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sábado, novembro 25, 2017

Regional / Sertanejo - Letras, cifras e músicas


Músicas regionais / sertanejas - Letras, cifras e músicas



















Outras páginas com músicas sertanejas: Luiz Gonzaga


segunda-feira, junho 03, 2013

Alencar Terra

Alencar Terra (? - 20/05/1963 Rio de Janeiro, RJ), compositor, instrumentista e professor de acordeom, durante muitos anos manteve uma academia de música no Rio de Janeiro muito procurada por alunos interessados em aprender a tocar o acordeom.

Em 1944, gravou pela Odeon Melodias russas e Melodias infantis. No mesmo ano gravou as valsas de Gastão Lamounier e Mário Rossi Um amor que se vai e Não nasceste para mim, esta com acompanhamento das acordeonistas Alice e Marina.

Em 1948, gravou de sua autoria o choro Aí que está. Em 1949, gravou as valsas Saudades de Guarapari, de sua autoria e L. Plácido, e Recordações de Anápolis, de sua autoria e José Terra . No mesmo ano acompanhou ao acordeom a atriz e cantora Adelaide Chiozzo na gravação de dois discos pela Star, incluindo as valsas Saudades de Guarapari e Recordações de Anápolis e a rancheira Venho de Minas de sua autoria e J. Portela.

Em 1950 gravou, de Waldir Azevedo, o clássico choro Brasileirinho e, de sua autoria, a mazurca Mazurka nº1 e a valsa Lúcia. No mesmo ano, o cantor e compositor Zé do Norte gravou da parceria dos dois os baiões Estrela-d'Alva e Cabra macho é Pernambuco. Também no mesmo ano, acompanhou a cantora e atriz Adelaide Chiozzo na polca Pedalando, de Anselmo duarte e Bené Nunes, interpretada no filme Carnaval no fogo.

Em 1951, gravou de sua autoria e Carrol Blanchez a rumba-mambo Los negritos. Ainda no mesmo ano, teve a marcha A los toros, parceria com Nelson Teixeira gravada pela vedete e nudista Luz del Fuego.

Em 1952, gravou, acompanhado de Toninho e Marieta, a canção Canção da minha terra, o cateretê Paulistinha, a toada Chico Carrero e a rancheira Compadre Malaquias, todas de sua autoria e Geraldo Quirino. No mesmo ano, lançou com a dupla sertaneja Pacheco e Paixão a valsa Saudades do Paraíso, de Pacheco, e o rasqueado Despedida de Cuiabá, de Pacheco e Érico Ramos de Oliveira. Teve ainda a polca Zé da Banda gravada por Adelaide Chiozzo.

Em 1953, gravou de sua autoria a valsa Vamos dançar e o bolero Só quem conhece a saudade, com arranjos de sua autoria sobre tema de Tchaikowsky. Em 1954, gravou de sua autoria e Abel Ferreira a tarantela O casamento do Genaro. Em 1955 gravou com Zé Praxédis, de sua autoria, a quadrilha Quadrilha. Em 1956 gravou de Pato Preto e Boanerges Guedes o batuque baião O canto da siriema.

Em 1999, o selo Revivendo relançou a polca Pedalando, na qual aparece fazendo acompanhamento ao acordeom para Adelaide Chiozzo no CD Músicas brasileiras - volume 3. Ao falecer, deixou admirável bagagem de composições no repertório regional.

Obras

Aí que está, Baile na fazenda, Cabra macho é Pernambuco (Zé do Norte), Canção da minha terra (c/ Geraldo Quirino), Chico Carrero (c/ Geraldo Quirino), Compadre Malaquias (c/ Geraldo Quirino), Duas guitarras, Durand no choro, Estrela-d'Alva (c/ Zé do Norte), Los negritos (c/ Carrol Blanchez), Lúcia, Mazurka nº 1, Meu amigo garçom, Mineirinho, O casamento do Genaro (c/ Abel Ferreira), Paulistinha (c/ Geraldo Quirino), Pisei na brasa, Quadrilha, Recordações de Anápolis (c/ L. Plácido), Sacramento, Saudades de Guarapari (c/ José Terra), Sugestivo, Vamos dançar, Venho de Minas, Zé da banda.

Discografia

(1944) Melodias russas/Melodias infantis • Continental • 78
(1944) Um amor que se apaga/Não nasceste para mim • Continental • 78
(1948) Baile na fazenda/Sacramento • Star • 78
(1948) Recordações de Anápolis/Pisei na brasa • Star • 78
(1948) Aí que está/Vivia a sonhar • Star • 78
(1949) Barril de chopp/Parabéns • Star • 78
(1949) Saudações de Guarapari/Recordações de Anápolis • Star • 78
(1950) Brasileirinho/Mineirinho • Star • 78
(1950) Mazurka nº1/Lúcia • Star • 78
(1951) Dança das bonecas de pau/Los negritos • Star • 78
(1952) Canção da minha terra/Paulistinha • Star • 78
(1952) Chico Carrero/Compadre Malaquias • Star • 78
(1952) Saudades do paraíso/Despedida de Cuiabá • Star • 78
(1953) Durand no choro/Vamos dançar • Copacabana • 78
(1953) Só quem conhece a saudade/Queixas de um coração • Copacabana • 78
(1953) Tema do concerto de Varsóvia/Duas guitarras • Copacabana • 78
(1954) Trem oriental/O casamento do Genaro • Copacabana • 78
(1955) Flor do matal/Sugestivo • Copacabana • 78
(1955) Meu amigo garçom/Quadrilha • Copacabana • 78
(1956) O canto da siriema/Discussão • Copacabana • 78
   
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, janeiro 08, 2013

Téo Azevedo


Téo Azevedo (Teófilo Azevedo Filho), cantor, compositor, escritor, folclorista, radialista e produtor fonográfico, nasceu na localidade de Alto Belo, município de Bocaiúva, norte de Minas Gerais, em 02/07/1943. Em 1965, gravou no estúdio Discobel seu primeiro disco, interpretando a música de domínio público Deus te Salve, Casa Santa para a qual compôs mais três estrofes e mudou a melodia tradicional cantada no norte de Minas. No mesmo período apresentou-se fazendo a abertura de shows de variados artistas, tais como Caxangá e Vicente Lima, e Zé Brasil, que se apresentavam em circos e praças públicas.

Em 1968, foi escolhido O Melhor Compositor Mineiro do Ano pelo cronista Gérson Evangelista, do jornal mineiro O Debate. No ano seguinte, mudou-se para São Paulo. Na capital paulista aprendeu todas as modalidades de cantoria do Nordeste com o cantador alagoano Guriatã de Coqueiro. Apresentou-se como cantador nas ruas de São Paulo, correndo o chapéu entre os ouvintes. Cantou sextilhas com o iniciante  Alceu Valença na Feira de Arte da Praça da República, criada por Antônio Deodato, alagoano conhecido como Deodato Santeiro. Daquela Feira de Arte participavam diversos cantadores e cordelistas, entre os quais Maxado Nordestino, Sebastião Marinho e Coriolano Sérgio. Em São Paulo tornou-se também parceiro de Venâncio, da dupla Venâncio e Curumba, de quem tornou-se amigo.

Em 1978, lançou o disco Brasil, Terra da Gente, no qual gravou, entre outras composições, Viola de bolso, uma transposição para folia de reis de versos de Carlos Drummond de Andrade. No mesmo ano, foi vencedor do Primeiro Festival de Música Sertaneja promovido pela Rádio Record de São Paulo com a toada Ternos pingos da saudade, feita em parceria com o poeta Cândido Canela. Além do prêmio de melhor melodia e de melhor letra, recebeu também o prêmio de melhor interpretação. No ano seguinte, participou da abertura da Feira do Livro na Praça Sete de Setembro, sendo convidado em seguida para gravar os jingles e spots de lançamento do primeiro Torneio de Repentes de Minas Gerais.

Em 7 de janeiro de 1980 fundou, com outros companheiros como Amelina Chaves, Jason de Morais, Josece Alves, Silva Neto, Pau Terra, João Martins e o grupo Agreste, a ARPPNM, Associação dos Repentistas e Poetas Populares do Norte de Minas. Ainda em 1980, descobriu o violeiro, tocador de rabeca e construtor de instrumentos Zé Coco do Riachão, do qual produziu os primeiros discos.

Seu primeiro livro lançado foi Literatura popular do norte de Minas. Em 1982, lançou a segunda edição de seu segundo livro, Plantas medicinais e benzeduras, cuja primeira edição de 10 mil exemplares se esgotou.

Em 1994, teve as músicas Cachorro sem dono e Dona Criola gravadas pelo cantor Luano do Recife. Já escreveu mais de mil histórias de cordel. Individualmente lançou mais de 10 discos. Participou ainda de discos de outros artistas, como Som Brasil com Rolando Boldrin, 10 anos do Paço das Artes (MIS- SP), Chapéu de couro com Jorge Paulo, Repentistas do norte de Minas, Luiz Gonzaga: 70 anos de sanfona e simpatia e outros.

Em 1997, interpretou a música For Bobby Keys (Music and Life), versão de Michael Grossmann, no disco do saxofonista Bobby Keys da banda inglesa Rolling Stones. No mesmo ano, gravou com Charlie Musselwhite, tido como o maior gaitista de blues do mundo, com o qual interpretou a composição Puxe o fole, sanfoneiro Dominguinhos tocador, de sua autoria, que foi indicada como a melhor do CD.

Já teve cerca de mil e quinhentas músicas gravadas pelos mais diversos intérpretes, entre os quais Luiz Gonzaga, Sérgio Reis, Clemilda, Tião Carreiro, Zé Ramalho, Banda Cacau com Leite, Tonico e Tinoco, Jair Rodrigues, Cascatinha e Inhana, Zé Coco do Riachão, Caju e Castanha, Milionário e José Rico, Chrystian e Ralf, Pena Branca e Xavantinho, Jackson Antunes, Gedeão da Viola, Genival Lacerda, Zé Ramalho.

Até 2000 constava como o terceiro compositor com mais músicas gravadas no Brasil. Tem tido como parceiros, entre outros, Cândido Canela, Jansen Filho, Taís de Almeida e Lourival dos Santos. Musicou o poema Viola de bolso de Carlos Drummond de Andrade. É considerado, usualmente no meio, o maior produtor de discos do Brasil, com mais de 3.000 produções até 1999, tendo lançado diversos artistas da música regional e estimulado outros tantos iniciantes, como foi o caso de Zeca Collares.

Foi, durante 30 anos, Mestre de Folia de Reis, tendo sido um dos criadores do Terno de Folia de Alto Belo. Na mesma localidade, coordena e apresenta anualmente a Festa dos Santos Reis de Alto Belo, considerada por muitos a maior festa de folia de reis do Brasil.

Em 2001, o jornalista Assis Ângelo publicou Cantador de Alto Belo, sobre a vida de Téo Azevedo. Também no mesmo ano, Téo participou do CD Veredas do Grande Sertão, de Jackson Antunes, cantando a música homônima ao título do disco, de sua autoria. Lançou pela Kuarup Discos o CD Téo Azevedo - 50 anos de cultura popular - Cantos do Brasil puro, que teve as participações dos violeiros Gedeão da Viola e Tião do Carro, e apresentação do jornalista Assis Ângelo.

Comemorando 60 anos, em 2003, Téo Azevedo lançou o CD Brasil com "S" - vol. 1, em que reúne vários convidados, mostrando, em música e poesia, pérolas do sertão mineiro. Entre os convidados, estão Rodrigo Mattos, Dedé Paraízo, Fernanda Azevedo, João Mulato & Paraíso, Cowboy & Estradeiro, José Fábio, José Osmar & Afonso Pimenta, Cantadeiras de Alto Belo, e Jackson Antunes. Na mesma ocasião lançou outro CD comemorativo de seus 60 anos. Brasil com "s" Vol.2 reúne outros convidados do artista, cantando um repertório característico da cultura sertaneja.

Discografia

(1974) Grito Selvagem • Independente • LP
(1978) Brasil, Terra da Gente • Copacabana • LP
(1979) Morte de vaqueiro • Copacabana • LP
(1980) O canto do cerrado • WEA • LP
(1987) Cantador Violeiro • Copacabana • LP
(1993) Teo Azevedo • Copacabana • LP
(1993) Cultura popular • Independente • LP
(1994) Guerrilheiro da natura • Brasidisc • LP
(1999) Cantador de Alto Belo • Eldorado • CD
(1999) Solos de Viola em dose dupla • Eldorado • CD
(1999) Folia de Reis de Alto Belo • Eldorado • CD
(2000) Forró, Calango e Blues • Eldorado • CD
(2001) Téo Azevedo -50 anos de cultura popular • Kuarup • CD
(2002) Téo Azevedo/Fernanda Azevedo e convidados • EMI • CD
(2003) Brasil com "s" Téo Azevedo e convidados Vol.1 • Kuarup • CD
(2003) Brasil com "s" Vol.2 Téo Azevedo e convidados • Kuarup • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

Cândida Rosa

Cândida Rosa - 1956
Cândida Rosa, cantora e atriz (circa 1935 - Rio Grande do Sul). Em 1956, foi escolhida a "Rainha do Rádio gaúcho". Nessa época desfrutava grande popularidade em todo o Rio Grande do Sul.

Em 1958, foi escolhida a "Melhor cantora do Rádio gaúcho". No ano seguinte, contratada pela RGE gravou o fox-canção Foi Deus, de Alberto Janes, e o fox-slow De degrau em degrau, de Nóbrega Souza e Jerônimo Bragança.

Em 1961, gravou pela RGE as músicas Vocês sabem lá, de Jerônimo Bragança e Nobrega Souza, e Deixá-la falar, de João Nobre e José Galhardo.

Sua carreira ficou mais restrita ao Rio Grande do Sul numa época em que muitos talentos regionais não alcançavam devidamente a projeção nacional.

Discografia

(1959) Foi Deus / De degrau em degrau • RGE • 78
(1961) Vocês sabem lá / Deixá-la falar • RGE • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Edigar Mão Branca

Edigar Mão Branca (Edigar Evangelista dos Anjos), cantor e compositor, nasceu em Lodo das Jegas no Município de Macarani no interior da Bahia, em 14/1/1959. Com seis anos mudou-se para Itapetinga, Bahia. Artista ligado à música de raiz, trabalhou em rádio e participou do movimento estudantil e de grupos de teatro.

No fim dos anos 1970, mudou-se para São Paulo, onde tocou na noite. Voltou posteriormente para Itapetinga, onde retornou a trabalhar na rádio e com música.

Pouco a pouco foi abandonando o rádio e dedicando-se apenas à música, apresentando e conquistando respeito e prestígio no circuito do forró e da música regional.

Recusou-se a gravar em diversas gravadores para não mudar seu estilo. Tornou-se um ídolo do forró nos sertões da Bahia, por onde já se apresentou, cantando em arrasta-pés, lançando, até hoje, mais de dez discos.

Em 1998, lançou o independente "Estradante", com destaque para "Sãojoãozinho pela Bahia", "Severina Cooper (It's not mole não)" de Accioly Neto, e os forrós "Coisa gostosa", "Lua, sol e forró", "Raparigando" e "Festa de Argolinha".

Em 1999, lançou "Imbruiada" pela gravadora Velas, interpretando, entre outras, "Recado ao Presidente" dele e Anchieta Dali, criticando a política de combate à seca do governo federal, "O meu país", de Orlando Tejo, Livardo Alves e Gilvan Chaves, "Bibia", de Louro Branco, onde declama à moda dos trovadores, acompanhado apenas por uma viola, além de "Rabo de boi", falando da vaquejada e "Reisado a São José", abordando o reisado.

Obras
Benza à Deus, Coisa gostosa, Festa de argolinha, Gabiraba, Igaporã, Lua, sol e forró, No deserto do meu peito, Rabo de boi, Raparigando, Recado ao presidente (c/ Anchieta Dali), Reisado a São José, Sãojoãozinho pela Bahia.

Discografia

1998 - Estradante • Independente • CD
1999 - Imbruiada • Velas • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, agosto 11, 2012

Caetano Erba

Caetano Erba (José Caetano Erba), compositor, nasceu em 11/09/1937 em Pederneiras, interior do Estado de São Paulo, e faleceu em 11/07/2009 em São Paulo. Junto com seus pais, trabalhou nas lavouras de café até os 18 anos de idade.

Desde os 11 anos já escrevia seus primeiros versos, influenciado que foi pela convivência com as freqüentes festas da roça, catiras e bailes de terreiros onde ouvia a música de violeiros, sanfoneiros e cantadores da região e adjacências que por lá se apresentavam.

Em 1958, formou-se em Contabilidade e dois anos depois foi trabalhar no extinto “Banco de São Paulo S.A”, ocasião na qual se mudou para a capital paulista, onde ocupou o cargo de bancário até 1976.

Em São Paulo, conheceu João Salvador Perez, o Tonico, através de Craveiro e Cravinho, que foi, inclusive a dupla que gravou em 1968 a primeira composição de Caetano Erba, "Pai da Aviação". Participou também de diversos festivais sertanejos, tendo obtido o segundo lugar nos de Santa Izabel e também no da inauguração do Parque Ecológico, em São Paulo. Tirou o primeiro lugar nos concursos de Garça e Jacareí.

Em 1972, recebeu o título de "Cidadão Pederneirense". Participou de diversos programas de rádio na capital paulista e também foi jurado em diversos festivais, em cidades como Santo André, Jacareí e Guarulhos. Também foi José Caetano Erba que escreveu o prefácio do livro "Da Beira da Tuia ao Teatro Municipal", escrito por Tonico e Tinoco.

Diversos intérpretes gravaram e continuam gravando suas composições, entre os quais, Craveiro e Cravinho, Tonico e Tinoco, Ramiro Vióla e Pardini, Liu e Léu, Vieira e Vieirinha, Cacique e Pajé, Mococa e Paraíso, Pena Branca e Xavantinho, Tião do Carro e Jackson Antunes”, entre outros.

Continuou compondo, com bastante Inspiração, até o final de sua vida; e possui centenas de poemas até então inéditos. As músicas "Mala Amarela" (José Caetano Erba e Paraíso), "Saco de Ouro" (Paraíso e Caetano Erba) e "Mãe de Carvão" (Tião do Carro e Caetano Erba), eram, nessa ordem, suas três composições preferidas, segundo seu próprio depoimento.

José Caetano Erba faleceu no dia 11 de julho de 2009, vítima de uma doença degenerativa contra a qual esse grande poeta vinha lutando há mais de dois anos.

Obras

- Abelha (José Caetano Erba e Pirajá)
- A Formiguinha (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- A Freira (José Caetano Erba e Francisco de Assis)
- A Grande Volta (Tupy e José Caetano Erba)
- A Loira do Bar (José Caetano Erba e Paraíso)
- Altar do Mundo (Paraíso e José Caetano Erba)
- Amar Você (Tião do Carro e Caetano Erba)
- A Mudança (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Ano 2000 (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Aquele Homem (José Caetano Erba, Rodrigo Mattos e Garutti)
- Asilo (José Caetano Erba, Rodrigo Mattos e Cuiabá)
- Ave Noturna (José Caetano Erba e Tião Carreiro)
- A Viola no Teatro (Tonico e José Caetano Erba)
- A Visão de um Preto Velho (Caetano Erba e Paraíso)
- A Volta (José Caetano Erba e Vileno)
- A Volta do Filho (Tião do Carro e Caetano Erba)
- A Volta do Filho Pobre (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Bendito Seja o Mobral (Tonico, Tinoco e José Caetano Erba)
- Berço de Espinhos (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Blusão de Couro (José Caetano Erba e Paraíso)
- Boiadeiro (José Caetano Erba e Cézar)
- Bolha de Sabão (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Brasil 500 Anos (Cacique, Pajé e Caetano Erba)
- Cabritinha de Ouro (Caetano Erba, Da Costa e Cacique)
- Cadeira de Balanço (Caetano Erba e Paraíso)
- Cama de Areia (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Campo de Batalha (Caetano Erba e Cacique)
- Canção da Estrada (José Caetano Erba e Paraíso)
- Capiau (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Caquinho de Saudade (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Carta de Caboclo (José Caetano Erba)
- Casa de Chão (Paraíso e Caetano Erba)
- Casa de Infância (Caetano Erba, Luciano e Cacique)
- Casa de Sítio (José Caetano Erba)
- Cavalo Cego (José Caetano Erba)
- Cento e Quatorze Capelas (José Caetano Erba)
- Chapéu de Palha (Caetano Erba e Toni Gomide)
- Cobra Enrolada (Caetano Erba e Cacique)
- Comitiva de Saudade (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Consulte Sempre um Caipira (Cacique, Caetano Erba e Da Costa)
- Coração Caipira (Caetano Erba e Rio Pardo)
- Cortina Dourada (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Descaminho (José Caetano Erba e Francisco de Assis C. Oliveira)
- Desencontro (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Deus da Natureza (Caetano Erba e João Henrique)
- Dois Astros (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Dose Certa (Caetano Erba e Tião do Carro)
- Dr. Coração (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Dr. da Agricultura (Tonico, Tinoco e José Caetano Erba)
- Dr. Palhaço (José Caetano Erba)
- Duelo Sem Espada (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Estradinha de Terra (José Caetano Erba)
- Eta Baita Bicho Bão (Tonico, José Caetano Erba e Benjamim)
- Exemplo de Cão (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Favela (José Caetano Erba e Paraíso)
- Fazenda Barra Mansa (José Caetano Erba)
- Fazenda do Braga (Caetano Erba, Cacique e Russo)
- Feliz Ano Novo (José Caetano Erba)
- Ferro à Brasa (José Caetano Erba e Paraíso)
- Festa de Fim de Ano (José Caetano Erba e Zé Matão)
- Festa de Sítio (José Caetano Erba)
- Figura do Velho (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Filhote de Onça (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Filme na Roça (Caetano Erba e Paraíso)
- Fim da Colheita (José Caetano Erba)
- Fogueira (José Caetano Erba e Zé Matão)
- Francisco de Assis (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Garganta do Mundo (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Gaveta Velha (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Graça Divina (José Caetano Erba, Rodrigo Mattos e Barbosa)
- Guerra de Amor (José Caetano Erba e João Carvalho)
- Guerra de Trinta Segundos (Vicente P. Machado e José Caetano Erba)
- Hino da Criança (Tonico, Tinoco e José Caetano Erba)
- Hino Sertanejo (Tonico e José Caetano Erba)
- Homem Triste (Paraíso, José Caetano Erba e Craveiro)
- Igreja de Pedra (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Jardineira Amarela (Caetano Erba e Tião do Carro)
- Jaula do Mundo (Paraíso, José Caetano Erba e Cézar)
- Jeito de Amar (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- João Feio (José Caetano Erba)
- João Roceiro (José Caetano Erba)
- Joãozinho da Favela (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Juca dos Treze (Craveiro e José Caetano Erba)
- Lavoura da Paixão (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Lembrança da Roça (José Caetano Erba)
- Lembrança da Roça (José Caetano Erba e João Pinheiro)
- Lembrança do Carreiro (José Caetano Erba e Ramiro Vióla)
- Lembranças do Meu Pai (José Caetano Erba e Mazinho Quevedo)
- Língua do Povo (Paraíso e José Caetano Erba)
- Livro de Areia (José Caetano Erba e Gentil de Lima)
- Lobo, Fogo e Ventania (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Luva de Amor (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Madalena (José Caetano Erba)
- Mãe Branca (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Mãe de Carvão (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Mãe Doce Nome (José Caetano Erba)
- Mãe Querida (José Caetano Erba e Brazandinho)
- Mala Amarela (José Caetano Erba e Paraíso)
- Mala de Ouro (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Mansão dos Coqueiros (José Caetano Erba)
- Marcas Profundas (José Caetano Erba e Brazando)
- Maria e José (José Caetano Erba e Lourival dos Santos)
- Menino de Rua (José Caetano Erba)
- Mensagem do Trovador (Tonico, José Caetano Erba e Raimundo Prates)
- Meu Bolerão (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Meu Cachorro Fiel (Tonico, Tinoco e Caetano Erba)
- Meu Pai (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Meu Retrato (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Mina de Areia Branca (José Caetano Erba)
- Minha Vida (José Caetano Erba)
- Miragem das Flores (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Moça Canavieira (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Moto Vermelha (Cézar e José Caetano Erba)
- Mundo da Lua (José Caetano Erba e Paraíso)
- Mundo Moderno (J.dos Santos e José Caetano Erba)
- Museu do Meu Sertão (Tonico, Jota dos Santos e José Caetano Erba)
- Narrando a Saudade (José Caetano Erba e Paraíso)
- Natal da Roça (José Caetano Erba)
- Natal no Sertão (Tonico e Caetano Erba)
- Nico Pejo (José Caetano Erba)
- Ninho de Andorinha (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Ninho de Veludo (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- No Caminho do Pai (José Caetano Erba e Vileno)
- Nóis é do Mato Mais Nóis Conhece (Cézar e José Caetano Erba)
- Nossa Senhora (José Caetano Erba)
- O Bom Pastor (Tonico, Tinoco e José Caetano Erba)
- O Cachorro e o Andarilho (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- O Choro da Goteira (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- O Diploma e o Chapéu (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- O Escravo (Caetano Erba e Paraíso)
- O Homem de Sorte (Caetano Erba, José Luís e Cacique)
- O Lixeiro e o Doutor (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- O Peão e a Flôr (Paraíso e José Caetano Erba)
- O Pintor (Tião do Carro e Caetano Erba)
- O Prisioneiro e a Formiga (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- O Repórter Andarilho (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- O Retirante (José Caetano Erba e Morgado)
- Ouro 18 (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- O Trouxa e a Fera (José Caetano Erba e Pajé)
- Pai do Mundo (Oração) - (José Caetano Erba)
- Pai Roceiro (José Caetano Erba)
- Parede em Pé (Caetano Erba e Parentinho)
- Patriota (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Patrono do Infinito (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Peão Zé Ribeiro (José Caetano Erba, Cacique e Luiz Mariano)
- Pecado de Amor (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Pedaço de Vida (Caetano Erba e Tião do Carro)
- Pedra (José Caetano Erba)
- Pedra do Tempo (Criolo, José Caetano Erba e Da Silva)
- Pedra Ferro (José Caetano Erba e Zé Matão)
- Peões Veteranos (José Caetano Erba e Cacique)
- Peroba da Colina (José Caetano Erba)
- Placa de Cimento (José Caetano Erba)
- Poeta do Serrado (Geraldo Correia, José Caetano Erba e Cacique)
- Presente Especial (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Primeiro Brinquedo (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Procissão de Gado (Caetano Erba, Xavantinho e Tião do Carro)
- Professor Galdino Chagas (José Caetano Erba e Cacique)
- Punhado de Amor (Cacique, Caetano Erba e Wilson Balsaneli)
- Puro Caboclo (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Quadro Gigante (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Quarto Azulado (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Reinado Perdido (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Recado de Carreiro (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Retrato do Meu Sítio - (José Caetano Erba)
- Roda de Carro (José Caetano Erba e Brazando)
- Roldão Bueno (Cacique, José Caetano Erba e Alexandre)
- Rosa Branca (José Caetano Erba)
- Rosto de Deus (José Caetano Erba e Tião do Carro)
- Saco de Ouro (Paraíso e Caetano Erba)
- Sala dos Milagres (José Caetano Erba, Rodrigo Mattos e Gina)
- Santa Mãezinha (José Caetano Erba e Zé Matão)
- São Benedito (José Caetano Erba)
- São Francisco de Assis (José Caetano Erba)
- São Paulo Antigo (Cacique e José Caetano Erba)
- Sapato 42 (Caetano Erba e Paraíso)
- Sebastião Gomes (Cacique, José Caetano Erba e Fernando Gaspar)
- Sem Terra e Sem Caminho (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Sombra de um Preto Velho (José Caetano Erba)
- Sonho de um Negro (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Só Pode Ter Sido Deus (José Caetano Erba e Zezito)
- Sul de Minas Gerais (José Caetano Erba e Josiene)
- Tá Faltando Alguém (Cézar, Caetano Erba e Oswaldo Galhardi)
- Teia de Aranha (Caetano Erba, Seresteiro e Zulmar Neves)
- Tordilho (José Caetano Erba)
- Trancos da Vida (Tonico, Tinoco e José Caetano Erba)
- Transamazônica (Tonico e José Caetano Erba)
- Trem de Ferro (Caetano Erba, Toni Gomide e Brigadeiro)
- Tributo ao Tonico (José Caetano Erba)
- Trilhas da Vida (José Caetano Erba e João Pinheiro)
- 34 Anos (Tonico, Tinoco e José Caetano Erba)
- 33 Anos (Tonico e José Caetano Erba)
- Triste Madrugada (José Caetano Erba e Gentil de Lima)
- Tulha Velha (Caetano Erba e Paraíso)
- Um Peso, Duas Medidas (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Vaca Maiada (José Caetano Erba, Cacique e Nil)
- Varanda da Vida (José Caetano Erba)
- Velho Arado (José Caetano Erba, Cacique e Russo)
- Velho Comandante (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Velho Coxo (Caetano Erba e Evan Souza)
- Velhos Retratos (José Caetano Erba e Rodrigo Mattos)
- Vento na Farinha (Tião do Carro e José Caetano Erba)
- Viola Pura (José Caetano Erba e Paraíso)
- Viola Rainha (Santo Marassatti, Tupi e José Caetano Erba)
- Vovô Coruja (Tonico, Tinoco e José Caetano Erba)
- Zé Pedreiro (Tião do Carro e Caetano Erba)
- Zé Roça (José Caetano Erba)
- Zico das Flores (José Caetano Erba)

Fonte: Recanto Caipira (www.recantocaipira.com.br)

segunda-feira, maio 02, 2011

Cego Aderaldo

Cego Aderaldo (Aderaldo Ferreira de Araújo), cantor itinerente e repentista, nasceu em 24 de junho de 1878 na cidade do Crato — CE, e faleceu em 29 de junho de 1967, em Fortaleza - CE. Logo após seu nascimento mudou-se para Quixadá, no mesmo estado.

Aos cinco anos começou a trabalhar, pois seu pai adoeceu e não conseguia sustentar a família. Tomou conta dos pais sozinho: quinze dias depois que seu pai morreu (25 de março de 1896).

Quando tinha 18 anos e trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité, sua visão se foi depois de uma forte dor nos olhos. Pobre, cego e com poucos a quem recorrer, teve um sonho em verso certa vez, ocasião em que descobriu seu dom para cantar e improvisar. Ganhou uma viola a qual aprendeu a tocar. Mais tarde começou a tocar rabeca.

Algum tempo depois, quando tudo parecia estar voltando à estabilidade, sua mãe morre. Sozinho começou a andar pelo sertão cantando e recebendo por isso. Percorreu todo o Ceará, partes do Piauí e Pernambuco. Com o tempo sua fama foi aumentando.

Em 1914 se deu a famosa peleja com Zé Pretinho (maior cantador do Piauí). Depois disso voltou para Quixadá mas, com a seca de 1915, resolveu tentar a vida no Pará. Voltou para Quixadá por volta de 1920 e só saiu dali em 1923, quando resolveu conhecer o Padre Cícero.

Rumou para Juazeiro onde o próprio Padre Cícero veio receber o trovador que já tinha fama. Algum tempo depois foi a vez de cantar para Lampião, que satisfez seu pedido — feito em versos — de ter um revólver do cangaceiro.

Tentando mudar o estilo de vida de cantador, em 1931, comprou um gramofone e alguns discos que usava para divertir o povo do sertão apresentando aquilo que ainda era novidade mesmo na capital. Conseguiu o que queria, mas o povo ainda o queria escutar.

Logo depois, em 1933, teve a idéia de apresentar vídeos. Que também deu certo, mas não o realizava tanto. Resolveu se estabelecer em Fortaleza em 1942, onde veio a abrir uma bodega na Rua da Bomba, No. 2. Infelizmente o seu traquejo de trovador não servia para o comércio e depois de algum tempo fechou a bodega com um prejuízo considerável.

Desde 1945, então com 67 anos, Cego Aderaldo parou de aceitar desafios. Mas também, já tinha rodado o sertão inúmeras vezes, conseguira ser reconhecido em todo lugar, cantara pra muitas pessoas, inclusive muitas importantes, tivera pelejas com os maiores cantadores.

E, na medida em que a serenidade, que só o tempo trás ao homem, começou a dificultar as disputas de peleja, ele resolveu passar a cantar apenas para entreter a alma.

Cego Aderaldo nunca se casou e diz nunca ter tido vontade, mas costumava ter uma vida de chefe de família pois criou 24 meninos.

Relata o Cego Aderaldo:

"Em Belém do Pará eu conheci muitos cantadores. Mas o mais afamado, que emendou a camisa comigo, foi o índio Azuplim. Nossa batida foi a que se segue..."

Eu saí do Ceará
Deixei meu triste mocambo,
Com medo do dezenove,
Este pesadelo bambo.
Vinha o coronel Monturo
Junto com doutor Molambo...
A dona fome na frente,
Na cadeira do trapiche,
Dizendo: No Ceará
Tudo é fofo e nada é fixe.
Juro que aqui nesta terra
Não vinga mais nem maxixe...
A dona Fome me olhou
E disse a mim: — Eu pego!
Eu disse: — Não senhora!
Eu sei por onde navego,
Quem tem vista corre logo,
Quanto mais eu sendo cego...
Segui para Fortaleza,
Dei uma viagem além.
O barco era o "Maranhão",
E até corria bem,
Com três dias e três noites
Chegando nós em Belém...
Quando eu cheguei em Belém,
Me encostei naquele cais.
— Aonde vai esta linha?
Eu perguntei a um rapaz
Ele disse: — Nesta linha
Passa um trem para São Brás...
Eu parti para São Bras,
Para casa de Gaudêncio
Que já conhecia bem,
Ele, Salina e Merêncio;
Junto estes amigos
Não pude guardar silêncio...
Fui para Madre de Deus,
Terra de um povo fiel,
Ali ganhei qualquer cousa
Tomei açaí com mel,
De manhã peguei o trem,
Fui para Santa Isabel...
Depois fui para Americana,
Cantei lá no Apéu,
Do sitio de São Luís
Eu fui pra Jambuaçu;
Eu cantei no Castanhal,
E no Igarapeaçu...
No primeiro Caripi
Eu cantei, lá fui feliz,
No segundo Caripi
Cantei tudo quanto quis,
E ali tomei o trem,
Fui cantar em São Luís....
Ali chegou um convite,
Eu para Muricizeira,
Depois, cantei no Burrinho
Cantei no Açaí Teuã...
Fui cantar no Timboteuã...
Segui para Capanema
Com coragem e esperança.
Passei uns dois ou três dias
E segui para Bragança,
Dizendo sempre comigo:
— Quem espera em Deus não cansa...
Quando eu cheguei em Bragança,
Não quis ir no Benjamim,
Não encontrando hospedagem,
Me hospedei num botequim,
Que era coberto e cavaco
E circulado a capim...
O dono do botequim
Veio a mim e perguntou:
— Cego de onde tu és?
Me diga se é cantador.
Me diga se não tem medo
De azuplim trovador...
Me perguntei: — Não senhor!
Será algum rio-grandense
Ou mesmo um paraibano,
Ou um cantador cearense?
Ele disse: — Não senhor,
É um cantor paraense...
Quando findei a palavra
Vi o paraense chegar,
Ele trazia consigo
Uma viola e um ganzá,
E trazia um tamborim,
Que é instrumento de lá...
Ele afinou a viola,
Quando bateu no ganzá,
Deu um tom no tamborim
Para o baião entoar,
Eu tirei a rabequinha
E fiz a prima chorá...
Cego — Eu lhe disse: — Oh! Paraense,
És uma ninfa de fada,
Teu cântico me parece
A deusa da madrugada.
Eu lhe peço, amicíssimo,
Que cante a sua toada...


Azuplim — Cego, minha toada é,
Um trabalhador garantido.
Você pra cantar mais eu
Precisa ser aprendido,
Queira Deus tu me acompanhe, ai ai!
Pra cantar nesse gemido...
C — Meu amigo, o teu gemido,
Tem destacado valor,
Canta bem perfeitamente,
Já vi que é bom cantador,
Mas amigo, esse gemido,
Me desculpe , que eu não dou...
A — Se num dás um só gemido
Também não és cantador,
Vá cobrar logo o dinheiro.
Do mestre que lhe ensinou, ai, ai!
O cego já apanhou...
C — Se gemer foi cantoria,
Você é bom cantador,
Pois gemes perfeitamente,
No gemido tem valor,
Mas geme com grande dor...
A — Ou que gema ou que não gema,
A boa palavra encerra,
Cego, cante aqui mais eu,
Que eu vim lhe fazer guerra,
Quero que você me diga, ai, ai!
A linguagem da minha terra...
C — A linguagem da tua terra,
Não é linguagem mesquinha,
É toda no guarani
Estudada, é bonitinha!
Para que não perguntaste
A linguagem da terra minha?...
A — Eu quero é que diga da minha
Por que muda de figura:
Cego, diga para mim
O que nós chama mucura,
Quero que você me diga, ai, ai!
O que é saracura...
C — É verdade, essa linguagem
Muda mesmo de figura,
O que nós chama casaco
Vocês só chamam mucura
E o que nós chama sericóia
Vocês chamam saracura...
A — Cego, diga para mim:
O que é jamaru?
Queira Deus você me diga
O que é jacuraru,
O que é macuracar ai, ai!
O que nós chama jambu...
C — É o que nós chama cabeça,
Vocês chama jamaru,
O que nós chama tejo,
Vocês chama jacuraru,
Tipi é mucuracar,
E agrião chamam jambu...
A — Cego, diga para mim
O que nós chama jibóia,
Quero que você me diga
O que é tiranabóia,
Diga aí pra eu saber, ai, ai!
O que é "pegando a bóia"...
C — No Piauí tem um besouro
De nome tiranabóia,
Nossa cobra-de-veado
Cresce aqui, chamam jibóia,
Em minha terra almoço e janto,
... tanto aqui só "pego a bóia"...
A — Cego, diga para mim
O que é a sacupema,
Veja se você me diz
O que é piracema,
Diga aí rapidamente, ai, ai!
O que nós chama panema...
C — O que nós chama raiz
Vocês chama sacupema,
O que nós chama peixe muito
Vocês chamam piracema;
A um sujeito preguiçoso
Chega aqui chamam panema...
A — Cego, diga para mim
A língua dos Tupinambá,
A língua dos Aimoré,
Ou dos índios Caetá,
Ou sobre os índios Tamoios
Ou índios Tamaracá...
C — Sobre as gírias dos índios,
Desde o Norte até o Sul,
Pixueira é coisa fria,
Um beijo chama meiru,
Tacioca é uma é uma casa,
Morada de caititu...
A — Agora o cego Aderaldo
Me respondeu muito bem,
Vi que gírias dos índios,
Ele segue mais além,
Pelo jeito que estou vendo
Você é índio também...
C — Meu amigo eu não sou índio,
Nasci num pobre lugar:
Que é tão propenso a seca
Que obriga agente emigra
Sol danado de Iracema,
Terra de Zé de Alencar...
A — Cego, deixa de mentira,
Tua terra não tem nome,
Tua terra é uma miséria,
É lugar que não se come,
De lá veio cinco mil,
Tudo pra morrer de fome...
C — Dos cinco mil que vieram
Algum era meu parente,
Uma era tio, outro primo,
Conterrâneo e aderente,
Mais esse povo só come
Massa de figo de gente...
A — Saí daí, cego canalha,
Com a sua poesia,
Nesta minha carretilha
Você hoje se esbandalha,
Teu cântico tem grande falha,
Quer cantar mais não convém...
Você somente o que tem
É entrar no bacalhau;
Apanhar de peia e pau
Cearense aqui não vai bem...
C — De onde tu vens contrafeito,
Cabeça de onça mancho,
Bote o matulão abaixo
E conte a história direito,
Me diga o que aqui tem feito
Por estes mundos além,
Se você matou alguém
Ou então se fez barulho,
Vai muito mau seu embrulho,
Paraense aqui não vai bem...


A — Quando eu pego um cantador
Dou três tacada danada,
Lhe deixo a cara inchada
De relho e chiquerador,
É o café que lhe dou,
É isto que lhe dou,
E não diz nada a ninguém,
Apanha e fica calado,
Triste e desmoralizado
Cearense aqui não vai bem...


C — Disse uma velha na rua
Que em outros tempos atrás
Você e um seu rapaz
Lhe roubaram uma perua;
Veja que moda esta sua
Roubando quem vai, quem vem,
Como tu não tem ninguém
Mais ladrão do que você.
Tome lá meu parecer:
Paraense aqui não vai bem...
A — O cantador que eu pegar
Pelo meio da travessa
Nem Padre lhe confessa
Enquanto eu não lhe soltar,
Dou-lhe arrocho de lhe quebra,
Osso e costela também,
Quebro tudo que ele tem,
Deixo-lhe o corpo em bagaço,
Tudo quanto eu digo eu faço,
Cearense aqui não vai bem...
C — Até as moças donzelas
Pediram aos cabras da feira
Para meter-lhe a madeira
E arrebentar-lhe as costelas.
Você abra o olho com elas,
Boa surra você tem,
Boa surra você tem,
Neste dia também vem
A velhinha da perua
Quebrar-lhe a cara na rua,
Paraense aqui não vai bem...
A — Também não quero brigar,
Não sou homem de intriga,
Eu não nasci para briga
E não vivo de pelejar;
Também não quero teimar
Porque isso não convém,
Lhe venero e quero bem,
Digo isso pode crer;
Não quero lhe aborrecer,
Cearense aqui vai bem...
C — Amigo, como mudou,
Que coisa misteriosa!
Tens o perfume da rosa
Que a pouco desabrochou.
Por isso tem o maior verdor
Do que lá no bosque tem.
O anjo lá de Belém
Ouviu nossa cantoria,
Entrarmos em harmonia,
Paraense aqui vai bem...
Havia quatro cervejas
Que um coronel apostou
Dizendo que todas quatro
Pertencem ao vendedor
Nós dois bebemos as cervejas
Nem um nem outro apanhou...

(Estado do Pará, junho de 1919)

Fontes: Texto extraído do livro "Eu sou o Cego Aderaldo"; Rachel de Queiroz, Maltese Editora — São Paulo, 1994; Wikipedia - A Enciclopédia Livre.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Gerson Filho

Gerson Filho (Gerson Argolo Filho), compositor e acordeonista, nasceu na histórica cidade de Penedo no interior de Alagoas, famosa por suas serestas, em 1928. Aprendeu a tocar sanfona ainda criança.

Iniciou a carreira artística no Rio de Janeiro no início dos anos 1950 e teve o apoio da dupla Venâncio e Corumbá.

Em 1953, gravou seu primeiro disco pela Todamérica interpretando ao acordeom, de sua autoria, a Quadrilha da cidade e o baião Catingueira no sertão.

Em 1954, venceu o concurso de calouros "Caminho da vitória" na Rádio Guanabara, sendo logo em seguida contratado pela emissora. No mesmo ano, lançou os baiões: Baião do soldado e Baião em Caxias, a polca Casa velha, todas de sua autoria e a rancheira Marombando, com Salvador Miceli, entre outras composições.

Em 1955, lançou de sua autoria os choros Comendo e chorando e Choramingando. Lançou também no mesmo ano o baião Torcida do Flamengo, com Pachequinho. Em 1956, gravou os baiões Sete quedas de sua autoria e Baião paulista, em parceria com Ermínio Vale. Em 1957, gravou de sua autoria o baião Macaco é Tio Antônio, a marcha Agüenta o banzeiro, com Miguel Lima e a marcha Por mulher nunca chorei de parceria com Otávio Filho. 

Em 1958, lançou a polquinha Pra livrá de confusão, de Miguel Lima e a rancheira Papai me disse, de Sebastião Silva e Astrogildo Meireles, ambas com vocal de Luiza Vidal. No mesmo ano, lançou o LP Gerson Filho e seu fole de oito baixos onde gravou a quadrilha, ritmo bastante popular no Nordeste e praticamente ainda não gravado até aquela ocasião. Nesse período sua carreira tomou grande impulso com ele fazendo muitas apresentações em circos, praças públicas e festas por todo o Brasil.

Em 1959, gravou o Baião da capelinha de sua autoria e o Forró de Zé Lagoa em parceria com Francisco Anísio, famoso comediante, então em começo de carreira. Em 1960, lançou os forrós: Forró no salão, de Agenor Lourenço e Dini Goulart e Namoro no forró, de Miguel Lima, Aguiar Filho e Geraldo Maia. Em 1961, gravou de João Silva e Penedo o forró Ó, Lia e de sua autoria e Aguiar Filho o baião De Penedo a Propriá. Em 1963, gravou dele e Otávio Filho o Baião da meia-noite e dele e Doca o forró Na bodega do Bodega.

Em 1969, após muitos anos residindo no Rio de Janeiro retornou para o Nordeste, indo morar em Sergipe, onde passou a apresentar, desde então, o programa "Forró no asfalto" na Rádio Difusora de Aracaju. Em 1970, passou a atuar na Chantecler/Continental, onde gravou cerca de 17 discos, entre os quais: É pra valer, Ingazeira do Norte e Levanta poeira

Em 1982, lançou o disco Gerson Filho - Xote da cobra doida, interpretando diversas composições de sua autoria, entre as quais: Tropé seguro, com Isnaldo Santos, Minha festa, nossa festa, Xote da cobra doida e Forró de chão batido, de sua autoria. Um de seus principais parceiros foi Isnaldo Santos, com quem compôs entre outras, a quadrilha Dança comigo, o Forró na bulandeira e o xote Esse xote é bom.

Obra

Agüenta o banzeiro (c/ Miguel Lima), Arrasta-pé de vaqueiro (c/ Ofrísio Acácio), Baião calado (c/ Salvador Miceli), Baião da alta-roda, Baião da capelinha, Baião da meia-noite (c/ Otávio Filho), Baião do soldado, Baião em Caxias, Baião paulista (c/ Ermínio Vale), Balança o ganzá (c/ Isnaldo Santos), Canaan, Casa velha, Catingueira no sertão, Chamego do Henrique (c/ Aguiar Filho), Choramingando, Choveu na minha roça, Comendo e chorando, Dança comigo (c/ Isnaldo Santos), De Penedo a Propriá (c/ Aguiar Filho), Desengonçado (c/ Otávio Filho), Devagar com o andor (c/ Salvador Miceli), Esse xote é bom (c/ Isnaldo Santos), Eta pagode bom (c/ Salvador Miceli), Fanfarronada, Figura de mulher (c/ J. Varriol), Forró de chão batido, Forró do Zé Lagoa (c/ Francisco Anísio), Forró na bulandeira (c/ Isnaldo Santos), Galinha arrepiada, Imperial, Lambari dançante, Macaco é Tio Antônio,Madrugada (c/ Irmãos Orlando), Mangaba, Maracanã, Marombando (c/ Salvador Miceli), Maroto (c/ Salvador Miceli), Minha festa, nossa festa,Na bodega do Bodega (c/ Doca), No pé do imbuzeiro (c/ Isnaldo Santos), Nossa polca (c/ Aguiar Filho), O Dia do papai, O Gogó da ema (c/ Salvador Miceli), Peixada no Pina (c/ Salvador Miceli/Carlos Filgueiras), Por mulher nunca chorei (c/ Otávio Filho), Quadrilha brasileira (c/ Aguiar Filho), Quadrilha da cidade, Quadrilha na roça, Respingadinho (c/ Otávio Filho), Roedeira (c/ Ari Monteiro), Segure-gure (c/ Otávio Filho), Sete quedas, Tá certo assim (c/ Isnaldo Santos), Tem dó (c/ João Barros), Tenência do Tangerino (c/ Isaías de Freitas), Torcida do Flamengo, Três e trezentos (c/ Miguel Lima), Tropé seguro (c/ Isnaldo Santos), Valsa do vira (c/ Salvador Miceli), Xodó de sanfoneiro, Xote da cobra doida, Xote da pindaíba (c/ Isnaldo Santos).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira; Bibliografia Crítica: AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

sexta-feira, maio 14, 2010

Marinês

Marinês (Inês Caetano de Oliveira), cantora, nasceu em São Vicente Férrer, PE, em 16/11/1935, e faleceu no Recife, PE, em 14/05/2007. Seu pai, filho de índios Ariús, era seresteiro e a mãe foi cantora de igreja.

Aos 10 anos de idade começou a participar de programas de calouros, tendo chegado a competir num deles, com o também ainda menino Genival Lacerda. Foi casada com o sanfoneiro e produtor Abdias, com quem se casou aos 14 anos.

Depois de premiada com um sabonete numa retreta de rua, espécie de concurso de calouros ao ar livre, no bairro da Liberdade, onde morava, resolveu inscrever-se num programa de calouros na rádio local e, para fugir da vigilância dos pais, acrescentou o Maria ao seu nome. Ao ser anunciada no concurso, o locutor acabou por chamá-la de Marinês, e ela, gostando, adotou o nome artístico.

Em 1949 formou com o marido Abdias o Casal da Alegria. Em seguida, o casal juntou-se ao zabumbeiro Cacau e formou um trio. Este trio, no começo dos anos 50, passou a atuar como a Patrulha de Choque do Rei do Baião, especializada em realizar apresentações nas praças das cidades onde Luiz Gonzaga iria tocar, interpretando músicas do seu repertório, anunciando sua chegada nas cidades do interior do Nordeste, num trabalho feito espontaneamente.

Seu encontro com o Rei do Baião deu-se na cidade de Propriá, em Sergipe, apresentados pelo prefeito da cidade, Pedro Chaves. Na mesma noite do dia em que se conheceram, fizeram um show juntos. Com o apoio de Luiz Gonzaga, que lhe ensinou o xaxado, a carreira de Marinês ganhou impulso, sendo então batizada de A Rainha do Xaxado.

Gravou seu primeiro disco em 1956, lançado no ano seguinte pela Sinter, apresentando-se como Marinês e sua Gente. Gravou na ocasião, a quadrilha Quadrilha é bom, de Zé Dantas e o xaxado Quero ver xaxar, de João do Vale, Antonio Correia e Leopoldo Silveira Junior.

Em 1957, gravou dois grandes sucessos, os xotes Peba na pimenta, de João do Vale, José Batista e Adelino Rivera e Pisa na fulô, de João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr., que foram posteriormente regravados por inúmeros artistas. No mesmo ano, lançou o xaxado Xaxado da Paraíba, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes e o xote O arraiá do Tibiri, de João do Vale e Silveira Jr. Ainda nessa época, a convite de Luiz Gonzaga, vão para o Rio de Janeiro, onde se apresentaram no programa Caleidoscópio, na Rádio Tupi.

Em 1958, gravou de Rosil Cavalcanti os baiões Aquarela nordestina e Saudade de Campina Grande. Gravou ainda, de Gordurinha e Wilson de Morais, o baião Perigo de morte. No mesmo ano participou do filme Rico ri à toa, de Roberto Faria. Em 1959, gravou de Antônio Barros e Silveira Jr. o baião Velho ditado e o xote Marieta.

Em 1960, gravou da mesma dupla o baião Mais um pau-de-arara e o chótis Balanço da saudade. No mesmo ano, transferiu-se para a RCA Victor, onde lançou, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes, o xote Viúva nova e, de Onildo Almeida, o xaxado História de Lampeão. Gravou ainda, de Zé Dantas e Joaquim Lima, a polca Chegou São João. No mesmo ano recebeu o troféu Euterpe no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como a melhor cantora regional.

Em 1961, gravou os cocos Gírias do Norte, de Jacinto Silva e Onildo Almeida e Cadê o Peba, de Zé Dantas. No mesmo ano, gravou a moda de roda Marinheiro, de motivo popular com arranjos de Onildo Almeida e o coco de roda No terreiro da Usina, de Zé Dantas. Gravou ainda o LP Outra vez Marinês, que lhe rendeu um segundo troféu Euterpe, além de ter obtido o prêmio de melhor vendagem.

Em 1962, gravou, de Onildo Almeida, as modas de roda Siriri, sirirá e Meu beija-flor. No mesmo ano, gravou de João do Vale e José Batista o xote Xote de Pirira e de João do Vale e Oscar Moss o coco Gavião.

Em 1963, gravou as modas de roda Balanceio da usina, de Abdias Filho e João do Vale, e Pisei no liro, de Juvenal Lopes. No mesmo ano, gravou, de João do Vale e B. de Aquino, o xote Xote melubico e o baião Macaco véio.

Em 1984 apresentou-se em diversos shows em teatros da periferia do Rio de Janeiro dentro do projeto Pixinguinha, além de fazer participações especiais em discos do conjunto The Fevers e de Zé Ramalho.

Em 1986, lançou o LP Marinês e sua Gente - Tô chegando, com a participação especial de Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jorge de Altinho. Com Luiz Gonzaga, interpretou Tá virando emprego, de Luiz Gonzaga e João Silva, com Dominguinhos, Agarradinho, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, com Gilberto Gil, Doida por uma folia, do próprio Gil e Quatro cravos, de Jarbas Mariz e Cátia de França, e com Jorge de Altinho, Jeito manhoso, de Nando Cordel.

Em 1987, gravou pela RCA Victor o LP Balaio de paixão, interpretando, entre outras, as composições Tô doida pra provar do teu amor, de Nando Cordel, Fulô da goiabeira, de Anastácia e Liane, Novinho no leite, de Nando Cordel e Feitiço, de Jorge de Altinho.

Em 1988 estreou na Continental com o disco Feito com amor, onde regravou sucessos dedicados à festas juninas. Recebeu discos de ouro com A dama do Nordeste e Bate coração.

Gravou diversas músicas consideradas apimentadas e que mexeram com a moral da época, como Peba na pimenta e Pisa na fulô, de João do Vale, Cadarço de sapato, Xote da Pipira e Viúva nova, entre outras. Devido a essas gravações, chegou a ter problemas com os meios católicos do país, tendo ocorrido casos de padres que durante as missas pediam aos fiéis para não comprarem seus discos, como foi o caso de Peba na pimenta.

Com a separação do marido e produtor Abdias, ficou alguns anos sem gravar; ainda sim, lançou cerca de 30 discos, entre 78 rpm, LPs e CDs. Dentre os seus LPs, estão Nordeste valente, Balaiando e Cantando pra valer.

Em 1995, lançou o CD Marinês cidadã do mundo. Ainda nos anos 1990, participou do disco de forró lançado por Raimundo Fagner. Em 1998, com produção da cantora Elba Ramalho, lançou pela BMG o CD Marinês e sua Gente, contando com a participação de importantes nomes da Música Popular Brasileira contemporânea, quase todos do Nordeste. Uma das faixas de destaque é o dueto com Alceu Valença em Pelas ruas que andei, do cantor e compositor pernambucano.

No mesmo ano, a Copacabana/EMI lançou uma coletânea de seus sucessos remasterizados na série Raízes Nordestinas. Foi a primeira mulher a formar um grupo de forró. Em 2000 teve CD lançado pela BMG dentro da série Eu só quero um forró, no qual contou com as participações especiais de Gilberto Gil na música Quatro cravos e Alceu Valença em Pelas ruas que andei.

Faleceu em 2007, vítima de um acidente vascular cerebral que foi acometida um mês antes de sua morte.

Fonte: Cantoras do Brasil.

sábado, maio 01, 2010

Ochelsis Laureano

Ochelcis Aguiar Laureano (foto) foi violeiro, compositor e cantor. Nasceu em 01 de maio de 1909 em Rio Acima, pertencente ainda a Sorocaba, onde hoje é a cidade de Votorantim-SP. Faleceu em 16 de janeiro de 1996.

Foi um dos mais destacados compositores da música caipira de raiz do início do Século XX, tendo feito parte das Caravanas de Cornélio Pires no início dos anos 30, e tendo sido artista na Era do Rádio brasileiro, do final dos Anos 20 até os Anos 50, tendo aí brilhado como compositor, como violeiro, e como intérprete musical, constituindo parcerias famosas nos programas sertanejos das rádios de São Paulo e do Rio de Janeiro:

Formou as duplas “Irmãos Laureano” (com seu irmão João Aguiar Laureano, o Joãozinho), “Laureano e Soares” (com seu cunhado Álvaro Soares, o Soarinho), “Laureano e Mariano” (com Mariano da Silva, pai do músico Caçulinha), “Laureano e Cap. Furtado” (com Ariovaldo Pires, famoso compositor, sobrinho de Cornélio Pires), e os trios “Laureano, Mariano e Serrinha” (com Antenor Serra, autor do sucesso “Chitãozinho e chororó”, com Athos de Campos), “Laureano, Cap. Furtado e Nhá Zefa” (foto: Laureano também fez parte do "Quarteto da Saudade" juntamente com Serrinha, Mariano e Arnaldo Meirelles).

Sobre a vida de compositor, destaca-se sua criatividade múltipla que, para além da música caipira e da poesia, levou-o, também, a compor músicas sacras, fazer regência de coral e lecionar música, lembrando que Ochelsis fez estudos musicais e de regência coral na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, com Heitor Villa-Lobos. Destaque para o poema “Capim Teimoso”, “Lenço Preto” e “O barranco”, para suas músicas caipiras “Marvada pinga (Moda da pinga)” ( o maior sucesso de Inezita Barroso), “Roseira branca”, “O balão subiu”, “A caçada”, “É mió num casá” e “Meu sertão.

A famosa viola do compositor, com seu nome gravado, e o disco original da primeira gravação de seu maior sucesso musical a “Marvada Pinga”, de 1939, com a dupla Laureano e Mariano encontra-se em poder de sua filha Gláucia Laureano Gomes.

Algumas composições de Laureano

· A Bandeira Do Caboclo (Laureano - Ariowaldo Pires)
· ABC Do Prisineiro (Laureano)
· A Caçada (Laureano)
· A Madrugada (Laureano)
· A Morte Do Manuelzinho (Laureano)
· A Mulher E O Relógio (Laureano)
· Agricultura Hoje Tem Seu Lugar (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Amanhecer No Sertão (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Cana-Verde Em Desafio (Laureano - Ariowaldo Pires - Nhá Zefa)
· Cantando No Rádio (Laureano)
· Casamento (Laureano - Soares)
· Casamento Internacional (Laureano)
· Casamento Perdido (Laureano)
· Casando À Bessa (Laureano)
· Chuva de Pedra (Laureano)
· Como Nasceu o Cururu (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Crise (Laureano)
· Deixei De Ser Carreiro (Mariano - Laureano)
· Desafio (Laureano - Soares)
· Desafio Disparatado (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Destinos Iguais (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Em Redor Do Mundo (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
· Ensinando A Muié (Laureano)
· Fim De Um Valentão (Laureano)
· Meu Casamento (Laureano)
· Meu Jardim (Laureano)
· Minha Profissão (Laureano)
· Minhas Aventuras (Laureano)
· Moda Da Pinga (Ochelsis Laureano - Raul Torres)
· Moda Das Meias (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
· Moda Do Ceguinho (Laureano)
· Moda Do Pito (Laureano)
· Moda Dos Tecelões (Laureano)
· Muié Sapeca (Laureano)
· No Mundo Da Lua (Laureano)
· O Balão Subiu (Laureano)
· O Cavalo E O Boi (Laureano)
· O Cravo (Laureano)
· O Crime Do Restaurante Chinês (Laureano)
· O Diabo E O Mundo (Laureano)
· O Jogo Do Truco (Laureano)
· O Que Eu Vejo (Laureano)
· O Sonho Do Matuto (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Patrões E Operários (Laureano)
· Repicando A Viola (Laureano)
· Revolta De São Paulo (Laureano)
· Roseira Branca (Laureano)
· Saudades de Sorocaba (Laureano)
· Situação Dos Homens (Laureano)
· Uma Carta Atrapalhada (Laureano)
· Um Retrato (Laureano)
· Valentia de Voluntário (Laureano)

Fonte: biografia e fotos gentilmente enviadas por Nicc Nilson

sábado, abril 17, 2010

Inhana

Inhana (Ana Eufrosina da Silva Santos), cantora, nasceu em Araras, SP (28/03/1923) e faleceu em São Paulo, SP (11/06/1981). Começou sua carreira atuando como solista em um conjunto formado com seus irmãos.

Em 1941 conheceu a dupla Chopp e Cascatinha. Nesse mesmo ano se casou com Cascatinha, formando-se então o Trio Esmeralda, adotando a partir dessa época o nome artístico de Inhana.

Seguiram para o Rio de Janeiro, onde conseguiram fazer um certo sucesso, recebendo vários prêmios nas apresentações em programas de rádio, como o de César Ladeira na Rádio Mayrink Veiga, Manoel Marcelos e Papel Carbono, os dois na Rádio Nacional.

Em 1942 Chopp deixou o grupo, prosseguindo a dupla Cascatinha e Inhana, ingressando a dupla no elenco do Circo Estrela D'Alva, fazendo excurções pelos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Devolta à São Paulo passaram a atuar no Circo Imperial, onde permaneceram por cinco anos.

Em 1947 cantaram pela primeira vez em rádio como dupla, na Bauru Rádio Clube. Em 1950 Cascatinha e Inhana foram contratados pela Rádio Record, onde ficaram por doze anos. Gravaram o primeiro disco em 1951 na gravadora Todamérica, registrando as músicas La paloma (Iradier - Pedro Almeida) e Fronteiriça (José Fortuna).

Em 1952 a dupla gravou os dois maiores sucessos de sua carreira, as guarânias Meu primeiro amor (Lejania) (H. Gimenez - versão: José Fortuna - Pinheirinho Jr.) e Índia (J. A. Flores - M. O. Guerrero - versão: José Fortuna), que a despeito de serem versões de música estrangeira podem ainda assim ser consideradas dois grandes clássicos da MPB, seja pelas gravações de imenso sucesso de Cascatinha e Inhana assim como suas regravações, feitas por grandes nomes como Maria Bethânia e Gal Costa.

Em 1953 a dupla gravou Mulher rendeira (motivo folclórico - arranjos: João de Barro). Em 1955 a dupla participou do filme Carnaval em Lá Maior, de Ademar Gonzaga. Nesse mesmo ano fizeram sucesso com a música Despertar do sertão (Pádua Muniz - Elpídio dos Santos). Outro grande sucesso foi Colcha de retalhos (Raul Torres), gravada em 1959.

Chamados de "Os Sabiás do Sertão", a dupla Cascatinha e Inhana é ainda hoje a mais importante dupla sertaneja da história da MPB, apesar do imenso sucesso popular de duplas surgidas à partir da década de 70. Permaneceram ativos e gravando regularmente até a morte de Inhana, em 1981.

Na década de 90 a gravadora Revivendo lançou uma série de CDs reunindo diversas gravações de Cascatinha & Inhana. Cascatinha ainda lançou um disco solo em 1982, e faleceu em 1986.

sábado, agosto 01, 2009

Duo Brasil Moreno

Duo Brasil Moreno - Dupla sertaneja formada pelas irmãs Dora (Dora de Paula, Guariba-SP 1917-) e Didi (Antônia Glória de Paula, Guariba-SP 1924-). As irmãs foram criadas na cidade de Cambará (PR), com mais dois irmãos.

Começaram a cantar no coral da Igreja Santa Cecília em Cambará, juntamente com os irmãos. Em 1940, a família mudou-se para São Paulo. Dora e Didi formaram com os irmãos o Quarteto Brasil Moreno. Passam a se apresentar em programas de calouros das rádios Record e Cultura. O quarteto virou Trio Brasil Moreno, quando o irmão foi chamado para o serviço militar. O trio continuou a participar de programas de calouros.

Em 1943, ao tirarem o primeiro lugar no programa de Otávio Gabus Mendes e Geraldo Mendonça, são convidados a assinar contrato com a PRB-9. Em 1951, o trio transformou-se no Duo Brasil Moreno, com a saída da irmã (Helena), que abandonou a carreira artística para se casar. O Duo Brasil Moreno teve inúmeras participações em programas radiofônicos, inclusive no programa História da Música, na Rádio Record, produzido e apresentado por Almirante.

Em 1952, a dupla gravou seu primeiro 78rpm, pela Star, subsidiária da Copacabana. O disco incluía as canções Chalana, de Mário Zan e Arlindo Pinto, e Abandonada de Mário Zan e Palmeira. Graças ao sucesso alcançado, especialmente com o rasqueado Chalana, vários discos se seguiram.

Em 1961 lançaram pela Chantecler a guarânia Último adeus, de Luiz de Castro e o bolero Bis para o amor, de José Bettio e Roberto Stanganelli. No mesmo ano gravaram na Sertanejo o rasqueado Pedaço de coração, de Elpídeo dos Santos em parceria com a dupla e o xote China morena, de Raul Torres e Sebastião Teixeira. Posteriormente lançaram, pela Copacabana, seu primeiro LP, com o qual colecionaram sucessos como Natal no sertão, de Palmeira e Mário Zan, Campo Grande, de Raul Torres, Canção do trolinho, de Hervé Cordovil , e Flor de Tupã, de Mário Zan e Palmeira.

A dupla gravou também, pela Copacabana, várias versões, lançadas em 78rpm. Fizeram , entre outros, um programa na Rádio Record, todas as segundas-feiras, que aconteceu por 16 anos. Atuou em diversas emissoras de televisão de São Paulo e excursionou por vários estados. Em 1974, o Duo Brasil Moreno gravou um LP, de repertório exclusivamente sertanejo, acompanhado de toda a família.

Fontes: Encilopédia da Música Brasileira - Art Editora; Dicionario Cravo Albin de Musica Popular Brasileira.