Ney Matogrosso (Ney de Souza Pereira), cantor, nasceu em 1º de agosto de 1941 em Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, e aos 17 anos entrou para a Aeronáutica, indo mais tarde trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília.
Pouco mais tarde começou a cantar em um quarteto vocal e participou de um festival universitário, depois do que enveredou para a carreira artística, querendo ser ator de teatro. Com esse objetivo foi para o Rio de Janeiro em 1966, onde virou hippie e passou a viver da venda de peças de artesanato. Trabalhou como iluminador na Sala Cecília Meireles. Fez a iluminação de vários grandes shows, como por exemplo,
Paratodos, de Chico Buarque.
Em 1971 mudou-se para São Paulo, adotou o nome artístico Ney Matogrosso e passou a integrar o grupo
Secos e Molhados, que, em apenas um ano e meio de vida, tornou-se um fenômeno, vendeu mais de um milhão de discos e se desfez. Ney projetou-se com o sucesso da banda, chamando a atenção por sua voz e por seu desempenho sempre teatral no palco.
Com o fim do grupo em 1974, seguiu uma carreira individual de sucesso, gravando então o LP
Tercer mundo, pela Continental, mesma gravadora do LP
Água do céu-pássaro, lançado no ano seguinte. Por essa época, fez shows no Rio de Janeiro e em São Paulo e trabalhou com
Astor Piazzola em Milão, Itália, gravando um compacto duplo com ele e seu grupo. Ainda pela Continental lançou os dois LPs posteriores:
Bandido (1976) e
Pecado (1977). Pela WEA, lançou o LP
Feitiço, em 1978.
No ano seguinte, com o show
Seu tipo, pretendeu mudar a imagem andrógina e espalhafatosa, mas a tentativa não deu certo. Gravou o LP
Seu tipo, WEA. Lançou em 1980 o LP
Sujeito estranho, WEA. No ano seguinte, o disco
Ney Matogrosso, Ariola, incluiu
América do Sul (Paulo Machado) e
Coubanakan (Moisés Simon, Sauvat e Champfleury) e ganhou um Disco de Ouro.
Em 1982 fez sucesso com o show
Matogrosso, no Canecão, Rio de Janeiro, com destaque para
Deixar você (
Gilberto Gil) e
Tanto amar (
Chico Buarque). Gravou
Matogrosso, Ariola.
Em 1983, já tendo lançado 8 LPs individuais, e recebido quatro prêmios, sendo dois Discos de Platina e dois Discos de Ouro, fez sua primeira tournee européia, que teve como ponto de partida o Festival de Jazz de Montreux (Suíça). Também nesse ano comemorou 10 anos de carreira, com o LP
Pois é, Ariola.
Em 1984, numa iniciativa pioneira, alugou a lona do Circo Tihany e fez o espetáculo
Destino de aventureiro, que ficou 5 meses em cartaz no Rio de Janeiro e depois correu o Brasil. Gravou pela Barclay o LP homônimo, que tambem recebeu Disco de Ouro e de Platina. Depois de dois anos sem gravar, voltou em 1986 com o LP
Bugre.
Em 1990 lançou o disco
A flor da pele, com Rafael Rabelo (Som Livre). A biografia
Ney Matogrosso — um cara meio estranho, da jornalista Denise Pires Vaz, foi lançada em 1992-1993. Dirigiu o Prêmio Sharp de 1993, feito em homenagem a
Ângela Maria e Caubi Peixoto. Em 1994 lançou
As aparências enganam, com o grupo Aquarela Carioca (Polygram).
Em 1995 fez tournee pelo Brasil cantando o repertório de Ângela Maria, gravado no disco
Estava escrito (Polygram). Gravou em 1996
Um brasileiro, disco dedicado a obra de Chico Buarque (Polygram). Em 1997 lançou pela Polygram o CD
O cair da tarde, tributo a Villa-Lobos e
Tom Jobim. Apresentou-se em shows de lançamento do CD com o pianista Leandro Braga e o grupo Uakti.