domingo, junho 19, 2011

Sorte tem quem acredita nela

Sorte tem quem acredita nela (1977) - Fernando Mendes

Intro: G C G D7

       C
Não adianta um pé de coelho
             G
No bolso traseiro
    C
Nem mesmo a tal ferradura
                   G
Suspensa atrás da porta
          C
Ou um astral bem maior que
                    G     Em
o da noite passada,
           D7   C
Pois toda sorte tem quem
    G  
Acredita nela
          C
Não é preciso dizer  
                G  
Que dará recompensa
    C
Não faça isso há muitos que 
           G
Gostam de criticar
   C
Esperam a sorte sentados sem sair
      G  Em
Do lugar
           D7   C
Mas toda sorte tem quem
    G  
Acredita nela

-Refrão-
       C
Não adianta ir a igreja rezar 
  D7          Bm  Em
E fazer tudo errado
   Am                  D7
Você quer a frente das coisas
            G   G7      
Olhando de lado
  C                    D7
O céu que te cobre não cobra
           Bm Em 
A luz da manhã
   Am                  D7 
Desperte pra vida, acredite,
            G   Introd. 
A sorte é irmã

Refavela

Refavela (1977) - Gilberto Gil

Iaiá, kiriê
Kiriê, iaiá

A refavela / Revela aquela
Que desce o morro e vem transar
O ambiente / Efervescente
De uma cidade a cintilar

A refavela / Revela o salto
Que o preto pobre tenta dar
Quando se arranca / Do seu barraco
Prum bloco do BNH

A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó

A refavela / Revela a escola
De samba paradoxal / Brasileirinho
Pelo sotaque
Mas de língua internacional

A refavela / Revela o passo
Com que caminha a geração
Do black jovem / Do black-Rio
Da nova dança no salão

Iaiá, kiriê
Kiriê, iaiá

A refavela / Revela o choque
Entre a favela-inferno e o céu
Baby-blue-rock / Sobre a cabeça
De um povo-chocolate-e-mel

A refavela / Revela o sonho
De minha alma, meu coração
De minha gente / Minha semente
Preta Maria, Zé, João

A refavela, a refavela, ó
Como é tão bela, como é tão bela, ó

A refavela / Alegoria
Elegia, alegria e dor
Rico brinquedo / De samba-enredo
Sobre medo, segredo e amor

A refavela / Batuque puro
De samba duro de marfim
Marfim da costa / De uma Nigéria
Miséria, roupa de cetim

Iaiá, kiriê
Kiriê, iáiá.


Perdoa

Perdoa (samba, 1977) - Paulinho da Viola

Meu bem, perdoa
Perdoa meu coração pecador
Você sabe que jamais eu viverei
Sem o seu amor

Ando comprado fiado
Porque meu dinheiro não dá
Imagine se eu fosse casado
Com mais de seis filhos para sustentar

Nunca me deram moleza
E posso dizer que sou trabalhador
Fiz um trato com você
Quando fui receber você não me pagou
Mas ora meu bem

Meu bem, perdoa
Perdoa meu coração pecador
Você sabe que jamais eu viverei
Sem o seu amor

Chama o dono dessa casa
Que eu quero dizer como é o meu nome
Diga um verso bem bonito
Ele vai responder pra matar minha fome

Eu como dono da casa
Não sou obrigado a servir nem banana
Se quiser saber meu nome
É o tal que não como há mais de uma semana
Mas ora meu bem

Meu bem, perdoa
Perdoa meu coração pecador
Você sabe que jamais eu viverei
Sem o seu amor

Chama o dono da quitanda
Que vive sonhando deitado na rede
Diga um verso bem bonito
Ele vai responder pra matar minha sede

O dono dessa quitanda
Não é obrigado a vender pra ninguém
Pode pegar a viola que hoje é Domingo
E cerveja não tem
Mas ora meu bem...

Meu bem, perdoa
Perdoa meu coração pecador
Você sabe que jamais eu viverei
Sem o seu amor

Falado:

Esse partido é em homenagem à Velha-Guarda da Portela.
Sr. Armando Santos, Alberto Lonato,
Manacé, falecido Ventura, falecido João da Gente,
Santinho, Casquinha.

Meu bem, perdoa
Perdoa meu coração pecador
Você sabe que jamais eu viverei
Sem o seu amor


Perdido na noite

Perdido na noite (1977) - Agnaldo Timóteo

Estou perdido / Na noite de muitos
Sempre a procura / Da mesma ilusão
Estou perdido na noite / E sozinho
Pelos caminhos sombrios / Eu vou

Estou perdido / Como tantos perdidos
Que nao se encontram / Sem saber a razão
E como tantos perdidos / Eu sei
Que é necessário / Encontrar alguém

Somos amantes, do amor liberdade,
Somos amados por isso também,
E se buscamos uma cara-metade,
Como metade nos buscam também,
Estou perdido,
Estamos perdidos,
Mas a esperança ainda é real,
Pois quando menos se espera aparece,
Uma promessa de amor ideal,

Somos amantes do amor liberdade,
Somos amados, por isso também,
E se buscamos uma cara-metade,
Como metade, nos buscam também,
Estou perdido, estamos perdidos,
Pois a esperança ainda é real,
pois quando menos se espera aparece,
Uma promessa de amor ideal


Oi, compadre

Oi, compadre (samba, 1977) -  Martinho da Vila

Oh, compadre
Mete o dedo na viola (2x)

Se segura no cavaco,
porque tem remandiola.

Oh, compadre
Solta o bicho e se escora
Pois o velho gavião,
ja está com as unhas de fora, compadre...

Oh, compadre
Mete o dedo na viola (3x)

Canta samba dos quilombos,
quilombeta e quilombola.
Meu compadre,
mete o dedo na viola.
Já tem mente alienada,
e nego pisando na bola.

Oh, compadre
Mete o dedo na viola (3x)

Oh, compadre
Vascaíno não se engana
Temos que ser mais fiéis
do que a fiel corintiana.

Oh, compadre
Mete o dedo na viola
Calangueia no quilombo
Canta samba na escola
Brasileiro tá cansado
de cocada e mariola.
Abre o olho, meu compadre
Porque tem remandiola.
Atrás de um som inocente
Tem um fraque, uma cartola, eu já disse...

Oh, compadre
Mete o dedo na viola (6x)


Morte de um poeta

Alcione
Morte de um poeta (samba, 1977) - Totonho e Paulo Resende

Fm 
Silêncio 
           F7      A#m                    
Morreu um poeta no morro 
           C7         Fm 
Num velho barraco sem forro 
                C#7    C7 
Tem cheiro do choro no ar 
     Fm             F7       A#m 
Mas choro que tem bandolim e viola 
          C7          Fm 
Pois ele falou lá na escola 
                 C#7   C7 
Que o samba não pode parar 
 G#                          A#m 
Por isso meu povo no seu desalento 
                      C7 
Começa a cantar samba lento 
                      Fm 
Que é jeito da gente rezar 
    A#m     D#7    G# 
E dizer que a dor doeu 
        C7      Fm 
Que o poeta adormeceu 
        A#m  D#7 G# 
Como um pássaro cantor 
        C7         Fm 
Quando vem no entardecer 
      C#7   C7    Fm 
Acho que nem é morrer  

  Fm   
Silêncio 
            F7      A#m 
Mais um cavaquinho vadio 
            C7      Fm 
Ficou sem acordes, vazio 
            C#7        C7 
Deixado num canto de um bar 
G#                            A#m 
Mas dizem poeta que morre é semente 

                       C7 
De samba que vem de repente 
                     Fm          F7 
E nasce se a gente cantar 
   A#m      D#7    G#7 
E dizer que a dor doeu 
       C7         Fm 
Que o poeta adormeceu 
        A#m  D#7  G# 
Como um pássaro cantor 
      C7           Fm 
Quando vem no entardecer 
      C#7  C7     Fm 
Acho que nem é morrer