Callado (Joaquim Antônio da Silva Callado Júnior) criou, provavelmente, o primeiro grupo de choro em 1875. Inicialmente composto por dois violões, uma flauta e um cavaquinho, o grupo começou adotando a polca-de-serenata, que trazia passagens modulantes em ritmo acelerado.
No começo, o choro possuía improvisações, em que os violões criavam o ambiente para a flauta solar e o cavaquinho fazia um papel intermediário entre eles.
Foi parceiro de Viriato Figueira da Silva, Ismael Correia, Lequinho e outros chorões. Era amigo do compositor de modinhas Chiquinho Albuquerque e do flautista belga Matheus André Reichert, que D. Pedro II contratou para animar os Saraus do Paço em 1859.
Em 1879, Callado recebeu a mais alta condecoração do Império: A Ordem da Rosa. Um ano depois, no dia 20 de março de 1880, falece de meningoencefalite perniciosa. Depois de onze dias, foi colocada à venda sua última composição, a polca "Flor amorosa": Disco 78 rpm - Interpretação de Jacó do Bandolim - Imprenta [S.l.]: Continental, 1948-1949 - Nº Álbum 16011 - Choro:
C-------- G------- -G7b------ -C3b----- C----- G3b--- G
Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem porque
C- C#° Dm7- Fm C Am--- Dm7----- G7----- C ----G É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa ---------------G-------- G7b----------- C3b--- C-- G3b-- G
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor
C-- C#°--------- Dm7- Fm ----C -Am-- Dm7-- G7-- C ---E7/5b
Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor -------------Am----------------- Dm
Em uma taça perfumada de coral
Dm7b--- Bm5-/7 E7 ----Am Um beijo dar não vejo mal
E7------ Am------------ A7-------- Dm
É um sinal de que por ti me apaixonei ----------------Am------- B7/9 E7 Am E7 Am
Talvez em sonhos foi que te beijei ------------Am------------------------ Dm
Se tu pudesses extirpar dos lábios meus
Dm7b-- Bm5-/7 E7------- Am
Um beijo teu tira-o por Deus
E7--------------- Am------------------- Dm
Vê se me arrancas esse odor de resedá
Bm5-/7 ---------Am7------ B7/9- -E7 Am G C
Sangra-me a boca, é um favor, vem cá
F ------------------(Gm7 C7)
Não deves mais fazer questão ----------------------------F
Já perdi, queres mais, toma o coração --------------------------Am
Ah, tem dó dos meus ais, perdão
B7/9- ----------E7
Sim ou não, sim ou não
Am------------ Gm --C7---- F
Olha que eu estou ajoelhado --------------------(Gm7 C7)
A te beijar, a te oscular os pés ------------------------------F
Sob os teus, sob os teus olhos tão cruéis
Dm---------------- A#------- B°
Se tu não me quiseres perdoar ---------F----- Em----------Gm---- C7 --F-- G
Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar -----------------G -----------G7b--------- C3b
Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim
C ---G3b--- G
A mim, a mim
C -C#° -------Dm7-- Fm--- C
Oh, por que juras mil torturas
Am ----Dm7-- G7 -----C ---G
Mil agruras, por que juras? -----------G------------ G7b --------C3b------ C --G3b G
Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê
C -C#° ------Dm7 -Fm --C --=-Am---- Dm7
Só por um beijo, um gracejo, tanto pejo -G7-------- C
Mas por quê?
O flautista Viriato Figueira da Silva nasceu em Macaé, estado do Rio de Janeiro. Estudou no Conservatório de Música do Rio de Janeiro com Callado, de quem se tornou grande amigo. Foi um dos primeiros a se destacar no Brasil como solista de saxofone. Viajou a São Paulo como integrante da orquestra do Teatro Phoenix Dramática, sob direção do maestro Henrique Alves de Mesquita.
Segundo o flautista Pedro de Assis, Viriato "empreendeu com grande êxito artístico e financeiro uma turnê artística às capitais nortistas alguns anos depois de ter feito a mesma digressão o maior flautista do mundo, o célebre flautista belga André Mateus Reichert".
A polca Só para Moer, de sua autoria, é a primeira em tonalidade menor de que se tem notícia, e uma das músicas mais lindas do repertório do choro. Gravada originalmente por Patápio Silva em 1902, popularizou-se entre os músicos de choro, tornando-se um clássico da obra de Viriato.
Disco 78 rpm - Título da música: Só para moer - Autoria Silva, Viriato Figueira da (Compositor) - Silva, Patápio (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 - Nº Álbum 40047 - Gênero musical Choro
Só para moer (Não vê-la mais) (polca, 1877) - Música: Viriato Figueira da Silva / Letra: Catulo da Paixão Cearense
Senhor / Tréguas a meus ais! Mata-me esta dor / De não vê-la mais Volve piedoso o teu olhar / Para o meu sofrer Vê que a padecer / Venho te implorar
Senhor, faze adormecer / Meu peito a doer Tu que és todo amor! / Tem compaixão Da minha dor / Pára o coração Faze-o descansar / Basta de ansiar
Pensar que nunca mais verei / O anjo que adorei Por quem choro e chorei / E em cujo altar me ajoelhava E em que em extremos cultuava / E que era tudo quanto amava E que era tudo quanto amei
Pensar / Em não mais me orvalhar Não me sacramentar / Nos olhos que adorei Naqueles olhos que eu magoado / Sobre um leito debruçado Num suspiro prolongado / Com as minhas mãos fechei
Tão só / O que hei de fazer? Mais do que gemer / Mais do que gemer Até que de mim tenhas dó / Volvas teu amor Teu sagrado amor / Sobre mim Senhor
Em prece, ajoelhado / A sua sepultura Que lágrimas transuda / Já tenho interrogado A sepultura é muda / Não quer me responder Meus Deus, que hei de fazer? / Senhor, meu Deus, que hei de fazer?
Contrito, ajoelhado / Em lágrimas desfeito Já tenho interrogado / A pedra de seu lado A pedra friamente / Silêncio só transuda E impiedosamente muda / Nada diz ao infeliz
Às horas fulgurantes / Das noites palpitantes A lua macilenta / Tristonha e sonolenta O azul do firmamento / E a própria solidão Entendem minhas queixas / E esta dor do coração
Só Tu, Senhor, em calma / Não ouves meus gemidos Gritando por sua alma / Cansados, languescidos Em pleno cemitério / Revela-me o mistério E vem agora me dizer: / O que é viver, o que é morrer?
Senhor / Tréguas a meus ais! Mata-me esta dor / De não vê-la mais Volve piedoso o teu olhar / Sobre o meu penar Vê que a soluçar / Venho te implorar
Fontes: A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
Joaquim Antônio da Silva Callado, flautista e compositor, nasceu em 11 de julho de 1848 no Rio de Janeiro e faleceu em 20 de março de 1880. É considerado o pai dos chorões e foi o mais popular músico do Rio de Janeiro imperial.
Começou estudando flauta e piano em casa com seu pai, que era mestre da Banda Sociedade União de Artista, e aos oito anos já aprendia composição e regência com Henrique Alves de Mesquita.
Antes de completar 18 anos, já se apresentava em bailes e saraus familiares. Pouco depois, fez sua primeira apresentação em concerto, como flautista, para a família imperial.
Sua composição de estréia, "Querosene", foi feita em 1863, aos 15 anos, e o primeiro sucesso em 1867, uma quadrilha chamada "Carnaval". No mesmo dia do lançamento, 19 de junho, seu pai faleceu de endocardite aos 52 anos.
No dia 13 de janeiro de 1869, a sua primeira polca foi publicada, chamada “Querida por todos”, dedicada à Chiquinha Gonzaga. Em 1873, Callado compôs “Lundu Característico”, que foi o primeiro lundu apresentado num concerto. Este fez tanto sucesso que ele foi nomeado para a cadeira de flauta do Império no Conservatório de Música. Em 1875, foram publicadas as polcas “Como é bom” e “Cruzes, minha prima!”.
Neste mesmo período, Callado criou o primeiro grupo de choro. Inicialmente composto por dois violões, uma flauta e um cavaquinho. O grupo começou adotando a polca-de-serenata, que trazia passagens modulantes em ritmo acelerado. No começo, o choro possuía improvisações, em que os violões criavam o ambiente para a flauta solar e o cavaquinho fazia um papel intermediário entre eles.
Callado foi parceiro de Viriato Figueira da Silva, Ismael Correia, Lequinho e outros chorões. Era amigo do compositor de modinhas Chiquinho Albuquerque e do flautista belga Matheus André Reichert, que D. Pedro II contratou para animar os Saraus do Paço em 1859. Em 1879, Callado recebeu a mais alta condecoração do Império: A Ordem da Rosa. Um ano depois, no dia 20 de março de 1880, falece de meningo-encefalite perniciosa.
"Flor amorosa" - Disco 78 rpm - Interpretação de Jacó do Bandolim - Imprenta [S.l.]: Continental, 1948-1949 - Nº Álbum 16011 - Em gênero musical Choro
Depois de onze dias, foi colocada à venda sua última composição, a polca Flor amorosa. No dia 17 de dezembro de 1883, alguns músicos organizaram um festival e com a renda construíram um único mausoléu no cemitério de São Francisco Xavier para unir os restos mortais de Callado e Viriato Figueira da Silva, que faleceu em 1883. A transferência dos restos foi realizada no dia 27 de julho de 1885.
Obra completa
Adelaide, quadrilha, s.d.; Ai, que gozos, polca, s.d.; ; Aurora, quadrilha, s.d.; Capricho característico, polca, s.d.; Carnaval de 1867, quadrilha, 1867; Celeste, polca, s.d.; Choro, s.d.; As cinco deusas, quadrilha, s.d.; Como é bom, polca, 1875; Como é bom o que é bom!, quadrilha, s.d.; Conceição, polca, s.d.; Consoladora, polca, s.d.; Cruzes, minha prima!, polca, 1875; A dengosa, polca, s.d.; A desejada, polca, 1880; Ermelinda, polca, s.d.; Ernestina, polca, s.d.; Familia Meyer, quadrilha, s.d.; Fantasia para flauta, choro, s.d.; Flor amorosa (com versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, 1880; As flores do coração, quadrilha, s.d.; Florinda, polca, s.d.; Hermenêutica, valsa, s.d.; Honorata, polca, s.d.; Imã, polca, 1873; Improviso, polca, s.d.; Isabel, polca, s.d.; Laudelina, quadrilha, s.d.; Lembrança do cais da Glória, polca, s.d.; Linguagem do coração, polca, 1872; Lírio fanado, recitativo, 1882; Lundu característico, 1873; Manuela, quadrilha, s.d.; Manuelita, quadrilha, s.d.; Maria, polca, s.d.; Maria Carlota, polca, s.d.; Mariquinhas, polca, s.d.; Mimosa, quadrilha, s.d.; Não digo, polca, s.d.; Uma noite de folia, quadrilha, s.d.; O que é bom, é bom!, quadrilha, s.d.; Olhos de Ana, polca, s.d.; Pagodeira, polca, s.d.; Pagodeira, quadrilha, s.d.; Perigosa, polca, s.d.; Perigoso, choro, s.d.; Polca em dó maior, s.d.; Polucena, polca, s.d.; Puladora, polca, s.d.; Quem tocar, toca sempre, polca, s.d.; Querida por todos, polca, 1869; O regresso de Chico Trigueira, polca, s.d.; Rosinha, polca, s.d.; Salomé, polca, s.d.; Saturnina, quadrilha, s.d.; Saudade do cais da Glória, polca, s.d.; Saudades de Inhaúma, quadrilha, s.d.; Saudosa, polca, s.d.; A sedutora, polca, s.d.; Sete de novembro, polca, s.d.; Sousinha, quadrilha, 1869; Suspiro, quadrilha, s.d.; Suspiros de uma donzela, quadrilha, s.d.; Último suspiro, polca, s.d.; União comercial, polca, s.d.; Valsa, s.d.; Vinte e Um de Agosto, polca, s.d.; Vinte e Um de Junho, polca, s.d.
Calado
"Callado foi um flauta de primeira grandeza, e ainda hoje é lembrado e chorado pelos músicos desta época, pois as suas composições musicais nunca perdem o seu valor, na sua flauta, quando em bailes, serenatas (que eram feitas em plena rua pois naquele tempo eram permitidas não havendo intervenção da polícia). Callado tornou-se um Deus para todos que tinham felicidade de ouvi-lo. Os acompanhamentos era violão, cavaquinho, oficlide, bombardão, instrumentos estes que naquela época faziam pulsar os corações dos chorões, quando eram manejados pelos batutas da velha guarda, como sejam: Silveira, Viriato, Luizinho, etc.
Callado e Viriato foram tão amigos em vida como na morte, e assim compreendendo os músicos daquela época organizaram um festival e com o produto do mesmo mandaram construir um mausoléu do lado direito do Cemitério de São Francisco Xavier, onde se acham os dois juntinhos dormindo o sonho da eternidade, dando assim uma recordação perpétua aos chorões de agora, que ao passarem naquele mausoléu curvam-se respeitosamente em homenagem a aquelas duas entidades, que as atuais gerações ainda não deram iguais.
Contavam alguns daqueles tempos que também já dormem o sono dos justos, que Callado foi chamado para um concerto num dos teatros desta cidade ao qual compareceu com a sua flauta maravilhosa, mas o grande músico deixando a sua flauta deitada na estante um oficial do mesmo ofício, desparafusou uma das chaves de seu instrumento sem que ele percebesse afim de quando fosse tocar a mesma pular, e Callado fazer um grande fiasco, mas o seu intento não deu o resultado esperado, pois apesar da chave ter saído fora do lugar, Callado, a força de beiço tocou toda a partitura sem perturbar-se, sendo muito abraçado e cumprimentado por aqueles que souberam do fato, estando neste meio o velho Imperador que condecorou com o título de Comendador.
Callado não era só músico para tocar de primeira vista, como também para compor qualquer choro de improviso, quantas vezes achava-se tocando em um baile de casamento, batizado, aniversário ou outra qualquer reunião e se nesta ocasião qualquer dama ou cavalheiro pedisse para escrever um choro em homenagem ao festejado, Callado, não dizia que não, passava a mão em qualquer papel quando não trazia o próprio, riscava a lápis e zaz! Punha-se a escrever, daí a momento entregava a um chorão presente que a executando tornava-se um delírio para todos os convivas pela clareza e pela linda inspiração da mesma. Callado foi o rei da música daquele tempo" (O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - 1936 - Alexandre Gonçalves Pinto).
Fontes: WMmulher, Enciclopédia da música brasileira, Editora Art - PubliFolha, 1998 - São Paulo; O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - 1936 - Alexandre Gonçalves Pinto.