terça-feira, agosto 07, 2007

Clementina de Jesus

Clementina de Jesus, cantora, nasceu no interior do estado do Rio, mudando-se com a família para a capital do estado e radicando-se no bairro de Oswaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, freqüentando desde cedo as rodas de samba da região.

Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho em 1963, que a levou para participar do show "Rosa de Ouro", que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê".

Devota de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando músicas de romaria.Considerada rainha do partido-alto, com seu timbre de voz inconfundível, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?".

Além deste gênero gravou corimás, jongos, cantos de trabalho etc., recuperando a memória da conexão afro-brasileira. Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, registrou o histórico LP "Gente da Antiga" ao lado de Pixinguinha e João da Baiana.

Gravou quatro discos solo (dois com o título "Clementina de Jesus", "Clementina, Cadê Você?" e "Marinheiro Só") e fez diversas participações, como nos discos "Rosa de Ouro", "Cantos de Escravos" e "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, em que interpretou a faixa "Escravos de Jó".

Em 1983 foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Paulinho da Viola, Joao Nogueira, Elizeth Cardoso e outros nomes do samba.

Mama África

Mama África - Chico César
Cm#
Mama África (a minha mãe), é mãe solteira
F#m     B7    G#m 
E tem que fazer mamadeira todo o dia
F#m
Além de trabalhar
G#              C#m
Como empacotadeira nas Casas Bahia.
F#m      B7       E  
Mama África, tem tanto o que fazer
D#m5-/7
Além de cuidar de neném
Ab7/12  C#m 
Além de fazer denguim
D#m5-/7
Filhinho tem que entender
Ab7/12      C#m             Ab7/12
Mama África vai e vem, mas não se afasta de você
F#m                     B7
Quando Mama sai de casa, seus filhos de olodunzam 
E  
Rola o maior jazz  
Db7/9            F#m         B7       C#m
Mama tem calo nos pés, mama precisa de paz.
D#m5-/7
Mama não quer brincar mais
Ab7/12 
Filhinho dá um tempo 
D#m5-/7
É tanto contratempo 
Ab7/12    C#m
No ritmo de vida de mama.

A primeira vista

A primeira vista - Chico César
C                 G/B       Am 
Quando não tinha nada eu quis
F7M 
Quanto tudo era ausência, esperei 
F7+/F# 
Quando tive frio, tremi
G 
Quando tive coragem, liguei 
C              G/B       Am 
Quando chegou carta, abri
F7+ 
Quando ouvi Prince, dancei
F7+/F# 
Quando o olho brilhou, entendi 
G 
Quando criei asas, voei 
C           G/B        Am 
Quando me chamou, eu vim 
F7+ 
Quando dei por mim, estava aqui
F7+/F# 
Quando lhe achei, me perdi
G       G7   C   G/B 
Quando vi você, me apaixonei 
Am 
Amara, dzaia, zoi, ei 
F7+          F7+/F# 
Dzaia, dzaia, ain, in, in, ingá
G 
Num, man an


Chico César

Chico César (Francisco César Gonçalves) nasceu em Catolé do Rocha, PB, em 26 de Janeiro de 1964. Foi criado no sertão, ouvindo cantadores e reisados, e aos nove anos já tinha seu primeiro conjunto, Super-Som Mirim. Trabalhando como vendedor em uma loja de discos de sua cidade, teve oportunidade de ouvir desde Teixeirinha até Rolling Stones.

Ainda adolescente, mudou-se para João Pessoa PB, onde cursou a faculdade de jornalismo. Transferiu-se para São Paulo SP, em 1985, e logo fez amizade com artistas de vanguarda como Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé. Trabalhou como redator da seção de musica da revista Elle e tentou algumas apresentações em bares.

Em 1991 foi convidado para pequena tourneé pela Alemanha, e o sucesso lá fora o animou a deixar o jornalismo para dedicar-se somente a música. Formou a banda Cuscuz Clã e passou a apresentar-se na casa noturna paulistana Blen Blen Club.

Em 1995 lançou seu primeiro disco, o artesanal e independente Aos vivos, depois vendido à gravadora Velas. A Rádio Musical FM começou a tocar Mama África e A primeira vista, canção que logo se tornaria sucesso nacional na interpretação de Daniela Mercury, incluída na trilha sonora da novela 0 rei do gado, da TV Globo.

Em 1996 consagrou-se com o lançamento de Cuscuz Clã (Polygram): ganhou o Prêmio Sharp na categoria revelação e o de melhor compositor pela APCA. Em 1997, depois de tourneé pela Europa e pelo Japão, lançou seu terceiro disco, Beleza, mano, com participações especiais de Dominguinhos, Arnaldo Antunes, Arrigo Barnabé e outros.

Suas composições misturam ritmos brasileiros, como carimbo, folia e forró, com musica pop, do reggae, a salsa e juju music.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha

Quem tem a viola

Boca Livre

Quem tem a viola - Zé Renato, Cláudio Nucci, Juca Filho e Xico Chaves
E            A/B      E        A/B
Quem tem a viola pra se acompanhar
E           A/B       E    A/B
Não vive sozinho, nem pode penar
Em          A        C         D
Tem som de rio numa corda de metal
A  E/G# F#m   B7 [E A/B]
Tem no marco o acorde final
E            A/B      E        A/B
Quem tem a viola pra se acompanhar
E           A/B       E    A/B
Não vive sozinho nem pode penar
Em          A            C        D
Tem tom de roupa quando seca no varal
A   E/G#  F#m B7     [E A/B] E
Luz do sol quando cai no cristal
A  E/G#     F#m B7 E
Faz o luar brilhar
F#
E o coração vazio
A
Voa vadio
Em        C      D  A7+/B
Feito uma pipa no ar



Toada (Na Direção do Dia)

Formado por Zé Renato, Cláudio Nucci, David Tygel e Maurício Maestro, o conjunto vocal e instrumental Boca Livre chegou ao disco com um elepê independente que tinha o nome do grupo. Chegou e logo entrou nas paradas de sucesso com a canção “Toada”, a melhor de um repertório em que qualquer das músicas recomendava a compra do disco.

“Toada” começou a ser cantada quando o quarteto participou, ao lado de Edu Lobo, de uma temporada do Projeto Pixinguinha, da Funarte, em 1979. Acontece que a música foi tão bem acolhida pelo público que o grupo, àquela altura apenas com dois números ensaiados, teve que formar repertório às pressas, a fim de atender aos pedidos de bis. A etapa seguinte seria a gravação do disco, produzido com dinheiro emprestado e vendido durante os shows nos teatros Vanucci e Ipanema, a partir de janeiro de 80.

Com o sucesso, a pequena tiragem inicial logo esgotou, tendo que ser várias vezes repetida, fazendo do elepê o primeiro independente a se tornar best-seller no Brasil. Dosando com equilíbrio os vocais e as passagens individuais, o Boca Livre apresentou de saída uma personalidade que outros conjuntos levam tempo para adquirir.

Daí boa parte do êxito de “Toada”, uma despretensiosa cantiga à moda sertaneja (“Vem morena ouvir comigo esta cantiga / sair por esta vida aventureira / tanta toada eu trago na viola / pra ver você mais feliz...”), interpretada com graça e competência por um conjunto de cidade grande (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Toada (Na Direção do Dia) (1980) - Zé Renato, Cláudio Nucci e Juca Filho - Intérprete: Boca Livre

LP Boca Livre / Título da música: Toada (Na Direção do Dia) / Zé Renato (Compositor) / Cláudio Nucci (Compositor) / Juca Filho (Compositor) / Boca Livre (Intérprete) / Gravadora: Independente / Ano: 1979 / Nº Álbum: BL-001 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Toada.


  G                  Am7
Vem morena ouvir comigo essa cantiga
F              G          C7+
Sair por essa vida aventureira
                 A7         D 
Tanta toada eu trago na viola 
    G/B   Gm/Bb     C  G
Prá ver  você  mais feliz
                  Am7
Escuta o trem de ferro alegre a cantar
F               G               C7+
Na reta da chegada prá descansar
              A7           D       C   G
No coração sereno da toada, bem querer
    F#                  Bm
Tanta saudade eu já senti, morena
         A           D   
Mas foi coisa tão bonita 
   F#          Bm       C    G
Da vida, nunca vou me arrepender
                Am7
Morena, ouve comigo essa cantiga
F              G          C7+
Sair por essa vida aventureira
                 A7        D 
Tanta toada eu trago na viola 
    G/B  Gm/Bb    C  G
Prá ver você mais feliz

Boca Livre

Um dos mais bem-sucedidos grupos vocais brasileiros, formado no Rio de Janeiro em 1978 por Maurício Maestro (Carlos Maurício Mendonça Figueiredo, Rio de Janeiro 1949—), contrabaixo e vocal; Zé Renato (José Renato Botelho Mosckovich, Vitória ES 1956—), violão e vocal; Cláudio Nucci (Cláudio José Moore Nucci, Jundiaí SP 1956—), violão e vocal; e David Tygel (Rio de Janeiro 1949—), violão e vocal.

Maestro e David integraram nos anos de 1960 o grupo vocal Momento Quatro, que acompanhou Edu Lobo na interpretação de Ponteio no III FMPB da Record, além de gravar vários discos. No início da década de 1970, Maestro fez parte de um trio no mesmo estilo, Paulo, Cláudio & Maurício, ao lado dos irmãos Paulo e Cláudio Guimarães, gravando um compacto duplo pela Odeon em 1973, além de tocar com Edu Lobo e Luís Eça.

O primeiro LP do conjunto, intitulado simplesmente Boca Livre, de 1979, foi o disco independente que mais exemplares vendeu até então, incluindo sucessos como Toada (Zé Renato, Cláudio Nucci e Juca Filho) e Quem tem a viola (Zé Renato, Cláudio Nucci e Xico Chaves).

O grupo começou a investir em carreira internacional em 1993, participando do disco Deseo, de Jon Anderson, vocalista do grupo inglês Yes, lançado em 1994, e tendo seu CD Dançando pelas sombras (Polygram, 1992) lançado nos EUA (pela etiqueta Xenophile), onde foi muito elogiado pela crítica (“este é o disco de Crosby, Stills & Nash que estávamos esperando desde 1969 ... um clássico”, disse a revista CD Review).

Em 1993-1995, Fernando Gama (Fernando Guimarães Gama, Rio de Janeiro 1955—) e Lourenço Baeta (Lourenço Baeta Bastos, Rio de Janeiro 1952—) substituíram Nucci e Tygel, e o primeiro disco com a nova formação, o CD ao vivo Songboca (Velas) ganhou um Prêmio Sharp.

Os outros discos do grupo são Bicicleta (independente, 1981), Folia (Polygram, 1982), Boca Livre (Polygram, 1983), Americana (Velas, 1996), Boca Livre em concerto (1997) e a coletânea O melhor de Boca Livre (Velas, 1997).

Entre seus sucessos sobressaem Mistérios (Joyce e Maestro), Anima (Zé Renato e Milton Nascimento) e a regravação de Panis et circences (Gilberto Gil e Caetano Veloso, lançada pelos Mutantes em 1968), Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant) e I Need You (de George Harrison).

Em 1985, Zé Renato e Cláudio Nucci lançaram um LP em dupla (CBS), com o sucesso Pelo sim, pelo não, incluído na trilha da novela Roque Santeiro, da TV Globo. Após sair do grupo, David dedicou-se a compor trilhas sonoras de filmes, entre eles For all, o trampolim da vitória, de Luís Carlos Lacerda e Buza Ferraz, premiado no Festival de Gramado em 1997.

Em 1994, Zé Renato lançou o CD solo Arranha-céu (Velas), com regravações de sucessos de Sílvio Caldas. Em 1996, Fernando Gama lançou também um CD solo (independente) sem título, com participação do conjunto na faixa Violas e punhais (Gama e Murilo Antunes).

CDs : Boca Livre 20 anos, 1997, Indie 8164-2; O melhor de Boca Livre, 1997, Velas 11-V210.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.