quinta-feira, março 08, 2007

Sá Marina

Wilson Simonal
Já nos tempos de adolescente o pianista Antônio Adolfo tocava no Beco das Garrafas, integrando o conjunto Samba Cinco ou participando de sessões de jazz e de bossa nova. Em 1967, quando liderava o Trio 3-D e tinha quatro elepês gravados, iniciou uma parceria com o letrista Tibério Gaspar, vivendo a dupla nos quatro anos seguintes uma fase de grande sucesso, com participações assíduas em festivais e trilhas sonoras de novelas.

São dessa época composições como “Meia-Volta”, “Juliana”, “Teletema”, “BR-3” e a popularísssima “Sá Marina”: “Descendo a rua da ladeira / só quem viu pode contar / cheirando a flor de laranjeira / Sá Marina, eh! vem pra dançar...”.

Lançada em 1967 pelo conjunto O Grupo, a canção estourou com Wilson Simonal no começo do ano seguinte, permanecendo por dezenove semanas nos primeiros lugares das paradas de sucesso. Uma toada-moderna, segundo o próprio Adolfo, “Sá Marina” é produto de uma tendência muito em moda na época, que procurava juntar influências harmônicas da bossa nova a estruturas tradicionais da música brasileira, no caso a toada.

Pode ser incluída naquela vertente de “Andança” e “Viola Enluarada”, canções filiadas, como foi dito, ao estilo Milton Nascimento, apresentando, porém, “Sá Marina” características mais dançantes, com seu ritmo bem marcado e ligeiramente aproximado do iê-iê-iê (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sá Marina (1968) - Antônio Adolfo e Tibério Gaspar - Intérprete: Wilson Simonal

LP Alegria, Alegria Vol. 2 ou Quem Não Tem Swing Morre Com A Boca Cheia De Formiga / Título da música: Sá Marina / Antônio Adolfo (Compositor) / Tibério Gaspar (Compositor) / Wilson Simonal (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1968 / Nº Álbum: MOFB 3547 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: MPB.

tom: C

C7+            C#°          Dm7
Descendo a rua da ladeira
G                C7+  Am7   
Só quem viu, que pode contar
  Dm7
Cheirando a flor de laranjeira
  G                 C7+    
Sá Marina vem pra cantar
    C#°          Dm7
De saia branca costumeira
G                   C7+  Am7   
Gira o sol, que parou pra olhar
  Dm7
Com seu jeitinho tão faceiro
 G               C    Gb7(b5)
Fez o povo inteiro cantar
F7+               G
Roda pela vida afora
C7+            Am7
E põe pra fora essa alegria
Dm7                    G             Bb   C
Dança que amanhece o dia pra se dançar
F7+                     G
Gira, que essa gente aflita
    C7+            Am
Se agita e segue no seu passo
Dm7                   G          Ab7(b5) Ab7+(b5) G4 C7+
Mostra toda essa poesia no olhar
  C#°          Dm7
Deixando versos na partida
 G               C7+  Am7   
E só cantigas pra se cantar
  Dm7
Naquela tarde de domingo
 G               C7+
Fez o povo inteiro cantar
Am7    Dm7      G        C7+
E fez o povo inteiro cantar
Am7    Dm7     G        Ab7(b5)  Ab7+(b5)  G4   C7+
E fez o povo inteiro cantar.

Vesti azul

O diretor do selo Equipe, Osvaldo Cadaxo, pediu ao compositor Nonato Buzar, autor do sucesso “O Carango”, uma música para a cantora Adriana, de quatorze anos, filha de um amigo seu. Mal terminara o encontro e Nonato já começava a cantarolar letra e melodia da nova canção, logo informando a um incrédulo Cadaxo que a música estava pronta.

Assim nasceu “Anjo Azul” — título que é uma homenagem ao legendário filme de Marlene Dietrich — em que o autor completava as pausas com passagens instrumentais, as quais, embora sem letra, faziam parte da composição, uma toada, dançante, urbana: “Estava na tristeza que dava dó / vivia vagamente, andava só / mas eis que de repente apareceu / um brotinho lindo que me convenceu / dizendo que devia vestir azul / (...) / vesti azul / pã pã paã pã paã / minha sorte então mudou...”

Dias depois, enquanto Ed Lincoln preparava o arranjo para Adriana, Nonato mostrou em São Paulo a música a Wilson Simonal que gostou e pediu para que ele a gravasse numa fita cassete. Daí surgiriam, quase ao mesmo tempo, as duas gravações com títulos diferentes, a de Adriana (na Equipe) como “Anjo Azul” e, para surpresa do autor, a de Simonal (na Odeon) como “Vesti Azul”.

Campeãs de vendagem, ambas adotavam o estilo “pilantragem”, já mencionado, tendo prevalecido o título “Vesti Azul”, em razão principalmente do sucesso de Simonal, que na ocasião comandava o programa “Show em Si Monal”, na TV Record. “Vesti Azul” seria gravada, em versão de Paul Anka e Sammy Cahn, no exterior com o nome de “Something Else”. Parceiro de Chico Anísio e Carlos Imperial, Nonato Buzar emplacou sucessos como os temas das telenovelas “Irmãos Coragem” (1970/71) e “Verão Vermelho” (1971/72), tendo atuado quatro anos na França com o seu grupo País Tropical (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Vesti Azul (1968) - Nonato Buzar - Intérprete: Wilson Simonal

LP Alegria, Alegria!!! / Título da música: Vesti Azul / Nonato Buzar (Compositor) / Wilson Simonal (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1967 / Nº Álbum: MOFB 3508 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: Canção / Pilantragem / MPB.

Tom: A
Introdução: A  G  F  F/E  E

              G             A/G
Estava na tristeza que dava dó
         G              A/G
E via vagamente e andava só
                G             A
Mas eis que de repente me apareceu
           F#m7                E7
Um brotinho lindo que me convenceu

                 G            A/G
Dizendo que eu devia vestir azul
                 G                  A/G
Que azul é cor do céu e seu olhar também
             G              A
Então o seu pedido me incentivou
      Bm  E
Vesti azul
                 C#m  F#
Minha sorte então mudou
      Bm   E
Vesti azul
                    A  G  F  F/E  E
Minha sorte então mudou

               G            A/G
Passei a ser olhado com atenção
           G            A/G
E fui agradecer pela opinião
                   G               A/G
Então senti que eu protestava toda mudada
       F#m                  E7
Parecia até que estava apaixonada

                G               A/G
Então eu fiz charminho e até sentei
             G              A/G
Só vim aqui saber como eu fiquei
                 G              A
E aquele olhar do broto me confirmou
      Bm   E
Vesti azul
       C#m   F#
Minha sorte então mudou
      Bm    E
Vesti azul
                   A  G  F  F/E  E
Minha sorte então mudou

Mamãe passou açúcar em mim


Mamãe passou açúcar em mim (jovem guarda, 1966) - Carlos Imperial - Intérprete: Wilson Simonal

LP Vou Deixar Cair ... / Título da música: Mamãe passou açúcar em mim / Carlos Imperial (Compositor) / Wilson Simonal (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1966 / Álbum: MOFB 3470 / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Canção.


Tom: D

Intro: C7 D7  Bm E A7 D7 G G7
       C7 D7 Bm E A7 D7 G D7

(G G6 G7 G6)
Ahh, deixa comigo!

           G   D7         G   E                               
Eu sei que tenho muitas garotas
A7     D7            G
Todas gamadinhas por mim
  G7   C7
E todo dia é uma agonia
                                D7/A
Não posso mais andar na rua é o fim...

         G  D7         G    E
Eu era neném não tinha talco
  A7        D7         G        D
Mamãe passou açúcar em mim...

             G    D7        G     E
Sei de muito broto que anda louco
    A7      D7        G
Pra dar uma bitoca em mim
  G7    C7
E na verdade na minha idade
                            D7/A
Eu nunca vi ter tanto broto assim...

         G  D7         G    E
Eu era neném não tinha talco
  A7        D7         G        
Mamãe passou açúcar em mim...

(C7 D7  Bm E A7 D7 G G7 
C7 D7 Bm E A7 D7 G D7)
Lá Lá Lá Lá Lalalalalá!
Lá Lá Lá Lá Lalalalalá!
Lá Lá Lá Lá Lalalalalá!

Wilson Simonal


Wilson Simonal (Wilson Simonal de Castro), cantor, nasceu em 26 de fevereiro de 1939 no Rio de Janeiro. Descobriu sua vocação artística enquanto prestava o serviço militar obrigatório.

Como muito dos grandes artistas, começou a carreira nos palcos de bares e boates da noite carioca, cantando rock, predominantemente em inglês. Foi o compositor e produtor Carlos Imperial que o descobriu e o levou ao seu programa de televisão, além de ajudá-lo a gravar seu disco de estréia, lançado em 1963, com um forte acento bossanovista.

Em pouco tempo Simonal se tornaria um dos principais artistas da época, emplacando inúmeros hits, como Meu limão, meu limoeiro, Mamãe passou açúcar em mim, Vesti azul e Sá Marina.

Até hoje não provada, Simonal recebeu a acusação de ter relações com o regime militar e ter, inclusive, denunciado colegas de profissão, fato que atrapalhou bastante sua carreira.

Por conta da fama de “traidor”, foi esquecido durante as décadas de 80 e 90, até ser relembrado com a coletânea “A Bossa de Wilson Simonal”. Morreu em junho de 2000.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; MusicalMPB - Wilson Simonal.