quinta-feira, maio 30, 2013

Quarteto de Bronze

O Quarteto de Bronze: um conjunto vitorioso (Foto: A Noite - Supplemento, 7/4/1942).

Grupo vocal. O grupo foi formado no final da década de 1930 e era formado pelas irmãs Eulina, Eulália e Osmarina e, pelo violonista Euclides Machado, também responsável pelos arranjos vocais. No início da década de 1940, o grupo fez apresentações nas Rádios Mayrink Veiga, Nacional, Tupi e outras.

Gravaram pela primeira vez em 1940, pela Odeon cantando com a cantora sertaneja Nhá Zefa a canção Adeus, palavra malvada, de Arlindo Marques Júnior e Luiz Batista Júnior. O lado B desse disco trazia uma gravação de Nhô Pai e Nhá Zefa.

Em 1941, assinaram contrato com a gravadora Victor e gravaram com Mário Petra de Barros e Napoleão Tavares e Sua Orquestra os sambas Nega, meu bem e Sapateia morena, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira. No mesmo ano, gravaram com Ciro Monteiro os sambas Ai, ai, ai, ai, ai! Eu gosto de você e Chica, Chica, bum, chic, de H. Warren e Osvaldo Santiago. Pouco depois gravaram o primeiro disco solo com a marcha Firim-fim fonfon, de Peterpan e Milton de Oliveira e o samba Vamos dançar, de Paquito e Vilarinho.

Em 1942, o quarteto gravou o corta-jaca Trem do ferro, de Buci Moreira, Carlos de Souza e E . De Almeida e o batuque O barco virou, de Constantino Silva. Para o carnaval do ano seguinte gravaram a marcha A vontade do papai, de Roberto Martins e Mário Rossi e o samba Já não sinto saudades, de Luiz Soberano, Orlando M. Braga e Vasco Gomes.

As dificuldades da Segunda Guerra Mundial fizeram com que muitos artistas ficassem afastados das gravações. É o que parece ter acontecido com esse quarteto, que somente voltou a gravar em 1945, lançando pela Odeon a canção Rio Amazonas, de Alberto Montalvão e o batuque Ogum, de Milton Bittencourt.

Por volta de 1948, fizeram longa excursão ao Uruguai e à Argentina. De retorno ao Brasil em 1949, voltaram a se apresentar na Rádio Mayrink Veiga. Nesse ano, gravaram com a cantora Carmélia Alves o choro O tic-tac do meu coração, de Valdemar de Abreu, o Dunga e que foi um dos destaques daquele ano.

Depois de gravar nove discos com 16 músicas pelas gravadoras Victor, Odeon e Continental junto com astros como Ciro Monteiro e Carmélia Alves, o grupo se dissolveu no começo dos anos 1950.

Discografia

(1940) Adeus, palavra malvada • Odeon • 78
(1941) Ai ai ai ai ai! Eu gosto de você/Chica, Chica, bum, chic • Victor • 78
(1941) Firim-fim fonfon/Vamos dançar • Victor • 78
(1941) Nega, meu bem/Sapateia morena • Victor • 78
(1942) Trem do ferro/O barco virou • Victor • 78
(1942) Meu santo orixá/O pé de manjericão • Victor • 78
(1942) A vontade do papai/Já não sinto saudades • Victor • 78
(1945) Rio Amazonas/Ogum • Odeon • 78
(1949) Tic-Tac do meu coração • Continental • 78

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB;  "A Noite - Supplemento", de 07/04/1942..

Ismênia dos Santos


Ismênia dos Santos, cantora e radioatriz, nasceu na cidade de Campos, RJ, em 19/03/1910, onde seus pais, os artistas Armando Duval, filho da velha Ismênia, e sua esposa, Julia Santos, excursionavam com uma companhia dramática. Com quinze anos de idade se apresentou em público, pela primeira vez, no Teatro Municipal, numa festa em homenagem a Apolonia Pinto.

Mais tarde, tomou parte numa récita no Teatro Municipal de Niterói, na peça de Quaresma Júnior, Raio de sol, representando depois, seguidamente, no Núcleo Dramático Ismênia dos Santos, homenagem de Armando Duval à memoria de sua mãe.

Considerada uma das mais belas vozes do radioteatro do Brasil, fez história na radiofonia (Rádio Nacional) interpretando algumas das novelas mais famosas já irradiadas no país. Sua participação na MPB contudo é restrita e limitada ao empréstimo da voz como radioatriz.

Ismênia dos Santos
Em 1931 gravou com Olga Louro os cômicos Meu amor brigou comigo, de Freire Júnior. Em 1935, gravou com Barbosa Júnior os humorismos Da discussão nasce a luz, de Barbosa Jr. e Maria Célia, e Uma bebedeira, de Barbosa Jr.

Em 1936, gravou novamente com Barbosa Júnior os humorismos Professora na roça, com arranjo de Barbosa Júnior, e Festa de São João, de Maria Célia. Em 1940, gravou com Orlando Silva a valsa Voz do dever, de Benedito Lacerda e Aldo Cabral.

Faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28/08/1963.

Discografia

(1931) Meu amor brigou comigo I/Meu amor brigou comigo II • Odeon • 78
(1935) Da discussão nasce a luz/Uma bebedeira • Odeon • 78
(1936) Professora na roça/Festa de São João • Odeon • 78
(1940) Voz do dever • Victor • 78

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; A Noite Illustrada.

A aventura de Plácida dos Santos

A cantora Plácida em 1906.
Como teriam surgido em Paris a música e a dança típicas do Brasil? E quem primeiro as teria levado à capital do mundo?

A escritora Sylvia Moncorvo, muito gentil, veio nos dizer que, tendo feito a sensacional descoberta, estava habilitada a responder àquelas duas perguntas. Duvidávamos disso? Pois, então, que fôssemos, em sua companhia, à residência do Professor Bruno Lobo, ali em Ipanema, porque tudo ficaria esclarecido!

Aceitamos o oferecimento e seguimo-la. A Sra. Bruno Lobo, requintadamente gentil, nos recebe com marcante fidalguia. Seu lar é um ninho de poesia aromática, construído num jardim suspenso. Domina o bairro, espreitando, como sentinela perdida, do alto de formosa colina. Não parece casa de médico; parece atelier de pintor nababo, pródigo na distribuição das cores. Palestra-se nesse ambiente de encantos, até que se serve o café.

E o caso da música brasileira?

A Sra. Bruna Lobo nos apresenta a uma senhora idosa, de excelente bom humor, olhos ainda iluminados, e dentadura tão alva e tão perfeita, como nunca se vira em senhora dessa idade. Todavia, a desconhecida não oculta os anos já vividos.

— Tenho setenta!

— Setenta? - voltávamos com espanto.

E ela vaidosa, já:

— Sim, setenta. O espírito, porém, ainda não completou dezoito!

E ri alegremente, imprimindo à garganta tonalidades cristalinas.

Só então ficamos sabendo quem era a dona daqueles dentes alvos, a proprietária daquele espírito moço e folgazão. Era a atriz Plácida dos Santos, que ainda nas primeiras décadas da República tanto deslumbrara a plateia carioca, apresentando-se como intérprete da canção "crioula".

— Fui eu, disse-nos ela, quem primeiro cantou em Paris a música brasileira!

E passou a nos relatar os pormenores e as peripécias de sua viagem ao Velho Mundo.

— Foi em 1889, começou Plácida dos Santos. Filha de grande general gaúcho, não tive a sorte no meu primeiro matrimônio, de modo que, para poder viver honestamente, lancei-me ao teatro, aproveitando o fio da voz harmoniosa e a plástica sedutora. Obtive êxito, de início. Mais tarde, sai em excursão pelos Estados, com o empresário Silva Pinto. Vi-me aclamada pelas plateias do interior. Ao regressar, uma cançonetista internacional, filha da Martinica, a Dzelmá, me disse no Teatro Santana:

— "Com essa voz e com essa plástica, se fosses a Paris, arranjarias fortuna!"

Retruquei-lhe que ainda era principiante e não encontraria quem me auxiliasse... Dzelmá, porém, era irredutível. Em Paris, toda gente encontrava emprego. Que eu fosse, porque não me arrependeria. Calei-me. Dentro do cérebro, porém, aquela ideia me ficou a martelar. E, dias depois, quando Dzelmá me comunicava seu embarque, decidi seguir também. Fui à casa, na Rua Bella de São João, arrumei a roupa, mandei chamar um "belchior" e liquidei o quarto! Três dias depois, tomando passagem a bordo do "Ville de Pernambuco", da Chargeur Reunis, seguia eu, em companhia da cançonetista internacional, levando, apenas, para minha permanência em Paris, uma libra esterlina!

Sucedeu, porém, que, quando o navio parou em Pernambuco, me apareceu velho conhecido de minha mãe, um negociante opulento, de largos recursos. Tinha ido levar a bordo um comendador. Ao despedir-se do amigo, recomendou-me, com vivo interesse. Que nada me deixasse faltar! O comendador prometeu-lhe dar cumprimento à palavra. O navio saiu, e já viajava durante quase trinta dias, sem que o comendador saísse do beliche. Um dia, à hora da mesa, o comandante, que se agradara muito de mim, disse-me:

— “Pas des fruits, ma petite brésilienne!”.

E eu lhe retruquei: — “Não faz, mal: o comendador tem em seu camarote muita fruta. Irei arranjar algumas para o jantar”. E, com esse pretexto, fui visitar o titular, arrancando-o do beliche. E como realmente me deu muitas frutas, eu, por uma questão de delicadeza, entretinha-me, durante algumas horas, a palestrar com o velho. A viagem estava a terminar. Ele se pos a indagar dos fins de minha viagem. Inteirei-o de tudo.

— “Dispõe de recursos?” — perguntou-me. Respondi-lhe que não. Possuía uma libra, mas já a tinha gasto, a bordo. Minha bagagem, assim iria ficar detida. Ele sorriu, balanceando a cabeça, como se estivesse dizendo, intimamente — “que doidinha!”.

O caso, porém, é que, quando chegamos ao Havre, o comendador, no momento em que dele me despedia, deixou ficar em minha mão um papel branco, que percebi, imediatamente, ser dinheiro. Não tive tempo, porém, de verificar quanto era. Ao descer as escadas de bordo, deslumbrei-me: mil francos! Gritei contente, anunciando aos quatro ventos o sucedido. Dzelmá afirmou-me que aquilo valia uma fortuna.

Assim, cheguei rica em Paris! Hospedei-me num hotel modesto da Rua Doux e, dias depois, fui levada à redação do “Gil Blas”. O redator teatral me recebeu com grande simpatia. Contei-lhe as minhas dificuldades, em bom francês, pois, tendo sido educada em um colégio de religiosas francesas, aprendi muito bem o idioma. Ele se admirou disso. E, como simpatizou comigo, prometeu lançar-me no teatro. Cantei, para que ficasse conhecendo minha voz. Seu entusiasmo crescia, à medida que meu repertório ia sendo cantado. No dia seguinte, deu o jornalista esta notícia, que me surpreendeu:

“Notável cantora brasileira, em excursão pela Europa, tomará parte no festival de caridade, que se realizará no “Embassateur”, em benefício das vítimas do cholera morbus".

E deu meu nome, como sendo o da tal “notável cantora”!

No dia do festival, em que tomavam parte duas “estrelas” de grande projeção no mundo artístico de Paris, Pollis e Theresa, apresentei-me no palco. O teatro enchera-se completamente. A colônia brasileira, os membros da Legação, os funcionários do Consulado, todos, todos, lá se foram postar, dispostos a aplaudir a “notável cantora brasileira”. E o redator do “Gil Blas”, que era o mais entusiasmado, levou seus amigos, declarando-lhes que “nunca tinham ouvido eles voz mais harmoniosa”!

É bem de ver o enleio em que me achava. A costureira vestiu-me com elegância tal que eu própria não me reconhecia ao espelho! Chega, afinal, a hora do espetáculo. Pollis sai à cena e canta. Aplausos delirantes. Depois, entra Theresa. O teatro quase vem abaixo. Fazem-se outros números intermediários, enquanto não entra o meu.

Plácida posa para a Noite Illustrada (abril/1933)
As duas “estrelas” percebem que estou acovardada. Animam-me. Com aquele corpo, alguém poderia fracassar em Paris? Que entrasse, sem receio, porque o triunfo era seguro! Os cartazes anunciavam, porém, uma “atriz crioula”, e o publico, naturalmente, supôs que ia ouvir uma negra, de grandes beiçolas. Ao ver-me, a plateia deixou escapar um — “oh!” — de admiração. Compreendi tudo e dominei-me. Cantei com desenvoltura e agrado geral. Bisaram-me todos os números.

E ao fim do espetáculo, quando saímos à plateia, a fim de recolher obulos, obtive féria maior que as reunidas pelas duas afamadas cantoras francesas. No dia seguinte, estava eu contratada para o “Folies Bergeres”, onde dancei o maxixe brasileiro, estilizado, sem os excessos e os requebros anti-estéticos, tão ao sabor de nossos dançarinos.

— E aí está, concluiu Plácida dos Santos, como uma brasileira embarca para Paris com uma libra esterlina e de lá regressa, ao cabo de cinco anos, com um começo de fortuna!

Vive Plácida dos Santos de lecionar francês e, para isso, penetrou no mundo elegante carioca.

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Fonte: “A Noite Illustrada”, de 02/04/1933.

quarta-feira, maio 29, 2013

Almir Ribeiro


Almir Ribeiro (Aldimir Torres Ribeiro), cantor, nasceu em São João da Boa Vista, SP, em 09/12/1935, e faleceu em Punta Del Este, Uruguai, em 18/02/1958. Com cinco anos de idade mudou com a família para a cidade paulista de Itapetininga, na qual viveu até 1955 quando mudou-se para a cidade de São Paulo.

Iniciou sua carreira como locutor da Rádio PRD-9, de Itapetininga, com apenas 18 anos de idade. Em 1955, mudou-se para São Paulo onde pretendia dar sequência à carreira de locutor, acabando entretanto por seguir a carreira de cantor. Fez testes na Rádio e TV Tupi, estreando no programa musical de Cassiano Gabus Mendes, então diretor da Tupi, quando interpretou a canção My little one, adotando por sugestão do próprio Cassiano Gabus Mendes o nome artístico de Almir Ribeiro.

Em 1956, foi levado por Abelardo Figueiredo, que o vira cantar no programa de Cassiano Gabus Mendes, para ser o artista exclusivo do programa "Spot Light Popelinita" apresentado na TV Tupi. Depois, levado por Jordão de Magalhães, apresentou-se na boate Cave, fazendo depois temporada na boate "Beguin". Nesse ano, foi contratado pela gravadora Copacabana.

Em janeiro de 1957, lançou seu primeiro disco, interpretando com acompanhamento de Rafael Puglielli e sua orquestra o fox Amar outra vez, de M. Stollof sobre música de Chopin, com versão de G. Sidney, e o beguine Canção do mar, de Ferrer Trindade e Frederico de Brito. Em seguida, gravou o beguine Pra bem longe de ti, de Sherman, com versão de Nelson Figueiredo, e o samba-canção Onde estou?..., de Hervé Cordovil e Vicente Leporace.

No mesmo ano, gravou a toada Pezinho pra frente, de Aloísio Figueiredo, e o samba-canção Contra-senso, de Antônio Bruno. Nesse período, participou do filme Absolutamente Certo, de Anselmo Duarte, no qual interpretou o samba-canção Onde estou?. Em março do mesmo ano, lançou o LP Uma noite no Cave, no qual interpretou os sambas Fui eu, de Aloysio Figueiredo e Nelson Figueiredo, e Se todos fossem iguais a você, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, os sambas-canção Sempre teu, de Aloysio Figueiredo e Edson Borges, e Falaram de você, de Hervê Cordovil e Renê Cordovil, entre outros.

Em março de 1958, foram lançados três discos em 78 rpm com gravações suas feitas no início do ano, nas quais interpretou, com acompanhamento de Antonio Sergi e sua orquestra, o fox Tarde demais para esquecer, de Adamen e Carey, com versão de Alberto Ribeiro, e o samba-canção No meio da noite, de Aloísio Figueiredo e José Marques da Costa, os sambas-canção Foi a noite, de Tom Jobim e Newton Mendonça, e Laura, clássico de João de Barro e Alcir Pires Vermelho, e com o conjunto da Boate Cave, dirigida por Aloísio Figueiredo, o samba-canção Se todos fossem iguais a você" de Tom e Vinícius, e o fox Without my love, de Gerard, Michel e Guiton. Logo em seguida, foi lançado o LP Almir Ribeiro, também com tapes gravados no início do ano, e que além de quatro faixas lançadas em 78 rpm, trazia ainda as músicas Risque e Folha morta, de Ary Barroso, Dora, de Dorival Caymmi, Maria, de Ary Barroso e Luiz Peixoto, e Tarde fria, de Poly e Henrique Lobo.

Com uma carreira ascendente, faleceu precocemente afogado numa praia de Punta Del Este no Uruguai após gravar seis discos em 78 rpm e dois LPs. Após sua trágica morte a Copacabana lançou o LP Spot Light - Nº 2 - focaliza Almir Ribeiro, com doze interpretações do cantor no programa Spot Light registradas ao vivo.

Discografia

(1957) Amar outra vez/Canção do mar • Copacaban • 78
(1957) Pra bem longe de ti/Onde estou?... • Copacabana • 78
(1957) Pezinho pra frente/Contra-senso • Copacabana • 78
(1957) Uma noite no Cave • Copacabana • LP
(1958) Tarde demais para esquecer/No meio da noite • Copacabana • 78
(1958) Foi a noite/Laura • Copacabana • 78
(1958) Se todos fossem iguas a você/Without my love • Copacabana • 78
(1958) Almir Ribeiro • Copacabana • LP
(1958) Spot Light - Nº 2 - Focaliza Almir Ribeiro • Copacabana • LP

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Ailce Chaves

Ailce Chaves, compositora, criou sambas-canção e sambas principalmente. Teve mais de vinte composições gravadas por diferentes intérpretes, entre os quais, Gilda de Barros, Ciro Monteiro, Ângela Maria e Linda Batista. Seu principal parceiro foi Paulo Marques com quem compôs mais de 15 músicas entre as quais os sambas Indecisão, Amigos e Segue.

Teve sua primeira composição gravada em 1945, a marcha Quando a gente fica velho, parceria com Linda Rodrigues e Amado Régis lançada na Continental por Linda Rodrigues. Em 1947, o samba Indecisão, com Paulo Marques, foi lançado na RCA Victor por Ciro Monteiro. No ano seguinte, Heleninha Costa gravou na Continental o samba Fracassei, parceria com Peterpan e Edmundo de Souza.

Em 1949, Heleninha Costa gravou na Continental o samba Jurei, parceria com Paulo Marques e Edmundo de Souza, enquanto Nelson Gonçalves registrou na RCA Victor o samba Meu castigo, com Paulo Marques e Napoleão Alves.

Em 1951, Ângela Maria gravou na RCA Victor o samba Segue e Linda Rodrigues na gravadora Star o samba Raça negra, ambos com Paulo Marques. Também na Star, a então iniciante Dolores Duran gravou o samba Que bom será, com Paulo Marques e Salvador Miceli. Pela Todamérica, Zilá Fonseca gravou o samba Nome manchado, com Paulo Marques, também em 1951. No ano seguinte, conheceu seu maior sucesso, o samba Lama, com Paulo Marques, gravado por Linda Rodrigues na Continental. Nesse ano, Zezé Gonzaga gravou na Sinter o samba Não quero lembrar, com Sávio Barcelos e Paulo Marques.

Teve dois sambas com Paulo Marques gravados na Todamérica em 1953, Obsessão, por Marion e Recalque, por Mara Silva. Nesse ano, Dora Lopes gravou o samba Me abandona, com Sávio Barcelos e Paulo Marques; Linda Rodrigues a marcha Bambeio mas não caio, com Elvira Pagã e Paulo Marques; Neusa Maria o samba Pra conquistar, com Paulo Marques e Salvador Miceli e Luiz Cláudio o samba-canção Nosso romance, com Paulo Marques, todas na Sinter. Em 1954, Neusa Maria gravou o samba Minha mágoa, com Paulo Marques.

Em 1955, o samba-canção Mais uma noite, parceria com Paulo Marques e Savio Barcelos foi lançado por Gilda de Barros na Odeon e o samba Amigos, com Paulo Marques foi gravado por Linda Batista na RCA Victor. Nesse ano, Gilda Valença regravou Lama na Sinter, em forma de fado, Alzirinha Camargo gravou na Polydor o samba-canção Espelho da vida, com Jarbas Cavalcanti e o maestro Guaraná e seu conjunto lançou, também na Polydor, o chorinho Trepa moleque, com Rafael Treiger. Compôs com Linda Rodrigues o samba-canção Farrapo humano gravado por Linda Rodrigues na Continental em 1956.

Em 1957, Carlos Nobre gravou na Todamérica o bolero Viverás sempre só, com Raimundo Olavo. No ano seguinte, Roberto Silva regravou na Copacabana o samba Indecisão. Em 1961, o samba-canção Companheiras da noite, com Linda Rodrigues e William Duba, foi gravado pela cantora Linda Rodrigues no LP Companheiras da noite, da gravadora Chantecler.


Aylce Chaves preferiu o Samba

Ailce sendo entrevistada pelo cronista
"Assistia certa razão a Noel Rosa, ao afirmar que o cartaz do artista do rádio vem do compositor. Ary Barroso tem feito muita gente. Ataulfo Alves, também. Todos eles.

Não se assuste o leitor, que não entraremos aqui em divagações sobre direitos autorais. Apenas queremos revelar na sua modéstia, uma das compositoras mais queridas do Rio, cujos sambas e marchas deliciam os homens agitados da Broadway, na voz bonita de Carmen Miranda. Aylce Chaves, numa idade em que as garotas namoram e falam de artistas de cinema, prefere fazer música popular, formando uma dupla com o seu irmão Acyr.

O repórter desce na Tijuca. A Rua José Higino, elegante e discreta, esconde entre gardênias, a casa da artista. Vamos descobri-la na sua vida interior, ao lado de seu inseparável violão, preparando uma marchinha. Simples, dona de uma graça ingênua e doce abre-se em confidências sobre o seu interesse pelo rádio:

— Terminava o meu curso no Pedro II, quando fiz o primeiro samba; Lembro-me que se chamava “Chegou”. Cantei para as colegas; gostaram. Gostariam, em verdade, ou apenas estimulariam a principiante? A duvida esteve comigo por muito tempo. Fui das mais sinceras fãs de Luiz Barbosa. E esse fato talvez concorresse muito para o meu estímulo. Desejava melhorar o que fazia conseguir alguma coisa boa, para que ele a interpretasse.

— Compete, no carnaval, com os maiorais?

— Não sou profissional. Vivo de outras coisas. Tenho de que viver. Assim sendo, prefiro passar sem tomar parte na corrida. Tenho algumas marchas carnavalescas, mas creia acho mais natural que o campo fique mais vazio aos que vivem da música da terra. Escrevo por fatalismo; destino; talvez. Há muita gente que faz o mesmo. No acha?

Aylce atende a um telefonema de Neyde Martins. Volta, com um sorriso brejeiro nos lábios:

— Alguma encomenda...

— Modas, meu caro... É natural que sendo mulher pense, também, nos figurinos...

— Que mais gosta do que tem feito?

— A pergunta é complicada. Embora perfeitamente justificável, envolve uma questão delicada. Creia que é verdade. Todavia, gosto muito de “Batucada de meu coração” e da rumba “Yoyô já quer”, do repertório de Carmen. Aprecio também “Escravo da lua”, criação de Manuel Reis. Neyde Martins interpretou um samba de minha estima “Tempo feliz que passou”. Linda Batista canta uma marcha, das que mais quero “Boas Festas”.

— Quais são os seus artistas favoritos?

— Carmen Miranda, Linda Batista e, do naipe masculino, Carlos Galhardo, a quem dei “A cor dos teus olhos”. A sua voz é um encantamento.

— Como escreve?

— Quando a inspiração quer. Muitas vezes, num ônibus, na rua, num cinema, a melodia chega. Entra, sem pedir licença, sem bater palmas como velha conhecida. Fica nos meus ouvidos; permanece horas a fio no meu pensamento. Ao chegar em casa, tento escreve-la. E o samba nasce. O samba, a música mais linda do mundo...

— Carioca, teria de querer bem ao samba...

— Paulista que sou, creia que o adoro. Fico revoltada quando percebo a campanha insidiosa que fazem contra ele. Os falhados gostam de combatê-lo. Mas ele vai vencendo. Nova York começou a sentir melhor o Brasil quando notou o encantamento melodioso de Carmen Miranda. Buenos Aires estreitou mais as suas relações de estima, depois que o samba começou a fazer parte integrante de seus programas radiofônicos. E a festa mais bonita do mundo, o carnaval do Rio, o que seria sem a música que vem dos morros, que flui da terra, que desce para a cidade, enfeitiçando a gente nos cordões ou nas batalhas de confete? Gosto tanto do samba que deixei de estudar medicina por sua causa. Meu pai que descansa, hoje, dos seus labores no exército, queria. Eu também desejava ser colega de Alberto Ribeiro, na ciência de Hipócrates. Mas, depois, comecei a achar o curso dos mais ásperos, teria de estudar anatomia e conviver com esqueletos. Compor seria mais interessante. Comecei a escrever e, até agora, ainda não senti a menor vaidade. Escrevo sambas e marchas, como poderia perfeitamente, ser oficial administrativo de um Ministério qualquer, ou especialista de oftalmologia. Foi melhor; assim deixei de concorrer na vida pública com os homens. Correndo com eles no rádio, vivo no meu canto, sem magoá-los, sem contundi-los, porque não faço profissão, como compositora.

Aylce Chaves posa para o fotógrafo. Deixa-nos entrever sua surpresa pela lembrança que fizemos. Sempre modesta e simples. Mas com aquele sorriso, cheio de reticências, que é um dos segredos maiores, indiscutivelmente, dos seus encantos femininos." (Por Francisco Galvão - Revista da Semana, 6 de abril de 1940)

Obras

Amigos (c/ Paulo Marques), Bambeio mas não caio (c/ Elvira Pagã e Paulo Marques), Companheiras da noite (c/ Linda Rodrigues e William Duba), Espelho da vida (c/ Jarbas Cavalcânti), Farrapo humano (c/ Linda Rodrigues), Fracassei (c/ Peterpan e Edmundo de Souza), Indecisão (c/ Paulo Marques), Jurei (c/ Paulo Marques e Edmundo de Souza), Lama (c/ Paulo Marques), Mais uma noite (c/ Paulo Marques e Savio Barcelos), Me abandona (c/ Sávio Barcelos e Paulo Marques), Meu castigo (c/ Paulo Marques e Napoleão Alves), Minha mágoa (c/ Paulo Marques), Não quero lembrar (c/ Sávio Barcelos e Paulo Marques), Nome manchado (c/ Paulo Marques), Nosso romance (c/ Paulo Marques), Obsessão (c/ Paulo Marques), Pra conquistar (c/ Paulo Marques e Salvador Miceli), Quando a gente fica velho (c/ Linda Rodrigues e Amado Régis), Que bom será (c/ Paulo Marques e Salvador Miceli), Raça negra (c/ Paulo Marques), Recalque (c/ Paulo Marques), Segue (c/ Paulo Marques), Tratado de amor (c/ Paulo Marques), Trepa moleque (c/ Rafael Treiger), Viverás sempre só (c/ Raimundo Olavo), Vou beber (c/ Paulo Marques e Sávio Barcelos), Vou partir (c/ Paulo Gesta).

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista da Semana (06/04/1940).

Hélio Sindô

“Às qualidades de cantor, nosso biografado alia as de compositor, tendo inúmeras músicas, as quais ele mesmo interpreta. Gravando para importante fábrica, Hélio Sindô (assim se assina) possui diversos números de sucesso postos na cera, todos com venda apreciável. Sua grande aspiração está satisfeita, uma vez que pode ser considerado o sambista número um da Paulicéia, com um público numeroso a aplaudi-lo. Até hoje o «broadcasting» carioca não o tentou, apesar de vir ao Rio todos os anos e ser sondado pelos «maiorais» de nossas estações. Sua distração predileta é colecionar discos, selecionando os cantores a seu modo. Também não se furta a uma festinha íntima, em que não lhe peçam para cantar. É que sua voz vale dinheiro e por isso é necessário poupá-la. Fora do rádio desconhece outra profissão, urna vez que esta lhe paga bem.”  (Foto e texto da Revista da Semana n° 48 – 29/05/1948)

Hélio Sindô (Hélio Rodrigues Sindeaux), cantor, sambista e compositor, nasceu em Senador Pompeu, Ceará, em  07/10/1919, e faleceu São Paulo, SP, em 09/05/2005. Concluiu o curso primário na cidade natal, vindo a terminar o ginasial em São Paulo. Na metrópole bandeirante se inf1uenciou pelo rádio, tentando-o através da Educadora Paulista, no decorrer de 1938. Teve sorte nessa aventura, pois em curto espaço de tempo tornou-se um dos mais populares intérpretes do samba, a ponto de passar pelos microfones das grandes emissoras paulistas, como Cultura, Kosmos, Record, Educadora e finalmente Tupi.

Gravou na Continental Divina Dama, seu primeiro disco, samba de HenricãoRaul Marques e Buci Moreira, e Vem ao Rio, Rita, samba de Antônio Ferreira da Silva, João Rosa e Correia Filho, seguido dos seguintes:

O costume dela, samba (Hélio Sindô - Arlindo Pinto), Grande Bahia, samba (Avaré - Adoniran Barbosa), China chou, marcha (Jair Gonçalves - Hélio Sindô), Asa negra, samba (Adoniran Barbosa), Minha promessa, samba (Soriano - Boris), Boogie-woogie não é samba, samba (Hélio Sindô), Kikiricó, marcha (Arlindo pinto - Waldomiro Lobo), Porteiro de cabaré, samba (Osvaldo França - Conde - B. França), É de Bangu, samba (Hélio Sindô - Carlos Armando), Marcha do tubarão, marcha (Hélio Sindô - Capitão Balduíno), Vai dormir teu sono, samba (Heitor de Barros - Conde), Italiana, marcha (Ciro de Sousa), Quem é o presidente?, samba (Ciro de Sousa), Falso amigo, samba (Conde - Brioso), Embrulho, samba (Djalma Mafra - Alvaiade), Medo da onda, marcha (Reinaldo dos Santos - Hélio Sindô), Ai, se eu fosse português, samba (Hélio Sindô - Boca - Noel Victor), Falaram tanto, samba (Hélio Sindô - Conde), Pobre no pedir, samba (Djalma Mafra - Alvaiade), Cabocla, samba (Arlindo Pinto - Hélio Sindô), Sapato custa dinheiro, balanceio (Hélio Sindô - Carlos de Sousa), Arrebenta a bexiga, samba (Mário Zan - Arlindo Pinto), Ó Nesta, marcha (Ciro de Sousa - Polera), Delator, samba (Hélio Sindô - Reinaldo Santos), Vaca malhada, samba (Ciro de Sousa - Hélio Sindô), Desapareceu, samba (Antônio Rago - Hélio Sindô), Cachopa de branco, marcha (Jucata), Tenho pena dela, samba (Raguinho - José Saccomani), Triste caboclo, samba (Paraguassu), Amor de palhaço, marcha (Orlando Monelo - Jucata), É fingimento, samba (Júlio Nagib - Reizinho), A volta do dobrado, dobrado (Mário Vieira - Arlindo Pinto), Galicho ganhou, dobrado (J. E. Galvão de França - L. Ripoli Filho), Veja você, samba (Rago - Totó), Valete, marcha (Beduíno), Pepita, marcha (Beduíno), O Senhor me chamou, marcha (Hélio Sindô - Otelo Zeloni), Flauta do Bartolo, marcha (Armando Rosas - Hélio Sindô), Num banco de jardim, samba (Fernandes - Hélio Sindô), Voltou o pombo correio, samba (Hélio Sindô - Ariowaldo Pires) e Eu não posso acreditar, samba (Hélio Sindô - Domingos Romanelli).

Paulistano de coração e cearense de nascimento, foi um dos grandes violonistas da noite desta cidade durante três décadas pelo menos. Intérprete, parceiro e amigo de Adoniran Barbosa, compositor importante, gravado por gente do tamanho de Aracy de Almeida, conheceu seu maior sucesso com o belo samba E você não dizia nada (com José Sacomani e Jorge Martins), gravado magistralmente por Gilberto Alves na década de 50.

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Fontes: Só dói quando eu Rio... (por Fernando Szegeri) - 23/05/2005 e 28/05/2005; Revista da Semana, de 29/05/1948.

Leda Barbosa


Leda Barbosa (Leda Barbosa de Sant'Ana), cantora, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 03/03/1923, e faleceu em princípios de março de 2013. Com 60 anos de carreira e tia do cantor Jorge Vercilo de quem foi grande incentivadora da carreira artística, viveu a época dourada da Rádio Nacional. Atuou no Copacabana Palace e no Cassino Atlântico. Em 1946, lançou na Rádio Nacional o samba Samba de morro, de Billy Blanco.

Estreou em discos em 1948 quando registrou pela gravadora Star a marcha Mulher geniosa, de Sá Róris e Alcir Pires Vermelho, e o samba Está quase na hora, de Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho. Ainda na década de 1940, participou de uma edição do programa radiofônico "Dicionário Toddy" apresentado por Fernando Lobo na Rádio Tupi no qual interpretou a modinha Ontem ao luar (Choro e poesia), de Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara.

Em 1950, tomou parte do programa "Poemas sonoros" escrito por Eurico Silva e apresentado por Manoel Barcelos com a participação da orquestra do maestro Léo Peracchi no qual interpretou canções como Minha prece, Dois corações, e Minha saudade.

Em 1963, gravou pelo selo Pawal os sambas Pergunto se ele tem, de Barbosa de Souza, e Samba, mulata samba, de H. Expedito e L. Vieira. No ano seguinte, já pelo selo Ritmos gravou os sambas Não tem jeito, de Nelson Trigueiro, e Lágrimas de culpa, de João Grimaldi. Ainda por essa época, gravou pelo selo Tiger a marcha Você vai, de Toledo Cruz.

Em 1969, participou do disco independente Estórias de amor com obras do compositor Leonel Azevedo no qual interpretou os sambas Sonho desfeito, de Leonel Azevedo e Adelmo Lima, e Saudade teimosa, de Leonel Azevedo. Em 1972, participou do LP Alma do sertão lançado pela gravadora Copacabana com gravações do programa "Alma do sertão" apresentado por Renato Murce interpretando a toada Sabiá da mata, de Renato Murce.

Em 2002, sua interpretação para o samba Sonho desfeito, foi incluída no volume 1 da série de três CDs que o selo Revivendo lançou com o título Leonel Azevedo - o Compositor em Estórias de Amor - Volumes 1, 2 e 3.

Em 2006, retomou a carreira artística com o lançamento do CD A meiga presença produzido por Jorge Vercílio disco no qual interpretou entre outras as músicas Chove lá fora, de Tito Madi, Ronda, de Paulo Vanzolini, Pergunto se ele tem, de Barbosa de Souza, e Trovões e vendavais, de Jorge Vercilio.

A jovem intérprete da Nacional

"O interesse com que a Rádio Nacional seleciona valores para o seu «case» constitui justo prêmio àqueles que de fato possuem mérito, como no caso de Leda Barbosa, uma jovem e futurosa intérprete de nossas melodias populares.

Surgindo através da «Hora do Guri», quando ainda vestia o uniforme de aluna da Escola Superior de Comércio, Leda Barbosa foi galgando todos os postos ambicionados por uma «estréia», tendo passado pelo «cast» da Transmissora, nos áureos tempos de Dermeval Costa Lima; pela Educadora, então dirigida por Gastão Lamounier; pela Globo, na sua grande fase; na Cruzeiro do Sul, quando esse prefixo contava com Ari Barroso e Paulo Roberto; e, finalmente, agora se encontra na P.R.E-8, animando a programação de estúdio desse prefixo.

Bastante jovem, com um futuro risonho à sua frente, Leda Barbosa além de cantora, sabe dedilhar um violão, embora não o faça publicamente. Tendo começado como cantora de foxes e blues, hoje prefere a canção e o samba-canção, gênero em que é uma das primeiras, não só pela maneira com que os interpreta, como ainda pela bonita voz que possui.

Fluminense de nascimento, pois nasceu em Niterói, a graciosa cantora possui o diploma de contadora, sabe falar inglês, gosta de praticar natação, desconhece o que seja superstição e frequenta assiduamente os cinemas. Conhece alguns Estados do Brasil, inclusive o de Minas Gerais, onde cantou na Rádio Inconfidência, com verdadeiro sucesso." (Revista da Semana n° 48 – 29/05/1948)

Discografia

(2006) A meiga presença • CD
(1964) Não tem jeito/Lágrimas de culpa • Ritmos • 78
(1964) Você vai • Tiger • 78
(1963) Pergunto se ele tem/Samba, mulata samba • Pawal • 78
(1948) Mulher geniosa/Está quase na hora • Star • 78

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista da Semana de 29/05/1948; Revista do Rádio de 05/06/1950.

Djalma Mafra

Djalma Mafra, compositor, nasceu no bairro do Irajá, no Rio de Janeiro, RJ, em 02/11/1916, e faleceu na mesma cidade, em 24/12/1974. Em 1942, Odete Amaral gravou na Odeon a marcha Vitaminas, com Amaro Silva e Domício Augusto.

No ano seguinte, o samba Antes porém, com Ciro Monteiro, foi gravado na Odeon por Moreira da Silva. Também na Odeon, Ataulfo Alves e Sua Escola de Samba gravaram o samba Leonor, parceria com Ataulfo Alves, e a dupla vocal Joel e Gaúcho registrou a marcha "Cavalinho bom", com Joel de Almeida.

Ainda em 1943, o samba Jamais acontecerá, com Geraldo Pereira, foi gravado na Odeon pela cantora Odete Amaral, e os sambas Domine sua paixão, com João Bastos Filho, e Oh! Seu Djalma, com Raul Marques, e a batucada Tire a mão do meu bolso, com Nicola Bruni, foram registrados por Ciro Monteiro na Victor. Também na Victor a cantora Marilu lançou os sambas Desta vez vou ser feliz e Réu primário, ambos com Amaro Silva.

Em 1944, a marcha Salve o inventor da mulher, com Amaro Silva, foi gravada na Odeon por Odete Amaral. No ano seguinte, Ciro Monteiro gravou na Victor o samba Obrigação, com Alcides Rosa, e Odete Amaral, também na Victor, lançou o samba Na chave do portão, com Alberto Maia. Em 1945, o samba Abriu-se o pano, com Alcides Rosa, foi gravado por Ciro Monteiro na Victor. O mesmo Ciro Monteiro gravou em seguida a marcha Ôp, ô, ôp, com Ari Monteiro, e o samba Dentro da capela, com Alcides Rosa. No ano seguinte, Jorge Veiga gravou na Continental o samba A vida tem dessas coisas, com Raul Marques.

Em 1947, pela Continental, Roberto Silva gravou o samba O errado sou eu, com Erasmo de Andrade. No ano seguinte, Hélio Sindô gravou na Continental o samba Embrulho, com Osvaldo dos Santos. Hélio Sindô gravou em 1949, o samba Pobre no pedir, com Osvaldo dos Santos. No mesmo ano, Sílvio César, com sua orquestra, gravou na Continental o fox-trot Eu não sou marinheiro e o choro Aguenta o tempo, e Ataulfo Alves também na Continental o samba Banco de réu.

Em 1952, Odete Amaral lançou pela Odeon o choro Beija-flor, com Alcides Rosa. Também na Odeon, o cantor Risadinha lançou o samba Marinheiro de primeira viagem, com Alvaiade. Em 1955, Risadinha gravou o samba Embrulho que eu carrego, com Osvaldo dos Santos. No mesmo ano, o samba Todo mundo sabe, com Nelson Silva, foi gravado por Louis Cole no LP Uma noite no Vogue - Louis Cole e Seu Sexteto do selo Rádio. No ano seguinte, Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara gravaram pela Continental o choro Comprando barulho, com Jorge Tavares. Em 1958, o cantor Raimundo Olavo lançou pela gravadora Todamérica o LP Esquina do Nice no qual registrou o samba Destino traiçoeiro, com Raimundo Olavo.

Em 1960, o conjunto Conjunto Brasília Ritmos gravou pela Odeon o LP Ritmos do Brasil - Vol. 2 no qual foi incluído o samba Comprando barulho. No mesmo ano, Roberto Silva gravou o samba Domine a sua paixão, com João Bastos Filho, no LP Descendo o morro Nº 3 da gravadora Copacabana. Em 1961, o samba Eu não sou marinheiro, um de seus maiores sucessos, foi gravado no LP Peça bis em Hi-Fi - Hugo Master e Sua Orquestra, e por Lauro Paiva e Conjunto no LP Sucessos com Lauro Paiva. Dois anos depois, o samba Eu fui o culpado, com Álvaro Castilho, foi gravado por Alcides Gerardi no LP Enquanto o tempo passa da CBS. O mesmo cantor gravaria um ano depois o samba Outras foram, com A. Castilho, no LP Amor sem ter amor.

Em 1966, Alcides Gerardi gravou o samba-canção Agora se acabou, com Augusta de Oliveira, no LP Desejo da CBS. Em 1969, o samba Banco de réu, foi gravado pelo cantor Noite Ilustrada no LP Revivendo o Mestre Ataulfo, lançado por ele pela gravadora Continental. No mesmo ano, o samba Embrulho que eu carrego, com Alvaiade, recebeu duas gravações. De Ciro Monteiro e Elizeth Cardoso no LP A bossa eterna de Elizeth e Cyro - Volume 2 da gravadora Copacabana, e a de Elza Soares e Miltinho no LP Elza, Miltinho e samba - Volume 3 da Odeon.

Em 1974, Zuzuca gravou o samba Obrigação, com Alcides Rosa, em LP CBS, e o conjunto Samba 4 também na CBS regravou o samba Banco de réu. Em 1978, Roberto Müller gravou na Tapecar o samba-canção Outras foram.

Em 1991, o samba Vitaminas, interpretação de Odete Amaral, foi incluído no LP A coroa do Rei com gravações de Francisco Alves, Rosina Pagã, Dircinha Batista e Odete Amaral do selo Revivendo.

Sua carreira artística transcorreu principalmente nas décadas de 1950 e 1960, quando foi parceiro de nomes como Geraldo Pereira, Alvaiade, Ataulfo Alves e Joel de Almeida entre outros. Suas composições, especialmente sambas e marchas, foram gravadas por nomes como Odete Amaral, Ciro Monteiro, Ataulfo Alves, Joel e Gaúcho, Jorge Veiga, Risadinha e Roberto Silva. Sempre foi muito ligado ao carnaval, especialmente o de Madureira, do qual foi grande folião.

Obra

A vida tem dessas coisas (c/ Raul Marques), Abriu-se o pano (c/ Alcides Rosa), Agora se acabou (c/ Augusta de Oliveira), Aguenta o tempo, Antes porém (c/ Ciro Monteiro), Banco de réu (c/ Alvaiade), Beija-flor (c/ Alcides Rosa), Brigas de amor (c/ Alvaiade), Cavalinho bom (c/ Joel de Almeida),  Comprando barulho (c/Jorge Tavares), Dentro da capela (c/ Alcides Rosa), Desta vez vou ser feliz (c/ Amaro Silva), Destino traiçoeiro (c/ Raimundo Olavo), Domine a sua paixão (c/ João Bastos Filho), Domine sua paixão (c/ João Bastos Filho), Embrulho (c/ Osvaldo dos Santos), Embrulho que eu carrego (c/ Alvaiade),  Embrulho que eu carrego (c/ Osvaldo dos Santos), Eu fui o culpado (c/ Álvaro Castilho), Eu não sou marinheiro (c/ Alvaiade), Falsidade (c/ João Pereira Lucena), Jamais acontecerá (c/ Geraldo Pereira), Leonor (c/ Ataulfo Alves), Marinheiro de primeira viagem (c/ Alvaiade), Na chave do portão (c/ Alberto Maia), O errado sou eu (c/ Erasmo de Andrade), Obrigação (c/ Alcides Rosa), Oh! Seu Djalma (c/ Raul Marques), Ôp, ô, ôp (c/ Ari Monteiro), Outras foram (c/ A. Castilho), Pobre no pedir (c/ Osvaldo dos Santos), Réu primário (c/ Amaro Silva), Salve o inventor da mulher (c/ Amaro Silva), Tire a mão do meu bolso (c/ Nicola Bruni), Todo mundo sabe (c/ Nelson Silva), Vitaminas (c/ Amaro Silva e Domicio Augusto).

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista do Rádio.

segunda-feira, maio 27, 2013

Nelson Novaes

Nelson Novaes (Armando Carlos de Campos Souza Aranha), cantor, compositor e radioator, nasceu em São Paulo, SP, em 20/5/1920, mas viveu parte de sua infância na cidade de Jacareí. Ainda jovem, empregou-se como linotipista da "Revista dos Tribunais".

Estudava contabilidade, mas desejava lançar-se como cantor. Seu chefe, o escritor Nelson Palma Travassos, permitiu-lhe facilidades para que pudesse conciliar seu horário de trabalho com a música, e o cantor, em agradecimento, adotou o pseudônimo artístico de Nelson, juntando-o ao sobrenome Novaes.

Em 1940, ingressou na Rádio Cultura de São Paulo, exibindo-se em várias outras emissoras, inclusive nas rádios Tupi e Mayrink Veiga do Rio de Janeiro. Apresentou-se no Cassino Copacabana, e atuou também como radioator. Gravou um total de oito discos de 78 rpm, entre os anos de 1944 e 1959.

Seus maiores sucessos foram os boleros Jamais te esquecerei e Pelo teu amor. Jamais te esquecerei, foi lançado em 1947, numa versão instrumental gravada pelo próprio compositor, o violonista Antônio Rago.

Um ano mais tarde, a composição recebeu letra de Juracy Rago, primo do violonista, tendo sido cantada pela primeira vez por Nelson Novaes. De seus registros, destacam-se, ainda, o samba Precaução, da famosa dupla Pedro Caetano e Claudionor Cruz e Na beira do cais, valsa de Alberto Ribeiro.

Discografia

(sem data) Um amor igual ao nosso • Todamérica • 78
(sem data) Beijarás pensando em mim • Todamérica • 78
(sem data) Maria gastadeira • 78
(1944/1955) Precaução • Continental • 78
(1944/1955) Na beira do cais • Continental • 78
(1944/1955) Por um beijo de amor • Continental • 78
(1944/1955) Chinita mia • Continental • 78
(1944/1955) Jamais te esquecerei • Continental • 78
(1944/1955) Coração em festa • Continental • 78
(1944/1955) Casinha da colina • Continental • 78
(1944/1955) Pelo teu amor • Continental • 78
(1944/1955) Minha canção de amor • Continental • 78
(1944/1955) Despedida • Continental • 78
(1944/1955) Três coisas de valor • Continental • 78
(1944/1955) Só gosto de amor • Continental • 78

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista do Rádio - Fevereiro de 1950..

A polêmica da marchinha "Cachaça" - Parte 2

O escândalo: Colé cantou "Cachaça" com gosto. Carmen Costa fez dupla com Colé. Mirabeau Pinheiro, um dos muitos autores. Lúcio de Castro diz que também fez... (Fotos: Revista do Rádio de 10/03/1953).
"Marinósio Filho apareceu quando menos se esperava. E mostrando documentos, inclusive um disco que o garantiu como o legítimo autor da “Cachaça”. Ganhou a questão com justiça."

"Praticamente às vésperas do Carnaval carioca, o senhor Marinósio Filho, residente em Londrina, Paraná, compareceu a sede da União Brasileira de Compositores para reclamar a paternidade da marchinha “Cachaça”, que estava sendo cantada, por todo o Brasil, através do rádio e de uma grande vendagem de discos.

Houve escândalo porque a mesma melodia fora gravada como de autoria de três outros compositores — Héber Lobato, Mirabeau Pinheiro e Lúcio de Castro. Entretanto, aquêle que se dizia o verdadeiro autor levava documentos e um disco que asseguravam a veracidade de suas palavras: segundo esses, “Cachaça” fora registrada, em 1945, no Instituto Nacional de Música, e gravada, na mesma época, no Uruguai, na fábrica de discos “Sand’ Or”.

O disco foi tocado e comprovou-se que a melodia era a mesma, com pequeníssimas modificações! A UBC reconheceu, então, o senhor Marinósio Filho como o autor legítimo da marchinha, prontificando-se a ajudá-lo a receber os direitos autorais competentes, inclusive porque o mesmo pertencia ao seu quadro de associados.

No dia seguinte, levado à Editora “Copacabana Musical”, o senhor Marinósio Filho assinou contrato para o recebimento dos direitos de execução de “Cachaça” em todo o Brasil. Resolveu não adotar questão judicial contra os outros pseudo-autores, preferindo, mesmo, aceitá-los na qualidade de “colaboradores” — com exceção de Lúcio de Castro destinando-lhes 15 por cento de sua renda. Foi a melhor solução encontrada."

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Fonte: Revista do Rádio – 10 de março de 1953.

A polêmica da marchinha "Cachaça" - Parte 1

Marinósio mostra documentos e disco gravado, ganhando a questão (Revista do Rádio, 10/3/1953).

Pouca gente sabe, mas o autor da marchinha “Cachaça” (“Você Pensa que Cachaça é Água”), viveu boa parte de sua vida em Londrina, Paraná. A música, tocada há décadas em diversos bailes e desfiles de Carnaval, foi composta por Marinósio Trigueiros Filho. Baiano, natural de Salvador, Marinósio aportou em Londrina no início da década de 1940. 

Os herdeiros do compositor, que moram na cidade, ganharam em segunda instância, em fevereiro de 2011, uma ação por danos morais contra o Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda (Sigla), do qual a gravadora Som Livre é a mais conhecida.

Marinósio era um típico boêmio, que integrava um conjunto de música tocando em bares e boates da época. Viajava muito e, por conta dessas andanças pelo país, passou pelo Norte do Paraná, então em pleno desenvolvimento e expansão, e resolveu fincar raízes em Londrina. De acordo com uma das filhas de Marinósio, Dulcínie Moratore Trigueiros Rossetto, o pai compôs a música em Salvador, quando estava num botequim. “Ele começou a cantarolar e viu que dava samba. Então anotou a letra num guardanapo mesmo”, conta.

A letra, que versa sobre cachaça e água, pode ser uma referência ao próprio autor. “Meu pai era boêmio, gostava da noite. Na época ele tomava uísque”, diz Dulcínie. Já com a música pronta, Marinósio mudou-se para Londrina. Foi gravá-la, entretanto, somente em 1946. Com a banda, viajava muito, tocando em bares e boates no Brasil e também no exterior, principalmente na Argentina e Uruguai, onde gravou a música.

De volta ao Brasil, Marinósio se espantou quando ouviu, pela televisão, a execução da marchinha. “Um belo dia de 1953, escutou a música, com alguma alteração na letra, no Carnaval do Rio de Janeiro. Na quarta-feira de cinzas ele pegou um avião e foi parar na União Brasileira de Compositores (UBC), que cuida dos direitos autorais”, conta a filha. Na época, o presidente era o sambista Ataulfo Alves de Sousa. “Eles conversaram e houve um acordo. Meu pai comprovou que a autoria era dele”, diz Dulcínie. Segundo ela, Marinósio levou o disco gravado no Uruguai alguns anos antes, que a família conserva até hoje.

Entretanto, mesmo assim a autoria foi dividida entre quatro compositores: Marinósio, que ficou com 40%, e outros três, cada um com 20%: Lúcio de Castro, Heber Lobato e Mirabeau Pinheiro.

“A música fez sucesso e, já que tinham trocado uma linha para melhor, ele concordou em dividir”, diz a filha. Morto em 1990, Marinósio não teve outras composições de sucesso, já que dedicava bastante tempo para tocar com um grupo em bares e boates. Mas em 2007, a família resolveu comprar o CD com a marchinha dele, para guardar no acervo. “Qual não foi a surpresa ao ver que não constava o nome do meu pai”, lembra Dulcínie.

Antes de ir à Justiça, a família tentou negociar com a gravadora, que concordou em pagar os direitos autorais, mas não teria registrado uma errata, dando o crédito da autoria a Marinósio. Foi então que a família resolveu entrar com uma ação, protocolada em 2007, em que pediam danos morais pela omissão do nome de Marinósio na autoria da marchinha, gravada em no CD Bonde das Marchinhas.

O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná confirmou a sentença da 5ª Vara Cível de Londrina que condenou a Globo Comunicação e Participações S.A. a pagar R$ 20 mil a cada um dos sete herdeiros de Marinósio Trigueiros Filho, autor da marchinha “Cachaça”, e que não teve a autoria incluída no CD Bonde das Marchinhas, lançado em 2007. “Os herdeiros foram atrás para ver a questão dos direitos”, afirma o advogado Carlos Levy, que defende a família.

Levy explicou que há duas formas de se remunerar o autor – ou herdeiros – de uma música gravada em CD. “O primeiro é o pagamento de direitos autorais pela reprodução fonográfica. A outra é o direito do autor de ver o nome dele aparecer, como sendo a autoria reconhecida”, diz.

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Fontes: Gazeta do Povo; Revista do Rádio.

domingo, maio 26, 2013

As "Três Marias" não se chamam Marias...

O grupo "As Três Marias", sendo entrevistado pela Revista do Rádio, em Outubro de 1948.

Em um dia do ano de 1942, José Mauro, àquela época integrando o quadro de produtores da Rádio Nacional, teve uma ideia singular: criar um conjunto vocal feminino. Chamou Marília Batista, contou-lhe o que planejara, notificou-a de que ela seria uma das integrantes do nóvel conjunto e encarregou-a de arranjar as suas companheiras, que seriam duas. A irmã de Henrique Batista conseguiu imediatamente a adesão de Bidu Reis e Salomé Cotelil. José Mouro, entretanto, custou a arranjar um nome para batizar condignamente o trio.

Consultou livros, virou, mexeu, até que, um dia, cansado de tanto dar tratos à bola, fitou longamente o céu e sentiu um estalo, semelhante ao de Vieira: o conjunto chamar-se-ia “Três Marias”, já que foram as estrelas assim chamadas que lhe inspiraram.

As primeiras "Marias"

As primeiras "Marias" do homogêneo trio, Bidu Reis, Marília Batista e Salomé Cotelli acabaram dispensando-se. Bidu foi para a Globo; Salomé retornou à Tupi e Marília trocou o rádio pelo lar. Nem todas ao mesmo tempo, é óbvio. Salomé Cotelli foi a primeira, sendo substituída por Regina Célia, que é, portanto, a mais antiga das "Três Marias". No lugar de Bidú entrou Consuelo Sierra e no de Marília, Heydnar Martins.

As "Marias" atuais

Atualmente, as “Três Marias” compõem-se de Regina Célia, Heydnar Martins e Bidú Reis, que retornou ao popular trio ocupando o lugar deixado por Consuelo Sierra, a qual deixou o microfone para casar-se.

Excursões, gravações, filmagens, etc.

Há dias, a reportagem da Revista do Rádio esteve na Rádio Tupi, “habitat” atual das “Três Marias”, tendo oportunidade de palestrar longamente com as jovens e alegres integrantes do referido trio. Primeiramente, indagamos se era verdade que pretendiam excursionar, dentro em breve.

— Claro — responderam em uníssono.

E Heydnar, a lourinha do conjunto, explicou ao repórter:

— Tivemos o grato prazer, a pouco, de conhecer o norte brasileiro. Agora, queremos visitar o sul.

— Para isso — acrescenta Regina Célia — estamos estudando diversas propostas que nos chegaram.

— Têm alguma gravação em perspectiva? — perguntamos.

— No momento, não — informou Bidu Reis, que até então se mantivera silenciosa. — Mas não estamos descontentes, pois “América Tropical”, versão de Lourival Faissal; “Vou vender meu barco”, batuque de Alberto Ribeiro, e “Tic-tac do relógio”, samba-swing, de Dunga, melodias essas que foram criadas por nós, estão obtendo algum sucesso.

— É fato que vocês tomaram parte numa película argentina?

— Sim, — nos respondeu Regina Célia. — Figuramos em “Não me diga adeus”, filme argentino, no qual apareceremos ao lado de diversos artistas patrícios. Antes tomamos parte em “E’ proibido sonhar”, produção do cinema brasileiro.

A nova moda feminina

Assunto de todos os momentos, dada sua atualidade, a nova moda feminina não poderia deixar de surgir em nossa palestra. Quando perguntamos a opinião das Marias que não são Marias, sobre o assunto, o ambiente esquentou, leitores. Enquanto Regina Célia afirmou peremptoriamente:

— Não gosto das saias compridas porque nada têm de prático!

Heydnar Martins, convictamente, asseverou:

— Sou francamente favorável à nova moda feminina, pois ela torna a mulher mais elegante!

E começaram a discutir, as duas, acaloradamente, cada uma querendo a vitória do seu ponto de vista. Resolvemos intervir na discussão, dizendo que a opinião de Bidu Reis ainda não fora ouvida, o que poderia modificar radicalmente o curso do debate. A discussão cessou, como por encanto, e Bidu afirmou:

— Não sou contra nem a favor. Ou melhor: gosto de saias compridas no inverno e de saias curtas no verão...

O casamento não acabará com o trio

Como o matrimônio tem acabado com inúmeros conjuntos vocais femininos e quase fez o mesmo com as “Três Marias”, perguntamos se, não seria provável tal coisa acontecer num futuro muito próximo.

—Qual o que!  disse a veterana Regina Célia, — A turma agora está unida. Pode vir casamento que o conjunto continua...

Momentos depois, as joviais “Marias” deixavam o repórter, pois estava na hora do ensaio. Vimos, então, que a assertiva de Regina Célia tinha a sua razão de ser. O trio está entusiasmado. Trabalha de verdade. Quer subir cada vez mais. E os seus admiradores não poupam elos nem envelopes, escrevendo-lhe milhares de cartas, prova cabal de que as “Três Marias” quer ilustrando partituras, em “solos”, ou interpretando “jingles” vão vencendo, criando um prestígio merecido.

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 Fonte: Revista do Rádio - Outubro de 1948.

Como se forma um conjunto

"A mais recente foto do popular conjunto.
Reparem que o Coringa é o do pandeiro."
A história dos Quatros Ases e Um Coringa: os cearenses que abafaram no Rio.

"Em 1936, veio de Fortaleza, um rapaz chamado Evenor, a fim de fazer o curso de Químico Industrial. Logo depois, chegava também André, que nesse tempo tinha o apelido de "Melé". Os dois estudavam e moravam juntos, como fazem tantos outros estudantes. Evenor tocava seu cavaquinho mais ou menos e "Melé" gostava de batucar num pandeiro...

Em 1938, veio se juntar aos dois, Permínio, irmão de Evenor, que cantava regularmente. Assim estava formado um trio de estudantes que alegrava os companheiros nas horas vagas, cantando as músicas populares do momento e as mais lindas melodias do Ceará. Em 1939, com a chegada de José, outro irmão de Evenor, que também tocava e cantava, o conjunto tomou aspecto de coisa séria, passando, então, a participar de festinhas familiares.

Animados por seus colegas, resolveram tentar uma audição em emissora. Assim conseguiram cantar no programa "Alma do Sertão" de Renato Murce, nessa época transmitida pelo Rádio Clube do Brasil. Apesar de muito agradarem, a PRA-3, não estava em condições de poder contratá-los. Sendo assim, resolveram continuar os estudos e... os ensaios, é claro!

Por ocasião da formatura de Evenor, estando os demais em férias, os rapazes resolveram dar um pulo em Fortaleza, a fim de visitar suas famílias. Lá chegando, "Melé" apresentou aos companheiros um ex-violonista do "Bando Liceal". Tratava-se de Esdras, ou melhor, "Pijuca", com alguma prática de conjunto e demonstrando reais qualidades. Imediatamente todos se convenceram que deveriam formar um quinteto. Logo aos primeiros ensaios, receberam uma proposta do sr. João Dummar, diretor do Ceará Rádio Clube, para fazer uma temporada de 30 dias, naquela emissora, isto em janeiro de 1941. Diante do sucesso dessa temporada, combinaram voltar ao Rio, não só para estudar, como também para ver se conseguiam, desta vez, ingressar no "broadcasting" carioca.

Ao microfone da Rádio Cruzeiro do Sul, num programa de Aylton Flores, apresentou-se, então, pela primeira vez no Rio, o quinteto "Bando Cearense" ou "Quatro Ases e Um Melé", conforme os batizou o jornalista cearense Demócrito Rocha, já falecido. Depois de três audições seguidas foram convidados a um teste na Rádio Mayrink Veiga, onde esperavam ser contratados.

Agradaram plenamente, mas... o contrato estava demorando e era preciso trabalhar. Já estavam meio apreensivos, quando surgiu novamente o Sr. João Dummar, que aqui viera a negócios. Encontrando-os fez a apresentação do conjunto ao Sr. Teófilo de Barros Filho, riscou o "Bando Cearense" e aproveitando o nome de "Quatro Ases e Um Melé", transformou-o em "Quatro Ases e Um Coringa", modificação essa que vem a dar no mesmo, pois, no Norte, "melé" e "coringa" tem o mesmo significado.

Depois de vários programas, vieram as primeiras gravações e, consequentemente, os primeiros sucessos. Quem não se lembra de: "Eu vi um leão", "Sá Mariquinha", "Baião", "Onde estão os tamborins", "É com esse que eu vou" e tantas outras músicas do repertório desses vitoriosos rapazes? Depois de atuarem durante três anos na Rádio Tupi, receberam e aceitaram uma vantajosa proposta da Rádio Nacional, onde até hoje permanecem.

O cartaz dos Quatro Ases e Um Coringa já estava assegurado, por isso começou a chover propostas para excursionarem. Percorreram vários Estados do Brasil, atuando sempre nas melhores boates e nos melhores cassinos. No exterior, obtiveram grandes sucessos em Santiago do Chile e em Buenos Aires.

Evenor, 33 anos, casado, uma filha de 4 anos, químico industrial e gosta muito de cinema. Permínio, 29 anos, solteiro, perito contador e oficial da reserva, é francamente do futebol e torcida renitente do Flamengo. José, 28 anos, casado, com um filho de 4 anos, perito contador e oficial da reserva, gosta de leitura e pratica vários esportes. Pijuca, 28 anos, casado, filhos (ainda é cedo), perito contador e gosta de resolver problemas bem intrincados. Coringa, 29 anos, solteiro, não concluiu os estudos, mas, em compensação, dizem que é um excelente "catedrático" em matéria de corridas de cavalos...

Pelo que apuramos, não resta a menor dúvida de que o maior desejo de todos os componentes dos Quatro Ases e Um Coringa é levar nossa música, e torná-la mais conhecida ainda, nos Estados Unidos da América do Norte e por toda a Europa. Bela aspiração a desses cinco jovens, que o Brasil inteiro conhece e tanto admira!"

Fotos: "A rapaziada dos 4 Ases e 1 Coringa está sempre alegre e bem disposta. Aqui três flagrantes dos guapos cearenses, tirados na praia de Copacabana numa tarde de calor."

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Fonte: Revista do Rádio - Dezembro de 1949

quinta-feira, maio 23, 2013

Dom Mita

Dom Mita (Nílton Luiz Ferreira), compositor, cantor e percussionista, nasceu em Bauru, SP, em 23/04/1940, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 02/01/2002. Aos 13 anos de idade foi morar no morro de São João, no Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro. Por essa época frequentou as rodas de samba e começou a aprender pandeiro e logo depois passou para outros instrumentos de percussão.

Surgiu no início da década de 1970, participando do movimento black music, ao lado de Gérson King Combo, Carlos Dafé, Tim Maia, Sandra de Sá, Cassiano e Os Diagonais e Banda Black Rio. No ano de 1973 Tim Maia gravou de sua autoria A paz no meu mundo é você.

Em 1975 Alcione gravou de sua autoria É amor... Deixa doer, no LP A voz do samba. No ano seguinte, a cantora incluiu outra composição sua, É melhor dizer adeus, no disco A morte de um poeta, pela gravadora Philips. Dois anos depois, em 1977, Carlos Dafé lançou o LP Pra que vou recordar o que chorei pela gravadora Warner, no qual interpretou De alegria raiou o dia, parceria de ambos. Neste mesmo ano, foi feito um videoclip para o programa Fantástico, da Rede Globo com a música. No ano seguinte, Carlos Dafé incluiu no disco Venha matar saudades, também pela Warner, outra parceria de ambos, Pobre de quem.

No ano de 1979, Jurema, no disco Eu nasci no samba, interpretou duas composições suas: Velho papo de ilusão (c/ Carlos Barbosa) e Não se preocupe, esta em parceria com Edson Carlos.

Em 1985, Agepê gravou Atalhos (c/ Carlos Barbosa).

No ano 2000, a gravadora Warner lançou a série Dois Momentos. Nesta coleção, compilou dois discos de Carlos Dafé: Pra que vou recordar o que chorei e Venha matar saudades, colocando em evidência neste ano, composições da década de 1970 que foram fomentadoras do movimento black music brasileiro, dentre elas duas composições de sua autoria dos respectivos LPs.

No ano 2001, apresentou o show "Mita & convidados" no teatro Rival, no Rio de Janeiro. Nesse show fez o lançamento de seu último disco Dom Mita, CD no qual incluiu Menininha da Coroa (c/ Jackson Góes) com participação de Marysa Alfaya; Minha deusa, com arranjos de Lincoln Olivetti; Tente entender (c/ César); Libra (Durval Ferreira, Oswaldo Rui da Costa e Macau) e ainda De alegria raiou o dia, interpretada em dueto como o parceiro Carlos Dafé. Neste mesmo ano Seu Jorge (ex-integrante do grupo Farofa Carioca) gravou De alegria Raio o dia (Dom Mita e Carlos Dafé) com a participação especial de Carlos Dafé.

Faleceu em 2002, sendo sepultado no Cemitério de Irajá, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Obras

A paz no meu mundo é você, Atalhos (c/ Carlos Barbosa), Cabeça feita (c/ Willy), Como é linda a natureza (c/ Carlos Dafé e Toninho Lemos), Dá um tempo coração (c/ Valmir), De alegria, raiou o dia (c/ Carlos Dafé), Despertar da solidão (c/ Carlos Dafé), É amor... Deixa doer, É melhor dizer adeus, Fuleragem (c/ Léo Machado), Menininha do coroa (c/ Jackson Góes), Minha deusa, Mundo companheiro (c/ Carlos Dafé), Não se preocupe (c/ Edson Carlos), No pique do amor (c/ Valmir), O som do Tim (c/ Valmir), Olhe, pare e pense (c/ Carlos Dafé), Pobre de quem (c/ Carlos Dafé), Que sorte a minha (c/ Carlos Dafé, William Félix e Gil Veloso), Rio sem você (c/ Valmir), Tempo ao tempo (c/ Pablo Moranzane e Ni), Tente entender (c/ César), Velho papo de ilusão (c/ Carlos Barbosa).

Discografia

(2001) Dom Mita • Beverly • CD; (2004) Black Music Brasil • Selo Som Sicam • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Celso Blues Boy


Celso Blues Boy (Celso Ricardo Furtado de Carvalho), instrumentista, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 05/01/1956, e faleceu em Joinville, SC, em 06/08/2012. Nascido no Rio, morou em Blumenau, SC, dos 6 aos 14 anos. Começou a estudar guitarra com o pai, aos 14 anos de idade. Sua irmã, pianista, foi uma das primeiras pessoas para quem fez acompanhamento. Um de seus tios, grande conhecedor de rock e blues, foi quem o encaminhou para o rock e o blues. Tocou em vários grupos e bailes em Blumenau, onde a família havia se instalado. Logo, contudo, deixou a família e passou a viajar pelo país.

Aos 17 anos, já acompanhava Raul Seixas (com quem atuou na faixa O diabo é o pai do rock) e a dupla Sá e Guarabira. Retirou seu nome Blues Boy de B B King, por quem tinha grande admiração: "Desde pequeno ouço B. B., que funciona para mim como um ponto de referência. Clapton, meu ídolo, entra como um ponto de equilíbrio e Hendrix como desabafo".

Aos 19 anos, em 1976, fundou o grupo de blues-hard rock Legião Estrangeira e a banda Aero blues. A partir da década de 1980 lançou-se em carreira solo apresentando-se na boate carioca Appalloosa, na rua Barata Ribeiro, em Copacabana.

No início da década de 1980, um aluno seu insistiu para que gravasse uma fita-demo e a levou à Rádio Fluminense (A Maldita). Logo, a emissora pôs sua música no ar, tornando-a um grande sucesso. Por essa época, começavam os shows de rock no Circo Voador, na Lapa, centro do Rio de Janeiro e também os show produzidos por Nelson Motta, "Noites Cariocas", no Morro da Urca (Pão de Açúcar).

Sua primeira participação solo em gravação ocorreu em 1982, na coletânea lançada pela WEA Rock voador, somente com bandas que se apresentavam no Circo Voador do Rio de Janeiro.

Em 1984, participou da trilha sonora do filme Bete Balanço, também lançada em LP pela WEA. Neste mesmo ano, lançou pela gravadora Warner o disco Som na guitarra, do qual se destacaram as faixas Blues motel e Aumenta que isso aí é rock and roll, sua composição mais conhecida. Ainda deste LP, outras músicas obtiveram relativo sucesso, entre as quais Rock fora da lei e O brilho da noite, parceria com Geraldo D'arbilly. No ano seguinte, ao lado de Barão Vermelho, Herman Torres, Robson Jorge e Lincoln Olivetti, Roupa Nova, José Renato, Fred Nascimento e Marisa Monte, entre outros, participou da trilha sonora do filme Tropclip, na qual interpretou de sua autoria Tempos difíceis.

No ano de 1986, foi convidado pela revista "Roll" para entrevistar B.B. King, que por essa época apresentava-se no Brasil. B. B. King emprestou-lhe sua famosa guitarra Lucille, convidando-o para visitá-lo em Indianápolis. Para seu quarto disco, fez eleições diretas no Circo Voador, pelas quais o público escolheu o repertório.

Em 1996 transferiu-se para a cidade de Joinville, em Santa Catarina.

Em 1999, lançou o CD Vagabundo errante, na casa de espetáculos carioca Ballroom. No ano de 2002 apresentou-se na Lona Cultural João Bosco, em Vista Alegre, subúrbio do Rio de Janeiro e na Lona Cultural Gilberto Gil, em Realengo, também no Rio de Janeiro. Em 2003, apresentou-se no HardRockCafé, no Rio de Janeiro.

No ano de 2007 fez show no Circo Voador gravando as faixas para o CD e DVD Quem foi que falou que acabou o rock'n' roll?, nos quais compilou seus maiores sucessos: Blues motel, Fumando na escuridão, Marginal, Aumenta que isso aí é rock'n' roll e Tempos difíceis, além da faixa inédita que dá nome ao disco. O DVD e CD foram lançados em show na casa carioca Canecão no ano seguinte, em 2008.

Em 2011 lançou o último disco de carreira intitulado Por um monte de cerveja. Foi considerado um dos melhores guitarristas de blues do Brasil.

Obra

Amor vazio, Aumenta que isso aí é rock and roll, Blues motel, Filhos da bomba, Fumando na escuridão, O brilho da noite (c/ Geraldo D'Arbilly), Quem foi que falou que acabou o rock'n' roll?, Rock fora da lei, Tempos difíceis.

Discografia

(1982) Rock voador • Independente • LP; (1983) Fugindo de mim/Sinto tanta vontade • WEA • Compacto simples; (1983) Eu disse adeus/Caminhando • WEA • Compacto simples;(1984) Som na guitarra • Philips/WEA • LP; (1985) Tropclip • Philips • LP; (1986) Marginal blues • Polygram • LP; (1987) Celso Blues Boy 3 • LP; (1988) Blues forever • LP; (1989) Quando a noite cai • LP; (1991) Ao vivo - Celso Blues Boy • CD; (1996) Indiana Blues • CD; (1998) Nuvens Negras Choram • CD; (1999) Vagabundo errante • CD; (2008) 2008 Quem foi que falou que acabou o rock'n' roll? (ao vivo no Circo Voador) • DVD; (2008) Quem foi que falou que acabou o rock'n' roll? • CD; (2011) Por um monte de cerveja • CD.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

Francisco Mário

Francisco Mário (Francisco Mário Figueiredo Souza), compositor, violonista e economista, nasceu em Belo Horizonte, MG, em 22/08/1948, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14/3/1988. Membro de uma família ligada à cultura (era irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho), em que a apreciação e experimentação musical eram incentivadas desde a infância.

Dedicou-se à música depois de ter estudado economia, engenharia e de ter atuado como jornalista no jornal O Estado de S. Paulo e como crítico musical na revista Realidade. Estudou violão com o professor Henrique Pinto e criou o método de música em cores para crianças, aplicando técnicas dramáticas e músicas folclóricas brasileiras, sendo utilizado em várias escolas de São Paulo (para onde mudou-se em 1966) e em cursos para professores.

Em 1978 radicou-se no Rio de Janeiro, onde teve aulas de arranjo e teoria musical com Roberto Gnattali. Lançou o primeiro LP, "Terra", independente, em 1979, com participações de Joyce, Quarteto em Cy, Antônio Adolfo, Airton Barbosa, Chiquinho do Acordeom e outros.

Ativista desde os anos 60, quando participou de manifestações estudantis, engajou-se na luta pela produção fonográfica independente, ao lado de nomes como Antonio Adolfo, Danilo Caymmi e a dupla Luli e Lucina. Foi um dos artistas que mais lutaram contra o poder e o monopólio das grandes gravadoras, sendo um dos fundadores da Associação do Produtores Independentes de Discos e Fitas e autor do livro "Como Fazer um Disco Independente".

Lançou em 1980 "Revolta dos Palhaços", LP que se baseava no esquema alternativo de pré-vendas (era vendido antes mesmo de estar pronto, e o dinheiro era usado na produção). No ano seguinte, depois de uma bem-sucedida viagem ao México, onde apresentou-se no 5º Festival de Oposición, gravou ao lado de Francisco Julião o disco "Versos e Viola", vetado pela censura na época.

Em 1983 foi a vez do instrumental "Conversa de Cordas, Palhetas e Metais", disco instrumental que ganhou o Prêmio Chiquinha Gonzaga. Simultaneamente, publicou um livro de poemas, "Painel Brasileiro". Participou de festivais nos anos 80 e lançou "Pijama de Seda" (85), também instrumental, e "Retratos" (86), um passeio por diferentes ritmos brasileiros. No final de 1986 descobriu que contraíra o vírus da Aids em uma transfusão de sangue decorrente da hemofilia.

Em 1987 compôs, numa fazenda, seus últimos trabalhos, “Dança do Mar”, “Suíte Brasil” e “Tempo”. Com o agravamento da doença, diversos artistas realizaram no fim de 1987 um grande show no Rio de Janeiro em homenagem ao compositor. A iniciativa repetiu-se em janeiro de 1988 em Belo Horizonte, com participação de artistas mineiros.

O disco "Dança do Mar" foi lançado postumamente, em show com participação de Raphael Rabello, Mauro Senise, Galo Preto e outros. Parte de sua obra foi relançada em CD nos anos 90 nos Estados Unidos e no Brasil.

Obra

1964, 1968, Amanhecer, Bailarina (c/ Paulo Emílio), Balada negra, Bandeiras ao alto, Barroco Mineiro, Bateia, Bicho fantasiado, Bossa velha, Calmaria, Campesi, Cantiga de cego, Carro de boi, Chora palhaço, Chorinho interior, Choro em Bach, Choro Grave, Choro nacional, Choro novo, Clareira aberta (c/ Gianfrancesco Guarnieri), Coceirinha, Cromachoro, Cuba, Diretas, Domingo, Espanhola, Exílio, Faz que vai, Ginga, Guerra de Canudos, III Guerra, Inverno, Las locas, Malabarista da inflação (c/ Tárik de Souza), Manto, Maria Leal, Marionetes, Mistério, Moda do Tio Geraldo, O andaime, O homem mais forte do mundo, Os mágicos, Ouro Preto (c/ Fernando Rios), Outono, Pankararé, Pão e circo, Paraíso perdido, Passarinho preto, Pijama de seda, Primavera, Princípio real, Prisão, Pulsação, Quitute mineiro, Reses Tensa, Ressurreição, Revolta dos Palhaços, Roça, Samba latino, Saudade da terra, Saudade de meu pai, Saudade de mim, Se cobrir é circo, se cercar é hospício (c/ Paulo Emílio), Sobrevivendo, Sonho Nordestino, Souza, Tempestade, Terra, Terra queima, Triste São Paulo, Triviola, Valsa relativa, Veludo Azul (c/ Aldir Blanc), Venceremos, Verão, Vida nova, Violada.

Discografia
   
(1979) Terra • Libertas; (1980) Revolta dos palhaços • Libertas • LP; (1981) Versos e viola • Independente • LP; (1983) Conversa de cordas, couros, palhetas e metais • Libertas; (1985) Pijama de seda • Visom; (1986) Retratos • Libertas; (1988) Dança do Mar • Independente; (1992) Suíte Brasil • Libertas; (s/data) Marionetes Homenagem a Francisco Mário. Francisco Mário/Regina Spósito • Independente. 

Fonte: CliqueMusic.

Sebastião Lopes

Sebastião Lopes (Sebastião Odilon Lopes de Albuquerque), compositor e cantor, nasceu em Goiana, PE, em 01/01/1905, e faleceu em Recife, PE, em 19/12/1974. Destacou-se como compositor de frevos sendo considerado um dos grandes nomes do carnaval pernambucano.

Mudou-se para Recife na década de 1930, quando começou a carreira artística como cantor na Rádio Clube de Pernambuco.

Nesse período, começou também a compor e, como tal, consagraria sucessos como o frevo-canção Tô sentindo uma coisa, gravada em 1954 por Nelson Gonçalves na RCA Victor, Italiana, lançada também pelo mesmo cantor no ano seguinte, e Me dá um cheirinho, esta última, gravada por Jackson do Pandeiro em 1956. Nesse ano, gravou, pela gravadora pernambucana Mocambo o maracatu Cruz do patrão, de sua autoria, e Bumba-meu-boi, parceria com Ascenso Ferreira.

Em 1957, o frevo-canção Vegetariano foi gravado por José Orlando. No mesmo ano a dupla Céu e Mar gravou a marcha Pisei na fogueira, e Nerize Paiva gravou o frevo- canção Operação Macaco, parcerias com Nelson Ferreira.

Em 1958, Claudionor Germano gravou, também pela Mocambo, o frevo- canção Caiu a sopa no mel, parceria com Nelson Ferreira e Aldemar Paiva. Ainda no mesmo ano, o trio Os Três Boêmios gravou o coco Tirador de improviso, também com Nelson Ferreira.

Em 1962, Evaldo França gravou o frevo-canção Mesmo que queijo e a Turma dos frevolentos gravou o frevo-canção O amor vem da sorte e o maracatu Dona santa, enquanto Bianor Batista lançou o frevo-canção Chegou o Biu das moças, parceria com Nelson Ferreira.

Em 1964, Francisco de Assis gravou o frevo-canção Mariana. Seus maiores sucessos foram Operação Macaco, com Nelson Ferreira, Qual é o pó, Caiu a sopa no mel, com Nelson Ferreira, Mesmo que queijo, Olhe o dedinho, Mariana e Quem morre de véspera é peru.

Suas obras foram quase que exclusivamente dedicadas ao carnaval pernambucano, somando frevos-canções, maracatus, marchas, cocos e frevos-de bloco, entre outros ritmos característicos daquela região.

Obras

Bumba meu boi (c/Ascenso Ferreira), Caiu a sopa no mel (c/ Nelson Ferreira), Chegou o Biu das moças (c/ Nelson Ferreira), Cruz do patrão, Dona santa, Italiana, Mariana, Me dá um cheirinho, Mesmo que queijo, O amor vem da sorte, Olhe o dedinho, Operação Macaco (c/ Nelson Ferreira), Pisei na fogueira, Qual é o pó, Quem morre de véspera é peru, Tirador de improviso (c/ Nelson Ferreira), Tô sentindo uma coisa, Vegetariano.

Discografia

(1956) Cruz do patrão/Bumba meu boi • Mocambo • 78

Fontes: Enciclopédia Nordeste; Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista do Rádio;

quarta-feira, maio 22, 2013

Almirante fala sobre o Carnaval

Na entrevista com a Revista do Rádio, em fevereiro de 1949, Almirante tece comentários sobre antigos carnavais, origens dos seus ritmos, concursos da Prefeitura e outras considerações interessantes.

"Mercê do seu grande conhecimento sobre os assuntos musicais, Almirante é, sem sombra de dúvida, uma das poucas figuras do nosso broadcasting que pode falar com segurança sobre o carnaval, a semelhança das melodias carnavalescas com ritmos de outros povos e a introdução do samba no tríduo da folia.

Assim resolvemos procura-lo em seu gabinete, a fim de ouvi-lo sobre os assuntos em referência. Inicialmente, perguntamos-lhe quando surgiu a primeira música propriamente carnavalesca.

— A primeira, a rigor, foi a da paródia dos “Pompier de Nanterre”, cançoneta francesa, adaptada pelo ator Vasques, que ele cantava com um martelar de bombos, reproduzindo o “Zé Pereira”, que um português de nome José Nogueira de Azevedo Paredes tinha posto em moda aqui no Rio. A cantiga atravessou anos e chegou até nós graças à primeira quadrilha da versalhada do Vasques, que era assim:

E com aquela voz bem conhecida dos rádio-escutas, Almirante cantou:

— "Viva o Zé Pereira / Que a ninguém faz mal! / Viva a bebedeira / Nos dias de Carnaval."

— Acredita que a referida música tenha dado lucros financeiros ao seu autor? — indagamos.

— Não houve e nem podia haver lucro decorrente da cantiga. Naquele tempo, meu caro, não se cogitava de direito autoral...

Prosseguindo, solicitamos ao exclusivo da Tupi que nos traçasse uma ligeira relação das principais músicas de carnaval que apareceram depois.

— É difícil dar uma relação — disse-nos ele. — Em todo o caso, posso apontar o famosíssimo "Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga, surgido em 1899 em seguida, o "Vem cá, mulata", de Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre. que esteve em evidência de 1902 a 1906; e o "No bico da chaleira", de Juca Storoni, aparecido em 1909. Isso para falar das primeiras.

— Acha que o ritmo das nossas músicas de carnaval tenha parecença com ritmos de outros povos?

— Acredito que semelhança rítmica, propriamente, pode ser encontrada em certas marchinhas brasileiras, de características acentuadamente portuguesas.

Quisemos saber, em seguida, a opinião do nosso entrevistado sobre qual as melhores músicas, de todos os tempos, que já se fizeram para o Carnaval.

Jeitosamente, disse-nos Almirante:

— Citar algumas e esquecer outras seria cometer uma injustiça. Lembro, entretanto, o "Abre alas" e a magistral adaptação "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo, da marcha "Mulata", dos Irmãos Valença.

Revista do Rádio: Duas atitudes de Almirante, apanhadas em seu gabinete de trabalho. A segunda é bem característica, tal como ele estivesse explicando e detalhando dados, em seu vastíssimo arquivo.

— Quando foi introduzido o ritmo do samba nas músicas carnavalescas?

Fez-se uma breve pausa, em que o famoso produtor consultou a memória, após o que nos respondeu:

— O ritmo do samba, a bem dizer, existe no Brasil desde que por aqui se inventaram as polcas-lundus. Quando, a partir de 1916, depois do aparecimento do "Pelo telefone", as músicas passaram para a nova denominação de "samba", os autores ainda tinham dúvidas sobre quais as que deveriam ser batizadas daquela maneira. A princípio, o que mudou foi somente a denominação. Só mais tarde, as músicas foram tomando o feitio que as enquadravam de maneira mais positiva dentro do novo nome. Se o nome “samba” não tivesse sido adotado em 1916 para designar um gênero de música, o “É bom parar...” talvez fosse classificado como polca; o “Ai que saudades da Amélia”, como tango; assim por diante.

— Qual o compositor que, em sua opinião, tenha escrito as melhores músicas de carnaval?

Denotando grande tato, respondeu-nos Almirante, sorrindo:

— Falemos dos mortos, que serão capazes de perdoar com mais facilidade os esquecimentos: Sinhô, Eduardo Souto e Noel Rosa...

— No seu modo de ver, onde está o sucesso de uma composição carnavalesca: na letra ou na melodia?

— Se alguém tivesse a desejada ciência de saber o detalhe psicológico que determina o sucesso de uma música, esse alguém estaria riquíssimo. Mil fatores contribuem para isso. Mas nunca se pode afirmar que seja uma boa melodia ou uma boa letra, pois são infindáveis os exemplos de péssimas músicas e versos pavorosos que acabam em sucessos marcantes. Às vezes, um pequeno detalhe, um quase imperceptível detalhe na melodia, uma simples palavra, um ingênuo efeito rítmico, podem ser o fator imponderável do agracio.

Desejamos saber, então, das músicas para este ano, qual a que lhe parece com mais possibilidades de sucesso.

Fazendo “blague”, respondeu Almirante:

— Francamente — e por mais que isso pareça incrível! Fantástico! Extraordinário! — não pude me demorar em ouvir o que já saiu para 1949...

— Que acha dos concursos da Prefeitura?

— Nenhum certame, por mais honesto que seja, haverá de contentar, não só ao público como, principalmente, aos compositores, quando realizados antes do Carnaval. Orientando os concursos da Prefeitura, em todos os anos, tem havido elementos que não conhecem o assunto como seria necessário. Daí os comprometedores resultados de alguns deles que nunca chegaram a ser olhados com o respeito que deveria merecer uma iniciativa oficial. Concurso de música carnavalesca deveria ser feito depois do carnaval, e por um sistema de consulta à opinião pública, que não pudesse sofrer o cambalacho dos interessados.

Finalizando, quisemos saber alguma coisa mais sobre os festejos carnavalescos no Rio.

— Sobre o carnaval, acho que a Prefeitura deveria proibir terminantemente os alto-falantes pelas ruas; as barraquinhas de comezainas pelas calçadas em pontos tão próximos da Avenida Rio Branco; deveria ressuscitar a tradição das várias bandas em coretos, avenida e, agora, na Presidente Vargas; e o mais importante: animar a volta dos ranchos e dar maior auxílio às grandes sociedades. Uma ideia que talvez desse resultado fosse o reviver as passeatas de caminhões engalanados, em certo dia do carnaval, premiando os mais merecedores e os portadores da melhor música — concluiu Almirante.

Aí estão diversas sugestões bem interessantes. Por que a Prefeitura não as aproveita?”

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Fonte: Revista do Rádio - Fevereiro de 1949.