segunda-feira, setembro 20, 2010

Rosa Negra

Rosa Negra
Rosa Negra, cantora e atriz, foi descoberta pelo revistógrafo Marques Porto no Bar Cosmopolita, um bar que existia no Passeio Público da cidade do Rio de Janeiro, onde apresentava-se cantando e dançando. Trabalhou também em parques de diversão, no Méier.

Em março de 1926, estreou na revista Pirão de areia, no Teatro São José, liderando um grupo de black-girls e cantando com uma "charleston jazz band". Apresentou com as Black Girls um número chamado Bahiana, n'aime tu?, que era bisado e trisado diariamente. Embora contracenasse com atrizes de renome, como Otília Amorim, foi a atriz mais aplaudida na revista do São José.

Em agosto do mesmo ano estreou na Companhia Negra de Revista, primeira tentativa de criar no Brasil uma companhia teatral apenas com atores e atrizes negros. A revista de estreia da Companhia Negra foi Tudo preto, de autoria de De Chocolat, com música do maestro Sebastião Cirino e com Pixinguinha regendo a orquestra. Apresentada no Teatro Rialto, a revista fez muito sucesso.

Foi uma das atrizes que mais se destacou, tendo interpretado Ludovina cançonette, um número charlestônico, Pérolas negras, outro número de sucesso, Jaboticaba afrancesada e Banhistas, onde contracena com a vedete Dalva Espíndola. Foi chamada por alguns críticos de "Mistinguette brasileira", numa referência à famosa vedete francesa que atuou na Companhia Bataclan.

Estreou logo depois na revista Preto e branco. A Companhia Negra partiu em seguida para em excursão pelos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Em 1927, retornou ao Rio de Janeiro e estreou no Teatro República com a Companhia Negra a revista Carvão Nacional. Na nova revista, interpretou Tentação, O mundo da lua, Tudo preto, Flor de amor, A procura de uma estrela, Beijar, Broxura e Tudo o que é nosso.

No mesmo ano, gravou com Francisco Alves o samba Não quero saber mais dela, de Sinhô, que foi um grande sucesso, regravado em 1980 pelo grupo paulista Rumo.



Em 1928, ainda com Francisco Alves, gravou o foxtrote Moleque namorador, de Hekel Tavares e o fox Que pequena levada, de J. Francisco de Freitas. Gravou ainda Rosa preta e Quem quer casar comigo?.

Em 1930, atuou no Teatro Cassino Antarctica, em São Paulo, na revista Chora menino, de Marques Porto e Luiz Peixoto, com a Companhia Brasileira de Revistas. Em 1931, estrelou no Teatro República com a Companhia Mulata Índia do Brasil a revista Com que roupa?, de Luís Peixoto com músicas de Ary Barroso, Freire Jr e Vadico.

Em 1932, atuou no Teatro Margarida Marx, na Piedade, e fez parte da troupe de variedades do Moinho Vermelho que se exibiu no Teatro República. Fez bastante sucesso nesse período da nossa música, mas apesar disso, há poucos registros biográficos, inclusive qual foi o desenrolar de sua carreira, quando e onde nasceu e como e onde morreu.

Em 2003, o selo Revivendo no CD Sinhô - O pé de anjo relançou sua interpretação do samba Não quero saber mais dela, de Sinhô gravado em dueto com Francisco Alves.

Discografia

Não quero saber mais dela (J. B. da Silva "Sinhô") - com Francisco Alves (1928); Moleque namorador (Hekel Tavares) - com Francisco Alves (1928); Que pequena levada (José Francisco de Freitas / Lamartine Babo) - com Francisco Alves; Rosa Preta (Brasilphone - 78 rpm); Quem quer casar comigo (Brasilphone 1.018 - 78 rpm).


Fontes: Cantoras do Brasil; Dicionário Cravo Albin da MPB.