sexta-feira, setembro 14, 2007

Se for pra medir saudade

Se for pra medir saudade - Luiz Carlos Paraná

Se for pra medir saudade, eu ganho
Pois nunca se viu saudade
Deste tamanho

Não ponha sua saudade perto da minha
Pois ela não é nenhuma saudadezinha
Nem venha você querendo
Livrar-me dela
Pois eu já não saberia
Viver sem ela
Saudade é um privilégio de quem conhece
Aquela felicidade que não se esquece
Embora já muitas vezes tenha chorado
Não sou dos que se arrependem de ter amado

De amor ou paz

L. C. Paraná
De amor ou paz - Luiz Carlos Paraná e Adauto Santos
   Cm      G7        Cm
Já que se tem que sofrer
C7        Fm  Am
Seja dor só de amor
D7
Já que se tem de morrer
Dm5-/7    G7
Seja mais por amor
Cm            D7
Quem anda atrás de amor e paz
Fm
Não anda bem
Bb7
Porque na vida o que tem paz
D#
Amor não tem
Cm              Cm/Bb
Seja o que for, sou mais do amor
Dm5-/7 Fm
Com paz ou sem
Dm5-/7          G7
Sei que é demais querer-se paz
Cm
E amor também

Vou sempre amar
C7            Fm
Não vou levar a vida em vão
Bb7          D#
Não hei de ver envelhecer meu coração
G#                     Dm5-/7
Vou sempre ter em vez de paz inquietação
G7
Houvesse paz
Cm
Não haveria esta canção

Canoa vazia

Canoa vazia - Luiz Carlos Paraná

Rio acima, canoa subiu
Rio abaixo, canoa desceu
Rio acima subiu com seu dono
Desceu no abandono e desapareceu

Zé do Fole tocava sanfona
Seu moço, s'a dona que nem ele só
Té que um dia gamou por Maria
Chorou noite e dia que inté dava dó
Ele que era no fole um colosso
Seu moço, s'a dona, nunca mais tocou
Deu um dia um adeus à Maria
A canoa vazia, rodando voltou

Rio acima, canoa subiu
Rio abaixo, canoa desceu
Rio acima subiu com seu dono
Desceu no abandono e desapareceu

Eu também pelo rio da vida
Fui duro na lida, fui bom pescador
Mais um peixe eu tentei, foi à toa
Botar na canoa, chamava-se amor
Toda vez que eu pensei ter fisgado
Meu peixe danado, o marvado fugiu
Vivo então água abaixo hoje em dia
A canoa vazia, à vontade do rio

Rio acima, canoa subiu
Rio abaixo, canoa desceu
Rio acima subiu com seu dono
Desceu no abandono e desapareceu

Maria, carnaval e cinzas


Maria, Carnaval e Cinzas (samba, 1967) - Luiz Carlos Paraná - Interpretação: Luiz Carlos Paraná

LP III Festival Da Música Popular Brasileira - Vol. 1 / Título da música: Maria, Carnaval e Cinzas / Luiz Carlos Paraná (Compositor) / Luiz Carlos Paraná (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1967 / Nº Álbum: R 765.014 L / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


E7/9-   Am 
Nasceu Maria, quando a folia 
                          E7 
Perdia a noite, ganhava o dia 
      Dm            E7 
Foi fantasia seu enxoval 
                    Am 
Nasceu Maria no carnaval 
              Dm     G7         C 
E não lhe chamaram assim como tantas 
          Bm5-/7 
Marias de santas 
  E7      Em5-/7 
Marias de flor 
A7      Dm     G7     C 
Seria Maria, Maria somente 
        Bm5-/7     E7      Am 
Maria semente de samba de amor 
          Dm       G7  C 
Não era noite não era dia 
        Dm   G7      C 
Só madrugada só fantasia 
         Bm5-/7 E7   Am 
Só morro samba viva Maria 
           F#m5-/7 B7     Bm5-/7 
Quem sabe a sorte lhe sorriria 
      E7   Dm      G7        C 
E um dia viria de porta-estandarte 
            Bm5-/7    E7   Em5-/7 
Sambando com arte puxando cordões 
       A7    Dm     G7       C 
E em plena folia decerto estaria 
             E7              Am 
Nos olhos e sonhos de mil foliões 
        Am 
Morreu Maria, quando a folia 
                        E7/9- E7 
Na quarta-feira também morria 
          Bm5-/7        E7 
E foi de cinzas seu enxoval 
                   Am 
Viveu apenas um carnaval 
            Dm      G7         C 
Que fosse chamada então como tantas 
           Bm5-/7 
Marias de santas 
  E7      Em5-/7 
Marias de flor 
   A7         Dm     G7     C 
E em vez de Maria, Maria somente 
        Bm5-/7    E7        Am 
Maria semente de samba e de dor 
          Dm      G7   C 
Não era noite não era dia 
          Dm    G7     C 
Somente restos de fantasia 
         Bm5-/7  E7   Am 
Somente cinzas pobre Maria 
         F#m5-/7 B7 Bm5-/7 
Jamais a vida lhe sorriria 
    E7    Dm       G7        C 
E nunca viria de porta-estandarte 
             Bm5-/7 E7       Em5-/7 
Sambando com arte puxando o cordão 
 A7       Dm      G7      C 
E não estaria em plena folia 
              E7             Am 
Nos olhos e sonhos de seus foliões 
         Dm 
E não estaria 
G7         C 
Em plena folia 
F7            E7 
Nos olhos e sonhos 
           Am 
De seus foliões 

Luiz Carlos Paraná

Luiz Carlos Paraná, compositor e cantor, nasceu em Ribeirão Claro PR (15/3/1932) e faleceu em São Paulo SP (03/12/1970). Lavrador até os 19 anos e depois comerciário, aprendeu sozinho a tocar violão. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde morou em pensão em que João Gilberto era seu companheiro de quarto.

Durante a década de 1950 tocava de mesa em mesa nas boates cariocas, recolhendo a féria. Transferindo-se para São Paulo, com a ajuda de amigos, abriu a boate Jogral, a princípio apenas um barzinho de encontro de amigos, onde ele mesmo cantava modas-de-viola e desafios com Paulo Vanzolini.

Como compositor tornou-se mais conhecido ao participar do II FMPB da TV Record, de São Paulo, em 1966, com a música De amor e paz (com Adauto Santos), que, interpretada por Elza Soares, obteve o segundo lugar. No ano seguinte, como cantor, gravou um compacto simples na Fermata, com duas músicas de Paulo Vanzolini, Capoeira do Arnaldo e Napoleão.

No mesmo ano, inscreveu Maria, carnaval e cinzas no III FMPB, que foi defendida por Roberto Carlos e gravada pelo cantor na CBS e por ele próprio na Philips, no LP III Festival de MPB. Na Continental, gravou o Samba do suicídio (Paulo Vanzolini), incluído no LP I Bienal do Samba.

Em 1968 a boate Jogral, até então na Galeria Metrópole, foi transferida para a Rua Avanhandava, onde continuou fazendo carreira na noite, iniciando em São Paulo a moda das casas de samba. Entre outras gravações suas estão, na Mocambo, Canoa vazia e Se for pra medir saudade (de sua autoria).

Realizou ainda a montagem do show musical Jogral 69 ou Os Homens verdes da noite, na sala de arte do T.B.C., de São Paulo. Sua última atividade artística de destaque foi a produção do LP Jogral 70, da RGE.

Algumas cifras e letras

Cafezal em flor
Canoa vazia
Capoeira do Arnaldo
De amor ou paz
Maria, carnaval e cinzas
Se for pra medir saudade

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.