Riellinho (Osvaldo Rielli), compositor e instrumentista, nasceu em São Paulo, SP, em 18/5/1917. Filho de José Rielli e irmão do maestro Emílio Rielli, desde menino estudou música e piano com o pai e depois com o irmão, aperfeiçoando-se em conservatório.
Aos 12 anos já se apresentava como acordeonista, pianista e organista na Congregação Mariana do Pari, em São Paulo. Iniciou-se como profissional em 1935, na Rádio Educadora Paulista, participando de seu conjunto regional e também da Orquestra Típica del Plata, tocando bandônio.
Em 1937 foi bandonista da Orquestra Típica Rielli, na Rádio Piratininga, e no ano seguinte na Rádio Cruzeiro do Sul, ao lado do pai, formando um dueto de acordeão. Passou depois a atuar na Rádio Tupi, no programa de Genésio Arruda. Na Rádio Bandeirantes, em 1939, foi contratado para apresentar o programa sertanejo Brasil Caboclo, ao lado de Capitão Barduíno, entre outros.
Estreou em disco na Columbia, em 1943, com o rasqueado "Mato Grosso" (com Nhô Pai) e a valsa "Ruth" (José Gueli). Em 1945 gravou na Continental o choro "Papagaio no galinheiro", a valsa "Andorinhas de Campinas" e "Araponga" (todas de sua autoria).
Na Victor, gravou, em 1946, como solista, a valsa "Sob o luar do Rio de Janeiro" (de sua autoria) e a rancheira "Casamento da Rosinha" (com Raul Torres). Excursionou com Nhô Pai, Nhô Fio e Rondinelli pelo interior de São Paulo e Mato Grosso, fazendo sucesso com o rasqueado "Casinha de carandá" (com as Irmãs Correia), "Araponga" e a polca "Cidade morena" (com Nhô Pai). Fez parte do quarteto sertanejo das Emissoras Associadas, de São Paulo, juntamente com Nhô Pai, Laureano e Mariano. Na Rádio Cruzeiro do Sul, formou o Trio Sertanejo, com Serrinha e Mariano, sendo este último mais tarde substituído por Caboclinho.
Em 1954, Caboclinho e Serrinha gravaram na Continental o tango brejeiro "Abandonado" (com Serrinha). Com a morte de Caboclinho, Zé do Rancho entrou em seu lugar, e o trio passou para a Rádio Tupi, atuando na novela sertaneja "Rosinha do sertão". Aposentando-se Serrinha, entrou para o trio Mariazinha Vieira. O novo trio gravou vários sucessos como: a toada "Meu cantinho de amor" (com Zé do Rancho) e a moda gaúcha "Querência querida" (com Mariazinha).
Em 1956 participou no filme "O sobrado", de Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes.
Tem inúmeras composições gravadas, entre as quais: "Tempo de infância", valsa (1949), gravada por Mariano e Cobrinha, na Continental; "Macaco na brasa", chorinho (1951), gravado por ele na Continental; "Flor serrana", rancheira, de parceria com Juvenal Fernandes; "Larga a brasa", arrasta-pé; "Lindóia querida", marcha-rancho, de parceria com Bernardino Pereira Filho.
Viajou pela Europa, Estados Unidos, Oriente Médio e Argentina, onde atuou no Tabaris, ao lado de grandes bandonistas. Atuou também em emissoras de rádio na Bolívia e Paraguai. Foi diretor da academia de acordeão Riellinho Studius, em São Paulo. Abandonou a carreira musical em 1985.
Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977. 3p; Revivendo Músicas.
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terça-feira, agosto 21, 2012
domingo, janeiro 20, 2008
Mula baia
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| Raul Torres |
Fazenda Belo Horizonte / Uma tropa ali chegou
Que vinha do Indaiá / Ali a tropa pousou
Nego Plácido viu a tropa / Da mula baia gostou
Criola de São Junqueira / Fechou negócio e comprou
E foi nessa hora mesmo / Nego Plácido falou
Pregue o sêlo no recibo / O dinheiro ele puchou
Botou a besta no pasto / Êle mesmo que amansou
E no fim de quinze dias/ Na cidade ele passeou
Levou a besta na cidade / Foi ferrar lá no ferreiro
Lá na cidade de Franca / O povo ficou banzê
De vêr a marcha da besta / Pisando muito ligeira
Batia a ferragem nas pedras / Parecia fogo de isqueiro
No lugar que ele passava/ Causava adimiração/ Nego Plácido montado
Parecia o Napoleão/ No pescoço lenço branco/ Bombacha de gorgurão
Era de marcha trotada/ Ferradura de rompão
Lá na cidade de Franca/ êle é um grande fazendeiro/ Tem fazenda com invernada
Ele é um grande boiadeiro/ No estado de Goiás/ No Triângulo Mineiro
Prá comprar treis mil cabeça/ Ele tem muito dinheiro
Na barranca do Rio Grande/ Uma boiada chegou/ Tinha quase mil cabeça
Nego Plácido comprou/ No fazer a travessia/ A correnteza levou
No meio daquele rio/ A boiada esparramou
O nego vendo o perigo/ Co'a mula baia gritou/ Atirou a baia n'água
E o laço na mão levou/ Mesmo no meio do rio/ Muitos bois ele laçou
No lombo da mula baia/ A sua boiada ele salvou.
Do lado que o vento vai
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| Raul Torres |
Adeus, morena! Eu vou
Do lado que o vento vai
Amanhã, muito cedinho,
Peço a bênção dos meus pais.
Me fizeram judiação,
É coisa que não se faz!
Adeus, morena! Eu vou,
Adeus, eu vou pro sertão de Goiás!
Na passagem da porteira
Quem achar um lenço é meu,
Que caiu da algibeira
No pulo que o macho deu.
Quando de ti me afastei,
No Riacho da Alegria,
Tanto os meus olhos choravam,
Como o riacho corria...
Boiada cuiabana
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| Raul Torres |
Vou contar a minha vida
Do tempo que eu era moço
Duma viagem que eu fiz
Lá no sertão do Mato Grosso
Fui buscar uma boiada
Isto foi no mês de agosto.
Meu patrão foi embarcado
Na linha Sorocabana
Capitais da comitiva
Era o Juca Flor da Grama
Foi tratado pra trazer
Uma boiada cuiabana.
Eu sai de Lambary
Na minha besta Ruana
Só depois de 30 dias
Que cheguei em Aquidauana
Lá fiquei enamorado
Duma malvada baiana.
No baio foi João Negrão
No tordilho Severino
Zé Garcia no Alazão
No Pampa foi Catarino
A madrinha e o cargueiro
Quem puxava era um menino.
Na volta de Campo Grande
No cassino foi entrando
Uma linda paraguaia
Na mesa estava jogando
Botei a mão na gibeira
Dinheiro estava sobrando.
Ela mandou me dizer
Pra mim que fosse chegando
Eu virei e disse pra ela
Vai bebendo eu vou pagando
Eu joguei nove partida
Meu dinheiro foi andando.
De Campo Grande parti
Com a boiada cuiabana
Meu amor veio na anca
Da minha besta Ruana
Hoje eu tenho quem me alegre
Na minha velha choupana.
Cigana
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| Raul Torres |
A
Um dia uma cigana leu a minha mão -------
F#m dedilhado
Falou que o destino do meu coração -------
D A E
Daria muitas voltas, mas ia encontrar você
A
Eu confesso que na hora duvidei
F#m
Lembrei de quantas vezes eu acreditei
D A
Mas não dava certo, não era pra acontecer
F#m C#m
Foi só você chegar, pra me convencer
D A Ab
Estava escrito nas estrelas, que eu ia te conhecer
F#m C#m
Foi só você me olhar, que eu me apaixonei
D Bm
Valeu a pena esperar, esse é o grande amor,
E
Que eu sempre sonhei
A F#m
Vou te amar, pra sempre vou te amar
D A E
Quero seu carinho, sua boca pra beijar
A F#m
Vou te amar, pra sempre vou te amar
D A
Tudo que eu preciso, só você pode me dar
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Serrinha
Serrinha (Antenor Serra), cantor e compositor, nasceu em Botucatu SP no dia 26 de Junho de 1917, e faleceu em 19 de Agosto de 1978. Aprendeu a tocar viola com Lopinho, famoso violeiro da região. Aos 15 anos já fazia serenatas e animava as festas de seu bairro. Em 1935 foi trabalhar na antiga estrada de ferro sorocabana.
Transferiu-se para São Paulo SP a pedido de seu tio, que também trabalhava na estrada de ferro, mas que se apresentava em rádios e shows. Aí se hospedou em uma das pensões no bairro de Santa Cecília, tendo como companheiro de quarto Marino Rabelo, o Caboclinho com quem formaria dupla. Tempos depois começou cantando emboladas na Rádio Cosmos, fazendo a segunda voz para Raul Torres.
No final dos anos de 1930, antes de formar definitivamente a dupla gravou ao lado de Caboclinho uma primeira música, Cavalo Zaino. Em 1937 lançou pela Odeon em parceria de Nhá Zefa as músicas A coisa mió do mundo e Coração dos meus penares ambas de sua autoria. No mesmo ano em dupla com Raul Torres gravou na Victor a moda de viola Cigana e em seguida Boiada cuiabana que se transformou em grande sucesso da dupla Tonico e Tinoco.
Ainda em 1937 formou um trio com Raul Torres e Caboclinho exclusivamente para fazer a primeira gravação de Saudades de Matão (Francana). Em 1938 a dupla foi contratada pela Rádio Record de São Paulo, lançando em disco no ano seguinte, as toadas Do lado que o vento vai e Meu cavalo zaino.
Em seguida formou o conjunto sertanejo Torres, Serrinha e Rieli, que atuou por cinco anos na Rádio Record e lançou inúmeras canções, entre as quais Chora morena, chora, Caboclo magoado, Caipira namorador, Zé turuna e Mula baia, todas pela RCA Victor. Na mesma época, na Odeon, gravou com Raul Torres Mourão de porteira, Campo Grande, Sexta – feira 13 e O rei mandou me chamar, entre outras.
Em 1943 fizeram na Continental as últimas gravações como dupla: A Copa do mundo, Meus padecimentos, Moda do viaduto e Quero vê . . . quero oiá todas de sua autoria. Nesse mesmo ano rompeu parceria com Raul Torres e formou dupla com Marino Rabelo, a dupla Serrinha e Caboclinho. A dupla se consagrou logo de início, obtendo o primeiro lugar no programa A hora da peneira na rádio Excelsior. Com o prêmio gravou um disco na RCA – Victor do Rio de Janeiro.
Depois a dupla passou a se apresentar acompanhada do acordeonista Riellinho, ganhando o apelido de “O trio mais querido do Brasil”. Entre 1944 e 1961 , a dupla apresentou um programa na Rádio Tupi. Um dos maiores sucessos da dupla foi Bom Jesus de Pirapora.
Em 1954 Serrinha e Caboclinho gravaram na Continental o tango brejeiro Abandonado. Ainda neste ano, com a morte prematura de Caboclinho, Serrinha e Riellinho passaram a se apresentar com o Zé do Rancho, até Serrinha se aposentar em 1968.
Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.
terça-feira, setembro 19, 2006
João Pacífico
João Pacífico (João Batista da Silva), compositor, nasceu em 05/08/1909 em Cordeirópolis, SP, e faleceu em 30/12/1998, em Guararema, SP. Sua vida no campo foi curta, mudando-se para a cidade com sete anos de
idade. Começou a revelar talento artístico já em criança, quando era
comum vê-lo declamar poesias timidamente e cantar algumas músicas para
os colegas e professores.
Filho de uma ex-escrava, viveu parte de sua adolescência na casa de Ana Gomes, irmã do maestro Carlos Gomes. Mais tarde declarou: "Eu ouvia muita música erudita, mas gostava mesmo era da música popular". Começou ainda menino, em Limeira (SP), a tocar bateria em uma orquestra que se apresentava no cinema local.
Mudou-se para Campinas (SP), em 1919, e escreveu em homenagem àquela cidade o poema "Cidade de Campinas", musicado mais tarde por Raul Torres, para a gravação de Torres e Serrinha pela RCA Victor em 1937.
Em 1923, João Pacífico tocou bateria na Orquestra Sinfônica de Campinas. Trabalhou como ajudante de lavador de pratos nos vagões-restaurante da Cia Paulista de Estradas de Ferro, sendo descoberto pelo poeta Guilherme de Almeida, aos 13 anos, quando entregou ao poeta algumas de suas composições.
Uma história
Filho de uma ex-escrava, viveu parte de sua adolescência na casa de Ana Gomes, irmã do maestro Carlos Gomes. Mais tarde declarou: "Eu ouvia muita música erudita, mas gostava mesmo era da música popular". Começou ainda menino, em Limeira (SP), a tocar bateria em uma orquestra que se apresentava no cinema local.
Mudou-se para Campinas (SP), em 1919, e escreveu em homenagem àquela cidade o poema "Cidade de Campinas", musicado mais tarde por Raul Torres, para a gravação de Torres e Serrinha pela RCA Victor em 1937.
Em 1923, João Pacífico tocou bateria na Orquestra Sinfônica de Campinas. Trabalhou como ajudante de lavador de pratos nos vagões-restaurante da Cia Paulista de Estradas de Ferro, sendo descoberto pelo poeta Guilherme de Almeida, aos 13 anos, quando entregou ao poeta algumas de suas composições.
Uma história
Desde 1923 um grupo de oficiais e alguns civis conspiravam contra o governo de Artur Bernardes. Embora estendida por todo o país, a conspiração concentrava-se em São Paulo e era liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, pelo major Miguel Costa, além de João Cabanas e Joaquim Távora, contando com o apoio da Força Pública Estadual.
Na madrugada de 5 de julho de 1924, São Paulo caiu nas mãos dos revoltosos. Três dias depois, o Presidente do Estado de São Paulo, Carlos de Campos, entregou a cidade ao comando revolucionário.
Tomado de surpresa, o governo federal mobilizou suas forças (14 mil legalistas contra 3.500 revoltosos) e bombardeou a cidade às cegas, atingindo residências particulares e civis assustados.
Tomado de surpresa, o governo federal mobilizou suas forças (14 mil legalistas contra 3.500 revoltosos) e bombardeou a cidade às cegas, atingindo residências particulares e civis assustados.
Foi nesse clima, em plena revolução paulista de 1924 que um sujeito chamado João Pacífico, então funcionário da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, desembarcou na cidade de São Paulo.
Naquela época, esse neto de escravos que havia nascido numa fazenda perto de Cordeirópolis, cursado o grupo escolar em Limeira, jamais pensaria um dia virar cidadão paulistano, receber discos de ouro e compôr mais de 1.200 músicas, além de ser um dos maiores compositores da música sertaneja do Brasil. Pois a revolução de 1924, já é coisa do passado.
Entretanto, o início da profissionalização de João Pacífico, só iria ocorrer 10 anos depois, em 1934, quando começa a trabalhar na Rádio Cruzeiro do Sul, "que não tinha programa de auditório, mas tinha um dos mais competentes estúdios do país".
Seu ingresso na rádio foi resultado de um encontro entre o futuro compositor e o príncipe dos poetas, Guilherme de Almeida no carro-restaurante de um dos trens da Paulista: "Eu declamei uma poesia minha para ele, que gostou e me deu um cartão para eu me apresentar na Cruzeiro do Sul. Na rádio, Guilherme me apresentou ao Raul Torres. Então começou a minha vida sertaneja."
Pacífico hoje é um bem sucedido moleque (no sentido carinhoso do termo), de 74 anos, morando numa gostosa casa em São Paulo. Ao lembrar do começo de sua carreira, dá uma sonora gargalhada e fala que quando veio para São Paulo em 1924 continuou o trabalho na Companhia Paulista e depois foi trabalhar na Sociedade Harmonia de Tênis, "eu fui prá lá indicado por um amigo, e fiquei por onze anos, pois a rádio era só bico. Só sai do Harmonia porque um dos diretores do clube que também era diretor do Banco Ítalo-Belga me levou para trabalhar com ele. No banco eu fiquei 38 anos, até me aposentar. Aliás, tenho duas aposentadorias: bancário e compositor. Uma com 38 anos de trabalho e outra com 45".
Voltando a falar de sua "vida sertaneja", João Pacífico conta que sua primeira música gravada foi uma embolada. Isso porque na época – no final da década de 1920 – quem começasse tinha que começar mesmo com embolada, pois era o que as gravadoras queriam lançar. A embolada foi gravada por Raul Torres e Aurora Miranda, saiu pelo selo Odeon, e foi feita em homenagem a um amigo de Pacífico que morava em Campinas.
Foi assim que Seu João Nogueira virou nome de música com o seguinte estribilho: "Seu João Nogueira/ O que é essa mariquinha / eu vou soltar meu galo / prá prender a sua galinha". "Mas depois de falar em galo e galinha", diz, "eu passei para o romance, para a tragédia. A primeira música minha que ficou realmente conhecida foi Chico Mulato (Na volta daquela estrada/ bem em frente de uma encruzilhada/ todo ano a gente via/ lá no meio do terreiro/ a imagem do padroeiro/ São João da Freguesia/ do lado tinha a fogueira/ e ao redor, a noite inteira/ tinha caboclo violeiro/ tinha a tal de Terezinha/ cabocla bem bonitinha, sambava neste terreiro...).
Com essa música, eu comecei aquelas histórias de declamar e depois cantar, pois minhas letras dão sempre metro e meio de verso e os intérpretes tinham dificuldades em colocar isso tudo num 78 RPM".
João Pacífico conta que uma vez Mister Evans, chairman da Colúmbia no Brasil, mandou cortar um pouco a orquestração, apertar um pouquinho, imprimir um pouco mais depressa, enfim, mandou dar um jeito para que a música coubesse todinha em um lado do 78 RPM, mas "o interessante é que ele gostou, e mandou me avisar que quando fizesse outras músicas, fizesse daquele jeito de – e capricha no sotaque – falar e cantar. Segui o conselho e logo em seguida não só fiz com o proseado e canto, mas fiz a minha primeira vítima em música: matei a personagem."
A música é a hoje clássica Cabocla Tereza, gravada em 1936. A primeira gravação de Cabocla Tereza foi feita pelo Raul Torres (proseado) e Florêncio (parte cantada), é até hoje ainda gravada. Sem dúvida alguma, é uma das composições mais conhecidas de Pacífico. A história de um sujeito que, enciumado, possessivo, acaba matando a amada porque ela "felicidade não quis". Esta é uma das músicas mais conhecidas do cancioneiro nacional.
Composta cerca de quatro anos antes da data de gravação, Cabocla Tereza se encaixa perfeitamente na argumentação que João Pacífico dá à aceitação das suas músicas. Para ele, o caboclo gosta de história completa, gosta de música que tem começo, meio e fim, gosta dessa coisa de folhetim, de história como se fosse notícia de jornal.
"O caboclo é muito simples nisso, ele gosta muito que uma música conte uma história, uma história com a qual ele se identifique. Eu percebi isso quase que sem querer, apenas sentindo a aceitação do público pela minha música", conta Pacífico.
Existe um questão que intriga o compositor com relação a esta música: "Olha, quase todas as duplas do país já gravaram músicas minhas e, ainda hoje, chega gente aqui em casa e fala: "Seu João, a gente queria gravar Cabocla Tereza", e eu respondo: mas a Cabocla Tereza já tá velha, já teve enfarte. Tem tanta coisa nova por ai, mas não, eles insistem e eu tenho que deixar."
Velha, enfartada ou não, o fato é que esta música virou roteiro e depois filme. Filme que deu chances para que João Pacífico pudesse utilizar suas qualidades de compositor num trabalho, para ele, até então inédito, aliás, dois: trabalhar sob encomenda e fazer uma trilha para cinema.
Para isso o compositor assistiu ao copião e depois sentou – era um início de noite – numa austera mesa de jacarandá que existe em sua sala de visitas. Quando começou a amanhecer o dia, o trabalho estava feito: cada trecho – para ele - importante do filme tinha uma música que se encaixava com o clima. Pacífico aproveita a deixa do filme e reclama que a Chantecler, gravadora que lançou o disco, só lhe deu um que foi devidamente roubado.
Depois de Cabocla Tereza, o grande sucesso de João Pacífico foi com a música Pingo d'água, composta em 1944 na cidade paulista de Barretos, "numa época em que o sertão paulista estava amargando uma seca de sete meses, o gado já definhando e boa parte dele estava até morrendo.
Safra de café então – faz um gesto largo –, nem pensar mais. Mas o pior é que – e disso eu me lembro bem – o disco saiu no dia 5 de agosto de 1944. No mesmo dia, eu cantei a música no Programa Minerva da rádio Record que, na época era um colosso. Uma semana depois, choveu até dizer chega. Quase que viro milagreiro".
João aproveita o mote das chuvas e lembra que em 1960 fez uma música sobre a seca do nordeste, "mas logo em seguida foi um tal de chover tanto que chegou até a morrer gente. O Orós no Ceará, encheu, deu aqueles problemas todos, e felizmente a gravadora que ia lançar a música, a RCA, segurou o disco. Só agora em outubro de 1993 é que eu voltei a cantar a música no programa Som Brasil do Rolando Boldrin".
Mas Pingo d’água também foi um sucesso e, contrariando a regra do compositor, ela não tinha proseado: - "Eu fiz promessa/ prá que Deus mandasse chuva/ que molhasse a minha roça/ e vingasse a plantação...".
Falando sobre sua temática sertaneja, João Pacífico, sem grandes artifícios justifica-se – "afinal é mais fácil falar vançeis do que vocês, concorda?" – e, em seguida, diz que naturalmente influiu muito o fato de ter nascido em fazenda em pleno sertão paulista e as imagens da fazenda que ele guardou. Lembra ainda da figura de sua mãe que lhe contava e cantava muitas coisas, "e isso entrou em mim de um jeito muito forte e ficou, pois, escrever sobre sertão ou sobre fazenda hoje em dia e aqui no asfalto, não é muito fácil não.
Claro que de vez em quando eu faço alguma poesia diferente, mas a minha temática mesmo é a sertaneja. Eu gosto disso, pois as letras tem enredo, contam histórias, não tem aquilo que hoje em dia é normal e muito usado, que é um tal de põe ela na cama, tira versos, eu não gosto disso não".
Outra coisa peculiar dentro desta temática toda é o "processo de parto" de uma música: às vezes João tem o título, e sai o verso melódico junto com o poema, então "é só perseguir que vai saindo tudo junto, música e letra", diz. Naturalmente que o compositor depois burila, lapida, e sempre, conforme ele gosta de frisar, "sai metro e meio de verso", mas claro que tem sempre uma exceção. Pacífico fez a sua menor letra, que para ele conta toda sua vida. Esta menor letra tem "dois versinhos" e se chama Fiozinho d’água.
Cenas, fotos e lembranças são a matéria-prima que o poeta retira para o seu trabalho. Isso tudo em um movimento ininterrupto. Aquilo que aos olhos normais passa desapercebido, para o poeta adquire métrica, ritmo e melodia. Um exemplo disso é o poema/música chamado Goteira.
João conta que um dia estava sozinho em casa e chovia. No fundo do quintal, uma calha jogava água sobre uma lata abandonada. Foi o suficiente para nascer esta composição: - Aquela noite chovia que Deus dava/ aquela chuva que varou a noite a noite inteira/ no meu telhado uma telha se quebrava/ pre’u ouvir a sinfonia da goteira/ e uma lata enferrujada, coitadinha/ tão esquecida lá num canto onde eu dormia/ talvez a chuva vendo a pobre tão sozinha/ veio alentar/ cantando aquela melodia/ Veja seu moço/ eu também passei por isso/ fiquei igual aquela lata esquecida/ com a tristeza/ assumi um compromisso/ depois senti que a solidão/ não era vida/ e então pedi a Deus que me ajudasse/ e que voltasse minha doce companheira/ e no meu rancho outra telha se quebrasse/ pois tive inveja/ do carinho da goteira.
Embora defenda com unhas e dentes os valores da temática com que vem trabalhando há 53 anos, João não é sectário e muito menos revanchista, quer sobre novas tendências existentes dentro do mesmo filão que faz parte, quer sobre outras tendências musicais.
Sobre as novas tendências musicais dentro da música sertaneja, Pacífico vê até com certa satisfação as novas correntes, "pois vejo evolução, inclusive no que diz respeito à orquestração e instrumentação utilizadas nas músicas; vejo também que existe cada vez mais interesse dos jovens pela música sertaneja, bem como uma aceitação cada vez maior em todos os setores por esta mesma música.
Veja o meu caso por exemplo, hoje a minha música chegou até no salões quando eu faço shows em faculdades, os alunos conhecem a minha música. Agora eu só tenho medo – ressalta – que tanto ânimo assim acabe machucando a melodia, não que fique feio, mas é que descaracteriza. Tanto é que eu nunca fiz nada para o Milionário e José Rico. Agora Tonico e Tinoco, por exemplo, já gravaram quase todo o meu repertório".
Sobre outras tendências musicais Pacífico diz que quando surgiram ritmos como o charleston e o twist "eu ficava debaixo da ponte. Quando a moda passava, eu saía debaixo da ponte e fazia uma toada. O mesmo aconteceu com outros ritmos, mas, nestes períodos de hibernação, eu sempre continuei compondo, daí quando o pessoal cansa destes modismos todos, eu surjo e avanço".
Assim é esse homem, contador de belas histórias, apreciador de uma boa cachaça de alambique – tem um tonel invejável em sua sala de visitas – e poeta que conta as coisas de um modo simples e verdadeiramente belo, para um povo também simples, mas que nunca deve ser subestimado, construiu sua vida.
Sem segredos, este é o melhor lema para um molecão que está em sua melhor forma hoje, aos 74 anos, e cada vez mais com coisas belas para contar e cantar.
(Extraído de Jangada Brasil - Defesa da Cultura Nacional, nº 3, 1984, não constando o nome do autor da matéria).
"Se um dia vocês virem as folhas amarelas, não reparem, foi a saudade quem pintou" (João Pacífico, 05/08/1909-30/12/1998).
Algumas músicas
Fontes: Jangada Brasil de fevereiro de 1999; Dicionário da MPB.
domingo, abril 09, 2006
Raul Torres
Raul Montes Torres, cantor e compositor, nasceu em Botucatu SP (11/7/1906) e faleceu em São Paulo SP (12/7/1970). Filho de espanhóis, nasceu e foi criado na cidade paulista de Botucatu, onde participava de pagodes e quermesses com amigos, cantando modas-de-viola.
Para ingressar profissionalmente na vida artística, foi para São Paulo, arranjando de início emprego de cocheiro, com ponto no Jardim da Luz, mas cantava sempre que surgisse oportunidade, em cabarés, circos, teatros e bares. Ouvindo os sucessos da época, como Augusto Calheiros, Turunas da Mauricéia e Jararaca e Ratinho, mudou o estilo de cantar, adotando o gênero nordestino, principalmente as emboladas, que faziam grande sucesso.
Em 1927 entrou para a Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), que pela primeira vez reunia um elenco popular, em que figuravam Paraguaçu, Pilé, o violonista Canhoto e Arnaldo Pescuma, entre outros. No ano seguinte, com a inauguração da Rádio Cruzeiro do Sul (depois Piratininga), foi convidado a atuar no seu elenco, ao lado de Paraguaçu e Arnaldo Pescuma.
Em 1927 gravou seu primeiro disco no selo Brasilphone, de São Paulo, com a embolada Segura o coco, Maria e o samba Verde e amarelo, ambos de sua autoria. Na Columbia lançou, de sua autoria, Olha o rojão, além de Mauricéia (A. Portela e Marabá), com o Regional do Canhoto, Belezas de minha terra (com José Val) e O que tem o cotia e A festa do sapo (ambas de sua autoria). Nessa gravadora, em 1930 e 1931, na série caipira de Cornélio Pires, gravou com o pseudônimo de Bico Doce, acompanhado de Sua Gente do Norte, Galo sem crista, de sua autoria, e mais três composições.
No mesmo período, gravou também na Parlophon, com o nome de Raul Torres e os Turunas Paulistas, no gênero moda-de-viola, várias de suas composições, entre as quais Rola rolinha (com Atílio Grany), Oi Juvená, Caipira no mercado (com Atílio Grany e Arnaldo Pescuma), e o grande sucesso Olhos de morena, com acompanhamento do conjunto Os Chorões. Além dessas, a consagrada embolada Jacaré no caminhão, Saudade de Rio Pardo, interpretada em dupla com Azulão (Artur Santana), também apresentada na cena cômica de Genésio Arruda Uma festa no arraial. Destacaram-se ainda interpretações suas como o cateretê Não zanga comigo não (Nair Mesquita), gravado em dupla com a autora, pela Columbia, que passou a Continental posteriormente.
Em 1933 gravou pela Odeon Sereno cai, toada, com coro de Francisco Alves, Castro Barbosa, Moreira da Silva, Jaime Vogeler e Jonjoca, e a embolada Pisei no rabo do tatu. Lançou ainda a embolada Sururu no galinheiro e o jongo A morte de um cantador (ambas de sua autoria), interpretadas em dueto com Nestor Amaral. No mesmo ano conheceu João Pacífico, com quem formou dupla vocal, gravando, na Odeon, acompanhado pelo seu conjunto Embaixada, a embolada Seu João Nogueira, de autoria da dupla. Com a Embaixada lançou ainda Balança os cacho, sinhá, embolada do compositor e caricaturista cearense Manuel Queirós, e o clássico da música sertaneja Mestre carreiro (de sua autoria). Depois, formou um duo com seu velho amigo, de Botucatu, Joaquim Vermelho, com quem gravou na Odeon as modas-de-viola A codorninha e Sistema americano, composições da nova dupla, e Caninha verde (com Luís Machado). Com Florêncio, lançou em disco Apelido dos jogadores (com Palmeira).
Em 1935 gravou na Columbia a marchinha Dona Boa (Adoniran Barbosa e J. Aimberê) e, na Odeon, sua composição A cuíca tá roncando, batucada, sucesso no Carnaval carioca desse ano e premiada em Portugal. Transferiu-se em 1937 para a Victor, na qual, em dupla com seu sobrinho Antenor Serra, o Serrinha, gravou Cigana, moda-de-viola de sua autoria, com João Pacífico, a toada Chico Mineiro (Tonico e Tinoco e Francisco Ribeiro) e a moda-de-viola Adeus campina da serra (com Cornélio Pires). Depois, novamente em dupla com Serrinha, lançou a moda-de-viola Boiada cuiabana (de sua autoria), que se transformou em grande sucesso da dupla Tonico e Tinoco. Gravou ainda a famosa valsa Saudades de Matão (com Jorge Galati e Antenógenes Silva), em que formou trio com Serrinha e Mariano.
Em 1938, em dupla com Serrinha, gravou sua composição Balanceiro da usina, embolada, sendo, no mesmo ano, contratado pela Rádio Record de São Paulo. No ano seguinte, a dupla lançou em disco as toadas Do lado que o vento vai e Meu cavalo zaino, (ambas de sua autoria).
Em 1940, com João Pacífico, gravou Cabocla Tereza, Minas Gerais, toada, e A mulher e o trem, moda-de-viola, todas de autoria da dupla, o cateretê de sua autoria Trem de ferro, e a marcha Tem boi na linha (com Rui Martins). No ano seguinte, com Serrinha, lançou sua composição Mingirinha, de grande sucesso, e, em 1942 na Odeon, suas composições Mourão de porteira (com João Pacífico), grande sucesso, Campo Grande, Mulambaia, Conceição (com Aparício Cerqueira), Sexta-feira 13 (com Capitão Furtado), O rei mandou me chamar (autoria da dupla), Cadê minha morena (com João Pacífico) e Vamos pra São Manuel, entre outras. No ano seguinte, foram feitas na Continental as últimas gravações da dupla Raul Torres e Serrinha, como A Copa do Mundo, Meus padecimentos, Moda do viaduto e Quero vê... quero oiá (todas de sua autoria).
Depois de separados, tio e sobrinho ainda vieram a gravar as composições de sua autoria Cheguei na casa da véia, Eu fui passiá em São Paulo e Quando eu cantei no rádio. Formou então nova dupla, com João Batista Pinto, o Florêncio (Barretos SP 1910-), com quem já havia gravado dez anos antes, lançando em disco, em 1944, Pingo d'água e depois A moda da mula preta, clássicos da música sertaneja (ambas com João Pacífico).
A partir de 1945 fez poucas gravações, como Feijão queimado (com José Rielli), arrasta-pé de grande sucesso, principalmente nas festas caipiras, e posteriormente Enquanto a estrela brilhar (com João Pacífico).
Deixou em 78 rotações cerca de 204 discos com 398 gravações. Passou a dedicar-se mais ao rádio e fez na Rádio Record, de São Paulo, o programa Os Três Batutas do Sertão, formando o trio de mesmo nome inicialmente com Florêncio e José Rielli, e a partir de 1947, com Florêncio e Rielli Filho (Emílio Rielli).
Sua consagrada composição Mestre carreiro foi interpretada no filme Sertão em festa (Osvaldo de Oliveira, 1970), por Tião Carreiro e Pardinho. Em 1970, gravou com Os Três Batutas do Sertão, pela gravadora Vitória, o LP O maior patrimônio da música sertaneja, vindo a falecer alguns dias depois.
Algumas músicas
Veja também:
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
terça-feira, março 21, 2006
Saudades de Matão
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| Raul Torres |
Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais.
Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.
Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.
O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana.
Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.
Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres - Interpretação: Carlos Galhardo
Disco 78 rpm / Título da música: Saudade de Matão / Jorge Galati (Compositor) / Raul Torres (Compositor) / Carlos Galhardo (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 34732-a / Nº da Matriz: 52127 / Gravação: 14/Fevereiro/1941 / Lançamento: Abril/1941 / Gênero musical: Valsa
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Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
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Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
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Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
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Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
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Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
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E na terra, todos cantam
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Eu lamento minha desventura nesta grande dor
C---- G7------- C------------------------ G7
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
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Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
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Vou partir prá bem longe daqui
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Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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