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sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Tipo zero - Marília Batista


Tipo Zero (samba, 1934) - Noel Rosa - Intérprete: Marília Batista

LP 10' Marilia Baptista - Samba E Outras Coisas... / Título: Tipo Zero / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Batista, Marília, 1918-1990 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Musidisc, 1956 / Nº Álbum: DL-1015 / Lado A / Faixa 01 / Gênero musical: Samba.


Intr.:(F G7 C A7 Dm G7 C C7 F G7 C A7 D7 G7)

C           C/E      B/D#     C/E
Você é um tipo que não  tem tipo
C         C#°   Dm
Com todo tipo você se  parece
E7                      Am
E sendo um tipo que assimila tanto tipo
D7                        G7
Passou a ser um tipo que ninguém esquece
(Tipo Zero não tem tipo)

     D7/F#  G7  C/E      B/D#     C/E
Você é      um  tipo que não  tem tipo
C         C#°   Dm
Com todo tipo você se  parece
E7                      Am
E sendo um tipo que assimila tanto tipo
D7                        Fm6/Ab  G7
Passou a ser um tipo que ninguém esquece

         F          G7   C   C7
Quando você penetra no salão
F7              E7
E se mistura com a multidão
A7               Dm
Esse seu tipo é logo observado
B7              Em
E admirado todo mundo fica
F           F#°    C/G
E o seu tipo não se classifica
A7             D7           G7   C
E você passa a ser um tipo desclassifi..cado

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Para atender a pedidos - Marília Batista

Marília Batista
Para Atender a Pedido (samba, s.d.) - Noel Rosa - Intérprete: Marília Batista

CD Noel Pela Primeira Vez / Título da música: Para Atender a Pedido / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Marília Batista (Intérprete) / Gravadora: Velas / Ano: 2000 / Volume 6 / CD 11 / Faixa 12 / Gênero musical: Samba / Obs.: Obra organizada pelo pesquisador Omar Jubran, reunindo em uma Caixa com 14 CDs todas as primeiras gravações originais da obra de Noel Rosa, totalizando 229 gravações. Essa gravação de Marília Batista parece pertencer, originalmente, ao LP "História Musical De Noel Rosa", gravadora Nilser, álbum NS 1011, de 1963.


A6         E/G#    F#m7  F#m/E  D#m7(b5) 
Para atender a pedi...........do       
Dm6        A/C#  C°  Bm7      
Tudo o que eu tenho sofri.......do           R
E7        A°                           E
Eu preciso esquecer                          F
A6          E/G#      F#m7 F#m/E D#m7(b5)    R
Pois é preciso esquecer                    Ã
Dm6         A/C# C°                    O
Pra poder te perdoar                     
Bm7      E7     A6  A7                   
Antes de te visitar                      

D6      Dm6      C#m7  F#m7              Bm7
Deves te acostumar a fazer o que eu mandar
E7         A7M  A7
E a me respeitar
D6  Dm6         C#m7       F#m7             Bm7
Fi.....ca estabelecido que não mentes nunca mais

*REPETE REFRÃO

D6      Dm6     C#m7  F#m7            Bm7
Antes de esquecer o teu triste proceder
E7         A7M  A7
Que me fez padecer
D6    Dm6            C#m7     F#m7        Bm7
Eu já tinha me convencido que havia de voltar
E7               F7M  F7(#11)  A7M
Para atender a pedi...do

quarta-feira, janeiro 31, 2018

De babado - Marília Batista e Noel

Marília Batista
De Babado (samba, 1936) - João Mina e Noel Rosa - Intérpretes: Noel Rosa e Marília Batista

Disco 78 rpm / Título da música: De Babado / Mina, João (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Batista, Marília, 1918-1990 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11337 / Lado A / Gênero: Samba



De Babado sim,
Meu amor ideal
Oi de babado, não

Seu vestido de babado
Que é de fato alta costura
Me fez sábado passado
Ir até a Cascadura

(breque:) E voltei com a perna dura


Com vestido de babado
Eu comprei lá em Paris
Eu sambei num batizado
Não dei palpite infeliz

(breque:) Você não viu porque não quis

Quando eu ando a seu lado
Você sobe de valor

Seu vestido de babado
É você sem meu amor

(breque:) Eu acho bombom sem doçura

Quando andei pela Bahia
Pesquei muito tubarão
Mas pesquei um bicho, um dia
Que comeu a embarcação

(breque:) Não era peixe, era dragão

Brasileiro diz, "Meu Bem "
E Francês diz, Mon Amour
Você diz, "Vale quem Tem "
Muito dinheiro pra pagar seu ponto "ajour"

(breque:) Eu ando sem "I'argent toujours"

Tu me diz um verso agora
Que eu já vou me mandar
Não vou dizer porque tenho respeito
Estou com o verso aqui no peito

(breque:) Oi, você vai me desculpar

Você vai se quiser - Marília Batista e Noel

Você Vai Se Quiser (samba, 1936) - Noel Rosa - Intérpretes: Noel Rosa e Marília Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Você Vai Se Quiser / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Batista, Marília, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11422 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Você vai se quiser,
Pois a mulher,
Não se deve obrigar,
A trabalhar,
Mas não vá dizer depois,
Que você não tem vestido,
Que o jantar não dá pra dois.
(bis)

Todo o trato masculino,
Desde o grande ao pequenino,
Hoje em dia é pra mulher,
E por causa dos palhaços,
Ela esquece que tem braços,
Nem cozinhar ela quer !

Os direitos são iguais,
Mas até nos tribunais,
A mulher faz o que quer,
Cada qual fica com o seu,
Pois o homem já nasceu,
Dando a costela, à mulher !...

Cem mil réis - Marília Batista e Noel

Noel Rosa
Cem mil réis (samba, 1934) - Noel Rosa e Vadico - Intérpretes: Noel Rosa e Marília Batista

Disco 78 rpm / Título: Cem mil réis / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Batista, Marília, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11337 / Lado B / Gênero: Samba


Tom: F

F         A7          Dm 
Você me pediu cem mil-réis 
       Bbm      F/C      D7      Gm D7 
Pra comprar um soirée e um tamborim 
    Gm  
O organdi anda barato pra cachorro 
                           C7       F 
E um gato lá no morro não é tão caro assim 

             D7                   Gm 
Não custa nada preencher formalidade 
     Bbm          F/C   D7   Gm     C7   F 
Tamborim pra batucada soi...rée pra sociedade 
          D7                    Gm 
Sou bem sensato seu pedido eu atendi 
        Bbm         F/C    D7      Gm       C7 F 
Já tenho a pele do gato falta o metro de organdi 

Você me pediu cem mil réis.... 

           D7                     Gm 
Sei que você num dia faz um tamborim 
     Bbm            F/C         D7    Gm     C7 F 
Mas ninguém faz um soirée com meio metro de cetim 
          D7                  Gm 
De soirée você num baile se destaca 
      Bbm            F/C       D7   Gm        C7 F 
Mas não quero mais você porque não sei vestir casaca 

Quem ri melhor - Marília Batista e Noel

Samba do carnaval de 1937, o último em vida de Noel Rosa, que o gravou em dueto com Marília Batista na Victor em 18 de novembro de 36, com lançamento ainda em dezembro, disco 34140-A, matriz 80258. Acompanhamento do grupo Reis do Ritmo (Fonte: Samuel Machado Filho, no Youtube).

Quem Ri Melhor... (samba, 1934) - Noel Rosa - Intérpretes: Noel Rosa e Marília Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Quem Ri Melhor / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Batista, Marília, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Reis do Ritmo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34140 / Lado A / Lançamento: Dezembro/1936 / Gênero musical: Samba.


Tom: F

F                   C7         F
Pobre de quem já sofreu nesse mundo
A7  Dm                 C7
A   dor de um amor profundo
A7               Dm
Eu vivo bem sem amar a ninguém
G7               C7
Ser infeliz é sofrer por alguém
F         A7          D7
Zombo de quem sofre assim
               G7        C7       D7
Quem me fez chorar hoje chora por mim
           Gm         C7     F
Quem ri melhor é quem ri no fim

F     Gm       C7              F
Felicidade é o vil metal quem dá
       A7                        Dm
Honestidade ninguém sabe aonde está
      Gm  C7           F
Acaba mal     quem é ruim
      D7            Gm        C7        D7
Pois quem me fez chorar hoje chora por mim
           Gm         C7     F
Quem ri melhor é quem ri no fim

Pobre de quem ...

F       Gm            C7           F
Sabendo disso eu não quero rir primeiro
          A7                       Dm
Pois o feitiço vira contra o feiticeiro
         Gm  C7            F
Eu vivo bem    pensando assim
      D7            Gm        C7       D7
Pois quem me fez chorar hoje chora por mim
           Gm         C7     F
Quem ri melhor é quem ri no fim

terça-feira, janeiro 30, 2018

Quantos Beijos - Marília Batista e Noel

Vadico
Quantos beijos (samba, 1936) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Marília Batista e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Quantos beijos / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Reis do Ritmo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34140 / Lado B / Gênero musical: Samba.


Tom: E

         E
Quantos beijos 
Quando eu saía
     B
Meu deus, quanta hipocrisia! 
     A
Meu amor fiel você traía
    B               E
Só eu é quem não sabia 
           B7               E
Ai ai meu Deus mas quantos beijos

E        B7
  Não andava com dinheiro todo dia 
      E
Para sempre dar o que você queria 
           C#m       F#             B
Mas quando eu satisfazia os teus desejos 
         C#m   F#7        B                B7
Quantas juras... quantos beijos...quantos beijos
         E
Quantos beijos 
Quando eu saía
     B
Meu deus, quanta hipocrisia! 
     A
Meu amor fiel você traía
    B               E
Só eu é quem não sabia 
           B7               E
Ai ai meu Deus mas quantos beijos

       B7
Não esqueço aquelas frases sem sentido 
       E
Que você dizia sempre ao meu ouvido 
        C#m           F#         B
Você porém mentia em todos os ensejos 
         C#m  F#7         B
Quantos juras... quantos beijos

Provei - Marília Batista e Noel

Vadico
Provei (samba, 1937) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Marília Batista e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Provei / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Marília Batista, 1918-1990 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta[S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11422 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: A
(intro) A7M A6 A7

D7M         D6         Dm6
provei
     G7/9        C#m7     C#m7/B
Do amor todo amargor que ele tem
 G#m7/11)  G#m7(11) G#m7(b5)
Então jurei
     C#7(b9)      F#7(13)    F#7(b13)
Nunca mais amar ninguém
B7(13)    B7(b13)    Bm7
porém,
       E7/9    A7M      G7 F#7
Eu agora encontrei alguém
           B7(13)
Que me compreende
     E7/9     A7M
E que me quer bem

Bm7     F#7     Bm7   E7/G#
Nunca se deve jurar
 A7M      E7        A7M     C#7     F#7
Não mais amar a ninguém
          G7 F#7       B7(13)
Não há quem possa evitar
B7(b13)  D#m7(b5)  E/D   A7M/C#    A7/13
De se apaixonar por alguém

(refrão)
Bm7     F#7    Bm7     E7/G#
Quem fala mal do amor
A7M        E7      A7M      C#7    F#7
Não sabe a vida levar
         G7 F#7        B7(13)
Quem maldiz a própria dor
B7(b13)  D#m7(b5)  E/D    A7M/C#
Tem amor mas não sabe amar

sábado, maio 17, 2014

A atividade dupla de Henrique Batista

Henrique Batista - Carioca, 6/3/1937
Foi numa das leiterias do centro da cidade. O professor Henrique Baptista tomava calmamente grandes goles de leite gelado. Face pensativa. Barbas negras, esquisitas. Olhar distraído. O repórter, viu e abordou.

— Professor Baptista!

— Boa noite ...

Eram oito horas da noite. Muito movimento na rua. O repórter entrou. Abancou-se à mesa. Papel. Lápis.

— Desejava resposta a umas tantas perguntas ...

— Relacionadas com ...?

— "Maria Bonita", rádio ...

— Estou, infelizmente, com muita pressa. Mas posso conceder-lhe cinco minutos ...

— É muita bondade ... Olhe-me, contento-me com quatro perguntas. Pode até fiscalizá-las ...

— Estou de acordo se forem apenas quatro. Farei o possível por lhe ser agradável.

O professor Henrique Baptista é irmão da conhecida intérprete de sambas Marília Baptista. E, como esta, também ele fez parte do elenco de artistas que aparecerem na filmagem "Maria Bonita" em "location" em Barra Mansa e atua no rádio carioca, dirigindo dois programas, um na Rádio Transmissora, outro na Rádio Educadora. Aliás ele e sua irmã sempre trabalham juntos em todos os setores da atividade radiofônica, constituindo mesmo uma dupla de sucesso no concernente a desafios e improvisos. Aquele interessante programa de improviso "É de babado ..." é de criação da dupla. E agora, com o temporário afastamento de Noel Rosa do nosso "broadcasting", ficando Patrício Teixeira parado, a dupla Henrique-Marília Baptista é a única nesse gênero de irradiação.

— Como foi a filmagem de "Maria Bonita"? -- perguntou o repórter.

— Eu cheguei de Barra Mansa na semana passada para não faltar ao meu programa radiofônico da Educadora, todas as quintas-feiras. Marília veio comigo. A rodagem das nossas partes no filme terminaram no mesmo dia. E desde aí ficamos mais ou menos livres ... Você quer que eu lhe diga como foi tudo: foi esforçada e foi bem dirigida por Julien Mandel. Não tive oportunidade de ver nenhuma prova da película, porém, assisti a algumas encenações e as achei muito boas.

— Diziam qua a principal protagonista feminina seria sua irmã, mas na verdade ...

— Não, não foi minha irmã. Aliás CARIOCA não se guiou pela voz corrente. Não foi minha irmã. E não estaria direito se o fosse. Ela é uma principiante, como sabemos, e embora se esforçasse muito não estaria ainda adaptada ao meio cinematográfico para lograr o grande êxito desejado por Mandel, como heroína de seu primeiro filme. A figura principal, Eliana Angel, é boa artista. Marília, no entanto, cantou um samba que deve agradar quando aparecer "Maria Bonita". Quanto a mim faço o papel de profeta ...

— E por isso usa estas barbas?

— Sim, fui obrigado a deixar crescer a barba. Onde se viu um profeta que se preza sem ela bem comprida e esvoaçante? Quando se é profeta, pelo menos e, filme, o apuro pessoal fica de lado ... Mas é como eu lhe estava dizendo. "Maria Bonita" deve agradar. A cotação que eu dou a esse filme, à parte de quaisquer interesses, é boa. Julien Mandel fez da obra literária de Afrânio Peixoto, uma obra cinematográfica à altura da fama e dos méritos que ele, Mandel, tem nos nossos meios artísticos. A rodagem geral da película deve ter terminado quinta-feira. E é muito provável que já em meados de abril ela possa ser exibida na Cinelândia. A respeito de "Maria Bonita" é só o que tenho a dizer ...

O repórter fez a sua terceira pergunta:

— Acerca do rádio?

— Agora estou outra vez numa atividade mais ampla. Antes eu tinha dupla ocupação e dupla preocupação, aos pulos, aqui e em Barra Mansa. A filmagem de "Maria Bonita" obrigou-me a um regular esforço. Mas creio bem que me sai ... assim ... assim ... da prova -- pelo menos envidei toda a minha boa vontade no sentido de não perder o gosto pelo cinema. De retorno ao rádio tenho a declarar que prossigo, aos domingos, no "Programa Casé" da Transmissora, e às quintas-feiras no "Sambas e outras coisas ..." da Educadora. Estou contente com o caráter, embora ainda pouco definido, que as coisas de rádio estão tomando esse ano. Todo mundo fala em novidades, em originalidades, em grandes empreendimentos ...

— E você também quer falar?

— Nem por isso. Talvez eu tenha muita coisinha passável por dentro do cérebro, mas por enquanto vou deixar tudo como está para evitar aborrecimentos. Marília continua comigo em todos os programas em que atuo e dirijo. E sei que ela vai lançar, brevemente, um novo repertório de sambas ...

— Pode me informar mais alguma coisa, coisa concreta, sobre esse repertório?

— Não, porque isso não se refere diretamente a mim, e além disso já passaram os cinco minutos que eu lhe concedi. Com a agravante desta sua última pergunta já deve ser a quinta ...

— Mas não pode ...

O professor Henrique Baptista levantou-se e apertou rapidamente a mão do repórter. Tinha um olho neste e o outro no relógio.

— Você está enganado pelas minhas barbas compridas, rapaz. Eu, na verdade, não sou profeta, nem de Cascadura ...

Cofiou a barbaça e ... desapareceu.


Fonte: Revista Semanal CARIOCA, de 6/3/1937, no artigo "Cinco Minutos com o Propheta" (texto atualizado).

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Lar, doce lar ...

Aracy não acredita em "lar, doce lar"
Astros e estrelas longe do microfone

O lar pode ser um ótimo refúgio para os dias de chuva, na opinião de uma criatura boêmia que nunca para em casa. Mas também será o local preferido pelo honesto chefe de família que procura descanso. É a única situação humana e verdadeira na vida de uma mulher artificial. Assim como um pretexto para variar de atitudes.

Verdadeiramente, o lar é local onde o cidadão fica à vontade: de chinelas cômodas e “robe de chambre” despretensiosa. Os artistas de rádio também ficam assim, muitas vezes, nas situações simples da vida cotidiana.

Aquela moça loura, por exemplo. Dentro da casa de chá elegante, fuma com displicência e discute modas.

É a figurinha bonita de Sylvinha Mello. Sylvinha, criatura fina e graciosa, é um dos ornamentos mais gentis da sociedade carioca. Mas Sylvinha, no lar, é alguém que prende os cabelos numa fita simples e passa todo o seu tempo cosendo e bordando. A vitoriosa artista da Rádio Nacional não gosta unicamente de cantar. O estúdio é um passeio festivo. Mas o lar ...

Elizinha tem seu filho, a maior alegria do lar
Há criaturas que sonham com um lar que nunca tiveram. Porque uma casa verdadeiramente ao gosto de cada um é difícil.

— Esta expressão: “lar, doce lar”, é falsa — diz — Aracy de Almeida. — Quando chego a casa tiro os sapatos e início grandes arrumações. Quando eu me disponho a isso, é um caso muito sério!

Aracy às vezes fica zangada ao ponto de não tolerar ninguém fazendo barulho ao seu redor.

Francisco Alves também tem uma afilhadinha que é a sua ocupação constante, quando está em casa. O aplaudido artista ensina-a a cantar e a dançar.

Chiquinha Jacobina
Chiquinha Jacobina, como trabalha de dia e canta de noite tem pouco tempo para permanecer em casa. Mas, assim mesmo, quando o consegue, estuda canto e se ocupa com uma porção de afazeres domésticos. Conclui o seu enxoval. E sonha com a felicidade.

Elizinha Coelho pertence à classe de criaturas que realizam milagres nos lugares onde moram. O lar de Elizinha é gracioso e elegante. Um apartamento cheio de almofadas, bonecas e Luiz Philippe, o seu encantador filhinho.

— Gasto todo o meu tempo, em casa, cuidando do garoto — declara Elizinha. Às vezes ele resolve passear de automóvel e espalhar os brinquedos por todo o canto. Aí sou obrigada a desempenhar várias funções ao mesmo tempo.

Elizinha se transforma em inspetor de veículos e consegue também voltar ao alegre período da infância. Dentro de casa ela é menos triste, do que o demonstra cantando ao microfone.

Glorinha Caldas
Marília Batista é uma artista original ao microfone da PRE-8. Mas, em casa, ela faz questão de esquecer os seus sucessos radiofônicos.

— Estudo e bordo. Também faço tricô e gosto de me ver às voltas com novelos de lã, pontos complicados e cortes de fazenda.

A sua figurinha minúscula quase desaparece nos amplos estúdios da Rádio Nacional.

Ela é a soberana do seu lar, gostando também de se entreter com a irmãzinha caçula, uma deliciosa garota que também já está aprendendo a cantar sambas.

Glorinha Caldas tem uma predileção esquisita quando está em casa. Gosta de ficar fumando, incessantemente. Glorinha pouco fuma, em público, mas em casa tira uma “revanche”.

— Também leio e escrevo. Mas o cigarro é o meu companheiro melhor e inseparável.


Fonte: CARIOCA, de 17/10/1936 (texto atualizado e fotos)

terça-feira, janeiro 21, 2014

O sonho de Marília Batista

Marília Batista - Outubro/1936
"Os sambas de Marília Batista são diferentes dos outros. Tem um ritmo especial, que a voz cadenciada e grave da "estrelinha" carioca, sabe fazer sobressair. Eles contam histórias tristes, de morenos bonitos que foram embora e não voltaram. Contam as desilusões das meninas românticas que esperam alguém que não vem mais. E ainda têm tanta coisa que contar ...

Marília tem um gênero de samba seu: são pessoais. Refletem na melodia, o sentimento de seu coração. E um pouco de sua alma quase infantil vai pelo microfone, através das ondas sonoras, alegrando e distraindo os seus inúmeros fãs, quando canta as suas composições, ou dos irmãos.

No programa Casé, procuraram, certa vez, dar a Marília um título de nobreza que se relacionasse com o samba. Acharam que "Rainha", seria impróprio, em virtude da pouca idade da "estrelinha" da PRE-8. Rainha sugere logo uma figura cheia de preconceitos e austeridade coisas que em absoluto, se pode encontrar na personalidade amável e graciosa de Marília.

Chamaram-na "Princesinha do samba", título amável e de acordo com o temperamento dela. "Princesinha", significa muito. Significa que um dia, Marília tomará em suas mãos, o cetro da nossa música popular. Será a Rainha. E, da maneira em que vamos, este dia não se encontra muito distante ...

O samba para Marília é tudo. É o seu ideal. Vive para ele. Pensando nele, há vários anos, vem ela estudando no Instituto Nacional de Música. Lá, tem procurado aprender, ver o que os outros tem feito com suas músicas, afim de um dia, conseguir fazer o mesmo com a nossa.

Ela tem uma quantidade enorme de lindos sonhos, acerca do futuro do samba. Já o vê, aclamado em todo o mundo, cantado e dançado, por todos os seres que povoam o universo e penetrando com a sua cadência morena, nas regiões estranhas do globo, esquentando com seu ritmo ardente os gelos do Polo Sul e os invernos da Sibéria ...

Marília acha que tudo isto é possível e se alguém procura contradizê-la, um sorriso de mofa surge nos seus lábios. Ela acredita no samba. Acha, porém, que necessitamos trabalhar por ele. Temos todos, que cooperar um pouco, para o seu futuro. E tem um juramento consigo própria: trabalhar pela nossa música. Para isto pretende organizar uma orquestra, apresentar músicos de nomeada, artistas famosos que saibam "sentir" os ritmos soberbos do samba.

Ela quer fazer orquestrações ricas, cheias de vivacidade e melodia, capazes de figurar com êxito em qualquer país civilizado ou não. Quer fazer com que o samba atravesse as nossas fronteiras, invadindo o mundo, como o fizeram o tango e o foxtrote, pois ela sabe que levando o samba ao mundo, leva o Brasil ...

Este é o sonho de Marília Batista. Sonho lindo, cheio de cores ricas e enfeites vistosos, acompanhados ao longe, muito ao longe, por uma cadência conhecida e tão do agrado de seu ouvido — um samba ..."


Fonte: Artigo e fotos da CARIOCA, de 3/10/1936.

terça-feira, julho 09, 2013

Glorinha Caldas

Glorinha Caldas (Glória Caldas), cantora, compositora e escritora, nasceu em Niterói, RJ, em 1910, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 06/12/1937. Desde criança se interessou pelo canto. Teve aulas de canto no colégio de freiras onde estudou.

De curta carreira artística, fez sua primeira apresentação em 1934 na Rádio Educadora, em programas de calouros. Fez também apresentações em festivais em casas de particulares e também no Teatro.

Em 1935, foi convidada a integrar o elenco da Rádio Ipanema recém inaugurada, passando pouco depois a atuar na Rádio Guanabara. Foi escolhida como cantora revelação. No mesmo ano, apresentou-se na Rádio Tupi do Rio de Janeiro.

Afastou-se do meio artístico por alguns meses, retornando em 1936 quando estreou no microfone da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Foi em seguida contratada pela Rádio Cajuti na qual tomou parte num dos mais famosos programas da radiofonia carioca: "Samba e outras coisas", apresentado por Marília Batista e seus irmãos Henrique e Renato Batista.

Nesse programa, chegou a fazer dupla com Marília que criava músicas e ela letras apresentadas na programação. Num dos programas "Samba e outras coisas" interpretou o samba Hei de ver você chorar, de sua autoria.

Ainda no final de 1936, transferiu-se da Rádio Cajuti para a Rádio Mayrink Veiga. Na mesma época, tomou parte do espetáculo "A noite do Rádio" da qual participaram, entre outros, Odete Amaral, Moreira da Silva e Herivelto Martins.

No carnaval de 1937, apresentou-se no cordão do High Life Clube que costumava contar com o concurso de cantoras e cantoras.

Pouco depois se afastou das atividades artísticas devido a uma grave doença vindo a falecer precocemente antes do final do ano sem ter tido tempo de fazer nenhum registro fonográfico.

Obra


Hei de ver você chorar

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Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho", de 23/12/1937

segunda-feira, junho 10, 2013

Henrique Batista

Henrique Batista (A Cena Muda, 1945)
Henrique Batista, compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28/09/1908 e suas músicas foram feitas quase sempre em parceria com a sua irmã Marília Batista, Em 1932, teve suas primeiras composições gravadas, com a marcha Me larga! e o samba Pedi...implorei..., parcerias com Marília Batista, interpretadas pela própria cantora na Victor.

Em 1940, o samba Menina fricote, parceria com Marília Batista, foi gravado na Victor por Araci de Almeida. Em 1941, integrou o trio Os Três Marrecos, onde atuou ao lado da irmã Marília Batista e de Alcides Gerardi.

Em 1942, foi parceiro de Marília Batista e Arnaldo Paes no samba Samba de 42, gravado por Arnaldo Amaral na Columbia.Teve o samba Grande prêmio, parceria com a irmã Marília Batista gravado por  Linda Batista na Victor em 1943. No mesmo ano, os sambas Era eu e A mulher tem razão, parcerias com Marília Batista e M. Quintanilha, foram gravados por Francisco Alves na Odeon, e os sambas Pobre rapaz e É fingimento dela, com Marília Batista, foram lançados pelo trio vocal As Três Marias, na gravadora Victor.

Em 1944, o samba Salão azul, com Marília Batista, foi gravado pela cantora. Em 1950, Emilinha Borba gravou na Continental o samba Boa, também em parceria com Marília Batista.

Em 1951, mais duas parcerias com a irmã Marília Batista foram gravadas por ela pelo selo Carnaval, os sambas Lamento e Tamborim batendo.

Em 1952, os sambas Nunca mais, Você não é feliz porque não quer, Imitação, Vai, eu te dou liberdade, Praia da Gávea e Vila dos meus amores, sempre parcerias com a irmã, foram gravados por Marília no LP "Samba e outras coisas", da Musidisc.

Em 1957, o tango Desengano, com Marília Batista, foi gravado na Continental por Emilinha Borba, e o samba Você não é feliz porque não quer, com Marília Batista, foi regravado por Vera Lúcia, também na Continental.

Em 1960, as músicas Nunca mais, Imitação, Praia da Gávea, Vai, eu te dou liberdade, Vila dos meus amores, e Você não é feliz porque não quer, todas com a parceira de sempre foram gravadas no LP Marília Batista, sua personalidade... sua bossa, lançado pela Musidisc.

Em 1997, o samba Menina fricote, foi regravado por Olívia Byington no CD A dama do Encantado, homenagem à cantora Aracy de Almeida. Em 2001, o samba Moreira na Ópéra, com Marília Batista, no qual é feita citação à ópera O Guarani, de Carlos Gomes, foi gravado por Jards Macalé no CD Macalé canta Moreira.

Teve cerca de vinte composições gravadas por nomes como Vera Lúcia, Linda Batista, Alcides Gerardi, Francisco Alves e Emilinha Borba. Além, é claro, dos registros com sua quase exclusiva parceira, a irmã Marília Batista.

Obra

A mulher tem razão (c/ Marília Batista e M. Quintanilha), Boa (c/ Marília Batista), Desengano (c/ Marília Batista), É fingimento dela (c/ Marília Batista), Era eu (c/ Marília Batista e M. Quintanilha), Grande prêmio (c/ Marília Batista), Imitação (c/ Marília Batista), Lamento (c/ Marília Batista), Me larga! (c/ Marília Batista), Menina fricote (c/ Marília Batista), Nunca mais (c/ Marília Batista), Pedi...implorei... (c/ Marília Batista), Pobre rapaz (c/ Marília Batista), Praia da Gávea (c/ Marília Batista), Salão azul (c/ Marília Batista), Samba de 42 (c/ Marília Batista e Arnaldo Paes), Tamborim batendo (c/ Marília Batista), Vai, eu te dou liberdade (c/ Marília Batista), Vila dos meus amores (c/ Marília Batista), Você não é feliz porque não quer (c/ Marília Batista).

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Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, junho 01, 2013

Marília fala de Noel

Mais poeta que sambista - A antiga parceira de Noel desconhece Wilson Batista - A exploração do nome do autor de "Palpite infeliz" - As implicâncias com os garis e com o Casé - Respostas massacrantes - Uns que falando do sambista, fazem autobiografia - Um apelo: "respeitem o ritmo, a melodia e a arte de Noel... e cuidem da sepultura".

"Muito se há escrito e falado sobre a vida de Noel Rosa, o maior compositor de música popular brasileira de todos os tempos. Na ânsia incontida de falar daquele cujo nome ainda ressoa, através de seus bonitos sambas, mais poemas que sambas, pelos quatro cantos do Brasil, muita imprecisão tem sido cometida, muita coisa inventada, pondo à prova a fértil imaginação daqueles que se lançam a biografá-lo. E há até quem, falando de Noel, faça autobiografia completa.

Admiradores que somos, assim como todo o povo brasileiro, do autor de “Palpite Infeliz”, desejamos, em rápidas tintas, que a tanto nos permite o espaço a nós reservado nesta revista, contar a nossos leitores alguns fatos da vida do poeta da Vila. Para isto, procuramos o senhor Almirante que possui farto repositório de tudo o que se relaciona com o assunto que tínhamos em mira focalizar. Para nossa surpresa, porém, ele, sob a alegação de que se fornecesse dados para nosso trabalho, estaria prejudicando seus objetivos, negou-se, peremptoriamente a falar. Explicamos-lhe nosso objetivo, invocamos sua amizade a Noel e ele sugeriu:

— Faça a reportagem sobre o meu programa; assim eu concordo!

Sim, era uma ótima solução... para ele.

Desistindo, ficticiamente, de nosso desideratum, fomos bater a outra porta, onde não encontramos, felizmente, a má vontade do Sr. Almirante.

Fala Marília Batista

Se há algum que não devia ser procurada para falar sobre Noel, esse alguém é Manha Batista, porque hoje vive inteiramente devotada a seu marido e seus três irrequietos filhinhos e afastada das lides radiofônicas. Mas; como, depois da primeira tentativa fracassada, desejamos, já agora por questão de brio, mostrar ao Sr. Henrique Foreis que faríamos, de qualquer maneira, nosso registro, telefonamos a D. Marília Batista.

— D. Marília, aqui fala da “Revista da Semana”. Nós queríamos uma entrevista sobre Noel.

Através do fio, a resposta veio animadora:

— Estou às suas ordens.

"Entre eu e Noel Rosa, só existiu uma grande
e desinteressada amizade" - disse-nos Marília
Chegando à sua residência, travamos contacto com ela, o Dr. Hugo, seu marido e seus três levadíssimos garotos.

Entramos logo no assunto:

— Em que circunstâncias a senhora conheceu Noel?

D. Marília recostou-se à poltrona, caminhou no espaço e no tempo e respondeu:

— Conheci-o no Grêmio Esportivo Onze de Junho. Eu ia cantar numa hora de arte naquele grêmio. Cheguei, acompanhada de meu pai, deixei meu violão a um canto e fui, com papai, fazer não me lembro o que. Quando voltei e procurei meu instrumento, ele não estava mais onde o havia deixado. Pensei que o tivessem roubado. Mas não! No palco, um rapaz cantando o “Gago apaixonado” dedilhava meu violão — era Noel...

— E depois disso...

Reclamei, e ele veio pedir-me desculpas. Fui ao palco e cantei algumas músicas de minha autoria. Ele ouviu e daí começou a me dar músicas suas para eu cantar.

Depois de nos contar este episódio, D. Marília recomendou:

— Tome nota direito, porque estas entrevistas geralmente saem deturpadas.

Explicamos que não aconteceria isto porque temos noção de responsabilidade e depois voltamos a perguntar:

— A senhora pode responder, precisamente, contra quem foi escrito o “Palpite Infeliz’?

— Não sei! Foram feitos contra um certo rapaz que atacara a Vila.

—... Wilson Batista, completamos.

— Isso eu ignoro. Só vim a conhecer Wilson Batista depois que Noel morreu porque, enquanto vivo, eu só tomava conhecimento daquelas respostas massacrantes, a alguém. Agora, que esse alguém seja esse que você citou não me consta.

— A senhora pode lembrar como surgiu o “Palpite Infeliz?”.

— Noel compôs o “Feitiço da Vila”:

“Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba”.

— Mais adiante, continua D. Marília, ele dizia que a Vila tinha “feitiço sem farofa”, “a lua nasce mais cedo”, falava na dança dos galhos do arvoredo. Pois bem, alguém escreveu um samba discordando de Noel e ele nos deu então: “Quem é você, que não o sabe o que diz Meu Deus do céu que palpite infeliz..”.

— A senhora quer dizer-nos outras respostas de Noel a Wilson Batista ou a quem seja, afinal.

Na Rua Teodoro da Silva, n. 392, ainda pode ser
vista a casa onde nasceu e morreu o poeta da Vila.
— Você se lembra daquele: “Deixa de arrastar o tamanco, tamanco nunca foi sandália, tira do pescoço o lenço branco, compra sapato e gravata?”. E’ outra resposta de Noel em que ele pulveriza seu adversário, dizendo mesmo: “eu já te dei papel e lápis, arranja um amor e um violão”, em que parecia desconhecer o valor de seu adversário. Ele diz também: “Joga fora esta navalha que te atrapalha”, o que me faz pensar em algum malandro.

— A senhora sabia que Wilson foi parceiro de Noel?

— Não me consta que ele fizesse nenhum trabalho de parceria com Wilson Batista.

A implicância de Noel

A entrevista decorria animada, quando D. Marília perguntou:

— Você quer um caso interessante?

Claro que queríamos:

— Noel foi contra-regra da antiga Rádio Philips, no programa Casé; nessa época qualquer um era contra-regra, às vezes o próprio Casé. Um dia, exercendo suas funções, aproximou-se de uma cantora clássica e perguntou:

— Que você vai cantar?

— “Você” não, eu sou uma senhora casada, respondeu a mulher, irritada com o tratamento. E foi ao Casé fazer queixa do Noel.

— Qual a atitude do Casé, perguntamos.

— Nem queira saber, disse D. Marília arrancou da mão do Noel a papeleta que usava para anotações, humilhou-o passou-lhe uma lição incrível.

— E a cantora, quem era? Quisemos saber.

— Com todo “senhora” não sei quem é. Ofuscou-se completamente. Quanto a Noel, todos já sabemos, começou a subir... subir sempre.

— Quer dizer-nos alguma característica interessante de Noel?

— Era muito implicante. Casé foi uma de suas maiores vítimas. Certa vez, evoca D. Marília, chegou ao programa depois de o mesmo começado. Casé estava irritadíssimo e quis saber o motivo. Calmamente ele respondeu:

— O bonde furou o pneu, Casé...

Outra vez, prossegue nossa, entrevistada, explicou em idênticas circunstâncias:

— Esqueci onde era a Rádio Philips, Casé...

— Mais alguma coisa D. Marília?

— Sim, quando Noel lançou “Conversa de Botequim” o samba fez um sucesso absoluto: os pedidos choviam para que introduzisse sempre a música em seu programa.

— Como Noel sempre repetia o mesmo número, Casé proibiu-o de cantar o samba.

— Mas, um dia, já na Rádio Sociedade, sendo Casé o contra-regra e perguntando a Noel o que ele iria cantar, chegou o dia da vingança:

Marília divide a atenção entre seus
filhos e a entrevista que nos presta.
— Vou cantar, informou o poeta, o samba cm primeira audição intitulado “Ilusão”, e dizendo isto, deu o tom a Nonô (nessa época não havia ensaio). Como se tratava de uma primeira audição, fato sempre esperado com ansiedade, todos fomos ouvir, inclusive o Casé. Alias o próprio Noel recomendar que ninguém faltasse e que reparássemos no Casé, quando ele iniciasse o samba. Dada a introdução, ele cantou: “Ó seu garçom faça o favor...” provocando gargalhadas gerais... Era “ilusão” para o Casé!

— Alguma outra implicância com o Casé?

— Assim de pronto não me lembro; sei que ele costumava imitá-lo falando com a esposa ao telefone. Mas há uma outra implicância digna de registro: voltando de uma hora de arte, vínhamos eu e papai, Noel e Djalma Ferreira, no carro do Djalma. Quando passávamos por uns garis, Noel que sempre mexia com os mesmos, gritou:

— A galinha comeu...

— Interessante..., aventuramos.

— Não, o interessante veio depois, quando, o  carro enguiçou mais adiante e os garis sairam correndo atrás do veículo com suas vassouras. Que susto!

— Outra implicância D. Marília.

— Lembro-me da última: já doente, poucos dias antes de morrer, pediu a sua mãe que o levasse até a janela. Feita a vontade, gritou ao jardineiro, com quem implicava desde criança:

— Tesoura! Tesoura!

— Por que fazia isto, perguntamos.

— Só para ouvi-lo xingar...

A morte do poeta

Já se fazia tarde e não queríamos continuar tomando tempo daquela que tão gentilmente nos ajudara a compor nosso modesto trabalho: por isto fizemos a última pergunta:

— Como foi a morte de Noel?

— Foi um episódio tristíssimo. A vila inteira compareceu para chorar o passamento de seu poeta. Meu pai que estava presente, diz nunca haver assistido a coisa mais comovedora.

— A senhora se lembra de algumas de suas últimas palavras?

— Guardo como o maior elogio à minha carreira artística, uma de suas últimas frases. Na hora da morte chamou meu irmão Henrique e disse:

— Seu amigo, Henrique, agora, "nunca mais".

— Nunca mais, respondeu Henrique, é o nosso samba, meu e da Marília.

— Sim, respondeu Noel, o mais simples e o mais bonito.

— Mais alguma coisa D. Marília?

— Sim, quero que você apele para esta gente para que respeite o ritmo, a melodia e a arte de Noel e... que cuide da sua sepultura.

O repórter na Vila

Depois da entrevista que tivemos com D. Marília, fomos à vila ouvir os velhos moradores; uma vizinha de Noel, de nome Dorica, íntima da família acrescentou alguns subsídios ao nosso trabalho:

— Um dia dei uma festa aqui em casa, época de São João, e Noel era convidado obrigatório. Eu estava lá dentro arrumando umas coisas quando ele entrou e disse:

— Dorica, dê-me papel e lápis.

— Estranhei, mas fiz-lhe a vontade. Daí há pouco, ouvi acordes de um violão e a sua voz que cantava: "Nosso amor que eu não esqueço e que teve seu começo numa noite de S. João...' Compreendi, então, para o que pedira o lápis e o papel.

Dona Dorica foi pessoa íntima da família de Noel e sabia de muitas coisas interessantes sobre o poeta da Vila. Solicitada por nós, continou contando:

Marília posa com sua sobrinha após
entrevista com a Revista da Semana.
— Uma vez eu estava já deitada. Seriam duas horas da manhã quando alguém me chamou à janela: "Dorica, ó Dorica, abra a porta". Era Noel que me explicou que precisava tomar um banho e mudar a roupa porque a que usava, branca, estava enxovalhada pela chuva. Dei-lhe toalha e sabonete e, pouco depois, saía ele para outra festa que não aquela de onde viera.

— Lembra-se de mais alguma coisa D. Dorica?

— Muita coisa poderia contar ainda. Lembro-me de que ele penetrava em casa de gatinhas ao passar pela janela do quarto de D. Marta para não acordá-la; dos jogos de botões, as serenatas que costumava fazer até altas horas, uma série de coisas que lhe contaria, se tivesse tempo para isto.

De repente, nossa entrevista nos chamou a dar uma volta pela Vila. Consultamos os antigos moradores: um lhe aconselhava sempre a ir embora mais cedo, outro farreara com ele, mas não se lembrava de mais nada. De positivo mesmo, nada.

De casa em casa, D. Dorica nos levou à residência de uma senhora cujo nome, a seu pedido, omitimos e que foi noiva de Noel, antes de ele casar-se:

— Os retratos que eu tinha destruí quando me casei, declarou-nos, a única recordação que tenho é que ele passava por mim, já meu noivo, com outras moças.

— E a senhora não brigava com ele?

— Reclamava, mas ele sempre dizia:"Isso é brincadeira, minha filha, eu só caso com você". E casou com outra...

Deixando aquela senhora, D. Dorica nos levou a um dos velhos habitantes que nos contou:

— Lembro-me quando o "queixinho" surgiu, aí por volta de 1919 ou 1920. Cantou, num clube local, uma embolada de sua autoria, de improviso. O garoto tinha bossa e passou a ser assunto obrigatório da Vila.

— Lembra-se de mais alguma coisa?

— Recordo-me de que, em toda a casa onde havia festa, Noel e os componentes do antigo Vila Izabel F. C. usavam de um expediente interessante para comer toda a ceia dos festejadores. Noel cantava uma seresta e enquanto os moradores cativados por aquela voz desviavam sua atenção para a música, seus colegas faziam a limpeza..."
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Fonte: Reportagem de Jorge Lyra - Revista da Semana, de 21/07/1951.

domingo, maio 26, 2013

As "Três Marias" não se chamam Marias...

O grupo "As Três Marias", sendo entrevistado pela Revista do Rádio, em Outubro de 1948.

Em um dia do ano de 1942, José Mauro, àquela época integrando o quadro de produtores da Rádio Nacional, teve uma ideia singular: criar um conjunto vocal feminino. Chamou Marília Batista, contou-lhe o que planejara, notificou-a de que ela seria uma das integrantes do nóvel conjunto e encarregou-a de arranjar as suas companheiras, que seriam duas. A irmã de Henrique Batista conseguiu imediatamente a adesão de Bidu Reis e Salomé Cotelil. José Mouro, entretanto, custou a arranjar um nome para batizar condignamente o trio.

Consultou livros, virou, mexeu, até que, um dia, cansado de tanto dar tratos à bola, fitou longamente o céu e sentiu um estalo, semelhante ao de Vieira: o conjunto chamar-se-ia “Três Marias”, já que foram as estrelas assim chamadas que lhe inspiraram.

As primeiras "Marias"

As primeiras "Marias" do homogêneo trio, Bidu Reis, Marília Batista e Salomé Cotelli acabaram dispensando-se. Bidu foi para a Globo; Salomé retornou à Tupi e Marília trocou o rádio pelo lar. Nem todas ao mesmo tempo, é óbvio. Salomé Cotelli foi a primeira, sendo substituída por Regina Célia, que é, portanto, a mais antiga das "Três Marias". No lugar de Bidú entrou Consuelo Sierra e no de Marília, Heydnar Martins.

As "Marias" atuais

Atualmente, as “Três Marias” compõem-se de Regina Célia, Heydnar Martins e Bidú Reis, que retornou ao popular trio ocupando o lugar deixado por Consuelo Sierra, a qual deixou o microfone para casar-se.

Excursões, gravações, filmagens, etc.

Há dias, a reportagem da Revista do Rádio esteve na Rádio Tupi, “habitat” atual das “Três Marias”, tendo oportunidade de palestrar longamente com as jovens e alegres integrantes do referido trio. Primeiramente, indagamos se era verdade que pretendiam excursionar, dentro em breve.

— Claro — responderam em uníssono.

E Heydnar, a lourinha do conjunto, explicou ao repórter:

— Tivemos o grato prazer, a pouco, de conhecer o norte brasileiro. Agora, queremos visitar o sul.

— Para isso — acrescenta Regina Célia — estamos estudando diversas propostas que nos chegaram.

— Têm alguma gravação em perspectiva? — perguntamos.

— No momento, não — informou Bidu Reis, que até então se mantivera silenciosa. — Mas não estamos descontentes, pois “América Tropical”, versão de Lourival Faissal; “Vou vender meu barco”, batuque de Alberto Ribeiro, e “Tic-tac do relógio”, samba-swing, de Dunga, melodias essas que foram criadas por nós, estão obtendo algum sucesso.

— É fato que vocês tomaram parte numa película argentina?

— Sim, — nos respondeu Regina Célia. — Figuramos em “Não me diga adeus”, filme argentino, no qual apareceremos ao lado de diversos artistas patrícios. Antes tomamos parte em “E’ proibido sonhar”, produção do cinema brasileiro.

A nova moda feminina

Assunto de todos os momentos, dada sua atualidade, a nova moda feminina não poderia deixar de surgir em nossa palestra. Quando perguntamos a opinião das Marias que não são Marias, sobre o assunto, o ambiente esquentou, leitores. Enquanto Regina Célia afirmou peremptoriamente:

— Não gosto das saias compridas porque nada têm de prático!

Heydnar Martins, convictamente, asseverou:

— Sou francamente favorável à nova moda feminina, pois ela torna a mulher mais elegante!

E começaram a discutir, as duas, acaloradamente, cada uma querendo a vitória do seu ponto de vista. Resolvemos intervir na discussão, dizendo que a opinião de Bidu Reis ainda não fora ouvida, o que poderia modificar radicalmente o curso do debate. A discussão cessou, como por encanto, e Bidu afirmou:

— Não sou contra nem a favor. Ou melhor: gosto de saias compridas no inverno e de saias curtas no verão...

O casamento não acabará com o trio

Como o matrimônio tem acabado com inúmeros conjuntos vocais femininos e quase fez o mesmo com as “Três Marias”, perguntamos se, não seria provável tal coisa acontecer num futuro muito próximo.

—Qual o que!  disse a veterana Regina Célia, — A turma agora está unida. Pode vir casamento que o conjunto continua...

Momentos depois, as joviais “Marias” deixavam o repórter, pois estava na hora do ensaio. Vimos, então, que a assertiva de Regina Célia tinha a sua razão de ser. O trio está entusiasmado. Trabalha de verdade. Quer subir cada vez mais. E os seus admiradores não poupam elos nem envelopes, escrevendo-lhe milhares de cartas, prova cabal de que as “Três Marias” quer ilustrando partituras, em “solos”, ou interpretando “jingles” vão vencendo, criando um prestígio merecido.

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 Fonte: Revista do Rádio - Outubro de 1948.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

As Três Marias

As Três Marias - Conjunto vocal constituído originalmente por Marília Batista, Salomé Cotelli e Bidu Reis (Edila Luísa Reis, Rio de Janeiro RJ 1920—).

Formado em 1942 na Rádio Nacional do Rio de Janeiro por seu diretor artístico, José Mauro, o grupo lançou o primeiro disco em 1942 pela RCA-Victor, acompanhando Linda Batista nos sambas Bom-dia (Herivelto Martins e Aldo Cabral) e Aula de música (Haroldo Barbosa e Herivelto Martins).

Em 1943 foi lançado o segundo disco em que acompanhavam Francisco Alves nos foxes Quantas são (Lilley, Loesser, versão de Haroldo Barbosa) e Céu cor-de-rosa (Herbert, Dubin, versão de Haroldo Barbosa). No mesmo ano, o conjunto cantou no filme É proibido sonhar, de Moacir Fenelon.

Em 1944 lançou discos-solo e outros acompanhando Roberto Paiva, Nilo Sérgio e Albertinho Fortuna. Em 1945, Bidu Reis saiu do grupo para cantar na Rádio Globo e na Orquestra Tabajara, e Marília Batista para se casar, sendo substituídas por Hedinar Martins, irmã de Herivelto Martins, e Consuelo Sierra, esta última substituída por Nilza de Oliveira por curto período.

Em 1948, Consuelo deixou o grupo e Bidu Reis retornou. Em 1949 cantaram no filme argentino-brasileiro Não me digas adeus, de Luís Barth, e acompanharam Marlene no jongo Conceição da praia (Dilu Melo e Oldemar Magalhães) e em Candonga (Felisberto Martins e Fernando Martins).

A formação do grupo em 1950 era Regina Célia, como líder, Hedinar e Nilza. Regina foi substituída por Carmen Déa. Nessa fase, o conjunto gravou uma série de LPs de baiões na Musidisc. Em 1952 atuaram no filme de Luís de Barros: Era uma vez um vagabundo.

Em 1953 sairam Carmen Dea, para fazer carreira solo, e Nilza, para se casar, voltando Consuelo e entrando Maria Teresa. Em 1957, o grupo se dissolveu.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFOLHA.

sábado, março 01, 2008

Bidu Reis

A cantora, compositora, poeta, pianista e radioatriz Bidu Reis (Edila Luísa Reis) nasceu em 1920 no Rio de Janeiro, RJ. Pertence à União Brasileira de Compositores e é uma das diretoras da Associação Defensora dos Direitos dos Fonomecânicos. Em 2000, era também presidente da Associação das Donas de Casa da zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

Foi integrante do grupo As Três Marias, ao lado de Marília Batista e Salomé Cotelli. O grupo, formado em 1942 na Rádio Nacional do Rio de Janeiro por seu diretor artístico, José Mauro, lançou o primeiro disco ainda em 1942, acompanhando Linda Batista nos sambas Bom-dia, de Herivelto Martins e Aldo Cabral e Aula de música, de Haroldo Barbosa e Herivelto Martins. 

Em 1943, lançaram o segundo disco, acompanhando Francisco Alves e participaram, cantando, do filme É proibido sonhar, de Moacir Fenelon. No ano seguinte o conjunto lançou discos, acompanhando Roberto Paiva, Nilo Sérgio e Albertinho Fortuna.

Em 1945, saiu do grupo para cantar na Rádio Globo e na Orquestra Tabajara. Em 1951, gravou no selo Carnaval a marcha Não me fale em pretoria, de Fernando Lobo e Nestor de Holanda. Em 1954, foi escolhida pelo Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro como "Rainha dos músicos" com a expressiva soma de 98.185 votos.

Em 1955, gravou na Continental o baião Adeus, minha gente, de Alcir Pires Vermelho e Gilvan Chaves e o samba Sozinha, de sua autoria e José Bastos com acompanhamento de Radamés Gnattali e seu conjunto. No mesmo ano, o conjunto vocal Os Cariocas gravou seu samba Qu'est ce que tu penses, parceria com Haroldo Barbosa.

Em 1956, teve o samba Quatro histórias diferentes, parceria com Dora Lopes gravado pelo grupo Quatro Estrelas e a canção É Natal, parceria com Arsênio de Carvalho, por Emilinha Borba na Continental.

Em 1957, seu bolero Interesseira, parceria com Murilo Latini foi gravado pelo grupo Os Sinuelos na gravadora Sinter. Essa mesma música foi regravada no ano seguinte pelo grupo Os Seresteiros na gravadora Columbia e por Jairo Aguiar na Copacabana, além de ter sido posteriormente grande sucesso na voz de Anísio Silva. Ainda em 1957, conheceu seu maior sucesso, Bar de noite, parceria com Haroldo Barbosa e gravada por Creusa Cunha na Mocambo. Esta música foi regravada por inúmeros intérpretes, o principal dos quais foi Nora Ney, que a incorporaria ao seu repertório permanente. Em 1960, Lúcio Alves gravou na Philips a valsa Festa de luz, parceria com Murilo Latini, sendo posteriormente regravada por Dilu Melo.

É autora do livro A inteligência dos animais, história infantil que foi radiofonizada na década de 1960 e que somente em 1996 foi publicada como livro pela Editora Sette Letras. Bar da noite (Garçon, apaga esta luz/ Que eu quero ficar sozinha), em parceria com Haroldo Barbosa, é considerada um dos clássicos mais significativos do samba-canção. Gravada ao final da década de 1950 por Nora Ney, a música foi incluída no CD Estão voltando as flores - com as Cantoras do Rádio, no registro de Carmélia Alves, em expressa homenagem ao repertório de Nora Ney.

Em 2003, teve a composição Folhas mortas, parceria com Motta Vieira gravada pela cantora Marion Duarte no CD Fonte de energia, para o qual escreveu a apresentação.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

sábado, abril 01, 2006

Marília Batista


Marília Batista (Marília Monteiro de Barros Batista), cantora e compositora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 13/4/1918 e faleceu em 9/7/1990. Neta do poeta Luís Monteiro de Barros, começou a tocar violão e a compor desde criança e mais tarde estudou no I.N.M., formando-se em teoria, solfejo e harmonia, e abandonando o curso de piano no quarto ano.


A 29 de agosto de 1930, com 12 anos, levada pelo jornalista Lauro Sarno Nunes (pai de Max Nunes), deu seu primeiro recital de violão no Cassino Beira-Mar, cantando entre canções sertanejas, sambas e cateretês, suas primeiras composições.

Josué de Barros (lançador de Carmen Miranda), que a ouviu, ofereceu-se para lhe dar aulas de violão, de graça. Durante seis meses estudou com ele, mas depois, como pretendia ser concertista, tomou aulas de violão clássico com José Rebelo.

Em 1931, convidada para cantar no espetáculo Uma Hora de Arte, no Grêmio Esportivo Onze de Junho, conheceu Noel Rosa e, numa festa na casa da cantora Elisinha Coelho, onde também cantou e foi muito aplaudida, conheceu Hekel Tavares, Luiz Peixoto, Almirante e Bando de Tangarás.

No ano seguinte, acompanhada de João Martins (bandolim) e Rogério Guimarães (violão), gravou pela Victor seu primeiro disco, cantando duas composições suas feitas em parceria com seu irmão Henrique Batista - o samba Pedi, implorei e a marcha Me larga.

Em 1933, a convite de Almirante, participou, ao lado de Sílvio Caldas e Ary Barroso, do show Broadway Cocktail, levado no Cine-Teatro Broadway, e logo depois foi contratada por Ademar Casé, que assistira ao espetáculo, para seu programa na Rádio Philips.

No programa Casé, apresentou-se inicialmente (1934) ao lado de Noel Rosa, com quem improvisava versos cantados com o estribilho "De babado sim / De babado não", e depois sozinha (1935), lançando pelo rádio o samba de Noel Pela décima vez.

No ano seguinte gravou, com Noel, na Odeon, De babado (Noel Rosa e João Mina) e Cem mil réis (Noel Rosa e Vadico). Ainda com Noel e acompanhada pelo conjunto de Benedito Lacerda, lançou mais dois discos nesse ano: pela Victor, os dois cantaram os sambas Quem ri melhor (Noel Rosa) e Quantos beijos (Noel Rosa e Vadico); e, em disco Odeon, registraram Provei (Noel Rosa e Vadico) e Você vai se quiser (Noel Rosa).

Aos poucos, foi-se tornando conhecida como compositora e uma das principais intérpretes de Noel Rosa. Já por essa época, seu trabalho lhe valeu o título de Princesinha do Samba e, em 1940, gravou na Victor o samba-canção de Noel Rosa Silêncio de um minuto.

Em 1945 casou-se e interrompeu por alguns anos suas atividades musicais, retornando à vida artística cinco anos depois, quando lançou pela Musidisc o LP Samba e outras coisas, que reuniu as composições que fez com o irmão Henrique Batista - Nunca mais, Você não é feliz porque não quer, Imitação, Vai, eu te dou liberdade, Praia da Gávea, Vila dos meus amores e mais duas composições de Noel Rosa.

Pela mesma etiqueta, gravou, em 1954, LP só com músicas de Noel Rosa, nele incluindo o samba Tipo zero e, nove anos mais tarde, voltou a gravar só composições do compositor de Vila Isabel, num álbum com dois LPs, editado pelo selo Nilser, de Nilo Sérgio, intitulado História musical de Noel Rosa.

Em 1967 voltou a gravar sambas desse compositor. Em toda a sua carreira, gravou cerca de 30 discos, além dos LPs citados. Dentre seus méritos, o maior foi ter contribuído para a divulgação de Noel Rosa.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.