segunda-feira, janeiro 28, 2008

O último dos moicanos

O último dos moicanos (samba, 1963) - Miguel Gustavo - Interpretação: Moreira da Silva



Tinha jurado à minha mãe por toda vida
Não me meter em mais nenhuma trapalhada
Depois daquela do bandido em que o índio me salvara
Eu decidi levar a vida sossegada

Comprei um sítio e já ia criar galinhas
Quando a notícia no jornal me encheu de ódio
Um bandoleiro aprisionara aquele índio
Que me salvara no primeiro episódio
"Cuidado Moreiraaaaaaaa"

E tal viúva do bandido que eu matara
Com quem case perante o padre no local
Roubou meu sítio e fugiu para Nevada
Apaixonada por um velho marginal

E minha noiva por quem tanto eu lutara
Estava dançando em um saloon fora da linha
Como é que pode um pistoleiro aposentado
Comprar um sítio e querer criar galinhas

"pó, pó pó po´, pó ó "

Montei de novo num cavalo mais ligeiro
Em Hollywood Harry Stone me esperava
E Moacyr chamava os extras para a cena
Enquanto a câmera já me focalizava

A luta agora era com os indios Moicanos
Que pelos canos nos empurram devagar
Me disfarcei, pintei a cara e apanhei a machadinha
E com a princesa comecei a namorar

"Indio cara-pálida chamar Morengueira"
"Morengueira que não é mané vai dar no pé"

Voltei à vila e arrasei os inimigos
Salvei o índio, minha dívida paguei
Dei uma surra na viúva e minha noiva
Naquele mesmo cabaré a desposei

E assim termina mais um filme americano
Com Hollywood já meio desminliguida
Eu vou passar para o cinema italiano
Pra descansar eu vou filmar La Dolce Vita

Não filme agora que a censura está sendo proibida
Perto de mim o Mastroianni não dá nem pra partida
Sofia Loren vem chegando mas já estou de saída
Arrivederti Roma ....

Morengueira contra 007

O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia.

São seis os sambas: O rei do gatilho (1962), O último dos moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira contra 007 (1968), O seqüestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

Em Morengueira contra 007, além de Moreira da Silva e o agente britânico, estrelam Pelé e Cláudia Cardinale. James Bond dá um flagrante em Pelé, que beijava a estrela italiana. Moreira dá um soco em Bond e livra a cara do rei. Mais tarde, ela confessa ser apaixonada pelo sambista e diz que só esteve no Brasil para sequestrar Pelé e evitar que ele jogasse contra a seleção inglesa.

Morengueira contra 007 (samba, 1968) - Miguel Gustavo

Disco LP / Título da música: Morengueira contra 007 / Autoria: Gustavo, Miguel (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Imperial, 1968 / Álbum: Moreira da Silva - Morengueira / Nº Álbum: sem dados / Lado A / Faixa 04 / Gênero: Samba de breque /

Introdução do narrador: "Moreira da Silva contra 007. Sexo e violência no mais espetacular filme de espionagem do famoso diretor americano Abelardo 'Chacrinha' Barbosa. Com James Bond, Cláudia Cardinale e Edson Arantes do Nascimento."

Começa o filme com o 007
Saltando em Santos com a Cláudia Cardinale
Com seu decote italiano ela é tão bela
Que ninguém vê o James Bond junto dela

Os dois se hospedam na concentração do Santos
E, entre tantos, ninguém sabe por que é
Que ela desfila de biquíni na piscina
E na maior intimidade com o Pelé

Breque: "A bonitinha não percebe a tabelinha que ele faz / Pelé controla a Cardinale, dá-lhe um beijo e avança mais /Gol do Brasil! / O temperamento latino é fogo!... "

O James Bond nesse instante dá o flagrante
Diz que Pelé tem que pagar pelo que fez
Entram em luta corporal e o 007
Vai abater o jogador com um soco-inglês

Porém, Moreira, que assistia a toda a cena,
Entra sem pena, vai no 007 e manda o pé
Rabo-de-arraia e antes que caia dá-lhe um soco
Apara o soco e livra a cara do Pelé

Moreira leva James Bond para o DOPS
E na fofoca mais fofoca que eu já vi
Vem jornalista, embaixador inglês sem vida
E entra na fita todo o Itamaraty

Aí Moreira leva a Cláudia Cardinale
Para jogar um pif-paf em Guarujá
Vão no boliche e comem pizza lá no Braz
E cantam samba de Vinícius de Morais

Cláudia confessa o seu amor por Morengueira
Faz a besteira de dizer que o ama com fé
Só foi a Santos com o 007
Para ajudá-lo a raptar nosso Pelé.

Roubar Pelé pra não jogar contra a Inglaterra
Porque os ingleses sofrem de alucinação
E toda noite vêm um fantasma de chuteiras
Fazendo gol no gol da sua seleção

Breque: "E vem o time brasileiro se sagrando campeão / Termina o filme com Moreira dando um drible no espião / O James é derrotado e acabou sua missão."


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB; A Canção no Tempo - Volume 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Moreira da Silva - Discografia de vinil.

Malandro não vacila

Bezerra da Silva
Bezerra da Silva

Malandro não vacila - Julinho

Tom: Am

Am          Dm           G7           C
Já falei pra você, que malandro não vacila
Am         Dm          G7            C
Já falei pra você, que malandro não vacila
Am              Dm
Malandro não cai, nem escorrega
G7            C
Malandro não dorme nem cochila
Am           Dm
Malandro não carrega embrulho
G7            C
E tambem não entra em fila

Am                Dm
É mas um bom malandro
G7                   C
Ele tem hora pra falar gíria
Am                       Dm
Só fala verdade, não fala mentira
G7           C
Você pode acreditar

Am                 Dm
Eu conheço uma pá de otário
G7                  C
Metido a malandro que anda gingando
Am         Dm             G7           C
Crente que tá abafando, e só aprendeu a falar:

Am                   Dm
Como é que é? Como é que tá?
G7              C
Moro mano? É, chega pra cá!

Juracy

Vassourinha
Juracy (samba, 1941) - Antônio Almeida e Ciro de Souza

Disco 78 rpm / Título: Juraci / Autoria: Almeida, Antônio (Compositor) / Souza, Ciro de (Compositor) / Vassourinha (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 23/06/1941 / Nº Álbum 55295 / Lado B / Lançamento: 08/1941 / Gênero: Samba choro

G                         D7
Desde o dia em que eu te vi Juracy
                     G
Nunca mais tive alegria
                           D7
Meu coração ficou daquele jeito
                             G
dando pinote dentro do meu peito
                              D7
Mas agora eu quero, eu quero saber
                G
qual a sua opinião
                      D7
Pra resolver nossa situação
             C     D7      G
pode ser ou tá difícil coração
D7
Eu trabalhei durante um ano inteiro
                               G
pra conseguir juntar algum dinheiro
                        D7
fiz uma casa que é um amor
                                G
pois tem rádio, geladeira e ventilador
D7                 D7
Nossa casinha lá na Marambaia
           B7                 Em
fica a dois passos da beira da praia
         C      C#7        D7
e se você achar que lhe convém
                    C        D7     G
eu lhe garanto tudo isso e o céu também

Judia rara

Moreira da Silva - 1938
De origem humilde, as polacas trabalhavam quase sempre no baixo meretrício - locais de prostituição frequentados por quem tinha poucos recursos. Nos cabarés e bordéis de luxo, a soberania era das francesas, que exerciam na época grande fascínio no imaginário masculino. Atentas a esse fato, algumas judias aprendiam palavras em francês para tentar melhorar de vida.

Motorista de lotação e sambista, o cantor Moreira da Silva namorou por 18 anos uma polaca: a russa Estera Gladkowicer, que chegou ao Brasil com 20 anos em 1927, foi dona de bordel no Mangue e se matou em 68, ingerindo barbitúricos.

Para ela, Moreira compôs Judia Rara: "A rosa não se compara / A essa judia rara / Criada no meu país / Rosa de amor sem espinhos / Diz que são meus seus carinhos / E eu sou um homem feliz" (Fonte: Homenagens em músicas e poemas - Aventuras na História ).

Judia rara (samba, 1964) - Jorge Faraj e Moreira da Silva

Disco LP / Título da música: Judia rara / Autoria: Faraj, Jorge (Compositor) / Moreira da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1964 / Álbum: Morengueira 64 / Nº Álbum: MOFB 3385 / Lado B / Faixa 9 / Gênero musical: Samba /
Tom: C
Introd.: Dm   Am   E7   A7   Dm   Am   F7   E7   Am   

Bm7/5b    E7       Am   
A rosa não se compara   
A7         Dm   
A essa judia rara   
E7             Am     A7   
Criada no meu país   (virada)   
Dm                  C   
Rosa de amor sem espinhos   
C7                      Dm7   
Diz que são meus seus carinhos   
Bm7/5b       E7     Am   
E eu sou um homem feliz   
G7               C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                   Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7             C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                   Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Ebm torno dela a bailar.   
G7                C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                  Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7            C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                  Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar.