segunda-feira, março 19, 2012

Cartola pôs a medalha no prego

Cartola (Angenor de Oliveira) condecorado pela Sra. Ilka Labarthe, vencedor do concurso de música de escola de samba promovido pelo jornal "O País", em janeiro de 1937.

“Medalha de sambista não fica no peito vai pro prego” - Evidentemente, Cartola ou qualquer outro sambista que conquistasse uma medalha de ouro como prêmio por ter sido o primeiro entre os compositores de Escolas de Samba, ficaria bastante envaidecido. Teria mesmo orgulho, o prazer de botar banca ostentando espetada no blusão, a reluzente láurea alcançada numa competição oficializada pelo Departamento de Turismo da capital dos Estados Unidos do Brasil. Mas a escassez de erva (ou de tutu, como é a gíria de hoje) não lhe permitia tão arrogante alarde.

Assim, o já famoso autor de tantas letras e melodias que carreavam para a sua Escola, a Estação Primeira, do Morro da Mangueira, prestígio e vitórias no Carnaval, tinha que fazer uma hipoteca de pobre. Passada a euforia da festa, ainda com ruído dos aplausos nos ouvidos, dirigiu-se à agência de penhores da Caixa Econômica, na Praça da Bandeira, e botou a bonita medalha no prego. Da conversão simples resultou mais de um conto de réis que na época, 1937, dava “pra resolver muito troço”.

O turismo incentiva o samba

Interessando-se pelos festejos carnavalescos, procurando dar-lhes maior interesse turístico, o Departamento que tinha tal atribuição no governo da cidade resolveu patrocinar um concurso entre sambistas dos morros. Sugerido pelo saudoso cronista Enfiado (Luiz Nunes da Silva) que com o veterano Vagalume (Francisco Guimarães) movimentavam as páginas do noticiário momístico de A Pátria, de Antenor Novaes, o certame Vol oficializado. E para que a sua realização tivesse o melhor êxito possível, o Sr. Wolf Teixeira, diretor do referido departamento deu-lhe ampla assistência.

Foi, pois, no grande e confortável auditório da Feira de Amostras, com a presença da diretoria da União das Escolas de Samba e presente numeroso público, que se travou a importante competição musical. Com tal promoção incentivava-se o samba e ao mesmo tempo o Carnaval carioca, que com o surgimento das Escolas (em progressiva substituição dos ranchos) ganhava nova característica artístico-recreativa, animava a inovação. As melodias dos morros, os cânticos de sua gente humilde seriam mostrados ao povo das ruas asfaltadas num espetáculo de excelente significação folclórica.

Cartola canta e “abafa”

Na noite do concurso, perante um júri constituído por Wolf Teixeira (diretor do Departamento de Turismo), Henrique Pongetti (escritos e jornalista), Ayres de Andrade (diretor artístico da Rádio Tupi), llka Labarthe (do Departamento de Propaganda) e Robert Evan (diretor da RCA Victor) apresentaram-se os representantes das Escolas inscritas. Chamado pelo nome ou apelido, o concorrente cantava suas composições e os cinco juízes iam dando-lhe a classificação merecida. Havia também, é claro, a ovação, o clássico “já ganhou!, já ganhou!” da torcida organizada.

Quando foi chamado Angenor de Oliveira, o Cartola, que iria defender as cores rosa e verde da Estação Primeira do Morro da Mangueira, a assistência, mesmo os adversários, aclamaram-no com efusão. Tímido (como ainda hoje nos seus cinqüenta e tantos anos) o já famoso compositor esperou a entrada da bateria e cantou Deu Adeus. Palmas ruidosas consagraram a sua apresentação. Os tamborins deram a pala do segundo samba e ele entoou o Sei Sentir logrando o mesmo sucesso. Finalmente, encerrando a mostra de seu repertório interpretou Adeus, Violão. A vitória refletida nos aplausos demorados, nos pedidos de bis!, bis!, tinha logo depois a homologação unânime do júri: primeiro lugar, medalha de ouro. Cartola abafara.

Melódica e Poética

Mostrando a seus julgadores e à vultosa platéia uma versatilidade rara entre compositores populares, Cartola no samba Deu Adeus cantara: “Partiu e não me disse mais nada./ Já ia distanciada/ Quando ela parou e acenou com a mão./ Desapareceu./ Estou certo que este amor morreu.” Na segunda composição, a intitulada Sei Sentir, dizia em versos espontâneos: “Sei chorar./ Eu também já sei sentir a dor./ Estou cansado de ouvir dizer/ Que aprende-se a sofrer/ No amor.”

Se as duas produções acima revelam certo romantismo, têm como tema o amor perdido e a aceitação do sofrimento através ainda do amor, a que foi denominada Adeus violão proclama a regeneração, a tomada de uma nova diretriz: “Orgia hoje és minha inimiga/ O sofrimento obriga/ A me afastar de você./ Adeus, violão,/ Amigo leal./ Estes versos que fiz devem ser/ A rima final.” Três facetas da poesia de um sambista do morro retratando todos seus sentimentos. E cada qual ornada com música simples, mas muito bonita, dando realce à singeleza da letra.

Uma medalha transforma-se em “erva”

A consagração daquela noitada de 26 de janeiro de 1937 quando o valor de seus sambas dava-lhe a primazia entre tantos outros compositores das Escolas rivais da sua, durou pouco. Horas depois, a fulgurante medalha que llka Labarthe fixara no peito do sambista felicitando-o com efusão transformou-se num guichê de casa de penhores (no caso o da Caixa Econômica, na Praça da Bandeira, como poderia ser a do José Cahen na Rua Silva Jardim) em duas cédulas de quinhentos mil réis e mais algumas de menor valor. Quantia que, naquele tempo, deu para melhorar a gororoba e ainda comprar um pano (terno). Afora permitir esvaziar algumas garrafas de Fidalga e Cascatinha (cervejas).

Ficou, porém, para informe da posteridade pela pena de um cronista ainda hoje em grande evidência, Henrique Pongetti (saído da revista Leader e camuflado sob o pseudônimo de Jack nas colunas de O Globo) registro da autêntica vitória do Cartola. Lá está, em itálico, estendido em coluna dupla: “... Anteontem ouvi, disputando as belas medalhas de ouro, prata e bronze que meu confrade Antenor Novaes lhes ofereceu as escolas de samba das antigas zonas de inspiração musical...".

De todo aquele desperdício de bossas, dois sambas bonitos adquiriram o direito de viver e morrer nas bocas volúveis da planície — os do Cartola, compositor de Mangueira. Nenhum mais...“.

(O Jornal, 1.°/12/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

Tancredo da Silva Pinto

Tancredo da Silva Pinto, compositor e sambista, nasceu em 10 de agosto de 1905 em Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro, indo morar no Estácio ainda na adolescência. Teve uma atuação marcante também como compositor, sendo parceiro de Moreira da Silva, Zé Keti, Zé Pitanga e Blecaute, que gravou General da banda, cuja letra faz uma alusão ao Orixá Ogum.

Foi um dos fundadores da 1ª Escola de Samba do bairro Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.

Em 1950, por ocasião das grandes perseguições aos umbandistas de vários estados, fundou a Confederação Espírita Umbandista do Brasil. Viajou por diversos estados, fundando outras associações com o escopo de organizar e dar personalidade ao culto umbandista. Consta que fundou-as em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, entre outros. A partir de 1967, afastou-se, vindo a fundar, no ano seguinte, a Congregação Espírita Umbandista do Brasil.

Foi ainda criador de festas que marcaram época e solidificaram a imagem da Umbanda como a Festa para Iemanjá no Rio de Janeiro, Festa de Yaloxá na Pampulha, em Belo Horizonte, Cruzambê, em Betim, Festa do Preto-Velho, em Inhoaíba, homenageando a grande Iyalorixá Mãe Senhora, Festa de Xangô, em Pernambuco, o evento "Você sabe o que é Umbanda?" no Maracanã e finalmente a festa da fusão do estado da Guanabara com o Rio de Janeiro realizado ao centro da Ponte Rio-Niterói.

Teve publicadas mais de 30 obras literárias, divulgando a Umbanda e o Omolocô e foi fundador e colaborador de diversos jornais e revistas destinados aos adeptos da religião afro-brasileira. Em vida ainda recebeu diversas comendas e homenagens pelos serviços prestados às religiões afro-brasileiras. Foi um fiel defensor da prática africanista ao culto umbandista e ao Omolokô.

Apesar de analfabeto, o humilde estafeta dos correios "escreveu" diversas obras de cunho umbandista e manteve colunas diárias em jornais cariocas, como O Dia. Faleceu em 1 de setembro de 1979.

Fontes: Wikipédia; Turma do Estácio - Samba de Raíz.

Deixa Falar não desfilava como escola

Marçal, Paulo Barcellos e Bide, fundadores da Deixa Falar, posam no meio das pastoras
A primeira escola de samba da história, a Deixa Falar, na verdade nunca desfilou como escola de samba. Há duas versões para o fato de terem começado a chamá-la com esse “título”. A primeira: lá havia os chamados “professores do samba”, como Ismael Silva, Bide, Marçal, etc. A segunda: em frente a sua sede, havia uma escola normal, onde se ensinava português e matemática; na Deixa Falar, se ensinava samba!

A Deixa Falar foi fundada como bloco, em 12 de agosto de 1928. Lá foram inventados instrumentos como o surdo (criação de Alcebíades Barcelos, o Bide) e a cuíca (invenção de João Mina). Nos carnavais de 29 e 30, a Deixa Falar desfilou como bloco. Em 1931, já se organizava de outra forma, se preparando para, no carnaval de 1932, desfilar como rancho (os grupos de maior prestígio da época).

Neste ano, quando aconteceu o primeiro desfile de escolas de samba, a Deixa Falar não quis participar do concurso – preferiu participar do desfile dos ranchos, concurso muito mais “importante”. E, em vez de sair às ruas com o samba característico, inventado por seus próprios componentes, desfilou com uma marcha-rancho.

O problema é que o desfile foi um desastre, e nem classificada a Deixa Falar foi. Passado o carnaval, a agremiação entrou numa crise complicadíssima. Integrantes da diretoria se acusavam de desvio de dinheiro! Já no dia 15 de fevereiro foi marcada uma reunião para que fosse feita uma prestação de contas do carnaval de 1932 – enquanto isso, os diretores iam se acusando mutuamente pelos jornais.

A reunião do dia 15 não aconteceu, porque muitos dos envolvidos não compareceram. Mas a ferida deixou marcas, e a Deixa Falar foi minguando, minguando, até que acabou, naquele mesmo ano! Em 1933, seus integrantes se juntaram aos da União das Cores e formaram a União do Estácio de Sá, cuja sede era no mesmo lugar da Deixa Falar.

E aí acabava a história da primeira escola de samba do Brasil, aquela que foi sem nunca ter sido e que acabou no ano em que houve o primeiro concurso das escolas. Apesar disso, a Deixa Falar tem importância fundamental nessa história, já que deixou como herança instrumentos que são usados até hoje na Avenida e criou uma forma diferente de se fazer samba. Viva a Deixa Falar!

Fonte:http://extra.globo.com/noticias/carnaval

Bide também fez marchas-ranchos

Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Bide e Marçal no bairro Engenho de Dentro.

Sambista famoso, nascido e ainda morando no decantado Estácio de Sá, reduto sempre posto em evidência quando se historia a nossa música popular, Bide (Alcebíades Barcellos) não é, no entanto, apenas isto. Glorificado, e com muita justiça, como autor de Meu primeiro amor (com Marçal), Fui um louco, a Malandragem e, principalmente, o universalizado Agora é cinza, no qual teve novamente como parceiro, Armando Marçal, ele é tido apenas como sambista. Pouca gente sabe que Bide também foi autor de bonitas marchas-de-rancho.

A popularidade de seu nome e de seu apelido, trazido de casa desde garoto, e não ganho, como podem supor, no meio musical, se fez, de fato, como sambista. Ainda mais tendo-se em conta que foi ele um dos fundadores da também famosa Escola de Samba (ou bloco carnavalesco) Deixa Falar. Mas quando o conjunto se transformou em rancho (1932) Bide, juntamente com Capellani e Henrique Camargo, foram os principais compositores das marchas entoadas pelo coral nos desfiles dos chamados dias gordos. E o sambista Barcellos, mudando o ritmo, mas sempre rico de inspiração melódica, contribuiu para o êxito de sua agremiação com bonitas e expressivas músicas.

Chico Viola encontra Bide na “gafieira”

A verdadeira projeção de Alcebíades Barcellos na música popular da Sebastianópolis deu-se em 1928 quando, devido ao sucesso de seu samba A malandragem, Francisco Alves (Chico Viola) foi ao seu encontro. Não o procurou em casa ou nas rodas do Estácio de Sá, surpreendeu-o na Estrela D’alva, uma agremiação recreativa (gafieira), então existente no Largo do Rio Comprido. E enquanto os pares dançavam, no bar, esvaziando alguns copos de bia (cerveja), o cantor acertava com o novel compositor a gravação de seu samba que, afirmava entusiasmando-o, ia abafar.

Dias depois, Bide, simples operário da Fábrica de Calçados Bordallo, na Rua do Núncio (agora República do Líbano), vivia um grande momento de sua vida. Encontrava-se na Casa Vieira Machado com aquele que ia ser o intérprete de seu primeiro samba gravado em disco e divulgado por uma editora de músicas para piano. Tímido, mas ao mesmo tempo empolgado, Alcebíades Barcellos, depois de apresentado a Rogério Guimarães, que ali estava, a escrever a melodia, começou a cantar: “A malandragem,/ Eu vou deixar,/ Não quero saber da orgia,/ Mulher do meu bem querer/ Esta vida não tem mais valia.” As notas iam sendo lançadas nas linhas e nos espaços da pauta fixando no papel a composição de estréia de um autor que, rápido, se tornaria um dos grandes nomes de nossa música popular.

Bide, um dos maiorais do “Deixa Falar”

Vivendo num bairro onde o samba tinha o seu culto em diversas modalidades ele pôde escolher. Não quis o pesado (batucada), do alto do Morro de São Carlos. Preferiu o de simples diversão, e que era entoado no próprio Largo do Estácio em frente à Escola Normal que ali estava situada. Tinha pois, forçosamente, que integrar o Deixa Falar. A princípio simples sujo (bloco carnavalesco), era um grupo de sambistas que se reunia no Bar Apoio ou no Café do Compadre, onde cada um dava a pala (amostra) de suas músicas, de suas composições. Depois, nas proximidades dos festejos momísticos, com sua bateria, seus cantores, fazia ensaios no referido largo para sua ida à Praça Onze de Junho nos dias de Carnaval.

Integrado por catretas (catedráticos) tais como Ismael Silva, Nilton Bastos, Armando Marçal, Rubens, Baiaco, Brancura e outros, o Bloco Deixa Falar, depois Escola de Samba, tinha também como um de seus maiorais o Bide. Quando, em 1930, na programação do Carnaval, patrocinou-se uma competição entre as várias escolas então já existentes, no Morro da Mangueira, na estrada do Portela, etc., a rapaziada do Deixa Falar entrou nesse certame. Alcançou o primeiro lugar. Alcebíades Barcellos lá estava martelando o tamborim, cantando os sambas de sua autoria e os de seus companheiros.

A Escola transforma-se em Rancho

Em 1932, por iniciativa de alguns de seus componentes, entre eles Osvaldo dos Santos Lisboa (Oswaldo Papoula), Eurípedes Capellani e Julião Santos, a Deixa Falar transformou-se em rancho, Bide foi escolhido para ser o diretor de harmonia. Aceitou o cargo, e embora sambista, surpreendeu a turma fazendo duas marchas. Ambas bem ao ritmo da nova modalidade com que a vitoriosa Escola ia se apresentar concorrendo com o Flor do Abacate, o Arrepiados, o Miséria e Fome e mais alguns ranchos tradicionais da época. As composições agradaram inteiramente formando, com as de Capellani, Camargo e Julião, o repertório a ser cantado pelo corpo coral.

Intitulada, uma, Meu segredo, tinha o seguinte coro: “As mariposas, tão lindas,/ Nas noites de primavera/ Ao romper da madrugada,/ Vejo cantar a passarada.” Seguia-se o solo onde, em contra-canto, Aurélio, com sua voz bonita, que lhe proporcionou o apelido de Garganta de Ouro, destacava-se em agudos. A outra, Rir para não chorar, igualmente pomposa, além da melodia bonita e a cadência que permitia ao mestre-sala Benedicto Trindade (Rei da Elegância) exibir-se em floreios coreográficos, dizia em sua parte coral: “Rir para não chorar/ Quando passar/ O Deixa Falar./ Velam a nossa beleza,/ Quanta riqueza/ Para quem pode enfrentar,/ Enfrentar!”.

Mas o samba não perdeu um grande compositor

O fato de Bide desviar-se do samba para outro ritmo, o das marchas-de-rancho, que tivera grandes compositores como Sebastião Cyrino, Antenor de Oliveira, Napoleão de Oliveira, Pedro Paulo e muitos mais, foi apenas momentâneo. Não o fez deixar de ser aquilo que de fato era, e é: sambista. Retornou logo ao que era de sua preferência musical e, em 1934, via toda a cidade cantando com ele: “Fui um louco/ Resolvi tomar juízo...“. No ano seguinte, na onda do sucesso, em parceria com Marçal, registrava o máximo de sua carreira com o clássico de nossa música popular, o Agora é cinza.

Não são apenas estes os melhores sambas dentre os muitos que Bide, sozinho ou em parceria, conta na sua grande produção musical. Muitos outros, encontrados facilmente numa relação precisa feita por cuidadosos musicólogos (Almirante, Ary Vasconcellos, José Ramos Tinhorão, Lourival Marques, Lúcio Rangel) atestarão o excelente e genuíno sambista que ele é.

Sambista que, na revelação acima mostrado como autor de marchas-de-rancho, deve ter causado surpresa, inclusive a de que a tão citada Escola de Samba Deixa Falar foi também rancho carnavalesco.

(O Jornal, 21/7/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.