do Espírito Santo, hino oficial da Marinha brasileira, e Heróis do Brasil, de Milton Amaral.

Em 1944, gravou o bolero Bem sei e a valsa A nossa valsa, ambas de autoria da dupla José Maria de Abreu e Jair Amorim. Gravou no mesmo ano a marcha Marcha para oeste e a valsa Saudades do luar de minha terra, ambas de autoria de Antônio Papaiani de Pádua.

Em 1945, gravou de Saint Clair Sena o samba Vitória e o pasodoble Linda espanhola, em disco que contou com acompanhamento de Napoleão Tavares e Seus Soldados Musicais, e de Stanley Levi e Mário Rossi, a valsa Aquela valsa maldosa, e de José Maria de Abreu e Osvaldo Santiago, o fox-trot Lua, taça branca, em disco que contou com acompanhamentos de Abel Ferreira e seu conjunto. Em junho do mesmo ano, lançou a Canção do expedicionário, de Luiz Peixoto e Alda Caminha que homenageava os soldados brasileiros de volta da campanha na Itália na Segunda Guerra Mundial.

Em 1947, transferiu-se para a recém inaugurada gravadora Star e lançou o samba Lata d'água e a marcha Tic-tac, ambas de Carlos Brandão e Vicente Paiva. Em 1948, gravou o samba Mangueira, de Nonô, e o fox Não sei porque te quero tanto assim, de José Maria de Abreu e Jair Amorim.

Em 1949, gravou com acompanhamento da Orquestra Tamoio a marcha Sereia, de Lauro Miller, e o samba Iaiá segura a saia, de Conde. Em 1950, gravou a marcha A rainha do Nilo, de José Assad, o Beduíno, e o samba O castigo vem do céu, de Conde e Celso Vilaça com acompanhamento de Geraldo Medeiros e seu conjunto.

No ano seguinte, gravou com acompanhamento de Rago e seu conjunto, a toada Adeus Moema!, de Américo de Campos e Cacique, e o samba Sem ela, de David Raw e Alfredo Godinho. Gravou em 1952, com acompanhamento de Poly e seu conjunto, o samba Por quê?, de sua autoria e David Raw, e o baião Eh! Eh! Meu irmão!, de Panchito e Ariovaldo Pires .

Embora com uma carreira pouco conhecida, numa época em que normalmente não se gravava muito, lançou 21 discos com 38 músicas pelas gravadoras Odeon, Victor, Columbia e Continental, registrando obras de conhecidos compositores como Sátiro de Melo, Osvaldo Santiago, Arlindo Marques Jr, Roberto Roberti, José Maria de Abreu, Jair Amorim e Saint-Clair Sena, além de ser acompanhado por importantes músicos como Pixinguinha, Benedito Lacerda, Antenógenes Silva, Abel Ferreira, Dante Santoro e Luiz Peixoto.

Discografia

(1947) Lata d'água / Tic-tac • Star • 78; (1948) Mangueira / Não sei porque te quero tanto assim • Star • 78;  (1949) Sereia / Iaiá segura a saia • Continental • 78; (1950) A rainha do Nilo / O castigo vem do céu • Continental • 78;  (1951) Adeus Moema! / Sem ela • Continental • 78; (1952) Por quê? / Eh! Eh! Meu irmão! • Continental • 78 (discografia incompleta).

Playlist



Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Músicas de Carnaval UOL.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Nosso Sinhô do Samba - Parte 2

Caricatura de K.lixto: O rei do Samba.
Afastando-se do grupo da Tia Ciata, Sinhô tomou gosto pela composição e pelas brigas...

O pianeiro ansiava por se escapar dos limites do teclado para se projetar com maior amplitude além das sociedades recreativas, cenário onde era figura de prol. Se o Pelo telefone (1916-1917) não tivesse alcançado tão grande sucesso talvez a coisa serenasse e acabasse esquecida. Mas o êxito da composição de equipe refletindo-se apenas num dos seus componentes criou o clima para a dissensão e para a desforra. Sinhô, Donga, Pixinguinha, China, Hilário e João da Baiana não ficaram inimigos pessoais. Mas começaram a guerrear-se musicalmente, o que não deixava de ser proveitoso à nascente música popular carioca.

Ainda em 1917, pelo Carnaval, sendo diretor-geral do Grupo As Sabinas da Kananga, Sinhô compôs a marcha-rancho Resposta à inveja especialmente para o grupo e como réplica à marcha Inveja, lançada pelo Bloco Quem Fala de Nós Tem Paixão. Afora uma ou outra polca que não passara das salas em que tocava, parece ter sido essa a primeira composição de Sinhô. Não editada e nem gravada. Começava assim o futuro grande compositor do Rio aparando o pião na unha. Tanto a música como os versos eram do ‘inspirado maestro’, tal qual noticiou o Jornal do Brasil, de 14 de fevereiro. Eis os versos:

Coro geral
São as baianas
Que oferecem esta canção.

Coro só
De coração.

Diretor
Aos maus-olhados
Isto não ligamos 
Pois com arruda
Facilmente lhes tiramos.

Damas
E para a inveja
Temos urna figa
Feita na África
Com o bom guiné de riga.

Era o princípio e era bem o Sinhô que surgia topando paradas comprando briga e já afirmando as suas crendices e superstições. Essa marcha-rancho seria refundida e transformada no samba aparecido em fins de 1921, para o Carnaval de 1922 — Não posso me amofinar. Além da transformação rítmica Sinhô acrescentou uma estrofe talvez para justificar o título, coisa que não lhe importava muito, aliás:

Eva, qua, qua, qua
É preciso lhe explicar
Que a vida é curta
E eu no posso me amofinar.


No Carnaval de 1918, Sinhô receberia o batismo de fogo com o samba Quem são eles, sua primeira produção divulgada amplamente através de um bloco que organiza, com flauta, cavaquinho, violão, violino, trombone, pandeiro, reco-reco e ganzá. O grupo filiado ao Clube dos Fenianos tinha a mesma denominação do samba. Segundo pesquisa de Jota Efegê, foi o grupo que deu título à composição de Sinhô e não esta àquele. (1)

Sinhô quisera apenas homenagear o bloco filiado a um clube que bem o acolhia. Mas como na denominação essencialmente carnavalesca, bem ao jeito dos pufes e proclamações das três grandes sociedades, era evidente o desafio, a provocação, não somente os demais se sentiriam atingidos como também o grupo de compositores adversos, chefiado por Pixinguinha. Tanto mais que no texto do samba se falava na Bahia, ainda que com alusão às encrencas políticas da boa terra, com Rui de um lado e J. J. Seabra do outro. De qualquer forma, daí por diante se verificaria que grande parte das composições de Sinhô encerrava referências, veladas ou não, indiretas, quando não no miolo, pelo menos na cabeça, isto é, no título.

o samba Quem são eles fora antes cantarolado por Sinhô ao piano na Casa Beethoven. Possuidor de ritmo próprio e com um fraseado que o distinguia, embora nada soubesse de música, Sinhô encaixara a melodia a jeito nos versos pitorescos que em pouco tempo os presentes àquele estabelecimento cantavam gostosamente:

A Bahia é boa terra
Ela lá e eu aqui; Iaiá,
Ai, ai, ai
Não era assim que o meu bem chorava

Não precisa pedir que eu vou dar
Dinheiro não tenho mas vou sambar

Carreiro olha a canga do boi
Carreiro olha a canga do boi
Toma cuidado que o luarjá se foi
Ai! Olha a canga do boi!
Ai! Olha a canga do boi!

Na Casa Beethoven, Sinhô tinha como colega de trabalho a pianista Cecília, sua admiradora e mais tarde sua companheira. A moça instou para que o novo autor entregasse o samba para a casa editá-lo, o que conseguiu com algum trabalho. Cecília exerceu grande influência na carreira do compositor. O músico nato teve assim a ajuda valiosa de uma Cecília, que não era nenhuma santa, mas foi sua protetora por algum tempo.

Muito interessante a edição da Casa Beethoven da parte musical de Quem são eles? O desenho é curioso (figura ao lado). Um sujeito encartolado, bem vestido, de luva, dentro de um barco solitário que vaga serenamente com a bandeira dos Fenianos no mastro. Perto um negro grita por socorro, como se estivesse a morrer afogado. O cartola nem como coisa. Tudo muito ingênuo.

Bem divulgado pelo bloco feniano, o samba alcança retumbante sucesso no Carnaval de 1918, estendendo-se por todo o Brasil. Era a vez de Sinhô.

A música buliçosa e os versos misturando sertão com política agradariam em cheio e seriam repetidos nos carnavais subseqüentes das províncias, onde chegavam ainda que retardados, levados por viajantes ou pelas chapas da Casa Edison, Rio de Janeiro. Além dos gramofones que martelavam o samba, correu vários Estados um filme musicado — Carnaval cantado — que reproduzia sambinhas, cateretês e marchas de sucesso na grande festa carioca de 1918: Quem são eles?, Vamo, Maruca, vamo, A Carta que te mandei, etc. Essas músicas eram geralmente transmitidas com o filme nos cinemas, ou executadas ao piano, nas sessões infantis. A criançada e a juventude presentes faziam coro ruidoso e mais se popularizavam as composições. (2)

E o já conhecido pianeiro das sociedades da Cidade Nova daí por diante figuraria em definitivo no cancioneiro popular do Brasil.

A denominação do samba parecera indireta (muito direta) à turma do Pixinguinha que topou a provocação. Donga replicou com outro samba — Fica calmo que aparece. Hilário também contraditou com o seu Não és tão falado assim. E finalmente Pixinguinha e China lhe deram mais agressiva resposta com o samba Já te digo:

Um sou eu
E o outro eu já sei quem é
Ele sofreu
Para usar colarinho em pé.

Vocês não sabem quem é ele
Mas eu lhes digo
Ele é um cabra feio
E fala sem receio
E sem medo ao perigo.

Ele é alto, magro e feio
E desdentado
Ele fala do mundo inteiro
No Rio de Janeiro.

No tempo em que tocava flauta
Que desespero
Hoje ele anda janota
A custa dos trouxas
Do Rio de Janeiro.

o retrato físico era cruel, mas não falso. Sinhô que trajava com certo esmero e usava chapéu Randal (tipo Gelot) era desdentado, o que não lhe causava maior vexame, embora lhe originasse o cacoete de levar instintivamente a mão à boca quando ria, para disfarçar um pouco a derrocada dentária. Sendo vaidoso e não desleixado, pode-se avaliar o pavor que lhe inspiravam os dentistas...

Compositor autenticamente carioca, Sinhô buscou na Bahia motivação para várias das suas composições, umas de exaltação outras de crítica, mas de qualquer forma destacando sempre a boa terra. Principalmente nos primeiros anos da sua atividade de compositor, quando no eram poucos no Rio os compositores baianos ou descendentes. Daí ciumadas e daí revides. Sinhô aparecera no seu primeiro samba repetindo ironicamente o dito:

A Bahia é boa terra
ela lá e eu aqui.

E mais tarde viria com Fala meu louro (1920), saborosa sátira ao grande Rui, uma das suas admirações:

A Bahia não dá mais coco
Para botar na tapioca
Pra fazer o bom mingau
Para embrulhar o carioca.

Papagaio louro
Do bico dourado
Tu falavas tanto
Qual a razão que vives calado

Não tenhas medo
Coco de respeito
Quem quer se fazer não pode
Quem é bom já nasce feito

Com muito espírito, o sambista carioca mexia com o senador baiano, mas a referência à Bahia iria esquentar novamente os ânimos. Os brios dos baianos autênticos ou folheados se julgaram ofendidos. Além do mais, o samba fora acusado de plágio. Hilário, baiano legítimo, chamado o bom Hilário, um dos maiorais da colônia e prestigioso carnavalesco, pôs a bondade de lado e espinafrou o sambista, acusando-o de plagiário e desafiando-o com um samba de versos bem feitos. Aquela indireta de a Bahia não dar mais coco não devia ser somente com o genial político mas principalmente com os sambistas da boa terra radicados no Rio. Assim era o poema-revide de Hilário no samba Entregue o samba a seus donos:

Entregue o samba a seus donos
É chegada a ocasião
Lá no Norte no fazemos
Do pandeiro profissão.

Falsos filhos da Bahia
que nunca pisaram lá,
que não comeram pimenta
na moqueca e vatapá,
mandioca mais se presta
muito mais que tapioca.

Na Bahia não tem mais coco
Ë plágio de um carioca.

Pedro Paulo, outro autor do tempo, também pulou na arena defendendo os baianos no samba Olé:

Todo mundo faz um samba
Eu também quero fazer
Mas dizer que é na Bahia,
Olé 

Não pode ser

A Bahia é boa terra
Já não dá mais coco!
Não! Quem quiser tudo saber erra,
Olé

É toleirão

Pelo saco tudo passa
Basta falar em iaiá
Mas um sambinha sem graça,
Olé 

Não vem de lá.

Sinhô não se atordoou com a grossa pancadaria, pois em 1921, no samba Sempre voando, etiquetado pelo autor como ‘puro samba’, afigura-se espantado de haver ‘pai-de-santo’ na Bahia:

Já descobri meu bem
Coisa que causa espanto
Na Bahia tem, tem
Gente que é pai-de-santo.

Se o sambista pagava alto pelo seu constante voltar-se para os motivos na Bahia, também não perderia jamais o ensejo de fazer sua provocaçãozinha. De quando em vez o fazia. Ainda em 1927, tanto tempo decorrido, o Correio da Manhã de 16 de janeiro publica uma versalhada de J. B. Silva sob o título Carioca, com dedicatória a Cícero de Almeida:

Não penses que eu vou fugir
Às quadras do teu sentir
Pois quero de novo rir!
Com teu modo de carpir
o teu sertão a zunir
A tua terra a tinir
A baianada a mentir
Pois quero de novo rir!

Do coco que está partido
Da cobra já sem perigo
Do chumbo derretido
Da cascavel sem abrigo
Do teu sertão a zunir
Da terra ouca (sic) a tinir
Da baianada a mentir
Pois quero de novo rir.

Rima em abundância e endereço certo...

Músico nato, Sinhô deu nítida preferência ao piano. Talvez porque na casa do avô houvesse um. Mas, afora o piano (que não podia ser removido), adorava o violão, seu companheiro de deambulações boêmias e ao qual demonstrava carinho enternecido. Certo é que o caboclo poderia tocar qualquer instrumento popular desde que se lhe dedicasse de alma e coração. Passou pela flauta, pelo flautim e pelo cavaquinho. Foi ao piano que conseguiu maior prestígio. Em 1910, já é pianista querido do Dragão Clube Universal (do Catumbi), que nos anúncios de bailes fazia constar: “O nosso pianista será o Sr. J. Silva (Sinhô), o conhecidíssimo chorão das molecas chorosas”.

o superlativo e a piada dizem bem da popularidade já conquistada pelo então simplesmente J. Silva. A citação do nome e apelido do pianista nos anúncios e convites era motivo de atração, daí não ser omitida.

Pianista será mais tarde do Grupo Dançante Carnavalesco Tome Abença a Vovô, do Grupo Dançante Carnavalesco Netinhos do Vovô, da Kananga do Japão etc. E é dedilhando um teclado que aparece na famosa caricatura de K.lixto, com a coroa de Rei do Samba, que tanto deveria pesar na cabeça dos outros. Caricatura que foi cenário de uma revista na Praça Tiradentes, depois da sua morte.

Na opinião dos que o tiveram de perto, Sinhô tinha o sentido da música embora de início quase nada conhecesse teoricamente. Tocava de ouvido mas o fazia com técnica especial. Tinha um fraseado bem seu e corria o teclado com entusiasmo, gingando, como fazem hoje os pianistas de jazz e bossa-nova.

Contemporâneos seus lhe testemunham a maneira pessoal de tocar com ritmo próprio que enfeitava com fraseados característicos. Já então não era ignorante da música, pois com o tempo procurou conhecer-lhe os rudimentos, graças ao permanente contato com Eduardo Souto, diretor de gravação da Casa Edison.

Augusto Vasseur — autoridade incontestável — sempre o julgou pianista interessantíssimo pela maneira peculiar de dedilhar o teclado. Executava um choro de sua autoria com técnica fora do comum, fazendo as fusas com a mão direita em toda a última parte, dando-lhe especial vivacidade. Não era pianístico, mas curioso, e Vasseur diz que nunca viu outro pianista fazer coisa igual. Quando morreu já escrevia suas composições, embora ainda precisasse de submetê-las ao amigo Vasseur para corrigir-lhe um ou outro senso.

Como cantava regularmente, pois se a voz não era grande coisa tinha muito ritmo, gostava de fazê-lo, acompanhando-se ao piano, quando não ao violão.

Em carta a Almirante, datada de 11 de agosto de 1946, o pianista Petit também se refere ao trabalho que lhe dava escrever as composições de Sinhô, “devido ao ritmo terrível desse pianista”.

Pianeiro de prestígio, Sinhô de quando em vez recebia homenagens expressivas como a que lhe prestou o seu grande amigo Alonso Guimarães, escrivão morador na Rua Araújo Lima (Aldeia Campista). Sinhô o visitava habitualmente, de violão em punho para ‘tirar’ seus sambas. Eram freqüentes as serenatas ali, a que compareciam Sinhô, Caninha (violão), Vítor (bandolim), Salvador ‘Barraca’ Correa (pandeirista e depois autor feliz da marcha Salve Jahu), Jorge da Silva Jardim e outros mais.

Alonso, que adorava essas reuniões, a que presidia, certa vez faz uma grata surpresa a Sinhô, que ao chegar na sala do amigo encontra um piano aberto à sua espera. O dono da casa o comprara em segunda mão especialmente para que o sambista o utilizasse. (3)

Almirante também contou episódio idêntico. Certa vez, pelo Carnaval, numa batalha de confete do Catumbi, Sinhô foi especialmente convidado. Como todo carioca que se preza, era fo1ião e freqüentador das festas daquele bairro. Ao chegar à batalha foi recebido como rei, com honrarias e atenções especiais. A orquestra silenciou. Silenciaram cordões e blocos, e a multidão entusiasmada cercou o coreto onde Sinhô subiu e foi encontrar, posto à sua disposição, um piano. E por muitos instantes ficou o povo ouvindo o ‘Rei’ executar suas músicas num pitoresco bambolear de corpo.

Fato semelhante ocorreu numa pensão alegre da Avenida Mem de Sá. A dona da casa adquiriu um piano por causa de Augusto Vasseur e de Sinhô, seus assíduos freqüentadores. E à noite os surpreendeu, apresentando-lhes a nova atração (bem diferente) da casa. Os dois boêmios passaram a noitada tocando ao piano e bebericando. E as mulheres ouvindo e chorando...

Mas o piano traria também complicações a Sinhô. Foi ainda Almirante quem contou o acontecido. Era em Botafogo. Sinhô estava numa festa em casa de família distinta. Havia grande curiosidade em torno dele. Muitos o chamavam de maestro. E ele nesse tempo ainda não conhecia bem as notas, embora já fosse um bamba do teclado.

No decorrer do sarau, espevitada mocinha, vendo-o executar com desembaraço e personalidade várias composições populares, dele se aproximou com uma parte musical nas mãos e pediu-lhe que a executasse, a fim de que ela cantasse, pois a pianista sua acompanhante não viera por qualquer motivo. Sinhô empalideceu, mas não se deu por achado. Viu o título da música: Elégie, de Massenet. Pôs a parte na estante, fez menção de que ia executá-la, mas antes de ferir o teclado, olhou para a mocinha e lhe disse.

— Sinto muito, senhorita, mas não posso executar essa música. Não me dou com esse autor... (4)
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(1) Na verdade, Sinhô ao terminar o samba denominou-o A Bahia é boa terra. (2) Cantadas pelo trio Pepe-Oterito-Raul, o primeiro Francisco Pepe e o terceiro Raul Roulien, irmãos. (3) O Jornal, do Rio, 13 de dezembro de 1964. (4) O episódio é contado também na revista Weco n° 2, de dezembro de 1928 (ano I), por J. Iguassu, pseudônimo de Djalma de Vincenzi, que o dá como passado com o pianista M, bon vivant, “rapaz de boa educação e até nas horas vagas... humorista, e que sempre encontrou uma saída para tudo”. Despistamento do cronista, ou simples reprodução de invencionice? Mas, Augusto Vasseur admite a veracidade da história, da qual Sinhô teria sido de fato o protagonista. 

Fonte: "Nosso Sinhô do Samba" / Edigar de Alencar - Edição FUNARTE - Rio de Janeiro 1981.

Nosso Sinhô do Samba - Parte 1

Retrato de Sinhô, 1926.
Na era dos três oitos, ainda no Brasil monárquico, em pleno mês da primavera carioca, no dia 8 (1), numa casa modesta da rua do Riachuelo de n° 90, nasceu um menino que tomou o nome de José. Gente modesta os pais: Ernesto Barbosa da Silva, conhecido por Tené, pintor e decorador de paredes, e Graciliana Silva. Depois o menino ganhou um irmão, de nome Ernesto, apelidado Caboclo.

Pouco se sabe da infância do garoto José, que talvez a tenha vivido pelo menos até o fim do século naquela mesma rua. Em 1897, José Luís de Moraes, o Caninha (1883-1961), meninote, mais velho, com 14 anos, conheceu o menino ainda ali.

E Maria Barbosa da Silva, portuguesa, que casou com Francisco Barbosa da Silva, filho de criação do pintor Ernesto, também viu o rapazito pela primeira vez na Rua do Riachuelo. Almirante, nas suas incansáveis pesquisas pioneiras, apurou que a família de José em 1900 já residia na Rua Senador Pompeu, casa n° 114, quase esquina da Rua São Lourenço.

A essa época, Ernesto Silva queria que o filho, carinhosamente chamado Sinhô, aprendesse a tocar flauta, instrumento de prestígio que dera justa fama, entre outros, a Joaquim Antônio da Silva Calado, a Viriato Figueira da Silva e a Pattápio Silva, sem dúvida admirações do pintor. Mas o garoto não se entusiasmava e não afinava com a flauta, preferindo mil vezes empinar papagaios, brinquedo de grande animação nas ruas da Saúde. Quanto à música, a que não era infenso, apreciava bem mais o piano dos avós, no qual já exercitava. Ao tempo, o piano era presença obrigatória nas residências da classe média para cima e até mesmo em algumas de gente menos remediada. Fazia parte da mobília, tal como hoje o aparelho de televisão e era ainda sinal de distinção e prosperidade:

— É gente rica! Tem piano!

Medíocre soprador de flauta, por imposição do pai, não largara de todo o instrumento detestado quando Pixinguinha, ainda broto, o conheceu pelos fins da primeira década do novo século. Nessa altura, aos poucos, o rapaz contrariando a vontade paterna já buscava outros instrumentos. Primeiro o cavaquinho, que também trocou pelo violão, para dedicar-se com mais afinco ao piano, no qual já era notado.

Houve um tempo em que morou na casa do seu irmão de criação Francisco, que usava o mesmo sobrenome — Barbosa da Silva. Era este cabo do Corpo de Bombeiros, casado com a portuguesa Maria. Foi de Francisco que Sinhô recebeu lições de violão, pondo de lado a flauta e o flautim. Mas foi no piano, principalmente, que começou a se espalhar. Dos treinos de casa passou a aparecer em outras salas e daí em sociedades diversivas, onde foi ganhando fama, talvez um tanto pelo seu espírito boêmio e folgazão. Certo é que no fim da década inicial deste século, Sinhô já era disputado como pianista pelos modestos clubes dançantes do Centro e de alguns bairros do Rio.

Nos fins do século passado, o bairro da Saúde era reduto de costumes e usanças africanas transportadas da Bahia. Pequenas mas inúmeras famílias baianas ali se acumulavam, trazendo para o Rio hábitos da velha metrópole, com marcadas reminiscências do continente negro. Entre as quais cantigas e danças próprias, festas, comidas, ritos e crendices.

Havia nas cercanias babalaôs de fama que realizavam sambas (festas de dança) e candomblés. Eram todos conhecidos como ‘tios’ e ‘tias’. Donga relembra vários deles, entre os quais a tia Isabel, das mais respeitadas e mãe de um dos grandes raiadores do samba do partido alto — Oscar do 24 —, assim chamado por ter servido na campanha de Canudos, como integrante do 24° batalhão. Outros companheiros de Oscar eram Hilário Jovino Ferreira, o maioral, Dudu e João Câncio, todos conhecidos como reis do ‘partido alto’, raiadores afamados, isto é, cantadores da chula.

Os candomblés da casa de João Alabá, babalaô morador na Rua Barão de São Félix, eram dos mais freqüentados. Mas havia ainda os dos tios Obedê e Sami, o primeiro na Rua João Caetano, 69.

Essas reuniões, embora freqüentes, não contavam com as simpatias das autoridades, dada a confusão que, de quando em quando, geravam. Por vezes se realizavam na moita, clandestinamente, o que lhes dava talvez maior sabor e sedução.

Mais tarde, algumas dessas famílias se foram espalhando pelo Centro e pela zona chamada Cidade Nova. Na segunda década do século atual, até 1926, a Praça Onze era, no dizer de Heitor dos Prazeres, uma África em miniatura. Nas suas proximidades, na Rua Visconde de Itaúna, n° 117, morava a Tia Ciata (Hilária de Almeida), macumbeira, acatada, vinda da Rua da Alfândega para ali assentar sua tenda festiva e movimentada. (2)

Naquela rua e na Senador Eusébio, que lhe ficava paralela, e noutras adjacentes, funcionavam sociedades dançantes que mais tomavam rumoroso e festivo o local. Os sambas (danças) transbordavam dos casinholos para os quintais e ruas. Daí provavelmente surgir a Praça Onze como autêntico berço do samba (música e canto). E a casa da Tia Ciata viria a ser precisamente o local do nascimento do samba feito música. Composição melódica e não dança de grupo. Nascimento ruidoso, discutido, como sua importância exigia, pois marcaria o advento de nova e expressiva fase da música popular brasileira.

No começo da segunda década deste século, Sinhô já se tornara conhecido como músico profissional. Tocando de ouvido, figurava como pianista de modestas agremiações dançantes e carnavalescas, entre as quais o Dragão Clube Universal, do Largo do Catumbi, 6 (1910); o Grupo Dançante Carnavalesco Tome Abença a Vovó (1914), instalado na Rua Senador Eusébio, 146; o Grupo Dançante Carnavalesco Netinhos do Vovô (1915), com sede na Praça da República, 25 e depois na Praça Onze (Rua de Santana, 55) e a Sociedade D. Carnavalesca Kananga do Japão, sediada na Rua Senador Eusébio, 44. A esta última Sinhô estaria ligado afetivamente, pois o pai pertencera ao seu quadro associativo e fora o confeccionador de um dos seus estandartes.

Prova do prestígio e da popularidade do pianista são os anúncios e convites então estampados na imprensa. Havia sempre a menção do nome — Sinhô — como atração da festa. As vezes até de forma curiosa como na pub1icação do Jornal do Brasil, de 3 de julho de 1915, em que ao fim do convite-anúncio para o baile da noite na sociedade Fidalgos da Cidade Nova, com sede também na Rua Santana, 55, aparecia a informação chamariz: “Abrilhantará este o choro de cordas regido pelo exímio flautista Pexinguim e o valente cronista Sinhô Pianista.

Em 1916 e 1917, Sinhô não era só o pianista, o ‘inspirado maestro’ e o dirigente do choro que carregava seu apelido já popularizado, mas também o carnavalesco disputado e diretor geral do grupo As Sabinas da Kananga (ou Grupo das Sabinas), ala importante da Kananga do Japão.

Durante o dia, fazia ponto na Casa Beethoven, Rua do Ouvidor, n° 175. Ali acabaria igualmente ‘oficializado’ como pianista. Relacionando-se rapidamente, também de quando em vez conseguia vender um piano, defendendo a comissão. (3) No ponto estratégico, bem dentro do coração da cidade, recebia amigos e ‘clientes’ e contratava tocatas de festas e bailaricos.

Da Rua Senador Eusébio, sede da Kananga, se escapava para a casa da Tia Ciata, ou lá fazia hora para o batente noturno. Na acolhedora e movimentada casa da Rua Visconde de Itaúna havia sempre música e nas proximidades do Carnaval o reduto fervia. A dona da casa, doceira e quituteira de classe, era devotada carnavalesca, tanto quanto o marido, Henrique de Almeida, que trabalhava no Jornal do comércio.

Por ali passavam e paravam obrigatoriamente ranchos e grupos que buscavam na popularidade e no julgamento de Tia Ciata estímulos e aplausos. Tudo muito particular e muito sincero, sem programação prévia nem qualquer coisa de oficioso, pois o Carnaval até então era festa exclusivamente feita pelo povo.

Componentes diversos das festas da Saúde freqüentavam assiduamente a casa de Visconde de Itaúna, onde, na noite de 6 de agosto de 1916, foi ouvido, em meio a outras cantigas e ruídos, o refrão versejado de um improviso musical que aludia à enérgica perseguição ao jogo que então se anunciava na gestão de Aurelino Leal na chefatura de polícia. O estribilho era de João da Mata e fora composto no morro de Santo Antônio.

No samba do partido alto foram acrescentadas outras partes inclusive cantigas folclóricas como Olha a rolinha, que havia sido apresentada com sucesso no começo do ano na burleta O Marroeiro, de Catulo e Paulino Sacramento, estreada no São José a 30 de março. Essa cantiga tinha sido levada das ruas para o Clube dos Democráticos pelo Mirandela, figura destacada nas rodas do samba, e ali foi entoada e decorada pela maioria dos presentes. Na casa da Tia Ciata os versos e a melodia do Olha a rolinha juntaram-se ao improviso cantado a muitas vozes e logo batizado como Ronceiro, ou Roceiro. Os versos eram de Mauro de Almeida, repórter de A Rua e cronista carnavalesco mais conhecido pelo nome de guerra Peru dos Pés Frios.

A composição voltou a ser cantada em noites sucessivas, e, entusiasmado com o seu sucesso entre paredes, Donga, que também nela colaborara mais tarde, a registrou com o título Pelo telefone (4) e a designação de samba, feita, ao que parece, pela primeira vez. (5)

Bastante discutida a música editada e gravada pelo Baiano em disco da Casa Edison, Rio de Janeiro, obteve retumbante sucesso no Carnaval de 1917, correndo todo o Brasil:

O chefe da folia, / Pelo telefone,
Manda me avisar, / Que com alegria,
No se questione / Para se brincar.

Ai, ai, ai  / E deixa mágoas pra trás
ò rapaz,  / Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz / E verás.
Tomara que tu apanhes
Pra não tornar a fazer isso;
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço...

Ai, se a rolinha / sinhô, sinhô,
Se embaraçou, / sinhô, sinhô,
É que a avezinha, / sinhô, sinhô,
Nunca sambou, / sinhô, sinhô,
Porque este samba / sinhô, sinhô,
De arrepiar, / sinhô, sinhô,
Põe perna bamba, / sinhô, sinhô,
Mas faz gozar, / sinhô, sinhô.


Na época ainda nâo se falava em direito autoral e é possível que Donga se apressasse em registrar o Pelo telefone receoso de que acabasse perdido como talvez tenha ocorrido com outras improvisações do grupo. Mas não o fez sem provocar barulho. E o Jornal do Brasil, de 4 de fevereiro de 1917, estampava essa nota, depois fartamente divulgada por Almirante:

“Do Grêmio Fala Gente recebemos a seguinte nota:

Será cantado domingo, na Av. Rio Branco, o verdadeiro tango Pelo telefone, dos inspirados carnavalescos, o imortal João da Mata, o mestre Germano, a nossa velha amiguinha Ciata e o inesquecível bom Hilário; arranjo exclusivamente pelo bom e querido pianista J. Silva (Sinhô), dedicado ao bom e lembrado amigo Mauro, repórter de A Rua, em 6 de agosto de 1916, dando ele o nome de Roceiro:

Pelo telefone / A minha boa gente
Mandou me avisar / Que o meu bom arranjo
Era oferecido / Para se cantar.

Ai, ai, ai
Leve a mão à consciência / Meu bem.
Ai, ai, ai
Mas por que tanta presença / Meu bem?

Ò que caradura / De dizer nas rodas
Que este arranjo é teu! / É do bom Hilário
E da velha Ciata / Que o Sinhô escreveu.
Tomara que tu apanhes / Pra não tornar a fazer isso
Escrever o que é dos outros / Sem olhar o compromisso.


Como se vê não houve nenhum propósito do lançamento da composição como ‘samba’ na acepção nova de canto e música ou de coreografia diferente da que antes significava. E enquanto nos versos que acompanhavam a nota do Grêmio Fala Gente, feita bem ao jeitão de Sinhô, há referências a ‘arranjo’, no próprio texto da declaração aparece a palavra ‘tango’. E na letra registrada pelo Donga, a expressão ‘samba’ se refere nitidamente ao samba de roda que “põe perna bamba”.

Mas a sorte é quem decide. E o Pelo telefone ficou como marco de uma nova modalidade de composição musical e coreográfica que viria a ser a mais típica das músicas urbanas do país. Antes do surgimento de Pelo telefone, o rapazola Sinhô já compusera uma que outra polca que executava nas agremiações onde tocava. Uma delas se intitulou Kananga do Japão. (6) Não editadas nem gravadas, essas produções ficaram limitadas aos salões festivos onde surgiram.

Pelo telefone seria assim a primeira composição musical em que Sinhô colaborava fora das ruidosas fronteiras da Kananga, em cujo seio foi sempre figura importante, seguindo a tradição paterna.

O lançamento e o sucesso do primeiro samba carioca provocaram encrenca feia, gerando um dos casos mais discutidos no cenário da música no Brasil. Sinhô entrava na música brigando. E nunca mais deixaria de brigar. Embora, ressalte-se, tais brigas carecessem de maior importância como elemento negativo da personalidade do compositor.

______________________________________________________________________
(1) Embora se tenha divulgado a data de 18 de setembro como do nascimento do sambista, seus parentes ainda vivos sustentam que o dia exato é 8 de setembro de 1888. (2) Falecida em 1925. (3) Informação verbal de Heitor dos Prazeres. (4) Registro n° 3.295, de 16 de dezembro de 1916. (5) Ary Vasconcelos e Mozart de Araújo afirmam que antes dc 1917 foram editadas músicas com a designação de ‘samba’. Samba roxo, p. ex. de Eduardo das Neves, traz a designação e é de 1915. (6) Muito mais tarde gravada por Altamiro Carrilho e sua Bandinha.

Fonte: "Nosso Sinhô do Samba" / Edigar de Alencar - Edição FUNARTE - Rio de Janeiro 1981.

Benício Barbosa

Benício Barbosa, cantor, iniciou a carreira artística em meados dos anos 1920. Atuou como crooner da Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. Gravou seu primeiro disco pela Odeon em 1928, cantando o samba Vem meu bem, de Lauro dos Santos e, em dueto com H. Chaves, os sambas Teus ciúmes, de Pixinguinha e Seu Mané Luiz, de Donga, e a canção Bem-te-vi, de Casemiro Rocha.

No mesmo ano, lançou os sambas Corrente no pé, de Donga; Tu queres nota, de Francisco Rocha e Quem foi que disse, de Pixinguinha e, com H. Chaves, o jongo Sai Exu, de Donga.

Ainda em 1928, gravou uma série de discos na Parlophon com a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga interpretando os sambas Mulher boêmia, de Pixinguinha e Lamartine Babo; Não te quero mal; Não te quero mais e Candomblé, de Dario Ferreira; Promessa, de Pixinguinha e Ranchinho desfeito, de Donga; a toada O boiadeiro e o samba Vem meu bem, de Paulo F. dos Santos e o cateretê O ema...o ema, de Dario Ferreira.

Em 1929, gravou na Odeon os sambas Não sou mais trouxa, de Pedro Cabral, e Esta nega qué casá, de José Napolitano Moringa. Nesse ano, gravou na Parlophon com a Simão Nacional Orquestra a marcha Sou da fuzarca, de Vantuil de Carvalho, e com a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga a marcha Onde está o meu benzinho, de Ary Kerner e Jurema, de Donga e os sambas Por causa dela, de Carlos de Medeiros; Teus olhos, de Francisco da Rocha; Mulher interesseira, de Raul Silva e Abandono, de Heitor dos Prazeres. Gravou ainda a toada Zeca Ivo, homenagem de Lamartine Babo ao compositor gaúcho Zeca Ivo e o samba Por teus carinhos, de Paulo F. dos Santos, sendo acompanhando pela Hotel Itajubá Orquestra.

Gravou com aconpanhamento da Simão Nacional Orquestra em 1930, na Parlophon, os sambas Eu quero uma coisa de você, de Américo de Carvalho; Fui culpado, de Alcebíades Barcelos, e Foi na Penha, de Edgard Wanderley e as marchas Zé Bocó, de J. Fonseca Costa; Corina, de Marques da Gama e Serei feliz, de Lolô Uerba. No ano seguinte, gravou com o violonista A . F. Conceição o fado Canção transmontana, de A . F. Conceição.

Em 1932, gravou na Columbia com acompanhamento de Conjunto Típico a rancheira Nhá Ritinha, de Henrique Vogeler, e a canção Jura de cabocla, de Cândido das Neves. Gravou vinte discos pelas gravadoras Odeon e Parlophon. Teve em 2000 sua interpretação do samba Teus olhos, de Francisco Antônio da Rocha relançado pelo selo Revivendo no CD "Músicas brasileiras - volume 6".

Discografia

(1928) Teus ciúmes / Seu Mané Luiz • Odeon • 78
(1928) Vem meu bem / Bem-te-vi • Odeon • 78
(1928) Corrente no pé / Sai Exu • Odeon • 78
(1928) Tu queres nota / Quem foi que disse • Odeon • 78
(1928) Mulher boêmia / Não te quero mal • Parlophon • 78
(1928) Promessa / Não te quero mais • Parlophon • 78
(1928) O boiadeiro / Candomblé • Parlophon • 78
(1928) Ranchinho desfeito / O ema...o ema • Parlophon • 78
(1928) Veja meu bem • Parlophon • 78
(1929) Sou da fuzarca • Parlophon • 78
(1929) Onde está o meu benzinho / Por causa dela • Parlophon • 78
(1929) Teus olhos / Abandono • Parlophon • 78
(1929) Jurema / Mulher interesseira • Parlophon • 78
(1929) Zeca Ivo / Por teus carinhos • Parlophon • 78
(1929) Não sou mais trouxa / Esta nega qué casá • Odeon • 78
(1930) Eu quero uma coisa de você / Fui culpado • Parlophon • 78
(1930) Foi na Penha / Zé Bocó • Parlophon • 78
(1930) Corina / Serei feliz • Parlophon • 78
(1931) Canção transmontana • Parlophon • 78
(1932) Nhá Ritinha / Jura de cabocla • Columbia • 78

Playlist




Candomblé (1928), Carinhoso (1928), Corrente no pé (1928), Mexeriqueiro (1928), Mulher boêmia (1928), Não diga não (1928), Não te quero mais (1928), Não te quero mal (1928), O boiadeiro (1928), O ema... o ema (1928), Promessa (1928), Quem foi que disse (1928), Ranchinho desfeito (1928), Sai Exú (1928), Seu Mané Luiz (1928), Teus ciúmes (1928), Tu queres nota (1928), Vem meu bem (1928), Bem te vi (1928), Abandono (1929), Esta nega qué casá (1929), Jurema (1929), Mulher interesseira (1929), Não sou mais trouxa (1929), Onde está o meu benzinho (1929), Por causa dela (1929), Sou da fuzarca (1929), Teus olhos (1929), Foi na Penha (1930), Zé Bocó (1930), Jura de cabocla (1932), Nhá Ritinha (1932).

Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, outubro 18, 2011

Frederico Rocha

Frederico Rocha (circa 1900), cantor e barítono, desenvolveu a carreira artística na década de 1920 na cidade do Rio de Janeiro, RJ, e, como era comum na época, apresentou-se em teatros de revistas.

Gravou os primeiros discos em 1926, com acompanhamento da Orquestra Odeon, interpretando o samba-carnavalesco Voronoff, o cateretê Genipapo, a marcha-rancho Moreninha, e o samba Olhai, todas de Eduardo Souto.

No mesmo ano, gravou a marcha-carnavalesca Mamãe, eu vou com ele!, e os maxixes A gente se defende e Carnaval à noite, de Américo Jacomino, o Canhoto, a canção Dia de espiga, de Alves Coelho, o maxixe-carnavalesco Adeus Joana, de José Luiz de Nazareth, e a marcha-carnavalesca Já quebrou, de José Luiz de Morais, o afamado Caninha, considerado um dos pioneiros do samba nos saraus das tias baianas da antiga Praça Onze.

Ainda em 1926, fez grande sucesso, tanto na festa da Penha quanto no carnaval carioca com o samba Braço de cera, composição de Nestor Brandão. Também no mesmo ano, fez sucesso sua gravação da toada Paulista de Macaé, de Pedro de Sá Pereira, música que fez parte da revista Paulista de Macaé, de Marques Porto e Luiz Peixoto apresentada no Teatro Recreio.

Em 1927, gravou com sucesso a primeira composição de Lamartine Babo, a marcha Os calças largas, incluída na revista de mesmo nome, de Lamartine Babo e Freire Júnior, e que também obteve grande êxito no carnaval daquele ano.

Em sua curta carreira fonográfica, gravou vinte músicas pela Odeon, com destaque para Os calças largas, Braço de cera, e Paulista de Macaé.

Frederico Rocha, o anjo barítono

Na segunda metade dos anos 1920, o carnaval seguia ao som de Frederico Rocha, ídolo da Mocidade Alegre junto com Pedro Celestino. Nessa mesma época surgem novos tipos. O de maior sucesso foi a menina melindrosa, a ousada de cabelos e vestidos curtos. Frederico Rocha as descreve como sendo as mulheres que amedrontavam os homens com seus vestidos e comportamento livre.

Frederico Rocha ficou famoso no teatro de revista com sua voz de cantor de ópera; ele era um barítono bifronte. Para Luís Antonio Giron: “Frederico Rocha canta ao sabor das mudanças, como que impelido à praia do futuro por uma onda gigantesca de mudança, cantando virado para o alto-mar do passado”.

A Voz Popular com Frederico Rocha traz as canções O mundo é uma roleta, Moreninha e Mamãe, eu vou com ele.

Discografia

(1926) Voronoff • Odeon • 78
(1926) Genipapo • Odeon • 78
(1926) Moreninha • Odeon • 78
(1926) Olhai • Odeon • 78
(1926) Braço de cera • Odeon • 78
(1927) Os calças largas • Odeon • 78

Playlist




A gente se defende, Adeus Joana, Braço de cera, Carnaval à noite, Dia da espiga, És a minha assombração, Já quebrou, Mamãe eu vou com ele, Moreninha, Mulher de cueca, O mundo é uma roleta, Olhai, Paulista de Macaé, Saruê (todos de 1926).

Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Cultura Brasil.

sábado, outubro 15, 2011

Amante profissional

Amante profissional (1985) - Roberto Ley - Intérprete: Herva Doce

Tom: D  

Intro: ║ D : G : A : G ║

D 
Alô? 
G         A 
Alô, quem é que tá falando? 
G          
É o amante profissional 
D              RIFF1 
Como é que você é, hein? 

RIFF1

e║------------------║
B║------------------║
G║------------------║
D║------------------║
A║----2--3----------║
E║----------2--3----║


G             A 
Moreno alto,    bonito e sensual 
D               G 
Talvez eu seja a solução do seu problema 
A            G       A     D  RIFF1
Carinhoso,    bom nível social 
G           A 
Inteligente    e à disposição 
D               G 
Para um relacionamento íntimo e discreto 
A         G      A      D 
Realize    seu sonho sexual 

Bm               G 
Pra qualquer tipo de transação 
Bm             A 
Sem compromisso emocional só financeiro 
Bm           G 
E o endereço pra comunicação 
F#m       G          A        D 
Prá caixa postal do amante profissional 

         : D 
Refrão:  : Amor sem preconceito 
 (2X)    : G            A 
         : Sigilo total, sexo total 
         : G      A          D 
         : Amante profissional

Marcelo Bonfá


Marcelo Bonfá ou Bonfá (Marcelo Augusto Bonfá), baterista, nasceu em Itapira, SP, em 30/01/1965. Filho de um funcionário do Banco do Brasil, Marcelo passou a infância no interior paulista até 1977 quando foi morar em Brasília.

Tocou em outras bandas como Blitz 64 e Dado e o Reino Animal antes de formar a Legião Urbana junto com Renato Russo em 1981.

No ano de 2000 Marcelo Bonfá lançou seu primeiro trabalho solo, O Barco Além do Sol, pela gravadora Trama, tendo vendagem superior a 30.000 cópias.

Em 2004 lançou o seu segundo trabalho solo intitulado Bonfá + Videotracks distribuído pela EMI.

O último álbum solo se chama Mobile e foi lançado em 2007 no formato digital. Em todos seus discos solos, Bonfá contou com a parceria do letrista Gian Fabra.

Tem um filho, João Pedro Bonfá (nascido em 1988), também músico, fruto de seu relacionamento com a atriz Isabela Garcia.

Discografia


Solo

2000 O Barco Além do Sol
2004 Bonfá + Videotracks
2007 Mobile (Marcelo Bonfá)

Com a Legião Urbana

1985 Legião Urbana
1986 Dois
1987 Que País é Este
1989 As Quatro Estações
1991 V
1992 Música Para Acampamentos
1993 O Descobrimento do Brasil
1996 A Tempestade ou O Livro dos Dias
1997 Uma Outra Estação
1998 Mais do Mesmo
1999 Acústico MTV
2001 Como é Que Se Diz Eu Te Amo
2004 As Quatro Estações Ao Vivo

Fonte: Wikipédia.

Renato Russo


Renato Russo (Renato Manfredini Júnior), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 27/03/1960, e faleceu na mesma cidade, em 11/10/1996. Adotou o nome artístico de "Renato Russo" como homenagem ao filósofo inflês Bertrand Russel, ao pintor francês Henri Rousseau e ao filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau.

Filho do economista Renato Manfredini, funcionário do Banco do Brasil e de Dona Maria do Carmo, professora de inglês, aprendeu esse idioma desde pequeno, quando morou, dos 7 aos 10 anos, em Nova York. Nova transferêcia do pai levou o menino, já com 13 anos, a Brasília que tanto marcou sua música. Renato teve uma infância e adolescência de classe média alta, típica do pessoal das bandas de Brasília. Entre os 15 e os 17 anos enfrentou várias operações e viveu entre a cama e a cadeira de rodas, combatendo uma doença óssea rara chamada epifisiólise.

Em 78, inspirado pelo Sex Pistols, Renato formou o Aborto Elétrico, que no vai e vem de integrantes, contou com participações de Fê e Flavio Lemos (depois do Capital Inicial), Ico Ouro Preto e André Pretorius. Em 82 abandonou o Aborto Elétrico e passou a fazer trabalhos solos. Neste período ficou conhecido como "O Trovador Solitário". Quando a lendária "cena de Brasília" já era uma força underground reconhecida, Renato Russo formou a Legião Urbana com Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e Paulo Paulista. Um ano depois, Paraná e Paulista deixavam a banda e entrava Dado Villa-Lobos.

Quando Renato Rocha se juntou a banda em 84, a Legião Urbana já havia se apresentado diversas vezes em Brasília, notadamente nos célebres shows no Circo Voador, no Rio de Janeiro e no Napalm, em São Paulo. O sucesso de seus shows levou rapidamente a um contrato com a EMI-Odeon. No primeiro dia do ano seguinte saiu o primeiro álbum, Legião Urbana, que emplacou os hits Geração Coca-ColaAinda é cedo e Será.

Com seus refrões poderosos e letras que falavam de inseguranças emocionais e do niilismo da geração crescida durante o regime militar, a Legião Urbana bateu fundo nos anseios dos jovens brasileiros. A receita foi aperfeiçoada no álbum seguinte, Dois, melhor tocado, melhor gravado e mais elaborado. Sucessos como Eduardo e Mônica e Quase sem querer falavam uma língua que qualquer jovem urbano brasileiro dos anos 80 podia entender e se identificar.

Dois consolidou Renato Russo como um dos maiores popstars do país. Já na turnê desse segundo disco, começou a aparecer o Renato Russo estrela: seus shows incluíam discursos pregadores (o adjetivo "messiânico" aparecia em nove entre dez matérias sobre o grupo) e um alto consumo de drogas e álcool.

Em 1987 sai terceiro álbum, Que País É Este, gerando hits como Faroeste caboclo, e mais uma turnê nacional abarrotada. Em 89, sai As Quatro Estações que inaugura a fase mais madura da banda, tanto no som, menos pop, como nas letras, abordando assuntos como AIDS e homossexualismo. Em Meninos e meninas, Renato sugere bissexualidade. Logo depois, numa história entrevista à revista Bizz, Renato confirmava o fato.

V, lançado em 91, veio carregado de uma tristeza que refletia a instabilidade emocional-psicológica vivida por Renato. A turnê que se seguiu teve que ser interrompida devido ao seu precário estado de saúde.

O Descobrimento do Brasil, de 93, acabou sendo o último disco da banda (A Tempestade, é um disco solo de Renato com participações de Dado e Bonfá). A partir de Descobrimento, Renato deu vazão a seus projetos solo e lançou The Stonewall Celebration Concert e Equilíbrio Distante.

O primeiro, cantado em inglês, foi homenagem ao grande amor de sua vida que morreu de overdose. Renato faz então seu disco mais militante ao som o orgulho de ser gay, ao som de covers da Broadway e Madonna. Stonewall é o nome de um bar nova-iorquino onde, num célebre acontecimento em 69, gays se rebelaram contra a ação política. Equilíbrio Distante traz Renato interpretando canções de música italiana, uma das manias recentes do cantor.

Renato era HIV positivo desde 1990, mas nunca assumiu publicamente a doença. Desde a época de Descobrimento do Brasil, Renato andava recluso e arredio e evitava a imprensa. As suspeitas se comprovaram em 11 de outubro de 1996 com sua morte por broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária - consequências da AIDS -, pesando só 45 quilos.

Fontes: Casa do Bruxo; Pais e Filhos; Wikipedia.

Dado Villa-Lobos


Dado Villa-Lobos (Eduardo Dutra Villa-Lobos), instrumentista e compositor, nasceu em Bruxelas, Bélgica, no dia 29 de junho de 1965. É sobrinho-neto do compositor Heitor Villa-Lobos. Assumiu a guitarra da Legião Urbana em 1983. Antes tocou na banda Dado e o Reino Animal até substituir Ico Ouro-Preto, às vésperas da gravação do primeiro LP da Legião.

É o responsável pela produção dos últimos discos da Legião: A tempestade (ou O Livro dos Dias) , Uma outra estação e Como é que se diz eu te amo.

Em 1993, lançou junto com André Mueller (Plebe Rude) a gravadora independente Rock it!, que trabalhou com Toni Platão, Humberto Effe, Dinho Ouro Preto, Los Hermanos e Fausto Fawcett.

É autor das trilhas sonoras dos filmes O Homem do Ano (de José Henrique Fonseca), Bufo & Spallanzani (de Flávio Tambellini) - pela qual recebeu o prêmio de melhor trilha sonora no Festival do Cinema Brasileiro, em Miami - e Pro Dia Nascer Feliz (de João Jardim) - também vencedor do Kikito de Melhor Trilha Sonora no Festival de Gramado de 2006.

Em 2006, lançou seu primeiro disco solo, Jardim de Cactus ao Vivo, no projeto “MTV Apresenta”.

Fontes: Cliquemusic; Wikipedia

sexta-feira, outubro 14, 2011

Ismael Neto

Ismael e seu irmão Severino.
Ismael Neto (Ismael de Araújo Silva Netto), cantor, instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em Belém, PA, em 07/12/1925, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 31/01/1956. Era irmão de Severino Filho e Hortênsia Silva.

Foi o criador do conjunto Os Cariocas, grupo vocal de grande popularidade e que teve intensa atuação na época da bossa nova. Seus arranjos vocais, a quatro e cinco vozes, fizeram o diferencial do conjunto em relação a seus antecessores, que cantavam a três vozes.

Segundo Ruy Castro, em seu livro "Chega de Saudade", "a importância de Ismael para a música popular brasileira, como harmonizador, ainda está por ser conhecida, mas, em seu tempo, ele era um prodígio" (p. 91).

Destacou-se como compositor de clássicos do repertório da MPB, como Valsa de uma cidade (com Antônio Maria), de 1954, em homenagem à cidade do Rio de Janeiro, e O último beijo (com Nestor de Holanda).

Faleceu aos 30 anos de idade, em 31 de janeiro de 1956, sendo substituído no grupo Os Cariocas por sua irmã, Hortênsia Silva.

A primeira formação de Os Cariocas, era um quinteto. Contava com Ismael, seu irmão, Severino Filho, Emmanoel Furtado, mais conhecido por Badeco, Waldir Viviani e Jorge Quartarone, mais conhecido por Quartera.

Com o inesperado e precoce desaparecimento de Ismael, tiveram que se reorganizar: Severino Filho, seu irmão, assumiu a condição de arranjador e líder musical, e, aproveitando o fato de que Ismael fazia a primeira voz em falsete, que é a imitação da voz feminina, convocou Hortênsia Silva, irmã de ambos, que também era dotada de grande talento. Mas, Hortênsia resolveu deixar o grupo em fins de 1959.

Obras

Afinal (c/ Luís Bittencourt), Baile na roça, Canção da volta (c/ Antônio Maria), Marca na parede (c/ Mário Facini), O último beijo (c/ Nestor de Holanda), Valsa de uma cidade (c/ Antônio Maria)

Bibliografia Crítica

CASTRO, Ruy. Chega de saudade. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. SEVERIANO, Jairo e HOMEM DE MELLO, Zuza. A canção no tempo vol. 1. São Paulo: Editora 34, 1998.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Rádio USP - FM 93,7 - Olhar Brasileiro.

Araken Peixoto

Araken Peixoto (Araquén Peixoto Barros), pistonista, nasceu em 10/10/1930, em Niterói, RJ, e faleceu em 20/2/2008, no Rio de Janeiro, RJ. Irmão do cantor Cauby Peixoto e do pianista Moacir Peixoto. Sobrinho do grande pianista Nonô e primo do falecido cantor Ciro Monteiro.

Aos 16 anos, recebeu orientação musical de um professor integrante da Orquestra Sinfônica Nacional. Aos 18 anos, ingressou no serviço militar obrigatório, integrando a Banda do Exército.

Sua carreira esteve sempre associada às casas noturnas, principalmente paulistas, onde firmou prestígio como músico. Gravou, em 1957, com seus irmãos, um LP intitulado Quando os Peixotos se encontram. Tocou no Captain's Bar, do Hotel Comodoro, em 1958; no Hotel Claridge, de 1959 a 1960, e no Rio, Au Bon Gourmet, em 1960.

Em 1962, passou a atuar na Boate Drink, no Rio de Janeiro, casa que alugou junto com Moacir e Cauby. Gravou seu primeiro LP em 1963, intitulado Drink. Em 1968, atuava no restaurante paulistano A Baiúca. Em 1973 foi relançado o LP Quando os Peixotos se encontram.

Faleceu em sua casa no bairro carioca de Copacabana, em 20/2/2008, vítima de diabetes.

Discografia

(1957) Quando os Peixotos se encontram • RGE • LP; (1989) Quando os Peixotos se encontram • RGE • LP; (1996) Um pistão dentro da noite-vol. 1 • Eldorado • CD; (1997) Um pistão dentro da noite-vol. 2 • Eldorado • CD.

Bibliografia Crítica

MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, outubro 11, 2011

Almira Castilho

Almira Castilho (Almira Castilho Figueiredo), cantora, compositora e radioatriz, nasceu em 24/8/1924, em Olinda, PE, e faleceu em 26/2/2011, em Recife, PE. Quando, em 1954, aceitou um convite para participar do coro da música Sebastiana, que seria cantada por Jackson do Pandeiro, não imaginou o quanto aquilo iria afetar sua vida.

Natural de Olinda, a ex-professora iniciaria uma promissora carreira na Rádio Jornal do Commercio como rumbeira e radioatriz. Morena bonita, alta, corpo violão, olhos claros, descendente de espanhóis, dificilmente se poderia pensar que ela se enamorasse de Jackson do Pandeiro, um paraibano, baixinho, de físico mirrado, feio por qualquer padrão de beleza a que fosse comparado. E mais: nem era ainda famoso, estava contratado pela rádio como simples pandeirista.

Porém, assim como era exímio intérprete de frevos, cocos, xotes e o que mais viesse, o paraibano era também bom de papo e, logo, ele e Almira Castilho não apenas namoravam como começaram uma das mais famosas duplas da música brasileira. Uma parceria que durou 12 anos e foi responsável por uma série invejável de sucessos que até hoje ecoam pelo Brasil afora: 1x1, A mulher do Aníbal, Forró em Limoeiro, dentre muitos outros.

Naquele mesmo ano a dupla começou a fazer apresentações. Quando viajavam ficavam em quartos separados, "Eu ainda era virgem", faz questão de ressaltar Almira, garantindo que Jackson do Pandeiro só dormiu na mesma cama em que ela depois de casados", brinca e relembra o cuidado que Jackson do Pandeiro dedicava à noiva, numa viagem que fizeram ao interior, para um show em uma vaquejada.

"Depois da apresentação nós fomos para o hotel. Quando me preparo pra dormir, avistei uma barata enorme e soltei aquele grito. Em um segundo, Jackson estava batendo na minha porta, abro e lá está ele com a maior peixeira na mão."

Recife era então a terceira maior cidade do país, e com um dos maiores conglomerados de comunicação do Brasil, comandado pelo senador F. Pessoa de Queiroz, que reunia dois jornais, uma TV e várias emissoras de rádio. Isto implicava que o artista que fazia sucesso aqui tinha fama espalhada por diversas regiões da federação. Dava para inclusive viver da profissão sem deixar o Recife.

Foi exatamente a fama da dupla que fez com Almira Castilho e Jackson do Pandeiro fossem obrigados emigrar para o Rio.

Jackson, Almira e o conjunto que os acompanhavam foram contratados para animar uma festa nos jardins da mansão do presidente do Náutico, Eládio Barros de Carvalho. O episódio que aconteceu naquela noite ficou meio lendário, e muita gente teima que aconteceu na sede do Clube Náutico.

Os rapazes vidrados na dança de Almira Castilho, que usava por baixo da saia rodada, uma espécie de perneira, exigência do marido. Enquanto Jackson do Pandeiro desfiava seus sucessos, Almira dançava e os rapazes, aditivados por scotch e lança-perfume começaram a pegar nos tornozelos dela. Jackson do Pandeiro, enciumado, pediu para a mulher maneirar mais no rebolado e afastar-se dos "playboys".

Mas não adiantou muito. O assédio continuou e de repente era como se o Forró em Limoeiro virasse um Forró nos Aflitos. De repente, Jackson do Pandeiro e seu conjunto distribuíam pernadas entre o distinto público, mas estavam inferiorizados em número. Agredidos a pontapés, socos, cadeiradas eles foram obrigados a bater em retirada. Almira Castilho recorda que ela e o Jackson escaparam do linchamento saltando o muro da mansão: "Quando chegamos do outro lado foi que notei que um dos olhos dele estava fora do globo ocular, pendurado."

O caso foi muito comentado na cidade mas discretamente abordado pela imprensa. Afinal, pela ótica conservadora de então, os agredidos tinham sido dois simples artistas de rádio, enquanto os demais envolvidos era a fina flor da high society pernambucana. De vítima a dupla passou a vilã.

Não houve nenhuma solidariedade vinda dos patrões de Almira Castilho e Jackson do Pandeiro. Os dois decidiram então rescindir contrato com a rádio, o que para o senador Pessoa de Queiroz foi tomado quase como uma afronta pessoal. Ele acabou liberando o casal, mas os discos deles durante muito tempo entraram no index da emissora, que ignorou os sucessos de Jackson do Pandeiro e Almira mesmo quando eles viraram ídolos nacionais.

Almira Castilho e Jackson do Pandeiro
Jackson do Pandeiro e Almira Castilho mudaram-se para o Rio e foram trabalhar na rádio Nacional. Com o grupo "Os Borboremas", criado em 1958, ele lançou sucessos como Chiclete com banana e O canto da ema. Chegaram a ser recordista de venda nas décadas de 50 e 60 e participou de vários filmes da Atlântida.

Uma das principais recordações de Almira Castilho em relação a Jackson do Padeiro é o ciúme: "Quando morávamos no Rio, ele nunca me deixou tomar banho de mar em Copacabana, porque não queria que eu colocasse maiô. A única vez que permitiu foi em um passeio de barco no Amazonas, onde estávamos fazendo show, mas biquíni nem pensar".

Almira ensinou o marido a ler e a escrever. Era o eixo dele em termos profissionais e emocionais. Era também empresária e tesoureira, e enquanto isso ele ficava livre para só pensar em música.

Almira Castilho e Jackson do Pandeiro separaram-se em 1967, após 12 anos de união. Com o fim do casamento, a dupla se desfez. Fizeram uma dupla de sucesso, ele cantando e ela dançando ao seu lado, tendo participado de dezenas de filmes nacionais. A paixão por Almira era tão grande que Jackson chegou a colocar várias músicas no nome dela. Em seguida, Jackson casou-se com a baiana Neuza Flores dos Anjos, de quem também se separou pouco antes de falecer.

O autor da biografia de Jackson Pandeiro, Fernando Moura, conta que existem mais de 30 composições atribuídas a Almira Castilho, algumas feitas depois do fim do casamento com Jackson. Embora ela não tenha continuado com a mesma projeção que tinha ao lado dele, a separação não interrompeu a carreira de Almira como cantora, comediante e dançarina, que morou muito tempo na Europa e que depois residiu no Recife.

Sobre a música Chiclete com Banana, Fernando Moura perguntou a Almira da parceria. Ela confirmou e até narrou o encontro. Gordurinha chegou com a melodia e a letra já esboçadas. Jackson ficou à parte e eles finalizaram a obra.

Por outro lado, ainda segundo Fernando Moura, Neusa, a segunda mulher de Jackson, diz que o compositor costumava registrar músicas no nome de parentes como um legado para garantir uma renda futura ao beneficiado. As de Neusa, que admite não entender nada de música, foram as composições com autoria atribuída a um tal de Mascote.

Outro aspecto que levava Jackson a "diversificar" a autoria das composições era a falta de confiança no sistema arrecadador das sociedades de autores. É por isso que ele tem obras registradas com o nome artístico e outras como José Gomes - em sociedades diferentes.

No cinema, Almira Castilho participou dos filmes Bom Mesmo É Carnaval (1962), Aí Vem a Alegria (1960), O Viúvo Alegre (1960), Pequeno por Fora (1960), Minha Sogra É da Polícia (1958), O Batedor de Carteiras (1958), Cala a Boca, Etelvina (1960) e Rio à Noite (1962).

Almira faleceu enquanto dormia, aos 87 anos, na cidade de Recife, na madrugada de 26/2/2011. Sofria do mal de Alzheimer há dois anos.

Fonte: Enciclopédia Nordeste - Almira Castilho.

domingo, outubro 09, 2011

Nilton César

Nilton César (Nilton Guimarães), cantor e compositor, nasceu no triângulo mineiro, na cidade de Ituiutaba, em 1939. Aos 17 anos saiu da terra natal em busca de seu grande ideal: ser cantor. Ainda como estudante nos idos de 1960, no Rio de Janeiro, dividia esse ideal entre os livros e a música. Participou em programas de calouros, como o programa do Airton Perlingero sempre obtendo bons resultados.

Em 1961, sugestionado por uns amigos estudantes, foi tentar a carreira no meio artístico de São Paulo. Na capital paulista encontrou um amigo acordeonista chamado de Carlinhos Mafazolli que através de uma carta de apresentação para o maestro Pôtcho (Rubens Perez), um dos diretores da RGE, assinou um contrato com essa gravadora. A RGE precisava de um cantor para concorrer no mercado musical com Anísio Silva que era o grande sucesso da época em vendagens.

Gravou seu primeiro disco 78 rpm, pela RGE, com duas músicas: uma das quais se intitulava Amor da Minha Vida, composição de Murilo Caldas, irmão do Sílvio Caldas. O segundo disco 78 rpm  gravou  com a música Eu nasci para te amar ( Fernando Dias).

Tranferindo-se para gravadora Continental, gravou seu 1º compacto simples em 33 rpm, sendo uma das músicas a guarânia Eu choro por gostar de alguém (Nilton Cesar e Fernando Dias), abrindo-lhe as portas para o meio musical.

Ainda na Continental, gravou vários lps, agora em 33 rpm, onde ficou conhecido nacionalmente com as músicas Casa vazia e Se é o destino. Alcançou sucesso Nacional, com a música Professor apaixonado, de autoria de Jair Gonçalves.

Em 1968 mudou-se para a RCA Victor onde ficou 17 anos.

Na RCA sob a coordenação musical de Osmar Navarro, alcançou seu maior sucesso nacional em vendagens com a música A namorada que sonhei (Osmar Navarro), ficando conhecido internacionalmente, abrindo-lhe as portas, principalmente, para Portugal, Canadá e Estados Unidos.

Gravou ainda seis lps em espanhol e na década de 1960/70 teve a música de Osmar Navarro Lenita em primeiro lugar nas paradas da Argentina em português desbancando Roberto Carlos que cantava no idioma espanhol.

Ganhou vários troféus "Chico Viola" que atualmente corresponde ao Disco de Ouro.

Fontes: http://fa-clube-nilton-cesar.vilabol.uol.com.br/bio.htm; Wikipédia.

A namorada que sonhei

Nilton César
A namorada que sonhei (canção) - Osmar Navarro - Interpretação de Nilton César



       Introdução: ( E ) 
 
  E 
 Receba as flores que lhe dou 
                          G#m 
 E em cada flor um beijo meu 
 A                           E 
  São flores lindas que lhe dou 
                       F#7 
 Rosas vermelhas com amor 
                       B7 
 Amor que por você nasceu 
      E 
 Que seja assim, por toda vida 
                        G#m 
 E a Deus, mais nada pedirei 
 A                     E 
  Querida, mil vezes querida 
           F#7 
 Deusa na terra nascida 
 B7                   E   E7 
   A namorada que sonhei 
     A         Am           G#m 
 No dia consagrado aos namorados 
     C#m       F#m 
 Sairemos abraçados 
 B7            E   E7 
 Por aí a passear 
     A        Am            G#m 
 Um dia no futuro, então casados 
       C#m 
 Mas eternos namorados 
         F#7                     B7 
 Flores lindas eu ainda vou lhe dar 
 
  Solo: E  G#m  A  E  F#7  B7 
 
      E 
 Que seja assim, por toda vida 
                        G#m 
 E a Deus, mais nada pedirei 
 A                     E 
  Querida, mil vezes querida 
           F#7 
 Deusa na terra nascida 
 B7               E  G#m  F#m 
  A namorada que sonhei 
 B7               E  G#m  F#m 
  A namorada que sonhei 
 B7               E  G#m  F#m 
  A namorada que sonhei 
 B7 
  A namorada... 

sábado, outubro 08, 2011

Osmar Navarro

Osmar Navarro (Osmar Daumerie), compositor e cantor, nasceu em 19/11/1930, na cidade do Rio de Janeiro, RJ. Em 1956 estreou em discos no pequeno selo Lord, gravando em dueto com Celita Martins o samba canção Dó-ré-mi-fá-sol-lá-si, de Fernando César e Roland de Oliveira.

Em 1959 gravou pela Polydor interpretando os sambas-canção Imaginemos, de Alvarenga e Ranchinho e Candidato a triste, de Paulo Tito e Ricardo Galeno.

No mesmo ano gravou de sua autoria e Oldemar Magalhães o bolero mambo Quem é?, que se tornaria seu maior sucesso, sendo regravado no mesmo ano pelo Trio Nagô, pelos Vocalistas Modernos, por Roberto Amaral e por Hebe Camargo.  Em 1960 gravou de sua autoria a balada Vi e de Célio Ferreira e Oldemar Magalhães o samba Eterno motivo.

No ano seguinte passou a gravar na Chantecler, estreando com os sambas Maestro coração, de Célio Ferreira e Oldemar Magalhães e Amor de carnaval, de sua autoria e Alcina Maria.

Em 1962 estreou na Odeon gravando as músicas Quero e Lenita, de sua parceria com Alcina Maria. Em 1963 gravou na CBS de sua autoria e Alcina Maria, a Balada da esposa. Como compositor teve ainda gravadas entre outras, o bolero Quando estás a meu lado, parceria com Oldemar Magalhães, por Jair Alves e a balada Teu nome, parceria com Ribamar, ambas pela RCA Victor.

Em 1968 o cantor Antônio Marcos defendeu no Festival da Record a composição Poema de mim, de autoria dos dois.

Obras

Amor de carnaval (c/ Alcina Maria), Balada da esposa (c/ Alcina Maria), Conte até dez, Creia, Lenita (c/ Alcina Maria), Nós dois e o mar (c/ Alcina Maria), O negócio é baião (c/ Alcina Maria), Os cabelos de Maria (c/ Ari Monteiro), Poema de mim (c/ Antônio Marcos), Prelúdio à volta, Quando estás a meu lado (c/ Alcina Maria), Quem é? (c/ Oldemar Magalhães), Quero (c/ Alcina Maria), Silêncio triste, Tá faltando coisa (c/ Alcina Maria), Teu nome (c/ Ribamar), Vi.

Discografia

(sem data) Sonhando contigo / Os cabelos de Maria • Repertório • 78; (1959) Imaginemos / Candidato a triste • Polydor • 78; (1959) Quem é? / Encontrei-te afinal • Polydor • 78; (1959) Quem é? / Um chorinho diferente • Polydor • 78; (1959) Quem é? • Polydor • LP; (1960) Vi / Eterno motivo • Polydor • 78; (1961) Osmar Navarro e vocês • Chantecler • LP; (1961) Maestro coração / Amor de carnaval • Chantecler • 78; (1962) Quero / Lenita • Odeon • 78; (1962) Nós dois e o mar / Ao nascer do sol • Odeon • 78; (1962) Alguém sonhou / Manhã de cinzas • Odeon • 78; (1962) Nós e Osmar • Polydor • LP; (1963) Balada da esposa / Eu voltei a te amar • CBS • 78.

Fonte: Dicionário Cravo da Albin da Mpb.

Homero Ferreira


Homero Ferreira, compositor, nasceu em 1929, no Rio de Janeiro, RJ. De família de músicos, irmão dos compositores Glauco, Renato e Ivan Ferreira, aprendeu a tocar violão ainda criança e desde jovem participava de serestas. Foi bancário por mais de trinta anos, profissão na qual se aposentou.

Quando bancário trabalhava perto da Rádio Mayrink Veiga o que acabou ajudando a enturmá-lo com nomes da música que atuavam naquela Rádio. Sua primeira composição gravada foi a marcha O que foi que eu fiz, parceria com os irmãos Renato Ferreira e Ivan Ferreira e lançada em 1952 pela gravadora Carnaval na voz de Geraldo Alves. Na mesma época o comediante Castrinho gravou também pela Carnaval a Marcha do patati-patatá, com Renato Ferreira e Ivan Ferreira.

Em 1960, obteve seu maior êxito como compositor com a marcha Me dá um dinheiro aí, parceria com os irmãos Glauco e Ivan. A idéia da música surgiu a partir do bordão "me dá um dinheiro aí" de um dos quadros escritos pelo irmão Glauco para o programa "A praça da alegria" da TV Rio. O outro irmão Ivan sugeriu que fizessem uma música a partir do bordão. E foi o que fizeram. A marcha foi gravada inicialmente pelo cantor Moacyr Franco, que fazia o papel do mendigo no referido programa, em disco lançado pela gravadora Copacabana em 1959.

Praticamente na mesma época foi feita uma segunda gravação em ritmo de tango por Aloísio e seus teclados. No entanto, antes mesmo do disco chegar às lojas, a marcha tornou-se um sucesso ao ser cantada no programa "A praça da alegria" por Moacyr Franco que dizia o bordão "me dá um dinheiro aí". Essa marcha tornou-se o maior sucesso do carnaval do ano de 1960 e um dos maiores clássicos do carnaval, sendo repetida ano após ano pelos foliões. Ainda em 1960, essa marcha seria regravada pela Lira de Xopotó em disco Sinter, e por Altamiro Carrilho e Sua Bandinha no LP "Parada de sucessos", em disco lançado pela Copacabana.

Também em 1960, o calipso-rock Rock do mendigo, com Ivan e Sérgio Ferreira foi gravado por Moacyr Franco, com sucesso, e o samba Colher de chá, com Ivan Ferreira e Renato Ferreira, foi lançado por Mara Silva, enquanto a marcha Velho bossa nova, também parceria com os irmãos Ivan e Renato foi registrada na gravadora copacabana por Moacyr Franco.

Em 1962, teve o samba-canção O culpado fui eu, com Renato e Ivan Ferreira gravado por Gilberto Alves. Nesse ano, Me dá um dinheiro aí foi gravado na forma de dobrado pela Banda do 14º Regimento de Infantaria do Recife em disco Mocambo.

Em 1963, fez com os irmãos Glauco e Renato a marcha Juba de leão, gravada por Tutuca na Copacabana. Em 1965, fez algum sucesso no carnaval com a marcha Me paga um óleo aí, com Glauco Ferreira, e interpretada por Noel Carlos.

Na década de 1970, a marcha Me dá um dinheiro aí foi regravado por Elizeth Cardoso no LP Elizeth no Bola Preta. Em 1975, Angela Maria registrou pela gravadora Copacabana o samba-canção Pra que ficar, com Jorge Costa. Em 1984, a marcha Me dá um dinheiro aí seria regravada por Beth Carvalho no LP Coração feliz, da RCA Victor.

Em 2004, foi convidado especial do conjunto Abrindo o Berreiro e apresentou-se no Bar dos Chico´s contando histórias do Carnaval. Em 2006, foi o grande vencedor do concurso de marchinhas carnavalescas promovido pela Fundição Progresso com a marcha Tá, tá muito bom, parceria com Chiquinho, um velho companheiro de boemia já falecido. A composição, feita há alguns anos e inscrita no concurso juntamente com mais 601 concorrentes ficou também conhecida como Marcha do viagra.

Em 2010, voltou a concorrer no concurso de marchinhas carnavalescas da Fundição Progresso inscrevendo duas marchas: Rio é campeão e Garota popozuda.

Obras

Cara feia, Colher de chá (c/ Ivan Ferreira e Renato Ferreira), Garota popozuda, Juba de leão (c/ Glauco Ferreira e Renato Ferreira), Marcha do patati-patatá (c/ Renato Ferreira e Ivan Ferreira), Me dá um dinheiro aí (c/ Glauco Ferreira e Ivan Ferreira), Me paga um óleo aí (c/ Glauco Ferreira), O culpado fui eu (c/ Renato Ferreira e Ivan Ferreira), O que foi que eu fiz (c/ Renato Ferreira e Ivan Ferreira), Pra que ficar (c/ Jorge Costa), Rio é campeão, Rock do mendigo (c/ Ivan e Sérgio Ferreira), Tá, tá muito bom (c/ Chiquinho), Velho bossa nova (c/ Glauco Ferreira e Ivan Ferreira).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Mpb.

Enzo de Almeida Passos

Enzo de Almeida Passos (Circa 1930 São Paulo), radialista e compositor, apresentou na Rádio Bandeirantes, na segunda metade da década de 1950, o programa "Telefone pedindo bis". Em 1958, abriu os caminhos da música popular para o cantor Sérgio Reis, que então usava o nome de Johnny Jonson, ao apresentá-lo aos executivos da gravadora Chantecler. 

Em 1960, entrou como parceiro de Adelino Moreira naquele que seria um dos mais famosos sambas-canção da música popular brasileira, Negue, composição lançada por Carlos Augusto na Odeon.

Essa música foi regravada por vários cantores de diferentes épocas e estilos como Cauby Peixoto, Agostinho dos Santos, Joanna, Elymar Santos, Nelson Gonçalves, Pery Ribeiro, Ângela Maria, Carlos Nobre e Maria Bethânia. Ainda no mesmo ano, foi parceiro de Olegário Mazzer na guarânia Nunca me abandones gravada por Osvaldo Cruz pela Copacabana.

Teve gravado por Agostinho dos Santos em 1961, o samba-canção Negue, no LP Agostinho canta sucessos. Ainda no início dos anos 1960, seu programa alcançava grande audiência e certa vez para comemorar o aniversário do referido programa alugou o Cine Piratininga, no bairro paulista do Braz onde realizou grande show com as presenças de Sérgio Murilo, Tony Campello, Celi Campello, Ronnie Cord, Carlos Gonzaga, e o ainda iniciante Roberto Carlos. Por essa época apresentava o programa "Festival dos brotos" na Rádio Bandeirantes.

Em 1963, fez a declamação na música Amor mais puro, de autoria de Palmeira, dedicada ao Dia das Mães, gravada pelo cantor Francisco Petrônio e que permaneceu em catálogo por vários anos.

Em 1969, dirigiu na TV Bandeirantes o programa interativo "Telefone pedindo bis". Em 1977, produziu pela GTA o LP A grande parada Enzo de Almeida Passos que incluiu nomes como Belchior, Maria Creusa, Fafá de Belém, Ronnie Von, Ivan Lins, Luiz Ayrão, e Wando. Ainda na década de 1970, assinou com Waldick Soriano a canção Louca, gravada por Claudia Barroso.

Em 1983, o samba-canção Negue foi gravado em forma de rock pelo conjunto Camisa de Vênus.

Sua atuação se deu mais no campo da radiofonia e da televisão, embora tivesse entrado para  a história da MPB como co-autor do clássico samba-canção Negue, embora o mais provável é que essa sua parceria tenha se dado mais como parte da divulgação da música. Apresentou programas de sucesso em São Paulo nas décadas de 1950, 1960 e 1970, e foi homenageado como nome de uma rua na região de Atibaia em São Paulo.

Fonte: Dicionário cravo Albin da Mpb.