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sexta-feira, janeiro 17, 2014

Tupinambá: o pioneiro da música regional

"Há vinte anos atrás a música brasileira não tinha o valor que hoje merecidamente lhe damos. Ninguém com ela se preocupava e as pessoas que se dedicavam a compor músicas com caráter típico e regional eram apontadas como objeto de ridículo.

As nossas canções e os lundus que fizeram a alegria dos nossos antepassados não tinham, no nosso século, direito de ingresso num salão elegante. Eram relegadas para um plano secundário e tinham que se contentar com a aceitação das criaturas de cultura inferior que ainda assim preferiam ver mais inspiração nas valsas estrangeiras que nas nossas modinhas.

O nosso folclore era desconhecido dos grandes centros de população e das metrópoles dos Estados, todas impregnadas de música estrangeira. Reagir contra este estado de coisas, reabilitar a nossa música, dar-lhe o lugar merecido, eram tarefas árduas, capazes de aniquilar os mais decididos. Só um espírito dotado de grande ânimo e muita vontade de vencer, poderia triunfar numa luta desigual como esta: de um lado, a opinião pública, eivada de esnobismo e do outro, talento de um homem. Passaram-se os anos e esse homem venceu. Foi um prélio árduo: as primeiras músicas recusadas, combatidas, perseguidas até.

Vem, porém, uma pequena vitória, outra mais, e Marcelo Tupinambá venceu. Hoje é uma personalidade de relevo da nossa música. O seu nome é conhecido por todo o Brasil, este mesmo Brasil que quando ele apareceu zombou dos seus esforços de bandeirante, ansioso por desbravar a nossa música e mostrar o que de realmente belo, nela existe.

Em 1912, Marcelo Tupinambá ainda não existia. Existia apenas, um rapaz de pouca idade, ainda estudante na Escola Politécnica de São Paulo. Fernando Lobo era o seu nome. Pertencia a uma das tradicionais famílias que honra São Paulo. Desde criança revelara grandes pendores para a música. E olhava com essencial carinho para os motivos brasileiros, até então, completamente desprezados. Quatro anos depois, vamos encontrá-lo já com o título de doutor, que lhe conferia a mesma escola. Aí, porém, já começava a nascer Marcelo Tupinambá. O Dr. Fernando Lobo, aos poucos ia desaparecendo, absorvido por Tupinambá. A Arte vencia a Ciência.

E em 1916 surgiu em público sua primeira composição: “Alma em flor”, uma valsa com letra do poeta Arlindo Leal, hoje falecido. O sucesso não foi grande, pois o ambiente era hostil. Vieram, em seguida, mais composições: “O matuto”, “Viola cantadera”, “Canção do cigano” e outros. Foi quando lhe pediram para musicar um filme: “Nos sertões do Avanhandava” da “Independência Omnia Film”, produzido e dirigido pelo Dr. Armando Pamplona. O filme teve sucesso, em grande parte devido sem dúvida à esplêndida partitura composta por Tupinambá que foi alvo dos maiores elogios,

A consagração, porém, não havia ainda chegado. Os êxitos obtidos até então não haviam sido mais que pequenas vitórias, rapidamente esquecidas. Porém, os dias que faltavam para o triunfo completo, estavam contados. E este veio, com a estreia, no antigo Teatro Boa Vista, da peça “São Paulo Futuro”, onde toda a parte musical era de sua autoria. Daí por diante, a estrela de Marcelo Tupinambá não conheceu mais desfalecimentos: abandonou um pouco o caráter ligeiro de suas músicas para enveredar pelo nosso folclore, onde produziu peças encantadoras.

Dedicou-se em seguida a musicar poesias de autores consagrados e, no ano passado, fez a sua primeira tentativa de teatro lírico, escrevendo a opera “Abrahão”, sobre motivos sacros. A Rádio Cosmos irradiou esta ópera, durante a semana santa, e tão grande foi o seu êxito, que repetiu este ano a irradiação.

Marcelo Tupinambá que é, atualmente, o presidente do Sindicato dos Músicos de São Paulo, dedica-se hoje, principalmente, à composição de peças para quartetos vocais, sobre motivos variados, onde é inexcedível. Dentre estes, destaca-se “Assombração”, que é baseado numa lenda brasileira e tem muito caráter regional.

Marcelo Tupinambá, vive hoje em São Paulo, querido de todos e respeitado na sua glória. Muito modesto, procura sempre fugir às demonstrações de entusiasmo que lhe são tributadas pelo povo paulista, demonstrações sinceras pela sua realização gloriosa — ter sido o pioneiro da música regional brasileira."
Texto de JORGE MAIA


Fonte: CARIOCA, de 23/5/1936 (texto atualizado).

sábado, julho 13, 2013

Barrozo Neto

Gravura: "O Malho" - Abril de 1941
Barrozo Neto (Joaquim Antônio Barrozo Netto), pianista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 30/01/1881, e faleceu na mesma cidade em 01/09/1941. Sua atividade, como mestre dos mais competentes e pianista de grandes recursos técnicos, colocou-o em lugar de destaque na música brasileira. Usava o pseudônimo de William Gordon.

Seus primeiros estudos de música foram feitos com o objetivo de ser violinista, mas seu mestre, não encontrando no aluno qualidades que o fizessem um virtuose do instrumento de Paganini, o aconselhou que preferisse o piano.

À fim de aperfeiçoar os estudos e completar sua educação musical, ingressou no Instituto Nacional de Música, estudando teoria e solfejo com Arnaud Gouveia e Porto Alegre, piano com Alfredo Bevilacqua e harmonia com Frederico Nascimento.

Com Alberto Nepomuceno estudou contraponto, fuga, composição e órgão. Com 19 anos, já estava apto a enfrentar as plateias. Apresentando-se em concertos com grande sucesso, suas composições foram recebidas sempre com êxito e entusiasmo, até na Europa, onde efetuou várias tournées de propagação da nossa música.

Em 1906, ingressou no Instituto Nacional de Música, como professor de piano, exercendo esse cargo com excepcional relevo.

Em 1927, teve a canção Cantiga, com Luiz Guimarães, gravada na Odeon pela cantora Lulieta Teles de Menezes. No ano seguinte, duas modinhas foram registradas por Maria Emma na Odeon: A canção da felicidade, com Nosor Sanches, e Canção da saudade, em disco que teve seu acompanhamento ao piano. No mesmo ano, gravou na Odeon em interpretação ao piano duas obras de sua autoria, a Berceuse, em mi menor, e a peça característica No ferreiro - sinos de aldeia. Teve ainda em 1928, a modinha Canção da felicidade regravada na Odeon pelo cantor Gastão Formenti.

Em 1929, a valsa lenta "Canção do amor" foi gravada por Gastão Formenti na Odeon, e a modinha "Canção da felicidade" foi registrada na Victor por Cândido Botelho. Também pela Victor o cantor Eurístenes Pires gravou a Canção de amor.

Em 1930, o maxixe Candango, parceria com Marcelo Tupinambá, foi gravado na Brunswick pela cantora Ana de Albuquerque Melo.

Em 1932, motivado pelo trabalho desenvolvido por Heitor Villa-Lobos com o canto orfeônico nas escolas municipais do Rio de Janeiro, passou a desenvolver trabalho nesse sentido. Ficaram marcados os concertos realizados pelo "Coral Barrozo Netto" no Salão Leopoldo Miguez da Universidade do Brasil. Num desses concertos foi apresentada a Suite Vozes da Floresta para coro, solistas e orquestra.

Em 1933, sua modinha Canção da felicidade, e a canção Cantiga, ambas com Nósor Sanches, foram gravadas por Bidu Sayão na Victor.

Em 1958, a Canção da felicidade e Cantiga, com Luis Guimarães, foram regravadas por Lenita Bruno no LP Modinhas fora de moda, lançado por ela no selo Festa.

Em 1961, a Canção da felicidade deu título ao LP gravado por Vicente Celestino na RCA Victor no qual ele interpretou diversas modinhas entre as quais a Canção da felicidade.

Em 1970, Canção da Felicidade ganhou nova gravação, dessa vez na voz de Inezita Barroso no LP Modinhas da gravadora Copacabana, sendo também incluída no LP Uma voz e um violão em serenata - VOL. 4 lançado por Francisco Petrônio e Dilermando Reis pela Grand Prix/Continental.

Em 1980, a canção Tempos Idos foi gravada pelo pianista Roberto Szidon no LP Piano brasileiro 100 anos de sucesso lançado pela Kuarup. No ano seguinte, a Tarantella (Para canto e piano ou violino e piano) foi gravada no disco Brasil, piano e cordas - Roberto Szidon (Piano), Michel Bessler (Violino) e Márcio Mallard (Violoncelo) lançado pela Kuarup.

Entre suas obras para piano destacam-se Minha Terra, Cachimbando, e Choro e Galhofeira.

Obra


A canção da felicidade (c/ Nosor Sanches), A um coração, Cachimbando, Canção da saudade, Canção do amor, Cantiga (c/ Luiz Guimarães), Choro e Galhofeira, Coriscos, Danse des fantoches, Feux Follets, Minha terra, Movimento perpétuo, Olhos tristes, Rapsódia guerreira, Si eu morresse amanhã, Variações sobre um tema original

Discografia


1928 Berceuse/No ferreiro - sinos de aldeia • Odeon • 78

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Fontes: Os Mestres da Música - Alberto Montalvão; Revista "O Malho" - 1941; Dicionário da MPB.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Orquestra Pan American


A Orquestra Pan American foi criada por volta de 1927 pelo maestro, arranjador e violinista Simon Bountman, era integrada por I. Kolman, no saxofone e clarinete; Júlio Sammamede, no saxofone; D. Guimarães, no trompete; Caldeira Ramos, no trombone; J. Rondon, no piano; Amaro dos Santos, na tuba; Dermeval Neto, no banjo, e Aristides Prazeres, na bateria. Além de acompanhar dezenas de gravações na Odeon entre 1927 e 1930, a orquestra também gravou 47 músicas em 36 discos.

A orquestra estreou em disco em 1927 gravando o fox-trot Pergunte a ela, de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou os fox-trot Pérola do Japão, de J. Fonseca Costa, o Costina, e Uma noite de farra, de Lúcio Chameck; as toadas-brasileiras Paulicéia como és formosa; Quebra-cabeças e Magnífico e o maxixe Proeminente, de Ernesto Nazareth, além do maxixe Mexe baiana, de José Francisco de Freitas.

Em 1928, a orquestra gravou o maxixe Só de cavaquinho, de Luís Nunes Sampaio, o Careca, e as toadas brasileiras Desengonçado; Jacaré; Tenebroso e Jangadeiro e a marcha Ipanema, de Ernesto Nazareth; o maxixe Cor de canela, Lúcio Chameck e a valsa Minha vida pela tua, de Marcelo Tupinambá.

Nesse ano, a orquestra fez acompanhamento para as primeiras gravações, acompanhando o cantor Vicente Celestino no registro do samba Que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô. Em seguida, acompanhou Mário Reis nos sambas Jura, de Sinhô; Vou à Penha, de Ary Barroso e Dorinha, meu amor, de Freitinhas (José Francsico de Freitas), três gravações clássicas da música popular brasileira e Francisco Alves na canção Cabocla do sertão e no samba-sertanejo Rancho vazio, de Eduardo Souto; na marcha Seu Voronoff, de Lamartine Babo.

No ano seguinte, gravou os maxixes Uma noite em claro e Odeon e o samba Amanhã tem mais, de Mário Duprat Fiúza; o samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler; o samba Jura, de Sinhô; o maxixe Gosto assim, de I. Kolman e o choro Despresado, de Pixinguinha.

Ainda em 1929, a orquestra acompanhou o cantor Francisco Alves em mais de dez discos incluindo os sucessos Seu Julinho vem, marcha de Freire Júnior e Eu ouço falar (Seu Julinho), samba de Sinhô. Acompanhou ainda os cantores Alfredo Albuquerque; Raul Roulien; Oscar Gonçalves e Mário Reis, este, entre outras, no sucesso Vamos deixar de intimidades, de Ary Barroso, além da cantora Aracy Cortes no samba-canção A polícia já foi lá em casa, de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal, e nos sambas Quem quiser ver?, de Eduardo Souto; Tu qué tomá meu nome, de Ary Barroso e Zomba, de Francisco Alves. Ainda em 1929, a orquestra acompanhou a atriz Margarida Max na gravação do samba-canção Por que foi?, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Iglesias, e da marcha Olha a pomba, de Vantuil de Carvalho.

Em 1930, acompanhou Almirante na gravação dos sambas Tô t' estranhando, de Henrique Brito e Mário Faccini e Mulher exigente, de Almirante, além de acompanhar várias gravações de Mário Reis e Francisco Alves, destacando-se com esse último no acompanhamento da marcha Dá nela!, de Ary Barroso, grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda nesse ano, a orquestra acompanhou gravações de Augusto Calheiros, Gastão Formenti; Zaíra Cavalcânti; Aracy Côrtes; Luci Campos; Gilda de Abreu e Patrício Teixeira.

Em três anos de atuação a orquestra acompanhou mais de cem gravações de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Aracy Côrtes. Raul Roulien, Gilda de Abreu e outros.

Discografia

(1928) Só de cavaquinho • Odeon • 78
(1928) Desengonçado / Jacaré • Odeon • 78
(1928) Tenebroso / Jangadeiro • Odeon • 78
(1928) Ipanema • Odeon • 78
(1928) Saudades de Arlete • Odeon • 78
(1928) Cor de canela / Minha vida pela tua • Odeon • 78
(1928) Galo velho / Boêmia • Odeon • 78
(1928) Rayon D'Or • Odeon • 78
(1928) Canção do Volga / Negro pachola • Odeon • 78
(1929) Uma noite em claro • Odeon • 78
(1929) Alegria • Odeon • 78
(1929) Odeon • Odeon • 78
(1929) Jura • Odeon • 78
(1929) Rapsódia brasileira (I) / Rapsódia brasileira (II) • Odeon • 78
(1929) Iaiá (Linda flor) / Pìerrot 1950 • Odeon • 78
(1929) Amanhã tem mais • Odeon • 78
(1929) Fumaça branca • Odeon • 78
(1929) Gosto assim • Odeon • 78
(1929) Craddle of love • Odeon • 78
(1929) Cristina • Odeon • 78
(1929) Os boêmios • Odeon • 78
(1929) Camafeu / Despresado • Odeon • 78
(1930) A warbling booklet • Odeon • 78
(1930) If you believed in me / Noêmia • Odeon • 78
(1930) Conde Zeppelin • Odeon • 78
(1930) I'm on a diet of love / Mona • Odeon • 78
(1930) Charming / Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Hino Republicano Riograndense • Odeon • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

sexta-feira, setembro 17, 2010

Que sodade

Que sodade (tanguinho, 1918) - Marcelo Tupinambá (música) e Arlindo Leal (adaptação)

Em “Que Sôdade!”, o humor da letra é melancólico, tratando da separação de um par de namorados (o homem despede-se, possivelmente para procurar trabalho em uma metrópole do sul). Mesmo assim a música é animada, como pode ter sido requisitado nos teatros de revista da época.

A música original foi gravada várias vezes em diferentes estilos. Abaixo temos duas versões instrumentais:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Que Sodade / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / Bloco dos Parafusos (Intérprete) / Nº do Álbum: 121448 / Lançamento: 1918 / Gênero: Samba / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Disco selo: Odeon R / Título da música: Que Sodade / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / Orquestra Odeon de São Paulo (Intérprete) / Nº do Álbum: 121498 / Lançamento: 1918 / Gênero: Maxixe / Coleção de Origem: IMS, Nirez


Gravações mais recentes foram feitas pela cantora/folclorista Ely Camargo (no álbum Canções da Minha Terra No. 4 da Chantecler, anos 60), pelo violonista paulista Poly em guitarra havaiana com cordas de aço (possivelmente nos anos 70) e por Oswaldo Sbarro com Conjunto Serenata (1974).

Que Sôdade!.. (Scena Sertaneja) - Arreglo de Arlindo Leal / Música de Marcello Tupynambá

ELLE:
Cada vez que aconsidero,
Que eu tenho de le deixá,
Me foge o sangue das veia
E o coração do lugá!

E fico chóra-chorando,
Oiando, triste, p'ro á.
No coração amargando
O meu pená!... [bis]
Ai!

ELLA:
Não óia tanto p'ro á,
Qui vae morrê de tristura,
Se aconsola, que, na vida,
Só se véve de amargura!...

Não fica chóra-chorando,
Oiando, triste, p'ro á.
Procura î disfarçando
O teu pená!... [bis]
Ai!

ELLE:
Adeus, adeus, vô m'imbora,
Vorto a sumana qui vem...
Quem não me cunhece chora,
Qui fará quem mi quér bem!...

P'ro isso chóro-chorando,
E óio, triste, p'ro á.
Prô que me tá tormentando
Este pená!... [bis]
Ai!

ELLA:
Adeus, adeus, vórta logo,
Sucéga, carma essa dô,
Qui tu vae, mas fica aqui
Te esperando meu amô!...

Não fica chóra-chorando,
Oiando, triste, p'ro á.
Meu coração vae levando
P'ra tu com elle sonhá!... [bis]
Ai!

ELLE:
Vou alegre, vou cantando,
Sem tristura e sem pená...
Teu coração alevando
P'ra podê com tu sonhá!...

ELLA:
Vae alegre, vae cantando,
Sem tristura, sem pená...
Meu coração alevando
P'ra tu com elle sonhá!...

JUNTOS:
ELLE: Vou alegre, vou cantando, etc.
ELLA: Vae alegre, vae cantando, etc.


Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira.

Pierrô

Pierrô (tanguinho, 1918) - Marcelo Tupinambá - Intérprete: Mário Pinheiro

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pierrot / Marcello Tupynambá [Música] (Compositor) / Biograph [Versos] (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 121355 / Data de Lançamento 1917 / Gênero musical: tanguinho / Coleção de Origem: Nirez


Vem pierrot, sem ti não há
Festas; e nosso esplendor triste será
Abre tua voz esse dulçor
Que para nós é canção d'amor

Oh! Pierrot, mito ideal
Vem para as ruas; chegou - O Carnaval!
Vem nos cantar tua canção
Que ao luar, tem fascinação

Canta, pulsa, sonha vive!
Esquece Colombina, o bem de teu amor
Vamos, segue outra busca,
Um outro coração, que tenha mais ardor

Vem pierrot, sem ti não há
Festas; e nosso esplendor triste será
Abre tua voz. esse dulçor
Que para nós é canção d'amor

Quanto ardor há na luz de teu olhar...
Pierrot, doce é teu amor
Faz sonhar, tua graça, sem igual
Pierrot - Oh! Visão lirical.

sexta-feira, março 24, 2006

Viola cantadera

Marcelo Tupinambá (A Cena Muda, de 22/Outubro/1946)

Viola cantadera (canção sertaneja, 1917) - Da opereta sertaneja Scenas da Roça, original de Arlindo Leal e música de Marcelo Tupinambá

Disco selo: Odeon R / Título da música: Viola cantadêra / Marcello Tupynambá (Compositor) / Grupo "O Passos no Choro" (Intérprete) / Flauta, Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121516 / Nº da Matriz: 145-b / Lançamento: 1919 / Gênero musical: Tanguinho / Coleção de Origem: IMS



Interpretação de Ely Camargo em 1964:

LP Canções De Minha Terra - Vol. 3 / Título da música: Viola Cantadeira / Marcelo Tupinambá (Compositor) / Ely Camargo (Intérprete) / Paulo Barreiros (Violão) (Acomp.) / Gravadora: Chantecler / Álbum: CMG 2256 / Ano: 1964 / Tracklist: A7 / Gênero musical: Canção



Temperada minha viola / Vou rasgando logo a toada... / E a minh'arma' se aconsola / Já não véve amargurada... / Minha viola é cantadera, / Vae chorando a minha dô... / E pôr ser bôa companhera / Nunca nunca me deixou / Ai!...

C'om a viola, no sertão, / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Nunca deixo de cantá

Quando alembro, com sôdade, / Da muié que me enganô... / Eu renego a mocidade / Que não vorta e já passô!... / Quando eu canto, quando eu chóro, / A viola vae gemendo / E na serra adonde móro, / Minha vois se vae perdendo... / Ai!...

E sosinho, no sertão, / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Aliviando o meu pená...

Quando eu canto, no terrêro, / Minha vois correndo, avôa... / Corre as matta, corre os sêrro / E bem longe ela resôa... / Quando eu canto, com tristura, / Minha viola, num gemido, / C'o meu canto se amistura. / Mais me deixa intrestecido!.. / Ai!...

C'om a viola, no sertão / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Aliviando o meu pená / Aliviando o meu pená...


Fontes: Instituto Moreira Salles; Instituto Memória Musical Brasileira.

Tristeza de caboclo

Tristeza de Caboclo é um tanguinho, a primeira música que Marcelo Tupinambá compôs sob o contrato com Campassi & Camin, editores de São Paulo. Com letra de Arlindo Leal ela se tornou um sucesso instantâneo, vendendo o número fenomenal de 120.000 partituras para piano em um ano.

Tristeza de Caboclo (tanguinho, 1919) – Arlindo Leal e Marcelo Tupinambá - Interpretação de Roberto Fioravanti (1968)


Quando na roça anoitece / Fico sempre a meditá!.. / (Coro) Fica sempre a meditá!... (bis) / Meu coração, que padece, / Não me deixa sossegá!... / (Coro) Não o deixa sossegá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, / Quando ha lua / Chora o seu amo / E sem podê

se aconsolá / Garra logo a suspirá!... / (Coro) Quem ama, com fervô, etc.

Meu coração, com tristeza, / Quando surge o bom luá. / (Coro) Quando surge o bom luá... (bis) / Sabe, com muita firmeza, / Seus queixumes disfarçá!... / (Coro) Seus queixumes disfarçá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quem sabe amá, com ternura, / Nunca deixa de sonhá... / (Coro) Nunca deixa de sonhá! (bis) / Não sofre a negra amargura / Que me anda a acabrunhá! (Coro) Que o anda a acabrunhá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quando eu pego na viola, / Com vontade de cantá, / (Coro) Com vontade de cantá!... (bis) / Meu coração se aconsola, / Alliviando seus pená!.../ (Coro) Alliviando seus pená!... (bis)

Maricota, sai da chuva

Marcello Tupynambá (Fernando Lobo) - 1889 - 1953

Maricota, sai da chuva (tanguinho, 1917) - Canção sertaneja da opereta sertaneja Scenas da Roça - original de Arlindo Leal e música de Marcelo Tupinambá

Disco selo: Odeon / Título da música: Maricóta sáe da chuva / Marcello Tupynambá (Compositor) / Grupo "O Passos no Chôro" (Intérprete) / Flauta, Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121515 / Lançamento: 1919 / Gênero musical: Tanguinho / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação do Trio Madrigal junto com o Trio Melodia em 1952:

Disco 78 rpm / Título da música: Maricota sai da chuva / Marcelo Tupynambá (Compositor) / Trio Madrigal (Intérprete) / Trio Melodia (Intérprete) / Vero e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Nº do Álbum: 16600-a / Nº da Matriz: 2813 / Gravação: 19/Março/1952 / Lançamento: Julho/1952 / Gênero musical: Baião / Coleção de Origem: Nirez


Côro: Maricóta, sáe da chúva / Deixa, deixa de embromá / Maricóta, sáe da chúva / Que tu vaé te aconstipá / A chúva tá penêrano / Tá penêrano no á / Maricóta, sáe da chúva / Que tu vaé te aconstipá

Maricóta: Não tenho medo da chúva / Nem do ronco do trovão / Eu quero mêmo que chôva / Pra lavá meu coração

Penêra, chuva, penêra; / Não deixa de penêrá... / E prô sê triste rocêra / Como tu anda a chorá...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Lá no ceo tá fuzilano / Vejo as nuvens a se mexê, / Pode sê que seja engano / Se chovê logo se vê...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Óia o sór já pareceu... / Já, não chóve, nhô Vadô, / Óia o arco, lá no céu, / A trovada já passô...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Cala a bocca, nhô Vadô / Que essa chúva não me móia... / Vá s'imbora, minha gente, / Que moiada eu não estô...



Fonte: Instituto Moreira Salles.

São Paulo Futuro

Marcelo Tupinambá (Fernando Álvares Lobo - 29/5/1889 Tietê, SP - 4/7/1953 São Paulo, SP) musicou, em 1914, a revista musical "São Paulo Futuro", de Danton Vampré, que estreou no Teatro São José, em São Paulo. Em 1915 a canção "São Paulo futuro" foi gravada na Odeon pelo cantor Bahiano. Em 1917, musicou a revista "Cenas da roça", escrita por Arlindo Leal (José Eloy).

São Paulo Futuro (Maxixe Curtindo) (maxixe, 1914) - Marcelo Tupinambá - Intérprete: Bahiano

Disco selo: Odeon Record / Título da música: São Paulo Futuro (Revista) - Maxixe "Cortindo" / Marcelo Tupynambá (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 120986 / Nº da Matriz: R-16 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Maxixe / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação do cantor Roberto Fioravanti em 1968

LP Mensagem De Saudade (Vinyl) / Título da música: São Paulo Futuro / Marcelo Tupinanmbá (Compositor) / Roberto Fioravanti (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Álbum: CMG 2425 / Ano: 1968 / Gênero musical: Maxixe


Vem morena / pro teu furrié / tu não tens penado teu Mané.
Eu te espero / gemendo de dô / e desespero sem o teu amô

Ai, vem meu bem, / tu já deu teu coração...
Ai, tu não vem, / pois eu morro de paixão. (bis)

Vem marvada / este pranto secá / nas labaredas do teu olhar
Tu parece não ter coração / porque tu some, faz ingratidão.

Ai, vem meu bem...

Eu te imploro / pela última vez: /
Fica lá em casa / somente um mês, /
E depois que esse amô / tu prová /
Tu nunca mais há / de me abandoná.

Ai, vem meu bem...



Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Instituto Moreira Salles; Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB).

O matuto

A partir de meados dos anos dez, a música rural paulista saiu do âmbito regional, espalhando-se pelo país. Para isso foi decisivo o trabalho do compositor Marcelo Tupinambá, estilizador do gênero. Com toadas, cateretês e tanguinhos - preferia usar o diminutivo para diferenciar seus tangos dos de Ernesto Nazareth -, ele reinou no meio musical até o início da década de vinte.

Um de seus maiores sucessos é o cateretê O matuto, em que conta o desejo de um cearense desgarrado de voltar à sua terra: "Pro sertão do Ceará / tomara já vortá / tomara já vortá...". A escolha de um tema como este, ligado a outro estado, parece indicar uma aspiração do autor a se popularizar além das fronteiras paulistas.

Natural de Tietê, filho de uma família de músicos, Marcelo Tupinambá chamava-se realmente Fernando Lobo, tendo adotado o pseudônimo em razão dos preconceitos que existiam na época contra a música popular. A mudança de nome aconteceu por volta de 1915 em conseqüência do sucesso do maxixe São Paulo Futuro, de sua autoria. Ele contava que na ocasião, cursando a Escola Politécnica de São Paulo, onde se formou no ano seguinte, foi chamado ao gabinete do diretor Paula Souza, que o censurou: "Não permito que aluno meu ande fazendo maxixes. Quem vai confiar num engenheiro que faz maxixes?". Depois desta advertência, Fernando Lobo virou Marcelo Tupinambá.

O matuto (Canção Cearense) (cateretê, 1918) - versos de Cândido Costa e música de Marcelo Tupinambá

Interpretação pela dupla Os Geraldos em disco etiqueta "Gaúcho", lançado em 1916:

Disco selo: Gaúcho R / Título da música: O Matuto / Marcello Tupynambá (Compositor) / Cândido Costa (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Nº do Álbum: 4037 / Lançamento: 1916 / Gênero musical: Tango



Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1917:

Disco selo: Odeon R / Título da música: O Matuto / Marcello Tupynambá (Compositor) / Claudino Costa (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 121354 / Lançamento: 1917 / Gênero musical: Cateretê / Coleção de Origem: Nirez



Quando foi da meia-noite para o dia, / que eu deixei com cortezia / minha terra, o Ceará / as foias véias já cabia pela estrada, / vim marchando na picada / só na seca a matutá:

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

No cemiterio os mortos se alevantaram / uns aos outros perguntaram / que qu'eu havéra de querê? / nas catacumba os defunto té gemia / no céo as coruja ria / Eu mesmo não sei porquê...

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

As santas fêmea, na igreja já chorava / os santos macho só me oiava / com cada ôio assim! / Até os gallo e as gallinha não sabia / de corrê p'ra onde havia / tudo com medo de mim!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá.... (bis)

Quando eu cheguei dessa viagem cá no Rio / foi qu'antão logo se viu / qu'é qu'eu vinha cá fazê: / eu fui chamado só p'ra sê o presidente / desta terra, desta gente / sê o rei de vosmucês

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Logo o povo, muito amavo, foi dizendo / o dote qu'eu ia tendo: / o Pará, França, o Japão, / um iscalé com doze remo e vinte peça / mas abanei co'a cabeça / dizendo "Não quero, não!"

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Agora vorto p'r'o meu ceará querido / sinão fico home perdido / é mió eu i p'ra lá! / Quero i m'imbora e hei de i até a nado / sinão fico avaccaiado / como todo mundo está!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomara eu já vortá...


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, março 23, 2006

O cigano

Nem só de música sertaneja se constitui a obra de Marcelo Tupinambá. Um bom exemplo de seu lado cosmopolita é "O Cigano", uma das primeiras composições brasileiras a receberem a designação de fox-canção. Seguindo a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época, Tupinambá fez em estilo andaluz esta canção, que trata da transitoriedade do amor, através do canto de um misterioso cigano.

Com uma bela melodia (que lembra a composição Oriental, de Patápio Silva) vestindo esta fantasia de gosto duvidoso, O cigano fez sucesso em 1924, quando foi gravado por Vicente Celestino, e 22 anos depois, ao ser revivido por Francisco Alves. Até então, segundo Tupinambá, as edições impressas da canção já haviam vendido mais de cem mil exemplares, o dobro de O matuto, seu segundo maior sucesso. Gastão Barroso, que assina a letra com o pseudônimo de João do Sul, era um amigo de Tupinambá desde os tempos de mocidade.

O Cigano (fox-canção, 1924) - Marcelo Tupinambá e João do Sul

Intérpreteção de Vicente Celestino em disco Odeon lançado em 1924:

Disco selo: Odeon / Título da música: O cigano / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / João do Sul (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122748 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Fox Canção (no disco está impresso "Fox-Trot Sertanejo") / Coleções: IMS, Nirez



Interpretação de Francisco Alves em disco Odeon lançado em outubro de 1946:

Disco 78 rpm / Título da música: O cigano / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / João do Sul (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Fon-Fon e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 12727-b / Nº da Matriz: #8081 / Gravação: 14/agosto/1946 / Lançamento: Outubro/1946 / Gênero musical: Fox Canção / Coleções: IMS, Nirez



Um dia
eu em Andaluzia
ouvi um cigano cantar
Havia
no canto a nostalgia
de castanholas batidas ao luar
Mas era
a canção tão sincera
que eu a julguei para mim
E agora
que a minh'alma te chora
ouve bem a canção que era assim:

"O amor
tem a vida da flor
Não sonhe alguém
do seu sonho a colher
do seu sonho a colher
Pois bem
como acontece à flor
o lindo amor
principia a morrer
principia a morrer"

Cigano
que sabias o engano
por que me fizeste tão mal?
Não fôra
a canção traidora
e o meu sonho seria eternal
Quem há de
fugir à realidade
que vem desmentir a ilusão?



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, março 16, 2006

Marcelo Tupinambá

Marcelo Tupinambá (Foto: A Cena Muda, de 22/Outubro/1946)

Marcelo Tupinambá (Fernando Lobo), compositor e instrumentista, nasceu em Tietê SP, em 29/5/1889 e faleceu em São Paulo SP, em 4/7/1953. Filho de Eduardo Lobo, regente da Banda Santíssima Trindade, em Tietê, e sobrinho do maestro Elias Lobo, desde criança revelou inclinação para a música, aprendendo piano de ouvido e, mais tarde, violino com Savino de Benedictis. Cursando o ginásio em Pouso Alegre MG, executava diversos instrumentos e chegou a dirigir a banda local.

Em 1907, com apenas 15 anos de idade, exibiu-se em várias cidades da interior paulista, acompanhando ao piano o célebre flautista Patápio Silva, que excursionava a caminho do Sul. Em 1914, estudante da Escola Politécnica de São Paulo, alcançou seus primeiros êxitos, escrevendo músicas para a revista paulista São Paulo Futuro, de Danton Vampré, encenada também no Rio de Janeiro RJ, pela Companhia Arruda, no Teatro São José. Nessa época adotou o pseudônimo de Marcelo Tupinambá, sob o qual publicou uma série de composições: os tangos Pierrô, Xodó (com J. Taful), Viola cantadera (com Arlindo Leal), o fox-canção O cigano (com João do Sul) e o cateretê O matuto (com C. Costa).

Firmando-se como autor de melodias de inspiração sertaneja, suas composições foram publicadas por editoras paulistas e divulgadas de início através do teatro musicado. As revistas Cenas da roça e Flor do sertão, ambas de Arlindo Leal, incluíram êxitos como Tristeza de caboclo (com Arlindo Leal) e Maricota, sai da chuva.

Tupinambá - 1925
Formado engenheiro civil em 1916, exerceu a profissão até 1923, quando uma doença dos olhos o obrigou a desistir da carreira. Dedicou-se então inteiramente à música, escrevendo inclusive peças de caráter erudito, como a suíte para cordas Estrada velha, a partitura da ópera Abraão e os bailados Garoa, Burantã e Juca Mulato. Musicou poemas de Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira, Olegário Mariano, Coelho Neto e muitos outros, inclusive seu conterrâneo Ariovaldo Pires, o Capitão Furtado.

Suas músicas foram gravadas pelos mais conhecidos cantores da época: Francisco Alves lançou Ruana (com Arlindo Leal), Serenata d'amor (com Bento de Camargo) e Pião (com Fernando M. Almeida); Gastão Formenti estreou em disco Odeon interpretando o tango sertanejo Cabocla apaixonada (com G. Barroso), e mais tarde gravou a modinha Barbuleta, barbuleta (com José Elói) e a valsa Noite d'encanto (com Navis), na Brunswick. Além de Vicente Celestino e Patrício Teixeira, Abigail Maia divulgou muitas de suas obras no teatro musicado, e cantoras como Bidu Saião e Violeta Coelho Neto de Freitas interpretaram canções suas em salas de concerto.

Tornou-se conhecido inclusive no exterior, quando o barítono belga Armand Crabbé gravou em Paris o célebre Tristeza de caboclo. Em homenagem ao aviador paulista Ribeiro de Barros, fez a marcha Asas do Jaú, com letra de Otacílio Gomes.

Em 1928 assistiu em Porto Alegre a um festival de suas músicas com versos de poetas gaúchos. Para a Revolução de 1930 compôs o hino Redenção, com versos de Paulo Gonçalves. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, compôs outro hino marcial, O passo do soldado, com versos de Guilherme de Almeida. Como pianista atuou em diversas cidades do interior paulista, acompanhando os intérpretes de suas canções. Usou dos pseudônimos Biograph, Samuel de Maio, XYZ, Hélio Azevedo, L. Azevedo, Pedro Gil.

Algumas músicas










Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; The Boeuf Chronicles.