terça-feira, maio 29, 2018

Zé Carioca - Biografia


Zé Carioca (José do Patrocínio Oliveira), instrumentista, nasceu em Jundiaí SP em 11/02/1904 e faleceu em Los Angeles, Estados Unidos, em 22/12/1987. Já tocava cavaquinho, como amador, na época em que trabalhava como classificador de cobras no Instituto Butantã, de São Paulo SP.


Em 1929 foi convidado para tocar num programa regional, na estréia da Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), uma das primeiras emissoras brasileiras. Com o surgimento da Rádio Cruzeiro do Sul, em 1931, passou a atuar na Orquestra Columbia, dirigida por Gaó, trocando o cavaquinho pelo banjo, o que lhe valeu o apelido de Zezinho do Banjo.

No ano seguinte, César Ladeira levou-o para o Rio de Janeiro, para trabalhar na Rádio Mayrjnk Veiga, onde tocou ao lado de Nelson Souto, Pixinguinha, Garoto, Nelson Boi, Gastão Bueno Lobo e Britinho. Logo depois, acompanhou César Ladeira, quando este se tornou diretor artístico do Cassino da Urca.

Ali conheceu Carmen Miranda e, em 1939, foi para os EUA com a orquestra de Romeu Silva, na qual tocava violão, para cumprir temporada de seis meses no pavilhão brasileiro da Feira Mundial, em New York, participando do filme Serenata tropical, de Irving Cummings. No ano seguinte, apresentou-se. no pavilhão brasileiro da Feira de San Francisco.

Em 1941 assinou contrato com a Twentieth Century Fox e participou, ao lado do Bando da Lua e Carmen Miranda dos filmes Uma noite no Rio, de Irving Cummings, e Aconteceu em Havana, de Walter Lang, entre outros. Na Fox também dublou desenhos animados e conheceu Walt Disney, que, inspirado em sua figura, criou o Zé Carioca, personagem-símbolo do malandro brasileiro no desenho animado de longa metragem Você já foi a Bahia?.

Nos últimos anos, tocou no restaurante Marquis Martoni, em Hollywood. vivendo seis meses nos EUA e seis no Brasil, em São Paulo.

Centenário de nascimento

"No dia onze de fevereiro de 2004 será comemorado o centenário de nascimento de José Patrocínio de Oliveira, natural de Jundiaí, SP. Trabalhava no Instituto Butantã como classificador de cobras (mais tarde ele seria classificado como um dos “cobras” da nossa música) ao mesmo tempo que consolidava seu prestígio como instrumentista.

Freqüentador de rodas onde figuravam os nomes de Américo Jacomino (Canhoto), João Sampaio e Armando Neves, passa a ser conhecido por Zezinho, que era do banjo, cavaquinho, bandolim, violão e dos outros instrumentos que viria a dominar, como o violão tenor e a guitarra havaiana.

No período de 17/02 a 04/03/1928 foi confiado ao prestigiado violonista Canhoto a tarefa de organizar uma Orquestra Típica de instrumentos de cordas, constituída pelos melhores músicos de São Paulo, para se apresentar no suntuoso Salão de Automóveis da General Motors, evento este realizado no Cine Odeon que ficava a Rua da Consolação No 42.

Além de Canhoto, Os nomes de Zezinho, Mota, Carlinhos, Armandinho Neves e João Sampaio eram os de maior destaque. Participava também desta Orquestra um menino franzino de apenas doze anos, empunhando orgulhoso o seu banjo. Este menino era Aníbal Augusto Sardinha( Garoto), que tinha agora em Zezinho seu novo ídolo e mestre. Este foi, ainda que involuntariamente, o grande propulsor da vitoriosa carreira de Garoto que, numa entrevista, confessou: “Devo meu progresso ao Zezinho, pois queria tocar sempre melhor do que ele...”.

Entre 1929 e 1931, pela gravadora Columbia, Zezinho participa em cerca de cento e vinte gravações (Infelizmente não é possível obter o número exato em função da inexistência das fichas técnicas) tocando seus instrumentos ao lado de nomes como João Pernambuco (10), Paraguassú (10), Jaime Redondo (8), Januário de Oliveira (19), Batista Jr (9) e sua filha Dircinha Batista (2), Eurístenes Pires (4), Stefana de Macedo (12), Jararaca (19), Lila Dias (4) e Elsie Houston (13) dentre outros.

Acompanhou ao violão (como segundo violão) a João Pernambuco em boa parte dos registros de sua obra como em “Interrogando”, “Reboliço” e “Sonhos de magia”. Com Stefana de Macedo participou como acompanhante do lançamento de diversas composições de Amélia Brandão Nery que seria conhecida mais tarde por Tia Amélia.

Quase ao mesmo tempo entra em cena uma orquestra com uma sonoridade diferente: “A presença do violino de Ernesto Trepiccioni e do acordeon de José Rieli dava um som romântico a esta orquestra, a rigor menos uma orquestra do que um conjunto instrumental...”, diria Ary Vasconcelos em seu História e inventário do choro.

Esta orquestra, complementada por Gaó (Odmar Amaral Gurgel) ao piano; Atílio Grany na flauta; Petit (Hudson Gaia) ao violão; Jonas Aragão no sax alto e Zezinho no bandolim é a Orquestra Colbaz que gravou na Columbia entre 1930 e 1932 cerca de vinte e seis músicas entre choros e valsas. A ampliação desta orquestra dá origem a famosa Orquestra Columbia, ainda sob a direção de Gaó.

1931 é o ano do grande concurso de música promovido pelo jornal “A Gazeta”, concurso este que motivou uma intensa participação da população de São Paulo (capital) que escolhia seus músicos favoritos, divididos por categorias, através de voto direto. Na categoria banjo, Zezinho obteve expressiva votação (117 323 votos), obtendo o primeiro lugar (nesta categoria Garoto ficou em sexto, com 9 746 votos).

Outros vencedores foram Gaó (piano), Alberto Marino na categoria violino (Trepiccione ficou em segundo e Nestor Amaral em quinto), Larosa Sobrinho (violão), Nabor Pires Camargo (clarinete) e Cárdia (bandolim).

César Ladeira, já no Rio de Janeiro e atuando na rádio Mayrink Veiga, atuava como um embaixador da musica paulistana, trazendo para a então capital da república os novos valores lá revelados. Desta forma aqui chegou Zezinho em 1933, passando logo a integrar o famoso regional da Mayrink.

Em 1936 é a vez de César Ladeira buscar uma turma da pesada; Aimoré, Garoto, Nestor Amaral e Laurindo Almeida. Estes três últimos participaram junto a Zezinho de uma grande aventura: Uma viagem a Europa a bordo no navio Cuiabá. Fizeram escala nos estados mais importantes do nordeste brasileiro antes de partir rumo a Lisboa, Porto, Amsterdam, Berlim e Paris onde por três meses divulgaram a nossa música. Em Paris não puderam desembarcar com os instrumentos musicais devido a alguma lei protecionista.

Assistiram então extasiados a uma apresentação do diabólico duo Stephan Grapelli (violino) e Django Reinhart (violão). Algo novo estava acontecendo ali em termos musicais e eles jamais seriam os mesmos após esta experiência, especialmente Garoto, que acabou por incorporar o fraseado de Django!

Voltam a Mayrink e depois de um breve retorno a São Paulo onde atua junto a Armandinho Neves e Antonio Rago no Regional da Record, Zezinho passa a integrar a Orquestra de Romeu Silva (muito bem reportado por Daniella Thompson) partindo então para os Estados Unidos em 1939 onde iriam se apresentar por seis meses na Feira Internacional de Nova Iorque. Zezinho reencontra seu amigo Garoto quando este, já famoso com seu violão tenor ( foi inclusive chamado de “homem dos dedos de ouro”), lá esteve com Carmen Miranda e o Bando da Lua.

A partir de 1940, Zezinho fixa residência em Los Angeles, já contratado pela Fox. Em 1941, Walt Disney com o papel de “embaixador da boa vizinhança” viaja pela América latina a pretexto de buscar inspiração para a criação de novos personagens. No Brasil, os cartunistas Luis Sá e J. Carlos ajudaram Disney a desenvolver a figura e a personalidade do papagaio “Zé Carioca”, “ personagem concebido para ser a síntese dos laços de amizade entre os estados Unidos e o Brasil”, em acordo com Sidney Ferreira Leite em seu excelente artigo publicado no Estadão em 01/12/2001.

Um problema persistiu por muito tempo: quem iria falar pelo papagaio? Por obra do acaso, Disney estava no mesmo estúdio que Zezinho pelos idos de 1943 e ao ouvi-lo falar percebeu na maneira gingada, malemolente, a voz ideal para o seu papagaio! Nasceu assim o Zé Carioca e o Zezinho, que passaria a usar o mesmo nome do papagaio, era o responsável por sua voz em inúmeros filmes como “Alô amigos” e “Você já foi a Bahia?”.

Este fato rendeu uma fortuna considerável ao Zezinho, que sempre se manteve ligado a musica, como integrante do Bando da Lua e com seu próprio grupo. Infelizmente acabou estigmatizado por conta de sua ligação com Disney (política da boa vizinhança) e com Carmen Miranda.

A casa de Zezinho, de acordo com seu amigo João Cancio de Povoa Filho, era um verdadeiro consulado brasileiro, não faltando ajuda a qualquer músico brasileiro que por lá se aventurasse. Que o diga o nosso violinista Fafá Lemos!

Com a morte de Carmen Miranda terminou o Bando da Lua, nesta altura completamente modificado em relação a sua formação original. Aloísio de Oliveira voltou ao Brasil onde desempenharia importante papel no marketing da Bossa nova e Zezinho lá ficou, com o fardo de seu apelido(Zé Carioca).

Nos seus últimos anos de vida passava seis meses em LA e os outros seis em São Paulo.Faleceu em22/12/1987 em Los Angeles."

(por Jorge Carvalho de Mello)


Aurora Miranda e Zé Carioca no longa-metragem Você já foi à Bahia?.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira; Zé Carioca (samba & choro).

Romeu Silva - Biografia


Romeu Silva, regente, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 11/02/1893 e faleceu na mesma cidade em 01/05/1958. Funcionário dos Correios em 1911, tocava saxofone na orquestra do rancho Ameno Resedá, da qual foi um dos primeiros integrantes.


Naquele ano atuou ainda na orquestra da Sociedade Dançante Carnavalesca Ninho do Amor, dirigida por Álvaro Sandim, o mesmo maestro que depois foi diretor de harmonia e líder da orquestra do Rancho Flor do Abacate, onde Romeu Silva tocou em 1913.

Dez anos depois integrava um conjunto do maestro Eduardo Souto, que deixou para formar sua própria orquestra, o Jazz-Band Sul-Americano, depois chamado Jazz-Band Sul-Americano Romeu Silva, tocando em festas, cabarés e na sala de espera do Cine Palais.

Gravou seu primeiro disco por volta de 1924, um 76 rpm de gravação mecânica da Odeon, com os maxixes Tênis Clube de Petrópolis (Sílvio de Sousa) e Lolote estrilando (Mário Silva). Por essa época começou a compor maxixes, dois dos quais foram gravados em 1925 com sua orquestra, na Odeon, Fubá e Dor de cabeça.

No mesmo ano obteve do ministro do Exterior Félix Pacheco uma verba para excursionar pela Europa com seu grupo musical, fazendo divulgação do Brasil. Assim, tocou samba, maxixe e frevo durante vários anos em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Suíça, Alemanha, Inglaterra e Itália. No exterior ainda, gravou alguns discos com a famosa cantora Josephine Bake, entre os quais La petite tonkinoise (Vincent Scotts).

Retornando ao Brasil, ficou pouco tempo, seguindo em 1932 para Los Angeles, EUA, acompanhando uma delegação de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos, com a Brazilian Olympic Eand.

Três anos depois, voltou ao país, trazendo vários músicos estrangeiros para sua orquestra, entre os quais o crooner Louis Cole e o sax-alto e clarineta Booker Pittman, contando ainda com Fernando (guitarra), Mário Silva (trompete) e All Pratt (sax-alto), além de Valfrido Silva (baterista). Atuava em cafés, cinemas, teatros e nos cassinos Atlântico e Urca, tendo, pouco depois, acompanhado Carmen Miranda em excursão à Argentina.

Em 1939, foi para os EUA para atuar no Pavilhão Brasileiro da Feira Mundial de New York, levando entre outros Vadico (piano), Zacarias (sax-alto e clarineta), Fernando (guitarra e crooner), Zé Carioca (violão) e Sut (bateria). No ano seguinte, participou de um festival de música brasileira no Museu de Arte Moderna, de New York.

Retornando ao Brasil em fins de 1940, tocou no Cassino da Urca durante seis anos, até seu fechamento. A orquestra foi então desfeita, e ele passou a viver de um emprego no funcionalismo público municipal.

São de sua autoria: Alvinitente, marcha-rancho, 1922; Cousas da moda, maxixe, 1925; Dor de cabeça, maxixe, 1925; Fubá, maxixe, 1925; Glorinha, xótis, 1927; Se papai souber, maxixe-samba, 1927; Tricolor, maxixe, 1927.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Do You Like Samba - Cyro Aguiar


Do You Like Samba (samba, 1973) - Marcelo Duran - Intérprete: Ciro Aguiar

Compacto Simples 7' Cyro Aguiar / Título da música: Do You Like Samba / Marcelo Duran (Compositor) / Cyro Aguiar (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1973 / Nº Álbum: 107.024 / Lado A / Gênero musical: Samba.



Do you like samba?
I love too
If you love também samba
I love you

Pra poder cantar meu samba
Eu já estou com a perna bamba
De tanto esperar
Pra você me entender
Até inglês fui aprender
Pra me comunicar

Do you like samba?
I love too
If you love também samba
I love you

Eu conheço muita gente
Que querendo ser pra frente
Bota a cara para quebrar
Compra disco brasileiro
Pensando que é estrangeiro
E vai pra casa esnobar.

Do you like samba?
I love too
If you love também samba
I love you

Tem um tal de cash box
Que é um cara não me toques
Que faz a programação
Vejo a semana inteira
Uma novela brasileira
E não vi tocar sambão


Do you like samba?
I love too
If you love também samba
I love you

sábado, maio 19, 2018

Tragédia no fundo do mar - Os Originais do Samba


Tragédia No Fundo do Mar (Assassinato do Camarão) (samba, 1974) - Zeré e Ibrain - Intérprete: Os Originais do Samba

LP Os Originais Do Samba - Pra Que Tristeza / Título da música: Tragédia No Fundo do Mar (Assassinato do Camarão) / Zeré (Compositor) / Ibrain (Compositor) / Os Originais do Samba (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1974 / Nº Álbum: 103.0100 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Samba.


Tom: G

 G     D7            G
Assassinaram o camarão
 G                   E7              Am
Assim começou a tragédia no fundo do mar
        Am                      D7
O carangueijo levou preso o tubarão
   Am                    D7
O siri sequestrou a sardinha
                    G
Tentando fazer confessar
                 G7
O baiacu que não se apavora
G7                       C
Disse: eu que vou investigar

 Cm        D7                   G
Vou dar um pau nas piranhas la fora
 E7        Am        D7              Dm    G7          
Voces vão ver, elas vão ter que entregar
C         D7                    G  
Vou dar um pau nas piranhas lá fora
        C         D7               G   
Voces vão ver, elas vão ter que entregar

Am                D7                G             E7
Logo ao saber da notícia a tainha tratou de se mandar
 Am       D7                     G     
Até o peixe espada também foi se entocar
G7                   E7
Malandro foi o peixe galo
Am            Cm
Bateu asas e voou
          G         D7         G
Até hoje eu não sei como a briga terminou
G7                    E7
Malandro foi o peixe galo
Am            Cm
Bateu asas e voou
          G          E7          G
Até hoje eu não sei como a briga terminou

Os Originais do Samba - Biografia


Os Originais do Samba - Conjunto de samba formado na década de 1960, no Rio de Janeiro. Teve duas formações, a primeira com Bigode (pandeiro e voz), Bidi (cuíca e voz), Chiquinho (ganzá e voz), Lelei (tamborim e voz), Mussum (reco-reco e voz) e Rubão (surdo e voz) e a segunda com Bigode (voz, pandeiro e coreografia), Zeca do Cavaco (José Carlos Antônio Júnior - São Paulo/1970 - cavaco e banjo), Sócrates (Francisco de Assis Silva Pereira - São Paulo/1951 - guitarra), Rubinho Lima (Rubens Pedreira Lima - São Paulo/1973 - percussão), Valtinho Tato (Valtenir Aparecido Toledo - São Paulo/1954 - percussão) e Gigi (José Delfino Rodrigues da Costa - São Paulo/1951 - reco-reco e tamborim).


O seu integrante mais famoso foi Antonio Carlos Bernardes, carioca nascido em 1941, conhecido como Mussum, que atuou em televisão como ator cômico. Ao lado de Renato Aragão, Zacarias e Dedé Santana, compôs o grupo Os Trapalhões, que manteve um programa por vários anos na Rede Globo. Atuou em diversos filmes de Renato Aragão, como integrante do grupo. Faleceu em 1994, em São Paulo.

Rubens Fernandes (Rubão), nasceu no Rio de Janeiro e faleceu, em São Paulo, em 1977. Arlindo Vaz Germino (Bigode) nasceu em 1942, no Rio de Janeiro. Murilo da Penha Aparecida e Silva (Bidi) nasceu no Rio de Janeiro, em 1932. Francisco de Souza Serra (Chiquinho), carioca, nasceu em 1943. Wanderley Duarte (Lelei) nasceu no Rio de Janeiro, em 1946.

No início da década de 1960, ainda com o nome Os Sete Morenos, o grupo se apresentou no Clube dos Baianos, na Praça Tiradentes. Em 1961, o nome do conjunto mudou para Os Originais do Samba. Por esta época, Carlos Machado o contratou para atuar no show O teu cabelo não nega, sobre o compositor Lamartine Babo, que entrou em cartaz na boate Fred's e no Copacabana Palace, ambos no Rio de Janeiro.

Neste mesmo ano, o grupo viajou para o México, acompanhando a Companhia de Carlos Machado, fazendo temporada com o show O teu cabelo não nega, naquele país, por seis meses. Excursionou, também, em Porto Rico. Depois, por várias cidades brasileiras e, por fim, apresentou o show em São Paulo.

No ano de 1968, os produtores Mièle e Bôscoli convidaram o grupo para se apresentar ao lado de Elis Regina na I Bienal do Samba, interpretando a música Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. A música foi vencedora e o grupo foi contratado pela gravadora RCA Victor.

No ano seguinte, gravou o primeiro LP: Os originais do samba, do qual despontaram os primeiros sucessos do grupo: Cadê Teresa, de Jorge Ben e E lá se vão meus anéis, de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro.

Em 1970, gravou o disco Samba é de lei. Com o sucesso de Tá chegando fevereiro, de Jorge Ben e João Melo, o grupo recebeu três Discos de Ouro da gravadora RCA Victor. No ano posterior, o grupo apresentou-se no IV Festival Universitário de Música Popular Brasileira da TV Tupi, do Rio de Janeiro.

No ano de 1972, no LP O samba é a corda , Os Originais a caçamba, gravou as músicas Esperanças perdidas (Adeilton Alves e Délcio Carvalho) e Do lado direito da rua direita, de Luis Carlos e Chiquinho, alcançando um grande êxito nas paradas de sucesso da época. Um ano depois, o disco É preciso cantar, lançou com sucesso outra composição interpretada pelo grupo: É preciso cantar (Adeilton Alves e Délcio Carvalho).

Em 1974, o grupo lançou um de seus maiores sucessos, Tragédia no fundo do mar (Assassinaram o camarão), de Zere e Ibraim, do LP Pra que tristeza. Deste mesmo disco, destacam-se ainda outras composições, como A dona do primeiro andar, Boato (João Roberto Kelly) , O aniversário de Tarzã, Nego véio quando morre e Saudade e flores.

Dos vários artistas que o grupo acompanhou em shows ou em gravações, destacam-se Chico Buarque, Toquinho e Vinicius de Moraes, Paulinho da Viola, Elza Soares, Elis Regina, Jorge Ben , Martinho da Vila e Jair Rodrigues. Entre os artistas internacionais que o grupo acompanhou estão Duke Ellington e Earl Grant. Foi o primeiro conjunto de samba a se apresentar no Teatro Olympia, em Paris. O conjunto também participou do Carnival Friends of Brazil Club, na cidade de São Francisco, na Califórnia.

Em 1997, o grupo completou 30 anos de carreira e comemorou lançando um CD pela gravadora RGE, Os Originais de todos os sambas, contando com uma nova formação. No ano de 1998, a convite de Rildo Hora participou do disco Casa de samba 3, no qual, junto com o grupo Os Morenos, interpretou a faixa Do lado direito da Rua Direita, de Luis Carlos e Chiquinho.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Cadê Tereza - Os Originais do Samba


Cadê Tereza (samba, 1969) - Jorge Ben Jor - Intérprete: Os Originais do Samba

LP Os Originais Do Samba / Título da música: Cadê Tereza / Jorge Ben "Jorge Benjor" (Compositor) / Os Originais do Samba (Intérprete) / Jorge Ben "Jorge Benjor" (Part.) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1969 / Nº Álbum: BBL 1475 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Tom: D
Introdução: Bm E (4x)  Em A7

Em   A7   D7+
Cadê Tereza, 
             Em    A7    D7+
    lá lá lá lá lá lá lá lá  (2x)
Em            A7          Em     A7
Tereza foi a um samba lá no morro,
            D7+
 e não me avisou
Em                                             F#
será que arrumou outro crioulo pois ainda não voltou
Em   A7   D7+            Em    A7    D7+
Cadê Tereza, lá lá lá lá lá lá lá lá  (2x)

  Em          A7          Em          A7         D7+
Tereza, minha nêga, minha musa, gosto muito de você
Em                                           F#
sou um malandro enciumado, machucado que espera por você

                   Bm7              E7
Juro por Deus, se você voltar
Bm7          E7
eu vou me regenerar
Bm7                     E7
jogo fora meu chinelo, meu baralho
Bm7              E7
e a minha navalha e vou trabalhar
Bm7                     E7
jogo fora meu chinelo, meu baralho
Bm7              E7
e a minha navalha e vou trabalhar

Em   A7   D7+            Em    A7    D7+
Cadê Tereza, lá lá lá lá lá lá lá lá

Esperanças perdidas - Os Originais do Samba


Esperanças Perdidas (samba, 1972) - Adeílton Alves e Délcio Carvalho - Interpretação: Os Originais do Samba

LP O Samba É A Corda... Os Originais A Caçamba / Título da música: Esperanças Perdidas / Adeílton Alves (Compositor) / Délcio Carvalho (Compositor) / Os Originais do Samba (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1972 / Nº Álbum: 103.0049 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Samba.


Intr.: Dm Dm7 Gm Gm7 C7 F7+ Em5-/7 A7 
  Dm               D7                  Gm6
Quantas belezas deixadas nos cantos da vida
C7/5+                   C7                F7+     A7
Que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar
Dm                      D7                  Gm6
E quando os sonhos se tornam esperanças perdidas
Em5-/7                 A7                  Dm     A7
Que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar
Dm              D7                  Gm6
Minha beleza encontro num samba que faço
C7/5+             C7                 F7+     A7
Minha tristeza se torna um alegre cantar
Dm                D7                  Gm6
É que carrego um samba bem dentro do peito
Em5-/7             A7                Dm
Sem a cadência do samba não posso ficar
            A7                 Dm
Não posso ficar... eu juro que não
D7                Gm6
Não posso ficar... eu tenho razão
Em5-/7
Já fui batizado na roda de bamba
A7                 Dm         A7
O samba é a corda... eu sou a caçamba
   Dm                 D7             Gm6
Quantas noites de tristeza ele me consola
C7/5+           C7             F7+     A7
Tenho como testemunha a minha viola
Dm                   D7                  Gm6
Ai... se me faltar o samba não sei que será
Em5-/7             A7                Dm
Sem a cadência do samba não posso ficar 

Do lado direito da rua direita - Os Originais do Samba


Do Lado Direito da Rua Direita (samba, 1972) - Luís Carlos e Chiquinho - Intérprete: Os Originais do Samba

LP Os Originais Do Samba - O Samba É A Corda ... Os Originais A Caçamba / Título da música: Do Lado Direito da Rua Direita / Luís Carlos (Compositor) / Chiquinho (Compositor) / Os Originais do Samba (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1972 / Nº Álbum: 103.0049 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Tom: A

Introdução: A7+  A6  (2x)  Bm7  E9  (2x)

A7+ A6      A7+  A6         Bm7  E9  Bm7  E9
Do.....lado direito, da rua Direita
Bm7  E9     Bm7      E9   A7+  A6  A7+  A6
Olhando as vitrines coloridas eu  a  vi
A7+      A6         A7+    A6          Bm7   E9 Bm7 E9
Mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo
Bm7  E9    Bm7        E9       A7+   A6  A7+  A6
No movimento imenso da rua eu lhe perdi
Bm7           E9             C#m7  
......E cada menina que passava......
                  F#7
para seu rosto eu olhava
 Bm7     E9     Bm7       E9      A7+ 
E me enganava pensando que fosse você....
     Bm7         E9               A7+
e na rua Direita eu voltarei pra lhe 

terça-feira, maio 15, 2018

Bola Sete - Biografia


Bola Sete (Djalma de Andrade), instrumentista. (Rio de Janeiro RJ 16/7/1923 — Califórnia, EUA 13/2/1987). Com 17 anos frequentava as rodas de músicos da Praça Tiradentes. Por essa época, com um conjunto do qual participava o compositor Henricão, foi para Marília SP, onde ficou oito meses. Aos 18 anos tocou violão em parques de diversão em Campinas SP e Niterói RJ.


Em 1945 venceu um concurso de violonista na Rádio Transmissora (hoje Globo). Durante algum tempo viajou por Minas Gerais e Rio de Janeiro, apresentando-se como violonista. Em seguida voltou à Rádio Transmissora e, por três anos, apresentou-se no programa Trem da Alegria, no Teatro João Caetano, junto com Lamartine Babo, Iara Sales e Kleber de Boscoli.

No final da década de 1940 organizou o Bola Sete e seu Conjunto e, para cantar, convidou Dolores Duran, que era croonerda boate Béguin. Atuaram nas boates Drink e Vogue. Com uma orquestra que formou para o Baile dos Artistas, no Hotel Glória, em 1954 excursionou pela Argentina, Uruguai e Espanha.

Em 1955 fez temporadas em Lima, Peru, e em Santiago do Chile. Em 1959 mudou-se para os E.U.A. e, até 1962, apresentou-se, quase diariamente, nos hotéis da cadeia Sheraton. Por volta de 1960 foram lançados dois discos seus: o LP Bola Sete, pela Sinter, com Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda) e Império do samba (Zé da Zilda e Zilda do Zé), entre outras, e o LP Bola Sete e quatro trombones, pela Odeon, destacando-se Mambeando (de sua autoria), The Man I Love (Ira Gershwin e George Gershwin), entre outras.

Em 1962 participou do Festival de Monterey, na Califórnia, E.U.A., como integrante do conjunto de Dizzie Giliespie, com o qual gravou um disco. Também em 1962 saiu no Brasil seu LP O extraordinário Bola Sete, pela Odeon, com Menino desce daí (Paulinho Nogueira) e Fico triste sem twist (de sua autoria), entre outras. Em novembro apresentou-se New York, E.U.A., no Festival da Bossa Nova, do Carnegie Hall, no Village Gate e no Vanguard. Nesse mesmo ano, organizou seu próprio trio, com Tião Neto (baixo) e Chico Batera (percussão).

Em 1969 participou do Festival de Música Brasileira e Americana, no México, ao lado de Airto Moreira, Eumir Deodato e Milton Nascimento. Em 1971 gravou o LP Workin’ on a Groovy Thing, na Paramount/ RGE, contendo Little Green Apples (Bobby Russell), With a Little Help from my Friends (John Lennon e Paul McCartney), entre outras.

Gravou cerca de dez LPs nos EUA, inclusive um com Vince Guaraldi. Seus últimos discos, Ocean 1, Ocean II e Jungle Suite, foram considerados por ele como seus melhores trabalhos.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Luiz Cláudio - Biografia


Luiz Cláudio (Luís Cláudio de Castro), cantor e compositor, nasceu em Curvelo MG em 22/3/1935 e faleceu em Guaratinguetá SP em 28/8/2013. Aos sete anos de idade aprendeu a tocar um cavaquinho que ganhara do pai. Durante um ano estudou música com o maestro Moacir Santos; aos 12 anos formou com alguns amigos o trio amador Trovadores do Luar, que se apresentava em festas e serestas locais.


Em 1949 viajou com o trio para Belo Horizonte MG, apresentando-se para um teste na Rádio Inconfidência, foram contratados. Na mesma época e na mesma rádio, foi aprovado como cantor num programa de calouros, passando a cantar músicas norte-americanas. A rua onde ela mora, com letra do irmão Antônio Maurício de Castro, foi sua primeira composição gravada, em 1952, em um 78 rpm da antiga Sinter.

Em 1955 deixou a Inconfidência, seguindo para o Rio de Janeiro com os jovens cantores que Osmar Campos Filho fora buscar em Minas Gerais para a Rádio Mayrink Veiga, e foi contratado graças à intervenção de Ciro Monteiro. É desse mesmo ano a gravação de Blim, blem, blam (com Nazareno de Brito), para a Columbia, destaque no Natal de 1955, que lhe valeu o Disco de Ouro do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, como revelação masculina do ano.

Em 1956 gravou na Columbia o samba-canção Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito), entre outras. No ano seguinte, na mesma gravadora, lançou a valsa Quero-te assim(Tito Madi) e o paso doble Anda, jerico (Osvaldo Santiago e Alcir Pires Vermelho).

Transferindo-se para a RCA Victor, gravou em 1960 o samba-canção Só Deus (Evaldo Gouveia e Jair Amorim) e o samba Menina feia (Oscar Castro-Neves e Luverci Fiorini), além de guarânias, baladas e marchas. No ano seguinte gravou Rancho das flores, letra de Vinícius de Moraes para a cantata Jesus alegria dos homens, de Johann Sebastian Bach (1685—1750); o rasqueado Amor desfeito (Getúlio Macedo) e Deixa a nega gingar (de sua autoria).

Em 1968 participou do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, interpretando Amada, canta (Luiz Bonfá e Maria Toledo), lançando no mesmo ano um LP juntamente com uma exposição de desenhos de sua autoria.

Foi formado pela Escola Nacional de Arquitetura, mas não exercia a profissão. Suas composições foram gravadas por Elizeth Cardoso, Tito Madi, Nara Leão, Mansa e Dick Farney, entre outros. Teve como principais parceiros Nazareno de Brito, Fernando César e William Prado.

Em 1973 esteve na Europa, participando de programas com a orquestra da O.R.T.F., e gravou novo LP na Odeon, com Estrada branca (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e Amo-te muito(João Chaves). Dois anos depois, pela mesma gravadora, lançou o LP Reportagem, com Rugas (Nelson Cavaquinho, Ari Monteiro e Augusto Garcez) e Onde eu nasci passa um rio (Caetano Veloso).

Em 1980, a convite do Brazilian American Cultural lnstitute, viajou para os EUA, percorrendo cerca de 15 universidades, em programa de divulgação da MPB. Lançou em 1983, pela Leo Christiano Editorial, um álbum duplo com músicas do folclore de Minas Gerais, Minas sempre- viva!, acompanhado de livro de arte com apresentação de Carlos Drummond de Andrade.

Em 2005, foi lançado pelo selo Revivendo o CD "Luiz Cláudio - Este seu olhar" com 18 obras gravadas por ele. Além da música título, de autoria de Antonio Carlos Jobim, estão presentes as músicas O galo cantou na serra, de sua autoria sobre versos de Guimarães Rosa, Folhas soltas, de Portinho e W. Falcão, Amo-te muito, de João Chaves, Mucama, de Gonçalves Crespo, Toada brasileira, de Ivor Lancellotti e Paulo César Pinheiro, Vagalumeando, de Paulo Roberto, Na boca da noite, de Sérgio Bittencourt, Viola de bolso, de sua autoria sobre versos de Carlos Drummond Andrade, Rancho das flores, com letra de Vinícius de Moraes sobre tema de Bach, Quero-te assim, de Tito Madi, Menina, de Paulinho Nogueira, Onde eu nasci passa um rio, de Caetano Veloso, Estrada branca, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Joga a rede no mar, de Fernando César e Nazareno de Brito, Você vai gostar, de Elpídio dos Santos, Lugar tão lindo, de sua autoria, Marcos e Antônio Maurício, e Aperto de mão, de Horondino Silva, Jaime Florence e Antônio Adolfo.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998 (até o penúltimo parágrafo); Dicionário Cravo Albin (último parágrafo e data do falecimento).

domingo, maio 13, 2018

Greenfields - Nilo Amaro e seus cantores de ébano

Greenfields (balada, 1961) - Terry Gilkyson, Richard Dehr e Frank Miller - Versão: Romeu Nunes - Intérpretes: Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano

Gravação original em disco 78 rpm / Título da música: Greenfields / Terry Gilkyson (Compositor) / Richard Dehr (Compositor) / Frank Miller (Compositor) / Romeo Nunes (Compositor) / Nilo Amaro (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 14.747 / Ano: 1961 / Lado 2 / Gênero musical: Canção / Balada / A gravação aqui é do LP "Os Anjos Cantam - Nilo Amaro E Seus Cantores De Ébano" de 1962.


Introd.
Am  Dm  E7  Am
Ô   Ô   Ô   Ô
Am         Dm   Am
Lá tão distante,
E7
por trás do sol
Am         Dm
Lá bem distante,
Am             E7
onde o pôr-do-sol
F            G
Põe tons vermelhos
C            E7
na noite como um véu,
F              G
Onde aos meus olhos
C                E7
A terra encontra o céu.
Am       Dm      Am  E7
Vivia outrora, o meu bem
         Am
Em Greenfields.

Am              Dm      Am
Greenfields é o meu lar
E7
Meu mundo enfim
Am        Dm
Lá eu guardava
Am           E
Alguém só para mim
F          G       C
Lá me esperava, à noite,
E
O meu bem
F          G
Lá onde o sonho
C            E7
Morava enfim também
Am       Dm      Am   E7
Vivia outrora, o meu bem
        Am
Em Greenfields.

    F
Eu não sabia
G           C
Que um dia ao regressar
F
Já não mais teria
G            C   E7
Alguém a me esperar
Am       F        Dm
E que o encanto, a paz e o calor
Am             Dm     F          E7
Se tornassem pranto, frio e amargor.
Am       Dm   Am               E7
E hoje de volta     para o meu lar
Am        Dm       Am            E7
Já não encontro alguém a me esperar
F           G
Tudo é tão triste!
C         Am  F           G
É fria solidão, em tudo existe
C            E7
Envolve a mim também
Am          Dm
Como é tão triste,
Am     E7           Am
Meu Greenfields, sem meu bem.

Am  Dm  E7   Am
Ô    Ô   Ô   Ô

quarta-feira, maio 09, 2018

Os talentos múltiplos de Mano Heitor


Paulo da Portela fez o samba Coleção de Passarinhos (“Quiseram me comprar, eu não vendi / Uma linda coleção de passarinhos / Bernardo é o gaturano / Aurélio é o rouxinol / Lino é o canário / Mano Rubens, o curió”...), homenageando seus companheiros, sambistas do primeiro time da época, e identificou como canário um certo Lino do Estácio, chamado também Mano Heitor e que perpetuaria na história da cultura popular brasileira como Heitor dos Prazeres (na foto acima dançando animadamente, usa camisa com estampa apropriada: personagens de suas pinturas).

De talento diverso tal quais os nomes que lhe atribuíram, Heitor cedo circulou sua genialidade por vários escalões em todos se destacando, superdotado que era. Nasceu predestinado a influenciar a cultura popular do país. Ao contrário dos meninos de sua geração, que optavam pelos instrumentos de percussão, escolheu o cavaquinho e tornou-se instrumentista respeitado, desenvolvendo o líder que seria.

Pelas mãos de Tia Ciata — sempre ela, a matriarca do samba — teve acesso aos festejos de santo e de samba, aulas com os melhores mestres possíveis. Crescido em tamanho e em saber, percebeu que seu destino estava traçado. Como Lino do Estácio, aprendeu e ensinou samba nas rodas do bairro.

Compositor, desde sempre foi cobiçado pelos cantores da época, distribuindo-se entre seus pares do Estácio, e os sambistas de Madureira, da Mangueira. Na fundação da Deixa Falar, a primeira escola de samba, cita-se obrigatoriamente a presença de Mano Heitor entre os pioneiros. O mesmo acontece quando Cartola inventou a Estação Primeira de Mangueira. E quando Paulo da Portela criou a sua escola azul e branca. Ou ainda, quando o próprio Heitor fundou a De Mim Ninguém Se Lembra.

A radiofonia teve seu quinhão, depois que Heitor trocou as escolas de samba pelos microfones e auditórios. Passou a interpretar composições que antes entregava aos cantores, e criou um grupo vocal, ao qual deu o nome de Heitor e Sua Gente.

Apontou então seu talento para as artes plásticas e se transformou em um dos mais expressivos pintores primitivistas brasileiros. Era mais uma das facetas da cultura popular que a influência de Mano Lino do Estácio atingia. Instrumentista, compositora cantor líder comunitário, pintor premiado, Heitor dos Prazeres transbordou sua importância na história do samba.


Fonte: História do Samba - Editora Globo.

Bezerra da Silva - Biografia


Bezerra da Silva (José Bezerra da Silva), cantor e compositor, nasceu em Recife, Pernambuco, em 09/03/1927 e faleceu no Rio de Janeiro em 17/01/2005. Desde os nove anos já tocava zabumba e cantava coco em sua cidade natal.


De origem humilde, aos 15 anos veio para o Rio de Janeiro como clandestino num navio e trabalhou na construção civil como pintor durante vários anos. Tocando tamborim no Bloco Unidos do Cantagalo, conheceu Alcides Fernandes, o Doca, um dos autores da música General da banda, que o convidou a participar de programa na Rádio Clube do Brasil, em 1950.

Começou então carreira como músico profissional, que se estendeu por 35 anos, acompanhando os mais famosos artistas brasileiros e integrando a Orquestra da Copacabana Discos em São Paulo, na década de 1960, e a Orquestra da TV Globo, de 1977 a 1985.

Sua primeira música gravada foi Nunca mais (com Norival Reis), por Marlene, na Continental, em 1965. Gravou o primeiro disco, um compacto simples, na Copacabana, em 1969, com as músicas Mana, cadê meu boi e Viola testemunha.

Em 1975, pela Tapecar, gravou seu primeiro LP, Bezerra da Silva — o rei do coco vol. 1, fazendo sucesso com a música Rei do coco; no segundo volume destacou-se com a faixa Cara de boi.

Em 1977 gravou seu primeiro LP de samba, pela CID, Partido-alto nota dez, vol. 1, seguido pelo segundo volume em 1978, que lhe rendeu o sucesso nacional Pega eu que eu sou ladrão (Crioulo Doido).

Em 1979 foi contratado pela RCA Victor, na qual permaneceu por 14 anos, lançando 14 discos, sendo seu primeiro CD Presidente caô, caô, em 1992. Transferiu-se para a RGE em 1995, lançando o CD Bezerra da Silva contra o verdadeiro canalha.

Em 1997 mudou-se para a gravadora Rhythm and Blues, produzindo mais um disco de sua carreira: Bezerra da Silva comprovando sua versatilidade.

Seus principais sucessos eram, segundo a Enciclopédia da Música Brasileira - edição de 1998 -, Bicho feroz (Tonho e Cláudio Inspiração); Malandragem, dá um tempo (Adelsonilton, Popular P e Moacir Bombeiro), gravada com sucesso em 1996 pelo Barão Vermelho; Overdose de cocada (Dinho e Ivan Mendonça); além de Pega eu que eu sou ladrão e Rei do coco.

Continuando a biografia, com alguns dados do Dicionário Cravo Albin, no ano de 1999, a gravadora MCA Internacional lançou o CD "Eu tô de pé", do qual mereceu destaque a música Cuidado com o bicho, de autoria de Luizinho e Neném do Chama.

No ano 2000, lançou seu 25º disco, o primeiro ao vivo de sua carreira, pela gravadora CID, que já saiu com 150 mil cópias vendidas. Nesse mesmo ano, pela gravadora Atração, lançou o CD "Bezerra da Silva". Também em 2000 lançou o CD "Malandro é malandro e mané é mané", pela gravadora Atração Fonográfica, no qual interpretou, entre outras, Os DPs de São Paulo (capital), Tem coca aí na geladeira e Respeito às favelas. Com a regravação de um sucesso seu pelo grupo Barão Vermelho, Bezerra da Silva tornou-se "cult" e passou a ser admirado por várias gerações e diversos artistas, como Paulo Ricardo, Marcelo D2, Os Virgulóides e O Rappa. Ainda nesse ano, a gravadora BMG Ariola lançou cinco de seus LPs em versão remasterizada em CD: Produto do morro, Malandro rifle, Alô malandragem, maloca o flagrante, Violência gera violência e Eu não sou santo.

Em 2001, a Rio Filme financiou o curta-metragem "Onde a coruja dorme", de Márcia Derraik e Simplício Neto, que contou a história de Bezerra da Silva e os personagens reais de suas composições, com cenas e depoimentos recolhidos no bairro da Chatuba, em Belford Roxo, no Rio de Janeiro. O documentário foi premiado em festivais de Miami, Curitiba e Gramado.

No ano de 2002, lançou o CD "A gíria é a cultura do povo", disco no qual incluiu Mulher sem alma (Batatinha), entre outras.

Em 2003, recebeu como convidados Frejat e Marcelo D2 em show no Olimpo, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, lançou seu 28º disco: "Meu bom juiz", no qual interpretou Em seu lar (Norival Reis), faixa que havia gravado anteriomente, quando trabalhava como percussinista, em 1967.

Em 2004, pela gravadora Som Livre, lançou o CD "Pega eu". Neste mesmo ano lançou de forma independente o CD gospel "Caminho de luz", no qual foram incluídas várias composições de amigos: Me chamo Jesus e Filho do dono, ambas de Adelzo Nilton (ex- Adelzonilton); Acreditar na palavra (Roxinho e Claúdio Inspiração) e Chave do milagre (Dicró) e ainda Gente fina, do Senador e Bispo Marcelo Crivella.

No ano de 2005 Dudu Nobre lhe prestou homenagem no disco "Festa em meu coração", quando regravou seu primeiro sucesso nacional, a música Pega eu que sou ladrão, de autoria de Criolo Doido. Bezerra da Silva iria participar da gravação, mas faleceu em janeiro do mesmo ano.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Marília Medalha - Biografia


Marília Medalha, cantora e compositora, nasceu em Niterói RJ em 25/7/1944. Aos cinco anos cantava para os amigos da família e, adolescente, frequentava reuniões musicais em Niterói, das quais participavam Sérgio Mendes e Tião Neto, que a acompanhavam em algumas apresentações públicas na cidade. Nesse período, realizou espetáculos no Clube de Regatas de Icaraí e no Clube Central.


Em 1965, Sérgio Mendes, já radicado nos EUA e famoso, convidou-a para integrar seu conjunto; recusou, preferindo participar, a convite de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, da peça Arena conta Zumbi, no Teatro de Arena, de São Paulo, recebendo, por sua atuação, o prêmio de Atriz-revelação de 1965, conferido pela Associação Paulista de Críticos Teatrais.

Dois anos depois, apresentou-se com Edu Lobo num show da boate carioca Zum-Zum e começou a tomar parte no programa da TV Excelsior, de São Paulo, Ensaio Geral, ao lado de Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Sérgio Ricardo.

Interpretou no III FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1967, a música Ponteio (Edu Lobo e Capinam), vencedora do concurso. No festival seguinte da mesma emissora, cantou a música (que se classificou em segundo lugar) Memórias de Marta Saré (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri). Ainda em 1968, defendeu na I Bienal do Samba, também na TV Record, a composição colocada em terceiro lugar, de autoria de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, Pressentimento, gravada no seu primeiro LP — Marília Medalha — lançado pela Philips nesse mesmo ano.

Em 1970 apresentou-se ao lado de Toquinho e Vinícius de Moraes, no Teatro Castro Alves, em Salvador, e também em Buenos Aires, Argentina, na boate La Fusa. No LP Como dizia o poeta, gravado em 1971, junto com Vinícius de Moraes e Toquinho, interpretou duas composições suas, feitas em parceria com Vinícius, Valsa para o ausente e O grande apelo.

Até 1972, excursionou pelo exterior (Argentina, Uruguai, França), com Vinícius de Moraes e Toquinho. Lançou, em 1973, um LP com composições suas e letras de Vinícius, como Encontro e desencontro, e se apresentou no show Caminhada, no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro, com direção geral de Silnei Siqueira e direção musical de Paulo Moura.

Participou, dois anos depois, da remontagem do show Opinião (Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa), ao lado de Zé Kéti e João do Vale, sob a direção de Bibi Ferreira, no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro.

Em 1978, gravou o LP "Bóias da luz", com destaque para canções como Nós os grandes artistas (Gonzaguinha), Natalino José do Nascimento (Zé Keti) e Depois que foi embora (Fernando Leporace), além da faixa-título (Sueli Costa e Abel Silva), entre outras.

Durante praticamente toda a década de 80, sua carreira ficou restrita a São Paulo, onde se apresentou esporadicamente.

Lançou, em 1992, o disco "Bodas de vidro", produzido e editado pelo governo municipal de Niterói, cidade onde nasceu, registrando composições próprias como Canção da canção que nasceu (c/ Vinícius de Moraes) e Porto aberto (c/ Dulcineia Pilla), além de músicas de outros compositores, como Poeta (Márcio Proença e Paulo César Pinheiro) e Ah! Se eu pudesse (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), além da faixa-título (Sueli Costa e Paulo César Pinheiro), entre outras.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

segunda-feira, maio 07, 2018

Ovídio Chaves - Biografia

Ovídio Chaves e Dilu
(A Cena Muda, 1958)
Ovídio Chaves (Ovídio Moojen Chaves), compositor, escritor e instrumentista, nasceu em Lagoa Vermelha RS em 29/7/1910 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 2/8/1978. O pai, comerciante, tocava bandônio e o incentivou no gosto pela música, que começou a estudar aos sete anos.

Em 1932 foi aluno de José Lucchesi no Conservatório de Música de Porto Alegre RS, mas desde 1925 já trabalhava como violinista de orquestra, acompanhando projeções de cinema mudo em Lagoa Vermelha.

Na capital gaúcha foi redator do jornal Correio do Povo. Além do violino, tocava violão; em 1939 estreou como compositor com Fiz a cama na varanda (com Dilu Melo), gravada pela parceira em 1941, na Continental. A música transformou-se no grande sucesso de sua carreira, sendo mais tarde gravada, entre outros, por Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Nara Leão, Cantores de Ébano, a Orquestra de Radamés Gnattali, conjuntos de rock e, ainda, na França, em versão.

Em 1942 compôs Alecrim da beira d’água, seguida em 1943 por Menino dos olhos tristes. Dois anos depois compôs o xote Rede de Maria. Em parceria novamente com Dilu Melo, lançou em 1951 a polca Meia-canha. Entre suas músicas posteriores mais importantes, destaca-se a Toada do jangadeiro (com Enoque Figueiredo), de 1962. Em 1967 recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, no gênero poesia.

Tem cerca de vinte composições gravadas. Publicou os livros de poesias O cancioneiro, Porto Alegre, 1933; O anel de vidro, Porto Alegre, 1934; Uma janela aberta (foto), Porto Alegre, 1938; ABC de Paquetá, Rio de Janeiro, 1965; e o romance Capricornius, Porto Alegre, 1945.

Obras

Alecrim da beira d’água, 1942; Fiz a cama na varanda (c/Dilu Melo), 1939; Meia-canha (c/Dilu Melo), polca, 1951.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Francisco Egídio - Biografia


Francisco Egídio (Francisco Egídio dos Santos), cantor e compositor, nasceu em São Paulo SP em 17/1/1927 e faleceu em 17/10/2007 na mesma cidade. Dos 14 aos 24 anos participou de programas de calouros em várias emissoras de rádio, entre os quais o Peneira Rodhine, da Rádio Cultura, de São Paulo, onde cantava sucessos da época, principalmente de Nelson Gonçalves, Francisco Alves e Orlando Silva.


De 1946 a 1950 serviu na polícia militar da Aeronáutica, de onde saiu como cabo. Em 1951 participou do concurso O Cantor dos Bairros, da Rádio Excelsior, de São Paulo, obtendo o primeiro lugar e contrato de experiência por três meses na própria emissora. Nessa época, a Rádio Excelsior passou para as Organizações Vítor Costa e assim ele foi incluído no seu quadro artístico.

Gravou pela primeira vez como cantor em 1953, na Copacabana, com as músicas Rascunho brasileiro (Polera) e uma versão do tango Sin palabras. Fez grande sucesso com a interpretação de Creio em ti, versão que lhe deu o troféu Roquete Pinto em 1960, ano em que deixou a Organização Vítor Costa.

Em 1966 viajou por Portugal e África, fazendo várias apresentações durante dois anos. De volta ao Brasil, excursionou pela Argentina, Uruguai e Paraguai.

Em 1970 gravou sua própria composição Bamboleando, na Odeon. Também participou de filmes, como ator, entre os quais A marcha, de Osvaldo Sampaio, em 1972.

Em 1975, participou da trilha sonora da novela "Meu rico português", da TV Tupi, em LP lançado pela Continental no qual interpretou a música Estranha forma de vida.

Em 1977, lançou pela Chantecler um LP que intitulou de "Chico Egydio" e no qual interpretou clássicos como Se alguém perguntar por mim, de Luiz Wanderley, Risque, de Ary Barroso, Caminhemos, de Herivelto Martins, A volta do boêmio, de Adelino Moreira, e Cinco letras que choram (Adeus), de Silvino Neto. No mesmo ano, participou do LP "Carnaval 77 - Convocação geral" lançado pela Som Livre visando reativar o repertório carnavalesco no qual interpretou a marcha Mulata ponte aérea, de Elzo Augusto.

Em 1978, participou do LP "Sambas de enredo das Escolas de samba do Grupo 1", de São Paulo, lançado pela Continental interpretando o samba-enredo Sonho de um rei negro, de João Dionísio e Bom Cabelo, da Escola de Samba Nenê de Vila Matilde.

Em 1990, participou do LP "Feitiço da Vila", lançado pela EMI-Odeon em homenagem a Noel Rosa no qual cantou o samba Palpite infeliz.

Em sua extensa carreira gravou mais de vinte discos em 78 rpm além de vários LPs pelas gravadoras Odeon, Chantecler e Continental, além de participar de diversas coletâneas. Seu principal trabalho foi a gravação feita com Roberto Paiva e que relembrou a famosa polêmica entre Noel Rosa e Wilson Batista.

Faleceu em 17/10/2007 de falência múltipla dos órgãos e foi sepultado no cemitério do Tremembé. Egydio tinha mal de Alzheimer.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Cassiano - Biografia


Cassiano (Genival Cassiano dos Santos), cantor, compositor e guitarrista, nasceu em Campina Grande PB em 16/9/1943. Aos seis anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde aprendeu as primeiras noções de violão e bandolim com o pai.


Iniciou a carreira em 1964, tocando violão no Bossa Trio, que daria origem ao grupo vocal Os Diagonais, com o qual gravou alguns compactos e o LP Cada um na sua (1971, RCA). Influenciado tanto pela soul-music norte-americana de Otis Redding e Stevie Wonder como pelo samba-canção de Lupicínio Rodrigues, foi um dos precursores do gênero soul no Brasil (?).

Tornou-se conhecido em 1970, quando Tim Maia gravou suas composições Primavera (Vai chuva) e Eu amo você (ambas com Sílvio Rochael) em seu primeiro LP, que teve participação de Cassiano na guitarra.

Seus maiores sucessos como autor e intérprete incluem duas parcerias com Paulo Zdanowski: A lua e eu (1976), tema da novela O grito, e Coleção (1977), incluída na novela Locomotivas, ambas da TV Globo. Seus discos como intérprete em carreira solo são Cassiano, imagem e som (1971, RCA), Apresentamos nosso Cassiano (1973, Odeon) e Cuban soul — 18 quilates (1976, Polydor), além de um LP gravado na CBS, que ficou inédito.

Em 1978 interrompeu a carreira de intérprete por motivos de saúde, mas continuou compondo sucessos como Mister Samba, gravado por Alcione, e Morena, por Gilberto Gil.

Voltou a gravar em 1991, quando participou do songbook da editora Lumiar dedicado a Noel Rosa e lançou o LP Cedo ou tarde (Columbia), com participação de Ed Mota, Sandra de Sá, Mansa Monte, Djavan e outros, incluindo antigos sucessos e novas composições como Know-how.

Em 1998, foi lançada pela gravadora Universal a coletânea "Velhos camaradas" (Cassiano, Tim Maia e Hyldon), disco que reuniu alguns sucessos de cada um dos artistas. No ano seguinte, sua composição Férias, parceria com Índio, deu título ao disco de Cláudio Zoli lançado pela gravadora Trama.

No ano 2000, pela gravadora Dubas Música, foi lançada a coletânea "Coleções", com várias composições de sua autoria.

No ano seguinte, em comemoração aos 100 anos da RCA, a empresa relançou em CD parte de seu acervo, no qual estão incluídos os LPs "Imagem e som" e "Cuban soul". Ainda neste ano, a gravadora Dubas Música, do compositor Ronaldo Bastos, convidou Ed Motta para organizar uma nova coletânea de suas composições. Neste mesmo ano, os Racionais MC's o convidaram para participar do novo disco dos rappers paulistas, e a banda carioca Clave de Soul, em seu primeiro CD, "Dançar é bom", interpretou de sua autoria Tá dando mole.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, maio 06, 2018

Um Milhão de Melodias - Rádio Nacional


Um dos mais famosos programas musicais do rádio brasileiro. Um Milhão de Melodias estreou no dia 6 de janeiro de 1943 na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e foi um marco importante no processo de alienação cultural dos brasileiros através da música.


Antes desse programa radiofônico, a influência da música norte-americana era restrita ao cinema e mesmo assim para uns poucos iniciados. Os filmes eram legendados e com o elevado número de analfabetos tornava-se difícil a penetração maciça do fox. É verdade que havia o disco mas o consumo era pequeno e havia poucas vitrolas entre os menos afortunados. Com o rádio a coisa era outra.

Através de programas como Um milhão de melodias, Aquarelas das Américas e Aquarelas do Mundo, Nas asas de um Clipper, A hora da Broadway, Your Hit Parade, Big Broadcasting Matinal da Exposição e outros que tais, a música norte-americana foi invadindo os lares brasileiros e induzindo a nossa juventude à adoção dos seus ritmos.

O programa esteve no ar, inicialmente, durante sete anos ininterruptos. Depois ficou de fora por dois anos voltando em 1952/53 para uma nova temporada. Nele desfilaram os maiores artistas do rádio brasileiro e a Orquestra Brasileira comandada por Radamés Gnattali dividia seus números entre os sucessos brasileiros e os sucessos norte-americanos.

Os primeiros produtores do programa foram Haroldo Barbosa e José Mauro e posteriormente, na sua segunda fase, Paulo Tapajós e Lourival Marques.


Fonte: http://www.collectors.com.br/CS05/cs05_03aq.shtml

sexta-feira, maio 04, 2018

Moacir Santos - Biografia


Moacir Santos (Moacir José dos Santos), regente, arranjador, instrumentista, professor e compositor, nasceu em Vila Bela, Pernambuco, em 8/4/1924, e faleceu em Los Angeles, Califórnia, EUA. Criado em Flores do Pajeú (PE), recebeu as primeiras noções de teoria musical do Mestre Paixão, iniciando carreira como instrumentista da banda local.


Em 1940 deixou a cidade e passou a acompanhar um circo pela região. Em seguida, passou pelas cidades de Recife (PE), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB), onde ingressou na Força Pública da Paraíba. Pouco depois, abandonou a carreira militar e passou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco.

Em 1948 foi para o Rio de Janeiro, onde começou a tocar no clube Brasil Danças. Logo entrou para a orquestra da Rádio Nacional, na qual permaneceu por 18 anos, primeiro como saxofonista e depois como maestro e arranjador. Nesse período, estudou teoria musical com o maestro Guerra-Peixe e com o professor Hans Joachim Koellreutter de quem se tornou assistente.

Na década de 1950, firmou-se como um dos principais arranjadores do Brasil. Foi professor de Paulo Moura, Baden Powell, Nara Leão, Eumir Deodato, Dom Um, Airto Moreira, entre outros.

Em 1963 realizou os arranjos do disco Vinícius de Moraes e Odete Lara. Em 1965 lançou seu primeiro disco no Brasil: Coisas.

No final dos anos de 1960, pela trilha do filme Amor no Pacífico, recebeu do Itamaraty uma passagem para os EUA Fixou residência em Pasadena, onde deu aulas e tocou até ser descoberto pelo pianista Horace Silver, quando então passou a gravar para o mercado norte-americano: The Maestro (1971), Saudade (1973) e Carnaval dos espíritos (1975), todos pela etiqueta Blue Note, além de Opus 12 nr.1, pela Discovery.

Em 1985 esteve no Brasil e, com Radamés Gnattali, foi homenageado no Free Jazz Festival. Em 1992 esteve novamente no Brasil, participando do projeto Memória Brasileira, Série Arranjadores, lançado em CD.

Entre suas principais composições destacam-se Nanã (com Mário Teles), Coisas (nr.1 a 12), e, em parceria com Vinícius de Moraes, Menino travesso, Triste de quem, Lembre-se e Se você disser que sim.

Em 2001, foi lançado o CD duplo "Ouro Negro", que resgatou obras contidas em seus discos "Coisas", "Maestro", "Saudade" e "Carnival of Spirits", apresentadas com seus arranjos originais, transcritos por Mario Adnet e Zé Nogueira.

Em 2005, foi lançado o CD "Choros & Alegria", registrando suas composições Agora eu sei, Outra coisa, Paraíso", Saudade de Jaques, Vaidoso, De Bahia ao Ceará, Excerto No. 1, Flores, Cleonix, Ricaom, Lemurianos (Pâtâla), Rota Infinito, Carrosel, Samba di Amante e Felipe, todas escritas muitos anos antes de sua fase modernista emblematizada no LP "Coisas". O disco, produzido por Mario Adnet e Zé Nogueira, contou com a participação do trompetista Wynton Marsalis. Nesse mesmo ano, foram lançados os songbooks "Cancioneiros Moacir Santos".

Em 2006, o CD "Choros e alegria" foi contemplado com o Prêmio Tim, na categoria Melhor Disco/Projeto Especial. Em julho desse ano, foi escolhido como vencedor do 26º Prêmio Shell de Música, pelo conjunto da obra, vindo a falecer no dia 6 de agosto. No dia 8 de novembro desse mesmo ano, sua viúva Cleonice Santos, e seu filho, Moacir Santos Jr., receberam das mãos do presidente Lula e do ministro Gilberto Gil a medalha da Ordem do Mérito Cultural conferida ao músico.

Em 2007, a cantora Muiza Adnet lançou o CD “As canções de Moacir Santos”, gravado no ano anterior. O compositor realizou uma participação especial no disco, que se tornaria seu último registro fonográfico.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Batatinha - Biografia

O samba baiano teve em Batatinha o seu maior poeta e compositor de mais de 100 canções. O gráfico aposentado Oscar da Penha, ou melhor "Batatinha", faleceu em Salvador, em 3/01//97, aos 72 anos, sem nunca ter conseguido em vida o sucesso relativo à qualidade da sua obra. Apenas teve registrado dois álbuns em toda sua trajetória artística.


Reconhecido pela crítica especializada e por nomes da MPB teve diversas composições gravadas por Maria Bethânia, Caetano Veloso, Nara Leão, Jair Rodrigues, Jamelão, Moraes Moreira, dentre outras.

Ele foi o primeiro compositor a inventar o samba-receita, notabilizado na canção O Vatapá, e o pioneiro a introduzir elementos da capoeira na canção popular nos anos 50. Seu estilo melancólico do seu samba, fez a crítica o comparar em certa parte com a ambiência lírica das composições de Noel Rosa, Cartola e Paulinho da Viola.

Batatinha fez samba de alto nível fundamentado na tradição do samba de raiz baiana. Nascido em Salvador, no dia 5/08/24, desde os 15 anos de idade, trabalhou como gráfico dos jornais Diário de Notícias e Estado da Bahia e foi funcionário público da Imprensa Oficial (hoje, Empresa Gráfica da Bahia). Casado com Marta dos Santos Penha, teve nove filhos.

Desde os 15 anos já compunha e estava envolvido com o ambiente musical da capital baiana. Começou a carreira como cantor descoberto pelo radialista da Rádio Excelsior, o pernambucano Antônio Maria de Moraes, em 44, que o colocou o apelido de Batatinha. O radialista ficou impressionado com a qualidade de sambas dele, como Olha aí, O que é que há, Iaiá no Samba, Receita de Feijoada e Doutor Cobrador. O artista foi presença constante interpretando músicas do compositor paulista Vassourinha no programa de auditório chamado Campeonato do Samba que se realizava no Cine Guarany. Antes escapou de servir a Força Expedicionário Brasileira na Segunda Guerra Mundial, graças a intervenção do amigo Odorico Tavares.

Na época, Batatinha vivia na boêmia com amigos gráficos, como Dufi Cruz que, também, era sambista. Este antes de morrer na década de 50, compôs com Batatinha o samba O Grande Rei. As maiores influências no início da carreira de Batatinha eram de Wilson Batista, Noel Rosa, Araci de Almeida e Ciro Monteiro.

Ele participou durante toda década de 50 do concurso de composição para o carnaval de Salvador promovido pela Rádio Sociedade pelo locutor Renato Mendonça. Apesar do sucesso de seus sambas para o carnaval, ele numca conseguiu ganhar nenhum conscurso. Seu primeiro samba composto foi o samba Inventor de Trabalho concebido em 1943 e só seria registrada no seu primeiro LP que dividiu com os colegas sambistas baianos Riachão e Panela. O seu primeiro samba gravado foi Jajá está com uma coroa que é um barato interpretado pelo sambista carioca Jamelão. A letra relata com um raro humor as histórias de um malandro chamado Jajá da Gamboa que se relacionou com uma coroa rica da sociedade soteropolitana e arrancou toda sua grana e até sua dentadura de ouro.

Samba com pionerismo

Seu pionerismo remonta até a primeira incursão da capoeira na música brasileira que ele fez com o grupo de Cancioneiros do Norte através da Rádio Cultura de Salvador. Em 1951, ele compôs Samba e Capoeira e que foi executada em 1954. A proposta estética de misturar as melodias das músicas da dança afro-baiana num formato de cancioneiro popular ganhou força com outros nomes da música brasileira, como Clodoaldo Brito e Baden Powell e Vinícius de Moraes. Por conta dessa iniciativa teve seu nome incluído no trabalho sobre a capoeira etnógrafo Valderloir Rego.

Em 1960, ele perdeu com uma das suas mais refinadas composições chamada Diplomacia, cantado por Humberto Reis. O samba entrou na trilha sonora do primeiro filme de Gláuber Rocha, Barravento. A letra confessional do samba na época intitulada de Tormento refletia o estado de espírito de Batatinha na busca pelo reconhecimento: "...Luto por um pouco de conforto/Tenho o corpo quase morto/Não acerto nem pensar/ Mesmo com tanta agonia/ ainda posso cantar// Meu desespero ninguém vê/ sou diplomado em matéria de sofrer/ Falsa alegria, sorriso de fingimento/ Alguém tem culpa desse meu padecimento".

Pautado por uma melancolia atípica para um baiano pode ser ilustrada no samba Direito de Sambar. A letra revela a nuance de um compositor a expor sua face sensível em plena avenida de carnaval: "É proibido sonhar/ Então me deixe o direito de sambar/ ... Já faz dois anos/ que não saio na escola/ e saudade me devora/ quando vejo a turma passar".

Nesse mesmo ano, Batatinha vira sucesso nacional como compositor depois da gravação de Jamelão que gravou Javá da Gamboa. Esse fato chama a atenção dso intérpretes para o talentoso compositor negro baiano. Maria Bethânia seria o primeiro grande nome da MPB a lhe dar vez, gravando, em 64, os sambas Diplomacia, Toada da Saudade, Imitação e a Hora da Razão nos shows do Teatro Opinião e no show do álbum Rosa dos Ventos. Depois, ela gravaria ainda a marcha A História do Circo.

Em 66, o sambista baiano Ederaldo Gentil o convida para musicar a peça teatral Pedro Mico de Antônio Callado. Ele compõe o samba Espera que foi gravado pela cantora maranhense Alcione. Ainda participa, em 67, de uma produção de um vídeo-documentário da tv italiana estatal RAI sobre o samba brasileiro.

Em 1973, aos 49 anos, finalmente, por iniciativa de Paulo Lima e da gravadora Philips Fontana Special lança o disco Samba da Bahia com direção de Edil Pacheco e com a participação de músicos de Salvador, como José Menezes (cavaquinho), Vivaldo (clarineta e sax), Edson (violão de 7 cordas), Armadinho (bandolim), Edil Pacheco (violão), Everaldo Júnior (baixo), Chorinho (trombone), Pedro Torres e Valdomiro (piston), Cacu, Sambador, Tamborim, Miguel e Edmundo (percussão) . No LP, Batatinha comparece com os sambas-canção Diplomacia, Ministro do samba, Inventor do Trabalho e o Direito de Sambar. Batatinha gostava de se comparar com outro grande do samba, Cartola, pois chegaram ao registro fonográfico com idades semelhantes. As gravações foram realizadas em quatro madrugadas no Teatro Vilha Velha, sem apresença de público.

Em 76, grava o primeiro e único álbum-solo, Toalha de Saudade, que traz a regravação do samba Espera, sucesso na voz de Alcione. A letra do samba é um exemplo nítido da faceta de uma melancolia herdada do lamento dos escravos misturada com a alma portuguesa. Antes de mais nada, o lamento de um sambista negro baiano de rara sensibilidade poética: "É doloroso esperar/ e sem nunca chegar/ quem a gente quer/ e com a alma em desespero/ se preocupa no espelho/ uma solução qualquer". Pela qualidade rítmica e lírica, o álbum sendo escolhido pela crítica especializada da imprensa como melhor álbum de samba daquele ano.

Batatinha tinha mágoas naturais de quem havia vivido na pobreza e não conseguia se encaixar no mercado da música popular brasileira. Chegou a reclamar de terem tentado enquadrá-lo como cantor de samba de roda, mas ele relutava em ser cerceado a algo mais limitado. Fazia questão de se fazer samba de origem africana, do semba angolano, mas com influência do samba-canção urbano brasileiro. Pertencente à Irmandade do Rosário dos Pretos, foi devoto dos sambas concisos, despretensiosos, mas nunca destituídos de ambição estética.

Nunca desistiu de promover o samba como expressão artística genuína do povo brasileiro. Incentivou e promoveu diversos eventos ligados ao gênero, como a "Segunda do Samba" e o "Dia do Samba", no Largo do santo Antônio. Essas festas sempre contaram com o prestígio e presença de nomes da MPB, como Chico Buarque e Luís Melodia, graças à admiração que eles nutriam pelo organizador do evento.

Continou fazendo shows esporádicos em circuitos mais fechados e culturais, como o circuito universitário do Projeto Pixiguinha que ele fez, em 83, ao lado da cantora carioca Elza Soares. Chega a fazer shows, em 87, com o músico baiano Saul Barbosa e mais outros cada vez mais esporádicos. No ano seguinte, comemora os 44 anos de carreia artística num show no Teatro Vilha Velha reunindo Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Margareth Menezes, Gerônimo, Edil Pacheco, Ederaldo Gentil, Carlos Pita e outros.

A morte e as homenagens póstumas

Entra na década de 90 realizando shows esporádicos e sem conseguir lançar o segundo álbum-solo. Não conseguiu realizar seu último intento artístico, pois, em janeiro de 97, morre vítima de câncer na próstata. Foi enterrado no dia 04/01/97 no cemitério Jardim da Saudade. Apenas conseguiu participar de um projeto de homenagem que não teve tempo de ver concluído.

Deixou 10 filhos e foi casado por duas vezes. Sua herança cultural é inestimável. Os produtores Paquito e Jota Veloso recuperaram um rico acervo de Batatinha e estão abertos a disponibilizar essas canções para quem quiser gravá-los. A vida do mestre do samba melancólico que, também, tinha seu lado alegre continua na perpertuação da sua obra de raiz baiana, mas de valor universal.

A morte do artista não impediu que um projeto de um álbum em sua homenagem fosse lançado. Os produtores Paquito e Jota Veloso já tinham recolhido em um gravador doméstico mais de 70 músicas de Batatinha e escolheram 17 que seriam gravadas por nomes da MPB. Com o patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia, o álbum Diplomacia é lançado em maio de 98 pela gravadora EMI.

Algumas letras do compositor Batatinha






Fonte: Batatinha - Biografia

Carlos José - Biografia


Carlos José (Carlos José Ramos dos Santos), cantor e compositor, nasceu em São Paulo SP em 22/9/1934. Filho de um funcionário público e irmão do violonista Luís Cláudio Ramos, em 1939 transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro RJ, indo morar no bairro de Santa Teresa. 


Interessado por música desde criança, aos 11 anos aprendeu a tocar violão com a mãe. Estudou nos colégios Menino Jesus, Santo Inácio e Andrews, ingressando, mais tarde, na Faculdade de Direito, no Catete. Durante todo esse tempo sempre esteve ligado a grupos musicais amadores.

Aos 13 anos participou do programa de calouros Papel Carbono, na Rádio Clube, classificando-se em primeiro lugar.

Sua carreira profissional começou em 1957, quando ainda cursava direito: numa das festas da faculdade, apresentou-se com um conjunto e foi ouvido por Flávio Cavalcanti, que o convidou para participar de seu programa Um Instante Maestro, na TV-Rio. Na televisão, conheceu o compositor Alcir Pires Vermelho, por meio de quem gravou um 78 rpm, na Polydor, que incluía Ouça (Maysa) e Foi a noite (Tom Jobim e Newton Mendonça). Essa gravação deu-lhe o título de cantor-revelação do ano, concedido pelos cronistas do Rio de Janeiro. O sucesso levou-o a abandonar a advocacia para dedicar-se somente à música.

Em 1958, lançou Oferta, sua primeira composição gravada, na Polydor. Em seguida, começou a viajar, apresentando-se em todo o Brasil, na Argentina e no Uruguai. Entre seus maiores sucessos, destacam-se Esmeralda (Fernando Barreto e Filadelfo Nunes), de 1960; Lembrança (versão de Serafim Costa Almeida), de 1962; Queria (Carlos Paraná), de 1964; Guarânia da saudade (Luís Vieira), de 1966; e Oração da Mãe Menininha (Dorival Caymmi), de 1973.

Com cerca de 25 LPs gravados, em diversas etiquetas, em 1975 lançou Meu canto de paz, álbum da RCA Victor que, além de músicas de compositores novos, incluiu composições antigas, como Arrependimento (Sílvio Caldas e Cristóvão de Alencar) e Cabelos brancos (Marino Pinto e Herivelto Martins).

Em 1993 gravou o CD Serestas brasileiras, do projeto Academia Brasileira de Música, da Sony. Entre outras faixas, o disco contém Esses moços (Pobres moços) e Nervos de aço (ambas de Lupicínio Rodrigues), Eu sonhei que tu estavas tão linda (Lamartine Babo e Francisco Matoso), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Assim como os rios bravios e Modinha.

Em 1997 regravou seus principais sucessos, entre eles Lembrança, Esmeralda e Guarânia da saudade, para a Polygram, que lançou o CD 20 Super Sucessos de Carlos José, no qual foram incluídas também versões para Olhos nos olhos (Chico Buarque), Naquela mesa (Sérgio Bittencourt) e Cabecinha no ombro (Paulo Borges), e duas músicas inéditas: Você é uma mentira (Joelma) e Menino de rua (J. Júnior).

Em 1999, organizou e estrelou espetáculo no auditório principal da Academia Brasileira de Letras, quando do lançamento das 14 canções do século XX e do livro "MPB - a história de um século", de R. C. Albin.

Ao longo de sua carreira, apresentou-se nos palcos de todo o Brasil, além de ter realizado shows em Portugal, México, Argentina, Uruguai, Paraguai e Equador.

Em 2014, aos 80 anos, voltou a gravar, lançando com o irmão e violonista Luiz Cláudio Ramos, o CD "Musa das Canções", apenas com voz e violão, no qual interpretou somente composições com nomes de mulher, como por exemplo, Odete, de Herivelto Martins e Waldemar de Abreu, o Dunga, cantada em dueto com Chico Buarque, Doralice, de Dorival Caymmi e Antônio Almeida, Laura, de João de Barro e Alcyr Pires Vermelho, em dueto com Jerry Adriani, Maria, de Ary Barroso, Ai que Saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago, Esmeralda, de Filadelpho Nunes, seu primeiro grande sucesso, e Cantiga por Luciana, de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, além da inédita Celina, de sua autoria.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB (atualização depois de 1998).

Carequinha - Biografia


Carequinha (George Savalla Gomes), palhaço, compositor e cantor, nasceu em Rio Bonito-RJ (18/7/1915) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (5/4/2006). Em 1920 começou a trabalhar no Circo Peruano, de seu avô, chamado Savalla, em Carangola, e em 1938 estreou como cantor no programa Picolino, de Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro.


Com a inauguração da TV Tupi, em 1950, formou com Fred (Fred Vilar) notável dupla de palhaços, em seu programa Circo do Carequinha, pioneiro na televisão. Em 1958 realizou sua primeira gravação com a música Fanzoca de rádio (Miguel Gustavo), e no ano seguinte estreou como compositor, gravando Alma de palhaço (com Fred).

O Palhaço Carequinha

Numa noite de 18 de julho de 1915, na cidade de Rio Bonito, Estado do Rio de Janeiro, a aramista e trapezista Elisa Savalla, durante uma apresentação noturna no Circo Peruano, sente as primeiras dores do parto. O seu marido, Lázaro Gomes, em pleno picadeiro, pede para ela descer do arame. Assim, num barraco de circo, nasce George Savalla Gomes, mais conhecido como Carequinha. Logo após o parto, seguindo uma bela tradição circense, ele recebe dos artistas os primeiros dos muitos aplausos, que se tornariam uma constante em sua vida.

O pai, que largou a batina pela atriz circense, morreu quando Carequinha tinha dois anos. Sua mãe casou-se novamente, com Ozório Portilho. Aos cinco anos, na cidade de Carangola, Minas Gerais, sua família trabalhava no Circo Peruano de seu avô, José Rosa Savalla, quando o padrasto Ozório, após alguns ensaios, colocou uma careca no pequeno menino e disse: “Hoje você vai entrar ( no picadeiro ) carequinha" e profético determinou que “de agora em diante você será o Carequinha”. Naquela ocasião tinha um palhaço que se chamava Careca e não podiam existir dois palhaços com nomes iguais. Então, dos cinco anos em diante, ele nunca mais deixou de ser o Carequinha.

Devidamente batizado, o contato com o público foi imediato e pouco a pouco transformou seu caminho em sinônimo de alegria. Foram muitas viagens pelo Brasil, com o Circo Peruano, da família Savalla, depois o Circo Ocidental (comprado pelo padrasto ), sendo palhaço oficial do circo aos 12 anos, o Atlântico e o Olimecha, até chegar no Rio de Janeiro o Circo Alemão Sarrazani.

Isso foi em 1951. Eles queriam uns palhaços brasileiros e Carequinha e o companheiro Fred tornaram-se então uns dos raros palhaços do Brasil contratados por um circo estrangeiro. O circo era uma bola de alumínio, uma coisa extraordinária, para o veterano palhaço que nunca tinha aquilo. O circo ficou três meses defronte da Central do Brasil e depois, com Carequinha e Fred, foi para São Paulo. Os dois palhaços ficaram 4 meses e meio nesse espetáculo.

Naquela época o circo também era teatro, como relembra o palhaço: “Eu era o galã, rapaz novo, fazia o palhaço na primeira parte e depois o galã das peças. O circo tinha palco, a primeira parte era no picadeiro e a segunda no palco, levava aqueles dramalhões". Foi na segunda parte que Carequinha conheceu o grande companheiro Fred, um alfaiate que nas horas vagas trabalhava em teatros dos subúrbios carioca.

Depois, radicado na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro, Carequinha optou por apresentar-se fora do circo, na qual as apresentações eram diárias. Carequinha gostava de fazer três, quatro, cinco apresentações por semana. Então, ele se limitou a fazer shows de aniversários, clubes e viagens para o interior do país.

Ele representou o nosso país quatro vezes no Exterior, ganhando uma medalha de ouro na Itália como o Palhaço Moderno do Mundo. O recebimento da medalha ocorreu na Cidade de Campione D’itália, credenciado ao concurso pela Superintendência do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, para representar o Brasil no I Festival Internacional de Clow, que foi realizado nos dias 13 e 14 do mês de dezembro de 1964, disputando com palhaços de 20 países. Também esteve em Portugal, na América do Norte duas vezes, na Argentina e no Reino Unido.

Em certa ocasião, enquanto viajava de avião para Florianópolis, o diretor de um show passou um rádio para o avião em que se encontrava Carequinha pedindo que ele descesse maquiado porque tinha umas três mil pessoas no aeroporto esperando para vê-lo. Neste dia, ele recebeu a chave da cidade num carro do Corpo de Bombeiro e foi até o centro da cidade para o primeiro show numa praça que estava lotada.

A mesma receptividade ocorreu em Porto Alegre e Portugal. A partir do convite de Getúlio Vargas para apresentar o seu circo para seus filhos no Palácio do Catete, Carequinha passou a ser considerado o Palhaço dos Presidentes. Os seus shows eram quase que obrigatórios para todos os presidentes da República, desde de Getúlio Vargas passando por JK incluindo os Generais do governo militar. Ele tomou parte da inauguração da Praça dos Três Poderes, na então recém criada Brasília (1960), convidado pelo amigo Juscelino Kubitschek.

Durante suas viagens de trabalho, Carequinha encontrou tempo para namorar e casar-se. “O Circo Ocidental foi a Poços de Caldas, Minas Gerais ( 1940 ). Lá, eu me casei e depois voltamos para São Gonçalo. Minha esposa, Elpídia, era professora e gostou do Carequinha. Eu bem que lhe contei como era a minha vida. Mesmo assim ela decidiu se casar comigo”.

Carequinha também tinha tempo para os estudos, tendo estudado até o 3o ano da faculdade de Direito. Desde criança, sua mãe o matriculava na escola de cada cidade por onde o circo passava. Assim foi sua vida escolar.

O rádio estava em sua Época de Ouro. Carequinha integrou o elenco do Programa Barbosa Júnior, na Rádio Mayrink Veiga ( RJ ), e do show de variedades de César de Alencar, na Rádio Nacional ( RJ ). Trabalhou ao lado de cantores como Francisco Alves, Emilinha Borba e Ângela Maria. As músicas interpretadas por Carequinha, Fanzóca do Rádio ( brincadeira com as fãs de Emilinha Borba ) e A Burrinha foram as mais tocadas nos carnavais de 1958 e 1960, respectivamente.

Além das marchinhas carnavalescas, Ele gravou várias músicas infantis, muitas acompanhado pelo flautista Altamiro Carrilho e sua bandinha. Em 1962, com Carrilho, Carequinha gravou O Bom Menino ( “O Bom Menino não Faz Pipi Na Cama/ O Bom Menino não Faz Mal-criação/ O Bom Menino Vai Sempre a Escola....” ) que vendeu 2 milhões e 500 mil cópias.

Ele foi o primeira a gravar a música de roda Atirei o Pau no Gato, além de outras velhas cantigas infantis. O jornal Folha de São Paulo publicou certa vez que Carequinha foi o primeiro a gravar um rock infantil no Brasil: O Rock do Ratinho. No início da década de 80, Carequinha, juntamente com Pelé, participou do primeiro disco de Xuxa Meneghel: O Clube da Criança. Ao todo ele gravou 27 LP’s e 184 compactos, mas poucos sabem que ele foi um seresteiro.

Algumas letras e gravações de músicas















Fonte: O Palhaço Carequinha