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sábado, junho 08, 2013

Abigail Moura


Abigail Moura (Abigail Cecílio de Moura), compositor e arranjador, nasceu em Eugenópolis, MG, em 1905, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 02/03/1970. Ainda adolescente transferiu-se para o Estado da Guanabara, então capital do país (Rio de Janeiro), onde viveu até o fim de sua vida. Criou o grupo Orquestra Afro-Brasileira, um dos primeiros estritamente ligados à música afro-brasileira.

Durante quase trinta anos esteve à frente da Orquestra Afro-brasileira, doando-lhe seu esforço como se fora devoção religiosa. Antes de cada apresentação, agia como um sacerdote rendendo graças, elevando o palco a espaço sagrado. Sem dúvida essa Orquestra é parte importante no resgate da memória nacional.

A orquestra nasceu em 1942 como um grupo voltado à divulgação da arte e cultura musical negra brasileira. Apoiava-se nos instrumentos de percussão, base da sonoridade bárbara, presente a harmonia nos instrumentos ditos civilizados: piano, sax, trombone.

Em suas pesquisas, o maestro Abigail incorporou percussivos originais como agogô, adejá, o urucungo, afoxé, atabaques e a angona-puíta (espécie de ancestral em tamanho grande da cuíca brasileira). A escola contemporânea, apoiando-se nos instrumentos harmônicos, seria a constatação da evolução musical dos afro-brasileiros. Aqui precisamos lembrar que a abolição da escravatura deu-se entre nós apenas em 1888.

A história da orquestra é marcada tanto pela presença do divino, como por fatos estranhos. Por exemplo, Maria do Carmo, sua cantora oficial, certo dia, ao fim de uma apresentação, teria enlouquecido, jamais voltando a cantar.

Figura imprescindível, cujo nome se confunde ao da própria Orquestra Afro-brasileira, o maestro Abigail Cecílio de Moura, era mineiro e faleceu em 1970. Até o fim de seus dias levou uma vida honrada e pobre, acalentando o sonho de ver sua orquestra retornar ao brilho dos grandes dias. Era copista da Rádio MEC, função que exerceu até sua morte.

A orquestra despertava interesse por ser considerada exótica e muitos iam aos concertos por curiosidade. Sua diversidade musical ia do maracatu ao frevo, jongo, temas do folclore, cânticos de umbanda e candomblé, privilegiando as heranças nagô e bantu, católica portuguesa e a presença indígena.

Até onde se pode saber, gravaram apenas dois discos: Obaluayê, de 1957 (que inclui Liberdade) e Orquestra Afro-Brasileira, de 1968.

Playlist



Todamérica LPP-TA-11, 1957: 01 - Apresentação (Narração de Paulo Roberto); 02 - Chegou o Rei Gongo; 03 - Calunga; 04 - Amor de Escravo; 05 - Saudação ao Rei Nagô; 06 - Festa de Congo; 07 - Babalaô; 08 - Liberdade; 09 - Obaluayê.

Fontes: Ciências Humanas; Vinylmaniac; Um por dia.

domingo, março 18, 2012

São João no cancioneiro

Apesar de toda a força renovadora do progresso que, indiferente, vai matando o tradicional para implantar coisas novas, atualizadas, os festejos de São João continuam, ainda encontram lugar nas cidades. Procurando transplantar para o asfalto as ingênuas comemorações roceiras nas quais o profano e o religioso se misturam, os citadinos as revivem todos os anos numa constância terna e grata.

E de par com as representações, os compositores populares dão também sua contribuição com canções que se juntam aos refrãos originados nas várias lendas ligadas ao nascimento do Baptista. Algumas têm voga rápida que não ultrapassa o curso de junho sendo logo esquecidas. Outras voltam todos os anos embora sem o alarde de seu lançamento, mas numa recordação que positiva seu agrado, marca seu êxito.

As canções tradicionais e imperecíveis

Nascidas das interpretações fantasiosas do nascimento do filho de Zacarias e Isabel que formaram o lendário e místico, várias quadrinhas tornaram-se em canções. Deram-lhes musiquinhas primárias, facílima, e elas vieram bem de longe até aos nossos dias: “Capelinha de melão/ É de São João./ É de cravos, é de rosas,/ E de manjericão.” Depois, como sempre acontece, apareceram as variantes: "Capelinha, capelinha / É de São João./ É de ouro, é de prata,/ É de manjericão.

Muitas outras, sempre na constante da capelinha e do manjericão, este último favorecendo a rima intuitiva e desejada, surgiram e são encontradas nos registros dos folcloristas. Não foi esquecido, também, que o sono longo privou o precursor de festejar o seu dia e, então, afora o espoucar dos foguetes para despertá-lo, imaginou-se outra cançãozinha na mesma infantilidade de suas congêneres: “São João está dormindo,/ Não acorda, não,/ Dê-lhe cravos e rosas/ E manjericão.

As sortes e as crendices entram no cancioneiro

Festejos que, como já ficou dito, baralharam o essencialmente religioso e o profano, eles permitiam igualmente o surgimento de um punhado de crendices ainda cultivadas como simples brinquedo ou na esperança mesmo de seus possíveis efeitos. Todas, ou quase todas, bastante conhecidas, tornam dispensável sua especificação já que até nas comemorações citadinas permanece a prática das mesmas.

Tais sortes, crenças ou presságios incorporaram-se, como seria óbvio, aos cantares juninos e deles é bem representativo o que aqui se mostra: “Ó meu São João/ Eu vou me lavar./ Se eu cair no rio/ Mandai-me tirar.” Em versinhos simples, espontâneos, aparece clara a confiança no milagre que o santo pode realizar atendendo a quem o pede.

Compositores da cidade incorporam-se aos festejos

Sugerindo novas canções, algumas valendo-se dos aspectos folclóricos dos festejos, outras apenas relacionando-se a eles, os compositores da cidade buscaram nas comemorações de São João motivos vários para suas músicas. E os mais expressivos dentre eles: Lamartine Babo, Getúlio Marinho, Assis Valente, Herivelto Martins, José Maria de Abreu, Oswaldo Santiago, Alcyr Pires Vermelho e outros, incorporaram seus nomes ao cancioneiro que alegra os folguedos em louvor do popularíssimo santo.

Não ficou ausente o famoso Noel Rosa, e também ele, recordando tristemente uma alegre noite de 23 de junho, fez um de seus mais bofitos sambas dizendo: “Nosso amor,/ Que eu não esqueço,/ E que teve o seu começo/ Numa festa de São João,/ Morre hoje sem foguete,/ Sem retrato e sem bilhete,/ Sem luar e sem violão...“. O compositor punha em ritmo dolente, o relato de uma aventura amorosa ocorrida em ambiente festivo propiciado por uma comemoração junina e que findava de maneira total, até mesmo sem o luar poético.

Perdem intensidade os festejos de São João

Perdurando, ensejando ainda grande número de festas onde a fogueira (que a lenda conta haver sido o anúncio do nascimento do filho de Isabel) se faz imprescindível o foguetório espoucante tem o fito de despertar João, as comemorações do precursor do Messias vão perdendo a intensidade de outrora. As agremiações, mesmo as carnavalescas, não ousam repetir hoje a profanação de sua congênere, a dos Zuavos, já desaparecida, que na noite de 23-6-1912 convidava seus associados para um “são jonático e maxixático baile” em sua sede na Rua Maranguape nº 34. As poucas que comemoravam a efeméride, valiam-se da data para a promoção das noitadas em arraiais que improvisam em seus salões e nas quais os participantes se apresentavam em trajes à caipira.

Tudo, como acertadamente disse Mariza Lyra, numa macaqueação (Dicionário Folclórico do Distrito Federal) sem a pureza das autênticas festas da roça. Isso com o alheamento das promoções festivas oficiais e oficiosas que eram levadas a efeito no Campo de Santana, na Quinta da Boa Vista e outros locais reconhecidamente propícios. Nem mesmo certos anúncios sedutores, que na época as companhias de navegação publicavam no Jornal do Commercio, oferecendo à colônia lusa passagens para assistir às festas de São João de Braga ao preço de 40 mil réis (hoje quarenta cruzeiros) agora são encontrados.

E, na corrida comercial, sempre ávida e disposta a aproveitar qualquer evento ou comemoração, compositores menores, fabricam musiquinhas, produzem canções tolas, favorecidas pela rima primária que São João lhes aponta.

(O Jornal, 23/6/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

segunda-feira, maio 02, 2011

Leonardo Mota

Leonardo Mota (Leonardo Ferreira da Mota), jornalista e folclorista, nasceu em Pedra Branca CE, em 10/5/1891, e faleceu em Fortaleza CE, em 2/1/1948. Formou-se pela Faculdade de Direito do Ceará, em 1916.

Colaborou na imprensa cearense e do Sul do país. Publicou alguns volumes com farto documentário sobre o sertão nordestino, principalmente com referência à literatura oral — poesia, anedotário e adagiário:
Cantadores, Rio de Janeiro, 1921 (2ª. ed., Rio de Janeiro, 1953; 3ª. ed., Fortaleza, 1961); Violeiros do Norte, São Paulo, 1925 (2ª. ed., Rio de Janeiro, 1955; 3ª. ed., Fortaleza, 1962); Sertão Alegre, Belo Horizonte, 1928 (2ª. ed., Fortaleza, 1965; 3ª. ed., Rio de Janeiro, 1976); No tempo de Lampião, Rio de Janeiro, 1930; Prosa vadia (Palestras lítero-humorísticas), Fortaleza, 1932; A padaria espiritual, Fortaleza, 1939.

Leota na defesa do folclore nordestino

Nos cafés existentes na antiga Fortaleza, onde intelectuais e poetas se reuniam diariamente, uma figura se destacava nas conversas, nas histórias bem humoradas sobre o homem do sertão: Leonardo Mota. Com o poder incomum de declamação, atraia sempre a atenção geral, divulgando através de sua memória prodigiosa os mais belos versos do cancioneiro popular. No Café Riche, Maison Art Noveau e Bar do Majestic, palcos tradicionais da sociedade cearense da época, ele brilhava na poesia. Um autêntico boêmio que legou ao Brasil os maiores estudos sobre o folclore. Um escritor que alcançou, em vida, a fama, o sucesso.

Rachel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, lembra que o livro de estréia de Leonardo Mota, "Cantadores", conseguiu ser naquele tempo um "best-seller": "Sucesso difícil para um gênero considerado árido - pois quem, senão eruditos, lê folcloristas? Mas Leonardo Mota - ou antes Leota, o seu pseudônimo predileto - era lido com avidez e entusiasmo não só pelos seus colegas especialistas, como também pelo público em geral, dada a apresentação deliciosa dos temas, a inteligência na escolha do Material posto nos livros, a par da fidelidade exemplar com que ele reproduzia o falar sertanejo em toda a sua pura autenticidade e riqueza".

A autora do romance "O Quinze" observa que tais estudos não calam nos exageros e ridículos do chamado "falar caipira", que é uma contrafação posta em voga pelo teatro de revista, com fins de comicidade fácil". Diz que a seriedade de seus trabalhos era de tal forma surpreendente que "os cantadores profissionais consideravam a inclusão de seus versos num dos livros de Leonardo, como a consagração suprema, e a disputavam com afinco".

- E olha que não se tratava - complementa Rachel - de "cantadores" dessa fauna pobre e poluída pelo rádio, que anda hoje por ai, era o tempo dos gigantes, dos mestres ainda não superados e até agora imitados, que deixaram marca indelével no cancioneiro nordestino.

Sânzio de Azevedo, professor de Literatura na Universidade Federal do Ceará, destaca a importância de Leonardo Mota: "Ele se aprofundou nas pesquisas sobre o folclore, sendo imenso o número de trovas, desafios e anedotas que colheu diretamente do povo, em longas viagens ao interior, o que lhe valeria a fama de um dos maiores folcloristas do Brasil em todos os tempos". Além de recolher trabalhos que eram dispersos pelo tempo, Leota se dedicava também à poesia. O soneto "Pedra" um exemplo:

- Pedra que eu amo, pedra confidente/De todo o mal que o coração tortura,/Tu, que tens a serena compostura/De quem da vida a inquietação não sente,/Tu, que vives de todo indiferente/Ao lodaçal desta charneca impura/Que nós chamamos mundo, pedra escura/Que eu te cobice a placidez consente!/Pudesse eu ter a calma soberana/Que tens, em vez de agitação insana/A sacudir meu peito de preceito ... /Faze-me, pedra à tua semelhança:/ - Dá-me o sossego, a plácida confiança,/Faze desta alma um bloco de granito!.

O escritor Florival Seraine, do Instituto Histórico do Ceará, afirma que nenhum pesquisador de folclore no Brasil pode prescindir de consulta à obra de Leonardo Mota: "Ele realizou trabalho de extrema importância para a preservação da cultura popular. Realmente é impossível o desenvolvimento de qualquer pesquisa sem antes verificar as contribuições de Leota sobre os estudos nordestinos". O poeta Cláudio Martins, Presidente da Academia Cearense de Letras, manifesta-se admirador de Leota:

- Foi o homem mais vocacionado de todos os que se dão ao luxo do trabalho intelectual no Pais. Leota desfez-se do seu cartório para fazer pesquisa no plano da literatura natural, popular. Mesmo sendo ótimo poeta, preferiu dedicar-se à divulgação dos mais importantes versos populares brasileiros. Revelou ao Brasil a grandeza existente na poesia nordestina. Se não fosse seu esforço, muito da cultura popular estaria hoje perdida.

Leonardo Ferreira da Mota nasceu em Pedra Branca, em 10 de maio de 1891, filho de Leonardo Ferreira da Mota e Maria Cristina da Silva Mota. Terminou os preparatórios no Liceu do Ceará (1909), depois de Ter estudado em escolas primarias de Quixadá, no Seminário de Fortaleza (1903) e no “Colégio São José” na Serra do Estevão (1904 a 1908). Bacharel pela Faculdade de Direito do Rio de janeiro, em 1916, foi redator de jornal "Correio do Ceará" e diretor da "Gazeta Oficial". Foi notário público, tendo vendido o cartório para, com o dinheiro, custear as suas excursões folclóricas. Conhecido pelo pseudônimo de "Leota" assinava crônicas na imprensa cearense sobre os mais variados assuntos. Em 1921, publicou um de seus mais importantes livros: ''Cantadores''.

Dedicado totalmente ao folclore, reuniu depois suas pesquisas nos volumes "Violeiros do Norte" (1925), "Sertão Alegre" (1928), "No Tempo de Lampião" (1930), "Prosa Vadia" (1932) e "A Padaria Espiritual" (1938). Pela relevância de sua obra, foi eleito para a Academia Cearense de Letras e Instituto do Ceará. Considerado o "príncipe dos folcloristas nacionais", faleceu em Fortaleza, em 2 de janeiro de 1948.

No dia da morte de Leonardo Mota, os originais do livro "Adagiário Brasileiro” sumiram misteriosamente. Até hoje não se sabe de seu paradeiro. Graças ao trabalho persistente de seus filhos Moacir e Orlando Mota, aquele documento foi reconstituído numa tarefa que levou quinze anos, através de manuscritos, rascunhos e recortes de jornais, Com seiscentas páginas, "Adagiário" reúne dez mil ditados, locuções, modismos, ditos e comparações matutas.

O escritor Moreira Campos compartilha da opinião geral de que Leonardo Mota é o nosso maior folclorista: "Sem dúvida que neste campo uma grande autoridade do Nordeste e do Brasil, do ponto de vista da interpretação dos fenômenos folclóricos, é a Câmara Cascudo. Mas ele não excedeu a Leonardo Mota no que este pode recolher em relação sobretudo ao Nordeste". E acrescenta:

- De resto, destaque-se a graça com que escrevia. A força com que sabia transmitir os fatos. E isto está não só nos seus livros, como nas conferências que pronunciou. Conferências aliciantes, pelo seu jeito de narrar, pelos efeitos que tirava de sua exposição. Ele esqueceu todos os bens materiais para perseguir seu objetivo que foi o folclore.

Otacílio Colares, no livro "Lembrados e esquecidos" (Vol. 11), traça o perfil de Leonardo Mota: "Ledor incansável, periodista de têmpera, "causeur" inimitável, possuidor de extraordinária memória e de uma "verve" somente igualável aos seus talentos expressionais, alcançou, no Brasil, ao tempo em que seu nome começou a projetar- se, fora do Ceará, como o de um dos mais dedicados soldados de pesquisa folclórica, à época, justamente, do fastígio da conferência artístico-literária. A época em que, no Sul, os escritores mais populares tinham na tribuna do conferencista (conferente, como se dizia, então) o veículo, maior de sua popularidade".

Em conferência proferida no antigo Clube Iracema, em Fortaleza, Leonardo Mota falou sobre sua paixão "pela observação e estado dos costumes, da linguagem e da poesia das nossas gentes do sertão". Interessado desde menino pelo assunto, foi seduzido pela "vaidade de ser no nosso País, uni arauto da inteligência do brasileiro nordestino". "Realmente, Leonardo Mota mostrava toda a revolta contra a marginalização imposta aos nordestinos, ao desrespeito por sua cultura e folclore. Em "Musa Matuta", um dos capítulos do livro "Violeiros do Norte", revela a postura assumida em sua peregrinação pelo Brasil:

- Fui intransigente na defesa do sertão esquecido, do sertão ridicularizado, do sertão caluniado e só lembrado quando dele se quer o imposto nos tempos de paz ou o soldado nos tempos de guerra. E foi, sobretudo, contra o labéu de cretinice do sertanejo nordestino que orientei a minha documentada contradita: em todo o meu "Cantadores" e nas conferências que proferi, de Norte e Sul, pus o melhor dos meus empenhos em fazer ressaltar a acuidade, a destreza de espírito, a vivacidade da desaproveitada inteligência sertaneja, de que os menestréis plebeus são a expressão bizarra e esquecida, apesar de digna de estudos.

Em todos as capitais que Leonardo Mota visitava, ouvia-se a sua voz contra o preconceito existente em relação ao sertanejo: "Todo me devotei a uma campanha de morigerado nacionalismo, refutando a velha injustiça de as populações litorâneas ou citadinas só exergarem no sertanejo ou o cangaceiro "de alma, de lama e de aço", a que se reporta Gustavo Barroso, ou o ser desfibrado e lerdo que "magina de cócoras" e tão inexoravelmente caricaturado por Monteiro Lobato. Protestei contra essa mania de autodesmoralização que tristemente nos singulariza".

Existe ainda outra característica de Leonardo Mota muito conhecida entre seus amigos: a da improvisão de versos espontâneos, elaborados de forma jocosa, humorística. Entre as dezenas de casos vividos pelo poeta, um dos mais conhecidos é sempre contado nas rodas boêmias. A história se originou quando, em viagem pelo interior, Leota recebeu um bilhete no hotel em que estava hospedado. O proprietário, de nome "Maleta", pedia que ele "quitasse" a divida de alguns dias de permanência. Em resposta, escreveu o seguinte bilhete:

- "Meu caro amigo Maleta, /tenha pena do poeta./Eu vejo a coisa tão preta/que não quero ser profeta/. Posso lá dizer-lhe a data/em que eu terei a dita/ de pagar-lhe esta maldita/conta que tanto me mata./Eu não sou homem de fita/e por isso evito a rata/de dizer-lhe a data exata/em que esta conta se "quinta"/Veja bem a minha luta./A paciência se esgota./Que vida filha da p ... /Saudações, Leonardo Mota".

Fontes: Leonardo Ferreira da Mota - Vithor.cjb.net; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha - 2a. Edição - 1998 - São Paulo

domingo, abril 03, 2011

Marlui Miranda

Marlui Miranda
Marlui Miranda (Marlui Nóbrega Miranda), compositora, cantora e pesquisadora, nasceu em Fortaleza CE, em 12/10/1949. Criada em Brasília DF, depois de vencer um festival estudantil, em 1968, trocou o curso de arquitetura pela música.

Em 1971 mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde estudou violão clássico com Turíbio Santos , Oscar Cáceres, Jodacil Damasceno, João Pedro Borges e Paulo Bellinati. Passou a tocar com artistas como Macalé, Taiguara, Milton Nascimento e Egberto Gismonti, que produziu seu primeiro LP, Olho d’água (Continental, 1979).

Na década de 1970, começou a pesquisar as falas e os cantares indígenas e com o fotógrafo Marcos Santilli, produziu o audiovisual Nharamaã, fruto de pesquisas sobre a colonização de Rondônia. Produziu e gravou os LPs Revivência (Memória, 1984) e Rio acima (Memória, 1986); produziu o disco Patter Merewa (Música dos índios suruís de Rondônia), com 13 canções suruís reunidas por ela e pela antropóloga Betty Mindlin.

A partir de 1990, recebeu bolsas da Rockefeller Foundation e The John Simon Guggenheim Memorial Foundation (New York, EUA) e da Fundação Vitae (São Paulo SP) para seu projeto Preservação e Recriação da Música Indígena da Amazônia Brasileira.

Em 1990 participou como supervisora geral e intérprete na trilha sonora do filme Brincando nos campos do Senhor, de Hector Babenco. Em 1992 foi solista e responsável pela recriação da música indígena na Ópera dos 500, de Naum Alves de Sousa e Grupo Pau Brasil. No mesmo ano, com o Grupo Pau Brasil, criou a trilha para o documentário Arawetê, produzido pelo Centro de Documentação e Informação (CEDI).

Em 1993 produziu o CD Amazon Rainforest Music, para a gravadora alemã Sonoton. Em 1995 gravou o CD IHUTodos os sons, com músicas e canções de povos indígenas brasileiros e participações de Gilberto Gil, Uakti e Coralusp, entre outros. O espetáculo IHU Todos os sons, apresentado no mesmo ano, foi transformado em especial exibido pela TV Cultura.

Em 1996, o CD IHU foi lançado nos EUA (com concertos em New York e Miami), Áustria, Suíça e Alemanha, onde recebeu o German Phono Academy Award. Em 1997 foi lançado 2 IHU — Kewere: rezar, missa indígena criada a partir de músicas de diversas tribos, com as participações da Orquestra Jazz Sinfônica e coral de 90 vozes, e apresentada pela primeira vez em junho de 1996 na catedral da Sé, em São Paulo, nas comemorações dos 400 anos da morte do padre José de Anchieta.

Em 1998, juntamente com Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, lançou pelo selo Pau Brasil o disco O sol de Oslo, no qual foram incluídas de sua autoria Sebastiana e Eu te dei meu ané, esta última em parceria com Gilberto Gil. Ainda neste ano, realizou a palestra Trilhas para alcançar a música indígena brasileira, desta vez no Departamento de Letras da USP.

Em 1999, realizou diversas palestras, entre elas, Influência da cultura indígena na música brasileira e Hiperantropia: Desenvolvendo parcerias com os povos Indígenas Brasileiros, Visão geral da música indígena brasileira, na The University of Chicago; Aldeias sem cruz: Missionários e a transfiguração da música indígena no Brasil, em seminário em Salzburg, na Áustria. no Center of Latin American Estudies in Wiscosin-Madison University, No mesmo ano, recebeu o prêmio de melhor CD de música latina pela Native American Society. Participou também do Festival de Música Sagrada na Casa do Tibet, em Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, organizado pelo Dalai Lama.

Em 2000, foi lançado o filme Hans Staden, de Luís Alberto Pereira, com trilha sonora de sua autoria. No ano de 2002 com a Orquestra Popular de Câmara (de São Paulo), apresentou-se na 4ª Edição do Festival do Mercado Cultural da Bahia. Interpretou e adaptou cantos tradicionais de muitas nações indígenas brasileiras.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.

quarta-feira, março 02, 2011

Basílio de Magalhães

Basílio de Magalhães
Basílio de Magalhães, professor, historiador, jornalista e folclorista, nasceu em São João del Rei, MG, em 17/6/1874, e faleceu na cidade de Lambari, MG, em 14/12/1957. Diplomou-se pela Escola de Minas de Ouro Preto MG, e foi professor de história em São Paulo SP e no Rio de Janeiro RJ, onde dirigiu o Instituto de Educação.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Senador e deputado federal por Minas Gerais, abandonou a política em 1930, dedicando-se inteiramente ao magistério, à pesquisa histórica e ao jornalismo.

Mestre do folclore brasileiro, foi um dos primeiros a aprofundar seu estudo e a atribuir-lhe significação erudita.

Entre abril de 1941 e agosto de 1942 escreveu em Cultura Política, Rio de Janeiro, uma série de artigos sob o título “O povo brasileiro através do folclore”.

Sobre folclore publicou O folclore no Brasil (com uma coletânea de contos organizada por João da Silva Campos), Rio de Janeiro, 1928 (2ª. ed., Rio de Janeiro, 1939; 3ª. ed., revista por Aurélio Buarque de Holanda, Rio de Janeiro, 1960); O café. Na história, no fo/clore e nas belas artes, Rio de Janeiro, 1937 (2ª. ed., aumentada e melhorada, São Paulo, 1939). 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

Celso de Magalhães

Celso de Magalhães
Celso de Magalhães (Celso Tertuliano da Silva Magalhães ou Celso da Cunha Magalhães), escritor, jornalista e folclorista, nasceu em Penalva, MA, em 11/11/1849, e faleceu em São Luís, MA, em 09/06/1879.

Bacharelou-se em 1873 pela Faculdade de Direito de Recife, PE. Colaborou ativamente na imprensa maranhense e pernambucana.

Publicou em 1873, no jornal O Trabalho, de Recife, uma série de artigos sobre a poesia popular brasileira (nos n°s 2 a 11), terminando de publicá-los nos n°s 16 e 17 de O Domingo, de São Luís, em maio e agosto de 1873.

Foi um dos precursores dos estudos folclóricos no Brasil, coligindo romances tradicionais, quadrinhas, danças etc.

Só recentemente essa obra foi publicada em livro: A poesia popular brasileira, São Luís, 1966.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - São Paulo - 1998.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

João do Rio

João do Rio
João do Rio (João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto), folclorista, teatrólogo, romancista e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 05/07/1881, e faleceu na mesma cidade, em 23/06/1921.

Era filho de educador Alfredo Coelho Barreto e de Florência Cristóvão dos Santos Barreto. Adepto do Positivismo, o pai fez batizar o filho na igreja positivista, esperando que o pequeno Paulo viesse a seguir os passos de Teixeira Mendes. Mas Paulo Barreto jamais levaria a sério a igreja contista, nem qualquer outra, a não ser como tema de reportagem.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Índios Tabajaras


Índios Tabajaras - Dupla formada pelos irmãos Antenor Moreira Lima (Tianguá CE) e Natalício Moreira Lima (Crato CE 1918—). Índios da tribo Tabajara, Muçaperê e Erundi (Terceiro e Quarto, em língua tupi) saíram de sua terra com a família em 1933, a pé, rumo do Rio de Janeiro RJ. Nos três anos de caminhada em que atravessaram o país, entraram em contato com violeiros e cantadores.

No Rio de Janeiro, por iniciativa do tenente Hildebrando Moreira Lima, registraram-se como cariocas: Muçaperê tornou-se Antenor e Erundi, Natalício. Por volta de 1945, cantaram pela primeira vez na Rádio Cruzeiro do Sul, do Rio de Janeiro, com o nome de Índios Tabajaras, assinando contrato com a emissora.

Doze anos depois excursionaram pela Argentina, Venezuela e México, onde estudaram música. Natalício compôs então uma série de músicas eruditas para violão.

Seguiram para os EUA, onde durante três anos se apresentaram em shows com repertório variado: de smoking, executavam obras eruditas, sobretudo Villa-Lobos; e com trajes indígenas, sambas e motivos folclóricos.

Voltaram ao Brasil em 1960, interrompendo a carreira por três anos, quando excursionaram novamente pelos EUA. Em meados da década de 1960 exibiram-se no Japão, Europa, China e outros países da Ásia, voltando ao Brasil em 1968, ano em que gravaram um disco com músicas havaianas.

Instalados em Nova York, EUA, lançaram em 1969-1970 um LP de músicas japonesas, onde se destaca Sakura-Sakura.

Gravaram 48 discos LP, que venderam milhões de cópias. O maior sucesso da dupla foi o fox Maria Helena, incluído em LP que vendeu um milhão e meio de exemplares.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998

Natho Henn

Nathalino Henn
Natho Henn (Nathalino Henn), compositor e pianista, nasceu em Quaraí, RS, em 26/12/1901, e faleceu em Porto Alegre, RS, em 1/8/1958. Iniciou-se no piano com a mãe aos cinco anos de idade.

Tendo estudado em Montevidéu, Uruguai, com Williams Kokler e Eduardo Fabini (1883—1950), retornou a Quaraí, onde lecionou piano e compôs músicas sobre temas folclóricos.

Mudou-se para Livramento RS e fundou um curso musical, que hoje tem seu nome. Em 1942 fixou-se em Porto Alegre.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Rossini Tavares de Lima

Rossini Tavares de Lima
Rossini Tavares de Lima, historiador e folclorista, nasceu em Itapetininga, SP, em 25/4/1915, e faleceu na cidade de São Paulo, SP, em 5/8/1987.

Fundou e dirigiu a extinta revista Folclore, de São Paulo, SP, participando ainda da criação do Centro de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade, vinculado ao Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, e do Museu de Artes e Técnicas Populares Mário de Andrade.

Colaborou em diversas publicações. Escreveu "Manifestações folclóricas em São Paulo" in Ernâni Silva Bruno, São Paulo — Terra e povo (Porto Alegre, 1967). 

Publicou Nótulas sobre pesquisas do folclore musical, São Paulo, 1945; Folclore nacional, São Paulo, 1946; Ai, eu entrei na roda (50 rodas infantis), São Paulo, 1947; Poesias e adivinhas, São Paulo, 1947; ABC do folclore, São Paulo, 1952 (2a ed. ampliada, São Paulo, 1958); Da conceituação do lundu, São Paulo, 1953; Melodia e ritmo no folclore de São Paulo, São Paulo, 1954 (2 ed., com o título Folclore de São Paulo (melodia e ritmo), São Paulo, 1961); Folguedos populares de São Paulo, separata, São Paulo, 1954; O folclore na obra de escritores paulistas, São Paulo, 1962; Folguedos populares do Brasil, São Paulo, 1962; O folclore do litoral norte de São Paulo, tomo I — Congadas (em colaboração), Rio de Janeiro, 1968; Romanceiro folclórico do Brasil, 1971; Folclore das festas cíclicas, São Paulo, 1971.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Amadeu Amaral

Amadeu Amaral
Amadeu Amaral (Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado), poeta, folclorista, filólogo e ensaísta, nasceu em Capivari, SP, em 6 de novembro de 1875, e faleceu em São Paulo, SP, em 24 de outubro de 1929. Eleito para a Cadeira n. 15, na vaga de Olavo Bilac, foi recebido em 14 de novembro de 1919, pelo acadêmico Magalhães Azeredo.

Foi redator-secretário do Comércio de São Paulo, diretor do Diário Nacional, redator-chefe do Diário da Noite; e em O Estado de São Paulo trabalhou até o fim da vida, só se afastando temporariamente para dirigir a Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, em 1923. 

Foi também redator da revista A Farpa, entre 1910 e 1915, e depois da Vida Moderna, antes Sportman; no ano seguinte, foi um dos fundadores da Revista do Brasil, assumindo sua direção em 1921; lançou ainda, em 1929, a revista Malasarte

Foi secretário da comissão diretora do Partido Republicano nos fins do século passado e um dos fundadores da Sociedade de Cultura Artística. Dedicou seus últimos anos de vida ao folclore, incentivando seu estudo, procurando despertar interesse para a fundação de instituições e associações destinadas a pesquisar, classificar, confrontar elementos dessa atividade. 

Sobre folclore publicou: Estudos brasileiros. O dialeto caipira, São Paulo, em 1920 (2 ed., São Paulo, em 1955); A poesia da viola, São Paulo, 1921; Tradições populares (primeiro volume das Obras completas, reunindo trabalhos esparsos sobre folclore, organizado por Paulo Duarte), São Paulo, 1948. Usou dos pseudônimos de Felício Trancoso, Carlos Pinto, Maneco, Yorick, A.A., Y.

Visando à formação dos jovens, assim como Bilac incentivara o serviço militar, Amadeu Amaral procurou divulgar o escotismo, que produziu frutos, no Brasil, até ser posteriormente posto de lado.

Sua poesia enquadra-se na fase pós-parnasiana, das duas primeiras décadas do século XX. Como poeta, não estava à altura de seus dois predecessores, Gonçalves Dias e Olavo Bilac, mas destacou-se pelo desejo de contribuir, com suas obras, para a elevação de seus semelhantes, em todas as suas obras, a ponto de seu sucessor, Guilherme de Almeida, ao ser recebido na Academia, ter intitulado o seu discurso: "A poesia educativa de Amadeu Amaral", não porque tenha colocado em verso aos regras gramaticais ou os princípios de moral e cívica, mas porque visava indiretamente ao aperfeiçoamento humano.

Por ocasião do VI centenário da morte de Dante, proferiu, no Teatro Municipal de São Paulo, uma conferência, enfatizando justamente os aspectos de Dante que exaltam a elevação do espírito humano através da Sabedoria. Também soube ressaltar as qualidades morais de Bilac no seu discurso de posse, mostrando-o não apenas como um boêmio freqüentador da Confeitaria Colombo, mas como homem preocupado com os problemas da sua pátria e escritor que evoluiu em sua poesia para um grau maior de espiritualidade.

Obra

Urzes, poesia (1899); Névoa, poesia (1902); Espumas, poesia (1917); Lâmpada antiga, poesia (1924), títulos que integram as Poesias, publicadas postumamente em 1931; Letras floridas, ensaio (1920); O dialeto caipira, filologia (1920); O elogio da mediocridade, ensaio (1924); Tradições populares, folclore (1948); Obras completas de Amadeu Amaral, com prefácio de Paulo Duarte (1948).

Fonte: www.biblio.com.br; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Alceu Maynard Araújo

Alceu Maynard Araújo
Alceu Maynard Araújo, folclorista e historiador, nasceu em Piracicaba, SP, em 21/12/1913, e faleceu em São Paulo, SP, em 23/2/1974. 

Bacharel em ciências políticas e sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1944), foi um dos fundadores e instrutor-chefe do Clube dos Menores Operários da divisão de educação e recreio do Departamento de Cultura, da prefeitura municipal de São Paulo (1937—1946).

Foi chefe de pesquisas folclóricas do Departamento Estadual de Informações (1947). Dedicou-se durante vários anos à pesquisa e à coleta de material folclórico. 

Publicou Cururu, São Paulo, 1948; Danças e ritos populares de Taubaté (em colaboração com Manuel Antônio Franceschini), São Paulo, 1948; Folias-de-reis de Cunha, São Paulo, 1949; Rodas infantis de Cananéia, São Paulo, 1952; Documentário folclórico paulista, São Paulo, 1952; Instrumentos musicais e implementos, São Paulo, 1954; Literatura de cordel, São Paulo, 1955; Ciclo agrícola, calendário religioso e magias ligadas à plantação, São Paulo, 1957; Cem melodias folclóricas (em colaboração com Vicente Aricó Júnior), São Paulo, 1957; Alguns ritos mágicos, São Paulo, 1958; A congada nasceu em Roncesvales, São Paulo, 1960; Medicina rústica, São Paulo, 1961; Escorço do folclore de uma comunidade, São Paulo, 1962; Estórias e lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina (em colaboração com Vasco José Taborda), São Paulo, 1962; Folclore nacional, 3 volumes, São Paulo, 1964; Cultura popular brasileira, São Paulo, 1973 (2 ed., São Paulo, 1973). 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

domingo, janeiro 02, 2011

Gustavo Barroso

Gustavo Barroso - 1956
Gustavo Barroso (Gustavo Dodt Barroso), historiador e folclorista, nasceu em Fortaleza, CE, em 29/12/1888, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 3/12/1959.

Concluiu no Rio de Janeiro, em 1911, o curso de direito que iniciara em Fortaleza. Desde muito moço participou do jornalismo cearense, escrevendo e desenhando. Até os últimos meses de vida, colaborou em revistas, pesquisando temas pouco conhecidos da história, sociologia e folclore.

Foi redator do Jornal do Ceará (Fortaleza) e do Jornal do Comércio (Rio de Janeiro), diretor das revistas cariocas Fon-Fon e Seleta, membro da Academia Brasileira de Letras (1923), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1932) e organizador e primeiro diretor do Museu Histórico Nacional, de 1922 até a morte. Participou de vários congressos e conferências. 

Sua bibliografia, cerca de 100 volumes, compreende desde antropologia cultural até poesia, romance, conto, fábula, viagens etc. Usou do pseudônimo João do Norte. 

Publicou, entre outras obras, Terra de sol, Rio de Janeiro, 1912; Heróis e bandidos, Rio de Janeiro, 1917; Casa de marimbondos, São Paulo, 1921; Ao som da viola, Rio de Janeiro, 1921 (2 ed. aumentada, Rio de Janeiro, 1949); O sertão e o mundo, Rio de Janeiro, 1923; Através dos folclores, São Paulo, 1927; Almas de lama e de aço, São Paulo, 1930; Mythes, contes et légendes des indiens, Paris, 1930; Aquém da Atlântida, São Paulo, 1931; As colunas do templo, Rio de Janeiro, 1932. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Luís da Câmara Cascudo

"Queria saber a história de todas as cousas do campo e da cidade. Convivência dos humildes, sábios, analfabetos, sabedores dos segredos do Mar das Estrelas, dos morros silenciosos. Assombrações. Mistérios. Jamais abandonei o caminho que leva ao encantamento do passado. Pesquisas. Indagações. Confidências que hoje não têm preço." Câmara Cascudo recriou a atmosfera da sua meninice, revelando os interesses que desde então o levariam a se tomar dos mais respeitáveis pesquisadores do folclore e da etnografia de nosso país.
Luís da Câmara Cascudo, folclorista, escritor e professor, nasceu em Natal, RN, em 30/12/1898, e faleceu na mesma cidade, em 30/7/1986. Filho único do coronel Francisco Cascudo, da Guarda Nacional, em 1918 iniciou-se no jornalismo, publicando ensaios e crônicas no jornal A Imprensa, mantido por seu pai, em Natal.

No mesmo ano transferiu-se para Salvador BA, onde fez o curso de medicina até o 4° ano. Desistindo da carreira de médico, resolveu estudar direito em Recife PE, formando-se em 1928. Ainda nesse ano iniciou-se no magistério, começando como professor de história do Brasil no Ateneu Norte-Rio-Grandense, em Natal, cidade onde sempre residiu.

Dedicando-se ao estudo das tradições populares e do folclore nacional, produziu uma obra copiosa, com imensa atividade em seu Estado, tendo criado (e participado de) diversas instituições culturais.

À frente de um grupo de intelectuais, foi o responsável pela primeira apresentação de uma chegança-de-mouros numa casa de espetáculos, realizada no Teatro Alberto Maranhão, de Natal, em 1926. Pesquisou e reabilitou folguedos populares brasileiros, lutando junto a órgãos oficiais para que protegessem essas tradições.

Fundador da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras em 1936, no mesmo ano orientou, juntamente com Valdemar de Almeida, o lançamento da revista Som. Designado “historiador da cidade de Natal” em 1948, por decreto do então prefeito Sílvio Pedrosa, no mesmo ano foi um dos responsáveis pela criação do curso de violão no Instituto de Música do Rio Grande do Norte, instituição de que foi (1960) nomeado presidente de honra.

Em 1951, com a criação da Faculdade de Direito, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foi nomeado professor da cadeira de direito internacional público. Aposentando-se em 1966, recebeu o título de professor emérito dessa universidade, cujo Instituto de Antropologia recebeu o seu nome. Foi secretário do Tribunal de Justiça, aposentando-se em 1959 como consultor jurídico do Estado.

Em 1970 recebeu o prêmio Brasília de literatura, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal. Tradutor e anotador de obras fundamentais para o conhecimento da formação brasileira, realizou viagens de estudos à África, Europa e quase todo o Brasil.

Pertenceu a diversas entidades culturais do país, entre as quais o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Academia Nacional de Filologia, a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro e a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnologia, tendo recebido condecorações e títulos honoríficos de várias instituições, tanto no Brasil como no exterior.

Autor de mais de 160 livros e de inúmeros estudos sobre a cultura brasileira, sua enorme atividade intelectual foi bibliografada por Zila Mamede (Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual. 1918-1968. Bibliografia anotada, 2 volumes em 3, Natal, 1970).

Principais obras

Viajando o sertão, Natal, 1934: Vaqueiros e cantadores, Porto Alegre, 1939; Antologia do folclore brasileiro, São Paulo, 1944 (2a. ed., São Paulo, s.d.; 3a. ed. aumentada, 2 volumes, São Paulo, 1965; 4 ed., São Paulo, 1971); Informação de história e etnografia, Recife, 1944; Contos tradicionais do Brasil, Rio de Janeiro, 1946 (2a. ed. revista e aumentada, Salvador, 1955); Geografia dos mitos brasileiros, Rio de Janeiro, 1947; História da cidade de Natal, Natal, 1947; Consultando São João, Natal, 1949; Anúbis e outros ensaios, Rio de Janeiro, 1951; Meleagro, Rio de Janeiro, 1951; História da imperatriz Porcina, Lisboa, 1952; Literatura oral, Rio de Janeiro, 1952; Cinco livros do povo, Rio de Janeiro, 1953; Contos de encantamento, Salvador, 1954; Contos exemplares, Salvador, 1954; Dicionário do folclore brasileiro, Rio de Janeiro, 1954 (2a ed. revista e aumentada, 2 volumes, Rio de Janeiro, 1954; 3a ed., Rio de Janeiro, s.d.; 3a ed. revista e aumentada (na verdade é a 4a ed.), 2 volumes, Rio de Janeiro, 1972); No tempo em que os bichos falavam, Salvador, 1954; História do Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, 1955; Trinta “estórias” brasileiras, Lisboa, 1955; Geografia do Brasil holandês, Rio de Janeiro, 1956; Tradições populares da pecuária nordestina, Rio de Janeiro, 1956; Jangada — Uma pesquisa etnográ fica, Rio de Janeiro, 1957; Jangadeiros, Rio de Janeiro, 1957; Superstições e costumes, Rio de Janeiro, 1958; Rede de dormir, Rio de Janeiro, 1959; Dante Alighieri e a tradição popular no Brasil, Porto Alegre, 1963; Motivos da literatura oral da França no Brasil, Recife, 1964; Made in Africa, Rio de Janeiro, 1965; Flor de romances trágicos, Rio de Janeiro, 1966; A vaquejada nordestina e sua origem, Recife, 1966; Voz de Nessus, João Pessoa, 1966; Folclore do Brasil, Rio de Janeiro, 1967; História da alimentação no Brasil, 2 volumes, São Paulo, 1967; Mouros, franceses e judeus, Rio de Janeiro, 1967; Calendário das festas, Rio de Janeiro, 1968; Coisas que o povo diz, Rio de Janeiro, 1968; Nomes da terra, Natal, 1968; Locuções tradicionais do Brasil, Recife, 1970; Prelúdio da cachaça, Rio de Janeiro, s.d. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Edison Carneiro

Edison Carneiro
Edison Carneiro (Edison de Souza Carneiro), folclorista, jornalista e escritor, nasceu em Salvador, Bahia, em 12/08/1912, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 02/12/1972.

Diplomado pela Faculdade de Direito da Universidade da Bahia em 1935, foi redator dos jornais Estado da Bahia, de 1936 a 1939, Bahia Jornal, em 1937, O Jornal, do Rio de Janeiro, em 1939 e da agência British News Service, de 1940 a 1947, exercendo ainda o cargo de redator-chefe da Associated News desde 1941.

Aos 16 anos começara a publicar artigos e crônicas na imprensa local. Aos 18 anos participaria de um movimento cultural de índole renovadora - a Academia dos Rebeldes. Foram, então, seus companheiros, os poetas Sosígenes Costa, Áydano do Couto Ferraz e Alves Ribeiro, o cronista Dias da Costa e os romancistas Jorge Amado, João Cordeiro e Clóvis Amorim.

A partir de 1933, empolgado pela beleza mística dos cultos populares de origem africana, passou a dedicar-se ao seu estudo, havendo, em 1937, chegado a fundar uma federação das casas de candomblé baianas, sob a denominação de União das Seitas Afro-Brasileiras da Bahia.

Iniciou sua carreira de jornalista através das páginas do Estado da Bahia, na qualidade de colaborador, em seguida, redator efetivo. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, trabalharia em O Jornal. Do Rio de Janeiro, comissionado pelo Museu Nacional, voltou à Bahia em agosto de 1939, a fim de recolher material sobre os cultos afro-brasileiros e encomendar a feitura de bonecas de pano, em tamanho natural, com as vestimentas e insígnias do orixás, material este que pode ser visto no Museu da Quinta da Boa Vista.

Publica Religiões negras (1936), Negros Bantos e Castro Alves - Ensaio de Compreensão (1937). Fixado, definitivamente, no sul do país, passou a dividir o seu tempo entre as atividades jornalísticas e trabalhos de tradução para o português, de obras escritas em inglês e francês, por solicitação de editores sulistas.

Em 1946 publicou, em edição mexicana, Guerra de los Palmares, que surgiria, um ano após, no Brasil, sob o título O Quilombo dos Palmares. Em 1947, publicaria Trajetória de Castro Alves, e em 1948, o MAB editaria seu mais famoso livro - Candomblés da Bahia.

Em 1949 ingressaria na Confederação Nacional da Indústria, de onde se transferiria, em 1955, para o Serviço Nacional da Indústria (SESI), onde permaneceu até a sua morte.

Foi ainda redator do serviço público do MEC. Publicou Antologia do Negro Brasileiro (1950), Linguagem Popular da Bahia (1951); A Cidade do Salvador (1954), A Conquista da Amazônia (1956), O Negro em Minas Gerais e A Sabedoria Popular (1957). Durante essa época foi um dos principais redatores do Última Hora e do Jornal do Brasil.

Em 1959 iniciaria sua carreira de professor, encarregado do ensino da disciplina Bibliografia do Folclore, no Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional. Nessa mesma ocasião participou do grupo de trabalho que estruturou a Campanha de Defesa do Folclore. Publicou A Insurreição Praieira (1960) e Samba de Umbigada (1961).

Foi redator da Carta do Samba em 1962. Mais tarde passa a ministrar, na condição de professor visitante, cursos em várias Universidades brasileiras, entre as quais, as de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul. Editou os livros Ladinos e Crioulos (1964) e Dinâmica do Folclore (1965).

Em 1966 foi nomeado membro da comissão criada pelo Ministério das Relações Exteriores para organizar a representação brasileira no 1º Festival Mundial de Arte Negra, a realizar-se em Dacar. De Dacar, onde chefiou a Delegação do Brasil, seu primeiro contacto com a África negra, atendendo a convite especial da UNESCO, seguiria para o Daomé (atual Benin), onde participaria do Colóquio África-América Latina.

Visitou outros países africanos, entre eles o Togo, a Costa do Marfim e a Nigéria. Publicou nesse ano, em francês e em inglês, um artigo sobre as religiões afro-brasileiras sob o título de Contribuição da África à Civilização Brasileira.

De volta ao Brasil, continuaria a escrever artigos e verbetes, para jornais, revistas e enciclopédias, entre essas, a Enciclopédia Barsa, a Delta-Larousse e a Mirador Internacional, e iniciou a revisão e anotação de obras clássicas da nossa história social, entre elas, as Cartas de Vilhena, reeditadas em 1969, na Bahia, sob o título A Bahia no Século XVIII, e o trabalho pioneiro de Nina Rodrigues, Os Africanos no Brasil.

Nessa fase publicou artigos no Jornal do Comércio, do RJ, em A Tarde, da Bahia, em Brasil Açucareiro, na revista Planeta e em Afro-Ásia, revista do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, enquanto outros seriam publicados no exterior, nos EUA, União Soviética, México e Argentina.

Por toda a sua grande atividade literária, foi agraciado, em 1969, pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio Machado de Assis. Foi ainda condecorado com a Medalha Sílvio Romero pelo Governo da Guanabara e com a Medalha Euclides da Cunha, pela cidade de São José do Rio Preto.

Seu valor como profundo conhecedor da nossa cultura popular foi reconhecido por importantes organizações estrangeiras, entre as quais as Sociedades de Folclore do México, Peru e Tucaman, na Argentina. Enquanto, no Brasil, que o nomeou seu membro honorário, pelo Conselho Diretor da Comissão Nacional de Folclore do IBECC (órgão nacional da UNESCO), e pelo Conselho Nacional do Folclore, dos quais participou como membro efetivo.

Tal reconhecimento não partiria, no entanto, apenas de instituições oficiais e, desse modo, Édison Carneiro recebeu da Escola de Samba Portela, o título de Grande Benemérito, e o de Sócio Honorário das Escolas de Samba da Mangueira e Acadêmicos do Salgueiro, tendo recebido igual honraria do afoxé Filhos de Gandhi, da Bahia, e do Clube das Pás Douradas, de passistas de frevo do Recife.

Após a sua morte, um novo livro de sua autoria seria ainda publicado - Folguedos Tradicionais, um dos mais completos trabalhos existentes sobre a nossa cultura popular. Édison Carneiro morreu em 1973. Hoje é nome de rua, em Pernambués, nome de Escola Pública, de prêmio literário do Estado da Bahia, mas sua memória persiste viva sobretudo na saudade do povo, para o qual o nome de Édison Carneiro é sinônimo de luta pelo futuro

Fontes: Estudo da Capoeira - Edison Carneiro - Cadernos de folclore 1 - Capoeira 1975; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Theo Brandão

Theo Brandão - 1962
Theo Brandão (Theotônio Vilela Brandão), folclorista e professor, nasceu em Viçosa, AL, em 26/1/1907, e faleceu em Maceió, AL, em 29/9/1981.

Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e pela Faculdade de Farmácia da Bahia, foi catedrático do Instituto de Educação de Maceió, da Faculdade de Filosofia de Maceió e da Faculdade de Medicina de Alagoas. Contribuiu com artigos para várias publicações dedicadas ao folclore.

Publicou: Folclore de Alagoas, Maceió, 1949; Trovas populares de Alagoas, Maceió, 1951; Folklore brasiliano, Nápoles, Itália, 1956; Autos e folguedos populares de Alagoas. I — O fandango, Maceió, 1957; Folguedos natalinos em Alagoas, Maceió, 1961; Um auto popular nas Alagoas, Recife, 1962; Folguedos natalinos — Baianas, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Bumba-meu-boi, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Caboclinhos, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos— Cavalhada, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Chegança, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Fandango, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Guerreiro, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Maracatu, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Pastoril, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Presépio, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Quilombo, Maceió, s.d.; Folguedos natalinos — Reisado, Maceió, s.d. Folguedos natalinos Taieiras, Maceió, s.d.

Fonte: Enciclopédia da Músuca Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Ernâni Braga

Ernâni Braga
Ernâni Braga (Ernâni Costa Braga), pianista, regente, folclorista, professor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 10/1/1888, e faleceu em São Paulo, SP, em 20/9/1948.

Aos doze anos iniciou os estudos de piano, teoria e solfejo, no Colégio dos Jesuítas, de Niterói RJ. Em 1908 matriculou-se no Institu7to Nacional de Música, do Rio de janeiro, na classe de piano de Alfredo Bevilacqua, e mais tarde especializou-se na Europa.

Além de virtuosa de piano, notabilizou-se também no magistério: ensinou no I.N.M., na Escola Normal de Recife e no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Em 1930 fundou e dirigiu, por vÁrios anos, o Conservatório Pernambucano de Música.

Estudioso do folclore nacional, percorreu todo o Brasil, recolhendo material e organizando corais folclóricos. Em Porto Alegre RS, dirigiu a parte coral de numerosos festivais comemorativos do bicentenário da fundação da cidade, chegando a organizar concertos orfeônicos com 5.000 estudantes.

Também como parte dessas comemorações, publicou, em 1940, Cancioneiro gaúcho, um álbum de músicas populares regionais. Em Recife regeu um orfeão de 2.000 crianças e em Curitiba um de 3.000.

Em 1945, dirigiu um concerto coral no Teatro Municipal, de São Paulo, com 200 alunas da Escola Normal Padre Anchieta.

Viveu algum tempo em Montevidéu, Uruguai, e em Buenos Aires, Argentina, difundindo o folclore brasileiro em corais que organizou. Na capital argentina dirigiu durante três anos a parte musical do programa Hora do Brasil, dedicada exclusivamente à música brasileira.

Realizou, ainda, palestras, conferências e debates, além de haver promovido concertos, como regente e pianista. Fez harmonizações da Casinha pequenina, Prenda minha, Ogundé uareré, Abaluiaê, Nigue-nigue-ninhas, SãoJoão da-ra-rão, Engenho novo, Ó quinimbá, Moreninha, Aboio etc. 

Obra

Música orquestral: Na floresta encantada, bailado, s.d.; Música instrumental: Devaneando, p/piano, s.d.; Melancolia, p/piano, s.d.; Minueto, p/piano, s.d.; Tanguinho brasileiro, p/piano, s.d.; Três miniaturas, p/piano, s.d.; Música vocal: Homenagem a Carlos Gomes, p/coro e orquestra, s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Duerme negrito

Mercedes Sosa, um dos maiores nomes da música popular argentina

Mercedes Sosa - Alfredo Zitarrosa

Duerme negrito (domínio público recolhida pelo argentino Atahualpa Yupanqui)

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo, negrito
Duerme, duerme, mobila
Que tu mama está en el campo, mobila

Te va traer codornices
Para ti.
Te va a traer rica fruta
Para ti
Te va a traer carne de cerdo
Para ti.
Te va a traer muchas cosas
Para ti.

Y si el negro no se duerme
Viene el diablo blanco
Y zas le come la patita
Chacapumba, chacapumba, apumba, chacapumba.

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo,
Negrito

Trabajando
Trabajando duramente, (Trabajando sí)
Trabajando e va de luto, (Trabajando sí)
Trabajando e no le pagan, (Trabajando sí)
Trabajando e va tosiendo, (Trabajando sí)

Para el negrito, chiquitito
Para el negrito si
Trabajando sí, trabajando sí

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo
Negrito, negrito, negrito.

sábado, março 01, 2008

Ely Camargo

Ely Camargo, cantora e compositora, nasceu em Goiás GO (12/2/1930). Influenciada pelo pai, o maestro e regente da Orquestra Sinfônica, de Goiânia GO, Joaquim Edison Camargo, participou ainda criança de programas na Rádio Clube de Goiânia e de coros de igreja.

Em 1960 atuou no conjunto vocal Trio Guairá, de Goiânia, e nos dois anos seguintes apresentou-se no programa que ela mesma produzia na Rádio Brasil Central, retransmitido em Brasília DF pela Rádio e TV Nacional.

Mudou-se para São Paulo SP em 1962, e assinou contrato com a Rede Tupi (rádio e televisão), gravando ainda o primeiro LP, Canções de minha terra, pela Chantecler, etiqueta pela qual lançou sua primeira composição, Boneca de pano, em 1966.

Pesquisadora de folclore, formou acervo particular em suas viagens pelo Norte e Nordeste do Brasil, firmando-se como uma das mais fiéis e competentes intérpretes de música folclórica brasileira.

Gravou 12 LPs, entre os quais Folclore do Brasil, Gralha azul, Danças folclóricas e folguedos populares do Brasil, Cantos da minha gente, Cantigas do povo — Água da fonte, além de uma série de compactos. Tem discos lançados em Portugal, África do Sul, Itália e Alemanha.

Integrante do conselho da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia GO, produz, apresenta e interpreta os seguintes programas semanais na Rádio Universitária da Universidade Federal de Goiás: Brasil de Canto a Canto, Ely Camargo Convida e Alma Brasileira.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora E PubliFolha.