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segunda-feira, janeiro 14, 2013

Orquestra Pan American


A Orquestra Pan American foi criada por volta de 1927 pelo maestro, arranjador e violinista Simon Bountman, era integrada por I. Kolman, no saxofone e clarinete; Júlio Sammamede, no saxofone; D. Guimarães, no trompete; Caldeira Ramos, no trombone; J. Rondon, no piano; Amaro dos Santos, na tuba; Dermeval Neto, no banjo, e Aristides Prazeres, na bateria. Além de acompanhar dezenas de gravações na Odeon entre 1927 e 1930, a orquestra também gravou 47 músicas em 36 discos.

A orquestra estreou em disco em 1927 gravando o fox-trot Pergunte a ela, de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou os fox-trot Pérola do Japão, de J. Fonseca Costa, o Costina, e Uma noite de farra, de Lúcio Chameck; as toadas-brasileiras Paulicéia como és formosa; Quebra-cabeças e Magnífico e o maxixe Proeminente, de Ernesto Nazareth, além do maxixe Mexe baiana, de José Francisco de Freitas.

Em 1928, a orquestra gravou o maxixe Só de cavaquinho, de Luís Nunes Sampaio, o Careca, e as toadas brasileiras Desengonçado; Jacaré; Tenebroso e Jangadeiro e a marcha Ipanema, de Ernesto Nazareth; o maxixe Cor de canela, Lúcio Chameck e a valsa Minha vida pela tua, de Marcelo Tupinambá.

Nesse ano, a orquestra fez acompanhamento para as primeiras gravações, acompanhando o cantor Vicente Celestino no registro do samba Que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô. Em seguida, acompanhou Mário Reis nos sambas Jura, de Sinhô; Vou à Penha, de Ary Barroso e Dorinha, meu amor, de Freitinhas (José Francsico de Freitas), três gravações clássicas da música popular brasileira e Francisco Alves na canção Cabocla do sertão e no samba-sertanejo Rancho vazio, de Eduardo Souto; na marcha Seu Voronoff, de Lamartine Babo.

No ano seguinte, gravou os maxixes Uma noite em claro e Odeon e o samba Amanhã tem mais, de Mário Duprat Fiúza; o samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler; o samba Jura, de Sinhô; o maxixe Gosto assim, de I. Kolman e o choro Despresado, de Pixinguinha.

Ainda em 1929, a orquestra acompanhou o cantor Francisco Alves em mais de dez discos incluindo os sucessos Seu Julinho vem, marcha de Freire Júnior e Eu ouço falar (Seu Julinho), samba de Sinhô. Acompanhou ainda os cantores Alfredo Albuquerque; Raul Roulien; Oscar Gonçalves e Mário Reis, este, entre outras, no sucesso Vamos deixar de intimidades, de Ary Barroso, além da cantora Aracy Cortes no samba-canção A polícia já foi lá em casa, de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal, e nos sambas Quem quiser ver?, de Eduardo Souto; Tu qué tomá meu nome, de Ary Barroso e Zomba, de Francisco Alves. Ainda em 1929, a orquestra acompanhou a atriz Margarida Max na gravação do samba-canção Por que foi?, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Iglesias, e da marcha Olha a pomba, de Vantuil de Carvalho.

Em 1930, acompanhou Almirante na gravação dos sambas Tô t' estranhando, de Henrique Brito e Mário Faccini e Mulher exigente, de Almirante, além de acompanhar várias gravações de Mário Reis e Francisco Alves, destacando-se com esse último no acompanhamento da marcha Dá nela!, de Ary Barroso, grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda nesse ano, a orquestra acompanhou gravações de Augusto Calheiros, Gastão Formenti; Zaíra Cavalcânti; Aracy Côrtes; Luci Campos; Gilda de Abreu e Patrício Teixeira.

Em três anos de atuação a orquestra acompanhou mais de cem gravações de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Aracy Côrtes. Raul Roulien, Gilda de Abreu e outros.

Discografia

(1928) Só de cavaquinho • Odeon • 78
(1928) Desengonçado / Jacaré • Odeon • 78
(1928) Tenebroso / Jangadeiro • Odeon • 78
(1928) Ipanema • Odeon • 78
(1928) Saudades de Arlete • Odeon • 78
(1928) Cor de canela / Minha vida pela tua • Odeon • 78
(1928) Galo velho / Boêmia • Odeon • 78
(1928) Rayon D'Or • Odeon • 78
(1928) Canção do Volga / Negro pachola • Odeon • 78
(1929) Uma noite em claro • Odeon • 78
(1929) Alegria • Odeon • 78
(1929) Odeon • Odeon • 78
(1929) Jura • Odeon • 78
(1929) Rapsódia brasileira (I) / Rapsódia brasileira (II) • Odeon • 78
(1929) Iaiá (Linda flor) / Pìerrot 1950 • Odeon • 78
(1929) Amanhã tem mais • Odeon • 78
(1929) Fumaça branca • Odeon • 78
(1929) Gosto assim • Odeon • 78
(1929) Craddle of love • Odeon • 78
(1929) Cristina • Odeon • 78
(1929) Os boêmios • Odeon • 78
(1929) Camafeu / Despresado • Odeon • 78
(1930) A warbling booklet • Odeon • 78
(1930) If you believed in me / Noêmia • Odeon • 78
(1930) Conde Zeppelin • Odeon • 78
(1930) I'm on a diet of love / Mona • Odeon • 78
(1930) Charming / Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Hino Republicano Riograndense • Odeon • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Os passarinhos da Carioca

Largo da Carioca - Rio de Janeiro - Anos 1920

Os passarinhos da Carioca (marcha/carnaval, 1925) - Careca - Intérprete: Fernando

Disco selo: Odeon R / Título da música: Os passarinhos da Carioca / Luiz Nunes Sampaio "Careca" (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Acomp.) / Coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 122842 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleções: IMS, Nirez



Meu passarinho fugiu, fugiu
Meu passarinho voou, voou
Na Carioca ele pousou
Em frente à "Noite" cuspiu, cuspiu

Ai, como é bom
Se ouvir cantar
Os passarinhos
De lá, de lá

Das cinco às seis cantam os passarinhos
Mas que delícia se ouvir cantar
Mas o barulho é infernal
Embaixo deles não se pode estar

Casaco da mulata

Bahiano
Casaco da mulata (samba/carnaval, 1924) - Careca - Intérpretes: Bahiano e Maria Marzullo

Disco selo: Odeon R / Título da música: Casaco da Mulata / José Nunes Sampaio "Careca" (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Maria Marzullo (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122639 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Samba carnavalesco / Coleções: IMS, Nirez


Ó mulata feiticeira
Seu perfume de alecrim
Que perfuma a terra inteira
Eu te quero só pra mim


Tu tens graça, tu encantas
A dor mal de um coração
Tu pareces quando canta
A juriti lá do sertão


"Vem cá mulata"

"Não vou lá não
Vou já vestir
O meu casaco à prestação"

A toada que inebria
Tuas formas nos faz mal
Tu és a nossa alegria
Ó mulata divinal

Ó mulata tem xodó
Tens um porte majestoso
Quero ser o teu coió
Toda vida e bem ditoso

Vem ouvir o meu cantar
Vem saber o meu amor
Ouve agora o verbo amar
Dos lábios do seu cantor

Nunca deixe de me ver
Nunca queira ser ingrata
No mundo não pode haver
Outra como tu, mulata

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Ba... Be... Bi...

Bahiano
Ba... Be... Bi... (samba, 1920) - Luiz Nunes Sampaio (Careca) - Interpretação de Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Ba... Be... Bi... / Luiz Nunes Sampaio "Careca" (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Flauta e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121722 / Lançamento: 1920 / Gênero musical: Samba Carnavalesco / Coleção de fontes: IMS, Nirez



Um B com A - B-A-Bá / Um B com É - B-É-BÉ
Um B com I – B-I-BI / Um B com Ó – B-Ó-BÓ
Um B com U – B-U-BU

Acubabá gelê / Vai pra escola Gegê / Pra aprendê a lê

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Deixa as cadeiras da nêga buli

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Venha entrando que eu quero saí

Castanha de caju / Vamos comer angu / Lá em Cabuçu

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu comi empada arrotei lambari

Agora é que eu ia / Direto para Bahia / Ver a folia

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu vou mas é na praça dormi

Não seja assim carmurro / Senão eu torço o burro / Olá seu burro

B-A-BÁ / B-E-BÉ / B-I-BI
Eu vou beber é meu Parati

segunda-feira, outubro 23, 2006

Careca

Careca (Luis Nunes Sampaio), pianista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/2/1886 e faleceu na mesma cidade em 21/5/1953. Morador do bairro do Catumbi foi um grande animador do carnaval carioca na década de 1920.

Esteve ligado ao Clube dos Fenianos e ao Clube dos Zuavos, dos quais participava das festas tocando ao piano choros "convidativos" e "desengonçados" maxixes, conforme palavras de Jota Efegê. Participou também da criação de alguns blocos carnavalescos.

Em 1919, organizou o Bloco dos Almofadinhas e que fez sucesso nos desfiles carnavalescos. Em 1920, teve o samba-carnavalesco Bá bé bi e o tango Sapequinhas gravados na Odeon pelo Grupo do Além. No mesmo ano o samba carnavalesco Bê-a-bá foi regravado por Bahiano, constituindo-se o primeiro sucesso do compositor, música também conhecida como Deixa as cadeiras da nega buli ou então como Babá do Careca.

Ainda nesse ano, fundou com o jornalista e cronista carnavalesco da revista A Vanguarda, Jaime Correia, também conhecido como Bicanca, o Bloco carnavalesco "Foi ela ela que me deixou", para o qual compôs samba com o mesmo título.

O Bloco desfilou em 1921 com homens travestidos de mulheres e cantando o samba composto especialmente para o grupo carnavalesco que saiu do Catumbi e estendeu seu desfile até as Ruas Salvador de Sá e Machado Coelho. Esse Bloco, ao que parece, desfilou regularmente até meados da década de 1920.

Destacou-se em 1922 com o samba-carnavalesco Ai, seu Mé, parceria com Freire Júnior, que satirizava o candidato à presidência da República Artur Bernardes apelidado popularmente de "Carneiro", "Rolinha" e "Seu Mé", gravada na Odeon pelo Bahiano. Artur Bernardes venceu as eleiões e os autores da marcha, grande sucesso no carnaval daquele ano, embora sob o pseudônimo de "Canalhas da rua", acabaram perseguidos. Freire Júnior acabou preso e o parceiro teve que se esconder fora do Rio de Janeiro.

No mesmo ano, seu samba As meninas de hoje foi gravado na Odeon pela Orquestra Augusto Lima e a marcha Com esta figa e a canção Foi ela quem me deixou foram lançadas pelo cantor Bahiano.

Em 1923, teve o samba-carnavalesco Um, dois, três e os sambas Ceroula não é cueca e Iaiá me leva pra cadeirinha gravados por Bahiano, que firmou-se como seu principal intérprete. Em 1924, teve gravado seu maior sucesso o samba O casaco da mulata, também conhecido como O casaco da mulata é de prestação, grande êxito carnavalesco gravado quase simultâneamente pelo Orquestra Brasil-América e pelo cantor Bahiano em dueto com Maria Marzulo.

Obteve novo êxito carnavalesco em 1925 com a marcha Os passarinhos da Carioca gravado pelo Grupo do Pimentel e logo em seguida pelo cantor Fernando. No final desse ano, o cantor Fernando gravou a marcha Oh! Serafina e os sambas Ela disse uma vez pra mim e Mulata, sai do portão, com vistas ao carnaval do ano seguinte. Em 1927, teve duas obras gravadas por Francisco Alves na Odeon, a marcha Ai Lelé lé lé e o samba Foi você quem me deixou.

Grande folião, destacou-se nas batalhas de confete famosas na época que eram as das ruas Santa Luísa, no Centro da cidade e Dona Zulmira, bairro de Vila Isabel, chegando a receber diversos prêmios como taças e estátuas que chegaram a ser expostas por ele em vitrine da Rua Gonçalves Dias, no Centro da então Capital Federal, o Rio de Janeiro.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

segunda-feira, abril 03, 2006

Ai, seu Mé

Freire Jr.
No final de 1921, a campanha eleitoral para a sucessão do presidente Epitácio Pessoa empolgava o país. Eram candidatos Artur Bernardes, pela situação, e o dissidente Nilo Peçanha, pela oposição. Vítima de uma calúnia jornalística, Bernardes cairia na antipatia do povo, que passou a chamá-lo de "Carneiro", "Rolinha" e "Seu Mé". A razão dos apelidos era sua suposta passividade diante das maquinações políticas, defeito que lhe atribuíam os adversários.

Acreditando numa derrota do candidato oficial, os compositores Freire Júnior e Careca (Luís Nunes Sampaio) decidiram, então, participar da campanha ridicularizando-o na marchinha "Ai Seu Mé":

"Ai Seu Mé / ai Seu Mé / lá no Palácio das Águias, olé / não hás de pôr o pé (...) Rolinha desista / abaixe esta crista (...) a cacete / não vais ao Catete / não vais ao Catete...".

Na realidade um plágio, uma espécie de colagem de três sucessos da época - o fox "Salomé" (de R. Stolz e E. Neri, que teve uma versão em português com o título de "Abajur" ); a canção "Mimosa" (de Leopoldo Fróes); e a marcha "Ai Amor" (do próprio Freire Júnior) - o "Ai Seu Mé" caiu imediatamente nas graças do público, tornando-se o grande sucesso do carnaval de 1922, apesar da proibição da polícia, que chegou a recolher os discos gravados pelo Baiano e a Orquestra Augusto Lima.

Contrariando o prognóstico dos autores, "Seu Mé" foi eleito, empossado e passou quatro anos no Palácio das Águias, governando sob estado de sítio. E de nada valeu a precaução de assinarem a composição com o pseudônimo de "Canalha das Ruas", pois Freire Júnior acabou sendo "preso e recolhido à solitária por duas ou três vezes" (segundo o historiador Ary Vasconcelos), enquanto Careca, mais esperto, passava uma temporada escondido, fora do Rio. Se Mário de Andrade fosse comentar esta história, diria certamente: "mas isso é tão Brasil...".

Ai Seu Mé (marcha, 1922) - Freire Júnior e Careca

"Canalha das Ruas" lança disco selo Popular em 1920:

Disco selo: Popular R / Título da música: Ai Seu Mé / Freire Júnior (Compositor) / Careca (Compositor) / Canalha das Ruas (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 4054 / Nº da Matriz: #4054 / Lançamento: 1920 / Gênero musical: Marcha / Coleção: Nirez D



Cantor Bahiano lança disco selo Odeon em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Ai Seu Mé / Freire Júnior (Compositor) / Careca (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra do Chico Boia (Acomp.) / Coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 122115 / Nº da Matriz: #122115-5 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Marcha / Coleções: IMS, Nirez



Interpretação de Francisco Alves em disco Odeon lançado em 1927:

Disco selo: Odeonette / Título da música: Ai Seu Mé / Freire Júnior (Compositor) / Careca (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Nº do Álbum: 103-uma / Nº da Matriz: 109 / Lançamento: 1927 / Gênero musical: Marcha



O Zé Povo quer a goiabada Campista
Rolinha desista / Abaixe esta crista
Embora se faça uma "bernarda"
A cacete / Não vais ao Catete
Não vais ao Catete

Ai seu Mé / Ai Mé Mé
Lá no Palácio das Águias, olé
Não hás de pôr o pé

O queijo de Minas tá bichado
Seu Zé / Não sei porque é
Não sei porque é
Prefira bastante apimentado, Yayá
O bom vatapá / O bom vatapá



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34